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DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6

)
PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA
Aula 2 – Direito Empresarial (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6)
Prof. Antonio Nóbrega

Prezado candidato, prosseguiremos com nossos estudos sobre Direito
Empresarial. O tema de hoje é Direito Societário, o qual, devido a sua extensão,
será dividido em duas aulas.
Nesta primeira etapa, trataremos da teoria geral do Direito Societário,
falaremos sobre os sócios, a sociedade limitada e outros tipos societários
menores, além de outros temas, como no roteiro abaixo. Manteremos nosso
padrão didático de exposição, com teoria e exercícios comentados.
Lembramos ao candidato que é importante a leitura da própria legislação.
Muitas vezes, a resposta certa de uma questão de concurso é o texto literal de
uma norma legal.
Na aula de hoje, trabalharemos unicamente com o Código Civil, enquanto
que, na próxima aula, o assunto concentrar-se-á na Lei das Sociedades Anônimas.

ROTEIRO DA AULA – TÓPICOS
1. Sociedade empresária: teoria geral e conceitualização.
1.1. Terminologia
2. Sociedades personificadas e sociedades não personificadas:
2.1. Personalidade jurídica da sociedade empresarial.
2.2. Sociedade irregular: a sociedade em comum.
2.3. Sociedade em conta de participação.
3. Teoria da desconsideração da personalidade jurídica e a
desconsideração inversa.
4. Regime jurídico dos sócios, diretores e administradores.
4.1. Regime jurídico dos sócios.
4.2. Regime jurídico dos administradores.
5. Classificação das sociedades empresárias:
5.1. Sociedade simples.
5.2. Sociedade limitada.
5.3. Sociedade em nome coletivo.
5.4. Sociedade em comandita simples.
5.5. Sociedade em comandita por ações.
6. Dissolução e extinção das sociedades.
7. Exercícios.

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1. Sociedade empresária: teoria geral e conceitualização

O Código Civil, em seu art. 44, dispõe que há cinco tipos de pessoas
jurídicas de direito privado: associações, fundações, sociedades, partidos
políticos e organizações religiosas. As sociedades privadas são o resultado
da união de duas ou mais pessoas para a realização de fins econômicos comuns,
com escopo negocial, resultando na criação de um ente de personalidade
jurídica própria. Nesta direção, o art. 981 do Código Civil, prevê que:

Art. 981. Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente
se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de
atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultados.

As sociedades podem se dividir em duas espécies no ordenamento
jurídico vigente: simples e empresária. A primeira é aquela que explora
atividades específicas, como as intelectuais, rurais, pequenos negócios ou que
apresente uma estrutura organizacional simplificada, não caracterizando o
exercício da atividade empresaria.
As sociedades empresárias, conforme arts. 982 e 966 do Código Civil CC, são aquelas que exercem atividade econômica organizada para a produção
ou a circulação de bens ou serviços. Como vimos na aula passada, o aspecto
mais importante deste tipo de sociedade é o desenvolvimento de uma estrutura
organizacional empresarial para exercer atividade econômica, ou seja, a
produção e/ou circulação de bens e/ou serviços.
O argumento parece circular, mas basta lembrarmos da lição anterior e
recapitularmos que organização empresarial é sinônimo de organização
de fatores de produção. Assim, da mesma forma que um profissional liberal
não é um empresário, uma sociedade de profissionais liberais não é uma
sociedade empresarial, pois não organiza fatores de produção. Vejamos o que
diz o Código Civil:

Art. 966, Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce
profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda
com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da
profissão constituir elemento de empresa.

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Isto é o que distingue uma sociedade empresária de uma sociedade
simples. Não é o lucro, pois como vimos, no art. 981, toda sociedade tem
objetivo econômico e seus sócios partilham os resultados — isto é, os lucros.
O objetivo econômico é o que distingue uma sociedade de uma
associação. O que distingue uma sociedade empresária de uma simples é a
organização empresarial, isto é, a organização dos fatores de produção. É muito
importante que o prezado candidato tenha isto em mente.
As sociedades empresariais podem se subdividir em variados tipos, com
regras diferenciadas, considerando-se o grau de responsabilidade dos sócios, a
participação dos mesmos na atividade da empresa, a forma de constituição, etc.
O regime legal aplicado a estas diferentes modalidades de pessoas jurídicas
algumas vezes coincide em determinados pontos, considerando as disposições
do Código Civil.
Contudo, na maior parte do tempo, notadamente em relação às
sociedades anônimas e limitadas, as quais apresentam maior destaque dentro
do cenário nacional, devem ser observadas regras específicas, que consideram
justamente a natureza do vínculo estabelecido entre os sócios e o modo como a
empresa irá desenvolver suas atividades.
Com o advento do Código Civil no ano de 2002, a maior parte das normas
relativas às sociedades simples e às sociedades empresárias passou a ser
encontradas naquele estatuto. Note, inclusive, que a disciplina das sociedades
simples (arts. 997 ao 1.038 do CC) se aplica subsidiariamente às sociedades
em nome coletivo, comandita simples e limitadas, de acordo com os arts.
1040, 1.046 e 1.053, respectivamente, da já referida lei, e por isso será
objeto de nossos estudos.
No tocante às sociedades anônimas, o Código Civil foi de certa forma
econômico, apresentando somente dois artigos. O art. 1.088 reza que, em tal
tipo societário, o “capital divide-se em ações, obrigando-se cada sócio ou
acionista somente pelo preço de emissão das ações que subscrever ou adquirir.”
Uma das principais características que a diferenciam de outros modelos
societários é apresentada no texto do artigo supracitado: a responsabilidade do
acionista é limitada ao preço que prometeu pagar à sociedade. Adiante
falaremos mais deste assunto.
O art. 1.089 estatui que a sociedade anônima “rege-se por lei especial,
aplicando-se-lhe, nos casos omissos, as disposições deste código.” Ou seja, há
previsão específica para que a regra insculpida ao longo do Código Civil ocorra
de forma subsidiária. A lei específica que se refere o artigo supracitado é a Lei
6.404/76, que será mencionada mais a frente.
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1.2. Terminologia

Com o objetivo de facilitar a compreensão dos termos que serão utilizados
durante esta aula, vamos aprender alguns conceitos relevantes para o estudo
do Direito Societário.

Capital Social - Para que as sociedades empresárias possam operar, é
necessário que disponham de recursos, os quais, em regra, são obtidos junto
aos próprios sócios. O capital social é, de forma resumida, o montante do
resultado dessa transferência do patrimônio dos sócios para o patrimônio da
sociedade.
Podemos afirmar que capital social é igual ao patrimônio?
A resposta para tal questionamento é negativa. Utilizando a lição do
professor José E. Tavares Borba, podemos afirmar que “o capital é um valor
formal e estático, enquanto o patrimônio é real e dinâmico. O capital não se
modifica no dia-a-dia da empresa — a realidade não o afeta, pois se trata de
uma cifra contábil”.
Com efeito, pode-se afirmar que quando se iniciam as operações da
companhia há alguma equivalência entre o capital social e o patrimônio.
Posteriormente, pode haver uma flutuação negativa ou positiva neste
patrimônio, mas o capital continuará o mesmo constante no estatuto.

Integralização e Subscrição - A subscrição é uma promessa, um
compromisso de contribuir com certa quantia para a sociedade. A
integralização é a efetiva contribuição prometida pelo acionista para formação
do capital social.
Tais conceitos serão tratados
responsabilidades dos sócios.

novamente

quando

debatermos

as

Objeto Social – o objeto social indica o tipo de empreendimento que a
sociedade irá realizar, demarcando-lhe seu âmbito de atuação.
É necessário registrar que, não obstante ser facultado à sociedade deixar
de exercer parte das atividades constantes em seu objeto social, a atuação fora
daqueles parâmetros poderá gerar consequências jurídicas.
Neste diapasão, a teoria ultra vires inspirou a regra consignada no inciso
III, do parágrafo único do art. 1015 do Código Civil, que prevê que o
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excesso por parte dos administradores poderá ser oposto a terceiros diante de
operação evidentemente estranha aos negócios da sociedade.

Domicílio – Domicílio é o local onde funciona a administração da
sociedade ou aquele que for indicado no estatuto ou contrato social, nos termos
do inciso IV, do art. 75 do CC.

Sócio – Uma pessoa (pode ser jurídica ou física) que contribui para a formação
do capital de uma sociedade e, em razão disto, terá certos deveres e direitos, dentre
estes, por exemplo, o direito de participação nos resultados da sociedade.
Há dois tipos de sócios. Os sócios investidores são aqueles que participam
apenas na formação do capital e não com trabalho. Já os sócios empreendedores
são aqueles que trabalham — no sentido amplo, não que tenham um contrato de
trabalho — na administração da sociedade. Esta distinção será importante na
caracterização de algumas sociedades, como veremos.

Sociedades de pessoas e sociedades de capital – As sociedades de
pessoas são aquelas cujos sócios tem importância fundamental na sociedade:
diz-se haver affectio societatis entre os sócios. Por isso, um sócio não pode
alienar suas quotas sem a anuência dos outros sócios. O melhor exemplo de
sociedade de pessoas é a sociedade em nome coletivo.
Nas sociedades de capital, a pessoa dos sócios não influi na sociedade,
mas apenas seus investimentos. Em razão disto, um sócio pode alienar
livremente suas ações. As sociedades anônimas são o exemplo clássico deste
tipo de sociedades, por isso, não à toa, têm este nome.

Sociedades contratuais e sociedades institucionais – As sociedades
contratuais são aquelas cujo vínculo entre os sócios é um contrato social. Isto
significa que eles possuem uma ampla autonomia para pactuar o que for melhor
de acordo com seus interesses. Exemplo de sociedade contratual é uma
sociedade limitada.
Já uma sociedade institucional, o ato constitutivo é um estatuto social e a
autonomia das vontades dos sócios é bem reduzida, pois a interferência do
legislador é muito grande. Pode-se dizer que estas sociedades são instituições e
o melhor exemplo delas são as sociedades anônimas.

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1. 45 e 985 do Código Civil. as sociedades só adquiram personalidade com a inscrição no registro próprio (art. Assim. Frise-se que parte da doutrina entende que o encontro da vontade dos sócios já seria suficiente para criação da personalidade jurídica. será brasileira. 985). a sociedade empresária adquirirá personalidade jurídica após o arquivamento de seus contratos ou atos constitutivos na Junta Comercial. que pode ser titular de direitos e obrigações. Antonio Nóbrega www. passa a possuir patrimônio próprio. Prof. “segundo o Código Civil. certas sociedades nacionais. Autorização para funcionamento – Embora a Constituição tenha consagrado o regime da livre iniciativa. Ressalte-se que as pessoas jurídicas diferem dos chamados entes despersonalizados (espólio.DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Nacionalidade da sociedade – O art. massa falida etc. não importa a nacionalidade dos sócios ou a origem do capital. distinto das pessoas que participaram de sua constituição. 1. transformando-se em um novo ser. necessitam de autorização do poder executivo para funcionar. Personalidade jurídica da sociedade empresarial É possível afirmar que a consequência mais relevante da formação de uma sociedade comercial é o nascimento de sua personalidade jurídica. com um nome.pontodosconcursos. São exemplos destas sociedades as empresas financeiras. tanto que terceiros podem provar a existência da sociedade não inscrita” (art. domicílio e nacionalidade.126 dispõe que “é nacional a sociedade organizada de conformidade com a lei brasileira e que tenha no País a sede de sua administração”. de transporte aéreo. A formação da personalidade jurídica das sociedades ocorre com a inscrição no respectivo registro. além das estrangeiras. 987). entre outras. José Edwaldo Tavares Borba afirma que embora.br 6 . Se a sociedade possuir estas características. será uma sociedade estrangeira e necessitará de autorização para funcionar no Brasil. A principal distinção entre estas espécies jurídicas reside no fato de que. Além disso. enquanto as primeiras têm autorização genérica para a prática dos atos jurídicos.). Sociedades personificadas e sociedades não personificadas 2. 2.com. as segundas só podem praticar os atos essenciais previstos em lei para o seu funcionamento. na verdade adquirem-na com a sua constituição. nos termos dos arts. Caso contrário. Assim. de meios de comunicação.

ou. mas será uma sociedade irregular. Prof. Ele está falando de um ente despersonificado.. Porém. 12. A esta teoria opõe-se a teoria da ficção. Provando esta existência. por quem os respectivos estatutos designarem. É o que veremos a seguir.as pessoas jurídicas.]. que são conceitos que não se confundem.br 7 . Como se pode ver claramente. só adquirem esta personalidade na forma da Lei. esta sociedade terá tanta personalidade quando um espólio. Tudo o que o prezado candidato precisa guardar é que o Direito Brasileiro adotou um posicionamento misto em relação a esta teoria: O Direito reconhece sociedades como produto dos fatos sociais e estas sociedades podem ser partes eu um litígio. ativa e passivamente: [. o Direito Brasileiro adota a teoria da ficção. esta afirmação não está totalmente correta.pontodosconcursos. pela qual estas possuem realidade anterior ao Direito e este deve apenas reconhecê-las. por seus diretores. tanto ativa quanto passivamente (teoria realista).. Antonio Nóbrega www. e uma sociedade não personalizada poderá até atuar.. pela pessoa a quem couber a administração dos seus bens [. no que concerne os benefícios da atividade empresarial.com.. um condomínio ou uma massa falida. O que o ilustre doutrinador supra parece pretender é posicionar-se de acordo com a teoria realista das pessoas jurídicas. assim como estes outros entes.DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Data venia ao ilustre doutrinador. para o mundo jurídico. que se chama sociedade em comum e o que os terceiros poderão provar é a existência da sociedade e não a existência da pessoa jurídica. o Direito discrimina claramente uma pessoa jurídica — criação da lei — de uma sociedade — um fato social — sem personalidade jurídica.as sociedades sem personalidade jurídica. O Direito só concede personalidade jurídica às sociedades que se constituírem de acordo com as formalidades da Lei (teoria da ficção). VII . Serão representados em juízo. Vejamos o que diz o Código de Processo Civil: Art. não os designando. mas que também não possuem personalidade jurídica. pela qual as pessoas jurídicas são meras criações intelectuais humanas e.] VI . Ela poderá ser parte de um processo.

Adotando a nomenclatura apresentada pelo Código Civil. Destarte. Antonio Nóbrega www. sendo a principal delas a impossibilidade dos sócios se beneficiarem da limitação de responsabilidade. pelo disposto neste Capítulo. reger-se-á a sociedade. aquele que contrata em nome sociedade irregular pode ter seus bens executados antes ou em conjunto com os da sociedade. A PERSONALIDADE JURÍDICA SE INICIA COM A INSCRIÇÃO NO RESPECTIVO REGISTRO. 2.2. observadas. ENQUANTO OS ENTES DESPERSONALIZADOS SÓ PODEM PRATICAR OS ATOS PREVISTOS EM LEI. 990 do Código Civil. tendo em vista o disposto no art. Ou seja. “enquanto não inscritos os atos constitutivos. 987. justamente pela ligação com a questão da personalização das sociedades. exceto por ações em organização. 986 do Código Civil.pontodosconcursos. tais sociedades encontram-se em situação irregular. a existência da sociedade deve ser provada por escrito. CONFORME DISPOSIÇÃO DO CÓDIGO CIVIL. entre si ou com terceiros. vigora a regra de que. Empresário irregular De acordo com o texto lapidado no art. que prevê que todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais. Essa irregularidade gera algumas consequências previstas no ordenamento jurídico. Prof. segundo o qual os bens dos sócios só poderiam ser executados após a execução dos bens da sociedade. subsidiariamente e no que com ele forem compatíveis.com.DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA AS PESSOAS JURÍDICAS TÈM AUTORIZAÇÃO GENÉRICA PARA A PRÁTICA DOS ATOS JURÍDICOS.br 8 . tais sociedades devem ser chamadas de sociedades em comum. terceiros podem provar a existência da sociedade comum por qualquer meio admitido em direito. Já para os sócios. É relevante notar que aquele sócio que contratou em nome da sociedade em comum fica excluído do benefício previsto no art. as normas da sociedade simples”. 1024 do CC. Como vemos no art. Optamos por tratar deste assunto neste capítulo.

é Prof. apesar do nome. mas um contrato. a atividade constitutiva do objeto social é exercida unicamente pelo sócio ostensivo. Ao contrário de uma sociedade em comum que pode vir a regularizar-se. já os sócios devem provar por escrito Não terão acesso à recuperação judicial. a Lei reconhece as sociedades como fato social — teoria da realidade — apenas para beneficiar terceiros. nem terão autorização para requerer falência 2. 981 do Código Civil prevê que na “sociedade em conta de participação. nos termos da legislação falimentar. participando os demais dos resultados correspondentes”.br 9 . de modo que sua personalidade jurídica seja reconhecida e tenha os benefícios concedidos pela Lei — adequando-se a teoria da ficção.pontodosconcursos. Sociedades em Comum Responsabilidade ilimitada e solidária dos sócios Podem ser demandadas em juízo. em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade. Como podemos ver. não é um tipo societário. Sociedades em Conta de Participação O primeiro ponto importante que o prezado candidato deve guardar. é que esta. ao estudar a sociedade em conta de participação. também chamado de operador. O art.3. nem terão autorização para requerer falência. mas não podem propor ações Terceiros podem provar sua existência por qualquer meio admitido em direito.DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Pode-se destacar que as sociedades em comum também não terão acesso à recuperação judicial. O primeiro. na sociedade em conta de participação existem dois tipos de sócios: o ostensivo e o oculto. O reconhecimento desta existência apenas força que os sócios desta empresa regularizem sua atividade. a sociedade em conta de participação nunca terá personalidade jurídica.com. Com efeito. Antonio Nóbrega www.

é aquele que fornece capital ao sócio ostensivo para aplicação em empreendimentos de interesse comum. Antonio Nóbrega www. Prof. já que os recursos do sócio oculto são entregues ao sócio ostensivo e. como a sociedade em conta de participação não se revela diante de terceiros. diante desses. que contratou em nome próprio. no que couber. 981 do Código Civil. tal sociedade não adquirirá personalidade jurídica (art. o sócio ostensivo responderá com seu patrimônio perante terceiros. às sociedades em conta de participação. já que. Nos contratos celebrados com o sócio ostensivo. Alguns autores chamam a sociedade em conta de participação de sociedade secreta. denota-se que terceiros não serão afetados de modo direto pela falência do sócio oculto. Já o sócio oculto. junto com o patrimônio deste. Pelo que já vimos. cujo saldo constituirá crédito quirografário” (§2º do art.DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA aquele que negocia com terceiros. ainda assim. passam a ser considerados patrimônio especial (art. juridicamente.br 10 . de acordo com o §1º do art. mas. e. Na linha do que foi debatido acima. nos termos da regra positivada no parágrafo único do art. eventuais demandas ajuizadas em face do sócio ostensivo por eventuais descumprimentos contratuais não poderão se estender aos sócios participantes. por não ter personalidade jurídica. enquanto fato social. ocorrerá a “dissolução da sociedade e a liquidação da respectiva conta.com. dentro dos contornos delineados no contrato de conta de participação. 994).pontodosconcursos. Deste modo. As regras atinentes às sociedades simples aplicam-se. A sociedade em conta de participação não tem patrimônio próprio. ainda que o instrumento de celebração da sociedade em conta de participação tenha sido inscrito no respectivo registro. só produz efeitos em relação aos sócios. o “contrato social fica sujeito às normas que regulam os efeitos da falência nos contratos bilaterais do falido” (§3º do art. não sendo uma sociedade. 994. Caso a falência seja do sócio oculto. o único interessado no empreendimento é aquele sócio operador. 994). Saliente-se que tal especialização. Os sócios ocultos só respondem aos sócios ostensivos. Ou seja. contratando sob o seu nome e responsabilidade. conhecido também como participante. não há necessidade de que os terceiros tenham ciência de que o negócio é explorado na forma de conta de participação. Ocorrendo a falência do sócio ostensivo. Complementando o que já foi dito na introdução. pois este requer personalidade jurídica. pensamos ser mais correto considerar que ela é uma sociedade. é um contrato e não um tipo societário. 993). 994). enquanto outros consideram que ela é apenas um contrato especial de investimento.

br 11 . e que ocorrerá somente em situações específicas. não tem como escopo a declaração de nulidade da personificação da sociedade. Prof.pontodosconcursos. foi desenvolvida uma teoria que permite a desconsideração da personalidade jurídica em relação a certos atos. no momento em que uma sociedade adquire personalidade jurídica distinta da dos sócios. limita a perda destes últimos e incentiva o investimento em novos negócios. para atingir a responsabilidade. no âmbito patrimonial. mas sim sua ineficácia para determinados atos. Teoria da desconsideração da personalidade jurídica e a desconsideração inversa Candidato. passa a ter obrigações e deveres em seu nome. além de possuir patrimônio próprio. Para evitar abusos por parte dos sócios na utilização desta ficção jurídica. medida que. Busca-se. dos sócios. conforme vimos acima. É importante notar que esta situação excepcional. tal sociedade não adquira personalidade jurídica Só o sócio ostensivo se obriga perante terceiros Os recursos do sócio oculto são entregues ao sócio ostensivo e junto com o patrimônio passam a ser considerados patrimônio especial Aplica-se subsidiariamente as regras relativas às sociedades simples 3.DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Sociedades em Conta de Participação Dois sócios: oculto e ostensivo Ainda que ocorra registro. com a separação do patrimônio da sociedade e dos sócios. Antonio Nóbrega www. desta forma. de certa maneira. a preservação do instituto.com.

28 da Lei 8.br 12 . em seu art. pode o juiz decidir. Rubens Requião assevera que. EM SITUAÇÕES EXCEPCIONAIS.pontodosconcursos. ou pela confusão patrimonial. duas hipóteses em que estará caracterizado o abuso na utilização do instituto da personalidade jurídica: desvio de finalidade e confusão patrimonial. Ao abordar este tema. Antonio Nóbrega www. como no caso em que há responsabilidade ilimitada. assim. que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. 18 da Lei 8. A AUTONOMIA PATRIMONIAL DAS SOCIEDADES SEJA AFASTADA. o Código Civil. visam a impedir a consumação de fraudes e abusos de direito cometidos através da personalidade jurídica (.. O artigo em comento apresenta. a requerimento da parte. mas no caso específico de que tratam.994/94 e no art. RESPONSABILIZANDO-SE OS SÓCIOS. ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo. Registre-se que certas hipóteses permitem que os sócios sejam responsabilizados pelas obrigações contraídas pela sociedade. 1 A desconsideração da personalidade jurídica também é citada em outros diplomas legais. como no art. os Tribunais “declaram que não põem dúvida na diferença de personalidade entre a sociedade e os seus sócios. A TEORIA DA DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA PERMITE QUE. não há de se falar em desconsideração da personalidade jurídica. Destarte. no caso do uso de recursos da sociedade para pagamento de despesas particulares dos sócios ou. ao discutir o assunto. gerará a desconsideração de sua personalidade jurídica. 50.605/98. no art.DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Apesar de não tratar especificamente da desconsideração da personalidade jurídica. Neste caso. Prof. ainda. possibilitando que o patrimônio dos sócios seja momentaneamente atingido. por exemplo. conforme o art..com. a utilização fraudulenta e abusiva da sociedade — como. 4º da Lei 9. realização de empreendimentos estranhos ao objeto social para atender a interesses particulares destes —. caracterizado pelo desvio de finalidade. sem que haja necessidade de má-fé ou dolo. apresenta a seguinte norma1: Em caso de abuso da personalidade jurídica.078/90 (Código de Defesa do Consumidor). 990 do Código Civil.)”.

há também a chamada teoria da desconsideração inversa.com. pois considera que mero prejuízo do credor possa causar a desconsideração da pessoa jurídica. pois o objetivo é evitar fraudes e não meros prejuízos.br 13 . o Enunciado 283 do CJF acolhe esta teoria: É cabível a desconsideração da personalidade jurídica denominada ‘inversa’ para alcançar bens de sócio que se valeu da pessoa jurídica para ocultar ou desviar bens pessoais. Esta ocorre quando os bens da pessoa jurídica são utilizados para saldar dívidas de um ou mais sócios. mas evitar fraudes. com o intuito de fraudar uma partilha ou prestação de alimentos.DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Um problema grave é o parágrafo 5º do art. Regime jurídico dos sócios O regime jurídico dos sócios é um importante traço diferencial nos variados tipos de sociedades previstos em nossa legislação. o que pode causar sérios entraves econômicos ao empreendedorismo de um país. Da mesma forma que ocorre com o Direito do Consumidor. 28 do Código de Defesa do Consumidor: Também poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for. causando os mesmos problemas. quando um dos cônjuges desvia bens pessoais para uma pessoa jurídica. de alguma forma. esta regra tem que ser utilizada com cautela. Regime jurídico dos sócios. Este raciocínio vem sendo estendido à jurisprudência trabalhista. Adotar esta postura é praticamente eliminar a limitação da responsabilidade. diretores e administradores 4.pontodosconcursos.1. Uma boa parcela de autores considera que esta norma põe em risco o princípio da autonomia patrimonial. 4. Além disso. Antonio Nóbrega www. Porém. com prejuízo a terceiros. A criação da teoria da desconsideração da pessoa jurídica nunca teve este objetivo. a Prof. obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados aos consumidores. Por fim. Esta teoria é muito utilizada no Direito de Família.

Nesta hipótese estaremos diante da responsabilidade ilimitada dos sócios. é oportuno notar a regra do art. quando a sociedade adquire personalidade jurídica passa a ser sujeito de direitos e obrigações. Todavia. como no caso das sociedades em comum e nas de nome coletivo. 990 apresenta uma hipótese em que não há necessidade do esgotamento do patrimônio social para que os bens do sócio sejam atingidos. que se aplica às sociedades em comum nos termos do art. determina que “os bens particulares dos sócios não podem ser executados por dívidas da sociedade. senão depois de executados os bens sociais”. já que fornece certa garantia de que o patrimônio do sócio investidor não será dilapidado por dívidas contraídas em nome da sociedade. principais espécies societárias de nosso ordenamento jurídico? Na realidade. o regime jurídico dos sócios é bastante unificado em nosso ordenamento. 1040. no caso de sociedades irregulares. Ou seja. é necessário que ocorra a insolvência desta pessoa jurídica. Neste passo. 990 e às sociedades em nome coletiva de acordo com a letra do art. Prof. Poderíamos optar por estudar tal tópico junto com cada tipo societário que será debatido em seguida.DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA espécie de sócio também tem relevância para determinar a extensão de sua responsabilidade. 1024.024. Com efeito. que o próprio art.com. casos há em que. nestes casos. para que os sócios respondam com seu patrimônio por dívidas contraídas pela sociedade. com patrimônio distinto dos sócios. estando a sociedade impossibilitada de satisfazer seus credores. 1. Essa separação patrimonial é um importante instrumento de incentivo à exploração de atividades econômicas. Como vimos anteriormente. contudo. o sócio que contratou pela sociedade fica excluído do benefício de ordem previsto no art. tendo em vista que se trata de responsabilidade subsidiária. Frise-se. não sendo possível. contudo. sendo mais fácil tratá-lo como um assunto integrado. A sociedade responde ilimitadamente pelas suas obrigações. em regra.br 14 .pontodosconcursos. A exceção ocorre nas sociedades por ações. o que será tratado na próxima aula. ressalvando as eventuais diferenças. em ambos os casos os sócios respondem limitadamente. Antonio Nóbrega www. E como funciona a responsabilidade dos sócios e acionistas das sociedades limitadas e anônimas. será possível acionar os sócios. demandar dos sócios valores por ela devidos.

pontodosconcursos. Desta forma. salvo cláusula de responsabilidade solidária. os sócios respondem de modo subsidiário no caso de insolvência da sociedade.br 15 . Nas sociedades anônimas o quadro é diferente. B e C) subscrevam o valor de R$ 30. os dois sócios restantes.000.023. pela integralização do preço de emissão das ações que subscrever ou adquirir. o acionista responde somente pela sua parte no capital social.DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Na sociedade limitada.000. obrigados somente pelo valor de sua quota”. Todavia. pode-se afirmar que o limite de responsabilidade dos sócios em uma sociedade limitada é o total do capital subscrito e não integralizado. responde subsidiária e ilimitadamente pelas obrigações da sociedade”.00 (trinta mil reais) para a formação de uma sociedade e o sócio C não integralize este valor. As sociedades em comanditas simples e as sociedades em comandita por ações apresentam sócios em diferentes condições.404/76. Desta forma. pessoas físicas. todos respondem solidariamente pela integralização do capital (lembram-se do conceito de integralização de capital?). 1091. Antonio Nóbrega www. apesar da responsabilidade dos sócios ser restrita ao valor de suas quotas.045 do Código Civil reza que naquela espécie societária “tomam parte sócios de duas categorias: os comanditados. o art. a título exemplificativo. 1. segundo a qual “somente o acionista tem qualidade para administrar a sociedade e.000. 997 prevê que o contrato Prof. No caso de sociedade simples. o credor poderá demandar de ambos os R$ 30. deve-se atentar para a norma consignada no art. não tendo responsabilidade pessoal pelas dívidas da sociedade. caso três sócios (A. nos termos do art.00 (trinta mil reais) restantes não integralizados pelo sócio C. e os comanditários. nos termos do art. ou seja. caso esta sociedade responda a uma ação judicial e não tenha bens para adimplir com um pagamento. conforme regra estatuída no art. Assim. de modo simplificado.com. 1.00 (sessenta mil reais). 1. como diretor. referente ao capital integralizado pelos sócios A e B. Em regra. 1º da Lei 6. No tocante às sociedades em comanditas simples. na proporção em que participaram das perdas.052 do Código Civil. em que somente alguns têm responsabilidade ilimitada. responsáveis solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais. além de estarem obrigados a integralização de suas respectivas quotas naquele valor. também são solidariamente obrigados pela integralização do capital referente ao sócio que não cumpriu sua promessa. considerando que o inciso VIII do art. pois somente possui capital social de R$ 60. Já em relação às sociedades em comanditas por ações.

SOCIEDADE LIMITADA: A responsabilidade dos sócios é restrita ao valor de suas quotas. em separado. caso o contrato social proíba a sociedade de prestar fiança e os sócios autorizam a concessão de tal garantia. diretamente. pelas obrigações sociais”. 1080 do CC. é importante notar o disposto no art. isto ficará claro quanto tratarmos de cada espécie societária. é possível que a sociedade simples opte pela responsabilidade limitada dos sócios. De acordo com o teor daquele dispositivo legal. SOCIEDADES ANÔNIMAS: O acionista responde somente pela integralização do preço de emissão das ações que subscrever ou adquirir. “as deliberações infringentes do contrato ou da lei tornam ilimitada a responsabilidade dos que expressamente as aprovaram”. para isso.” Prof. deverá organizar-se como sociedade limitada. o valor afiançado. Apesar de parecer confuso. SOCIEDADES EM COMUM Responsabilidade ilimitada.com. subsidiariamente. utilizando o exemplo apresentado pelo Prof.pontodosconcursos. Ainda no que diz respeito às responsabilidades dos sócios. Antonio Nóbrega www. E EM NOME COLETIVO: SOCIEDADES EM COMANDITA SIMPLES E EM COMANDITAS POR AÇÕES: Regime misto de responsabilidade. Fabio Ulhoa. ou não. Porém.br 16 .DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA escrito deverá mencionar “se os sócios respondem. O credor da sociedade pode cobrar dos sócios participantes da deliberação irregular. “esses sócios são responsabilizáveis pelas obrigações sociais de fiador. SOCIEDADES SIMPLES: O contrato deve dispor sobre a responsabilidade dos sócios. mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital. Deste modo.

ninguém pode herdar mais dívidas do que recebeu de herança. Outra disposição legal que merece nossa atenção é relativa à responsabilidade do sócio que ingressa em sociedade já constituída. 1. o sócio “pode assumir. por exemplo. O art. sobre a responsabilidade dos sócios nos casos de resolução em relação a um deles. na proporção de seus quinhões de herança. responde o cedente solidariamente com o cessionário. até dois anos após averbada a resolução da sociedade. Frise-se que esta vinculação ocorre pelo período determinado de dois anos. 1032 também versa. pelas obrigações até o momento de sua retirada. todavia. candidatos. Perceba que o biênio se refere o período em que a responsabilidade subsistirá. vale atentar ao parágrafo único do art. perante a sociedade e terceiros. Nas hipóteses de retirada ou exclusão.com. porém de modo mais amplo. “na sanção às irregularidades praticadas na sociedade limitada. na esteira das palavras de Rubens Requião. ou ter responsabilidades por atos de gestão. 1.032”. não se exime das dívidas sociais anteriores à admissão”. enquanto não se requerer a averbação do ato que determinar a retirada ou exclusão. Com efeito. Prof. nada mais justo que responda por eventuais débitos contraídos em operações anteriores.025. e pelo mesmo prazo de dois anos. tratando-se da responsabilidade do sócio que se retira da sociedade. o sócio que cede sua participação. mesmo no caso de sociedades de responsabilidade limitada outras obrigações contratuais. “o sócio. Caso queiram ingressar como sócio em uma sociedade já constituída. de variada gama. Portanto. conforme lição do celebrado mestre. Como este sócio se beneficiará dos negócios e dos investimentos feitos antes de sua admissão. Antonio Nóbrega www. Desta forma.pontodosconcursos. conforme a Constituição. retirada ou exclusão de sócio. verifiquem o passivo da empresa! Por outro lado. pelas obrigações que tinha como sócio”. ficará vinculado juntamente com o cessionário que ingressou na sociedade. muito cuidado. 1. a responsabilização do sócio não depende do prévio exaurimento do patrimônio social”. Assim.br 17 . pois. a lei determina que haja também responsabilidade pelas obrigações posteriores. A responsabilidade limitada dos sócios poderia afastar a regra do art. Isto. 1003. nos casos de morte. que dispõe que “até dois anos depois de averbada a modificação do contrato.032 — dispositivo que se encontra no capítulo atinente às sociedades simples —. este — ou seus herdeiros — ficará responsável pelas obrigações anteriores. Estas obrigações é que estariam contempladas pelo art. admitido em sociedade já constituída. conforme o estatuído no art.DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Ressalte-se que.

1.com. em latim. ou a estranho. pois estes não têm a obrigação de aceitar um estranho com o qual não possuam affectio societatis. a quem seja sócio. total ou parcialmente. é preciso haver oposição de pelo menos um quarto do capital social para o veto. Esta regra é um pouco atenuada nas sociedades limitadas: Art. O sócio não pode ser substituído no exercício das suas funções. os sócios não podem alienar livremente suas quotas: Art. nestas sociedades.003.DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Além do dever de subscrever e integralizar o capital. sem a correspondente modificação do contrato social com o consentimento dos demais sócios. um sócio não pode substituir-se de suas funções sem a autorização dos demais sócios: Art. sociedade limitada. Ademais. sem o consentimento dos demais sócios. Neste tipo societário. que a alienação de quotas pode ser feita livremente e. Antonio Nóbrega www. independentemente de audiência dos outros. os sócios podem estipular. o sócio pode ceder sua quota.br . responde o cedente solidariamente com o cessionário. pelas obrigações que tinha como sócio Como se vê. Na omissão do contrato. sociedade em nome coletivo e sociedade em comandita simples —. expresso em modificação do contrato social. não são sociedades de capital. Como já deixamos claro quando introduzimos a terminologia o Direito Societário. Em razão disto.057. as sociedades que iremos tratar nos tópicos seguintes — sociedade simples. pois há o affectio societatis — afeição de sociedade. 18 Prof. 1. não terá eficácia quanto a estes e à sociedade. se não houver oposição de titulares de mais de um quarto do capital social. mas de pessoas. a figura do sócio tem relevância na constituição da sociedade. e da responsabilidade que isto acarreta. mesmo sem esta estipulação.pontodosconcursos. perante a sociedade e terceiros. Parágrafo único. 1. A cessão total ou parcial de quota. Até dois anos depois de averbada a modificação do contrato. a regra é que qualquer alienação de quotas seja aprovada pelos demais sócios.002. no contrato social.

pontodosconcursos. 5º. considerada pelo montante efetivamente realizado. No caso de morte de sócio. 1. salvo disposição contratual em contrário. caso o candidato seja questionado se existe a possibilidade de alienar as quotas livremente. o valor da sua quota. liquidar-se-á.se o contrato dispuser diferentemente. Já que os sócios não podem alienar suas quotas livremente. Antonio Nóbrega www. qualquer sócio pode retirar-se da sociedade. salvo: I . caso esta seja por tempo indeterminado.br 19 . eles terão o direito de retirar-se da sociedade. Alguns sócios são apenas investidores. não há nada expresso na lei que permita isto. regular-se a substituição do sócio falecido. Art. Nos casos em que a sociedade se resolver em relação a um sócio.com. como ninguém pode ser obrigado a ser associado eternamente.031. Além disso.se.029. um sócio pode falecer e. se de prazo determinado.028. mediante notificação aos demais sócios. Podem um ou mais sócios querer adquirir estas quotas. com antecedência mínima de sessenta dias. provando judicialmente justa causa.DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA As sociedades em comandita simples são consideradas mistas pela doutrina: uma mistura de sociedade de pessoas e de capital. como os remanescentes podem não ter affectio societatis com os herdeiros. por acordo com os herdeiros. suas quotas deverão ser liquidadas e seus valores repassados aos herdeiros. II . verificada em balanço especialmente levantado. XX “ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado” —. Prof. Porém.se os sócios remanescentes optarem pela dissolução da sociedade. a situação é a mesma: calcula-se o valor da empresa e paga-se ao sócio ou os herdeiros o valor na proporção de suas quotas. Além dos casos previstos na lei ou no contrato. pagando suprindo o valor ou o capital social da sociedade ser reduzido: Art. deverá responder que não. III . assim. 1. Art. com base na situação patrimonial da sociedade. 1. conforme a Constituição — art. logo. à data da resolução. liquidar-se-á sua quota. a lógica seria que poderiam ceder livremente suas quotas. Em ambos os casos. se de prazo indeterminado.

mediante iniciativa da maioria dos demais sócios. na proporção das respectivas quotas. Ressalvado o disposto no art. 1. 1. Se a sociedade não estiver dissolvida.DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA § 1o O capital social sofrerá a correspondente redução. o sócio participa dos lucros e das perdas. ainda. ou aquele cuja quota tenha sido liquidada nos termos do parágrafo único do art. no juízo da execução.008. § 2o A quota liquidada será paga em dinheiro. O mesmo ocorrerá quando for excluído judicialmente ou no caso de justa causa. apurado na forma do art.007. quando o contrato permitir esta possibilidade: Art. a partir da liquidação. Prof.com. pode o credor requerer a liquidação da quota do devedor. Quanto aos direitos dos sócios.030. fazer recair a execução sobre o que a este couber nos lucros da sociedade. Art. somente participa dos lucros na proporção da média do valor das quotas.031. Salvo estipulação em contrário. 1. será depositado em dinheiro.004 e seu parágrafo único. Antonio Nóbrega www. sendo vedada qualquer estipulação contrária: Art. É nula a estipulação contratual que exclua qualquer sócio de participar dos lucros e das perdas. cujo valor. Parágrafo único. salvo acordo. As demais prerrogativas dos sócios variam conforme o tipo societário e serão tratados nos tópicos específicos. todo tem o direito à participação nos resultados. ou estipulação contratual em contrário.026[: O credor particular de sócio pode.pontodosconcursos. cuja contribuição consiste em serviços. até noventa dias após aquela liquidação]. por falta grave no cumprimento de suas obrigações. por incapacidade superveniente. ou na parte que lhe tocar em liquidação. salvo se os demais sócios suprirem o valor da quota. pode o sócio ser excluído judicialmente. 1. 1. Será de pleno direito excluído da sociedade o sócio declarado falido. Parágrafo único. 1. na insuficiência de outros bens do devedor. ou. mas aquele. no prazo de noventa dias.br 20 .

se este persistir. O que importa é que todo o sócio tem o direito de participar nas deliberações. quanto às sociedades de pessoas.DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA 4. Estes administradores têm prerrogativas.pontodosconcursos. no exercício de suas funções. 1.010.br 21 . o Código Civil distingue as demais sociedades da limitada. mas também têm responsabilidades. devido à necessidade de certas decisões serem tomadas com celeridade. Quando. Porém. que veremos agora. O administrador da sociedade deverá ter. Regime jurídico dos administradores Primeiramente. são necessários votos § 2º Prevalece a decisão sufragada por maior número de sócios no caso de empate. 1. tendo em alguma operação interesse contrário ao da sociedade. o Código Civil distingue a administração das limitadas das demais sociedades de pessoas. participar da deliberação que a aprove graças a seu voto. contados segundo o valor das quotas de cada um. devemos distinguir os atos que necessitam de deliberação — o aspecto democrático das sociedades — e os atos nos quais uma ou um número reduzido de pessoas decidem o destino da empresa — de forma autocrática. nada impede que a regra geral complemente as lacunas das regras específicas. Por exemplo: Art. as deliberações serão tomadas por maioria de votos. em toda sociedade há uma (ou algumas) figura(s) chamada(s) administrador(es).011. § 1º Para formação da maioria absoluta correspondentes a mais de metade do capital. Novamente. por lei ou pelo contrato social. Neste aspecto. A Lei ou o contrato social pode estipular situações em que seja necessária a deliberação de todos os sócios. Quanto àquelas. decidirá o juiz. o cuidado e a diligência que todo homem ativo e probo costuma empregar na administração de seus próprios negócios. iremos tratar do assunto em tópico específico. competir aos sócios decidir sobre os negócios da sociedade. Antonio Nóbrega www.com. Porém. e. há apenas uma regra: Art. Prof. § 3º Responde por perdas e danos o sócio que.2. Quanto às sociedades limitadas.

tende a uma administração coletiva. ao praticarem os atos de gestão da empresa. Prof. podendo tornar-se mais capitalista ou mais pessoal conforme a vontade dos contratantes. Antonio Nóbrega www. intui-se que cada seção que dispõe sobre administração caminha para lados distintos. A administração das sociedades simples. 1.047. enquanto a das sociedades limitadas prevê um número menor de administradores. Tudo o que foi dito explica muito sobre a natureza destas sociedades: a sociedade em nome coletivo e a sociedade simples são típicas sociedades de pessoas. e que se aplica às sociedades em nome coletivo. Porém. há sócios empreendedores e sócios investidores. Nas sociedades em comandita simples. ressaltando as diferenças de cada um. A sociedade limitada é administrada por uma ou mais pessoas designadas no contrato social ou em ato separado. lendo os dois institutos.pontodosconcursos. sob pena de ficar sujeito às responsabilidades de sócio comanditado.com. vamos tratar sobre estes regimes jurídicos dos administradores.br 22 .DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA É óbvio que o administrador das limitadas deve agir com probidade. já a sociedade limitada é um tipo mais maleável. As pessoas jurídicas não têm vontade própria. Art. 1. Assim. não pode o comanditário [sócio investidor] praticar qualquer ato de gestão. nada dispondo o contrato social. que serve de regra geral para todas as sociedades de pessoas. embora esta regra esteja estampada no capítulo das sociedades simples. nem ter o nome na firma social.013. sendo necessário que atuem por meio de seus administradores. Somente os empreendedores podem praticar atos de gestão: Art. 1. a sociedade em comandita simples és claramente mista.060. como já dito. Sem prejuízo da faculdade de participar das deliberações da sociedade e de lhe fiscalizar as operações. o fazem em nome e por conta desta. Convém recordar que aqueles que ocupam os cargos de administração das sociedades. Comparemos os dois institutos: Art. compete separadamente a cada um dos sócios. A administração da sociedade.

lealdade e diligência (art.com. os administradores não deverão ser responsabilizados por atos realizados em nome da sociedade.016 reza que “os administradores respondem solidariamente perante a sociedade e os terceiros prejudicados.404/76).br 23 . A definição é fluída. A responsabilidade daqueles que conduzem os rumos da sociedade desponta quando são desatendidos os deveres gerais dos administradores. 155 passa a discorrer sobre o dever de lealdade. Deste modo. os costumes e os princípios gerais de direito”. negligência ou imperícia. (Lei 6.A. Ao abordar o dever de diligência. 1. afastando-se dos deveres de cuidado.015. subsidiária de todos os tipos societários. o já citado mestre Rubens Requião afirma que “se o acionista se prende. por culpa no desempenho de suas funções”. o art. conforme os dispositivos legais relativos ao tema. devemos lembrar que. Embora isso esteja implícito na conduta de qualquer pessoa dentro do grupo social em que vive e atua. Evidencia-se que. para que possa se verificar se o administrador pautou sua atuação pelos padrões naturalmente exigíveis daqueles que participam da gestão dos negócios da companhia. no exercício de suas funções.A. que podem ser aplicadas àqueles que administram os mais diversos tipos societários. o administrador irá responder pessoalmente com seu patrimônio particular. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos. que apresenta em seus arts. Em regra. a lei resolveu reiterar. Neste passo. o art. para seu pleno entendimento. por um dever ético. 4º Quando a lei for omissa. Mesmo não sendo Lei das S. o art. a análise do caso concreto. 153 e 155 regras gerais.011). perante a sociedade e terceiros eventualmente prejudicados. o dever de lealdade do administrador”. como regra expressa. os administradores podem praticar todos os atos pertinentes à gestão da sociedade. 1. a oneração ou a venda de bens imóveis depende do que a maioria dos sócios decidir”. não constituindo objeto social. Prof. desde que atuem dentro de suas funções. sendo recomendável. “Art. 1. “no silêncio do contrato. o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia. Adiante. o cuidado e diligência que todo homem ativo e probo costuma empregar na administração dos seus próprios negócios”. Ao discorrer acerca do tema. e com uma atuação pautada pela imprudência. à sociedade. segundo a Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro (antiga Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro — LICC).DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Nos termos da regra prevista no art. com muito mais força deve o administrador pautar sua atuação dentro de princípios de lealdade para com a empresa. 153 dispõe que o “administrador da companhia deve empregar. devemos recorrer a Lei das S.

1. em benefício próprio ou de outrem. para si ou para outrem. 155 são as seguintes: 1. ou pagar o equivalente. e. a sociedade vier a sofrer danos.017 do Código Civil determina que “o administrador que. segundo a qual o administrador responderá por perdas e danos caso realize “operações. um administrador de uma sociedade de pessoas — excluída a limitada —. bem ou direito que sabe necessário à companhia. Antonio Nóbrega www. sem consentimento escrito dos sócios. Sendo assim.br 24 .” Percebe-se que a lei permite a aplicação de créditos ou bens sociais em proveito do próprio administrador ou de terceiros.DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA A lista de condutas que são vedadas pelo art. 1. por ter uma administração mais coletiva. 3. sabendo ou devendo saber que estava agindo em desacordo com a maioria”. ele será responsável por eventual ressarcimento. A designação de administradores não sócios dependerá de aprovação da unanimidade dos sócios. aplicar créditos ou bens sociais em proveito próprio ou de terceiros. os mecanismos de troca de administradores são muito mais fluidos. negligência e imperícia.375/2010: Art.019). Dessa forma. enquanto o capital não estiver integralizado. Este. para revender com lucro. cuja função seja estabelecida no contrato social. cumpre notar esta regra exclusiva do art. deixar de aproveitar oportunidades de negócio de interesse da companhia. não pode ser destituído sem justa causa (art.013.com. pode não ser sócio.pontodosconcursos. visando à obtenção de vantagens. com redação nova dada pela Lei 12. caracterizando falta de diligência e lealdade. Outrossim. com ou sem prejuízo para a companhia. adquirir. o art. na sociedade limitada. usar. Prof. 2. por ele também responderá. no mínimo. Quanto às diferenças.061. todavia. se houver prejuízo. é necessário consentimento escrito dos sócios. com todos os lucros resultantes. após a integralização. inclusive. ou que esta tencione adquirir. e de 2/3 (dois terços). se o administrador atuar com imprudência. em decorrência deste ato. as oportunidades comerciais de que tenha conhecimento em razão do exercício de seu cargo. Outra previsão legal que merece destaque é a do §2º do art. 1.061. omitir-se no exercício ou proteção de direitos da companhia ou. Já. e. terá de restituí-los à sociedade. 1. 1.

DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA 5. a primeira por servir de base a todas as outras e a segunda por ser o principal tipo societário utilizado. já que o aprofundamento neste assunto demandaria um número maior de aulas.pontodosconcursos. principalmente. Apresentaremos. candidato. Antonio Nóbrega Sociedade em comandita simples www. muito já foi dito nos tópicos anteriores. que serão discutidos somente os pontos principais a respeito de cada modelo societário. que sintetiza tudo que já foi dito: Classificação Gênero Espécie Quanto à responsabilidade Ilimitada Sociedade simples (regra) Sociedade em nome coletivo dos sócios Limitada Sociedade anônima Sociedade limitada Sociedade simples (organizada como limitada) Mista Sociedades em comandita simples Sociedade em comandita por ações Quanto ao regime de Contratuais Sociedade simples constituição e de Sociedade em nome coletivo dissolução Sociedade em comandita simples Sociedade limitada Institucionais Sociedade anônima Sociedade em comandita por ações Quanto à composição De pessoas Sociedade simples Sociedade em nome coletivo Sociedade limitada (salvo se determinado o contrário no contrato social) De capital Sociedade anônima Sociedade em comandita por ações Mista Prof. Saliente-se. Classificação das sociedades empresárias Vamos tratar agora das espécies societárias previstas no art. Daremos ênfase às sociedades simples e limitadas. um quadro esquemático. Quanto à classificação.br 25 . no tópico terminologia. 997 do Código Civil em diante e como são classificadas. agora.com.

no que forem compatíveis com as deste Capítulo. Não devemos confundir as coisas. no que seja omisso. Antonio Nóbrega www.DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA 5. mais pragmática é que está no edital.053. A sociedade simples é uma sociedade civil. A sociedade empresária deve constituir-se segundo um dos tipos regulados nos arts. Por outro lado. 1.br 26 . 1. como limitada. com fim econômico sem organização empresarial.pontodosconcursos. pelas do Capítulo antecedente [sobre sociedade simples]. a sociedade simples pode constituir-se de conformidade com um desses tipos. Art. etc. são tipos de organização societária e não de organização empresarial.092. sociedade simples não se opõe à sociedade limitada ou à sociedade em nome coletivo ou à sociedade em comandita simples. nas omissões deste Capítulo. 1. 1. você deve estar se perguntando: “por que estudar a sociedade simples em um curso de Direito Empresarial. Vejamos o Código Civil: Art. é complementada pelas normas da sociedade simples]. A sociedade limitada rege-se.1.com. mais didática é que este tipo societário é a base de muitos outros. Sociedade simples opõe-se à sociedade empresarial. se a sociedade simples não é empresária”. subordina-se às normas que lhe são próprias. não o fazendo. Há duas respostas a esta pergunta: a primeira. Prof. Vejamos o Código Civil: Art.039 a 1. prezado candidato.040. pelas normas da sociedade simples. 983.046. Sociedades Simples Primeiramente. a segunda. A sociedade em nome coletivo se rege pelas normas deste Capítulo e. Aplicam-se à sociedade em comandita simples as normas da sociedade em nome coletivo [que por sua vez. e. A sociedade simples pode organizar-se como qualquer um desses tipos. Os tipos societários. Art.

em hipótese alguma.br 27 . De qualquer forma. A sociedade constitui-se mediante contrato escrito. se pessoas naturais. se jurídicas. como deve organizar-se conforme um desses tipos. elas são consideradas atividades que não são atividades de mercância. vamos apontar os principais aspectos da sociedade simples. já teremos estudado bastante do que se aplica a eles. Prof. como as estatísticas indicam. estaremos estudando regras que podem ser aplicadas. nacionalidade e sede dos sócios. salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa (parágrafo único do art. 997. às sociedades simples. 966). literatura ou artes. Apresentados estes conceitos preliminares.denominação. é a sociedade limitada. empresariais. empresarial. mesmo que se organize como outro tipo societário. pois. não terá nada a perder.com. quando estivermos estudando estes outros tipos societários. Ela só não poderá organizar-se como sociedade anônima ou sociedade em comandita por ações. particular ou público. que. O art. estado civil. empresarial. 997 trata de um importante elemento do Direito Societário. organizando-se como uma sociedade que deve ser. A melhor forma de organização. opcionalmente. sede e prazo da sociedade.nome. Antonio Nóbrega www. nos dias de hoje. fuja à realidade. objeto. a sociedade simples limitada. mencionará: I . além de cláusulas estipuladas pelas partes. nacionalidade. e a firma ou a denominação. necessitando. em qualquer hipótese. Assim. a ideologia ainda se mantém. II . são possíveis quatro tipos de sociedades simples: a sociedade simples pura. não só pode.pontodosconcursos. quando estudarmos os demais tipos societários. necessariamente. teríamos um paradoxo: uma sociedade que não pode ser. a sociedade simples em nome coletivo e a sociedade simples em comandita simples. que é o contrato social: Art. Porém. como ciência. Pela tradição histórica destas profissões — as chamadas profissões liberais —. A sociedade simples se dedica às atividades próprias de profissão intelectual. Embora isto. pois o Código Civil determina que estes tipos societários são. Da mesma forma. desta forma. graças às vantagens da limitação da responsabilidade. Eis a razão da distinção. estudar as diferenças. só a ganhar. da forma mais abrangente possível.DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA A sociedade simples. profissão e residência dos sócios. apenas.

VI . 1006).as prestações a que se obriga o sócio. nela. os sócios devem ser profissionais e não investidores e uma pessoa jurídica jamais poderá ter participação profissional em uma sociedade.capital da sociedade. Prof. VIII . VII . podendo compreender qualquer espécie de bens. Apesar desta situação jurídica. ao contrário de uma sociedade empresarial. O artigo seguinte trata da obrigatoriedade do registro.007) e deverá se dedicar inteiramente à sociedade (art. ou não. pelas obrigações sociais. este sócio de serviço participa dos lucros na proporção da média do valor das quotas (art. suscetíveis de avaliação pecuniária.as pessoas naturais incumbidas da administração da sociedade. em moldes semelhantes às antigas sociedades de capital e indústria. como vimos na aula passada.a participação de cada sócio nos lucros e nas perdas. é possível a admissão de sócio que não participe do capital. e o modo de realizá-la. que. 997.com. contrário ao disposto no instrumento do contrato.se os sócios respondem. I. e seus poderes e atribuições. cuja contribuição consista em serviços.a quota de cada sócio no capital social. Ainda. Conforme o art. a sociedade deverá requerer a inscrição do contrato social no Registro Civil das Pessoas Jurídicas do local de sua sede. subsidiariamente. Vejamos que o contrato deverá ser inscrito Registro Civil das Pessoas Jurídicas. Parágrafo único. Atente-se à disposição que determina que o contrato social deve constituir o capital da sociedade simples. V . expresso em moeda corrente. IV . Nos trinta dias subseqüentes à sua constituição. Antonio Nóbrega www. pois a participação de pessoas jurídicas neste tipo de sociedade é contra sua própria natureza. deve requerer suas inscrições à Junta Comercial de seu estado: Art. 1.br 28 . os sócios da sociedade simples poderão ser pessoas físicas ou jurídicas.pontodosconcursos. imposição inexistente no regime anterior das sociedades civis. É ineficaz em relação a terceiros qualquer pacto separado. pois. mas isto parece ser um grande erro legislativo. 998.DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA III .

deverá responder que sim. 997. por mais absurdo que possa parecer. Em toda questão ambígua. no Direito Falimentar. Reiterando o que já foi dito. ou seja. dependem de consentimento de todos os sócios. VI). 997.024 do Código Civil: Art. Porém. senão depois de executados os bens sociais. As alterações no contrato social.024.023 e 1. que versem sobre matérias previstas no art. 997.018). 999). utilizando-se de seus benefícios. Antonio Nóbrega www. Isto significa que.br 29 . respondem os sócios pelo saldo. esgotados os bens da sociedade. Esta obrigação poderá ser subsidiária ou solidária. como veremos em aula própria.003). na proporção em que participem das perdas sociais. outros temas podem ser decididos por maioria absoluta de votos. 1. Prof. Enfatize-se que a cessão de quota social também depende da aprovação dos demais sócios (art.023. 1. não sendo possível a delegação de poderes (art.DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Parece que o legislador quis criar uma regra geral de contratos sociais para todos os tipos societários e esqueceu-se desta brecha que estava criando. a melhor opção é sempre ser o mais positivista possível. Art. não determinar necessidade de deliberação unânime (art. Os bens particulares dos sócios não podem ser executados por dívidas da sociedade. isto é. não basta colocar no contrato que os sócios não respondem subsidiariamente pelas obrigações contratadas.com. A administração das sociedades simples deverá ser exercida por pessoa(s) natural(is) (art. por regra. salvo cláusula de responsabilidade solidária. os sócios responderão pelas obrigações sociais de acordo como o teor do contrato social (art. por exemplo. Se os bens da sociedade não lhe cobrirem as dívidas. o mais literal. 1.pontodosconcursos. se o contrato. 1. a responsabilidade dos sócios de uma sociedade simples é subsidiária. De qualquer forma. os bens pessoais podem ser executados ilimitadamente. 1. são estas brechas legais que permitem que uma sociedade empresarial se personalize como uma sociedade simples. A única forma de uma sociedade simples limitar a responsabilidade dos sócios é organizar-se como uma sociedade limitada. o que pode ser descaracterizado. como se pode aduzir da leitura sistemática deste inciso com a leitura dos arts. ou a lei. A não ser que seja uma ambiguidade legal que a jurisprudência já haja resolvido e não seja mais questão de conflitos. caso o candidato seja perguntado se uma pessoa jurídica pode ser sócia de uma sociedade simples. VIII).

com. Prof. Acredito que não haja necessidade da memorização de todos os dispositivos legais mencionados.033. candidato. ÀS SOCIEDADES LIMITADAS (SE O CONTRATO SOCIAL NÃO ELEGER A LEI DAS S. poderá se retirar a qualquer tempo (art. O sócio declarado falido ou que tenha tido suas quotas liquidadas será. CONSTITUÍDAS POR ATO ESCRITO. Contudo. O sócio que faltar com suas contribuições previstas no contrato social. de modo que no momento da prova. durante um período não superior a cento e oitenta dias. Como foi possível perceber.004 e respectivo parágrafo único). 1. 1. nos termos do inciso IV do art. deverá haver pedido da maioria dos demais sócios e “falta grave no cumprimento de suas obrigações. O sócio. excluído da sociedade (parágrafo único do art. a sociedade poderá permanecer.033. É POSSÍVEL A UNIPESSOALIDADE TEMPORÁRIA E A ADMISSÃO DE SÓCIOS DE SERVIÇO. Repare que é possível que a unipessoalidade temporária. COMANDITA SIMPLES. por incapacidade superveniente”. mantendo-se a unipessoalidade. a sociedade será dissolvida. 1. Nesta situação.030. 1. caso a sociedade seja sem prazo. ainda. há vários detalhes e regras no regime legal relativo às sociedades simples. ainda que majoritário. conforme informado acima. também poderá ser excluído da sociedade. Neste caso. com um sócio. a diversas outras espécies societárias. além de responder por perdas e danos. OS SÓCIOS PODEM SER PESSOAS NATURAIS E JURÍDICAS. ou. 1. Os demais casos de dissolução encontram-se elencados no mesmo art. NÃO PODE ASSUMIR A FORMA DE SOCIEDADE POR AÇÕES.pontodosconcursos. Antonio Nóbrega www.br 30 . de pleno direito. MAS A ADMINISTRAÇÃO DEVE SER EXERCIDA POR PESSOAS NATURAIS. Após este lapso.029). 1. poderá ser expulso da sociedade nos moldes do art. O mais relevante neste momento é se recordar que esses normativos aplicam-se.A.030). Ressalte-se que se trata de exclusão judicial. COMO DIPLOMA DE REGÊNCIA SUPLETIVA) E À SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. PARTICULAR OU PÚBLICO. AS NORMAS TAMBÉM SE APLICAM ÀS SOCIEDADES EM NOME COLETIVO. o candidato possa se recordar mais facilmente do tema tratado. caso seja cobrado conteúdo referente a tais tópicos. recomendo uma breve leitura nos pontos sublinhados acima. neste caso extrajudicialmente (art.DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Para que o sócio se retire da sociedade com prazo determinado deverá haver justa causa. SOCIEDADES SIMPLES ATIVIDADES PRÓPRIAS DE PROFISSÃO INTELECTUAL.

que determina que todos os sócios respondem solidariamente pela avaliação incorreta feita pelos sócios. 1. Sociedades Limitadas Anteriormente. total ou parcialmente.055).DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA 4. insta ressaltar que. 1.” A administração da sociedade limitada é tratada nos arts. o limite de responsabilidade dos sócios em uma sociedade limitada é o total do capital subscrito e não integralizado. as sociedades limitadas eram reguladas pelo Decreto 3. conforme a norma do art. todos respondem solidariamente pela integralização do capital (art. apesar da responsabilidade dos sócios ser restrita ao valor de suas quotas. Após o advento do Código Civil.br 31 . serão regidas supletivamente pelo regime das sociedades simples. Antonio Nóbrega www. omitindo-se o contrato.065.060 a 1.057. a quem seja sócio. Em relação à cessão de quotas nas sociedades limitadas.” Deste modo. a livre transferência de quotas só ocorrerá quando o cessionário for outro sócio. Assim. tal modelo societário passou a ser regido por esse diploma legal e poderá ser utilizado tanto pelas sociedades simples como pelas sociedades empresárias. De acordo com o que foi debatido e exemplificado no capítulo relativo à responsabilidade dos sócios. 1. poderá ser regida. 1. se não houver oposição de titulares de mais de um quarto do capital social. pelo disposto na Lei das S/A.059 também demanda atenção.052). 1.708/19. a qualquer título. ainda que autorizados pelo contrato. subsidiariamente. Prof.055 do Código Civil.com. as situações não reguladas no capítulo próprio das sociedades limitadas no Código Civil. É relevante também apontar a responsabilidade prevista no §1º do art.2. independentemente de audiência dos outros.053 e respectivo parágrafo único. Percebe-se que tal disposição legal não atinge aqueles sócios que ingressaram na sociedade em momento posterior à avaliação. por convenção. “o sócio pode ceder sua quota. na esteira da previsão consubstanciada no art. no ano de 2002. caso o contrato social não apresente regra diversa. A letra do art. 1. Porém.pontodosconcursos. ao dispor que “os sócios serão obrigados à reposição dos lucros e das quantias retiradas. na sociedade limitada. ou a estranho. As quotas das sociedades limitadas constituem frações do capital social e podem ser de valor igual ou não (art. Como já vimos. 1. no contrato social. quando tais lucros ou quantia se distribuírem com prejuízo do capital.

bastando a leitura dos arts.063. Já a redução do capital sociedade. e de dois terços.061. enfatize-se que a maioria é calculada em função do número de quotas e não pelo número de sócios.071 e 1. No caso de administrador sócio. haja vista o seu possível desinteresse em se manter na entidade.br 32 só da se da as . 1. Em relação ao aumento do capital social (art.082). 1. terá o sócio que dissentiu o direito de retirar-se da sociedade”. Antonio Nóbrega www. os sócios se vinculam à própria duração do empreendimento.071 a 1. “quando houver modificação do contrato. Preliminarmente. residentes no País.pontodosconcursos. a designação desses dependerá “de aprovação da unanimidade dos sócios. No tocante ao conselho fiscal (arts. sócios ou não. 1. fusão da sociedade. Caso instituído.076. tal providência poderá ocorrer após sua total integralização. após a integralização”.com. Prof.066 a 1. 1.080 versam sobre o processo decisório dentro das sociedades limitadas. órgão que tem como missão principal a fiscalização dos atos dos administradores. II . Contudo. ou dela por outra. 1. salvo disposição contratual diversa. tratando-se de administrador não sócio ou nomeado em ato separado. houver perdas irreparáveis. é certo que sua destituição poderá ocorrer por vontade da maioria do capital.070). O quórum necessário para a aprovação das diversas matérias de interesse das limitadas é bastante simples. 1.se excessivo em relação ao objeto sociedade” (art. 1. podemos destacar a norma positivada no art. poderá ocorrer em duas hipóteses: “I .” Os arts. sua criação é optativa. Como na sociedade limitada.077 apresenta importantes regras acerca do direito de recesso. O art. De acordo com aquele dispositivo normativo. será composto de três ou mais membros e respectivos suplentes.DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Como já vimos. 1. O quórum necessário para a aprovação de ambas providências é de três quartos do capital social. Destarte. um sócio com 50 quotas. Ressalte-se que não há impedimento para que o contrato social aumente o mínimo necessário para a aprovação de certas questões. nomeado no próprio contrato social ou em alteração contratual. §1º).081). que dispõe que permite a previsão contratual de administradores não sócios. a lei prevê algumas hipóteses que permitem a retirada do sócio. Por outro lado. incorporação de outra. sua destituição dependerá da decisão de dois terços do capital social. influenciará mais os rumos da sociedade que três sócios com 10 quotas. enquanto o capital não estiver integralizado. no mínimo. (art.depois de integralizado. cada um.

br . desde que prevista neste a exclusão por justa causa”. 1. A MAIORIA É CALCULADA EM FUNÇÃO DO NÚMERO DE QUOTAS E NÃO PELO NÚMERO DE SÓCIOS.. defender-se”.. NO MÍNIMO. cláusula que permite a expulsão de sócio por justa causa (.pontodosconcursos.DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Para que seja possível a todos os sócios manter a sua participação proporcional no capital da sociedade. enquanto o art. SE NÃO HOUVER OPOSIÇÃO DE MAIS DE UM QUARTO DO CAPITAL SOCIAL. 33 Prof. no contrato social. MAS A DESIGNAÇÃO DESSES DEPENDERÁ DE APROVAÇÃO DA UNANIMIDADE DOS SÓCIOS. deste modo. Para concluir esta etapa. MAS TODOS RESPONDEM SOLIDARIAMENTE PELA INTEGRALIZAÇÃO DO CAPITAL. 1004 apresenta outra possibilidade de exclusão extrajudicial do sócio. em virtude de atos de inegável gravidade. E DE DOIS TERÇOS. Nas palavras de Fabio Ulhoa. A INSTITUIÇÃO DO CONSELHO FISCAL É OPTATIVA. mediante alteração do contrato social.085 que versa sobre uma possibilidade de exclusão extrajudicial do sócio. em virtude de atos de inegável gravidade. 1. Busca-se. APÓS A INTEGRALIZAÇÃO. ENQUANTO O CAPITAL NÃO ESTIVER INTEGRALIZADO. Vale recordar que o art. NAS DELIBERAÇÕES SOCIAIS. “quando a maioria dos sócios. “se o expulso é minoritário e há. diante de elementos que demonstrem estar o minoritário pondo em risco a continuidade da empresa.com. entender que um ou mais sócios estão pondo em risco a continuidade da empresa. OU A ESTRANHO. devem convocar reunião ou assembléia para apreciar a matéria. É POSSÍVEL A PREVISÃO CONTRATUAL DE ADMINISTRADORES NÃO SÓCIOS.) o sócio ou sócios titulares de mais da metade do capital social. o §1º do art. na proporção das quotas de que sejam titulares”. O SÓCIO PODE CEDER SUA QUOTA LIVREMENTE A SÓCIOS. Segue abaixo quadro com algumas das regras mais relevantes no regime legal relativo às sociedades limitadas: SOCIEDADES LIMITADAS A RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS É RESTRITA AO VALOR DE SUAS QUOTAS. Antonio Nóbrega www. É condição de validade do ato que seja dada ciência ao acusado da convocação para que ele possa comparecer e. merece destaque o art. representativa de mais da metade do capital social. 1. poderá excluí-los da sociedade. querendo. terão os sócios preferência para participar do aumento.030 nos traz hipótese de exclusão judicial do sócio minoritário remisso. Assim.081 determina que “até trinta dias após a deliberação. evitar a diluição da participação societária dos sócios com o aumento do capital.

br 34 .DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA É POSSÍVEL O SÓCIO RETIRAR-SE DA SOCIEDADE QUANDO HOUVER MODIFICAÇÃO DO CONTRATO. tal limitação não poderá ser oposta a terceiros e deverá ser feita no ato constitutivo ou unanimemente por convenção posterior (parágrafo único do art. A EXPULSÃO DO SÓCIO QUE DESCUMPRE SEUS DEVERES. FUSÃO DA SOCIEDADE.042 determina que a administração da sociedade em nome coletivo compete exclusivamente aos sócios. Tal distinção deve estar prevista no ato constitutivo.039). 1. PODE SER FEITA EXTRAJUDICIALMENTE.045). QUANDO HOUVER PREVISÃO CONTRATUAL EXPRESSA. 1. É certo que os sócios poderão limitar a responsabilidade entre si.com. Os primeiros devem ser pessoas físicas e se obrigam solidária e ilimitadamente. diante dessa responsabilidade ilimitada. 1. INCORPORAÇÃO DE OUTRA. OU DELA POR OUTRA. Antonio Nóbrega www. que dispõe que somente pessoas físicas podem fazer parte de tal espécie societária e todos os sócios responderão solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais. Prof. 1.4. Evidencia-se que. CAPITAL SOCIAL SÓ PODE OCORRER APÓS SUA TOTAL 5. Sociedades em Comandita Simples Nas sociedades em comandita simples há dois tipos de sócios: comanditados e comanditários. 5. SOMENTE PESSOAS FÍSICAS PODEM FAZER PARTE DA SOCIEDADE EM NOME COLETIVO E TODOS OS SÓCIOS RESPONDERÃO SOLIDÁRIA E ILIMITADAMENTE PELAS OBRIGAÇÕES. Sociedades em Nome Coletivo As principais características das sociedades em nome coletivo já vêm previstas no art. considerando que não preserva os sócios do risco do empreendimento.039. enquanto os segundos são simples prestadores de capitais.pontodosconcursos. O art.3. com a responsabilidade limitada às suas contribuições de capital (art. a sociedade em nome coletivo não é muito utilizada. todavia. O AUMENTO DO INTEGRALIZAÇÃO.

A gerência da sociedade caberá.047). mas como consta em nosso edital. do art. o sócio comanditário não pode “praticar qualquer ato de gestão. as mesmas regras que se aplicam às sociedades anônimas (art. 1.047. Contudo. Assim. NA SOCIEDADE EM COMANDITA SIMPLES HÁ O SÓCIO COMANDITADO. Sociedades em Comandita por Ações A sociedade em comandita por ações.com. de acordo com o teor do inciso II. QUE RESPONDE ATÉ O VALOR DE SUAS QUOTAS. há também os sócios de responsabilidade ilimitada e subsidiária.DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Justamente por sua condição. 1. há um regime misto na responsabilidade dos sócios.091). Antonio Nóbrega www. devem ser feitos breves comentários acerca deste tópico. 1.090). Prof. em geral.pontodosconcursos. na prática. impondo. a todos os sócios comanditados. PESSOA FÍSICA QUE RESPONDE SOLIDÁRIA E ILIMITADAMENTE PELAS OBRIGAÇÕES SOCIAIS. 1. E O COMANDITÁRIO. nada impede que o comanditário. Denota-se que se o acionista não participar da administração da sociedade. além dos sócios de responsabilidade limitada. deste modo.051. deve-se enfatizar a previsão de que somente o acionista poderá administrar a sociedade e deverá ser nomeado no ato constitutivo da sociedade.5. sob pena de ficar sujeito às responsabilidades de sócio comanditado” (art. dentre esses. seja constituído procurador da sociedade para determinado negócio. que são os diretores ou administradores (art. que representam o investimento dos sócios. é uma espécie societária em desuso.091. 1. àqueles que forem designados no contrato social. ou. 1. É curioso notar que a ausência de uma das categorias de sócio (comanditado e comanditário) por período inferior a cento e oitenta dias não é suficiente para a dissolução da sociedade em comandita simples. nos moldes do parágrafo único do art. 5. sua responsabilidade estará limitada ao preço de emissão das ações que subscreveu ou adquiriu. Ainda no art.br 35 . Apesar do capital social dessas sociedades também se dividir em ações. nem ter o nome na firma social.

Todavia. O art. o art. 1. na forma da lei.092 limita os poderes da assembléia geral. sem o consentimento dos diretores. Com efeito. não reconstituída no prazo de cento e oitenta dias. vencido este e sem oposição de sócio. Agora estudaremos o fim da sociedade como um todo. não entrar a sociedade em liquidação. V . não falaremos. por óbvio. NA SOCIEDADE EM COMANDITA POR AÇÕES O REGIME DE RESPONSABILIADDE É MISTO. ou partes beneficiárias”. Antonio Nóbrega www. caso em que se prorrogará por tempo indeterminado. Já vimos da dissolução parcial em relação a um sócio. na sociedade de prazo indeterminado. por maioria absoluta.o consenso unânime dos sócios.br 36 .033. quando falávamos de seu regime jurídico. III .o vencimento do prazo de duração. prorrogar-lhe o prazo de duração. Dissolução e extinção das sociedades Falaremos. caro candidato. salvo se. Prof. mudar o objeto essencial da sociedade. a “assembléia geral não pode.com.pontodosconcursos.033 do Código Civil apresenta todos os casos em que a sociedade se dissolve sem necessidade de provocação judicial: Art.DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Em virtude do alto grau de responsabilidade atribuído àqueles que ocupam cargos de administração na sociedade em comandita por ações. 1. OS SÓCIOS QUE OCUPAM CARGO DE ADMINISTRAÇÃO NA SOCIEDADE RESPONDEM SUBSIDIÁRIA E ILIMITADAMENTE PELAS OBRIGAÇÕES SOCIAIS. pois será objeto de aula própria. de como as sociedades se extinguem. criar debêntures.a extinção.a deliberação dos sócios. de autorização para funcionar. 6. IV . Dissolve-se a sociedade quando ocorrer: I . da extinção da sociedade em razão de falência. 1. II . aumentar ou diminuir o capital social.a falta de pluralidade de sócios.

Ocorrendo a dissolução.se eleito pela forma prevista neste artigo. 1.pontodosconcursos. pelas quais responderão solidária e ilimitadamente. mediante deliberação dos sócios. só que desta vez haverá a figura do liquidante. Vejamos os seguintes artigos: Art. a requerimento de qualquer dos sócios. 1. 1. devendo restringir seus negócios somente aos inadiáveis.038. Art.036. Se não estiver designado no contrato social.com. a requerimento de um ou mais sócios. podendo a escolha recair em pessoa estranha à sociedade.br 37 . O processo de liquidação não é um processo de falência. desde logo. 1. o liquidante será eleito por deliberação dos sócios. Dissolvida de pleno direito a sociedade. Antonio Nóbrega www. se contestadas. A sociedade pode ser dissolvida judicialmente. ocorrendo. por via judicial. Ocorrida a dissolução. Também pode ocorrer a dissolução judicial nos seguintes casos: Art.anulada a sua constituição.035 dispõe que o contrato social — pois estamos tratando de sociedades contratuais e não das institucionais. § 1º O liquidante pode ser destituído. a liquidação judicial. A liquidação é semelhante a que ocorre quando a sociedade se resolve em relação a um sócio. cumpre aos administradores providenciar imediatamente a investidura do liquidante. que podem ocorrer extrajudicialmente ou serão apreciadas em juízo. a sociedade entrará em liquidação. sob pena de responsabilidade ilimitada e solidária dos sócios. II . II . que veremos na próxima aula — pode prever outras causas de dissolução. pode o sócio requerer.em qualquer caso.exaurido o fim social. a todo tempo: I . quando: I . como veremos na aula sobre o assunto.DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA O art. ou verificada a sua inexeqüibilidade.034. Parágrafo único. vedadas novas operações. e restringir a gestão própria aos negócios inadiáveis. mas há semelhanças entre o liquidante e o Prof. sendo proibidas novas operações.

o art. a sociedade estará extinta.108). conhecido como síndico). o que vimos sobre o regime jurídico dos administradores das sociedades também aplica-se aqui. Procuramos expor o conteúdo do mais geral ao mais particular. Pago o passivo e partilhado o remanescente.105 permite ao “liquidante representar a sociedade e praticar todos os atos necessários à sua liquidação. Por ora. realizar o ativo. Com isto. ultimar os negócios da sociedade. e a propor contra o liquidante ação de perdas e danos. o credor não satisfeito só poderáa exigir o pagamente dos sócios. O liquidante terá o dever de arrecadar os bens. você já terá uma boa base do Direito Societário e. caso o candidato tenha curiosidade de conhecê-lo. incluindo a aula passada. mas. em razão do disposto no art. 1. individualmente.103 do Código Civil. 1. poderemos enveredar pelo tipo societário mais complexo. de modo a facilitar o aprendizado.DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA administrador judicial da massa falida (outrora. encerrada a liquidação. tópico da próxima aula. convocará o liquidante assembléia dos sócios para a prestação final de contas (art. VII. terminado. Da mesma forma.218. procure ver os pontos em comum que você dará um passo importante para obter sucesso e ser aprovado no exame. afirma que o dissidente terá trinta dias. conforme o caso. do atual CPC. 1. ele ainda é regulada pelo Código de Processo Civil de 1939 (DL 1. prezado candidato. O processo judicial de dissolução não é matéria do programa da prova.com. 655 a 674 do Código antigo. 1. Prof. assim. transigir. me despeço. de modo que.br 38 . a matéria de hoje foi um pouco mais extensa que a anterior. 1. receber e dar quitação”. Estude a legislação. Forte abraço e bons estudos. e a sociedade se extingue.104 determina que “as obrigações e a responsabilidade do liquidante regem-se pelos preceitos peculiares às dos administradores da sociedade liquidanda”. ao ser averbada no registro próprio a ata da assembléia (art. aprovadas as contas. Este é o processo de liquidação extrajudicial e. O art.109). Assim. entre outras responsabilidades arroladas no art. pagar o passivo e exigir dos quotistas quando insuficiente o ativo à solução do passivo. no limite do recebido por eles recebida na partilha.110 informa que. a contar da publicação da atam. e encontra-se nos arts. Antonio Nóbrega www. 1. inclusive alienar bens móveis ou imóveis. 1. mas isto não é nada que possa provocar receio.1608).pontodosconcursos. O parágrafo único deste último artigo. Caro amigo. para propor a ação que couber e art. faça uma boa revisão da matéria. esperando vê-los em breve. que é a sociedade anônima. encerra-se a liquidação.

B – todas estão corretas. E – todas as alternativas estão incorretas. ainda que não tenham sido executados os bens sociais.br 39 . D – as sociedades em comum e as sociedades em conta de participação são consideradas sociedades não personificadas. tanto pelos sócios quanto por terceiros. C – somente as alternativas I e III estão corretas. em ambos os casos todos sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais. E – o mesmo regime jurídico aplicável às sociedades em comum também se aplica às sociedades em conta de participação e. (Antonio Nóbrega – Ponto dos Concursos/2011) Em relação às afirmativas abaixo acerca da sociedade em comum. II – poderão ser executados os bens particulares dos sócios que contratarem pela sociedade em comum. D – somente a alternativa I está correta. deste modo. III – a existência da sociedade em comum só poderá ser provada por escrito. Prof. A – somente as alternativas I e II estão corretas. Exercícios 01. Antonio Nóbrega www. B – independente de seu objeto. marque a alternativa correta: I – todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações da sociedade em comum. 02. C – a sociedade adquire personalidade a partir do momento em que os sócios firmam o contrato social.pontodosconcursos.DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA 7. considera-se empresária a sociedade cooperativa.com. (Antonio Nóbrega – Ponto dos Concursos/2011) Em relação às disposições legais previstas no Código Civil a respeito das sociedades. pode-se afirmar que: A – tanto a sociedade limitada quanto a sociedade anônima podem ser consideradas sociedades simples.

C – tutelar consumidores e fisco. 1998) A doutrina da desconsideração da personalidade jurídica (disregard doctrine) tem como finalidade: A – apurar fraudes.DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA 03. caso tenha ocorrido confusão patrimonial. (ESAF – Promotor de Justiça/Ceará. C – acarreta a falência da sociedade que tiver título protestado.com. B – alterar o centro de imputação. B – para limitar direitos trabalhistas. toda vez que há abuso da personalidade.pontodosconcursos.br 40 . D – tutelar credores voluntários. E .aperfeiçoar o regime de responsabilidade civil. Prof. quando o empresário utiliza a pessoa jurídica: A – visando a lucros extraordinários. Antonio Nóbrega www. E . (ESAF – Advogado da União/AGU. E . C – para separar patrimônios.para pôr no mercado produtos defeituosos. B – alcança os bens de todos os sócios. indistintamente. 04. 2001) A teoria da desconsideração da personalidade jurídica altera a imputação. D – não extingue a pessoa jurídica. 05. 2001) A desconsideração da A – abrange a firma individual. (ESAF – Agente personalidade jurídica: Tributário/MT. D – para fraudar credores.depende de previsão legal expressa para que possa ser aplicada.

3. nas omissões das normas estabelecidas pelo Código Civil. D .Exame de Ordem Unificado . no mínimo. e residentes no país. 08. devendo o conselho ser composto por. 2007) É correto afirmar que a instituição do conselho fiscal de uma sociedade empresária limitada é A . não-sócios e residentes no país. no mínimo. C .Não dependerá de deliberação dos quotistas a nomeação ou a destituição dos administradores. B – é aceita e aplicável nos casos de responsabilidade penal. sócios.3. Antonio Nóbrega www. tendo como pressuposto a fraude e o abuso de direito. D . devendo ser o conselho composto por.OAB-SP . 2012) A respeito das sociedades limitadas.br 41 . 5 membros e respectivos suplentes. devendo ser o conselho composto por.obrigatória. ou não.OAB .com. Prof.facultativa. 07. D – não tem aplicação em sociedades anônimas.facultativa.DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA 06. no mínimo.A sociedade limitada.404/1976.obrigatória. 3 membros e respectivos suplentes. sócios. devendo ser o conselho composto por. assinale a alternativa correta. C . e residentes no país. 2006) A superação ou desconsideração da personalidade jurídica: A – não é aceita em nosso Direito.A sociedade limitada é administrada por uma ou mais pessoas designadas no contrato social ou em ato separado.Exame de Ordem . 3 membros e respectivos suplentes. ou não.A cessão de quotas de um quotista de uma sociedade limitada para outro quotista da mesma sociedade dependerá de prévia autorização estatutária. não-sócios e residentes no país. A .pontodosconcursos. será regida pela Lei 6. e não nos de responsabilidade civil dos dirigentes. (FUNIVERSA – Analista Pleno/APEX-Brasil. (FGV . B . E . (VUNESP . C – tem aplicação restrita às relações de consumo. 5 membros e respectivos suplentes. no mínimo. B .foi desenvolvida pela jurisprudência e já se encontra incorporada em nosso Direito.

C – sociedade em conta de participação D – sociedade simples. E – Pela exata estimação dos bens dados em realização das quotas responde apenas o respectivo sócio. pelas obrigações sociais. E – sociedade em comandita simples. B – sociedade em nome coletivo. podendo os bens particulares dos sócios responder por débitos da sociedade.com. (FCC – Procurador do Estado/SE. B – automaticamente torna-se empresária pelo registro na Junta Comercial. C – O capital pode ser dividido somente em quotas iguais. A sociedade A – não adquiriu personalidade jurídica. nos termos da lei. para exercício conjunto da profissão em caráter não empresarial.pontodosconcursos. 11. 2010) Sobre as quotas da sociedade limitada. (Defensoria Pública/SP – FCC. sob a forma limitada. B – Não integralizada a quota do sócio remisso. A – Os sócios podem realizar suas quotas mediante prestação de serviços. e os sócios são pessoalmente responsáveis pelas dívidas sociais.br 42 . e registraram-na na Junta Comercial. assinale a opção correta.DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA 09. os outros sócios podem tomá-la para si ou transferi-la a terceiros. pessoas físicas. independentemente do caráter do exercício da atividade. solidária e ilimitadamente. D – As quotas são consideradas divisíveis em relação à sociedade. (AFT – ESAF. Antonio Nóbrega www. 10. porque o registro é irregular. responderão. 2005) Dois médicos constituíram uma sociedade. Prof. O enunciado refere-se a A – cooperativa. 2007) Sociedade de pessoas voltadas à consecução de atividades econômicas em que todos os sócios.

no mínimo. a única alternativa correta é: A .a dissolução judicial da sociedade simples somente pode ser requerida pelo sócio ou sócios majoritários. D .na sociedade limitada. 12. as deliberações para alteração do contrato social são tomadas pelos votos correspondentes. sendo que a apuração dos haveres depende de balanço especial.br 43 . pois toda sociedade prestadora de serviços tem essa natureza.pontodosconcursos. Prof. (Antonio Nóbrega – Ponto dos Concursos/2011) – No tocante à teoria da desconsideração da personalidade jurídica. é incorreto afirmar que: A – está expressamente prevista no Código Civil de 2002 e em outros diplomas normativos.MPE-SP .com.nas sociedades em conta de participação. ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo. a requerimento da parte. permite que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. E – tem como pressuposto o abuso da personalidade jurídica. MPE-SP . E . e sua personalidade jurídica tem início com o registro do contrato social. respondem perante terceiros o sócio ostensivo e o participante. 2011) A respeito de sociedades. sendo ilimitada a responsabilidade dos sócios. Antonio Nóbrega www. caracterizado pelo desvio de finalidade ou confusão patrimonial. extingue a pessoa jurídica.é na verdade empresária. C .Promotor de Justiça.as sociedades comuns e em comandita simples são personificadas. que é privativa das sociedades empresárias. mesmo tendo adotado a forma limitada. 13. D – quando aplicada. a três quartos do capital social. C – deve ser aplicada pelo juiz. B – quando aplicada. D – rege-se somente pelas regras relativas à sociedade simples.DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA C – não poderia ter adotado a forma limitada. B .

Antonio Nóbrega www. as sociedades são classificadas: A – empresárias e simples.com. B – de pessoas e de capitais. III. A formação da maioria absoluta é determinada por votos correspondentes a mais da metade dos sócios presentes na assembleia e/ou reunião de sócios. adaptada) De acordo com o que estabelece o capítulo Da Sociedade Simples do Código Civil brasileiro. II. sendo que as matérias atinentes ao capital social somente podem ser votadas por votos correspondentes a dois terços do capital social.nas sociedades cooperativas. 15. I.br 44 . a responsabilidade dos sócios é limitada.Titular de Serviços de Notas e de Registros.com finalidade econômica e com finalidade religiosa ou cultural. (ESAF – Auditor do Tesouro Municipal/Recife. Prof. 2003) Nos termos do Código Civil. julgue os itens abaixo. O contrato social da sociedade simples deve ser inscrito no Registro Civil das Pessoas Jurídicas do local de sua sede. E . As obrigações dos sócios começam a partir da inscrição do contrato social no Registro competente. 2011.pontodosconcursos. D – grupadas e isoladas. C – unipessoais e pluripessoais. 14.DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA E . (IESES .TJ-MA .

com.br 45 . Antonio Nóbrega www.DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Gabarito Questão 01: D Questão 02: A Questão 03: B Questão 04: B Questão 05: C Questão 06: E Questão 07: C Questão 08: C Questão 09: B Questão 10: B Questão 11: A Questão 12: B Questão 13: D Questão 14: A Questão 15: I – E. III – E.pontodosconcursos. Prof. II – C.

A opção “e” estende a regra do art. II – poderão ser executados os bens particulares dos sócios que contratarem pela sociedade em comum. o que indica a incompatibilidade com a redação do art. Antonio Nóbrega www. tendo em vista que a sociedade anônima necessariamente é considerada empresária e a cooperativa é considerada simples.br . ainda que não tenham sido executados os bens sociais.pontodosconcursos.DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Comentários 01. 02. (Antonio Nóbrega – Ponto dos Concursos/2011) Em relação às disposições legais previstas no Código Civil a respeito das sociedades. 985. considera-se empresária a sociedade cooperativa. Comentários à questão 01 A assertiva correta é evidentemente a letra “d”. 46 Prof.com. D – as sociedades em comum e as sociedades em conta de participação são consideradas sociedades não personificadas. tendo em vista que o sócio ostensivo é o único que se obriga perante terceiros. As opções “a” e “b” estão em descompasso com o parágrafo único do art. 990 às sociedades em conta de participação. E – o mesmo regime jurídico aplicável às sociedades em comum também se aplica às sociedades em conta de participação e. pode-se afirmar que: A – tanto a sociedade limitada quanto a sociedade anônima podem ser consideradas sociedades simples. que a alternativa “c” apresenta o verbo “firmar”. (Antonio Nóbrega – Ponto dos Concursos/2011) Em relação às afirmativas abaixo acerca da sociedade em comum. C – a sociedade adquire personalidade a partir do momento em que os sócios firmam o contrato social. o que não ocorre. deste modo. Repare candidato. e não registrar. marque a alternativa correta: I – todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações da sociedade em comum. em ambos os casos todos sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais. B – independente de seu objeto. na esteira do que já foi debatido nos exercícios anteriores. 982 do CC.

04.024. 990 do Código Civil.DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA III – a existência da sociedade em comum só poderá ser provada por escrito. a questão versa sobre a desconsideração da personalidade jurídica. Prof. evidencia-se que a opção “a” é a correta. Diante do que já foi ventilado. tendo em vista a mudança do centro de imputação de responsabilidade da sociedade para os sócios. 987. Antonio Nóbrega www. As afirmativas I e II estão de acordo com o texto do art. A – somente as alternativas I e II estão corretas. cujos princípios teóricos já foram vistos anteriormente na questão oito. C – tutelar consumidores e fisco. D – somente a alternativa I está correta. é certo que a opção “b” está correta. E – todas as alternativas estão incorretas. Comentários à questão 02 Com o intuito de fixar bem o conteúdo debatido. (ESAF – Advogado da União/AGU. C – somente as alternativas I e III estão corretas. 1. conforme o teor daquele primeiro dispositivo legal. B – todas estão corretas. A terceira afirmativa está em conflito com a regra estatuída no art. Note que a segunda assertiva faz alusão justamente à exceção da hipótese normativa lapidada no art. E .pontodosconcursos. Desta forma. O exercício em análise versa sobre qual o objetivo da desconsideração da personalidade jurídica.br 47 . D – tutelar credores voluntários. B – alterar o centro de imputação. 1998) A doutrina da desconsideração da personalidade jurídica (disregard doctrine) tem como finalidade: A – apurar fraudes.com. apresenta-se mais uma questão acerca das características da sociedade em comum. Comentários à questão 03 Candidato. tanto pelos sócios quanto por terceiros.aperfeiçoar o regime de responsabilidade civil.

com. caso tenha ocorrido confusão patrimonial. Após a decisão judicial que determinar tal efeito. Antonio Nóbrega www. Não obstante a regra do art. evidencia-se a inexatidão da alternativa “e”. também não sendo possível se falar em falência (opção “c”). 05. quando se refere ao entendimento majoritário acerca do tema. 50 do Código Civil. para cortar a fraude ou abuso do sócio que dela se valeu como escudo (. quando o empresário utiliza a pessoa jurídica: A – visando a lucros extraordinários. que. a doutrina e a jurisprudência já entendiam que a aplicação da desconsideração da personalidade jurídica independeria de autorização legal. Comentários à questão 04 A alternativa “d” está correta. considerando que o exercício é de uma prova de 2001. (ESAF – Promotor de Justiça/Ceará. A desconsideração da personalidade jurídica é fenômeno temporário e atinge somente certos atos realizados pela sociedade.DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA 04. de modo a retirar a eficácia de certos atos para atingir o patrimônio pessoal do sócio que se beneficiou com a fraude. C – acarreta a falência da sociedade que tiver título protestado. As opções “a” e “b” também estão em desacordo com o que foi debatido acima. 2001) A desconsideração personalidade jurídica: da A – abrange a firma individual. Neste diapasão. Neste passo. E . em virtude do desvio de finalidade ou confusão patrimonial.depende de previsão legal expressa para que possa ser aplicada.)”. indistintamente. D – não extingue a pessoa jurídica. (ESAF – Agente Tributário/MT.pontodosconcursos. a desconsideração afasta momentaneamente a autonomia patrimonial da pessoa jurídica quando esta for utilizada de modo abusivo. Prof. a sociedade continuará a existir. afirma que a desconsideração “objetiva somente que o juiz desconsidere episodicamente a personalidade jurídica. antes do Código Civil entrar em vigor. Com efeito..br 48 . toda vez que há abuso da personalidade. 2001) A teoria da desconsideração da personalidade jurídica altera a imputação. B – alcança os bens de todos os sócios.. ou seja. é válida a transcrição da lição do mestre Rubens Requião.

B – é aceita e aplicável nos casos de responsabilidade penal. baseada. De fato. Neste caso. com evidente prejuízo aos credores desta última. o que justificaria a aplicação da desconsideração. Para tanto. se o sócio vale-se de bens da pessoa jurídica para praticar atos em benefício próprio. tendo como pressuposto a fraude e o abuso de direito. E .foi desenvolvida pela jurisprudência e já se encontra incorporada em nosso Direito. Deste modo. a autonomia patrimonial criada com a constituição da personalidade jurídica da sociedade fica prejudicada. D – não tem aplicação em sociedades anônimas. D – para fraudar credores. Contudo. Prof.br 49 .DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA B – para limitar direitos trabalhistas. em construção doutrinaria e jurisprudencial. 06.pontodosconcursos. 50 do Código Civil é justamente a confusão patrimonial. notadamente a hipótese prevista na alternativa “d”. evidenciase a exatidão da alternativa “c”.com. Comentários à questão 05 Um dos pressupostos para a aplicação da desconsideração prevista no art. Antonio Nóbrega www. Imagine se o sócio passar a saldar dívidas contraídas em seu nome com bens e recursos da sociedade. é imperativo frisar que as outras opções também podem gerar a desconsideração. e não nos de responsabilidade civil dos dirigentes. assim. bem como em outros diplomas normativos que já tratavam do tema. E . C – tem aplicação restrita às relações de consumo. basta somente que tais atos configurem o abuso na utilização da personalidade jurídica da sociedade. C – para separar patrimônios. 2006) A superação ou desconsideração da personalidade jurídica: A – não é aceita em nosso Direito.para pôr no mercado produtos defeituosos. ainda que a questão seja datada de período anterior ao advento do CC. (FUNIVERSA – Analista Pleno/APEX-Brasil. é certo que estaremos diante de confusão patrimonial.

A.A. as S.) ou em qualquer outro diploma normativo. não encontra respaldo legal na Lei 6. A .A sociedade limitada é administrada por uma ou mais pessoas designadas no contrato social ou em ato separado. nas omissões das normas estabelecidas pelo Código Civil. além de esvaziar demasiadamente o instituto de forma injustificada. A alternativa correta é a letra “e”. faz alusão à fraude e ao abuso de direito.Exame de Ordem Unificado . que afirma que a doutrina em estudo se desenvolveu no seio jurisprudencial. o que evidencia a inexatidão da opção “b”. 28 do Código do Consumidor (Lei 8.br 50 . 07. Prof. Juntamente com as sociedades limitadas. (FGV . assinale a alternativa correta. nos termos do art. que poderão responder com seu patrimônio pessoal por débitos contraídos pela sociedade.404/76 (Lei das S. Também não se justifica a afirmação de que a teoria da desconsideração não se aplicaria às sociedades anônimas (alternativa “d”).Não dependerá de deliberação dos quotistas a nomeação ou a destituição dos administradores. D .404/1976. C . 2012) A respeito das sociedades limitadas. como a Lei 8. na esteira do texto legal do art. já que se encontra prevista em outros diplomas legais.DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Comentários à questão 06 Repare. Todavia.884/94 e o próprio Código Civil. É certo que a desconsideração da personalidade jurídica se aplica às relações de consumo (opção “c”).078/90). também acolhido pela doutrina. com ampla utilização no meio empresarial.3.A sociedade limitada. será regida pela Lei 6.pontodosconcursos. que o enunciado da questão apresenta o termo superação da personalidade jurídica.OAB .A cessão de quotas de um quotista de uma sociedade limitada para outro quotista da mesma sociedade dependerá de prévia autorização estatutária. Além disso. B . 50 do CC. A teoria da desconsideração tem como escopo justamente a responsabilidade civil dos sócios e administradores. Antonio Nóbrega www. candidato.com. e se encontra positivada em nosso ordenamento jurídico. A assertiva em debate.s são a principal espécie societária de nosso ordenamento legal. não se limita a esta seara.

A opção “b” esbarra no art. no art. Este órgão tem como um dos principais objetivos fiscalizar a atuação dos administradores e suas atribuições estão dispostas no art. B . residentes no País. pode o contrato instituir conselho fiscal composto de três ou mais membros e respectivos suplentes. no mínimo.071. 2007) É correto afirmar que a instituição do conselho fiscal de uma sociedade empresária limitada é A . pois o estatuto subsidiário é o das sociedades simples. eleitos na assembléia anual prevista no art. A resposta correta é a alternativa “c”.facultativa. sócios. 1. ambos do Código Civil. 3 membros e respectivos suplentes. devendo ser o conselho composto por.Exame de Ordem .obrigatória. 5 membros e respectivos suplentes. no mínimo. ela trata apenas do conselho fiscal. Sem prejuízo dos poderes da assembléia dos sócios. e residentes no país.057 e a “d”. 1.060/CC02. 3 membros e respectivos suplentes. questionando sua obrigatoriedade e composição mínima. 1. ou não. no mínimo. 08. e residentes no país. pois o Código Civil assim dispõe: Art.DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Comentários à questão 07 Mais uma questão tratando das sociedades limitadas.066. não-sócios e residentes no país. devendo ser o conselho composto por. sócios. incisos II. Somente por cláusula expressa no contrato social que a Lei das S/A será o instrumento subsidiário. Comentários à questão 08 Talvez a questão mais simples vista até aqui. III e V. 5 membros e respectivos suplentes. no mínimo. devendo o conselho ser composto por. 1.pontodosconcursos. Como já vimos. a resposta certa é a alternativa “c”.OAB-SP . Antonio Nóbrega www.obrigatória. C . sócios ou não.3. 1.078.069/CC02: Prof. 1. No caso. ou não.br 51 . D . (VUNESP . a alternativa “a” está errada. devendo ser o conselho composto por. Ela apresenta o texto literal do art.com. não-sócios e residentes no país.facultativa.

tendo em vista as disposições especiais reguladoras da liquidação. 1. 2007) Sociedade de pessoas voltadas à consecução de atividades econômicas em que todos os sócios.pontodosconcursos. responderão. devendo os administradores ou liquidantes prestar-lhes as informações solicitadas. os atos a que se refere este artigo. pelas obrigações sociais.com. os livros e papéis da sociedade e o estado da caixa e da carteira. (Defensoria Pública/SP – FCC.examinar. solidária e ilimitadamente. IV . podendo os bens particulares dos sócios responder por débitos da sociedade. aos membros do conselho fiscal incumbem.exarar no mesmo livro e apresentar à assembléia anual dos sócios parecer sobre os negócios e as operações sociais do exercício em que servirem. II . O enunciado refere-se a A – cooperativa. V .lavrar no livro de atas e pareceres do conselho fiscal o resultado dos exames referidos no inciso I deste artigo. fraudes ou crimes que descobrirem. Prof. E – sociedade em comandita simples. ou sempre que ocorram motivos graves e urgentes.069. VI .br 52 . B – sociedade em nome coletivo. 09.praticar. Além de outras atribuições determinadas na lei ou no contrato social. tomando por base o balanço patrimonial e o de resultado econômico. sugerindo providências úteis à sociedade.convocar a assembléia dos sócios se a diretoria retardar por mais de trinta dias a sua convocação anual. durante o período da liquidação da sociedade.DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Art. C – sociedade em conta de participação D – sociedade simples. pessoas físicas. individual ou conjuntamente. pelo menos trimestralmente. III . Antonio Nóbrega www. os deveres seguintes: I .denunciar os erros.

embora não expressa. todos os sócios são pessoas físicas. cuja resposta encontra-se na própria letra da lei: a resposta correta é a opção “b”. Porém. a característica 2 elimina todas as outras sociedades. Prof. B – Não integralizada a quota do sócio remisso. solidária e ilimitadamente.058/CC02.com. pois é da própria definição de sociedade esta ser voltada à consecução de atividades econômicas. Temos as seguintes características: 1) 2) 3) 4) sociedade de pessoas voltadas à consecução de atividades econômicas. 2010) Sobre as quotas da sociedade limitada. pois é o que diz o art. como dispõe o art.pontodosconcursos. pois só a sociedade em nome coletivo é a única que apenas permite sócios pessoa física. nos termos da lei. A resposta certa é a opção “b”.039/CC02. Comentários à questão 10 Mais uma questão sobre limitadas. é decorrente daquela e do sistema instituído no Código de Processo Civil. E – Pela exata estimação dos bens dados em realização das quotas responde apenas o respectivo sócio. os outros sócios podem tomá-la para si ou transferi-la a terceiros. 981 do CC/02.DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Comentários à questão 09 Este questão expõe as características de uma sociedade e pergunta qual o tipo que se enquadra na descrição. D – As quotas são consideradas divisíveis em relação à sociedade. todos os sócios responderão. A mesma norma contém a característica 3 e a 4. A característica 1 é. 10. A – Os sócios podem realizar suas quotas mediante prestação de serviços. 1. pelas obrigações sociais. pois temos a descrição de uma sociedade em nome coletivo. os bens particulares dos sócios podem responder por débitos da sociedade. como determina o art. (AFT – ESAF. C – O capital pode ser dividido somente em quotas iguais. redundante. de certa forma. assinale a opção correta.br 53 . 1. Antonio Nóbrega www.

permite quotas desiguais. O art. 1. caput. sob a forma limitada. 1. mesmo tendo adotado a forma limitada. 2005) Dois médicos constituíram uma sociedade. ambos. e não na Junta Comercial. do mesmo código.com. No caso da questão em análise.é na verdade empresária. D – rege-se somente pelas regras relativas à sociedade simples. pois. de caráter não empresarial. é patente que o a sociedade estará irregular. porque o registro é irregular. pois toda sociedade prestadora de serviços tem essa natureza. há duas espécies de sociedades previstas em nossa legislação: simples e empresária.br 54 . 1. os atos constitutivos daquela sociedade deveriam ser inscritos no Registro Civil de Pessoas Jurídicas. 45 e 985 do CC. já que o registro não foi efetuado no Prof. B – automaticamente torna-se empresária pelo registro na Junta Comercial. ambos do Código Civil.055. Assim. de acordo com a determinação do arts 998 e do art.150. A sociedade A – não adquiriu personalidade jurídica. A opção “d” contraria o art. como já vimos.056 e a “e”. o §1º do art. evidencia-se que a sociedade constituída pelos dois médicos amolda-se ao conceito de sociedade simples. também do Código Civil. órgão competente para o registro dos atos institucionais da sociedade simples. independentemente do caráter do exercício da atividade. C – não poderia ter adotado a forma limitada. (FCC – Procurador do Estado/SE. considerando que se trata do exercício de atividade intelectual.DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA A alternativa “a” está errada. Comentários à questão 11 Como vimos no início de nossa aula. para exercício conjunto da profissão em caráter não empresarial.pontodosconcursos. E . nas sociedades limitadas é vedada a integralização do capital por meio de prestação de serviços. o que faz com que a letra “c” esteja errada. nos termos da regra positivada nos arts. e registraram-na na Junta Comercial. que é privativa das sociedades empresárias. 11. e os sócios são pessoalmente responsáveis pelas dívidas sociais. 1. Deste modo.055. Antonio Nóbrega www. também.

MPE-SP .com. tendo-se em vista que a desconsideração da personalidade jurídica é um fenômeno episódico. a Lei 8. caracterizado pelo desvio de finalidade ou confusão patrimonial. B – quando aplicada.as sociedades comuns e em comandita simples são personificadas. E – tem como pressuposto o abuso da personalidade jurídica. permite que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. a requerimento da parte.DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA registro próprio. 2011) A respeito de sociedades. Comentários à questão 12 Recordando o que já foi debatido anteriormente. extingue a pessoa jurídica. sendo ilimitada a responsabilidade dos sócios. Antonio Nóbrega www.080/90. C – deve ser aplicada pelo juiz. 990). ser regida pelas normas estatuídas nos arts. nesta hipótese. a única alternativa correta é: A . 50 do Código Civil. 12. “d” e “e” estão de acordo com o texto legal do art. Prof.Promotor de Justiça. Já as opções “c”. o que indica que a resposta correta é a letra “a”. que torna ineficaz a separação entre o patrimônio dos sócios e o da sociedade em relação a certos atos. D – quando aplicada. é incorreto afirmar que: A – está expressamente prevista no Código Civil de 2002 e em outros diplomas normativos.605/98. (Antonio Nóbrega – Ponto dos Concursos/2011) – No tocante à teoria da desconsideração da personalidade jurídica. A alternativa “a” reporta-se ao fato de que a superação da personalidade jurídica também encontra respaldo em outros diplomas normativos.br 55 . nos quais haja desvio de finalidade ou confusão patrimonial.pontodosconcursos. todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais (art. De acordo com aquele capítulo. 986 a 990 (sociedade em comum). A sociedade deverá.884/94 e a Lei 9. tais como a Lei 8. 13. ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo.MPE-SP . a alternativa “b” é a única incorreta.

E .076 do Código Civil.nas sociedades cooperativas. sendo que a apuração dos haveres depende de balanço especial.a dissolução judicial da sociedade simples somente pode ser requerida pelo sócio ou sócios majoritários. respondem perante terceiros o sócio ostensivo e o participante. C – unipessoais e pluripessoais. sociedades comuns não existem no Direito Brasileiro.DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA B . 1. pois a dissolução judicial pode ser requerida por quaisquer dos sócios. E . sendo que as matérias atinentes ao capital social somente podem ser votadas por votos correspondentes a dois terços do capital social. pois só vimos sobre a resolução parcial. A “b”. pois. Comentários à questão 13 Questão que trata sobre vários tipos societários.pontodosconcursos. a responsabilidade dos sócios é limitada. e sua personalidade jurídica tem início com o registro do contrato social. mas que não apresenta grandes dificuldades. em razão do texto do inciso II do art. B – de pessoas e de capitais.com finalidade econômica e com finalidade religiosa ou cultural. A “c” equivoca-se. A alternativa “a” está errada. Trata-se de assunto novo. como já vimos. Prof. pois o sócio participante não responde perante terceiros.nas sociedades em conta de participação.na sociedade limitada. (ESAF – Auditor do Tesouro Municipal/Recife. primeiro. Antonio Nóbrega www. também pelo que já vimos. 14.br 56 .com. mas sociedades em comum e elas não são personificadas. C . está errada. as deliberações para alteração do contrato social são tomadas pelos votos correspondentes. 2003) Nos termos do Código Civil. no mínimo. as sociedades são classificadas: A – empresárias e simples. D . A resposta correta é a opção “d”. a três quartos do capital social. D – grupadas e isoladas.

Por fim. 2011) De acordo com o que estabelece o capítulo Da Sociedade Simples do Código Civil brasileiro. é certo que as classificações apresentadas nas letras “B”. 15. 251 da Lei 6. que se reporta à divisão positivada na legislação substantiva civil.br 57 . é relevante aduzir que a divisão entre sociedades de pessoas e de capitais encontra respaldo na doutrina. apresentando uma conceituação que não se encontra na legislação em estudo. 981. A formação da maioria absoluta é determinada por votos correspondentes a mais da metade dos sócios presentes na assembleia e/ou reunião de sócios. O contrato social da sociedade simples deve ser inscrito no Registro Civil das Pessoas Jurídicas do local de sua sede. a legislação vigente exige a presença de pelos menos duas pessoas para a constituição de uma sociedade. item d da Lei 6. pelo prazo de cento e oitenta dias. Saliente-se que é possível a unipessoalidade temporária. inciso I. salvo raras exceções – como à hipótese normativa do art. 1.Titular de Serviços de Notas e de Registros.DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Comentários à questão 14 Evidencia-se a exatidão da opção “A”. é oportuno ressaltar que todas as sociedades têm finalidade econômica. julgue os itens abaixo. As obrigações dos sócios começam a partir da inscrição do contrato social no Registro competente. No tocante à sociedade unipessoal (opção “C”). Prof. “C” e “D” não se encontram positivadas no nosso ordenamento jurídico. ou de acordo com o art. 206. A opção “D” refere-se aos grupos de sociedades.com. nos termos do art.404/76 -. enquanto nas primeiras a pessoa do sócio é mais importante que o capital investido.TJ-MA . III. Antonio Nóbrega www. entre sociedades empresárias e simples. na segunda ocorre justamente o contrário. é injuntivo lembrar que. a título exemplificativo.pontodosconcursos. levando em conta o grau de dependência da sociedade em relação às qualidades dos integrantes do quadro social. assim. Desta forma. pode-se afirmar que.40476. que as sociedades anônimas são sempre de capital e as sociedades em nome coletivo de pessoas. Denota-se. o que indica a inexatidão da alternativa “E”.033. inciso IV do Código Civil. nos termos do art. II. Deste modo. Em relação à alternativa “B”. (IESES . I.

998 do Código Civil. além de ser fato notório. Prof. mas irregular. liquidada a sociedade.pontodosconcursos. Já o item II está correto. porém.br 58 .001.com.DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Comentários à questão 15 Sobre o item I. O item III. As obrigações dos sócios começam imediatamente com o contrato. embora a personalidade jurídica só nasça com a inscrição dos atos constitutivos no registro público. pois é o que determina expressamente o art. a sociedade é considerada como existente. 1. mesmo antes do ato de registro. pois. está errado. O Código Civil é expresso quanto a isto: Art.010/CC02 define maioria absoluta como o quorum de aprovação correspondente a mais da metade do capital. se extinguirem as responsabilidades sociais. o §1º do art. Antonio Nóbrega www. os sócios obrigam-se pelas obrigações contraídas. 1. se este não fixar outra data. Deste modo. e terminam quando.

Curso de Direito Empresarial: o novo regime jurídico-empresarial brasileiro. J. 1: parte geral. Lei das Sociedades Anônimas. 2009. de acordo com o novo Código Civil. 2009. 2º volume. 2003. e atual. Curso de Direito Civil Brasileiro. 2º vol. rev. REQUIÃO. Haroldo Malheiros Duclerc. GRANJEIRO. 2 ed. 8 ed. Rio de Janeiro: ed. Curso de Direito Comercial. São Paulo: Saraiva. Rubens.DIREITO EMPRESARIAL (Analista do Banco Central – BACEN – Área 6) PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Bibliografia BORBA. Curso de Direito Comercial. Rio de Janeiro: Renovar. 2003.br 59 . 11 ed. 10 ed. Curitiba: Juruá. Washington de Barros. rev. 2009. e atual.404/76 Comentada e Introdução ao Direito da Empresa. rev. Fábio Ulhoa. Hely Lopes. 2007. Lei 6. 18 ed. 2007. 2000. Manual de Direito Administrativo. São Paulo: Malheiros. Wilson Alberto Zappa.pontodosconcursos. CARVALHO FILHO. VERÇOSA. DINIZ.: teoria geral das obrigações. MEIRELLES. Antonio Nóbrega www. José dos Santos. e atual. 25 ed. André Luiz Santa Cruz. RAMOS. Direito Societário. Wilson e outros. 2003. José Edwaldo Tavares. São Paulo: Saraiva. HOOG. São Paulo: Saraiva. Curso de Direito Comercial. Curso de direito civil v. COELHO. Salvador: juspodivm. 3 ed. rev..Lumen Júris. 2010. São Paulo: Saraiva. aum. MONTEIRO.com. Maria Helena. 17 ed. Prof.. 2008. 39 ed. 27 ed. e atual. São Paulo: Malheiros. Direito administrativo brasileiro. Brasília: Obcursos.