You are on page 1of 105

DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN

PROFESSOR LAURO ESCOBAR

AULA 06
DOS FATOS JURÍDICOS
Segunda Parte

Itens específicos previstos no último edital que serão abordados
nesta aula → Fatos Jurídicos (2ª Parte): Negócio Jurídico. Conceito.
Requisitos. Modalidades. Defeitos. Elementos essenciais e acidentais. Nulidade e
anulabilidade.
Subitens → Fatos e Atos Jurídicos. Negócio Jurídico. Conceito. Classificação.
Elementos Constitutivos: Essenciais (gerais e especiais ou particulares) e
Acidentais. Validade e Defeitos do Negócio Jurídico. Invalidade: Nulidade Absoluta
e Relativa. Confirmação. Conversão do Negócio Nulo. Interpretação, Forma e Prova
dos Negócios Jurídicos.
Legislação a ser consultada

→ Código Civil: arts. 104 a 184 (Negócio

Jurídico); art. 185 (Atos Jurídicos Lícitos); arts. 212 a 232 (Prova).

Meus Amigos e Alunos.
Iniciamos hoje mais uma etapa em nossos estudos. Marchamos para a
parte final de nosso curso. Apenas para lembrar que este curso é direcionado,
preventivamente, para o concurso de Analista do BACEN. E estamos
seguindo rigorosamente o último edital. Portanto, esta é a nossa penúltima
aula. Na próxima aula, encerrado o curso, veremos o Ato Ilícito e suas
consequências, ou seja, a responsabilidade decorrente da prática desse ato
ilícito.
Recebam todos, antecipadamente, um grande abraço, como se eu
estivesse aí com vocês. Desejo tudo de bom para vocês. Muitas ALEGRIAS e
SUCESSO nesta empreitada que vocês se propuseram, com muita
tranquilidade e paz durante os estudos e na hora da realização das provas que
virão.
Antes de começar, um aviso... Esta aula acabou ficando grande... Não
tanto pela aula em si (parte teórica). Mas principalmente pela quantidade de
exercícios. Coloquei uma grande quantidade de exercícios e tentei
separá-los por temas... Além disso, seguindo orientação da Coordenação do
curso, após colocar os testes com o gabarito comentado logo a seguir, ao final
há uma cópia de todos estes testes, sem gabarito comentado, mas com o
chamado “gabarito seco”. Bem... vamos começar...
Prof. Lauro Escobar

www.pontodosconcursos.com.br

1

DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN
PROFESSOR LAURO ESCOBAR
Como vimos na aula anterior, fato jurídico é todo acontecimento
natural ou humano que a lei atribui efeitos jurídicos. Já analisamos o fato
jurídico natural (também chamado de fato jurídico em sentido estrito), sua
classificação, a prescrição e a decadência, etc.
Na aula de hoje vamos nos ater ao Fato Jurídico Humano, que é o
acontecimento que depende da vontade humana (há quem diga que o termo
“vontade humana” seria uma redundância, pois somente o homem teria
vontade; no entanto o termo tem sido aceito normalmente pela doutrina),
abrangendo tanto os atos lícitos como os ilícitos.
Apesar de grande, a aula de hoje é mais “light” do que a anterior, pois é
menos teórica, mais dinâmica e estaremos diante de muitos casos que
vivenciamos em nosso dia a dia. Portanto, antes de começar a aula
propriamente dita, nunca é demais relembrar este é um curso preparatório
para concursos. Assim, não devemos nos perder em detalhes, em episódios
que podem ocorrer em nossas vidas e em casos particulares, mas que não
trazem nenhuma repercussão para a nossa prova. O importante agora é
conhecer cada um dos institutos e suas peculiaridades. Inicialmente
vamos ao nosso índice facilitando o estudo e possibilitando ao aluno localizar
melhor os temas abordados, indo DIRETO AO PONTO.

ÍNDICE
Ato Jurídico em Sentido Estrito ...................................................... 03
NEGÓCIO JURÍDICO ....................................................................... 05
Classificação dos Negócios Jurídicos .............................................. 06
ELEMENTOS CONSTITUTIVOS ......................................................... 09
Elementos Essenciais Gerais ..................................................... 10
Capacidade do Agente .......................................................... 10
Objeto .................................................................................. 13
Consentimento ..................................................................... 14
Defeitos relativos ao Consentimento ................................ 15
Erro ou Ignorância ........................................................ 17
Dolo .............................................................................. 22
Coação .......................................................................... 25
Estado de Perigo ........................................................... 27
Lesão ............................................................................ 29
Fraude contra Credores ................................................. 31
Simulação ..................................................................... 35
Elementos Essenciais Especiais ................................................. 39
Forma Prescrita ou Não Defesa em Lei .......................... 40
Elementos Naturais ................................................................... 42
Elementos Acidentais ................................................................ 42
Condição ........................................................................ 43
Termo ............................................................................ 47
Prof. Lauro Escobar

www.pontodosconcursos.com.br

2

DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN
PROFESSOR LAURO ESCOBAR
Modo ou Encargo ........................................................... 50
Invalidade do Negócio Jurídico ...................................................... 52
Ato Inexistente, Nulo e Ato Anulável ......................................... 52
Conversão do Negócio Nulo ....................................................... 58
Prova do Negócio Jurídico .............................................................. 60
RESUMO DA AULA ........................................................................... 65
Bibliografia básica .......................................................................... 72
EXERCÍCIOS COMENTADOS ............................................................ 73

Como vimos, o fato jurídico humano (que depende da vontade) pode
ser subdividido em ato jurídico (em sentido amplo) e ato ilícito. O ato jurídico
lícito é o praticado em conformidade com a ordem jurídica. Sua consequência é
a obtenção de um direito. Já a prática do ato ilícito gera o dever de reparar os
danos. Vamos analisar as particularidades de cada item desta subdivisão:
1. ATO LÍCITO (também chamado de ato jurídico em sentido amplo ou
ato jurídico voluntário). Praticado em conformidade com a ordem jurídica.
Subdivide-se em:
a) Ato Jurídico em Sentido Estrito (ou meramente lícito): há a
participação humana, mas os efeitos são os impostos pela lei e não pelas
partes interessadas. Tem por objetivo a mera realização da vontade do
agente. Esta é importante para a realização do ato, mas não quanto à
produção dos efeitos desde ato, pois eles decorrem da lei. Não há
regulamentação da autonomia privada. Ex.: o reconhecimento de um filho,
a fixação de domicílio, o perdão, a confissão, etc.
b) Negócio Jurídico: há a participação humana e os efeitos desta
participação são ditados pela própria manifestação de vontade; os efeitos
são os desejados pelas partes (ex.: contrato, testamento, etc.). Há,
portanto, autonomia privada; autorregulação de interesses particulares,
harmonizando vontades que aparentam ser antagônicas e que se
subordinam às disposições comuns. Ex.: um contrato (de locação, de
compra e venda, etc.), um testamento, a adoção, etc.
2. ATO ILÍCITO (também chamado de fato jurídico involuntário).
praticado em desacordo com a ordem jurídica. Quando a conduta (consciente
e voluntária) do ser humano transgride um dever jurídico, acarretando
consequências jurídicas alheias à vontade do agente (efeitos jurídicos
involuntários, impostos pela lei), como a reparação do dano (que veremos
na próxima aula, oportunidade em que também analisaremos a
responsabilidade civil). O ato ilícito, embora seja um fato jurídico (pois causa
repercussão no direito) não é ato jurídico, pois a característica essencial do ato
jurídico é que este tem de ser lícito. O ato ilícito, ao invés de direitos, cria
deveres (indenização, reparação do dano).
Vamos, então, analisar o ato jurídico em sentido estrito e o negócio
jurídico, que são espécies do gênero ato jurídico lícito (ou ato jurídico em
sentido amplo).
Prof. Lauro Escobar

www.pontodosconcursos.com.br

3

reconhecido um filho. ou que não tenha o seu nome. o pai reconhece o filho.. Prof. “A” quer apenas reconhecer “B” como seu filho. no ato jurídico em sentido estrito há uma realização de vontade do agente... independentemente da sua vontade (e também da vontade do filho). o pai não pode dizer que não deseja que ele seja seu herdeiro... obrigatórios. Vamos supor que no exemplo dado... Mas ao fazê-lo.. também não gostaria que esta pessoa tivesse o meu nome.. poder familiar.. Uma vez reconhecido um filho.br 4 .. além disso.... a situação “reconhecer um filho”. Quem pratica um ato jurídico em sentido estrito obtém apenas o efeito já preestabelecido na lei e não os desejados pelas partes interessadas. como o direito ao nome. Resumindo Ato jurídico em sentido estrito é o que gera consequências jurídicas previstas em lei. mesmo que o notificante não queira este efeito. mas as suas consequências são as previstas em lei e não as que porventura queiram as partes. a termo ou com encargos. etc... não gostaria que esta pessoa reconhecida fosse meu herdeiro. Por tal motivo. mas sim da lei. eu sou casado.. Assim. Desse relacionamento nasceu um filho (“B”). o que seria este “resto”?). Querendo ou não este efeito. afinal de contas é um filho havido fora do casamento. obtém o efeito previsto na lei de constituir o devedor em mora. Outro exemplo: quando uma pessoa notifica outra. obrigação de prestar alimentos.. não havendo regulamentação da autonomia privada. Tanto faz. traz como consequências legais e obrigatórias todos aqueles efeitos acima citados. não se pode reconhecer um filho sob condições. Como vimos. surgem diversos efeitos legais.. basta uma única manifestação de vontade para que se tornem perfeitos. pois eles são impostos pela lei..DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR ATO JURÍDICO EM SENTIDO ESTRITO Como vimos acima. ou se escuse de pagar a pensão alimentícia.. Por isso ele é pobre em conteúdo. Lauro Escobar www. ele ocorre independentemente de sua vontade. Resposta a todas as indagações: NÃO!!! Lógico que o pai não pode fazer isso. direitos sucessórios. Mas o resto eu aceito. (Pergunto novamente: isso pode? Aliás. A doutrina acrescenta que estes atos são unilaterais. O exemplo clássico é o reconhecimento de um filho.com. O pai pode desejar ou não aqueles efeitos. Os efeitos ocorrerão independentemente da vontade do agente. Isto é..pontodosconcursos.. mas faz algumas ressalvas: eu quero reconhecê-lo como meu filho. ou seja. Digamos que uma pessoa (“A”) teve um relacionamento amoroso fora do casamento. (Pergunto: isso pode?) E mais. tenho outros filhos com minha esposa. independentemente da vontade das partes interessadas... não gostaria de ter que pagar a pensão alimentícia. (Pergunto: isso pode?) Mais.. os efeitos decorrentes do ato não dependem da vontade da pessoa que fez o reconhecimento. mas.

em que se leva em consideração a vontade de ambos os contratantes). O exemplo clássico de negócio jurídico é o contrato. desejados pelo agente e tutelados pela lei. É necessário acrescentar que esta manifestação de vontade seja sem vícios (que veremos mais adiante). Vamos tomar como exemplo o contrato de locação. No entanto. b) Participações: atos de mera comunicação. Nele. Qual o valor da locação? Qual o prazo da locação? Qual o dia que deve ser efetuado o pagamento? Qual o local em que o pagamento vai ser efetuado? O locatário deve pagar o IPTU? E o condomínio do prédio? Quais as obrigações de cada parte durante o contrato? Todos estes itens (entre outros) são os efeitos do contrato. nos limites estabelecidos pela lei. Os efeitos deste negócio devem ser totalmente previstos e desejados pelas partes. Lembrando O contrato é apenas uma das várias espécies de negócio jurídico. subdividindo o ato jurídico em sentido estrito em duas espécies: a) Atos materiais (ou reais): simples atuação humana que lhe dá existência imediata. Neste caso o exemplo clássico é o testamento. acessão. uma das partes se compromete a fornecer a outra. ocupação. Por isso que o negócio jurídico é o principal instrumento que as pessoas têm para realizar seus interesses. intimações. não se destinam ao conhecimento de determinada pessoa.: fixação e transferência de domicílio. eles devem estar previstos e desejados pelas partes interessadas. É o ato destinado à produção de efeitos jurídicos. a moral e os bons costumes)! Embora no testamento se produza os mais diversos e variados efeitos. temos apenas a vontade do testador. Ex. Por outro lado a outra parte se obriga a remunerar este uso. Ex. dentro do campo da autonomia privada. o uso e gozo de uma coisa infungível. interpelações. Aliás. Prof. Todos eles podem ser “negociados” entre os contratantes (ao menos em tese).br 5 . os efeitos jurídicos pretendidos. daí ele ser unilateral (diferentemente de um contrato. oposições. abandono de coisas. o contrato é exemplo típico de um negócio jurídico bilateral.com. como regra. Tratase do aluguel. ou seja. etc. o agente pratica o ato para dar conhecimento a outrem (destinatário determinado) de que tem certo propósito ou que ocorreu determinado fato.: notificações. Quais os efeitos de um testamento? – Resposta: Tudo aquilo que o testador desejar (desde que não contrarie a lei.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR É interessante acrescentar que a doutrina ainda dá uma “complicada” na classificação. sem conteúdo negocial. não há um destinatário. durante certo lapso tempo. NEGÓCIO JURÍDICO Negócio jurídico é uma espécie do gênero ato jurídico em sentido amplo. Lauro Escobar www. É toda manifestação de vontade com o propósito de atingir. E. A mesma situação pode ocorrer em todas as espécies de contratos. etc. o negócio jurídico também pode ser unilateral.pontodosconcursos. os sujeitos de direito podem autorregular seus interesses. descoberta de tesouro.

: testamento. Ambos decorrem de uma manifestação de vontade. a escolha nas obrigações alternativas. Este não é exercício de autonomia privada. No entanto no ato jurídico em sentido estrito o efeito da manifestação da vontade está previsto na lei e não pode ser alterado. O negócio leva em consideração o fim procurado pela parte (ou partes) e a esse fim a ordem jurídica adapta os efeitos. Percebam que o ato é unilateral (pois a revogação só depende da minha vontade). mas eu devo comunicar a minha decisão à outra parte para gerar efeitos jurídicos (por isso o ato é chamado de receptício). etc. Levando-se em consideração o que tem caído nos concursos públicos e segundo a melhor doutrina sobre o tema (embora não haja uma uniformidade). Logo.pontodosconcursos. No contrato de adesão existe autonomia privada? Alguns autores afirmam que o contrato de adesão é mais fruto da “autoridade privada” do que a autonomia privada. independente da vontade de quem o pratica. desistência. mas sempre na mesma direção visando um único objetivo. de uma procuração). o efeito da manifestação da vontade é o desejado pelas partes.com. Unilaterais: quando a declaração de vontade emana de uma ou mais pessoas. o fim procurado pelas partes baseia-se na autonomia da vontade privada. mesmo que apenas para assinar ou não o contrato (autonomia mínima). Ex. Outros exemplos: a proposta de um contrato. já no negócio jurídico a pessoa pratica uma conduta e os efeitos da conduta são os desejados pelas partes. instituição de uma fundação. promessa de recompensa. Já no negócio jurídico. o interesse objetivado não pode ser regulado pelo particular e a sua satisfação se concretiza no modo determinado pela lei. Eles podem ser subdivididos em: a) Receptícios: quando a declaração é dirigida a determinada pessoa.br 6 . Ex. confissão de dívida.: a revogação de mandato (ou seja. devo comunicar isso à pessoa a quem eu outorguei os poderes. Ou seja. renúncia. o ato se aperfeiçoa com uma única manifestação de vontade (uma parte). com a finalidade de se levar ao seu conhecimento a intenção do declarante para que possa produzir os efeitos desejados. havendo apenas um polo na relação jurídica. classificamos os negócios jurídicos em: A) Quanto ao número de manifestações de vontade 1. CLASSIFICAÇÃO DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS A classificação dos negócios jurídicos é muito grande. existe autonomia. Se eu revogo uma procuração. Ainda que limitada. Resumindo: no ato jurídico em sentido estrito a pessoa pratica uma conduta e os efeitos desta conduta são automáticos. Lauro Escobar www. Alguns contratos possuem um duplo objeto alternativo: eu posso escolher uma Prof.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR DISTINÇÃO Negócio Jurídico X Ato Jurídico em Sentido Estrito Vamos reforçar a idéia: não devemos confundir negócio jurídico com o ato jurídico em sentido estrito.

etc. Ex. b) Não-receptícios: quando a declaração de vontade não é dirigida a uma pessoa determinada.: compra e venda. Obs. estando elas em situação de igualdade (ex.: mais uma vez percebam que pode haver várias pessoas no polo ativo e outras várias no polo passivo e ainda assim teremos apenas duas partes. locação. 3. Outros exemplos: revogação de testamento e renúncia de herança.: locação (paga-se o aluguel e usa-se a coisa alheia). etc. Neste caso há dois polos na relação jurídica.pontodosconcursos. onde se conjugam vontades paralelas. A pessoa assume determinada obrigação sem aguardar qualquer espécie de contraprestação. b) sinalagmáticos: quando há uma reciprocidade de direitos e obrigações para as partes (gera obrigações para ambas).: contrato de sociedade com mais de dois sócios.). Ex. Obs. enquanto a outra arca com os ônus (ex. em sentido oposto.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR coisa ou outra. sendo que todas estão no mesmo polo. B) Quanto às vantagens patrimoniais 1. consórcios de bens móveis e imóveis.: testamento.com. depende de um acontecimento incerto.: doação simples. b) aleatórios: há uma incerteza em relação às vantagens e sacrifícios das prestações. 2. integram a mesma parte. 2. nem mesmo os beneficiados. para a seguradora é Prof.: perdão (“A” pode perdoar “B”.: ficou claro que pessoa não se confunde com parte? Assim. mas coincidentes sobre o objeto (consentimento mútuo ou acordo de vontades). Ex. contratos como a compra e venda (comprador e vendedor). sendo que o conhecimento do fato por parte da outra pessoa é irrelevante. Gratuito: só uma das partes aufere vantagem. compra e venda (paga-se o preço para se obter a coisa).: doação). etc. Basta que eu renuncie à herança de forma expressa. ou a locação (locador e locatário). Bilaterais: quando a declaração de vontade emana de duas manifestações de vontade. podemos ter mais de uma pessoa praticando o ato. Quando eu faço o meu testamento.: o contrato de seguro. há uma prestação e uma contraprestação. Plurilaterais: contratos que envolvem mais de duas partes. não preciso comunicar ninguém desse fato. etc. Podem ser subdivididos em: a) simples: quando somente uma das partes aufere vantagens. havendo.: locação). Ex. Ex.br 7 . São atos de liberalidade. mas este perdão somente surtirá efeitos se “B” aceitar o perdão). não é necessário que os demais interessados na herança sejam comunicados deste fato para que o ato seja válido e operante. Lauro Escobar www. Ex. nada mais precisa ser feito. uma álea ou risco. Os contratos onerosos se dividem em: a) comutativos: as prestações de cada um dependem de um acontecimento certo e determinado (ex. Oneroso: ambos os contratantes possuem ônus e vantagens recíprocas. A pessoa somente assume a obrigação por esperar em contrapartida a outra obrigação. portanto. Feita a escolha devo comunicar à outra parte para surtir efeitos.

Constitutivos: sua eficácia opera-se ex nunc (ou seja. C) Quanto ao tempo em que devam produzir efeitos 1. partilha. Ex.pontodosconcursos. Ex. 02) Todo negócio oneroso é bilateral. como um anel.: locação. etc. Acessórios: são aqueles que têm a sua existência subordinada à de um contrato principal. Ex. E) Quanto à subordinação 1.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR aleatório. Declarativos (ou declaratórios): sua eficácia é ex tunc (ou seja. o negócio se torna eficaz a partir de sua conclusão ou celebração).: compra e venda. mas no Direito como um todo). porém gratuito.com. Principais: são aqueles que têm existência própria e não dependem de qualquer outro.br 8 . Ex. Exemplo clássico: fiança. Causa mortis: somente produz efeitos (criando o direito) após a morte do declarante. locação.: testamento.: ainda na aula de hoje falarei mais sobre os efeitos ex tunc e ex nunc. doação. sendo que o evento morte funciona apenas como um termo. Obs. 2. etc. Ex. A fiança só existe por causa de Prof. mandato. livros). se efetiva a partir do momento em que se operou o fato a que se vincula a declaração de vontade. Ex.: divisão de condomínio. Estas expressões em latim merecem uma atenção toda especial da nossa parte (não só no Direito Civil. compra e venda. retroagindo no tempo). casamento. codicilo (que é uma disposição de última vontade de pequenas coisas. Observações 01) O contrato de seguro de vida (ao contrário do que parece) é negócio jurídico inter vivos. pois o pagamento ou não da indenização depende de um fato específico previsto no contrato: o sinistro. Lauro Escobar www. etc. Inter vivos: destinados a produzir efeitos durante a vida dos interessados. reconhecimento de filho.: doação pura e simples é negócio bilateral (possui duas vontades: doador e donatário). Observações 01) Alguns autores referem-se aos negócios bifrontes: são os que podem ser gratuitos ou onerosos de acordo com a vontade das partes. roupas. etc. 2. dependendo do que for estipulado. D) Quanto a seus efeitos 1. Mas nem todo negócio bilateral é oneroso. o evento morte é pressuposto de sua eficácia. ou seja as partes não podem realizar negócios atíticos ou inominados desta natureza. 2. O contrato de depósito pode ser gratuito ou oneroso. 02) Os negócios jurídicos causa mortis são sempre típicos e nominados (definidos em lei).: contrato de compra e venda. pois a prestação de uma das partes envolve uma contraprestação.

: contrato uma pessoa para pintar um muro (qualquer pessoa pode pintar um muro. Causais: estão vinculados a uma causa. Abstratos: estão desvinculados de qualquer outro negócio.: o registro da escritura de um imóvel está sempre ligado à existência da escritura de compra e venda deste imóvel. Ex. respectivamente.: locação. Se eu sou o locador de um imóvel. se a compra e venda for defeituosa. F) Quanto às formalidades 1. a formalidade é a própria essência do ato (ex. Intuitu personae: o ato se realiza em função das qualidades especiais de uma pessoa. que ficará responsável pelo pagamento da dívida. devem obedecer a uma solenidade específica. b) atos probationem tantum: a solenidade é tida apenas como prova do ato (ex. etc. G) Quanto às pessoas 1. desejo ser defendido no Tribunal do Júri pelo advogado “X”. Logo o contrato de locação é o principal e a fiança é o contrato acessório. Lauro Escobar www. Ex.art. A doutrina faz uma pequena distinção: a) atos ad solemnitatem: quando a forma é exigida como condição de validade do ato..: Como dá para perceber. H) Quanto à causa 1. a mesma espécie de negócio jurídico pode se enquadrar em mais de uma categoria de classificação. salvo exceções expressas na lei. Ex. ela não tem existência jurídica autônoma (lembrem-se da regra: “o acessório segue o principal”). Ex.: escritura pública de compra e venda de imóvel acima de 30 vezes o maior salário mínimo vigente . pelo tabelião. Em regra os contratos têm forma livre. 108. compra e venda de bens móveis. quero que o famoso pintor “Z” pinte um quadro para mim. 2. CC. podendo ser celebrado por qualquer forma. Outro exemplo: cláusula penal (que é a multa que pode ser pactuado no contrato. Prof. Não solenes (forma livre): a lei não exige formalidades para seu aperfeiçoamento. inclusive verbal.pontodosconcursos. quero que o locatário (inquilino) apresente um fiador. etc. Impessoais: independe de quem sejam as partes e de eventual qualidade especial destas para a prática do ato.: desejo ser operado por cirurgião de minha confiança. Obs. principalmente se estiver nas mãos de terceiros. Solenes (formais): a lei exige uma forma especial para se aperfeiçoarem. se a compra e venda for considerada nula.br 9 . não há uma habilidade especial para isso). caso o locatário não cumpra com a obrigação. sem que haja incompatibilidade nisso.com. a emissão deste é desvinculada. o cheque continuará valendo. etc. caso este não seja cumprido).DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR um contrato principal.: assento de casamento em livro de registro civil). o registro também o será. 2. prevista em lei.: compro uma casa pagando com um cheque. testamento público ou cerrado que devem ser escritos ou provado. Ex. 2. que somente existe por causa do principal.

Elementos Essenciais: são os dizem respeito à existência e validade do negócio jurídico. Estes não estão previstos na lei. Inicialmente vamos apresentar apenas um gráfico geral dos elementos constitutivos. I. Elementos Acidentais: são elementos facultativos. 3. ELEMENTOS ESSENCIAIS GERAIS Segundo a doutrina. CC) é necessária a presença dos pressupostos de existência do negócio jurídico. Termo. Condição. Elementos Naturais: são decorrentes do próprio negócio jurídico. 2. São aplicáveis apenas a alguns negócios. Modo ou Encargo. Já outros elementos são chamados de acidentais. Se o negócio possui tais elementos ele será válido e produzirá efeitos. dando-lhe a estrutura e a substância. 3.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DO NEGÓCIO JURÍDICO Alguns elementos do negócio jurídico são chamados de essenciais porque constituem elementos de existência e validade. Objeto lícito. determinado ou determinável. conduzirá à inexistência do negócio. Capacidade das partes. Prof.br 10 . os efeitos ou as consequências III. se ele for fisicamente impossível (ex. sendo uma construção doutrinária: a) Objeto Idôneo: o objeto deve ser apto a celebrar o negócio jurídico desejado.pontodosconcursos.: vender um terreno na Lua). II. pois são requisitos de eficácia do negócio. Depois vamos analisar cada um destes elementos detidamente. A) Gerais (comuns a todos os negócios): 1. Consentimento (vontade). não à existência ou validade propriamente dita do negócio jurídico. Se faltar alguns desses elementos o negócio será inválido e não produzirá efeitos. 2.com. 1. antes da análise dos elementos de validade (art. ELEMENTOS CONSTITUTIVOS I. Lauro Escobar www. b) Vontade Humana: para que haja o negócio jurídico é imprescindível a manifestação de vontade humana espontânea e livre de quaisquer vícios. possível. 104. podem ou não ser estipulados e dizem respeito. B) Especiais (dizem respeito à forma prescrita ou não defesa em lei). mas sim a sua eficácia.

Mas. 166. 171. A capacidade. CC) devem ser assistidos → falta de assistência → Negócio Jurídico Anulável (art. A incapacidade é uma exceção (forma de defesa) pessoal. CC determina que a incapacidade relativa de uma das partes não pode ser invocada pela outra em benefício próprio. Incapacidade • Absolutamente incapazes (art. esta deverá ser suprida pelos meios legais. nem aproveita aos outros interessados.br 11 . A) CAPACIDADE DO AGENTE Se todo negócio jurídico pressupõe uma declaração de vontade. CC). 3° e 4° do Código Civil apresentam o rol dos incapazes (absoluta ou relativamente). Já o ato realizado pelo relativamente incapaz sem assistência é anulável. possível. pois é a aptidão para intervir nos negócios jurídicos. 105. CC) devem ser representados → falta de representação → Negócio Jurídico Nulo (art. os relativamente incapazes (embora já possam participar pessoalmente dos negócios jurídicos) devem ser assistidos pelas pessoas a quem a lei determinar. A doutrina ainda acrescenta o consentimento (vontade). a capacidade do agente é indispensável. Já analisamos quem são essas pessoas. Lembrando que o vício da incapacidade é um instrumento que age a favor do incapaz. Lauro Escobar www. Por isso somente pode ser alegada pelo próprio incapaz ou seu representante legal. Os arts. Já os elementos de validade do negócio jurídico estão previstos na lei (art. a vítima não está realizando a sua vontade. São eles: agente capaz (elemento subjetivo). aqui também há uma exceção. Isto porque a intenção da lei é proteger o incapaz contra a maior experiência e má-fé de terceiros que desejam tirar proveito desta situação. se houver uma coação física irresistível. 104. para protegê-lo. determinado ou determinável (elemento objetivo) e forma prescrita ou não defesa em lei. O ato praticado pelo absolutamente incapaz sem representação é nulo. Se alguém ficou com dúvida. • Relativamente incapazes (art. CC). I. É imprescindível o conhecimento dessa matéria para a compreensão do que falaremos a seguir. I. já analisada anteriormente. Trata-se da capacidade de fato ou de exercício (pessoa dotada de consciência e vontade reconhecida pela lei como apta a exercer todos os atos da vida civil). o objeto e a vontade são chamados de elementos gerais. CC).DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR Como veremos adiante. objeto lícito.pontodosconcursos. como quase tudo. Se a obrigação for Prof. Enquanto os absolutamente incapazes são representados em seus interesses por seus pais. Nem todos os negócios jurídicos exigem uma forma especial. É interessante acrescentar que o art. tutores e curadores. Assim não pode uma pessoa capaz realizar um negócio com um incapaz e ele próprio (o capaz) requerer a invalidade do negócio com fundamento de que a outra parte era incapaz. No caso de eventual incapacidade. mas a vontade do coator. porque são elementos comuns a todos os negócios jurídicos. 4°. 3°.com. pois diz respeito apenas alguns negócios. retorne a aula sobre pessoas naturais. Ainda hoje veremos a distinção entre o ato nulo e o anulável. Já a forma é elemento especial.

através de ato praticado em seu nome por um representante.com. c) Convencionais: são aqueles que têm um mandato. a incapacidade de um deles poderá tornar anulável o ato praticado. Ex. Ou seja. Ex. Substabelecer significa transferir a outra pessoa os poderes que o mandatário recebeu do mandante. em relação aos bens dos filhos. nos atos judiciais ou extrajudiciais. de uma representação imprópria. sendo o negócio anulado. Na sua omissão. assim. O art. mesmo que o vício tenha sido alegado por uma pessoa capaz.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR indivisível (ex. Trata-se. Recordando A pessoa jurídica deve ser representada por uma pessoa física (ou natural) ativa e/ou passivamente. Pessoa não sabia da incapacidade relativa → o vício pode ser alegado: • Regra: a anulação não aproveita aos demais cointeressados.pontodosconcursos. é necessário que haja uma pessoa natural para assumir os compromissos e assinar os contratos da pessoa jurídica. b) Judiciais: são as pessoas nomeadas pelo Juiz para exercer certo cargo em um determinado processo. Neste caso. etc. • Exceção: aproveita aos demais se a obrigação for indivisível. mesmo que as demais partes forem capazes. tutores e curadores. exprimindo sua vontade e executando os seus objetivos. Se o menor entre 16 e 18 anos praticar um ato sem assistência. CC). não poderá alegar este vício para anular o negócio e escapar da obrigação contraída (art. Somente nesta espécie de representação é possível o substabelecimento. 115. Há outro ponto interessante que iremos aprofundar mais a frente.: pais. o vício se estenderá para toda a obrigação.: “A” (representado ou mandante) outorgou poderes para “B” (representante ou mandatário) defender seus Prof. verbal ou escrito do representado. exteriorizando sua vontade. 180.br 12 . inventariante. Ex. tutelados e curatelados. Resumindo Pessoa sabia da incapacidade relativa da outra parte → o vício não pode ser alegado em benefício próprio. escondendo dolosamente a sua condição de relativamente incapaz. Representação Os artigos de 115 a 120 CC tratam da representação. nesta hipótese. expresso ou tácito.: administrador judicial de uma falência. Ex. Lauro Escobar www. Assim. são espécies de representantes: a) Legais: a própria norma jurídica confere poderes para uma pessoa administrar bens alheios. a representação será exercida por seus diretores. CC delimita as situações possíveis para a sua realização: conferido por lei ou pelo próprio interessado (mandato). servem aos interesses do incapaz. não será possível separar o interesse dos contratantes. Portanto.: entregar um cavalo).: procuração outorgada (fornecida) a um advogado para patrocinar um processo judicial. Esta é uma relação jurídica pela qual certa pessoa se obriga diretamente perante terceiro. Em regra essa pessoa é a indicada no estatuto ou no contrato social da pessoa jurídica.

Mas isso somente é possível se houver permissão da lei ou do representado. Segundo a doutrina para tornar nulo o negócio a impossibilidade deve ser absoluta. o objeto deve ser possível.: A confere mandato para B para vender seu apartamento. Já o art. Ex. produz efeitos jurídicos em relação ao representado. O art. CC) ou física (desrespeito às leis naturais ou físicas: ir à lua e voltar em duas horas. O representante deve provar às pessoas com quem tratar (em nome do representado) a sua qualidade e a extensão de seus poderes. quando for feita a escritura. deverá versar sobre um objeto lícito. ora em seu próprio nome (comprando o imóvel). Desta forma.com. Além disso. ou seja. Observem que são duas vontades jurídicas diferentes. 426. em nome próprio).DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR interesses em um processo trabalhista conta a empresa “X”. B manifesta sua vontade sob dois ângulos diferentes (como vendedor. ora representando um terceiro. Neste caso. este é o objeto do contrato. como por exemplo. Prevê o art.: na locação de um imóvel para fins residenciais. 116. Ex. não atenta contra a lei. O exemplo clássico ocorre no cumprimento do chamado mandato em causa própria.). uma só pessoa está revestida das duas qualidades jurídicas diferentes. o negócio também será anulável. ou seja. realizável. Também neste caso haverá a nulidade absoluta do ato. a exploração da prostituição. POSSÍVEL. sendo que tal fato era ou devia ser do conhecimento de quem com aquele tratou. a moral e os bons costumes. 117. nulo será o negócio jurídico. isto é. eu não posso desvirtuar o que foi pactuado e explorar naquele imóvel (que era para fins residenciais) uma atividade ilícita. mas é o representado que irá adquirir os direitos ou assumir as obrigações decorrentes da representação. se o objeto do contrato foi ilícito. Se o negócio implicar prestações impossíveis. CC autoriza o chamado “contrato consigo mesmo” (ou autocontrato). Assim. Lauro Escobar www. Ou seja. sob pena de anulação. B intervirá. ao efetivar um negócio em nome do representado. representando A e como comprador. Assim. para que um negócio jurídico se repute válido e perfeito. 119. que mesmo nesta hipótese. Notem. etc. impraticável por quem Prof. Outro exemplo: compra e venda de objeto roubado. Esta impossibilidade pode ser jurídica (proibida pelo ordenamento jurídico: venda de herança de pessoa viva – art. além da capacidade das partes. também será considerado nulo.br 13 . CC que a manifestação de vontade pelo representante. sob pena de não o fazendo. B) OBJETO LÍCITO.pontodosconcursos. ora representando A (como mandatário). nos limites dos poderes que lhe foram conferidos. pode substabelecer (transferir) os poderes que recebeu para “D”. DETERMINADO OU DETERMINÁVEL O direito somente atribui efeitos à vontade humana quando se procura alcançar objetivos lícitos. de forma simultânea: ora por si. Como no dia designado para a audiência “B” não irá comparecer. que é outro Advogado. o representante pratica o ato. CC prevê que se o representante concluir um negócio e houver um conflito de interesses com o representado. com autorização para que B venda o imóvel para ele mesmo = B. responder pelos atos que excederem à representação. onde o mandatário é também o beneficiário.

Deve haver uma perfeita harmonia entre o que ela queria e o que ela fez. isoladamente. Ou seja. para se chegar a real intenção das partes. ou indeterminado → Negócio Jurídico Nulo (art. Somente após a manifestação de vontade declarada (por escrito. palavras. mas de maneira explícita. Finalmente deve ser o mesmo determinado ou. consagrando o princípio da máxima utilidade afirma que tal vício estará superado. isto é. Será expresso quando for declarado por escrito ou verbalmente. algumas vezes ele deve ser interpretado. quando da celebração do contrato havia um vício relativo em relação ao objeto. é necessário que esta vontade seja espontânea. pois se for absoluto o negócio será considerado nulo. ao menos. gestos ou sinais) é que a intenção será levada em consideração. ATENÇÃO Objeto ilícito. em conjunto com as demais cláusulas. possível de determinação no futuro. Impossibilidade inicial do objeto Um aspecto interessante do atual Código Civil é o seu art. Assim. este defeito deixou de existir. Será Prof. pois esta pode ser determinada posteriormente pela escolha. Da Interpretação do Negócio Jurídico. nosso Código. sendo um elemento básico. b) externo: vontade declarada. O consentimento pode ser expresso ou tácito. durante a execução do contrato. Portanto. não tem valor algum. pois a intenção. Lembrando que o defeito deve ser relativo. puder ser realizada por alguém (mesmo que não seja o devedor). que continua válido. No entanto ela deve ser indicada ao menos pelo gênero e pela quantidade. Portanto. Por isso. livre de qualquer vício. a ação. ou se cessar antes de realizada a condição a que ele estiver subordinada”. mas sim no contexto do contrato. ainda que não seja mencionada a qualidade. Em outras palavras: o objeto deve ser previamente conhecido e individualizado ou devem existir critérios que permitam sua futura individualização.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR quer que seja (atinge a todos sem distinção).br 14 . Lauro Escobar www. C) CONSENTIMENTO (Vontade). II CC). mas. Mas nem sempre um contrato traduz a exata vontade das partes. admite-se a venda de coisa incerta (mas não indeterminada). A manifestação de vontade exerce papel imprescindível no negócio jurídico. Interpretar o negócio jurídico é delimitar o alcance da declaração de vontade. ou seja. impossível. No entanto as cláusulas contratuais não devem ser interpretadas de forma isolada. Assim. 106: “A impossibilidade inicial do objeto não invalida o negócio jurídico se for relativa. 166.pontodosconcursos. determinável. a declaração de vontade é constituída de dois elementos: a) interno: real intenção do agente.com. O ideal é que a pessoa declare exatamente aquilo o que desejava. Inicialmente perguntamos: o que interessa mais ao Direito: a intenção ou a ação? Resposta: para o Direito o mais importante é a vontade declarada. Se a impossibilidade for apenas relativa. não haverá obstáculo para o negócio.

os negócios. concluindo o contrato.br 15 . Isto é. indagando sua real intenção. Portanto. por sua natureza ou por disposição legal. 113. pois envolvem uma liberalidade. Lauro Escobar www. 112. podem conter alguma cláusula duvidosa ou algum ponto controvertido. se as circunstâncias e os usos o autorizarem e não for necessária a declaração de vontade expressa (art. Ou seja. sendo necessária uma interpretação. não é totalmente aceito o brocardo: “quem cala consente”. honestidade. Um exemplo clássico disso é a fiança nos contratos de locação: sua natureza é gratuita. se houver alguma dúvida quanto a sua abrangência. como na doação pura e simples) e a renúncia (ato unilateral em que a parte abre mão de um direito. é um tumulto”. Pelo Código esta interpretação deve procurar se situar mais na vontade real dos contratantes. confiança. esta deve ser resolvida fazendo-se uma interpretação restritiva. CC). CC). implicitamente.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR considerado tácito se resultar de um comportamento do agente que demonstre. de acordo com a lealdade. do que no sentido literal do negócio (que seria o exame gramatical de forma “fria” de um texto do contrato). portanto é considerado um negócio jurídico benéfico. sua anuência. No dizer de Machado de Assis: “O silêncio.. Os negócios jurídicos benéficos (também chamados de gratuitos. CC). 819. o silêncio somente terá valor jurídico. como na hipótese da doação pura. que deverá verificar se o silêncio representou ou não a vontade. como um fato gerador de um negócio. Em alguns casos (raros) ele se aplica. O silêncio pode importar em anuência. etc. 114. A boa-fé se presume. Além disso. sem incluir outras questões. a máfé precisa ser provada. sua concordância com a situação.. Na prática é o Juiz. Outro princípio básico relativo às declarações de vontade é de que se atenderá mais à intenção nelas consubstanciada do que ao sentido literal da linguagem (art. desde que o negócio. CC). Caso contrário o silêncio não tem força de declaração de vontade. (a expressão “boa-fé” deriva do latim bona fide. faculdade ou vantagem) interpretam-se estritamente. nem o Juiz poderá dar a estes negócios uma interpretação mais ampla. Ou seja. de uma forma geral. não exija forma expressa. Ou seja. se a lei assim o permitir. em favor daquele que prestou a fiança (no caso o fiador). segundo a lei tais atos se limitam apenas ao que foi estabelecido pelas partes. CC estabelece uma ressalva. que significa boa confiança. Prof. procurando as consequências e os efeitos desejados por eles.com. Trata-se de referência à boa-fé objetiva que representa um dever de conduta das partes. onde o silêncio do beneficiário é considerado como aceitação. De forma contrária. os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos do lugar de sua celebração (art. é a convicção de alguém que acredita estar agindo de acordo com a lei. por tal motivo.pontodosconcursos. devendo ficar restrito ao que foi estipulado pelas partes. ou seja. não se ampliando as obrigações do mesmo (confiram o art. ou seja. onde uma das partes se obriga e a outra aufere vantagens. na prática ou na omissão de determinado ato). O art. no Direito. 111. diante de um caso concreto.

porém sem a correspondência com aquela que o agente quer exteriorizar. 423. mas prejudiquei interesses de terceiros) surgem os chamados defeitos relativos à vontade. tornando-se anulável (art.com. A simulação também é considerada por parte da doutrina como um vício social.pontodosconcursos. Podemos dizer que um ato é válido (quanto ao consentimento) “quando eu faço exatamente aquilo que eu queria fazer. anulável ou até mesmo válido. Depois vamos analisá-los um a um. Assim.. ou sou enganado. O art. as hipóteses que Prof. E vamos ver qual a consequência deste ato viciado. Porém o atual Código resolveu discipliná-la em outro capítulo. CC. coação. 171. Vamos. quero comprar algo e me engano. que não foram partes do negócio principal.. dolo. apresentar um gráfico para melhor classificar os defeitos relativos à vontade. mas. O que foi colocado no contrato infringe a lei e prejudica terceiros. às vezes eu posso ter feito algo que não era o que eu queria fazer (e quantas vezes isso ocorre conosco. veremos as diferenças entre o ato nulo e o anulável. É importante notar que em qualquer uma destas duas situações (fiz algo que não queria ou fiz algo que eu queria. ainda na aula de hoje. Lauro Escobar www. DEFEITOS Defeitos do negócio jurídico são os vícios relativos à formação da vontade ou à sua declaração. Outras vezes quero fazer algo e faço aquilo que eu queria fazer. São os chamados vícios de consentimento (erro. sendo que o prejudicado é um dos contratantes. desejando seus efeitos. Ou seja. se existe uma vontade.). Existem outras hipóteses em que se tem uma vontade funcionando normalmente. uma vez que objetiva iludir terceiros. Merece destaque especial também o art. 178. Pode ser grave (quando vicia o ato de forma definitiva) ou leve (quando o ato pode ser remediado pelo interessado). se no prazo decadencial de 04 anos for movida ação de anulação (art. mais uma vez.. prevê que quando houver no contrato de adesão cláusulas ambíguas ou contraditórias. 47 do Código de Defesa do Consumidor (CDC) que dispõe que “as cláusulas contratuais serão interpretadas de maneira mais favorável ao consumidor”. II. havendo a correspondência entre a vontade interna e a manifestação. São os chamados vícios sociais (fraude contra credores). referente à invalidade do negócio jurídico (e não no capítulo referente aos defeitos do negócio).DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR Finalmente. II. Mais adiante. acolhe-se a interpretação mais favorável ao aderente. CC).. o negócio jurídico será viciado ou deturpado. acrescente-se. Também são passíveis de anulabilidade no prazo decadencial de 04 (quatro) anos. estado de perigo e lesão). no entanto. Dependendo do vício o ato pode ser nulo. Mas o que eu fiz afeta direitos de terceiros. por exemplo. prejudicando essas pessoas. Nestes casos há uma desavença entre a vontade real e a vontade declarada. ela se desvia da lei ou da boa-fé. CC). tornando-o passível de anulação. mas que foram lesados com a minha conduta. sem que esta conduta prejudique terceiros”.br 16 . que há outros dispositivos estabelecendo regras sobre a interpretação da vontade.

o negócio é realizado em desconformidade com a lei. devemos tomar cuidado. como também à ignorância. Assim. mas na realidade é outra. o Código não distingue um instituto do outro. Coação. no entanto. Ele há de ser a causa determinante ou principal. pois a intenção é de prejudicar terceiros → Fraude contra Credores. 3) Vícios Sociais → há uma correspondência entre a vontade interna do agente e a sua manifestação. Quanto à Simulação. o defeito não poderá ser mais alegado. Observem que no erro a pessoa se engana sozinha.. Lauro Escobar www. Ocorre quando o agente pratica o ato baseando-se em falso juízo ou engano. Ninguém a induz a erro. CC) Este é o primeiro defeito relativo ao consentimento.com. mas queremos nos referir não só ao erro propriamente dito. ERRO OU IGNORÂNCIA (arts. Observação: em regra. Pensei que era uma coisa. Mas não é qualquer erro (ou ignorância) que torna o negócio anulável. Assim.. Vejamos inicialmente um resumo sobre o tema. 138 a 144.pontodosconcursos. Pode recair sobre as qualidades de uma coisa ou sobre uma pessoa. O erro (ou a ignorância) pode ser: Prof. embora o Código não faça. mas afirma que as suas consequências são idênticas no campo do Direito. CC). Erro é a falsa noção que se tem sobre um elemento que influencia a formação de vontade do declarante. bem como os efeitos decorrentes destas situações.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR caracterizam uma e outra situação. 2) Vícios de Consentimento → A vontade não é expressada de maneira absolutamente livre. Lesão e Estado de Perigo. DEFEITOS 1) Ausência de Vontade → Negócio inexistente (ou nulo para outra corrente doutrinária). a doutrina estabelece distinções entre eles (esta diferença já caiu em concursos). Dolo.br 17 . a vontade manifestada não tem a intenção pura e de boa-fé que enuncia. às vezes usamos a expressão “erro”. se o prazo não for respeitado. Na verdade o erro é um registro falso da realidade. o atual Código Civil a coloca em outro capítulo (da invalidade do negócio jurídico: art. Embora muitos doutrinadores ainda afirmem ser um vício social. Esses tópicos têm vital importância para efeito de concursos. Por isso muita atenção! Primeiramente: erro e ignorância são sinônimos? Não!! O Código Civil equipara o erro à ignorância quanto aos efeitos. a vontade declarada não representa a real intenção do agente → Erro ou Ignorância. o defeito deve ser alegado no prazo decadencial de quatro anos. A seguir aprofundaremos o assunto. Já ignorância é o completo desconhecimento do declarante acerca do objeto ou da pessoa. ou seja. sendo o ato convalidado por decurso de prazo. conforme veremos adiante. 167. O aluno que conseguir entender o seu alcance não sentirá dificuldade de entender todos os demais defeitos.

Erro sobre o objeto principal da declaração (error in ipso corpore) → a manifestação de vontade recai sobre objeto diferente do que se tinha em mente. portanto.com. A) ERRO ESSENCIAL OU SUBSTANCIAL. Esta situação é muito difícil de ocorrer na prática. O Código Civil especificou as modalidades de erro substancial (hipóteses de anulação do negócio jurídico) no art. deve haver a sua cognoscibilidade (qualidade do que é cognoscível. Por isso.. 138. Parte da doutrina entende que além da essencialidade do erro. Divisão doutrinária. que atue com grau normal de diligência.: é aceitável uma pessoa leiga confundir o diamante com zircônio. Notem. Vejamos: 1. Ex. mas fiz outro. Refere-se à natureza do próprio ato.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR Essencial ou Substancial → razão determinante para a realização do negócio → se a verdade fosse conhecida o negócio não seria realizado → Ato Anulável. A outra corrente doutrinária entende que na realidade o erro essencial deve ser escusável e real. Escusável porque ele é aceitável. no entanto trata-se de outro condomínio. para dar ensejo à anulação do negócio jurídico. O art. Observem que não houve um acordo de vontades: uma das partes pensa que está realizando um contrato (empréstimo) e o consentimento do outro se dirige a outro contrato (doação). essencial. Outros exemplos: quero vender uma coisa. relevantes do negócio de forma que se eu soubesse do defeito jamais teria praticado o ato. Lauro Escobar www. Ex.br 18 . qualquer pessoa com atenção ou diligência normal seria capaz de cometê-lo em face das circunstâncias. Eu errei sozinho (quando alguém Prof.. 139. mas ela entende que houve uma doação. que tem tem por base a verificação da discrepância entre a vontade real do agente e a sua equivocada manifestação. torna-se fundamental apreciar se o engano de um negociante poderia ter sido percebido pelo outro. mas acabo doando.: comprei um lote em um condomínio que pensava ser muito valorizado. porém de forma menos onerosa → Ato válido. quero alugar um apartamento (o aluguel é oneroso). que tem o mesmo nome. há de ser substancial. 2. mais uma vez. sem possibilidade de anular o ato). que tem conhecimento técnico para fazer a distinção (para ele seria um erro inescusável e. ou seja. recai sobre circunstâncias e aspectos principais. No entanto pode muito bem cair em concursos.. Erro sobre a natureza do negócio jurídico (error in ipso negotio) → o erro recai sobre a modalidade de contrato que foi celebrado. que ninguém me enganou. Mas não se admite esta confusão para um joalheiro.. mas está situado em local diverso. que pode ser conhecido ou percebido pela outra parte).pontodosconcursos. tem por fundamento uma razão plausível. CC. baseado na chamada teoria da confiança. ou seja. Pensei fazer um determinado contrato. como já caiu. desculpável dentro do que se espera de um homem médio. etc. muito distante de onde eu queria. mas acabo fazendo um comodato (que é um empréstimo gratuito).: empresto um determinado bem para uma pessoa. CC estabelece que o erro. Ex. Real porque deve acarretar um prejuízo efetivo para o interessado. Acidental ou Secundário → se a verdade fosse conhecida o negócio seria realizado.

eu não teria doado aquela joia a X. Assim. que veremos adiante).DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR me engana trata-se de outro defeito. viciado em tóxicos. mas na verdade é sintética (e a pessoa é alérgica e este tipo de tecido). desde que a consideração pessoal seja condição essencial para a realização do negócio. boa fama. Geralmente recaem nos contratos personalíssimos (intuitu personae). • ignorância de defeito físico irremediável ou moléstia grave. porém engana-se quanto as suas qualidades. entendendo a situação. sobre a sua honra. Eu queria doar a joia a quem realmente salvou minha vida. O art. 4. CC determina que o falso motivo (ou falsa causa) somente vicia a declaração de vontade. Ora. excelente orador e especializado em fazer júri. O erro. CC dispõe que o erro não prejudica a validade do negócio jurídico quando a pessoa.: compro um relógio pensando que ele é de ouro. a quem a manifestação de vontade se dirige.br 19 . ou seja. que foi Z e não X quem salvou minha vida. tal fato não será suficiente para a anulação do negócio. No entanto. não havendo qualquer prejuízo. mesmo que o contratante tenha se enganado na designação da pessoa. Se eu soubesse que foi Z quem me salvou. O negócio pode ser anulado. quando for Prof. compro uma blusa pensando que e de lã animal. que salvou minha vida. portanto o ato é anulável. acaba entregando o lote no condomínio onde eu queria inicialmente. neste caso. mas o mesmo é apenas “folheado”. 3. b) Testamento • deixo uma joia para X. se oferecer para executá-la na conformidade da vontade real do manifestante. No entanto constato que ele é um Advogado trabalhista.com. Lauro Escobar www.: pintar um muro).pontodosconcursos. Aproveitando o exemplo acima: comprei o lote no condomínio errado (erro substancial). compro um cavalo de carga pensando ele era um legítimo “puro-sangue” de corridas. o negócio acabou sendo executado conforme minha vontade inicial. Notem que no caso de um contrato em que a prestação pode ser cumprida por qualquer pessoa (ex. Erro quanto à identidade ou à qualidade da pessoa a quem se refere a declaração de vontade (error in persona) → incide sobre a identidade (física ou moral) ou características da pessoa. o dolo. no entanto o vendedor. 140. Neste exemplo o defeito é chamado de “erro quanto ao fim colimado ou por falsa causa”. atingiu a substância do ato. O erro quanto à pessoa também pode ser relativo ao: a) Casamento (pode ser anulado por “vício essencial sobre pessoa”): • erro quanto identidade do outro cônjuge. etc. Descubro. Ex. não se anula o negócio. o art.: casar-se com pessoa e descobrir depois se tratar de criminoso procurado. 144. Exemplo clássico: estou sendo processado por homicídio e contratei um Advogado certo de que ele é um famoso criminalista. posteriormente. etc. o motivo determinante do contrato é a qualidade essencial de um objeto que depois se constata que não existe. Z. etc.). Erro sobre as qualidades essenciais do objeto principal (error in substantia ou in qualitate) → a pessoa adquire o objeto que imaginava. transmissível. Observem que nestes exemplos eu também errei sozinho. (ex.

É uma espécie de erro acidental. 143. Outro exemplo: um homem já idoso recebe a notícia de que teve um filho quando era mais moço. Mas o contratante que se achou em erro e promove a invalidade do contrato pode ser condenado a ressarcir eventuais prejuízos que causar à outra parte por não ter procedido com a diligência necessária ao prestar o seu consentimento. Ocorrendo esta espécie de erro. Somente a parte interessada (a que errou) pode arguir a anulação do ato. Lauro Escobar www. doei um relógio a uma pessoa pensando que ela é solteira. Lembrando “Ninguém pode se escusar de cumprir a lei alegando que não a conhece”. O erro deve ser de tal forma que. nos termos do art. B) ERRO ACIDENTAL  é aquele concernente às qualidades secundárias ou acessórias da pessoa ou do objeto.00. assim. logo deveria pagar R$ 540. a doação pode ser anulada. porém comprar um carro de número de série diferente é apenas um erro acidental. essencial. etc. Trata-se do Princípio da Obrigatoriedade (art. Ele decorre do não-emprego da diligência ordinária que deve ter um “homem médio”. 3°.pontodosconcursos. caso a verdade fosse conhecida.com. real. CC. não incidindo sobre a declaração de vontade e não viciando o consentimento. Ex. É evidente que houve um erro na elaboração aritmética dos dados do negócio. porque o defeito não incide sobre a declaração de vontade. Reforçando: somente o erro substancial. o negócio jurídico não será anulado. Outros exemplos: compro uma casa pensando que tem quatro janelas. mas estabelece o motivo: somente assim está procedendo porque esta pessoa seria seu filho. mas é casada. que visa garantir a estabilidade e a eficácia do sistema jurídico.: comprar um carro de ano de fabricação muito diferente é um erro essencial. mas na ocasião a mãe não lhe informou do fato. como razão para celebração deste. Mesmo sabendo do defeito. mas só tem três. pois as Prof. Pode incidir sobre o peso. mas acabei pagando somente R$ 450. sendo que o valor de cada uma delas é de R$ 45. tentando ajudar esta pessoa lhe doa uma casa. anula o negócio jurídico. comprar um carro usado com uma cor um pouco diferente (preto ou azul escuro) também é acidental. Ou seja. o ato não seria realizado. O chamado erro de cálculo (que é a inexatidão material) também não é causa de anulação do negócio.: comprei 12 camisas. escusável.br 20 . importando efetivo prejuízo ao interessado. caso comprovado posteriormente que a pessoa não era seu filho. etc. o motivo somente tem relevância jurídica se for instituído expressamente no contrato. que ficaria comprometido se fosse admitida em toda e qualquer hipótese a alegação de ignorância de lei em vigor. Desta forma.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR expressamente declarado como razão determinante da realização do negócio. viciando. Da mesma forma. a pessoa teria realizado aquele negócio. o valor do bem. O ato continua válido. a quantidade.00. a vontade. a medida. Ex. O idoso. LINDB).00. não anulando o negócio. produzindo efeitos. pois havia um falso motivo que foi expresso como razão determinante do negócio. mas de simples retificação da declaração de vontade.

pontodosconcursos. não viciará o negócio quando. No entanto admite-se. O vício redibitório é o defeito oculto na coisa. Este é o erro de fato sobre uma situação concreta. Consiste na ignorância da lei. na Argentina este produto não é proibido e a pessoa não sabia que era proibido no Brasil. CC): “O erro de indicação da pessoa ou da coisa. Erro X Vício Redibitório Essa é uma distinção muito importante. ou o objeto deste contrato. Erro de Fato X Erro de Direito O erro de fato é aquele que recai sobre uma circunstância de fato. a que se referir a declaração de vontade. um contrato propriamente dito. ou uma pessoa. Ex. Vejamos. por consequência. Já o erro de direito é aquele que diz respeito à existência (ou não) de uma norma jurídica. que não foi notado. Como regra ele não admite escusa.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR partes sabiam do valor do negócio. não pode o ato recair sobre a norma cogente (ou seja. CC). sujeitas ao livre acordo das partes). O Código Civil prevê outras duas espécies de erro. III. 142. Há outro exemplo muito citado pela doutrina e que gera polêmica. pois já vi cair em diversos concursos. Pode ser essencial ou acidental. deve ser grave a ponto de afetar e viciar a manifestação de vontade do agente. é um vício de ordem subjetiva. inclusive no Direito Penal: um argentino vem para o Brasil trazendo frascos de lança-perfume para revender. impositiva. Como diz respeito às qualidades secundárias ou acessórias da pessoa (ex: se é casada ou solteira) ou do objeto (ex: comprei o Prof. Não pode ser alegado. que a torne imprópria para o uso a que se destina ou lhe diminua o valor. Já o erro de direito diz respeito à existência de norma jurídica. A pessoa supõe que uma lei não existe ou que ela não esteja mais em vigor. Geralmente o erro recai sobre uma situação de fato (como vimos. Além disso.: firmar um contrato de locação com base em uma lei.). E pode confundir o candidato. – Erro acidental in qualitate (art. Crê-se numa realidade que não é verdadeira. 139. Já no erro há um engano por parte do adquirente. não teria trazido.br 21 . pode ser alegada para anular o contrato. já que era oculto. não admite desculpas. Isto é. o que há é um defeito no objeto (e não na vontade do adquirente). por seu contexto e pelas circunstâncias. etc. Tudo o que falamos acima se refere a ele. No vício redibitório não há qualquer erro no momento da celebração do negócio. Como a ignorância foi a causa determinante do ato. sem com isso se pretender que a lei seja descumprida. o negócio jurídico pode ser anulado). pensando que ela ainda está vigorando. se puder identificar a coisa ou pessoa cogitada”. se o ato não implicar em recusa à aplicação da lei e for o motivo único ou principal do negócio jurídico (art. Lauro Escobar www. se soubesse. não havendo vício no objeto. pois foi a vontade que foi viciada pela falsa percepção da realidade.com. no entanto já foi revogada. no falso conhecimento e também na sua interpretação errônea. pessoa contrata a importação de determinada mercadoria ignorando que existe uma lei proibindo tal importação. excepcionalmente o erro de direito (e. errando apenas no momento da realização do cálculo final. de ordem pública). mas tão-somente sobre normas dispositivas (ou seja.

Aliás.pontodosconcursos. 145 a 150. mas o veículo utilizado. 145. palavras ou até o próprio silêncio) para enganar alguém e lhe causar prejuízo. como veremos adiante).br 22 . o Código de Defesa do Consumidor proíbe a propaganda enganosa. Caso contrário. acarretando. Vicia o consentimento e por isso é anulável (na hipótese de ser essencial) ou obriga a satisfação de perdas e danos (na hipótese de ser acidental. com o propósito de enganar a outra parte do negócio. a anulabilidade do negócio jurídico. sem o qual ele não se teria concluído. será insignificante e o negócio será válido. DOLO (arts. CC) Dolo é o artifício malicioso empregado por uma das partes ou por terceiro. prejudicar o real sentido da declaração expedida. Exemplo disso é a “mensagem subliminar” (atua inconscientemente em face do consumidor. mediante propaganda abusiva. é o erro por defeito de intermediação que altera a vontade declarada.com. Se não Prof. mas recebi o 213 por erro de digitação). devido a interrupção ou deturpação sonora. • Dolus Malus (dolo mau): consiste em manobras astuciosas (atos.. Somente anula o negócio se a alteração for substancial (art.: uma pessoa utiliza rádio ou televisão para transmitir uma declaração de vontade. então. faz com que a divulgação saia com incorreções. É o Juiz quem vai decidir. Lauro Escobar www. CC). como se tratasse de uma declaração direta. apta a induzir o consumidor em erro. É o artifício que não tem a finalidade de prejudicar ninguém. 141. CC  é aquele que dá causa ao negócio jurídico. realce e exageros nas boas qualidades da mercadoria ou dissimulações de defeitos. desde que não venha a enganar o consumidor. ou seja. O dolo inicialmente pode ser classificado em: • Dolus Bonus (dolo bom): é um comportamento tolerado nos negócios em geral. O dolus malus se divide em: • Dolo Principal. essencial ou substancial (dolus causam): art. Ex. 138. O dolo mau pressupõe: a) prejuízo para o autor do ato. b) benefício para o autor do dolo ou terceiro. analisando as peculiaridades de cada caso concreto. Para a sua caracterização exige-se a vontade de enganar alguém (a doutrina chama isso de animus decipiendi).DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR lote 321. Consiste em reticências.. CC): o negócio é anulável quando na transmissão da vontade do declarante verifica-se falha que a faz chegar ao seu destinatário com conteúdo diverso daquele emitido. – Erro na transmissão de vontade por meios interpostos (art. c) pode ser praticado pelo silêncio. Observação. não induz a anulação do negócio. acarretando uma desconformidade entre a vontade interna e a sua declaração ou manifestação. causando-lhe prejuízo e beneficiando o autor do dolo ou o terceiro. Por tal motivo ele não é anulável. induzindo-o a determinado comportamento) que pode se caracterizar em comportamento doloso e prática comercial abusiva. as pessoas não se sentem enganadas. Não há critérios absolutos para se distinguir na prática o dolus bonus do dolus malus.

suprimir ou alterar os verdadeiros ou por silenciar algum fato que se devesse relatar ao outro contratante. induzindo o outro contratante a realizar o negócio. c) seja a causa determinante na declaração de vontade. 146.br 23 . independentemente das manobras astuciosas.. em condições menos onerosas à vítima. Não se constitui vício de consentimento porque não influi diretamente na realização do negócio. CC).com. Ex. são os artifícios positivos.. E.: seguro de vida em que se omite uma doença grave e o segurado vem a falecer dias depois – neste caso houve uma evidente intenção de lesar a seguradora. sabedora. Se for acidental enseja apenas perdas e danos. e) se o dolo foi proveniente de terceiro.. Dolo Acidental → realiza o negócio jurídico em condições mais onerosas → não afeta a declaração de vontade → Ato válido. 147.. pois é necessária a relação de causalidade entre a omissão intencional e a declaração de vontade (art. Observações Importantes 01) Dolo de Terceiro (art.pontodosconcursos. ele é da espécie “toy”. • Negativo (ou omissivo): é a manobra astuciosa que constitui uma omissão intencional. por indicar fatos falsos. b) os artifícios maliciosos sejam graves. Dolo Essencial → dá causa ao negócio jurídico. O dolo acidental leva a distorções comportamentais que podem alterar o resultado final do negócio. a pessoa não faria o negócio. 148. CC). • Dolo Acidental (dolus incidens) art. CC  leva a vítima a realizar o negócio jurídico. venda de um cavalo de raça já doente e que vem a morrer logo depois da realização do negócio. beneficiando os sucessores.: falsas afirmações sobre as qualidades de uma coisa: pode comprar este “cachorrinho” que eu garanto. Em algumas situações o dolo pode ser proveniente de uma terceira pessoa. não afetando sua declaração de vontade (embora venha a provocar desvios). porém em condições mais onerosas (ou menos vantajosas). etc. sem o qual ele não teria sido concluído → Ato Anulável. mas enseja indenização por perdas e danos..DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR houvesse o induzimento. estranha ao negócio. Tratase da ocultação de uma circunstância relevante e que a parte contratante deveria saber. Em geral não Prof. O dolo ainda pode ser classificado em: • Positivo (ou comissivo): resulta de uma ação dolosa. O negócio teria sido praticado de qualquer forma. Acarretará a anulação do negócio se o dolo for principal (motivo determinante). apenas obriga a satisfação de perdas e danos ou a uma redução da prestação pactuada.. Lauro Escobar www. que seja do conhecimento do outro contratante. passados alguns meses aquele “cachorrinho” se tornou um “cachorrão”. d) haja uma relação de causa e efeito entre a indução do erro e a prática do negócio. Ex. embora de outra maneira. ele vai ficar bem pequeno. no entanto não anula o negócio. Nestas hipóteses o silêncio funciona como um mecanismo de atuação dolosa (quebra da boa-fé objetiva). Para que seja possível a anulação é necessário que: a) haja a intenção de induzir a outra parte a praticar um negócio lesivo. não teria efetivado o negócio.

inicialmente. Isto porque o seu representante foi “imposto” pela lei (ou de forma judicial). No caso da representação obrigatória ou legal (pais. O negócio é anulável. deve vigiar os atos da pessoa que escolheu para ser seu representante. CC). 149. O ato é considerado válido para ambos (art. Aqui a lei prevê duas situações com soluções diferentes. Por ser incapaz. sem que ele pudesse se rebelar contra isso. Lauro Escobar www. não haverá a anulação do ato. CC). Isto é. Além disso.: “C” instiga “A” a comprar o relógio de “B” assegurando que ele é de ouro.com. no caso de representação convencional ou voluntária (que é o caso do mandato) o representado responderá solidariamente com o representante por tudo. cria um risco para o mundo exterior. não se anula o negócio. 150. o representado responde solidariamente pela reparação total do dano (e não apenas limitado à responsabilidade do proveito que teve. Beneficiado pelo dolo não sabia e nem tinha como saber → negócio válido. mas “A” pode reclamar as perdas e danos de “C” (o terceiro causador da situação). Escolhendo mal (culpa in eligendo) ou não fiscalizando (culpa in vigilando) o seu representante. Configura-se a chamada torpeza bilateral. Prof.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR afeta o contrato. Ocorre quando ambas as partes agem com dolo (comissivo ou omissivo). uma vez que o terceiro não é parte do negócio. Dolo do representante convencional (mandatário) → responsabilidade solidária entre o representante e o representado. 03) Dolo recíproco (ou bilateral). não tendo ciência se ele está agindo de forma maliciosa. Somente enseja a sua anulação se a parte a quem aproveite dele tivesse ou devesse ter conhecimento. porém o terceiro responde pelas perdas e danos da parte que foi ludibriada. como no caso da representação legal). o representado fica obrigado a responder civilmente somente até a importância do proveito que teve. Resumindo: Beneficiado pelo dolo de terceiro sabia ou deveria saber → negócio anulável. inclusive nas perdas e danos. Por tal motivo deve. No entanto. tutores e curadores) → responsabilidade do representado limitada até a importância do proveito que teve com o dolo. pois há uma compensação entre os dois ilícitos. 02) Dolo dos Representantes (art. tutores ou curadores). Isto porque aquele que escolhe um representante e lhe confere uma procuração. inclusive perdas e danos. o procurador irá agir usando o nome do representado. ele não pode escolher o seu representante e nem vigiar os seus atos. Neste caso o terceiro (“C”) e o contratante (“B”) são tidos como autores do dolo. desejando obter vantagem em prejuízo da outra. pois ninguém pode se valer da própria torpeza. porém o relógio é apenas dourado e “C” sabe disso. Seria injusto responsabilizar o representado por tudo. escolher bem a pessoa que irá representá-lo.pontodosconcursos. Resumindo: Dolo do representante legal (pais. No entanto se “B” (contratante favorecido) não tinha conhecimento da conduta dolosa por parte do terceiro. estando em conluio com “B”.br 24 . Nesta hipótese ocorre a neutralização do delito. Ex.

sem que a outra parte tenha concorrido para isso. Portanto. Imaginem a situação em que um homem se casa com sua namorada. eu errei. O erro deriva de um equívoco da própria vítima. a praticar um ato ou realizar um negócio jurídico. isto é.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR Dolo x Erro. Isto se extrai por dedução lógica. agindo de forma mecânica. E o último se refere a coação.com. O dolo do direito civil (artifício para enganar alguém) não deve ser confundido com o dolo do direito penal. O art. O sujeito quis ou assumiu o risco de produzir o resultado. mas fui induzido a cometer este erro pela conduta (má-fé) da outra parte. observem que não há uma proibição expressa de se reconhecer o dolo no casamento. Diante dessa situação entendo que ele até poderia alegar o dolo para anular seu casamento.558. a manifestação de vontade é um requisito para a existência do negócio jurídico. Espécies a) Coação Física (vis absoluta): é o constrangimento corporal que retira toda capacidade de querer de uma das partes. por isso é bem mais grave que o dolo. ele descobre que a namorada mentiu. Depois do casamento. sendo reprovável. 151 a 155. por exclusão. influenciando a vítima a realizar negócio que sua vontade interna não deseja celebrar. Segundo a doutrina. Por tal motivo. 1. é possível na prática que o Juiz reconheça o dolo de um dos cônjuges para a realização do casamento. segurar sua mão e fazê-la assinar contrato. o negócio não existiria. etc. Não se admite invocação do dolo para se anular um casamento. Já o dolo é intencionalmente provocado na vítima pelo autor do dolo. CC) Coação é toda pressão física ou moral exercida sobre alguém (vida. O que caracteriza a coação é o emprego da violência (física ou psicológica) para viciar a vontade.br 25 . para forçá-lo. Assim. no dolo alguém me enganou. No entanto. Resumindo: o erro é espontâneo. Este é a intenção de praticar um ato que se sabe contrário a lei. sendo considerado Prof. implicando ausência total de consentimento ou manifestação de vontade (ex. Está previsto no art. Isto porque em relação ao Direito de Família as regras são um pouco diferentes. o dolo é provocado intencionalmente.pontodosconcursos. 18 do Código Penal. Este decorre de conduta processual contrária a boa-fé. contra a sua vontade. seus bens ou honra. Oferecem-se à vítima (também chamada de paciente ou coacto) duas alternativas: emitir declaração de vontade que não pretendia originalmente ou resistir e sofrer as consequências decorrentes da concretização da ameaça ou de uma chantagem.556 a 1. não se pode alegar dolo para se anular um casamento.). Os dois primeiros artigos se referem ao erro essencial sobre a pessoa do outro cônjuge.550. pois ela diz que está grávida. A vítima não chega a manifestar uma vontade. trata-se da chamada litigância de má-fé (prevista nos arts. CC prevê que um casamento somente pode ser anulado por vício de vontade nos termos dos artigos 1. de 16 a 18 do Código de Processo Civil). Na coação há uma intimidação.: amarrar a vítima. Em outras palavras: no erro eu errei sozinho. Também não se confunde com o dolo do direito processual. COAÇÃO (arts. não havendo a vontade. inciso III. integridade física). Lauro Escobar www.

DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN
PROFESSOR LAURO ESCOBAR
inexistente. Doutrinariamente a coação física não é um vício de
consentimento, pois sequer houve a vontade. No entanto a questão é
polêmica: há autores que sustentam a nulidade absoluta do negócio (e não a
sua inexistência).
b) Coação Moral ou Psicológica (relativa ou vis compulsiva): atua
sobre a vontade da vítima, sem retirar-lhe totalmente o consentimento, pois
ela conserva uma relativa liberdade, podendo optar entre a realização do
negócio que lhe é exigido e o dano com que é ameaçada (ex.: se não assinar o
contrato, vou incendiar sua casa; vou estuprar sua mulher, vou mostrar uma
foto sua em uma situação constrangedora, etc.). Trata-se de modalidade de
vício de consentimento expresso na lei, posto que há manifestação de vontade,
embora sob pressão (consentimento viciado).
O art. 152, CC prevê que o Juiz, ao apreciar a coação, deve ter em
conta aspectos subjetivos, como o sexo, a idade, a saúde, a condição e o
temperamento do paciente, bem como as demais circunstâncias que possam
influir na gravidade da coação.
Observação: a jurisprudência entende ser possível a coação exercida
contra pessoa jurídica. Isso já foi objeto de questão em concurso do CESPE.
Efeitos
Coação Física: não há consentimento algum → ausência de vontade →
ato inexistente (não há previsão expressa na lei, mas é mencionada pela
doutrina). Para alguns autores é hipótese de nulidade absoluta.
Coação Moral: há consentimento, mas ele é viciado → ato anulável
(expressamente prevista no Código Civil).
É importante deixar claro que nem toda ameaça se configura em um vício
de consentimento. Assim, são necessários os seguintes requisitos para a
caracterização da coação moral e a consequente anulação do negócio
jurídico (art. 151, CC):

seja a causa determinante do negócio jurídico: ou seja, nexo causal
entre o meio intimidativo e o ato realizado pela vítima; se não houvesse
a coação, não haveria o negócio.

temor justificado: deve causar um medo ou um fundado receio na
vítima. Os melhores exemplos a respeito são: ameaça de morte,
chantagens, cárcere privado, desonra, mutilação, escândalos públicos,
etc. Ex.: se você não me der tanto eu colocarei “aquelas” fotos suas na
internet... Já o grau de ameaça para o reconhecimento (ou não) do
defeito e a consequente anulação do ato deve ser apreciado pelo Juiz,
caso a caso.

dano iminente: suscetível de atingir a pessoa da vítima, sua família,
seus bens, etc. O termo família abrange não só a que resulta de
casamento, como também decorrente de união estável. O dano pode
atingir pessoa não pertencente à família da vítima, hipótese em que o
Juiz decidirá se houve ou não a coação, analisando cada caso concreto.
Prof. Lauro Escobar

www.pontodosconcursos.com.br

26

DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN
PROFESSOR LAURO ESCOBAR

dano considerável e sério: a ameaça deve ser grave (vida, liberdade,
honra, patrimônio) e séria, capaz de assustar a vítima (ou paciente),
nela incutindo um fundado temor. O dano pode ser patrimonial ou moral.
Se a ameaça for indeterminada ou impossível não é capaz de anular o
ato

Coação exercida por terceiro
A coação exercida por terceiro vicia o negócio jurídico se dela tivesse ou
devesse ter conhecimento a parte a que aproveite (art. 154, CC). Assim,
havendo uma cumplicidade entre o coator e o beneficiário, além da anulação
do negócio, ambos ainda responderão solidariamente pelos prejuízos
sofridos. Porém prevalece o princípio da boa-fé, não se anulando o ato de que
a parte não sabia ou que não podia saber sobre eventual coação por parte de
terceiro (art. 155, CC). No entanto, mesmo nesta hipótese, o autor da coação
responderá pelas perdas e danos sofridos pela vítima.
Excluem a Coação, ou seja, não se configura coação (art. 153, CC):
• Ameaça do exercício normal de um direito (exercício regular de
direito). Ex.: se você não pagar a dívida, vou protestar o título e
ingressar com uma ação de execução ou requerer a sua falência. Ora,
assim agindo (protestando o título e ingressando com uma ação) eu
apenas estarei exercendo um direito que me é assegurado pela lei.
Portanto não há coação.

Temor reverencial: o simples receio de desgostar ou magoar os pais,
ou pessoas a quem se deve respeito e obediência também é incapaz de
viciar o negócio.

ESTADO DE PERIGO (art. 156, CC)
É uma inovação do atual Código. Configura-se o estado de perigo quando
alguém, premido da necessidade de salvar-se, ou a pessoa de sua
família, de grave dano conhecido pela outra parte, assume obrigação
excessivamente onerosa (art. 156, CC). A vítima não errou, não foi induzida
a erro ou coagida, mas pelas circunstâncias de um caso concreto, foi
compelida a celebrar um negócio que lhe era extremamente desfavorável.
Trata-se de uma hipótese de inexigibilidade de conduta diversa, ante a
iminência do perigo por que passa o agente, não lhe restando outra alternativa
senão praticar o ato. Tratando-se de pessoa não pertencente à família do
contratante o Juiz decidirá de acordo com as circunstâncias de um caso
concreto.
Uma pessoa, temerosa de grave dano moral ou material (situação
equiparada ao estado de necessidade, mas que com ele não se confunde),
acaba assinando contrato, mediante uma prestação exorbitante. Ex.: um pai
teve filho sequestrado, sendo o que bandido lhe pediu 100 mil reais para o
resgate. Um “amigo” sabendo do problema, se oferece para comprar suas
joias; elas valem 500 mil, mas ele oferece apenas 100 mil reais, que é o valor
do resgate. O que faria um pai nesta hora?? Acaba vendendo as joias para o
“amigo” (na verdade é um ‘amigo da onça’, como costumamos dizer). Isto
porque o valor oferecido é muito inferior ao de mercado. Posteriormente o pai
Prof. Lauro Escobar

www.pontodosconcursos.com.br

27

DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN
PROFESSOR LAURO ESCOBAR
pode anular o negócio com base no estado de perigo. Outros exemplos:
vítima de acidente automobilístico que assume obrigação exagerada para ser
salva de imediato; venda de imóvel por valor ínfimo para poder pagar cirurgia
de filho, que corre risco de morte, etc. É necessário, em todos os exemplos
fornecidos, que a outra parte tenha conhecimento da situação de desespero do
primeiro e se aproveite dessa situação. Em algumas situações é a própria
pessoa em perigo quem promete uma extraordinária recompensa para ser
salva, como no exemplo de um náufrago. A doutrina também sempre lembra o
famoso exemplo histórico do rei inglês Ricardo III quando lutava em uma
batalha (Bosworth Field) e seu cavalo foi morto. Caído, o rei gritava: “Um
cavalo, um cavalo, meu reino por um cavalo!” (A horse, a horse, my kingdom
for a horse!) O rei prometeu seu reino por um cavalo, pois estava premido por
uma necessidade de salvar a si do perigo de estar em uma batalha sem ter um
cavalo e assim ofereceu todo seu reino em troca do animal. Portanto acabou
assumindo uma obrigação excessivamente onerosa, pois é evidente que seu
reino valia mais do que um cavalo. Só para completar a história: Ricardo III
acabou perdendo a batalha, o reino e também a própria vida. Mas eu
pergunto: se ele tivesse ganho a batalha será que cumpriria a obrigação??
Há alguns exemplos em que o perigo não foi provocado e nem houve
má-fé das partes. Ex.: pai que oferece uma quantia exorbitante para o
tratamento de seu filho, que sofre de uma grave doença; náufrago que oferece
ao seu salvador uma recompensa exagerada pelo seu salvamento. Nestes
casos não seria correto que o salvador ficasse sem uma remuneração e nem
que o obrigado empobrecesse. O contrato apenas foi celebrado de forma
desvantajosa. Portanto a doutrina (não há previsão legal) costuma afirmar que
quando o prestador de serviços está de boa-fé, não pretendendo tirar proveito
do perigo de dano, o negócio deve ser conservado, mas com a redução de
eventual excesso contido na obrigação assumida, equilibrando-se as
prestações das partes.
Exemplo do STJ: a exigência de ‘cheque caução’ para tratamento hospitalar
emergencial é hipótese de estado e perigo. “Não é razoável em cheque dado
como caução para tratamento hospitalar ignorar sua causa, pois acarretaria
desequilíbrio entre as partes. O paciente em casos de necessidade, quedar-seia à mercê do hospital e compelido a emitir cheque, no valor arbitrado pelo
credor”. Aliás, atualmente, essa conduta foi criminalizada (art. 135-A, Código
Penal).
Requisitos para a configuração do estado de perigo:
• Situação de necessidade de salvar a si ou a pessoa de sua família.
• Iminência de dano atual e grave, capaz de transmitir o receio de que, se
não for afastado, as consequências temidas ocorrerão.
• Nexo de causalidade entre a declaração e o perigo de grave dano.
• Conhecimento do perigo pela outra parte, que se aproveita para tirar
alguma vantagem (é o chamado dolo de aproveitamento).
• Obrigação assumida excessivamente onerosa, ou seja, desproporcional,
causando grande desequilíbrio contratual. Lembrando que se a
onerosidade é razoável, o negócio pode ser considerado como válido.
Prof. Lauro Escobar

www.pontodosconcursos.com.br

28

avaliar eventual desproporção entre as prestações. CC prescreve que ocorre a lesão quando uma pessoa. A anulação se justifica pela ofensa ao senso de justiça que deve estar presente nos contratos em razão da sua função social. Observação: Segundo o Enunciado 148 da III Jornada de Direito Civil do STJ: “Ao estado de perigo aplica-se. exploradas indevidamente pela outra parte. Cabe ao Juiz (somente o Juiz pode rescindir ou modificar o contrato). pois se aproveitou da situação de necessidade para tirar vantagem do negócio. negócio esse que. devido também à desproporção existente entre as prestações. ou por inexperiência. por analogia. O prazo é decadencial (pois atinge o direito propriamente dito) de 04 anos. diante da inexperiência ou necessidade. diante de um caso concreto. Lauro Escobar www. sob premente necessidade. Decorre do abuso praticado em situação de desigualdade. II. CC”. não se decretará a anulação do negócio. Requisitos para a configuração da lesão: Prof. II e 178.pontodosconcursos. LESÃO (art. O art. em um contrato comutativo (onde as partes conhecem as prestações de cada um e há equivalência entre elas). porém a preços exorbitantes. há uma deformação da declaração de vontade por fatores pessoais do contratante.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR Realizado um contrato sob estado de perigo. 171. punindo a chamada “cláusula leonina” (alguns autores também a chamam de “cláusula draconiana” – que é uma referência ao famoso e rigoroso legislador ateniense Dracon) e o aproveitamento indevido na realização do contrato. acaba realizando outro contrato por valor muito acima do mercado. a parte agiu contra o princípio da boa-fé objetiva. assim. Segundo a doutrina. CC). Como se percebe.com. 157. ou seja. a desproporção das prestações segundo os valores vigentes ao tempo em que o contrato foi celebrado. ou se a parte favorecida concordar com a redução do proveito. se tivesse condição de melhor refletir sobre os seus efeitos. CC) Trata-se de outra inovação do atual Código. Outro exemplo da doutrina é o caso do empregado de uma fazenda que compra mantimentos no armazém da própria fazenda. para a caracterização da lesão dispensa-se a verificação de dolo ou de má-fé da parte que se aproveitou. conforme veremos no instituto seguinte. premido pela necessidade de abrigar sua família e não ver seus bens deixados ao relento. pois o contrato é prejudicial desde o seu nascedouro. se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta. O objetivo é reprimir o enorme desequilíbrio nas relações contratuais. Este instituto visa proteger o contratante em posição de inferioridade ante o prejuízo por ele sofrido na conclusão do contrato. §2°. deixa de receber valor correspondente ao da prestação que forneceu. sendo que também não é relevante se a desproporção foi superveniente à formação do negócio. jamais faria.br 29 . se for oferecido suplemento suficiente. o disposto no art. Apreciase. 157. Lesão é o prejuízo que um contratante experimenta quando. a sanção é a anulação deste contrato (arts. Exemplo: pessoa está em vias de ser despejado e. 157.

Desta forma prestigia-se o princípio da conservação dos contratos. pois a pessoa pode até ser culta e inteligente. 157. Lembrando que contrato aleatório é aquele em que a prestação de uma das partes não é conhecida com exatidão no momento da celebração do contrato. No estado de perigo há um perigo de morte (salvar a si ou pessoa de sua Prof. II.br 30 . a anulação do ato (princípio da conservação dos negócios jurídicos). Lauro Escobar www. Por isso se diz que a lesão é mais objetiva. Ele pode até estar presente. sempre que possível. No mesmo sentido. à revisão judicial do negócio jurídico e não à sua anulação. consequentemente. depende de um risco futuro e incerto.com.). §2°. Esse elemento não é essencial para o reconhecimento da lesão. Depende de uma álea (alea – do latim = sorte. Ocorrendo a lesão. sendo dever do magistrado incitar os contratantes a seguir as regras do CC 157. a inexperiência também deve ser relacionada ao próprio contrato. • Subjetivo: premente necessidade ou inexperiência da pessoa lesada. §2°”. No entanto. trata-se da necessidade contratual.pontodosconcursos.: a pessoa favorecida reconhece que exorbitou e concorda com a redução da prestação que lhe era extremamente favorável. O prazo é decadencial (atinge o direito em si) de 04 (quatro) anos. quando a vantagem que uma das partes obteve é exagerada em relação ao risco normal de um contrato. o empobrecimento para outra. assim. CC. cabe ao Juiz averiguar se o suplemento foi suficiente. perigo. sendo que o lesado pode ser mais rico que o beneficiário. mas não é essencial. incerteza. azar. CC). Inexperiência não significa falta de cultura. É importante acrescentar que não se decretará a anulação do negócio se for oferecido suplemento suficiente. etc. • Enunciado 150 da III Jornada de Direito Civil do STJ: “A lesão de que trata o CC 157 não exige dolo de aproveitamento”. que é um fator desconhecido. Saliente-se que a necessidade do contratante não está relacionada com sua condição econômica. a sanção é a anulação do ato – arts. Estado de Perigo X Lesão A necessidade exigida no estado de perigo é diversa da exigida na lesão. o que ocorre é a falta de conhecimentos técnicos ou habilidades relacionadas ao contrato. dolo de aproveitamento é a intenção de uma parte de se aproveitar da necessidade ou falta de experiência da outra parte para dela auferir vantagem exagerada na celebração do contrato. Evita-se. Ex.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR • Objetivo (material): manifesta desproporção entre as prestações recíprocas (desequilíbrio prestacional). 171. Observação Importante Nos contratos aleatórios a lesão somente pode ser alegada de forma excepcional. • Enunciado 149 da III Jornada de Direito Civil do STJ: “Em atenção ao princípio da conservação dos contratos. gerando enriquecimento para uma das partes (lucro exorbitante) e. II e 178. Segundo a doutrina. ou se a parte favorecida concordar com a redução do proveito (lesão especial ou qualificada – art. a verificação da lesão deverá conduzir.

Lesão X Teoria da Imprevisão Na lesão o desequilíbrio nasce com o próprio negócio jurídico. hipoteca e anticrese) os demais credores estão em idênticas condições no recebimento de seus créditos.br 31 . Na teoria da imprevisão há um contrato válido.pontodosconcursos. Por isso é que a fraude contra credores é chamada de vício social (e não vício de consentimento. Exemplo clássico: pessoa contrai um empréstimo. há uma situação de hipossuficiência de uma das partes e o aproveitamento desta circunstância pela outra. Lauro Escobar www. ocorrerá a fraude contra credores. Já na lesão o contratante. 158 a 165. na lesão esse elemento pode até existir. Além disso. Prof. não é necessário que a necessidade ou a inexperiência seja conhecida da outra parte. como vimos nos demais defeitos até agora). configurada está a fraude contra credores. enquanto no estado de perigo exige-se o dolo de aproveitamento. tornando-o passível de anulação (o vício nasce junto com o contrato). FRAUDE CONTRA CREDORES (arts. Lembrando: a insolvência ocorre quando a soma do patrimônio ativo do devedor é inferior à do passivo. Se o patrimônio do devedor não for suficiente para o pagamento de todos os credores haverá um rateio (chamado pela doutrina de par conditio creditoris). devido a uma necessidade econômica. mas ele não é essencial para o reconhecimento do vício.: penhor. sendo que o desequilíbrio prestacional ocorre posteriormente. em data próxima ao vencimento da obrigação. o vício reside na finalidade ilícita do ato. Observem que não é a vontade que se encontra viciada. com o fim de colocá-lo a salvo de uma execução por dívidas em detrimento dos direitos creditórios alheios. doa todos os seus bens. prejudicar seus credores. a ponto de não mais garantir o pagamento do que deve. pelo devedor insolvente (ou por eles reduzidos à insolvência). entre as consequências do dano e o pagamento de uma quantia exorbitante. colocando-se em uma situação de insolvência. ou tendentes a violar a igualdade entre os credores. ou seja. Se este maliciosamente desfalca o seu patrimônio. pois a pessoa faz exatamente o que queria fazer. ou seja. porém. realiza negócio desproporcional. E no caso do devedor praticar atos com a finalidade de frustrar o pagamento devido. ficando sem patrimônio para saldar a dívida. A garantia de um credor de que irá receber é o patrimônio do devedor. Em outras palavras: o valor das dívidas excede o valor dos bens. Elementos constitutivos da fraude contra credores Objetivo (eventus damni): trata-se do prejuízo causado ao credor.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR família) e o contratante. Ressalvadas as hipóteses de credores com garantia real (ex.com. que deve provar que com a prática do ato o devedor se tornou insolvente ou já praticou o ato em estado de insolvência. CC) Constitui fraude contra credores a prática maliciosa de atos. opta pelo último (com a intenção de minimizar ou sanar o mal). não tendo mais condições de honrar suas dívidas. que desfalcam seu patrimônio.

o que sobrar (se sobrar algo) eu poderei fazer o que quiser. inclusive renunciar. O art. é o credor sem garantias especiais que conta apenas com a garantia comum a todos os credores: o patrimônio do devedor). A minha renúncia pode ser anulada pelos credores. remissão (perdão) de dívidas.: já havia protestos contra o devedor). ou há presunção (relativa) de que irá dissipar o que recebeu (ex. sou também credor de outras pessoas. Se o comprador não tinha como saber o estado de insolvência do vendedor (estava de boa-fé) não se Prof. etc. mas não tenho dinheiro para pagá-las. mas não desejo pagá-la. Sabendo disso. sem que haja a prova de má-fé.: um imóvel). De repente. com a consciência de que de seu ato advirão prejuízos a uma terceira pessoa (que é o credor). desde que insolvente ou for notória a insolvência (ex. amizade íntima. Nesta hipótese também está implícita a fraude. Parte dela será para pagar meus credores. venda realizada entre parentes próximos. Outro exemplo: Tenho algumas dívidas. 159. meus credores têm direito a ela até o montante da dívida. Por outro lado. A simples prática do ato de liberalidade já implica na presunção da má-fé. b) quando o terceiro adquirente tinha motivos para conhecer a má situação financeira do devedor. Portanto. Lauro Escobar www. da intenção deliberada (animus) de prejudicar. Começo então a “doar” meus bens para sobrinhos e primos.). para se presumir a fraude. Fazendo isso eu me coloco em situação de insolvência. Finalmente: tenho algumas dívidas que estão próximas do vencimento. Assim. grafo = grafia. Basta a prática de um desses atos. colocando o devedor em situação de insolvência. O ato pode ser anulado pelos credores quirografários (do grego chirografo: chiro = mão. Nestes casos não é necessária a prova do consilium fraudis (o conluio fraudulento.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR Subjetivo (consilium fraudis): trata-se do “conluio fraudulento”. mas entrou outro bem (o dinheiro). escrito = escrito à mão. o preço vil na venda do bem. Exemplo clássico: estou devendo uma determinada importância. No entanto. um tio muito rico falece e me deixa uma grande herança. eu renuncio à herança. saiu um bem do patrimônio do devedor (ex. Porém eu renuncio aos créditos e com isso me coloco em situação de insolvência.pontodosconcursos. Depois de pagas as dívidas.com. em tese. se houver sobra patrimonial que permita honrar seus débitos. A título oneroso: se o negócio foi oneroso.br 32 .: venda de imóveis em data próxima à do vencimento da dívida e não há outros bens para solver o débito. assinado. Portanto basta esta doação para se presumir a fraude. embora tenha bens para saldar minha dívida. a máfé). São suscetíveis de fraude os negócios realizados: • A título gratuito: doação de bens. será reputada uma venda fraudulenta se não houver dinheiro suficiente para pagar o credor. mesmo renunciando à herança. não haverá fraude contra credores. etc. não se exigindo a prova da má-fé. CC prevê duas situações onde há presunção relativa (juris tantum: que admite prova em contrário) de má-fé do terceiro adquirente: a) for notória a insolvência do devedor. da má-fé. Com o dinheiro que receberei destes poderia pagar minha dívida. ainda não está caracterizada a fraude. renúncia de herança ou usufruto.

sendo que o primeiro pagamento deve ser anulado e o beneficiário é obrigado a repor o que recebeu. Observação: presumem-se de boa-fé sendo válidos os negócios ordinários indispensáveis à manutenção de estabelecimento empresarial ou à subsistência do devedor e de sua família (art. II.: a hipoteca da casa). CC). o devedor também estará frustrando a igualdade entre os credores. Mas se o devedor insolvente paga uma dívida que ainda não venceu. Ação Pauliana Os atos eivados de fraude contra credores são anuláveis através de ação específica. em detrimento de outras que já se venceram. CC). uma vez que ele não integrou a relação jurídica de base? A saída é a seguinte: se “B” agiu com má-fé poderá integrar o processo no polo passivo. dando-lhe uma garantia real (ex. juntamente com o insolvente e com “A”. etc.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR anula o negócio (protege-se o comprador. para que isso ocorra. Aqui pode ocorrer um problema! Digamos que o devedor insolvente vendeu a “A” e este tenha revendido este bem para “B”. como vimos. já insolvente. Observações Vimos que os negócios jurídicos. pois. CC). frustrando a igualdade entre os credores.br 33 .pontodosconcursos. há fraude contra credores. Mas. Neste caso anula-se a garantia. como a garantia real se sobrepõe aos demais créditos. não configura fraude contra credores. repondo o bem no acervo sobre o qual se efetuará o concurso de credores. chamada de ação pauliana. 164.: penhor ou hipoteca) que o devedor insolvente tiver dado a algum outro credor (art. CC) o devedor insolvente e também contra a pessoa que celebrou negócio jurídico com o fraudador (litisconsórcio passivo necessário). O prazo decadencial para o ajuizamento da ação é de 04 anos a contar da celebração do negócio (arts. Mas se ela agiu de boa-fé não deverá integrar o processo. retornando aquele credor favorecido à condição de quirografário. lesão. estado de perigo. Também configura fraude contra credores quando o devedor. Lauro Escobar www. Ora. coação moral. Ela deve ser proposta pelos credores quirografários (e que já o eram ao tempo da alienação fraudulenta: credores preexistentes) contra (art. nosso Código protege quem age de boa-fé). por si só. O credor deverá buscar outros bens dos demais envolvidos O principal efeito da ação é revogar o negócio lesivo aos interesses dos credores. Pagamento antecipado das dívidas: pagar uma dívida antes de seu vencimento. 171. Como ficaria a situação de “B”. II e 178. resolve privilegiar um dos credores quirografários. A única ação que tem um nome especial é a proveniente de fraude contra credores (que chamamos de Prof.) podem ser anulados. 163. Concessão fraudulenta de garantias: presumem-se fraudatórios dos direitos dos outros credores as garantias de dívida (ex. quando praticados com determinados vícios (erro ou ignorância essencial. é necessário ingressar com uma ação própria.com. 161. dolo essencial.

Alguns autores também chamam esta ação de revocatória. podendo ser declarado ineficaz e reconhecido pelo Juiz no próprio processo. tudo depende da hipótese concreta. 130 da “Lei de Falências” (Lei n° 11. 2.. Ao tempo da prática do ato (alienação de bens de forma fraudulenta). regulado pelo Direito Privado: arts. 179. Nos demais casos de anulação fala-se apenas em “ação de anulação por erro essencial de objeto”. já corria contra o devedor ação judicial capaz de reduzi-lo à insolvência. Na fraude à execução o credor não precisa mover ação pauliana. 158 a 165. Na fraude à execução o vício é mais grave (inclusive é crime: art. Os bens que foram alienados já estariam comprometidos tendo-se em vista a ação proposta. Quando praticado o ato pelo devedor ainda não havia sido proposta ação alguma.br 34 . sendo considerado como um ato atentatório à dignidade e administração da Justiça. Lauro Escobar www. colocando-se em situação de insolvência e prejudicando o credor. pois atinge terceiros). A prática do ato ocorreu após a propositura de uma ação judicial (processo de conhecimento. CC). 593. mas ineficaz perante o processo de execução. Ou seja. CC. a natureza jurídica da ação pauliana é anulatória desconstitutiva do ato impugnado. CPC). pois o art. ainda não havia sido proposta nenhuma ação (embora já possam existir títulos protestados). mediante um simples pedido da parte lesada. é indiferente a espécie de ação) em que o autor persegue o recebimento de seu crédito. 593. CP). CPC. 1. visando a anulação do ato fraudulento. o devedor já havia sido citado para uma ação (de conhecimento ou de execução. No entanto tomem cuidado com este termo. com desfalque em seu patrimônio. regulado pelo Direito Público: art. 3. Os credores ingressam com a ação pauliana. No entanto se diferenciam: Fraude contra credores: tema referente ao Direito Civil (arts..DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR pauliana). Incidente do processo. uma vez que o ato (venda ou doação do bem) não é apenas anulável. Fraude contra Credores X Fraude à Execução Não podemos confundir esses institutos! Ambos possuem como elementos comuns: a fraude na alienação de bens pelo devedor. 158/165. “ação de anulação por dolo substancial”. Fraude à execução (ou fraude de execução) é um incidente de Direito Processual Civil (art.pontodosconcursos. Defeito do negócio jurídico (vício social). Segundo corrente majoritária. Para combater a fraude deve 3. 2. Independe da propositura de Prof.com.101/05) também há uma ação com este mesmo nome e pode confundir. de execução ou cautelar). defeito no negócio jurídico (vício social. É mais grave. No momento em que foi realizada a alienação fraudenta. Vejamos um quadro comparativo: FRAUDE CONTRA CREDORES FRAUDE À EXECUÇÃO 1.

4. Antes disso seria apenas a fraude contra credores. No entanto. na simulação a alienação é fictícia.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR ser proposta ação pauliana (ou revocatória). Juridicamente é a prática de ato ou negócio que esconde a real intenção. no dolo a pessoa lesada pelas manobras desleais é uma das partes do negócio. mas na verdade ele não pretende atingir o efeito que juridicamente deveria produzir. Tratando-se de alienação onerosa exige-se prova da má-fé do adquirente (consilium fraudis).pontodosconcursos. CC) Simular significa fingir. SIMULAÇÃO (art. Ou seja. A jurisprudência dominante em nossos Tribunais é de que a fraude à execução somente se caracteriza quando o devedor é citado para a ação e a partir daí realiza os atos fraudatórios.. Fraude contra credores X Simulação Ambas atingem e prejudicam direitos de terceiros. visando obter resultado diverso do que aparece. Expõem-se os fatos e requerse ao Juiz a ineficácia do ato. parecendo externamente negócio que não é espelhado pela vontade dos contraentes. Exemplo clássico: um Prof. Observações 01. na fraude contra credores a alienação é real. 4. A intenção dos simuladores é encoberta mediante disfarce. no curso do próprio processo que está em andamento (alegação incidental). violando a lei ou enganando terceiros. mas o réu se oculta para não ser citado e neste ínterim realiza os atos fraudatórios.com. posteriormente. Pessoalmente entendo que não é necessária a citação. com o fim de criar uma aparência de direito. 167. 02. uma vez que esta é presumida (doutrina). ação. há um acordo de vontades (conluio) entre os contratantes para dar existência real a um negócio jurídico fictício ou para ocultar o negócio realmente realizado. Com isso previne-se a hipótese em que a ação é proposta. sem bens.. celebra-se um negócio jurídico aparentemente normal. mascarar. Lauro Escobar www. visando a anulação do negócio jurídico. Embora a doutrina entenda que na fraude à execução não se exige prova da má-fé.br 35 . Simulação é a declaração enganosa da vontade. o STJ editou a Súmula 375: “O reconhecimento da fraude à execução depende do registro da penhora do bem alienado ou da prova da máfé do terceiro adquirente”. Fraude contra credores X Dolo A fraude se consuma sem a participação do lesado no negócio (atinge um terceiro). já em estado de insolvência. Não se exige prova da má-fé do terceiro adquirente. esconder a realidade. camuflar. aparece para ser citado. iludindo terceiros ou burlando a lei. bastando a propositura da ação.

simula negócio com um amigo. ante iminente divórcio. posto que não houve uma contraprestação em dinheiro. Aliás.. mas na realidade realizou uma doação. Absoluta: ocorre quando a declaração enganosa de vontade exprime um negócio jurídico. Observem que em ambos os exemplos não houve negócio algum.. dolo. • Declaração externada deliberadamente dissonante com a intenção (daí não ser vício de consentimento. estado de perigo.com. lendo no próprio Código: o Capítulo IV trata dos defeitos do negócio jurídico (erro ou ignorância. casado. CC determina que a simulação é hipótese de nulidade do ato (e não mais como anulação como no Código anterior). Assim ele faz um contrato de compra e venda. tudo aparentemente perfeito. Concluindo: se esta questão cair em um concurso. sua real intenção com isso é o de facilitar o despejo contra seu inquilino. pois não houve vício na vontade do declarante. o art. Já a simulação está prevista no art. ATENÇÃO O atual Código Civil não trata mais a simulação como defeito referente à vontade ou consentimento.. referente à invalidade do negócio jurídico (que veremos logo adiante). possui uma amante e deseja doar um apartamento para ela. 138 e vai até o art. Desta forma o ato somente estará viciado (causando a nulidade) quando houver intenção de prejudicar terceiros ou violar disposição de lei. Se ele afirma “. coação. Continuando. ele não vendeu o bem. esta particularidade tem caído muito nos concursos. • Intenção de enganar terceiros ou violar a lei. Prof. com escritura e registro. As duas partes contratantes estão combinadas (observem o exemplo clássico que demos a respeito ‘do marido e da amante’) desejando iludir terceiros (a esposa ou os filhos). ele assim procedeu conscientemente). ele fez uma doação.. Nestes casos o negócio é nulo e insuscetível de convalidação. 168. contraindo falsamente uma dívida e transferindo-lhe bens em pagamento visando prejudicar a esposa na partilha. inserida no Capítulo V. Na simulação há um desacordo entre a vontade declarada e a vontade interna e não manifestada. de acordo com o disposto no atual Código Civil. Acompanhem. A doutrina classifica a simulação da seguinte forma: 1.” podemos concluir que não se trata de um vício social. 165.br 36 . No entanto parte da doutrina ainda a classifica como vício social. mas na verdade. Exemplo: proprietário de uma casa alugada finge vendê-la a terceiro.pontodosconcursos.. No entanto a lei não permite tal prática (e nem a sua esposa permitiria). observem a forma como foi redigido o cabeçalho da questão. 167. Ele fingiu celebrar uma compra e venda. Além disso. tudo foi fingido. Outro: marido.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR homem. mas não há intenção de realizar negócio jurídico algum.. Lauro Escobar www. A regra: a simulação é ato jurídico bilateral. lesão e fraude contra credores). Requisitos para a simulação • Acordo entre as partes contratantes ou com a pessoa a quem ela se destina. Esse capítulo tem início no art.

Portanto. Concluindo: mesmo havendo simulação.br 37 . praticam outro negócio. se respeitar a forma e a substância. negócio dissimulado válido. então. O negócio aparente serve apenas para ocultar a real intenção dos contratantes. a simulação é relativa. Outro exemplo: pessoa realiza a venda de um imóvel com preço na escritura inferior ao real para pagar menos imposto e burlar o Fisco. se não causar prejuízo a terceiros e se forem obedecidos os requisitos legais da doação (que é o negócio real ou dissimulado. desde o início. Pai deseja doar um imóvel a um de seus filhos (este Exemplo clássico é o negócio real. • Simulação relativa → negócio simulado nulo. Enunciado 153 da III Jornada de Direito Civil do STJ: “Na simulação relativa. Lauro Escobar www. mas o dissimulado será válido se não ofender a lei nem causar prejuízo a terceiros”. neste caso há dois negócios: a) o simulado ou fictício: é o negócio aparente. pois há um ato simulado. Relativa: as partes pretendem realizar um negócio. e b) o dissimulado ou real: é o oculto. se ele for válido na substância e na forma. mas não quer que este bem seja trazido à colação quando de sua morte. era transferir o bem para “C”.com. uma compra e venda (este é o negócio aparente.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR 2. para que este transmita o bem posteriormente a “C”. para encobri-lo. É o “testa de ferro” (também chamado de “homem de palha”). No entanto. dissimulado).: “A” vende um imóvel a “B”. aparente (compra e venda) e outro dissimulado. Finge. o negócio simulado (aparente) é nulo. A simulação (seja absoluta ou relativa) acarreta a nulidade do negócio simulado (ou seja. Mas isso deve ser feito de forma legal. pois esta era a intenção do pai desde o início). mas não se quer de verdade. simulado). Tal simulação Prof. no caso da simulação relativa subsistirão os efeitos do negócio dissimulado (vontade real do contratante). Assim. mas isto. Resumindo • Simulação absoluta → negócio jurídico nulo (nulidade absoluta).: marido que finge vender um imóvel a uma pessoa. um pai pode favorecer um filho em detrimento de outro. ela será mantida.pontodosconcursos. pois é apenas um sujeito aparente. sendo que a intenção. Notem que neste caso o bem doado deve sair da parte disponível do patrimônio do pai. Ex. Neste caso. real (doação). por algum motivo não era permitido. A simulação ainda pode ser classificada em: a) Subjetiva (por interposta pessoa ou ad personam): ocorre quando a parte contratante não é o indivíduo que tira proveito do negócio. não prejudicando a herança dos demais filhos. mas este é proibido pela lei ou prejudica interesses de terceiros. Ex. do negócio aparente). aquele verdadeiramente desejado pelas das partes. mas na verdade está doando o bem a sua amante. dentro da chamada “parte disponível” do ascendente. o negócio real (dissimulado) pode subsistir (não será considerado nulo) se for válido na forma e na substância (não ofendeu a lei e nem prejudicou interesses de terceiros). ao contrário do que geralmente se pensa. aquele que se declarou. Ou seja.

Lauro Escobar www. CC que haverá simulação nos negócios jurídicos quando: Aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem. 167.: as partes. Observações Importantes Prof. viciando o ato que perderá a validade. em uma escritura de compra e venda de um bem imóvel. etc. Outros exemplos: colocar data diversa em um documento (ex. inclusive a inocente. possui três sobrinhos e deseja doar um imóvel para um deles. não se anulando o negócio.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR somente se efetivará quando se completar a transmissão do bem ao real adquirente. confissão ou cláusula não verdadeira.com. Os instrumentos particulares forem (simulação por ocultação da verdade). estabelece o Enunciado 152 da III Jornada de Direito Civil do STJ: “Toda simulação. ao objeto ou a um dos elementos contratuais. como não há impedimentos. Exemplo clássico: uma senhora. se ele quisesse simplesmente doar o imóvel. Trata-se da simulação por intermediação de pessoa. mas na verdade o que ela fez foi doar o imóvel ao sobrinho preferido.br 38 . Contiverem declaração. doação de bem imóvel pertencente a um homem casado à sua amante. sendo considerado nulo de pleno direito. ou pós-datados ATENÇÃO Há quem entenda que como na simulação inocente não houve prejuízo a quem quer que seja.pontodosconcursos. Os sobrinhos não são seus herdeiros necessários. O ato contém uma declaração. antedatados. mas esta os transfere para terceiro não integrante da relação jurídica (simulação relativa subjetiva). Ex. Se ela quisesse doar diretamente o bem a um deles. condição ou cláusula não verdadeira (simulação por ocultação da verdade). confissão. se for válido na forma e na substância”. é invalidante”. finge fazer uma compra e venda em relação a este sobrinho. A declaração de vontade é emitida aparentando conferir direitos a uma pessoa. No entanto ela não quer ‘melindrar’ os demais sobrinhos. Outro exemplo: homem solteiro e sem herdeiros necessários simula uma venda de bem imóvel à sua namorada. Hipótese legais de simulação: estabelece o art. a saída é aplicar a regra: “nulidade do negócio simulado e manutenção do negócio dissimulado. ou transmitem. d) Maliciosa: envolve o propósito deliberado de prejudicar terceiros ou de burlar o comando legal. §1°. a conduta deveria ser tolerada. poderia fazê-lo sem problema algum. Observem que a senhora não lesou ninguém. dando-se a aparência de uma compra e venda.: pré ou pós datar contratos). Assim. sem herdeiros necessários. Conclusão: como o Código Civil não faz mais distinção entre a simulação inocente e a maliciosa. ora. declaram preço inferior ao do negócio real com a intenção de pagar menos imposto sobre a transmissão do bem. c) Inocente: quando não há a intenção de violar a lei ou de lesar outrem. No entanto. poderia tê-lo feito. b) Objetiva (ou simulação de conteúdo): relativa à natureza do negócio pretendido.

não com o intuito de contrair matrimônio. que. se houver ou não conhecimento Prof. a ponto de cometer um suicídio. 02. que possibilita. Vamos falar um pouco mais sobre a reserva mental. mas em seu íntimo a sua intenção é outra. doando-lhe o dinheiro. Curiosidade. uma doação. Há a simulação de empréstimo de vaca (que na realidade é somente dinheiro e não vaca). 168 e parágrafo único. Na realidade uma das partes.br 39 . pois se trata de um tema tormentoso. No entanto não quer que a outra saiba que o empréstimo. 110.: uma pessoa empresta dinheiro a outra. CC (simulação) podem ser alegadas por qualquer interessado ou pelo Ministério Público quando lhe caiba intervir. deve pronunciar a nulidade. ela finge que está emprestando. Já na reserva mental não há acordo entre as partes para enganar terceiros. A nulidade do ato simulado não pode prejudicar terceiros de boa-fé que tenham negociado com um dos contratantes simuladores (art. O que é contrato de vaca-papel? Trata-se de um contrato agrário (parceria rural). CC). Se o Juiz conhecer do ato ou de seus efeitos e a encontrar provada. Assim. se a outra parte desconhecia a real intenção da parte que manifestou a vontade fazendo reserva mental. mas sim para não ser expulsa do País. O agente quer uma coisa e declara. é uma doação. há uma não-coincidência entre a vontade real e a declarada. manifesta uma vontade quando da celebração do negócio. Para o Código.com.pontodosconcursos. conscientemente. em seu íntimo ele não tem o propósito de cumprir o efeito jurídico pretendido com o contrato. mas sim de ajudar a segunda pessoa. CC prescreve: a manifestação de vontade subsiste ainda que o seu autor haja feito reserva mental de não querer o que manifestou. sob o argumento de que se trata do “resultado do investimento agropecuário”. É importante deixar claro que a reserva mental pode ser fraudulenta ou inocente. 167. Na verdade a primeira pessoa não deseja realizar um contrato de mútuo (ou empréstimo). A jurisprudência tem-se posicionado no sentido não da nulidade absoluta do contrato. em especial às cláusulas que limitam ou fixam as taxas de juros e multa contratual. Estabelece o art. Lauro Escobar www. mas a submissão dos mesmos às normas pertinentes ao verdadeiro contrato (mútuo de dinheiro). mas ela mesma já sabe que o devedor não terá condições de lhe pagar o empréstimo. diferente da declarada. Representa uma emissão de declaração de vontade não desejada em seu conteúdo e nem em seu resultado. 167. outra coisa. O art. na verdade. quando do pagamento. Simulação X Reserva Mental Na simulação há um consenso entre os simuladores para enganar terceiros. na verdade foi a fundo perdido. unilateralmente. não lhe sendo permitido supri-las. CC que as nulidades do art. Ex. sendo que esta está desesperada. Portanto. mesmo que haja requerimento das partes.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR 01. Portanto o empréstimo. a vontade manifestada deve prevalecer e o negócio jurídico será considerado válido. na realidade dissimula um empréstimo a juros extorsivos. Outro exemplo: pessoa se casa. a cobrança de um valor superior aos juros autorizados pela lei. §2°. ou seja. salvo se dela o destinatário tinha conhecimento.

DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR prévio e intenção de prejudicar. a prova exclusivamente testemunhal só se admite nos negócios jurídicos cujo valor não ultrapasse o décuplo do maior salário mínimo vigente no País ao tempo em que foram celebrados”. objeto lícito. 108. ao gesto e até mesmo ao simples silêncio (hipóteses excepcionais). escrita. b) privada: o ato é celebrado somente pelos interessados. para que o ato tenha eficácia jurídica. 227. Vigora o Princípio da Liberalidade das Formas. Podemos resumir o assunto da seguinte forma: A) Reserva mental lícita (desconhecida pelo destinatário) → o negócio subsistirá e o contratante deve cumprir a obrigação assumida. em casos determinados. Todavia. que é a forma prescrita ou não defesa em lei. modificar ou renunciar direitos sobre imóveis de valor superior a 30 vezes o maior salário mínimo vigente no País. Reforçando: Consensualismo é a regra. Prof. Pode-se recorrer à palavra falada. é o conjunto de formalidades.com. para dar maior segurança nas relações jurídicas. II. CC determina que: “A validade da declaração de vontade não dependerá de forma especial. Recordando: capacidade das partes. solenidades. A forma pode ser: a) pública: o ato é celebrado por uma terceira pessoa. Formalismo é a exceção. como requisito de validade do ato. B) Reserva mental ilícita (conhecida pelo destinatário) → ocorre a invalidade de negócio jurídico. estranha ao negócio para que se observe uma formalidade do negócio (escritura lavrada pelo tabelião). pois o destinatário tem ciência do que foi premeditado pela outra parte. determinado ou determinável e consentimento. sem maiores formalidades Forma prescrita ou não defesa em lei Em regra a vontade pode se manifestar livremente. transferir. Cuidado com esta expressão! Forma prescrita é a determinada pela lei. Outro dispositivo interessante a respeito é o art. Lauro Escobar www. Vejamos agora o elemento essencial especial.br 40 . Forma é o meio pelo qual se externa a manifestação de vontade nos negócios jurídicos. Ex. CC determina que qualquer negócio jurídico que tenha por objetivo constituir. forma não defesa em lei é a forma NÃO PROIBIDA pela lei. 107. ELEMENTOS ESSENCIAIS ESPECIAIS Já vimos todos os elementos essenciais gerais. Aqui.: o art. a expressão “defesa” tem o sentido de proibição. CC: “Salvo os casos expressos. não havendo uma forma especial. a lei prescreve a observância de uma forma especial. possível. Vimos também os possíveis defeitos em cada um desses elementos e os seus efeitos. O art. somente pode ser efetivado mediante escritura pública. senão quando a lei expressamente a exigir”.pontodosconcursos.

Espécies de forma do negócio jurídico 1. mútuo. inclusive quanto ao regime de bens escolhido. Já outros podem ser praticados por mais de uma maneira (multiplicidade de forma). 2. É interessante acrescentar que para alguns atos jurídicos a lei impõe apenas uma forma para ser realizado. etc.: admite-se a forma verbal para a doação de bens móveis de pequeno valor (art. a prova serve para demonstrar a existência do ato. Nulo é o negócio jurídico quando não se revestir da forma prescrita em lei ou quando preterir alguma solenidade que a lei considere essencial para sua validade (confiram o art. palavra escrita ou falada. Importante Não confundir forma com prova.com. 1. Lembrando que se for o chamado bem de família instituído pela lei 8. CC). um rito totalmente formal e adequado. Forma Especial (ou solene): para os contratos formais ou solenes → conjunto de formalidades que a lei estabelece como requisito para a validade de certos atos. 166. As partes também podem convencionar que um negócio seja realizado de uma determinada forma. gestos e até mesmo o silêncio. 541. com rito adequado e número de testemunhas determinado. 656. CC). Ex. Forma Livre (ou geral): para os contratos consensuais (também chamados de não-formais) → pode ser usado qualquer meio de exteriorização da vontade (desde que não prevista uma forma especial): como vimos.711/1. • Bem de família (hipótese prevista pelo Código Civil – arts. mandato verbal (art.br 41 . • Hipoteca: formalizada no registro de imóveis.722): formalizado por meio de uma escritura pública e posterior registro.009/90 dispensam-se as formalidades. CC). Não pode ser preterida por outra.pontodosconcursos. forma especial (ou solene) é o conjunto de solenidades que a lei estabelece como requisito para a validade de determinados atos jurídicos. Lauro Escobar www. Enquanto a forma serve para indicar a vontade interna do agente. • Testamento: deve ser feito por escrito. Tem por finalidade garantir a autenticidade do ato. Concluindo: se houver desobediência quanto à forma (prescrita ou não defesa em lei) = Nulidade Absoluta do Negócio Jurídico. Vejamos: Prof. facilitando sua prova e assegurando a livre manifestação de vontade das partes. • Adoção: é imprescindível o registro de pessoas naturais. • Pacto antenupcial: deve ser realizado por escritura pública.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR Assim. Citamos alguns exemplos (entre outros) de negócios jurídicos que exigem uma formalidade especial: • Casamento: para se casar é imprescindível todo um conjunto de formalidades. inciso V.

IV. que dizem respeito à validade do negócio jurídico. sem que seja necessária a menção expressa a estes efeitos. b) por escritura pública ou instrumento particular. Veremos agora os elementos naturais. Ex. Ex. c) por testamento ou d) por manifestação expressa e direta perante o Juiz. para dar maior segurança ao ato. Forma Especial (ou solene) Única: a lei prevê uma formalidade essencial e não admite qualquer outra configuração. sendo todas elas previstas em lei. pois a norma jurídica já determina as consequências jurídicas. 2. O exemplo clássico é o já mencionado art. ELEMENTOS NATURAIS Os elementos naturais são os efeitos ou as consequências decorrentes do negócio jurídico. que são bem simples e dizem respeito apenas aos efeitos do negócio. cada contratante deve cumprir as obrigações que assumiu. ELEMENTOS ACIDENTAIS (arts. Outros exemplos: registro da propriedade imobiliária no Registro de Imóveis (arts. por instrumento público.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR 2. pelo vício redibitório (que é o defeito oculto na coisa). Enfim. Por outro lado o locatário deverá pagar pontualmente os aluguéis. 62.. etc. CC). CC (escritura pública em relação a negócios jurídicos que envolvem imóveis de valor superior a 30 salários mínimos). que dizem respeito à eficácia do negócio jurídico. pacto antenupcial por escritura pública (art. 3. Lauro Escobar www. CC) Prof.1. Outro exemplo: criação de uma fundação (art.: Em uma compra e venda os elementos naturais são: obrigação do comprador de pagar o preço e a obrigação do vendedor de entregar a coisa. 121/137. às vezes um contrato pode ser realizado por meio de instrumento particular. etc.pontodosconcursos. 108. III. Em outras palavras. com isso terminamos a análise dos elementos essenciais (gerais e especiais). Forma Contratual: é a pactuada pelas partes. Ele pode ser feito: a) no próprio termo do nascimento.245.653. cada parte deverá cumprir o disposto nas cláusulas do contrato.br 42 . 1. mas as partes convencionam que ele será realizado por instrumento público..: posso realizar um contrato de locação por instrumento particular. CC). podemos pactuar que o mesmo será feito em cartório. 1. Além disso. Logo a seguir veremos os elementos acidentais. mas faculta a prática por meio de duas ou mais maneiras. Bem. No entanto. Forma Especial (ou solene) Plural: a lei exige a forma especial.227 e 1.com. O exemplo clássico é o reconhecimento voluntário de filho havido fora do matrimônio. CC: escritura pública ou testamento). o vendedor tem responsabilidade pela evicção da coisa (evicção é a perda da coisa em virtude de sentença judicial).2. Outro exemplo: Em um contrato de locação há a obrigação do locador de entregar o bem locado.

CC): é aquela que suspende (protela. sua presença é dispensável para a existência do negócio. pois passam a integrá-lo de forma indissociável.pontodosconcursos. evitando que eventualmente sofra prejuízos (ex. Antes de se realizar a condição. é a cláusula acessória que. São eles: • • • Condição Termo Modo ou Encargo A) CONDIÇÃO (arts. 121/130. Evento futuro do qual o negócio jurídico dependerá (futuridade).: eu lhe darei Prof.). Não são exigidos pela lei. CC) Condição. CLASSIFICAÇÃO DAS CONDIÇÕES 1. etc. derivando exclusivamente da vontade das partes. Fato passado não caracteriza condição. Mas ela pode se transformar em condição quando sua ocorrência é limitada no tempo (ex. São elementos ditos acidentais porque o ato negocial pode estar perfeito sem eles. Adia-se. pedir uma garantia. Dizem respeito à eficácia do negócio jurídico. O titular de direito eventual.: eu lhe darei o meu carro. 125. mas podem ser convencionados de forma facultativa e acessória. se eu ganhar na loteria). que são as cláusulas que se lhe acrescentam com o objetivo de modificar uma ou algumas de suas consequências naturais. Incerteza do acontecimento (que poderá ou não ocorrer). Ex.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR O negócio jurídico é chamado de puro e simples quando seus efeitos se produzem sem dependência de qualquer outra circunstância.: requerer inventário. No entanto o negócio pode conter disposições que influem sobre seus efeitos. Lauro Escobar www.com. 121. A condição afeta a eficácia (produção de efeitos) do negócio e não a sua existência (uma vez que a vontade foi legítima). já pode praticar alguns atos destinados à conservação. nos termos do art. ou seja. No entanto.br 43 . Requisitos para a configuração da condição: Aceitação voluntária das partes (voluntariedade). uma vez convencionados possuem o mesmo valor dos elementos estruturais e essenciais. o ato é ineficaz. São os elementos acidentais do negócio jurídico. Por isso. subordina a eficácia do ato jurídico a evento futuro e incerto (ex. a morte (em regra) não é considerada condição. CC. QUANTO AO MODO DE ATUAÇÃO (é a que tem maior incidência nos concursos) a) Suspensiva (art. A incerteza abrange o evento (se ele vai ou não ocorrer) e não o período em que ele vai se realizar. na geração dos efeitos jurídicos que lhe sejam próprios. temporariamente. com o intuito de resguardar seu futuro direito. pela vontade espontânea das partes. a eficácia do negócio. embora ainda não tenha direito adquirido.: eu lhe darei um carro se fulano morrer este ano). adia) os efeitos do negócio jurídico (eficácia) até a realização do evento futuro e incerto.

realizada a condição cessam os efeitos do negócio. CC é possível que. Outros exemplos: eu lhe darei uma casa logo após o seu casamento. Portanto o implemento da condição extingue os efeitos do ato. o direito se resolve. a ocorrência do evento futuro e incerto resolve o direito transferido pelo negócio jurídico.com.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR uma joia se você ganhar a corrida. Por isso. concretizada) é chamada de pendente. se houve algum pagamento em dinheiro e a condição não foi implementada. extingue). Lembrando: resolver = extinguir. mas se resolve com a ocorrência da condição. não se terá adquirido o direito a que o negócio visa (art. Pelo art. CC esta extinção do direito. Mas estas somente terão validade se não forem incompatíveis com a condição original. Verificada a condição. • Condição resolutiva: propicia a aquisição e o exercício de um direito desde a celebração do negócio até que ocorra o implemento do evento futuro e incerto. Ex. Antes do implemento da condição. Somente com o implemento da condição aperfeiçoa-se o ato negocial de forma retroativa. Prof. É interessante esclarecer que pelo art.. Ex. Esta venda é considerada nula. sejam feitas novas disposições. você perde esta renda. eu não preciso entregar o bem. desde a celebração (efeito ex tunc – falarei mais sobre esta expressão adiante). Outro exemplo: empresto-lhe uma casa para você nela residir enquanto for solteiro. 125. Enquanto a condição não se realizar. Diferença básica. enquanto a condição não for verificada (realizada. Condição Suspensiva X Condição Resolutiva • Condição suspensiva: subordina a aquisição do direito ao implemento (ocorrência) de um evento futuro e incerto. se você passar no concurso. Enquanto a condição não se verificar. a condição deve ser implementada para que o negócio jurídico tenha eficácia. não atinge os atos já praticados. CC): é a condição que subordina à ineficácia do negócio jurídico a um evento futuro e incerto.: “A” doa a “B” um objeto sob uma condição suspensiva. como regra. não há direito adquirido. 128. “B” vende o bem a “C”. enquanto você não ganhar. extingue-se o direito para todos os efeitos. Isto quer dizer que no dia em que você se casar perderá o direito de usar a casa. vigorará o negócio jurídico. exceto nos contratos reais (que necessitam da entrega da coisa ou do registro do contrato). b) Resolutiva (art. eu lhe darei um carro. 126. Reforço: enquanto não implementada a condição suspensiva o negócio ainda não produz direito e obrigações recíprocos. pois a condição suspende a doação. A eficácia do ato se opera desde logo (chamamos isso de entabulamento). há apenas uma expectativa de direito.br 44 . CC).. o cumprimento (ou a ocorrência) da condição é chamado de implemento. ou seja. Lauro Escobar www. na pendência de uma condição suspensiva. 127. quando a condição não é realizada chamamos de frustração Pendente a condição.: deixo-lhe uma renda enquanto você estudar (se você parar de estudar. mas uma simples expectativa de direito ou um direito eventual. “B” não poderia vender este bem antes da ocorrência da condição. é possível a devolução deste dinheiro.pontodosconcursos. Ou seja.

122. Dou-lhe o dinheiro que você necessita sob a condição de formar sociedade com meu irmão (depende da vontade da pessoa e do meu irmão).. A doutrina costuma chamar esta cláusula de “si voluero” (se me aprouver).. mas o próprio sistema jurídico a admite. ou se eu quiser. ou se eu vestir determinada roupa.. o negócio vigora normalmente. Por este motivo a cláusula é válida (ao contrário da puramente potestativa em que decorre da vontade exclusiva. O exemplo clássico é o art. Ex. 49 do Código de Defesa do Consumidor. produzindo seus efeitos e exercendo-se os direitos estabelecidos por ele (art...: eu lhe darei um carro se eu levantar o braço.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR Enquanto a condição não se realizar. Lauro Escobar www. Ex.: eu lhe darei uma joia se você cantar bem (não basta cantar. pois depende outros fatores externos.br 45 . Assim. c) Mista: deriva da vontade da parte e de uma terceira pessoa. Um dos contratantes tem poder sobre a ocorrência do evento. segundo um critério exclusivo de sua conveniência. Ex. do puro arbítrio de uma das partes). ou seja. impossibilitando a escalada (que anteriormente seria possível). mas não um poder absoluto. de um acontecimento fortuito. CC). decorre da vontade absoluta de uma das partes.. Observações 01) Existem situações em nosso Direito que aparentemente é condição puramente potestativa.com. de fato alheio à vontade das partes. Subdivide-se em: • Puramente potestativa: são aquelas que sujeitam todo o efeito do negócio ao capricho ou puro arbítrio do proponente. ou se você passar num concurso (não basta se inscrever. b) Potestativa: se decorrer da vontade (ou do poder) de uma das partes. 2. Prof. que estabelece o chamado “prazo para reflexão”: prazo de sete dias para ver se o consumidor gosta ou não do produto. • Meramente (ou simplesmente) potestativa: são aquelas que dependem da manifestação de vontade de uma das parte e de um fator externo. antes de realizar a condição a pessoa quebra a perna. A condição meramente potestativa pode-se tornar promíscua.. deve passar. etc. São proibidas pelo nosso Direito: art.). Ex. quando inesperadamente ocorrer algum problema (anteriormente inexistente) que a torne inexequível.. 127. exige-se a obtenção de tempo e de dinheiro para isso).: eu lhe darei um anel de brilhantes se chover amanhã. CC. exige-se uma atuação especial do sujeito. deve cantar bem.pontodosconcursos.). QUANTO À PARTICIPAÇÃO DOS SUJEITOS a) Casual: se depender do acaso. independente de qualquer fator externo.: dou-lhe uma importância em dinheiro se você escalar determinada montanha. além da vontade. ou se você for à Paris (não basta só a vontade.

Prof.: eu lhe darei um carro se você renunciar à pensão alimentícia. à moral e aos bons costumes. 123.: eu lhe darei um carro se você filtrar toda a água do mar) → invalida (nulidade absoluta) o negócio jurídico. ou seja. etc. Importante Invalidam os negócios jurídicos as condições físicas e juridicamente impossíveis. É o que dispõe o art. 124. QUANTO À LICITUDE a) Lícita: quando não for contrária à lei. pois como o evento nunca vai ocorrer (é impossível filtrar toda a água do mar).DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR 02) Pode haver uma combinação entre as espécies de condição. ou se você não se casar. CC. QUANTO À POSSIBILIDADE a) Física e juridicamente possível: é a que pode ser realizada conforme as leis físico-naturais e as normas jurídicas (não contrariam as leis da natureza e nem a norma jurídica. como a condição nunca irá se realizar (não há cavalo que galope a mais de 200 km/h). CC). mas se ele correr a uma velocidade acima dos 200 km/h a venda estará desfeita) → considera-se inexistente a condição (e não o negócio). o negócio não produzirá efeitos. I. a condição é permitida ou tolerada em nosso direito.: dou-lhe uma importância em dinheiro se você não usar qualquer aparelho auxiliar para ir às profundezas do oceano).: eu lhe darei uma joia se você me deixar viver em adultério. faço um contrato de herança de pessoa viva). nem nele morar).: eu lhe darei um carro se você filtrar toda a água do mar.: dou-lhe um cavalo.pontodosconcursos. pela ordem pública. nosso direito considera inexistentes as condições impossíveis quando forem resolutivas (art. Ex. Isto porque não haveria seriedade na proposta. ou capturar vivo um dragão.) ou à ordem legal (ex.: a condição pode ser suspensiva e casual ao mesmo tempo. Também resolutiva e casual ou resolutiva e potestativa. • Condição resolutiva impossível (ex. A condição que viola meu direito de ir e vir também é considerada ilícita. o negócio (doação) continuará produzindo efeitos. etc. 122.com. a ordem pública e os bons costumes). Ex. ou seja. mas você não poderá alugá-lo. ou se você mudar de religião.: eu lhe vendo um apartamento.br 46 . ou se você furtar alguns documentos. Além disso. Nosso direito considera ilícita a condição perplexa. b) Ilícita: quando for condenada pela norma jurídica. 3. CC) e também as de não fazer coisa impossível (ex. primeira parte. Assim: • Condição suspensiva impossível (ex. 4. perplexo e privando o ato de todo efeito (ex. bem como a puramente potestativa (já vista acima). a que é contraditória em seus próprios termos. b) Física e juridicamente impossível: é a que não se pode efetivar por ser contrária à natureza (ex. Lauro Escobar www. quando suspensivas (art. pela moral e pelos bons costumes. ou suspensiva e potestativa. deixando o intérprete confuso.

CC) Termo é a cláusula contratual acessória que subordina os efeitos do negócio jurídico a um acontecimento futuro e certo. desde que você aceite não receber pensão alimentícia ou renuncie o direito de eventual herança). intencionalmente) na ocorrência do evento. não sendo aceita por todos. se a outra parte aprisiona o motorista para que ele não chegue no horário previsto. pois são ligados a uma norma de direito público.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR Cuidado!! Invalidam o negócio jurídico as condições ilícitas ou de fazer coisa ilícita (conforme o art. Lauro Escobar www. Se um dos contratantes interferir (dolosamente. Porém pode haver para que se siga uma certa profissão (ex.: eu lhe darei uma casa se você se mudar da capital do Estado). • profissão: não pode haver condição para que não se exerça determinada profissão. 131/135. Observação. desde que você não se case).pontodosconcursos. Porém ela até pode ser aceita se for elaborada da seguinte maneira: eu lhe darei um apartamento se você não se casar com Paulo. sem nenhuma condição. B) TERMO (arts. sendo. É importante salientar que há condições que não são aceitas pelo nosso Direito. • exílio: não se pode proibir que uma pessoa more em uma cidade ou que ela tenha morada perpétua em outro lugar. II. eu lhe darei meu anel de grau).br 47 .: eu o reconheço como meu filho. ainda causa muita polêmica. cogente. fora de uma capital (ex. CC). 129. por tal motivo. subordinando-se a Prof. Ou eu lhe darei uma casa se você casar com Leandro.com. • aceitação ou renúncia de herança: este ato deve ser puro e simples. CC). ou emancipação (eu emancipo você. Estes atos geralmente estão presentes no Direito de Família e Sucessões e são chamados de atos puros. • religião: a condição para mudança de religião atenta contra a liberdade de consciência assegurada pela nossa Constituição. Ex. É preciso que não haja interferência maliciosa de qualquer dos interessados no desfecho da situação prevista. a penalidade é a de que se considere realizado o fato no sentido oposto daquele pretendido pelo agente malicioso (art. Quanto à condição da obrigatoriedade de permanecer em estado de viuvez.: eu lhe darei determinada importância em dinheiro se o motorista chegar ao local combinado até o meio dia. pois a mesma foi maliciosamente obstada pela parte contrária. proibida. Exemplos: • condição de não se casar: não é admissível uma condição proibindo o casamento. • reconhecimento de filho ou emancipação: também não pode haver qualquer condição para se reconhecer um filho (ex. Porém nada impede de se pactuar a condição de que a pessoa vá residir em outro lugar. Alguns atos que não admitem condição. 123.: se você se formar em Direito. Trata-se do dia em que começa e/ou extingue a eficácia do negócio jurídico. reputa-se verificada a condição. para que ele se realize ou não se realize.

reconhecimento de filhos. O termo inicial não suspende a aquisição do direito.). vigorará plenamente e seu titular poderá exercer todos os direitos dele provenientes. impedindo-se a sua aquisição). emancipação. mas só se torna exercitável com a superveniência do termo. ou no dia de “São Nunca”. extinguindo as obrigações dele oriundas (ex. etc. sendo que o titular do direito pode praticar atos conservatórios. subordinado a um termo final. desde já. No termo inicial já há o direito adquirido (diferentemente da condição suspensiva onde há uma mera expectativa de direito. a sua nulidade.: a locação terá início dentro de dois meses. Ex. mas que ainda não são exigíveis. Lauro Escobar www. Futuridade: fato presente ou passado não caracteriza o termo.br 48 .com. No entanto a classificação mais importante para efeito de concursos é a divisão em: a) Termo Inicial ou Suspensivo (dies a quo): quando fixa o momento em que a eficácia do negócio deve ter inicio. A doutrina ainda menciona o termo de graça. alguns negócios não admitem o termo (ex. Espécies de termo Há varias espécies de termo: convencional (estabelecido pelas partes).: aceitação ou renúncia de herança. Observação: se o termo inicial for impossível. Em outras palavras: O termo suspende o exercício. Com a chegada do termo final não se destrói o negócio.: eu lhe darei um carro no dia 31 de fevereiro.).: uma cláusula que diga que a locação se findará no prazo de 30 meses). O exercício do direito fica suspenso até o instante em que o acontecimento futuro e certo previsto ocorrer. direitos e obrigações recíprocos. b) Termo Final ou Resolutivo (dies ad quem ou ad diem): é aquele que determina a data da cessação dos efeitos do negócio jurídico. Antes de chegar o dia estipulado para seu vencimento. Prof. demonstra que não há uma vontade real de criar a obrigação. Assim como na condição. CC). de direito (decorre da lei). ainda que ignorado pelas partes. 131. de graça (dilação de prazo concedida pelo devedor). portanto. que surge imediatamente. o negócio.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR um evento futuro e certo (embora a data deste evento possa ser determinada ou indeterminada). etc. que seria o termo judicial. mas não a aquisição do direito (art. etc. aquele que é fixado pelo Juiz em sua sentença. Assim. Não confundir termo com condição suspensiva. apenas lhe retira a eficácia.pontodosconcursos. eu lhe darei um carro no Natal deste ano. Requisitos para a configuração do termo: Certeza quanto à ocorrência do fato: por este motivo não suspende a aquisição do direito. gerando. retardando o exercício do direito (ex. celebrado o negócio as partes têm.

Não existe o dia 31 de junho. Prazo é o lapso de tempo compreendido entre a declaração de vontade e a superveniência do termo em que começa o exercício do direito ou extingue o direito até então vigente. se faltar exata correspondência.br 49 . pouco importando que ele tenha 29 ou 31 dias. É contado por unidade de tempo (hora. prorroga-se até o primeiro dia útil subsequente. Eu que o evento vai ocorrer. Ou seja. pois vai chover. Já o termo se vincula a um evento futuro e certo. etc. • Prazo fixado em hora é contado de minuto a minuto. No ano seguinte não haverá o dia 29 de fevereiro. d) Data indeterminada (termo incerto): se se referir a um acontecimento futuro. Além de suspender o exercício do direito.pontodosconcursos. ela suspende também sua aquisição. isto deve ser entendido como sendo o seu 15° dia. CC). 132. CC): • Se o vencimento se der em feriado ou domingo. no entanto o prazo é indeterminado. pois não sei quando virá essa primeira chuva).: fiz um contrato de ano no dia 29 de fevereiro (ano bissexto). Arrendo suas terras após a primeira chuva do ano (o evento é certo.: eu lhe darei um imóvel quando fulano falecer. Para resolver algumas questões relativas ao prazo. O termo ainda pode ser classificado em: c) Data determinada (termo certo): quando estabelece uma data determinada do calendário. Não confundir também termo com prazo. • Os prazos de meses e anos expiram no dia de igual número do de início. • Nos testamentos presumem-se os prazos em favor do herdeiro. O evento é certo e eu sei o dia em que ele vai ocorrer. Ex. Ex. • Se o termo vencer em “meados” de um mês. qualquer que seja o mês. 132. Outro exemplo: fiz um contrato de mês no dia 31 de maio. Prof.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR A condição suspensiva trata de evento futuro e incerto.: prazo de mês estabelecido no dia 10 de abril se expira no dia 10 de maio. alugo uma roupa para ser usada no dia do seu casamento.com. o evento é futuro e certo (pois a morte é sempre certa). apenas adia o seu exercício. porém a data é incerta. Logo o vencimento recairá no dia 1° de março. No entanto há a ressalva: quando não há a exata correspondência no ano ou mês posterior. Não suspende a aquisição do direito.: a locação terá início no dia 1° de janeiro do próximo ano. salvo disposição legal ou convencional em contrário (art. etc. Lauro Escobar www. o Código Civil apresenta as seguintes regras (arts. Ex. dia. Ex. prazo é o intervalo entre o termo inicial e o termo final. mês e ano). Portanto o prazo recairá no dia 1° de julho. mas não sei exatamente quando. mas com uma data incerta. ou no imediato. excluindo-se o dia do começo (dies a quo) e incluindo-se o dia do vencimento (dies ad quem). 133 e 134.

como aceitação ou renúncia de herança. Na realidade é uma limitação trazida a uma liberalidade. CC) Encargo (também chamado de modo) é a cláusula acessória. ou de ambos os contratantes). recompensa-se bem”). como por exemplo.: o termo pode ser inicial e certo ao mesmo tempo. onde não foi estabelecido um prazo. Lauro Escobar www. Um exemplo muito comum. Trata-se.: doação) ou causa mortis (ex. posso exigir o seu cumprimento por meio de uma ação judicial específica. geralmente. de uma obrigação de fazer. O pagamento destas despesas trata-se de um encargo.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR • Nos contratos. legado). Alguns atos também não admitem termo. este poderá pagar o débito antes do vencimento. mas sem caráter de contraprestação exata. reconhecimento de filho. Observação a exemplo da condição.br 50 . na promessa de recompensa (“perdeu-se cachorrinho.: deixo você morar de graça em meu apartamento (se eu cobrar por isso. Porém eu posso colocar um encargo. adoção.. final e certo. E isso irá depender da natureza do negócio. Observem que o benefício vem acompanhado de um encargo.pontodosconcursos. caso o encargo não seja cumprido. dou-lhe dois terrenos desde que em um deles seja construída uma escola. Este é um contrato de empréstimo de coisa infungível (que não pode ser substituída por outra igual). C) ENCARGO OU MODO (arts.: dou um terreno à municipalidade para que nele seja edificado um hospital. que não irá retirar a natureza gratuita do comodato. inclusive em nossa vida particular é o comodato. o mesmo pode ser executado desde logo. emancipação. Sendo estabelecido em favor do devedor. A doutrina entende que a expressão “desde logo” não deve ser entendida “ao pé da letra”. final e incerto. do lugar onde a obrigação será cumprida (pode ser em lugar distante do local da celebração do negócio) ou mesmo de suas circunstâncias. aparece em atos de liberalidade inter vivos (ex. presumem-se em favor do devedor (salvo se do teor do instrumento ou das circunstâncias resultar que se estabeleceu em benefício do credor. etc.: herança. impondo um ônus ou uma obrigação à pessoa (natural ou jurídica) contemplada pelos referidos atos. • Nos negócios jurídicos entre vivos. que em regra. pois não estará havendo uma contraprestação. Também poderá ser instituído nas declarações unilaterais de vontade. etc. pois às vezes é necessário que haja um certo tempo (por menor que seja) para que a prestação seja cumprida. como sinônimo de imediatamente. Ex.. Ex. mesmo contra a vontade do credor (ainda que este não possa exigir o pagamento antes do vencimento). Por isso. Ex. Prof. No entanto eu posso colocar o seguinte encargo: desde que você pague o condomínio e o IPTU. Uma característica do encargo é a sua obrigatoriedade. É um contrato gratuito.com. também é possível haver uma combinação entre todas as espécies de termo. deixa de ser um comodato e passa a ser locação). inicial e incerto. Simplificando: é um ônus que se atrela a uma liberalidade. 136 e 137. O encargo deve ser sempre menor que o benefício concedido.

como isso é impossível. Isto porque não há uma ligação entre aceitar a doação e reconhecer o filho. sempre um 2. Costumo fornecer um quadrinho que realça as diferenças entre os institutos vistos. Enquanto não 2. CONDIÇÃO SUSPENSIVA 1. termo e encargo). Assim. exercício. A cláusula é tida como não escrita. Outro exemplo: eu lhe dou uma casa com o encargo de se construir uma escada até o céu. Às vezes as diferenças são muito sutis e o examinador aproveita esse fato para confundir o candidato.pontodosconcursos. não se adquire apenas se retarda o seu aquisição nem o exercício o direito a que o ato visa. Impõe ônus. Evento incerto. a propriedade se transmite de imediato. se uma pessoa receber o terreno para a construção de uma creche. com a obrigação de cumprir o encargo. No entanto o dispositivo contém uma ressalva: salvo se o encargo se constituir no motivo determinante da liberalidade. Ex.: aberta a sucessão o domínio e a posse dos bens transmitem-se desde logo aos herdeiros nomeados. se este não for cumprido a liberalidade será revogada. Observem que nesta hipótese a casa (objeto da doação) possui uma ligação imediata com o encargo (manutenção como depósito de entorpecente). Já se adquire o direito. Ora. Portanto se Pedro aceitar a doação e depois não assumir a paternidade. mantém a validade do negócio. Se o objeto do encargo for ilícito ou impossível. No entanto não há uma ligação entre o encargo (assumir a filiação) e a doação em si. Concluindo: devemos analisar cada caso em concreto se o encargo é o motivo principal ou secundário do negócio. facilitando o estudo. Por isso o efeito é a nulidade total do negócio jurídico.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR O art. CC.com. vale a doação pura e simples. Se for principal (razão determinante da liberalidade) ocorre a invalidade de todo negócio. Não se suspende a verificada. Exemplo: eu dou um terreno a Pedro desde que ele assuma a paternidade de um filho que eu tive fora do casamento. o negócio valeu. pois a construção da creche não suspende a aquisição do direito (a propriedade do terreno). Atenção Não confundir as três espécies de elementos acidentais (condição.: eu lhe dou uma casa. Ex. 2. no entanto esta deve ser mantida como depósito de entorpecente. futuro TERMO e 1. 136. como se não houvesse o encargo. 137. libertando o negócio jurídico de qualquer restrição e ele vale normalmente (como se fosse uma doação pura e simples). Interessante a análise do art. se for secundário. Esta cláusula seria juridicamente impossível. CC dispõe que o encargo não suspende a aquisição nem o exercício do direito (salvo quando expressamente imposto no negócio). ENCARGO 1. é tido como não escrito.br 51 . Lauro Escobar www. Evento futuro e certo. do direito. Prof.

Pode ser aplicada a 4.: compra e venda na qual não se estipulou preço. No final deste tema fornecerei um quadro comparativo entre ambos (ato nulo e anulável). 4. herança. Pode ser aplicada a 4. Emprego das locuções: para que. 3. atos de liberalidade (doação. INVALIDADE DO NEGÓCIO JURÍDICO Vimos até agora os elementos constitutivos do negócio jurídico (essenciais. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.br 52 . porque o ato jamais chegou a existir (não se invalida aquilo que não existe). a lei civil impõe que sejam observados determinados preceitos. Ex. B) NULIDADE De uma forma ampla nulidade é a sanção imposta pela lei que determina a privação de efeitos jurídicos do ato negocial. os atos praticados pelas partes podem não produzir os efeitos desejados. Para que se possa declarar um negócio jurídico nulo ou anulável. Costuma-se dizer: “ato inexistente é o nada no mundo jurídico”. a fim de que. praticado em desobediência ao que ela prescreve. Em alguns casos. Duas são as espécies de nulidades: nulidade absoluta e nulidade relativa (ou anulabilidade). com a obrigação de. Não é necessária a declaração da ineficácia por decisão judicial. Emprego da conjunção 3. A partir daqui veremos o que causa a invalidade do negócio jurídico. Para a realização de um ato jurídico. Emprego da conjunção se (eu lhe darei isso. posto que realizados em desacordo com o ordenamento jurídico. ou não se identificou o comprador ou o vendedor.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR 3. isso quando você fizer 18 anos). é preciso que ele ao menos tenha entrado (embora com vícios) no mundo jurídico para surtir os efeitos manifestados. Vejamos: A) ATO INEXISTENTE Ocorre quando falta algum elemento estrutural ao negócio. Prof. Aplica-se somente a quaisquer atos. naturais e acidentais). quaisquer atos. ou simplesmente não há objeto. se quando (eu lhe darei você fizer aquilo). Segundo a doutrina tradicional a expressão invalidade (ou ineficácia) é empregada para designar o negócio que não produziu os efeitos desejados pelas partes. O grau de invalidade do negócio depende da natureza da norma ofendida. é inidôneo à produção de qualquer efeito jurídico. mas. ou praticado com coação física.com. etc. Ambas pressupõem previsão legal e prejuízo. O vício é tão sério que o ato é considerado como inexistente. etc.). etc.

• não se revestir da forma prescrita em lei (ex. CC): • praticados por absolutamente incapaz (ex. O negócio jurídico nulo não é suscetível de confirmação (exceção feita à hipótese do art. o que prescrevem são os eventuais efeitos patrimoniais decorrentes dessa declaração. Ainda que passado muito tempo e o menor se torne maior. É interessante deixar claro que se um contrato foi assinado por um menor de 16 anos. CC).: casamento de pai com filha adotiva. Em outras palavras: a declaração de nulidade não prescreve.com. • o negócio jurídico for simulado (art. de ofício (sem que haja uma provocação específica). cláusula que permite ao credor ficar com o imóvel hipotecado. Há um interesse social para que se prive o negócio de seus efeitos. etc. etc. venda de um carro roubado. CC). não lhe sendo permitido supri-las. não se convalidando pelo tempo. que veremos mais adiante: conversão). porém os efeitos patrimoniais prescrevem. 167.br 53 .DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR 1. Ou seja. o Juiz somente declara o ato nulo. O ato é absolutamente inválido.: pacto antenupcial feito por contrato particular. Efeitos ex tunc (natureza declaratória). que veremos mais adiante.). este contrato será nulo.). 169. impossível ou indeterminável o seu objeto (ex. CC. • o motivo determinante. • for preterida solenidade que a lei considere essencial para sua validade (ex.pontodosconcursos. NULIDADE ABSOLUTA (ato nulo): é mais grave. • tiver por objeto fraudar lei imperativa. São nulos os negócios quando (art. CC).). • for ilícito.: contrato para fazer uma viagem até a estrela Alfa-Centauro. 170. ainda que a requerimento das partes (art. quando lhe couber intervir (art. testamento feito de forma verbal. o advento da maioridade não faz o contrato se convalescer. Características das nulidades absolutas Podem ser alegadas (por meio de ação declaratória) por qualquer interessado. nem se convalesce pelo decurso de tempo (art. Lauro Escobar www. 168. o negócio nulo é imprescritível. Devem ser pronunciadas pelo Juiz. compra e venda de imóvel sem fazer a escritura. ou pelo Ministério Público. etc. pois já nasce nulo. enfermo mental interditado. 168. comum a ambas as partes for ilícito.). o ato continua sendo nulo. • a lei taxativamente o declarar nulo ou lhe negar efeito (ex. etc. Prof. pois o ato não produz qualquer efeito.: testamento realizado sem testemunhas. por ofender princípios de ordem pública. etc. 166.: venda realizada por menor de 16 anos. não precisa ser anulado. parágrafo único.). quando conhecer do negócio jurídico ou dos seus efeitos e as encontrar provadas. CC): pessoa finge vender uma casa a terceiro somente com o objetivo de facilitar o despejo do inquilino (na verdade não houve intenção de praticar negócio algum).

será validado se este a der posteriormente (art. 182. pois o próprio decurso de tempo convalidará o negócio. b) confirmar ou sanar o vício (evitando-se o seu desfazimento). 184. ou seja. c) deixar que continue a produzir seus efeitos normalmente. sem a devida assistência de seus representantes legais (ex. e. Efeitos ex nunc. tendo em vista uma situação particular (ex.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR 2. CC). Neste caso a lei oferece aos interessados as seguintes alternativas: a) de requerer a anulação do ato.: venda feita por pródigo sem ser assistido). Somente os interessados a podem alegar. CC: É anulável a venda de ascendente para descendente. O negócio anulável pode ser confirmado pelas partes. e aproveita exclusivamente aos que a alegarem. A anulabilidade não tem efeito antes de julgada por sentença. 175. Características O Juiz não pode pronunciar (reconhecer) a anulação de ofício. importa a extinção de todas as ações. serão indenizadas com o equivalente (art. ou exceções. O ato anulável prende-se a uma desconformidade que a norma considera menos grave. o ato de confirmação deve conter a substância do negócio celebrado e a vontade expressa de mantê-lo (art. provocando uma reação menos extrema. só atinge os atos após a declaração de anulação (art. mas a destas não induz a da obrigação principal (art. estado de perigo ou fraude contra credores (ex. 173. dolo.). Enquanto não for declarado como tal pelo Juiz. • por vício resultante de erro. CC). 177. não sendo possível restituí-las. NULIDADE RELATIVA (anulabilidade do ato): quando a ofensa não atinge de forma direta o interesse social. coação.: art. CC). de que contra ele dispusesse o devedor (art. 177). 183. restituir-se-ão as partes ao estado em que antes dele se achavam. ou seja. a invalidade parcial de um negócio jurídico não o prejudicará na parte válida. lesão. A invalidade da obrigação principal implica a das obrigações acessórias. A invalidade do instrumento não induz a do negócio jurídico sempre que este puder ser provado por outro meio (art. se esta for separável. A confirmação expressa.: venda sob coação moral. CC). salvo Prof. casados sob o regime em comunhão universal de bens). 176. São anuláveis os negócios (art. • se a lei assim o declarar. uma ação anulatória proposta pelo legítimo interessado. salvo direito de terceiro (art. salvo o caso de solidariedade ou indivisibilidade (art. CC). produz efeitos normalmente. exige-se uma provocação.: venda de imóvel sem outorga do outro cônjuge. 172. 171. Anulado o negócio jurídico. Quando a anulabilidade do ato resultar da falta de autorização de terceiro. • por falta de legitimação (ex. CC). 496.com. etc. CC). CC): • por incapacidade relativa do agente. Respeitada a intenção das partes. Lauro Escobar www. pois viola preceitos individuais.br 54 . CC). mas sim o interesse particular de pessoas. com erro essencial. ou a execução voluntária de negócio anulável.pontodosconcursos.

Tácita (art. CC). mas não prevê o prazo para se requerer a anulação. deve ser a mesma clara e precisa. Pode se dar de forma expressa ou tácita. até dois anos depois de dissolvida a sociedade conjugal). a contar da conclusão do ato (art. mas esta não traduz a verdadeira intenção do agente ou persegue resultado contrário às determinações legais. do dia em que ela cessar. Reparem que o dispositivo diz que o ato é anulável. CC): quando o devedor. Prazo Decadencial Nos termos do art. Expressa (art.: coação física). 496. a) Absoluta (ato nulo): vício mais grave. 173. para que não paire qualquer dúvida a respeito. por força do art. 2. fraude contra credores. 178. entende a doutrina que os efeitos da convalescença do negócio são retroativos (ex tunc). b) no de erro. Ele prevê que é anulável a venda de ascendente a descendente. convalidação e prescrição. 550. cumpriu Prof. CC: É anulável a doação do cônjuge adúltero ao seu cúmplice de adultério pelo outro cônjuge ou seus herdeiros. Portanto. dolo. 533. II. CC). 174. CC): o ato de confirmação deve conter a substância da obrigação confirmada e a vontade expressa de confirmá-la. Embora o atual Código não seja explícito. do dia em que cessar a incapacidade. Resumindo 1. Convalescença do Ato Anulável Segundo a doutrina (não há unanimidade quanto a terminologia) a convalescença pode ocorrer de três formas: confirmação (ou ratificação). Ex. Inexistência do Ato: não há vontade. Conta-se esse prazo: a) no caso de coação (moral). CC. mesmo ciente do vício que poderia anular o negócio.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR se os outros descendentes e o cônjuge do alienante expressamente houverem consentido. 179. CC. entende-se que este prazo é de dois anos.: observem o art. CC (que trata da troca ou permuta). É importante salientar que quando a lei dispuser que determinado ato é anulável. o negócio jurídico não chega a se formar por faltar-lhe elemento constitutivo essencial (ex. CC é de quatro anos o prazo de decadência para pleitear-se a anulação do negócio jurídico. 179.com.pontodosconcursos. Lauro Escobar www. 172. este prazo será de dois anos. • Confirmação (ou ratificação): consiste na renúncia ao direito de alegar a anulabilidade. pois decorre de violação de interesses privados. Outro exemplo: art. do dia em que se realizou o negócio jurídico. c) no de atos de incapazes. pois decorre de ofensa a preceitos de ordem pública. salvo se os outros descendentes e o cônjuge do alienante expressamente houverem consentido. Vejamos. b) Relativa (ato anulável): vício menos grave. Nulidade: há uma declaração de vontade. sem estabelecer um prazo para pleitear-se essa anulação. estado de perigo ou lesão. Logo. salvo direito de terceiros (art. art.br 55 .

como se ele não tivesse existido. CC.)”. sana o vício e convalida o negócio. CC). II. A confirmação (expressa ou tácita) implica em renúncia a todas eventuais ações judiciais. alcançando situações já Prof. tunc – trás. como em todos os ramos do Direito. superado este prazo o defeito não poderá ser mais alegado e o negócio se convalesce. Vejamos. ou seja. reforçando o que já falamos: “A anulabilidade não tem efeito antes de julgada por sentença. 177. queremos dizer que os efeitos decorrentes serão daqui para frente. sob pena de decadência. Gráfico das Diferenças Ato Nulo Ato Anulável Efeitos ex tunc A decisão que declara a nulidade retroage à data da celebração do negócio nulo..: o ato foi praticado mediante erro essencial sobre o objeto.pontodosconcursos. Matéria de ordem privada. Ex. 178. muita atenção. os efeitos da declaração da nulidade do ato retroagem à data da sua celebração. Elas são muito importantes. de agora em diante).com. No entanto. Portanto quando dizemos que algo tem efeito ex nunc. vai para trás). (lembrem-se do macete: ex tunc – tudo. cuidado: nunc não significa nunca. Esta expressão também pode se referir a uma cláusula que admite a retroatividade da lei. Quando se anula um negócio jurídico os efeitos dessa anulação iniciam-se a partir dessa declaração de anulabilidade (em outras palavras: os efeitos não retroagem). Para ajudar a fixação desta expressão. desde aquele momento. aquilo cuja ausência importava na anulabilidade do contrato passa a se fazer presente. Efeito erga omnes (contra todos).: uma venda realizada por relativamente incapaz foi efetivada sem a assinatura de seu assistente.br 56 . assinando o instrumento. a posterior anuência dele. no momento presente (portanto. Efeitos ex nunc A decisão de anulabilidade opera efeitos a partir da anulação. Vejamos o que diz o art. A dica é só para ajudar uma melhor associação. Portanto. há um “macete” muito usado pelos professores: ex nunc (não retroage) = a expressão nunc “lembra” nunca. desde agora.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR voluntariamente a obrigação (art. Lauro Escobar www. • Convalidação: consiste no advento de requisito faltante à formação do contrato anulável. • Prescrição ou decadência: houve o transcurso de tempo superior ao previsto em lei. Nunc significa agora. Efeitos somente entre as partes contratantes. EX TUNC  Significa “desde então”. Matéria de ordem pública. determina o art. Percebam as duas expressões em latim (ex tunc e ex nunc). Ex. 174. (. Não só no Direito Civil. CC que este defeito deve ser alegado no prazo de quatro anos.. Já vi estas expressões caírem em quase todas as matérias. EX NUNC  Significa “de agora em diante”. Ou seja.

sempre que possível. se esta puder existir autonomamente (art. Ex. Prof. se for destacável. CC). 02) A teoria das nulidades sofre algumas exceções no que diz respeito ao casamento. ainda que um casamento considerado nulo. Ex. anulado um negócio jurídico as partes serão restituídas ao estado em que se encontravam antes do negócio (status quo ante). em que o Juiz afasta uma cláusula invalida do contrato. • A nulidade da obrigação principal implica a nulidade das acessórias. • A nulidade relativa do instrumento não induz à do ato se este puder ser provado por outro meio (art. Se for um bem imóvel o registro imobiliário deve ser cancelado. mesmo que viciado um contrato. ou seja. 182. CC. Implica na anulação do ato alcançado por seus efeitos.: nulidade de cláusula onde se estabelece a locação residencial porque o locatário é menor invalida todas as outras cláusulas. Observações 01) Sendo o negócio jurídico nulo ou anulável é imprescindível a manifestação do Poder Judiciário a esse respeito. Regras comuns à nulidade e à anulabilidade • Pelo art.: anulada a compra e venda de um relógio.com. como o objeto do negócio (o relógio). • A nulidade (absoluta ou relativa) pode ser total (atingindo todo o negócio jurídico) ou parcial (afeta somente parte do negócio). oponível a todos. tanto a importância em dinheiro eventualmente entregue. anulável ou se ele é válido.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR consolidadas sob o império de lei anterior. 183. este pode ser provado de outras maneiras. dependendo da situação em concreto. A nulidade parcial de um ato não prejudicará a parte válida do negócio. devem ser devolvidos às partes. Portanto. Já a nulidade no contrato de fiança não atinge o contrato de locação. extensível a todos. Mas o contrário não. 184.: anulação do contrato de locação não anula a própria locação. ERGA OMNES  é uma expressão latina que significa: contra todos.pontodosconcursos. é o Juiz quem irá declarar se o ato é nulo. Lauro Escobar www. Ou seja. Por esse princípio o Juiz. pode gerar efeitos em algumas situações especiais (especialmente em relação à filiação e ao cônjuge inocente). CC). o que é válido em relação a todos.br 57 . Ou seja. inclusive a fiança. mas mantém o restante da avença (nulidade da cláusula de fiança não anula todo o contrato de locação). o lesado será indenizado com o valor equivalente à coisa. Ex. propriamente dito. esta pode ser provada por meio de recibos e testemunhas. deve conservar ou manter o negócio impugnado por invalidade. Isso não sendo possível (a coisa não mais existe ou é inviável a reconstituição da situação anterior).: “redução do negócio jurídico. Trata-se da aplicação do princípio da conservação do negócio jurídico. Ex.

etc. CC) ou tácita (art. art. Elementos: a) prática de negócio nulo. afeta apenas as pessoas que o alegaram.pontodosconcursos. c) o negócio contém os requisitos necessários de outro negócio. opera-se de pleno direito. 3. negócios de fundo patrimonial. inclusive o Ministério Público quando lhe couber intervir. d) aproveitamento do material ou fático do negócio inválido. b) intenção das partes. Efeitos ex tunc (desde aquele momento). 1. a declaração de nulidade não prescreve (o que prescrevem são os efeitos patrimoniais decorrentes). ou seja. desde que não haja uma proibição expressa. 174.com. CC: 04 anos. Ora. é nulo. se houvessem previsto a nulidade”. 170.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR Quadro Comparativo Ato Nulo (nulidade absoluta) Ato Anulável (nulidade relativa – anulabilidade) 1. 4. O Juiz pode reconhecer de ofício. Prescreve em prazos mais ou menos exíguos ou em prazos decadenciais (art. 179. No entanto. Os efeitos se operam somente a partir da anulação. matéria de ordem privada. salvo nas hipóteses de indivisibilidade e solidariedade. Lauro Escobar www. Somente pode ser alegada pelo interessado (prejudicado) ou seus legítimos representantes. Admite-se a conversão. a convicção de que as partes teriam querido este novo contrato (em lugar do anterior) se houvessem previsto sua nulidade (elemento subjetivo). A declaração de nulidade retroage à data da celebração do negócio. ele pode saná-la. Efeitos ex nunc (de agora em diante). nem se convalesce pelo decurso do tempo. 5. 6. Efeitos inter partes. 178. vamos exemplificar bem. CC admite a conversão do negócio jurídico nulo (o Código somente se refere ao negócio nulo) em outro de natureza diferente: “Se o negócio jurídico nulo contiver requisitos de outro. esse negócio é nulo (nulidade absoluta). 173. CC: 02 anos). O vício pode ser sanado pela confirmação expressa (art. CC). pois Prof. 3. Pode ser arguida por qualquer interessado. O vício não pode ser sanado pela confirmação. 4. 2. 2. se alegada. Não retroage. Interesse da coletividade. subsistirá este quando o fim a que visavam as partes permitir supor que o teriam querido. Mas como seus elementos são idôneos para caracterizar outro negócio. CONVERSÃO DO NEGÓCIO NULO O art. Efeitos erga omnes (extensíveis a todos). Interesse do prejudicado. Como essa matéria é bem teórica. pode ocorrer a transformação. 6. Duas pessoas celebram um contrato de compra e venda de um imóvel por meio de um instrumento particular. Em regra. O Juiz não pode reconhecer de ofício. mas não pode supri-la. Observem: o negócio não pode prevalecer da forma como pretendida pelas partes. matéria de ordem pública.br 58 . Exceções: quando a lei assim o permitir. 5.

DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR a compra e venda de um imóvel exige instrumento público (e não particular). Prof. aplicando a teoria da conservação do negócio (pois visa a manutenção da vontade externada). admite-se. mediante atividade de requalificação do negócio jurídico: basta considerálo como sendo uma promessa de compra e venda (e não como um contrato de compra e venda propriamente dito). O prazo decadencial para pleitear-se a anulação do ato praticado com esta infringência é de 180 dias a contar da conclusão do negócio ou da cessação da incapacidade. são equiparados aos maiores.pontodosconcursos. deve conter todos os requisitos essenciais ao contrato a ser celebrado. sujeitos às normas da legislação especial”. CC). • Quanto aos atos ilícitos em que forem culpados. exceto quanto à forma. CF/88: “São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos. que no caso é a escritura pública (para imóveis com valor superior a 30 salários mínimos: art. O art. gerando efeitos. CC). Lauro Escobar www. CC). Resumindo: o contrato de compra e venda é nulo. etc. CC não exige as mesmas formalidades do contrato definitivo: o contrato preliminar. para a venda do bem o filho deve ser assistido por um curador especial. é possível salvar este negócio. pois a imputabilidade penal é com 18 anos. convalidação e prescrição ou decadência. 462. os menores entre 16 e 18 anos. Outros exemplos: uma nota promissória considerada nula (não respeitou requisitos de validade) pode ser aproveitada como confissão de dívida. Um negócio nulo.: pai e filho. Vamos deixar claro: somente se o ilícito for civil. no entanto. se soubessem da nulidade daquele que celebraram e que o negócio nulo tenha os elementos do outro negócio a ser convertido. querem vender imóvel que possuem em condomínio. a conversão (arts. • Os menores devem ser assistidos por curadores especiais quando intervierem em atos nos quais possa haver um conflito de interesse com seus representantes legais (art. como regra. não gera efeitos. No entanto é necessário que os contratantes queiram o outro contrato. porém a vontade das partes fica preservada convertendo-se a compra e venda em uma promessa de compra e venda. sendo que o negócio requalificado é considerado válido (o compromisso não exige a forma pública). a doação de um bem inalienável pode ser considerada como um usufruto. Ex.com. B) Ato Anulável: pode se convalescer pela: confirmação (ou ratificação). Neste caso. Reforçando Aproveitamento do Negócio Jurídico A) Ato Nulo: não pode ser confirmado e nem se convalesce pelo decurso de tempo. Obrigações Contraídas por Menores • As obrigações contraídas por menores entre 16 e 18 anos são anuláveis se contraídas sem assistência de seus representantes (os quais devem intervir pessoalmente nos atos). 119. este com 17 anos. Mas neste caso. isso não se aplica ao ilícito penal. 108. 169 e 170.br 59 . 228. A promessa é um compromisso bilateral de contrato ou um contrato preliminar. pois ‘pode’ haver um conflito de interesses entre o menor e seu pai. conforme o art.

No entanto ele pode estar implícito no item negócio jurídico. personagens históricos (Tiradentes.: datas históricas (natal. uma pessoa celebrou um contrato com um incapaz. de conhecimento de todos. legalmente. Exceto se a outra pessoa provar que a quantia reverteu em proveito dele mesmo (o menor). como os fatos notórios. alega ser incapaz. I e II. 181. Acionado. Exige-se a prova deste fato. se não provar que reverteu em proveito dele a importância paga (art. Tal argumento não será cabível. pagou a um incapaz.com. Para um processo a prova serve para estabelecer a verdade diante do Juiz. Ou seja. a existência de negócios jurídicos. Há um brocardo de diz: allegare nihil et allegatum et non probare paria sunt (nada alegar e alegar algo e não prová-lo se equivalem). se dolosamente a ocultou quando inquirido pela outra parte. Lauro Escobar www. invocando a sua idade. Passados alguns meses. que são os fatos da cultura geral. Pedro II).pontodosconcursos. 333. Porém. ano novo. Vamos a ela. a sua prova. pois é atribuição do Juiz conhecer e aplicar o Direito (iura novit curia). 180.. CC). ou se espontaneamente se declarou maior ao assumir a obrigação (art. Não basta alegar um fato. Prof. Esta é a regra → Código de Processo Civil – art. deixa de pagar o aluguel. Como se costuma dizer: “cautela e caldo de galinha não faz mal a ninguém”. CC). Se o autor alegar um fato. PROVA DO NEGÓCIO JURÍDICO O tema “prova do negócio jurídico” nem sempre está especificado nos editais. Pelo sim e pelo não vamos completar o tema e dar esta matéria. falsifica seu documento de identidade e se apresenta como maior. etc).br 60 . os dias da semana (depois da segunda-feira..). Para isso seria necessária a assistência de seus pais. mas nada provar. Ou seja. pode surgir a necessidade de prová-lo. PRINCÍPIOS • O ônus da prova incumbe a quem alega o fato e não a quem o contesta. As Ordenações do Reino (Filipinas) já mencionavam que “a prova é o farol que deve guiar o Juiz nas suas decisões sobre as questões de fato”. O incapaz não será obrigado a restituir eventual quantia paga. pois alguns fatos independem de prova. D. Ex. pois ele se apresentou como maior quando assumiu a obrigação. Prova é o conjunto de meios empregados para demonstrar. Este negócio foi anulado. por uma obrigação anulada. • Eu disse acima “como regra”. o examinador pode dizer que quando se referiu ao negócio jurídico englobou. Uma vez praticado determinado negócio jurídico. • Ninguém pode reclamar o que. também. etc. Até porque esta matéria não é muito extensa. vem terça-feira. Ex. Deve-se provar apenas o fato e não o direito a ser aplicado.: rapaz com 17 anos queria alugar um apartamento (seria inquilino).DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR • O menor entre 16 e 18 anos não pode eximir-se de uma obrigação ou requerer a anulação da mesma. o réu (como regra) será absolvido.

Mas isso não basta.). Também não se pode confessar a respeito de direitos indisponíveis. sua prova só poderá ser feita pela exibição do documento (ex. B) DOCUMENTOS (públicos ou particulares) As declarações constantes de documentos assinados presumem-se verdadeiros em relação aos signatários (art. uma procuração deve conferir poderes especiais para a confissão. exame médico para frequentar piscina. Ou seja. 214. traslado (cópia do que se encontra lançado em um livro ou em um processo).: cartas. Ex. Documentos públicos são os elaborados por autoridade pública no exercício de suas funções. etc. sobre os quais não há debate entre as partes. As partes concordam com os fatos. REQUISITOS.com. c) Concludente → apta a esclarecer pontos controvertidos ou confirmar as alegações feitas no processo. a prova pode ser feita por qualquer meio permitido pela ordem jurídica (até mesmo verbal). CC).: um fato foi alegado pelo autor e não foi contestado pelo réu. • Se. Vejamos: A) CONFISSÃO É o reconhecimento do fato pela parte que pratica o ato contrário a seu interesse e favorável ao adversário.: a compra e venda de imóveis só se prova pela escritura pública). A prova deve ser: a) Admissível → não proibida por lei e aplicável ao caso em análise. CC enumera de maneira exemplificativa (e não taxativa) quais são os meios de prova. Se o mandatário tiver apenas poderes de administração.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR • Também devem ser considerados verídicos os fatos incontroversos. Se a pessoa. Ou seja. mas pode ser anulada se for oriunda de erro de fato ou coação (art. não for a proprietária do imóvel vendido. Em regra só pode ser produzida por pessoa capaz e no gozo do direito que se discute.br 61 . O art. mesmo capaz. • Se o negócio for de forma livre (não solene). Ex. Prof. Lauro Escobar www. embora possam não concordar com o resultado jurídico deles. um menor de 16 anos não pode confessar sobre a propriedade de um imóvel.pontodosconcursos. 213. b) Pertinente → idônea para demonstrar os fatos relacionados com a questão que se discute. A confissão não valerá se foi feita por um só dos cônjuges quando o fato versar sobre bens imóveis. telegramas. não poderá confessar.: certidão (reprodução do que se encontra transcrito em determinado livro ou documento). Ela pode ser judicial ou extrajudicial (fora do processo). tornou-se incontroverso. somente será eficaz nos limites conferidos pelo representado. 212. não poderá confessar a irregularidade da venda (art. CC). CC). Se a confissão for feita por um representante. 219. Finalmente: a confissão é irrevogável. para a validade do negócio jurídico a lei exige forma especial. Particulares são os elaborados pelas pessoas em geral (ex.

sendo que o seu art. constantes de instrumentos particulares. perante outra. os documentos precisam ser registrados no registro público (Cartório de Títulos e Documentos). Não podem testemunhar os (art. preenchendo os respectivos pressupostos legais. d) deve ter capacidade jurídica para depor. A prova exclusivamente testemunhal somente será admitida em atos negociais cujo valor não ultrapasse o décuplo (dez vezes) do maior salário mínimo vigente no País no tempo da celebração e qualquer que seja o valor do contrato como complemento de prova documental (art. CC). não se admitindo o testemunho de pessoa jurídica. para atestar sobre sua existência. este passa a ser da substância do ato.pontodosconcursos. instrumento é uma espécie do gênero documento. Nas demais hipóteses ela é admitida como forma subsidiária ou complementar da prova por escrito. quando a ciência do fato dependa do órgão dos sentidos que lhes falta. como as testemunhas que são colocadas na realização de um testamento. 228. b) deve ser pessoa estranha ao feito. fazem prova se assinados por duas testemunhas. são eles que “dão vida” ao negócio jurídico. sua veracidade (testemunha judiciária) ou para se pronunciar sobre o conteúdo do documento que subscrevem (testemunha instrumentária). e só ele poderá provar este mesmo ato.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR ☺ Lembrando: documento é uma expressão genérica. 227. • Nos contratos celebrados com a cláusula de não valerem sem instrumento público. Prof. CC). etc. Se feito em outra língua devem ser traduzidos por tradutor juramentado (art. • cegos e surdos. CC). não se confundindo com as partes. CC): • menores de 16 anos. 405 estabelece quem pode ser testemunha. não sendo parte diretamente interessada no objeto do litígio (estranha ao feito). Lauro Escobar www. Este tema é tratado no Código de Processo Civil.br 62 . A prova testemunhal para surtir efeitos no âmbito do Processo Civil deve atender aos seguintes requisitos: a) deve ser pessoa física. c) deve ter conhecimento dos fatos. 215. direta ou indiretamente. • Para fazer prova perante terceiros. C) TESTEMUNHAS Testemunha é a pessoa natural (física) que. §3°. é chamada para depor sobre fato ou para atestar um ato jurídico. nas escrituras públicas. nas certidões de nascimento. • que por enfermidade ou deficiência mental não têm discernimento para a prática dos atos da vida civil. e assinados pelas partes.com. • Todos os documentos e instrumentos de contrato que tiverem de produzir efeitos no Brasil devem ser escritos em língua portuguesa (art. 224. assegurando. • As obrigações convencionais de qualquer valor. cujas informações integram a prova documental.

Prof. o mudo.com. genro. A capacidade para ser testemunha não se confunde com a capacidade civil. D) PRESUNÇÃO É a ilação que se extrai de um fato conhecido para se demonstrar um desconhecido. 229.).pontodosconcursos. inimigo capital ou amigo íntimo das partes. por consanguinidade (irmãos.) de alguma das partes. condenados por crime de falso testemunho (sentença penal transitada em julgado. ascendentes e os descendentes.br 63 . parente ou amigo íntimo e que os exponha a perigo de vida. tios. Como sabemos. resultante do direito): a lei estabelece um fato como verdadeiro. A contrário senso. Ex. 03. 228. Relativa ou juris tantum (literalmente significa “apenas ou somente de direito”. etc. Quando um menor de 16 anos presta declarações em juízo. Observações 01. Ex. o cego.: fiador de um dos litigantes. deva guardar segredo.: uma nota promissória) quando a dívida foi paga.: o cego não pode ser ‘testemunha ocular’ de um crime). as pessoas com 16 anos ou mais já podem ser testemunhas. cônjuges. se ele mentir não irá responder pelo crime de falso testemunho. cunhado. Classifica-se a presunção em: Absoluta ou juris et de jure (literalmente significa “de direito e por direito”): é a que não admite prova em contrário.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR • • • • • • interessados no objeto do litígio (ex. Se a testemunha tiver entre 16 e 18 anos. a que não possa responder sem desonrar a si próprio. simulação de venda de ascendente para descendente sem consentimento dos demais descendentes. Portanto. o surdo bem como o enfermo.: incapacidade jurídica daquele que foi interditado. 04. apesar de ser considerada testemunha. sobrinhos. No entanto. por estado ou profissão. em qualquer grau. CC possibilita que essas pessoas sejam ouvidas (prestem depoimento) para a prova de fatos que só elas conheçam. 02. ou de dano patrimonial imediato” (art. não são incapazes civilmente. etc.: um credor somente entrega o título ao devedor (ex. uma vez que é inimputável. pode prestar depoimento mesmo sem a assistência de seus representantes legais. CC).) ou afinidade (sogra. seu cônjuge. de demanda. caso tais deficiências resultem na impossibilidade de percepção sensorial adequada do fato a ser narrado (ex. Devemos lembrar ainda que ninguém é obrigado a depor sobre fatos “a cujo respeito. colaterais até o terceiro grau. é a presunção de verdade atribuída pela lei a certos fatos. eles são considerados como informantes (e não como testemunhas. inclusive adotivos. há a presunção de que ele pagou a dívida. mas o serão para testemunhar. O parágrafo único do art. em face do princípio da inocência). se um devedor estiver de posse do título. Lauro Escobar www. propriamente ditas). etc. sublocatário em ação de despejo. conhecimento da lei por todos. etc.

a título de quem alega o fato. que não as legais. 231. Não confundir presunção com indício.) e avaliação (tem por objetivo a perícia em relação a valores: avaliação de danos causados em um veículo após um acidente automobilístico. Arbitramento: geralmente é a perícia realizada para determinar o valor de uma indenização por ato ilícito e nas desapropriações. Exame (apreciação de algo pelo perito para esclarecimento de determinado fato: exame de corpo de delito. vistoria (é a mesma operação. Assim. 436. CC). o juiz aplicará as regras de experiência comum subministradas pela observação do que ordinariamente acontece e ainda as regras de experiência técnica. Prof. naquilo que ordinariamente acontece. etc. residuográfico. vistoria nas ações possessórias. podendo formar a sua convicção com outros elementos ou fatos provados nos autos. verificação de contas. etc. Atenção O art. CPC. É ato formal e público. ressalvado. CC prevê que aquele que se nega a submeter-se a exame médico necessário não poderá aproveitar-se de sua recusa. Ex. somado ao art. 335. Está intimamente ligada ao Direito Processual Civil: “Art. presumivelmente faz jus à concessão dos benefícios da justiça gratuita.com.). não se admitem nos casos em que a lei exclui a prova testemunhal (art. Observações As presunções. 230. quem está desempregado e pleiteia seguro desemprego. Em falta de normas jurídicas particulares. A reunião de indícios pode dar corpo à presunção. exame de DNA. mas permite que o marido conteste a paternidade.). exame de sanidade mental.: filho havido pela mulher casada presume-se do marido. E) PERÍCIAS É uma prova decorrente das análises de especialistas ou peritos. o exame pericial.” Ex. É utilizada pelo Juiz para formar sua convicção quando não pode se respaldar em normas jurídicas. mas na essência do ser humano como ideia de coletividade e não como indivíduo. Não são absolutas e se fundam na experiência de vida.pontodosconcursos. etc. Este dispositivo. porém restrita à inspeção ótica: vistoria veicular. Lauro Escobar www. demarcatórias.br 64 .DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR mas admite prova em contrário. 3. na “sabedoria popular”. o Juiz não fica vinculado às perícias. Inspeção judicial: o Juiz para melhor formar sua convicção faz a verificação pessoal no objeto ou na pessoa. 2.: a presunção do amor familiar leva a crer que a mãe não queira prejudicar seu filho. 232. Costumam ser classificados em: 1. Observação: segundo o art. por meio de ação negatória de paternidade. exame grafotécnico. sinal) é apenas um meio para se chegar à presunção. pelo qual “a recusa à perícia médica ordenada pelo juiz poderá suprir a prova que se pretendia obter com o exame” tem grande aplicação aos casos de investigação de paternidade. CC. Simples ou Hominis: não estão previstas na lei. confronto balístico. quanto a esta. Indício (do latim indicium = rastro. ou no espírito de um povo.

II. Devemos reforçar. caput.com. sendo subscrito por duas testemunhas. RESUMO DA AULA FATO JURÍDICO 2ª PARTE – NEGÓCIO JURÍDICO I. Em relação à interpretação. Além disso. CC ela faz prova plena. Segundo o art. modificação. Súmula 301 do STJ: “Em ação de investigação de paternidade. Possui força probante entre as partes. • Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos do lugar de sua celebração. deve-se procurar conhecer qual a real intenção da pessoa quando manifestou sua vontade. como já decidiu o Supremo Tribunal Federal. Portanto. Observe-se que não se pode conduzir alguém coercitivamente para a realização do exame. No entanto.br 65 . A prova deve ser admissível. lavrado por tabelião de notas.pontodosconcursos.: prova-se que houve um relacionamento amoroso entre o investigando e a mãe da criança). ou seja. Lauro Escobar www. Para ter efeito contra terceiros (erga omnes) deve ser registrado no Cartório de Títulos e Documentos. O reconhecimento da firma representa apenas a autenticação do ato. FATO JURÍDICO. 215. das testemunhas e do tabelião. esta recusa traz implícita a realização da prova com resultado que desfavorece aquele que se recusou a realizar a perícia. que tem a função de ajudar o aluno a melhor assimilar os conceitos dados e também de facilitar a revisão da matéria. • Os negócios jurídicos benéficos (gratuitos) e a renúncia interpretam-se restritivamente. citamos como regras: • Nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção nelas consubstanciada do que ao sentido literal da linguagem. manifestação de vontade. gera a presunção de veracidade. não proibida pela lei. data e local da efetivação e assinatura dos contratantes. Prof. FATO COMUM.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR negando-se o pretenso pai a submeter-se ao exame de DNA e havendo mais alguns elementos de prova (ex. ou seja. Ação humana ou fato da natureza sem repercussão na órbita do Direito. comprovando-se a paternidade. A escritura pública é um documento dotado de fé pública. Vamos agora apresentar o nosso resumo da aula. O instrumento particular é o realizado somente com a assinatura dos próprios interessados. Acontecimento ao qual o Direito atribui efeitos: aquisição. há uma inversão do ônus da prova. o ônus da prova incumbe a quem alega o fato e não a quem o contesta. resguardo. redigido em língua nacional e contendo todos os requisitos (objetivos e subjetivos) exigidos pela lei: qualificação das partes. transmissão e extinção. desde que estejam na livre disposição e administração de seus bens. a recusa do suposto pai a submeter-se ao exame de DNA induz presunção juris tantum (relativa) de paternidade”. neste caso.

previsíveis (ex. etc. . a) Ato Jurídico em Sentido Estrito (stricto sensu): efeitos decorrentes da lei. Conceito: manifestação de vontade (sem vícios). Este ainda se divide em: comutativo (prestações certas e determinadas) ou aleatório (há uma incerteza em relação às vantagens e ônus das partes – risco). não há autonomia da vontade). Extraordinário: inesperados ou imprevisíveis (caso fortuito ou força maior). B) Negócio Jurídico 1. morte. mas que gera consequências jurídicas previstas em lei (não depende da vontade das partes. Lauro Escobar www. desistência. d) Quanto à subordinação: principal (possui existência própria) ou acessórios (sua existência se subordina a do principal). c) Quanto ao tempo em que devem produzir efeitos: inter vivos (efeito estando as partes vivas) ou causa mortis (produz efeitos após a morte do agente). dentro do campo da autonomia privada. Classificação doutrinária (principais) a) Quanto ao número de manifestações de vontade: unilateral (aperfeiçoase com apenas uma manifestação de vontade: testamento. renúncia. 2. 2. IV. Ordinário: normalmente ocorrem. Ex. b) Negócio Jurídico: efeitos decorrentes da vontade das partes (autonomia privada). . havendo uma composição de interesses.: contratos) e unilaterais (testamentos).Penal → sanção pessoal. Atos materiais ou reais (simples atuação humana. A) Ato Lícito (Ato Jurídico em Sentido Estrito) • Realização de vontade do agente. b) Quanto às vantagens: gratuito (só uma das partes aufere vantagem) ou oneroso (ambos os contratantes possuem ônus e vantagens recíprocas).pontodosconcursos.Administrativo → sanção pessoal.Civil → sanção patrimonial – reparação do dano.: nascimento. com propósito de atingir. bilateral (necessita de duas manifestações de vontades em sentido oposto.). CLASSIFICAÇÃO GERAL DOS FATOS JURÍDICOS A) Fato Jurídico Natural (fato jurídico em sentido estrito ou stricto sensu) → acontecimento natural do qual decorrem efeitos jurídicos (visto na aula anterior): 1. Ato Lícito (ato jurídico em sentido amplo ou ato jurídico voluntário): praticado de acordo com o ordenamento jurídico. os efeitos jurídicos desejados pelo agente e tutelados pela lei. mas coincidente sobre o objeto: contratos). Ato Ilícito (ou Involuntário): praticado em desacordo com a ordem jurídica . Geralmente eles são unilaterais (possuem apenas uma manifestação de vontade) e potestativos (influem na esfera jurídica de outra pessoa sem que esta pessoa possa evitar). ATO JURÍDICO EM SENTIDO AMPLO (ou fato jurídico humano voluntário).DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR III. d) Quanto aos efeitos: constitutivo (eficácia a partir do momento da celebração: ex nunc) ou declaratório (eficácia desde o momento em que se operou o fato. retroativa: ex tunc). Prof. 2. plurilateral (mais de duas partes em sentido paralelo: consórcio de um veículo). com destinatário: notificações e intimações). com a qual o particular regula por si os próprios interesses.br 66 . etc.) Divide-se em receptício (dirigido a uma pessoa determinada para lhe dar conhecimento da declaração: revogação de mandato) e não receptício (não se dirige a um destinatário especial: testamento). B) Fato Jurídico Humano (ATO): 1.: reconhecimento de filho. É toda ação humana. Podem ser bilaterais (ex. sem destinatário: fixação de domicílio) e Participações (atos de comunicação.com.

dolo. Defeitos relativos à capacidade: a) absolutamente incapazes (art. CC) → necessitam de representação. Caso não haja → ato nulo (art. I. 3°. Defeito no objeto → Ato nulo (art. 4°. abstratos V. Lauro Escobar www. quando as circunstâncias ou os usos o autorizarem. aplicáveis a apenas alguns negócios. c) os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretamse estritamente. CC): são declarações acessórias de vontade. I. ELEMENTOS NATURAIS • Decorrência normal dos contratos → são os efeitos do negócio jurídico. 104. d) o silêncio importa anuência. IX. 121/137. 104. VI. CC) → necessitam de assistência. 3.br 67 . CC) → maior de 18 anos ou emancipado (art. CC). Capacidade do Agente (art. Especiais: dizem respeito à forma prescrita ou não defesa em lei. não à existência ou validade propriamente dita do negócio jurídico. II. b) Objeto Lícito. ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DO NEGÓCIO JURÍDICO A) Elementos Essenciais: dizem respeito à existência e validade do negócio jurídico. ELEMENTOS ACIDENTAIS (arts. b) relativamente incapazes (art. Regras: a) nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção nelas consubstanciada do que ao sentido literal da linguagem. Gerais: comuns a todos os negócios jurídicos. III. CC). VIII. Caso não haja → ato anulável (art. termo e encargo (ou modo). VII.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR e) Quanto às formalidades: solene (obedece a uma formalidade especial) ou não-solene (não se exige formalidades para seu aperfeiçoamento). 171. CC). 166.com. 2. dando-lhe a estrutura e a substância. C) Elementos Acidentais: são elementos facultativos. b) vícios de consentimento → erro ou ignorância. 166. coação. 5o e parágrafo único. Prof. IV e V. CC). a) Capacidade das Partes. determinado ou determinável. CC). II. ELEMENTOS ESSENCIAIS ESPECIAIS Forma prescrita ou não defesa em lei → (art. Possível. possível. Determinado ou Determinável. B) Elementos Naturais: são os efeitos ou as consequências decorrentes do próprio negócio jurídico. g) Quanto à causa: causais (vinculados a uma causa) ou (desvinculados de qualquer outro negócio). c) Consentimento (que diz respeito à vontade das partes). mas sim à sua eficácia: condição. Defeitos em relação à vontade: a) ausência de consentimento → ato inexistente (para alguns autores: ato nulo). CC) → lícito. podem ou não ser estabelecidos e dizem respeito. Dividem-se em: 1. Consentimento → a declaração de vontade possui papel preponderante. Elementos: a) interno (real intenção do agente). ELEMENTOS ESSENCIAIS GERAIS 1. b) externo (vontade declarada). e não for necessária a declaração de vontade expressa. c) vícios sociais → fraude contra credores (para o Código Civil a simulação é hipótese de invalidade do negócio jurídico). Objeto (art. 2. • Defeitos na forma → ato nulo (art. 166.pontodosconcursos. dizem respeito à eficácia do negócio jurídico. I. f) Quanto às pessoas: impessoais (independem de quem sejam as partes e de eventual qualidade) ou intuitu personae (o ato se realiza em função da qualidade especial de um dos contratantes). CC). lesão e estado de perigo. 104. b) os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos do lugar de sua celebração. modificando uma ou algumas das consequências naturais.

DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN
PROFESSOR LAURO ESCOBAR
A) Condição: subordina a eficácia do negócio jurídico a um evento futuro e incerto.
Embora ainda não haja direito adquirido, já se pode praticar atos destinados à
conservação do direito futuro. Classificação:
1. Quanto ao modo de atuação:
a) Suspensiva: a eficácia do ato fica suspensa até a realização do evento futuro e
incerto. Enquanto ela não ocorre há apenas a expectativa de direito.
b) Resolutiva: a aquisição e o exercício do direito ocorrem desde a celebração do
negócio. Com o implemento da condição (evento futuro e incerto) ocorre a
resolução (extinção) do direito.
2. Quanto à participação dos sujeitos:
a) Casual: a realização da condição depende de fato alheio à vontade das partes.
b) Potestativa: a realização da condição decorre da vontade das partes.
B) Termo: subordina a eficácia do negócio jurídico a um evento futuro e certo.
Classificação:
a) Inicial (suspensivo): quando fixa o momento em que a eficácia do negócio se
inicia.
b) Final (resolutivo): quando fixa o momento em que a eficácia do negócio
termina.
c) Certo: estabelece uma data determinada.
d) Incerto: o acontecimento é futuro e certo, porém a data é indeterminada.
C) Modo ou Encargo: cláusula que pode impor ônus a atos de mera liberalidade (ex.:
doações ou heranças com encargo, etc.).
X. DEFEITOS RELATIVOS AO CONSENTIMENTO: são os vícios relativos à formação da
vontade ou à sua declaração.
A) AUSÊNCIA DE VONTADE → negócio inexistente (ou nulo para alguns autores)
B) VÍCIOS DE CONSENTIMENTO: a vontade declaração não representa a real intenção
do agente; já uma divergência entre a vontade real do agente e a vontade por ele
externada.
1. Ignorância ou Erro (arts. 138/144, CC). O Código Civil equipara ambos quanto aos
seus efeitos. Porém a doutrina assim os distingue: Erro é a falsa noção que se tem de
um objeto ou de uma pessoa. Ocorre quando o agente pratica o ato baseando-se em
falso juízo ou engano. Já a Ignorância é o completo desconhecimento acerca do
objeto ou da pessoa.
1.1. Erro Essencial ou Substancial: quando se refere à natureza do próprio ato;
recai sobre circunstâncias e aspectos principais, relevantes do negócio de forma que
se eu soubesse do defeito jamais teria praticado o ato. Consequência → ato anulável
(art. 171, II, CC); prazo decadencial de 04 (quatro) anos (art. 178, II, CC).
Modalidades:
a) Erro sobre a natureza do negócio jurídico: o erro recai sobre a modalidade do
contrato que eu celebrei. Ex.: penso fazer um contrato de locação (oneroso) e a outra
pessoa entende que houve um comodato (gratuito).
b) Erro sobre o objeto principal da declaração: a manifestação de vontade recai
sobre objeto diferente do que se tinha em mente. Ex.: comprei um lote em um
condomínio que pensava ser muito valorizado, no entanto trata-se de outro
condomínio, com o mesmo nome, mas em local diverso, muito distante de onde eu
queria.
c) Erro sobre as qualidades essenciais do objeto principal: a pessoa adquire o
objeto que imaginava, porém engana-se quanto as suas qualidades; o motivo
determinante do contrato é a qualidade de um objeto que depois se constata que não
existe. Ex.: penso comprar um relógio de ouro, mas o mesmo é apenas “folheado” a
ouro, compro cavalo de carga pensando se tratar de “puro-sangue”, etc.

Prof. Lauro Escobar

www.pontodosconcursos.com.br

68

DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN
PROFESSOR LAURO ESCOBAR
d) Erro quanto à identidade ou à qualidade da pessoa a quem se refere a
declaração de vontade: somente é anulável se a consideração pessoal era condição
essencial para a realização do negócio. O erro quanto à pessoa pode ser relativo ao:
casamento (erro quanto identidade do outro cônjuge, sobre a sua honra, boa fama,
etc.) ou testamento.
1.2. Erro de Direito: é o engano quanto à existência ou interpretação da norma
jurídica. Como regra ele não pode ser alegado (art. 3°, LINDB). Admite-se,
excepcionalmente se o ato não implicar em recusa à aplicação da lei e for o motivo
único ou principal do negócio jurídico (art. 139, III, CC). Não pode o ato recair sobre
a norma impositiva, mas tão-somente sobre normas dispositivas (ou seja, sujeitas ao
livre acordo das partes).
1.3. Erro Acidental: é o concernente às qualidades secundárias ou acessórias da
pessoa ou do objeto. O ato continua válido, produzindo efeitos, porque o defeito não
incide sobre a declaração de vontade. O erro de cálculo é acidental (não anula o ato).
2. Dolo (arts. 145/150, CC). Artifício empregado para enganar a outra parte. Emprego
de manobras ardilosas ou maliciosas, para levar alguém à prática de um ato que o
prejudica, beneficiando o autor do dolo ou terceiros. Se recair sobre aspectos essenciais
ou substanciais → ato anulável (art. 171, II, CC); prazo decadencial (art. 178, II,
CC). Se recair sobre aspectos acidentais ou secundários → ato válido, porém obriga a
satisfação de perdas e danos (art. 146, CC).
Modalidades:
2.1. Dolo Principal, Essencial ou Substancial: é o que recai sobre aspectos
essenciais do negócio; é o que dá causa ao negócio jurídico, sem o qual ele não se
teria concluído (o ato é anulável).
2.2. Dolo Acidental (incidens): é o que leva a vítima a realizar o negócio, porém em
condições mais onerosas, não afetando sua declaração de vontade. O negócio teria
sido praticado de qualquer forma, embora de outra maneira. Não anula o negócio,
apenas obriga a satisfação de perdas e danos ou uma redução da prestação
pactuada.
2.3. Dolus Bonus (dolo bom): é um comportamento tolerado nos meios comerciais.
Consiste em reticências, exageros nas boas qualidades da mercadoria ou
dissimulações de defeitos. Não é anulável, desde que não venha a enganar o
consumidor mediante propaganda abusiva.
2.4. Dolus Malus (dolo mau): consiste em manobras astuciosas para enganar
alguém e lhe causar prejuízo. Por isso é anulável. Pressupõe: a) prejuízo para o
autor do ato; b) benefício para o autor do dolo ou uma terceira pessoa.
2.5. Positivo (ou comissivo): resulta de uma ação dolosa; são os artifícios positivos.
Ex.: falsas afirmações sobre as qualidades de uma coisa.
2.6. Negativo (ou omissivo): resulta de uma omissão dolosa; ocultação de algo que
a parte contratante deveria saber no momento da realização do contrato. Ex.: em
seguro de vida o segurado omite doença grave e vem a falecer dias depois.
2.7. Dolo recíproco: quando ambas as partes agem com dolo, configurando-se
torpeza bilateral; ocorre a neutralização do delito. Isto é, no caso de dolo recíproco
não haverá a anulação para nenhuma das partes. O ato é considerado válido.
2.8. Dolo de Terceiro: oriundo de terceira pessoa que não é parte no negócio. Se o
beneficiado pelo dolo de terceiro sabia ou deveria saber → negócio anulável. Se o
beneficiado pelo dolo não sabia e nem tinha como saber → negócio válido, porém o
terceiro responde pelas perdas e danos da parte que foi ludibriada.
2.9. Dolo do Representante: a) representante legal (pais, tutores e curadores) a
responsabilidade do representado é limitada ao proveito obtido do dolo; b)
representante convencional (mandatário) a responsabilidade é solidária entre
representante e representado nas perdas e danos.
3. Coação (arts. 151 a 155, CC). É a pressão física ou moral exercida sobre alguém para
obrigá-lo a praticar (ou deixar de praticar) determinado ato. Na coação há intimidação;

Prof. Lauro Escobar

www.pontodosconcursos.com.br

69

DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN
PROFESSOR LAURO ESCOBAR
oferecem-se à vítima duas alternativas: emitir a declaração de vontade que não
pretendia originalmente ou não o fazer o ato e sofrer as consequências decorrentes da
concretização de uma ameaça ou de uma chantagem. Modalidades:
3.1. Coação Física (vis absoluta): é o constrangimento corporal que retira toda
capacidade de querer, implicando ausência total de consentimento (ex.: amarrar
a vítima, segurar sua mão e fazê-la assinar contrato). Não está prevista na lei.
3.2. Coação Moral (vis compulsiva): atua sobre a vontade, sem aniquilar-lhe o
consentimento, pois se conserva uma relativa liberdade, podendo optar entre a
realização do negócio que lhe é exigido e o dano com que é ameaçada (ex.: se não
assinar o contrato, vou incendiar sua casa; vou estuprar sua mulher, vou mostrar
uma foto sua em uma situação constrangedora, etc.).
3.3. Efeitos
a) Coação Física: não há consentimento algum (ausência de vontade). Doutrina
dividida: parte entende que o ato é inexistente e parte que o ato é nulo.
b) Coação Moral: há um consentimento viciado → ato anulável (art. 171, II,
CC); prazo decadencial de 04 (quatro) anos, contado do dia em que cessar a
coação (art. 178, I, CC).
3.4. Excluem a Coação:
a) ameaça do exercício normal de um direito → exercício regular de direito.
b) simples temor reverencial → receio de desgostar os pais, ou pessoas a quem
se deve respeito e obediência.
4. Estado de Perigo (art. 156, CC). Configura-se o estado de perigo quando alguém,
premido da necessidade de salvar a si, ou a pessoa de sua família, de grave dano
conhecido pela outra parte, assume obrigação excessivamente onerosa. A vítima não
errou, não foi induzida a erro ou coagida, mas pelas circunstâncias de um caso concreto,
foi compelida a celebrar um negócio que lhe era extremamente desfavorável. Tratando-se
de pessoa não pertencente à família do contratante o Juiz decidirá segundo as
circunstâncias. Realizado um contrato sob um Estado de Perigo, a sanção é a anulação
(arts. 171, II, CC); prazo decadencial de 04 (quatro) anos (art. 178, II, CC).
5. Lesão (art. 157, CC). Ocorre quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou por
inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da
prestação oposta. Aprecia-se a desproporção das prestações segundo os valores vigentes
ao tempo em que o contrato foi celebrado. Tem o intuito de proteger o contratante em
posição de inferioridade ante o prejuízo por ele sofrido na conclusão do contrato, devido
a desproporção existente entre as prestações. Decorre do abuso praticado em situação
de desigualdade, punindo a chamada “cláusula leonina” Ocorrendo a lesão, a sanção é a
anulação do ato (arts. 171, II, CC); prazo decadencial de 04 (quatro) anos (art.
178, II, CC).
5.1. Não se decretará a anulação do negócio se for oferecido suplemento suficiente,
ou se a parte favorecida concordar com a redução do proveito (art. 157, §2°, CC).
5.2. Não se exige o dolo de aproveitamento da parte beneficiada (consciência da
necessidade ou inexperiência da outra parte para dela auferir vantagem exagerada).
C) VÍCIOS SOCIAIS: há uma correspondência entre a vontade interna do agente e a sua
manifestação; porém são realizados em desconformidade com a lei, pois a intenção é de
prejudicar terceiros.
1. Fraude contra credores (arts. 158 a 165, CC). Prática maliciosa, pelo devedor, de
atos que desfalcam seu patrimônio, com o fim de colocá-lo a salvo de uma execução por
dívidas em detrimento dos direitos creditórios alheios. Se o patrimônio do devedor não
for suficiente para o pagamento de todos os credores haverá um rateio. E, no caso do
devedor praticar atos com a finalidade de frustrar o pagamento devido ou tendentes a
violar a igualdade entre os credores, ocorrerá a fraude contra credores. Não é a vontade
que se encontra viciada; o vício reside na finalidade ilícita do ato (por isso trata-se de um
vício social). Elementos:

Prof. Lauro Escobar

www.pontodosconcursos.com.br

70

Ato Inexistente: quanto falta algum elemento estrutural do negócio. Não confundir com fraude à execução. do dia em que cessar a incapacidade.1. é invalidante”.: estou devendo determinada importância e não desejo pagá-la. com o fim de criar uma aparência de direito. Pode ser alegada por qualquer das partes. b) Subjetivo (consilium fraudis): trata-se da má-fé. 2. Simulação Relativa: sob a aparência de um negócio. II.pontodosconcursos.3. Simulação (art. O atual Código Civil não trata mais a simulação como um defeito social. visando a obter resultado diverso do que aparece. determina que a simulação é hipótese de nulidade do ato. Ação Pauliana: os atos eivados de fraude contra credores são anuláveis através de ação própria. a “doar” esses bens. Ex. 2. do dia em que ela cessar. 2. dolo.br 71 . Nulidade: sanção imposta pela lei. 166/170.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR a) Objetivo (eventus damni): o credor deve provar que com a prática do ato o devedor se tornou insolvente ou já praticou o ato em estado de insolvência. PRAZO É de quatro anos o prazo de decadência para pleitear-se a anulação do negócio jurídico. b) no erro.1. Na simulação há um desacordo entre a vontade declarada e a vontade interna e não manifestada. 171. CC): o ato é nulo. Espécies: 2. As partes fingem. para se presumir a fraude. 178. II. determinando a privação de efeitos jurídicos do negócio. O negócio simulado é nulo e dependendo da situação o negócio dissimulado pode subsistir se for válido na substância e forma (não ofendeu a lei e nem prejudicou interesses de terceiros). A consequência é a anulabilidade (arts. Além disso. Deve ser proposta pelos credores (e que já o eram ao tempo da alienação fraudulenta) contra o devedor insolvente e também contra a pessoa que celebrou negócio jurídico com o fraudador ou contra terceiros adquirentes que hajam procedido de má fé.com. não produzindo qualquer efeito. com a consciência de que de seu ato advirão prejuízos a uma terceira pessoa (que é o credor). ainda que a requerimento das partes. O art. estado de perigo ou lesão. para iludir terceiros ou burlar a lei. fraude contra credores. inclusive a inocente. CC prevê duas situações onde há presunção relativa (juris tantum – que admite prova em contrário) da má-fé do terceiro adquirente: primeiro: quando for notória a insolvência do devedor. da intenção deliberada de prejudicar. O atual Código não reconhece a simulação inocente (a que não objetiva violar a lei ou prejudicar terceiros).2. referente à invalidade do negócio jurídico. contados (arts. Tenho bens para saldar a dívida. CC). é inidôneo à produção de efeitos jurídicos. não podendo supri-la. uma ilusão externa. então. praticado em desobediência ao que ela prescreve. II e 178 I e II. que oculta a real intenção dos contratantes. não tendo mais condições de honrar suas dívidas. sendo que o Juiz deve declarála de ofício. realiza-se outro. É a declaração enganosa da vontade. Ministério Público. 167. 2. Basta a prática de um ato de liberalidade em estado de insolvência. 159. 2. Nesta hipótese não se exige prova da má-fé (está implícita). INVALIDADE (INEFICÁCIA) DO NEGÓCIO JURÍDICO 1. Efeito ex tunc (a decisão retroage desde a prática do ato. Negócio simulado (aparente) e negócio dissimulado (real). Nulidade Absoluta (arts. 1. CC). criando uma aparência. como se ele não tivesse sido Prof. ambos do CC): a) no caso de coação. do dia em que se realizou o negócio jurídico. Lauro Escobar www. chamada de pauliana. CC). segundo: quando o terceiro adquirente tinha motivos para conhecer a má situação financeira do devedor.1. XI. por ofender gravemente princípios de ordem pública (efeito erga omnes). pois a situou no Capítulo V. Na simulação as duas partes contratantes estão combinadas para enganar terceiros. Começo. prazo decadencial de 04 (quatro) anos (art. Enunciado 152: “Toda simulação. Não é suscetível de confirmação e nem se convalesce pelo decurso de tempo (imprescritível). XII. Simulação Absoluta: as partes não pretendem celebrar negócio algum. 171. c) nos atos de incapazes.

Forense. Silvio de Salvo – Direito Civil. documentos (públicos ou particulares). testemunhas. Saraiva. Maria Helena – Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro Interpretada. ficando a critério do Juiz). VENOSA.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR praticado). Ed. c) simples ou hominis (baseia-se na experiência de vida. Rodolfo Filho – Novo Curso de Direito Civil. Ed.br 72 .pontodosconcursos. 170. sua prova só poderá ser feita pela exibição do documento. Forense. Princípios → em regra o ônus incumbe a quem alega o fato. independem de prova os fatos notórios.2. Pode ser confirmado pelas partes. Ed. inspeção judicial. 2. O art. 2. GONÇALVES. Saraiva. Prof. Pablo Stolze. Ed. legalmente. Nulidade Relativa (arts. Espécies (art. Conversão do ato nulo (art. MONTEIRO. Saraiva. Ed Forense. Caio Mário da Silva – Instituições de Direito Civil. CC): teoria da conservação do negócio → o negócio não pode prevalecer da forma como pretendida inicialmente (é nulo). 212. não retroagem). XIII. 212. Se. CC): o ato é anulável. Lauro Escobar www. Maria Helena – Curso de Direito Civil Brasileiro. PROVA DO NEGÓCIO JURÍDICO 1. RODRIGUES.). consideram-se verídicos os fatos incontroversos. Efeito ex nunc (os efeitos da anulação se operam a partir de sua declaração. Ed Saraiva. Carlos – Hermenêutica e Aplicação do Direito. MAXIMILIANO. etc. SERPA LOPES. CC): confissão. a existência de negócios jurídicos. Enquanto não for declarado como tal pelo Juiz. Convalesce pelo decurso de tempo (prescrição e dacadência). Ed. Washington de Barros – Curso de Direito Civil. BIBLIOGRAFIA-BASE Para a elaboração desta aula foram consultadas as seguintes obras: DINIZ. Ed. Ed. Ed. Prova → conjunto de meios empregados para demonstrar. CC enumera as provas de forma exemplificativa. NERY. De Plácido e – Vocabulário Jurídico. PEREIRA. mas como seus elementos são idôneos para caracterizar outro negócio. Miguel Maria de – Curso de Direito Civil. b) relativa (juris tantum – admite prova em contrário).com. Freitas Bastos. Nelson Jr. 171/179. GOMES. Revista dos Tribunais. SILVA. Saraiva. Saraiva. para a validade do negócio jurídico a lei exigir forma especial. Ed. GAGLIANO. Aproveita somente aos que alegaram (salvo se houver solidariedade ou indivisibilidade). Freitas Bastos. Matéria de ordem privada (efeito inter partes). PAMPLONA. Carlos Roberto – Direito Civil Brasileiro. vistorias. perícia (exames. desde que não haja proibição expressa. Silvio – Direito Civil. DINIZ. presunções: a) absoluta (juris et de jure – não admite prova em contrário). produz efeitos normalmente. O Juiz não pode pronunciá-la de ofício (somente os interessados podem requerê-la). Orlando – Direito Civil. admitese a transformação. Ed Atlas. e Rosa Maria de Andrade – Código Civil Comentado. Ed.

que confirmava os juros os quais a empresa financeira estava quitando. (C) o direito de anular o negócio jurídico viciado pela coação decai em 4 anos. salvo o caso de solidariedade ou indivisibilidade. 124. legalmente ou juridicamente impossível invalida o negócio se for suspensiva (aquela que subordina a eficácia do negócio a evento futuro e incerto). instituição financeira sob a fiscalização do Banco Central. Ultrapassado o prazo legal o ato acaba se convalidado pelo decurso de tempo. e aproveita exclusivamente aos que a alegarem. nem se pronuncia de ofício. A letra “b” está errada. Creso retorna ao local onde formalizou a aquisição do produto e verifica que os juros divulgados não foram aplicados. pois os negócios anuláveis (como é o caso do estado de perigo). e as de não fazer coisa impossível.br 73 . CC: A anulabilidade não tem efeito antes de julgada por sentença. Ao final do período. COMENTÁRIOS. as condições física ou juridicamente impossíveis. A condição. como se extrai da interpretação do art. quando resolutivas. interessado no produto. será tida como inexistente. Finalmente a letra “e” está errada. A letra “c” está certa. Inconformado com o evento. seja positivo ou negativo (omissão).pontodosconcursos. são passíveis de confirmação. fazendo com que desapareçam os vícios que contaminam o negócio. ofertando produto com juros acima do mercado. para se pleitear a anulação. (E) os negócios jurídicos por vício de omissão dolosa são anuláveis. contacta o gerente da instituição Cred e Deb S/A. sob pena de decadência. quando suspensivas. CC: Invalidam os negócios jurídicos que lhes são subordinados: I. Gabarito: “C”. Os negócios viciados por dolo. A letra “d” está errada.com. Lauro Escobar www. 02) (CESGRANRIO – BACEN – Analista do Banco Central do Brasil – 2010) Cred e Deb S/A. Creso promove ação de responsabilidade civil contra a empresa Cred e Prof. I. só os interessados a podem alegar. Se ela for resolutiva. devem obedecer ao prazo fixado em lei. sendo resguardados os direitos de terceiros de boa-fé. sendo vedada a sua convalidação pelo decurso de tempo. CC: Têm-se por inexistentes as condições impossíveis. Creso. quando confrontados com os termos do contrato assinado. conforme preceitua o art. A letra “a” está errada. A nulidade tem efeitos ex tunc (retroativa). 178. É a anulabilidade que tem efeito ex nunc.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR EXERCÍCIOS COMENTADOS DA FUNDAÇÃO CESGRANRIO 01) (CESGRANRIO – BNDES – Profissional Básico – Direito – 2013) A legislação vigente a respeito dos defeitos e da invalidade do negócio jurídico estabelece que (A) a sentença que reconhece hipótese de nulidade opera efeitos ex nunc. 123. quando resolutiva. Art. e o adquire sendo o seu vencimento determinado em doze meses. realiza campanha para captação de clientela. por ser nulo de pleno direito. Art. contado o prazo da cessação da ameaça. CC. 177. (B) a condição juridicamente impossível invalida o negócio jurídico a ela subordinado. (D) o negócio jurídico resultante do vício de estado de perigo não é passível de confirmação.

sendo nulo o contrato realizado. mas a conclusão é simples. Lauro Escobar www. ou se a parte favorecida concordar com a redução do proveito. Analisando o caso acima. CC). o Código Civil NÃO dispõe o seguinte: (A) no negócio jurídico viciado por lesão. por omissão na fiscalização. não corre prescrição. A letra “b” está errada. pois não é necessária a intervenção do BACEN para haver a declaração de nulidade. gerando todos os seus efeitos. Se Creso realmente for absolutamente incapaz (art. Aduz. a lei propriamente dita é clara ao afirmar a nulidade do negócio em relação a absolutamente incapazes. pois sendo o ato nulo. daí estar correta a afirmação contida na letra “e”. CC). §2°. se oferecer para executá-la na conformidade da vontade real do manifestante. pois mesmo sendo “o contrato lei entre as partes”. à luz do Código Civil. A letra “a” está correta nos termos do art. que é absolutamente incapaz. 169. 3°. (C) subsistirá o negócio jurídico se a coação decorrer de terceiro. ou a pessoa de sua família. CC: Não se decretará a anulação do negócio.com.pontodosconcursos.br 74 . 157. o negócio por ele realizado é nulo de pleno direito (art. uma das conclusões é que o(a) (A) negócio jurídico pode ser declarado nulo por intervenção do Banco Central. premido da necessidade de salvarse. O art. mas o autor da coação responderá por todas as perdas e danos que houver causado ao coacto. ou se a parte favorecida concordar com a redução do proveito.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR Deb por informações indevidas e também contra o Banco Central. COMENTÁRIOS. não se decretará a anulação do negócio. sem que a parte a que aproveite dela tivesse ou devesse ter conhecimento. A letra “c” está errada. A letra “b” está Prof. COMENTÁRIOS. Pelo mesmo motivo a letra “d” está errada. A letra “a” está errada. (C) contrato é lei entre as partes e não pode o absolutamente incapaz se insurgir quanto ao seu cumprimento. (D) ato jurídico em tela restou perfeito e acabado. a quem a manifestação de vontade se dirige. (E) incapacidade do autor gera a nulidade do negócio jurídico implementado. (D) o erro não prejudica a validade do negócio jurídico quando a pessoa. ainda. I. Gabarito: “E”. se for oferecido suplemento suficiente. (E) o dolo bilateral não pode ser alegado pela parte que dele se aproveitou. (B) configura-se a lesão quando alguém. se for oferecido suplemento suficiente. 03) (CESGRANRIO – Advogado da Innova – 2012) Sobre defeitos do negócio jurídico. de grave dano conhecido pela outra parte. CC é claro ao afirmar que o negócio jurídico nulo não se convalesce pelo decurso de tempo. (B) prazo para o exercício da pretensão do absolutamente incapaz se obstaculiza pela prescrição. 166. assume obrigação excessivamente onerosa. O cabeçalho da questão é grande.

O dolo incidens ou acidental está previsto no art. A letra “d” está correta nos termos do art. premido da necessidade de salvarse. Lauro Escobar www. Está correto APENAS o que se afirma em (A) I e II. 155. Gabarito: “B”. 144. ESTADO DE PERIGO é um defeito interno do negócio jurídico. deve ser Prof. sem que a parte a que aproveite dela tivesse ou devesse ter conhecimento. considere as afirmativas abaixo. ou a pessoa de sua família. CC).DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR errada. (B) I e III. O negócio teria sido praticado de qualquer forma.com. (E) III e IV. Ele não anula o negócio. pois está se referindo à coação exercida por terceiro (art. CC: Se ambas as partes procederem com dolo. A COAÇÃO. de grave dano conhecido pela outra parte. Finalmente a letra “e” também está correta nos termos do art. IV. sob premente necessidade. II. se oferecer para executá-la na conformidade da vontade real do manifestante. independentemente das manobras astuciosas. assume obrigação excessivamente onerosa (art. que torna anulável o negócio jurídico. nenhuma pode alegá-lo para anular o negócio. 138. 150.pontodosconcursos. ou por inexperiência. (C) II e III. a quem a manifestação de vontade se dirige. para dar ensejo à anulação do negócio jurídico. apenas obriga a satisfação de perdas e danos ou a uma redução da prestação pactuada. embora em condições menos onerosas à vítima. CC). CC. ou reclamar indenização. (D) II e IV. há de ser substancial ou essencial. pois traz o conceito de estado de perigo. O ERRO tem como elemento principal a cognoscibilidade e adota o princípio da confiança. COMENTÁRIOS. III. O conceito de lesão está art. CC estabelece que o erro. I. 154. 157. no qual a vontade é constrangida por terceiro. mas o autor da coação responderá por todas as perdas e danos que houver causado ao coacto. 156. CC: O erro não prejudica a validade do negócio jurídico quando a pessoa. é aquela conhecida como vis absoluta. se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta. 146. A letra “c” está correta nos termos do art. não afetando sua declaração de vontade. Ele leva a vítima a realizar o negócio jurídico. se a coação decorrer de terceiro. A afirmação III está correta. CC: Subsistirá o negócio jurídico. 04) (CESGRANRIO – Advogado da Liquigás – 2012) A emissão da vontade é elemento fundamental do negócio jurídico. porém em condições mais onerosas (ou menos vantajosas). A afirmação I está correta. CC: Ocorre a lesão quando uma pessoa. Além disso. DOLUS INCIDENS (dolo acidental) é aquele que torna o negócio menos vantajoso para a parte e leva à indenização por perdas e danos. sendo física e não moral. O art. o estado de perigo é aquele em que alguém. caput.br 75 . Com relação aos vícios do negócio jurídico. A afirmação II está errada.

nos termos do art. Outros afirmam que é hipótese de nulidade absoluta do negócio. 130. nem mesmo a Sociedade Petr S.A. é permitido praticar os atos destinados a conservá-lo. que tem tem por base a verificação da discrepância entre a vontade real do agente e a sua equivocada manifestação.A. CC: “Ao titular do direito eventual. Não é prevista na lei. Diante do ocorrido. compromete-se a doar um terreno à Sociedade Gasos S. podendo a continuação do ato gerar destruição do imóvel. a Sociedade Gasos é titular de um direito eventual.A.com.A. 05) (CESGRANRIO – Advogado da Innova – 2012) A Sociedade Petr S. descobre que o proprietário do terreno vizinho ao terreno da Sociedade Petr S. sendo considerado inexistente. poderá promover ação judicial que impeça o ato do vizinho. A afirmação IV está errada. poderá agir judicialmente. nos casos de condição suspensiva ou resolutiva. pois nosso Código acolheu a chamada teoria da confiança. nada poderá fazer. (E) doação celebrada pela Sociedade Petr S. estabeleceu uma condição suspensiva. a Sociedade Gasos S. A doutrina se divide. nos casos de condição suspensiva. Gabarito: “B” (afirmações I e III estão corretas).A. inibindo a ação da Sociedade Gasos S. visto que só possui uma mera expectativa de direito. pois ao titular do direito eventual. Gabarito: “D”. A espécie de coação prevista no Código (arts.A.A. (D) Sociedade Gasos S. desde que esta seja vitoriosa em procedimento de licitação. A coação física (vis absoluta) é aquela que retira toda capacidade de querer de uma das partes.A. Como tal. Ao afirmar que se compromete a doar um terreno à Sociedade Gasos S. gerando a suspensão da aquisição do direito. COMENTÁRIOS. está sujeita a uma condição suspensiva.A. sendo a legitimidade para a propositura de qualquer ação da Sociedade Petr S.pontodosconcursos. (B) Sociedade Gasos S.A. a cláusula que sujeita o Prof.. Lauro Escobar www.br 76 .DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR cognoscível (ou seja. desde que esta seja vitoriosa em procedimento de licitação realizada pelo Estado do Rio de Janeiro.. a Sociedade Petr S. visto que o termo inicial gera a aquisição do direito. (C) Sociedade Gasos S. Na realidade a situação é inversa.A. tem o direito de praticar os atos destinados a conservar seus futuros e eventuais direitos. que pode ser conhecido pela outra parte). vem danificando o seu bem. porque será preciso a realização da licitação para a propositura da ação.A. Portanto. Alguns afirmam que como a manifestação de vontade é um requisito para a existência do negócio jurídico. não poderá promover ação judicial. não havendo a vontade. Um mês antes do início do procedimento licitatório. 06) (CESGRANRIO – Caixa Econômica Federal – Advogado – 2012) Num contrato de compra e venda de um bem imóvel.A.A.. implicando ausência total de consentimento. o negócio não existiria. 151/155) e que torna anulável o negócio jurídico é a coação moral (vis compusiva). é permitido praticar os atos destinados a conservá-lo”. o Código Civil prevê que a (A) Sociedade Gasos S.

considere as afirmativas abaixo. 122. de acordo com o art. Lauro Escobar www. não se terá adquirido o direito. nos termos do art. 125. CC. determinando a cessação dos efeitos da compra e venda. pois as condições resolutivas são aquelas que. vigorando o mesmo. derivando exclusivamente da vontade das partes. (C) condição suspensiva. CC). propósito distinto de qualquer elemento acidental (eficácia do negócio jurídico). COMENTÁRIOS.br 77 . CC). A letra “b” está errada. pois a questão trata de uma hipótese de condição. Podem ser expressas (se constar expressamente do negócio) ou tácitas (se decorrer de uma presunção ou mesmo da natureza do pacto celebrado). Além disso. aspecto esse que condiciona o registro da baixa da hipoteca no registro de imóveis. Trata-se de uma condição. está ligada à existência do negócio jurídico. (E) condição resolutiva tácita. Gabarito: “C”. 07) (CESGRANRIO – Advogado da Liquigás – 2012) Com referência aos negócios jurídicos. a que ele visa. pois o encargo ou modo é o elemento acidental do negócio jurídico que traz um ônus relacionado com uma liberalidade (art. subordinando a eficácia do contrato a evento futuro e incerto. enquanto esta se não verificar. enquanto não se verificarem. Finalmente a letra “e” está errada. cabendo inclusive o exercício de direitos dele decorrentes (art. permitida por lei.pontodosconcursos. No caso concreto não houve a imposição de um ônus a uma das partes em razão da liberalidade de outra. vindo o negócio jurídico a subordinar a sua eficácia à condição suspensiva. 121. Pela redação da questão. termine) o contrato. A letra “c” está correta. A cessação dos efeitos do contrato decorre do seu término.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR pagamento integral do preço ao registro da baixa da hipoteca no registro de imóveis constitui (A) encargo. 127. necessária para a resolução do contrato.com. A letra “d” está errada. não trazem qualquer consequência para o negócio jurídico. subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto (art. sujeitando-se ao puro arbítrio de uma das partes) são ilícitas. mas a estipulação de uma condição que subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto. pode-se identificar como evento futuro e incerto o pagamento integral do preço no contrato de compra e venda de um bem imóvel. a ser cumprido pelo comprador. dessa forma. Diferencia-se da condição suspensiva porque não suspende a aquisição nem o exercício do direito. No caso da questão não há a estipulação de uma condição que “resolva” (extinga. pois as condições puramente potestativas (que dependem de uma vontade unilateral. Prof. CC (parte final). A letra “a” está errada. 136. (B) condição potestativa pura. (D) condição suspensiva. cujo objeto é suspender a eficácia do contrato de compra e venda de um bem imóvel e não da cessação dos seus efeitos. CC). pois a mesma pode ser considerada como uma cláusula que.

embora autônoma. 08) (CESGRANRIO – Petrobrás – Profissional em Direito – 2010) São requisitos do instituto da lesão. pois o art. a vontade é anômala. Como o contratante exerce sua vontade no ato da contratação (adere ou não às cláusulas) entende-se que aí reside a bilateralidade do contrato. Nos chamados contratos de adesão ou por adesão. se atenderá mais à vontade das partes que à literalidade das palavras. A assertiva III está errada. (C) II e III. o aderente ainda tem a liberdade de contratar (aderir ou não).pontodosconcursos. 112. A afirmação I está errada. (E) III e IV. 107. (C) imprevisibilidade do fator de desestabilização do contrato. CC afirma que nas declarações de vontade se atenderá mais a intenção nelas consubstanciadas do que ao sentido literal da linguagem. visto que. senão quando a lei expressamente exigir. Esta questão é bem difícil sob o ponto de vista interpretativo. II.com. IV. na interpretação dos contratos. sendo certo que adquire relevância a partir de sua expressa inscrição nas cláusulas contratuais. uma vez que. Finalmente a assertiva IV está correta. Prof. ainda tem para si reservada a garantia de manifestação de sua vontade própria.br 78 . (D) inexperiência de um dos contratantes. Está correto APENAS o que se afirma em (A) I e II. (D) II e IV. A vontade está na gênese de todos os negócios jurídicos. encontra-se limitada ao ato de aderir. (E) imperativo em contratar de uma das partes. Questiona-se muito a vontade nos chamados contratos de adesão.O intérprete do negócio jurídico valorará a vontade desde que seja extraível da declaração onde está consubstanciada. III. Lauro Escobar www. pois a relevância da vontade não fica restrita em sua expressa inscrição nas cláusulas contratuais. Exatamente por esse motivo que a afirmação II está correta. isto é. o art. COMENTÁRIOS. apesar de ver restringido sua liberdade de deliberar sobre o conteúdo dos contratos (daí dizer-se vontade anômala). Gabarito: “D” (afirmações II e IV estão corretas).DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR I. EXCETO (A) onerosidade excessiva para um dos contratantes. (B) I e IV. CC estabelece que a validade da declaração de vontade não dependerá de forma especial. Para a corrente majoritária. A validade da declaração de vontade depende sempre da forma especial estabelecida em lei. (B) desproporcionalidade das prestações.

confissão de dívida. A letra “b” está errada. pois nos termos do art. Por exclusão faltou a letra “c”.02) (FUNCAB – Advogado do DETRAN/PB – 2013) Sobre os negócios Jurídicos. Estabelece o art. ATUAIS. CC o falso motivo só vicia a declaração de vontade quando expresso como razão determinante. COMENTÁRIOS. e não for necessária a declaração de vontade expressa. b) o falso motivo vicia a declaração de vontade independentemente de ser razão determinante do negócio. etc. A letra “a” está errada.03) (CESPE/UnB – TJ/RO – Analista Judiciário – Oficial de Justiça 2012) Uma pessoa recebeu.01) (IADES – Advogado da EBSERH – Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – 2013) José fez um testamento e deixou alguns de seus bens para Maria. uma fazenda. a) se ambas as partes procederem com dolo. CC: Ocorre a lesão quando uma pessoa. se ambas as partes procederem com dolo. O testamento é o exemplo clássico. promessa de recompensa. A letra “e” está correta nos termos do art. ou reclamar indenização. (B) negócio jurídico unilateral. 114. 111. (C) fato jurídico.pontodosconcursos. Gabarito: “B”. 157. GABARITO: “C”.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR COMENTÁRIOS. A letra “c” está errada. ATUAIS. que tipo de ato jurídico foi realizado? (A) ato jurídico ilícito. Nesta situação hipotética. com o encargo Prof. A letra “d” está errada. O negócio jurídico unilateral é aquele em que o ato se aperfeiçoa com uma única manifestação de vontade. 150. quando as circunstâncias ou os usos o autorizarem. sob premente necessidade. EXERCÍCIOS ATUAIS DE BANCAS VARIADAS ATUAIS. havendo apenas um polo da relação jurídica. 140. 113. pois nos termos do art. tais como: renúncia. desistência. (D) negócio jurídico bilateral. pois segundo o art. COMENTÁRIOS.br 79 . se obriga (letra “e”) a prestação manifestamente desproporcional (letra “b”) ao valor da prestação oposta (letra “a”). por doação. mas há outros exemplos. ambas poderão alegá-lo para anular o negócio. c) o silêncio não deve ser interpretado como anuência em caso algum. CC o silêncio importa anuência. e) os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretam-se estritamente. CC. CC. Gabarito: “E”. nenhuma delas pode alegá-lo para anular o negócio ou reclamar indenização. pois nos termos do art. assinale a alternativa CORRETA. (E) contrato bilateral. ou por inexperiência (letra “d”). Lauro Escobar www. CC. d) os negócios jurídicos devem ser interpretados independentemente da boafé e os usos do lugar de sua celebração.com. os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos do lugar de sua celebração.

o donatário assumiu obrigação a) modal. b) de execução continuada. “afim de que”. CC (ainda não vista em aula). e) a pessoa. ATUAIS.pontodosconcursos. Gabarito: “A”. ou por inexperiência. As obrigações modais são as oneradas de um encargo. um ônus à pessoa contemplada pela relação jurídica. nesta cidade. A letra “c” é hipótese de estado de perigo (art. prevista o art.) encargo. Trata-se de uma cláusula acessória que se refere a atos de liberalidade (ex. de grave dano conhecido pela outra parte. c) condicional.br 80 . pois na lesão não basta apenas a “grande desproporção” das prestações. CC) e a letra “d” de coação moral (art. d) de meio. no Bairro do Macuco. o negócio Prof. e) a termo. porque a lei veda enriquecimento sem causa. COMENTÁRIOS. A letra “b” está errada. A letra “e” está correta nos termos do art. ou a pessoa de sua família. ATUAIS. 151. 156.: doação ou testamento). CC). se obrigue a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta. CC. c) a pessoa. 478.05) (FCC – MPE/PE – Analista do Ministério Público – 2012) O negócio jurídico A foi celebrado com vício resultante de coação. Nessa situação.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR de construir. ainda que nela as partes tenham consentido livremente.04) (FCC – TRT/1ª Região/RJ – Magistratura do Trabalho – 2012) Para configurar-se o vício da lesão é necessário que a) nos contratos bilaterais apenas ocorra grande desproporção entre os valores das prestações opostas. nessa propriedade. A letra “a” está errada.com. à própria municipalidade. traduzindo uma liberalidade mediante um ônus. em razão de fato imprevisível. encerra uma liberalidade gravada com (. 157. No caso a obrigação do donatário é de construir uma creche. premida da necessidade de salvar-se. Observem que geralmente. Gabarito: “E”.. pois ela trata da resolução do contrato por onerosidade excessiva. assuma obrigação excessivamente onerosa. sob premente necessidade. para a identificação do encargo encontramos a expressão “para que”. tornando possível às suas mães o acesso ao trabalho remunerado. impondo uma obrigação à pessoa beneficiada. COMENTÁRIOS.. para que em um deles seja construída um posto de saúde. b) nos contratos de execução continuada ou diferida uma das prestações venha a se mostrar manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta. uma creche para crianças carentes da região. d) a manifestação de vontade tenha sido obtida em razão de temor de dano iminente e considerável a seu patrimônio. à sua pessoa ou a pessoa de sua família. Lauro Escobar www. Anteriormente já havia caído um teste muito parecido: “A expressão: doo dois terrenos situados à Rua “X”.

c) apenas a primeira disposição se acha em vigor. pois o negócio simulado é nulo. CC). ATUAIS. b) X. comum a ambas as partes.br 81 . A letra “a” está errada. Y e Z. quando o motivo determinante. por vício resultante de erro. 168 e 169. pois quando o negócio tiver por objetivo fraudar lei imperativa é hipótese de nulidade absoluta (art. A letra “b” está correta nos termos do art. O negócio que tem por objeto fraudar lei imperativa é hipótese de nulidade absoluta (art. o negócio jurídico Y possui vício resultante de estado de perigo e o negócio jurídico Z teve por objeto fraudar lei imperativa. estado de perigo. CC). Finalmente a letra “e” está errada. 171.06) (FCC – TRT/1ª Região/RJ – Magistratura do Trabalho – 2012) O negócio jurídico a) é nulo. A validade do negócio jurídico requer forma prescrita ou não defesa em lei. pois são hipóteses de ato anulável (art. 166. 166. senão quando a lei expressamente a exigir. Prof. não sendo passível de confirmação. A letra “d” está errada. b) nenhuma das disposições se acha em vigor. e) simulado é anulável. nem convalescendo pelo decurso do tempo. lesão ou fraude contra credores. Lauro Escobar www. d) é anulável.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR jurídico X contém vício resultante de fraude contra credores.07) (FCC – TRE/PR – Analista Judiciário – 2012) Considere as seguintes disposições legais: I. III. Gabarito: “B”. CC). II. c) anulável pode ser alegado por qualquer interessado. d) A. CC. Coação (A). COMENTÁRIOS. for ilícito. CC). 171. Segundo o Código Civil brasileiro. pois o negócio anulável pode ser confirmado e se convalesce pelo decurso de tempo. Y e Z. VI. A letra “c” está errada. b) é nulo. mas subsistirá o que se dissimulou. dolo. COMENTÁRIOS. ATUAIS. as características arroladas na afirmação dizem respeito ao ato nulo (arts. II.com. fraude contra credores (X) e estado de perigo (Y) são hipóteses de anulabilidade do negócio jurídico (art. X e Y. e) X e Y. VI. 167. quando tiver por objetivo fraudar lei imperativa. A validade da declaração de vontade não dependerá de forma especial.pontodosconcursos. c) A e Z. 166. II. coação. CC). se válido for na substância e na forma. nos termos do art. CC. Gabarito: “A”. são anuláveis APENAS os negócios jurídicos a) A. É CORRETO afirmar que a) as duas disposições se acham em vigor.

br 82 . CC. feito e assinado por agente maior e capaz. e) a prova exclusivamente testemunhal. prova as obrigações convencionais de qualquer valor.09) (FCC – TRT/11ª Região/AM e RR – Magistratura do Trabalho – 2012) O negócio jurídico cuja prática seja proibida por lei. possível. 221. CC estabelece que a prova do instrumento particular pode suprir-se pelas outras de caráter legal. Completa o parágrafo único deste dispositivo que qualquer que seja o valor do negócio jurídico. CC que salvo os casos expressos. b) as declarações constantes de documentos assinados presumem-se verdadeiras em relação aos signatários e em face de terceiros. b) objeto lícito.com. COMENTÁRIOS. As duas disposições estão em vigor. 104. caput. O item I está previsto no art. a respeito de terceiros. ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens. é admissível em qualquer negócio jurídico.pontodosconcursos. c) forma prescrita ou não defesa em lei. Gabarito: “A”. sem cominar sanção é a) nulo. Lauro Escobar www. CC que o instrumento particular. pois determina o art. determinado ou determinável. ATUAIS. COMENTÁRIOS. a prova exclusivamente testemunhal só se admite nos negócios jurídicos cujo valor não ultrapasse o décuplo do maior salário mínimo vigente no País ao tempo em que foram celebrados. bem como os da cessão. e) as duas disposições apenas parcialmente se acham em vigor. feito e assinado. gerando efeitos imediatos em relação a terceiros. CC. b) nulo. prova as obrigações convencionais de qualquer valor. ATUAIS. Finalmente a letra “e” está errada. 221. 215. se a violação for de lei de ordem pública e anulável se a violação for de lei supletiva. que dispõe que a validade do negócio jurídico requer: a) agente capaz. como regra. lavrada em notas de tabelião. c) a escritura pública. Gabarito: “C”. mesmo que estranhos ao ato. Prof. 219. O item II está previsto no art. pois o art. é documento dotado de fé pública.08) (FCC – TST – Analista Judiciário – 2012) É CORRETO afirmar que a) o instrumento particular. 227. mas os seus efeitos. fazendo prova plena. CC. e) a prova do instrumento particular não se pode suprir por outras de caráter legal. independentemente de seu valor. antes de registrado no registro público. não se operam. A letra “d” está errada. a prova testemunhal é admissível como subsidiária ou complementar da prova por escrito. pois o parágrafo único do art. 107.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR d) apenas a segunda disposição se acha em vigor. A letra “b” está errada. A letra “c” está correta nos termos do art. A letra “a” está errada. CC restringe a presunção de veracidade das declarações constantes de documentos assinados somente em relação aos signatários. pois prevê o art.

br 83 . nos termos do art. Não se faz diferença se a lei é de ordem pública ou supletiva Gabarito: “A”. I. 1860. pois nos termos do art. foi praticado com violação à lei. COMENTÁRIOS. aos bons costumes ou com inobservância da forma legal. quando o correto é “salvo”. II e IV. CC. 110. deve ser assistido nos negócios jurídicos em geral. mesmo que dela o destinatário tivesse conhecimento. 166. O ato inexistente é aquele que não reúne os elementos necessários à sua formação. nos moldes do art. sem cominar sanção. e) estão corretas apenas as afirmações II e IV. d) anulável. à ordem pública. se dela tivesse ou devesse ter conhecimento a parte a que aproveite. sob pena de anulabilidade (nulidade relativa) e não ato nulo como na afirmação. os maiores de 16 anos podem testar sem Prof. A afirmativa I está errada. I. Segundo porque a elaboração de testamento é uma exceção.10) (FCC – TRT/14ª Região/RO e AC – Magistratura do Trabalho – 2012) No que diz respeito aos atos e negócios jurídicos analise as afirmações seguintes. c) estão corretas apenas as afirmações I.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR c) inexistente. 1860. parágrafo único do Código Civil. prevista no art. b) estão corretas apenas as afirmações I. O ato nulo é o ato que embora reúna os elementos necessários a sua existência. COMENTÁRIOS. III. CC que é nulo o negócio jurídico quando a lei taxativamente o declarar nulo. d) estão corretas apenas as afirmações II. a) estão corretas apenas as afirmações I. João Emanuel. redigiu o seu testamento. II e III. VII. II. III e IV. A manifestação de vontade subsite ainda que o seu autor haja feito a reserva mental de não querer o que manifestou. e) ineficaz.pontodosconcursos. Ocorre que o examinador colocou na alternativa a expressão “mesmo”. e esta responderá solidariamente com aquele por perdas e danos. 17 anos de idade. Ela trata da chamada “reserva mental”. A assertiva II está correta.com. 171. CC. O ato nulo precisa de decisão judicial para a retirada da sua eficácia. O relativamente incapaz deveria ter sido assistido por outrem. ATUAIS. Lauro Escobar www. IV. trata-se de entendimento doutrinário acerca do ato nulo e do ato inexistente. III e IV. ele não produz qualquer consequência jurídica. parágrafo único. O item III está errado. O ato jurídico é nulo de pleno direito. ou proibir-lhe a prática. Vicia o negócio jurídico a coação exercida por terceiro. assinalando ao final a única alternativa CORRETA. Primeiro porque sendo Emanuel relativamente incapaz (maior de 16 e menor de 18 anos). CC. porque ausente o requisito de validade jurídica do negócio jurídico referente à capacidade do agente. pessoalmente e sem assistência. Estabelece o art.

com. e só poderá ocorrer se a parte prejudicada demonstrar cabalmente ter sido prejudicada por essa prática. a validade do negócio jurídico requer: agente capaz. c) a simulação é causa de anulação do negócio. 168. pois segundo o parágrafo único do art. que corresponda efetivamente ao que almeja o agente. Finalmente a letra “e” está errada. A doutrina ainda Prof. o estado de perigo e a fraude contra credores também são hipóteses prevista no Código Civil sobre anulabilidade do negócio jurídico. sendo-lhe permitido supri-las. COMENTÁRIOS. c) o negócio jurídico nulo convalesce pelo decurso do tempo por razões de segurança jurídica. CC. não sendo passível de levar à anulação do negócio. quando conhecer do negócio jurídico ou dos seus efeitos e as encontrar provadas. é nulo o negócio jurídico quando tiver por objetivo fraudar lei imperativa. Completa o art. é requisito de validade dos negócios jurídicos. CC. pois é o negócio anulável que se convalesce pelo decurso de tempo. d) o erro. Lauro Escobar www. assinale a afirmativa CORRETA. quando lhe couber intervir. o dolo e a coação são as únicas hipóteses de anulabilidade do negócio jurídico previstas pelo Código Civil. A letra “b” está errada. CC). pois dispõe o art. e) o objetivo da ação pauliana é anular o negócio praticado em fraude contra credores. Gabarito: “A”. não lhe sendo permitido supri-las. 169. possível. determinado ou determinável e forma prescrita ou não defesa em lei. a) a nulidade de um negócio jurídico decorrente de fraude de lei imperativa pode ser alegada pelo Ministério Público quando lhe couber intervir.pontodosconcursos. 154. CC que tal nulidade podem ser alegadas por qualquer interessado. 168. CC determina que as nulidades absolutas devem ser pronunciadas pelo juiz. b) as hipóteses de anulabilidade devem ser pronunciadas pelo juiz. pois se o negócio não revestir a forma prescrita em lei será considerado nulo (art. Finalmente a afirmação IV está correta. nem convalesce pelo decurso do tempo. pois a lesão. 166.br 84 . CC. a) a emissão de vontade livre e consciente.11) (FGV – Delegado de Polícia do Estado do Maranhão – 2012) A respeito do plano de validade dos negócios jurídicos. e) é anulável um negócio jurídico que não revestir a forma prescrita em lei. 104. COMENTÁRIOS. Gabarito: “E”. A letra “d” está errada.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR assistência. Segundo o art. IV. ou pelo Ministério Público. ainda que a requerimento das partes. b) o erro acidental é o que recai sobre características secundárias do objeto. objeto lícito. quando conhecer do negócio jurídico ou dos seus efeitos e as encontrar provadas. A letra “a” está correta. nos termos do art. 166. segundo o art. o negócio jurídico nulo não é suscetível de confirmação. assinale a afirmativa INCORRETA. IV. ATUAIS.12) (FGV – OAB – Exame Unificado – 2012) Em relação aos defeitos dos negócios jurídicos. A letra “c” está errada. A letra “a” está correta. ATUAIS.

embora em condições menos onerosas à vítima.pontodosconcursos. Podemos dizer que um ato é válido (quanto ao consentimento) quando eu faço exatamente aquilo que eu queria fazer. Mesmo sabendo do defeito. Ele não anula o negócio. chamada de pauliana. Os atos praticados contra credores são anuláveis através de ação própria. O principal efeito da ação é revogar o negócio lesivo aos interesses dos credores. porém em condições mais onerosas (ou menos vantajosas). De fato. mas prejudiquei interesses de terceiros. Esta vontade deve ser livre e consciente. produzindo efeitos. Está correto APENAS o que se afirma em a) I e II. O dolo incidens ou acidental está previsto no art. d) II e IV. b) I e III. principalmente porque a simulação.com. CC. se eu fiz algo que não queria ou fiz algo que eu queria. A COAÇÃO. é aquela conhecida como vis absoluta. c) II e III. A letra “b” está correta. nos termos do art. a pessoa teria realizado aquele negócio. em face das circunstâncias do negócio.br 85 . e) III e IV. DOLUS INCIDENS (dolo acidental) é aquele que torna o negócio menos vantajoso para a parte e leva à indenização por perdas e danos. CC estabelece que são anuláveis os negócios jurídicos. independentemente das manobras astuciosas. O ERRO tem como elemento principal a cognoscibilidade e adota o princípio da confiança. que torna anulável o negócio jurídico. A letra “c” está errada. 167. IV. Gabarito: “C”. o negócio jurídico não será anulado. Com relação aos vícios do negócio jurídico. A letra “d” está certa. O ato continua válido. é causa de nulidade (e não anulação) do negócio. CC. ATUAIS. A afirmação I está correta. O negócio teria sido praticado de qualquer forma. Ele leva a vítima a realizar o negócio jurídico. III. considere as afirmativas abaixo. Observem que o art.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR acrescenta a vontade como requisito de validade dos negócios jurídicos. o erro acidental é aquele concernente às qualidades secundárias ou acessórias da pessoa ou do objeto. apenas obriga a satisfação de Prof. COMENTÁRIOS. ESTADO DE PERIGO é um defeito interno do negócio jurídico.13) (CESGRANRIO – LIQUIGÁS – Advogado – 2012) A emissão da vontade é elemento fundamental do negócio jurídico. sendo física e não moral. não afetando sua declaração de vontade. quando as declarações de vontade emanarem de erro substancial (e não acidental) que poderia ser percebido por pessoa de diligência normal. Assim. desejando seus efeitos. II. 146. no qual a vontade é constrangida por terceiro. sem que esta conduta prejudique terceiros. Ocorrendo esta espécie de erro. I. repondo o bem no acervo sobre o qual se efetuará o concurso de credores. porque o defeito não incide sobre a declaração de vontade. Lauro Escobar www. 138. surgem os chamados defeitos relativos à vontade.

14) (MPE/PR – Promotor de Justiça – 2012) Assinale a alternativa INCORRETA. A espécie de coação prevista no Código (arts. não havendo a vontade. A letra “c” está correta nos termos do art.com. Na realidade a situação é inversa. estabelece o art.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR perdas e danos ou a uma redução da prestação pactuada. ATUAIS. assume obrigação excessivamente onerosa (art. A afirmação IV está errada. §2°. 156. A doutrina se divide. a) o erro acidental não acarreta a anulação do negócio jurídico. se dela tivesse ou devesse ter conhecimento a parte a que aproveite. o negócio não existiria. pois o art. conhecimento a parte a quem aproveite. ou devesse ter. A letra “b” está correta. Além disso. 155. 138. COMENTÁRIOS. Não é prevista na lei. o estado de perigo é aquele em que alguém.pontodosconcursos. para dar ensejo à anulação do negócio jurídico. 138. Lauro Escobar www. 154. CC que o dolo acidental só obriga à satisfação das perdas e danos. ou se a parte favorecida concordar com a redução do proveito. c) a coação por terceiro somente anula o negócio jurídico se dela tiver. mas não acarreta a anulação do negócio jurídico. mas subsistirá o que se dissimulou. Gabarito: “B” (afirmações I e III estão corretas). b) o dolo acidental obriga a indenização por perdas e danos. CC prevê que somente o erro substancial (essencial ou principal) é passível de anulação. mas o autor da coação responderá por todas as perdas e danos que houver causado ao coacto. CC que é nulo o negócio Prof. CC estabelece que o erro. pois está se referindo à coação exercida por terceiro (art. se ele for material e formalmente válido. Por outro lado. 154. pois determina o art. d) não se decreta a anulação do negócio lesivo se as partes concordarem com o reequilíbrio contratual. 151/155) e que torna anulável o negócio jurídico é a coação moral (vis compulsiva). CC). sendo considerado inexistente. CC que subsistirá o negócio jurídico. A afirmação III está correta. CC: Vicia o negócio jurídico a coação exercida por terceiro. e esta responderá solidariamente com aquele por perdas e danos. pois prevê o art. de grave dano conhecido pela outra parte. Alguns afirmam que como a manifestação de vontade é um requisito para a existência do negócio jurídico. 167. O art. pois nosso Código acolheu a chamada teoria da confiança. premido da necessidade de salvarse. Outros afirmam que é hipótese de nulidade absoluta do negócio. deve ser cognoscível (ou seja. 146. A afirmação II está errada. 157. A letra “d” está correta nos termos do art. se for oferecido suplemento suficiente. A letra “e” está errada. se a coação decorrer de terceiro. CC: Não se decretará a anulação do negócio. e) é anulável o negócio jurídico simulado. A letra “a” está correta.br 86 . que pode ser conhecido pela outra parte). CC). A coação física (vis absoluta) é aquela que retira toda capacidade de querer de uma das partes. ou a pessoa de sua família. sem que a parte a que aproveite dela tivesse ou devesse ter conhecimento. implicando ausência total de consentimento. que tem tem por base a verificação da discrepância entre a vontade real do agente e a sua equivocada manifestação. há de ser substancial ou essencial.

Finalmente a letra “e” está certa. mas não contra a pessoa que com ele celebrou a estipulação considerada fraudulenta. a aquisição do direito fica suspensa até a sua implementação. se válido for na substância e na forma. Gabarito: “E”. COMENTÁRIOS. A respeito da fraude contra credores. a vantagem resultante reverterá em proveito do acervo sobre que se tenha de efetuar o concurso de credores. pois prescreve o art. nos exatos termos do art. penhor ou anticrese. mediante hipoteca. penhor ou anticrese. aproximadamente. e) se presumem de boa-fé e valem os negócios ordinários indispensáveis à manutenção de estabelecimento mercantil. 160. CC que a ação poderá ser intentada contra o devedor insolvente. A letra “c” está errada. b) quando um negócio jurídico é subordinado à termo inicial. o termo e o encargo.16) (IESES – TJ/RO – Titular de Serviços de Notas e Registros – 2012) Podem compor o negócio jurídico a condição. o corrente. A letra “b” está errada. mediante hipoteca. A letra “d” está errada. rural. sem que se tenha de efetuar o concurso de credores. Prof.br 87 . b) ainda que os negócios tivessem por único objeto atribuir direitos preferenciais. 161.com. CC. anulados os negócios fraudulentos. 164. sua invalidade importará na anulação do negócio jurídico principal e seus acessórios. c) a ação por fraude contra credores poderá ser intentada contra o devedor insolvente. Gabarito: “E”. ou contra a pessoa que com ele celebrou a estipulação considerada fraudulenta. com a citação de todos os interessados. 165. pois segundo o art. é CORRETO afirmar que a) se o adquirente dos bens do devedor insolvente ainda não tiver pago o preço e este for. ATUAIS. Lauro Escobar www. mas subsistirá o que se dissimulou. No entanto: a) o negócio jurídico se invalida se subordinado a uma condição ilícita. desobrigar-se-á depositando-o em juízo. ou à subsistência do devedor e de sua família. CC.15) (VUNESP – Advogado da CETESB . CC: Se o adquirente dos bens do devedor insolvente ainda não tiver pago o preço e este for. a vantagem resultante reverterá em proveito do credor prejudicado. sua invalidade importará somente na anulação da preferência ajustada. CC que se os negócios tinham por único objeto atribuir direitos preferenciais. o corrente.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR jurídico simulado. caput. d) anulados os negócios fraudulentos.Companhia Ambiental do Estado de São Paulo – 2013) A fraude contra credores é prevista no Código Civil como um dos defeitos do negócio jurídico. desobrigar-se-á pelo pagamento ao devedor insolvente. ou contra terceiros adquirentes que hajam procedido de má-fé. 165. ATUAIS. ou industrial.pontodosconcursos. aproximadamente. pois prevê o art. A letra “a” está errada. pois dispõe o parágrafo único do art.

pontodosconcursos. ou seja. A letra “b” está errada. b) encargo. determinando a cessação dos efeitos da compra e venda. a cláusula que sujeita o pagamento integral do preço ao registro da baixa da hipoteca no registro de imóveis constitui a) encargo. b) condição potestativa pura. CC. d) as condições impossíveis invalidam o negócio jurídico se resolutivas. suspende o exercício do direito (é a condição suspensiva que suspende a aquisição e o exercício do direito). invalidam o negócio (art. Não suspende nem a aquisição nem o exercício do direito (salvo quando imposto como condição suspensiva). nos termos do art. CC. a ser cumprido pelo comprador. CC. COMENTÁRIOS. Prof.br 88 . ATUAIS. de pintor famoso. c) condição suspensiva. tem-se por inexistente. No caso concreto o negócio só seria concretizado se houvesse o implemento de uma condição (ganhar o prêmio. e tem-se como inexistentes quando suspensivas. COMENTÁRIOS. Gabarito: “A”. é um evento futuro e incerto). uma cláusula acessória: só o compraria. d) condição suspensiva. as condições física ou juridicamente impossíveis invalidam o negócio se a condição for suspensiva. Se for ilícita ou de fazer coisa ilícita. independentemente de ser ou não imposto como condição suspensiva. ATUAIS. permitida por lei. CC).18) (CESGRANRIO – Caixa Econômica Federal – Advogado – 2012) Num contrato de compra e venda de um bem imóvel. mas colocou no contrato de compra e venda. O termo subordina os efeitos do negócio jurídico a um evento futuro e certo. Se for inicial. ela é chamada de suspensiva (art.com. 131. A letra “c” está errada. Lauro Escobar www. c) termo. 125. Que tipo de cláusula acessória foi estabelecida neste contrato? a) condição resolutiva. II. CC). Como o negócio está suspenso até a eventual ocorrência condição. nos termos do art.17) (IADES – Advogado da EBSERH – Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – 2013) João manifestou a vontade de comprar um quadro. O encargo consiste na prática de uma liberalidade subordinada a um ônus. e) condição suspensiva. mas se for resolutiva. 136. Gabarito: “E”. pois está invertida. d) condição potestativa. se o referido artista ganhasse o prêmio da Exposição de Artes de Nova York.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR c) se ao negócio for aposto um encargo. o exercício e a aquisição do direito ficam suspensos até que seja cumprido. A alternativa “a” está correta. 124. A condição subordina os efeitos de um negócio jurídico a um evento futuro e incerto. subordinando a eficácia do contrato a evento futuro e incerto. A letra “d” também está errada. 123. nos termos do art.

cujo objeto é suspender a eficácia do contrato de compra e venda de um bem imóvel e não da cessação dos seus efeitos. COMENTÁRIOS. 124. Pela redação da questão. Além disso. 121. Diferencia-se da condição suspensiva porque não suspende a aquisição nem o exercício do direito. ATUAIS. CC. CC). Trata-se de uma condição. vindo o negócio jurídico a subordinar a sua eficácia à condição suspensiva. CC (parte final). não se terá adquirido o direito. a que ele visa. Lauro Escobar www. mas a estipulação de uma condição que subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto. Gabarito: “C”. quando resolutivas. quando suspensivas. termine) o contrato. simplesmente serão tidas como não escritas.com. A letra “a” está errada. sujeitando-se ao puro arbítrio de uma das partes) são ilícitas.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR e) condição resolutiva tácita. 127. No caso concreto não houve a imposição de um ônus a uma das partes em razão da liberalidade de outra. A cessação dos efeitos do contrato decorre do seu término. derivando exclusivamente da vontade das partes. A letra “c” está correta. quando resolutivas. têm-se por inexistentes (mas subsiste o negócio jurídico): a) as condições incompreensíveis. 122. pois a mesma pode ser considerada como uma cláusula que. A letra “d” está errada. e as de não fazer coisa impossível. ou de fazer coisa ilícita. CC). Assim. não trazem qualquer consequência para o negócio jurídico. d) as condições física ou juridicamente impossíveis. e as de não fazer coisa impossível. pode-se identificar como evento futuro e incerto o pagamento integral do preço no contrato de compra e venda de um bem imóvel.19) (TRT/3ª Região/MG – Magistratura do Trabalho – 2013) Assinale a alternativa CORRETA: Nos termos do Código Civil vigente. b) as condições impossíveis. Estabelece o art. dessa forma.pontodosconcursos. propósito distinto de qualquer elemento acidental (eficácia do negócio jurídico). Finalmente a letra “e” está errada. No caso da questão não há a estipulação de uma condição que “resolva” (extinga. enquanto não se verificarem. vigorando o mesmo. está ligada à existência do negócio jurídico. c) as condições ilícitas. 136. nos termos do art. e) as condições contraditórias. pois a questão trata de uma hipótese de condição. pois o encargo ou modo é o elemento acidental do negócio jurídico que traz um ônus relacionado com uma liberalidade (art. enquanto esta se não verificar. necessária para a resolução do contrato. se estas condições forem colocadas em um negócio jurídico. pois as condições puramente potestativas (que dependem de uma vontade unilateral.br 89 . A letra “b” está errada. CC que têm-se por inexistentes as condições impossíveis. subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto (art. cabendo inclusive o exercício de direitos dele decorrentes (art. aspecto esse que condiciona o registro da baixa da hipoteca no registro de imóveis. 125. CC). pois as condições resolutivas são aquelas que. Mas o negócio valerá como ato Prof. Podem ser expressas (se constar expressamente do negócio) ou tácitas (se decorrer de uma presunção ou mesmo da natureza do pacto celebrado). COMENTÁRIOS. de acordo com o art.

A vontade está na gênese de todos os negócios jurídicos. ou proibir-lhe a prática sem cominar sanção. CC. CC é de quatro anos o prazo de decadência para pleitear-se a anulação do negócio jurídico. pagou a um incapaz. é de cinco anos o prazo de decadência para pleitear-se a anulação do negócio jurídico.21) (CESGRANRIO – LIQUIGÁS – Advogado – 2012) Com referência aos negócios jurídicos. d) no caso de coação.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR incondicionado (puro e simples). por uma obrigação anulada. Gabarito: “B”. trata-se de uma condição resolutiva. subsistindo o negócio jurídico (a doação foi válida). sendo certo que adquire relevância a partir de sua expressa inscrição nas cláusulas contratuais. b) é anulável o negócio jurídico sempre que a lei civil proibir-lhe a prática. Exemplo: se eu lhe dou um cavalo com a condição do mesmo não correr a 250 km/h. se houvessem previsto a nulidade. contado. e) se o negócio jurídico nulo contiver os requisitos de outro. pois segundo o art. Prof. com base no Código Civil. como se nenhuma condição fosse estabelecida. sem a condição imposta. ATUAIS. COMENTÁRIOS. é correto afirmar que: a) a invalidade do instrumento induz necessariamente a do negócio jurídico. ATUAIS. A letra “e” está correta. pois o art.br 90 . CC. na interpretação dos contratos.O intérprete do negócio jurídico valorará a vontade desde que seja extraível da declaração onde está consubstanciada. Por isso ela é tida como se não fosse escrita (inexistente). Gabarito: “E”. A letra “d” está errada. A letra “a” está errada nos termos do art. 178. 170. II. A letra “b” está errada. pois a invalidade do instrumento não induz a do negócio jurídico sempre que este puder provar-se por outro meio. I. Lauro Escobar www. pois conforme o art. do dia em que ela cessar. 166. I. considere as afirmativas abaixo. uma vez que. 183. VII CC é nulo o negócio jurídico quando a lei taxativamente o declarar nulo. se não provar que reverteu em proveito dele a importância paga.20) (TRT/3ª Região/MG – Magistratura do Trabalho – 2013) Relativamente às regras gerais sobre a invalidade dos negócios jurídicos. possui uma ressalva: ninguém pode reclamar o que. c) ninguém pode reclamar o que. pagou a um incapaz. por uma obrigação anulada.com. III. 181. contado do dia em que ela cessar. se atenderá mais à vontade das partes que à literalidade das palavras.pontodosconcursos. A letra “c” está errada. CC. subsistirá este quando o fim a que visavam as partes permitir supor que o teriam querido. A validade da declaração de vontade depende sempre da forma especial estabelecida em lei. pois é o que prevê expressamente o art. no caso de coação. Porém esta condição é impossível. sem cominar sanção.

br 91 . CC afirma que nas declarações de vontade se atenderá mais a intenção nelas consubstanciadas do que ao sentido literal da linguagem. ainda tem para si reservada a garantia de manifestação de sua vontade própria. Finalmente a assertiva IV está correta. no entanto.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR IV. A afirmação I está errada. Prof. Para a corrente majoritária. Como o contratante exerce sua vontade no ato da contratação (adere ou não às cláusulas) entende-se que aí reside a bilateralidade do contrato.pontodosconcursos. 112. o art. o representado não poderá ser responsabilizado civilmente além do proveito que tiver auferido.22) (MP/DFT – Promotor de Justiça – 2011) Considerando a invalidade do negócio jurídico. visto que. para pagar imposto menor. d) II e IV. 107. d) em se tratando de negócio jurídico marcado por dolo acidental imputável a representante convencional ou legal. Exatamente por esse motivo que a afirmação II está correta. e) III e IV. se proposta a ação no prazo legal. isto é. verificada ao longo da execução das obrigações ajustadas. Esta questão é bem difícil sob o ponto de vista interpretativo. a vontade é anômala. é relativa e acarreta apenas a anulação do ato jurídico. Questiona-se muito a vontade nos chamados contratos de adesão. encontra-se limitada ao ato de aderir. b) quando as partes. ATUAIS. o aderente ainda tem a liberdade de contratar (aderir ou não). COMENTÁRIOS. pois a relevância da vontade não fica restrita em sua expressa inscrição nas cláusulas contratuais.com. pois o art. praticam simulação que. surgindo excessiva onerosidade em virtude de fatos supervenientes à celebração do contrato. se configura quando há desproporção entre as prestações assumidas pelas partes. indique a única alternativa CORRETA: a) a alienação fraudulenta de bens pelo devedor. CC estabelece que a validade da declaração de vontade não dependerá de forma especial. importa em fraude contra credores. apesar de ver restringido sua liberdade de deliberar sobre o conteúdo dos contratos (daí dizer-se vontade anômala). Lauro Escobar www. realizada depois de ajuizada uma demanda com vistas à cobrança de dívida capaz de reduzi-lo à insolvência. Gabarito: “D” (afirmações II e IV estão corretas). Nos chamados contratos de adesão ou por adesão. b) I e IV. Está correto APENAS o que se afirma em a) I e II. A assertiva III está errada. como defeito interno de consentimento. senão quando a lei expressamente exigir. lavram escritura de compra e venda por preço inferior ao real. provocando a anulação do negócio jurídico e o retorno dos bens alienados ao patrimônio do devedor. c) II e III. c) a lesão. embora autônoma.

149. contado. salvo se.com. se ele for válido na substância e na forma (ou seja. 155. CPC) e não fraude contra credores (arts. desde que separáveis e respeitada a intenção das partes.23) (FCC – TRT/8ª Região/PA e AP – Magistratura do Trabalho – 2012) Analise as proposições abaixo e assinale a alternativa CORRETA: I. do negócio aparente. não tinha nem podia ter conhecimento do mencionado vício. CC que subsistirá o negócio jurídico. CC que vicia o negócio jurídico a coação exercida por terceiro. §1°. for indivisível o objeto do direito ou da obrigação comum. não haverá a anulação do negócio jurídico.pontodosconcursos. 158/165. pelo coato.br 92 . A letra “a” está errada. IV. A incapacidade relativa de uma das partes não pode ser invocada pela outra em benefício próprio.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR e) em matéria de coação de terceiro. 157. mas com o valor correto). Gabarito: “E”. A letra “e” está correta. mas subsistirão os efeitos do negócio dissimulado. No entanto. sendo decorrente do princípio da conservação. o dolo for do representante convencional. A letra “b” está errada. Inicialmente estabelece o art. E a consequência dela é a ineficácia do ato perante o processo de execução (e não sua anulação). porém. a lei não autoriza a anulação do negócio jurídico. o representado responderá solidariamente com ele por perdas e danos. estabelece o art. III. A fixação de domicílio é ato jurídico em sentido estrito. a lavratura de escritura com valor inferior ao real é hipótese de simulação relativa. se o sujeito. que o dolo do representante legal de uma das partes só obriga o representado a responder civilmente até a importância do proveito que teve. II. ATUAIS. se. 146. 593. neste caso. a quem a declaração beneficia. do dia em que ela cessar. 154. Como a alienação fraudulenta ocorreu depois de ajuizada a ação de cobrança o que ocorreu foi fraude à execução (art. A letra “c” está errada. Estabelece o art. CC que “aprecia-se a desproporção das prestações segundo os valores vigentes ao tempo em que foi celebrado o negócio jurídico” (e não em virtude de fatos supervenientes à celebração do contrato). De fato. No entanto. estabelece o art. CC). no caso de coação. se dela tivesse ou devesse ter conhecimento a parte a que aproveite. sem que a parte a que aproveite dela tivesse ou devesse ter conhecimento. tendo efeitos ex lege. b) as alternativas I e II estão corretas. pois estabelece o art. CC que o dolo acidental só obriga à satisfação das perdas e danos. se a coação decorrer de terceiro. Lauro Escobar www. A conversão é a operação pela qual se retiram de um determinado negócio jurídico as partes inválidas. Além disso. É de três anos o prazo de decadência para pleitear-se a anulação do negócio jurídico. mas o autor da coação responderá por todas as perdas e danos que houver causado ao coato. a venda propriamente dita. neste caso ocorre a nulidade do negócio simulado (ou seja. que no caso concreto é o valor fictício da venda). A letra “d” está errada. a) as alternativas II e III estão corretas. Prof. COMENTÁRIOS. nem aproveita aos cointeressados capazes. Portanto.

com. é de quatro anos o prazo decadencial para anulação do negócio jurídico. CC admite-se a conversão do negócio jurídico nulo em outro de natureza diferente: “Se o negócio jurídico nulo contiver requisitos de outro. A afirmação está prevista expressamente no art. Observem: o negócio não pode prevalecer da forma como pretendida pelas partes. A partir do momento em que se fixa o domicílio em determinado lugar. subsistirá este quando o fim a que visavam as partes permitir supor que o teriam querido. (E) os negócios jurídicos por vício de omissão dolosa são anuláveis. realiza campanha para captação de clientela. e) as alternativas II e IV estão corretas. 178. se houvessem previsto a nulidade”. 170. contado o prazo da cessação da ameaça. sendo vedada a sua convalidação pelo decurso de tempo. (B) a condição juridicamente impossível invalida o negócio jurídico a ela subordinado. quando confrontados com os termos do contrato assinado. instituição financeira sob a fiscalização do Banco Central.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR c) as alternativas III e IV estão corretas. 105. (C) o direito de anular o negócio jurídico viciado pela coação decai em 4 anos. A afirmação II está errada. contado. Creso retorna ao local onde formalizou a aquisição do produto e verifica que os juros divulgados não foram aplicados. 02) (CESGRANRIO – BACEN – Analista do Banco Central do Brasil – 2010) Cred e Deb S/A. CC. e o adquire sendo o seu vencimento determinado em doze meses. COMENTÁRIOS. CC. quando resolutiva. sendo resguardados os direitos de terceiros de boa-fé. desde que não haja uma proibição expressa. Gabarito: “D” (os itens I e IV estão corretos).pontodosconcursos. O item IV está correto. as consequências dai advindas decorrem da lei. Ao final do período. do dia em que ela cessar. Creso. Mas como seus elementos são idôneos para caracterizar outro negócio. A afirmativa I está correta. Nos termos do art. Diferentemente do afirmado na questão. EXERCÍCIOS SEM COMENTÁRIOS DA CESGRANRIO 01) (CESGRANRIO – BNDES – Profissional Básico – Direito – 2013) A legislação vigente a respeito dos defeitos e da invalidade do negócio jurídico estabelece que (A) a sentença que reconhece hipótese de nulidade opera efeitos ex nunc. No ato jurídico em sentido estrito há a participação humana. pode ocorrer a transformação. (D) o negócio jurídico resultante do vício de estado de perigo não é passível de confirmação. Segundo o art. ofertando produto com juros acima do mercado. d) as alternativas I e IV estão corretas. que confirmava os Prof. no caso de coação. contacta o gerente da instituição Cred e Deb S/A. I. Lauro Escobar www. voluntária e consciente. por ser nulo de pleno direito.br 93 . mas os efeitos são os impostos pela lei e não pelas partes interessadas. não se retiram as partes inválidas do negócio e sim o transforma em outro de natureza diversa. interessado no produto. O item III está errado.

Com relação aos vícios do negócio jurídico. Inconformado com o evento. não se decretará a anulação do negócio. à luz do Código Civil. Aduz. II. (E) incapacidade do autor gera a nulidade do negócio jurídico implementado. Lauro Escobar www. uma das conclusões é que o(a) (A) negócio jurídico pode ser declarado nulo por intervenção do Banco Central. (B) configura-se a lesão quando alguém. Prof. Analisando o caso acima. ESTADO DE PERIGO é um defeito interno do negócio jurídico. ou se a parte favorecida concordar com a redução do proveito. O ERRO tem como elemento principal a cognoscibilidade e adota o princípio da confiança. 04) (CESGRANRIO – Advogado da Liquigás – 2012) A emissão da vontade é elemento fundamental do negócio jurídico. sem que a parte a que aproveite dela tivesse ou devesse ter conhecimento. de grave dano conhecido pela outra parte. se oferecer para executá-la na conformidade da vontade real do manifestante. (D) ato jurídico em tela restou perfeito e acabado. ou a pessoa de sua família. 03) (CESGRANRIO – Advogado da Innova – 2012) Sobre defeitos do negócio jurídico. DOLUS INCIDENS (dolo acidental) é aquele que torna o negócio menos vantajoso para a parte e leva à indenização por perdas e danos. assume obrigação excessivamente onerosa. premido da necessidade de salvarse. (C) subsistirá o negócio jurídico se a coação decorrer de terceiro. no qual a vontade é constrangida por terceiro. I. III. (E) o dolo bilateral não pode ser alegado pela parte que dele se aproveitou.br 94 . ainda.pontodosconcursos.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR juros os quais a empresa financeira estava quitando. (B) prazo para o exercício da pretensão do absolutamente incapaz se obstaculiza pela prescrição. (D) o erro não prejudica a validade do negócio jurídico quando a pessoa. sendo nulo o contrato realizado. por omissão na fiscalização. a quem a manifestação de vontade se dirige. mas o autor da coação responderá por todas as perdas e danos que houver causado ao coacto. gerando todos os seus efeitos. Creso promove ação de responsabilidade civil contra a empresa Cred e Deb por informações indevidas e também contra o Banco Central.com. (C) contrato é lei entre as partes e não pode o absolutamente incapaz se insurgir quanto ao seu cumprimento. que é absolutamente incapaz. o Código Civil NÃO dispõe o seguinte: (A) no negócio jurídico viciado por lesão. considere as afirmativas abaixo. se for oferecido suplemento suficiente.

desde que esta seja vitoriosa em procedimento de licitação realizada pelo Estado do Rio de Janeiro..A.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR IV.A. determinando a cessação dos efeitos da compra e venda. Prof. (C) Sociedade Gasos S. (E) III e IV. podendo a continuação do ato gerar destruição do imóvel.A. a Sociedade Gasos S.A. (C) II e III. Diante do ocorrido. visto que o termo inicial gera a aquisição do direito. (B) I e III. sendo física e não moral.pontodosconcursos. pois ao titular do direito eventual. nada poderá fazer. (D) II e IV.br 95 . Um mês antes do início do procedimento licitatório. é permitido praticar os atos destinados a conservá-lo. necessária para a resolução do contrato. a cláusula que sujeita o pagamento integral do preço ao registro da baixa da hipoteca no registro de imóveis constitui (A) encargo. está sujeita a uma condição suspensiva.A. nem mesmo a Sociedade Petr S. subordinando a eficácia do contrato a evento futuro e incerto.A. é aquela conhecida como vis absoluta. (C) condição suspensiva. porque será preciso a realização da licitação para a propositura da ação. A COAÇÃO. (D) condição suspensiva. Está correto APENAS o que se afirma em (A) I e II.com. vem danificando o seu bem. sendo a legitimidade para a propositura de qualquer ação da Sociedade Petr S. 06) (CESGRANRIO – Caixa Econômica Federal – Advogado – 2012) Num contrato de compra e venda de um bem imóvel.A. inibindo a ação da Sociedade Gasos S. visto que só possui uma mera expectativa de direito. descobre que o proprietário do terreno vizinho ao terreno da Sociedade Petr S. (D) Sociedade Gasos S.A.A. 05) (CESGRANRIO – Advogado da Innova – 2012) A Sociedade Petr S. permitida por lei.A. (E) condição resolutiva tácita. (B) Sociedade Gasos S. o Código Civil prevê que a (A) Sociedade Gasos S. nos casos de condição suspensiva. gerando a suspensão da aquisição do direito.A. Lauro Escobar www. e) doação celebrada pela Sociedade Petr S.A.. a ser cumprido pelo comprador. poderá promover ação judicial que impeça o ato do vizinho. poderá agir judicialmente. não poderá promover ação judicial. que torna anulável o negócio jurídico. compromete-se a doar um terreno à Sociedade Gasos S. (B) condição potestativa pura.

Nos chamados contratos de adesão ou por adesão. A vontade está na gênese de todos os negócios jurídicos. I.pontodosconcursos. III. na interpretação dos contratos. encontra-se limitada ao ato de aderir. sendo certo que adquire relevância a partir de sua expressa inscrição nas cláusulas contratuais. EXCETO (A) onerosidade excessiva para um dos contratantes. (C) fato jurídico. Está correto APENAS o que se afirma em (A) I e II. que tipo de ato jurídico foi realizado? (A) ato jurídico ilícito.com. A validade da declaração de vontade depende sempre da forma especial estabelecida em lei. (D) II e IV. (D) negócio jurídico bilateral. (E) III e IV. (E) contrato bilateral. (B) I e IV. (C) II e III. Lauro Escobar www. uma vez que. a vontade é anômala. Nesta situação hipotética.O intérprete do negócio jurídico valorará a vontade desde que seja extraível da declaração onde está consubstanciada.br 96 .01) (IADES – Advogado da EBSERH – Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – 2013) José fez um testamento e deixou alguns de seus bens para Maria. Prof. (E) imperativo em contratar de uma das partes.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR 07) (CESGRANRIO – Advogado da Liquigás – 2012) Com referência aos negócios jurídicos. considere as afirmativas abaixo. LISTA DE MAIS ATUAIS EXERCÍCIOS DE BANCAS VARIADAS ATUAIS. se atenderá mais à vontade das partes que à literalidade das palavras. (C) imprevisibilidade do fator de desestabilização do contrato. visto que. 08) (CESGRANRIO – Petrobrás – Profissional em Direito – 2010) São requisitos do instituto da lesão. (D) inexperiência de um dos contratantes. IV. (B) desproporcionalidade das prestações. II. embora autônoma. (B) negócio jurídico unilateral.

b) o falso motivo vicia a declaração de vontade independentemente de ser razão determinante do negócio. e) a termo. c) o silêncio não deve ser interpretado como anuência em caso algum. nessa propriedade. ou reclamar indenização. ambas poderão alegá-lo para anular o negócio. em razão de fato imprevisível. o negócio jurídico X contém vício resultante de fraude contra credores. à sua pessoa ou a pessoa de sua família.com.02) (FUNCAB – Advogado do DETRAN/PB – 2013) Sobre os negócios Jurídicos. são anuláveis APENAS os negócios jurídicos Prof.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR ATUAIS. porque a lei veda enriquecimento sem causa. Nessa situação. assinale a alternativa CORRETA. o donatário assumiu obrigação a) modal.br 97 . ATUAIS. com o encargo de construir. premida da necessidade de salvar-se.05) (FCC – MPE/PE – Analista do Ministério Público – 2012) O negócio jurídico A foi celebrado com vício resultante de coação. d) a manifestação de vontade tenha sido obtida em razão de temor de dano iminente e considerável a seu patrimônio. Segundo o Código Civil brasileiro. a) se ambas as partes procederem com dolo. o negócio jurídico Y possui vício resultante de estado de perigo e o negócio jurídico Z teve por objeto fraudar lei imperativa. d) os negócios jurídicos devem ser interpretados independentemente da boafé e os usos do lugar de sua celebração. uma creche para crianças carentes da região. b) de execução continuada.04) (FCC – TRT/1ª Região/RJ – Magistratura do Trabalho – 2012) Para configurar-se o vício da lesão é necessário que a) nos contratos bilaterais apenas ocorra grande desproporção entre os valores das prestações opostas.03) (CESPE/UnB – TJ/RO – Analista Judiciário – Oficial de Justiça 2012) Uma pessoa recebeu. uma fazenda. ainda que nela as partes tenham consentido livremente. ou a pessoa de sua família. ou por inexperiência. Lauro Escobar www. de grave dano conhecido pela outra parte. sob premente necessidade. c) a pessoa. b) nos contratos de execução continuada ou diferida uma das prestações venha a se mostrar manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta. c) condicional. assuma obrigação excessivamente onerosa. tornando possível às suas mães o acesso ao trabalho remunerado. d) de meio. se obrigue a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta. ATUAIS. e) os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretam-se estritamente.pontodosconcursos. ATUAIS. e) a pessoa. por doação.

DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR a) A. d) A. II. lesão ou fraude contra credores. prova as obrigações convencionais de qualquer valor.pontodosconcursos.07) (FCC – TRE/PR – Analista Judiciário – 2012) Considere as seguintes disposições legais: I. c) apenas a primeira disposição se acha em vigor. Y e Z. e) X e Y. d) apenas a segunda disposição se acha em vigor. feito e assinado por agente maior e capaz. se válido for na substância e na forma.06) (FCC – TRT/1ª Região/RJ – Magistratura do Trabalho – 2012) O negócio jurídico a) é nulo. A validade do negócio jurídico requer forma prescrita ou não defesa em lei. d) é anulável. nem convalescendo pelo decurso do tempo. estado de perigo. ATUAIS. e) as duas disposições apenas parcialmente se acham em vigor. fazendo prova plena.br 98 . c) A e Z. X e Y. quando o motivo determinante. quando tiver por objetivo fraudar lei imperativa. c) a escritura pública. gerando efeitos imediatos em relação a terceiros. coação. b) as declarações constantes de documentos assinados presumem-se verdadeiras em relação aos signatários e em face de terceiros. ATUAIS. é documento dotado de fé pública.08) (FCC – TST – Analista Judiciário – 2012) É CORRETO afirmar que a) o instrumento particular. mas subsistirá o que se dissimulou. ATUAIS. dolo. Y e Z. comum a ambas as partes. b) X. Prof. b) é nulo.com. por vício resultante de erro. A validade da declaração de vontade não dependerá de forma especial. mesmo que estranhos ao ato. e) simulado é anulável. for ilícito. não sendo passível de confirmação. É CORRETO afirmar que a) as duas disposições se acham em vigor. b) nenhuma das disposições se acha em vigor. e) a prova do instrumento particular não se pode suprir por outras de caráter legal. senão quando a lei expressamente a exigir. lavrada em notas de tabelião. c) anulável pode ser alegado por qualquer interessado. Lauro Escobar www.

pessoalmente e sem assistência. Vicia o negócio jurídico a coação exercida por terceiro. independentemente de seu valor. à ordem pública. João Emanuel.09) (FCC – TRT/11ª Região/AM e RR – Magistratura do Trabalho – 2012) O negócio jurídico cuja prática seja proibida por lei. O ato nulo precisa de decisão judicial para a retirada da sua eficácia. a) estão corretas apenas as afirmações I. é admissível em qualquer negócio jurídico. mesmo que dela o destinatário tivesse conhecimento. e esta responderá solidariamente com aquele por perdas e danos. ATUAIS.br 99 . aos bons costumes ou com inobservância da forma legal. assinale a afirmativa CORRETA. a) a nulidade de um negócio jurídico decorrente de fraude de lei imperativa pode ser alegada pelo Ministério Público quando lhe couber intervir. assinalando ao final a única alternativa CORRETA. O ato nulo é o ato que embora reúna os elementos necessários a sua existência. b) nulo. 17 anos de idade. I. II. d) anulável.11) (FGV – Delegado de Polícia do Estado do Maranhão – 2012) A respeito do plano de validade dos negócios jurídicos. III. O ato jurídico é nulo de pleno direito. ele não produz qualquer consequência jurídica. sem cominar sanção é a) nulo. d) estão corretas apenas as afirmações II. c) inexistente. se dela tivesse ou devesse ter conhecimento a parte a que aproveite. redigiu o seu testamento. O ato inexistente é aquele que não reúne os elementos necessários à sua formação. 1860.pontodosconcursos. nos moldes do art. Prof. se a violação for de lei de ordem pública e anulável se a violação for de lei supletiva. b) estão corretas apenas as afirmações I. c) estão corretas apenas as afirmações I. porque ausente o requisito de validade jurídica do negócio jurídico referente à capacidade do agente. parágrafo único do Código Civil. ATUAIS. IV. II e III. A manifestação de vontade subsite ainda que o seu autor haja feito a reserva mental de não querer o que manifestou.com. foi praticado com violação à lei.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR e) a prova exclusivamente testemunhal.10) (FCC – TRT/14ª Região/RO e AC – Magistratura do Trabalho – 2012) No que diz respeito aos atos e negócios jurídicos analise as afirmações seguintes. III e IV. e) estão corretas apenas as afirmações II e IV. como regra. e) ineficaz. O relativamente incapaz deveria ter sido assistido por outrem. Lauro Escobar www. III e IV. ATUAIS. II e IV.

é aquela conhecida como vis absoluta.br 100 . considere as afirmativas abaixo. sendo-lhe permitido supri-las. b) I e III. A COAÇÃO. I. Lauro Escobar www. quando conhecer do negócio jurídico ou dos seus efeitos e as encontrar provadas. IV. ATUAIS. é requisito de validade dos negócios jurídicos. ESTADO DE PERIGO é um defeito interno do negócio jurídico. o dolo e a coação são as únicas hipóteses de anulabilidade do negócio jurídico previstas pelo Código Civil. Está correto APENAS o que se afirma em a) I e II. e) III e IV. d) II e IV. sendo física e não moral. c) a simulação é causa de anulação do negócio. ATUAIS.pontodosconcursos. O ERRO tem como elemento principal a cognoscibilidade e adota o princípio da confiança. d) o erro. II. III. e só poderá ocorrer se a parte prejudicada demonstrar cabalmente ter sido prejudicada por essa prática.12) (FGV – OAB – Exame Unificado – 2012) Em relação aos defeitos dos negócios jurídicos. assinale a afirmativa INCORRETA.14) (MPE/PR – Promotor de Justiça – 2012) Assinale a alternativa INCORRETA.com. c) II e III. Prof. Com relação aos vícios do negócio jurídico. e) é anulável um negócio jurídico que não revestir a forma prescrita em lei. ATUAIS. DOLUS INCIDENS (dolo acidental) é aquele que torna o negócio menos vantajoso para a parte e leva à indenização por perdas e danos. e) o objetivo da ação pauliana é anular o negócio praticado em fraude contra credores. c) o negócio jurídico nulo convalesce pelo decurso do tempo por razões de segurança jurídica.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR b) as hipóteses de anulabilidade devem ser pronunciadas pelo juiz. a) a emissão de vontade livre e consciente.13) (CESGRANRIO – LIQUIGÁS – Advogado – 2012) A emissão da vontade é elemento fundamental do negócio jurídico. não sendo passível de levar à anulação do negócio. que torna anulável o negócio jurídico. no qual a vontade é constrangida por terceiro. a) o erro acidental não acarreta a anulação do negócio jurídico. b) o erro acidental é o que recai sobre características secundárias do objeto. que corresponda efetivamente ao que almeja o agente.

mas colocou no contrato de compra e venda. o corrente.com. se ele for material e formalmente válido.br 101 . A respeito da fraude contra credores.17) (IADES – Advogado da EBSERH – Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – 2013) João manifestou a vontade de comprar um quadro. o exercício e a aquisição do direito ficam suspensos até que seja cumprido. mediante hipoteca. de pintor famoso. sem que se tenha de efetuar o concurso de credores. mas não contra a pessoa que com ele celebrou a estipulação considerada fraudulenta. independentemente de ser ou não imposto como condição suspensiva. se o referido artista ganhasse o prêmio da Prof. e) se presumem de boa-fé e valem os negócios ordinários indispensáveis à manutenção de estabelecimento mercantil. mas não acarreta a anulação do negócio jurídico. rural.pontodosconcursos. c) a ação por fraude contra credores poderá ser intentada contra o devedor insolvente. b) ainda que os negócios tivessem por único objeto atribuir direitos preferenciais. ATUAIS.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR b) o dolo acidental obriga a indenização por perdas e danos. sua invalidade importará na anulação do negócio jurídico principal e seus acessórios. penhor ou anticrese. d) as condições impossíveis invalidam o negócio jurídico se resolutivas. é CORRETO afirmar que a) se o adquirente dos bens do devedor insolvente ainda não tiver pago o preço e este for. b) quando um negócio jurídico é subordinado à termo inicial. a vantagem resultante reverterá em proveito do credor prejudicado. ou devesse ter. conhecimento a parte a quem aproveite.16) (IESES – TJ/RO – Titular de Serviços de Notas e Registros – 2012) Podem compor o negócio jurídico a condição. d) anulados os negócios fraudulentos. c) se ao negócio for aposto um encargo. Lauro Escobar www. uma cláusula acessória: só o compraria.15) (VUNESP – Advogado da CETESB .Companhia Ambiental do Estado de São Paulo – 2013) A fraude contra credores é prevista no Código Civil como um dos defeitos do negócio jurídico. c) a coação por terceiro somente anula o negócio jurídico se dela tiver. ATUAIS. e) é anulável o negócio jurídico simulado. e tem-se como inexistentes quando suspensivas. ATUAIS. d) não se decreta a anulação do negócio lesivo se as partes concordarem com o reequilíbrio contratual. aproximadamente. a aquisição do direito fica suspensa até a sua implementação. No entanto: a) o negócio jurídico se invalida se subordinado a uma condição ilícita. ou à subsistência do devedor e de sua família. o termo e o encargo. mas subsistirá o que se dissimulou. desobrigar-se-á pelo pagamento ao devedor insolvente. ou industrial.

e) condição resolutiva tácita. por uma obrigação anulada. é de cinco anos o prazo de decadência para pleitear-se a anulação do negócio jurídico.19) (TRT/3ª Região/MG – Magistratura do Trabalho – 2013) Assinale a alternativa CORRETA: Nos termos do Código Civil vigente. d) no caso de coação. b) encargo. quando resolutivas. sem cominar sanção. é correto afirmar que: a) a invalidade do instrumento induz necessariamente a do negócio jurídico. quando suspensivas. Prof. c) condição suspensiva. necessária para a resolução do contrato. e) condição suspensiva. ATUAIS. c) as condições ilícitas.20) (TRT/3ª Região/MG – Magistratura do Trabalho – 2013) Relativamente às regras gerais sobre a invalidade dos negócios jurídicos. e) as condições contraditórias.com. d) condição suspensiva. Que tipo de cláusula acessória foi estabelecida neste contrato? a) condição resolutiva. ATUAIS. ou de fazer coisa ilícita. com base no Código Civil. contado do dia em que ela cessar. a ser cumprido pelo comprador. subordinando a eficácia do contrato a evento futuro e incerto. c) termo. b) as condições impossíveis.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR Exposição de Artes de Nova York. b) é anulável o negócio jurídico sempre que a lei civil proibir-lhe a prática. b) condição potestativa pura. e) se o negócio jurídico nulo contiver os requisitos de outro.pontodosconcursos. c) ninguém pode reclamar o que. e as de não fazer coisa impossível.br 102 . pagou a um incapaz. ATUAIS. d) condição potestativa. permitida por lei.18) (CESGRANRIO – Caixa Econômica Federal – Advogado – 2012) Num contrato de compra e venda de um bem imóvel. d) as condições física ou juridicamente impossíveis. subsistirá este quando o fim a que visavam as partes permitir supor que o teriam querido. se houvessem previsto a nulidade. têm-se por inexistentes (mas subsiste o negócio jurídico): a) as condições incompreensíveis. a cláusula que sujeita o pagamento integral do preço ao registro da baixa da hipoteca no registro de imóveis constitui a) encargo. determinando a cessação dos efeitos da compra e venda. Lauro Escobar www.

Prof. a quem a declaração beneficia. d) em se tratando de negócio jurídico marcado por dolo acidental imputável a representante convencional ou legal. ATUAIS. c) a lesão. considere as afirmativas abaixo. e) em matéria de coação de terceiro. indique a única alternativa CORRETA: a) a alienação fraudulenta de bens pelo devedor. I. b) I e IV. provocando a anulação do negócio jurídico e o retorno dos bens alienados ao patrimônio do devedor. no entanto. encontra-se limitada ao ato de aderir. a lei não autoriza a anulação do negócio jurídico. lavram escritura de compra e venda por preço inferior ao real.22) (MP/DFT – Promotor de Justiça – 2011) Considerando a invalidade do negócio jurídico.com. se o sujeito. a vontade é anômala.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR ATUAIS.O intérprete do negócio jurídico valorará a vontade desde que seja extraível da declaração onde está consubstanciada. II. se atenderá mais à vontade das partes que à literalidade das palavras. o representado não poderá ser responsabilizado civilmente além do proveito que tiver auferido. c) II e III. se proposta a ação no prazo legal. d) II e IV. pelo coato. realizada depois de ajuizada uma demanda com vistas à cobrança de dívida capaz de reduzi-lo à insolvência. Está correto APENAS o que se afirma em a) I e II. para pagar imposto menor. b) quando as partes. é relativa e acarreta apenas a anulação do ato jurídico. praticam simulação que. A validade da declaração de vontade depende sempre da forma especial estabelecida em lei.br 103 . A vontade está na gênese de todos os negócios jurídicos. Nos chamados contratos de adesão ou por adesão. se configura quando há desproporção entre as prestações assumidas pelas partes. importa em fraude contra credores. III. sendo certo que adquire relevância a partir de sua expressa inscrição nas cláusulas contratuais.21) (CESGRANRIO – LIQUIGÁS – Advogado – 2012) Com referência aos negócios jurídicos. não tinha nem podia ter conhecimento do mencionado vício. e) III e IV.pontodosconcursos. como defeito interno de consentimento. na interpretação dos contratos. Lauro Escobar www. surgindo excessiva onerosidade em virtude de fatos supervenientes à celebração do contrato. IV. embora autônoma. verificada ao longo da execução das obrigações ajustadas. visto que. uma vez que.

br 104 . II.23) (FCC – TRT/8ª Região/PA e AP – Magistratura do Trabalho – 2012) Analise as proposições abaixo e assinale a alternativa CORRETA: I. contado. no caso de coação. neste caso. sendo decorrente do princípio da conservação. IV.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR ATUAIS.com. for indivisível o objeto do direito ou da obrigação comum. nem aproveita aos cointeressados capazes. III. Lauro Escobar www. A conversão é a operação pela qual se retiram de um determinado negócio jurídico as partes inválidas.pontodosconcursos. desde que separáveis e respeitada a intenção das partes. tendo efeitos ex lege. A incapacidade relativa de uma das partes não pode ser invocada pela outra em benefício próprio. Prof. salvo se. É de três anos o prazo de decadência para pleitear-se a anulação do negócio jurídico. do dia em que ela cessar. A fixação de domicílio é ato jurídico em sentido estrito.

Lauro Escobar www.DIREITO CIVIL: ANALISTA BACEN PROFESSOR LAURO ESCOBAR GABARITO “SECO” DA CESGRANRIO 01) C 05) D 02) E 06) C 03) B 07) D 04) B 08) C GABARITO “SECO” (Variadas Mais Atuais) ATUAIS.14) E ATUAIS.12) C Prof.19) B ATUAIS.03) A ATUAIS.07) A ATUAIS.16) A ATUAIS.10) E ATUAIS.23) D ATUAIS.11) C ATUAIS.22) E ATUAIS.05) A ATUAIS.06) B ATUAIS.br 105 .18) C ATUAIS.15) E ATUAIS.21) D ATUAIS.04) E ATUAIS.20) E ATUAIS.17) E ATUAIS.09) A ATUAIS.01) B ATUAIS.13) B ATUAIS.08) C ATUAIS.com.02) E ATUAIS.pontodosconcursos.