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RESPONSABILIDADE NA CONSTRUÇÃO CIVIL

Ultimamente o mercado imobiliário tem apresentando um
crescimento significativo, o que têm importado em políticas econômicas
favoráveis e facilitadoras na aquisição de crédito, e consequentemente o
aumento na demanda por imóveis.
Nesse liame, as construtoras, para não perder o excelente
momento do mercado imobiliário, têm investido cada vez mais na construção
de imóveis para a venda, sejam esses vendidos na “planta” ou prontos para
moradia.
Inicialmente, cabe lembrar que a obrigação das
construtoras de imóveis é considerada de resultado, obrigando-o pela boa
execução da obra, garantindo, assim, sua solidez e capacidade para atender
ao objetivo para qual foi negociada, obedecendo ao projeto de construção e
termos do memorial descritivo, principalmente, quando adquirido “na planta”,
onde o comprador não pode visualizar, “acabado”, o produto adquirido.
A responsabilidade na construção civil decorre de uma
obrigação não cumprida, qualquer que seja, passando pelo descumprimento do
ajustado (inadimplemento contratual), o que obriga a parte inadimplente a
responder pela falta cometida.
Uma vez não entregue o imóvel de acordo com o
pactuado, surgem diversos direitos a serem pleiteados pelos adquirentes que
são amparados pelas normas do código Civil e Código do Consumidor, dentre
eles:
- defeitos ou vícios apresentados na obra, aparentes ou
ocultos que importem na ruína total ou parcial configuram violação do dever de
segurança inerente à atividade realizada pelo construtor, ensejando-lhe o dever
de indenizar independentemente de culpa, sendo o prazo para pleitear de 5
anos a contar da entrega do imóvel, conforme prevê o art. 618 do Código Civil,
bem como artigo 12, parágrafo 3º, e artigo 14, ambos do Código de Defesa do
Consumidor;
- quantos aos vícios ocultos, que só serão conhecidos
posteriormente, o construtor será obrigado a reparar o dano, sendo que este
prazo, de 05 anos, somente se começará a partir do conhecimento do vício,
consoante artigo 27 do CDC;

- caso a entrega do imóvel não seja realizada na data
combinada, o adquirente do imóvel poderá, se lhe convir, pleitear a resolução
do contrato com a restituição integral do valor em uma única parcela
devidamente atualizada monetariamente e com juros legais – artigo 475 do
Código Civil;
- ainda no caso do atraso da entrega do imóvel, poderá o
comprador pleitear judicialmente o pagamento de aluguéis dos meses em que
o imóvel não foi entregue, perdas e danos, independentemente de qualquer
tipo de prejuízo, considerando a expectativa de ter o imóvel na data prevista no
contrato, e até mesmo o pagamento de danos morais dependendo da extensão
dos danos suportados pelo comprador – artigos 186 e 187, 402 a 405, todos
do Código Civil.
Sendo assim, cabe ao comprador/consumidor, ao efetivar
o negócio em tal ramo, analisar cautelosamente todas as cláusulas inseridas
no contrato de compra e venda, bem como no memorial descritivo do imóvel,
reunindo todo o material de publicidade do imóvel, se existente, para que no
futuro, caso necessite, sirva de prova para auxiliá-lo na defesa de seus direitos.

Lara de Barros Matos
Advogada – OAB/MG 138.782