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SISTEMA SCLIAR DE

ALFABETIZAÇÃO
Fundamentos

Leonor Scliar-Cabral

Florianópolis, 2012
Editora Lili

SISTEMA SCLIAR DE ALFABETIZAÇÃO FUNDAMENTOS

Leonor Scliar-Cabral

Florianópolis, 2012
Editora Lili

Ficha técnica / ficha catalográfica

Professor e professora,

Apesar de todos os esforços e empenho, o índice de analfabetismo funcional no Brasil
ainda é muito alto. Você está consciente disso e mais ansioso do que ninguém para que
seus alunos aprendam a ler de modo a compreender os textos que circulam a sua volta,
sejam eles o material escolar, jornais, livros, poemas, avisos, instruções ou informações
no computador; e a também redigir para que se façam entender quando tiverem que
enviar uma carta ou prestar um exame para conseguir um emprego, ou para entrar na
universidade.
Uma das explicações para estes altos índices de analfabetismo funcional é que o país
carece de materiais alinhados com as descobertas avançadas das neurociências. O
Sistema Scliar de Alfabetização vem prencher esta lacuna. Ele foi desenvolvido para
ajudar a prevenir o analfabetismo funcional, na convicção de que isso só será possível
se a batalha começar no início da aprendizagem da leitura e da escrita, mais
precisamente, na alfabetização.
Você, caro professor, e os educadores envolvidos com este desafio encontrarão nos
Fundamentos informação sólida e atualizada nos tópicos que se referem à linguagem
verbal oral e escrita e seu processamento, bem como as bases para a alfabetização para o
letramento. O material pedagógico fundamentado em tais tópicos compreende o livro do
aluno Aventuras de Vivi (SCLIAR-CABRAL, 2012) e o livro do professor Sistema
Scliar de Alfabetização – Roteiros para o professor: 1º Ano (SCLIAR-CABRAL,
2013). Os livros do aluno e respectivos roteiros para o professor, para o segundo e
terceiro anos, quando se completa a alfabetização, estarão disponíveis até o final de
2013.
Afinal, é bom saber o que se faz, por que se faz e como se faz! Com tal fundamentação,
você estará mais seguro para realizar as práticas em classe e organizar com eficiência
seu plano de aulas.
Ao ler e refletir sobre os fundamentos, você:
1. obterá melhores resultados com seus alunos. Eles se sentirão mais confiantes,
desenvolvendo o gosto pela leitura e pela escrita;
2. entenderá melhor as dificuldades de seus alunos e saberá como contorná-las;
3. saberá em que foi baseado o material de qualidade com o qual trabalhará em sala aula
e quais as mais recentes teorias e pesquisas sobre leitura, conhecendo para o que serve
cada atividade e como deve ser aplicada;
4. desenvolverá sua capacidade de aproveitar todas as oportunidades para consolidar a
unidade que será trabalhada, bem como enriquecerá o aprendizado com suas próprias
contribuições.
5. entenderá por que, na presente etapa, a ênfase é para com a leitura, sem descurar a
produção textual.
Todo o material já foi testado e aprimorado. Gostaria de registrar as valiosas
contribuições de Ana Cláudia de Souza, Mariléia Silva dos Reis e Otilia Lizete de
Oliveira Martins Heinig, que muito ajudaram no aperfeiçamento dos conceitos e
práticas aqui desenvolvidos.

Boa leitura! Leonor Scliar-Cabral .

l. As neurociências na alfabetização e leitura 4. independentes do contexto Quadro 4. ou. de r depois de n. Valores em início de sílaba dos grafemas s depois de n.G g . Exemplos dos valores dos grafemas c.o único valor do grafema RR rr 18. Valores dos grafemas em final de vocábulo e de sílaba interna Quadro 7. em final de vocábulo. s. Analfabetismo funcional. Quadro fonêmico das vogais do PB Quadro 3. p. de x depois de n. Outras dificuldades na alfabetização 9. As principais dificuldades na alfabetização 8. Valores dos grafemas. Valores dos grafemas em início de vocábulo e de sílaba interna. seguidos de grafemas que representam as vogais não posteriores . g. ai Quadro 6. seguidos de grafemas que representam as vogais posteriores ou a semivogal /w/ Quadro 9. Letras que nasalizam as vogais em final de sílaba interna e de vocábulo (com ditongação opcional) Quadro 8. entre letras que representam vogais Quadro 5. Fundamentos da alfabetização integral e integrada 6.Sumário 1. Métodos de alfabetização 7. r. Introdução 2. Letras M m . A leitura e o sistema alfabético do português brasileiro 10. independentes do contexto grafêmico 14. Valores dos grafemas. xc. dependentes do contexto escrito 15. Os dois valores do grafema R r dependentes do contexto grafêmico . sc. 2012.N n em final de sílaba interna para nasalizar a vogal precedente e. Visão moderna das redes corticais da leitura (adaptação a partir de DEHAENE. com comentários Referências Bibliográficas Figuras e Quadros Figura 1. Como escolher o grafema para as atividades de ensino-aprendizagem 12. Exemplos dos valores dos grafemas c. ei.Q q antes das vogais posteriores 17. l. g e grafemas (dígrafos) gu e qu. desafio para a escola 3. Quadro fonêmico das consoantes e das vogais do PB 13. Desenvolvimento da língua verbal oral 5. Quadro fonêmico das consoantes do PB Quadro 2. depois de E e . q. nasalizando e ditongando 16. Valores atribuídos aos grafemas. Critérios para a introdução dos grafemas 11. Valores de C c . Valores previsíveis e imprevisíveis do grafema X x Anexos Gabarito das avaliações de aprendizagem. 78) Quadro 1.A a.

Ícone dicionário: Maturidade Cognitiva: Ao nascer. Introdução Ícone objetivos Neste capítulo você conhecerá de forma resumida os fundamentos do Sistema Scliar de Alfabetização que explicam as diferenças entre a aquisição da variedade oral da língua e a aprendizagem da língua escrita. Enquanto a comunicação oral é questão de sobrevivência do ser humano. Aborda-se. antes de falar. distinta da pintura. As primeiras palavras ocorrem por volta de um ano de idade. nem com todos os conhecimentos linguísticos e do mundo já armazenados em suas várias memórias. em particular. Tais conteúdos serão aprofundados em capítulos específicos. A escrita apareceu muito recentemente. a dificuldade para os neurônios aprenderem a dissimetrizar os sinais visuais e a segmentar a cadeia da fala. apareceu muito recentemente (aproximadamente há 5. para aprender a ler e a escrever.). a escrita. O Sistema O Sistema Scliar de Alfabetização está baseado no que há de mais avançado na teoria e prática das ciências que se ocupam da linguagem verbal. depois produzir Em toda a aprendizagem. Na prática . Primeiro compreender. também. linguística e emocional. O sistema escrito. no entanto. datando um dos fósseis mais antigos (Lucy) há aproximadamente três milhões e meio de anos.C. para depois poder dizer suas primeiras palavras. do desenho ou de outros meios de memorização. principalmente. é construído no contexto do ensino-aprendizagem de forma sistemática. enquanto os sistemas de escrita são uma invenção tardia: na maioria dos casos. a criança não poderá compreender nem o que ela própria “escreveu”. entendida como um modo secundário. A mesma coisa acontece com a língua escrita: sem saber ler. a criança deve compreender o que os adultos dizem para ela e assim começar a dominar a língua. Essa evidência da paleontologia demonstra que a comunicação oral é adquirida espontanea e compulsoriamente por determinantes biopsicólogicos da espécie. para saber produzir. a criança precisa vir à escola. Diferença entre aquisição oral e escrita A aquisição do sistema oral se dá de forma natural e espontânea nas crianças que não apresentem nenhum impedimento sensorial ou cognitivo para processar a fala. também rapidamente. o cérebro do bebê não está com os circuitos que o constituem inteiramente prontos. bem como as bases neuropsicológicas dessa última. quando a criança já atingiu certa maturidade cognitiva. intensiva.000 anos a. deve-se saber compreender. da experiência.1. Foto com legenda. O amadurecimento é gradativo e depende. a questão sociolinguística e a educação integral e integrada. Estes fundamentos podem ser resumidos nos pontos a seguir. isto é.

só é possível. ao começar a escrever. que se chama consciência fonológica. um fonema). As informações sensoriais processadas pela visão. na escrita. Propriocepção: é a percepção do próprio corpo. sem espaços em branco entre as palavras? Por que. cera. coloca uma sucessão de sinais numa linha. já preconizava tal enfoque. cor. mas outras vezes poderá ter mais de um valor como c. no português. mudando um fonema por outro (igualmente seu grafema por . Essa aprendizagem. pela audição. Ícone dicionário Simetrizar Informações: “Os neurônios da visão foram biologicamente programados para simetrizar a informação. mudanças no equilíbrio.Não comece a alfabetização pelo ensino isolado da escrita. o acento pode cair na última (oxítonas). sua postura. num contexto lúdico. desde que a criança aprenda a reconhecer as diferenças entre as letras e os seus valores na leitura. 2012. é necessário reciclar os neurônios para que eles aprendam a distinguir a direção dos traços das letras. A proposta de Montessori. a tem o valor de /k/. que antes das letras u. escreverá “zóio”. este traço de memória é imediatamente transmitido ao outro hemisfério” (DEHAENE. pois. Para aprender a ler. a criança deverá saber onde cai o acento mais forte (acento de intensidade). mais adiante. a criança deverá compreender. isto é. uma importante pedagoga italiana. pelo tato e pela propriocepção se reforçam mutuamente. associando cada fonema a um grafema (uma ou duas letras). aos poucos. penúltima (paroxítonas) ou antepenúltima sílaba (proparoxítonas). um grafema) têm o valor de um som (para o professor. que: a escrita representa a fala. Ícone Atenção! Para reconhecer a palavra escrita. 7). essas em sílabas e. o que é mais difícil. isto é. como f. Cada vez que um hemisfério aprende uma informação visual nova. ao mesmo tempo em que diz o som que ela representa. às vezes. bem como a de suas respectivas sensações de movimento e posições. nem entre consoantes e vogais. No entanto. cola e antes de i. além de saber atribuir os valores a cada grafema (uma ou duas letras). cuja abordagem é seguida por centenas de escolas ao redor do mundo. Sendo a maior dificuldade para uma criança se alfabetizar o fato de ela perceber a fala como um contínuo. Você pode até começar quase simultaneamente com a escrita. não há separação entre as palavras. como em cipó. mostrando que. separar as consoantes das vogais. “zoreia”? Porque é assim que percebe a fala. das diferenças que apresentam entre si. como em cubo. é preciso que você a ajude a analisar conscientemente a fala. o. as palavras são separadas por espaços em branco. desmembrando a cadeia em palavras. Introduza cada letra com comandos para que a criança a trace com o dedo. cap. porém não exatamente tal como é percebida. movimentos. uma ou duas letras (para o professor. e tem o valor de /s/. Reciclagem neuronal Uma das grandes descobertas das neurociências é a de que os neurônios que processam as imagens visuais são programados para simetrizar a informação. para o reconhecimento das letras. Por exemplo. O sistema escrito do português é alfabético A maior dificuldade para uma criança se alfabetizar é a de que ela percebe a fala como um contínuo. uma letra poderá ter sempre o mesmo valor. por que a criança.

na escrita alfabética. evitando que essas crianças sejam ridicularizadas quando falam ou leem em voz alta. o físico e o estético. em vasos comunicantes. associando-os aos fonemas que representam. 3. professora falando): Trabalhar apenas com sons isolados. Utilizar as letras que realizam os grafemas dentro de palavras e estas em um texto. deve ser ensinado o respeito à diferença. e assim por diante. Dominar os valores dos grafemas. Dica (pode ser um ballon. que quando se diz [´fumu]. se escreve “fomos”. corresponde a uma sílaba. o fonema /R/. devem estar inseridos em palavras e estas em textos significativos para o educando. não é suficiente para preparar a criança para a alfabetização. de famílias que praticam em casa outras línguas. engloba diferentes sons praticados em diferentes regiões do Brasil. com ou sem acentos gráficos). Por isso. Para ensinar a escrever. aos poucos. a criança converte o que lê a sua variedade sociolinguística. na Bahia. a estratégia do ensino-aprendizagem está baseada sobre um tripé de conceitos: 1. ou seja. Ícone dicionário Grafema: Unidade de um sistema de escrita que. portanto. Por exemplo. com a função de distinguir significados. Reconhecer a direção dos traços que diferenciam as letras entre si. nem a especialização cerebral sem ser plasmada pelo ambiente. Ambos têm a função de distinguir significados. Isto significa que não se podem divorciar as ciências humanas das ciências biológicas: o cultural não pode ser pensado sem o biológico. porque as regras de conversão não são as mesmas. o professor deve estar atento.outro). Educação integral e integrada A alfabetização integral parte do pressuposto de que o alvo é a educação plena do indivíduo: cognição. o professor deve mostrar. há alunos que vêm de regiões diferentes e. deverão levá-lo ao exercício da cidadania e à realização pessoal. A alfabetização integrada é aquela que aproveita todos os espaços e tempos disponíveis para o ensino-aprendizagem da direção dos traços que diferenciam as letras entre si. no português. o alemão ou o japonês. quando escreve. na escrita silábica. em virtude da mobilidade social. sociabilidade. as palavras mudam de significado. uma ou duas letras. a alfabetização integrada utiliza as disciplinas . Trabalhe sistematicamente onde cai o acento de intensidade. mesmo. com um professor. corresponde a uma ou mais letras para representar um dado fonema (no português. 2. somente. com a capacidade para entender os textos escritos que circulam em sociedade e para produzir os de que necessita. na escola. como no Rio de Janeiro. Assim. da constituição dessas em grafemas associados aos seus respectivos valores (os fonemas). Assim. Ícone Na prática Respeite a variedade sociolinguística da criança na leitura em voz alta. dá-se o inverso: o sistema escrito é um só em todo o território nacional. afetos. como o italiano. no interior de Minas Gerais ou de São Paulo. ou com os nomes das letras. Assim como não se escreve “nãum” ao invés de “não”. na fronteira do Rio Grande do Sul. Fonema: Classe de sons. Variação sociolinguística A fala apresenta variação determinada por vários fatores: quando lê. Também há diferenças determinadas pelo nível de escolaridade e de educação dos pais.

a fim de estabelecer a empatia entre a criança e os personagens. a alfabetização integrada é aquela que aproveita todos os espaços e tempos disponíveis para o ensino-aprendizagem da direção dos traços que diferenciam as letras entre si e da constituição dessas em grafemas associados aos seus respectivos valores (os fonemas). você. Aplicam-se. narrativas e esportes para o desenvolvimento cognitivo (matemática e demais linguagens). música. artes. enquanto o sistema escrito é construído no contexto do ensino-aprendizagem de forma sistemática. pois. com um objetivo comum. emocional. deve ser ensinado o respeito à diferença. família e comunidade. sobre os fundamentos do Sistema Scliar de Alfabetização que são:         a aquisição do sistema oral se dá de forma natural e espontânea nas crianças que não apresentem nenhum impedimento sensorial ou cognitivo para processar a fala. para saber produzir. dança. com sua criatividade e engajamento. (bloco de anotações) Sugestões para reflexão e pesquisa  O que são atividades multissensoriais?  O que é simetrização?  Por que não se deve começar a alfabetização pela escrita isoladamente? . estético e social. pelo tato e pela propriocepção se reforçam mutuamente. Professor.de matemática. é necessário ensiná-los a dissimetrizar. pela audição. em toda a aprendizagem. dramatização. evitando que as crianças sejam ridicularizadas quando falam ou leem em voz alta. lazer. você tomou conhecimento. os ensinamentos de Montessori sobre aprendizagem. Ícone Na prática Todas as unidades do livro Sistema Scliar de Alfabetização – Roteiros para o professor: 1º Ano possuem sugestões de atividades lúdicas como jogos. educação física. Os temas ajudam a promover a integração entre a escola. para o reconhecimento das letras. Para o livro do aluno Aventuras de Vivi. de forma resumida. na maioria dos casos. isto é. os aspectos ecológicos. isto é. estudos sociais. a criança deverá saber onde cai o acento mais forte. intensiva. poesia. todas coerentemente entrosadas em torno de uma temática. as informações sensoriais processadas pela visão. a criança não poderá compreender nem o que ela própria “escreveu”. a qual é essencial para o seu êxito como alfabetizador. e as atividades de socialização. também. é necessário reciclar os neurônios para que eles aprendam a distinguir a direção dos traços das letras. ciências. além de saber atribuir os valores a cada grafema (uma ou duas letras). foi elaborada uma história. físico. desenho. Lembre-se de explorar. linguístico. das diferenças que apresentam entre si. na escola. a alfabetização integral parte do pressuposto de que o alvo é a educação plena do indivíduo. é parte fundamental para que o Brasil acabe com o analfabetismo funcional! Ícone Pontos importantes Nesta unidade. deve-se saber compreender: sem saber ler.

Verá. também. d ( ) Porque a noção de esquerda e direita depende da internalização do esquema corporal. Uma das maiores dificuldades na alfabetização é ensinar os neurônios a dissimetrizar. por uma questão de sobrevivência. você tomou conhecimento sobre os fundamentos do Sistema Scliar de Educação que explicam as diferenças entre a aquisição da variedade oral e a aprendizagem da língua escrita. Abordou-se. a questão sociolinguística e a educação integral e integrada. Você descobrirá quais são os conceitos de analfabetismo funcional e os vários níveis estabelecidos pela UNESCO. 2. fonte de inspiração para o Sistema Scliar de Alfabetização. desafio para a escola Ícone síntese No primeiro capítulo. Por que isto ocorre? a ( ) Porque os neurônios humanos não têm plasticidade para novas aprendizagens. foram programados para descartar as diferenças de direção para a esquerda e para a direita e. Como explicado. oferece-nos dados sobre o alfabetismo dos que nela ainda estão e/ou seus egressos. não se restrinja àquela que esteja frequentando a escola. Breve histórico Embora o Instituto Nacional de Alfabetismo Funcional (INAF) aplique suas pesquisas domiciliares a uma população entre 15 e 64 anos de idade. em particular. Analfabetismo funcional. b ( ) Porque os neurônios só aprendem através do estímulo-resposta-recompensa. a dificuldade para os neurônios aprenderem a dissimetrizar os sinais visuais e a segmentar a cadeia da fala. tais conteúdos serão aprofundados em capítulos específicos. como a Escócia conseguiu combater o analfabetismo funcional com um programa exitoso. e ( ) Porque perceber a direção dos traços para a esquerda ou direita não interessa para o reconhecimento das letras. também. Como pré-requisito. Analfabetos funcionais . residente em zonas urbanas e rurais de todas as regiões do país e. c ( ) Porque os neurônios. por isto. bem como as bases neuropsicológicas. como os EUA e o Reino Unido.ícone Avaliação de aprendizagem 1. portanto. ícone objetivo Neste capítulo você conhecerá dados alarmantes sobre o analfabetismo funcional no Brasil e em outros países considerados desenvolvidos. é necessário entender a classificação de alfabetismo adotada pelo INAF (2009) de acordo com suas habilidades em leitura/escrita (letramento) e em matemática (numeramento). deverão ser reciclados.

Analfabetismo - Corresponde à condição dos que não conseguem realizar tarefas
simples que envolvem a leitura de palavras e frases, ainda que uma parcela destes
consiga ler números familiares (números de telefone, preços etc.).
Alfabetismo rudimentar - Corresponde à capacidade de localizar uma informação
explícita em textos curtos e familiares (como um anúncio ou pequena carta), ler e
escrever números usuais e realizar operações simples, como manusear dinheiro para o
pagamento de pequenas quantias ou fazer medidas de comprimento usando a fita
métrica.

Alfabetizados funcionalmente

Alfabetismo básico - As pessoas classificadas neste nível podem ser consideradas
funcionalmente alfabetizadas, pois já leem e compreendem textos de média extensão,
localizam informações mesmo que seja necessário realizar pequenas inferências, leem
números na casa dos milhões, resolvem problemas envolvendo uma sequência simples
de operações e têm noção de proporcionalidade. Mostram, no entanto, limitações
quando as operações requeridas envolvem maior número de elementos, etapas ou
relações.
Alfabetismo pleno - Classificadas neste nível estão pessoas cujas habilidades não mais
impõem restrições para compreender e interpretar elementos usuais da sociedade
letrada: leem textos mais longos, relacionando suas partes, comparam e interpretam
informações, distinguem fato de opinião, realizam inferências e sínteses. Quanto à
matemática, resolvem problemas que exigem maior planejamento e controle,
envolvendo percentuais, proporções e cálculo de área, além de interpretar tabelas de
dupla entrada, mapas e gráficos.

Fonte: Inaf - evolução do indicador (2012)

Em pleno 2013, ficamos estarrecidos, ao constatar as cifras alarmantes de analfabetos
funcionais no Brasil e os baixos escores obtidos pelos alunos brasileiros, na faixa dos 15
anos, conforme o Relatório PISA (OCDE, 2011), que avalia as competências em
linguagem, em matemática e em ciências e constatados também pelo INAF, o Indicador

de Alfabetismo Funcional, conduzido pelo Instituto Paulo Montenegro e pela ONG
Ação Educativa. Apesar do aumento significativo da matrícula escolar e dos anos de
escolaridade (FERNANDES, 2012), a porcentagem de analfabetos funcionais no país,
ainda é alarmante: conforme o Boletim INAF (2012), em 2012, na faixa etária dos
brasileiros de 15 a 64 anos, encontram-se 6% de “analfabetos absolutos”; no nível
rudimentar, 21%; no nível básico, 47% e apenas 26% conseguem o nível pleno.
Decididamente, 27% dos brasileiros não têm as condições mínimas para o exercício da
cidadania, nem para refazer a leitura de mundo, a partir da leitura da palavra (FREIRE,
2002, p. 54). Pode-se afirmar que 47% o fazem de forma precária e apenas 26% estão
aptos a compreender e refletir sobre os textos necessários ao exercício da cidadania de
forma plena e à ampliação da sua aptidão para competir no mercado de trabalho, com
auto-aprendizagem e educação continuada. Tais cifras também nos alertam para o fato
de que a desigualdade social não pode ser efetivamente combatida quando a maioria dos
indivíduos não domina a ferramenta que os habilite à qualificação profissional. Os
últimos dados apontam para discreta melhora.
O último relatório PISA, o Programa de Avaliação Internacional de Estudantes
realizado pela OCDE (2011), mostra que o Brasil teve uma pequena melhora nos
resultados, mas ainda ocupa uma das últimas posições quando se trata de proficiência
em leitura, ficando em 53º lugar dentre os sessenta e cinco países participantes, obtendo
412 pontos no quesito leitura, contra 393 de 2006. Dentre os países latino-americanos o
Brasil só ficou acima da Argentina e da Colômbia, sendo superado pelo México,
Uruguai e Chile. Pela primeira vez, o relatório levou em conta a capacidade de os
alunos lerem, compreenderem e utilizarem textos digitais.

Foto: (crianças e/ou papeis/escrita/ ou pessoa perdida no meio de placas/livraria)
Legenda: Mas o que é o analfabeto funcional?
Definições de analfabeto funcional
Existem muitas definições de analfabeto funcional.
(3 boxes, lado a lado?)
“O conceito de analfabeto funcional, como o próprio adjetivo indica, deve, contudo,
repousar sobre a falta de competência do indivíduo para ler e escrever os textos dos
quais necessita em sua vida cotidiana familiar, social e de trabalho” (SCLIARCABRAL, 2003a).
“É funcionalmente letrada a pessoa que puder engajar-se em todas as atividades, nas
quais o letramento for condição para o desempenho efetivo no seu grupo e comunidade,
e também para permitir-lhe que continue a utilizar a leitura, a escrita e o cálculo para o
seu próprio desenvolvimento e o de sua comunidade” (UNESCO, 2007).
“Na leitura, ser letrado é entender, usar e refletir sobre textos escritos, a fim de alcançar
as próprias metas para desenvolver o conhecimento e as potencialidades e participar na
sociedade” (OCDE, 2007, trad. da autora).
Ícone dicionário
Analfabeto funcional: É o indivíduo que, apesar de ter frequentado a escola, não
consegue compreender, nem produzir os textos de que necessita.

Convém, neste passo, retomar a reflexão sobre letramento. Na definição de letrado
funcional da UNESCO infere-se que o letramento efetivo pressupõe que a pessoa saiba
ler, isto é, compreenda os textos que circulam socialmente, permitindo o engajamento
do indivíduo em todas as atividades nas quais tais competências sejam necessárias.
Infere-se, igualmente, não haver uma oposição entre alfabetização e letramento,
porquanto só se torna efetivamente letrado quem estiver alfabetizado, havendo,
portanto, uma complementaridade entre ambos e não exclusão mútua. Magda Soares
(2004) discute em profundidade tais questões.
Há vários níveis de analfabeto funcional: o mais grave é aquele em que, por não ter sido
alfabetizado, o indivíduo não reconhece a palavra escrita. Ao ver uma sucessão de
caracteres ao lado de uma gravura de um gato diante de um prato com leite, “adivinha”:
O bichinho está lambendo o prato, ao invés de ler o que está escrito: O gato está
tomando leite.
Foto/desenho gato com leite e legenda: O gato está tomando leite.
É o que sucede com aqueles que foram “alfabetizados” pelo método global, ou aqueles
que foram alfabetizados, emparelhando uma palavra a uma figura e adivinham o que
está escrito. Segue-se aquele que consegue decifrar algumas letras, mas, ou foi
alfabetizado pelo nome das letras, ou não aprendeu que uma ou duas letras (os
grafemas) têm o valor de uma classe de sons (os fonemas), o qual, em alguns casos, vai
ser diferente conforme a letra que vem depois. Nesse segundo caso, tal aluno titubeia
diante das letras e sua leitura é penosa: não só o esforço é tal que ele perde qualquer
gosto pela leitura, como também a memória de trabalho não consegue processar as
palavras com fluência e a pessoa acaba não entendendo o que leu.
Uma classificação mais operacional em cinco níveis é a utilizada pelo LAMP (Literacy
Assessment and Monitoring Programme), programa de testagem e monitoria da
UNESCO (2007):
(fazer como uma escada ao lado, com destaque para os números. Colocar o nível um no
degrau mais baixo, e o 4 e 5 no mais alto)
Níveis 4 e 5: Os entrevistados demonstram domínio das habilidades para processar
informação mais complexa.
Nível 3: Mínimo adequado para dar conta das demandas diárias e de trabalho, numa
sociedade complexa. É o nível requerido para completar a escola secundária e entrar na
universidade.
Nível 2: Os entrevistados só conseguem operar tarefas e material escrito simples,
disposto com clareza. Conseguem ler, mas se saem mal nos testes de compreensão.
Podem ter desenvolvido habilidades de cópia para dar conta das demandas de escrita
mais corriqueiras, mas acham difícil enfrentar novos desafios como os exigidos no
trabalho.
Nível 1: O indivíduo possui habilidades muito pobres e pode nem ser capaz de
determinar a dose correta do remédio para dar ao filho, a partir do rótulo da embalagem.
(trad. da autora)
Dados alarmantes
O Departamento de Educação do Reino Unido em seu relatório de 2006 informou que
47% das crianças deixam a escola aos 16 anos sem ter adquirido o nível básico em
matemática funcional e 42% falham em alcançar o nível básico no inglês funcional

a Psicolinguística e a Linguística podem contribuir para reverter o quadro? Uma das possibilidades é conhecer quais as medidas que foram tomadas em cenários que apresentavam taxas alarmantes de analfabetismo funcional e que conseguiram baixá-las consideravelmente. 2010).Com um ano de aplicação. seja muito elevada. Outros dados preocupantes se referem aos anos de escolaridade da população.Um em cada três alunos do secundário (28%) era analfabeto funcional. na Escócia. EII) foi desenvolvido pelo Conselho do Condado Oeste de Dunbartonshire.000 alunos deixam a escola como analfabetos funcionais no Reino Unido. nem refletir sobre eles. particularmente no nível médio. que você conhecerá mais à frente. cidade-estado e Singapura. ao contrário de países como Azerbaijan ou Kyrgyzstan. Embora a taxa de letramento. É um bom exemplo a ser seguido! Confira como se deu a implantação do progama. desenvolvendo a . 100. que o programa prioriza a educação infantil. países que investiram pesado em educação de qualidade. Somente 5% das crianças que frequentavam a primeira série da escola primária. 1998 . nas últimas posições. passando para 11% em 2008. seu nível de leitura era o equivalente ao de uma criança de nove anos e meio. de saída. O índice de analfabetismo funcional cai para 6%. estatísticas recentes indicam a existência de aproximadamente 30 milhões de analfabetos funcionais. recebeu o prestigioso prêmio do Municipal Journal pela maior conquista em assistência à criança no Reino Unido (West Dunbartonshire Council. Depois de ter frequentado sete anos do ensino fundamental. conseguiam escores altos em leitura. 2007). Foto aluno na escola: Legenda: Frequentar a escola até completar o ensino fundamental não garante que o indivíduo consiga entender e usar os textos escritos. (fazer estilo linha do tempo) 1997 . cifra que vem aumentando (Civilliberties. Paraguai e Venezuela ostentam 3% (GOMIDE. observe. Como isto foi obtido? Sem entrar em detalhes. que equivale ao Ensino Fundamental no Brasil. Hongkong. em junho de 2007. O programa Inciativa de Intervenção Precoce O programa Inciativa de Intervenção Precoce (Early Intervention Initiative. 2005 .As crianças do programa começam a ingressar na escola secundária.Início do programa. com 10% de abandono. a Finlândia. que. 2001 . A China. têm conseguido os melhores escores. A cada ano. 45% das crianças conseguem escores altos em leitura. 10/07/2007). 2007). em virtude das altas taxas de evasão escolar no Brasil. É o que você verá a seguir. enquanto países como o Chile. mensurada por no mínimo oito anos de escolaridade. Meta: acabar em 10 anos com o analfabetismo funcional. Como as Neurociências. nos Estados Unidos. a Coreia. em 2006. Somente as instituições que investiram pesado na formação do magistério e adotaram métodos e materiais advindos das pesquisas avançadas conseguiram resultados satisfatórios no domínio da leitura e escrita por parte da população.(Guardian Unlimited.

sobre o ensino da fônica.  A família e a comunidade foram envolvidas. O relatório final. fez a diferença. as habilidades e a compreensão de modo a habilitá-las a decodificar (a ler) e a codificar (a escrever/ortografar) a escrita. 2007). Ícone Na Prática Fatos e Números  Mais de 30 mil alunos foram individualmente testados. que investiu no projeto de erradicar o analfabetismo funcional em 10 anos. 2007).  Foram convocados especialistas como assessores. Também conta com atividades de intervenção. publicado em 2006. os professores deveriam destinar um devido tempo todos os dias para que as crianças adquirissem o conhecimento. tempo extra para a leitura no currículo. Christine Gilbert (2007.consciência fonológica na pré-escola e utilizando basicamente o método fônico sintético e o enfoque multissensorial de Montessori. 2) ao Relatório Anual de 2006/07.  Mais de 29 mil alunos foram testados em grupo. A efetividade de tais medidas para erradicar o analfabetismo funcional no Reino Unido vem confirmada pelo comentário da Chefa dos Inspetores de sua Majestade. p. avaliação e monitoria contínuas. assessoria às famílias e de quem cuida das crianças e a incrementação de um entorno de letramento na comunidade (Guardian Unlimited. Reflexões sobre o programa Inciativa de Intervenção Precoce Dado o fato de que muitos projetos para a incrementação do letramento apresentaram resultados tão insatisfatórios. Ícone dicionário Currículo escondido: São os conhecimentos incorporados pela criança em lares em que a informação escrita circula e por ter sido submetida a narrativas lidas. o que deu resultados noutros lugares. de modo que pudessem se deslocar mais suavemente de “aprender para ler”. escrita e cálculo são acompanhadas individualmente por especialistas até superarem as dificuldades (Programa Toe By Toe/ Passo a Passo). para “ler para aprender”. Também fez inúmeras recomendações chave para as escolas. Também recomendou que o trabalho fônico de alta qualidade fosse o enfoque privilegiado para ensinar as crianças a lerem. Em especial. LLOYD. É evidente que algumas medidas são indiscutíveis. a jogos educativos. chamou a atenção para a importância fundamental do desenvolvimento da fala das crianças. uma das primeiras tendências é copiar.  A vontade política da administração do condado. por exemplo. sem reflexão ou adaptação a cenários diferentes. a vontade política das instituições responsáveis pela educação de convocar os especialistas em ensinoaprendizagem da leitura e escrita para assessorarem em larga escala os educadores do . recomendou que o trabalho sistemático com a fônica fosse ensinado de modo destacado. à mídia e ao próprio discurso de familiares que convivem diariamente com tal informação. com material pedagógico elaborado a partir de pesquisas da proposta Jolly Phonics (WERNHAM.  As crianças com aproveitamento insatisfatório na aprendizagem da leitura. 1993. com uma equipe de professores especialmente treinados. com um trabalho para suplementar o chamado currículo escondido. em outras palavras.

ensino pré-escolar e fundamental. s. /d/. Além disto. residindo aí uma das maiores dificuldades na aprendizagem da leitura e da escrita. Neste livro. A compreensão por parte dos professores das bases científicas que fundamentam. Outro risco decorrente da falta de conhecimentos de fonética para quem ensina fônica é pensar que é possível ouvir ou articular isoladamente uma consoante oclusiva. m. da formação continuada do magistério. as imagens visuais são processadas simetricamente. da avaliação periódica e da recuperação dos alunos que apresentam dificuldades de aprendizagem da leitura e escrita. um trabalho sistemático tem que ser desenvolvido para que o indivíduo reconstrua de modo consciente a percepção da fala e possa desmembrar a cadeia da fala em palavras e a sílaba em seus constituintes. A razão primordial que fundamenta a fônica é que a base dos sistemas alfabéticos. Foto de boca Legenda: Na língua portuguesa. sem que a direção dos traços para a esquerda ou direita seja diferenciada. Dica Repetir mecanicamente os exercícios é um caminho que deve ser abandonado. por exemplo. mas o princípio vale para todos os grafemas. encontram-se seis consoantes oclusivas: /p/. ou seja. n. do material pedagógico. quanto a escrita fazem parte dos sistemas semióticos e servem para comunicar pensamentos. Desafio 1: A fala é percebida como um contínuo. Lembre-se de que tanto a língua oral. Foto de bola. h. Portanto. . q. como o concurso de neurocientistas. /b/. e não por seus nomes. Outra questão teórica é desconhecer que a decodificação precisa ser aprendida pelos valores que as letras têm. linguistas. que deverão se ocupar da reformulação dos currículos. você encontará tais fundamentos e saberá como vencer quatro grandes desafios. a palavra “bola” não se lê como “be-ó-éli-a”. . g. existe uma impossibilidade articulatória para a produção de tais sons. muitas vezes condicionadas pelo contexto. Isto é particularmente grave no português com os grafemas c. quanto os grafemas que os representam. Legenda: Evidentemente. Tanto os fonemas. bem como os autores do respectivo material pedagógico. x. Ora. Ora. isto vai contra a percepção que o indivíduo tem da fala antes de se alfabetizar. têm a função de distinguir significados. os grafemas (formados por uma ou mais letras) representam um fonema (classe de sons com função de distinguir significados). A fala é percebida como um contínuo. das práticas escolares. uma vez que é necessário romper o obstáculo (assinalado pelo silêncio) para que possa ser percebido qualquer sinal. psicolinguistas e fonoaudiólogos. até se alfabetizar. a fônica. /k/ e /g/: tente produzi-las isoladamente e vai ver que é impossível! Desafio 3: O nome da letra não representa seu valor. se não se apoiarem numa vogal ou som vocálico precedentes e/ou subsequentes. Desafio 2: É impossível articular isoladamente uma consoante oclusiva. z e todos os grafemas que representam as vogais. impedirá a prática mecânica e inadequada dos exercícios. o que redundaria no efeito inverso ao desejado. Isso implica a presença não só de pedagogos e psicólogos altamente especializados.

determinou a formação de verdadeiros guetos linguísticos. à medida que o indivíduo lê e. é alfabetizar bem. Foto: pessoa lendo livro. Ora.uis.unesco. a evolução do alfabetismo no Brasil. a explosão lexical e semântica e de universos especializados. além das questões que remontam à educação pré-escolar e fundamental e ao preparo dos professores. um dos caminhos seja a formação de um novo tipo de profissional capaz de traduzir o texto especializado para o grande público. Por que o analfabetismo funcional é fator de exclusão social? . o programa Inciativa de Intervenção Precoce. você vai ver que a competência em leitura se desenvolve. associados aos valores sonoros que eles representam. qual o problema mais grave no Brasil: o do analfabeto total ou o do analfabetismo funcional? Realize na Internet uma pesquisa sobre o assunto. os cinco níveis de competência leitora. Talvez. No próximo capítulo. ambos com a função de distinguir significados. matemática e ciências. ocasionada pelas revoluções científicas e tecnológicas aceleradas. consultando as estatísticas do IBGE. têm que ser automatizados. você verá como as descobertas das neurociências podem ajudar a desenvolver uma alfabetização. para tanto. os quatro grandes desafios à alfabetização. leitura e escrita mais competentes. para desenvolver a competência em leitura e. fazer com que as pessoas leiam cada vez mais universos de conhecimentos diversificados e mais complexos.org/profiles/selectCountry_en. Legenda. Mas um caminho. a classificação de alfabetismo adotada pelo INAF. (ícone) Pontos importantes Na segunda unidade foram examinados os seguintes pontos:        o conceito de analfabetismo funcional. e a importância da competência em leitura para o desempenho em matemática e ciências. com certeza. dados alarmantes sobre analfabetismo funcional. o que em parte vem sendo exercido pelo jornalista científico. o reconhecimento dos traços que diferenciam as letras entre si e a articulação deles em grafemas. (bloco de anotações) Sugestões para reflexão e pesquisa     Na sua avaliação. A automatização do reconhecimento dos traços que diferenciam as letras entre si e dos valores dos grafemas libera o leitor para o entendimento do texto.aspx> e reflita sobre o que vem a ser competência em linguagem. assim. O que é o Relatório PISA? Consulte <www. impermeáveis mesmo para os considerados bons leitores. Isto vem determinando o fracionamento do conhecimento e a impossibilidade de se compreenderem os inúmeros universos cognitivos: o ideal humanístico se encontra cada vez mais distante.Desafio 4: Existência de guetos linguísticos. Finalmente.

matemática e ciências. você verificou que é alarmante o número de analfabetos funcionais no Brasil e constatou que os alunos brasileiros têm obtido péssimos escores na avaliação mais importante do mundo sobre competências em linguagem. d ( ) o indivíduo que não fala corretamente. 3. b ( ) o indivíduo que não sabe o nome das letras. além de nos esclarecerem sobre as dificuldades que os alunos apresentam. mesmo tendo frequentado a escola. de que resulta uma dificuldade em reconhecer a palavra escrita. Também verá como a articulação de uma ou duas letras (os grafemas). decorrentes de distúrbios de atenção ou da dislexia. não compreende os textos necessários à sua inserção na sociedade. As principais conclusões de tais pesquisas são de grande valia para se repensarem os métodos de alfabetização e o ensino-aprendizagem da leitura e escrita. A reflexão foi encaminhada para a seguinte questão: por que não se aplicam à alfabetização e ao ensino-aprendizagem da leitura e escrita as conclusões a que chegaram as pesquisas de ponta no assunto. realizadas pelas neurociências. Analfabeto funcional é: a ( ) o indivíduo que nunca frequentou a escola. Fundamentos Graças à imagem por ressonância magnética (IRM). c ( ) o indivíduo que. possuem a função de distinguir significados. dos neurônios desde a zona germinal ao redor dos ventrículos até a posição final nas diferentes camadas do córtex. no feto. Ícone dicionário Dislexia: é um distúrbio de ordem genética determinado pela migração. e ( ) o indivíduo que só frequentou a escola até o 3º ano do Ensino Fundamental. pela psicolinguística e pela linguística? ícone objetivos Nesse capítulo você descobrirá como as neurociências estão contribuindo para que se entendam os processos envolvidos na leitura e como se dá a reciclagem dos neurônios em uma região específica do cérebro para o reconhecimento dos traços invariantes que diferenciam as letras entre si. com entradas e saídas simultâneas da informação. . As neurociências na alfabetização e leitura Ícone síntese No segundo capítulo.(ícone) Avaliação de aprendizagem 2. à eletroencefalografia (EEG) e à magnetoencefalografia (MEG). associados aos fonemas. Perceberá como o processamento da linguagem verbal e do significado se dão em paralelo. pode-se rastrear como nosso cérebro trabalha durante a leitura.

Memória permanente para registro dos esquemas e padrões aprendidos. processamento das variantes recebidas nas áreas primárias. Ela se deve. fundamentalmente. A função semiótica. Mecanismos de retroalimentação simultâneos para autocorreção. mesmo distantes. dominância e especialização das várias áreas secundárias para a linguagem verbal no hemisfério esquerdo e integração nas áreas terciárias. . inclusive as que vão de encontro à programação biopsicológica. inclusive as que processam a significação.A capacidade para aprender a ler e a escrever é exclusiva da espécie humana. Complicado? Um pouco. aos seguintes fatores de como está estruturado e funciona o sistema nervoso central. que você verá a seguir: plasticidade dos neurônios para se reciclarem para novas aprendizagens. arquitetura neuronal capaz de processar formas sucessivamente mais abstratas e complexas. o que garante o acionamento do conhecimento prévio. mas examinando o cérebro fica mais fácil entender. interconexão entre as várias áreas. com as que processam em paralelo a linguagem verbal. através do emparelhamento com formas invariantes mais abstratas que os neurônios reconhecem nas áreas secundárias.

a fóvea consegue abarcar 3 ou 4 caracteres à esquerda do centro do olhar. vamos chamar de píxeis. nossos olhos correm pela linha. e 7 ou 8 à direita. Só depois da recomposição em formas invariantes que possam emparelhar com as dos respectivos neurônios estes sinais são enviados para as áreas especializadas: esse primeiro processamento dura aproximadamente 50 milissegundos. dos três pontos: área de leitura. Legenda: Área de leitura – Olhos com movimento Legenda: movimento de sacada -\ . Durante estes movimentos.conforme descrito a seguir) Processo de Leitura Olho marcando 15º. A distribuição preferencial para a região especializada em reconhecer os traços das letras. isto é. É preciso explicar que as regiões do cérebro que recebem a informação se dividem em três grandes blocos. a fixação. Com a visão é a mesma coisa. 2012. fica na parte posterior e central da região occipital de ambos os hemisférios. pela região homolateral direita. As áreas primárias. rica em células fotorreceptoras. nos sistemas de escrita com direção da esquerda para a direita. Tais movimentos oculares são controlados pelos dois colícolos superiores. A área primária. metaforicamente. Por isso. não vemos nada. realmente útil para a leitura. Ícone dicionário Somestesia: é a capacidade que homens e animais têm de receber informações sobre as diferentes partes do seu corpo. para reconhecer as invariâncias e as terciárias que fazem a integração dos resultados dos vários processamentos. formadas por sensores sensoriais e somestésicos. consciência corporal. através da experiência. Os sensores decompõem os sinais luminosos em miríades de pontos que. ocupar apenas 15º do campo visual. p. 78). para processar os sinais luminosos. situados abaixo do tálamo e rodeados pela glândula pineal do mesencéfalo. já comprovada pelas pesquisas em neurociências. em virtude das limitações de a única parte da retina. em movimentos de sacada (quatro ou cinco por segundo). Perceba que o cérebro é formado por muitas regiões. Nos processos de aprendizagem. as áreas secundárias. especializadas para processamentos refinados que dependem da especialização dos neurônios. Conjunto de sensações corporais como tato. a região occipitotemporal ventral esquerda. várias regiões são utilizadas simultaneamente.Ao refazer. movimento. coloca uma pá de cal nos métodos globais ou similares de alfabetização. Só ao parar em um ponto. e cada uma delas tem sua função. chamada fóvea. corrigir no quadro: occípito-temporal  occipitotemporal Figura 1. fixação. Mas como? O que acontece quando nos deparamos com um texto escrito Nossos olhos não abarcam uma linha inteira. os cones. Visão moderna das redes corticais da leitura (adaptação a partir de DEHAENE. Esquema (fazer com ícones/iustraçao esquemática. preferencialmente. pois o reconhecimento global ou por configuração é efetuado. dor etc.

Trecho de uma linha. caro e carro têm significados diferentes. independentemente do fato de /R/ poder se realizar como fricativa velar surda. porque. com destaque para uma parte do texto. sendo que 3 ou 4 caracteres à esquerda do centro do olhar. foi possível verificar que há neurônios especializados na região occipitotemporal ventral esquerda para reconhecer os traços invariantes das letras e isso é possível porque uma ou duas letras (os grafemas) estão associadas a um fonema. a unidade que cobria todas as realizações possíveis tanto em nível da recepção quanto da produção. da fonte (imprensa. você faz entre r e rr. A noção de fonema foi ampliada como sendo um feixe de traços distintivos (esses últimos também invariantes). o ângulo de visão. etc. Um exemplo é o par mínimo /´karu/ oposto a /´kaRu/. com a função de distinguir significados. e 7 ou 8 à direita estão destacados em outra cor. ou da posição que ocupam na palavra.. mais conhecidas pelos seus acrônimos. da cor. e essa é especificamente humana. por exemplo. de eletroencefalografia (EEG) e de magnetoencefalografia (MEG). Icone dicionário Axônios: Prolongamentos dos neurônios que levam a informação a outros neurônios através do mecanismo denominado sinapse. através das técnicas de neuroimagem funcional (IRM). os respectivos axônios estão ligados a todas as regiões que processam a linguagem verbal e simultaneamente à região que processa o significado. vibrante ápico-alveolar múltipla. Desde o início do século XX que a linguística propôs o conceito de fonema. Legenda: Fixação na leitura Reconhecimento dos traços invariantes Os neurônios da região occipitotemporal ventral esquerda reconhecem os traços invariantes que compõem as letras. da caixa (MAIÚSCULA ou minúscula). etc.e você não confunde carro com caro! Icone dicionário . só essa explica a capacidade dos neurônios da região occipitotemporal ventral esquerda em reconhecer os traços invariantes que compõem as letras: na espécie humana. independentemente das variantes que o olhar capta. negrito ou sublinhado. manuscrita. Somente agora. fundamentalmente:   porque. independentemente de seu tamanho. cujos valores são os mesmos. O reconhecimento das invariâncias é possível e necessário por duas razões. simulando um texto de jornal – O professor é muito importante. como mecanismo adaptativo. R e RR. Legenda: Um carro pode ser caro . o sistema visual dos primatas deve reconhecer as formas básicas do que se encontra na natureza. A mesma diferença que você faz entre /r/ e /R/. itálico. Foto de carro. R e RR e isso porque. a incidência da luz e sombra e a parte em relação ao todo. uvular ou glotal aspirada. ambos com a função de distinguir significados.). conforme a distância.

Por exemplo. daí porque os métodos de alfabetização que utilizam atividades multissensoriais favorecem a aprendizagem: observe-se. motor e cinestésico. fora da função de distinguir significados. também. Trabalhe o reconhecimento dos traços que diferenciam as letras entre si sempre com os valores que uma ou duas letras (grafemas) têm para representar os fonemas. Foto de colar contas. associado aos respectivos grafemas v e m. Por isso. acompanhando a direção do movimento da letra. não só são quatro sensações (a visual. a tátil. tanto mais rápida e profunda a aprendizagem. portanto. na letra V. que passam a representar a respectiva referência.Acrônimo: duas ou mais letras iniciais de palavras que constituem uma frase. você distingue VALA de MALA. por exemplo. não tem nada a ver com ensinar os neurônios a reconhecer tal letra e depois poder escrevê-la! Utilize um sistema cada vez mais complexo acompanhando o incremento das projeções sinápticas. como. que não sejam a realização de fonemas. Legenda: Uma coisa é acompanhar com o dedo o traçado da letra V de cima para baixo e. outra propriedade essencial à leitura. Enfiar contas numa linha. produzindo o som correspondente ao fonema que ela representa. por exemplo. porém. mas não tem a ver com o processo de alfabetização. por seu nome. para a leitura. Claro que essa atividade é muito necessária nas aulas de música. você deve também associar ao reconhecimento visual da letra e ao seu valor sonoro gestos que acompanhem o traçado da letra. para desenvolver a psicomotricidade. de baixo para cima. que é para fixar as invariâncias dos traços que distinguem as letras. muito menos. depois. outras regiões de reconhecimento tátil. quando possível (o que é o caso. depois. e os axônios de tais neurônios se projetam em cadeias sucessivas até chegar à região que processa a linguagem verbal. ao acrescentar um traço vertical à esquerda e outro à direita da letra V. no exemplo). UFSC  Universidade Federal de Santa Catarina. a cinestésica e proprioceptiva) a reforçar a aprendizagem dos neurônios. ou criança enfiando contas em um fio. pois. produza o som isolado de [v] e [m]. Ative. particularmente em sistemas alfabéticos como o do português brasileiro em que. tem profundas implicações sobre a metodologia da alfabetização. Quanto mais associações forem feitas com as diferentes regiões cerebrais que processam a linguagem verbal (sempre no hemisfério esquerdo). o sistema apresenta muita transparência. Esse princípio já havia sido compreendido por Montessori. fazer com que a criança acompanhe com o dedo o movimento de cima para baixo e. ambos para distinguir significados. A cada uma das projeções sinápticas. cada vez mais distantes da região . O corolário desse princípio é o de que as letras não devem ser ensinadas isoladamente e. Ao mesmo tempo. o que reforça a aprendizagem dos neurônios. sempre pronuncie a palavra e. Ícone na prática. A verificação de que os neurônios na região occipitotemporal ventral esquerda reconhecem as invariâncias dos traços que compõem as letras e de que eles aprendem a reconhecê-las porque uma ou duas letras estão associadas aos fonemas. A emissão simultânea do som (realização do respectivo fonema) acresce às quatro sensações a auditiva e a proprioceptiva dos movimentos do aparelho fonador. como você estará trabalhando com a direção espacial. inclusive a que processa os significados. O mesmo se aplica a trabalhar com sons isoladamente. de baixo para cima.

A leitura e escrita espelhadas no início da alfabetização e a dislexia. 7). Outra diferença que os neurônios desprezam é a inversão vertical: se a mesa estiver com o tampo para baixo e as pernas para cima. Para que os neurônios reconheçam qualquer coisa como sendo a mesma. “Cada vez que um hemisfério aprende uma informação visual nova. as diferenças entre esquerda e direita. as áreas visuais simétricas dos dois hemisférios. Legenda: Uma xícara é uma xícara.occipital primária. Mais difícil. o mesmo se pode dizer de um guarda-chuva ou de um tomate. inversamente. quando a informação provinda de ambas as retinas atravessa o corpo caloso: tanto faz a alça de uma xícara estar para a direita ou para a esquerda. de onde a informação é enviada em direção às áreas visuais primárias na região occipital do hemisfério direito. . às vezes. cap. morfemas. então a transferência entre os hemisférios deveria inverter a direita e a esquerda” (DEHAENE. você reconhece a xícara como sendo a mesma. Isso significa que. u . os neurônios da região occipitotemporal ventral esquerda terão que se reciclar para reconhecer a diferença entre direção à esquerda e direção à direita e entre direção para cima e para baixo. com o semicírculo à direita da haste (espelhamento na horizontal).q. ponto a ponto. ainda. é reconhecer a diferença entre d e b. perduram por longo tempo. Foto de uma xícara. não importa a posição! Ora. o que se denomina de simetrização. na alfabetização. que. pois. Falta falar ainda sobre o que as neurociências nos dizem sobre dois problemas que afligem os educadores. palavras. pois colocar as três pequenas retas horizontais paralelas só pode ser à direita da reta vertical para formar a letra E.n. esse vasto feixe de fibras que liga as áreas correspondentes dos dois hemisférios. Essa transferência passaria. períodos e texto. As projeções visuais são cruzadas Os sinais luminosos que se apresentam à esquerda se projetam sobre a metade direita da retina de cada olho. e os sinais luminosos apresentados à direita se projetam sobre a metade esquerda da retina de cada olho e são tratados na região occipital do hemisfério esquerdo. d . graças ao que se denomina arquitetura neuronal. 2012. em diferentes posições. Supondo que esse feixe liga. A única diferença entre M e W é a direção vertical (espelhamento vertical).e – a. o que ocorre também com o que diferencia b p. orações. as unidades processadas vão se tornando mais complexas: sílabas. ou entre q e p. pelo corpo caloso. no início da alfabetização. a qual reside apenas no fato de as primeiras letras de cada par estarem com o semicírculo à esquerda da haste e as segundas. Leitura e escrita espelhada Para que se entendam a leitura e escrita espelhadas. essa percepção terá que ser refeita durante a alfabetização. Mas com as letras isso não ocorre. frases. ainda assim será reconhecida como uma mesa. por certo. este traço de memória é imediatamente transmitido ao outro hemisfério. é necessária a explicação a seguir. são desprezadas.

Icone dicionário Dislexia: A dislexia é um distúrbio de ordem genética que se origina. tais indivíduos venham a ter dificuldades no reconhecimento das letras. para os demais reconhecimentos. . dado/dedo. com as pernas para baixo e para cima. bote/pote. na qual. como o gene DYX1C1 sobre o cromossoma 15 e os genes KIAA0319 e DCDC2. Alguns genes foram associados ao erro de migração dos neurônios que caracterizam a dislexia.1991). que podem ajudar na escolha do melhor método para a alfabetização e para o desenvolvimento das competências em leitura e escrita. às vezes. com as pernas para cima ou para baixo . segundo muitos autores. Fotos de bote e pote. mas isso não significa que sejam disléxicas. com as sublegendas: bote. quando se dá. particularmente. só ocorrerá se for ensinada com a função de distinguir significados.o mesmo não ocorre com as letras. lembre-se. Legenda: Uma mesa continua sendo uma mesa. Trata-se de uma aprendizagem específica e. responsável pelo processamento dos fonemas. Essa reciclagem é muito difícil porque continua convivendo com o fato de que. no feto. Legenda: O espelhamento. Está registrado que os disléxicos apresentam uma diminuição de atividade na região temporal esquerda. Por isso. sobre o cromossoma 6 e o ROBO1 sobre o cromossoma 3. Atualmente. Os programas se baseiam na proposta de Vygotsky sobre zona proximal de aprendizagem. em maior ou menor grau. futuramente. Icone dicionário Zona proximal de aprendizagem: Trata-se de uma área de desenvolvimento da cognição. tais sujeitos falham nos testes de consciência fonológica.Foto de uma mesa. Esse erro de posicionamento dos neurônios determina que. usando uma metáfora espacial. dedo. é a única diferença na leitura. Em consequência. os neurônios que processam a visão continuam a desprezar as diferenças entre à esquerda e à direita e entre em cima e embaixo. como em bote/dote. pote. as crianças persistem na leitura e escrita espelhadas por algum tempo. avaliado pela resolução de problemas com o auxílio de adultos ou de colegas mais adiantados (VYGOTSKY. dado. a migração dos neurônios desde a zona germinal ao redor dos ventrículos até a posição final nas diferentes camadas do córtex. alguns programas têm se mostrado eficientes na recuperação dos disléxicos: trata-se da reeducação através de jogos no computador. define-se a distância entre a capacidade atual de a criança sozinha resolver problemas e o nível de desenvolvimento. dado e dedo. uma vez que eles fascinam o educando. (ícone) Pontos importantes No capítulo 3 foram abordados os seguintes assuntos:  As recentes descobertas das neurociências. quando está envolvido o traço de espelhamento.

. não unidirecionalmente. 2012.. à esquerda. até se chegar ao processamento do texto e que esses processamentos ocorrem em paralelo. Dessa região ocorrem projeções para todas as regiões que processam a linguagem verbal.google. Icone dica: Aprofunde seus conhecimentos lendo o livro Os Neurônios da Leitura. inclusive o direcionamento para a esquerda ou direita e para cima ou para baixo. Como a reciclagem é possível. que integram as letras. daí o êxito da leitura dinâmica.br/images?hl=pt-BR&q=neuronios &um=1&ie =UTF8&sa=X&oi=image_result_group&resnum=4&ct=title> (bloco de anotações) Sugestões para reflexão e pesquisa:    O que você entende por plasticidade e reciclagem neuronal? O que você entende por áreas primárias. e ( ) aleatoriamente. em níveis cada vez mais abstratos. b ( ) abarcando a linha do início. ambos com a função de distinguir significados. Para visualizar os neurônios. d ( ) no momento da fixação. abarcando aproximadamente entre 10 a 12 letras. no caso da leitura. da editora Penso. secundárias e terciárias no cérebro? O que é espelhamento? (ícone) Avaliação de aprendizagem 3. a ( ) durante os movimentos em sacada. uma ou duas constituindo os grafemas. as páginas 282-302. pois porque tais neurônios aprendem a reconhecer os traços invariantes das letras.com. c ( ) abarcando toda a página. acesse: <http://images.. mas com informações transportadas pelos axônios e acolhidas pelos dendritos. em especial. o final à direita.   Como os neurônios humanos são dotados de plasticidade para a aprendizagem de novos reconhecimentos e que. associados aos fonemas. de Stanislas Dehaene. esses neurônios se encontram numa região denominada região occipitotemporal ventral esquerda. até. O processamento da linha impressa se dá. num fluxo contínuo.

é necessária uma alavanca. se coloca como o instrumento principal e específico de sobrevivência. A memória cognitiva humana é programada para registrar os episódios individuais e coletivos na forma de narrativas factuais ou fictícias. Para que esta programação compulsória da espécie humana seja ativada. mesmo nos canhotos. ícone objetivo Nesse capítulo. mas ele é reforçado pelas informações do chamado canal proprioceptivo que reconhece os movimentos do trato vocal e também pela visão que faz a leitura dos gestos dos lábios e maxilar inferior. Ícone dicionário . sendo a aprendizagem da leitura e da escrita secundária em relação à aquisição de sua variedade sociolinguística oral. Serve também como meio de expressão das emoções e como matéria para a produção estética. através de suas redes neurais. sincronizados com o que a criança escuta. Desenvolvimento da língua verbal oral Ícone síntese No terceiro capítulo. você verá os fatores que intervêm na aquisição da língua oral. cujos dados deverão ser captados por um canal de entrada e reconstruídos pela percepção. você viu. Você verificará que três fatores intervêm para a aquisição da língua oral: os inatos. sobressai a capacidade de operar com signos. sejam as que o próprio indivíduo vivencia. Dentre as várias funções para as quais o sistema nervoso central é programado. deve-se ter clareza sobre como esta é adquirida. o hemisfério nos quais as redes se especializam para a língua verbal é o esquerdo. você aprofundará como a criança adquire sua variedade sociolinguística oral. que registram as informações na memória permanente. Agora. a interação linguística. fundamentalmente. os maturacionais e os ambientais. Foto pessoas Legenda: Na maioria dos indivíduos. que os neurônios humanos são dotados de plasticidade para a aprendizagem de novos reconhecimentos e que. Fatores inatos O que são fatores inatos? São os fatores biopsiquicamente determinados pela espécie. a estrutura. mais especificamente na sua variedade sociolinguística. o qual. no caso da leitura.4. Ícone Atenção O canal de entrada privilegiado pela espécie humana para captar a língua verbal oral é o auditivo. A língua verbal oral serve como moeda corrente para a socialização e para a organização das ideias (o pensamento lógico). o amadurecimento e o funcionamento do sistema nervoso central. sejam as que lhes são transmitidas. ou seja. em especial. uma vez que. esses neurônios se encontram numa região denominada região occipitotemporal ventral esquerda. principalmente os signos verbais orais.

e se a criança estiver exposta a sistemas que utilizem outros canais como o vísuo-gestual (a língua brasileira dos sinais. trato bucal e fossas nasais. faringe. se não houver comprometimentos nos centros do sistema nervoso central envolvidos no processamento da língua verbal. podem ter profundas repercussões. para a chamada especialização das funções neuronais. é o aparelho fonador: pulmões.A. Atenção! A maturação dos circuitos envolvidos no processamento da língua verbal depende da ativação e funcionamento dos mesmos.I. isto é. a criança vai calibrando. Fatores ambientais . Nesse ponto é preciso deixar bem claro que. pois dificilmente podem ser tratados por leigos. em virtude de como o sistema nervoso central está estruturado e funciona. O canal privilegiado para emitir a língua verbal. laringe. Conforme se pode depreender. a língua verbal. a produção de textos com sentido. a compreensão das mensagens recebidas e.Canal Proprioceptivo: É o canal que envia informações ao cérebro sobre os movimentos realizados por nosso corpo. por um lado. o alvo. seu desenvolvimento não deve sofrer nenhum acidente de percurso: enfermidades adquiridas pela gestante.R. como a rubéola. por exemplo). processo conhecido como mielinização. tal como definida. no caso. Problemas congênitos de má conformação e/ou que afetem os circuitos envolvidos no processamento da língua verbal requerem o atendimento de especialistas. Fatores maturacionais Embora o feto possa ser gerado sem nenhum comprometimento. L. é. isto é. embora a espécie humana seja programada para a linguagem verbal. não se constitui em linguagem verbal conforme definido.. os realizados pelo aparelho fonador da criança que está ensaiando suas primeiras falas. Conclusão: a criança que não apresenta nenhum impedimento sensorial ou cognitivo para processar a fala nasce programada para operar com signos verbais. no devido tempo.B. comparando o que diz com o que quer dizer (auto-regulação total ou total feedback): recebe simultaneamente em seu cérebro informações proprioceptivas dos gestos do aparelho fonador. os circuitos interligados desempenham papel decisivo no desenvolvimento da língua verbal. naquilo que define sua essência. mesmo com articulação aceitável. Para produzir os primeiros enunciados. por outro. Dica Quando a criança nasce surda. alimentação deficiente em proteínas durante os meses iniciais de formação da criança. poderá se desenvolver. ingestão de drogas durante a gravidez e.S. bem como imagens acústicas dos sons que emitiu. para que se estabeleçam as ligações de modo adequado e no momento certo. Os circuitos que ligam os diversos centros do sistema nervoso central não nascem prontos: os prolongamentos dos neurônios precisam ser recobertos por uma camada rica em proteínas. os gestos fonoarticulatórios. em situações temporalmente sempre novas. A mera repetição mecânica de enunciados. o que exige medidas de profundidade.

do destinatário (privado ou público. Diferença entre variedade e registro Dadas as profundas repercussões que o tema suscita entre os educadores envolvidos com linguagem. . o socioeconômico e cultural. da situação de comunicação (casa. terá alunos praticando as mais diferentes variedades. sobressai a importância dos fatores ambientais. ao mesmo tempo. o de geração (a variedade praticada pelos jovens muitas vezes é incompreensível aos adultos) e assim por diante. As variedades sociolinguísticas. se estabeleceram verdadeiros guetos linguísticos: mesmo que falem português. Foto: Mãe lendo para criança. até o processo de socialização. vão internalizar uma variedade sociolinguística distinta de crianças cujos pais e/ou familiares não foram alfabetizados e cujos amiguinhos moram em bairros periféricos). diante da mobilidade social vigente. os primeiros meses de vida do infante. sobre a variedade sociolinguística do falante e sobre seu idioleto. A especialização dos neurônios nas áreas secundárias depende da experiência. O professor em sala de aula deve estar consciente de que. Ícone Dicionário Idioleto: É a variedade peculiar de um indivíduo. quer geográficas. desde aqueles que cercam a gestante. dependendes do suporte utilizado (oral ou escrito). o profissional (em virtude da especialização. mas também por fatores de ordem emocional e biopsíquica. que praticam um português influenciado pelos respectivos dialetos. definitivamente. a conversão para os fonemas que uma ou mais letras (os grafemas) representam não é a mesma para todos os indivíduos. na cidade de Florianópolis. O que é a variedade sociolinguística? Apesar de o sistema alfabético do português brasileiro ser o mesmo para os falantes em todo território. determinada por preferências estilísticas. também conhecido como diastrático (por exemplo. decorrem das condições em que a criança internaliza sua língua materna. filhos de pais que frequentaram a universidade. socioeconômicos e afetivos decidirão. eles são determinados pelas condições do ouvinte ou leitor para quem você se dirige: englobam as características de vocabulário. Os aspectos culturais. a variedade praticada no Rio de Janeiro. você não consegue entender o discurso de um grupo de bioquímicos. do status. que leem e convivem com pessoas das chamadas profissões liberais e. Legenda: O fato de uma criança ouvir desde cedo narrativas recontadas ou lidas ativa o desenvolvimento dos esquemas mentais. convém fazer uma distinção entre variedades sociolinguísticas e registros. Quanto aos registros ou estilos. ou de surfistas quando estão reunidos). conforme assinalei. quer socioculturais. têm amiguinhos no bairro e/ou na escola que pertencem ao mesmo contexto. em Porto Alegre.Uma vez que os programas inatos para o desenvolvimento da língua verbal oral e sua maturação precisam ser ativados pela interação verbal. familiar ou distante). de sintaxe e de tratamento. isto por que eles não falam do mesmo jeito. dentre os quais se destacam: o geográfico (por exemplo. para não falar dos filhos de estrangeiros. As variedades sociolinguísticas são determinadas por vários fatores. em Florianópolis).

literário. argumentativo). quando falamos com uma criança. usamos um registro que se chama Fala Dirigida à Criança (em inglês.  a escola contribui com o fator ambiental para o desenvolvimento da língua verbal. como o aluno permanece em sala de aula três ou quatro horas. o maturativo e o ambiental. CDS. Legenda. é a norma considerada de prestígio. Da mesma forma. utilizamos o registro adequado. É. Agora podemos pronunciar os dois primeiros sons que aparecem em [´kEjS] antes do [E] o primeiro som se escreve (apontar na lousa para qu. mas volto a afirmar que não escrevemos como falamos. expressão que substituiu as anteriores Baby talk e Motherese). mesmo por que o próprio professor pratica sua variedade sociolinguística que.). portanto.trabalho. Para tal. . você constatou que:  os fatores que intervêm no desenvolvimento da língua verbal são o inato. pois os valores das letras (grafemas) não serão os mesmos para todos: se uma criança de Florianópolis diz [si´tu´kEjS]. Apesar de as pessoas somente dominarem uma variedade sociolinguística. e ninguém vai pregar aos alunos que escrevam como Machado de Assis (aliás. Explique aos alunos o respeito às diferenças linguísticas. Pontos Importantes No capítulo 4. o [j] se escreve (apontar na lousa re) e o [S] no final da palavra se escreve com (apontar na lousa s). o professor terá que explicar pacientemente que nós não escrevemos como falamos (escrever na lousa queres): (apontar para o qu) representa um som que não dá para dizer isoladamente. sempre foi um grande equívoco tal proposta). Precisamos deste (apontar para e) que representa o som de é [E]. sem dizer o nome das letras). Children Directed Speech. em particular. das intenções pragmáticas etc. nem sempre. só se trabalhar conscientemente com este objetivo. você deverá estar atento às realizações de seu aluno. não é o mesmo que o utilizado num trabalho de conclusão de curso. nem isto é possível. Mudanças houve. Lembre-se de que. diferente de quando estamos fazendo compras. para tornar o aluno competente na utilização dos registros ou estilos. do gênero (informativo. Na prática    Respeite a variedade praticada pelo educando. dificilmente perderá os condicionamentos motores adquiridos no ambiente familiar. Foto de grupo diverso. errôneo afirmar que devemos escrever como falamos porque houve mudanças linguísticas. o registro utilizado numa conversa na Internet. o [E] se escreve e. na palavra escrita queres. ou se estiver profundamente motivado: nunca por imposição e muito menos pelo ridículo. nos chats. sim. conhecem vários registros e estes podem e devem ser ampliados em sala de aula. quanto menor for. Para a aprendizagem dos princípios do sistema alfabético do português brasileiro. (apontar para as três letras que). delegacia etc. dígrafo. A fala muda conforme a situação. Sendo assim. Não escrevemos como falamos. quando proferimos uma aula. loja.

Dica Leitura recomendada: SCLIAR-CABRAL. 2. A aquisição da língua oral e a aprendizagem da leitura e da escrita. c ( ) são interdependentes porque a aquisição da língua oral depende da aprendizagem da leitura e da escrita. e ( ) ocorrem em sequência: primeiro a criança aprende a ler e a escrever.. (ícone bloco de anotações) Sugestões para reflexão e pesquisa    O que é um fator inato? O que são o fator maturativo e o ambiental? Em quais dos fatores você situa sua atividade como educador? AVALIAÇÃO DE APRENDIZAGEM 4. L. as variedades sociolinguísticas são determinadas por vários fatores. b ( ) não são a mesma coisa. cabendo à escola contribuir para a incrementação deste último. a variedade linguística deve ser respeitada. portanto. o profissional e o geracional. deve-se usar também a expressão “aquisição da leitura e da escrita”. cap. uma vez que. Você verificou que três fatores intervêm na aquisição da língua oral: os inatos. São Paulo: Contexto. baseado em Princípios do sistema alfabético do português brasileiro. d ( ) ocorrem no mesmo momento na criança. a aquisição da língua oral é espontânea e até compulsória. enquanto a aprendizagem da leitura e da escrita é sistemática e intensiva. na criança que não apresenta nenhum impedimento sensorial ou cognitivo para processar a fala. Guia prático de alfabetização. o socioeconômico e cultural.    o desconhecimento das bases teóricas e a má orientação por parte dos professores podem atuar como fatores inibidores e até de bloqueio para a comunicação linguística. você examinou os fatores que intervêm na aquisição da língua oral. a ( ) são a mesma coisa. . não se escreve como se fala: o registro escrito deve ser ensinado em sala de aula para que o aluno possa obter os fins desejados quando no futuro tiver que usá-lo para conseguir um emprego. através do desenvolvimento da competência no uso dos registros. para passar numa prova e até para escrever uma carta de amor. Fundamentos da alfabetização integral e integrada Ícone Síntese No capítulo anterior. 2003b. 5. deve-se ter clareza sobre como é adquirida. pois. dentre os quais: o geográfico.. sendo a aprendizagem da leitura e da escrita secundária em relação à aquisição de sua variedade sociolinguística oral. os maturacionais e os ambientais. mais especificamente na sua variedade sociolinguística.

embora a invenção da escrita tenha ocorrido há aproximadamente 5.ícone objetivo Nesse capítulo. a relativa plasticidade dos neurônios permite sua adaptação para captarem as articulações dos traços que diferenciam as letras entre si. é privilégio da espécie humana. como. toda a vez que terminarem por consoante e o vocábulo seguinte iniciar por vogal. ou na fase silábica da escrita). reconhecer a diferença entre b e d. você estará fundamentado para compreender o Sistema e saberá escolher melhor o material didático e as estratégias em sala de aula para alfabetizar. condição para associá-los aos grafemas nos sistemas alfabéticos (tais fatos são atestados no início da escrita numa cadeia contínua. A alfabetização integral parte do pressuposto de que o alvo é a educação plena do indivíduo: cognição. mecanismo de sobrevivência. zoreia. organizando-as em grafemas com seus respectivos valores (os fonemas). em resumo: a) a percepção da cadeia da fala como um contínuo. a função semiótica. bem como à aprendizagem dos sistemas escritos. Assim também aconteceu com a escrita propriamente dita. conforme exemplifiquei com o reconhecimento de uma mesa: tanto faz ela estar com as pernas para cima e o tampo sobre o solo. por exemplo. nem contraste entre os segmentos que constituem a sílaba. você será levado a refletir sobre os fundamentos filosóficos. Mas. outro exemplo: tanto faz a alça da xícara estar voltada para a esquerda ou para a direita.000 anos. sob a pressão de condicionantes sociais. . a ciência demonstra que a aprendizagem do sistema escrito esbarra com enormes dificuldades. A principal integração consiste em não divorciar as ciências humanas das ciências biológicas: o cultural não pode ser pensado sem o biológico. Substituir algo (a referência) por uma representação mental. Por outro lado. científicos e metodológicos da alfabetização integral e integrada. c) os neurônios que processam o sinal luminoso (neurônios da visão) são programados para simetrizar a informação e desprezam as diferenças entre o que está direcionado para a esquerda ou para a direita. para cima ou para baixo. que. afetos. Fundamentos filosóficos e científicos da alfabetização integrada O fundamento filosófico e científico que norteia a alfabetização integrada é a inseparabilidade entre as ciências humanas e as ciências biológicas: o cultural não pode ser pensado sem o biológico. para reconhecer as letras. mais especificamente. por um lado. que passou a representar os sistemas orais de comunicação. ou vice-versa. b) vocábulos átonos pouco perceptíveis na cadeia da fala. nem a especialização cerebral sem ser plasmada pela experiência. esse fundamento significa. Ao final desse capítulo. como os espaços em branco na folha impressa. que determinam reanálises silábicas. zovidu. sociabilidade. como nos exemplos zoiu. Traduzido à alfabetização. os neurônios têm que aprender a dissimetrizar. ou seja. sempre será reconhecida como mesa. com a capacidade para entender os textos escritos que circulam em sociedade e para produzir os de que necessita. ambos com a função de distinguir significados. você sempre a reconhecerá como uma xícara. nem a especialização cerebral sem ser plasmada pela experiência. o físico e o estético. tal invenção e sua respectiva aprendizagem só foram possíveis porque o aparato biopsicológico da espécie está apto à produção cultural. em vasos comunicantes deverão levá-lo ao exercício da cidadania e à realização pessoal. entre b e p. uma vez que não há separação entre as palavras.

A escola não pode continuar a fabricar analfabetos funcionais. Tal propósito de integração recebe o nome de cultura humanística. ou pode significar trajeto aéreo. você terá que ter um esquema mental mínimo para poder atribuir a significação básica. Vou explicar o que isso significa como impasse para uma cultura integrada. em conjunto com familiares e a comunidade. refletir sobre e incorporar os conhecimentos veiculados pelos textos escritos que circulam socialmente. tenha uma leitura fluente. Parto do pressuposto de que não existe uma palavra nova para cada novo conhecimento. Assim. nenhum de nós possui todos os esquemas mentais necessários à compreensão de todos os textos que circulam socialmente. pois isto significaria uma sobrecarga insuportável para nossa memória de palavras. em especial. baseada nas experiências que deram resultado na erradicação do analfabetismo funcional. conforme o esquema cognitivo ao qual pertencem. como a ponte dentária. ideal vigente na Renascença e durante o Iluminismo. 2012). Mais agravante foi a especialização. a língua verbal oral e. ou ainda a ligação entre dois dentes. embora muitas sejam inventadas. o desenvolvimento científico e tecnológico foi de tal monta que ultrapassou a massa de conhecimentos acumulados durante toda a passagem anterior do homem sobre a Terra. com subáreas de conhecimento cada vez mais pulverizadas e compartimentalizadas. Tal dilema coloca as seguintes indagações para a alfabetização integrada: Na atualidade. a meu ver. tal como defendo no presente livro. As palavras estão estruturadas. é necessário buscar uma nova metodologia de alfabetização. com mais amplitude e profundidade. como Diderot. O conhecimento é estruturado em nossa memória através de esquemas cognitivos. O que está ocorrendo é que. substituindo o conceito de erudição pelo de apreensão e síntese dos avanços seminais na filosofia. prioritário passa pela alfabetização para o letramento. Já dá para você perceber que para compreender um texto. depois de reconhecer uma palavra escrita. científicos. em virtude da especialização vertiginosa. como a ponte aérea Rio-São Paulo. a mesma palavra ponte pode significar a ligação entre duas pontas de terra. apropriando-se dos avanços filosóficos. Novamente nos encontramos diante de um impasse: no século XX. incorporando o que há de mais avançado nas neurociências da educação (DEHAENE. num dicionário mental (não é o Aurélio ou o Michaelis. nem estão em ordem alfabética!) e apontam para os seus vários significados básicos.Outro fundamento da alfabetização integrada diz respeito ao fato de que ela deveria instrumentar o indivíduo de tal modo que ele estaria apto a ler. procuraram abarcar todos os conhecimentos da época na Enciclopédia Francesa. seja através da experiência direta (conhecimento de mundo). como a ponte Rio-Niterói. compreender. . sem titubear. quando enciclopedistas. fazer com que o futuro leitor reconheça rapidamente qualquer palavra com a qual se defronte pela primeira vez e. Mas a escola não está alfabetizando para o letramento. é impossível integrar os saberes acumulados. atingindo o ideal humanístico? Na atualidade é possível atingir o ideal humanístico. Para tal. desenvolvendo o gosto pela leitura e ampliando seus universos pela vida afora. literários e culturais que a humanidade produziu até hoje. seja através das linguagens. nas ciências e nas artes? Quais os caminhos? Opto por uma resposta afirmativa à segunda pergunta e sugiro alguns caminhos. através da língua escrita. Faz-se necessária a formação continuada de todo o pessoal envolvido com alfabetização e o ensino-aprendizagem da leitura e da escrita. incluindo professores e autores do material pedagógico para. O primeiro deles e.

artes. porém.  em conjunto com familiares e a comunidade. do equilíbrio emocional. b) vocábulos átonos pouco perceptíveis e c) os neurônios que processam o sinal luminoso são programados para simetrizar. da percepção. da alfabetização) integral que remontam aos gregos. da tecnologia e das artes e de adequar o vocabulário ininteligível ao nível da compreensão do leigo. tenha uma leitura fluente.  a aprendizagem do sistema escrito esbarra com enormes dificuldades: a) a percepção da cadeia da fala como um contínuo. reservei menor espaço aos fundamentos filosóficos da educação (no caso. da percepção.  a alfabetização deve levar em consideração o desenvolvimento harmônico da cognição e da linguagem. ambos com a função de distinguir significados. do equilíbrio emocional. educação física.Papel importante neste Sistema cabe à filosofia e ao jornalismo científico a fim de sintetizar os avanços seminais das ciências. É preciso salientar. todas coerentemente entrosadas em torno de uma temática. Sugestões para reflexão e pesquisa  Como possibilitar que todos tenham acesso ao conhecimento produzido pelo homem? . ciências. por fim. é necessário fazer com que o futuro leitor reconheça rapidamente qualquer palavra com a qual se defronte pela primeira vez e. do corpo. A forma como isto pode ser operacionalizado se encontra na concepção dos conteúdos didáticos e na sugestão das atividades a serem desenvolvidas em cada uma das unidades do Sistema Scliar de Alfabetização . Tais fundamentos.  papel importante no Sistema Scliar de Alfabetização cabe à filosofia e ao jornalismo científico a fim de síntetizar os avanços seminais das ciências. foram desenvolvidos os seguintes conteúdos:  o fundamento filosófico e científico da alfabetização integrada é a inseparabilidade entre as ciências humanas e as biológicas. os fonemas. da sensório-motricidade e da expressão estética. com um objetivo comum. devem ser especificados. inseridos em palavras e estas em textos significativos para o educando. desenvolvendo o gosto pela leitura e ampliando seus universos pela vida afora. do corpo. da socialização. (ícone bloco de anotações) Pontos Importantes No capítulo 5. que a alfabetização integrada é aquela que aproveita todos os espaços e tempos disponíveis para o ensino-aprendizagem da direção dos traços que diferenciam as letras entre si. e das atividades de socialização. desdobrando-se na alfabetização que leve em consideração o desenvolvimento harmônico da cognição e da linguagem. portanto. da socialização. lazer. Fundamentos filosóficos e científicos da alfabetização integral Por serem mais difundidos entre os professores. conforme o aforismo latino mens sana in corpore sano. sem titubear. Isto significa a utilização das disciplinas de matemática.Roteiros para o professor: 1º Ano. da constituição dessas em grafemas associados aos seus respectivos valores. estudos sociais. da sensório-motricidade e da expressão estética. da tecnologia e das artes.

afetos. no qual preconizavam que a criança deveria memorizar frases com conteúdo simples. o fato de defenderem a ideia de que a criança aprende a partir da percepção do todo. do método global foi Ovide . Ícone objetivo Proponho-me neste capítulo. 2001). d ( ) a indissolubilidade entre a física e a química. denominado Méthode Boscher.. em vasos comunicantes. 6. respectivamente. apesar de sua condenação oficial em países como a França. Pierre.  Por que se pode afirmar que a maior exclusão atualmente é a exclusão da informação? Qual uma das principais causas do insucesso nas demais disciplinas que integram o currículo do ensino fundamental? (ícone avaliação) 5. científicos e metodológicos da alfabetização integral e integrada. Traçarei um breve histórico de seu surgimento e desdobramentos. baseada nos recentes achados da neurociência. vigentes desde a antiguidade para alfabetizar. c ( ) a interação completa entre as ciências humanas e as ciências biológicas. 2007). Métodos de alfabetização Ícone síntese No capítulo 5. o físico e o estético. para depois decompô-lo em suas unidades. Mencionarei marcos que projetaram o método global de alfabetização. de sentenciação ou global (MORAES SCHEFFER et al. As variantes da abordagem residiam no que consideravam como o todo. Minet e A. sendo o principal a integração entre as ciências humanas e as biológicas. e ( ) ser contemplada só pelas ciências humanas. você foi levado a refletir sobre os fundamentos filosóficos. Retomarei. com a capacidade para entender os textos escritos que circulam em sociedade e para produzir os de que necessita. em 1913. A. evidências empíricas das neurociências sobre os limites biológicos à captação pela retina de mais do que doze caracteres a cada fixação sobre a linha impressa e sobre como a região especializada para tal. deverão levá-lo ao exercício da cidadania e à realização pessoal. também denominados de analíticos. desmistificar o método global. denominando-se. a seguir. Demonstro que a opção por métodos fônicos não implica ignorar a existência e necessidade de processamentos top-down e em paralelo. as quais seriam depois decompostas em suas unidades menores (CHARTIER e HÉBRARD. surgiram os métodos globais. em comum. demonstrando que o reconhecimento da palavra não se dá por configuração. que apresentavam. processa a informação escrita. O adepto mais importante. sociabilidade. que ainda goza de muitos adeptos no Brasil. método de palavração. e encerro com breves considerações sobre os métodos fônicos. a região occipitotemporal ventral esquerda. A. porém. material pedagógico. O fundamento filosófico essencial à alfabetização integrada é: a ( ) o método hipotético-dedutivo. Viu-se que a alfabetização integral parte do pressuposto de que o alvo é a educação plena do indivíduo: cognição. exemplificando o uso no Brasil com algumas cartilhas. Introdução Em reação aos métodos sintéticos de soletração. b ( ) o método indutivo. Martin publicaram.

Para ilustrar tais consequências. “x” é o último grafema a ser introduzido na minha proposta de alfabetização). No Brasil. vocês gostam de doce. que teve. De O livro de Lili. extraí a primeira lição. resultaram na adoção do texto como ponto de partida.. Vocês gostam de doce de abacaxi? Como o trecho era decorado. (INEP. A mesma coisa acontece com “vocês gostam de doce”. Nota-se. que não houve nenhuma preocupação com as dificuldades grafêmicas das primeiras palavras a serem decoradas pelas crianças. acima mencionada. além de discordar da forma de tratamento da primeira oração. o Brasil encontra-se entre os 32 países que ocupam posição intermediária no alcance dos objetivos. ministrando a disciplina de Metodologia da Língua Pátria (MORAES SCHEFFER et al. Um dos estados brasileiros em que o método global foi implantado oficialmente. observem as características textuais... Apesar de não ter escrito de forma sistematizada o método. a orientação analítica já era preconizada. eu me chamo Lili. formando professores na Escola de Aperfeiçoamento. foi Minas Gerais. pois o contexto intervocálico torna totalmente imprevisível os valores do grafema “x” (aliás. paridade e igualdade de gênero e qualidade da educação. 83 edições (a partir de 1961. consequentemente. então criada. cujas consequências sobre os níveis de letramento no país são por demais conhecidas. para se ter uma ideia: PRIMEIRA LIÇÃO . conforme Frade (2005) os defensores do método global advogam os seguintes princípios:  o de que a linguagem funciona como um todo. lançado em 1954. Tal ideário terá profundas repercussões sobre a orientação atualmente vigente no MEC. valho-me dos dados sobre o Índice de Desenvolvimento de Educação para Todos (IDE). situam-se O Livro de Lili. em 1927. Na avaliação do cumprimento das metas de Dacar segundo o IDE. de Anita Fonseca. pelo que pude compulsar. utilizadas no que então foi denominado de pré-livro. publicada em 1907 e difundida entre vários estados (MORAES SCHEFFER et al. obviamente uma pergunta. mas a primeira cartilha a adotar o método foi a Cartilha Analytica de Arnaldo Barreto. 2007). Aventuras de Vivi (Scliar-Cabral. lançado em 1930. da qual derivará a abolição do livro didático e. na reforma de educação em Minas Gerais de 1906. 2007). suas ideias. estão as ideias da Escola Nova. Situado em 88º lugar. Entre as cartilhas que adotaram o método global. o Índice de Desenvolvimento de Educação para Todos (IDE) é composto por quatro indicadores: universalização da educação primária. em virtude da instabilidade provocada por guerras civis e/ou “fragilidade político-institucional”. igualmente. 2012). São Paulo) e Os três porquinhos de Lúcia Casassanta. aplicadas à alfabetização. 2010). com as marcas de pontuação totalmente inadequadas. o Brasil só está acima dos 30 países cujas metas educacionais são longínquas. A primeira palavra é um vocativo que está completamente deslocado do ponto de vista discursivo. A palavra “abacaxi” é uma das últimas a serem usadas no meu livro de alfabetização. uma vez que é a própria Lili quem está falando. Subjacentes ao movimento da Reforma Francisco Campos.Decroly. afim à Escola Moderna de Célestin Freinet. realizada por João Pinheiro. .Lili! Olhe para mim. do Brasil. das cartilhas. médico belga que resolveu dedicar-se à educação.. alfabetização de adultos. 2012): Utilizado para monitorar o cumprimento dos objetivos de EPT pelos vários países. Em resumo. durante a Reforma Francisco Campos. A educadora Lúcia Casassanta participou ativamente do ideário. eu comi muito doce. fundando a escola l’Ermitage (FERRARI. editado pela Ed.

as palavras devem ser familiares e possuir valor afetivo para a criança. o leitor utiliza estratégias globais de reconhecimento. no ato de leitura. a seguir. todos os demais foram totalmente refutados pelos experimentos em neuropsicologia e neurociência. de casas e de artefatos. nos quais os neurônios se especializam para determinadas funções. onde estão as unidades dotadas de significado: neste capítulo não há espaço para aprofundar a polêmica sobre o formato desta memória. caracterizados por sua estrutura global ou holística. permite perceber as diferenças entre as unidades dotadas de significado (observe que as unidades do nível mais baixo não têm significado. o ponto 3 e. cujo pareamento com o que é extraído do sinal acústico da fala de uma dada variedade sociolinguística e. psicolinguística. A seguir. verificaremos que a organização em vias múltiplas e paralelas é um traço essencial da arquitetura do córtex” (DEHAENE. 2012. Apesar de concordar com um dos princípios defendido pelo método global. p. também constituída de um número muito limitado de regras que comandam as combinatórias possíveis e as hierarquias numa dada língua. estão estruturados os campos semânticos. podendo abrigar dezenas e até centenas de milhares de unidades enquanto o segundo registra um número muito limitado de itens gramaticais e está fechado a registrar unidades que não pertençam ao esqueleto daquela língua. a linguagem verbal apresenta uma arquitetura. Em outro nível. pela qual suas unidades são articuladas em diferentes níveis. menor é o número de elementos que constituem seu paradigma. contudo. 56). neuropsicologia e da neurociência que desconfirmam as alegações dos defensores do método global. como é o caso do reconhecimento de rostos. O que diferencia estes dois blocos é que o primeiro está aberto a receber novos itens. mas é certo que. no mínimo. está subdividida em dois blocos. quanto mais baixo o nível. quando abordarmos as bases cerebrais da leitura. Sendo assim. prioridade à compreensão.    a criança primeiro percebe o todo para depois observar as partes. um no qual estão armazenadas as unidades que se referem à experiência externa à língua. nos quais estão associadas as significações básicas disponibilizadas aos respectivos significantes . parcialmente com o ponto 5. que correspondem a circuitos cerebrais. A arquitetura cerebral da linguagem verbal sustenta seu funcionamento Diferentemente de outros sistemas de reconhecimento por configuração. mas servem para diferenciar entre si as unidades dotadas de significado). Numa outra memória está a maquinaria sintática de uma dada língua. toda a vez que se tornar necessário rotular uma nova experiência. no nível mais baixo da arquitetura subjacente ao processamento da recepção auditiva está o paradigma constituído das invariâncias de uns poucos traços fonéticos. “De fato. uma vez que eles estão conectados entre si. processado. isto é. alinharei os argumentos advindos de evidências da linguística. seja ela espiritual ou material e o outro no qual estão armazenadas as unidades que representam as categorias gramaticais. Algumas propriedades desta arquitetura são as de que. O nível a seguir é a memória lexical. a impenetrabilidade dos níveis. A proposta de arquitetura não implica. mais fechado à entrada de novos elementos em cada sistema linguístico e mais compulsória sua automatização. para que o processamento flua sem tropeços. bem como dos fonemas (incluída sua distribuição).

1981). somente técnicas de resolução muito apuradas. porém. articulando unidades em diferentes níveis. em reconstrução constante na memória permanente. reconhecidas no hemisfério esquerdo. Wernicke. 2012. explorada desde 1968 por David Cohen (1972) e seus colegas do M. em 1873. Conforme argumentado no início deste tópico. Antti Tarkiainen e seus colegas da Universidade de Helsinski mediram a atividade magnética do cérebro quando da apresentação de . 164/5). ou seja. uma ou mais caracterizadas. Grosso modo. As evidências empíricas para os circuitos neurais especializados em cada um dos níveis provêm. concluindo que uma área do lobo frontal esquerdo estaria envolvida na produção da fala. Paul Broca realizou exame post-mortem no cérebro de um paciente do hospital Salpêtrière com grave distúrbio de fala e constatou a lesão do terço posterior do giro frontal inferior esquerdo do paciente (LURIA. Outro marco foi a teoria proposta por Ramón y Cajal (1852-1934) de que o sistema nervoso é composto por células distintas e discretas (LAMBERT e KINSLEY. A rapidez com que tais processamentos se dão foi um dos fatores que induziu ao erro de explicá-los como globais.cit. denominada por Dehaene “caixa das letras” do cérebro. A arquitetura geral do sistema visual é estreitamente limitada e reproduzível. preferencialmente nas regiões homólogas do hemisfério direito. a seguir. Somente os esquemas cognitivos. um bilhão de vezes menos que o campo magnético terrestre” (DEHAENE. como a magnetoencefalografia. 2006). conjugada com a eletroencefalografia. etc. hoje aperfeiçoadas pelo acompanhamento online do que acontece em cérebros normais quando a linguagem verbal é processada.pelos membros de uma mesma comunidade linguística. erro sanado pelos métodos que dispõem de precisão temporal. – sejam extraídas e internalizadas na arquitetura mesma das conexões do córtex temporal ventral (DEHAENE. 92): Assim. Mecanismos sofisticados de aprendizagem estatística detectam regularidades do mundo exterior. 92). que servem de marco textual e discursivo.T. das casas e artefatos. Em virtude da rapidez com que se dão tais processamentos. a região occipitotemporal ventral (vide o cap. uma das diferenças entre o processamento da linguagem verbal e o de alguns sistemas holísticos e globais como o dos rostos. pois “a propagação da atividade eletromagnética do cérebro até os captores é praticamente imediata” (op. especializado para tal. historicamente. Nosso cérebro está construído a fim de que certas coincidências suspeitas – alinhamento de várias barras sobre a retina.. relatou. ladeada por áreas onde são reconhecidos de forma global rostos. como grafemas no sistema alfabético de uma dada língua. é realizado na pequena área fusiforme situada no hemisfério esquerdo. sequências reproduzíveis de imagens. Ilustrarei as contribuições da neurociência em favor da arquitetura cerebral para o processamento da palavra escrita que desconfirmam o reconhecimento global de enunciados escritos. moeda de troca que possibilita a intercomunicação. os trabalhos de Broca e de Wernicke. da afasiologia. podem ser considerados como balizadores globais dos processamentos que ocorrem nos diferentes níveis acima descritos. é que o primeiro é sequencial. p. 3). presença da junção em T. respectivamente. ambas as regiões ficaram conhecidas como área de Broca e área de Wernicke. permitem detectar onde se dão tais reconhecimentos: “o sinal magnetoencefalográfico é da ordem do femtofard27a. casos em que a lesão do terço posterior do giro temporal superior esquerdo resultava na perda da capacidade de entender a fala. ou em L. mas o detalhe das respostas de cada neurônio depende de cenas visuais que o organismo encontrou previamente. O reconhecimento dos traços que compõem as letras. p. casas e artefatos. ps. 2012.I. foram precedidas por dois marcos iniciais. integrando o sistema funcional da linguagem. por outro lado.

qual a melhor forma de alfabetizar: As particularidades do sistema visual dos primatas. nos sistemas de escrita da esquerda para a direita. o que ocorria era a memorização do texto ouvido. que começa a se tornar bem conhecido. células fotorreceptoras de resolução muito alta. Conforme demonstraram McConkie e Rayner (1975). não mais do que três ou quatro letras à esquerda do centro da fixação e sete ou oito à direita. Com efeito. observada em torno de 100 milissegundos depois do aparecimento das imagens na retina. onde estão os cones. letra após letra. Essas regiões efetuam uma primeira análise da imagem para extrair provavelmente as formas elementares: traços. ps. durante a leitura. nos chamados movimentos de sacada. . Sua amplitude é bem maior na parte acima do hemisfério esquerdo do que no direito. a estratégia da advinhação. durante o movimento de sacada. Seus resultados revelam duas etapas principais de tratamento visual no córtex. o cérebro não sabe ainda de qual estímulo ele vai se ocupar. sem nada perceberem (ponto cego): somente no momento da fixação é que são capturados. ainda vem sendo largamente preconizada pelos críticos dos métodos fônicos.palavras e rostos. 92-94). generalizando o princípio de que a percepção se dá do todo em direção às partes constituintes. 2012. o objeto visual explode em miríades de pequenos fragmentos que nosso cérebro se esforça em recompor. traço por traço. sobre o qual discorrerei ao final. incluindo os espaços. dadas as limitações acima. os dois tipos de imagens não se distinguem: palavras e rostos ativam regiões comparáveis do pólo occipital. A eletroencefalografia permite igualmente medi-la sob a forma de voltagens negativas que emergem de súbito. Para os rostos. Os métodos globais desconhecem como ocorre o reconhecimento da palavra escrita e. que ocupam aproxidamante 15º do campo visual. Reconhecer uma palavra consiste. os olhos percorram a linha. fortemente lateral no hemisfério esquerdo. em consequência. conforme já examinado no cap. na parte inferior e atrás da cabeça. é o inverso: os potenciais dominam nitidamente a parte acima do hemisfério direito (DEHAENE. maquiada por uma nomenclatura pseudocientífica de “hipótese”. quase por advinhação. Nesse estágio do tratamento da informação. bem atrás da cabeça. é totalmente impraticável propor um método que parta do reconhecimento do texto escrito como um todo. 3. Na prática pedagógica. O fato é que. começa a triagem da informação visual. explicam por que as operações que nosso cérebro realiza não têm nada em comum com um reconhecimento “global” da forma das palavras. As palavras evocam uma resposta ampla. para emparelhar cada palavra com o escrito. Esta limitação faz com que. o centro da fóvea. Limites de captação de caracteres pela fóvea Outras fortes evidências que refutam o método global provêm dos experimentos que demonstram os limites de captação da informação escrita pela única região do olho capaz de fazê-lo. Numa primeira fase. para depois prosseguir decompondo-o. Mas apenas 50 milissegundos mais tarde. curvas e superfícies. em torno de 170 milissegundos. A visão dos primatas não funciona por reconhecimento global – muito pelo contrário. os cones não captam absolutamente nada.

faz-se necessário que o reconhecimento da palavra escrita seja muito rápido. algumas delas se afastam mais que outras da língua escrita padrão. tanto na leitura. para eles serem efetivamente incluídos no mundo da informação. Em adendo. descartar os processos em paralelo. contudo. em analisar essa cadeia das letras e aí descobrir as combinações das letras (sílabas. de uma língua natural. não significa. falta-lhes o conhecimento prévio. eles teriam que ser fluentes na leitura dos textos que circulam socialmente e nas instituições de ensino. prefixos. O papel do conhecimento prévio no reconhecimento da palavra escrita e na alfabetização Reconhecer a arquitetura cerebral dos sistemas linguísticos bem como os limites de captação do número de caracteres da palavra escrita não implica descartar o papel que o conhecimento prévio desempenha tanto na leitura quanto na alfabetização. Isto significa que. É somente porque as operações foram automatizadas em anos de aprendizagem e porque se desenvolvem em paralelo. Pode-se. ou seja. em virtude das mudanças distintas nas diversas variedades sociolinguísticas. a galinha ou o ovo”. de saída. o resultado é provisoriamente registrado na memória de trabalho. daí a grande dificuldade de aprendizagem. é de capital importância esclarecer o papel do conhecimento prévio e enciclopédico. Obviamente. p. se o indivíduo não tiver automatizado (e muito bem) o reconhecimento dos traços que diferenciam as letras entre si e os valores que os . um buffer ou estacionamento muito breve. radicais das palavras). uma vez que. após ter havido o reconhecimento dos traços e das letras. como venho afirmando. 21). oracionais e assim por diante. Já deu para concluir que. nem a interconexão obrigatória entre os neurônios da região occipitotemporal ventral esquerda com todas as demais regiões do cérebro que processam a linguagem verbal. que pode persistir durante tantos anos a hipótese naîve de uma leitura imediata e global (DEHAENE. para o reconhecimento da palavra e o acesso à significação básica. condição necessária à compreensão textual e discursiva. para poder acomodar os resultados subsequentes dos processamentos seguintes e assim amalgamá-los para obtenção dos significados frasais. pois a língua escrita alfabética lhe é secundária. Trata-se de resolver a questão sugerida pela metáfora de “o que vem antes. uma vez que. 2012. A importância do conhecimento prévio da língua oral na alfabetização pode ser percebida na dificuldade dos usuários de LIBRAS para aprenderem os princípios do sistema alfabético do português brasileiro. fora de nossa consciência. A desconfirmação das teorias subjacentes aos métodos globais. quanto na alfabetização e demonstrar que a aceitação deste papel não entra em contradição com a adoção dos métodos fônicos. Como estes textos utilizam um sistema que não é a representação de LIBRAS. há um contínuo nesta relação. uma só para todo o território da língua em questão. sua representação mais abstrata em grafemas e a lincagem aos respectivos fonemas. os cones não conseguem abarcar mais do que três ou quatro letras à esquerda do centro da fixação e sete ou oito à direita. Como já explicado anteriormente. para enfim associá-las aos sons e aos sentidos.primeiramente. afirmar a necessidade de um tipo de conhecimento prévio. sufixos. Para a leitura fluente.

quando muito exercício intensivo e inteligente permitir que o dançarino flutue no espaço. tudo começa numa boa alfabetização. para que não pairem dúvidas que fortaleçam os argumentos dos defensores dos métodos globais. a significação básica anteriormente armazenada na memória de trabalho (se é que conseguiu chegar até esta etapa) se esvaiu. conforme estou expondo. 50% do vocabulário neles constante. deve ter ficado bastante claro para o leitor que o verdadeiro método fônico tem por escopo a automatização do reconhecimento dos traços que diferenciam as letras entre si. decididamente. Na préleitura. seja porque ela lhe é penosa. por mais que os adversários dos métodos fônicos torçam o nariz. registram de forma coerente nosso conhecimento de mundo e enciclopédico. ou seja. é fundamental para a construção dos sentidos. Finalmente. dentre as dezenas ou centenas de esquemas. Para que se possam entender os textos. por ter sido mal alfabetizado. a construção do sentido das palavras (o ato por excelência criativo da leitura). em virtude dos limites temporais da memória de trabalho. supostamente. Deter-me-ei em algumas delas. refletidos. não como uma finalidade em si mesma. porquanto. no vocabulário escasso para determinados tópicos. para se compreender o que se lê. A primeira confusão decorre do falso argumento de que os métodos fônicos não se preocupam com a principal finalidade da alfabetização que é compreender os textos. É neste passo que se torna mais verdadeira a metáfora “o que vem antes. permanecendo continuamente ativado. igualmente. é necessário conhecer.grafemas têm. na forma de esquemas cognitivos. instrumento para desenvolver a consciência fonológica e/ou com as chamadas cartilhas matracas para alfabetizar. em contínua reestruturação em nossa memória permanente. Portanto. São eles que permitem a atribuição de um sentido novo a uma palavra velha conhecida. para chegar-se ao grafema. ou por qualquer outro motivo. se o peso da informação nova for excessivo. começará a tropeçar diante de palavras que estiver vendo pela primeira vez e. . justamente porque substituir um grafema por outro altera o significado. não é possível a leitura fluente. momento inaugural que precede a leitura do texto propriamente dito. a sobrecarga para a construção dos sentidos novos se torna intransponível. cuja função não é outra senão distinguir uma palavra de outra. é forçoso admitir que. Os esquemas cognitivos. quando chegar ao reconhecimento da palavra. o conhecimento prévio. quem não tem o hábito da leitura. mas sim porque. também. o indivíduo não pode vacilar no reconhecimento das letras e na atribuição dos valores que os grafemas têm. Viu-se. no mínimo. mas ainda persistem muitas confusões sobre suas bases teóricas e sobre suas aplicações. sem esforço aparente. sem este domínio. Esclarecimentos sobre os métodos fônicos Os métodos fônicos podem ser silábicos ou fonológicos. possui esquemas cognitivos pobres ou até inexistentes. Eis por que as pessoas têm que ter o hábito de e o gosto pela leitura e isto só se adquire quando ela for prazerosa e fluente. aquele que vai balizar. a galinha ou o ovo”. condição para se chegar à compreensão textual. que é necessário dominar tais conhecimentos. incluindo aí palavras novas que inundam o nosso cotidiano. O falso argumento de que os autores dos métodos fônicos não se preocupam com a compreensão é exemplificado caricatamente com exercícios mecânicos de discriminação das diferenças entre sons. seleciona-se. Ora. após ter-se identificado o tema. da exposição anterior. pois.

trabalhando apenas com sons isolados. Qual a base para uma alfabetização efetiva para a leitura e a escrita? a ( ) O método global. 2004. independente da exposição a uma dada língua.. unidades que têm a função de distinguir significados. pois o recém-nascido demonstra sensibilidade para a percepção categorial. (ícone bloco de anotações) Pontos Importantes No capítulo 6 foram tratados os seguintes conteúdos:  desmistificação do método global. de cada vez. O que ele ainda não tem é conhecimento para o uso dos fonemas e. sem saber o nome das letras.  algumas evidências empíricas da neurociência sobre a arquitetura cerebral. sequer de pensar em alfabetizar. . 1971). cabe esclarecer que exercícios para discriminar diferenças entre sons isolados não têm nada a ver com desenvolvimento da consciência fonológica e se alguém os aplica sob esta alegação está muito equivocado. Logo. o que acontece lado a lado com a aprendizagem dos princípios do sistema alfabético de uma dada língua.  limites biológicos à captação pela retina de mais que doze caracteres a cada fixação. os indivíduos não as reconhecem. Já a consciência fonológica. pois o cérebro processa o texto escrito como um todo.No primeiro caso. Como se pode depreender. quando ficou comprovada a discriminação categorial da oposição [+] / [-son] no par [ba] / [pa] desde um mês de idade (EIMAS et al.  o reconhecimento da palavra não se dá por configuração.  fundamento do método fônico: estabelecer a relação entre grafemas e fonemas. pressupõe o desmembramento da sílaba em seus componentes. unidades que têm a função de distinguir significados e estes só existem no seio de palavras. porque o fundamento está em estabelecer a relação entre grafemas e fonemas. b ( ) A nomeação das letras. pois. Sugestões para reflexão e pesquisa    Quais os limites ao que os receptores da visão podem captar. (SCLIAR-CABRAL. p. não existe a mínima possíbilidade de operar com o método fônico. que depõem contra o método global? A memória de trabalho registra primeiro o texto ou mesmo um período inteiro para depois desdobrá-lo? O método fônico significa trabalhar com a discriminação de sons isolados? (ícone avaliação) 6. consciência fonológica: o conhecimento para o uso se estabelece à medida que a criança adquire a sua variedade sociolinguística e o uso de uma classe de sons (o fonema) ou de outra acarreta mudança de significado. muito menos. conforme os experimentos com o paradigma HAS (high-amplitude sucking). 79).  breve histórico do método global e seu uso no Brasil.  como a região occipitotemporal ventral esquerda processa a informação escrita.  os métodos fônicos não implicam ignorar a existência e necessidade de processamentos top-down e em paralelo. a capacidade metalinguística para refletir sobre as unidades que têm a função de distinguir significados. o bebê já discrimina a diferença entre sons.

até se alfabetizar. Primeiro vou examinar a dificuldade em perceber o contraste entre as unidades que constituem a sílaba e. ambos com a função de distinguir significados. e encerrei com breves considerações sobre os métodos fônicos. Como nosso sistema não é silábico e sim alfabético. o indivíduo se alfabetizará sem dificuldade. Por exemplo.c ( ) A intuição do indivíduo para ir descobrindo sozinho os princípios dos sistemas alfabéticos.encontros vocálicos (ícone síntese) No capítulo 6. o indivíduo deverá desmembrar a sílaba. seja qual for o método. ele percebe a fala como um contínuo e a sílaba como uma unidade indecomponível. demonstrando que o reconhecimento da palavra não se dá por configuração. que a opção por métodos fônicos não implica ignorar a existência e necessidade de processamentos top-down e em paralelo. como os espaços em branco que as separam na escrita. nem contrastes entre os sons que constituem as sílabas. baseada nos recentes achados da neurociência. portanto. Eis aí a primeira grande dificuldade com a qual se defronta o alfabetizando. procurei desmistificar o método global. três ou mais segmentos. 7. olhe como ficou sua boca. olhe como ficou sua boca. em desmembrá-la. Retomei as evidências empíricas da neurociência sobre os limites biológicos à captação pela retina de mais do que doze caracteres. antes de dizê-la. As principais dificuldades na alfabetização: desmembrar a sílaba . antes de dizê-la. e ( ) O fato de que. Agora pense em pronunciar a palavra pó e. para fazer a associação entre o grafema e seu respectivo fonema. quando ela for formada por dois. em virtude da coarticulação. . Traçei um breve histórico de seu surgimento e desdobramentos. Demonstrei. exemplificando o uso no Brasil com algumas cartilhas. uma vez que. d ( ) As mais recentes descobertas científicas de que há neurônios especializados que devem ser reciclados para reconhecer os traços das letras. a cada fixação sobre a linha impressa e sobre como a região occipitotemporal ventral esquerda processa a informação escrita. também. Faça o exercício a seguir diante do espelho: Ícone na prática Pense em pronunciar a palavra pi e. o indivíduo percebe a cadeia da fala como um contínuo: não há pausas entre as palavras. não só as pistas acústicas que definem uma consoante e uma vogal adjacente são interdependentes. antes de se alfabetizar. Desmembrar a sílaba para associar um fonema a um grafema Com efeito. inclusive os espaços. Ícone objetivo No capítulo 7 começarei a analisar em profundidade as principais dificuldades que o aprendiz deverá vencer. associando-as aos fonemas. de consciência fonológica e os encontros vocálicos. como também seus respectivos gestos fonoarticulatórios. Trabalharei com você o conceito de fonema.

mas sim porque não consegue desmembrar a sílaba. apô a´po Teste de Supressão das Consoantes Comando: -Você vai tirar o pedacinho da frente. o maxilar abaixa e puxa o dorso da língua para trás. assu a´su 11. faz um biquinho. em [i]. para demonstrar que a pessoa não consegue realizar o teste de supressão da consoante não por não ter compreendido o comando. fão fãw 2. isto é. atã a´tã) 12. alum a´lu] 4. as respectivas pistas acústicas. distensos). aberta e baixa (além de arredondada). mas a vogal [O] é arredondada e. isto é. aplicando o teste abaixo numa criança e num adulto. ao pensar em dizer a palavra pi. fom fõ 5. achê a´Se 15. féi fEj 15. /ki/: 1. você arredonda os lábios. Há outros traços das vogais que vão afetar a articulação do [p] e. fói fOj 11. os lábios já se preparam. não alfabetizados: observe que primeiro coloquei o teste de apagamento de uma vogal. Verifique você mesmo. acó a´kO 13. Vamos repetir? 1. fér fER 4. ao pensar em dizer pó. afô a ´fo 7. fãe fãj 14. faim fãj 3. por isso. A vogal. apu a´pu 19. o maxilar inferior vai para frente e puxa o dorso da língua de encontro ao palato duro: essa vogal é chamada de anterior ou menos posterior. você vai dizer ar /aR/. fôs foS 6. apim api] 14. afu a´fu 16. no fenômeno chamado de antecipação. agôa ´go 9. Se eu disser aqui. ele responde que são dois e não consegue apagar a consoante inicial de uma sílaba. akôa ´ko 5. Isso ocorreu porque o programa motor do cérebro envia os comandos aos músculos do aparelho fonador por unidades silábicas: como a vogal [i] é distensa (tente pronunciá-la na frente do espelho). acã a´kã 2. afó a ´fO 3. achu a´Su 18. enquanto em [O]. fõe fõj . Ícone na prática Teste de Supressão da Vogal Comando: -Agora eu vou dizer uma palavra que eu inventei e você vai tirar um pedacinho. Se eu disser far /faR/. ficaram arredondados). fuim fu]j 12. fur fuR 13. adã a´dã 8. fons fõS 16. seus lábios fechados ficaram esticados horizontalmente (isto é. Por exemplo. você diz qui. conforme eu vou explicar. /a´ki/. portanto. /p/ (que não pode ser realizado isoladamente). também uma sílaba. afi a´fi 20. então. apom a´põ 17. é chamada de posterior. afum a´fu] 10. mas quando pensou em dizer pó.Embora o fonema inicial seja o mesmo nas duas palavras. quando você pensou em pronunciá-lo na palavra pi. Quando você pede a um não alfabetizado para dizer quantos sons escuta em casa. apém a´pe]j 6. fechada e alta (além de distensa). seus lábios fechados fizeram um biquinho (isto é.

ou seja. ou momentâneas. pois muitos confundem fonema com som. conforme sugerem os rótulos. causando um efeito perceptual de explosão. fau 18. Veja bem. [k]. é: o fonema é um feixe de traços distintivos. [g]. No caso particular da consciência fonológica. Se o objeto da consciência fonológica é o fonema. em primeiro lugar. Portanto. ou plosivas (são as várias denominações encontradas na literatura para tais sons) são as consoantes. não consciente. definir o que vem a ser consciência fonológica e. uma primeira distinção a ser feita é entre conhecimento para o uso. que todo o falante-ouvinte nativo tem. e a linguagem utilizada é o alfabeto. dos fonemas de uma língua. Ícone dicionário Fonema: A definição clássica de fonema. o processo de alfabetização é complexo e implica o desenvolvimento de novas habilidades. [t]. fól 8. utilizando uma linguagem. Pallaoro Moojen (2003) coordenou uma equipe que elaborou uma bateria para avaliar sequencialmente a consciência fonológica. estabelecida pelo linguista R. o objeto sobre o qual você se debruça conscientemente são os fonemas. fór fOW fojS fe]jS fOR 17. ou [-contínuas]. que só é rompido quando tal obstáculo também se rompe. Consciência fonológica Cabe. o gesto do fechamento. sendo também chamadas de momentâneas. Na realidade. Jakobson (1949). pois utiliza com propriedade. A consciência metalinguística e a consciência fonológica na qual ela se insere decorrem de o ser humano poder se debruçar sobre um objeto. dentro do objeto da consciência fonológica. fem 20. a linguagem. emitir sozinho o som [t] que aparece duas vezes em tatu: é impossível! No português brasileiro existem seis consoantes oclusivas ou [-contínuas]: [p]. que resultam da ruptura pelas moléculas de ar de um obstáculo à sua passagem. dentre os quais destacaei Morais e Kolinsky (1995). fus faw feR fe]j fuS Como você pode perceber. ponto por ponto. quer quando escuta. fois 9. Por que é impossível ouvir ou pronunciar uma consoante oclusiva sozinha? As consoantes oclusivas. no silêncio. Por isso. fêr 19. [b]. o fonema não tem . outras capacidades de lidar com os sons. se tal consciência é sobre unidades fonêmicas. ou obstáculo impede qualquer energia. Tente. é preciso também ter claro o conceito de fonema. portanto. no caso. O fonema tem uma função distintiva. como no já citado exemplo de /´bala/ e /´mala/. o estatuto de tais unidades. como em [ta] e [tu] de [ta´tu] ou de uma consoante que permita a passagem das moléculas de ar. por exemplo. não podem perdurar na prolação. serve para distinguir um significado básico de outro. O tema foi aprofundado por muitos autores. ou colocam. quer quando fala. a diferença entre /´bala/ e /´mala/. o que está implícito na definição de Jakobson para fonema. com o apoio de uma vogal. e o conhecimento consciente dos fonemas. ou consciência fonológica que se desenvolve lado a lado com a aprendizagem do sistema alfabético da respectiva língua. de forma consciente. [d]. resultando. independente ou não de ser alfabetizado. Vou clarear. fens 10. isto é.7. ao aplicar este teste.

com os lábios fechados. pois. o fonema serve para distinguir significados. [+son]. uma oclusiva. e sim momentâneo. o fonema é um feixe de traços invariantes. mas trocando um pelo outro no contexto /´_ala/. isto é. Quer dizer que /b/ e /m/ não significam nada. nem tão . não há oposição. por isso. [-cont]. ao nascer. não pode ser produzido isoladamente) enquanto /m/ é [+cont]. pois as moléculas de ar ressoam nas fossas nasais e /b/ é [-nasal]. por isso. conforme expliquei acima. ou seja.significado: serve para distinguir significados.  no 3º traço /b/ não é continuo [-cont]. eles são sonoros [+son]. Não importa como as pessoas pronunciem o terceiro segmento que aparece na palavra carta. de natureza abstrata. uma vez que o ar sai pelas narinas. Ele se diferencia de /p/ apenas porque esse fonema é [-son] e de /d/ apenas porque esse é [+cor]. que são reconhecidos por sua função de distinguir significados. pois as moléculas de ar ressoam no trato bucal. [+ant] e [-cor].  no 7º traço também não há oposição. não se trata de fonemas. embora esse traço seja redundante nas consoantes nasais. as moléculas de ar que se comprimem e rarefazem para produzir as ondas acústicas também não entram dentro dela. já que não são articulados com a coroa da língua contra os alvéolos ou parte anterior do palato duro. Se você observar bem. e só! Mas o fonema é o mesmo! Ilustração de uma carta Quando o bebê nasce. pois ambos não são coronais. sem encontrar obstáculo.  no 2º traço /b/ é [+obstruinte]. Ora. Lembra-se dos traços invariantes das letras? Pois bem.  no 4º traço /m/ é [+nasal]. de /b/ contra [-obstruinte]. isto é. [-cor]. os neurônios das áreas primárias são sensíveis para discriminar as diferenças categoriais entre quaisquer sons que possam existir em qualquer língua. Assim como você não pode colocar uma cadeira dentro de sua cabeça. [+cont] e [+nasal] de /m/. [+ant]. O feixe de traços de /b/ é constituído de [+cons]. pois em ambos os fonemas as pregas vocais vibram. pois pode perdurar na prolação. vai notar (e agora vou mencionar os traços que constituem os dois fonemas) que:  no 1º traço ambos são consoantes [+cons]. pois há um obstáculo à saída do ar pelo trato vocal e /m/ é [-obstruinte]. pois ambos os fonemas são anteriores. uma vez que são articulados na parte mais anterior do trato vocal. o bebê ainda não está com as conexões neurais estabelecidas com as áreas que processam as significações básicas.  no 5º traço. mas obviamente. não pode perdurar na prolação (e. a diferença entre /b/ e /m/ não é in totum e sim apenas entre os traços [+obstruinte]. [-cont]. [+obstruinte]. pois o som que o carioca produz só tem de parecido com o que um gaúcho de Bagé diz pelo fato de que ambos são consoantes.  no 6º traço também não há oposição. o significado se altera. Por que o fonema não é som? Porque o fonema é uma entidade psíquica. permitindo que as pessoas se comuniquem através da linguagem verbal. Conforme se pode verificar.

Como não há letras específicas para representar os grafemas semivocálicos. A sílaba e os encontros vocálicos no PB A sílaba no PB é uma unidade constituída obrigatoriamente por uma e apenas uma vogal (o centro silábico) que pode vir acompanhada em suas margens à esquerda (o aclive ou ataque) e à direita (o declive ou coda) por uma ou mais consoantes. a estratégia para identificar se a letra representa uma vogal ou uma semivogal consiste em aplicar o princípio: tantas sílabas. bem como as conexões axônicas que as ligam”.  não se deve confundir consciência fonológica com habilidades para discriminar diferenças entre sons. ou. que ele já esteja demonstrando qualquer tipo de consciência fonêmica. o indivíduo necessita de uma linguagem e essa linguagem é o alfabeto. o fato de o infante ser capaz de. pois. não significa. EIMAS et al. para desenvolver a consciência fonológica. São precisos alguns meses para que se estabeleçam conexões entre as várias áreas do sistema nervoso central. Em virtude das grandes confusões que circulam nos livros didáticos. no primeiro caso. darei algumas explicações sobre a sílaba e os encontros vocálicos no PB. inclusive das séries iniciais. Ícone dicionário: Sons homorgânicos: São os sons produzidos no mesmo ponto de articulação.. no capítulo 4). que ele já esteja produzindo gestos fonoarticulatórios de uma dada língua. Sendo assim. p. no chamado paradigma HAS (HighAmplitude Sucking. 1971). Conforme se pode depreender.184).  tal desenvolvimento depende do domínio gradativo do sistema alfabético. 1983. ocorrem muitas confusões em sua identificação. após condicionamento. em particular. pois o fonema é uma entidade que tem a função de distinguir as significações básicas. O movimento do trato vocal é de um fechamento para uma abertura (vogal) e dessa para o fechamento. para reorganizar as pautas acústicas pertinentes a tal variedade (vide os três fatores que se conjugam para a aquisição da variedade sociolinguística oral. o lóbulo parietal inferior (LECOURS.pouco teve experiência suficiente com a variedade linguística materna. agravadas pelo fato de as semivogais praticamente só se diferenciarem de suas homorgânicas vogais por serem mais breves e por sua função na sílaba: sempre são margem e nunca centro silábico. por exemplo. a vogal [u] e a semivogal [w]. jogam um papel principal nos aspectos semânticos da linguagem receptiva e produtiva. dar respostas diferenciadas a estímulos categoriais. tantas vogais (lembre que a semivogal nunca pode receber o maior acento de intensidade). ou de ser capaz de emitir uma gama bastante rica de sons (inarticulados). Na prática . Na prática Decorrem destas evidências muitas implicações para o que se considera pertinente no desenvolvimento da consciência fonológica:  o desenvolvimento da consciência fonológica pode ajudar o alfabetizando a vencer a dificuldade em segmentar a sílaba. como. no segundo. pois “certas áreas associativas específicas e não específicas do córtex. a vogal [i] e a semivogal [j].

 nasais . Exs. a semivogal.o centro vocálico é uma vogal oral. O que são normas de translineação? São normas que dizem como você deve separar as partes de uma palavra.  DITONGO é o encontro de uma vogal e de uma semivogal na mesma sílaba. diga quantas são as vogais (o número de vogais deve coincidir com o número de sílabas). /Oj/ figurarem em vocábulos paroxítonos. se não estiverem no final do vocábulo (monossílabos tônicos ou oxítonos). têm. Esse acordo ortográfico. duas vogais). mais. transformando-se em hiato: trata-se de uma variante livre e.considerados perfeitos. totalmente arbitrárias. suas 7.também chamados de imperfeitos. deve-se separar car. cai. em sílabas separadas. mandam separar.Número de Vogais Conte quantas sílabas tem o vocábulo e. como nos já citados exemplos: tem. Ex. Ora. ressoam SÍLABAS () () () () () VOGAIS () () () () () Cabe chamar a atenção para um grave erro constatado em livros didáticos e em provas de concurso que consiste em confundir separação silábica com normas de translineação. porque não podem ser desmanchados. colocando ciência na linha seguinte. perdeu. cueca  /´kwEka/ (duas sílabas) ou /ku´Eka/ (três sílabas). pois 9. Observe que a semivogal pode estar codificada de várias formas e que as letras i ou u não estão representando vogais. pelo Novo Acordo Ortográfico.: dei. a semivogal. por exemplo. portanto. Observe que. choram. Exemplos: céu. mão. Atenção! Encontros Vocálicos  HIATO é o encontro de duas vogais. portanto. obrigatoriamente oral). que não são outra coisa senão um só grafema! Assim. que 4. Ex. tem. gaúcho SÍLABAS () () () () () VOGAIS () () () () () 6. Exemplos: vício  /´visju/ (duas sílabas) ou /´visiu/ (três sílabas). porque podem ser desmanchados. inicia 10. em seguida. se os ditongos abertos /Ej/. confusões 2. muitas 3. tens. mão. portanto. isto não tem nada a ver com separação silábica! As duas sílabas de carro. mães. na escrita são ca e rro  /´ka/ /Ru/. . mal. choram.na palavra carro e continuar ro na linha seguinte. 1. dói.: cai  /´kaj/ (uma sílaba. por isso. mal. arrastando. tens. Os ditongos podem ser:  decrescentes .  abertos (o centro vocálico é uma vogal baixa. como nos já citados exemplos: perdeu. ansiar /ã´sjaR/ (duas sílabas) ou /ãsi´aR/ (três sílabas). o trato vocal decresce. isto é. mais. ou cons. segundo essas normas.: caí  /ka´i/ (duas sílabas.o centro vocálico é uma vogal nasal.  crescentes . mau. tonéis.  orais . mães. para continuá-la na linha seguinte. porque a semivogal vem depois da vogal. isto é. feixe 5. não levam acento gráfico. mais 8. têm. Essas normas. como no nome de pessoa Leia (que agora passa a se confundir com a 1ª e 3ª pessoas do singular do presente do subjuntivo do verbo ler). lençóis. arrastando. questões que versem sobre sua identificação só podem cair em prova quando contemplarem a possibilidade das duas variantes. tonéis. mau.de consciência. dígrafos. uma vogal). quando não há mais espaço na linha.

magoei. encontro esse não contemplado pela NGB.  TRITONGO é o encontro de uma vogal entre duas semivogais na mesma sílaba (continua valendo a estratégia. conforme o similar em Maria. a que dizia respeito aos grafemas e . duas sílabas (a transcrição fonológica melhor dessa palavra seria /´bOjja/). em consequência. arrastando a língua até atingir o máximo de abertura necessária para produzir o centro silábico [O].definitivamente. olhando-se no espelho: começa com os lábios fechados em bico [b]. isto é. tantas vogais). Seguramente existem em boia duas vogais. a seguir. exatamente. então um ditongo crescente). gradativamente. pois valia em qualquer posição no vocábulo. tantas sílabas. Alguns encontros vocálicos difíceis de identificar  Ditongo ou hiato? Quando o centro silábico for a vogal /i/ ou /u/.o centro vocálico é uma vogal [-baixa]. vai se transformando em ditongo crescente. o encontro não poderia ser desmanchado. /u/.  fechados . duas vogais). ocorre primeiro um ditongo decrescente que. o qual. seguido de uma vogal. decrescendo a abertura para produzir a metade da semivogal [j] até o máximo de seu fechamento (portanto. o que não é o caso. significa um retrocesso que só interessa às editoras que saíram na frente. Aguei. cujo fechamento se rompe com o maxilar inferior vindo para baixo. sem interrupção começa a se abrir. Uma das únicas dificuldades para a atribuição dos valores aos grafemas no PB era.  Ambissilabicidade O que é ambissilabicidade? É quando a parte inicial de um som é a margem direita de uma sílaba (declive) e a parte final dele é a margem esquerda da sílaba seguinte. porque o acento de intensidade maior cai no i e. esse encontro não é consignado pela NGB. três vogais). até atingir o máximo de abertura para realizar o [a] (portanto. enquanto os lábios se distendem.o. portanto. que se realiza como fechada. um ditongo decrescente). /e/. Como a primeira parte do tritongo é crescente. Aguei  /a´gwej/ (duas sílabas. teria que ser obrigatoriamente decrescente. com o maxilar inferior voltando para baixo e arrastando consigo a língua. conforme os casos a seguir: navio  /na´viu/: nesse caso. o maxilar inferior vai subindo. portanto é uma variante livre. observe o vocábulo boia e acompanhe seus movimentos. Ícone revisão . ou  /agu´ej/ (três sílabas. Se io fosse ditongo. inclusive /ã/. /o/ ou uma vogal nasalizada. a melhor solução é tratar o encontro como hiato. publicando dicionários e livros didáticos para faturar. /i/. Lembra quando expliquei que a sílaba vai do fechamento para a abertura e dessa para o fechamento? Pois bem. Voltarei ao assunto quando tratar da ambissilabicidade. Mesmo que alguns autores prefiram analisar em tais ocorrências primeiro um ditongo decrescente. dinamicamente. ela pode ser desmanchada e o ditongo se transforma em hiato. arrastando o dorso da língua de encontro à parte interna da arcada dentária e do céu da boca. Como você está observando então. que a antiga regra de acentuação gráfica dos ditongos abertos /Ej/ e /Oj/ atenuava. Exemplos.

8. três ou mais segmentos. conceito de consciência fonológica como a capacidade de refletir sobre os fonemas. A segmentação das palavras Conforme asseverei. como feixe de traços distintivos. Outras dificuldades na alfabetização (ícone síntese) No capítulo 7 comecei a analisar em profundidade as principais dificuldades que o aprendiz deverá vencer. c ( ) uma vogal e de uma consoante obrigatória. uma vez que. Como nosso sistema não é silábico e sim alfabético. b ( ) uma e apenas uma vogal precedida e/ou seguida. conceito de fonema. ele percebe a fala como um contínuo e a sílaba como uma unidade indecomponível. e ( ) uma vogal e de uma semivogal obrigatórias. o indivíduo deverá desmembrar a sílaba. encontros vocálicos. também chamados de clíticos. antes da aprendizagem da leitura e da escrita. quando ela for formada por dois. residindo aí a primeira grande dificuldade com a qual se defronta o alfabetizando. o indivíduo processa a cadeia da fala como um contínuo. as dificuldades semânticas e a reanálise silábica. quando ela for formada por dois. o conceito de fonema. três ou mais segmentos. foi examinado que o indivíduo tem que desmembrar a sílaba. inclusive na ambissilabicidade. Além da não percepção dos contrastes entre as . para fazer a associação entre o grafema e seu respectivo fonema. Trabalhei. ou não. por consoante(s). d ( ) uma semivogal como centro silábico. também. verificarei o problema da segmentação das palavras e a questão da percepção dos vocábulos átonos.No capítulo 7 foram tratados os seguintes conteúdos:     para fazer a associação entre o grafema e seu respectivo fonema. até se alfabetizar. de consciência fonológica e os encontros vocálicos. Sugestões para reflexão e pesquisa  Quais são as principais dificuldades enfrentadas pelo alfabetizando?  Por que acha que desmembrar a sílaba é tão difícil?  Como você acha que deve ser desenvolvida a consciência fonológica? (ícone avaliação) 7. A sílaba no PB é constituída de: a ( ) duas vogais. abordarei em seguida a dificuldade em reconhecer os traços que diferenciam as letras e encerrarei o capítulo com a questão das variedades sociolinguísticas. (ícone objetivo) No capítulo 8.

que deixou de ser átono e passou a ser um monossílabo tônico terminado em e. passando a sujeitar-se às regras de acentuação gráfica. que apresentam maior frequência de uso). são monossílabos e coincidem com classes gramaticais como os artigos e grande parte dos pronomes. recebendo o acento circunflexo. ele não tem onde se apoiar e deixa de ser átono. como acontece toda a vez que uma palavra termina em vogal e a seguinte também começa por vogal. mas cujos limites são opacos na cadeia da fala. como em amiga amada /a´miga´mada/: percebe-se que há duas palavras porque há dois acentos mais fortes em /´mi/ e /´ma/. mas diferentes. . ao substantivarmos qualquer vocábulo átono. verbos. a primeira a ser ensinada. como em amiga ousada /a´migo´zada/. é muito dificíl para a criança separar as palavras por espaços quando está se alfabetizando. como no exemplo: Queres me dizer por quê? Têm-se nessa frase dois vocábulos átonos. adjetivos e advérbios possuem uma sílaba com o acento de intensidade mais forte e. quando se coloca um vocábulo átono no final da frase. mas a fronteira que separava as duas palavras desapareceu. Entende-se. Se forem idênticas. Se as duas vogais forem átonas. portanto. o primeiro se apoiou no verbo dizer e o segundo no vocábulo quê. se a fronteira entre as palavras permanecer bem nítida. pois. Em geral. leiam-se como paroxítonos. Ícone dicionário: Sândi ou juntura: Sândi ou juntura resultam do encontro entre dois sons separados por uma fronteira de palavra ou de morfemas que formam uma palavra conforme as características das vogais e/ou das consoantes que entram em contacto. a regra de ouro de atribuição do acento de intensidade durante a leitura. ou o. Se a fronteira for entre duas palavras. A percepção dos vocábulos átonos. Já deu para perceber a importância de se trabalhar desde a Educação Infantil com a percepção das distinções entre sílabas mais fortes e mais fracas num vocábulo. denomina-se sândi externo ou juntura externa e pode ser aberta. outra grande dificuldade é identificar as palavras tais como estão separadas por espaços em branco no sistema escrito. ou quando termina por vogal átona e o seguinte incia por vogal. Todos os substantivos. não possuem o acento de intensidade mais forte. quando um vocábulo termina por consoante e o seguinte inicia por vogal. verbos. deve ser: se os substantivos. por isso. também chamados de clíticos Vocábulos átonos são aqueles que. por que. Por exemplo: O dê é uma preposição. me e por. A percepção dos vocábulos átonos.unidades que compõem a sílaba. a. permanece apenas a da palavra seguinte. o fato de os vocábulos átonos não apresentarem significações com contrapartida referencial concreta e a reanálise silábica. e NÃO tiverem nenhum acento gráfico. Por isso. em virtude das características dos dois sons em contato. adjetivos ou advérbios tiverem duas ou mais sílabas e terminarem pelas letras e. dependem fonologicamente no português brasileiro do vocábulo seguinte (com exceção dos pronomes oblíquos que podem ocupar a posição enclítica ou mesoclítica). Em virtude de serem átonos. fenômeno conhecido como sândi externo. seguidas ou não de s. ou juntura externa fechada. na metalinguagem. Vou assinalar três grandes dificuldades aí envolvidas. como no encontro entre as duas palavras meninos felizes. na cadeia da fala. conforme examinado no capítulo anterior. os vocábulos átonos neles ficam pendurados. por contemplar os vocábulos mais frequentes do PB (com exceção dos átonos. se a fronteira se tornar opaca. Por isto. Por isso. ou pode ser fechada. preposições e conjunções. também chamados de clíticos. ocorre uma crase. ele deixa de sê-lo.

O príncipe. a seguir. Observe. condenou à** morte o desastrado. Você também poderá trabalhar com atividades que lhe permitam verificar as preposições. ele é realizado como sonoro. é possível que a criança. eles têm significação puramente gramatical ou outras funções. fazer a seguinte pergunta: Isso já apareceu na história? Apontar na lousa o respectivo artigo. Por esse motivo. enquanto o definido é usado para a informação conhecida. demonstrando que o artigo indefinido serve para introduzir a informação nova. direção para. estáticos. e assim por diante. Tudo isso terá que ser refeito no processo de alfabetização. um criado quebrou um* dos** vasos. ocorre a reanálise silábica. Na prática Indico. A reanálise silábica Quando um vocábulo termina por consoante e o seguinte começa por vogal. e. à esquerda. zoreia. que ficou totalmente opaco o morfema de plural que passou para o início da palavra seguinte. o que não é a sua posição na língua portuguesa! Além disso. belíssimos. um exemplo de atividade para reconhecimento dos artigos indefinidos e definidos. zoio. zunha. ou quando os dois fonemas são idênticos. a cada aparecimento de um artigo. os artigos definidos (informação já introduzida). trabalhando com procedência. ao realizar /u . Um dia. com um espaço em branco separando os de ouvidos e o que você disse.Os vocábulos átonos não apresentam significações com contrapartida referencial concreta Outra grande dificuldade para o alfabetizando em perceber os vocábulos átonos como separados decorre do fato de eles não terem contrapartida referencial concreta. mas não carregam o que J. que. Mattoso Câmara Jr. à direita. conforme já explicado. que eram o seu orgulho. denominou de significação externa. na posição intervocálica. Separe. tornando opacas a fronteiras entre as palavras. Guardava-os em uma sala especial. . também. em letra de imprensa minúscula.duS/ (observe que a realização do último segmento depende da variedade sociolinguística de quem está lendo). Coloque na lousa. ao ler a narrativa de Malba Tahan. deve-se trabalhar com narrativas ficcionais. companhia. os artigos indefinidos (informação nova) e. ao invés de olhos. Você concluirá. Você notará que há uma contradição entre o que está escrito.zo -´vi . Em seguida. ao invés de unhas. OS VASOS PRECIOSOS Malba Tahan Um príncipe poderoso possuía vinte vasos de porcelana. ao invés de orelhas. onde ficava durante muitas horas a admirá-los. sem querer. enfurecido e inconsolável com a perda do** precioso objeto. por exemplo. zovido. lendo em voz alta as sílabas da frase os ouvidos. isto é. Por isso. ao invés de ouvidos. por exemplo. para ajudar a criança a identificar os artigos indefinidos e definidos. tenha em seu léxico mental. deve-se ser engenhoso em ajudar a criança a identificar tais vocábulos. quando começa a frequentar a escola.

porque. mas. cujo reconhecimento.etc. que são a relação com uma linha real ou imaginária (somente nas minúsculas) e a direção para cima ou para baixo. O príncipe ficou mudo de cólera. é para com a leitura.certinho – A com a. puxou com violência a toalha e os vasos tombaram ao*** chão. estes dezenove vasos poderiam ainda custar a vida a dezenove infelizes.Senhor. Porém. o príncipe compreendeu que todos os vasos do** mundo. o modo como se articulam e o acréscimo de outros traços diferenciais. A sua proposta foi aceita. o mais complexo dos traços que diferenciam as letras entre si. tanto mais deverá ser automatizado durante a aprendizagem e. porque a ênfase. assim. mas antes que ele falasse. nesta etapa.) ABCDEFGHIJKLMNOPQRSTUVWXYZ abcdefghijklmnopqrstuvwxyz  A utilização de uns poucos traços articulados para formar uma letra. Iniciou-se pela letra de imprensa.  Quanto mais baixo o nível de processamento. o sábio tranquilamente explicou: . portanto. uma dada letra). menor o número de traços que compõem o paradigma (lista dos traços que são utilizados) e de cada feixe (no caso. ** contrações de preposições com artigos *** combinação da preposição a com artigo Reconhecimento dos traços que diferenciam as letras (fazer coincidir alta e baixa. . não valiam a vida de um ser humano. para nada sirvo. velho como sou. pois vai de encontro à programação natural dos neurônios para buscar a simetria na informação visual). Aproximando-se. diferenciando-a das demais. como se tivesse enlouquecido. estavam os dezenove vasos enfileirados. apresentou-se no** palácio um velho sábio que se propôs a consertar o vaso de maneira a ficar perfeitamente igual aos*** outros. precisava ver todos juntos. por mais belos e preciosos. dou por estes a minha. em suas formas invariantes. o que caracteriza a utilização dessas formas invariantes na estruturação de um sistema alfabético é o desdobramento em pequenas diferenças. não é privilégio da espécie humana.Nessa ocasião. em pedaços. B com b. Sobre uma mesa coberta com riquíssima toalha. o sábio. Refletindo. para isso. que passo a expor. e para a direita ou para a esquerda (esse último. na fonte predominante em que os textos circulam socialmente. Perdoou o sábio e também ao*** servo desastrado. para não sobrecarregar a memória. * é numeral e não artigo indefinido.  Os traços mais elementares que constituem as letras são as retas e as curvas. se insere nos princípios que governam o processamento da escrita.

ordem: É a das unidades cuja função é referenciar a significação puramente gramatical ou externa. cuja função é distinguir a significação básica das unidades puramente gramaticais ou que se referem à significação externa. para formar cada letra. cuja função é a de realizar um grafema. C e O maiúsculos. cuja função é articular as proposições. 1ª. conforme o contexto gráfico e a variedade sociolinguística. horizontal ou inclinada. H. assim. de modo coerente. ordem: É a ultima. a dos traços que se articulam para formar as letras. L e T. 7ª. já na letra T. ordem: É a dos períodos. conforme exposto a seguir. por exemplo. 3ª. enquanto no H. diferenciando-se apenas pelas relações que estabelecem entre si: L T F E H. esse grafema ainda apresenta outras dificuldades. ordem: É a do grafema. enquanto na letra V. ordem: É a das frases. observamse duas retas inclinadas. abordadas a seguir. 2ª. Articulação dos traços No momento estou tratando das dificuldades com as quais o alfabetizando se defronta para aprender a primeira ordem. por apresentar valores fonológicos diferentes. verbal ou preposicional. entre curvas ou mistas. e de ambos se diferenciarem de L porque esse só possui um traço horizontal na base. e l. variando o local onde os traços menores se colocam em relação ao eixo principal e quantos são. que essas cinco letras maiúsculas articulam exatamente os mesmos traços.  Relações entre os traços numa mesma letra: as relações podem ser entre retas (em qualquer das posições). a única diferença entre E/F está no fato de E ter um traço horizontal a mais na base. pois.  Posição da reta: vertical. numa mesma fonte). F. associado ao fonema que representa e constituído de uma ou duas letras. é a do texto. esses tamanhos nas letras E. Você pode notar que os traços horizontais são sempre menores que os verticais (sempre do mesmo tamanho.  Tamanho da reta. na letra E. as unidades do nível anterior vão sendo estruturadas numa ordem de complexidade e quantidade crescente. como em I. 5ª. cuja função é proposicionar. observam-se uma reta vertical e três horizontais. Já mencionei que os traços mais elementares que constituem as letras são as retas e as curvas. ordem: É de traços articulados simultaneamente e não em cadeia. com função nominal. é o traço horizontal que liga duas retas paralelas bem ao meio. o traço vertical tange bem ao meio o traço horizontal que está no topo. Algumas letras são formadas por um só traço. c e o minúsculos. desdobradas em pequenas diferenças. em torno de uma unidade temática. ordem: É a das orações. cuja função é articular as ideias. observe. Por exemplo. encontra-se um exemplo de relação entre curvas na letra maiúscula S e minúscula s com espelhamento duplo da curva c de cima para baixo e da esquerda para a direita. Compare. o que ocorre mais são as relações . 4ª. 6ª. Em cada nível.

g. p e q. É necessário acrescentar que. Como já afirmado várias vezes. ou. mudam mais rapidamente do que sua contrapartida escrita. em menor escala. que por esta razão estes radicais devamse ensinar fornecendo os nomes de suas letras constituintes. h. p/q (diferença para a direita ou para a esquerda) e entre M/W. nas maiúsculas. o que torna de novo o sistema antieconômico. das quais cada sistema alfabético é dependente. Não significa. com alunos provenientes de ambientes socioculturais muito distintos. daí a grande dificuldade de aprendizagem. e b. ou o inverso. m. ou seja. n. usado para g minúsculo. n/u. a/e. a distância é certamente maior se examinarmos as variedades que são consideradas como não tendo prestígio: em geral. Direção para a direita ou para esquerda. D. em menor grau. f. um léxico mental ortográfico precisa ser fixado de memória. a. como J. Essa diferença é a única que existe entre os seguintes pares: b/d. Uma vez que as línguas. quanto para estar atentos às diferenças fonéticofonológicas e morfológicas relacionadas com o sistema alfabético adotado como única norma. r. existe uma discrepância adicional entre as diferentes variedades sociolinguísticas orais. e para cima ou para baixo (espelhamento): deixei para o final o que constitui a maior dificuldade para o reconhecimento das letras. A variação sociolinguística não afeta as letras que constituem o código escrito. nas minúsculas. uma articulação mais complexa ocorre no estilo Times New Roman. Assim que a grafia dos radicais básicos que estão em desacordo com as regras grafêmico-fonológicas é aprendida. na mesma cidade. entre A/V. contudo. t e u. Não significa. d. j. s/z e f/j. é necessário ter em mente que o código escrito se caracteriza por um estado de inércia maior se comparado com as mudanças diacrônicas mais rápidas que ocorrem nos sistemas orais. mistas: uma pequena curva articulada com o traço vertical (na verdade. a percepção dessa diferença vai de encontro à programação natural dos neurônios para buscar a simetria na informação visual. b/p e d/q (diferença de cima para baixo ou o inverso) e. Variedades sociolinguísticas Em virtude da mobilidade social. P e R. neste caso. que eu esteja aderindo às ideias ingênuas de Bernard Shaw em favor tanto de uma escrita fonética quanto de uma miraculosa transformação . a diferença entre a direção do traço para a esquerda ou para a direita e. a diferença entre a direção do traço de cima para baixo ou o inverso: o espelhamento. o professor se defrontará com alunos provindos das mais diferentes regiões. tanto nos países desenvolvidos quanto nos em desenvolvimento. Embora não exista correspondência biunívoca entre qualquer das variedades sociolinguísticas e a norma escrita. S/Z. outra articulação mista ocorre entre a curva c e a reta. Portanto. os professores não estão preparados tanto para o encaminhamento das disparidades sociolinguísticas individuais. e para cima ou para baixo (espelhamento) conforme as letras: B. são globalmente relacionados ao léxico mental fonológico. o qual deverá abarcar todas as variantes fonéticas de uma dada língua falada. contudo. aparece em letras maiúsculas e minúsculas. algumas relações fonêmico-grafêmicas passam a ser cada vez mais opacas com o passar do tempo e somente as regras de derivação morfológica ficam produtivas para algumas famílias de palavras. seu prolongamento). acrescida de uma das dificuldades maiores no reconhecimento das letras que é a direção para a direita ou para esquerda.

São Paulo: Contexto. indicando como elas se diferenciam entre si.  traços que diferenciam as letras. A diversidade sociolinguística oral é um fato inquestionável em contraposição a um código escrito único para uma dada língua. ocorre reanálise silábica e as fronteiras entre os vocábulos desaparecem. 2) uma atitude ideológica positiva por parte dos professores para com as variedades sociolinguísticas que diferem das supostas normas de prestígio. e ( ) se o segmento final e o inicial dos vocábulos forem idênticos. . (ícone bloco de anotações) Pontos Importantes Os seguintes conteúdos foram abordados no capítulo 8:  o problema da segmentação das palavras e a questão da percepção dos vocábulos átonos.  variedades sociolinguísticas. AVALIAÇÃO DE APRENDIZAGEM 8. em conjunto. 3) professores bem formados. que possam descobrir a forma individual falada pelos estudantes a fim de que.de qualquer My fair lady. São Paulo: UNESP. M. O que seria aconselhável a fim de reduzir as consequências de tais discrepâncias é: 1) a adaptação periódica e gradual dos sistemas ortográficos às mudanças diacrônicas que ocorrem no sistema oral. c ( ) além de terem pouca saliência perceptual. ocorre reanálise silábica e as fronteiras entre os vocábulos desaparecem. Sugestões para reflexão e pesquisa    O que é um vocábulo átono e quais são eles no PB? O que é juntura fechada externa no vocábulo e o que tem a ver com alfabetização? Desenhe os traços primários que constituem as letras e depois os combine para formá-las. b ( ) além de a cadeia da fala ser um contínuo. vocábulos muito frequentes são átonos e são percebidos muito fracamente.  as dificuldades semânticas dos clíticos e a reanálise silábica. Dica Leitura recomendada: MORAIS. 1996. eles construam regras de correspondência fonológico-grafêmica. A Arte de Ler. SOARES. particularmente nas primeiras séries do primeiro grau. d ( ) quando um vocábulo termina por consoante e o seguinte começa por vogal. Alfabetização e letramento. 2006. os vocábulos átonos se referem a noções gramaticais. J. também chamados de clíticos. É difícil separar as palavras na escrita porque: a ( ) a cadeia da fala é um contínuo em que não há silêncio separando as palavras entre si.

O objetivo é fundamentar os professores sobre gradação dos conteúdos. para prevenir o analfabetismo funcional. também chamados de clíticos. busca da significação básica. Este processo se chama descodificação. O processamento da leitura Tratarei de analisar. você compreenderá por que. se sente marginalizado. espinha dorsal para o êxito nas demais disciplinas e para a sua integração numa sociedade letrada: quem não sabe. interpretação e retenção permanente nos esquemas da memória cognitiva. ferramenta indispensável à alfabetização. é necessário ter sido bem alfabetizado. abordei em seguida a dificuldade em reconhecer os traços que diferenciam as letras. construção do sentido no texto e retenção temporária na memória de trabalho. Esta falta de fundamentação tem. acesso lexical. Concluo que uma das razões para o descompasso entre os esforços desenvolvidos e os resultados obtidos é a falta de uma melhor fundamentação sobre o próprio processo da leitura e sobre os princípios que sustentam o sistema de escrita e leitura do português brasileiro. particularmente os que envolvem espelhamento e encerrei o capítulo com a questão das variedades sociolinguísticas. de forma acessível. mas não alcançam o mínimo que seria de esperar: uma média de alunos que saibam ler e produzir os textos adequados à sua fase de desenvolvimento. períodos. cláusulas. movimentos de fixação e sacada para fatiar. Detalharei a fase de reconhecimento dos traços das letras e sua articulação. ler. A leitura e o sistema alfabético do português brasileiro Ícone síntese No capítulo 8. bem como para detectar dificuldades. bem como a reanálise silábica. escolha do material didático e das atividades em sala de aula. Ao final desse capítulo. como se reconhecem as letras que compõem os grafemas e a palavra escrita. para formar os grafemas. (ícone objetivo) No capítulo 9. como reflexo prático no ensino da leitura a impossibilidade e/ou dificuldades para:  entender o processo da leitura. explicando as suas fases: motivação. tratando-se da maior exclusão na sociedade da informação. No afã de obterem melhores resultados em sala de aula. pelo menos. com as respectivas dificuldades semânticas. . com as respectivas retenções temporárias na memória de trabalho.9. articulação dos sentidos nas frases. para atingir o alvo principal da leitura. os professores aderem cheios de esperança a métodos e teorias mais em voga. associados aos valores sonoros e identificação do vocábulo (descodificação). Uma das causas mais importantes do insucesso escolar está nas dificuldades que os alunos enfrentam para se tornarem eficientes em leitura. verifiquei o problema da segmentação das palavras e a questão da percepção dos vocábulos átonos. convertendo-a ao vocábulo tal como estamos acostumados a ouvi-lo. associados aos valores sonoros e identificação do vocábulo (descodificação). pelo menos. pré-leitura. reconhecimento dos traços das letras e sua articulação. para formar os grafemas. abordarei o processamento da leitura pelo leitor já alfabetizado. parágrafos e texto.

a fim de generalizar a experiência. Quando o indivíduo já está alfabetizado. 2o. as palavras-chave e assim por diante. Quando a criança vem à escola. os títulos. se puxarmos o esquema dentes ou construção que liga duas margens. assim. estabelecer a gradação dos conteúdos e respectivas atividades e/ou exercícios. receita de bolo. banho. entre as quais se incluem narrativas fictícias (histórias). história em quadrinhos. sentindo gosto pela leitura e descobrindo os universos proporcionados pelo texto escrito. notícia de jornal. bairro e assim por diante. 1o. Deve ficar bem claro que o reconhecimento das letras e os valores atribuídos aos grafemas para reconhecer a palavra escrita (descodificação) é apenas um passo. determina o sentido atribuído à palavra ponte. impedindo-o de fazer uma leitura fluente e. nossos olhos não abarcam uma linha inteira. desde os nomes das disciplinas. como. as orelhas dos livros. família. roteiros ou marcos. Motivação Determina qual o texto a ser lido. chamada fóvea central. no processo da leitura. temos conhecimentos estruturados em nossa memória. detectar onde estão as dificuldades mais importantes do aluno. 3o. de construir o sentido de uma frase e. em virtude das limitações de a única parte da retina. Movimentos de fixação e sacada para fatiar São os movimentos controlados pelos dois colícolos superiores. situados abaixo do tálamo e rodeados pela glândula pineal do mesencéfalo. principalmente. rica em células fotorreceptoras. cujo objetivo é chegar à compreensão e interpretação do texto e consequente internalização dos conteúdos para ampliação e aprofundamento do conhecimento. refeições (várias). através da leitura. etc. avaliar as razões do progresso. a seguir. que ficará ativado na memória de trabalho. não fixa o olhar só numa letra: conforme você já viu. mesmo as crianças bem pequenas. A criança que venceu a batalha de se alfabetizar pode se tornar um leitor fluente. Uma das principais funções da escola é ampliar e aprofundar tais esquemas ou universos. descobrir qual a finalidade das atividades e/ou exercícios desenvolvidos em sala de aula (exemplificarei no decorrer do capítulo). ordenar as prioridades a serem atacadas em leitura. novela policial. brinquedos (vários). Você conhecera. subtítulos. poesia. os processos envolvidos na leitura (alguns ocorrem simultaneamente em virtude do processamento em paralelo). Há muitos sinalizadores para a préleitura nos textos.      analisar e selecionar o material pedagógico a ser utilizado em sala de aula. Todos nós. as sinopses de livros. consequentemente. Por exemplo. por exemplo. bem como narrativas sobre suas experiências passadas ou narradas. realmente útil para a leitura. que podem ser denominados de esquemas. já tem em sua memória esquemas como. para elaboração do sentido adequado às palavras do texto. seção de anúncios de emprego. na frase A ponte quebrou. o que ocorre. O leitor não tropeçará diante de grafemas cujos valores não internalizou. as seções que ocupam num jornal ou revista. os . vestuário. embora necessário. casa. capítulo de uma disciplina. os resumos. Pré-leitura Determina a seleção do esquema mental. do texto.

associados aos valores sonoros e identificar a palavra escrita (descodificação). decompondo os sinais luminosos em miríades de pontos que. outra grande economia no reconhecimento e identificação das letras. a fóvea consegue abarcar 3 ou 4 letras à esquerda do centro do olhar. fundamentalmente. como. por exemplo. principalmente graças à informação textual e. estão organizadas em campos semânticos. todo usuário de uma dada língua possui a memória semântica. Se ocorrer a primeira hipótese. horizontais ou inclinados com porções de círculos. 7º. entre para a direita ou esquerda ou entre para baixo ou para cima. metaforicamente. Este reconhecimento permite formar os grafemas. em movimentos de sacada (quatro ou cinco por segundo). só depois da recomposição em formas invariantes que possam emparelhar com as dos respectivos neurônios. tem-se o emparelhamento com uma forma conhecida e passa-se para a etapa seguinte que é a busca da significação básica atribuída pelo grupo social. O reconhecimento das letras é possível porque se percebe a combinação de traços verticais. na região occipitotemporal ventral esquerda. conforme é óbvio. 5o. o leitor terá que construir o sentido. atribuídas pelo grupo social ao qual o indivíduo pertence. Decorar o nome das letras não tem nada a ver com descodificação.cones. cruzando as informações advindas do texto com os conhecimentos prévios estruturados em sua memória enciclopédica: é o momento mais criativo do ato de ler. a rigor. às frases e ao texto No entanto. e 7 ou 8 à direita. os chamados textos matracas. chamei de píxeis e. na qual as significações básicas. Acesso lexical Depois de reconhecida a palavra na região occipitotemporal ventral esquerda. Caso seja uma palavra nova. em relação a uma linha real ou imaginária. se você substituir o b de bola por m. 6º. quando não vemos nada. 4o. e param num ponto. Sendo assim. Busca da significação básica Além do dicionário mental (rol de significantes). Um grafema é formado por uma ou mais letras. De tais reconhecimentos. É esta memória semântica que. conforme já examinado. posteriormente. no PB. possibilitará a intercompreensão entre os membros de uma mesma comunidade linguística. ou o leitor a está vendo pela primeira vez. conforme você verificou no capítulo 8. ainda. Em decorrência. integrar a palavra nova ao dicionário mental. sempre em aberto para recobrir novos sentidos. Atribuição do sentido às palavras. nossos olhos correm pela linha. Há duas possibilidades: ou a palavra é conhecida e está registrada no dicionário mental fonológico. como o grafema p. não ocorrerá aprendizagem se os valores dos grafemas forem ensinados fora de um texto ou se este for um mero pretexto. são enviadas para a área especializada. nos sistemas com direção da esquerda para a direita. ocorre o acesso lexical. cabe ao leitor o ônus de construir os novos sentidos. A função dos grafemas é distinguir significados básicos. quando. ocupar apenas 15º do campo visual. ou nh. sendo o mais difícil dos traços aquele que permite identificar a diferença de direção nas letras espelhadas. Reconhecimento dos traços das letras e sua articulação. a região occipitotemporal ventral esquerda: tal processamento dura aproximadamente 50 milissegundos. A direção destas combinações permite. inlusive espaços. não considero texto. A explosão de conhecimentos desde o início do século XX determinou a atribuição de novos sentidos às palavras em curso. Por . decorre o da palavra escrita (descodificação). não existe uma etiqueta lexical para cada uma de nossas experiências. que. a fixação. Por isso.

Dos pontos referidos acima. Os conhecimentos anteriores tanto podem decorrer da experiência direta. O alfabeto da língua portuguesa compõe-se de 26 letras que. no capítulo 9. quando tivermos algum conhecimento prévio sobre o assunto (ou seja. mas é fácil concluir que a diversidade e complexidade maior dos conhecimentos advêm das leituras. também. 8o.inferências. Essa é a fase em que os alunos brasileiros de 15 anos têm-se saído pior nos testes do PISA e nos demais testes aplicados pelo MEC. Por isto. quanto dos advindos de textos orais e escritos. incluindo-se aí o posicionamento crítico. sozinhas ou combinadas e com alguns acentos gráficos. ao mesmo tempo em que sugerirei as suas repercussões pedagógicas. eles são articulados no sentido da frase. um esquema). representam os fonemas. os princípios do sistema alfabético do português brasileiro. A retenção Consiste em incorporar de forma estruturada os conhecimentos adquiridos na leitura de um texto à memória permanente. O que estou afirmando não se refere ao texto poético. repetidas. mesmo que bem alfabetizados. períodos e texto sejam processados. aprofundando e ampliando os esquemas cognitivos. os textos informativos devem ampliar e aprofundar os conhecimentos que ela já possui. O sistema alfabético do português O sistema de leitura e escrita da língua portuguesa é o alfabético. Ícone dicionário: Buffer: É uma estação onde provisoriamente é armazenado o resultado do processamento de um item na memória de trabalho. Se o indivíduo não for bem alfabetizado. Convém ressaltar alguns aspectos importantes no processamento da leitura: só somos capazes de entender um texto. particularmente na atribuição dos valores aos grafemas. não perdem o interesse. como uma Certidão de Nascimento. Depois de atribuídos os sentidos às palavras. me deterei no item 4. o leitor depreende o novo sentido da palavra. às histórias infantis que. cláusulas. em virtude das peculiaridades do prazer estético. Há línguas que utilizam o sistema silábico. Por outro lado. A interpretação A interpretação do texto decorre do cruzamento de vários conhecimentos anteriores com o que se colheu do texto. ficando provisoriamente armazenado. tropeçará no reconhecimento da palavra sem poder construir seu sentido. outras que utilizam primordialmente signos que representam uma ideia (é esse. til e cedilha. desenvolvendo. não se podem dar para a criança textos para ler sobre temas totalmente desconhecidos para ela. a não ser por adivinhação: de qualquer forma o reconhecimento tem que ser fluente. que se mede pela rede estruturada de significados que a ele se referem. até que possa ser articulado ao resultado do processamento do item seguinte. repetindo-se o processo para se chegar à compreensão de todo texto. até que todas as frases. 9o. porque o tempo de armazenagem dos sentidos na memória de trabalho (working memory) é muito curto. A evolução para o estabelecimento das normas do sistema alfabético do português foi historiada no capítulo 4 do livro Princípios do sistema alfabético do português . alocado no buffer da memória de trabalho. em linguagem acessível. o utilizado no sistema numérico).

ferramenta indispensável à alfabetização. reconhecimento dos traços das letras e sua articulação.brasileiro. em 2009.  Uma aula sobre o mesencéfalo: <http://videoaulas. . para formar os grafemas. articulação dos sentidos nas frases. parágrafos e texto.  a fase de reconhecimento dos traços das letras e sua articulação. ao qual será acrescido o Novo Acordo Ortográfico que entrou em vigor. associados aos valores sonoros e identificação do vocábulo. d ( ) só é eficiente se o leitor não titubear diante de cada palavra nova. pré-leitura. c ( ) pressupõe que o leitor tenha algum conhecimento prévio sobre o que vai ler.uff.. acesso lexical. de Scliar-Cabral (2003c). construção do sentido no texto e retenção temporária na memória de trabalho. interpretação e retenção permanente nos esquemas da memória cognitiva.. busca da significação básica.thefreedictionary. movimentos de fixação e sacada para fatiar.  as fases envolvidas: motivação. Sugestões para reflexão e pesquisa  Por que a leitura não começa do texto em direção a suas partes constituintes?  O que é memória de trabalho?  Como se ampliam os esquemas cognitivos? AVALIAÇÃO DE APRENDIZAGEM 9. períodos. no Brasil. de forma detalhada. associados aos valores sonoros e identificação do vocábulo (descodificação). O processamento da leitura: a ( ) não se restringe à decodificação.com/central+fovea+of+retina> (ícone bloco de anotações) Pontos Importantes Os seguintes conteúdos foram abordados no capítulo 9:  o processamento da leitura. cláusulas. DICA Acesse os seguintes sites para visualizar. para formar os grafemas. b ( ) vai desde a motivação até a retenção da informação na memória permanente e ao posicionamento crítico. com as respectivas retenções temporárias na memória de trabalho.br/neuroanatomia-mesenc%C3%A9falo>  Explicações sobre a fóvea central: <http://medical-dictionary. e ( ) aciona várias regiões do cérebro em paralelo.

cláusulas. tratarei dos critérios para a introdução dos grafemas. Os sons para a realização de um mesmo fonema são muito diferentes. além de rever a diferença entre sons da fala e fonema. escrito entre barras / /. e terá ideias para enriquecer suas atividades em sala de aula. articulação dos sentidos nas frases. se depois de /maR/ vier na mesma frase uma palavra iniciada por vogal. na leitura. além disto. com as respectivas retenções temporárias na memória de trabalho. fonemas e grafemas Um fonema. como pelo carioca. (ícone objetivo) No capítulo 10. exemplificados com aplicações pedagógicas. representados por uma ou duas letras. escritos entre colchetes [ ]. do grupo social ao qual pertence e também da posição que ocupa na frase. associados aos valores sonoros e identificação do vocábulo (descodificação). O fonema /R/ em /maR/. começarei por revisar a definição de fonema. reconhecimento dos traços das letras e sua articulação. vinda logo a seguir. como na variedade caipira. interpretação e retenção permanente nos esquemas da memória cognitiva. como um feixe de traços distintivos. é uma classe de sons. necessária à compreensão da relação com o respectivo grafema. como os fonemas /m/ e /b/ em /´mala/ e /´bala/. a seguir. Jakobson (1949). você compreenderá os critérios que devem nortear a ordem de apresentação dos grafemas. ferramenta indispensável à alfabetização. ocorre uma modificação na distribuição das sílabas: [´ma´|aWtu] (pronúncia carioca) de mar alto. abordei o processamento da leitura. além da já mencionada definição de R. Ao final desse capítulo. períodos. explicando as suas fases: motivação. construção do sentido no texto e retenção temporária na memória de trabalho. associados aos valores sonoros e identificação do vocábulo (descodificação). busca da significação básica. na transcrição entre barras ou colchetes se refere à sílaba de maior intensidade. . pode ser pronunciado com o dorso da língua contra o véu do paladar [max]. dependendo da região de quem fala. pode ser pronunciado com muitas batidas da ponta da língua contra a face interna dos alvéolos. Observe que o apóstrofo. movimentos de fixação e sacada para fatiar. Detalhei a fase de reconhecimento dos traços das letras e sua articulação. no final de uma sentença. Porém. como /´aWtu/  alto. O fonema serve para distinguir o significado básico entre as palavras. já se pronuncia com uma só batida da língua contra a face interna dos alvéolos e. Critérios para a introdução dos grafemas (ícone síntese) No capítulo 9. pré-leitura. acesso lexical. pode ser pronunciado com a ponta da língua voltada para o céu da boca. como na fronteira do Rio Grande do Sul [mar]. para formar os grafemas. parágrafos e texto.10. para formar os grafemas. Diferença entre fonema e sons da fala.

n e obterá novas palavras. tomei a decisão de introduzi-las por sílabas. só existem 26 letras. o professor pode usar as palavras vela e/ou mela. representam os fonemas. uma letra para cada som. enquanto existe uma variedade muito grande de sons. pois os grafemas que os representam têm seus valores determinados pelo contexto grafêmico. letras em espelho. ou seja. a nível consciente. como não é o caso das menos contínuas. para representar a língua portuguesa escrita. por outro. também poderá substituir as vogais e obter . porém. É por isto que a criança. por se diferenciarem entre si apenas pela direção do semicírculo para a direita ou para a esquerda. que no caso também é um grafema. um e apenas um grafema representa o mesmo fonema e um e apenas um fonema é representado sempre pelo mesmo grafema. A utilização dos sistemas alfabéticos se. z. constitui uma grande dificuldade quando o indivíduo vai se alfabetizar. depois de descobrir a diferença entre o desenho e a escrita. Os fonemas /k/ e /g/ apresentam outro problema. se o professor usar fichas para cada letra. passa. sem apoio de uma vogal. antes de /i/ ou /j/. isto é. por um lado. Assim. os grafemas. isto é. como é o caso de V  /v/ e não é o caso de s. passa por uma fase em que escreve uma porção de símbolos sem espaços entre si. então. A noção de recorte ou de segmentação é fundamental na iniciação aos sistemas alfabéticos: é preciso que a criança se dê conta de que aquilo que ela percebe como um todo. porque consegue. Como exemplo. o fonema representado pelo grafema não apresenta variantes determinadas pelo contexto fonético. ou do grafema g. começando pelo grafema T t. como é o caso de /R/. como é o caso de /d/ e /t/.  ser biunívoco. porque ele percebe a sua fala como um contínuo. como é o caso de b e d. nem variantes determinadas pelas variedades sociolinguísticas. como é caso de p e b. depois. das oclusivas: no caso delas. e estas em pedacinhos menores ainda (não é possível falar em fonemas para uma criança pequena) que são representados por uma ou duas letras. ou duas letras. Além disto. que representa o fonema /t/. A dificuldade maior está em compreender que uma ou mais letras não se referem a uma sílaba (a não ser quando ela é constituída de uma só vogal) e sim a uma unidade menor. a atribuir um símbolo para cada sílaba. em relação à haste. ou entre para cima ou para baixo.Não existe. representa uma grande economia. as palavras. Critérios para a introdução dos grafemas Os critérios para a escolha da ordem de complexidade crescente em que são introduzidos os grafemas são:  simplicidade dos traços que compõem a(s) letra(s): por exemplo. dividir a cadeia da fala em sílabas. porque elas não podem ser pronunciadas sozinhas.  representar um fonema cuja realização pode ser articulada sozinha. conforme exaustivamente examinado no capítulo 6. porque p. b e d ainda apresentam uma dificuldade a mais. sendo iguais na maiúscula e minúscula. Esta dificuldade em desmembrar uma sílaba a nível consciente é maior quando na sílaba entram as oclusivas /p t k b d g/. pois cada uma de suas unidades pode ser pronunciada sozinha. que não escrevemos do mesmo jeito que falamos. pode pedir às crianças que substituam a primeira letra por (mostrando a ficha sem dizer o nome da letra e emitindo seu valor sonoro) s.  É preciso compreender e explicar aos iniciantes e mesmo em anos mais adiantados. como um bololó vai ser dividido em pedaços menores. Uma.

nela. Faça depois um jogo para ver quem consegue formar mais palavras. sobre a qual tratei no capítulo 6. pois são sete vogais orais e cinco nasalizadas. substituindo as fichas de modo a formar novas palavras. /a/.Agora vamos fazer uma experiência. mas NÃO ensine às crianças que no português existem cinco vogais. mola. /E/. Escreva as palavras na lousa. pois aí já haverá bastante variação. vala. como mela. e dirija-se para a primeira dupla: . que você irá ensinando aos poucos como são representadas. Uma variante deste exercício é brincar de entrevista na televisão. neste exercício não se utilizam os grafemas quando representam as oclusivas. as gravações e comente com os alunos as variações e a necessidade de respeitar as diferenças: nunca ridicularizar. Os alunos em sala de aula não falam todos do mesmo jeito. Portanto. mula. Observe que um dos princípios do Sistema Scliar de Alfabetização é não alfabetizar pelo nome das letras e sim por seus valores. zela. como está no exemplo). no mínimo. Este trabalho de conscientização resulta no desenvolvimento de uma das capacidades que é chamada consciência fonológica. Como as palavras não são usadas sozinhas. peça para as crianças formarem sobre sua carteira a palavra vela. À medida que for escrevendo cada letra. Vamos ver como isto acontece? Ligue o gravador. /l/. (nome do aluno). Mudando uma pela outra. como foi o final de semana? Perceba que evitei o tratamento. Mudando uma pela outra. sela. em coluna (em letra de imprensa. de imprensa). Isto é bastante difícil para a criança no começo. Na prática Exercício “Pedacinhos” As palavras são formadas por pedacinhos representados por letras. muda o significado. muda o significado. Material: Cada criança deverá ter uma caixa contendo fichas com as letras do alfabeto (minúscula. vila etc. depois. ele deverá ler o que produziu. .. formando uma frase. A cada uma das palavras produzidas pelo aluno.. A seguir. A função desta atividade é demonstrar que as palavras são formadas por pedacinhos representados por letras. O Brasil é muito grande e foi formado por muitas culturas diferentes: nós respeitamos todos e também sua maneira de falar. Gravar um pequeno diálogo entre cada dupla de alunos exemplifica esta noção. muito importante na aprendizagem da leitura e da escrita. Comando: . Assim como cada um tem o seu nome. Exercício Respeitar a forma de falar de cada um. como em vela e /e/ como em mesa. dois fonemas /E/. Material: Gravador e fita cassete. Comando: Escreva na lousa a palavra vela (em letra de imprensa minúscula. mala. Peça para as crianças contarem uma pequena história sobre bolo de aniversário: cada criança pode contribuir com uma frase. vale. é necessário que as crianças construam oralmente frases com elas. pedindo a ela para apagar as velas. O professor pode comemorar o aniversário de uma criança.. com as fichas. minúscula). Observe que a letra e pode representar. Examine. pronuncie o som do fonema que ela representa: /v/. Assim.vila. vala. aponta-se para a letra e se emite o respectivo som que ela representa. cada um tem o seu jeito de falar.

 diferença entre sons da fala e fonema. (bloco de anotações) Sugestões para reflexão e pesquisa  Por que a escola é um dos espaços ideais para ensinar o respeito à diversidade sociolinguística? . quando você pode começar a ensinar o primeiro uso da maiúscula. Material: Fita gravada com as falas dos alunos. que há outras palavras que servem para introduzir a informação nova e assinalar o que já foi dito (artigos). Explique como a substituição de uma palavra pode alterar todo o sentido da frase. Eu falo [u´zOLus]. a questão da variação social e geográfica. a criança deverá aprender a colocar espaço entre o artigo e o substantivo e a colocar um s no final: os olhos. inclusive com o ensino inteligente das funções que os vocábulos átonos têm. tocando a fita. depois. aqui. Exercício de Separação Material: A primeira frase que foi gravada e que você escreveu na lousa. Por exemplo. sentindo. Além disto. Suponhamos que a frase tenha sido: Sábado. Comando: . Mostre a seguir que a pessoa que fala usa eu e para a pessoa com quem falamos se usa tu ou você (pronomes pessoais). mas pode ser que muitos de seus alunos digam [u´zOjju]: neste último caso. numa brincadeira. as palavras são separadas entre si por espaços em branco e.Exercício “Diferenças entre escrita e fala” Apesar das variações na fala. critérios para a introdução dos grafemas exemplificados com aplicações pedagógicas. querendo. Mostre. o sistema da escrita é um só em todo território nacional: professor e aluno devem trabalhar juntos para aprender como se faz a ponte entre a fala e a escrita. pouco a pouco. Vamos começar substituindo a primeira palavra: Sábado. (verbos) conforme o que estiver na frase. Explique. como as palavras são separadas entre si. sobre as palavras que representam “coisas” (explicação provisória para substantivos) e aquelas que representam o que se está fazendo. Escreva em letra de imprensa minúscula. mostre. mas na escrita é preciso separá-los. Mostre. falamos [´n«]w] e escrevemos não. foram examinados os seguintes conteúdos:  revisão da definição de fonema. pensando. a seguir. (ícone bloco de anotações) Pontos importantes (resumo) No capítulo 10. obrigando a modificá-la. Quando você explicar os artigos. etc. Eu vou escrever na lousa a primeira frase.  a seguir. as letras também estão separadas. que é a mais empregada no material que as crianças vão ler. conforme examinei em Os vasos preciosos de Malba Tahan. um bololó. com exceção da primeira letra.Agora. nós vamos ouvir uma das falas de vocês. Na escrita. ao nível da criança. ou como chamo. que eles são muito fraquinhos e por isto ficam dependurados nos nomes. a cadeia da fala é um contínuo. eu fui pescar com o papai. Comando: -Vamos fazer uma brincadeira de substituir palavras para ver o que acontece. na letra de imprensa. Explique.

Não é o caso das menos contínuas.  Representa um fonema cuja realização pode ser articulada sozinha. O o. que coincide com a mesma letra. portanto. b ( ) o material didático deve ser cuidadosamente elaborado. Foram expostos os critérios que norteiam a ordem de apresentação dos grafemas. sendo iguais na maiúscula e minúscula. você terá uma noção clara de como se aplicam os fundamentos que sustentam as atividades de alfabetização e as estratégias a serem desenvolvidas no seu ensino-aprendizagem. novamente. com os quais você terá ideias para enriquecer suas atividades em sala de aula. para atingir os alvos do ensino-aprendizagem. S s. tratei dos critérios para a introdução dos grafemas exemplificados com aplicações pedagógicas. antes da leitura. revisei a definição de fonema.  Simplicidade dos traços que compõem a sua letra. além de rever a diferença entre sons da fala e fonema. O ensino-aprendizagem dos grafemas na alfabetização para a leitura deve partir do pressuposto de que: a ( ) a criança descobre sozinha os princípios do sistema alfabético do PB e. Ao final do capítulo 11. necessária à compreensão da relação com o respectivo grafema. Detalharei os fundamentos e objetivos de cada atividade das unidades de Sistema Scliar de Alfabetização – Roteiros para o professor: 1º Ano. que examinarei logo a seguir. O mesmo não ocorre com os grafemas O o. c ( ) a melhor ordem de apresentação é a alfabética. da biunivocidade). . W w. isto é. X x e W w. mas os respectivos grafemas não preenchem os critérios 3 e 4. 11. pois o professor deve conhecêlos. Por que o grafema V v foi escolhido como o primeiro a ser ensinado O grafema V v foi o primeiro grafema a ser ensinado porque preenche vários critérios que facilitam o aprendizado. das oclusivas. na leitura. S s.  O que significa a simplicidade dos traços que compõem a(s) letra(s)? O que significa um grafema biunívoco? AVALIAÇÃO DE APRENDIZAGEM 10. representados por uma ou duas letras. o material didático em sala é desnecessário. bem como as atividades pedagógicas em sala de aula. (ícone objetivo) O primeiro grafema a ser ensinado é o grafema V. mas. como é o caso de C c. Como escolher o grafema para as atividades de ensino-aprendizagem Icone síntese No capítulo 10. há outras letras que apresentam essa característica. d ( ) é necessário começar pela escrita. a seguir. quatro dos cinco grafemas acima mencionados representam fonemas cuja realização pode ser articulada sozinha. e ( ) deve-se começar pela letra A e terminar na letra Z. X x. enquanto o grafema V v sempre representa o fonema /v/ e a recíproca também é verdadeira (próximo critério. ambos baseados nas descobertas mais recentes da ciência.

W w. pois os esquemas narrativos permitem reportar sobre episódios e eventos ausentes do espaço e tempo dos interlocutores. foi obrigatório também introduzir as vogais. Poderão. que é uma das propriedades da comunicação escrita: o esquema narrativo é constituído de episódios e estes de eventos. Hora da novidade É a primeira atividade do dia e tem a função de desenvolver os esquemas narrativos. Na respectiva unidade. constituído pela introdução dos personagens e pela descrição do tempo e espaço onde ocorre. Estes são os quatro pontos que justificam a escolha deste grafema para introduzir o processo de alfabetização. parecer maçantes tais comandos. Palavras dentro de um texto: a categoria da expectativa A aprendizagem do reconhecimento das letras que constituem os grafemas. embora de grande complexidade. cada episódio é introduzido por um cenário explícito ou implícito. se o texto despertar o gosto pela leitura na criança. isto é. . V v. a letra integra uma palavra. o reconhecimento da letra que realiza o grafema ocorre acompanhando o traçado com o indicador. por seu turno. além do grafema prioritário que está sendo trabalhado. com a emissão do respectivo som que realiza o fonema. que. só será possível se as palavras fizerem parte de um texto com sentido para a criança e. X x. essenciais para a competência em leitura e escrita. sem as quais não é possível construir palavras no português brasileiro (PB). S s. como é o caso de /o/. ao contrário de outras propostas semelhantes. inclusive do aparelho fonador. com a função de distinguir significados. Eis por que. para estimular a concentração e as percepções sensóriomotoras da criança. com o objetivo de ensinar os neurônios a dissimetrizar. nem fenômenos determinados pelas variedades sociolinguísticas. Essa estratégia foi adotada porque estou convicta de que a aprendizagem só ocorrerá se as unidades traçadas tiverem a função de distinguir significados. um e apenas um grafema representa o mesmo fonema e um e apenas um fonema é representado sempre pelo mesmo grafema. Multissensoriedade com a função de distinguir significados Seguindo o preceito de Montessori de educar pelos sentidos e pelo movimento. O o. mais ainda. às vezes. Cumpre observar. associados aos seus respectivos fonemas. O fonema representado pelo grafema não apresenta variantes determinadas pelo contexto fonético.É biunívoco. serão detalhados os comandos que o professor deverá ler para os alunos. como é o caso de V/v/ e não é o caso de C c. cujas letras também terão seu traçado acompanhado. relacionados entre si por nexos de causalidade que permitem a progressão narrativa. porém. ao mesmo tempo em que o som que realiza o fonema é emitido pela criança. mas eles foram cuidadosamente estudados para a fixação da direção dos traços das letras. Preceitos científicos aplicados à organização das atividades Confira algumas atividades que podem e devem ser utilizadas para auxiliar o processo de alfbetização.

com expressividade. uma notícia. Essa atividade tem por principal objetivo a identificação dos substantivos. A cada capítulo da história. adjetivos. A educação integral privilegia o indivíduo como um todo: os aspectos cognitivos. batendo palmas na sílaba mais forte. A atividade principal prevista para tal fim é convidar os avós e/ou outros familiares das crianças para contarem histórias que farão parte de um livro a ser divulgado num blog ou site que a escola deverá abrir na internet e/ou a ser publicado pela comunidade. ou sobre a mesa. teatro. professor. . As crianças terão ao seu dispor uma caixinha ou envelope onde está escrito o nome da Unidade em estudo e o número do exercício. criei uma história. Trabalhando com gêneros e desenvolvendo a educação integrada Antes de encerrar a aula. afetivos. artes plásticas. A aprendizagem da codificação é contemplada por ditados de textos coerentes com cada unidade. com personagens com os quais a criança poderá se identificar. verbos e advérbios em negrito no texto. Tal atividade consiste em. se a escola dispuser de computadores. contendo muitas fichas com as letras que está aprendendo e as anteriores que já estudou. acompanhada de gesto) a serem lidas em coro. Ao trabalhar o reconhecimento dos substantivos. criação literária e esportes. visando à educação integral da criança. em contraste com os vocábulos átonos. físicos. não se descurando as ecológicas.Por esse motivo. história essa em capítulos. criando na criança a expectativa do que virá a seguir. Percepção do contraste entre as sílabas mais intensas e átonas no vocábulo e na frase O reconhecimento da palavra escrita sempre será acompanhado da verificação da sílaba mais forte em contraste com a(s) mais fraca(s). Educação integrada Convocar a família e a comunidade para prevenir o analfabetismo funcional é uma das propostas desse projeto. seguidas ou não de s (os mais frequentes do português. o professor deve sempre ler e comentar para os alunos algum texto. até se chegar ao ponto em que todos os grafemas e as respectivas letras que os compõem já foram aprendidos. após ter emitido os sons ao acompanhar o traçado das letras que constituem as palavras. pois precisará demonstrar que compreende o que escreveu. música. por toda a turma. um anúncio. as crianças poderão aprender a compor seus textos digitando. sociais e estéticos são contemplados de forma harmônica e relacionada. com exceção das palavras em negrito (antes das quais você fará uma breve pausa. o. Educação integral Em quase todas as unidades do Curso haverá atividades de matemática. O texto deverá ser lido por você. você também está preparando o aluno para escrever esses últimos separados do vocábulo ao qual vêm grudados na fala. as palavras em negrito vão aumentando. adjetivos. verbos e advérbios terminados pelas letras e. salvo os vocábulos átonos) sem acento gráfico. Atividade de escrita ao nível da criança Como a criança ainda não sabe manuscrever (atividade bem mais complexa que a leitura) utilizam-se fichas móveis. que têm sílaba mais forte. repeti-las. a. percorrendo os vários gêneros: uma história. É fundamental que a criança leia os textos produzidos. com as quais montará frases e depois as lerá para os colegas. um poema. o mesmo ocorrendo na frase. igualmente realizados com fichas móveis. No entanto. que devem ser lidos como paroxítonos.

com apoio em músicas. Aprender brincando Foram previstas muitas atividades lúdicas para todas as unidades. uma anedota. emocionais. testar com um grupo de crianças. a partir de sua realidade. anedotas. selecionar palavras para criar um banco de palavras que atendam ao conteúdo do jogo: neste caso. redigir as regras do jogo com bastante clareza. que coincide com a mesma letra. apresento algumas recomendações que focam o que é necessário para preparar um jogo:          definir o objetivo que se pretende alcançar com o jogo. pois estes são mais facilmente materializados em imagens. rever os aspectos problemáticos. ou carteira de identidade. cognitivas. A riquíssima literatura infantil em português e a leitura expressiva pelo professor devem estar sempre disponíveis em atividades diárias. contribuiu com grande parte desse material. Para auxiliar. organizar a caixa com o jogo e a regra. foram apresentados os conteúdos a seguir:  o primeiro grafema a ser ensinado é o grafema V.um aviso. se o teste não for favorável. A produção de jogos não é algo simples. O papel do professor é o de mediador.  como se aplicam os fundamentos que sustentam atividades de alfabetização. pois requer que o professor leve em consideração uma série de aspectos. uma reportagem. daí a importância de trabalhar com elementos concretos. permitindo que o professor. um texto de outra disciplina. facilidades). (ícone bloco de anotações) Pontos imortantes No capítulo 11. conhecimento prévio. letras de canções. a cada unidade do material o professor deverá levar em conta a palavra motivadora e o banco de palavras ali sugerido. uma carta. especialmente jogos e brincadeiras. estéticas e sociais. se for favorável. conhecer a regra contextual ou a situação que pretende se focar no jogo.  fundamentos e objetivos de cada atividade das unidades do livro Sistema Scliar de Alfabetização – Roteiros para o professor: 1º Ano. A Dra. que vem se especializando na área. Trabalhar com gêneros não significa impor à criança aqueles sem nenhum interesse ou função para ela como sua certidão de nascimento. possa criar novos materiais. Reproduzo as sugestões da Dra. é jogar e aprender”. Heinig: “A proposta é mesmo a de sugerir. respeitando a inserção das letras no processo de aprendizagem conforme definido no material. Otilia Lizete de Oliveira Martins Heinig. uma crônica. poesias e assim por diante. jogos e brincadeiras do repertório infantil. que possibilitem a reflexão sobre a organização do sistema alfabético. pois o objetivo é que a criança jogue com seu grupo. levar em conta o sujeito aprendiz (idade. adivinhas. como narrativas. é preciso também verificar a cronologia do trabalho. . histórias em quadrinhos. selecionar imagens compatíveis. e sim aqueles que atendam suas necessidades lúdicas. instruções de jogos. provocando a reflexão sobre a organização do sistema escrito.

praticamente. 12. Até o Novo Acordo Ortográfico. x. o. porque o sistema de escrita adotado é alfabético e um dos mais transparentes. Quadro fonêmico das consoantes e das vogais do PB (ícone síntese) No capítulo anterior você descobriu porque o primeiro grafema a ser ensinado é o V. Com o Novo Acordo. no caso de não havê-la. b ( ) reforçar a aprendizagem. um e apenas um grafema representa o mesmo fonema e um e apenas um fonema é representado sempre pelo mesmo grafema. ou. isto é. Por que você deve entender o sistema fonológico do PB? Todos os que trabalham com alfabetização devem conhecer o sistema fonológico do português brasileiro. d ( ) ensinar os neurônios a reconhecerem as letras. serve para: a ( ) fixar a direção dos traços que diferenciam uma letra da outra. deixaram de ser previsíveis os valores dos grafemas ei e oi em vocábulos paroxítonos e . associando um grafema ao fonema. que passou à vigência no Brasil em 2008.  Como trabalhar com gêneros nas séries iniciais? AVALIAÇÃO DE APRENDIZAGEM 11. e ( ) ensinar que. Também foi apresentado aos fundamentos e objetivos de cada atividade que constituem o Sistema Scliar de Alfabetização – Roteiros para o professor: 1º Ano. estratégias a serem desenvolvidas no ensino-aprendizagem. O que significa transparência? Quanto mais transparente o sistema. como é o caso de V  /v/. c ( ) associar o grafema ao fonema que ele representa. de forma sistemática. todos os valores dos grafemas eram previsíveis. associando vários canais de entrada. estamos lidando com unidades que distinguem o significado. a maior parte dos valores dos grafemas pode ser previsível. particularmente para a leitura. (bloco de anotações) Sugestões para reflexão e pesquisa  Quais os critérios a serem seguidos na gradação do ensino-aprendizagem dos grafemas?  O que é um grafema biunívoco? Dê exemplos.Também verificou algumas das estratégias que podem e devem ser utilizadas no processo de ensino-aprenndizagem. ao mesmo tempo emitindo o som correspondente ao valor do grafema. com exceção de alguns valores dos grafemas e. Percorrer a letra com o indicador. (Ícone objetivo) Neste capitulo você verá. Também se debruçará sobre a definição dos rótulos conferidos aos traços que distinguem as consoantes e as vogais entre si e fará umarevisão do conceito de fonema. o quadro fonêmico das consoantes e das vogais do português brasileiro (PB). tanto mais existe biunivocidade.

pelo símbolo R. (1975). referente à variedade carioca descrita por Lopez. Já que o Sistema Scliar de Alfabetização adota como um de seus fundamentos que uma ou duas letras (os grafemas) devam ser ensinadas por seus valores e não por seu nome. exemplos e termos comparativos. cont = contínuas. Neste quadro. Desdobramento das abreviaturas: cor = coronais. com acréscimo das vogais nasalizadas.. Quadro fonêmico das consoantes do PB +ant +ant -ant -cor +cor +cor (labiais) (anteriores) +obstruinte -cont (oclusivas) +cont (fricativas) -Obstruinte +nasal (+vocálico) +lateral -lateral -cons (semivogais) -son (surdas) +son p b t d -son +son f v m s z n -ant -cor -post S(chá) Z (já) -ant -cor +post (posteriores) k g (galo) R (rosa) -(vinho) l r (caro) L (velha) j (pai) w (teu) Fonte: Quadro fonêmico das consoantes do PB. adotado por Mattoso Camara Jr. son = sonoras. continua muito grande a previsibilidade. conforme o modelo de Quicoli (1990). 2. seguindo Mattoso Camara Jr. cons = consoantes. nos grupos gu e qu. mais as semivogais. 1. . por cobrir todas as realizações nas variedades sociolinguísticas do PB. seguidos de e ou i. Quadro fonêmico das vogais do PB +Orais -posterior -arredondado (anteriores) i e +posterior -arredonado +posterior +arredonado +alta u -alta o -baixa +baixa a E (pé) O (pó) -Orais (nasalizadas) +alta ĩ ũ -alta ẽ õ +baixa ã Fonte: Sistema vocálico do português brasileiro.do grafema u. conforme Lopez (1979). Mesmo assim. mais genérico. substituí o símbolo x.

somente as vogais podem ser centro silábico no PB. O fonema /R/ em /maR/. que é a realização do respectivo fonema ou o valor do grafema (com exceção das não continuas ou oclusivas /p b t d k g/ que não podem ser emitidas isoladamente e serão produzidas com ajuda de uma vogal). como na variedade caipira [maÇ]. acústicos e perceptuais para distinguir as consoantes das vogais. Os sons para a realização de um mesmo fonema são muito diferentes. os respectivos sons. uma subdivisão das obstruintes. Repito aqui a explicação dada no capítulo 7: Um fonema. como pelo carioca. escritos entre colchetes [ ]. no final de uma sentença. o que tem suas implicações pedagógicas quando seus respectivos grafemas são introduzidos. Cada vez que uma ou duas letras forem traçadas pelo indicador. traço equivalente a [-sonante]. isto é. isto é. acarretando muitas confusões em sua identificação. pode ser pronunciado com o dorso da língua contra o véu do paladar [max]. pelo fato de sua emissão poder perdurar. e às outras obstruintes. pode ser pronunciado com a ponta da língua voltada para o céu da boca. pode ser pronunciado com muitas batidas da ponta da língua contra a face interna dos alvéolos. além da já mencionada definição de R. como é o caso. escrito entre barras / /. o qual deverá ser rompido para que se produza qualquer energia. seria impossível). ao lerem.avulta a necessidade de se conhecerem os fonemas do português brasileiro. conforme já examinado: a sílaba no PB é uma unidade constituída obrigatoriamente por uma e apenas uma vogal (o centro silábico). como na fronteira do Rio Grande do Sul [mar]. a realização isolada destes últimos fonemas é impossível. assim como o grafema que o representa. converterão os grafemas a seus respectivos fonemas e os realizarão de acordo com sua variedade sociolinguística: esteja atento! Distinção entre consoantes e vogais Embora haja parâmetros articulatórios. Por isto. resulta de o obstáculo à saída do ar não permitir a vibração espontânea das pregas vocais. deverá ser emitido o som correspondente. no português de /p b d t k g/. como um feixe de traços distintivos. . O fonema serve para distinguir o significado básico entre as palavras. as oclusivas [-contínuas]. é uma classe de sons. pois não temos letras específicas para representar os grafemas semivocálicos. A abreviatura cont se refere às [+contínuas]. o melhor critério é a função na sílaba. ou seja. Dois conceitos essenciais Fonema não é som. os dois quadros acima não registram todos os sons possíveis de realização dos fonemas (aliás. porque os valores não são outra coisa senão tais fonemas e de como eles são realizados pelos falantes. Jakobson. Por essa razão. Algumas explicações sobre os fonemas do PB Obstruinte (oclusivas e fricativas). que se aplica às fricativas. que resultam de um obstáculo à saída do ar pelo trato vocal. Já foi examinado várias vezes que o fonema tem a função de distinguir significados. É por isso que as semivogais /j/ e /w/ figuram no quadro das consoantes acima. que pode vir acompanhada em suas margens à esquerda (o aclive ou ataque) e à direita (o declive ou coda) por uma ou mais consoantes. mas você deve estar atento para o fato de que seus alunos. do grupo social ao qual pertence e também da posição que ocupa na frase. dependendo da região de quem fala. conforme explicarei. como os fonemas /m/ e /b/ em /´mala/ e /´bala/.

com ou sem acentos gráficos. As abreviaturas post e ant de posteriores e anteriores se referem à movimentação do maxilar inferior. com ou sem acentos gráficos.br/images?q=aparelho+fonador+imagem (ícone) Pontos importantes No capítulo 12. 13. enquanto [-arredondado] é quando os lábios estão distensos.  revisão do conceito de fonema. como ocorre nos fonemas /t d s z n r l S Z/. e. as anteriores são representadas pelos grafemas i.A abreviatura son se refere à sonoridade que resulta da vibração das pregas vocais como em /b/ e ausente em /p/. (ícone bloco de anotações) Sugestões para reflexão e pesquisa:  Por que o alfabetizador deve conhecer o sistema fonológico do português brasileiro (PB)?  O que é transparência de um sistema de escrita?  Qual sua opinião sobre o Novo Acordo Ortográfico? AVALIAÇÃO DE APRENDIZAGEM 12. resultante da elevação da coroa ou lâmina da língua. isto é. arrastando a língua. são representadas pelos grafemas u. O traço [+arredondado] se refere ao arredondamento dos lábios. c ( ) que incluem as semivogais /j/ e /w/. enquanto as vogais com o traço [-posterior]. isto é. a.google. [-posteriores] e posteriores. No caso das vogais. foram examinados os conteúdos a seguir:  quadro fonêmico das consoantes e das vogais do português brasileiro (PB). para a produção dos sons anteriores. As vogais com o traço [+posterior]. consulte o site: http://www. isto é. As consoantes no PB são fonemas: a ( ) que se realizam com um máximo até um mínimo de fechamento do obstáculo à saída do ar. encontrado nas vogais /u o O/.com. como em /i e E a/. o traço vai ser essencial para a atribuição distinta dos valores aos grafemas c. A abreviatura cor se refere à coronal. Dica Para você verificar o aparelho fonador. d ( ) que se realizam com maior ou menor obstrução à saída do ar. respectivamente. g. e ( ) que se opõem às vogais. para frente ou para trás. b ( ) que só podem ocupar a margem na sílaba. o.  definição dos rótulos conferidos aos traços que distinguem as consoantes e as vogais entre si. Valores atribuídos aos grafemas. [+posteriores]. independentes do contexto grafêmico (ícone síntese) .

enquanto outros só marginalmente podem ocupar a posição de final de sílaba. gala. Há. como em você. Por exemplo. como os grafemas p b t d f v c g. porém. para a ordenação no ensino-aprendizagem. obrigatoriamente. os grafemas c. independentes do contexto Quadro 3. em início de vocábulo. dependentes do grafema vocálico ou semivocálico que vier depois: se representar vogal ou semivogal [+posterior]. se no início ou final de sílaba interna). o valor será. não me baseio somente no critério de os grafemas terem sempre os mesmos valores. independentes da posição ou da letra que vier antes e/ou depois: na leitura. depois do grafema a. Valores dos grafemas. em final de vocábulo. grafemas cujos valores independem do contexto grafêmico. independentes do contexto ____________________________________________________________________ Grafema Valor Exemplos Grafema Valor Exemplos ____________________________________________________________________ p /p/ pato b /b/ bola t tatu d /d/ dado f /f/ café v /v/ uva ss /s/ massa ç /s/ moça sç /s/ desço ch /S/ chave j /Z/ janela nh /-/ linha rr /R/ carro õ /õ/ põe ó /O/ óculos à /a/* à á /´a/ água â /´ã/ lâmpada ã /ã/ rã ____________________________________________________________________ Observe que. respectivamente /k/ e /g/. independentes do contexto. como é o caso de todos os dígrafos que têm que estar. (ícone objetivo) Defino no capítulo 13 o que se entende por contexto grafêmico e examino os valores atribuídos aos grafemas. definiram-se os rótulos conferidos aos traços que distinguem as consoantes e as vogais entre si. g podem ter dois valores. independentes do contexto escrito. Alguns dos grafemas só podem ocupar uma posição. que também pode figurar no início do vocábulo). a seguir. O grafema r. respectivaamente /s/ e /Z/. isto é. será atribuído sempre o mesmo valor àquele grafema. no início da sílaba. enquanto o grafema m. Contexto grafêmico O contexto grafêmico consiste dos grafemas realizados pelas letras que vêm antes e/ou depois do grafema cujo valor está em jogo e/ou da posição que ele ocupa no vocábulo e na sílaba escrita (se no início ou final do vocábulo. que representam obstruintes.No capítulo 12 foram apresentados e explicados os quadros fonêmicos das consoantes e das vogais do PB. se representar vogal ou semivogal [-posterior]. entre grafemas vocálicos (com exceção de ch. É o que se verá a seguir. como em cala. . sempre terá o valor do fonema /R/. gelo. Valores dos grafemas. o valor será. terá o valor da semivogal nasalizada /w/.

salvo quando vierem com sinais gráficos (chamados de diacríticos). trabalhe sempre com palavras com sentido dentro de um texto. [+baixa]. uva e Ivo. [-posterior]. que já foram apresentados em capítulos anteriores. Enfatizo que a descoberta dos valores dos grafemas seja conduzida dentro de um contexto comunicativo e/ou de brincadeira ou jogo. Por isto. o til e a cedilha. portanto. a regra formal da descodificação de um grafema independente de contexto é muito simples: f  /f/. poderão ter valores diferentes. pois são oclusivos (isto é. Embora ó. Ícone dicionário: Diacrítico: Qualquer sinal gráfico acrescentado às letras para especificar-lhes algum valor. [-cont]).  será atribuído sempre o mesmo valor ao grafema independente do contexto escrito. lendo-se como [dZ] e [tS]. como em pé. mesmo que surda. embora elas não estivessem inseridas num texto e sim em frases soltas. como os acentos agudo. (ícone) Pontos importantes No capítulo 13 foram abordados os seguintes conteúdos:  contexto grafêmico. do acento de intensidade e/ou das letras que vierem depois. que se lê como: “O grafema f se descodifica como a realização do fonema /f/” (produza só o som [fff].pois há outros critérios que precisam ser considerados. Observe-se também que quando t. independente do contexto. /ẽ/. o mesmo não se pode dizer de é. circunflexo e grave. Por exemplo. independentes da posição ou da letra que vier antes e/ou depois. d estiverem antes da letra i ou da letra e lida como [i] ou semivogal [j]. Chamo a atenção para o fato de os valores dos grafemas p. t. b.  valores atribuídos aos grafemas. De resto. á sempre tenham o mesmo valor. Na realidade. [arredondada]. (bloco de anotações) Sugestões para reflexão e pesquisa:  Por que não se deve pronunciar o nome das letras enquanto se alfabetiza?  Por que é importante estimular a criança a reproduzir o som. valor atribuído à descodificação de à (crase da preposição /a/ com artigo definido feminino. na maior parte das variedades sociolinguísticas africam e palatizam. os grafemas d/b e b/p apresentam o maior problema no reconhecimento das letras. [-alta]. pois esse grafema poderá ter o valor da vogal [+oral]. d não poderem ser pronunciados sozinhos. /E/. como em contém. respectivamente. [arredondada]. além de o respectivo som não poder ser produzido sozinho. ao apresentarem como primeiras palavras-chave ovo. pois se diferenciam entre si apenas pela direção para a direita ou esquerda do meio-círculo em relação à reta e para cima ou para baixo (espelhamento). ou de vogal nasalizada [-oral]. A meia lua sobre a vogal é para assinalar que se trata de uma vogal átona. trabalhando com textos. havia uma intuição dos alfabetizadores antigos. dependendo da posição. não insista com seus alunos para produzirem sons impronunciáveis sem apoio de vogal. como em dia e tia. [-posterior]. Note que todas as letras que representam as vogais. pronome ou demonstrativo iniciado pelo fonema /a/). a fazer o movimento com os dedos e a bater palmas? .

explicando questões como o arquifonema. pontuando-se que. na leitura. Ao término do capítulo. Valores dos grafemas. Valores dos grafemas de acordo com sua posição Comentei. o arquifonema ficou registrado em grafemas como R r. Por que isto é tão importante para a alfabetização? Porque. dependentes do contexto escrito (ícone síntese) No capítulo 13 explicou-se o que se entende por contexto grafêmico e examinaram-se os valores atribuídos aos grafemas. no capítulo anterior que os valores de alguns grafemas se alteram conforme a posiação que ocupam no vocábulo e na sílaba. Por que o Sistema Scliar de Alfabetização começa com letra de imprensa maiúscula e minúscula? AVALIAÇÃO DE APRENDIZAGEM 13. b ( ) são os valores que dependem das letras que os sucedem. entre letras que representam vogais ______________________________________________________________ No início do vocábulo de sílaba interna Grafema Valor Exemplos Grafema Valor Exemplos ______________________________________________________________ s /s/ sala s /z/ casa m /m/ mala m /m/ cama z /z/ zero z /z/ reza l /l/ lata l /l/ calo n /n/ nata n /n/ cano r |R| rato r /r/ caro . independentes do contexto escrito. na sequência. independentes do contexto a ( ) são os valores que dependem das letras que os precedem. graças à visão de Gonçalves Viana. 14. isto é. o idealizador do sisteama ortográfico do português. dependentes da posição das letras que vêm antes e/ou depois. você compreenderá um dos conceitos mais abstratos da fonologia. d ( ) são os valores que dependem da variedade sociolinguística. Valores dos grafemas em início de vocábulo e de sílaba interna. isto é. e ( ) são os valores que independem do contexto grafêmico circundante. L l. c ( ) são os valores que dependem de onde cai o acento de intensidade. independentes da posição ou da letra que vier antes e/ou depois. será atribuído sempre o mesmo valor àquele grafema. um quadro resumido destes valores no PB: Quadro 4. em muitas posições. Valores atribuídos aos grafemas. S s. Apresento. (ícone objetivo) Examinarei os valores dos grafemas dependentes do contexto escrito.

representados pelos grafemas s. como em exame. Observe que os alunos que provêm de famílias que praticam os dialetos italianos. fora este caso e outros (vide Quadros 5/6). r. ei. entre vogais. respectivamente.. ai x /S/ deixa. constituindo um arquifonema. enquanto a letra h em início de vocábulo tem o valor de zero. l. caixa ______________________________________________________________ Observe que os fonemas /s/. O valor /r/. Quadro 5. Um valor previsível que o grafema x tem num contexto específico entre vogais merece destaque. como em xis e xícara. têm os mesmos valores no início do vocábulo e entre vogais. por exemplo. em início de vocábulo. Valores em início de sílaba dos grafemas s depois de n. pois. conferido ao grafema r quando entre vogais se estende às letras que representam as semivogais. apresenta inúmeras variantes. mas em outras apresenta muitas variantes. como em feira. pois a pronúncia usual é a realização de /s/. ou. A letra x não tem valor previsível entre vogais. em início de vocábulo) /z/ exemplo h zero hora ______________________________________________________________ Salvo as letras s e r que têm dois valores diferentes. m. O fonema /R/. do subj. conforme explicarei mais adiante. não é possível substituir o fonema /R/ por /r/ no início do vocábulo. z. igualmente. Trata-se do x com valor de /z/ depois de e. A anteposição de prefixos não invalida a regra. imperf. pret. do ind. Observe. depois de n. e fut. /s/ e |R| no início do vocábulo e /z/ e /r/ entre vogais. depois de n. ou.) discrepam do valor de x depois do ditongo ou. É importante trabalhar este princípio em sala de aula (sempre em textos!). conforme será explicado em detalhe logo a seguir. l. em algumas variedades ainda se realiza como ápicoalveolar. as letras do quadro. que em trans. Observe que trouxeste e seus derivados (pret. no início do vocábulo. portanto a diferença entre ambos deixa de funcionar nesta posição. trouxa. O valor do grafema r. n e l nas posições do Quadro 5 se realizam todos na mesma zona de articulação ápico-alveolar. os valores. l. pois a ocorrência é bastante frequente. dependendo da variedade sociolinguística praticada. de x. Além disto. cárie.. e n. mas no início do vocábulo sempre tem o valor de /S/. o s seguido de vogal é lido como .perf.x /S/ xis x (depois de e. ai ______________________________________________________________ Depois de Grafema Valor Exemplos ______________________________________________________________ n s /s/ ganso r |R| enruga x /S/ enxame l s /s/ bolsa r |R| melro r s /s/ urso s r |R| desrespeito ei. representado pelo grafema r. escrito com letra maiúscula entre barras paralelas. m. como em reexame. /n/ e /l/. s. de x são imprevisíveis. muitas vezes só usam o /r/ em início de vocábulo e nunca o /R/. de r.

a realização de /z/ ao invés de /s/, como se trans fosse um radical (é uma ideia que o
grande linguista brasileiro Mattoso Camara Jr. defendeu em relação aos chamados
prefixos, diminutivos e ao formador de advérbios - mente. Os valores atribuídos a
esses componentes confirmam a proposta de Mattoso Camara Jr. Cabe, ainda, assinalar
que o grafema x, como /S/, depois de ei, ou, ai se refere ao contexto escrito, pois, na
fala, a semivogal é eliminada.
Quadro 6. Valores dos grafemas em final de vocábulo e de sílaba interna
______________________________________________________________
No final
do vocábulo
de sílaba interna
Grafema
Valor Exemplos
Grafema
Valor Exemplos
______________________________________________________________
s
|S|
quis
s
|S|
lesma, casca
z
|S|
fiz
x, -x
|S|
texto, ex-voto
l
|W|
sal
l
|W|
alma
r
|R|
mar
r
|R|
carta
h
zero Ah!
x
k(i)S tórax
______________________________________________________________
No português brasileiro, poucas consoantes podem figurar em final de sílaba. A
tendência no Brasil é, na fala, apagar a consoante no final do vocábulo, se ele não for
monossílabo, como acontece no infinitivo dos verbos, ou com a marca de plural, que só
aparece no primeiro determinante da frase em muitas variedades sociolinguísticas, como
em vamu comprá us livru. Na escrita, porém, as letras não são apagadas. No quadro
6, apresento os valores de alguns grafemas que são arquifonemas. Observe que os
valores estão representados por letra maiúscula, entre barras paralelas, ou seja, um
arquifonema, que significa que vários fonemas poderiam estar naquela posição, sem
alterar o significado. Explicarei cada caso.
Na prática
Arquifonema |S|
Tape as orelhas com as mãos, feche os olhos e diga a frase Eu quis. A seguir, diga a
frase Eu quis dançar. Se você for gaúcho/a, vai ouvir o primeiro s como [s], isto é,
surdo e o segundo como [z], isto é, sonoro. Se você for carioca, vai ouvir o primeiro s
como [S], tal como o primeiro som de chá, enquanto o segundo s será ouvido como
[Z], como o primeiro som de já. Isto significa que substituir um dos quatro fonemas /s/,
/z/, /S/ ou [Z] em final de sílaba, inclusive de vocábulo, não altera o significado,
portanto a diferença entre eles perdeu a função e disto resulta o que se chama
arquifonema. Faça o mesmo exercício com Eu fiz e Eu fiz de tudo. O valor da letra z
é o mesmo que o valor da letra s em final de vocábulo (o que constitui uma grande
dificuldade para a escrita, mas nenhuma para a leitura). Em final de sílaba interna a letra
z não ocorre, a não ser nos derivados com mente e diminutivos, mas a letra x, sim.
Nesta posição, ela se comporta como s, como, por exemplo, em explicar e texto.
Antes de letras que representam as consoantes sonoras (raramente), ex- aparece com o
hífen, como em ex-voto.
Ou seja, se a letra s, em final de sílaba, inclusive em final de vocábulo, for seguida de
letra que represente uma consoante surda, como /p, /t/, /k/, /f/ ela vai ser pronunciada
como surda, como em caspa, testa, casca, Eu quis ficar. Se a letra s, em final de

vocábulo for seguida por um vocábulo que inicie por letras que representem /s/, /z/, /S/
ou [Z], estes últimos valores se impõem, como em Eu quis subir, Eu quis zombar,
Eu fiz chá, Eu quis julgar.
Diante das letras que representam as demais consoantes, ela será pronunciada como
sonora, como em Eu quis botar, Eu quis deixar, esgoto, Eu fiz valer, lesma,
asno, Eu quis lutar, Eu fiz reza.
A escolha entre os fonemas /s/, /z/, /S/ ou [Z] depende da variedade sociolinguística.
Se o vocábulo terminar por s ou z e for seguido por vocábulos iniciados por letra que
represente vogal, o valor será sempre sonoro, como em Ele fez amigos, além de
ocorrer a alteração na divisão da sílaba.
Arquifonema |W|
A letra l em final de sílaba, inclusive de vocábulo, tem o valor do arquifonema |W|,
pois, na maioria das variedades, as pessoas utilizam a semivogal /w/ nesta posição, ao
invés de /l/. A leitura de mal e de mau é a mesma, tornando-os homófonos.
No dialeto caipira, as pessoas leem mal e mar do mesmo jeito e assim neutralizam em
favor de |R|, que explicarei a seguir.
Arquifonema |R|
No arquifonema |R|, em final de sílaba, inclusive de vocábulo, a substituição de /R/ por
/r/ não altera o significado da palavra. Por exemplo, seja qual for a variedade
sociolinguística, se a pessoa ler Tomou banho de mar e O mar está azul, embora
mar tenha o mesmo significado, no primeiro exemplo a letra r será lida com o valor do
fonema /R/, enquanto no segundo será lida com o valor do fonema /r/.
A letra h que, em início de vocábulo, inclusive depois de hífen nas palavras compostas,
vale zero, não invalida este princípio: Fez hoje dez anos, Super-homem.
A letra x em final de vocábulo tem o valor de /kS/ (pronúncia erudita) ou mais
comumente o de /kiS/, como em tórax.
(ícone) Pontos importantes:
Neste capítulo, você viu que:
 os valores dos grafemas dependentes do contexto escrito;
 o arquifonema;
 registro dos arquifonemas |R|, |S| e |W| no sistema escrito do português como R
r, S s, L l.
(bloco de anotações)
Sugestões para reflexão e pesquisa


O que é um arquifonema? Cite os arquifonemas do português brasileiro.
Qual sua importância para a leitura?
Por que |R| é um arquifonema em início de vocábulo?

AVALIAÇÃO DE APRENDIZAGEM
14. “Valores dos grafemas dependentes do contexto escrito” significa que o valor do
grafema depende:
a ( ) de como se pronuncia a palavra.
b ( ) da posição das letras que vêm antes e/ou depois.

c ( ) da Academia Brasileira de Letras.
d ( ) dos dicionários.
e ( ) de falar mais rápido ou mais devagar.
15. Letras M m - N n em final de sílaba interna para nasalizar a vogal precedente
(ícone síntese/alvo)
No capítulo 14, examinei os valores dos grafemas dependentes do contexto escrito, isto
é, dependentes da posição das letras que vêm antes e/ou depois, explicando questões
como o arquifonema. Você deve ter verificado como isto é importante para a
alfabetização. Você viu, também, que o arquifonema ficou registrado em grafemas
como R r, S s, L l, em muitas posições.
(ícone objetivo)
No capítulo 15, você compreenderá melhor uma das maiores dificuldades da criança na
descodificação, principalmente quando é alfabetizada pelo nome das letras: trata-se das
funções das letras M m, N n para nasalizar. Verá, também, como elas funcionam em
sílaba interna e em final de vocábulo e encontrará um quadro sintético com as letras que
nasalizam as vogais em final de sílaba interna e de vocábulo.

Função das letras M m, N n para nasalizar
M m, N n têm têm a mesma função do til (~) em sílaba interna e em final de vocábulo,
nasalizando a vogal precedente (e opcionalmente ditongando), como, por exemplo, em
pomba e em rim. Em final de vocábulo, M m, N n têm o valor da semivogal /j/
nasalizada, depois de E e com ou sem diacríticos, como em bem, hífen, vêm. Depois
de A a, somente M m tem o valor da semivogal /w/ nasalizada, como em faltam.
No quadro 7, apresento um resumo das letras que nasalizam as vogais em final de sílaba
interna e de vocábulo, com exclusão de M m, em final de vocábulo, depois dos
grafemas E e, A a.

Quadro 7. Letras que nasalizam as vogais em final de sílaba interna e de vocábulo (com
ditongação opcional)

Final do vocábulo
Grafema Valor

depois de
Grafema

Exs.

m

u, o, i

um

n

~

~

o, a, i (s)

~

entre u__s

tom
rim
cólon
tons
íman
rins
alguns

Final de sílaba interna
Grafema Valor Exs.

Antes de
Grafema

m

~

bomba p, b
tampa

n

~

ponta demais
consoantes
lenda
cinco
longo
confiar

alguém. eles contêm. deténs. antes de letras que representem consoante. depois do grafema a somente M m representa a semivogal /w/ nasalizada: trata-se. o grafema (que é um dígrafo). ele provém. ele detém. A letra M m. hífen. como nos exemplos ele contém. ê /e/nasalizado bem. TOMBO. servem como marcas coesivas (concordância) e anafóricas para a recuperação da referência quando o sujeito não vier expresso ou se estiver expresso pelo pronome relativo que. se escreve sempre antes de P p. como em LIMPO. em final de sílaba interna. não são lidas como consoantes. como em PONTA ponta.álbuns convite inseto cinza inchar injeção honra Assim. escrevam n(s) /j/(|S|) e. Resumo. N n têm a mesma função que o til (~) e. tanto nos monossílabos. como nos exemplos eles têm. A ausência do diacrítico. A a em final de vocábulo. no final de sílaba interna. pois. circunflexo ou sua ausência nas 3ªs. M m. OM om. de ditongos nasalizados decrescentes. As pessoas que provêm do hemisfério norte sofrem com o calor no Rio de Janeiro. EN en. como acontece no espanhol. ditongando depois do grafema e. as letras M m. como. então. bens. Tabela 10. Grafemas que nasalizam E e. B b. como grafema. pessoas dos verbos ter e vir e seus derivados. INVEJA inveja. ________________________________________________________________ Final do vocábulo depois de Grafema Valor Grafema Valor Exemplos ________________________________________________________________ m /j/nasalizado e. IN in. é. eles vêm. M m. LINDO lindo. no presente do indicativo. o acento agudo só ocorre nos derivados na terceira pessoa do singular do presente do indicativo. homens Os grafemas M m e N n em final de vocábulo representam a semivogal /j/ nasalizada. nos exemplos acima é IM im. N n em final de sílaba interna nasalizam a vogal precedente. como em nenê. Assim. portanto. é /e/nasalizado tens. . na oração subordinada adjetiva. só ocorre no monossílabo. pois. porque P p. eles detêm m /w/nasalizado a /ã/ contam. Observe que o acento agudo. com essa função. AN an. por isso. no inglês ou no alemão. Veja. quanto nos derivados. como nos exemplos ele tem. ON on. tombo. B b representam fonemas bilabiais. ele vem. ENFEITE enfeite. ANGU angu. tem o valor do fonema /n/. o acento circunflexo só ocorre na terceira pessoa do plural do presente do indicativo. a marca de terceira pessoa do plural está unicamente no acento circunflexo. IN in. funciona como o til: nasaliza a vogal precedente. N n. esse princípio tem muita importância para o ensino da leitura para estrangeiros. ele vem. limpo. o N n se escreve antes das demais consoantes. eles provêm. com ou sem diacríticos. na terceira pessoa do singular do presente do indicativo. eles vêm. ditongando. no exemplo a seguir. as diversas possibilidades da letra N n: no início da sílaba.

. por exemplo..  em sílaba interna e em final de vocábulo. enxuto. N n para nasalizar? AVALIAÇÃO DE APRENDIZAGEM 15.   (bloco de anotações) Sugestões para reflexão e pesquisa    Por que se usa M m para nasalizar a vogal precedente antes de P p. vêm e que. menos p e b. enrijecer. no final de vocábulo a letra N n. isto é. e ( ) não devem ser ensinadas nesta posição. insatisfeito. b ( ) são lidas como as consoantes [m] e [n] respectivamente. infeliz. somente M m tem o valor da semivogal /w/ nasalizada. ditonga. hífen. você verificou que M m. injeção. N n têm a mesma função do til? Por que a alfabetização pelo nome das letras dificultaria internalizar a função de M m. vêm. como. d ( ) devem ser ensinadas pelo seu nome eme e ene. pois a criança aprenderá sozinha esse valor. Valores de C c .como em elenco. se estiver depois da letra e. encargo. como em hífen. em pomba. nasalizama vogal precedente (e opcionalmente ditongando). lendo. você compreendeu melhor uma das maiores dificuldades da criança na descodificação. como em contam. isto é. principalmente quando é alfabetizada pelo nome das letras: trata-se das funções das letras M m. a ( ) representam os fonemas /m/ e /n/. como em lenha. 16. (ícone) Pontos importantes: Neste capítulo ficou demonstrado que:  as letras M m. como. depois de E e com ou sem diacríticos. em pomba e em rim. hífen. lento. depois de E e com ou sem diacríticos.. B b? Quando M m. como em bem. enlutar. enquadrar. N n para nasalizar.Q q antes das vogais posteriores (ícone síntese) No capítulo 15. As letras M m e N n em final de sílaba interna. na nasalização. lenço. forma um dígrafo. têm a mesma função do til (~). depois de A a. somente M m tem o valor da semivogal /w/ nasalizada. Expus como elas funcionam em sílaba interna. M m. respectivamente. por exemplo. c () têm a mesma função do til e servem para nasalizar a vogal precedente. nasalizando a vogal precedente (e opcionalmente ditongando). N n têm o valor da semivogal /j/ nasalizada. antes de todas as letras que representam consoante.G g . como em falam. inválido. N n em final de vocábulo têm o valor da semivogal /j/ nasalizada. N n. rim. respectivamente. o grafema que representa a consoante nasal palatal. depois de A a. como em bem. Você verificou que elas têm a mesma função do til (~). antes do h.

q. como. on /õ/ facões. como em aguenta. g. e. Q q têm o valor do fonema /k/. q. lâmpada g /g/ u /w/ aguenta c /k/ u /w/ cueca q /k/ u /w/ iníqua Os grafemas que representam as vogais posteriores orais (/u/ /o/ /O/ /a/). Leia-se a seguinte conversão: C c. representadas por seus respectivos grafemas. por exemplo. em frequência e tu arguis tornou o sistema opaco para a leitura. SV [+post]. an /ã/ fogão. Entendendo os valores O Quadro 8 apresenta a regularidade do efeito das vogais posteriores. pois tais formas passaram a ter homógrafas não homófonas. em). A distinção entre os grafemas que os sucedem e que representam as vogais (com ou sem acentos gráficos) e semivogal posteriores. /g/ e /k/. conta g /g/ ôm. G g. Q. ôn /´õ/ gôndola g /g/ a /a/ gato c /k/ á /´a/ cárie g /g/ ã. os grafemas C c. apagam. se ocorrer antes de um grafema que representar uma vogal ou semivogal posterior. um. como em fogão e a semivogal /w/. A retirada do trema e do acento agudo nas formas verbais rizotônicas (isto é. O grafema C c sempre terá o valor de /k/. ou seja. im. sobre C c. o. on. in. cujo acento de intensidade cai na última vogal u do radical) quando o u for precedido de g ou q e seguido de e ou i. om. Q q  /k/ /_V. em. ã. seguidos de grafemas que representam as vogais posteriores ou a semivogal /w/ ____________________________________________________________________ Grafema Valor Grafema Valor Exemplos seguinte ____________________________________________________________________ c /k/ u /u/ cura g /g/ um. no contexto antes de vogal ou semivogal posterior. G g e Q q. ân /´ã/ cântico. an e aqueles que representam as vogais (com ou sem acentos gráficos) e a semivogal não posteriores (isto é. am. a. como u. condicionam os valores dos grafemas c. ou nasalizadas (/´u]/ /õ/ /ã/). examinarei uma importante distinção para atribuir valores aos grafemas C c. Quadro 8. Exemplos dos valores dos grafemas c. am. ou seja. o grafema G g tem o valor do fonema /g/. ancorar c /k/ âm. SV [+post]. G g /g/ /_V. un /u/ algum. conforme o Quadro exemplificativo acima. como i. /O/ o gosto. anteriores). g. un. QU qu. om. alguns c /k/ úm /´u]/ cúmplice g /g/ o /o/. que passam a ter os valores respectivamente de /k/. õ. . Também examinarei os valores dos grafemas q GU gu. compra.(ícone objetivo) No capítulo 16. eu gosto c /k/ ô /´o/ cômico g /g/ ó /´O/ gótico c /k/ õ. no contexto escrito antes de vogal ou semivogal posterior. como em cura.

no contexto antes de grafema que represente vogal ou semivogal não posterior. /E/ exceção. Leia-se a seguinte conversão: C c. representadas por seus respectivos grafemas. SC sc. SC sc. sobre C c. fascínio. Os grafemas C c. XC xc. SV [-post]. SC sc. seguidos de e ou i valem respectivamente /g/ e /k/. Os dígrafos gu e qu. en /e]/ nascente c /s/ ên /´e]/ cêntuplo g /Z/ é /E/ gélido gu /g/ i /i/ guia qu /k/ in /i]/ quinto qu /k/ e /e/. sc e xc que passam a valer /s/. G g e dos dígrafos GU gu e QU qu. XC xc. exceto. Quadro 9. Observe. in /i]/ gincana xc /s/ e /e/. antes das vogais não posteriores O Quadro 9 apresenta a regularidade do efeito das vogais (com ou sem acentos gráficos) e semivogal não posteriores. como em cento. ____________________________________________________________________ Grafema Valor Grafema seguinte Valor Exemplos ____________________________________________________________________ c /s/ i /i/ cine sc /s/ í /´i/ fascínio g /Z/ im. SC sc. ou seja. como em guerra e quilo. os grafemas C c. como em gente. Exemplos dos valores dos grafemas c. exceto c /s/ ê /´e/ cênico sc /s/ em. a mudança de valores dos grafemas C c. XC xc sempre terão o valor de /s/. Os valores de C c. xc. SC sc. sc. se ocorrerem antes de um grafema que representar uma vogal não posterior (isto é. que com o Novo Acordo Ortográfico a identificação de . XC xc.Examinarei. anterior). com ou sem acento gráfico). G g e dígrafos GU gu e QU qu. XC xc/s/ /_V. a seguir. quero gu /g/ em /ej]/ paguem qu /k/ in /i]/ quíntuplo c /s/ i /j/ Lúcia sc /s/ i /j/ néscio g /Z/ i /j/ egrégio qu /k/ i /j/ relíquia Os grafemas que representam as vogais e semivogal não posteriores orais ou nasalizadas condicionam os valores dos grafemas c. com ou sem sinais gráficos ou seguidas ou não de letras que nasalizam como m ou n na mesma sílaba. pois. g e dígrafos gu e qu. seguidos de grafemas que representam as vogais (com ou sem acentos gráficos) e semivogal não posteriores. bem como condicionam g que passa a valer /Z/. G g e dígrafos GU gu e QU qu. A forma prática de atribuir tais valores é verificar se as letras seguintes são e ou i. /E/ querer. XC xc têm o valor do fonema /s/. antes das vogais e semivogal não posteriores (com ou sem acentos gráficos). SC sc.

ã. on. como u. em. seguidos de e ou i tornou-se problemática. (ícone) Pontos importantes: No capítulo 16 você viu:  uma importante distinção para atribuir valores aos grafemas C c. im. e. o. ou se representam. (bloco de anotações) Sugestões para reflexão e pesquisa  Por que os dois valores que o grafema C c tem são mais um argumento de que ele não deve ser ensinado pelo nome da letra?  Quais são os grafemas que representam as vogais [+posteriores]?  Quais são os grafemas que representam as vogais [-posteriores]? (ícone) Avaliação de aprendizagem 16. on. Q q. o. O valor do grafema C c depende do contexto grafêmico. GU gu. GU gu. om. Q q. em). anteriores). G g. examinei uma importante distinção para atribuir valores aos grafemas C c. representando respectivamente os fonemas /g/ e /k/ como em guerra e quilo. e ( ) C c antes de a tem o valor de /s/. Isto significa que: a ( ) seu valor depende dos acentos gráficos. a. QU qu: a distinção entre os grafemas que os sucedem e que representam as vogais (com ou sem acentos gráficos) e semivogal posteriores. como i. dois fonemas /gw/ e /kw/ como em aguenta e cinquenta. QU qu. in. ã. um. õ. respectivamente. seguidos de e ou i tornou-se problemática.  que com o Novo Acordo Ortográfico a identificação de gu. õ. a. un. am. am. c ( ) C c antes do grafema o tem o valor de /s/. 17. anteriores). em. em). como u. a da distinção entre os grafemas que os sucedem e que representam as vogais (com ou sem acentos gráficos) e semivogal posteriores. Os dois valores do grafema R r dependentes do contexto grafêmico – o único valor do grafema RR rr (ícone síntese) No capítulo 16. G g. qu. an e aqueles que representam as vogais (com ou sem acentos gráficos) e a semivogal não posteriores (isto é. (ícone objetivo) . como i. in.  a importância de não alfabetizar pelo nome das letras e sim pelos valores dos grafemas. pois não se sabe se funcionam como dígrafo. un. e. an e aqueles que representam as vogais (com ou sem acentos gráficos) e a semivogal não posteriores (isto é.gu e qu. d ( ) C c antes do grafema e tem o valor de /k/. om. b ( ) seu valor depende de os grafemas que o seguem representarem vogais posteriores ou não posteriores. im. um.

O grafema R r tem o valor do arquifonema |R| que apresenta muitas variantes. conforme as variedades geográficas. porque ele é único: só pode ocorrer entre grafemas que representam vogais ou semivogais. seguido de outro que inicie por grafema que represente consoante. que se realiza com uma só batida. tem o valor do fonema /r/. como você pode verificar se contar as sílabas ao dizer de forma fluente a frase comer uva  co –me –´ru –va. (ícone) Pontos importantes: Neste capítulo. como em prato. ou o retroflexo da variedade caipira em início de vocábulo (obrigatória). Os dois valores do grafema R r O grafema R r pode ter dois valores: o fonema /R/ ou o fonema /r/.  se o vocábulo iniciar por grafema que represente vogal. como em mar bravo. com reanálise silábica. O grafema R r tem o valor do fonema /r/. tem sempre o valor do arquifonema |R|. como em prato. tem o valor do fonema /R/. feira. É um desafio explicar tudo isto para uma criança. se o vocábulo iniciar por grafema que represente vogal. com o valor do fonema /R/. como em roda. [r] da fronteira do Rio Grande do Sul.  em final de vocábulo. O único valor do grafema RR rr Começarei com o valor do grafema (dígrafo) RR rr. tem valor opcional entre os fonemas /R/ e /r/. bem como em final de sílaba interna. em final de vocábulo. são previsíveis: entre grafemas que representam vogais ou semivogais. o grafema R r tem sempre o valor do fonema /r/. ou de sílaba interna. como em comer uva  co –me –´ru –va. como em roda. tem sempre o valor do arquifonema |R|.  em final de sílaba interna o valor é opcional. com reanálise silábica. bronca. como em roda. como em caro. o valor é opcional entre /R/ ou /r/. como em comer uva  co –me –´ru –va. b) nos encontros consonantais. bronca. não seguido de vocábulo que inicie por grafema que represente vogal. feira e nos encontros consonantais. seguido de outro que inicie por grafema que represente consoante. como em caro.  em início do vocábulo. como em mar bravo. além de haver uma reanálise silábica. ou antes de sinal de pontuação. como em caro. bronca. tem o valor do fonema /r/. como em porta. (ícone) . pode-se observar que:  dois valores do grafema R r dependem do contexto grafêmico: entre grafemas que representam vogais ou semivogais. mas vamos tentar aos poucos e com muita brincadeira. Em final de vocábulo. feira e nos encontros consonantais. que se realiza com uma só batida do dorso da língua contra os alvéolos. como em PORTA porta. como em mar baixo. Caso o vocábulo seguinte comece por vogal. como em carro. como em prato.Explicarei no capítulo 17 os dois valores do grafema R r dependentes do contexto grafêmico e o único valor do grafema RR rr. o fonema que ocorre é o /r/. como é o caso de [x] do carioca. A tendência é o apagamento desta consoante em posição final. salvo se o vocábulo for monossílabo. em início do vocábulo. o grafema R r. nas seguintes posições: a) entre grafemas que representam vogais ou semivogais. Os valores dependentes do contexto grafêmico. porém.

tem o valor do fonema /R/. em início do vocábulo. emitindo o som. tem o valor do fonema /r/. como em prato. seguido de outro que inicie por grafema que represente consoante. como em roda. No entanto.. podemos afirmar que se trata de um só fonema?  Por que será que. em final de sílaba interna o valor é opcional. como em comer uva  co –me –´ru –va. como em mar bravo. . se o vocábulo iniciar por grafema que represente vogal. uma vez que alguns valores são totalmente previsíveis. c ( ) apesar da aparente complexidade. tem sempre o valor do arquifonema |R|. não há dúvida.. o grafema R r tem sempre o valor do fonema /r/. em final de vocábulo. se o ensino ocorrer pelo valor que o grafema tem. d ( ) deve ser ensinado traçando as duas letras e. 18. e ( ) deverá ser ensinado inserido em uma palavra. (ícone objetivo) No capítulo 18. Em posição entre vogais. conforme a variedade sociolinguística. o valor é independente do contexto. porém. Nesse caso. simultaneamente. em virtude de tradicionalmente a alfabetização ocorrer pelo nome das letras. o valor é sempre o fonema /R/. na aquisição da língua oral. O grafema RR rr. para alguns valores. bronca. são previsíveis: entre grafemas que representam vogais ou semivogais. trabalharei os valores previsíveis e imprevisíveis atribuídos ao grafema X x. não dá para prever o valor. então o aluno tem que memorizar como se pronuncia a palavra. como em caro. muitas dúvidas poderão ser sanadas. com reanálise silábica. b ( ) apesar de suas várias realizações possíveis.(bloco de anotações) Sugestões para reflexão e pesquisa Por que o grafema RR rr não é tão difícil de ensinar como parece?  Por que. as crianças apresentam maior dificuldade em realizar o /r/ do que o /R/?  (ícone) Avaliação de aprendizagem 17. Mostrei que os valores dependentes do contexto grafêmico. Valores previsíveis e imprevisíveis do grafema X x (ícone síntese) No capítulo 17. pois sempre será /R/. conforme a variedade sociolinguística. Conforme você vai verificar. expliquei os dois valores do grafema R r dependentes do contexto grafêmico e o único valor do grafema RR rr. feira e nos encontros consonantais. a ( ) só pode ocorrer no contexto entre grafemas que representam vogais. recomendo trabalhar com as palavras de uso mais frequente. Valores previsíveis do grafema X x O grafema X x apresenta muitos problemas para a atribuição de seus valores. porém. embora a realização do fonema /R/ apresente muita variação sociolinguística.

t. c. c. os valores são imprevisíveis: podem ser /s/. antes das letras p. X x tem o valor de kiS ou kS em final de vocábulo. na mesma posição. f.  X x tem o mesmo valor que ch no início de vocábulo. c. ao invés do valor de ch.  em outras variedades. o aluno terá que memorizar o valor. antes das letras p. t. X x tem o valor de /z/ quando a letra e inicia vocábulo e ele estiver iniciando sílaba. ou dos nativos de Florianópolis. antes das letras p. f. ou (trouxa). como em xícara. n (enxame). O prefixo não invalida a regra. como em xícara. como em máximo. f tem o valor do fonema /s/. Nos três últimos casos. em final de sílaba. observe-se que.no contexto entre letras que representam vogais (com exceção do e que inicia vocábulo. na fala. o professor deve trabalhar com as palavras de uso mais frequente. portanto.  X x tem o mesmo valor que ch depois de ei (peixe). como em tórax. a semivogal tende a ser eliminada. (ícone) (bloco de anotações) Sugestões para reflexão e pesquisa  Quais os fundamentos da alfabetização mais importantes que aprendi? .  .você percebeu que:  se o ensino ocorrer pelo valor que o grafema X tem. uma vez que alguns valores são totalmente previsíveis. Em outras variedades. como em explicar. t. Valores imprevisíveis do grafema X x No contexto entre letras que representam vogais (com exceção do e que inicia vocábulo. como em abacaxi. em final de sílaba. ou ter o valor de ch. em outras variedades. como em tórax. quando essas iniciam sílaba. como em explicar. como em máximo. ou (trouxa). o prefixo não invalida a regra. tem o valor do fonema /s/. kiS ou kS.  X x tem o mesmo valor que ch em muitas variedades como a carioca. muitas dúvidas poderão ser sanadas. texto. na mesma posição. como em abacaxi.  X x tem o valor de kiS ou kS em final de vocábulo. ou dos nativos de Florianópolis e. depois de n (enxame) e depois de ei (peixe). f. ou ter o valor de ch. como em sexo. exclamar. como em exato.  X x tem o valor de /z/ quando a letra e inicia vocábulo e ele estiver iniciando sílaba. conforme acima) os valores são imprevisíveis: podem ser /s/. ai (caixa).X x tem o mesmo valor que ch no início de vocábulo. t. como em sexo. Ao último fonema de /kiS/ ou /kS/ se aplica o princípio de que. conforme acima). antes das letras p. ai (caixa) . em final de sílaba. X x. terão o mesmo valor que o grafema ch em muitas variedades como a carioca. quando essas iniciam sílaba. kiS ou kS. ao invés do valor do grafema ch. Em muitas variedades como a carioca. como em exato. Nesse caso. também tem esse valor em final de sílaba. como em inexato. c. como em inexato. tem o valor do fonema /s/. exfoliar. (ícone) Pontos importantes: No capítulo 17.

compreenda em profundidade quais são os processos envolvidos na aprendizagem de um sistema alfabético como o nosso e possa fazer de seu aluno um cidadão participante da sociedade da informação. 19. o indivíduo necessita reconhecer a palavra escrita sem titubear. baseada nos achados mais avançados da neurociência. d ( ) deve-se trabalhar no início da alfabetização. Mostrei como a neurociência ilumina as novas metodologias da alfabetização e do desenvolvimento das capacidades de leitura e de escritura e procurei esclarecer as diferenças entre a aquisição da língua oral e escrita a fim elucidar uma série de equívocos sobre como desenvolver a consciência fonológica e. uma jornada que iniciou com as motivações para a proposta: prevenir o analfabetismo funcional. . que teve como objetivo fornecer-lhe as bases para entender a nova proposta. como tornar o aluno apto a compreender os textos que circulam socialmente e também a produzir textos que atendam as suas necessidades pragmáticas. como é o caso do grafema X x entre vogais: a ( ) não deve ser trabalhado em sala de aula b ( ) só devem ser trabalhados os valores previsíveis. Palavras finais Caríssimo professor. Aprofundei. e ( ) deve-se começar pela escrita. bem como ao desenvolvimento integral e integrado do educando. desenvolvendo o gosto pela leitura. sobretudo. Aventuras de Vivi. O livro do aluno. Encerro aqui o Sistema Scliar de Alfabetização – Fundamentos. Dá-se ênfase à aprendizagem dos neurônios para dissimetrizar. Quando os valores de um grafema não são previsíveis. concernentes à alfabetização. com vistas à inclusão de todos na sociedade da informação. você verá aplicados todos os fundamentos da proposta. como em início de palavra. professor. a noção de que. apto a compreender os textos que circulam e a redigir os de que necessita para sua realização. juntos. Percorremos. acompanhadas de uma série de atividades para o desenvolvimento da consciência fonológica. Acredito que esta fundamentação é necessária para que você. para se tornar letrado. particularmente.  Qual a aplicação mais importante da neurociência à alfabetização? Qual a melhor forma de desenvolver o gosto pela leitura durante a alfabetização? (ícone) Avaliação de aprendizagem 18. da linguística e da psicolinguística. Cada unidade apresenta as instruções de como devem ser ministrados os grafemas. lendo com prazer e fluentemente. foi elaborado com todo o cuidado para que a criança se alfabetize. da percepção da sílaba de intensidade e dos vocábulos átonos. c ( ) devem-se trabalhar as palavras de maior frequência de uso. No livro Sistema Scliar de Alfabetização – Roteiros para o professor: 1º Ano.

como. constituídos por uma ou duas letras no sistema ortográfico do PB. Africado: som que começa como oclusivo [-cont] e termina como fricativo. Córtex cerebral: é a camada mais externa do cérebro dos vertebrados. Contínuo da fala: na cadeia da fala. ao contrário dos órgãos especiais. Codificação: na escrita. desmembrando a sílaba em suas unidades constituintes. que passam a representar a respectiva referência. na maior parte das variedades sociolinguísticas. É constituído por cerca de 20 bilhões de neurônios. é o processo que resulta na transposição dos fonemas aos grafemas. respectivamente. percepção. cujos receptores estão restritos à cabeça. significa que os gestos para a produção dos sons são imbricados: os gestos para cada som não são isolados. Censores somestésicos: estão espalhados pelo corpo todo. e evocam as seguintes modalidades perceptuais: Tato/Pressão e Vibração. Dor e Sensação térmica. através da utilização dos grafemas (uma ou duas letras. .GLOSSÁRIO Acrônimo: duas ou mais letras iniciais de palavras que constituem uma frase. como. pensamento. em tia e dia. Cinestesia: sensações e percepções que dizem respeito ao movimento. consciência. as palavras não são separadas entre si por silêncios. Consciência fonológica: é a capacidade de o indivíduo se debruçar sobre a cadeia da fala. por todos os tipos de memória e pelos movimentos do corpo. que as representam. UFSC  Universidade Federal de Santa Catarina. por exemplo. O córtex humano é responsável pela atenção. processadas a partir dos receptores situados no labirinto. Coarticulação: Em fonética articulatória. social e de trabalho. que formam a massa cinzenta. Analfabeto funcional: Designa o indivíduo que não consegue ler ou escrever os textos dos quais necessita em sua vida cotidiana familiar. como é o caso de [ts] na palavra tsetsé. nem há contraste entre os sons que constituem as sílabas. no português brasileiro). Propriocepção. a fim de escrever as palavras. constituída pelos neurônios que processam a informação. também é o caso de [tS] e [dZ] quando t e d estiverem antes da letra i ou da letra e lida como [i] ou semivogal [j]. do que resulta uma das maiores dificuldades na aprendizagem dos sistemas alfabéticos. linguagem.

belo  embelezar. o fonema /R/. Distingue-se das operações em nível do sinal. Um dos hemisférios é o dominante: na maioria das pessoas é o esquerdo. como. onde ocorre uma resposta contígua ao estímulo. abreviaturas e acronímia. para funções específicas. Enfoque multissensorial: estimulação dos vários sentidos para reforçar a aprendizagem do reconhecimento das letras. entre outros. é o processo que resulta no reconhecimento das letras. na fronteira do Rio Grande do Sul. engloba diferentes sons praticados em diferentes regiões do Brasil. televisão  TV. Estímulos categoriais: Nos experimentos de discriminação auditiva são aqueles que permitem detectar quais as fronteiras entre os sons que o sujeito detecta para identificálos como diferentes. belo  beleza. Fonema: classe de sons. como no Rio de Janeiro.Descodificação: na leitura. Especialização dos neurônios: ocorre nas regiões secundiárias e terciárias. Por exemplo. na Bahia. Dislexia: distúrbio congênito que resulta em dificuldades maiores ou menores no reconhecimento dos traços que diferenciam as letras. como são exemplo todas as funções da linguagem verbal. . Para a leitura. para finalmente reconhecer a palavra escrita. Eletroencefalograma: consiste em mensurar. Função semiótica ou semiológica: função que opera com signos. o sistema nervoso central funciona dentro do princípio da divisão de trabalho. as regiões se especializam para determinadas funções. com um voltímetro muito sensível. no português. em fixar  prefixar. Fóvea central: é uma pequena depressão no centro da retina (mácula). através da aprendizagem e graças à plasticidade neuronal. Derivação morfológica: A derivação morfológica no PB pode ser por prefixação e/ou por sufixação e por outros processos como perda de unidades. identificação dos grafemas e sua associação ao respectivo fonema. Fonética: ciência que estuda os sons da fala do ponto de vista articulatório. e assim por diante. fonoaudiologia  fono. acústico ou perceptual. com a função de distinguir significados. Em cada um dos hemisférios. no interior de Minas Gerais ou de São Paulo. através da experiência. onde a luz incide diretamente nos cones. onde é processada a linguagem verbal. Fonoaudiologia: ciência que se ocupa dos distúrbios da comunicação verbal e de como preveni-los e tratá-los. a área da visão que apresenta maior clareza e precisão. a região especializada é a occipitotemporal ventral esquerda. Dominância e especialização do sistema nervoso central: na espécie humana. por exemplo. conforme propunha Montessori. as diferenças de potencial da ordem de um microvolt que as correntes neuronais induzem até a superfície do escalpo.

nem com todos os conhecimentos linguísticos e do mundo já armazenados em suas várias memórias. a movimentação do maxilar inferior. a letra a que. Grafema: unidade de um sistema de escrita que. Linguística: ciência que tem por objeto o estudo da língua. corresponde a uma sílaba. ou o conceito de cadeira. Idioleto: variedade sociolinguística de cada indivíduo. corresponde a uma ou mais letras para representar um dado fonema (no português. [-post] e posteriores. Magnetoencefalografia: detecta as variações minúsculas do campo magnético induzidas pelas correntes neuronais. um afluxo de sangue oxigenado. quanto para trás. somente. conduzido pelo Instituto Paulo Montenegro e pela ONG Ação Educativa. existem ou existirão. isto é. como. Imagem por ressonância magnética (IRM): detecta as regiões cerebrais onde a atividade neuronal é intensa. INAF: Indicador de Alfabetismo Funcional. para a produção dos sons anteriores. manuscrita. O amadurecimento é gradativo e depende de os prolongamentos dos neurônios serem recobertos por uma camada rica em proteínas (mielinização) para poderem transmitir a informação. HAS (high-amplitude sucking): paradigma experimental através do qual se pode mensurar o aumento do número de sucções do bebê diante de um estímulo novo e seu decréscimo quando já está saciado. por exemplo. arrastando a língua. ou suas diferentes representações. O desenvolvimento da capacidade de inferenciar depende fundamentalmente do acúmulo de leituras realizadas ao longo da vida. nos segundos seguintes. Letramento: diz respeito às práticas sociais da leitura e da escrita em sociedades letradas. bem como para que se estabeleçam as conexões entre as várias regiões do cérebro para permitirem a . dependendo da caligrafia de quem escreve. na escrita alfabética. na escrita silábica. que abrange todas as cadeiras que existiram. se realiza de n formas. tanto para frente. como. com ou sem acentos gráficos). por receberem. uma ou duas letras. respectivamente. após cruzar o conhecimento prévio do mundo obtido através de suas experiências e/ou de textos ouvidos ou lidos com o conhecimento extraído do texto oral ou escrito que está recebendo. o cérebro do bebê não está com os circuitos que o constituem inteiramente prontos. por exemplo. Maturidade Cognitiva: ao nascer. Inferenciação: processo cognitivo pelo qual o indivíduo chega a uma terceira conclusão. em todos os seus aspectos.Gestos fonoarticulatórios: resultam dos movimentos do aparelho fonador para a produção dos sons da fala. Invariância: classe que abrange todas as realizações ou fenômenos de um mesmo elemento. isto é [+post]. marcada por características estilísticas que o identificam em contraste com as de outros indivíduos pertencentes ao mesmo grupo social de fala.

em mais de 60 países. trajetos. etc. ou seja. com isto. incentivos e instrumentos para melhorar a efetividade da educação na faixa dos 15 anos. em 2008. tais como a influência de outras línguas e as próprias tendências do sistema. o método global ou analítico. Mielinização: processo de maturação dos neurônios. a crítica de que tal método despreze o significado. para que os neurônios se reciclem e aprendam a processar as informações oriundas da cultura. no qual eles são recobertos pela substância proteica chamada mielina. tornando-se [dZ] e [tS]. ela se refere às estruturas e processos utilizados para armazenar. como é o caso. PISA: Programa internacional de avaliação comparada. uma oração ou uma palavra. a memória dos rostos. da experiência. também foi pré-testada. para decompô-lo até chegar à letra. em virtude de vários fatores externos ou internos. pois.elaboração de perceptos de natureza cada vez mais complexa e abstrata. sabores. depende. cuja principal finalidade é produzir indicadores sobre a efetividade dos sistemas educacionais e de desempenho estudantil voltados às políticas educacionais. favorecendo a aprendizagem. propõe que o alfabetizando automatize a associação entre um grafema (formado por uma ou duas letras no PB) e seu respectivo fonema. É errônea. formando uma bainha isolante que contribui para aumentar a velocidade de propagação dos impulsos nervosos. Mudanças diacrônicas: são as mudanças de um estado de língua para outro que ocorrem no decorrer do tempo. Método global: proposto por Nicolas Adam. Memória permanente ou em longo prazo: memória onde estão registrados os episódios marcantes na vida do indivíduo. sons. A área da neurociência que mais interessa aos processos envolvidos na leitura e na escrita se denomina neuropsicologia. seja ele um texto. vozes. os esquemas. Método fônico: iniciado pelo linguista L. temporariamente estocar e manipular a informação. atribuindo maior eficiência à transmissão da informação e. Palatizado: som que começa como alveolar e termina como palatal. ambos com a função de distinguir significados. Neurociência: estuda a realização física do processo de informação no sistema nervoso humano animal e humano. no português de /p b t d k g/. Oclusiva ou consoante menos contínua: resulta de um obstáculo à saída do ar pelo trato vocal. que estuda a relação entre as funções neurais e psicológicas. como acontece com [d] e [t] antes de [i]. no Brasil. também. uma população cursando o primeiro ano do ensino médio. parte do todo. Memória de trabalho: conforme a psicologia cognitiva. Bloomfield. fornecendo orientações. O programa é desenvolvido e coordenado . quais áreas específicas do cérebro controlam esta ou aquela função psicológica. os conhecimentos adquiridos através das várias linguagens (memória enciclopédica e semântica). como em dia e tia. marcos ou roteiros de suas experiências cotidianas (o seu conhecimento de mundo). o qual deverá ser rompido para que se produza qualquer energia.

a diferença da duração para romper o obstáculo (VOT) na realização de um /p/ (que é maior) e de um /b/. Píxel: menor ponto que forma uma imagem digital. sendo que o conjunto de milhares de píxeis forma a imagem inteira. Pistas acústicas na cadeia da fala: é o conjunto de sinais que os receptores auditivos discriminam para perceber um traço de um fonema. esse vasto feixe de fibras que liga as áreas correspondentes dos dois hemisférios. Somestesia: é a capacidade que homens e animais têm de receber informações sobre as diferentes partes do seu corpo. que possibilita a distinção entre um /p/ e um /b/ em pato e bato. entre outras. Reciclagem dos neurônios: resultado da aprendizagem dos neurônios para novos reconhecimentos. no traço de sonoridade ou de voz. musicais. como é o caso da moda. ponto a ponto. dor etc. Essa transferência passaria. 2009). da alimentação. Psicolinguística: ciência que reúne a psicologia e a linguística no que têm em comum. os receptores auditivos podem discriminar. Cada vez que um hemisfério aprende uma informação visual nova. 7). cap. fazendo com que o impulso nervoso passe de um neurônio para o seguinte por meio dos neurotransmissores. arquitetônicos. ou todos os conjuntos estruturados num dado tempo e espaço. por certo. num dado tempo. cujos elementos passam a ter os mesmos significados básicos para os membros de uma mesma comunidade. mudanças no equilíbrio. pelo corpo caloso. . do mobiliário. Sinapses nervosas: contato entre as extremidades dos axônios e dentritos dos neurônios. estes são transformados em potenciais até chegarem à área somestésica (responsável pelo armazenamento de informações proprioceptivas) (NETO. Depois de os sensores receberem os sinais. Conjunto de sensações corporais como tato. as áreas visuais simétricas dos dois hemisférios. etc. para a pesquisa dos processos de recepção e produção das mensagens orais e escritas. Supondo que esse feixe liga. pictóricos. graças à sua plasticidade. Semiótica ou semiologia: ciência que estuda a vida dos signos no seio da sociedade. a vibração das pregas vocais no /b/. 2012. então a transferência entre os hemisférios deveria inverter a direita e a esquerda” (DEHAENE. movimentos. registrada na barra de sonoridade nos espectrogramas e sua ausência no /p/ e assim por diante. bem como suas respectivas sensações de movimento e posições. a quantidade maior de ruído (aspiração) depois da ruptura num /p/ (que é maior) do que num /b/. Os sistemas semióticos podem ser verbais (objeto da linguística). bem como da aquisição da língua e da aprendizagem da leitura e da escrita. Simetrizar: “Os neurônios da visão foram biologicamente programados para simetrizar a informação. este traço de memória é imediatamente transmitido ao outro hemisfério.internacionalmente pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Propriocepção: refere-se à percepção do próprio corpo: sua postura. consciência corporal. Por exemplo.

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d ( ) a noção de esquerda e direita depende da internalização do esquema corporal. News Room. ___ &___. c (x) os neurônios. para cima e para baixo se dá para distinguir as letras entre si. Incorreta: o reconhecimento da direção para a esquerda. Chigwell.uis. /fev. M. Esta é a condição básica para a aprendizagem. ___. VYGOTSKY. ed. 1991. por uma questão de sobrevivência. São Paulo: Contexto. p.The grammar handbook . jan. 2013. Uma das maiores dificuldades na alfabetização é ensinar os neurônios a dissimetrizar porque. com comentários 1. e ( ) perceber a direção dos traços para a esquerda ou direita não interessa para o reconhecimento das letras. Incorreta: os neurônios humanos têm plasticidade. 2a. por isto.asp?id=12752> Acesso em 29/10/2007.org/profiles/selectCountry_en. SOARES. Florianópolis: Editora Lili. Revista Brasileira de Educação. . 2007. Literacy survey. 2006. UNESCO Institute for Statistics. L. Literacy initiative wins major award. São Paulo: Martins Fontes. as quais constituem os grafemas e esta distinção funciona para diferenciar os significados. /mar. A handbook for teaching grammar and spelling 1. /abr. Gabarito das avaliações de aprendizagem.. WEST Dunbartonshire Council. Disponível em <http://www.info/news/displayarticle. S. Florianópolis: Editora Lili. ___.wdcweb. Acesso em 29/10/2007. 2. Sistema Scliar de Alfabetização – Roteiros para o professor: 1º Ano. nº 25. Rio de Janeiro. b ( ) os neurônios só aprendem através do estímulo-resposta-recompensa.7.___. Essex: Jolly Learning. 2007. Essex: Jolly Learning. Letramento e alfabetização.. L. Correta. WERNHAM. Alfabetização e letramento.aspx . 1993. para a direita..unesco. A formação social da mente. 2004. Aventuras de Vivi. 2012. 1-17. 12752. As muitas facetas. Finger Phonics 1. Incorreta: esta é a concepção do Skinner. a ( ) os neurônios humanos não têm plasticidade para novas aprendizagens. Introdução 1. deverão ser reciclados. como em bela/dela. 29/07/2007.. Disponível em www. foram programados para descartar as diferenças de direção para a esquerda e para a direita e. & LLOYD. S. Chigwell.

pois só o ser humano pode adquirir a língua oral. o ambiental. e ( ) o indivíduo que só frequentou a escola até o 3º. pois três fatores intervêm: o inato. decorado como numa reza. b ( ) abarcando a linha do início à esquerda até o final à direita. Incorreta. o maturativo e o ambiental. Analfabeto funcional é: a ( ) o indivíduo que nunca frequentou a escola. o que descarta as promessas da leitura dinâmica. Vide b. o maturativo.. e de 7 ou 8 à direita. o maturativo e o ambiental. O processamento da linha impressa se dá. Incorreta. Incorreta. b ( ) o indivíduo que não sabe o nome das letras. Incorreta: Embora este tenha sido e ainda é o critério adotado pelo IBGE. Há alunos no 9º. não compreende os textos necessários à sua inserção na sociedade. c (x) o indivíduo que. b ( ) apenas um. ano do Ensino Fundamental. Incorreta. abarcando aproximadamente entre 10 a 12 letras. porque não diz respeito à leitura. desafio para a escola 2. e (x) o inato. pois se os neurônios não amadurecerem normalmente. 2. daí o êxito da leitura dinâmica. ano do Ensino Fundamental. Incorreta. d (x) no momento da fixação. porque o indivíduo pode recitar o nome das letras. . a ( ) durante os movimentos em sacada. o maturativo e o ambiental. Desenvolvimento da língua verbal oral 4. 3. pois só a vida em sociedade garante a aquisição da língua oral. Incorreta. 4. Sem base científica. Incorreta. pois três fatores intervêm: o inato. As neurociências na alfabetização e leitura 3. d ( ) o indivíduo que não fala corretamente. Incorreta.. porque a frequência à escola não é critério para caracterizar o analfabeto funcional. e ( ) aleatoriamente. Os fatores que intervêm na aquisição da língua oral são: a ( ) apenas um. a aquisição da língua oral não ocorrerá. o olho fica cego. o maturativo e o ambiental. Vide explicação em d. sem saber seus valores. pois três fatores intervêm: o inato. Incorreta. Incorreta. ano do Ensino Fundamental que não compreendem o que leem e são analfabetos funcionais. c ( ) apenas um. mesmo tendo frequentado a escola. d ( ) a relação dialógica entre o bebê e a mãe. o maturativo e o ambiental. as relações dialógicas entre o bebê e a mãe integram o fator ambiental. Correta. c ( ) abarcando toda a página. pois três fatores intervêm: o inato. Durante os movimentos em sacada. Correta. já verificamos que se encontram analfabetos funcionais até no 9º. Analfabetismo funcional. Incorreta.Incorreta. o limite é de 3 ou 4 letras à esquerda do centro do olhar. o inato.

Ambas as ciências são físicas. ambos com a função de distinguir significados. frases. 6. d ( ) ocorrem no mesmo momento na criança. às palavras. com o papel que ela desempenha no grafema lh na palavra velha? c ( ) apenas na intuição do indivíduo para ir descobrindo sozinho os princípios dos sistemas alfabéticos. na criança normal. e ( ) ocorrem em sequência: primeiro a criança aprende a ler e a escrever. sem saber o nome das letras.Correta. os indivíduos não as reconhecem. Incorreta. Incorreta. Incorreta. pois. mas a recíproca não é verdadeira. a aquisição da língua oral é espontânea e até compulsória. sentenças e. pois. pois a aprendizagem da leitura e da escrita é sistemática e intensiva. Incorreta: trata-se de um método e não de um fundamento filosófico. Incorreta: o reconhecimento da letra tem o objetivo de chegar ao grafema e ao seu respectivo fonema. c ( ) são interdependentes porque a aquisição da língua oral depende da aprendizagem da leitura e da escrita. b (x) não são a mesma coisa. b ( ) o método indutivo. deve-se usar também a expressão “aquisição da leitura e da escrita”. Métodos de Alfabetização 6. c (x) a interação completa entre as ciências humanas e as ciências biológicas. Desenvolvimento da língua verbal oral 4. Incorreta. Incorreta: é um fundamento parcial. Uma alfabetização efetiva para a leitura e a escrita deve basear-se: a ( ) no método global. pois a aquisição da língua oral precede a aprendizagem da leitura e da escrita. posteriormente as conexões chegam às unidades dotadas de significado. e ( ) ser contemplada só pelas ciências humanas. Incorreta: sem a mediação de alguém preparado para ajudar o aprendiz a reciclar os . d ( ) a indissolubilidade entre a física e a química. 5. associando-os aos fonemas. pois o cérebro processa o texto escrito como um todo. 4. Incorreta. Incorreta: trata-se de um método e não de um fundamento filosófico. Correta. num processo de análise e síntese chega aos grafemas. A aquisição da língua oral e a aprendizagem da leitura e da escrita a ( ) são a mesma coisa. pois a aquisição da língua oral precede a aprendizagem da leitura e da escrita. Incorreta. portanto. A região occipitotemporal ventral esquerda reconhece as letras a partir de seus traços invariantes e. b ( ) na nomeação das letras. enquanto a aprendizagem da leitura e da escrita é sistemática e intensiva. Fundamentos da Alfabetização integral e integrada 5. ao texto. Correta. O que tem a ver o nome agá da letra H. finalmente. pois a aprendizagem da leitura e da escrita depende da aquisição da língua oral. O fundamento filosófico essencial à alfabetização integrada é: a ( ) o método hipotético-dedutivo.

e ( ) no fato de que seja qual for o método. 9. b (x) uma e apenas uma vogal precedida e/ou seguida. mas a consoante. A vogal é obrigatória. c (x) além de terem pouca saliência perceptual. Incorreta. Correta. d (x) só é eficiente se o leitor não titubear diante de cada palavra nova. os vocábulos átonos se referem a noções gramaticais. ou não. d ( ) uma semivogal como centro silábico. e (x) aciona várias regiões do cérebro em paralelo.encontros vocálicos 7. ocorre reanálise silábica e as fronteiras entre os vocábulos desaparecem. c (x) pressupõe que o leitor tenha algum conhecimento prévio sobre o que vai ler. não. associando-as aos fonemas. Todas corretas. b (x) além de a cadeia da fala ser um contínuo. porque no PB apenas uma vogal pode figurar como centro silábico. d (x) quando um vocábulo termina por consoante e o seguinte começa por vogal. superar as barreiras à alfabetização. porque no PB apenas uma vogal pode figurar como centro silábico. As principais dificuldades na alfabetização: desmembrar a sílaba . por consoante(s). dificilmente se chega a bons resultados. ambos com a função de distinguir significados. Incorreta. A sílaba no PB é constituída de: a ( ) duas vogais. A leitura e o sistema alfabético do português brasileiro 9. Incorreta: há métodos que dificultam o processo de alfabetização. Correta. 7. b (x) vai desde a motivação até a retenção da informação na memória permanente e ao posicionamento crítico. e () uma vogal e de uma semivogal obrigatórias. Incorreta. Outras dificuldades na alfabetização 8. vocábulos muito frequentes são átonos e são percebidos muito fracamente. c ( ) uma vogal e de uma consoante obrigatória. ocorre reanálise silábica e as fronteiras entre os vocábulos desaparecem. como o método global. 8. O processamento da leitura: a (x) não se restringe à decodificação. porque no PB a vogal é obrigatória. assim. Todas corretas. não. .neurônios e. mas a semivogal. e (x) se o segmento final e o inicial dos vocábulos forem idênticos. É difícil separar as palavras na escrita porque: a (x) a cadeia da fala é um contínuo em que não há silêncio separando as palavras entre si. Incorreta. o indivíduo se alfabetizará sem tropeços. d (x) nas mais recentes descobertas científicas de que há neurônios especializados que devem ser reciclados para reconhecer os traços das letras.

b (x) que só podem ocupar a margem na sílaba. Correta. Incorreta. e (x) que se opõem às vogais.10. Incorreta: sem feedback. antes da leitura. e (x) ensinar que. 13.. A criança necessita da mediação de um professor. d (x) ensinar os neurônios a reconhecerem as letras. o material didático em sala é desnecessário. Percorrer a letra com o indicador. . de um excelente material didático e de atividades pedagógicas em sala de aula. estamos lidando com unidades que distinguem o significado. c (x) associar grafema ao fonema que ele representa. Todas certas. Como escolher o grafema para as atividades de ensino-aprendizagem 11. bem como as atividades pedagógicas em sala de aula. O ensino-aprendizagem dos grafemas na alfabetização para a leitura deve partir do pressuposto de que a ( ) a criança descobre sozinha os princípios do sistema alfabético do PB e. Incorreta. todos baseados nas descobertas mais recentes da ciência. c ( ) são os valores que dependem de onde cai o acento de intensidade. Quadro fonêmico das consoantes e das vogais do PB 12. Critérios para a introdução dos grafemas 10. portanto. c ( ) a melhor ordem de apresentação é a alfabética. As consoantes no PB são fonemas: a (x) que se realizam com um máximo até um mínimo de fechamento do obstáculo à saída do ar. ambos baseados nas descobertas mais recentes da ciência. associando um grafema ao fonema. b (x) o material didático deve ser cuidadosamente elaborado. Incorreta. associando vários canais de entrada. Valores atribuídos aos grafemas.. e ( ) deve-se começar pela letra A e terminar na letra Z. c (x) que incluem as semivogais /j/ e /w/. d ( ) é necessário começar pela escrita. Todas estão corretas. não existe aprendizagem. 12. porque os valores independem do contexto. 11. independentes do contexto. b ( x) reforçar a aprendizagem. Valores atribuídos aos grafemas. Incorreta. independentes do contexto grafêmico 13. ao mesmo tempo emitindo o som correspondente ao valor do grafema serve para: a (x) fixar a direção dos traços que diferenciam uma letra da outra. b ( ) são os valores que dependem das letras que os sucedem. a ( ) são os valores que dependem das letras que os precedem. porque os valores independem do contexto. A melhor ordem é a da complexidade crescente. Incorreta. A melhor ordem é a da complexidade crescente. para ultrapassar as dificuldades da alfabetização. d (x) que se realizam com maior ou menor obstrução à saída do ar.

Incorreta: somente nasalizam a vogal precedente. b ( ) são lidas como as consoantes [m] e [n] respectivamente.G g . Incorreta. Correta. Isto significa que: a ( ) seu valor depende dos acentos gráficos. c ( ) C c antes do grafema o tem o valor de /s/. Correta. Valores de C c . Incorreta: neste contexto tem o valor de /k/. Letras M m . b (x) da posição das letras que vêm antes e/ou depois. 15. O valor do grafema C c depende do contexto grafêmico. As letras M m e N n em final de sílaba interna a ( ) representam os fonemas /m/ e /n/. e ( ) não devem ser ensinadas nesta posição. Incorreta. Incorreta. porque os valores independem do contexto. pois não é a pronúncia que determina o valor de um grafema na leitura. . e (x) são os valores que independem do contexto grafêmico circundante. Incorreta. d ( ) dos dicionários. c ( ) da Academia Brasileira de Letras.N n em final de sílaba interna para nasalizar a vogal precedente 15. Incorreta. Correta. “Valores dos grafemas dependentes do contexto escrito” quer dizer que o valor do grafema depende: a ( ) de como se pronuncia a palavra. e ( ) C c antes de a tem o valor de /s/. dependentes do contexto escrito 14. respectivamente. 14.Incorreta. respectivamente.Q q antes das vogais posteriores 16. d ( ) C c antes do grafema e tem o valor de /k/. e ( ) de falar mais rápido ou mais devagar. Incorreta: somente nasalizam a vogal precedente. Correta. pois a criança sozinha aprenderá esse valor. 16. porque os valores independem do contexto. Incorreta b (x) seu valor depende de os grafemas que o seguem representarem vogais posteriores ou não posteriores. Incorreta: neste contexto tem o valor de /k/. Valores dos grafemas. Incorreta. Incorreta. Incorreta: neste contexto tem o valor de /s/. d ( ) devem ser ensinadas pelo seu nome eme e ene. d ( ) são os valores que dependem da variedade sociolinguística. c (x) têm a mesma função do til e servem para nasalizar a vogal precedente. pois não é a pronúncia que determina o valor de um grafema na leitura.

pois além de haver alguns valores previsíveis do grafema X x que ocorrem no interior do vocábulo. Incorreta. 18. b ( ) só devem ser trabalhados os valores previsíveis. Incorreta. Valores previsíveis do grafema X x 1. o valor é independente do contexto. b (x) apesar de suas várias realizações possíveis. Incorreta. pois sempre será /R/. d (x) deve ser ensinado traçando as duas letras e. como é o caso do grafema X x entre vogais: a ( ) não deve ser trabalhado em sala de aula.. e ( ) deve-se começar pela escrita.17.. simultaneamente. O grafema RR rr. conforme a variedade sociolinguística. como em início de palavra. o valor é sempre o fonema /R/. c (x) apesar da aparente complexidade. Os dois valores do grafema R r dependentes do contexto grafêmico – o único valor do grafema RR rr 17. c (x) devem se trabalhar as palavras de maior frequência de uso. conforme a variedade sociolinguística. Incorreta. pois desde o início do Sistema Scliar de Alfabetização. Todas corretas. e (x) deverá ser ensinado inserido em uma palavra. explicamos que a recepção (leitura) alimenta e é condição para a aprendizagem da escrita. mesmo os valores imprevisíveis do grafema X x das palavras de maior frequência de uso devem ser ensinados. a dificuldade do aprendizado é muito maior. pois quando os valores de um grafema não são previsíveis. d ( ) deve-se trabalhar no início da alfabetização. emitindo o som. Quando os valores de um grafema não são previsíveis. Correta. . a (x) só pode ocorrer no contexto entre grafemas que representam vogais. Deve ser trabalhado no final da alfabetização.