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Marx e a divisão do trabalho: A alienação do trabalho

Estátuas de Karl Marx (esquerda) e Friedrich Engels, em Berlim,
Alemanha
É de Karl Marx a asserção de que todo novo estado da divisão do trabalho
determina as relações dos indivíduos entre si com referência a material, instrumento e
produto do trabalho. Foi assim com a propriedade tribal, depois com a comunal e com a
feudal, ou estamental.
Portanto, um modo de produção ou estágio industrial é marcado por um modo de
cooperação ou estágio social sendo ele mesmo uma força produtiva.
Entre a reflexão e a execução
Mas só passou a haver efetiva divisão quando se instalou uma separação entre
trabalho manual e trabalho intelectual. Enquanto execução e reflexão andaram juntas
nesse processo, o indivíduo pôde, de algum modo, realizar-se em sua ocupação.
É só com o trabalho industrial, no modo de produção especificamente capitalista,
que se dá de fato a divisão entre trabalho manual e trabalho intelectual. Marx diz que
mesmo na manufatura ainda havia a possibilidade de algum trabalho diferenciado.
Alienação total
Na manufatura, ou modo de produção pré-capitalista, o trabalhador é explorado,
mas não é despojado do seu saber. O capital se apropria do trabalho, mas a alienação é
apenas do corpo.
Já no modo de produção especificamente capitalista (trabalho industrial), o
processo de trabalho é desmontado pelo capital que o remonta à sua própria lógica. A
alienação é então total. O trabalhador da manufatura torna-se propriedade do capital.
As forças intelectuais da produção desenvolvem-se apenas num aspecto, em
função dos operários serem classificados e distribuídos segundo suas aptidões
específicas. Já se nota a cisão entre o trabalhador e as forças intelectuais do processo
material de produção, que são apropriadas pelo capital.
Relação hierárquica
Na indústria, a divisão entre trabalho manual e trabalho intelectual se configura
na relação entre trabalhadores técnico-científicos, cuja função é organizar o processo de
trabalho e os operários que o executam.
Essa é uma relação hierárquica. Os operários estão submetidos à lógica que o
capital impôs ao processo de trabalho. Quem atua para submetê-los são os trabalhadores
técnico-científicos, que se constituem em agentes do capital.
Os trabalhadores técnico-científicos não só organizam e planificam o processo
de trabalho, mas também perpetuam uma estrutura hierárquica e reproduzem as relações
sociais capitalistas.
Separação entre execução e reflexão sobre o trabalho
Partindo de Marx, André Gorz acrescenta que, "os trabalhadores da ciência e da
técnica, no interior de sua função técnico-científica, têm a função de reproduzir as
condições e as formas de dominação do capital sobre o trabalho". As ciências e as
técnicas não são, assim, ideologicamente neutras. Elas favorecem a reprodução do
capital e de sua lógica.
O próprio Marx já havia sugerido que o desenvolvimento geral da ciência e do
progresso tecnológico - a utilização do conhecimento científico-tecnológico na

E esta é cada vez menos dependente do tempo de trabalho.(** Ver Final) retirou a ideia de alienação de suas leituras de Hegel. em sua fase avançada. voltou-se para a realidade concreta. Mas quando o pensamento puro se torna pensamento sensível. assim como no caso do conceito de dialética. Esta expressão. Tanto em Marx quanto em Hegel. nos separamos da essência pura e abrimos caminho para uma separação entre ideal e real. então. . Isso acentua cada vez mais a separação entre a execução do trabalho e a reflexão acerca do que se faz. Mas. provavelmente foi entendida como se referindo ao fato de que. Muito abstrato? Marx também achou. mas viu nestas ideias algo interessante.. alienação está ligada ao trabalho. Para Hegel. tão alienados. que de novo irão se unir ao que Hegel chama de Espírito Absoluto.produção capitalista . muito crítico. Marx . quer dizer. Para isso. que resulta da apropriação capitalista do saber social geral. na juventude. desvendar um dispositivo fundamental da máquina capitalista. que. mas o revestiu de um caráter inovador e. como em tudo em Marx. é somente por meio de seu trabalho que o homem pode realizar plenamente suas habilidades em produções materiais. não temos muita responsabilidade. que a maioria de nós já ouviu alguma vez na vida.". o trabalho é a essência do homem. será que somos alienados? O que é. acentuando o estranhamento (a alienação) do sujeito em relação ao que ele faz. afinal de contas.. em que os trabalhadores eram explorados em fábricas e deixavam seus patrões cada vez mais ricos. queremos mais é curtir a vida. alienação? O termo entrou no vocabulário contemporâneo graças a Karl Marx.torna-se o motor da criação da riqueza efetiva. nos alienamos.Alienação: Do Espírito Absoluto de Hegel à realidade concreta COMENTE "Esses jovens de hoje. visando uma realização material na forma de trabalho. Esse conhecimento científico. que poderia explicar as relações sociais no capitalismo e. mostra-se como tendência da produção e reprodução capitalista. mais do que isso. isto é.

onde cada um é responsável por uma etapa na produção. A alienação econômica pode ser descrita de duas formas: o trabalho como (a)atividade fragmentada e como (b) produto apropriado por outros. Isso parece familiar? Pois é. segundo Marx: a alienação econômica. por exemplo . o desumaniza. . vamos ver os detalhes. não pelo que ele é. Mas uma alienação é básica. Não seria possível sequer vestirmos tênis se não existissem trabalhadores que os produzissem em larga escala em fábricas. dirigido e estrelado por Charles Chaplin. seja braçal ou intelectual. uma divisão social. tem um sentido negativo (em Hegel. é algo positivo) em que o trabalho. de forma bem humorada. Essa divisão do trabalho foi fundamental para a organização da sociedade capitalista.enquanto eles e suas famílias ficavam cada vez mais pobres. que mostra. O melhor exemplo de como funciona este processo e suas consequências sociais pode ser visto no filme "Tempos Modernos" (1936). Tempos modernos No primeiro caso. com isso também. como a religião ou o Estado. a vida de um operário sendo controlada pela máquina na linha de montagem de uma fábrica. a separação do trabalho. Como poderiam aceitar tal coisa? Trabalho alienado Alienação. O homem troca o verbo SER pelo TER: sua vida passa a medir-se pelo que ele possui. aliena o trabalhador. provocando. o escraviza. em que o homem.e porque acaba desenvolvendo apenas uma de suas habilidades.porque ele faz apenas uma peça de um carro em uma escala produtiva e não tem a visão do conjunto. ao invés de humanizá-lo. que não se reconhece mais em uma atividade . ao invés de realizar o homem. O filósofo alemão concebeu diferentes formas de alienação. cada vez mais se aprisionaria. em todas as suas instâncias. longe de tornar-se livre. para Marx.

O que se exterioriza não é sua essência. formam a base de uma sociedade capitalista. para Marx. propriedade privada. em oito horas diárias de trabalho produz. O que recebe não permite sequer adquirir aquilo que ele produz . ao final do mês. a superação do homem alienado só virá. que. Divisão do trabalho e acumulação de capital. basicamente. domina em geral o poder desumano". é fonte de alienação. por exemplo. pois tudo seria de todos e não haveria necessidade de divisão ou . no sistema capitalista. são também as fontes de alienação moderna.e o modo de vida de sua família é muito diferente daqueles que consomem seu produto. segundo Marx. juntos. Ele é levado a gerar acumulação de capital e lucro para uma minoria. mas recebe apenas uma pequena parcela disso em forma de salário. a posse e o acúmulo de objetos. e se o capital é. Comunismo Qual a solução? Se o trabalho. O trabalhador não reconhece mais o produto de seu trabalho e não se dá conta da exploração a que é submetido. enquanto vive na pobreza. somente com o comunismo as pessoas deixariam de ser alienadas.uma TV de R$ 5 mil . o trabalhador tem a riqueza gerada pelo seu trabalho tomada pelos proprietários dos meios de produção. que minha atividade é outra coisa e que. um número considerável de aparelhos. Diz Marx: "A alienação aparece tanto no fato de que meu meio de vida é de outro. Um empregado de uma fábrica de TV de LCD. como no caso de que cada coisa é outra que ela mesma. mas algo estranho a ele. por meio das quais se constitui um sistema de dominação. que meu desejo é a posse inacessível de outro. finalmente (e isto é válido também para o capitalista).Exploração No segundo caso. com a sociedade comunista. isto é. Segundo Marx.

para servir aos fins associados à satisfação das necessidades do gênero humano. Trata-se de uma obra de juventude.expropriação do trabalho alheio. bem como a sociedade em que vive. diz Marx. com as quais Marx estabelece uma interlocução. tendo como referência as teses do filósofo Feuerbach. os ideais do comunismo. no entanto. na forma de dogmas. No âmbito da filosofia marxista. Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação 17/10/200819h48 Imprimir Comunicar erro O conceito de práxis é muito anterior à filosofia marxista. o conceito de práxis passa por processos de desconstrução e reconstrução. "A superação da propriedade privada é. a natureza compreende todas as coisas materiais de que o homem se apropria. Práxis . por isso. se aprofundou. Marx. mas foi por intermédio do pensador alemão Karl Marx que tal conceito. somente trouxeram mais alienação. parece atual diante de uma juventude destituída de ideais políticos que se contenta com prazeres imediatos proporcionados pelo consumo. Homem e natureza Marx concebe a práxis como atividade humana prático-crítica. Sua crítica. com raízes no pensamento de Aristóteles. que é conscientemente transformada no . na prática. Para Marx. que nasce da relação entre o homem e a natureza. passando a ser o elemento central do materialismo histórico. A natureza só adquire sentido para o homem à medida que é modificada por ele. É o celular da moda. além de demonstrar como suas teorias são incompatíveis com as ditaduras comunistas dos séculos 20 e 21.Marx e Gramsci: Natureza e luta de classesCOMENTE Renato Cancian. a emancipação total de todos os sentidos e qualidades humanas". ficaria muito aborrecido em ver que. o tênis de marca e o carro de luxo que definem sua essência? O que ler O texto-base para entender a teoria da alienação de Marx é Manuscritos Econômico-filosóficos (Boitempo Editorial). A práxis medeia essa relação (ou intercâmbio) entre o homem e a natureza. em que Marx antecipa boa parte das teses que desenvolveria em O Capital. progressivamente. provavelmente.

e esse rearranjo se manifesta num modo específico de transformação e utilização do meio ambiente. progressivamente. . o conceito de práxis adquire uma conotação diferenciada: práxis passa a ser entendida como história. a práxis permanece como uma atividade humana racional.que emergiu. pela natureza e pelo meio social em que está inserido. Na perspectiva de Gramsci. de maneira que a classe dominante (a burguesia) conseguiu impor um tipo de organização social (ou seja. O conflito de classes é inerente às relações de produção características da sociedade capitalista . representado. (**) Práxis . se aprofundou.e o conflito se dá entre as classes sociais. com as quais Marx estabelece uma interlocução. o poder que o homem tem de transformar o ambiente externo. A práxis expressa. produziu um rearranjo das forças e das relações produtivas .Marx e Gramsci: Natureza e luta de classesCOMENTE Renato Cancian. por sua vez. um modo de produção) que serve aos seus interesses. A sociedade burguesa. para consecução dos seus propósitos e necessidades. Desse modo. uma atividade plenamente perceptível e consciente para o homem. como o fazer-se da própria história. com a ascensão da burguesia. O conflito de classe. portanto. precisamente.processo produtivo que lhe define a utilidade. com raízes no pensamento de Aristóteles. o conceito de práxis passa por processos de desconstrução e reconstrução. o gênero humano não é mais concebido como o agente unitário que intervém nas condições ambientais de maneira harmônica. passando a ser o elemento central do materialismo histórico. a práxis é atividade humana práticocrítica na medida em que é atividade sensível subjetiva. No âmbito da filosofia marxista. engendra um modo específico de intervenção do homem nas condições ambientais. Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação 17/10/200819h48 Imprimir Comunicar erro O conceito de práxis é muito anterior à filosofia marxista. tendo como referência as teses do filósofo Feuerbach. mas foi por intermédio do pensador alemão Karl Marx que tal conceito. Ainda segundo o pensamento marxista. História e luta de classes A partir do pensamento do filósofo marxista italiano Antonio Gramsci. em Marx. à condição de classe dominante. A intervenção na natureza e na sociedade ocorre de modo conflituoso . ou seja. processo que se dá com a interferência do gênero humano nas condições ambientais. mas o filósofo introduz um elemento novo na relação que medeia a ação do homem em sua atividade transformadora das condições ambientais: a luta de classes.

A intervenção na natureza e na sociedade ocorre de modo conflituoso . com a ascensão da burguesia. o conceito de práxis adquire uma conotação diferenciada: práxis passa a ser entendida como história. para consecução dos seus propósitos e necessidades. Na perspectiva de Gramsci. . um modo de produção) que serve aos seus interesses.Homem e natureza Marx concebe a práxis como atividade humana prático-crítica. A sociedade burguesa. O conflito de classe. para servir aos fins associados à satisfação das necessidades do gênero humano. uma atividade plenamente perceptível e consciente para o homem. portanto. A práxis medeia essa relação (ou intercâmbio) entre o homem e a natureza.e o conflito se dá entre as classes sociais. processo que se dá com a interferência do gênero humano nas condições ambientais. Para Marx. como o fazer-se da própria história. à condição de classe dominante. precisamente. de maneira que a classe dominante (a burguesia) conseguiu impor um tipo de organização social (ou seja. que nasce da relação entre o homem e a natureza. a práxis permanece como uma atividade humana racional. A natureza só adquire sentido para o homem à medida que é modificada por ele.que emergiu. representado. História e luta de classes A partir do pensamento do filósofo marxista italiano Antonio Gramsci. engendra um modo específico de intervenção do homem nas condições ambientais. a natureza compreende todas as coisas materiais de que o homem se apropria. A práxis expressa. mas o filósofo introduz um elemento novo na relação que medeia a ação do homem em sua atividade transformadora das condições ambientais: a luta de classes. em Marx. a práxis é atividade humana práticocrítica na medida em que é atividade sensível subjetiva. produziu um rearranjo das forças e das relações produtivas . Desse modo. o gênero humano não é mais concebido como o agente unitário que intervém nas condições ambientais de maneira harmônica. pela natureza e pelo meio social em que está inserido. Ainda segundo o pensamento marxista.e esse rearranjo se manifesta num modo específico de transformação e utilização do meio ambiente. por sua vez. bem como a sociedade em que vive. que é conscientemente transformada no processo produtivo que lhe define a utilidade. O conflito de classes é inerente às relações de produção características da sociedade capitalista . o poder que o homem tem de transformar o ambiente externo. ou seja.