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RESTAURAÇÃO DAS PINTURAS MURAIS

DA CASA DE RUI BARBOSA

Arquitetos Responsáveis:
Márcia Braga e Delfim Carvalho

RELATÓRIO TÉCNICO 1

SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ............................................................................................................................ 3
1-

PINTURAS DECORATIVAS E ARTÍSTICAS DA VARANDA .............................. 4

1.1-

Pinturas decorativas .................................................................................................. 4

1.1.1-

Estado de Conservação antes do início dos trabalhos ........................................ 4

1.1.2-

Tratamento executado ............................................................................................... 5

1.1.3-

Registros Fotográficos ............................................................................................... 6

1.2-

Pinturas artísticas..................................................................................................... 21

1.2.1-

Estado de conservação antes do início dos trabalhos ...................................... 22

1.2.2-

Tratamento executado ............................................................................................ 22

1.2.3-

Registros fotográficos ............................................................................................. 23
PAINEL1 ................................................................................................................... 23
PAINEL 2 .................................................................................................................. 27
PAINEL 3 .................................................................................................................. 30
PAINEL 4 .................................................................................................................. 40

2-

PINTURAS DECORATIVAS DAS SALAS DO MUSEU .................................... 50

2.1-

Estado de conservação .......................................................................................... 50

2.2-

Tratamento executado ............................................................................................ 50

2.3 –

Registros fotográficos por ambiente ..................................................................... 51

2.3.1-

Sala Pró Aliados ...................................................................................................... 51

2.3.2-

Sala da Federação .................................................................................................. 57

2.3.3 -

Sala Buenos Aires ................................................................................................... 66

3-

PINTURA DECORATIVA DO CORREDOR ........................................................ 67

3.1-

Estado de conservação .......................................................................................... 67

3.2-

Tratamento executado ............................................................................................ 67

3.3-

Registros fotográficos ............................................................................................. 67

2

INTRODUÇÃO
Estão descritos o estado de conservação, os trabalhos técnicos da intervenção de
restauro realizados em cada ambiente e os respectivos registros fotográficos.
Os serviços de restauro em questão iniciaram-se em 18 de junho de 2013.
O presente relatório técnico está dividido em três partes distintas de acordo com as
três frentes de trabalho paralelas que estão sendo executadas. São elas:
1- Pinturas decorativas e pinturas artísticas da Varanda. ( em andamento )
2- Pinturas decorativas das salas internas do Museu.

( concluídas )

3- Pintura decorativa em imitação de mármore do Corredor. ( em andamento )

EQUIPE TÉCNICA
Alice Medina............ Restauradora Coordenadora de Equipe
Luciene Hiromi......... Restauradora
Paula Rocha............. Restauradora
Maíra de Oliveira...... Auxiliar de Restauro
Pauline Julião........... Auxiliar de Restauro

3

PINTURAS DECORATIVAS E ARTÍSTICAS DA VARANDA Vista externa da varanda. Áreas ocas com degradação do substrato.Pinturas decorativas 1. 4 .1. rachaduras e trincas.1. Áreas degradadas por pulverulência do reboco. Fissuras. Observação: No painel próximo à parede no fundo da varanda existem prospecções estratigráficas onde se vê as camadas de pintura mais antigas e as originais. Estas serão preservadas e protegidas com Paraloid B72. Presença de intervenções de argamassa e cimento incompatíveis com o original.1. 1.1.Estado de Conservação antes do início dos trabalhos Camada pictórica em descolamento.

Montagem de uma torre de andaime móvel. Aplicação de emassamento com massa acrílica. Identificação das cores com o catálogo de tintas do fabricante Coral para PVA.Tratamento executado Proteção do piso com plástico e feltro. Remoção de intervenções de argamassa e cimento incompatíveis com o original. Proteção das prospecções estratigráficas com Paraloid B72. Nivelamento. Aplicação de novo emboço com argamassa de cal e areia nas áreas de perda. Consolidação estrutural do substrato com injeção de adesivo PVA através de seringas. Cópia dos desenhos das faixas decorativas em stencil para posterior reprodução. Realização de testes de consolidação com adesivo PVA. 5 . Remoção da camada de pintura em áreas degradadas com descolamento. Preenchimento de rachaduras e fissuras com cal e areia. Realização de testes de percussão para localização de som cavo e detecção de áreas degradadas no substrato.1. Remoção de argamassas pulverulentas.1. Embrechamento: aplicação de argamassa com cal e areia em áreas muito profundas como preparação da aplicação do emboço.2. Consolidação superficial por aspersão de adesivo PVA. Abertura de trincas e fissuras.

1.3.Registros Fotográficos Proteção do piso para início dos trabalhos com plástico e feltro. 6 .1.

Parte superior das pinturas decorativas antes do início da restauração: Área sobre o Painel artístico P1. Área sobre o Painel artístico P3. Área sobre o Painel artístico P4. 7 . Área sobre o Painel artístico P2.

8 . Detalhe do estado da camada policromada em descolamento.Detalhe da faixa entre a pintura decorativa e a pinturas artísticas com descolamento. Toda pintura nesse estado foi removida.

Prospecção estratigráfica. Pintura artística.Pintura decorativa atual com degradação do substrato e da camada policromada. Cópia do desenho da barra decorativa em stencil. para posterior reprodução. Neste foto se vê uma das prospecções existentes no local com pintura decorativa original. 9 . Painel próximo à parede do fundo da varanda mostrando a pintura decorativa com a barra decorada e a pintura artística embaixo dela.

Abaixo estão as fotos da remoção de intervenção de argamassa e cimento incompatível com o original assinalada em tracejado amarelo na foto acima. Área sobre o Painel artístico P2. 10 .Remoção de área com intervenção de argamassa e cimento incompatíveis na área sobre o Painel artístico P2.

11 .Sequência de fotos com a remoção da intervenção incompatível. Remoção de outra intervenção de argamassa e cimento incompatível com o original sobre o Painel artístico P2.

Remoção de intervenção de argamassa e cimento incompatível com o original sobre o Painel artístico P3. Aplicação de adesivo PVA por aspersão.Aplicação de adesivo PVA por aspersão para consolidação do substrato degradado. 12 . Proteção das pinturas artísticas para aplicação de embosso e massa acrílica nas pinturas decorativas.

... Área pronta para receber novo emboço: ........... 13 ... Massa acrílica: ....... área próxima à pintura artística já coberta com massa acrílica..Remoção de intervenção de argamassa e cimento incompatível com o original sobre o Painel artístico P4.. Rachadura: ..... Área sobre o Painel artístico P1 com áreas já abertas para aplicação de nova camada de emboço...

Áreas próximas ao piso: Detalhe de estufamento demonstrando a degradação da argamassa do emboço. 14 .

Foto demonstrando pequenos pontos de pintura original em tom rosado avermelhado. 15 . Remoção de partes em descolamento.Remoção de argamassas completamente pulverulentas.

Áreas pontilhadas da foto com demarcação de áreas ocas para injeção de adesivo. Perfuração para abertura de furo para aplicação de adesivo por injeção. 16 .Área com remoção total de argamassas degradadas em descolamento.

Reboco solto com pequenos pontos pretos de ação biológica.Áreas demarcadas para injeção de adesivo. Aplicação de adesivo PVA por injeção. 17 .

Nivelamento de lacunas com massa acrílica. e massa acrílica. 18 .Área preparada para receber novo emboço. com as pinturas artísticas devidamente protegidas.

19 .Aplicação de argamassa de cal e areia nas lacunas.

Aplicação de argamassa de cal e areia nas lacunas. 20 .

Pinturas artísticas Os quatro painéis com pinturas artísticas foram classificados como P1. P3 e P4.2. P2. conforme o esquema gráfico abaixo: Edificação P1 P2 P3 P4 Varanda Painel P1 Painel P2 Painel P3 Painel P4 21 .1.

Teste de aplicação de verniz para saturação: Paraloid B72.2. Estas áreas eram predominantemente as de fundo preto ou verde e o procedimento foi aprovado pela fiscalização da equipe técnica do Museu que acompanhou a obra. Consolidação com Beva 371 aplicado com pincel em toda a extensão das pinturas e ativação do adesivo com calor aplicado com espátula térmica.1. Emassamentos com desníveis e superfície lisa. Presença de retoques com diferenciação tonal inadequada ou inacabados. Aplicação de textura com massa acrílica nos emassamentos antigos que tinham superfície completamente lisa. Teste de remoção da pátina biológica com pomada antibiótica e Aguarrás mineral para remover a pomada e finalizar a limpeza. Limpeza da camada pictórica com aplicação da pomada antibiótica e Aguarrás mineral. Reintegração pictórica com Paraloid B72 e pigmentos de excelente qualidade da marca Sennelier e Casa do Restaurador. Regalrez e Arkon P90. O verniz com melhor resultado de saturação e refração foi o Paraloid B72. através do uso de trinchas. Aplicação de verniz de saturação Paraloid B72 a 10% em Xileno. 22 . Pátina biológica. com diferenciação de refração da luz. Esse procedimento foi realizado para colorir o emassamento no mesmo tom avermelhado do emassamento original e facilitar a reintegração estética final. Remoção de retoques anteriores com diferenciação tonal e cromática.1. O tratamento garantiu a completa aderência da pintura à superfície mural.Tratamento executado Testes de consolidação com adesivo Beva 371 com êxito. Este procedimento eliminou áreas com retoques antigos realizados em restaurações anteriores.2. Pigmentação dos emassamentos em massa acrílica com aplicação de têmpera gouache da marca Talens. A manutenção de áreas lisas comprometeria a qualidade estética do resultado final da nossa intervenção e por isso optamos por adicionarmos esse procedimento ao restauro. 1. Manchas de escorrido típicas de infiltração. Sujidades depositadas sobre a superfície pictórica.2. comprometendo o aspecto das pinturas.Estado de conservação antes do início dos trabalhos Processo de descolamento com craqueluras e perdas da camada pictórica.

23 .2.Registros fotográficos Painel P1 Área limite com a pintura decorativa onde existem prospecções estratigráficas com pinturas originais aparentes.3. Aplicação de Beva 371 para consolidação.1.

24 .Estado do painel antes da restauração. Ativação do Beva 371 com aplicação de calor com espátula térmica.

25 .Indicação de desnível com descolamento. Aplicação de Beva 371 com seringa. apontado pela restauradora.

Painel limpo e emassado. 26 . com marcação do teste de vernizes. Teste de aplicação dos vernizes.

27 .Painel P2 Estado da pintura antes da intervenção. Detalhe de manchas de escorridos.

Detalhe do braço direito da figura com nivelamento e retoque alterado. 28 . Emassamento e nivelamento da área de perda.

Painel limpo. 29 . com remoção de repinturas e aplicação de textura nos emassamentos. Texturização de áreas lisas sobre emassamentos antigos.

Pigmentação avermelhada no emassamento e verniz de saturação. 30 . com manchas de escorrido bem visíveis. Painel P3 Estado de conservação antes do restauro.

Detalhe com pintura decorativa em descolamento acima da pintura artística. 31 . Detalhe dos escorridos.

32 .Injeção de adesivo Beva 371.

Remoção da pátina biológica com aplicação de pomada antibiótica. 33 .Área quadriculada com teste para remoção de pátina biológica – a área mais escura e brilhosa está limpa. sujas de pátina biológica. Limpeza com Aguarrás Mineral e Estopas embebidas com Aguarrás mineral.

34 .Remoção da pátina biológica visível na metade direita das fotos.

Retoque de intervenção anterior. 35 . Remoção da pátina biológica visível na metade direita da foto. Pátina biológica removida.Presença de pátina biológica removida.

36 . Retoques antigos com diferenciação tonal.Painel emassado e nivelado. Retoque tracejado. área em verde.

Área original.Remoção de repinturas. já sem repinturas. Detalhe remoção de repintura na área verde. 37 . Swab com repintura no processo de remoção.

38 . saturado com Aguarrás.Painel limpo e livre de repintura. Texturização do emassamento e pigmentação do emassamento em tom avermelhado.

já com verniz para saturação.Painel pronto para a reintegração estética. Processo de reintegração estética. ] 39 .

manhas de escorridos e retoques com diferenciação tonal. Detalhe dos desgastes. 40 .Painel P4 Estado de conservação antes do início do restauro.

Aplicação de Beca 371 com ativação térmica por aplicação de calor com
espátula térmica.

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Aplicação de pomada antibiótica.

Emassamento.

Teste de aplicação de vernizes.

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Verniz com melhor resultado: Paraloid B72.

Reglarez.

Arkon P90

Painel emassado.

43

44 . Pigmentação da massa acrílica.Texturização do fundo liso.

45 .Emassamento pigmentado já com verniz aplicado no painel.

46 .Processo de reintegração estética.

47 .Reintegração estética.

48 .Detalhes do processo de reintegração estética em fase final.

49 .Reintegração estética.

Recomposição de parte de ornamentação perdida em forma de ave na Sala da Federação feita com forma de silicone e réplica em gesso. pigmentadas com têmpera gouache da marca Talens e pigmentos universais. rachaduras e fissuras. Recomposição volumétrica com argamassa de cal e areia.2. rachaduras e trincas. Verificação de cores com a utilização do cataloga do fabricante Coral – PVA e T testes de cores das tintas adquiridas. Remoção de pinturas e argamassas em descolamento ou pulverulentas. Consolidação com PVA e argamassa de cale areia. Proteção com selador das áreas emassadas. 2. Fissuras. Perdas de camada policromada. Perdas de volumetria. Áreas em desnível proveniente de intervenções anteriores. 50 .Estado de conservação Descolamento de camada de policromia. Áreas com repinturas apresentando variação tonal de proveniente de intervenções anteriores. Reintegração pictórica realizada com tintas PVA.Tratamento executado Abertura de trincas.1.2.PINTURAS DECORATIVAS DAS SALAS DO MUSEU 2. Reprodução de desenhos decorativos feitos à mão em áreas pequenas ou com auxílio de papel carbono branco em áreas grandes. Desagregação e descolamento de argamassas. Reintegração estética (repintura) das áreas lisas e das áreas com desenho nas cores feitas pela equipe de restauração. Emassamento e nivelamento com massa corrida.

2.3. 51 .1.3 – Registros fotográficos por ambiente 2.Sala Pró Aliados Área envolvida por tracejado amarelo em péssimo estado de conservação com desagregação e pulverulência da argamassa. em processo de descolamento.

em processo de descolamento. Canto da sala em bom estado de conservação.Área com desagregação e pulverulência da argamassa. 52 .

Restaurador trabalhando em novo emassamento em áreas de perda. 53 .

Aplicação de selador. 54 .Áreas degradadas com emassamento e nivelamento prontas para receber a pintura.

Pintura nas áreas de desgaste e perdas para reintegração estética.Aplicação de selador para conclusão da etapa estrutural. pois a tinta PVA escurece quando molhada. A cor está mais escura nestas áreas. 55 .

Desenho refeito em grande área de perda. destacadas com tracejado branco.Áreas verdes em processo de reintegração estética. Reprodução do desenho em papel vegetal para aplicação do mesmo em áreas de perda. 56 .

57 .2.2.3.Sala da Federação Preparação da Sala.

Preparação da sala com proteção do piso e do mobiliário. Funcionários do Museu trabalhando na arrumação da sala. 58 .

59 . Pássaro que serviu de modelo para reconfecção da volumetria perdida.Perda de volumetria em forma de pássaro.

60 . Volumetria reconfeccionada sendo pintada para reintegração estética da perda.Aplicação de silicone no pássaro de modelo para confecção de forma.

Áreas tracejadas em amarelo apresentando rachaduras e trincas. 61 .

62 .

63 .Trinca A área tracejada em vermelha foi refeita.

64 .Reintegração e desenho em área já preparada com nova pintura Retoque no douramento em área já refeita.

65 .Área pronta após o restauro.

3 .2.Sala Buenos Aires Pontos com degradação apresentando desagregação da argamassa e descolamento. 66 .3.

1.Registros fotográficos Corredor antes da intervenção com preparação do piso.2. Consolidação superficial por aspersão de adesivo polivinílico PVA. Teste de aplicação das cores adquiridas para verificação tonal do resultado da tinta seca. Teste de verificação de cores no catálogo do fabricante Coral para aquisição de tinta acrílica. Teste de som cavo para localização de áreas ocas. Áreas ocas. Nivelamento.PINTURA DECORATIVA DO CORREDOR 3. Desagregação de argamassas com perdas de substrato. Abertura de trincas. Presença de trincas. rachaduras e fissuras.Tratamento executado Abertura de toda a área em descolamento com remoção de policromia. Preenchimento de trincas mais profundas com argamassa de cal e areia.3.3. aberturas e fissuras. Emassamento com massa PVA.Estado de conservação Policromia em avançado processo de descolamento com craqueluras e perdas. 3. 3. 67 .

Áreas dom desagregação.Proteção do piso com plástico e feltro. descolamento e perda da argamassa e policromia. 68 .

69 .Áreas dom desagregação. descolamento e perda da argamassa e policromia.

70 .Prospecção estratigráfica que já existia na parede demonstrando policromia original. Partes degradadas removidas e rachaduras e fissuras abertas.

71 .Partes degradadas removidas e rachaduras e fissuras abertas.

72 .Rachaduras e fissuras abertas.

Remoção de policromia degradada. 73 .

Teste de limpeza. 74 .

75 . Emassamento de perdas.Consolidação por aspersão de adesivo PVA.

Emassamento de áreas de perda. 76 .

10 de agosto de 2013.Processo de emassamento e preenchimento de fissuras e rachaduras. Rio de Janeiro . 77 .