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UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA

FACULDADE DE ENGENHARIA MECÂNICA
NÚCLEO DE PROJETOS E SISTEMAS MECÂNICOS
LABORATÓRIO DE PROJETOS MECÂNICOS / LPM

Prof. Cleudmar Amaral Araújo
Fevereiro de 2013

UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA / FEMEC
LABORATÓRIO DE PROJETOS MECÂNICOS - LPM
ANÁLISE EXPERIMENTAL DE TENSÕES
MÓDULO II: FOTOELASTICIDADE DE TRANSMISSÃO PLANA
Prof. Cleudmar Amaral Araújo

SUMÁRIO

1

2

3

4

5

INTRODUÇÃO

03

1.1
1.2
1.3
1.4

03
05
06
08

A NATUREZA DA LUZ

09

2.1

10

Relações ópticas na fotoelasticidade

INSTRUMENTOS ÓPTICOS

11

3.1
3.2

11
12

Polariscópio plano ou linear
Retardadores de onda

POLARISCÓPIOS E SUAS CARACTERÍSTICAS

15

4.1
4.2

18
19

Polariscópio plano
Polariscópio circular

FOTOELASTICIDADE DE TRANSMISSÃO BIDIMENSIONAL

18

5.1
5.2
5.3
5.4

18
19
19
22
22
29
30
31
34

5.5
5.6
5.7

6

Fundamentos da fotoelasticidade
Fotoelasticidade de transmissão plana
Fotoelasticidade de transmissão tridimensional
Fotoelasticidade de reflexão

Índice de refração
Luz polarizada
Lei de Brewster-Maxwell (Dupla refração temporária)
Parâmetros fotoelásticos
5.4.1
Medida dos parâmetros fotoelásticos
Método de compensação de Tardy
Materiais fotoelásticos
Métodos de calibração
5.7.1
Exemplo de um processo de calibração

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA / FEMEC
LABORATÓRIO DE PROJETOS MECÂNICOS - LPM
ANÁLISE EXPERIMENTAL DE TENSÕES
MÓDULO II: FOTOELASTICIDADE DE TRANSMISSÃO PLANA
Prof. Cleudmar Amaral Araújo

1 INTRODUÇÃO
A especificação ou dimensionamento de peças e estruturas é um dos problemas mais freqüentes em engenharia. Neste caso, geralmente, deseja-se avaliar os gradientes de tensões oriundos da aplicação dos carregamentos. Por exemplo, em muitos casos de projetos de peças, há a
necessidade de que estas tenham variação de seção, furos, entalhes, ranhuras, etc. Todas essas
formas na peça são pontos concentradores de tensão, ou seja, as tensões nesses pontos são
maiores que a tensão nominal. Essas tensões máximas são proporcionais à tensão nominal, e
o fator de proporcionalidade é conhecido como fator de concentração de tensão que depende
da geometria, dimensão do entalhe e natureza do esforço.
Várias técnicas experimentais são hoje utilizadas para a determinação da distribuição de tensões/deformações em sistemas estruturais. Entre estas técnicas pode-se destacar a fotoelasticidade, técnica que, permite uma rápida análise qualitativa do estado de tensão, através da
observação de efeitos ópticos. Especificamente, a fotoelasticidade de transmissão pode ser
usada na solução de problemas do estado plano ou tridimensional; para tanto é necessária a
confecção de modelos. Existe também uma técnica fotoelástica que determina a distribuição
de tensões em superfícies, a fotoelasticidade de reflexão, que dispensa a confecção de modelos.
No caso particular da técnica fotoelástica de transmissão, um material plástico transparente
submetido a um estado de tensão/deformação exibe uma propriedade denominada dupla refração ou anisotropia óptica. A luz polarizada que o atravessa, obtida por um aparelho denominado Polariscópio, permite a determinação das direções e dos gradientes das tensões principais através da interpretação dos parâmetros ópticos observados. Quando se utiliza luz
branca, os efeitos ópticos se manifestam como franjas coloridas e com luz monocromática há
uma série alternada de franjas pretas e brancas. A ordem de franja em um ponto está relacionada com o estado de tensões no modelo, através da "Lei Óptica das Tensões".
Como foi citado, na técnica de fotoelasticidade de transmissão, há a necessidade da confecção de um modelo constituído de um material transparente que possua propriedades de birefrigência. Este modelo deve então ser submetido aos carregamentos desejados sendo analisado em um Polariscópio de transmissão, pois somente sob luz polarizada podem-se observar
os fenômenos e os parâmetros ópticos necessários para fazer a análise das tensões.
1.1 Fundamentos da fotoelasticidade
A Fotoelasticidade é uma técnica experimental para análise do campo de tensão/deformação
de estruturas que é particularmente útil em peças que possuem geometria complexa e/ou carregamentos complexos. Em tais casos, métodos analíticos podem ser de difícil execução ou
impossíveis de serem aplicados, e uma análise experimental pode ser mais apropriada. Atualmente, a solução de problemas bidimensionais elásticos e estáticos são bem conhecidos
3

Cleudmar Amaral Araújo através de métodos analíticos.75 ciclos da onda de luz e no outro plano principal 3. Quando o modelo é tensionado e um raio de luz entra ao longo das direções das tensões principais. O método é baseado em uma propriedade única de alguns materiais transparentes que é o efeito de anisotropia óptica. O nome fotoelasticidade reflete a natureza do método. Em um dos planos principais a figura mostra 3. fornecendo uma retardação linear relativa de 0. cargas dinâmicas e materiais com comportamento inelástico. montagens com múltiplos componentes. a onda vai emergir do modelo com uma nova relação de fases ou retardação relativa. foto implica no uso da luz e técnicas ópticas. Plano principal Raio de luz Plano principal Figura 1 – Modelo sob luz polarizada plana. conforme mostrado na Figura 1. a luz é dividida em duas componentes de onda. enquanto elasticidade relaciona-se com o estudo de tensões e deformações em corpos elásticos. Utilizando a técnica com vernizes fotoelásticos é possível ampliar este estudo para corpos inelásticos. que é a diferença no número de ciclos dos dois raios viajando dentro do modelo. além de ser muito usada no monitoramento quantitativo de resultados obtidos por elementos finitos e em soluções teóricas aproximadas. Portanto. A técnica da fotoelasticidade permite uma rápida análise qualitativa do estado de tensão. A luz viaja ao longo destes dois caminhos com diferentes velocidades devido ao efeito de birrefringência e que depende da magnitude das duas tensões principais. Esta técnica é muito aplicada para localizar áreas com altos níveis de tensão em problemas de geometria plana e tridimensional. 4 . cada uma com seu plano de vibração paralelo a uma das duas tensões principais. Métodos experimentais são atualmente adequados para a solução de problemas com geometria 3D. ou seja.25 (1/4).LPM ANÁLISE EXPERIMENTAL DE TENSÕES MÓDULO II: FOTOELASTICIDADE DE TRANSMISSÃO PLANA Prof. através da observação de efeitos ópticos em modelos.UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA / FEMEC LABORATÓRIO DE PROJETOS MECÂNICOS .5 ciclos da onda de luz. A técnica fornece evidências quantitativas de áreas altamente tensionadas e picos de tensões em superfícies ou pontos interiores de estruturas. sendo uma técnica recomendada também em estudos de problemas de contato entre os corpos.

A Figura 3-b mostra o mesmo modelo posicionado em um sistema de carga e a Figura 4-b mostra os parâmetros ópticos observados neste modelo quando sujeito aos carregamentos e observados no polariscópio de transmissão. 1. A Figura 2 mostra um modelo fotoelástico feito de um material à base de resina epóxi sem carregamento.2 Fotoelasticidade de transmissão plana A fotoelasticidade de transmissão plana é utilizada em problemas de estado plano de tensões e requer a confecção de modelos planos e sistemas de cargas que simulam adequadamente as cargas reais impostas ao modelo real. 5 . portadores de características indispensáveis tais como: ser transparente e livre de tensões residuais. analisado no Laboratório de Projetos Mecânicos da FEMEC/UFU. ser linear. apresentar uma boa resposta óptica. b) Implante dentário com conexão do tipo hexágono interno posicionado no polariscópio no momento da aplicação da carga analisado no Laboratório de Projetos Mecânicos da FEMEC/UFU. Figura 2 – Implante dentário com conexão do tipo hexágono interno fixado em um bloco fotoelástico. materiais especiais devem ser usados. (a) (b) Figura 3 – a) Sistema de carga montado em um polariscópio de transmissão pertencente ao LPM.LPM ANÁLISE EXPERIMENTAL DE TENSÕES MÓDULO II: FOTOELASTICIDADE DE TRANSMISSÃO PLANA Prof.UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA / FEMEC LABORATÓRIO DE PROJETOS MECÂNICOS . Cleudmar Amaral Araújo Para a utilização da técnica fotoelástica. ser homogêneo e isotrópico e ter boa usinabilidade.

a estrutura molecular elástica suporta a carga e é deformada elasticamente sem impedimento. b) Padrão de franjas observado no modelo fotoelástico do implante dentário com carga. filetes). atingindo a chamada "temperatura crítica do polímero". O congelamento de tensões em certos tipos de materiais pode ser entendido como se estes possuíssem uma forte estrutura elástica. ou rede molecular. 1. pontos críticos em modelos planos ocorrem em contornos livres (furos. No resfriamento. com os espaços entre as ligações preenchidos por uma massa de moléculas fracamente ligadas (cadeias secundárias). analisado no Laboratório de Projetos Mecânicos da FEMEC/UFU. Em pontos no interior do modelo bidimensional. que não é afetada pelo calor. e. e os valores individuais das tensões principais só são obtidos com a utilização de dados suplementares ou emprego de métodos numéricos. a massa maleável na qual a estrutura molecular está 6 . a configuração das franjas desaparece quando a carga é retirada.LPM ANÁLISE EXPERIMENTAL DE TENSÕES MÓDULO II: FOTOELASTICIDADE DE TRANSMISSÃO PLANA Prof.3 Fotoelasticidade de transmissão tridimensional Os modelos utilizados na fotoelasticidade plana são carregados à temperatura ambiente. entalhes. e carregado. pode-se obter apenas a leitura da tensão cisalhante máxima. A fotoelasticidade plana torna-se uma forma poderosa de determinação da distribuição de tensões ou fator de concentração de tensões. retêm a configuração das franjas como se ainda estivessem carregados em regime elástico. gerando um estado plano de tensões considerando a distribuição das tensões praticamente uniforme ao longo da espessura.UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA / FEMEC LABORATÓRIO DE PROJETOS MECÂNICOS . Quando o modelo é aquecido. Este processo é denominado de "congelamento de tensões/deformações". como por exemplo. aqueles à base de resina epóxi. Cleudmar Amaral Araújo Em geral. que amolecem com o aquecimento. associadas a esses problemas. quando carregados sob altas temperaturas e em seguida resfriados. sendo elásticos. Vários polímeros. (a) (b) Figura 4 – a) Modelo fotoelástico do implante dentário com conexão do tipo hexágono interno sem carga. Uma vez que a luz precisa atravessar toda a espessura. como mostra a Figura 5. a interpretação das configurações das franjas só é possível quando o modelo é plano.

Figura 6 – Modelo fotoelástico de uma biela e uma fatia retirada do modelo. 7 . pode-se examinar uma fatia interna ao modelo. pode ser feita combinando as equações para três planos perpendiculares. e cada uma delas pode ser examinada no polariscópio de transmissão. é necessário utilizar as equações de equilíbrio associadas a métodos numéricos. Figura 5 – Esquema das ligações primárias e secundárias de um material fotoelástico com propriedades para “congelamento de tensões”. Como estas seis equações. Cleudmar Amaral Araújo imersa se torna "congelada" e mantém a estrutura quase na mesma condição de deformação quando a carga é removida. A Figura 7 mostra o padrão de franjas desta fatia observada em um polariscópio de transmissão. sendo que as relações ópticas continuam sendo válidas para qualquer plano retirado do modelo tridimensional. não são linearmente independentes. de forma similar à usada para modelos planos. A completa obtenção dos valores individuais das tensões tridimensionais em um ponto do modelo. Um modelo tridimensional pode então ser cortado em finas fatias. A Figura 6 mostra um modelo 3D fundido e uma das fatias retiradas do modelo. para a completa separação das tensões. duas para cada plano.LPM ANÁLISE EXPERIMENTAL DE TENSÕES MÓDULO II: FOTOELASTICIDADE DE TRANSMISSÃO PLANA Prof. com qualquer direção normal e espessura. mas caracterizado pelas tensões principais secundárias no plano em consideração. Assim. Assim. a deformação é substancialmente retida e não é prejudicada pelo corte do modelo em fatias. A Figura 8 mostra uma aplicação específica para análise de um problema tridimensional utilizando o método fotoelástico. O estado de tensão que produziu o efeito óptico na fatia não é plano.UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA / FEMEC LABORATÓRIO DE PROJETOS MECÂNICOS .

8 . A obtenção dos parâmetros ópticos pode ser feita diretamente na estrutura ou componente mecânico.4 Fotoelasticidade de reflexão A fotoelasticidade de reflexão é uma técnica experimental usada para a determinação de tensões/deformações em superfícies planas ou irregulares.LPM ANÁLISE EXPERIMENTAL DE TENSÕES MÓDULO II: FOTOELASTICIDADE DE TRANSMISSÃO PLANA Prof. Nestes casos. o polariscópio de reflexão pode ser deslocado para o local de operação da estrutura. Fonte: Measurements Group / Vishay Inc. 1. Figura 8 – Análise fotoelástica 3D (transmissão) de um reator nuclear utilizando fotoelasticidade de transmissão 3D. bem como em problemas envolvendo materiais anisotrópicos. Cleudmar Amaral Araújo Figura 7 – Fatia da biela analisada em um polariscópio de transmissão mostrando os padrões de franjas no modelo mesmo sem a aplicação da carga (congelamento das tensões). Pode ser utilizada em problemas envolvendo deformação elástica ou plástica. É uma técnica relativamente precisa e tem como principal vantagem o fato de não ser necessária a confecção de modelos.UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA / FEMEC LABORATÓRIO DE PROJETOS MECÂNICOS . quando estes estão sob efeito dos carregamentos reais.

sendo que os mais usados são o método da incidência oblíqua e o método da incisão. A Figura 10 mostra o esquema de vibração destes dois vetores. 2 A NATUREZA DA LUZ Newton (1642-1727) propôs a teoria corpuscular da luz. a deformação na superfície do mesmo é transmitida para a camada fotoelástica e através da análise dos fenômenos ópticos que ocorrem no material fotoelástico. Cleudmar Amaral Araújo Esta técnica consiste em colar na superfície do espécimen uma camada de material fotoelástico com uma cola apropriada e que possui uma superfície reflexiva na interface espécimen/camada. utilizando um de seus componentes de vibração que é o vetor de campo elétrico (E). Existem vários métodos de separação das tensões principais. garantindo uma estabilidade das medidas com o tempo. se comparado com o módulo de elasticidade do espécimen. além de outras características.Análise fotoelástica utilizando a técnica de reflexão em um suporte de motor.LPM ANÁLISE EXPERIMENTAL DE TENSÕES MÓDULO II: FOTOELASTICIDADE DE TRANSMISSÃO PLANA Prof. Os materiais fotoelásticos usados nesta técnica. Este vetor vibra em fase com o vetor de campo magnético (B) sendo mutuamente perpendiculares na direção de propagação. Figura 9 . 9 . A Figura 9 apresenta um caso de aplicação utilizando a fotoelasticidade de reflexão. na qual a luz era visualizada através do fluxo de pequenas partículas (fótons). Os fenômenos ópticos observados na fotoelasticidade são explicados através desta natureza ondulatória da luz. Maxwell (1831-1879) propôs a teoria eletromagnética da luz indicando que a propagação da luz era feita de forma ondulatória através de um vetor de campo elétrico e um vetor de campo magnético. pode-se determinar as tensões/deformações na superfície do espécimen. Fonte: Measurements Group / Vishay Inc. têm que ter baixo módulo de elasticidade.UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA / FEMEC LABORATÓRIO DE PROJETOS MECÂNICOS . para minimizar o efeito de reforço e dar alta resistência à relaxação óptica mecânica. Quando o espécimen é carregado. basicamente.

o que possibilita expressar a amplitude do vetor luz em termos da solução da equação de ondas unidimensional (Eq. propagando na direção positiva do eixo z. z : posição ao longo do eixo de propagação.LPM ANÁLISE EXPERIMENTAL DE TENSÕES MÓDULO II: FOTOELASTICIDADE DE TRANSMISSÃO PLANA Prof. mais especificamente na fotoelasticidade pode ser descrita como uma onda senoidal. E  f ( z  c t )  g( z  c t ) (1) Onde:     E : amplitude do vetor luz ou um de seus componentes. Cleudmar Amaral Araújo E B B Fonte de luz z Figura 10 – Luz propagando-se na direção Z vibrando em diversos planos. Ou seja: E  f ( z  ct )  a  sen 2  ( z  ct ) ou E  a  cos 2  ( z  ct ) (2) O tempo requerido para a passagem de dois picos sucessivos sobre algum valor fixo de propagação é chamado período (T). c : velocidade de propagação (cluz = 3 x 108 m/s no vácuo). A maioria dos efeitos ópticos de interesse na análise experimental de tensões. 1). Então: f  1 c  T  (3) 10 . t : tempo de propagação. onde λ é o comprimento de onda.UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA / FEMEC LABORATÓRIO DE PROJETOS MECÂNICOS . 2.1 Relações ópticas na fotoelasticidade A teoria eletromagnética de Maxwell mostra que a luz é uma perturbação eletromagnética que pode ser expressa como um vetor que é normal à direção de propagação. Esta perturbação pode ser considerada como uma onda em movimento. como mostrado na Figura 11. A frequência (f) é definida pelo número de oscilações de amplitude por período.

A luz que apresenta diferentes comprimentos de onda é reconhecida pelo olho humano como uma luz branca. A cor reconhecida pelos olhos humanos é determinada pela frequência dos componentes do vetor luz. Os tipos mais utilizados são aqueles que utilizam folhas de polaróide do tipo H que são cristais dicróicos (duas cores) encapsulados por um filme plástico 11 . Destaca-se que a luz branca contém todos os  com igual energia e a luz monocromática possui apenas um comprimento de onda.LPM ANÁLISE EXPERIMENTAL DE TENSÕES MÓDULO II: FOTOELASTICIDADE DE TRANSMISSÃO PLANA Prof. Tabela 1 – Comprimentos de onda dos espectros visíveis (1Aº = 10-10 m).Forma do vetor luz em função da posição.1 Polarizador plano ou linear São elementos ópticos que absorvem os componentes do vetor de luz que não vibram na direção do eixo do polarizador. A Tabela 1 apresenta os comprimentos de onda do espectro visível. Cleudmar Amaral Araújo E Z Figura 11 . As cores do espectro visível vão do vermelho com λ entre 630 e 700 nm ao violeta com λ entre 400 e 450 nm. Comprimento de onda  (nm) Cor 400 – 450 Violeta 450 – 480 Azul 480 – 510 Azul-verde 510 – 550 Verde 550 – 570 Amarelo-verde 570 – 590 Amarelo 590 – 630 Laranja 630 – 700 Vermelho 3 INSTRUMENTOS ÓPTICOS 3. ao longo do eixo de propagação Z.UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA / FEMEC LABORATÓRIO DE PROJETOS MECÂNICOS .

como mostrado no esquema da Figura 12. Os tipos mais utilizados são aqueles que utilizam folhas de polivinil alcoólico laminados com substrato de celulose-acetato-butirato (Fabricados com 140. celofane. A componente paralela ao eixo de polarização é transmitida (Et) enquanto que a componente perpendicular ao eixo é absorvida (Ea) no caso de elementos do tipo polaróide ou é totalmente refletida no caso de cristais de calcita (Prisma de Nicol). ele a divide em duas componentes de onda de luz vibrando em planos mutuamente ortogonais. Quando a luz atravessa um polarizador plano. Estes elementos possuem dois eixos principais denominados eixo lento (eixo 1) e eixo rápido (eixo 2).2 Retardadores de onda São elementos ópticos que tem a característica de decompor o vetor de luz em duas direções ortogonais transmitindo-o com diferentes velocidades. tem-se:    E  Et  Ea Et  a  cos t  cos  (4) 3. Quando essa placa é colocada em 12 . polímeros.LPM ANÁLISE EXPERIMENTAL DE TENSÕES MÓDULO II: FOTOELASTICIDADE DE TRANSMISSÃO PLANA Prof.UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA / FEMEC LABORATÓRIO DE PROJETOS MECÂNICOS . Nestes casos. 280 e 520 nm). Outros materiais podem ser utilizados. como por exemplo. vidro e cristais de quartzo. Tais materiais possuem dupla refração sendo chamados materiais birrefringentes. Direção de polarização E Luz incidente  Et Luz emergente Figura 12 – Luz incidindo em um polarizador plano. 200. Cleudmar Amaral Araújo (Polivinil alcoólico).

Esta diferença de fase linear é dada por:    2   1  h(n2  n1) (5) Onde:  1  h(n1  n) (6)  2  h( n 2  n) Nas Equações (5) e (6). este vetor é decomposto em duas componentes transmitidas. uma vez que esta é equivalente ao vetor de luz girando ao longo do eixo de propagação com uma frequência angular . ou seja: 13 . respectivamente. A diferença de fase angular  pode ser obtida a partir da diferença de fase linear (). Luz incidente Eixo 2 (lento) E h E’1 Atraso relativo () E’1  E’2 Eixo 1 (rápido) E’2 Figura13 . respectivamente. uma estará retardada com relação a outra. Cleudmar Amaral Araújo um campo de luz polarizada plana com o vetor de luz transmitido (Et) fazendo um ângulo  com o eixo rápido.UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA / FEMEC LABORATÓRIO DE PROJETOS MECÂNICOS . A Figura 13 mostra um esquema de um retardador de onda.Esquema de um retardador de onda. Et1 e Et2. n é o índice de refração do ar e n1 e n2 são os índices de refração nas direções dos eixos rápido e lento. as duas componentes transmitidas emergirão da placa em tempos diferentes. ou seja.LPM ANÁLISE EXPERIMENTAL DE TENSÕES MÓDULO II: FOTOELASTICIDADE DE TRANSMISSÃO PLANA Prof. h é a espessura da placa. Por causa da diferença de velocidades ao longo destes dois eixos.

Neste caso. Caso 1: Luz polarizada plana Para  = 0 e  qualquer não há efeito do retardador. na saída da placa. Neste caso: Etr  k cos t  = 0 (11) Desde que o vetor de luz não gira ( = 0) ele passa através da placa retardadora e emerge como luz polarizada plana. plana. Cleudmar Amaral Araújo  2    2  h(n2  n1) (7) Quando a placa é projetada para dar uma retardação angular de /2. tanto a amplitude como a rotação da luz emergente podem ser controladas pela placa retardadora.UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA / FEMEC LABORATÓRIO DE PROJETOS MECÂNICOS .LPM ANÁLISE EXPERIMENTAL DE TENSÕES MÓDULO II: FOTOELASTICIDADE DE TRANSMISSÃO PLANA Prof. Resultado similar é obtido para  = /2. Isto é conseguido. A seguir são apresentados estes três casos possíveis. apenas variando a espessura h da placa retardadora. k  a cos O módulo do vetor de luz resultante ( Etr ) será: Etr  Et21  Et22  k cos 2  cos 2 t  sen 2  cos 2 (t  ) (9) O ângulo  que este vetor de luz resultante faz com o eixo rápido é dado por: tan   Et1 cos(t  )  tan  Et 2 cos t (10) Portanto. geralmente. o retardador apenas produz uma retardação na onda que depende de sua espessura e do índice de refração associado com o eixo rápido. circular ou elíptica. Os fatores que controlam estes tipos de polarização são a diferença de fase relativa  e o ângulo de orientação . Os tipos de polarização que se pode obter nestes casos são. 14 . as componentes do vetor de luz transmitidos ao longo dos eixos rápido e lento são: Et1  k cos t cos  (8) Et 2  k cos(t  ) sen  Onde. Como pode ser visto na Figura 13. ela é chamada de placa de ¼ de onda (quarter-wave plate).

15 . sendo um instrumento que mede a diferença de fase que ocorre quando a luz polarizada passa através de um modelo fotoelástico tensionado. cuja forma e orientação são controlados pelo ângulo .LPM ANÁLISE EXPERIMENTAL DE TENSÕES MÓDULO II: FOTOELASTICIDADE DE TRANSMISSÃO PLANA Prof.UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA / FEMEC LABORATÓRIO DE PROJETOS MECÂNICOS . O modelo mais simples é o polariscópio plano de campo escuro (trabalha com luz plana e o polarizador e o analisador possuem eixos cruzados). Na fotoelasticidade de reflexão o instrumento utilizado na medidas dos parâmetros fotoelásticos é o polariscópio de reflexão. A Figura 14 mostra um modelo de polariscópio de transmissão pertencente ao Laboratório de Projetos Mecânicos da FEMEC/UFU. Caso 3: Luz polarizada elíptica Para   n/4 e = /2 (quarter-wave plate) tem-se que: Etr  k cos 2  cos 2 t  sen 2  cos 2 t (13) tan   tant tan  (14) A ponta do vetor tem uma magnitude que varia com a posição angular formando uma elipse. Cleudmar Amaral Araújo Caso 2: Luz polarizada circular Para  = /4 (45 ) e = /2 (quarter-wave plate) tem-se que: Etr  k 2 e  = t 2 (12) A ponta do vetor de luz gira com uma velocidade angular constante no sentido anti-horário e uma magnitude constante formando um círculo emergindo com uma luz denominada luz polarizada circular. Utilizando duas placas de um quarto de onda é possível obter o chamado polariscópio circular. que pode ser um polariscópio de luz plana ou luz circular. O polariscópio serve para levar as ondas dentro de um plano comum causando uma interferência óptica entre elas. 4 POLARISCÓPIO E SUAS CARACTERÍSTICAS O equipamento utilizado na análise fotoelástica plana e tridimensional é o polariscópio de transmissão.

Esquema de um polariscópio plano com modelo fotoelástico. é acoplado um transferidor para a medida dos parâmetros fotoelásticos.LPM ANÁLISE EXPERIMENTAL DE TENSÕES MÓDULO II: FOTOELASTICIDADE DE TRANSMISSÃO PLANA Prof. analisadora (A). Figura 15 .1 Polariscópio plano O polariscópio plano é constituído de uma fonte de luz. 4.UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA / FEMEC LABORATÓRIO DE PROJETOS MECÂNICOS . Cleudmar Amaral Araújo Figura 14 – Polariscópio de transmissão vertical do Laboratório de Projetos Mecânicos da Faculdade de Engenharia Mecânica da UFU. A esta última. duas placas polarizadoras de luz sendo uma denominada polarizadora (P) e a outra. 16 . Um esquema do polariscópio plano é mostrado na Figura 15.

luz polarizada circular possuindo seção transversal uniforme composta de um cristal de determinada espessura.2 Polariscópio circular O polariscópio circular é constituído de uma fonte de luz. A Figura 16 mostra um esquema do polariscópio circular.UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA / FEMEC LABORATÓRIO DE PROJETOS MECÂNICOS . Quando a luz passar pelo modelo tensionado a luz polarizada circular converte-se em polarizada elíptica.Esquema de um polariscópio circular com modelo fotoelástico. Figura16 .LPM ANÁLISE EXPERIMENTAL DE TENSÕES MÓDULO II: FOTOELASTICIDADE DE TRANSMISSÃO PLANA Prof. Os eixos rápido e lento dos retardadores podem ser cruzados ou paralelos. que fazem um ângulo de 45° com os eixos de polarização das placas polarizadoras. As placas retardadoras de um quarto de onda são usadas para gerar a partir da luz polarizada plana. duas placas retardadoras de l/4 de onda com dois eixos de polarização (Ql e Q2). escalas calibradas e com movimentos sincronizados das placas. O esquema do polariscópio mostrado na Figura 16 consiste em uma fonte de luz. Cleudmar Amaral Araújo 4. e uma segunda placa polarizadora de luz. Esta espessura é determinante para produzir uma diferença de fase de um quarto de comprimento de onda (/2) entre as ondas emergentes. uma primeira placa polarizada de luz (P). e mais duas placas retardadoras de um quarto de onda. uma placa polarizadora e uma analisadora. chamada de placa analisadora (A). porém devem estar a 45º com o polarizador para converter a luz polarizada plana para polarizada circular e voltar para plana antes de entrar no analisador. Uma vez que no polariscópio circular existem duas placas polarizadoras e duas placas retardadoras de onda existem quatro possibilidades de arranjo destes elementos colocando-os com 17 . Estas placas são arranjadas convenientemente em um sistema com aumento ou não de imagem.

Em um corpo homogêneo e isotrópico este índice é constante e independente da direção de propagação ou plano de vibração. A relação entre as velocidades de propagação da luz entre dois diferentes materiais (V1 /V2) é chamada índice de refração relativo do meio (2) em relação ao meio (1).LPM ANÁLISE EXPERIMENTAL DE TENSÕES MÓDULO II: FOTOELASTICIDADE DE TRANSMISSÃO PLANA Prof. A mudança no índice de refração é função da tensão aplicada. principalmente plásticos. comportam-se homogeneamente quando isentos de tensões. Certos materiais. o vetor de luz se divide em dois feixes polarizados. Quando um feixe de luz polarizada se propaga através de um modelo plástico transparente de espessura b. A Tabela 2 mostra o resultado para as quatro possibilidades de arranjo dos filtros. Arranjo Polarizadores Retardadores Campo Observado A cruzados cruzados escuro B cruzados paralelos claro C paralelos cruzados claro D paralelos paralelos escuro 5 FOTOELASTICIDADE DE TRANSMISSÃO BIDIMENSIONAL 5. o tempo necessário para cada uma das componentes cruzar o material do modelo será b/V e o “atraso relativo” ou fase () entre os dois feixes de luz será: 18 . Cleudmar Amaral Araújo eixos cruzados ou paralelos. Se as deformações específicas ao longo de x e y forem εx e εy .UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA / FEMEC LABORATÓRIO DE PROJETOS MECÂNICOS . De acordo com um arranjo específico pode-se obter luz polarizada em um campo escuro ou campo claro. com um determinado nível de tensão. respectivamente. mas tornam-se heterogêneos quando são submetidos a uma tensão. propagando-se nos planos x e y com velocidades diferentes. que dependem das tensões principais no ponto. onde x e y são as direções das tensões principais no ponto sob consideração. e as velocidades da luz segundo estas direções forem Vx e Vy . De acordo com cada arranjo específico pode-se modificar os parâmetros ópticos nos modelos. Tabela 2 – Arranjos dos elementos em um polariscópio circular.1 Índice de refração A relação entre a velocidade de propagação da luz no vácuo e a velocidade de propagação da luz em um material qualquer é denominada índice de refração absoluto do material (Cluz/V).

Uma fonte de luz emite ondas contendo vibrações transversais à direção de propagação. mas apresentam-se oticamente anisotrópicos quando solicitados.3 Lei de Brewster-Maxwell (Dupla Refração Temporária) Muitos materiais transparentes não cristalinos são oticamente isotrópicos quando totalmente livres de tensões. nx e ny são os índices de refração absolutos em relação aos eixos x e y respectivamente. Este fenômeno é denominado dupla refração temporária. Cleudmar Amaral Araújo  b C b C    Cluz     b luz  luz   b n x  n y Vy   Vx Vy   Vx   (15) onde. colocando-se outro filtro polarizador na trajetória com o eixo de polarização perpendicular ao anterior. somente uma componente dessas vibrações será transmitida. A luz branca.2 Luz polarizada A luz é uma onda eletromagnética que vibra em todas as direções. ou seja.UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA / FEMEC LABORATÓRIO DE PROJETOS MECÂNICOS . é caracterizada por apresentar diferentes comprimentos de onda. Maxwell desenvolveu os conceitos relativos a variação dos níveis das tensões principais em função dos índices de refração para um regime elástico linear. a mais comum.LPM ANÁLISE EXPERIMENTAL DE TENSÕES MÓDULO II: FOTOELASTICIDADE DE TRANSMISSÃO PLANA Prof. ou seja. A luz pode ser completamente extinta. ci : constantes ópticas. Com a introdução de um filtro Polarizador (p) no caminho das ondas de luz. 19 . Este feixe orientado é chamado LUZ POLARIZADA. sendo que a componente da luz vibrará na direção paralela ao eixo de polarização do filtro. aquela paralela ao eixo de polarização do filtro. 5. 5. somente uma componente dessas vibrações será transmitida. ni : Índices de refração do material no ponto. n0 : Índice de refração do material descarregado. A polarização da luz nada mais é do que a vibração desta em um único plano. Isto é feito com a introdução de um filtro polarizador no caminho das ondas de luz. Este efeito foi observado por David Brewster em 1816. sendo que esta vibração é perpendicular à direção de propagação e é determinada através de sua frequência.  n1  n0  c1 1  c 2( 2   3)  n2  n0  c1 2  c 2( 1   3)  n3  n0  c1 3  c 2( 1   2)  (16) Onde: i : Tensões principais no ponto.

Cleudmar Amaral Araújo Da Equação (16).LPM ANÁLISE EXPERIMENTAL DE TENSÕES MÓDULO II: FOTOELASTICIDADE DE TRANSMISSÃO PLANA Prof. A diferença entre os índices de refração nos dois planos principais é proporcional à diferença das tensões principais. ou seja: 20 . Para facilitar a utilização da técnica.  N 2  c (20)  f (21) Tem-se finalmente que.UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA / FEMEC LABORATÓRIO DE PROJETOS MECÂNICOS . como mostrado na Equação (19). 1 e 2 são as tensões principais no ponto. Com este método consegue-se determinar a diferença das tensões principais nos pontos. a ordem de franja (N) e a constante óptica em termos de tensão (f) como. f é a constante óptica relativa às tensões que depende do material e do comprimento de onda da luz utilizada. 1   2  N f h (22) A principal característica dos materiais fotoelásticos é que estes materiais respondem às tensões/deformações através de uma mudança nos índices de refração nas direções das tensões principais. e a direção destas tensões. A tensão cisalhante máxima depende apenas da diferença das tensões principais. esta equação foi reescrita sob a forma da Equação (22). utilizando as Equações (18) e (17) pode-se escrever que:  1  1   2 2 c h (19) Definindo. pode-se escrever que: n1  n2  (c1  c 2)( 1   2)  h  c( 1   2) (17) A Equação (7) mostrou que a diferença de fase angular pode ser escrita em função da diferença de fase linear e do comprimento de onda da seguinte forma:  2   (18) Portanto. N é a ordem de franja no ponto e h é a espessura do modelo. Nesta.

Se o problema exigir que se conheçam as tensões normais máximas. pode-se obter a relação básica para medida de deformações usando técnicas fotoelásticas: 1   2  N f h (26) Na Equação (26) f é a constante óptica em termos de deformação. ou seja: n1  n2  C (1   2) (25) Considerando as direções das deformações principais. As expressões das Equações (22) e (26) são as relações básicas para medida de tensões usando fotoelasticidade. das Equações (22) e (23) tem-se que:  max  1   2 2  Nf  2h (24) Portanto. Se o modelo em questão estiver entre dois polarizadores o analisador transmitirá somente uma componente de cada uma dessas ondas. a tensão cisalhante máxima pode ser determinada em toda a extensão do modelo conhecendo-se as respectivas ordens de franja no ponto de interesse. sendo dada por: f  1  f E (27) Onde: E : módulo de elasticidade do material. a relação observada na Equação 17 pode ser expandida em termos da diferença entre as deformações principais. será função da fase  e do ângulo entre o eixo de polarização do analisador e a direção das tensões principais.LPM ANÁLISE EXPERIMENTAL DE TENSÕES MÓDULO II: FOTOELASTICIDADE DE TRANSMISSÃO PLANA Prof.  : razão de Poisson do material. Cleudmar Amaral Araújo  max  1   2 (23) 2 Portanto. Devido ao atraso relativo (). De forma análoga. as duas ondas não são mais simultâneas quando emergem do modelo. 21 . Estas componentes interferirão entre si e a intensidade de luz resultante que emergirá.UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA / FEMEC LABORATÓRIO DE PROJETOS MECÂNICOS . é necessário que se aplique algum método para a separação de tensões.

O uso da luz branca resolve este problema porque as franjas observadas são coloridas.4 e 5. A técnica fotoelástica pode utilizar luz monocromática ou luz branca. a franja de ordem zero é de cor preta. sendo conhecidos como isoclínicas e isocromáticas. Cleudmar Amaral Araújo Para avaliar como se dá esta interferência as seções 5. No caso particular. 5.5 apresentam as intensidades luminosas resultantes em modelos fotoelásticos carregados em um polariscópio plano e em um polariscópio circular. facilitando portanto a observação e determinação do gradiente de tensões no modelo.4 Parâmetros fotoelásticos Conforme definido anteriormente. Utilizando luz monocromática os efeitos ópticos observados. as franjas são pretas ou claras. Neste caso. ou seja.1 Medida dos parâmetros fotoelásticos A pergunta agora é: “Como determinar as isoclínicas (direção das tensões principais) e as isocromáticas (ordens de franja N) nos pontos de interesse?” 22 . a interferência causada pela diferença de fase entre os feixes de luz propagando nas duas direções principais e o ângulo entre as direções principais e os eixos de polarização do polariscópio dão origem a dois parâmetros fotoelásticos que podem ser medidos.UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA / FEMEC LABORATÓRIO DE PROJETOS MECÂNICOS . 5.LPM ANÁLISE EXPERIMENTAL DE TENSÕES MÓDULO II: FOTOELASTICIDADE DE TRANSMISSÃO PLANA Prof.4. COR PADRÃO DE CORES ORDEM DE FRANJA Vermelho/verde 3 Vermelho/azul/verde 2 Violeta 1 Preta 0 Figura 17 – Padrão de cores versus ordens de franjas observadas nos modelos fotoelásticos. um modelo observado em um polariscópio plano possui as isoclínicas superpostas as isocromáticas tornando difícil a análise do modelo. A Figura 17 mostra as cores relativas as ordens de franja inteiras.

LPM ANÁLISE EXPERIMENTAL DE TENSÕES MÓDULO II: FOTOELASTICIDADE DE TRANSMISSÃO PLANA Prof. Neste caso é mostrada a isoclínica a 0. (b) em um polariscópio com campo claro. A Figura 19 mostra uma sequência de isoclínicas observadas em um disco sob compressão utilizando luz monocromática. São curvas pretas (onde ocorre a completa extinção da luz) que aparecem no analisador de um polariscópio plano e seu valor pode ser determinado. A Figura 18 apresenta o modelo de um disco sob compressão analisado em um polariscópio plano utilizando luz branca. mapeando-se assim o modelo com suas curvas isoclínicas.  Obtenção da isoclínica individualmente nos pontos de interesse. As isoclínicas podem ser determinadas de duas maneiras:  Obtenção das isoclínicas no campo completo do modelo. Cleudmar Amaral Araújo a) Determinação das isoclínicas Conforme descrito nas seções anteriores. A família de curvas correspondentes à sequência de parâmetros de 0o a 90o é registrada em incrementos de 5o. 23 . girando-se o conjunto polarizador/analisador em relação ao modelo. (a) (b) Figura 18 – Disco sob compressão ao longo do diâmetro vertical observado em um polariscópio plano: (a) em um polariscópio com campo escuro.UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA / FEMEC LABORATÓRIO DE PROJETOS MECÂNICOS . ou seja. e estas coincidem com as direções de polarização do polariscópio. Fonte: Laboratório de Projetos Mecânicos/FEMEC/UFU. a direção das tensões principais nos pontos médios das curvas pretas (cruz) faz um ângulo de 0 com relação a direção de polarização. as isoclínicas podem ser definidas como sendo o lugar geométrico dos pontos do modelo que possuem a mesma direção das tensões principais.

Isoclínicas a 0. são direções principais.  Em eixos de simetria não existem tensões de cisalhamento.UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA / FEMEC LABORATÓRIO DE PROJETOS MECÂNICOS . Ou seja.Pontos singulares: 1=2=0. logo.LPM ANÁLISE EXPERIMENTAL DE TENSÕES MÓDULO II: FOTOELASTICIDADE DE TRANSMISSÃO PLANA Prof. Devem ser observadas as seguintes regras gerais sobre as isoclínicas:  Um isoclínica deve sempre coincidir com um eixo de simetria do modelo. caso ele exista. o parâmetro da isoclínica é determinado por esta inclinação. 24 .  Os parâmetros das isoclínicas podem ser utilizados para determinar as tensões de cisalhamento em um plano arbitrário definido por um sistema de coordenadas XY.  Todas as Isoclínicas devem passar por pontos isotrópicos ou singulares: . Cleudmar Amaral Araújo Figura 19 . . 2 : Ângulo entre o eixo X e a direção de 2.  Todas as isoclínicas passam através de pontos de carga concentrada. Ou seja:  xy    xy  1 2 2 1 2 2 sin2 2   sin2 1  N f sin2 2 2h N f sin2 1 2h (28) (29) Onde: 1 : Ângulo entre o eixo X e a direção de 1.  A tensão tangencial no contorno é uma tensão principal e o parâmetro da isoclínica coincide com a inclinação do contorno no ponto de intersecção.Pontos isotrópicos: 1=2 (Estado hidrostático de tensões)  N = 0. +20 e –20 em um modelo de disco sob compressão vertical.

 Pontos de carga concentrada não são pontos isotrópicos.  Linhas isoclínicas não se interceptam umas com as outras exceto em pontos isotrópicos. Estas podem ser apresentadas na forma de um diagrama de trajetória de tensões chamado de isostáticas. A Figura 20 apresenta uma sequencia geral de vários parâmetros das isoclínicas para o modelo de um anel e a Figura 21 mostra um esquema geral destes parâmetros.  No contorno livre. dá a direção das tensões principais. De uma forma geral.  Pontos isotrópicos em sequencia (mais de um ponto singular) serão positivos e negativos. Figura 20 – Padrão das isoclínicas para um anel circular sujeito a uma carga de compressão. onde as tensões principais são tangentes ou normais às linhas isostáticas em cada ponto. podem ser destacadas as seguintes regras gerais:  A borda de uma placa é um ponto singular negativo. 25 .  Pontos singulares de uma borda e canto livre de cargas serão negativos.UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA / FEMEC LABORATÓRIO DE PROJETOS MECÂNICOS .  Se uma isoclínica passa em 02 pontos singulares na borda livre de uma placa.LPM ANÁLISE EXPERIMENTAL DE TENSÕES MÓDULO II: FOTOELASTICIDADE DE TRANSMISSÃO PLANA Prof. Cleudmar Amaral Araújo Algumas características gerais podem ser observadas com relação ao padrão das isoclínicas. pontos isotrópicos singulares indicam mudança de sinal nas tensões do contorno.  As isoclínicas. linhas ao longo das quais as tensões principais têm uma inclinação constante. ele passa também em um ponto isotrópico do interior.

considerando-se pontos arbitrariamente espaçados.  O processo segue e as linhas (3) são desenhadas a 20º com relação a vertical e assim sucessivamente. 26 . As isostáticas são construídas da seguinte forma:  Inicia-se da isoclínica a 0º. sendo orientadas a 0º com relação a normal. compressão.UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA / FEMEC LABORATÓRIO DE PROJETOS MECÂNICOS . Cleudmar Amaral Araújo Figura 21 – Esquema da configuração das isoclínicas para o modelo do anel sob carga de compressão.  As linhas (1) são divididas ao meio e o novo conjunto de linhas (2) é desenhado inclinado de 10º com relação a vertical.  Definem-se linhas numeradas (1) conforme mostra a Figura 22.  Com o auxílio destas linhas são desenhadas as Isostáticas.  As trajetórias das tensões são desenhadas tangentes às linhas construídas nos pontos de interseção com as isoclínicas.LPM ANÁLISE EXPERIMENTAL DE TENSÕES MÓDULO II: FOTOELASTICIDADE DE TRANSMISSÃO PLANA Prof.

LPM ANÁLISE EXPERIMENTAL DE TENSÕES MÓDULO II: FOTOELASTICIDADE DE TRANSMISSÃO PLANA Prof. as isocromáticas se apresentam como faixas escuras (sem luz). N. Figura 23 – Modelo de um disco sob compressão vertical analisado em um polariscópio circular sob luz branca. Quando a fonte de luz é branca. Observa-se que não existem as isoclínicas sobre o modelo.UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA / FEMEC LABORATÓRIO DE PROJETOS MECÂNICOS . Este parâmetro é mais facilmente identificado no polariscópio circular. as isocromáticas são formadas por faixas luminosas de diferentes colorações dependendo da ordem de franja. A Figura 24 mostra modelos de dentes de engrenagens observados em um polariscópio circular sob luz monocromática e luz branca. Cleudmar Amaral Araújo Figura 22 – Procedimento para a determinação das linhas isostáticas. Se a fonte de luz utilizada for monocromática (somente um comprimento de onda). b) Determinação das isocromáticas As isocromáticas podem ser definidas como sendo o lugar geométrico dos pontos que apresentam o mesmo valor para a diferença entre as tensões principais. que tem a propriedade de eliminar o parâmetro da isoclínicas. A Figura 23 mostra um disco sob compressão analisado em um polariscópio circular sob luz branca. 27 .

Este procedimento só é aconselhável quando não se necessita de medidas exatas ou o número de franjas é muito grande. conforme mostrado na Figura 17. apresenta colorações típicas para as ordens de franja. Cleudmar Amaral Araújo (a) (b) Figura 24 – Modelos de dentes de engrenagens observados em um polariscópio circular sob luz monocromática (a) e luz branca (b). o mais utilizado é o método de compensação de Tardy. sendo que as ordens de franja em um ponto do modelo podem ser determinadas de duas formas:  Fotografando ou traçando em papel as ordens de franjas inteiras que correspondem a fases múltiplas do comprimento de onda de luz utilizada. No caso de luz branca o espectro observado no analisador. ordens de franja fracionárias. Figura 25 – Modelo fotoelástico de uma chave analisada em um polariscópio circular sob luz branca. por ter aplicação simples e não exigir o uso de equipamentos complementares.UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA / FEMEC LABORATÓRIO DE PROJETOS MECÂNICOS . Geralmente. A técnica pode ser aplicada a vários tipos de modelos como o mostrado na Figura 25. pode-se utilizar métodos de compensação. 28 . para se determinar a ordem de franja de pontos fora das franjas de ordem inteira faz-se uma interpolação ou extrapolação das isocromáticas.LPM ANÁLISE EXPERIMENTAL DE TENSÕES MÓDULO II: FOTOELASTICIDADE DE TRANSMISSÃO PLANA Prof.  Para se conseguir medidas mais precisas. ou seja. Dentre os métodos de compensação usuais.

tem-se que a tensão tangencial ao contorno será: 1 p  f N h (30)  Se o contorno não é livre e a carga não é conhecida deve-se aplicar técnicas de separação de tensões. é possível obter a tensão cisalhante máxima. ou seja.  Se 1 > 0 e 2 < 0 então max=(1 . é possível obter 1 ou 2.2) é determinada pela Lei óptica das tensões em qualquer modelo fotoelástico. Np    0 1 2 3 4 Figura 26 – Esquema para a determinação da ordem de franja fracionária segundo o método de compensação de Tardy. a normal ao contorno é nula. Cleudmar Amaral Araújo Devem ser observadas as seguintes regras gerais sobre as isocromáticas:  A diferença das tensões principais (1 .5 Método de compensação de Tardy A seguir é mostrada a sequencia para a determinação de ordens de franja fracionárias em um ponto qualquer do modelo usando o método de compensação de Tardy. é fundamental que o usuário saiba distinguir corretamente as ordens de franjas inteiras no modelo. se não houver carregamento. 1 = 0 ou 2 = 0.LPM ANÁLISE EXPERIMENTAL DE TENSÕES MÓDULO II: FOTOELASTICIDADE DE TRANSMISSÃO PLANA Prof. Para calcular max é preciso calcular as tensões principais individuais. Logo.UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA / FEMEC LABORATÓRIO DE PROJETOS MECÂNICOS . O procedimento deve seguir os seguintes passos: 29 .  Se o contorno não é livre de carga. 5.2)/2 . ou seja.  Se 1 > 0 > 2 < 3 = 0 ou 1 > 2 > 3 = 0. é possível calcular apenas p. Portanto. Para aplicação adequada do método. A Figura 26 apresenta um desenho esquemático do método.  No contorno. a tensão cisalhante máxima não está no plano do modelo.

Cleudmar Amaral Araújo [ 1 ] Ajusta-se o polariscópio para polarização plana. Fixa-se o conjunto nesta posição. [ 5 ] Se a franja que se moveu em direção ao ponto for a de ordem menor (n1) tem-se que a ordem de franja fracionária no ponto é dada pela Equação 31 e se a franja que se moveu for a de ordem mais alta (n2).LPM ANÁLISE EXPERIMENTAL DE TENSÕES MÓDULO II: FOTOELASTICIDADE DE TRANSMISSÃO PLANA Prof. tangentes e perpendiculares à superfície. Portanto. pois ordens de franjas de tração e compressão são exatamente iguais. Os eixos de polarização ficam assim alinhados com a direção das tensões principais. N p  n1  N p  n1   180  180 (medido em graus) (31) (medido em graus) (32) Deve-se ficar atento. Com isto. respectivamente.6 Materiais fotoelásticos Para a utilização da técnica fotoelástica. materiais especiais devem ser usados.UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA / FEMEC LABORATÓRIO DE PROJETOS MECÂNICOS . a 2 ou a 3). se a franja de ordem superior se mover em direção ao ponto. as direções das tensões principais são. No transferidor do polariscópio lê-se o ângulo de rotação (). desaparecem as isoclínicas. [ 3 ] Observa-se o espectro. com os eixos de polarização. Identificam-se assim as ordens de franjas próximas ao ponto de interesse (por exemplo: na Figura 26 tem-se as ordens N1 = 2 e N2 = 3 no ponto de interesse. se não existir carregamento. observando cuidadosamente o movimento das franjas. [ 4 ] Gira-se o analisador. A seguir. se girar no sentido horário a franja 2 caminhar para o ponto. tem-se uma tensão de compressão neste ponto (negativa). passando o ajuste do polariscópio de plano para circular. Neste caso. gira-se o conjunto polarizador/analisador até que uma isoclínica passe sobre o ponto em questão. A tensão principal perpendicular à superfície é nula. ficando somente as isocromáticas. o mesmo é obtido pela Equação 32. consequentemente. 5. até que uma das franjas de ordem inteira passe pelo ponto (no exemplo. tem-se uma tensão de tração (positiva). em uma superfície livre. Além disso. 30 . nas superfícies livres. girando no sentido anti-horário quem vai caminhar para o ponto será a franja de ordem 3. e se a franja de ordem menor se mover em direção ao ponto. portadores de características indispensáveis como:  material transparente. assinalando as ordens de franja de valores inteiros adjacentes ao ponto de interesse. [ 2 ] Colocam-se as duas placas retardadoras de ¼ de onda fazendo um ângulo de 45o.

O valor desta constante óptica é obtido através de processos de calibração e deve ser efetuada sempre que se for utilizado um novo material fotoelástico ou outra amostra de um mesmo material. onde é possível moldar a camada fotoelástica no formato da peça à qual esta vai ser colada. constante óptica (f) não deve alterar com a temperatura. 31 . homogêneo e isotrópico. Após a moldagem.UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA / FEMEC LABORATÓRIO DE PROJETOS MECÂNICOS . Exemplos de materiais utilizados: Fotoelasticidade Plana: Cr-39 . fácil de ser usinado. isto é. baixo custo. livre de tensões residuais. não deve exibir fluência. devendo-se conhecer a espessura do modelo utilizado e uma propriedade óptica do material denominada de constante óptica. módulo de elasticidade grande. Com relação aos materiais fotoelásticos pode-se destacar ainda:  Para a fotoelasticidade tridimensional. o material deve apresentar características que possibilitem o congelamento das tensões.  Para a fotoelasticidade de reflexão. características lineares.     não deve exibir efeito de borda (Time edge effect).Homalite 100 (resina de poliéster) Policarbonato Resinas Epóxi (Araldite) Resinas Epóxi com Aminas (Polipox) 5.“Columbia Resin” (Carbonato) H-100 . o material deve apresentar uma fase de cura intermediária.7 Métodos de calibração Conforme mostrado na Equação (22). a determinação da diferença das tensões principais através da Lei Óptica das tensões é feita determinando-se a ordem de franja no ponto de interesse. além das características acima.LPM ANÁLISE EXPERIMENTAL DE TENSÕES MÓDULO II: FOTOELASTICIDADE DE TRANSMISSÃO PLANA Prof. este deve ter a propriedade de fixar a anisotropia óptica mediante tratamento térmico adequado. Cleudmar Amaral Araújo       boa resposta óptica. o material deve endurecer sem apresentar nenhuma anisotropia óptica.

é sujeito a uma carga axial de tração F.UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA / FEMEC LABORATÓRIO DE PROJETOS MECÂNICOS . cotas em mm Figura 27 . O procedimento é repetido um número suficiente de vezes para que se possa efetuar uma regressão e determinar a constante óptica (f). No processo de calibração.LPM ANÁLISE EXPERIMENTAL DE TENSÕES MÓDULO II: FOTOELASTICIDADE DE TRANSMISSÃO PLANA Prof.Vistas no 3º diedro do corpo de prova utilizado para a obtenção da Curva de Calibração para a determinação da constante óptica (fσ). tem-se que: 1    f F N h A (34) Logo. conforme mostrado na Figura 27. o modelo é submetido a incrementos de carga e as respectivas ordens de franja são determinadas. a tensão 2 é nula. A tensão da barra em qualquer ponto longe da aplicação da carga é dada por: 1    F A (33) A lei óptica das tensões foi definida na Equação (22). Fonte: Laboratório de Projetos Mecânicos. O modelo deve também ser fácil de ser usinado e possuir uma forma simples para a aplicação da carga. Cleudmar Amaral Araújo Para se fazer a calibração do material. Como. tem-se que: F A f N h (35) 32 . neste modelo. Exemplos de modelos mais comumente utilizados em calibração são: barras retas tracionadas e discos comprimidos. deve-se selecionar um modelo no qual a distribuição de tensão é conhecida. um modelo fotoelástico de uma barra tracionada. a) Calibração utilizando o modelo de barra tracionada Neste caso.

Fonte: Laboratório de Projetos Mecânicos. o coeficiente angular da reta formada pela força versus a ordem de franja fornece a constante óptica. Cleudmar Amaral Araújo Portanto. conforme mostrado na Figura 28 é sujeito a uma carga vertical de compressão F.Dimensões de modelo de um disco sob compressão para a obtenção da Curva de Calibração para a determinação da constante óptica (fσ). Figura 28 . 33 .LPM ANÁLISE EXPERIMENTAL DE TENSÕES MÓDULO II: FOTOELASTICIDADE DE TRANSMISSÃO PLANA Prof. uma vez que os parâmetros geométricos são constantes. uma vez que os parâmetros geométricos também são constantes para o modelo do disco. A Tensão no centro do disco é dada por: 1   6P 2P e 2  hD hD (36) Utilizando a lei óptica das tensões e a Equação (36) pode-se obter a equação da reta de calibração utilizando o modelo do disco sob compressão. um modelo fotoelástico de um disco. ou seja: P Df 8 N (37) De forma análoga ao caso anterior.UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA / FEMEC LABORATÓRIO DE PROJETOS MECÂNICOS . o coeficiente angular da reta formada pela força versus a ordem de franja fornece a constante óptica. b) Calibração utilizando o modelo de disco comprimido Neste caso.

paquímetro.UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA / FEMEC LABORATÓRIO DE PROJETOS MECÂNICOS . Para a determinação destas franjas foi usado o método de 34 . célula de carga. dispositivo de aplicação de carga. Cleudmar Amaral Araújo 5. A barra foi fixada ao sistema de carga através dos furos feitos em suas extremidades. Foi aplicada uma carga gradual na barra de 5 kgf em 5 kgf até próximo de 30 kgf. polariscópio.LPM ANÁLISE EXPERIMENTAL DE TENSÕES MÓDULO II: FOTOELASTICIDADE DE TRANSMISSÃO PLANA Prof.7. Inicialmente. Esta barra é normalmente utilizada em ensaios no Laboratório de Projetos Mecânicos da FEMEC/UFU. foram determinadas as dimensões da barra utilizando o paquímetro. Fonte: Laboratório de Projetos Mecânicos. Os seguintes materiais são necessários:       barras feita de material fotoelástico. polariscópio de transmissão vertical. Para cada valor de carga aplicado foi determinada a ordem de franja (N) correspondente na imagem observada no polariscópio circular de transmissão.1 Exemplo de um processo de calibração Por exemplificar o procedimento anteriormente comentado será mostrado como é feita uma calibração utilizando uma barra de material fotoelástico de seção retangular. Figura 29 – Aparato experimental utilizado para obter a constante fotoelástica de um material utilizando uma barra de seção transversal retangular. A Figura 29 mostra o aparato experimental utilizado para fazer a calibração.

10 mm.LPM ANÁLISE EXPERIMENTAL DE TENSÕES MÓDULO II: FOTOELASTICIDADE DE TRANSMISSÃO PLANA Prof.399 i B F i  A *  Ni n  0.5895 n Tem-se: F  N * b  * f  y  A* x  B A   f * b B0 xN yF f  A 29. As dimensões do corpo de prova são:  Largura (b) de 40. Tabela 3 .97 9.91 1. que é dada por: A  F * N   i N N *F i i i n  N   2 2 i  29. Com os dados obtidos construiu-se uma tabela a fim de se obter a curva de calibração.399   7.72 0 0.33Kgf / cm b 4.  Comprimento L de 200 mm.02 A constante óptica f  pode ser calculada a partir da regressão linear que define a reta de calibração.UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA / FEMEC LABORATÓRIO DE PROJETOS MECÂNICOS .Valores das ordens de franja medidas para diferentes incrementos de carga.67 15.01 35 .62 19.525 0.45 mm. Calibração Carga (kgf) Ordem de Franja 0 5.5 29. 1978). A Tabela 3 mostra os resultados dos incrementos de carga versus as ordens de franja medidas.285 0. Cleudmar Amaral Araújo compensação de Tardy.  Espessura (h) de 6.79 26. A constante óptica do material foi obtida desta curva utilizando regressão linear (DALLY e RILLEY.17 0.705 0.

218x + 0. Do gráfico. Curva de Calibração 35 y = 28. ou em qualquer outro software de manipulação de dados ou.6 0.LPM ANÁLISE EXPERIMENTAL DE TENSÕES MÓDULO II: FOTOELASTICIDADE DE TRANSMISSÃO PLANA Prof.8 1 1.037 Kgf / cm b 4. ainda.7518.218 f    7.2 0. determina-se a equação de regressão y = 28.218 x + 0.2 Ordem de Franja Figura 30 .Reta de calibração obtida no Excel.4 0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA / FEMEC LABORATÓRIO DE PROJETOS MECÂNICOS .01 36 . manualmente.7518 R2 = 0. A Figura 30 mostra a reta de calibração obtida no programa Excel. Então. tem-se que: F  N * b  * f  y  A* x  B A   f * b  B0 xN yF A 28. utilizando papel milimetrado. Cleudmar Amaral Araújo Este resultado também pode ser obtido via regressão linear no programa Excel.9968 30 Fo rça(Kgf) 25 20 15 Calibração Linear (Calibração) 10 5 0 0 0.

5. 1978. OLIVEIRA. New York. Springer–Verlag. Uberlândia. DOYLE. J. Notas de Aula – Curso Análise Experimental de Tensões. F. 37 . 1979.LPM ANÁLISE EXPERIMENTAL DE TENSÕES MÓDULO II: FOTOELASTICIDADE DE TRANSMISSÃO PLANA Prof. E. DALLY. RILLEY.S. 2004. MacGraw-Hill. J. Uberlândia. C.A.G.. Mechanical Engineering Desing..W.UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA / FEMEC LABORATÓRIO DE PROJETOS MECÂNICOS . GDOUTOS. Apostila UFU. 1997. 1985.ed.E. Cleudmar Amaral Araújo 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARAÚJO. THEOCARIS. Experimental Stress Analysis. Society for Experimental Mechanics. Matrix Theory of Photoelasticity. Manual on Experimental Stress Analysis. McGraw-Hill.F. P.E. W. SHIGLEY.A.D. Introdução à Fotoelasticidade Plana. S. 1995. Curso de PósGraduação em Engenharia Mecânica – UFU..