Texto-Base: Jeremias 17: 7-9 Tema: Calamidade Espiritual

7 Bendito o homem que confia no SENHOR e cuja esperança é o SENHOR. 8 Porque ele é como a árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes para o ribeiro e não receia quando vem o calor, mas a sua folha fica verde; e, no ano de sequidão, não se perturba, nem deixa de dar fruto. 9 Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá? O termo calamidade provém do latim calamitate. Significa: desgraça pública, catástrofe, flagelo, tormento, tragédia. Uma calamidade pode ter origem em fenômenos naturais. Quando ocorrem grandes desgraças, infelicidades e infortúnios nas comunidades se utiliza o termo calamidade pública. Os governos nacionais nestes casos atualmente possuem mecanismos para salvaguardar as populações atingidas. Uma situação de calamidade deixa a população atingida extremamente fragilizada. O que é mais marcante em situações de calamidade é a vulnerabilidade que caracteriza a população atingida. Tendo como base o texto bíblico acima, podemos afirmar que:

A falta de comunhão com Deus nos leva a um estado de calamidade espiritual
1 Porque sem comunhão com Deus, somos facilmente enfraquecidos pelas adversidades da vida (vs. 8b); 2 Porque sem comunhão com Deus, somos facilmente dominados pela apatia (vs 8c) não se afadigar/esmorecer 3 Porque sem comunhão com Deus, somos facilmente enganados pelo nosso próprio coração (vs. 9). Observações importantes sobre o contexto do livro de Jeremias: Abandonar o manancial de águas vivas (Jr. 2:13) ver também Salmo 42:1 Profetas e sacerdotes culpados (Jr. 5: 30-31) O povo se esqueceu de Deus: Jr 2:32 Calamidade natural: A grande seca (Jr. 14: 1-6) Calamidade religiosa: Idolatria (Jr. 10: 1-5); Calamidade moral: Jr. 8:5-6 Jerusalém sitiada: Jr. 6:2: Jr. 9:11 Intercessões de Jeremias são rejeitadas: Jr. 14: 7-22 Calamidade total: Jr. 15: 1-4; Rebeldia do povo: Jr. 16:12

1 Porque sem comunhão com Deus, somos facilmente enfraquecidos pelas adversidades da vida (vs. 8b) estende as suas raízes para o ribeiro e não receia quando vem o calor
O calor de uma terra seca é extremo. Naquela região, as temperaturas são muito elevadas durante boa parte do ano. A metáfora do calor pode ser associada com as adversidades da vida. Tempos de seca são marcados por situações de dificuldades enormes. As adversidades da vida nos enfraquecem facilmente/rapidamente quando estamos longe de uma comunhão genuína com o Senhor. É impressionante como muitos cristãos se deixam vencer pelas dificuldades que enfrentam, e isto está ligado à distância no relacionamento com Deus. Nada deve substituir a comunhão com Deus, tendo em vista as inúmeras aflições a que estamos expostos neste mundo afetado pelo pecado. Quando estamos distantes desta comunhão, é fácil levantar a bandeira branca em meio às lutas diárias. Entregamos os pontos e declaramos nossa total fragilidade. Por este motivo, encontramos crentes que foram um dia vigorosos, atualmente ressequidos e sem alento para lidar com as circunstâncias difíceis da vida. Abandonaram o manancial de águas vivas (Jr. 2:13) Em meio às adversidades o crente deve buscar refúgio no Senhor. Em situações de extremo calor e seca o crente não deve estar desabrigado da proteção que Deus oferece. É interessante que o salmista utiliza várias vezes a figura da sombra que oferece abrigo: Sl. 36:7; Sl. 63:7; Sl. 91:1. Os profetas também sugerem a idéia de proteção divina em tempos adversos. Em Isaías 25:4, lemos: Porque foste a fortaleza do pobre e a fortaleza do necessitado na sua angústia; refúgio contra a

tempestade e sombra contra o calor. Em Isaías 41:17: Os aflitos e necessitados buscam águas, e não as há, e a sua língua se seca de sede; mas eu, o SENHOR, os ouvirei, eu, o Deus de Israel, não os desampararei. C. H. Spurgeon disse o seguinte em uma de suas pregações: Se formos fracos em nossa comunhão com Deus, seremos fracos em tudo. "A fé que pode ser destruída pelo sofrimento não é fé. (Richard Wurmbrand Torturado por amor à Cristo). Ele passou quatorze anos como prisioneiro dos comunistas (3 anos na solitária), torturado em sua própria terra natal, a Romênia.

2 Porque sem comunhão com Deus, somos facilmente dominados pela apatia (vs 8c) não se afadigar/esmorecer e, no ano de sequidão, não se perturba, nem deixa de dar fruto
Para produzir frutos, o crente deve estar unido em comunhão com Deus. Sem esta união vital, não há nenhuma possibilidade de produção dos frutos dignos de arrependimento. Em João 15, Jesus adverte os seus discípulos: Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Ou seja, é impossível para o crente dar frutos, se não permanecer em comunhão com Cristo, a Videira verdadeira. Além disso, glorificamos a Deus com nossas vidas quando produzimos frutos (Jo. 15: 8) e fomos chamados com este propósito (Jo. 15:16). Na parábola do semeador, a semente que caiu em boa terra logo produziu frutos, com perseverança. (Lc. 8:15) A apatia está diretamente relacionada à improdutividade. É impressionante como o reino de Deus está cheio de crentes apáticos, e isto é uma afronta ao chamado de Deus em nossas vidas. A vida cristã improdutiva depõe contra a obra salvadora efetuada no crente, através do Senhor Jesus Cristo. Não podemos carregar os famosos dizeres: fora de serviço , ou serviço temporariamente indisponível , e ainda assim pensar que está tudo bem. Portanto, esta é uma questão de importância fundamental para todos os salvos pela graça de Deus. Tiago afirma que a fé sem obras, é morta em si mesma. A falta de comunhão com Deus sempre traz prejuízos para o cristão. O cristão acomodado num cristianismo estático, na verdade não goza de plena comunhão com Deus. Se gozasse sua atitude seria outra, não acomodação e apatia. Dependemos inteiramente do Senhor para não cairmos na apatia espiritual que caracteriza grande parte dos cristãos atuais. A. W. Tozer escreveu: A apatia é inimiga mortal do progresso espiritual.

3 Porque sem comunhão com Deus, somos facilmente enganados pelo nosso próprio coração (vs. 9) Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas
O coração humano sem Deus está entregue às inclinações carnais, mas o crente que se deixa levar pelos enganos do próprio coração atesta o fato de que a comunhão com Deus está interrompida. A Bíblia nos orienta a dar atenção primordial ao coração, porque dele procedem as fontes da vida (Pv. 4:23). É no coração do homem onde se alojam os desígnios mais profundos, e por isso, o coração deve estar bem vigiado. O melhor caminho é a comunhão constante com Deus. C. H. Spurgeon, disse que o nosso coração é nosso maior inimigo , tendo em mente a pecaminosidade inerente. Este é o verdadeiro retrato do coração do homem. Sendo assim, todo cuidado é pouco quando estamos tratando a respeito do coração egocêntrico distante de Deus. No versículo 1 deste texto lemos: gravado na tábua do seu coração . Isto significa que o coração se cauteriza facilmente quando é deixado à própria vontade. O crente não pode seguir o que o coração mandar , como o mundo tenta impor. Na verdade, é um grande erro entregar a vida para ser governada pelos ditames do coração. O cristão que está distante da comunhão com o Senhor entrega facilmente as rédeas ao coração enganoso, e comete graves pecados contra Deus. Não há outra alternativa para o servo de Deus. Devemos cultivar o nosso relacionamento com o Senhor, para que os enganos do coração não nos levem para uma calamidade maior. Triste coisa é cair nos laços do coração! Então, vamos nos refugiar junto a Deus, e buscar na intimidade com Ele a força necessária para não cedermos às armadilhas do coração. Davi afastou-se da comunhão com Deus e foi facilmente enganado pela cobiça do seu coração, ao enxergar Bate-seba (II Sm. 11). O seu coração fragilizado pela ausência de comunhão com o Senhor levou-o às últimas conseqüências no seu pecado. Mas depois que Davi reconheceu o seu pecado, ele viu a sua situação calamitosa diante de Deus, e orou pedindo ao Senhor um novo coração (Sl. 51:10).