ANO II - Nº 07 - JANEIRO/FEVEREIRO DE 2010 - E-MAIL: jornal@eccovida.com.

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Apesar de ainda ser pequena a importância dada à reciclagem, o poder público tem mudado, aos poucos, sua visão. Um exemplo disso foi a realização do Fórum Permanente de Desenvolvimento do Estado, que focou o tema reciclagem e sustentabilidade sob o título “Indústria da Reciclagem: impactos sociais, econômicos e ambientais”. PÁGINAS 8 e 9

Aves como ferramenta para a preservação
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Maricá e suas belezas naturais

Embora o Brasil seja um dos maiores recicladores de lixo do mundo, o país ainda desperdiça muito, devido à falta ou ao mau funcionamento de políticas públicas de coleta seletiva. Os números confirmam esse descompasso. PÁGINAS 4 e 5

Praia, sol e a radiação ultravioleta
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Que relação há entre a nossa pele, a nossa saúde e os raios que vêm do alto, durante o dia? PÁGINA 14

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Editorial
Chegou a hora de conferirmos mais uma edição do nosso jornal Eccovida. Tivemos muito trabalho pois queríamos trazê-lo de cara nova, e conseguimos: o resultado ficou excelente. Parabéns aos profissionais pela dedicação. Essa edição é muito especial. E para valorizar a nossa riqueza natural, escolhemos temas muito interessantes para este mês, como: “Ilha da Sujeira”, “Os obstáculos da coleta seletiva no Brasil”, “O lixo é o grande desafio do século 21”, “Maricá e suas belezas naturais”, entre outros. Aproveitamos o momento para dizer que queremos ouvir as opiniões e sugestões de vocês, nossos leitores. Queremos ser avaliados, enfim, queremos que participem conosco da realização desse sonho. Desejamos a todos uma ótima leitura.

Dr. Reinaldo Martins - Advogado

Administração Ambiental no Brasil
Você já se imaginou acordando e não ou- mantém mobilizados os atores e leva os parvindo mais o cântico dos pássaros, vendo ticipantes a alcançarem os seus intentos. os verdes das árvores, as águas dos rios? Por outro lado ao nos referirmos à “PolíJá se imaginou em um deserto cercado de tica do Meio ambiente” ou “Políticas areia por todos os lados e debaixo de um Ambientais”, essas expressões não devem sol escaldante? É para se evitar que a hu- se confundir com a Política Nacional do manidade transforme o planeta num caos Meio ambiente, editada pela Lei 6.938/1981, habitável que existe a política pública de- que estabelece as grandes diretrizes (prinnominada Administração Ambiental. cípios, objetivos, instrumentos) para a Seu princípio fundamental é: o meio am- implementação efetiva de uma política nabiente é um patrimônio da coletividade e cional que transcenda a administração mepor isso deve ser preservado, administra- ramente local ou setorial do meio ambiente. do e incrementado em favor de todos que Recepcionada pela Constituição Federal de integram a sociedade nacional brasilei- 1988, essa mesma política representa, por ra. assim dizer, o instrumento legal maior para Para ele ser implementado é preciso criar a condução de todas as iniciativas que têm instrumentos adequados, como recursos de sido e venham a ser tomadas no relacionagestão e outros meios. Os atores dessa mento da sociedade brasileira com o meio peça da vida são o ambiente, em especial Poder Público e a so- O meio ambiente é um no que se refere aos ciedade, esta por inprocessos econômipatrimônio da termédio de seus segcos e aos setores promentos organizados. coletividade e por isso dutivos que empregam Eles têm nesse papel deve ser preservado, recursos naturais e geum único texto a pasram resíduos, causanadministrado e sar e repassar: zelar do impactos e alteranpor si mesma, pelos incrementado em favor do a configuração do seus objetivos maiode todos que integram mundo natural em esres e pelo seu calas cada vez maiores. patrimônio. Para a a sociedade nacional Em virtude do meio consecução dessas ambiente, da relevânbrasileira ações organizadas é cia dos interesses necessário pôr em prática ações organiza- socioeconômicos envolvidos e da necesdas e eficazes, para as quais se requer o sidade de conciliá-los, a Administração Púfim, os meios e os agentes, além de outros blica deverá guiar-se pelos princípios da fatores. legalidade, da impessoalidade, da Esse conjunto orgânico de ações prati- moralidade, da publicidade, da eficiência, cadas constitui um processo único, articu- da finalidade, da motivação, da lado, que vem a ser a Administração do razoabilidade e da proporcionalidade, da Meio Ambiente, ou em termos mais ade- ampla defesa e do contraditório, da seguquado a Gestão Ambiental. rança jurídica e do interesse público. Tudo A respeito da Gestão Ambiental, é isso decorre da essencialidade do meio amesclarecedora a observação do professor biente, que transcende os limites de prode Gestão Ambiental José Carlos Barbieri, priedade, e até mesmo limites geopolíticos. da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo A Política Nacional do Meio Ambiente que assim se expressa: “Os termos admi- esclarece bem a gestão ambiental ao afirnistração, gestão do meio ambiente, ou mar que pelo fato de ser bem de uso cosimplesmente gestão ambiental serão aqui mum, o meio ambiente é de domínio públientendidos como as diretrizes e as ativi- co, e embora não seja propriedade do Podades administrativas e operacionais, tais der Público é sua responsabilidade; por como planejamento, direção, controle, isso, este último tem papel insubstituível e alocação de recursos e outras, realizadas inalienável na Gestão Ambiental. A parte com o objetivo de obter efeitos positivos que cabe ao homem é definida pelo Direito sobre o meio ambiente, quer reduzindo ou e pela Ética; o que cabe à Natureza é definieliminando os danos ou problemas cau- do pela Ciência. A conjugação dessas duas sados pelas ações humanas, quer evitan- “responsabilidades” é que faz o equilíbrio do que eles surjam.” ecológico. O planejamento é indispensável na gesO significado mais expressivo da administão ambiental que, uma vez iniciado se tor- tração ambiental é o reconhecimento de que na contínuo e progressivo devendo sem- o meio ambiente é impessoal e incapaz de pre se renovar e atualizar, pois esse fator autogerir-se, por isso precisa de proteção.

Circulação em todo o TERRITÓRIO NACIONAL

Edição de JANEIRO / FEVEREIRO
Editor: Paulo Celestino Diretora Administrativa: Danielle F. Gomes Subeditora/Diagramação: Ana Luísa Freitas Fotografia: Danielle F. Gomes Coordenadora Ambiental: Livia Galdino Diretor Comercial: Leandro Suzart Jurídico: Dr. Campello de Oliveira; Dr. Reinaldo Martins Designer Gráfico: André Celestino Jornalista Responsável: Paulo de Almeida Celestino; registro profissional nº 27587/RJ Direção: Ong Eccovida Redação: Rua Alvares de Castro, 460 - loja 11 - Centro - Maricá - CEP. 24900.000 Tels.: (21) 2637-3837 / 3731-1593 / 9887-1245 www.eccovida.com.br jornal@eccovida.com.br
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A nova reciclagem
Dr. Reinaldo Martins Ferreira Advogado os dias 9 e 10 deste mês de novembro participamos do Seminário promovido pela ABRAMPA – Associação Brasileira do Ministério Público de Meio Ambiente que teve como tema a Responsabilidade Ambiental Pósconsumo. Entre os eventos que participamos no decorrer do ano, este foi um dos mais relevantes, visto que os temas abordados estavam diretamente ligados ao trabalho acerca das empresas despoluidoras do ambiente que estamos desenvolvendo junto à ARERJ (Associação dos Recicladores do Estado do Rio de Janeiro). Saí do seminário convencido de que a reciclagem não será mais a mesma. O empresário desse ramo, se quiser sobreviver, terá que se atualizar, investir e se adequar aos novos conceitos e princípios que serão estabelecidos pelo Plano Nacional de Resíduos Sólidos que já está na mesa do Congresso para votação, aguardando somente a votação do pré-sal. A teoria que desenvolvemos a respeito das Empresas do Ambiente foi confirmada no seminário pelo palestrante José Valverde Ma-

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chado Filho, secretário Parlamentar do deputado federal Arnaldo Jardim. Este que foi o relator do Projeto de Lei no. 203/91 que versa sobre a Política Nacional de Meio Ambiente, quando o mesmo, em sua exposição, esclareceu um dos princípios mais importantes da referida Política Nacional que é do “poluidor pagador e do protetor recebedor”. Sabendo-se que as Empresas do Ambiente são despoluidoras, as mesmas se enquadram perfeitamente no quadro das empresas protetoras do ambiente. Nessa qualidade, essas empresas teriam que receber do Poder Público benefícios em decorrência da proteção que exercem sobre o meio ambiente. Por outro lado, haverá uma ampliação considerável do mercado de atuação dessas empresas com a introdução do princípio da responsabilidade compartilhada. Segundo esse princípio, a responsabilidade ambiental se estende a todos os atores da cadeia de produção e consumo: indústria, comércio ou prestação de serviço e o consumidor final. A única forma deles se eximirem de sua responsabilidade ambiental será mediante a comprovação da destinação final ambientalmente aceitável de seus resíduos gerados. Essa exigência por certo implicará na contratação

cada vez mais das empresas protetoras (despoluidoras), que são as que chamamos de Empresas do Ambiente. Entre as várias formas de remuneração que as empresas do ambiente deverão receber pela proteção que exercem ao ecossistema, podemos citar a desoneração total de toda cadeia de reciclagem através da imunidade tributária. Essa desoneração deverá ocorrer em breve, visto que a maioria das autoridades envolvidas no processo ambiental de sustentabilidade pósconsumo já constataram a multitributação existente na cadeia de reciclagem. Refiro-me a este fenômeno pois ele está relacionado ao ciclo de vida dos recicláveis, que é a sua permanência o maior tempo possível na cadeia de reciclagem. Assim, todas as vezes que o produto circula é tributado, ocorrendo não mais a bitributação, mas sim a multitributação, prática inaceitável sob qualquer ótica de justiça tributária Os benefícios que poderão contemplar os recicladores (Empresas do Ambiente), entretanto, só se efetivarão se os empresários estiverem dispostos a adotar uma postura compatível com a realidade que irá se implantar no mercado de reciclagem. Arrisco dizer que só terão mais chances de sobreviver a

esse novo mercado empreendedor que está surgindo aqueles que estiverem, pelo menos, um passo à frente. Minha afirmação baseia-se no fato de que esse empreendimento vai ficar tão atrativo que o setor irá experimentar uma concorrência jamais vista. Todas as vezes que isso ocorre em qualquer setor da economia só permanecem no mercado os mais qualificados, ou seja, aqueles que se prepararam para responder à altura das exigências desse novo mercado. De tudo que estudamos e vimos em seminários, fóruns e debates, concluímos haver para os atuais recicladores (Empresas do Ambiente) uma única oportunidade, qual seja: mudar para se enquadrar às novas exigências do mercado, que estão vindo a galope por aí. A melhor forma para isso é se unir em torno de uma instituição. Quanto a isso, o setor não tem com o que se preocupar, uma vez que podem contar com a ARERJ e, em um futuro bem próximo, com o SINDIECO - Sindicato das Empresas Despoluidoras do Estado do Rio de Janeiro (em processo de legalização). Ambos estão preparados e habilitados para assessorar sua empresa em todos os aspectos que a habilitem ingressar no que ouso chamar de novo mercado da reciclagem no Brasil.

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melhor meio para o tratamento do lixo ainda é a coleta seletiva. Embora o Brasil seja um dos maiores recicladores de lixo do mundo, o país ainda desperdiça muito, devido à falta ou ao mau funcionamento de políticas públicas de coleta seletiva. Os números confirmam esse descompasso. A geração de lixo urbano no Brasil está em torno de 140 mil toneladas por dia, sendo que a estimativa dos órgãos de fiscalização ambiental competentes aponta para um índice de 55 a 60% ainda sendo destinado a lixões. Menos de 1% apenas é incinerado, incluídos aí os resíduos de serviços de saúde. A média de geração per capita no país gira em torno de 0,8 kg/hab/ dia, sendo que nos grandes centros urbanos como Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba, este índice ultrapassa facilmente a barreira do 1,5 kg/hab.dia. Curitiba é considerada como modelo em coleta seletiva, mesmo assim enfrenta problemas semelhantes como qualquer outra cidade. Atualmente, a cidade envia para as centrais de reciclagem perto de 2.250 toneladas/mês de produtos recicláveis. Isso significa que, praticamente, 450 toneladas mensais de produtos que saíram das mãos dos curitibanos forma para as centrais de reciclagem e depois seguiram para o aterro. De acordo com a coordenadora de resíduos sólidos da cidade Mailza de Oliveira Dias, cerca de 20% do que o curitibano separa para reciclagem vai parar em aterro. Inúmeras prefeituras adotam modelos de coleta seletiva em participação com associações, cooperativas e ONGs. Ao contrário, a prefeitura curitibana optou por

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renumerar uma empresa para resgatar das ruas tudo o que o cidadão separa de reciclável, independentes do valor comercial do material, pois atualmente, a produção do lixo doméstico e urbano, tem sido um dos fenômenos inevitáveis e de grande preocupação para os governantes e a sociedade em geral. Tal preocupação se faz devido ao aumento diário de lixo que é proporcional à população de cada local e ao seu grau de desenvolvimento. Em entrevista ao jornal Eccovida, o presidente da Associação dos Recicladores do Rio de Janeiro, Edson Freitas, explicou, entre outras coisas, os entraves da coleta seletiva no Rio de Janeiro e como fazer a reciclagem dar certo ECCOVIDA : Na sua opinião, quais são os obstáculos da coleta

seletiva do Rio de Janeiro? EDSON: Não existe uma política voltada para implantação da coleta seletiva. O poder público está querendo criar uma, porém não possui nenhum modelo, nenhuma base, e o maior erro é que não preocupam as pessoas chaves que fazem parte da coleta seletiva ECCOVIDA: Qual a ideia que você, como empresário, tem para ser implantada uma coleta seletiva com qualidade no Rio de Janeiro? EDSON: É simples, as prefeituras deveria ser mais atenciosas, chamando as empresas de reciclagem para participar do projeto de implantação da coleta seletiva e deixar com essas a responsabilidade de fazer a coleta. O que não pode acontecer, é deixar a mercê do poder publico o controle e o manejo disso. Na Europa, como é o caso da Alemanha, a precursora da coleta seletiva, funciona porque o poder público chamou as empresas de reciclagem que atualmente operou em uma logística para a coleta de materiais recicláveis. Aqui no Brasil, temos a mão de obra do catador, o que não acontece lá fora, então o que seria ideal é a cadeia produtiva participar de toda essa implantação, o catador,

as empresas de reciclagem e as indústrias, cada um fazendo seu papel, comprando a matéria-prima reciclada e o poder público, por sua vez, se preocupando em incentivar o uso dos materiais oriundos da matéria-prima reciclada, por exemplo: os baldes, as vassouras, telhas de materiais reciclados, o governo entraria com esse subsídio para que incentivasse a produção de produtos feitos com matérias recicláveis, o que aumentaria a produção e o incentivo para coletar mais matéria, dando assim, a destinação final correta. ECCOVIDA : Na revista ‘Reciclagem Moderna’, vimos que a implantação da coleta seletiva é um dos maiores gastos dentro de uma cidade, isso seria um problema devido ao alto custo? EDSON: O gasto realmente é alto. No entanto, há vários projetos no Brasil que não são implantados devido ao alto custo. Principalmente quem trabalha hoje com a coleta quando vai chegar à matéria-prima reciclada, às vezes está até mais cara que a matéria-prima virgem. Então, acho que tem que ser criada uma política de incentivo à cadeia produtiva toda. Bom, o que eu queria dizer é que para coleta seletiva dar certo o poder público tem que procurar as pessoas ideais, até há uma musica que diz ‘’Cada um no seu quadrado’’, e isso é verdade. O antro da coleta seletiva, no beneficiamento da coleta e a destinação final dos resíduos sólidos recicláveis tem que mover quem são os autores ou as peças fundamentais dessa cadeia produtiva, que são os catadores, os pequenos depósitos, as empresas de reciclagem e as indústrias ECCOVIDA: Cerca de 20% de todo o material que é coletado

Sistemas eficientes de coleta seletiva revelam que caminhões compactadores são inadequados para transportar materiais recicláveis e mesmo assim são utilizados em algumas cidades para coletar materiais recicláveis, devido à falta de padrão no Brasil

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através da coleta seletiva vai para os lixões por não ter conhecimento da sua reciclagem. EDSON: É uma luta em que todos os empresários de reciclagem vem enfrentando, o projeto da “padronização das embalagens para não inviabilizar a reciclagem’’, que sugere ter uma parceria de toda cadeia produtiva desde o gerador até o poder público, passando pelas empresas de reciclagem, para discutir cada tipo de embalagem e en-

tender suas dificuldades. Já foram notificadas algumas empresas que se conscientizaram e não praticam mais esse ato de inviabilizar a reciclagem, porém há aquelas que continuam produzindo e com isso afetando cada vez mais o meio ambiente. O IDEAL É PADRONIZAR AS EMBALAGENS PARA NÃO INVIABILIZARARECICLAGEM, é claro que não podemos chegar aos 100% mas o que alcançar irá amenizar o impacto ambiental.

Como funciona em outros países?
Nações como Estados Unidos, Alemanha, Japão, Holanda e Canadá começaram as pesquisas sobre os impactos ambientais provocados por certos tipos de materiais, bem como a definição exata do papel de cada um dos envolvidos no problema da geração de resíduos. Pessoas que antes reviravam sacos ou latas de lixos recebarm assistência para que tivessem melhores oportunidades no marcado de trabalho e uma tarefa mais digna na sociedade A população foi orientada para descartar resíduos recicláveis em contêineres próprios e a logística reversa desses materiais passou a ser operada por caminhão próprio operado apenas pelo motorista. Certos produtos que apresentam dificuldade técnica ou inviabilidade econômica de reciclagem foram substituídos e foram estabelecidas parcerias mais solidas entre o poder publico, o fabricante e a empresa de engenharia ambiental. Assim , os entraves que encontramos no Brasil foram superados e a coleta seletiva saiu do discurso ambiental e passou a funcionar na prática. Na cidade de Nova York, por exemplo, as regras para a reciclagem de materiais são rigorosas. Proprietários de prédios passaram a ser multados caso não separem os resíduos pós-consumo em três sacos distintos. (saco claro – papel misturado; saco azul - plástico, vidro, metal, papel plastificado; saco preto – lixo orgânico). Em cada rua há dois caminhões de coleta seletiva, um para lixo orgânico, outro para recicláveis. (*) Revista Reciclagem Moderna

O Poder Público tem que reconhecer e assumir a responsabilidade de garantir o mínimo de dignidade ao catador. A importância deste serviço prestado ao bem público é grande, pois assegura uma boa economia no gasto por toneladas de resíduos que iriam ser pagos para serem jogados em lixões e na preservação do meio ambiente. Ao invés de uma renda fixa, esses trabalhadores só recebem gratidões, elogios e muita politicagem, que não enche barriga de ninguém. Chega de demagogia e vamos garantir mais dignidade a todos os catadores que retiram milhares de toneladas da rua e não recebem nada para somar com os valores recebidos com a venda dos materiais recicláveis junto às empresas de reciclagem Edson Freitas, presidente da Arerj

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As sacolas plásticas contribuem para preservar o meio ambiente
FRANCISCO DE ASSIS ESMERALDO
em intencionadas, as pessoas que preconizam a extinção das embalagens plásticas não se dão conta da grande contribuição que deixaria de ser dada ao combate às mudanças climáticas e à preservação do meio ambiente se tais embalagens deixassem de existir. Estudo do Cetea (Centro de Tecnologia da Embalagem) do Ital (Instituto de Tecnologia de Alimentos) mostra que embalagens plásticas bem dimensionadas reduzem a perda de alimentos, evitam sua contaminação, aumentam a segurança alimentar e possibilitam a ampla distribuição de gêneros alimentícios entre todas as camadas da população. O consumo de recursos naturais e a quantidade de energia empregada na fabricação de embalagens plásticas são muito menores do que os utilizados na produção de alimentos e em sua industrialização. Portanto, segundo o mesmo estudo, os danos causados ao meio ambiente em termos de emissão de gases de efeito estufa quando os alimentos são desperdiçados por não serem acondicionados corretamente em embalagens plásticas bem dimen-sionadas são muito superiores aos ocasionados pela produção das mesmas embalagens. Uma sacola plástica corretamente confeccionada dentro das normas técnicas protege os alimentos no transporte até os domicílios, evitando assim perdas.

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‘Por serem 100% recicláveis, as sacolinhas permitem uma reutilização permanente’.
E desperdiçar alimentos jogaria pelo ralo todos os recursos naturais e energéticos empregados na produção dos mesmos. Esta, entretanto, não é a única contribuição das sacolas plásticas à diminuição das emissões de gases de efeito estufa. Por serem 100% recicláveis, as sacolinhas permitem uma reutilização permanente, o que por sua vez evita utilizações de mais recursos naturais e energia para confeccionar novas sacolas. Ao viabilizar a redução do consumo de sacolinhas plásticas por meio do atendimento à Normas Técnica NBR – 14937 da ABNT e do incentivo à reutilização e reciclagem, o Programa de Qualidade e Consumo Responsável de Sacolas Plásticas já sensibilizou a população. Em 2008, primeiro ano de implementação do programa, houve uma redução de 10,5% no número de sacolas fabricadas. No primeiro semestre de 2009, a redução subiu para 16,2%, na comparação com o mesmo período do ano passado. Isto significa que, de 17,9 bilhões de sacolinhas fabricadas em 2007, o Brasil passou para 16,4 bilhões em 2008. Para 2009, a previsão é de 15 bilhões. Os números mostram que são possíveis reduções ainda maiores, como preconiza o programa de iniciativa da Plastivida Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos, do INP (Instituto Nacional do Plástico) e Abief (Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Flexíveis). Recentemente, o Pão de Açúcar divulgou a informação de que reduziu o consumo das sacolas plásticas em cerca de 40%. A contribuição das sacolas plásticas à sustentabilidade não para aí. Resíduos domésticos acondicionados nessas embalagens evitam contaminação e mau cheiro, não atraem insetos e roedores e asseguram a saúde pública. Mesmo que essas sacolas não possam mais passar por uma reciclagem mecânica, elas podem servir de combustível em processos de produção de energia térmica ou elétrica a partir do lixo urbano. Quando isso acontece, o alto poder energético do plástico economiza óleo diesel e, portanto, todos os recursos naturais e energia empregados em sua fabricação. Além disso, hoje os processos de produção de energia térmica ou elétrica a partir do lixo urbano são seguros e controlados, evitando a emissão de gases tóxicos na atmosfera. Nos municípios em que a reciclagem energética não for implementada, as sacolinhas que forem para os aterros sanitários também darão uma contribuição indireta ao meio ambiente. Por serem resistentes e duráveis, ainda vão fixar por décadas o carbono utilizado em sua fabricação, não colaborando para o aumento dos gases de efeito estufa. Assim, se utilizarmos apenas as sacolinhas necessárias, preferindo e exigindo aquelas fabricadas dentro da Normas Técnica, reutilizando-as inúmeras vezes e reciclando-as, e se impulsionarmos a recuperação energética, estaremos dando uma contribuição inestimavelmente mais significativa ao meio ambiente do que se propuséssemos o banimento das sacolas.
Francisco de Assis Esmeraldo, engenheiro químico, presidente da Plastivida Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos, membro do Conselho Superior de Meio Ambiente da FIESP, do Conselho Empresarial de Meio Ambiente da FIRJAN (RJ) e do Conselho Executivo da Associação Brasileira de Embalagens (ABRE).

‘Se corretamente confeccionada, uma sacola plástica protege os alimentos até os domicílios evitando perdas’.
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O oceanógrafo americano Charles Moore participava de uma regata no Oceano Pacífico, quando se deparou com um gigantesco depósito de lixo flutuante. Vários dias navegando e a única visão que tinha era a colossal superfície formada em 90% de derivados de plástico

Ilha de sujeira
Um redemoinho no meio do Oceano Pacífico concentra toneladas de plásticos levados por correntes marítimas
ntre as costas da Califórnia e do Havaí, destinos paradisíacos que atraem milhares de turistas por ano, há uma ilha pouco conhecida e ainda menos atraente. É a ilha de lixo do Pacífico, um aglomerado de detritos compostos 90% por plásticos acumulados durante mais de uma década em área maior do que os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás juntos. Neste redemoinho de toneladas de plástico coabitam e se misturam animais, plâncton, alimentos e lixo. Consequências disso são mariscos que se alojam em pequenas caixas de plásticos, águas-vivas enroladas em fios de nylon e até casos de anomalia biológica, como o da tartaruga que

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teve seu casco deformado porque cresceu com um anel de plástico em sua volta. Pesquisadores registram também inúmeras mortes de animais em decorrência à contaminação do lixo. “Antes não havia plástico no mar, tudo era comida. Então os animais aprenderam a comer qualquer coisa que encontrassem pela frente”, afirmou o capitão norteamericano Charles Moore, o primeiro que avistou a ilha de lixo, em entrevista ao Fantástico, da Rede Globo. A explicação para o fato dos detritos ficarem aglomerados em um só lugar vem do fenômeno das correntes marítimas. O processo começa quando uma embalagem é

jogada em uma praia da Califórnia, por exemplo, ou em rios que desembocam no oceano. As correntezas levam os dejetos, que podem se juntar ao lixo de grandes embarcações, ao Giro do Pacífico Norte, um ponto de convergência de correntes da Ásia e América do Norte.

O tipo de vida que estamos levando...está nos matando
A sujeira fica “presa” porque lá o mar é calmo, os ventos são poucos e a pressão atmosférica é alta. Em caso de grandes tempestades, o lixo pode ser arrastado para alguma costa e poluir praias. O capitão Moore e sua equipe fizeram medições do lixo com amostras da “sopa de plástico”, como também foi apelidada a região. Até hoje, foi descoberto que 27% dos dejetos são sacolas de supermercado e que, entre os 670 peixes analisados, encontraram-se 1,4 mil fragmentos de plástico em seus organismos. “Gostaria que o

mundo inteiro percebesse que o tipo de vida que estamos levando, isso de jogar tudo fora, usar tantos produtos descartáveis, está nos matando. Temos que mudar se quisermos sobreviver”, alerta o capitão. A condenação de Moore não se refere apenas aos cidadãos de cidades litorâneas, mas também a organizações que usam a região deliberadamente como depósito de lixo. Segundo reportagem da revista IstoÉ, até mesmo pesquisadores da Nasa e de agências espaciais russas despejam resíduos de suas astronaves. Fragmentos da nave russa Progress M-59, por exemplo, foram carbonizados e caíram no local, como uma chuva de metal. Ao todo somaram uma tonelada de lixo. (*) Revista Sustenta

“100% de todo esse material lançado no oceano poderia estar nas empresas de reciclagem”, disse a estudante de Biologia Danielle Gomes

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O lixo é o grande des
rês grandes ameaças pairam sobre o nosso planeta: ausência de uma governança mundial estável e democrática, a crise econômica e os graves riscos que a mudança climática tem trazido para toda a humanidade, esta última estando vinculada ao tratamento indevido do lixo gerado nas cidades. Estamos vivendo uma omissão histórica imperdoável. Não podemos cuidar somente das consequências, temos que enfrentar as causas. Presenciamos diversas enchentes: vemo-nos diante de um maior volume de água, mas o esgotamento pluvial não é suficiente. A cada enchente vemos uma quantidade imensa de lixo misturada às águas da chuva. Precisamos inserir a educação contextualizada do lixo nos parâmetros educacionais do país. A população deve ser informada do modo de separar o lixo e de como, quando e quem fará o recolhimento. Não basta separar o lixo orgânico

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limpeza solitária e invisível nas cidades. Eles se mostram necessários há muito tempo. De acordo com o Diagnóstico Analítico da Gestão de Resíduos Sólidos no Brasil (PAS 2003), das 149.094 toneladas de resíduos que são coletadas diariamente: - 59,5% têm os lixões como destinação final; - 17% vão para os aterros controlados; - 13% para aterros sanitários; - 2,7% são dispostos em aterros especiais; - 6% destinados à reciclagem ou à compostagem; - 1,8% à incineração. Os municípios com mais de 50 mil habitantes, que são 10% dos municípios do Brasil, geral 80% do total de lixo coletado. Sendo que as 13 maiores cidades são responsáveis por 32% de todo o lixo urbano do país. É importante ficarmos atentos ao discurso político atual que gira em

torno da emissão de gases e da pou- a participação da iniciativa privada, ca atenção dada ao lixo. Esquecem podemos criar um modelo sustenque sua produção emite considerá- tável: veis quantidades gasosas, entope - Incorporar modelos de uso de bueiros, polui rios e oceanos. Preci- compostagem no plantio de alimensamos pensar seriamente na rique- tos no entorno das cidades; za deste material se corretamente tra- Incentivar pesquisas científicas; balhado. A compostagem, por exem- Mudar hábitos de consumo, URplo, é um processo natural da de- GENTEMENTE. Nossa matéria-prigradação biológica da matéria orgâ- ma não é infinita, e o alto índice de nica, vegetal ou animal, pela ação consumo produz grande quantidade micro-organisde de lixo, parte mos. O produto fi- Estamos vivendo reciclável, parte uma omissão não; nal é um composto orgânico, rico - Evitar a fabricahistórica em humus e em ção de produtos imperdoável... que usam reservas nutrientes minerais, com certo poem extinção, freantemos que tencial fertilizante, do a destruição dos podendo ser usa- enfrentar as causas ecos-sistemas; do na agricultura. Ela pode favore- Criar incentivos e apoio para uma cer muito o reflorestamento, corri- infra-estrutura recicladora. gindo solos sem danificá-los, além (*) Participaram destas informade baratear a cadeia de produção ções: Vera Maria Gomes Leal, Suzi alimentar, que deixará de importar de Mattos, Sheila Gutierrez Damazo, grandes quantidades de fertilizan- Juçara Regina Viegas Valverde, tes químicos usados hoje na nossa Fernanda Marques, Angela Tamega produção, além de combater a Menezes de Cantanhede e David desertificação do solo. Ribeiro. Todos membros do GT Precisamos nos organizar, decidir, Mulher do Crea-RJ 2009. ter atitudes. Quando nada decidimos, estamos decidindo por pagar Fórum Permanente a conta dos prejuízos. Necessitamos demonstra mudanças de uma Justiça Climática, com direide pensamento to ao acesso justo e equitativo aos recursos naturais, às informações e o dia 30 de novembro, foi decisões sobre o uso de tais recursos, assim como a garantia de que realizado um Fórum Permanente que nenhum grupo social suporte uma focou o tema reciclagem e parcela desproporcional da degra- sustentabilidade sob o título “Indação ambiental, contribuindo para dústria da Reciclagem: impactos soa devida proteção das populações ciais, econômicos e ambientais”. O atingidas por esse processo. Com evento reuniu representantes políuma nova política governamental e ticos, empresas, cooperativas, asso-

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do reciclável em nossas casas, nas escolas, nos estabelecimentos comerciais e na limpeza das ruas, é necessário um planejamento no sistema de recolhimento, levando o material orgânico para usinas de compostagem e o material reciclável para as empresas recicladoras. Elas são as responsáveis pela reinserção dos materiais descartáveis na cadeia produtiva. Também necessitamos de uma política de inclusão dos catadores de lixo no Sistema de Gerenciamento de Resíduos Sólidos. A reciclagem é um forte instrumento de inclusão social e erradicação da pobreza. Os catadores vêm promovendo uma

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desafio do século 21
ciações e organizações não governamentais na Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Durante o Fórum foram discutidas a destinação de dejetos e as oportunidades trazidas pela reciclagem, como a produção de energia limpa, de adubos orgânicos e o estímulo econômico e social. Desoneração tributária, políticas públicas de incentivo à coleta seletiva e uso de tecnologias e estratégias inovadoras no processamento de resíduos domésticos e industriais foram os caminhos apontados para solucionar o problema do lixo no debate. “A destinação do lixo é uma questão crucial para o desenvolvimento sustentável do estado. É um problema grave no País, e no Rio de Janeiro não é diferente. O papel do poder público é viabilizar alternativas que se adaptem à realidade dos municípios e que sejam sustentáveis no longo prazo. O Governo do estado, por exemplo, tem implementado uma política de incentivo à substituição de lixões por aterros sanitários consorciados”, explica o presidente da Alerj e do Fórum, deputado Jorge Picciani (PMDB). O desafio representado pelas 15 mil toneladas de lixo produzidas todos os dias no estado foi comentado por todos os palestrantes. Segundo Picciani, trabalhar a favor da sustentabilidade ao mesmo tempo em que se busca atrair novas empresas, gerar empregos e aumentar a renda da população, são ações necessárias. Ele lembrou que somente na região metropolitana do Rio de Janeiro 40 mil pessoas vivem da coleta de lixo. A secretária estadual do Ambiente, Marilene Ramos, afirmou que a desoneração da cadeia produtiva da reciclagem é uma questão que está na pauta nacional e que pode gerar impactos em todo o estado. em ser um despoluidor, se você é Ela fez uma apresentação em que reconhecido como um poluidor?”, informava as ações da Secretaria, comparou. como os consórcios para a construNo final do evento algumas conção de aterros quistas foram 15 mil toneladas alcançadas pela sanitários em fase de de lixo produzidas classe dos licenciamento e recicladores, potodos os dias o plano estadurém a tão desejaal para destinação de resíduos sóli- da desoneração tributária ainda não dos, que inclui a erradicação dos foi resolvido. lixões. Marilene também enumerou os municípios com os quais o estaSaguão recebeu do tem feito parceria para o trataexposição sobre mento de resíduos provenientes da reciclagem construção civil, como São João de Meriti e Petrópolis. “É papel do esndústrias e empresas parceitado organizar e orientar os municípios a fazer os investimentos neces- ras de ONGs realizaram uma exposários. Os aterros sanitários são a sição no saguão do Palácio. “O Cisolução economicamente viável no clo Produtivo da Reciclagem” foi o momento e já representam uma evo- tema da exposição que despertou lução em relação à situação atual do o interesse não só dos participanlixo. O município sozinho não con- tes do evento como também de segue organizar consórcios para passantes e visitantes do prédio. construção desses aterros e apoiar A mostra, de iniciativa da organiesses investimentos para melhorar zação não-governamental o serviço de reciclagem, há Eccovida em parceria com a Assolimitadores do ponto de vista do ciação de Reciclagem do Rio de custo”, afirmou Janeiro (ARERJ), reuniu produtos A bitributação de materiais feitos de material reciclável, como reciclados ao serem preparados e uti- camisas de garrafas pets, bolsas de lizados por empresas de reciclagem sacolas plásticas, telhas de embafoi tema muito debatido no Fórum. lagens de garrafas e de creme denO presidente da Associação de tal. A ONG agrupa várias cooperaRecicladores do Estado do Rio de tivas que transformam o lixo em maJaneiro (ARERJ), Edson Freitas, ex- téria-prima modificando o que iria plicou de que forma essa poluir em um novo produto. Para bitributação prejudica os eles, o maior problema enfrentado recicladores. “Os produtos são tri- é a mobilização e a conscientização butados no seu ciclo. Quando a em- da população. “A nossa proposta balagem vai para o lixão, ela causa com a exposição é mostrar os prodespesas e danos ambientais, e a dutos que podem ser feitos com o empresa paga por isso. Se eu der seu lixo. É difícil o interesse das destinação correta a essa embala- pessoas. Elas tendem a gostar da gem, se ela vai para um processo de idéia, mas jogam o lixo fora junto coleta seletiva, reciclagem, ela é con- para evitar o trabalho. A coleta sesiderada matéria-prima, e é tributa- letiva facilita o nosso trabalho”, da da mesma forma que alguém que explicou a vice-presidente da polui o ambiente. Que incentivo há Eccovida, Lívia Gaudino da Cruz.

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Preocupação com o meio ambiente faz crescer procura por profissionalização
Por: Maria Cecília Trannin - Coordenadora Geral de Gestão Ambiental da Universidade Estácio de Sá – RJ; Consultora de Projetos Sócio-ambientais; Mestre e Doutora em Ecologia Social – Instituto EICOS – Cátedra da UNESCO - UFRJ s questões ambientais çar o desenvolvimento ecologicavêm se destacando entre as preo- mente sustentável. Visitas técnicas e trabalhos de cupações sociais e econômicas. Finalmente estamos compreendendo campo são parte das atividades do que os recursos da terra são curso e são frequentemente realiesgotáveis e que nossas ações zadas. No dia 23 de outubro, foi causam impactos maiores do que realizada a visita técnica denomiela é capaz de suportar. Hoje assis- nada “Do lixão à produção”, com o timos a uma grande variedade de apoio da Diretoria de Extensão e oportunidades profissionais rela- Cultura e do Diretor da Brasil Pet, cionadas ao Meio Ambiente e, nes- Sr. Edson Freitas. A primeira parase contexto, a demanda por profis- da foi a Fábrica de Reciclagem CRR, sionais especializados e com visão Centro de Reciclagem Rio, maior e titulação na área vem crescendo. recicladora de papel e papelão da América LatiO Curso Superior de Tecnologia A reciclagem, a na onde foram explicados os em Gestão Amreutilização de processos de biental, reconhecicaptação, do pelo MEC, une materiais e a reciclagem e diferentes áreas de redução venda dos conhecimento, vido consumo são materiais sesando formar progundo as devifissionais capazes primordiais das normas de propor ações ambientais. Em que contribuam para a melhoria das condições seguida, o Aterro Sanitário de ambientais, realizando o planeja- Gericinó, em Bangu, que fica sob a mento e a gestão de meio ambien- responsabilidade da Comlurb e te e se comprometendo em alcan- deu a cada aluno uma amostra da

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capa de impermeabilização do aterro e uma palestra sobre todo o processo de transformação de lixões em aterros sanitários. De lá os alunos foram a um lixão, ainda em Bangu, onde puderam observar o processo de separação pelos catadores e a grande miséria da região, sem condições de segurança e saneamento. Por fim, realizaram uma visita à fábrica de reciclagem de garrafas pet Brasil PET, também a maior da América Latina. O diretor contou a história da fábrica, como se dão os processos de reciclagem e os alunos puderam perceber a importância da coleta seletiva para facilitar o trabalho dos catadores e maximizar o ganho de

matéria-prima para a reciclagem. Quando nos deparamos com a dura realidade dos lixões, o baixo aproveitamento de materiais devido à mistura e inexistência de condições de triagem e separação, a falta de higiene e segurança no trabalho dos catadores, etc., fica evidente a importância do trabalho da ARERJ no incentivo à coleta seletiva. Estamos extrapolando a capacidade da terra, desperdiçando matéria prima valiosa, perdendo vidas. Precisamos nos unir em prol da conservação do meio ambiente e da vida na terra, e a reciclagem, a reutilização de materiais e redução do consumo são primordiais nessa batalha.

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Caminhada Ecológica em Maricá foi um sucesso

primeira Caminhada Ecológica Cidadão Consciente, ocorrida no dia 29 de novembro, em uma região caracterizada pela bela paisagem natural, na praia da Barra de Maricá, foi um grande sucesso. De acordo com os organizadores, o resultado final da atividade superou todas as expectativas. Famílias inteiras contemplaram a atividade, assim como turistas, que aproveitaram para conhecer um pouco mais das belezas naturais maricaense. O objetivo da atividade foi apresentar à população e usuários dos locais turísticos, mudanças de hábitos, tratando-se de uma reeducação da quantidade de lixo dispensada nesses locais. “O projeto ‘Caminhada Ecológica Cidadão Consciente’ fez parte de uma proposta da ONG Eccovida, com realização do Jornal Eccovida, com o intuito incentivar essas mudanças de hábitos e de limpar a orla da praia e da lagoa de Maricá. Para isso, foi feita

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a entrega de sacolas para acondicionar o lixo. O trabalho visou a prática de exercícios, o conhecimento e valorização das riquezas naturais do município, despertar a consciência ambiental, promover a interação social, além de estabelecer uma parceria para preservar a limpeza das praias, mostrando a importância que elas têm no desenvolvimento de suas atividades”. Para a ambientalista Danielle Gomes , o sucesso da Caminhada vem apenas comprovar que as pessoas estão mesmo preocupadas com o futuro e com o meio ambiente. “Estamos fazendo a nossa parte e conscientizando as pessoas no que diz respeito ao meio ambiente. Mesmo com a dificuldade que enfrentamos, conseguimos realizar esse projeto com sucesso. O projeto Caminhada Ecológica Cidadão Consciente conseguiu recolher cerca de uma tonelada de lixo.”, explicou. A caminhada teve uma repercus-

são positiva e contou com apoio e patrocínio de diversas empresas. O passeio foi acompanhado por especialistas em diversas áreas. No

encerramento os participantes abraçaram a lagoa e foi servido um lanche composto de sucos e frutas a todos os participantes.

Biólogos ajudaram no plantio de mudas de plantas de Mangue

A Caminhada teve apoio da Guarda Municipal de Maricá

Voluntários recolheram o lixo da Orla da praia da Barra, levando a conscientização ambiental

Participantes e banhistas abraçaram a Lagoa de Maricá, como sinal de carinho e bom trato

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Aves como ferramenta para a preservação
O caso da APA de Maricá
e Norte a Sul do país as aves encantam e inspiram os nossos poetas, artesãos e contos populares. Quem ouviu a Canção do exílio, de Gonçalves Dias: Minha terra tem palmeiras, onde cantam os sabiás..., ou Ticotico no fubá de Zequinha de Abreu, sabe do que estou falando. As aves compõem o mais numeroso grupo de animais vertebrados do mundo, com mais de 10 mil espécies espalhadas por todos os continentes e altitudes. O Brasil está entre os países com a maior diversidade de aves do mundo, com mais de 1822 espécies difundidas entre os diferentes ecossistemas terrestres e aquáticos. Mas, de onde vieram as aves? Quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha? Na verdade, quem veio primeiro foram os dinossauros. O registro mais antigo conhecido de um animal com o corpo coberto por penas é o Archaeopteryx, um pequeno dinossauro com aproximadamente 150 milhões de anos. O Archaeopteryx é o elo perdido entre os dinossauros e as aves atuais, pois esse animal possuía o corpo coberto de penas, mas com características de dinossauros como uma cauda óssea e uma boca com dentes, o que uma ave atual não possui. Sua boca óssea foi

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O Tachuri-campainha é uma espécie típica da restinga arbórea da APA de Maricá que pode ser extinta da região com a continuidade da degradação deste ambiente

substituída por um bico feito de um material mais leve, a queratina, e sua cauda perdeu os ossos, restando apenas as penas. Aproveitando que nessa 7ª edição o Eccovida fala de Maricá, falaremos sobre o animal símbolo dessa cidade, que é uma ave, a garça-branca-grande (Ardea alba). A garça-branca-grande é um animal elegante, de pernas e dedos compridos, pescoço fino e bico longo pontiagudo. Durante o período reprodutivo essa ave ganha uma plumagem “nupcial” fina e longa, dando o aspecto de cabelos lisos ao vento. Reúnem-se as centenas nesse período para reproduzirem, formando o conhecido “ninhal”. Tal ninhal tem uma importante função no ambiente em que ele se encontra, pois os excrementos das garças funcionam como um adubo natural, alimentando pequenos animais na base da cadeia alimentar que servirão de alimento para animais maiores como caranguejos, peixes e até a própria garça. Esta ave é comumente encontrada em ambientes alagadiços, como os encontrados na APA de Maricá. A APA de Maricá com todos os seus ambientes – lagoa, campos alagados, restinga e Floresta Atlântica de baixada – abriga mais de 150 espécies de aves, como o irerê (Dendrocygna viduata), o saí-beija-flor (Cyanerpes cyaneus), o beija-flor-de-bicocurvo (Polytmus guainumbi) e o tachuri-campainha (Hemitriccus nidipendulus). Todas estas só persistem nesses ambientes, pois a APA ainda permanece com uma grande extensão e a pressão antrópica ainda é tolerável. A continuidade de ações desfavoráveis aos ambientes naturais que já acontecem no local como a caça, o tráfico de animais, as queimadas e a emissão de lixo, além das que podem acontecer como a construção de resorts, poderá acarretar a extinção de inúmeras espécies dependentes desses ambientes naturais. Atividades que causem menos impactos e dependam de grandes áreas de ambientes naturais conservados precisam ser exploradas e apoiadas pelo Poder Público, Entidades Privadas e a Sociedade Civil com o intuito de perdermos menos biodiversidade e ganharmos em qualidade de vida.

Ave símbolo de Maricá: garça-branca-grande

Existem 5 espécies de flamingos, sendo que no Brasil tem apenas o flamingo-chileno A observação de aves é uma atividade do ramo turístico que se resume em colecionar avistagens. Cada nova ave observada é uma realização para o observador. Esse ramo movimenta mais de 6 milhões de dólares por ano em países como a Inglaterra e os Estados Unidos. Diferente de muitas outras atividades turísticas, a observação de aves depende de ambientes naturais bem preservados para que estes abriguem o maior número de espécies de aves possíveis e pode ter o seu impacto bastante reduzido se bem planejada e incrementada com atividades educacionais. conscientizar moradores que detenham o conhecimento sobre as aves da região como condutores de observação de aves é a principal maneira de valorizar o conhecimento tradicional, incrementar a renda local e reforçar a aliança da Sociedade Civil, Poder Público e Entidades Privadas na conservação dos ambientes naturais. Está aí uma pequena dica para um grande passo rumo a uma vida mais sustentável, pensando no meio ambiente e na qualidade de vida.

TEXTO E FOTOS: IGOR CAMACHO

Típico de lagos, o Irerê sofre com a caça e com a captura para animal de estimação

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TURISMO

O ecoturismo utiliza de forma sustentável o patrimônio natural e cultural, incentiva sua conservação e busca a formação de uma consciência ambientalista através da interpretação do ambiente, promovendo o bem-estar das populações envolvidas. Pela riqueza de ecossistemas e de biodiversidade, o Brasil é um país privilegiado para a exploração dessa atividade.

Maricá e suas belezas naturais
aricá oferece além de um vasto e rico litoral, uma belíssima paisagem, apropriada para a prática do ecoturismo ou para quem simplesmente quer ter um contato mais próximo com a natureza. O setor de turismo tem feito nos últimos anos a cidade progredir ainda mais. O principal atrativo da região são as belezas naturais, que atraem visitantes de vários lugares. São lagoas, belas praias, algumas quase desertas, rios e cachoeiras, tudo cercado

FOTOS: DIVULGAÇÃO / ROSELY PELEGRINO / DANIELLE GOMES

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por exuberante vegetação, aos pés das montanhas, que propiciam caminhadas, escaladas, rappel, acampamento, além de vôos de parapente. Por toda sua beleza natural e pelo recém-descoberto potencial turístico, a cidade começa a aparecer nos mapas e nos guias de viagens do país como um lugar tranquilo e agradável. Localização: Maricá é uma cidade litorânea do Estado do Rio de Janeiro, distante aproximadamente 60km da capital.

Pôr-do-sol na Lagoa de Araçatiba, um show de beleza e cores

Cachoeira do Espraiado: queda d’água de 3m num lugar tranquilo onde a natureza comanda o espetáculo. Propícia para caminhadas

Erosão em Ponta Negra mostra surpresas na paisagem da praia

A Praia de Ponta Negra, com ótimas ondas, é ideal para o surf

Na forma de um elefante deitado com a tromba no mar, a “Pedra do Elefante” tem 412m de altura. A sua base é coberta pela Mata Atlântica e sua parte superior em rocha íngreme possibilita caminhadas e escaladas de média e alta dificuldade .É área de preservação ambiental, uma das melhores trilhas do RJ e fica em Itaipuaçu

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Praia, sol e a radiação ultravioleta
Que relação há entre a nossa pele, a nossa saúde e os raios que vêm do alto, durante o dia?
Por: Verônica Castro radiação ultravioleta, conhecida como UV, faz parte da luz solar que atinge o nosso planeta e é essencial para a preservação do calor e a existência da vida. No entanto, em função dos buracos na camada de ozônio, provocados pela nossa civilização, estamos expostos a esta radiação sem qualquer proteção.
FOTOS: DANIELLE GOMES

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Perigo
Os raios UV podem causar sérios danos à saúde, como o envelhecimento precoce, o câncer de pele, problemas oculares e até mesmo alterações no sistema imunológico. Ao atingir os olhos, essa radiação pode provocar o surgimento da catarata, doença caracterizada por lesões oculares.

Protetor solar
O fator de proteção solar (FPS) indica o grau de proteção. O número do FPS indica quanto tempo você pode ficar exposto ao sol antes de começar a se queimar. Por exemplo, uma pessoa que costuma ficar vermelha depois de dez minutos de exposição, com um protetor de FPS 8 começará a se

queimar após 80 minutos, com FPS 15 após 150 minutos, e assim por diante.

Os medidores de raios ultravioleta instalados na praia (ver tabela) utilizam a
medição joule por metro quadrado, definida a partir de uma interpretação feita pela Organização Mundial de Saúde (OMS). E é através dessa medida padrão que se chega ao índice ultravioleta. Se

o aparelho apontar 6 ou 7, o índice de ultravioleta é alto e o conselho é usar um protetor de fator 30. Dicas: Evite expor-se ao sol entre 10h e 16h, pois nesse período os raios ultravioletas são mais intensos; use chapéu ou boné; use óculos de sol enquanto houver luz; utilize um guarda-sol (de algodão são os mais indicados). Sol é saúde! Com os devidos cuidados.

FONTE: ORLA RIO

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SAÚDE

Teste
( ) Sim

(envie a resposta do seu teste e um texto sobre meio ambiente e veja sua “matéria” publicada nas próximas edições
( ) Não

Professor Roberto
estaque musical, o professor Roberto foi premiado cinco anos consecutivos. Entre suas conquistas estão o Troféu Talento do Ano, o de Melhor Canção, Melhor Intérprete e o 1º lugar no Festival Cultural de Expressão Musical promovido pela Prefeitura do Rio de Janeiro. Ele conta que “Chore violão”, uma das músicas que apresentou, foi composta 30 anos atrás quando ganhou seu primeiro instrumento. Na época, a canção não tinha um significado especial, mas ao ter um de seus alunos assassinado ela ganhou um novo sentido. “Essa música está falando tudo sobre violão e a gente pedindo pra ele chorar contra o ódio, contra a guerra, pelo amor, pela paz. As crianças já não podem brincar mais pelas cidades, as mentes assassinas invadiram. Aí eu falei, é a hora de fazer uma homenagem àquela música e ao mesmo tempo ao menino”. A partir de sua experiência, o professor explica a relação entre a arte da música e a arte de ensinar. “A música marca não só uma vida, mas também uma geração.

1. Na sua casa existe a coleta seletiva?

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2. Assinale itens que podem ser reciclados: ( ( ) Garrafa ) Chiclete ( ( ) Latinha ) Casca de frutas

3. Dá para reciclar matéria orgânica?
( ) Sim ( ) Não

4. O maior benefício trazido pela reciclagem é a despoluição? ( ) Sim ( ) Não

5. Você joga lixo na rua?
( ) Sim ( ) Não

AGENTE MULTIPLICADOR MIRIM
Envie uma matéria ambiental, com seu nome, idade, nome da escola e uma foto para o e-mail: jornal@eccovida.com.br

Brincar de reciclar
Saber reciclar, respeitar os animais e a natureza, são algumas coisas que aprendi com minha mãe e meu pai. Mamãe trabalha com reciclagem e vejo o cuidado que ela tem em separar o lixo (vidros, papéis, plásticos, etc.), e também faço isso. Logo aprendi mais coisas da reciclagem na escola. Fiz um chocalho com copos descartáveis em uma feira de ciências, e hoje eu brinco com a reciclagem.

Quando a gente ensina um aluno a tocar, tanto vai ser importante para a vida dele quanto para os filhos dele, e até posteriormente para os netos. Meu avô era meu padrinho e eu não o conheci, mas porque minha mãe me contava que ele tocava violão, sanfona e gaita todos os dias quando chegava do serviço ele virou um referencial para eu entrar nessa profissão, e para toda a minha vida”. Ao ser indagado sobre uma mensagem final, professor Roberto observa que o Brasil é rico musicalmente, tem ritmo. A juventude, principalmente, deve valorizar seus músicos e pelo menos aprender a tocar um instrumento para passar adiante esse bem nacional.

Mariana de Oliveira Leonor, 5 anos, do Colégio Professor Wanderley Costa - Jardim de Infância Sininho de Ouro.

Pinte e relacione o lixo na respectiva lixeira

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Operação para o carnaval
Concessionária CCR Ponte e Polícia Rodoviária realizam ação de conscientização de motoristas
A concessionária CCR Ponte realizou uma campanha educativa em parceria com a Polícia Rodoviária Federal, a Porto Seguro e a Associação dos Recicladores do Rio de Janeiro, na Ponte Rio-Niterói, no dia 9 de fevereiro. Das 10h às 16h, motoristas puderam participar da ação na base operacional da pista sentido Rio de Janeiro, próximo à praça de pedágio. No local, receberam um kit contendo folhetos educativos sobre a maneira correta e segura de conduzir nas estradas, informações sobre reciclagem e uma sacola para fazer coleta seletiva, além de confete e serpentina, para curtir o carnaval. O objetivo do pit stop é conscientizar os motoristas sobre a importância de respeitar as leis de trânsito e da revisão veicular antes de seguir viagem. “A campanha de hoje está fundamentada em ações de conscientização e prevenção. Estamos realizando a operação carnaval, que é um comando educativo, fazemos para alertar os motoristas antes da ação repressiva da polícia. Alertamos sobre a necessidade de fazer a manutenção do veículo adequada, não ingerir bebidas alcoólicas, descansar bem antes de pegar a estrada para que, justamente quando a polícia efetivamente realizar um trabalho de repressão e fiscalização, as pessoas estejam mais do que informadas. Apesar de ser obrigatório que todos os motoristas conheçam

a legislação de trânsito, nós estamos sempre alertando, fazendo esse tipo de operação. E no período de carnaval irá ocorrer na ponte a operação Lei Seca, então quem beber não dirija. Os motoristas que dirigirem sob efeito do álcool, estão assumindo a responsabilidade diante das possíveis consequências dessa combinação”, explicou o chefe de policiamento da Ponte RioNiterói, Castro Junior. A reciclagem também foi um assunto abordado. Equipe da ARERJ e da ONG Eccovida participaram da distribuição dos kits. Segundo Virgílio Ramos, Gestor de Atendimento da Ponte e da Via Lagos, equipe da CCR realiza um trabalho diário em função da educação dos motoristas. Muitos deles não guardam seu resíduo dentro do próprio veículo para jogar em uma lixeira e acaba descartando pela janela

do veículo, o que é uma infração de trânsito, sujeito à multa. “Temos retirado da ponte cerca de 300m³ de lixo por mês o que equivale a 11m³ por dia. Diariamente, temos uma equipe responsável por este tipo de trabalho. Eles fazem vaárias voltas pela ponte retirando os objetos maiores e à noite temos uma limpeza mecânica que varre, retira todos os pequenos resíduos e também lava a pista e limpa as placas. Peço aos motoristas que guardem seus resíduos no seu veículo ou joguem nas lixeiras que existem no pedágio, isto é um ato que irá diminuir bastante a poluição do meio ambiente e também os riscos de acidentes”, disse.

O Chefe da 2ª delegacia da Ponte RioNiterói, Gama, e o chefe de policiamento da Ponte Rio-Niterói, Castro Junior

Adriana e Robson Nogueira - supervisores de interação com o cliente. “Essa operação é um trabalho que a gente já faz antecedendo os feriados. Tentamos conscientização tanto na parte de segurança, relação aos veículos, cuidados que têm que ter antes de seguir viagem, quanto na preservação do meio ambiente”

O comerciante Paulo Rocha comentou a respeito do evento. “Isso é bom. Estamos poluindo muito e ultrapassando as leis e não é um caminho correto. As pessoas têm que se conscientizar de que não pode mbeber e dirigir, jogar lixo fora do carro, é bom reforçar tudo isso. VAMOS USAR A CONSCIÊNCIA”

Por isso atenção antes de viajar!!! Dirija com cuidado. Você tem muita vida pela frente. LEI SECA (LEI 11.705/08) qualquer concentração de álcool por litro de sangue, pode sujeitar o condutor a penalidade de multa de proximadamente R$ 1.000,00, suspensão do direito de dirigir e retenção do veículo. E atenção! Se a concentração de álcool for igual ou superior a 6 decigramas, o motorista será preso.

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