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O HOMEM QUE VIRAVA CACHORRO

Por Adilio
Os dedos caminham pela face de Lídia. Chegam aos lábios e contornam o
vermelho. O branco dos dentes a amostra. Um último sorriso. Ele olha para
o corpo da mulher sob o vestido, um seio se fazia ver. Marcos senta-se ao
lado do cadáver. O fogo ainda subia em labaredas escaldantes. Olhos
cerram-se. Ele aguarda pacientemente o fim.
***
Numa tarde quente de verão o circo instalou-se num terreno baldio próximo
as redondezas da pequena cidade. Logo o carro de som anunciava as
atrações:
- Bom dia! Acaba de chegar à cidade de vocês o maior fenômeno nacional
em diversão e entretenimento, o Circo Vem Rir, contando com acróbatas,
palhaços, bailarinas, e muito mais, faremos os senhores se divertirem. E
ainda teremos a atração principal: O homem que vira cachorro. Isso mesmo,
um homem que vai virar cachorro de verdade na frente de vocês. Venham à
estreia será hoje, não percam!
Crianças corriam atrás do carro aos gritos. Há algum tempo que não
aparecia um circo por aquelas bandas. Todos saiam às portas para verem o
carro de som. O único que parecia não se importar era Marcos.
Sentado no banco da praça observava o carro passar. Não gostava de circos.
Ainda mais depois do acidente em que seu pai falecera. Quando criança
numa noite de espetáculo em um circo uma discussão irrelevante levou a
uma briga entre os palhaços e os espectadores. No fim alguém pôs fogo na
lona. E no meio da gritaria ele perdeu-se de seu pai. Três pessoas morreram
naquela noite, entre elas o seu pai.
A única lembrança dessa época era as chamas que subiam do circo.
Labaredas de fogo enormes. Por muito tempo teve pesadelos. Todavia o
tempo cura tudo, como dizia sua mãe. Tudo não passava agora de uma
lembrança apagada.
Gostava de passar horas naquele banco. Seu refúgio de solidão, brincava
com a esposa. Sempre à tarde após o trabalho. O pouco movimento da
cidade se concentrava numa praça mais a frente. Ali era ideal para seus
momentos de reflexão, pelo menos até a chegada de seus amigos. O João e
o Matias. João trabalhava num supermercado como entregador e Matias
numa loja de material de construção. Sempre se encontravam depois das
cinco.
- A única coisa que presta num circo são as bailarinas. – Falou Matias ao ver
o carro sumir na esquina.

Tirou do bolso uma lista de compras. A pergunta ficava no ar e no tempo. meu pequeno. Todo dia a mesma rotina. era. Mas o tempo tudo cura. Naquele exato momento e posição que a viu pela primeira vez. Em seguida casou-se. Qual o motivo real de seu comportamento? Apenas ele sabia. O líquido vermelho escapa por um corte.Pai.Sabe todos nós somos como esse papel. – Os dois amigos se entreolharam sem entender o comportamento dele. a mulher franzina do caixa o faz retornar a realidade. Não que Amanda não fosse linda. O pequeno Nicolas nasceu com síndrome de Down.Doze e cinquenta e cinco reais. A lâmina trabalha na face. agora só se for gostosa. Naquela época achou que era amor. Então veio o filho. Às vezes se perguntava quanto tempo aguentaria tamanha monotonia. – João diz ao lançar um olhar para Marcos na espera de alguma observação intelectual. Tempos difíceis. . apenas queria estar com ela. O desejo por ela era inexplicável. A dor é fina. Tinha vindo com o circo. Antes da rua que dava para sua casa entrou num pequeno mercadinho. Estava cansado de tudo. Quem seria aquela mulher? Que seria aquele sentimento? Não sabia. senhor.Claro. assim cinco anos se foram. . Talvez piedade. Ainda jovial. Seca solidão que aos homens atormenta.Pois é. ficamos enrolados na bala e a protegemos. vamos sim. Não fosse Amanda tudo poderia ter acabado bem antes. O sol morria por detrás das casas enquanto o assovio do vento era o prenúncio da noite que chegava. Não importava tudo agora fazia sentido. mas no fim das contas não passamos de lixo. Foi ali. quase imperceptível. Olhos marrons claros. Hoje sabe que foi temor da solidão. mas não sabia o que realmente sentia por ela. *** . Mas era tarde. vamo ver o homem que vira cachorro? – Nicolas puxa pela camisa do pai enquanto esse tenta fazer a barba. Lembrava-se quando a conhecera. Com as mãos carregadas de produtos se encaminhou ao caixa. . Em leves golpes abre caminho no meio dos cabelos encaracolados. – O menino sai pulando para contar a novidade a sua mãe. soube mais tarde. Cabisbaixo caminhava. pois a maioria são uns dragões de Comodo. Bem estou indo minha esposa me aguarda. *** . Marcos dá as costas e vai embora.. Aqueles olhos verdes. Soubesse ao menos o nome. se tiver alguma que preste nesse circo eu vou traçar. Formou-se e logo arrumou emprego. Antes de perdêla de vista. E assim foi passando. Marcos apenas detém os olhos fixos num papel de bala jogado ao chão.

pensou.Ham. Num breve aceno cumprimenta-os. como assim? De quem você está falando? . mágicos. Perfeita. A bailarina do circo. Cabelos soltos. Era ela. Nicolas dormia ao colo do pai. Pensa Marcos incomodado com as palavras do amigo. mesmo com tanta euforia o pequeno acabara sucumbindo ao sono. Os olhos esquadrinham a plateia em busca daqueles olhos verdes. Num biquíni azul com enfeites brilhantes entrou uma bailarina.Melhor para mim. mas seria uma oportunidade de voltar a ver a mulher do mercado.Cara esqueceu que sou casado? – Desvia o olhar furtivamente para o outro lado na tentativa de esconder a emoção de descobrir o nome da dançarina. Não podia pensar em Lídia. cada passo. . Qual seria seu nome? Ao longe pode ver os amigos. Carregando Nicolas nos braços ainda ouviu o aviso: . Em meio ao seu devaneio não percebeu a chegada de Matias.Normal. . o homem que vira cachorro?” Marcos agarrava-o para não cair do banco. e outras atrações. engolidores de espadas. Coisas de circo mediano.E ai o que achou do show de ontem? – João dá um tapinha nas costas de Marcos e vai logo se sentando ao seu lado. cachorros acrobatas. Amanhã. Apesar de muitos não acreditarem muito nessa conversa. Os melhores dois minutos que tivera em anos.. Marcos também não. Era casado e tinha um filho. Passaram pelo picadeiro palhaços. Acompanhou cada gesto.Daquela gata. Com o pequeno Nicolas não era diferente. né? – Solta uma gargalhada seca.Quer dizer que você não a viu né? – Ironiza João. *** .. Melhor para você? Como assim? Ela já é minha. Levanta-se. . se não me engano o nome dela é Lídia.Bem. Ao dobrarem uma esquina a voz sumiu como as estrelas naquela noite escura. .Todos na cidade só falavam desse homem que virava cachorro. . por alguma feitiçaria do diabo. . Amanda não quis vir naquela noite. Tinha de falar com ela. tinham deles que achavam que era verdade. a animação do garoto era tanta que toda vez que alguém entrava no palco ele soltava um grito: “É ele pai. e aqueles olhos verdes. porém o filho queria ir embora. cada volta com o corpo. Amanda não merecia ser traída. Não gostava de circo. hoje o homem que vira cachorro está doente e somente amanhã ele poderá se apresentar. As crianças ficavam animadas com o tal homem. Como poderia pensar assim.

Marcos vira-se para os dois. *** . – desajeitado oferece a mão direita à mulher. – Matias em tom de deboche. mas os olhos voltam-se para a face da mulher. Tinha Lídia para ele. Seus olhos verdes. . Marcos pede desculpas. Distante de todos. não. Envergonhado se afasta. mas mesmo assim também estava louca de desejo por Marcos. Teremos de tomar uma grande decisão.Matias se liga cara. muito prazer.Oi.É cara. Ele estava pisando no cacho de uvas. Aquela mulher. – Lídia se levanta da cama deixando seu belo .E ai grandes? O que acharam daquela deusa? . Lídia sabia de Amanda.O que tá acontecendo com esse cara? Anda muito esquisito. me desculpa. . está chegando o último espetáculo do circo. Em segredo se encontravam após o show do circo. meu nome é Lídia. Ao entrar numa esquina esbarra numa mulher. Como poderiam disputar a mulher. só pode. As mãos lançam-se de encontro do vermelho de uma maçã. não. Sorriso na face. Como se estivesse em câmera lenta ergue-se. Lídia. que deixa cair uma bolsa de supermercado. . pensa. um café e um sorriso Marcos conseguira. .Não vai dizer que você acredita. o meu é Marcos. Mãos dadas e corpos unidos. Com um oi. O que dizer? Talvez o que sentia por ela? Mil imagens passam por sua cabeça. Era ela. Sim Lídia eu aceito. zé ruela. E ai esse cara que vira cachorro todo mundo apenas fala nele. Apenas ele. Lídia observa sem dizer uma palavra e aponta para o chão. Lídia. Para sempre. Os dois ficam rindo enquanto Marcos some numa rua mais a frente.Deve estar de TPM. Era incontrolável o que sentia por ela. Aproxima o rosto e com dois beijos um em cada lado do rosto diz: . . seu nome que é.. .Vai sonhando hoje mesmo dou uns tratos na danada. – Diz João um pouco confuso com a atitude do amigo. Era apenas dele. ela já é minha. Frutas espalhadas na calçada. Lindos lábios vermelhos. porém ela o puxa pela mão.Sabe. *** Imbecis. Lídia. meu querido.Oi. Sua Lídia. Somente ele e Lídia. Sem dizer uma palavra pega sua pasta e dá de ombros aos amigos.

Acompanhado de um ai. Gira. Estava nu deitado próximo a um matagal. Volta a olhar para Lídia. Sobre os pés da dançarina cai. Com as mãos segura na cintura ao passo que lhe oferece gentilmente os lábios no pescoço. Talvez a morte estivesse chegando. Senta-se ao lado das roupas e com dificuldade se veste. Árvores balançam. Talvez morresse. A mente já estava cansada. .Ei. O mundo inteiro gira. O que você fez minha Lídia? Como pode fazer isto comigo? O vento sopra forte. Um corpo. Cuspidas rápidas no chão aumenta seu pavor. Marcos se é uma boa ideia.O que foi isso? – Fala ao levar a mão até as costas. Devia ser quase meio-dia. A voz persiste. Gira.Não sei. Não estava ali a alguns minutos. Marcos permanece deitado com as duas mãos sob a cabeça. . Feito na carne. Na ponta do dedo um pouco de sangue. Suas mãos cobertas de sangue. Apoia-se numa árvore. Lídia. O que aconteceu? Como vim parar aqui? Tudo estava turvo em sua mente. Marcos? Esquadrinha a mata. O corpo inteiro. O medo toma conta. Sente o gosto de ferro na boca. Você tem um filho. uma dor fina faz Marcos recuar. Deixa o corpo se acomodar na entrada da casa. Ela para próximo a uma pequena cômoda. Sangue! Tinha matado aquele homem. Quem seria? . Por algumas horas caminha desnorteado pela mata. Um grito se faz ouvir na mata.corpo ser banhado pela luz da lua cheia. Caminha em direção à habitação. Não seria certo deixá-lo. Os olhos voltam a se abrir. O sol quente era sua única indicação de tempo. Na verdade não sentia nada além da sonolência. Cambaleante põe-se de pé.Não sei o que faria se ficasse longe de você. . Seria algum delírio. *** Os raios de sol fazem-no acordar. Não somente as mãos. De onde viera? Passa as mãos na cabeça e sente o cheiro. Marcos ergue-se e vai ao encontro dela. irei contar tudo a Amanda. . Ao seu lado um corpo. Vou partir com você. Aos poucos tudo esmaece. .Bem. Abraça-o forte enquanto os lábios se encontram. Até que enfim alguém. que entrava por uma fresta na tenda. Você tem sua vida. Não estava doendo. A casa parece balançar. O vômito quente faz arder a garganta. Alguns metros dele as roupas. Mais ao longe avista uma casinha. e eu a minha. Ela vira-se de frente. é você. Ao chegar ao local percebe que há muito tempo ninguém convive ali. O desespero toma conta ao perceber um desenho de um pentagrama em seu abdômen.

Ao criar um pouco de coragem se levanta e vai em direção ao cadáver. que entra carregando nos braços um pequeno cachorro. Ele permanece parado. mas é tarde. . Para aumentar a capacidade tiraram a cobertura e cresceram para os lados. Não era mais o seu pai que estava ali. Dessa vez o homem que vira cachorro apareceria depois de dez noites de desculpas. No palco a luz foca em um dos palhaços.Esse é o homem que virou cachorro para vocês aqui presentes hoje! – Risos da multidão. Um baque surdo da porta a se abrir. vamos para dentro. eu só quero ela! – Amanda não entende o que ele quis dizer. O som dos passos do pai cada vez fica mais alto. Olhares de surpresa da plateia pareciam não estar entendendo o que o palhaço fazia. O que você fez comigo minha Lídia? *** Antes do sol se por chega a sua casa. Até a vez de Lídia. Não se lembrava de nada. E por alguns adultos também. . Agarrando-a pelo pescoço. Chora. em meio a alguns xingamentos. *** Era a última noite do circo na cidade. Estava lotado. Ninguém o tinha visto. Põe-se a correr desesperado. Estava mais linda. Calmamente põe o animal no chão e com as mãos vira de um lado para outro o cachorro. Ele joga-se em cima dela. – Em vão ela tenta puxar Marcos. Assovios e galanteios enquanto ela dançava. Nicolas esconde-se em seu guarda roupas.Como assim meu amor. que tentava esconder em vão as curvas de seu corpo. Amanda corre ao seu encontro. Um a um os artistas apresentaram seus shows. Estava sumido a dois dias. você está muito fraco. o pequeno Nicolas corre para dentro de casa. As luzes se apagaram.Não posso. Outros palhaços entraram no palco. . Era a vez do homem que virava cachorro. Nicolas corria de dentro de casa. Euforia por parte das crianças. A voz anunciava a grande atração. – A voz quase rouca do marido fez Amanda recuar. Silêncio geral. .. As luzes se acendem. Por fim sumiu por detrás das cortinas coloridas. Pulou em cima dos pais.Você não pode tirar ela de mim! Não. . Era o João! Como pode fazer aquilo? Brumas em sua mente. Lágrimas de felicidade. Como não sabia. Choro brando. Na casa apenas silêncio. Ao vê-lo todo sujo e ensanguentado. você não é. Em alguns minutos o corpo da mãe para de se debater. Repete quase em sussurro. Por instinto talvez. Com um vestido transparente. ela entrou no palco. O filho grita.. Você não é o homem que vira cachorro.

mas há vinte e cinco anos um circo pegou fogo nessa cidade.Está acontecendo. Foi um homem dessa cidade que fez isso. pois perdeu também o seu pai. Pedaços de homens. . Tudo por causa desse povo dessa cidade. Estavam no inferno. A muito tempo eu perdi minha mãe nessa cidade. Não mais que isso. No meio da algazarra dos integrantes do circo a multidão ria. Pessoas correndo desesperadas. Lídia toma a garrafa para si e com uma golada enche a boca. Minha mãe foi umas das três vitimas daquela noite. Apenas sede de sangue. Ao pegar a tocha virasse para as cortinas atrás dela e cospe. Era tarde. Ao ver sua amada caída no palco uma fúria toma conta de sua alma. meu amor. Gritos. A saída estava bloqueada pelo fogo. crianças e mulheres eram arremessados de um lado para o outro pela besta. Apresento a vocês. E naquele dia meus pais morreram. Cai de joelhos em meio a gemidos. Um dos palhaços lhe dá um empurrão. . talvez vocês não se lembrem de mim.O que fiz não foi apenas por mim.O que você fez comigo. – Foi no circo que pegou fogo há muitos anos. meu amor. está acontecendo! O sangue de três inocentes corre por seu corpo. – Marcos a olha sem entender. Depois do incidente ele não tinha mais dinheiro para montar outro circo. Não havia como escapar. Tudo devia fazer parte do show até o fogo se alastrar pela lona..Respeitável público.. Não tinha mais consciência. Não importava quem eram. Você talvez se lembre. Eu apenas com quinze anos tive de me virar. Um dos artistas defere um soco no rosto da mulher. Não parecia mais humano. Torna-se uma besta. E numa tarde fria de outono ele se suicidou. . Seus dedos se contorcem dando lugar a garras afiadas. A fera vai nascer! Erguendo Marcos ela o conduz por trás das cortinas. Ele sente uma dor enorme vindo de seu estômago.Lídia ouvia tudo de sua tenda. Tirava com cuidado os brincos quando o reflexo de Marcos surgiu no espelho a sua frente. desse modo todos achariam que o cheiro vinha de fora. foi por nós dois. E hoje vou retribuir o favor. . Ao entrar no palco um dos palhaços cuspia fogo ao ar. Deixa-o sentado. Salta no meio do palco. O fogo sobe rapidamente. Num momento de distração Lídia toma o microfone das mãos do apresentador. Avança em cima das pessoas destroçando seus corpos com suas garras. Ela se alastra por todo o corpo. Marcos sente cada vez mais forte a dor. Por uma simples piada de um palhaço. Sua face desfigura. nem eu de vocês. Pelos crescem em todo o corpo. A lua estava enorme naquela noite. minha doce Lídia? O que você fez? . O palhaço acha que faz parte do espetáculo. Mais cedo ela tinha encharcado toda a lona com gasolina e para disfarçar o cheiro despejou fora do circo um galão. E mais tarde meu pai.

Um corpo tomba. A vingança fora feita. Ele olha para o corpo da mulher sob o vestido. O branco dos dentes a amostra. ela atira. Ele aguarda pacientemente o fim. Os enormes olhos vermelhos encaravam-na. Chegam aos lábios e contornam o vermelho. Uma bala. o fogo consumir o resto o circo. Nada. Um flash. Ele caminha em sua direção. Lídia se afasta. Apenas uma bala. Os dedos vão de encontro. *** Os dedos caminham pela face de Lídia. Engatilha. vocês pagarão o pecado cometido por seus pais! A fera a dilacerar pessoas como papel sendo rasgado. Agarra a mulher e a levanta deitando-a no colo. Sob o corpo dela estava o revólver. Sangue. Cintilando entre os seios da mulher ele vê algo. Duas.No meio de todo o tumulto. Algumas pessoas conseguiram escapar se jogando no meio do fogo. não importava.Está feito. As coisas agora faziam sentido. o pega. Coloca-a de volta. O fogo ainda subia em labaredas escaldantes. Marcos não estava no controle. A fera solta grunhidos que a fez sentir um frio percorrer a espinha. meu querido! Está feito! Pondo uma das mãos nas costas ela saca um revólver calibre trinta e oito. um seio se fazia ver. Pega novamente o microfone. Sangue. Era um frasco pequeno que continha um dente. todavia a cena ao seu redor confirmava os fatos. nenhum efeito no lobisomem. Três. Abre novamente os olhos. A mente não consegue discernir o que é ou não é real. Abre o tambor. apenas os instintos primitivos da besta o dominavam. . A fera se aproxima.Minha Lídia. Olhos cerram-se. A vingança de Lídia fora concluída. Ele vai ao seu encontro. Por fim apenas Lídia e o lobisomem estavam vivos dentro do circo. percebe pela consistência da mesma.Queimem malditos. Um último sorriso. Lídia levanta-se. Lindos olhos verdes fechados para sempre. De prata. Lídia o transformara em um monstro. Não reconhecia mais a amada. E ao longe pode ser ver. A enorme lua brilha no céu. Mais sangue. Mas era tarde. Fim . . Dispara outras duas vezes antes do golpe do animal. . Parecia afiado. como numa visão fantasmagórica. Os enormes dentes saltando da boca deixavam escorrer uma baba densa de sangue. Um pingente. Quando a distância fica curta e impossível de errar. Marcos senta-se ao lado do cadáver. Uma.

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