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A CONCEPÇÃO INTERACIONISTA DE LEITURA

Fonte: http://sites.unifra.br/Portals/36/ALC/2003/ensino_literatura.pdf
O ENSINO DA LEITURA NUMA PERSPECTIVA
INTERDISCIPLINAR: UMA PROPOSTA DE
APLICAÇÃO.1
THE TEACHING OF READING IN AN INTERDISCIPLINAR
PERSPECTIVE: AN APPLYING PROPOSAL
Ângela Maria Lorenzoni Sauthier2
Ana Lúcia Cheloti Prochnow
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
No mundo atual, a leitura, entendida como compreensão e interpretação
dos diversos gêneros de textos, é um instrumento indispensável para
se poder transitar com independência numa sociedade letrada.
Para Menezes et al. (2002), ler é dialogar com o texto no sentido
mais amplo, uma atividade que exige, basicamente, as habilidades de fazer
perguntas a um texto, de buscar respostas e saber onde encontrá-las.
Ao refletir sobre as funções da leitura, Silva (19) lembra que, por
produzir conhecimento, a leitura será um instrumento de combate à alienação,
se o leitor realizá-la de forma reflexiva e crítica, contextualizandoa,
fazendo relações com outras leituras e confrontando idéias. O autor
afirma que
a leitura caracteriza-se como um dos processos
que possibilita a participação do homem
na vida em sociedade, em termos de compreensão
do presente e passado e em termos de
possibilidades de transformação sócio-cultural
futura. (p.20)
Disciplinarum Scientia. Série: Artes, Letras e Comunicação, Santa Maria, v. 4, n. 1, p. 185-201,
2003.
188
Freire (1981) diz que lemos primeiro o mundo, depois a palavra e
que a leitura da palavra implica a continuidade da leitura do mundo. Defende
que ler não é, simplesmente, decodificar a palavra ou a linguagem
escrita e aponta para um conceito mais abrangente: a leitura do mundo.
Se ler implica ler o mundo, mesmo antes e até depois de se ter acesso
ao código escrito, pressupõe-se que toda a experiência de vida do leitor
esteja envolvida.
Nessa mesma perspectiva, Kleiman (1995) define a atividade de
leitura como uma interação à distância entre leitor e autor via texto. Para
a autora, a leitura é um ato social, entre dois sujeitos, obedecendo a objetivos

p.e necessidades socialmente determinados. Santa Maria. Kleiman (1995) lembra que este pode ser adquirido tanto formal quanto informalmente. o conhecimento adquirido ao longo de sua vida. diversos níveis de conhecimentos interagem entre si: o lingüístico. é preciso levar em conta também o papel do contexto lingüístico em que as marcas lingüísticas estão inseridas. Dessa forma. ou seja. A autora lembra da importância de o leitor saber reconhecer a estrutura do texto. Com relação a isso. como o seu conhecimento de mundo. 189 Isso se justifica pelas muitas expectativas que os vários textos despertam no leitor. Por sua vez. das regras gramaticais e do uso da língua. Com relação ao conhecimento textual. apresentando. organizando o texto de tal forma que atinja seus objetivos. a parte relevante de conhecimento de mundo deve estar ativada. entendido como o conjunto de noções e conceitos sobre diversos tipos de textos e formas de discursos. o autor busca. Abrange desde o conhecimento sobre como pronunciar palavras em português. Segundo Trevisan (1992). mas também. o leitor utiliza na leitura o que ele já sabe. Trevisan (1992) destaca que. experiências acumuladas que os indivíduos adquirem durante a existência e armazenam na memória. opiniões e interesses. pois este interfere na apreensão do sentido veiculado pelo texto. isto é. quanto mais ele for exposto a diferentes estruturas textuais. o textual e o conhecimento de mundo. A intertextualidade também é citada pela autora como um fator importante para o entendimento. Trevisan (1992) e Kleiman (1995) compartilham da idéia de que. é necessário um certo equilíbrio entre o conhecimento de mundo do autor e o do leitor. 185-201. Ela enfatiza que não lemos só o que está escrito. aceita e rejeita conclusões. mais fácil será sua compreensão. A autora entende que a compreensão de um texto se caracteriza pela utilização do conhecimento prévio. Quanto ao conhecimento de mundo ou enciclopédico. para haver a compreensão. 1. quanto maior o conhecimento textual do leitor. Série: Artes. que se estabelece no momento da leitura. Ela salienta que o leitor constrói e não apenas recebe um significado global para o texto. n. seus conhecimentos a respeito dos diferentes tipos de textos e dos recursos lingüísticos utilizados. isto é. pois esta oferece indicadores essenciais que permitem antecipar a informação que contém e facilita a interpretação. expressões humanas. Disciplinarum Scientia. O conhecimento lingüístico é aquele implícito que faz com que falemos português como nativos. 4. a leitura ultrapassa o texto e começa antes de qualquer . formula e reformula hipóteses. Portanto. 2003. ao considerar o conhecimento da língua. a aprovação do leitor. para isso. passando pelo conhecimento do vocabulário. Com esses conhecimentos partilhados. a interação leitor-texto. Letras e Comunicação. num nível ciente e não perdida na memória. para haver uma compreensão na leitura. essencialmente. os melhores argumentos. evidências convincentes. uma vez que se torna necessário que o leitor tenha conhecimentos a respeito de outros textos incorporados. vai depender de uma série de elementos centrados no leitor. salienta também que. suas crenças. o receptor é capaz de dar sentido a informações novas por meio do processo de inferência. Com base nas idéias freireanas. Kleiman (1995) salienta que. v. ele procura pistas formais.

Brasília. Silva (19) diz que outras concepções do processo de leitura estão sendo elaboradas e assumidas em nossa sociedade. 19. O que é leitura. 185-201. Ângela. aqueles que descobrem o significado do texto pretendido pelo autor da mensagem. p. Thais. 1. Qual é a real situação do Arroio Cadena? A poluição dele tem salvação? Diário de Santa Maria. Silvia E. Leitura: coerência e conhecimento prévio: uma exemplificação com o frame carnaval. In: ZILBERMAN. Regina (orgs). Leitura: perspectivas interdisciplinares. 4. ZILBERMAN. 199 BRASIL. Essa criticidade leva o leitor à construção de um outro texto: o do próprio leitor. São Paulo: Martins Fontes. n. ZILBERMAN. O texto não é pretexto. Beatriz. 2.51-62.ed. Campinas. p. MARTINS. LAJOLO. Porto Alegre: Mercado Aberto. Santa Maria.contato com ele. questionam. v. DF: 2000 (Lei 9394. Disciplinarum Scientia. 1999. Lauro. Ângela. mas não permanecem nesse primeiro nível. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALVES. Leitura e interdisciplinaridade: tecendo redes nos projetos da escola. (orgs). 1992. Ezequiel Theodoro da. Santa Maria. Texto e leitor: aspectos cognitivos da leitura. Ministério da Educação. 19. Parâmetros Curriculares Nacionais. Secretaria de Educação Fundamental. 2002. SILVA. Como usar outras linguagens na sala de aula. KLEIMAN. Regina. São Paulo: Cortez. Vera Teixeira de. 1995. de 20 de dezembro de 1996). Língua Portuguesa. São Paulo: Pontes. Santa Maria: UFSM. Diretrizes e Bases da Educação Nacional. SILVA. al. problematizam. p. Letras e Comunicação. 1981. isto é. São Paulo: Brasiliense. TREVISAN. São Paulo: Ática. Pedagogia da leitura: movimento e história. MENEZES. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 17 maio 2004. FREIRE. MORAES. . et. Série: Artes. SILVA. Eunice Maria Castegnaro. Algumas iniciativas vêm demonstrar a existência de muitas propostas alternativas para a formação de leitores críticos. MARCONDES. Paulo. Ezequiel Theodoro da. Marisa. Gilda. TOSHIMITSU. Elementos de pedagogia da leitura. 1986. São Paulo: Contexto. Ezequiel Theodoro da. Campinas: Mercado de Letras.111-115. Maria Helena. In: AGUIAR. 2003. Regina. 1982. eles reagem. KLEIMAN. Leitura em crise na escola: as alternativas do professor.