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Mestrado Profissional em Eficiência Energética e Sustentabilidade

Disciplina: Sustentabilidade no Ambiente Construído – SUAC
Profª. Dr. Andrea Naguissa Yuba
Aluna: Diana Aparecida Caranjo
Campo Grande, MS, 25 de junho de 2013.

Revisão Bibliográfica O PAPEL DAS PESSOAS NA SUSTENTABILIDADE DA
CONSTRUÇÃO CIVIL

1. Caracterização do Brasil – sociedade e empresas
A Agenda 21 brasileira [19] na sua segunda edição destaca uma grande
mudança do governo do Brasil, das melhores condições institucionais e
oportunidades econômicas devido a muitos fatores, deixando a economia brasileira
mais aberta. Destaca o impacto da privatização, que reestrutura a organização
destas grandes empresas e que disponibiliza ao governo recursos que contribui para
equilibras as contas publicas. Mas que por mais que as instituições privadas
participem e assuma seu papel, o Estado tem o grande domínio e é responsável
pela coordenação do desenvolvimento nacional, na distribuição de riqueza e renda,
na geração de trabalho, na regulamentação dos setores de energia, petróleo,
comunicação, no desequilíbrio de desenvolvimento regional, entre outros.
O documento [19] também se refere à diminuição da taxa de natalidade a
partir da década de 60, mudanças de valores e comportamentos na estrutura familiar
brasileira, do grande papel da mulher na sociedade e no mercado de trabalho.
Houve mudanças significativas na demografia do Brasil nos últimos 25 anos e isso
influenciou toda a dinâmica de mercado de bens e serviços, como por maior
participação de idosos, diminuição dos jovens. A população em idade escolar vem
crescendo em contrapartida do crescimento populacional, e com a entrada mais
tardia no mercado de trabalho, a preparação e capacitação destes jovens veem
sendo em um período maior de tempo. Por outro lado, com a diminuição do numero
de pessoas numa família, os idosos podem ficar desamparados em sua maioria. Por
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isso será necessário num futuro próximo atenção no sistema de saúde e
previdenciário. (se já temos grandes problemas hoje, nesse “futuro próximo” as
necessidades serão maiores ainda). Estamos numa fase de transição essencial para
corrigir erros passados e planejar o futuro de forma sistematizada e com sucesso,
onde a maioria da população esta na idade ativa para o trabalho.

Figura

1-

Distribuição da

população

por sexo,

segundo

os

grupos

de

idade

Brasil-

fonte:IBGE

http://www.censo2010.ibge.gov.br/sinopse/index.php?dados=12&uf=00

Estamos longe de ser uma nação sustentável, mas evoluímos desde a
Conferência Rio 1992, mas há inúmeros obstáculos a serem superados [19].
A educação é essencial para a sustentabilidade, [14] e é evidente que
aspectos culturais, opiniões e crenças de diferentes pessoas fazem grande diferença
e muitas pessoas vêm ignorando isto. O Brasil apresenta na área educacional um
atraso crônico e estrutural [19] e essa falta de educação é responsável por 40% da
pobreza do país que apesar de alguns avanços recentes apresenta grandes
deficiências. O conceito original de alfabetização está ultrapassado. Não é
simplesmente o ato mecânico de ler ou escrever, o que se precisa é garantir é a
capacidade intelectual de entendimento na leitura. Devemos ter um compromisso
com a escola e de sua importância na formação das pessoas, reduzindo as
desigualdades sociais. O ensino técnico profissionalizante deve ser desmitificado,
pois é muito importante para romper o gargalo entre o ensino fundamental e o nível
superior e suas deficiências.

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[3] mas desde a década de 80. preocupação social e ambiental. diversidade. houve muitos eventos sociais e políticos. governo. saúde. bem estar. ter competitividade. impeachment do presidente Fernando Collor. meio ambiente. Hoje muitas empresas brasileiras vêm desenvolvendo praticas significativas de gestão socialmente responsável. comunidades e devem saber lidar com eles porque afetam diretamente nas decisões e práticas das mesmas. As pessoas se diferenciam em razão de vários fatores que as tornam únicas [3]. Gestão Agopyan [1] diz que a busca das empresas pela sustentabilidade não deve ficar limitada na produção de algumas obras certificadas. formação de recursos humanos (capacitação e qualificação). incluindo aspectos relacionados com ética e transparência. 2. Buscar metas progressivas. que é finito. Rio 92. o fator humano e decisivo em qualquer processo. Apesar de a tecnologia ser essencial para o sucesso da organização. a crise energética mundial que gera um consumo exagerado de recursos como o petróleo. mudando a atitude das pessoas: Diretas Já. por um enorme consumo de energia pelas populações urbanas e que consequentemente terão impactos em toda a sociedade.O conceito de sustentabilidade social corporativa tomou vulto no Brasil na década de 90. a sustentabilidade deve ser ampla e englobar a gestão e a mudança de cultura como um todo. direitos humanos. [2] e cada vez mais as empresas buscam o aperfeiçoamento técnico. [3] A tecnologia vem revolucionando o mundo nos últimos tempos. mas com desenvolvimento sustentável e preparar os profissionais para estas novas práticas. 3 . indicadores. sociedade. cliente e consumidor. A gestão das empresas deve estar atenta a diversos temas [3]: ecologia. a eficiência. e isso modifica o modo de atuar das empresas. Campanha contra a Fome do Betinho. Constituição de 1988. a racionalização. luta pelos direitos dos portadores do vírus HIV. como por exemplo. com a revolução tecnológica a comunicação e informação criaram inter-relações sem precedentes. O desafio destas empresas é encontrar o equilíbrio na gestão dos seus negócios. meio ambiente.

Deficiências no planejamento e no controle são as causas principais de baixa produtividade. tais como. otimização da utilização dos recursos (humanos. rastreabilidade e documentação. O que relevantemente ele constata é que estes prejuízos são na maior parte passada aos consumidores (clientes e usuários). que são prejuízos com a imagem da empresa. custos processuais. desperdício e qualidade na construção civil. as empresas construtoras apresentam problemas na área gerencial e tecnológica: trabalham quase sempre com custos apertados. pois tem um grande impacto no desempenho produtivo. implicando divergências de recursos. criação de banco de dados (informação). independente de quem arca com o custo diretamente. raramente é coletada. não contabilizados e indiretos. com produtos e serviços mais caros. padronização. As informações quantitativas. agilidade nas decisões. TCPO – Tabelas de composições de preços para orçamento da PINI. que indicam a produtividade Homem x hora por unidade de serviço. há poucos dados e estudos se limitam no campo acadêmico.Segundo Thomaz [11]. a RUP – razão unitária de produção [9]. e são vários os exemplos: a baixa produtividade. O processo de planejamento e controle cumpre um papel importante nas empresas [4]. como a detecção de situações desfavoráveis. com ênfase na gestão de pessoas. podendo 4 . A gestão adequada. etc. e consegue geri-la de forma eficiente e os benefícios são inúmeros. Há ainda os “custos invisíveis”. manutenções com mais frequência e a um custo cada vez mais alto. reexecução de serviços. perda de mercado. as horas ociosas. prazos e consequentemente o aumento de custos fixos. para planejamento e calculo de custos. SINAPI . entre outros. os riscos de acidentes e os desperdícios de materiais e serviços. Quanto ao enforque da produtividade e eficiência da mão de obra. As empresas se baseiam em informações de manuais tradicionais. os acidentes de trabalho. O país perde como um todo. etc. desperdício de materiais. As falhas nas previsões podem ser significativas [10]. dá ao gestor do empreendimento a capacidade de decisão adequada. Ao planejar o profissional tem uma melhor visão do sua obra. mas nem sempre os índices tabelas condizem com a realidade. referencias e metas.Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil. através de acompanhamento real das características qualitativas e quantitativas das atividades. materiais).

devemos dividir a análise feita sobre a qualificação profissional e a qualificação socioeducacional [6]. são mal utilizados. e trocam sua responsabilidade social (que é enorme) e até convicções por pequenas participações nos lucros . com carga horária excessiva e teórica nos primeiros anos (onde a motivação deveria ser maior). muitas vezes fica a cargo do engenheiro. Ninguém quer que suas decisões resultem em um sistema insustentável. Como as pessoas interagem com mundo e as capacidades que se desenvolve a partir destas interações. com pouca formação e desatualizados e por outro lado grandes teóricos que nunca pisaram num canteiro de obras). em quais variáveis devem se concentrar e em quais devem prestar menos atenção. Teoria e pratica devem andar juntas. muitos fazem papel de apontador. falta de interdisciplinaridade da área técnica e das áreas humanas. Para que se possa iniciar qualquer mudança na situação atual. Muitas atividades rotineiras e que necessitam de um menor grau de qualificação. administrativo. mas ainda estão muito desassociadas na construção civil (engenheiros com muita experiência em obras. devido a crescente complexidade do mundo atual. como por exemplo. mas as decisões que as pessoas pensam que tomam são as melhores possíveis. Somando a tudo isso muitos engenheiros de são passivos a todos estes problemas. muitos gerentes são levados a assumir que não dispõe de todas as informações necessárias de forma eficaz. estão dentro de um sistema criticamente fragilizado.assim aperfeiçoar a utilização de recursos humanos e materiais (que dependem da utilização humana). e não para o aprendizado e a verdadeira formação do profissional. são provenientes do 5 . não é utilizado. gerente geral. Quando o profissional chega ao mercado de trabalho. a verificação de recebimento de materiais. ma que é preciso encontrar uma forma de saber o que é e o que não é importante. os cursos são desmotivadores. “apagador de incêndios” e consequentemente o que este profissional aprendeu (não entrando no mérito da qualidade deste aprendizado). o arquiteto (profissional pilar do setor): o problema começa nas universidades.lucros estes que poderiam ser maiores se a obra tivesse um profissional aplicando eficientemente seus conhecimentos. “Todo aprendizado integra o pensar e o fazer” [8]. Thomaz [11] chama atenção para o papel do engenheiro. Segundo Senge [7]. falta de didática e experiência profissional de alguns professores. onde a formação é direcionada apenas à busca pelo diploma.

Salários baixos e baixa produtividade andam juntos. planejamento ao longo do tempo e de por em pratica. Se a percepção destas interações nunca for além. A agenda destaca a importância de se desenvolver a consciência e educação para a sustentabilidade. incluindo os recursos humanos das empresas. educação. ela contempla diversas questões voltadas para a construção civil. que os empresários sejam proativos quanto as suas responsabilidades sociais e ambientais e que o governo tenha pessoas qualificadas com capacidade gerencial nas instituições publica. A Agenda 21 Brasileira A Agenda 21 Brasileira reafirma compromissos assumidos pelo Brasil na Conferência Rio 92 [19]. sociais. sociedade. o PPA. 3. ela apresenta algumas experiências bem sucedidas de projetos. desenvolva políticas de redução de desigualdade e eliminação da pobreza absoluta e disponha de recursos financeiros em programas com destaque. há pouca inovação tecnológica. ele aborda a sociedade de uma forma ampla e com suas próprias necessidades. mudança estas que acontecem com ações de longo prazo. os atos das pessoas podem ser drasticamente alterados. etc. consumo. Agopyan [1] também cita que é muito relevante e abrangente a Agenda Social da Sustentabilidade no campo da construção civil. orienta as escolhas de políticas públicas. mostrando que é possível sim a mudança [19].aprendizado que elas têm. não propõe ações impossíveis. onde se vê necessária a mudança de hábitos de produção e consumo. e que por isso merecem planejamento e participação de toda a sociedade (não pode ficar apenas na responsabilidade do governo). de muita ênfase em países em desenvolvimento deve vir junto com as questões éticas. grande informalidade. sonegação de 6 . A Agenda 21 Brasileira. A questão econômica.[22] que em forma de lei define metas planejamento governamental e partir estudos e de diagnósticos. as ações serão meras reações.ela ajuda a implementação de políticas publicas para o desenvolvimento sustentável. que a sociedade seja mais participativa e tenham iniciativas. A agenda 21 brasileira embasa o Plano Plurianual de Governo. os fornecedores entre outros. mas se forem mais a fundo. permitindo ver os todos maiores que “geram o que é” e a ligação com esta totalidade.

O ponto crítico de enfrentamento do setor é a mão de obra que vive na pobreza. uma mobilização nacional contra o desperdício. por conta de velhas práticas cultura de fartura e abundância. mas também na pobreza. divulgando as boas praticas e estimular o combate ao desperdício na construção civil com uso de tecnologias adequadas. que vem contra com o nível de desenvolvimento que se espera crescer. O desenvolvimento sustentável vem com mudanças nas estruturas da sociedade [19]. principalmente a habitação de interesse social. formação de pessoas. envolvendo o governo nas suas três esferas. combater a informalidade e proporcionar condições de trabalho adequadas.impostos em toda a cadeia. A agenda social da construção deve abordar a construção de edificações habitacionais de qualidade. As pessoas são as protagonistas no desenvolvimento da sociedade [19]. O Brasil adota modelos de consumo de países “desenvolvidos” e também tem resquício da sociedade colonial e escravista que um dia já foi. O combate ao desperdício deve ser feito ainda no processo produtivo. qualificação gerencial e inovação cientifica e tecnológica. a cultura de poupança deve ser construída pela boa informação. quase que vital. licenças ambientais sem exigências. onde os meios de comunicação tenha um papel relevante de pedagogia social. produção de materiais fora de especificações. as lideranças comunitária. buscar boas práticas de governança e ética nas construtoras e órgãos governamentais. inicialmente de água e energia. relacionamento entre os envolvidos do setor. porque se “desenvolver” sem sustentabilidade não é desenvolvimento). as empresas. extração de matéria prima ostensiva. como vemos o caso da Coréia do Sul. que se promova capacitação. onde o conhecimento e a informação devem ser vistos e trabalhados de uma nova forma e estas são condições imprescindíveis para que haja o desenvolvimento de forma sustentável (na verdade não há outra forma. Para isso a agenda 21 brasileira recomenda uma legislação de resíduos sólida bem definida. desde os operários até a vizinhança das obras. combatendo a cultura do desperdício. 7 . onde o desperdício não ocorre somente nas classes sociais abastadas. nas ultimas décadas. a mídia. O primeiro objetivo da Agenda 21 Brasileira [19] é a produção e consumo sustentáveis. e vemos o Brasil com déficit educacional. E isso é possível. projetos mal elaborados. Por isso é condição necessária. [14].

e isto deve ser prioridade máxima: colocar o Brasil num novo patamar produção científica e tecnológica. seja no atendimento das legislações ambientais. Precisamos encontrar soluções acessíveis para que se torne competitivas. e por mais que houvesse avanços significativos. tecnologia e inovação para o 8 . Deve-se a isso a pouca tradição das empresas brasileiras que antes não precisavam de tecnologia para ser competitivas (faziam a exploração predatória dos recursos naturais. sem pensar nas suas consequências. promover a capacitação de educação dos seus colaboradores como agentes multiplicadores dentro e fora da empresa. ele deve criar as condições de coordenação das ações publicas. E para termos sucesso a educação para a ciência e a tecnologia esteja em todos os níveis do ensino. E é de responsabilidade do governo a promoção desta integração. Para isso a Agenda recomenda ações de criação de condições para que as empresas brasileiras adotem os princípios de ecoeficiência e de responsabilidade social. infraestrutura e integração regional. preparando-as para a competição globalizada e se comprometendo com a sustentabilidade.Também é objetivo da Agenda 21 Brasileira [19] a responsabilidade social das empresas. Falta um plano nacional de desenvolvimento sustentável por falta de uma visão sistêmica. tinha uma mão de obra barata e subsídios do governo) e temos baixos níveis educacionais dos trabalhadores brasileiros. promover parcerias entre empresas diferentes e entre universidades e institutos de pesquisas. esta terceirização que fica frequentemente sem acompanhamento comprometem a qualidade dos produtos e serviços. tudo isso dentro de um contexto diversificado e característico de cada uma. Outro objetivo da agenda [19] é a do planejamento estratégico. para que se criem condições de melhoria da qualidade de vida e desenvolvimento econômico. transformar esta produção em inovação tecnológica ainda é um grande desafio para o país. Para superar tais impasses. entrando na era da globalização tecnológica. Também deve ser combatida a forma de gestão adotada pela maioria que tendência às empresas a terceirizar seus serviços em detrimento à redução de custos. normas voluntárias e nas micro e pequenas empresas. se prioriza a produção e crescimento do mercado. formar e capacitar as pessoas do campo da ciência. A Agenda 21 Brasileira [19] também destaca a informação e conhecimento para o desenvolvimento sustentável. incentivando pesquisas voltadas ao desenvolvimento sustentável.

mais importante como nunca. A Cadeia Produtiva da Construção é composta pelas construtoras. o comércio varejista e atacadista. informação e das novas descobertas. incorporadoras e prestadoras de serviços auxiliares da construção. A indústria da Construção Civil é o núcleo dentro da cadeia produtiva. torna-se cada vez mais preocupante na medida em que se tem um crescente acirramento da competição no mercado e dentro do contexto de se buscar a minimização do desperdício do esforço humano [9]. as profissões perderam sua rigidez e ganharam flexibilidade e em constante transformação em consequência da tecnologia. os que produzem materiais de construção. Isso ocorre não só pela sua elevada participação no valor da produção e do emprego gerados em 9 . a mobilização das universidades e dos mais diversos segmentos. desburocratizando-a e estimulando o ensino profissionalizante que oferece mão de obra qualificada. 4. A educação permanente para o trabalho e a vida também é discutida na Agenda 21 brasileira [19]. Reforçamos que a educação deve ser prioridade máxima. disseminar a informação científica e tecnológica para o desenvolvimento sustentável. Dentre as ações a agenda propõe a universalização do sistema de ensino em tempo integral e o combate ao analfabetismo funcional.desenvolvimento sustentável. democratizar centros de pesquisas e as universidades. ao desenvolvimento de planos de capacitação intensivos para qualificar professores. pelos segmentos da indústria. e isso já merecia atenção há algumas décadas. O Setor da Construção Civil A indústria da construção civil do Brasil é caracterizada há muito tempo como uma indústria de baixa produtividade no uso da mão de obra. que realizam obras e edificações. garantir recursos financeiros e materiais para a manutenção de pesquisadores e cientistas no Brasil. e por várias atividades de prestação de serviços. pois é a dimensão mais nobre e relevante da vida e o processo contínuo de aprendizado e hoje. integrando os produtores do conhecimento e seus usuários. financeiros e seguros. incentivando a participação de pais de alunos na gerência da escola. tais como serviços técnico-profissionais.

estas políticas incluem a adoção de questões de direitos humanos.12 %. que equivale a quase sete milhões de pessoas. mas também por ser o destino da produção dos demais segmentos envolvidos [18]. o debate sobre a produtividade da construção civil brasileira aumentou nos últimos anos em que o setor da construção aumentou significativamente suas atividades e com as taxas de crescimento expressivas. A Agenda 21 para Construção Sustentável para Países em Desenvolvimento [20] aponta a falta de dados precisos. 29 empresas locais estão com situação vigente de adesão ao programa. Dados do CBIC [21] informa que a participação da indústria da construção na população ocupada do país em 2009 é de 7. No Fórum Econômico Mundial de 1999 a ONU lançou o Pacto Global [5] para que as empresas pudessem ter políticas de responsabilidade Social Corporativa e Sustentabilidade. Atualmente. Segundo o relatório da FGV e CBIC de Produtividade da Construção Civil Brasileira [21]. São necessárias informações sobre os materiais atuais "verdes" de construção que estão disponíveis e também ter informações sobre os operários da construção. Essa escassez de dados cria restrições sobre um planejamento 10 . O Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade do Habitat – o PBQP-H [25]. mas mesmo assim a dinâmica das obras. que é fundamental para alcançar os processos de construção sustentável e políticas eficazes. no estado de Mato Grosso do Sul. a falta de mão de obra. os aumentos de opções de materiais estão levando as empresas construtoras a buscar novas soluções em inovações tecnológicas onde são necessários sistemas de gestão que garantam que os dados de desenvolvimento de cada etapa da obra estejam sempre atualizados. o setor precisa elevar sua produtividade. as construtoras vem tendo dificuldades na contratação de mão de obra qualificada. direitos do trabalho. Para sustentar o ciclo atual.toda a cadeia. utilizar de maneira mais eficiente os recursos disponíveis. o seu modo de funcionamento e do setor em que atuam. ou seja. proteção ambiental e contra a corrupção. propõe que as empresas tenham processos definidos de gestão de qualidade e produtividade de acordo com a adesão ao projeto do programa: SiaC – Sistema de Avaliação da Conformidade de Serviços e Obra.

Precisamos de novas ferramentas e metodologias de projeto embasada em parâmetros ambientais. na verdade a construção civil é conhecida como uma área resistente à inovação. Hoje em dia ainda é muito difícil provar a relação entre certas doenças e ambientais a poluição.onde poucas “novas tecnologias” são usadas. Além disso. Outro entrave [20] é a aplicação de procedimentos de construção e planejamento com os conceitos de outros países. causando assim uma inércia tecnológica . que favorecem o uso de materiais como tijolo e concreto armado. Os países em desenvolvimento necessitam de conhecimentos e tecnologia que se adapta melhor aos seus próprios recursos naturais do que a que eles obtêm dos países desenvolvidos. introduzidos durante o período colonial. O Plano Plurianual de Governo PPA [22]. as empresas que dominam o setor não estão interessadas em mudanças tecnológicas que envolvem riscos e custos extras. Dados e informações sobre os efeitos na saúde e risco de atividades de construção insustentáveis também não são muito confiáveis e muitas vezes insuficientes [20]. por exemplo. organização institucional e financiamento dos empreendimentos de habitação social. porque não reconhecem a sustentabilidade como um meio para a competitividade no mercado. contempla com o programa Moradia Digna que quer a melhoria da qualidade da construção civil. Temos deficiências de planejamento. embora estas ligações sejam bem conhecidas.eficaz e informação estatística do setor da construção é muitas vezes ou indisponíveis ou não confiável. Para se introduzir novas tecnologias é difícil. e desencorajar quaisquer alternativas a estes materiais de construção e os tipos de serviços. com o objetivo de conceder o Documento de Avaliação Técnica do Produto Inovador (DATec) para 100% dos produtos inovadores utilizados em empreendimentos de habitação de 11 . por meio da criação e implementação de mecanismos de modernização tecnológica e gerencial. o que não existe hoje. incluindo conceitos e metas de sustentabilidade. A sustentabilidade depende de inovações em todas as atividades da cadeia produtiva do setor [14]. contribuindo para ampliar o acesso à moradia digna para a população de menor renda.

ou o descarte e o ciclo deste material ou produto é danoso ao ambiente. direta ou indiretamente e principalmente cliente. e embora a sustentabilidade nas edificações tenha ganhado destaque. no entanto. 12 . O setor ainda não conhece seus consumidores. captação e reuso de água da chuva. As medidas de sustentabilidade necessitam da participação dos usuários. arborização urbana infraestrutura social.1 A Qualidade na Construção Civil Construções sem critérios de sustentabilidade trazem prejuízos aos que seguem as normas [1]. A habitação também é frequentemente vista como um produto a ser fabricado e entregue. é um dos problemas mais urgentes dos países em desenvolvimento. visto que passamos a maior parte da nossa vida dentro de edifícios. porque os que investem para cumpri-las acabam tendo desvantagens competitivas no mercado. sonoro. ela ainda é um grande desafio maioria dos países em desenvolvimento. porque precisam de recursos e conhecimentos. em vez de processos de capacitação. e consequentemente muitas soluções são deixadas de lado. como o uso de energia solar. Questões de desempenho térmico. em grande medida. por meio do Sistema Nacional de Avaliação Técnica de Produtos Inovadores (SINAT). Os prejuízos também chegam aos usuários que na maioria das vezes tem problemas com mau desempenho. escolas. qualidade de vida e da felicidade das pessoas.interesse social.2 Usuários e Clientes Agopyan [1] diz que toda a sociedade é usuária. Programas habitacionais sustentáveis tem que adotar uma perspectiva holística e incluir questões como design urbano. e o usuário não é orientado ao correto uso. como escolas e clínicas. A qualidade do ambiente construído define. lazer. a qualidade de vida da sociedade como um todo. A qualidade das edificações tem grande influência na saúde dos seus usuários. [13] O conceito integração da habitação como parte ambiente não é muitas vezes contemplado pela construção indústria [20]. ao ambiente. 4. manutenção e preservação. trabalho. porque se precisam substituir os produtos. quer seja nossas residências. Os impactos do setor começam antes mesmo da produção de qualquer material [18] e se estendem até o fim da vida útil do empreendimento. 4. têm impactos na saúde das pessoas.

principalmente no seu próprio sentido social. tem ações pouco eficazes no que diz respeito à construção sustentável. 3Verificação questões sociais. como um ciclo. A responsabilidade pós-consumo. impacto estes que vão do uso intenso e desperdício de materiais. são de simples utilização e de fácil acesso. 2. O que se precisa é de mudanças radicais na maneira de como são produzidos os bens e serviços. da sustentabilidade do ponto de vista social.1 A Produtividade Segundo Souza [9]. Quem oferece bens e serviços tem que pensar no será feito dos componentes produtos.3 Fornecedores Os impactos da construção civil vêm sendo ignorados pela sociedade e seus representante [14] e muitos países em desenvolvimento. afirmam que o grau de desperdício atual é tanto e tão generalizado que abre um espaço extraordinariamente grande para esse “reino da abundância” [26]. Isso era um assunto importante em décadas anteriores e hoje necessitam de uma atenção muito maior. 6. só deixará de ser uma remediação se pensadas desde a concepção do produto. Mão de Obra da Construção Civil 5. a construção civil há muito tempo é considerada como improdutiva no uso da mão de obra.Verificação da licença ambiental. inclusive o Brasil. O que podemos buscar são bens e serviços como partes integrantes de novos bens e serviços.McDonough e Braungart.Verificação da propaganda). 5. Essa 13 .Perfil socioambiental. e que não podemos nos focar na minimização dos danos. Ferramentas como o “Seis Passos” elaborado pelo CBCS – Conselho Brasileiro de Construção Sustentável. como se faz hoje na maior parte dos relatórios socioambientais das empresas. gestão do uso da água.4. devido à competitividade do mercado de trabalho e na busca pela eficiência do recurso humano.Verificação de qualidade e observação de normas técnicas. este é um exemplo de boa pratica que tem impacto no setor [1] se for utilizada (1Verificação da formalidade da empresa. É importante primeiro se avaliar o contexto: o caráter nômade do canteiro de obras é uma grande dificuldade para o setor: na indústria seriada a fabrica fica muitos anos no mesmo local. depois do descarte [26]. na construção civil é o produto que fica e a fabrica que se vai. 4. 5.

a baixa atratividade para ingressantes. mas no serviço de armação a mão de obra brasileira foi quatro vezes mais eficiente. pois podem estes ter particularidades e processo diferentes de produção. Por isso estudos voltados para a produtividade tem um impacto significativo na gestão e sucesso de um empreendimento como um todo. no final da década de 70. na organização e processo de produção.5 50 0. e isso é uma grande dificuldade enfrentada por eles. no Décimo Simpósio Internacional Sobre Organização e Gerenciamento da Construção. Souza [9] ressalta que em uma Mesa Redonda. os baixos salários. Hh/t = homem x hora/tonelada Hh/m² = homem x hora/m² 0. E constatou que estes problemas não ocorriam só no Brasil. Kellogg [27] estudou o motivo do baixo crescimento da construção civil americana. como por exemplo o “analfabetismo”muitos operários da construção civil nos Estados Unidos tem língua espanhola (são analfabetos na língua inglesa). Souza [9] realizou um estudo de produtividade do serviço de formas e armação em obras de edificações americanas e brasileiras e constatou que a produtividade depende muito do projeto. do nível de pré-fabricação e mecanização. Problemas de produtividade não é caso exclusivo do Brasil. A figura 2 mostra que no serviço de formas o desempenho americano foi melhor.45 Brasil Hh/t Hh/m² 1 43 Brasil 25 EUA 10 EUA 0 0 Fôrmas Armação Figura 2 – Demanda potencial por horas de um operário para execução de uma unidade de serviço – Ubiraci Espinelli Lemes de Souza 14 .mobilização requer muitos esforços e recursos. A comparação de produtividade de diferentes países como Brasil e Estados Unidos deve ser analisada. levantou questões como o analfabetismo. A culpa da má produtividade do setor não é dos operários. que crescia a menos de 1% ao ano nos últimos vinte anos.8 0. a má formação dos operários. este também é problema de países desenvolvidos.

Há uma grande diferença de produtividade entre os vários seguimentos da construção civil. a produção no Brasil de edifícios de classe média representam 50%.A FGV [23] também destaca como sendo um grande desafio os estudos sobre a produtividade na construção civil. Com treinamentos eficientes e mudança nos sistemas construtivos. O setor de construção de habitação de interesse social no Brasil melhorou consideravelmente [12]. índices baixos são registrados nas construções para a população de baixa renda [23] (em relação à produtividade americana. O estudo da FGV [23] também aponta a baixa produtividade do setor da construção residencial. A qualificação da mão de obra não é a grande vilã da baixa produtividade [23]. altas taxas de inflação e falta de financiamentos a longo prazo. a redução de pontos de energia. por conta da deficiência em gestão (planejamento e gerenciamento de projetos) nas pequenas empresas brasileiras. Outro ponto importante no setor de habitação de interesse social foi que a partir da década de 60 a cultura de modularização. que são na sua maioria responsáveis neste segmento. onde parte destes problemas se deve a instabilidade macroeconômica do país. este segmento da habitação não atraem grandes empresas com experiência porque não é rentável. a heterogeneidade dos componentes e produção de materiais no canteiro de obras dificulta esta avaliação. pois diferentemente de outras indústrias. 15 . citando três fatores principais que são de grande impacto nesta área: 1) a diversidade construtiva. de tipo de acabamento. enquanto casas de habitação de interesse social é apenas 20% em relação à mesma. já abordado no inicio do texto. racionalização. sobrando assim para empresas menores e com pouca experiência e consequentemente menor formalização. como por exemplo. mas com a margem de lucro apertada. os sistemas construtivos são muito mais simples se comparado com os sistemas construtivos feitos pelo setor privado. 2) a informalidade do setor. consequentemente levou a uma menor qualidade no setor. algumas empresas vem ganhando consideravelmente a produtividade. 3) a dificuldade de determinar os limites do setor da construção do setor de materiais de construção.

em 2009 47. A presença de imigrantes tem diminuído. hospitais. sendo que no Brasil a relação de ocupação dos homens é de 56.44%. com dados relativos ao ano de 2009: Na construção civil 62. e não acompanhou o aumento da participação das mulheres como os outros setores (97.34% dos trabalhadores do setor não recebiam salários e em 2009 a taxa era de 3. empresas informais trabalham a margem da lei e não cumprem obrigações sociais com seus funcionários e vizinhos e sonegam impostos. O estudo também constatou que houve uma redução no período de 1996 a 2009 da autoconstrução: em 1996. e esta próxima a media geral brasileira. é assunto que esta no âmbito de países desenvolvidos.2 O Perfil do Trabalhador A construção civil abrange uma grande parcela da sociedade brasileira [21]. onde tradicionalmente os trabalhadores desta região migravam para a região Sudeste. quanto que no país a ocupação de mães é de 30.2%.2% dos trabalhadores são homens). 5. mas que é mais importante nos países em desenvolvimento. por isso questões como licença maternidade e creches são pouco discutidas no setor. porque há uma grande demanda em todos os setores: habitação social.5% dos ocupados são chefes de famílias.5. principalmente no Nordeste. 16 .5% dos ocupados no setor da construção era nativos e no geral o país este valor era de 53.6%. A discussão da informalidade e os aspectos éticos no setor da construção civil são tratados de forma secundária. O estudo da FGV [23] faz um levantamento do novo trabalhador da construção civil. o setor e predominantemente masculino.62%. 6.3 Informalidade A informalidade é uma atividade econômica que não é declarada para as agências governamentais [1]. O estudo observa que o crescimento acelerado da economia nordestina impactou em mudanças da composição geográfica dos trabalhadores da construção civil: em 1996 a região Norte e Nordeste representava 27% dos ocupados no setor e em 2009 passou para 32%. A sustentabilidade social é uma grade oportunidade para o setor da construção civil. na construção civil representa apenas 1. O estudo justifica este índice por conta das políticas brasileiras de transferência de renda. Quase todo o Brasil convive com esse problema que atinge todas as classes sociais.5%. A relação da presença de mães é ainda mais discrepante.

mas o índice ainda se manterá baixo em relação ao ideal. A informalidade é uma das mais difíceis tarefas para um Brasil sustentável. Isso é visto no estudo como um possível fator que atrasa o processo de modernização na cadeia da construção civil e também incentiva a informalidade. As empresas formais para serem competitivas com as informais devem ter um elevado desempenho produtivo para compensar os encargos ficais e trabalhistas. existem condições de trabalhos análogas à escravidão (também ocorrem em grandes empresas [24]). A informalidade também ocorre em países desenvolvidos. é necessário que haja um grande desenvolvimento do setor para que os países se desenvolvam. infraestrutura. apesar do crescimento do setor e do crescimento dos salários.) precisam ser maiores. O pior é que estas empresas informais usam processos de produção ultrapassados e consequentemente a produtividade é baixa e elas só se sustentam no mercado porque sonegam impostos e benefícios sociais. 5. sanitários. a regulamentação de eficiência energética não é seguida e tem variações de 44 a 100% nas construções [17]. onde na área da construção residencial ela representa 70% do total de empregos. Por causa da sonegação os impostos são maiores. As políticas públicas não são eficazes na economia informal: impostos altos. estes ainda estão muito abaixo da media nacional e dos setores industriais (Rais 2009). etc. 17 . um estudo nos Estados Unidos [15] apontou índice de não conformidades com limites de emissões de poluentes em 35% e na Califórnia. alojamentos. A informalidade gera uma desigualdade entre as empresas. enfim. A informalidade não é apenas a falta de pagamento das leis sociais e benefícios dos trabalhadores.escolas. exigências ambientais que impactam custos. A preocupação das empresas com a qualidade de vida nos canteiros (refeitórios.4 As pessoas As ações das empresas de construção civil são sentidas com maior intensidade pelos seus trabalhadores e o maior desafio é sem duvida a formalização [1]. O estudo da FGV [23] também destaca a informalidade no setor da construção. corrompe agentes públicos e induzem o setor privado à corrupção também. Mas o estudo prevê também o crescimento e melhoria de produtividade do setor da construção residencial nos próximos 10 anos. pois há um aumento significativo das empresas formais no setor.

de capacitação e qualificação de trabalhadores.US Census Bureau 2002. Os recursos humanos estão no centro dos desafios sociais na construção civil brasileira [1] e serão necessárias novas estratégias e mudanças culturais. Figura 3 Grafico de comparação entre a produtividade brasileira. Para que haja a valorização do profissional no setor é necessário o aumento da produtividade. praticas de gestão.2006. European Fundation for the Improvement of working and Linving Conditions. A solução em médio prazo talvez seja o uso de novas tecnologias e da qualificação da mão de obra prévia. promover mudanças de processos. e elas são na sua maioria são da área administrativa e os jovens não são atraídos para o setor da construção civil por conta de todos estes problemas. [23]. A inclusão das mulheres nos canteiros de obras [1] precisa combater os preconceitos. 18 . Dados :FGV. que comparada a outros países ainda é baixa (ver figura 3) – o aumento da produtividade depende de inovação tecnológica. americana e Européia na Construção Civil. e isso consequentemente agravará a escassez de recursos humanos.Os índices de acidentes de trabalho no setor são difíceis de combater de forma eficaz. por conta das pequenas e médias empresas e pela rotatividade da mão de obra. segurança no trabalho. 2005 [16] A Construção civil é utilizada como uma alternativa para combater o desemprego [6] e ao longo do tempo isso ocasionou na perda do “saber fazer”. e para isso é necessário a participação das empresas do setor. questões de gênero e formação de recursos humanos.

necessitando de muito investimento [14]. É preciso superar as barreiras existentes de hábitos e cultura.5.Educação profissional de todos os setores .5 Educação O estudo FGV. especialmente aqueles relacionados à construção sustentável. Fonte CPS/FGV – PNAD/IBGE A educação continuada para todos os profissionais propagada e os conteúdos de engenharia. estão presentes em todos os níveis [20] e é indispensável para o desenvolvimento 19 . a partir do Suplemente Especial da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios [23] construiu um ranking que demonstram como está a educação profissional de todos os setores. Figura 4 . A formação de recursos humanos para atividades de canteiro é muito importante e deve ser inserido na gestão das empresas o quanto antes. representado um percentual de educação profissional de 17. a falta de acesso à informação e educação sobre temas ambientais. enquanto o setor automobilístico que apresenta o maior valor tem 45.71% dos profissionais com educação profissional (figura 4). A ignorância. motivando as pessoas a participarem dos processos e isso só se viabilizará com estratégias especificas e divulgação maciça.80%.% com educação profissional. arquitetura e cursos devem ser atualizados para o contexto da sociedade hoje [14]. A Construção Civil é uma das ultimas colocadas.

A construção sustentável também vai exigir profissionais com melhor conhecimento do meio ambiente. Emprego e Renda. fazendo a ponte entre teoria e prática. Também faltam profissionais capacitados dentro da profissão. que tem como meta consolidar o sistema público de emprego. Falta de integração de esforços voltados para a questão da sustentabilidade dentro do sistema de ensino (desde o fundamental às universidades). é essencial para educar o público. é preciso se criados melhores mecanismos para permitir a transferência de conhecimentos das instituições de pesquisa para o mercado. ampliando o alcance da promoção de políticas públicas para aumentar a inserção do trabalhador no mundo do trabalho. necessitando a educação ambiental orientada em áreas como materiais de construção e sistemas para construções. desde o nível primário. O PPA Plano Plurianual de Governo [22] contempla o Programa Trabalho. e a inclusão social de detentos e egressos do sistema prisional e do 20 . as instituições e grupos empresariais sobre questões de sustentabilidade abrangentes. com objetivos de Ampliação do atendimento em intermediação de mão de obra do SINE e ampliar a oferta de cursos de qualificação social e profissional. é crucial. Não há retorno de pesquisas e desenvolvimentos em projetos e construção sustentáveis entre as instituições profissionais. Além disso. Assim como Matemática e outras ciências fazem parte do currículo escolar básico. O sistema permanece estático na ausência de um círculo discernimento para defender a mudança necessária. onde contempla na área de recursos humanos a formação de mão de obra em comunidades vizinhas às obras. algumas atividades que incluem os trabalhadores da construção civil.sustentável sensibilizar a opinião pública sobre estas questões. priorizando. há muitos projetos-piloto ou opções "alternativas". contratação de mão de obra feminina na construção. trabalho e renda no Brasil. agências governamentais e entre os próprios educadores. especialmente em tecnologias alternativas e limpas. publicou em 2012 um Guia de Boas Praticas em Sustentabilidade na Construção Civil [18]. mas só isso não basta. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). o tema da Sustentabilidade deve ser ensinada de modo a se tornar uma parte de um processo de pensamento cotidiano. há uma escassez de trabalhadores qualificados e uma quantidade insuficiente de trabalhadores especializados. os governos.

Discutimos agendas. temos uma visão quase que completa da realidade. e temos pouco tempo para capacita-los.Não há uma organização sistêmica e de acompanhamento com periodicidade. analisar pontos fortes e pontos a ser desenvolvidos. As empresas tendo informações sempre atualizadas tem o poder de tomada de decisões certas e sua gestão estratégica terá mais apoio e informações concisas. mas é preciso muito mais para o avanço nas transformações necessárias para que o setor se sobressaia e avance. Conhecemos mais as necessidades e as prioridades do país e do mundo. capacitação e plano de carreira ficam mais embasados com informações mais precisas. Aumento de competitividade frente à detenção de informações reais e atualizadas proporciona os caminhos certos para tomada de decisões corretas no desenvolvimento e qualificação dos seus colaboradores e consequentemente proporcionar um impacto na produtividade da empresa e na melhoria da qualidade de vida do trabalhador. Planejamento de qualificação. podendo assim 21 . visto que com informações sempre atuais e os desvios e necessidades ficam mais evidentes. Conclusões A questão da sustentabilidade esta se consolidando nas ultimas décadas.Capacitação e Certificação Profissional na Construção Civil e Mecanismos de Mobilização da Demanda [28] destacou a necessidade de uma grande quantidade de trabalhadores no mercado de trabalho. Estas práticas sugeridas apresentam um pequeno potencial do que se pode ser feito. Para isso é necessário o comprometimento do governo e empresas. os conceitos estão se definindo e estamos em uma fase intermediária. 6. empresas podem acompanhar o desenvolvimento de cada trabalhador. incentivando e promovendo cursos e programas de qualificação. O estudo da Escola Politécnica da Universidade De São Paulo e a ABRAMAT . Com indicadores. O desenvolvimento sustentável das atividades.trabalho escravo. mas há falta clareza quando a questão de definição de prazos e de indicadores consistentes. definimos prioridades e metas. onde as questões estão sendo abordadas e debatidas.

M. E. JONH V. O Desafio da Sustentabilidade na Construção Civil. 21.C. ed.direcionar para a condição ideal planejada. São Paulo: Anhanguera Publicações Ltda. porque impactam no resultado da obra e numa visão mais abrangente. ET al. como a dinâmica de produção num canteiro de obra. [2] DUMKE. 2002. a mão de obra desqualificada e consequentemente baixos salários.. ed. agilidade de decisões. ed. 1. A. 2011.Central de negócios: Um caminho para a sustentabilidade de seus negócios. São Paulo: Pini.experiências e habilidades. D. Isso nos garante conhecimento pleno da obra. produção depende de muitos fatores que são atribuições de concepção. alta rotatividade e informalidade no setor. São Paulo: Blucher. rastreabilidade. no desempenho e valorização de toda a cadeia da construção civil. referencias para metas. A culpa pelo baixo desempenho da mão de obra do setor não pode ser atribuída aos trabalhadores da produção. 2000. a otimização da alocação de recursos. padronização. exige uma ação do governo e políticas eficientes de fiscalização e a sociedade tem um papel fundamental. 1. [3] GRAYSON. HODGES A. Estudos voltados para a eficiência da produtividade são de extrema importância. A. 2011 22 . detecção de situações desfavoráveis. planejamento e gestão. São Paulo: Elsevier. São Paulo: Publifolha. at al Sustentabilidade na Prática: fundamentos. Planejamento e controle de obras. [5] PEREIRA. 2011. Referências [1] AGOPYAN V. criação de dados históricos. [4] MATTOS. 1. projeto. ed. Melhorias na produtividade muitas vezes podem partir de ações simples. O problema de produtividade não é exclusividade de países em desenvolvimento ou subdesenvolvidos. A construção sustentável depende de uma redução drástica da informalidade. Há de se relevar a dificuldade de eficiência da produtividade devido as características peculiares do setor. Compromisso Social e Gestão Empresarial.D.

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