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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ – UEM

CENTRO DE TECNOLOGIA
DEPARTAMENTO DE ARQUITETURA E URBANISMO

CAROLINA FRESSATTI CARDOSO
CAROLINE GOMES GONÇALVES
ISABELA DE OLIVEIRA CRISPIM
THIAGO FALCÃO SIMÕES
VICTOR AUGUSTO BRATTI DOMINGUES

SÃO PAULO SÉCULOS XIX E XX

MARINGÁ
2014

Carolina Fressatti Cardoso

R.A.: 82463

Caroline Gomes Gonçalves

R.A.: 82555

Isabela de Oliveira Crispim

RA: 84040

Thiago Falcão Simões

RA: 82733

Victor Augusto Bratti Domingues

R.A.: 82505

SÃO PAULO SÉCULOS XIX E XX

Trabalho

apresentado

como

requisito

parcial para obtenção de aprovação na
disciplina de Teoria da Arquitetura e do
Urbanismo IV, no Curso de Arquitetura e
Urbanismo, na Universidade Estadual de
Maringá.
Prof. Dr. Gisela Barcelos de Souza

MARINGÁ
2014

normalmente insalubres e que propiciavam a proliferação de doenças endêmicas. provocando medidas por parte do governo e pesquisas que viriam a determinar os novos rumos da habitação ao longo do século XX. detalhando mais especificamente as habitações coletivas e vilas operárias. Vila operária. . Palavras-chave: São Paulo. As transformações e modificações impactaram em definitivo o futuro da cidade.RESUMO Este trabalho aborda as questões urbanísticas da cidade de São Paulo no que respeita ao crescimento. desenvolvimento e ampliações. Crescimento urbano. A expansão da indústria e as plantações de café atraíam para a capital da província um número crescente de imigrantes que se acumulavam em habitações precárias.

............................................... 4 2.............................................................................. 15 ANEXO A ....................................................................................................................... 19 ANEXO G ............................................................................................................................................... 2.......... 21 ................................................................................................................................................... DESENVOLVIMENTO .................................................... 8 CONCLUSÃO ....................................................................................................................................................................................2.......................................................................................................... Crescimento Urbano .......................................................................................... 5 2....................... 20 ANEXO J . Vilas Operárias ............................................... INTRODUÇÃO .............................................................................................................................................. 17 ANEXO D .......... 16 ANEXO B .................................... 18 ANEXO F ................................................................................................................................................................................................................................ 18 ANEXO E .....................................................................SUMÁRIO 1........................................1.................5 3....................... 14 REFERÊNCIAS ................... 20 ANEXO I ....................................... 19 ANEXO H ............................................................................................................................................................... 16 ANEXO C ......................................................................

Dessa forma são abrangidos. dentre os quais é possível citar a falta de infraestrutura. alguns projetos de melhoramentos propostos para São Paulo. o qual surgiu juntamente com o grande crescimento da economia cafeeira da cidade de São Paulo. INTRODUÇÃO O trabalho irá abordar como tema principal os cortiços e as vilas operárias assim como o crescimento da cidade de São Paulo durante o período entre os séculos XIX e XX. Ainda no âmbito dos cortiços.4 1. Por fim. . também nesse contexto. De forma a contextualizar esse período. Medidas como decretos e intervenções do próprio governo também em relação ao melhoramento dessas habitações são discutidos no decorrer do trabalho. é explanado o modo de funcionamento destes e como foram distribuídos pela cidade bem como as questões sanitárias às quais estavam submetidos esses ambientes e as famílias que os ocupavam. Será apresentado o processo de formação dos cortiços. é analisado o grande crescimento da cidade em estudo bem como as consequências que esse crescimento trouxe. o trabalho enfoca nas necessidades de readequação das habitações coletivas que eram notadas pelo aumento de impactos na saúde e segurança pública.

geográficos (SZMRECSANYI. A partir da economia cafeeira teve seu desenvolvimento acelerado passando de 23 253 habitantes em 1874. iluminação. Tentou-se realizar intervenções urbanas. Crescimento Urbano A passagem entre do século XIX para o XX no Brasil é assinalada por mudanças políticas. gás. A base para as reformas foram a administração em Paris do Barão de Haussmann e no Rio de Janeiro de Pereira Passos (SEGAWA. avenidas e construções. . ultrapassou seu limite triangular. até meados do século XIX.1. através de ruas. Esta expressiva evolução de sua importância em cerca de 150 anos foi resultado da conjunção de uma série de fatores sociais. Partindo do fim da escravidão em 1888. 2013). algumas intervenções reforçavam a questão do saneamento necessário.5 2. até mesmo. mas essas tentativas majoritariamente deram errado. a partir do século XIX. Parte dessa população habita a cidade e participa do processo de industrialização do país. DESENVOLVIMENTO 2. As cidades deveriam ser palco da modernização. para. e em vinte anos passaria a ter 579 033. a principal metrópole sul americana no final do século XX. Com o crescimento de São Paulo havia a necessidade de água. tendo como meio a interligação da urbe existente com a periferia. esgoto. tendo como modelo a Europa de 1800. Seu desenvolvimento estava intimamente interligado com a economia. buscava-se a implantação desses serviços e de infraestrutura. entre os Conventos de São Francisco. 1993). considerando principalmente na eliminação das estruturas coloniais e na salubridade dos ambientes. econômicas e sociais. para 239 820 em 1900. A cidade. Aliada a estes fatores. do Carmo e do Mosteiro de São Bento. energia elétrica. econômicos e. modificaram-se os modos de produção e intensificou-se a imigração para substituir a mão de obra. São Paulo passou de uma cidade de pouca importância no contexto nacional. transporte público entre outros. Vários projetos corrigiam problemas e adequavam as formas urbanas para a nova fase de desenvolvimento econômico do país (BRITTO. 2004). et al. a implantação de infraestruturas regionais criou as condições para a adaptação do território ao expressivo desenvolvimento econômico que marcou este período.

Já em 1896. principalmente o Vale do Anhangabaú e a Várzea do Carmo. querendo substituir a taipa como sistema construtivo e importando materiais e técnicas. O que também ajudou a contribuir para tal importância foi a maneira como a sociedade produtora paulista se posicionou no final do século XIX. ou. na baixada do Anhangabaú foi inaugurado o Mercado São João em 1890. tendo a baixada da Várzea do Carmo remodelada. 2004). A cobrança . Razões ideológicas. Além disso. que passaria do emprego da mão-de-obra escrava para o trabalhador livre assalariado. Devido sua localização privilegiada para a articulação de caminhos. 2004). momento de transformação das relações comerciais do país com o exterior e das mudanças na sua base produtiva. se os vales deveriam ser transpostos ou urbanizados. de 1892. O Viaduto do Chá. Havia duas periferias. Vários viadutos foram propostos por brasileiros e estrangeiros. Uma questão encontrava-se para a elite da cidade. Cidades costeiras. e com o apoio à construção de todo um conjunto de infraestrutura para a promoção de uma forte industrialização baseada também no excedente urbano desta mão-de-obra (PRADO JUNIOR. e outra de pobres. em sua maioria. a partir do final do século XIX. a “Metrópole do Café”. propagada por questões imobiliárias. também surgiram propostas para ocupar abaixo desses viadutos. A ferrovia trouxe um novo ritmo a capital da Província. Empreendimentos estrangeiros eram chamados ao país. Esta mudança contou com a ajuda do Estado no recrutamento de mão-de-obra estrangeira imigrante para as lavouras. Adolfo Augusto Pinto criou o considerado primeiro planejamento urbano para a cidade. sendo agora uma cidade influenciada pelo café. funcionais e promotoras de atividades comerciais e industriais. Junto com toda a transformação da cidade. Ao mesmo tempo o processo de urbanização mostrava-se intenso (BLAY. com a instalação da ferrovia como principal suporte logística de uma economia agrário-exportadora baseada no café (AB’SABER. com inspiração Haussmaniana é explicado por diversos fatos. apoiadas pela elite brasileira. sofriam com epidemias. Com isso.6 Reformar cidades em um país essencialmente rural. 1985). marcou a quebra do Triângulo paulista. veio a mudança na forma de construir. uma formal. São Paulo obteve vantagens locacionais e aquisição de importância no contexto nacional. de equipar o país com cidades saneadas. por exemplo. sendo essas as vilas operárias (SEGAWA. Em 1890 houve a proposição de uma Exposição Continental. veio o fracionamento pela periferia. 1972). onde habitava o maior contingente populacional.

representações ainda melhores do urbanismo moderno do que as reformas urbanas imitando a Europa da época.7 para passar pela obra marca o novo espírito capitalista de São Paulo. no final do século XIX. à semelhança do Plano de Pereira Passos para o Rio de Janeiro (ANDRADE. Outras investiam nos materiais. Através disso foi possível ter financiamentos e investimentos no ramo da construção. As intervenções feitas na época tinham o propósito de drenar profundamente e superficialmente os terrenos. regulamentar as construções. principalmente de loteamento e de edificações. Ainda havia aquelas sociedades que procuravam investir na urbanização ou em equipamentos urbanos. que provinha das fontes hidráulicas do rio Tietê. proporcionar o abastecimento de água e o esgotamento sanitário. para a implantação de ferrovias e posteriormente rodovias. a arborização de praças. et al. a expansão urbana e o assentamento da população crescente. engenheiros e médicos (BRITTO. Os planos urbanos conduzidos pelos engenheiros sanitaristas no início do século XX foram os primeiros planos estruturantes para a industrialização. permitindo ao mesmo tempo a expansão das atividades industriais. Com a falência do Banco de Mauá. um exemplo seria a criação de bairros operários. Ao longo do século XX. assim como o conhecimento especializado da base sanitarista. regularizar e limpar lotes vazios. 2004). geralmente especializadas em um material específico (SEGAWA. São Paulo no início do século XX dispunha de capacidade de manejo dos recursos hídricos para o abastecimento público e para a produção de energia. Além de principal centro de articulação do transporte e da circulação regional. a pavimentação de vias e limpeza pública. estes eixos desempenharam papel significativo para a formação de bairros e instalações de indústrias. 1991). e também. ao longo das várzeas e lugares de baixa declividade. passou-se a investir em lotes e construções. 2013). Adquirem importância técnicas de urbanização e gestão pública. canalizar os cursos d'água. . A promoção de Rui Barbosa ao Encilhamento continuou com a especulação e propiciou a criação de sociedades. suas diretrizes de traçado acompanharam os caminhos naturais. Quando os primeiros sistemas de infraestrutura de articulação regional foram concebidos na capital da Província.

os problemas já existentes de saneamento. onde a população de classes menos beneficiadas. . agora. geralmente de operários. No início da República. anteriormente investindo na construção. 2004) O aumento populacional da cidade de São Paulo dos finais do século XVIII. de cuspir na rua. As principais ruas de São Paulo encontravam-se apinhadas de cortiços onde moravam os trabalhadores. agravaram-se ainda mais. concomitantemente com antigas epidemias. Para a melhoria da salubridade era necessário a desapropriação de alguns cortiços. estampando uma nova solução para habitar. de deixar que a casa fosse desinfetada se necessário. obrigados a reforma-los ou demoli-los. urbano. As casas para alugar e construções já passaram a ser escassas. isso não era de agrado da população em geral. alterando definitivamente a imagem urbana.2.8 2. Vilas Operárias A Primeira Guerra.) (CARVALHO. as transformações e o crescimento geram problemas já conhecidos por capitais europeias como Paris e Londres. e de abandonar a residência se essa fosse condenada. as greves e a falta de habitação marcam o início do século XX. Foi o caso do Rio de Janeiro de Pereira Passos. etc. atraídas pelas possibilidades presentes no país. ocorrendo surtos de epidemias em várias metrópoles do país. principalmente dos proprietários. surgem os cortiços. 2013). devido a vários fatores não o fazem mais. Contudo. acumula-se sem abrigo condizente com as necessidades humanas. a cidade de São Paulo vê-se com grande oferta de mãode-obra. gera mudanças no sentido arquitetônico. caracterizada pela abastada produção de café. Devido ao grande fluxo de ondas migratórias. Os empreendedores. o crescimento do proletariado. social e econômico. É nesse contexto que durante o processo de industrialização da cidade. a malária e a tuberculose. Por exemplo. que baseado em Haussmann aplicou isso. principalmente de fábricas e de oficinas. Com o aumento da população fica cada vez mais difícil o aluguel. em 1891 se teve a epidemia de febre amarela e varíola. substituindo a tradicional taipa. Muitas vezes eram forçados a desapropriar o local. os inquilinos tinham de receber empregados da saúde. o que impulsiona novas construções com técnicas de alvenaria. além de criar uma série de pequenas leis que evitassem a insalubridade (proibição de defecar em outro local que não fosse o mictório. de cães e vacas de andarem pelas ruas. Além disso. De 1907 a 1916 houve um súbito declínio na construção habitacional. (SEGAWA.

propõe a extinção dos cortiços existentes e a proibição da construção de novos. ainda que as latrinas e tanques para a lavagem de roupas fossem comuns a todos os moradores (LEMOS. apesar das opiniões de ambos profissionais. além do quarto de dormir. mesmo em seu pouco espaço. como também o entorno e até mesmo a cidade. mas seriam permitidas nas zonas suburbanas. apoiado pelo parecer técnico do engenheiro Luís Cesar do Amaral Gama. o Código de Posturas e o Padrão Municipal de 1886 proibiram essas construções apenas no perímetro urbano. separados por uma área linear com cerca de dois a três metros de largura pela qual tinha-se acesso aos interiores das habitações. viu-se nesse tipo de moradia. possuindo. Os aluguéis elevados e a dificuldade em comprar uma casa levam as famílias a procurar os cortiços ou dividirem o aluguel em mais pessoas. séries de pequenos habitáculos providos de porta e janela. o médio Doutor Eulálio da Costa Carvalho. enquanto as águas servidas corriam em céu aberto. A preocupação da Comissão de Justiça da câmara de São Paulo no século XIX é em relação a insalubridade dessas habitações coletivas e como tal situação prejudicaria não somente os moradores desses locais. umas vez que.9 O conceito inicial de cortiço consiste em cubículos dispostos lado a lado. Famílias inteiras compartilhavam do minúsculo espaço. faz-se necessária a observação e avaliação das condições que assolam parte significativa do centro da cidade. perduraram para mais de meados do século XX. e. são construídos as escondidas. onde cada família ou grupo possuía um ou dois cômodos para abrigar-se enquanto dividia comumente as instalações sanitárias. devido a proliferação de doenças e epidemias. será oportuna a criação da lei do inquilinato. grande possibilidade de lucro. com urgência (SEGAWA. em terrenos estreitos ou nos interiores dos quarteirões. Inspirados pelo eminente lucro gerado por essas instalações. 2004). ocupando ambas as laterais da espaço. no caso de uma medida eficaz não ser tomada. Esse contexto caracteriza os primeiros cortiços paulistanos. ocupando-se também da área comum para a secagem de roupas. tarefas cotidianas e diversão dos filhos. ao longo do tempo. sala e cozinha próprias. por incrédulo que pareça. que. Ainda que a tendência da construção dos cortiços fosse crescente e já houvesse se proliferado. 1989). tornar-se-ia impossível a contenção da modalidade no futuro. Entretanto. o que agrava a má qualidade da saúde da população. Logo. a sociedade demora a se dar conta da maneira como as pessoas viviam. quando de fato a situação começa a gerar problemas de impacto sanitário. Dessa maneira. ainda que regulamentadas questões . o setor imobiliário passa a construir cortiços com unidades habitacionais de maior qualidade. ampliado pela crescente população desabrigada. Logo. A partir de então. Em 1885. as casas passam a acomodar duas famílias ou mais.

50 metros de altura. Ainda que a Postura de 1886 regulamentasse as construções dos cortiços. e. já que os cortiços permaneciam no perímetro urbano. quarto e cozinha. que foram aprovadas pela prefeitura. devido à precariedade e aglomeração de pessoas. sendo essas próximas as linhas de trem (LEMOS. as construções deveriam estar providas de torneira com água ou poço para cada seis habitações. Cada uma destas deveria ter pelo menos sala. aceitasse as mesmas características subumanas do passado europeu. haviam dezessete itens. Um dos vereadores da Câmara propôs algumas normas para o melhoramento de cortiços. . A análise foi efetuada no distrito de Santa Ephigênia. a situação encontrada era tão impropria como o imaginado. regularizaram reformas para algumas construções plausíveis de serem habitadas e sugeriram a criação de vilas operárias para os moradores que fossem removidos dos cortiços sem condições de restauro. composto por Cândido Espinheira. Cunha Vasconcelos e Marcondes Machado. conforme a situação encontrada. Dentre as propostas. uma latrina para cada duas habitações. para receber ar e luz. a Câmara passou a cobrar impostos altíssimos sobre esse tipo de habitação precária. cujo resultado foi enviado ao secretário dos negócios do Interior.10 como quantidade de instalações sanitárias. a situação ainda acarretava problemáticas a saúde pública e a ordem social de toda a cidade. em 1893 o engenheiro Amaral Gama organiza um grupo de profissionais para elaborar um relatório sobre as reais condições das habitações coletivas.5 metros de altura e estarem a 0. Segundo a lei de 1886. defendendo que não poderia ser permitido que uma cidade nova como São Paulo. Nas ruas analisadas. recuos frontais e dimensionamento de terrenos. Como reação. Em 1877. podendo ser um jardim frontal. Cesário Motta Jr.todos deveriam ter aberturas para o exterior. se térrea. 1989). Teodoro Sampaio. com pé-direito variando de 10 a 12 palmos e cuja frente não dava para a via pública” – (Atas da Câmara Municipal de São Paulo. onde a proliferação de febre amarela atingira não somente a área. estabeleceram a média dos habitantes por casa. deveria ter 4. como também o entorno do Brás. 1881. a rua interna deveria possuir no mínimo 5 metros de largura e as edificações deveriam possuir pé-direito de mínimos 4. não menores que 10m² . Incorporadas somente em 1886.00 metros de pé direito. p.77). e no caso de sobrados até 3. os vereadores elaboraram uma definição oficial para os cortiços: “quartos encarreirados cobertos de meia-água. Cada habitação. Barra Funda e Bom Retiro. um deles dispunha sobre a área comum em frente às habitações que deveria ter 30m² livres para cada habitação. Os autores do trabalho contabilizaram a quantidade de famílias do distrito. propuseram soluções para a melhoria da vida e da cidade como um todo. Em 1881.20 metros elevadas do nível do solo.

Em 1897. tinham a limpeza das áreas comuns sob responsabilidade do proprietário.50 m². e ainda o munício ficaria responsável pela infraestrutura do local.11 deveria haver poço ou torneira com água e pequeno tanque de lavagem para cada grupo de seis habitações. que na realidade não passavam de cortiços e não condiziam com as idealizações iniciais do termo. 1989). inspirado pela análise da realidade da habitação coletiva de Santa Ephigênia. vereadores opositores conseguiram aprovar a Lei 589/1898. dispondo de 37. com um quarto a mais do que o primeiro tipo. de quatro tipos: o primeiro tipo seguia as repartições presente na definição da casa proletária (sala. com 45 m².000 m² e a isenção de impostos e taxas ao empresário. o segundo.000 casas. eram as casas com comércio. seria concedida uma área de 500. foi autorizado um contrato com Guilherme Maxwell Rudge para a construção de 2. mas que ampliavam a capacidade sanitária das edificações. O plano aceitava que os conjuntos habitacionais fossem implantados em lugares distantes do centro da cidade e como solução desta grande distância. em 1899 foi possível estabelecer parâmetros sanitários para a regulamentação da modalidade residencial. São Paulo passava por uma etapa de contínuo crescimento e construções que dividiam o território das antigas chácaras. o terceiro tipo. 1995). servindo os moradores com maior zelo e se distanciavam dos centros. deixando de ser economicamente viável para o empresário. e após um ano da assinatura do contrato. um banheiro para cada duas habitações. a possibilidade da geração de aluguel. como encanamentos de águas e esgotos. conforme o Código Sanitário. foi promulgado o código sanitário. que anulava a concessão dos terrenos municipais. necessário para manter as condições de vida nas vilas. Tornou-se comum a construção de “vilas operárias”. O quarto tipo. fosse ela o cortiço original ou as casas de cômodos. incluindo também na modalidade de cortiço os casarões subdivididos em diversas famílias. Definiu como cortiço “o conjunto de duas ou mais habitações que se comuniquem com a rua por uma ou mais entradas comuns para servir de residências a mais de uma família”. com três quartos. mantendo-se vigente através de vistorias de fiscais sanitários (LEMOS. O mercado imobiliário ainda via na grande quantidade populacional de menor renda. Para que fosse realizada a construção das vilas. quarto e cozinha) com área mínima de 30m². Através desse código. entre outros itens (SAIA. Esses locais. . a Câmara entraria em contato com as linhas de ferroviárias e de bondes para obter passagens com o preço reduzido para os habitantes das vilas. sendo agora construídas próximas das fábricas. Estas casas nunca saíram do papel. As classes abastadas abandonavam os centros e mudavam-se para os subúrbios. Em 1894.

Essas vilas eram muitas vezes muradas e nelas viviam operários com suas famílias sob “custódia” dos patrões. Deve a moradia projetada poder transformar-se facilmente por acréscimo. Em 1916 São Paulo encontrava-se sob administração de Washington Luís. foi considerada como modelo de vida numa vila operária. com a intenção de . Além das moradias para os operários. para uma família só.134) Os projetos deveriam ser baseados na higiene. Sobre o tipo de moradia. e a segunda. que abre um concurso para a apresentação de casas proletárias econômicas. mas de três ou quatro compartimentos habitáveis. 2004). de jazidas na várzea do Tietê de areia com cor e qualidade ideais para a fabricação de vidro. Caso ocorresse greve. Ainda na várzea do rio Tietê foi edificado a Vila Boyes para os operários da indústria de Simeon Boyes. duas vilas operárias para dar auxílio aos empregados da fábrica. a Vila Nova. (SEGAWA. destinadas a casal sem filhos. 2008). Estas casas eram construídas em alvenaria de tijolos e o programa constituía de um banheiro interno no térreo ao lado da cozinha e dois dormitórios no piso superior. a primeira foi a Vila Velha. onde o poder público esperava que as empresas construíssem vilas mediantes apoio e isenção. Em seguida a prefeitura divulgou esses trabalhos a quem pudesse interessar com os orçamentos. A Vila Maria Zélia. compreendendo dois compartimentos habitáveis. Com a descoberta. respectivamente. e dependências. a vila também oferecia espaços para lazer. construída um pouco depois. sendo o médico e empresário Jorge Street o proprietário. p. a casa com filhos de um sexo ou sexos diferentes. na comodidade.12 Neste contexto. dando início a produção de vidros. em outra de condições análogas. algumas empresas ergueram vilas industriais parar seus próprios trabalhadores. e um orçamento sem o custo do terreno e o pagamento ao arquiteto. os moradores poderiam ser expulsos das casas (CAMPOS. no entanto não se sabe de algum desses projetos que tenha sido executado (SEGAWA. além de ter um desenho executivo. os projetos apresentados foram divididos em grupos de acordo com os programas. na estética e na economia. Todos os gastos dentro da vila (aluguel e no comércio) eram descontados diretamente na folha de pagamento. de acordo com levantamentos feitos pela arquiteta Dalva Thomaz. construída entre 1911 e 1916 para abrigar os operários que trabalhavam na Companhia Nacional de Tecidos de Juta. em 1892. 2004. foram construídas na década de 1910. dos quais um servindo simultaneamente de cozinha. Em 1917 se teve o resultado. Devido à dificuldade no acesso e das cheias do Tietê. Deveria satisfazer as posturas municipais de 1900. foi constituído a firma Prado & Jordão (posteriormente Fábrica de Vidros Santa Marina). refeitório e permanência diurna.

Os cortiços perduram até 1929. dentista. quando o Código de Obras Arthur Saboya. igreja. se localizava os serviços coletivos. armazém.13 melhorar a vida dura dos seus trabalhadores. casa de cômodos. A construção era de boa qualidade. como: creche. Mediam de 75 a 110 m² e eram todas elas geminadas. Desse modo. etc. Vila Bueno e a Vila Marquesa de Itu que foi ocupada pelos operários que trabalhavam na San Paulo Railway (LEMOS. campo esportivo. entre outras anteriormente existentes. tornar-se-iam inadequadas e fora da lei vigente na cidade (LEMOS. 1989). foram construídas na Vila Maria Zélia 220 casas unifamiliares com água encanada e energia elétrica. Os gastos na vila eram todos descontados na folha de pagamento de cada funcionário. . ou habitações populares que não utilizem de instalações sanitárias comuns. como: Vila Aguiar. com as fachadas direcionadas para as principais ruas. o terreno se estendia do rio Tietê até a Av. A vila foi implantada no bairro de Belenzinho. Vila Santa Clara. 1989 ). exceto e eletricidade que era paga individualmente. Inaugurada em 1917. Várias outras vilas foram construídas no início do século XX. revoga toda a legislação anterior e estipula que as únicas habitações coletivas permitidas são os hotéis e prédios de apartamentos. Celso Garcia. escolas. a modalidade de cortiço. No acesso principal. portas e janelas de madeira maciça. farmácia. Vila Santa Maria. e consequentemente melhorar o desempenho deles dentro da fábrica. com assoalho de pinho.

Devido a expansão. agravando o quadro de moradias. não foram implantados de acordo. é que a situação começa a se resolver com a construção de vilas operárias. deve-se. mediante a linha férrea na província. Por fim. uma vez que a expansão industrial e econômica foi uma das bases de maior importância para a expansão territorial urbana. atraíam grandes fluxos de imigrantes europeus. o inchaço urbano provocado por essa mudança brusca na população paulista e pelos baixos salários dos operários. Por consequência. foram elaborados projetos de saneamento e melhoria do espaço urbano como um todo. fez com que o prazo de regularização levasse mais tempo que o esperado. ocupa boa parte do século XIX. O crescimento de São Paulo. sendo que majoritariamente. Nesse contexto. a questão industrial e habitacional do século XIX. concluiu-se que o crescimento de São Paulo deve-se. parte considerável da população encontrou-se sem local para habitar. dá-se de forma radial. O grande número de cortiços e casas de cômodos provocou medidas determinantes para a execução dos mesmos. uma vez que as tentativas de readequação da situação foram por diversas vezes elaboradas. a população abastada deslocava-se agora para as regiões periféricas. Com a libertação dos escravos ampliou-se a oferta de trabalho. além da implantação dos mais importantes viadutos. nasceram da mão-de-obra imigrante que ocupou os cortiços no passado. muitas vezes construídas pelos próprios industriais. ocupando terrenos que anteriormente pertenciam às chácaras. A produção de café e o crescimento industrial. concluiu-se que o crescimento e expansão da cidade de São Paulo.14 4. a abolição da escravatura em 1888. próximo às indústrias. . portanto. O desenrolar da questão das habitações coletivas e operárias. o Código de Obras Arthur Saboya proíbe completamente os modelos habitacionais. Apenas a partir de meados do século XIX. Somente em 1929. simultaneamente. CONCLUSÃO A partir das pesquisas. em prol da melhoria da saúde e segurança pública. deu-se a formação dos cortiços insalubres nos centros. A densidade populacional alcançada no século XX e a posição atual da cidade como um polo. essas. em muito. inicialmente. A falta de profissionais para a verificação das condicionantes. Alguns exemplos são os do Vale do Anhangabaú e a Várzea do Carmo.

Nobel. L. São Paulo. Brasiliense. Informativo do Arquivo Histórico Municipal. São Paulo. In: Evolução política do Brasil e outros estudos. C. 1991. São Paulo. Imprensa Oficial.15 REFERÊNCIAS AB’SABER. Perspectiva. N. A. Os bestializados: o Rio de Janeiro e a República que não foi. N. São Paulo. Ed.. O plano de Saturnino de Brito para Santos e a construção da cidade moderna do Brasil. São Paulo: Perspectiva. N. História da arquitetura moderna. SEGAWA. SAIA. 1985. In: Espaço e Debates. A. Vol. BRITTO..br CARVALHO. A originalidade do sítio da cidade de São Paulo. BLAY. 1976. Contribuição para a geografia urbana da cidade de São Paulo. L. In: www. Belo Horizonte. UFMG. São Paulo. 2004. PRADO JUNIOR. São Paulo. 1972. E. Morada Paulista. H. Ateliê Editorial. L. A. NASCIMENTO. LEMOS. 2ª. UFMG. Prelúdio da Metrópole: arquitetura e urbanismo em São Paulo na passagem do século XIX ao XX. Águas urbanas e urbanismo na passagem do século XIX ao XX: o trabalho de Saturnino Brito.34. R.arquivohistórico. BENEVOLO. 1989. Nobel. Companhia das Letras. 2008. Vila Economizadora. M. . Ver. 1. C. J. 2013. L. M. O. C. 2004. Alvenaria Burguesa: breve história da arquitetura residencial de tijolos em São Paulo a partir do ciclo econômico liderado pelo café. 3º ed. ANDRADE. BERTRAND-KREJEWSKI.sp. C. A. São Paulo. 1995. In: São Paulo: ensaios entreveros São Paulo: EDUSP.gov. E. 2013. 20. Eu não tenho onde morar. J. CAMPOS. 4 (19): jul/ago.

H. 2ª. Ed. . 2004. Prelúdio da Metrópole: arquitetura e urbanismo em São Paulo na passagem do século XIX ao XX. 2ª. São Paulo. São Paulo. H. Ed. ANEXO B – Plantas das casas com alcovas em taipa de pilão. 2004. Disponível: SEGAWA. Ateliê Editorial. Disponível: SEGAWA.16 ANEXO A – Casas Eduardo Prates e Barão de Tatuí parcialmente demolidas para constituição do eixo Viaduto do Chá. Ateliê Editorial. Prelúdio da Metrópole: arquitetura e urbanismo em São Paulo na passagem do século XIX ao XX.

2004. São Paulo. Disponível: SEGAWA.17 ANEXO C – Alegoria de Jules Martin sobre a desapropriação da casa do Barão de Tatuí. H. 2ª. Ateliê Editorial. Prelúdio da Metrópole: arquitetura e urbanismo em São Paulo na passagem do século XIX ao XX. Ed. .

Prelúdio da Metrópole: arquitetura e urbanismo em São Paulo na passagem do século XIX ao XX. 2ª. Disponível: SEGAWA. Ateliê Editorial. ANEXO E – Croqui de Jules Martin com a proposta de situar a Catedral de São Paulo no então Largo dos Curros. H. Prelúdio da Metrópole: arquitetura e urbanismo em São Paulo na passagem do século XIX ao XX. 2ª. 2004. . Ateliê Editorial. 2004. H. São Paulo. Disponível: SEGAWA. Ed. São Paulo. Ed.18 ANEXO D – Litografia de Jules Martin distribuída aos acionistas da Companhia Viaduto do Chá.

2004.Voltolino. Ed. Ateliê Editorial. . Prelúdio da Metrópole: arquitetura e urbanismo em São Paulo na passagem do século XIX ao XX. 2ª. O Estado de São Paulo. H.19 ANEXO F – Voltolino. 1920. São Paulo. Disponível: SEGAWA. Disponível: SEGAWA. 2004. 1919. Ed. H. São Paulo. O Estado de São Paulo. 19 out. ANEXO G . Ateliê Editorial. 2ª. Prelúdio da Metrópole: arquitetura e urbanismo em São Paulo na passagem do século XIX ao XX. 19 out.

Prelúdio da Metrópole: arquitetura e urbanismo em São Paulo na passagem do século XIX ao XX. 27 nov. Ed. 1919. H.20 ANEXO H – Corredor de cortiço em clichê de O Estado de São Paulo. . ANEXO I . 25 nov. São Paulo. Disponível: SEGAWA. Ed. São Paulo. Ateliê Editorial. 1919. Ateliê Editorial. H. 2004. 2004. 2ª. Disponível: SEGAWA. Prelúdio da Metrópole: arquitetura e urbanismo em São Paulo na passagem do século XIX ao XX. 2ª.Cortiço em clichê de O Estado de São Paulo.

Ateliê Editorial. Prelúdio da Metrópole: arquitetura e urbanismo em São Paulo na passagem do século XIX ao XX. . Ed. 2ª. H. Disponível: SEGAWA.21 ANEXO J – Prêmio do concurso para casas operárias. 2004. São Paulo.

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