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UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO SEMI-ÁRIDO

DEPT. DE AGROTEC. E CIÊNCIAS SOCIAIS (DACS)
CURSO: DIREITO
DISCIPLINA: SOCIOLOGIA JURÍDICA
DOCENTE: ROBERTA GONÇALVES CANDEIA

MÍDIA E COMUNICAÇÃO DE MASSA

Discentes: Amanda Menezes,
Andressa Nascimento, Aline Yumi,
Emilly Duarte, Gabrielle Cristiane,
Jeciane Gracielle.

MOSSORÓ
JAN./2015

crianças e adolescentes 2. Referências . idosos.4 Um breve relato sobre os veículos midiáticos no Brasil. Descrição da realidade social 1.3 Concessão Pública dos serviços de Rádio e TV no Brasil 1.2 Indústria Cultural 1. Análise dos problemas ou entraves 3. Proposição de respostas possíveis: Regulamentação e Democratização 4.SUMÁRIO 1.5 A mídia e a representação da mulher.1 Comunicação de Massa 1. Rio Grande do Norte e Mossoró 1.

juntando juízos de valor à notícia e impondo a opinião individual do emissor para todos os seus receptores. brancas. como desvantagem devemos lembrar que a comunicação de massa. Essa construção é feita dentro de uma dimensão valorativa.1 Comunicação de Massa A comunicação de massas é quando um emissor transmiti e dissemina uma mensagem para inúmeros receptores. quando aparecem é para mostrar o “movimento” que eles causam ao trânsito das grandes cidades. asséptica. A comunicação de massa. tais como o jornal. ao construir a realidade. os movimentos sociais também não se reconhecem. não o faz de maneira neutra. a comunicação. o que em nenhum momento reflete a diversidade da mulher brasileira. cultural e educativa. a televisão. DESCRIÇÃO DA REALIDADE SOCIAL É cada vez mais corriqueiro em nossa sociedade ouvimos reclamações de pessoas acerca da programação da TV. Eles são os “carregadores” e os “transformadores” da cultura de um país. de modo que se torna mais fácil sermos dominados e escravizados pela mídia. o que influencia. de fumar. 1. dessa maneira. acaba refletindo a Industria Cultural que está por trás dela. A principal vantagem desse tipo de comunicação é que a informação atinge a população de uma maneira muito rápida e eficiente. precisamos entender alguns conceitos básicos acerca da Mídia e da Comunicação de Massa. 1. majoritariamente brancos. acaba refletindo o seu “dono”. Podemos perceber isso quando assistimos uma novela. Com isso os receptores são induzidos a pensar que aquele tipo cultural que está sendo transmitido é como se deve ser a nossa cultura. etc. grupos e instituições de nossa sociedade. através de veículos específicos. ágil e principalmente ampla. Esses . sem que haja um espaço para que os mesmos digam o que realmente estão reivindicando. O sotaque que é uniforme.1. Os meios de comunicação de massa são os principais transmissores da cultura de um país. um tipo de diversão. Muito pelo contrário. a formação da opinião pública acerca de determinadas pessoas. a nossa verdadeira cultura vai sendo descaracterizada e nossa história vai sendo cada vez mais apagada. um tipo de casa. de dançar. da maneira de comer. Para que possamos compreender o porquê dessa não representação e de uma Mídia cada vez menos informativa. uma maneira de ser viver. as figuras que aparecem nos meios de comunicação são geralmente homens. Como pando de fundo está todo um conjunto cultural: um tipo de moradia. de uma forma fácil. isto é. que deveria ser um direito de todos. as mulheres são sempre do mesmo jeito. magras de cabelos lisos. isto é. Desta maneira.2 Industria Cultural O termo “Industria Cultural” foi criado pelos filósofos e sociólogos alemães Theodor Adorno e Max Horkheimer no livro “Dialética do Esclarecimento”. um padrão cultural diferente da realidade. em resumo. antes de tudo. Há uma série de realidades que não são refletidas nos meios de comunicação e que por isso geram tantas reclamações. em 1942. o rádio e a internet. é uma formadora de opiniões. fazendo com que as pessoas conheçam diversos assuntos (importantes ou não). Não é o enredo a única coisa a que se assiste ou vê.

as empresas que possuem no mínimo 70% de participação de acionistas brasileiros. livros. Tais meios de comunicação não só transmitem informações. no caso de rádio. nas atividades religiosas. na educação. de sofrer. eles também difundem maneiras de se comportar. entres outros. modos de organizar a vida cotidiana. de se vestir. já que os mesmos consideram diferenças culturais e padronizam todas as coisas e pessoas. especificamente a TV e o Rádio. podem concorrer. Tais autores criaram o termo indústria cultura. concluindo que tais meios funcionam como uma espécie de indústria de produtos culturais que visa o consumo das massas. comunitária. no lazer. ocorre o processo pelo qual alguém consiga comunicar-se para a sociedade utilizando os veículos de massa. Tudo começa com um pedido de abertura de um processo de licitação feita por entidades de direito público ou privado. de lutar. de amar. música popular. comercial ou retransmissora. propõem estilos de vida. sendo simples meios de lazer e entretenimento. tornando-o passivo e conformista com tudo. tirando toda a seriedade e autenticidade da cultura erudita. Pois bem. 1. O principal objetivo é a dependência e alienação dos homens. passa a administrar o canal por um prazo de até 15 anos. de pensar. assim como da cultura popular. Universidades. o espaço é cedido a elas temporariamente pelo Estado.filósofos são os principais representantes da Escola de Frankfurt.3 Concessão Pública dos serviços de Rádio e TV no Brasil. Contudo. programas de TV. enviando sua proposta de programação. é por esse motivo que o termo indústria cultural foi utilizado para substituir “cultura de massa”. no caso de TV. definindo como sendo um sistema político e econômico que tem por finalidade produzir bens de cultura tais como: filmes. no Brasil. pois não se trata de uma valorização da cultura. podendo ser renovado por mesmo período. de arrumar a casa. fazendo com que os mesmos tenham gostos padronizados e a partir disso sendo induzidos a comprar produtos de baixa qualidade. criadas ou mantidas pelos mesmos políticos que são os “donos” ou amigos dos “donos” das . entre outros. pois contam com a “ajuda” de uma legislação ineficaz e cheia de falhas e brechas. no meio urbano ou rural. A indústria cultural e os meios de comunicação de massa penetram em todas as esferas da vida social. que não encorajam o público a pensar. não formar monopólio ou oligopólio. entre outras metas. Com o edital aberto. Dezenas ou até mesmo centenas de emissoras de rádio e TV espalhadas pelo Brasil. e de 10 anos. Estados. de sonhar. muitas delas ligadas às grandes redes de comunicação. funcionam de maneira irregular e precária na prestação de serviço. Pode ser uma emissora educativa. a realidade é muito diferente do que diz a Constituição Brasileira ou o Código Brasileiro de Telecomunicações. na participação política. maneiras de falar e de escrever. na vida profissional. a indústria cultural transforma as pessoas em consumidores de mercadorias culturais. Adorno e Horkheimer partiram da análise dos meios de comunicação de massa. Nenhuma emissora de TV é dona do canal onde passa sua programação. A que obedecer propósitos legais e constitucionais. como privilegiar a educação e cultura. mas de um tipo de ideologia imposta às pessoas. Municípios. entendendo como funciona a ideologia da comunicação de massa. Os meios de comunicação de massa são vistos por tais filósofos como um desestimulo à sensibilidade. precisamos entender como. como mercadoria e como estratégia de controlo social. Para eles.

Em segundo lugar no ranking. Em seguida. Há muito tempo as redes nacionais recebem forte apoio dos recursos públicos. Mesmo não ocorrendo de maneira totalmente clara ou ilegítima.4 Um breve relato sobre os veículos midiáticos no Brasil. já que em momento algum. 166 veículos e mais de retransmissoras do seu sinal. conta com 35 grupos afiliados. e a sociedade desconhece o processo e os critérios exigidos para a concessão e renovação dos serviços. Muitas prefeituras municipais e empresas públicas estaduais aplicam recursos financeiros na interiorização dos sinais das redes comerciais. tais concessões foram destinadas a pessoas ligadas ao executivo (correligionários. direta ou indiretamente. está a Band com 22 grupos afiliados. a partir disso os empresários ligados diretamente a determinados políticos conseguiram expandir seus conglomerados e monopolizar a comunicação no nosso país. Rio Grande do Norte e Mossoró A mídia brasileira é estruturada a partir das redes de televisão nacionais. 142 veículos e mais de 800 retransmissoras retransmitem seu sinal. Em terceiro lugar. Até onde existem geradoras. 1. assim como são caracterizadas como um modelo de negócio constituído pela afiliação de grupos regionais privados aos conglomerados nacionais. A rede Globo. controlada pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação. Os principais veículos de comunicação são controlados. Tal realidade permite que essas emissoras transmitam suas programações sem prestar contas ao poder público e muito menos ao povo. a rede SBT possui 37 grupos afiliados e 195 veículos de comunicação. Em primeiro lugar no ranking das redes de TV com mais veículos (incluindo rádios. a maioria das redes precisam ser captadas via satélite ou através de retransmissoras. Nesse período. mais de 1000 retransmissoras de TV retransmitem seu sinal. jornais e revistas) no Brasil. o conteúdo que chega a maioria das casas brasileiras é gerado exclusivamente em cidades paulistas ou fluminenses. Band e Record. controlada pela Igreja Universal do Reino de Deus. Antes da Constituição Federal de 1988. pelas maiores redes do país: Globo. esse controle vai contra os princípios de pluralismo das fontes de informação de toda sociedade democrática. controlada pelas Organizações Globo. assim. o presidente da república que detinha o poder de outorga da concessão pública. representantes de seus grupos políticos) sem que houvesse qualquer tipo de critério social ou educativo. O estado do Rio Grande do Norte possui 143 veículos. existem poucas geradoras de televisão e essas estão concentradas nas capitais. que possui 30 grupos afiliados. a maior parte dessas não incluem conteúdo local. Controlada pelo Sistema Brasileiro de Comunicação. 340 veículos juntamente com suas afiliadas e mais de 3000 retransmissoras de TV em todo o país retransmitem seu sinal. O Grupo Cabugi . está a rede Record. Na maioria dos estados. seguida pelo SBT. nele se destacam o Grupo Cabugi de Comunicação e a Rede Tropical de Comunicação – RN.grandes emissoras. está a rede Globo. as outorgas são questionadas pelo poder concedente. cerca de 80% da programação é de caráter nacional. o que dificulta ainda mais as alterações da legislação. amigos. Band. SBT e Record. Nos municípios. E é por isso que as concessões de um serviço público como o de rádio e TV acabam se tornando propriedades privadas.

competitivas com outras mulheres. O estado ainda conta com sete jornais em circulação. uma filiada à Globo (InterTVCabugi) e outra ao SBT (TV Ponta Negra). Uma marca. Assim. O público consome de acordo com o que lhe é vendido. que não passa de um corpo esculpido em academia. algumas rádios OM e FM e uma rede de TV afiliada à Record (TV Tropical). definindo estilos de vida. esses estereótipos não são questionados pelo receptor. Os abusos acerca da imagem da mulher também podem ser encontrados em propagandas de produtos de limpeza. Um veículo de TV. estereótipos muitas vezes justificados pela “irreverência e bom humor” que devem existir em uma propaganda. Neste cenário. impossibilitando a interpretação dessas e o entendimento da forma como a imagem das mulheres é construída e disseminada para toda a sociedade. chegando a despertar o consumo de produtos que até mesmo não precisaríamos. devido a vivência e repetição da ideia. agir e consumir. atraentes. estudam. sexy e ter um corpo perfeito o tempo todo. cuidam de filhos. O Município de Mossoró possui 13 veículos. A mídia influencia os indivíduos no modo de pensar. Para os homens. por exemplo. de maquiagem ediversos outros produtos. O Mossoroense e Correio da Tarde. mas sim como objetos. entre rádios AM e OM e duas redes de TV. 1. A Rede Tropical possui nove veículos. crianças e adolescentes Meios de comunicação de massa (televisão. criando necessidades. levando a crença de que é um fenômeno natural que não pode ser modificado. essa mulher é reconhecida como a mulher que eles devem querer. Ao acreditarem nesse padrão de beleza artificializado. uma imagem artificial que não condiz com a realidade da maioria das mulheres que trabalham. representa como ela deve ser ou se tornar para ter valorização social. internet. marcas de roupa. extremamente vaidosas. etc. em um programa ou em algum outro meio utilizado pela mídia. jovem. que não são bonitas o suficiente e que estão gordas demais. Vazias. as mulheres muitas vezes são apresentadas não como pessoas. idosos. guiando costumes e hábitos da sociedade. . com pele e cabelos perfeitos.5 A mídia e a representação da mulher.possui oito veículos. fúteis. e quatro jornais: Gazeta do Oeste. A maioria das propagandas publicitárias apresentam estereótipos femininos e masculinos estabelecidos pelo senso comum da sociedade. Natal e quatro em Mossoró. fica clara a distância entre a preocupação de ter um discurso crítico sobre a utilização do corpo feminino e a “coisificação” da mulher e o lucro objetivado por esse tipo de propaganda. três em sua capital. Jornal de Fato. são algumas das características atribuídas às mulheres pela mídia. enquanto que para as mulheres. rádio. em vez de aceitarem que não precisam e até mesmo não querem seguir esse padrão. controlada pela Rede Potiguar de Comunicação e afiliada à Rede Gênesis. A mensagem que é passada e cobrada para as mulheres é que elas precisam ser bonitas. a tendência é que elas passem a acreditar também que não serão amadas da forma como são. Comerciais de cerveja são famosos por disseminaremuma imagem de mulher sexualmente desejável. vende um estilo de vida. além de seu produto.) tem grande poder de persuasão e disseminação de ideias. denominado TV Mossoró. Essas propagandas consistem em apresentar ao telespectador várias imagens em um curto espaço de tempo. entre diversas outras tarefas. algumas rádios OM e FM. entre eles. assim.

Os idosos são estimulados pela mídia a adquirir novos costumes para manter o espírito jovem e o corpo saudável através deprodutos e serviços. Então. O público mais influenciável pela mídia. . alimentação. fantasia. abordagem de temas familiares e afetivos para vender marcas. entre outras características retratadas. principalmente através de propagandas. Dados demográficos apresentaram também. Durante muitas décadas. como cosméticos e agências de turismos voltadas para terceira idade. Lazer e até mesmo uma alimentação adequada são exclusivos de uma parcela dos idosos. com perdas e mudanças. são as crianças devido a sua incapacidade natural de reconhecer criticamente o significado das mesmas. O envelhecimento deve ser aceito como uma fase comum a todos. É necessário que seja feita uma representação mais realista do processo de envelhecimento. Esses itens que compõem os comerciais despertam a imaginação infantil e cria uma conexão entre essa e os hábitos de consumo que estão sendo estabelecidos pelas empresas. como fonte de renda para cobrir despesas com remédios. comportamentos. a nova imagem dos idosos. Anúncios de videogames. o consequente aumento de idosos aposentados. valorizando principalmente a última. produtos e. ação. Esse fator. insegurança. Dessa forma. fazendo com que estes passassem a ser vistos como consumidores em potencial. saúde e recursos financeiros de sobra para levarem uma vida ativa e com lazer. entre outros gastos. vitórias. que muitas vezes dispõem apenas da aposentadoria. a juventude é reduzida a um bem que pode ser adquirido através do consumo e determinado estilo de vida em qualquer idade. A persuasão é feita através do uso de mágica. isso quando havia algum tipo de representação da terceira idade. isolamento. a população idosa está aumentando. surgimento de doenças. objetivando não só a venda de um produto ou serviço.Devido àredução dos níveis de fecundidade e o aumento da expectativa de vida no Brasil. utensílios de cozinha. Outra implicação é que a mídia leva a acreditar que as limitações naturais impostas pela idade são resultado da não adoção de hábitos saudáveis pelo indivíduo. a imagem negativa dos indivíduos de terceira idade. ligavam a imagem do idoso principalmente a comerciais publicitários de remédios. afeta diretamente a forma como a imagem do idoso é construída pela mídia. mas também a qualidade de vida dos idosos. bem como a mídia passou a se dedicar a estimular o consumo nessa categoria. Esse acontecimento é reflexo de fatores econômicos. Suavemente as crianças vão sendo expostas a ideias sexistas em vários comerciais. A nova imagem divulgada pela mídia também não condiz com a realidade da maioria dos idosos do país. é favorável ao capitalismo: pessoas com tempo. jogos e materiais esportivos. Perda de memória e habilidades físicas. apresentou uma imagem negativa dos idosos. que não deveriam ser excluídos ou representados negativamente pelo mercado de consumo. são direcionados aos meninos. disseminada pela mídia atualmente. Assim. valorizando a inteligência e a força. a mídia. consequentemente. passaram a ser desenvolvidos diversos produtos e serviços destinados aos idosos. mas também favorável a novas conquistas. Com o passar do tempo. aventura. juntamente com a ideia de poder. passou a ser substituída por uma imagem mais ativa e saudável dos idosos. principalmente através da televisão. explorando a ideia de maternidade e beleza. essa muitas vezes é insuficiente. Enquanto que comerciais focados nas meninas anunciam bonecas.

107). aspectos socioculturais influenciam fortemente nesse processo. influenciando as preferências e atitudes da população. A disfunção. porém. tornando possível a utilização do que é interessante para sua vida e exclusão do que não é. Assim. internet. sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviço público”. O art. ANÁLISE DOS PROBLEMAS OU ENTRAVES Os recursos midiáticos podem ser utilizados das mais variadas formas. quando e quais as informações que serão repassadas à população. Os coronéis se reconfiguram. 31. aprendendo a interpretar de maneira crítica o que é apresentado. A mídia está muito presente na vida dos adolescentes. visto que o art. foi criado o termo “coronelismo eletrônico” para caracterizar a forma pela qual os meios de comunicação estão distribuídos no país. empresa pública.12% das emissoras de televisão . Ser detentor de meios de comunicação de massa significa ter o poder de ser formador de opinião ao decidir como. através do cinema. político e midiático dos políticos nos âmbitos locais e regionais. Entre outros fatores. televisão. Isso torna extremamente essencial o aprendizado sobre como viver neste ambiente. em uma cultura de mídia e consumo. e. assim. Além disso. do contrário. mas continua presente na sociedade: a manutenção do poder deixa de ter como símbolo as terras dos senhores para ser a dominação dos meios de comunicação. a comunicação em massa serve para passar a mensagem particular de quem tem o poder de transmitir. o calçado que está na moda. É claro que o papel do Estado nesse processo não deve ser ignorado.É na fase da adolescência que o indivíduo cria sua identidade. Este será abordado mais adiante. Criou-se um monopólio de famílias que dominam as emissoras de rádio e televisão no Brasil. inversamente proporcional à preparação e conscientização sobre as consequências das suas atitudes. ele é excluído da vida social. de acordo com a realidade encontrada no nosso país. A população mundial vive atualmente em um mundo visual. entre outros meios de comunicação. televisão. O coronelismo se evidencia no monopólio econômico. direta ou indiretamente. o que faz com que o acesso aos meios de comunicação não seja democratizado. ser objeto de monopólio ou oligopólio". e aí reside a explicação para o surgimento do termo “coronelismo eletrônico”. 10 famílias compõem o grupo que detém mais de 90% da mídia brasileira. muitas das concessões estão nas mãos de políticos. é evidente. Segundo Lima (2001. ou seja. apresentam aos jovens uma abordagem da sexualidade e drogas lícitas bastante intensa. Cinema. Esse termo é trazido à atualidade retratando como o coronelismo muda de roupagem. 2. p. internet. que podem influenciar positivamente ou negativamente o comportamento desses indivíduos. Os adolescentes são bombardeados a todo momento com propagandas dos mais diversos produtos e a crença na ideia de que “ter é ser”. para ele ser valorizado na roda de amigos. ele deve ter a roupa. de acordo com o interesse de quem os possuem. 220 determina em seu parágrafo 5º que “os meios de comunicação social não podem. o smartphone. No Brasil. assim como a força física é agora substituída pela alienação em massa feita pela mesma elite política. 54 da constituição declara de forma explícita que os deputados e senadores não podem “firmar ou manter contrato com pessoa jurídica de direito público. autarquia.

pois é um serviço de interesse público que requer regras para seu funcionamento. aprovar propostas para regulação da mídia no Congresso Nacional não é tarefa fácil. ideológica ou artística). Nesse sentido. entretanto. também é levado em consideração que. No Congresso. p. Essa necessidade decorre dos políticos e famílias controlarem as informações que chegam à população. para que não opere como forma de obtenção de lucro e de interesses particulares. De acordo com o levantamento feito pela Agência Repórter Social. A dificuldade de regulamentar a mídia é eminente. sendo postos à sociedade os interesses políticos da ordem vigente e anulando qualquer participação das camadas mais necessitadas. ela é utilizada para garantir a estabilidade. que. A chamada “política editorial” faz parte da engrenagem que funciona a favor dos donos da mídia: “o jornalista deve ter sempre em mente a política editorial. 221 da constituição. necessitam de regulamentação para que sejam estabelecidas condições mínimas de serviço que o torne mais acessível. público e estatal. de acordo com o art. é notória a realidade hegemônica do setor privado. Além disso. como deputados e senadores”. Os meios de comunicação. vítima inconsciente desse processo.88).. comenta. Assim. A seletividade da informação se transforma em ferramenta para a alienação da massa. passa despercebido pelas classes minoritárias. a pluralidade e diversidade de culturas existentes no país não têm espaço por irem de encontro ao fato dos interesses privados coincidirem com os dos grupos mais privilegiados. e de acordo com a entrevista concedida à revista CartaCapital pela candidata a deputada do PCdoB-RJ Jandira Feghali. isto é. sob o aspecto econômico. Assim. Atualmente há grande discussão acerca da necessidade plurilateral em regular a mídia.19% das emissoras de rádio são controladas por políticos e ex-políticos. o sistema que envolve o favorecimento de determinados indivíduos se torna um ciclo vicioso. Logo. interferindo nos interesses daqueles que de fato exercitam o poder no Brasil. . 2006. respeito aos valores éticos e sociais. há muitos detentores de meios de comunicação. é posto em dúvida todo o art. visando então alterar o quadro de desequilíbrio democrático que existe atualmente no acesso a esse recurso público. promoção da cultura nacional e regional com estímulo à produção independente. pois objetivo final das grandes detentoras do poder é muito maior: a manutenção do status quo. a orientação ideológica do jornal para o qual trabalha e do público para qual se dirige” (Teoria e Prática do Jornalismo.e 40. artísticas. porém. parágrafo 2º: É vedada toda e qualquer censura de natureza política. as iniciativas responsáveis pelos meios de comunicação devem se equilibrar em privado. é evidente a dificuldade enfrentada para tornar efetiva a democratização da mídia no Brasil. frequência e profundidade da publicação das matérias sobre assuntos que a grande imprensa deseja que seus leitores interiorizem. Teoricamente. essa não-neutralidade é um objeto que deve favorecer as vozes que dela utilizam (artigo 220 da constituição. “É um tema difícil porque traz a possibilidade de gerar consciência política e protagonismo social. que determina quais são os princípios das emissoras de rádio e televisão: finalidades educativas. regionalização da produção. por ser enraizado. 223 da constituição. um terço dos senadores e mais de 10% dos deputados eleitos entre 2007-2010 controlam rádios ou televisões. a fim de formular uma ideologia de seu interesse. culturais etc. Omnia. e não seletivo e elitizado.

ou o programa apelativo e sensacionalista do Datena.3. o que ocorre na realidade é a submissão da população ao monopólio da mídia. mulher e índios tenham seu espaço e exista um acesso igualitário.5% tratando-se de homicídio ou tentativas. sem controle particular sobre os meios de massa. impossibilita a difusão de diferentes opiniões acerca de um tema. Ele não pode ser subordinado ao governo e deveria substituir o que há no art. ou ambas as coisas. muitas vezes. homossexual. Podendo se basear no modelo da Argentina. Este último é responsável por deturpar algumas notícias. Exemplos disso é o reality show BBB. a representatividade. "o que o povo gosta". dividiriam em partes iguais as autorizações em mídia do setor público. 223º da CF. incluindo o direito de produzir e transmitir conteúdos. à tragédia. privada e organizações da sociedade em 33% cada. de fato. poderia ter como exemplo o auxílio financeiro como forma de fundos para a sociedade como meio de estimular a produção de novos conteúdos e tendo a edição de jornais feita de forma independente de seus controladores. alienando a população.órgãos administrativos autônomos encontrados nos Estados Unidos e França. requer mudanças para que aja a democratização da mídia assim as diferentes culturas e etnias se veriam representadas no lugar de ridicularizadas. Deixa-se de informar sobre o ECA. assumindo um mero lugar de receptora destes conteúdos produzidos pela elite. tem que democratizar para que negro. ter acesso garantido e efetivo à comunicação social. Para tanto. A falta de informação é também um problema causado pela centralização dos meios de comunicação haja vista que a mídia é vista como uma espécie de "quarto poder" onde por muitas vezes retira o foco da sociedade sobre um acontecimento importante para que ela não se organize facilmente e não participe efetivamente no Estado. em tese. mas ditas como "popular"." James Madison Viver em uma democracia é. PROPOSIÇÃO DE RESPOSTAS POSSÍVEIS: REGULAMENTAÇÃO E DEMOCRATIZAÇÃO "Um governo popular. pois impossibilitaria a troca de favores entre políticos. que é extremamente necessário em um debate a ser oferecido para uma população leiga. logo. deve haver a regulamentação e fiscalização através de um órgão como Independent Regulatory Commission ou Autorité Administrative Indépendante . Para incluir essa pluralidade na comunicação é preciso descentralizar o poder sobre a mídia. sem informação popular. infringindo e desrespeitando os direitos humanos. da pluralidade do nosso país. 0. Além de ser claramente proibido pela Constituição Federal. Do modelo da Holanda. Não se pode admitir a existência de oligopólios e monopólios em uma sociedade democrática. logo. educativo ou de conhecimento irrelevante. A comunicação social é de interesse público.9% foram por adolescentes e que esse percentual cai para 0. de baixo nível cultural. produzida e veiculada pela elite é. . formando opiniões de massa sem o mínimo de conhecimento sobre o que levanta em pauta. É o caso do clamor fervoroso para a redução da maioridade penal. Mas. na mídia brasileira. ou seja. sobre a estatística que do total de crimes praticados no Brasil. A programação oferecida. é um prólogo à farsa. Não há.

da honra. o então Ministro da Secretária de Comunicação Social do governo Lula iniciou um processo de descentralização da publicidade do órgão. não campanha de difamação. b) Democratização da oferta. para garantir a complementariedade entre TVs estatais. . Lula e Dilma apenas no segundo. equilíbrio. como a criação da Empresa Brasileira de Comunicação – EBC. c) Complementariedade conforme previsão constitucional. d) Promoção da cultura nacional e regional e independente. sendo que 70% dessas verbas iam para a Globo. A PL tem dois eixos: quebrar o monopólio. g) Universalização.117/62. na TV aberta também. o direito a imagem. e sem poder ter oligopolização. públicas e privadas da Constituição. além das derrotas eleitorais para parlamentares conservadores e reacionários. os movimentos sociais passaram a intensificar a pressão. Alguns argumentos foram a falta de carisma da presidente. Alguns passos tímidos começaram a ser dados no segundo mandato de Lula (20072010). A intenção do ex-ministro das Comunicações era de regular apenas TVs e rádios. com o Ministro das Comunicações Paulo Bernardo. respeitado os princípios da privacidade. A democratização não é feita somente com a reestruturação de órgãos administrativos. é a Lei 4. garantidas pelo Marco Civil da Internet. pois se FHC sempre venceu no primeiro turno. foi convocada a I Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) em 2009. O Brasil ainda tem um Código Brasileiro de Comunicação que data de 1962. assumindo as pluralidades ao invés de negá-las. Esse Código não sofreu nenhuma alteração desde a sua criação. começou a elaboração de uma Lei de Mídia – uma tentativa de algo parecido com a Ley de Medios na Argentina – após vários estudos e debates para substituir a Lei de 1962. que gastava cerca de R$ 1. o “resto” que é seduzido ou tem medo da mídia.Isso não seria o bastante. O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação – FNDC faz uma pressão significativa no governo pela Lei da Mídia Democrática. No primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff. f) Neutralidade da rede e liberdade na internet. qualquer concessão demanda regulação. e) Separação de produção e distribuição. Os pontos centrais desse Marco Regulatório eram: a) Liberdade de imprensa. pois qualquer mudança é acusada pela velha mídia de censura. e que a mídia já não teria mais tanto peso nas campanhas eleitorais. assim. já que a radiodifusão é uma concessão de serviço público. a provável derrota no Congresso Nacional que conta com aproximadamente 90 concessionários. É necessário seguir diretrizes importantes da Constituição e legislar sobre como efetivá-los para a construção de um Brasil mais democrático. inviolabilidade do lar. Assim.5 bilhão em anúncios. o anteprojeto não avançou. Este último é um equívoco eleitoreiro.

Para ele se é adotado o modelo liberal. defesa da sociedade contra produtos. como diria Franklin Martins: “nada além da Constituição” e “nada que arranhe a Constituição.não ao racismo e à discriminação (art.proibição de programas religiosos nas TVs e rádios estatais (Estado Laico – art. 3º. 221).com proibição da propriedade cruzada. reeleita. 220. O novo Ministro das Comunicações. 221). I e II. 220. criando TVs públicas e rádios comunitárias. Que liberdade de imprensa eu tenho? Nenhuma.Estímulo à produção independente (art. REFERÊNCIAS .Liberdade de expressão. e estímulo à diversidade e pluralidade. públicas e privadas (art. 5º. XLII. alguns não podem falar e outros não vão escutar. 220). . tem poucos recursos pra crescer. 19. Para o autor o Estado deve atuar de forma positiva. . 223). Ricardo Berzoini. entende o seguinte sobre o tema: “Já a pequena imprensa. assumiu o cargo com um discurso deveras velho. I). poucos vão falar. IV). querem continuar controlando sozinhos os meios de comunicação do Brasil”. Eles querem é liberdade de empresa. I). Clèmerson Merlin Clève. Celso Antônio Bandeira de Mello. o maior jurista do Direito Administrativo do Brasil. E para concluir. culturais e informativas – art.proibição de proselitismo religioso na TV e rádio (preferência de programas e finalidades educativas. Deste modo. liberdade de imprensa e proibição da censura (art.complementariedade das TVs e rádios estatais. No atual governo. entende que para que haja liberdade de expressão o lema não pode ser “todos podem escutar o que poucos podem falar”. 54. .proibição de concessões de TV aos parlamentares (art. Dilma tem dito que uma das suas prioridades é a regulamentação econômica da mídia. 221). 221. . Os princípios constitucionais que devem reger a comunicação no Brasil são: . esse apenas parece ser mais um capítulo fadado a se repetir. o maior constitucionalista do Paraná. . 4.Defesa da família e da criança. Quem tem é meia dúzia. como por exemplo com direito de antena (partidos políticos têm). . e art. e aí temos que aguentar essa mídia comercial discursar pela liberdade de imprensa. art. nada que fique de fora daquilo que esteja na Constituição!”. algo que já foi feito desde o tempo de Franklin Martins e por lá ficou. IV). pois há uma necessidade de multiplicação de falas. práticas e serviços nocivos à saúde e ao meio ambiente (art. propondo um debate público sobre o tema. . . com os chamados veículos alternativos. .proibição de oligopólio ou monopólio (art. artísticas.Promoção e defesa da cultura nacional e das culturas regionais (art. § 5º).

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