As tentações de Jesus e as nossas

Matéria X Espírito Jesus, porém, lhe respondeu: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem (Mateus, 4:4). Poder/orgulho X Humildade Então ordenou-lhe Jesus: Vai-te, Satanás; porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás (Mateus, 4:10). Irresponsabilidade X Proteção de Deus Respondeu-lhe Jesus: Dito está: Não tentarás o Senhor teu Deus (Mateus, 4:7). Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta da perdição e espaçoso o caminho que a ela conduz, e muitos são os que por ela entram. - Quão pequena é a porta da vida! quão apertado o caminho que a ela conduz! e quão poucos a encontram! (MATEUS, cap. VII, vv. 13 e 14)

Acima, colocamos um exemplo de como a palestra pode ser apresentada em uma lousa. A seguir, os comentários que podem ser feitos a cada item em destaque. Objetivo Esta palestra tem como objetivo mostrar ao público que as tentações de Jesus, mostradas no Evangelho segundo Lucas, capítulo 04, nada mais são do que a simbologia das tentações pelas quais todos passamos na vida. Isso porque, mesmo Jesus sendo o Espírito mais perfeito que já houve entre nós, incumbido de organizar a evolução espiritual da Terra, também ele sofreu a influência da matéria, quando aqui encarnado pela última vez. Porém, como Espírito perfeito que é, Jesus não sucumbiu perante os prazeres efêmeros, e venceu as tentações próprias de um mundo atrasado espiritualmente. Nesta palestra, o ouvinte deve ser levado a refletir sobre sua conduta perante as tentações em sua vida, que o levam a valorizar mais a matéria do que o espírito. Leia, então, a passagem citada, e depois, explique cada tentação ao público, fazendo uma correlação com a vida atual.
Matéria X Espírito Jesus, porém, lhe respondeu: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem.

O Demônio, que simboliza aqui a ignorância do mundo, tenta fazer com que Jesus esqueça suas obrigações espirituais para preocupar-se com sua vida material. Ou seja, deixar o espírito sempre em segundo plano. Mostre ao público que geralmente fazemos isso em nossa vida. Nossa preocupação primordial é sempre cuidar dos interesses do corpo, ou seja: comer, beber, fazer sexo e descansar Deixamos de lado, então, o aculturamento, o aprendizado, o

estudo, o desenvolvimento da inteligência e da moral. Precisamos, na maioria das vezes, sermos forçados a estudar, a aprender, a irmos a uma casa religiosa. E mesmo assim, contamos os minutos para que tudo logo acabe, e sobre tempo para as coisas imediatistas. Com isso, desperdiçamos nosso tempo, e nossa existência passa a ser em torno dos interesses materiais. Porém, como a matéria é inconstante, nossa vida também também assim será. E o equilíbrio fica difícil de alcançar. Diga o quanto poderíamos ter de paz e tranquilidade se tivéssemos como objetivo principal o espírito, pois estaríamos com a compreensão da vida. E que por mais que as coisas materiais ficassem difíceis, teríamos a paciência e a fé necessárias para entender o problema e buscar a solução. Assim, nem só de pão, da matéria, deve viver o homem, mas principalmente da busca de seu desenvolvimento espiritual.
Poder/orgulho X Humildade Então ordenou-lhe Jesus: Vai-te, Satanás; porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás.

Servir aos interesses de Deus não é ficar orando o dia todo, nem tornar-se santo ou fanático religioso. Servir a Deus é não ser orgulhoso a ponto de se achar o centro do universo, querendo que tudo seja para nós, da forma como queremos. A figura dos reinos oferecidos a Jesus retrata bem o que sempre queremos: levar vantagem em tudo; ser mais que o próximo, custe o que custar. Adorar a Deus, portanto, significa fazer e querer para quem está ao nosso lado, o que queremos para nós mesmos. Servir ao Diabo nada mais é do que esquecer que vivemos em sociedade, e prejudicar, com atos ou palavras, quem convive conosco. O desejo do poder é intrínseco no homem, pois o poder desperta o orgulho, o pai de todos os problemas humanos. Ter poder não é errado. Errado é fazer dele um meio de oprimir quem está abaixo de nós. E o poder não é só material, mas pode ser moral. Como quando um marido oprime sua esposa devido ao poder financeiro; ou quando os pais oprimem seus filhos, esquecendo-se do diálogo; ou mesmo quando desdenhamos dos mais ignorantes, julgandonos superiores, devido às oportunidades de aprendizado que tivemos. Independente da situação, o poder deve ser exercido com humildade e sensatez, e isso só se consegue se o interesse do espírito estiver acima do interesse da matéria.
Irresponsabilidade X Proteção de Deus Respondeu-lhe Jesus: Dito está: Não tentarás o Senhor teu Deus.

Muitos de nós acreditamos que por estarmos vindo a uma casa religiosa, estamos abrindo com Deus uma barganha. Que a

partir de então, Ele tem a obrigação de nos proteger de todos os males da vida. Ledo engano! Deus não tem obrigação nenhuma para conosco, pois irmos a uma casa religiosa não fará bem a Deus, pois Ele é o criador, o Pai. Fará, sim, bem para nós mesmos. Mas, por ignorância, cremos nessa proteção sem limites. Então, escutamos o palestrante, o padre, o pastor falarem, mas em nada modificamos nossos hábitos. Damos comida aos necessitados, visitamos asilos e orfanatos, mas continuamos um tirano doméstico, ou um mal trabalhador, ou um patrão avarento. Então, as dificuldades vêm em nossa existência, pois elas são sempre frutos de como agimos perante a vida. E Deus não fará nada, porque Ele não conta com nossa colaboração. Tentar a Deus significa isso: ver se Ele nos ajudará, mesmo que não tenhamos nos esforçado para obter essa ajuda. E esforço aqui não é esforço material, de aparências. Mas sim, esforço espiritual, de atitudes, de ação, de mudança interior. Devemos ser responsáveis por nossos atos. E se agirmos insensatamente, mesmo que frequentemos uma casa religiosa, sofreremos as consequências. Porém, se agirmos com boa vontade, procurando no dia de hoje sermos melhores do que fomos no dia anterior, com certeza Deus fará de sua parte, inspirando-nos o melhor caminho e dando-nos forças para vencer nossos obstáculos.
Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta da perdição e espaçoso o caminho que a ela conduz, e muitos são os que por ela entram. - Quão pequena é a porta da vida! quão apertado o caminho que a ela conduz! e quão poucos a encontram! (MATEUS, cap. VII, vv. 13 e 14)

Encerre a palestra mostrando a passagem acima, pois ela nos fala o quanto é difícil seguir pela porta estreita, que é aquela onde damos mais valor ao espírito do que à matéria. Porém, destaque que ela é muito recompensadora, em todos os sentidos. Pois se procuramos nos equilibrar moral e espiritualmente, também nossa vida material será melhor, pois receberemos em nós mesmos o bem que procurarmos distribuir e o aprendizado que buscarmos receber. Então, o verdadeiro Reino de Deus estará dentro de nós. Já que ele nada mais é do que a paz de espírito, a tranquilidade que tanto buscamos em nossa existência.