Edição nº 13 Janeiro/2010 SESI Responsabilidade Social Empresarial

SESI lança Modelo de Sustentabilidade no Trabalho
E s t i m u l a r a e xc e l ê n c i a n a g e s t ã o d a sustentabilidade e da qualidade de vida no trabalho, este é o objetivo do Modelo SESI de Sustentabilidade no Trabalho. No Amazonas, duas empresas já participaram da aplicação do diagnóstico: Amazon Etiquetas Ind. e Comércio Ltda. e Whirlpool Eletrodomésticos SA. A utilização do modelo pela empresa é sempre embasada em Indicadores de Práticas e de Performance. A consultora em Responsabilidade Social Empresarial do SESI/AM, Clícia Tupinambá, explica que o modelo é uma ferramenta de diagnóstico e avaliação inovadora, que abrange um processo participativo onde, da alta direção até os colaboradores de diversas funções e níveis, todos na empresa preenchem um questionário de autoavaliação, primeiro individualmente e depois em reunião de consenso. O SESI processa os dados levantados e depois apresenta os resultados para a empresa. Com o uso desse modelo por parte das empresas industriais, pretende-se contribuir para a melhoria do processo de gestão, priorizando a relação com seu público interno e as condições de trabalho, aspectos preponderantes para a prática da responsabilidade social e sua sustentabilidade, além da projeção de uma imagem positiva perante as partes interessadas , destaca a consultora.
Iniciativa do SESI Nacional, a estrutura do Modelo SESI de Sustentabilidade no Trabalho avalia seis áreas da gestão da empresa:
§ Cultura organizacional § Gestão de pessoas § Educação e desenvolvimento § Inovação § Ambiente de trabalho seguro e saudável § Desenvolvimento socioambiental

Clícia revela que o Modelo SESI está tendo uma ótima aceitação por parte das empresas do Amazonas, desde as de pequeno porte até as multinacionais. “Este ano pretendemos aplicar (o modelo) em um número maior de indústrias de diversos portes e setores, permitindo que elas comparem o seu nível de competitividade em relação aos líderes do respectivo setor e também para auxiliá-las na elaboração de um plano de ação”, disse. Segundo a analista financeira Nataliane Correia, da Amazon Etiquetas, o Modelo SESI é uma ferramenta que proporciona um entendimento mais amplo entre trabalhador, empresa e mercado de trabalho. Nataliane destaca que o processo de aplicação do modelo na empresa foi muito bom. “O Modelo SESI gerou uma união de pensamentos entre todos os colaboradores, resultando em grupos de estudos para soluções de problemas. Tivemos também uma base melhor para aplicarmos os investimentos de uma forma mais satisfatória tanto para a empresa, quanto para os funcionários”, disse.

O Info SESI conversou com Albaniza Leite, coordenadora e idealizadora do Projeto Reciclando para Não Poluir. Vamos conhecer um pouco desse trabalho socioambiental que, por meio do artesanato produzido com o lixo reciclado tem gerado emprego e renda para famílias de baixa renda de Manaus.

INFO SOCIAL

Info SESI: Como e quando nasceu o Projeto Reciclar? R: Tudo começou em 1999 quando eu era professora na escola Municipal Armando de Souza Mendes, no bairro São José III, zona Leste de Manaus, quando percebi que a escola estava com um índice alto de evasão por parte dos alunos. Preocupada com a situação resolvi mobilizar toda a comunidade escolar e fazer visitas a casas de alunos, foi quando detectamos que a maioria deles vivia em áreas de risco, em moradias precárias ou próximas às lixeiras, sujeitos a doenças e sem nenhum princípio de saneamento básico. A escola Armando de Souza Mendes foi construída num terreno que um dia foi leito de um igarapé e que nos tempos chuvosos alagava. Então decidimos desenvolver um projeto ambiental que estimulasse os alunos e familiares a cuidarem e se sentirem responsáveis pela comunidade onde viviam. Assim nasceu o projeto “RECICLANDO PARA NÃO POLUIR”. O nosso objetivo era diminuir os impactos ambientais causados pelo acúmulo e desperdício de resíduos sólidos jogados na natureza, como nos rios, lagos e igarapés, que estavam causando grandes transtornos na zona Leste de Manaus e principalmente nas escolas municipais. Desde então o projeto tem apresentado benefícios ambientais, mais especialmente sociais e econômicos, como a inserção de muitas pessoas no mercado de trabalho, que não tiveram oportunidade de emprego e renda no trabalho formal. Info SESI: Como funciona o trabalho de vocês? R: O projeto consolidou-se através da participação de voluntários (mães, alunos e comunitários da zona Leste da cidade). Com o crescente número de objetos confeccionados para as datas comemorativas, percebeu-se a necessidade de divulgar o trabalho e os conhecimentos adquiridos para outras instituições públicas e privadas, empresas e órgãos de educação, através de palestras, oficinas com resíduos sólidos, passeatas, exposições, desfiles de moda temática conceitual com resíduos sólidos, feiras de artes, decoração de casamento, natal,

debutantes, aniversário em geral, ou qualquer outro tipo de temática voltada para preservação do meio ambiente, jogos e brinquedos pedagógicos, arranjos florais, bolsas diversas, chapéus para praia e bijuterias, tudo a partir de resíduos sólidos. Trabalhamos com decorações em empresas a partir de seus próprios resíduos. Atualmente, o projeto funciona com um pequeno grupo de mulheres que fazem parte desde sua fundação (15 instrutoras). Estamos nos estruturando para abrir uma associação e mesmo ainda não sendo uma associação recebemos encomendas e pedidos de empresas e de várias instituições para realizarmos palestras, oficinas com resíduos sólidos e principalmente decoração de eventos. O projeto ao mesmo tempo em que gera renda, melhora a qualidade de vida de todos os envolvidos em seu processo. Info SESI: Vocês recebem incentivos ou apoio de órgãos públicos e empresas privadas? R: O apoio que recebemos vem das Secretarias Municipais: Semed, Semtrad e Semmas. E de algumas empresas como: Brasil Norte Bebidas (Coca-Cola) Grupo Simões, Coplast, Copag, Dumond, Impram, Cometais, Technos, SENAI, SESI, P e t r o b r a s , Te l h a L e v e , O i Telecomunicações, Sony do Brasil e Vara do Meio Ambiente e Questões Agrárias (Vemaq). Atualmente estamos em busca de patrocinadores para o nosso programa de televisão na TV Ufam, construção de um site, uma revista de educação ambiental e, quem sabe, futuramente possamos contar com amigos voluntários e patrocinadores que nos ajudem na construção de um sonho que já dura mais de 10 anos que é a construção de uma sede para o Projeto Reciclar. Info SESI: Como vocês conseguem coletar os resíduos reciclados para elaborar os artesanatos? R: Através de comunitários do entorno do projeto, comunidade escolar, empresas, instituições públicas e privadas.

Info SESI: Como o Projeto faz para vender os artesanatos que produz? R: Através de encomendas e exposições em feiras, repartições públicas e privadas. A renda é revertida para os instrutores e compra de materiais para confecção de novas peças. Info SESI: Onde fica localizado o Projeto Reciclar? R: Atualmente estamos na Agência de Desenvolvimento Local (ADL) do bairro de Petrópolis, zona Sul da cidade. Info SESI: Sabemos que existem muitas ONGs que usam de má-fé o trabalho social, ou seja, se aproveitam desse tipo de atividade para obter lucro financeiro. Como você acha que podem ser combatidas essas instituições de fachada que já enganaram muita gente? R: O Ministério Público Estadual é responsável por fiscalizar apenas as entidades que são registradas como fundações. As organizações não-governamentais – ONGs são investigadas apenas quando denunciadas. O controle para garantir que elas atuem de forma correta é falho, seja por falta de vontade política ou por ausência de uma estrutura que permita esse trabalho. Entendemos que todos somos responsáveis por fiscalizar, mas cabe também às comunidades onde essas ONGs estão inseridas denunciarem quando suspeitarem que as mesmas não estão agindo de forma lícita.

Para conhecer mais sobre o Projeto Reciclando para Não Poluir basta entrar em contato pelo e-mail: projeto.reciclar@gmail.com ou telefone: (92) 8801-0856 / 9112-8933

ARTIGOS
http://www.pautasocial.com.br

Jornalismo e o conceito cosmético de sustentabilidade
mídia brasileira tem dedicado, sobretudo após a divulgação dos recentes relatórios internacionais sobre mudanças climáticas, espaço e tempo generosos para a temática da sustentabilidade. Mas, como sempre ocorre, a qualidade da cobertura tem sido penalizada pela superficialidade com que se contempla o conceito de desenvolvimento sustentável, que está evidentemente no cerne dessa discussão. Na prática, as coisas sempre são mais complexas do que se postula e, por isso, o debate sobre a questão fica patinando, girando em falso, em virtude de um número significativo de imprecisões e incompletudes, certamente derivadas da falta de espírito crítico e da má intenção. Há dois equívocos que podem ser apontados de imediato e, dentro do espaço de que dispomos, vamos enumerá-los rapidamente. O primeiro deles diz respeito ao entendimento que a mídia, pautada por fontes comprometidas com determinados (e poderosos) interesses, tem do conceito de desenvolvimento, assumido muitas vezes como crescimento econômico, medido pelo aumento do PIB e outros indicadores de que se pode lançar mão a qualquer momento. Esta perspectiva restrita acaba privilegiando a vertente econômica em detrimento da sócio-cultural ou política, por exemplo. Não é por outro motivo que se fala em desenvolvimento sustentável dos negócios, da economia brasileira etc, um discurso apropriado amplamente pelos governantes e empresários que costumam enxergar pouco mais do que um palmo à frente do nariz. O desenvolvimento, dirão certamente os mais críticos, não se resume a essa perspectiva, que não apenas empobrece o conceito, mas o desvirtua brutalmente. Não se deve aceitar impunemente, como tem feito parcela significativa da mídia e dos jornalistas brasileiros, que se dilapide um conceito em nome de interesses escusos ou da preguiça em se precisá-lo. Desenvolvimento tem a ver com a superação da pobreza e da desigualdade, com a defesa intransigente da pluralidade e da diversidade, com o compromisso com os direitos humanos, com o acesso à educação, à moradia e assim por diante. Crescimento econômico é outra coisa e, em muitos casos, representa um olhar antagônico que, no capitalismo selvagem ou predador se antepõe à implementação de um efetivo desenvolvimento (o social, o cultural, o das liberdades de pensamento e expressão). O segundo equívoco significa valer-se do termo (ou melhor do conceito de sustentabilidade) como se ele fosse um adereço qualquer, como um colar ou um brinco que se troca a toda hora para combinar com o resto da roupa. Sustentabilidade ou sustentável, mais apropriadamente, não é apenas um adjetivo, daqueles que se pode trocar por outro qualquer que esteja registrado no velho e útil dicionário do Aurélio. A sustentabilidade tem a ver com os problemas ambientais, mas não se esgota aí, muito pelo contrário. Na verdade, quem age dessa forma assume explicitamente que o meio ambiente é algo deslocado da economia, da cultura, da sociedade, algo que se possa dominar, como as teorias neoliberais de desenvolvimento continuam apregoando. No fundo, imagina-se que se possa fazer omelete sem quebrar os ovos porque, para muita gente, dói chegar à conclusão que não há saída, se não reformamos efetivamente o modelo que aí está posto. Um modelo comprometido com o consumo desenfreado e com todo tipo de insustentabilidade explícita, como a geração estúpida de lixo (especialmente o eletrônico em nossos dias), o uso indiscriminado de agrotóxicos e a ameaça à diversidade colocada por esta mentalidade transgênica que grassa por toda parte. A insustentabilidade que se manifesta no apagão aéreo e que nos agride a todos, fruto da incompetência oficial e da ganância de empresários que não medem esforços para aumentar os lucros (que sustentam a sua visão particular e mesquinha de sustentabilidade). O jornalismo brasileiro precisa incorporar esta visão crítica, esta leitura atenta dos conceitos e das teorias para não ficar refém de fontes que têm como objetivo avacalhá-los. Com certeza, outros conceitos têm servido também para este propósito, como o de responsabilidade social, amplamente apropriado por empresas não éticas e por veículos e jornalistas sem compromisso com coisa alguma. Se o jornalismo brasileiro deixasse de navegar apenas na superfície e se dispusesse a um mergulho de vez em quando conseguiria cumprir melhor o papel que dele se espera. Não ficaria chamando agrotóxico (veneno) de defensivo agrícola (remedinho para planta, como gostam de dizer os vendedores de praguicidas em geral, e que mata centenas de milhares de pessoas em todo o mundo) e se recusaria a aceitar a expressão "floresta de eucaliptos", uma heresia cometida em nome de uma sustentabilidade de mesa de botequim. O desenvolvimento sustentável que se deseja, e pelo qual vale a pena lutar, não se mede pelo PIB, nem pela exportação de commodities agrícolas ou minerais; não se aplica a segmentos econômicos que prezam a natureza e que insistem em praticar o discurso cínico do "marketing verde". A sustentabilidade tem menos a ver com o bolso do que com a alma. Mas o executivo das grandes corporações e o jornalista que apenas reproduz falas e releases devem achar que isso é poesia. O cidadão sustentável continua felizmente, gostando de ver e ouvir estrelas.

SITES
http://www.internethos.org.br/rej/

A

http://www.empresaresponsavel.com

REFERÊNCIAS

Gestão da Comunicação e Responsabilidade Socioambiental
Uma nova visão de Marketing e Comunicação para o Desenvolvimento Sustentável

Autores: Joana D'arc Bicalho Felix e Gilson Zehetmeyer Borda Editora: Atlas

Gestão da Comunicação Terceiro Setor, Organizações Não Governamentais, Responsabilidade Social e Novas Formas de Cidadania
Autora: Maria Cristina Castilho Costa Editora: Atlas

Responsabilidade Social e Empresa Sustentável Autores: José Carlos Barbieri e Jorge Emanuel Reis Cajazeira Editora: Saraiva

Cartilha “Infância e Comunicação: Uma agenda para o Brasil” Para baixar a cartilha acesse: http://www.andi.org.br/_pdfs/infancia_comunicacao.pdf

DICAS
Os Pilares da Comunicação Socialmente Responsável 1.Comunicar sobre os compromissos responsáveis da empresa l compromissos de progresso e definir indicadores; Assumir l um diálogo, aberto e transparente, sobre o sucesso da Adotar empresa, mas também sobre os problemas com que ela se defronta no seu percurso para o desenvolvimento sustentável; l Fazer um balanço factual das ações responsáveis desenvolvidas pela empresa. 2.Responder às preocupações dos públicos l Estar atento; l um sistema de escuta dos diferentes públicos;] Adotar l Informar o público sobre as ações desenvolvidas pela empresa para dar resposta às suas preocupações. 3.Conceber ações de comunicação que sejam elas mesmas socialmente responsáveis l Elaborar uma estratégia de comunicação baseada nos valores da Responsabilidade Social; l a Responsabilidade Social – Educar nesse sentido os públicos Divulgar internos e externos é em si mesmo um ato de Responsabilidade Social, fundamental para promover uma mudança verdadeira; l Pôr a comunicação a serviço de causas que não teriam de outra forma meios de comunicar; l a opinião pública para os aspectos que a empresa considera Alertar importantes para o seu mercado e denunciar os mitos relacionados com a oferta; l Promover, nos consumidores, um comportamento responsável; l Produzir informação que ensine os consumidores a distinguirem os produtos e as suas qualidades, para poder julgar, comparar e comprar em perfeita consciência.
Fonte: www.sairdacasca.com

* Wilson da Costa Bueno é jornalista, professor da UMESP e da USP, diretor da Comtexto Comunicação e Pesquisa. Editor de 4 sites temáticos e de 4 revistas digitais de comunicação.

E X P E D I E N T E DO INFOSESI AMAZÔNIA SUSTENTÁVEL
Superintendente do SESI - Luiz Alberto Monteiro Medeiros l Gerência do NRSE: Simônica Sidrim Texto: Etienne Lopes l Revisão: Idelzuita Araújo - Mtb 049/AM Editoração eletrônica: Alessandra Nascimento Edição 13 - Janeiro 2010