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CURSO: ARQUITETURA E URBANISMO

MATÉRIA: SISTEMAS CONSTRUTIVOS II

ARGAMASSA ARMADA

ALUNA: SUSI DA SILVA

Palhoça, 23 de junho de 2003.

Esse material é. unidas por nervuras de concreto armado in loco. baseado na aplicação da tecnologia da argamassa armada.500 m². onde atua a Companhia de Renovação Urbana (RENURB). Atualmente. seria no campo da construção civil que Nervi levaria o material a alcançar sua incontestável importância histórica. na prática.5 m de comprimento. Embora com suas origens no século passado. Porém. realizou a cobertura do Palácio de Exposições de Turim. de estudo de argamassa armada. para isto. Rio de Janeiro (RJ). desconsiderada. A partir dessa experiência. e com o qual se moldam peças bastante delgadas. com 95 m de vão e área total de 10. Nervi construiu diversas embarcações. de 12. dentre elas. é na maioria das vezes. com peças pré-moldadas em argamassa armada e espessura 3.Projeto Ferrocimento . Como uma de suas mais grandiosas obras. A pequena distinção entre esses materiais. quando Joseph Louis Lambot patenteou o ferciment na França.8 cm. vem constribuindo com a realização de inúmeras outras obras. armada com telas e fios de aço. na medida em que sua concepção vai se tornando mais conhecida e suas vantagens se mostram cada vez mais evidentes. de telas e fios de aço. . cuja armadura é constituída por malha muito fina. na cobertura de 1000 m² de diversos pavilhões. para efeitos de simplificação da terminologia. desprovido de agregado graúdo. na Bahia. Brasília (DF) e Salvador (BA). um tipo particular de concreto. quando Pier Luigi Nervi passou a usá-la em suas arrojadas contruções. empresa municipal que desenvolveu um pioneiro projeto de saneamento. o veleiro Nennele. comparativamente ao ferciment. o formado Grupo de São Carlos. como centros de pesquisa e desenvolvimento da argamassa armada existem. taxas mais reduzidas de materiais. Histórico Existe na realidade uma certa diferença entre argamassa armada e o ferrocimento. e ainda alguns polos irradiadores da tecnologi em Abadiânia (GO). Utilizando-se da argamassa armada.Introdução A argamassa armada ou ferrocimento é um material que vem despertando crescente interesse no meio técnico. em 1960. o da Universidade Federal do Ceará . O ferrocimento tem sua origem em 1856.e do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento (CEPED). desenvolvida e adaptada as condições brasileiras e que nada mais é que uma argamassa de cimento e areia. a argamassa armada foi empregada pela primeira vez em Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo. No Brasil. Esse material desenvolvido por LAMBOT teria ascendência direta sobre a moderna argamassa armada. utilizando. foi somente a partir de 1943 que a argamassa armada teve seu grande avanço tecnológico. além do Grupo de São Carlos.

como. composta por pequenas barras de ferro. a peça de argamassa armada consome menos material por metro linear. procura-se conservar as peças molhadas. a simplificação das operações de transporte e de aplicação. A cura ideal da argamassa armada se faz por imersão das peças em tanques d'água. campânulas para gás combustível produzido em biodigestores. Na Índia. Durante os dias em que se processa a cura. simultaneamente dos dois lados da peça. onde predominam as aplicaçõs em barcos. A prova dessa versatilidade de emprego de material está na aceitação do mesmo. . A argamassa confeccionada com cimento e areia. a tela deployé e a tela construída manualmente. As telas mais comumente utilizadas são a tela hexagonal (de galinheiro). por m³ de argamassa seja elevado. Entretanto. Procura-se utilizar a menor quantidade de água possível. Dependendo da aplicação da peça de argamassa armada. abrigadas do sol e do vento. cimento e ferro. Quando se opta por uma construção artesanal. quando este procedimento não é possível. as formas podem ser dispensadas. sendo feita a argamassagem manual.Processo de Produção A idéia básica na concepção da argamassa armada é obter-se peças bastante delgadas e com menor massa. reservetórios de pequena capacidade e artefatos de uso doméstico. onde a leveza e as amplas possibilidades de pré-moldado de peças de argamassa armada constituem fortes atrativos para a utilização na construção civil. Utiliza-se como reforço da argamassa uma armadura difusa (telas). a tela entrelaçada de malha quadrada (de peneira). a tela soldada. que apresenta ainda outras vantagens adicionais. Versatilidade do Material Devido ao seu ótimo comportamento estrutural e à sua facilidade de conformação e moldagem. como nos países desenvolvidos. fossas sépticas. passam a ocorrer esforços solicitantes mais elevados. composta por fios de pequeno diâmetro. tanto nos paíse subdesenvolvidos. sendo. habitações. portanto. A moldagem das peças em argamassa armada pode ser feita com ou sem o uso de formas. na proporção em massa de 1:2. deve-se evitar o transporte das peças. existem exemplos típicos de emprego de material em silos agrícolas.4 litros de água por quilo de cimento. reservatórios de água. Este fato viabiliza a opção pela argamassa armada. necessária a utilização de uma armadura suplementar discreta. Esse valor se encontra normalmente próximo de 0. silos. buscando-se uma diminuição dos custos de peças isoladas. ou pó-de-pedra. bem como choques e batidas. durante duas a três semanas. com uso intensivo de mão-de-obra. a argamassa armada apresenta grande versatilidade na aplicação. na China e nos países do Sudeste Asiático. que funcionam também como armadura de esqueleto. de forma a se obter uma argamassa de consistência satisfatória. pouco espaçados e distribuídos uniformemente na argamassa. coberturas e barcos para transporte e pesca. qua através de seções adequadas ofereçam capacidade de carga suficiente à finalidade a que se destinam. embora o consumo dos componentes. por exemplo. Desta forma.

comparativamente às de concreto armado. quer na confecção de peças artesanais com processos rudimentares e uso intensivo de mão-de-obra. meândricas. tem-se voltado mais à habitação popular de baixa renda. sediado na Bahia. desenvolvendo componente adaptáveis aos sistemas construtivos alternativos. às vezes. até impossibilitam a ação de equipamentos mecanizados para a construção e conservação. reduzindo-se em três vezes a massa das mesmas. tem conseguido. tanto no litoral como no sertão. vias de pedestres – rampas e escadarias drenantes – e muros de arrimo. país com grande extensão territorial de diferentes níveis de desenvolvimento. obras de arte. construindo revestimentos de canais. nas casas de solo-cimento construídas com estilo e apoio do Banco Nacional da Habitação (BNH).. o CEPED.Na União Soviética existem cerca de 10 milhões de m² de área coberta por estrutura de argamassa armada. acéquias. atestando o grau de desenvolvimento da tecnologia do material naquela nação. tirar proveito do notável potencial de criatividade e da propensão artesanal do povo nordestino. No Brasil. assentes sobre uma topografia adversa. aquários. banheiros. modulados em peças pré-moldadas em argamassa armada. Seguindo igualmente está linha de tecnologias simplificadas de construção. com a ajuda do Grupo de São Carlos. em Salvador (BA). Na Bahia. pias. esse material torna-se especialmente indicado. foram construídos dispositivos básicos. A argamassa surgiu como solução única para a atuação em locais onde ocorrem ruas estreitas. cisternas. filtros. adaptando-se aos materiais disponíveis. para a cobertura do Terminal Rodoviário. com produção mecanizada. e viabilizandose desta forma o projeto arquitetônico. paredes. para atender os programas de urbanização e saneamento. a atividade daquela entidade se consolida cada vez mais. Com o objetivo inicial de estudar a introdução da tecnologia da argamassa armada na região Nordeste. produzidos artesanalmente com argamassa armada. Construções industriais Nas regiões mais desenvolvidas do País tem-se optado pela construção industrializada de argamassa armada. ou sobre terrenos de baixa capacidade de suporte. de forma pioneira. vestiários. conseguiu-se industrializar telhas hexagonais. . que dificultam e. através de RENURB. a argamassa armada tem sido aplicada na urbanização de favelas e no saneamento básico. Um dos melhores exemplos do resultado deste trabalho é a realização de telhas. tubos e tubulções para canalizações. As aplicações difundidas são as mais variadas possíveis: tanques para armazenamento de água. Em Florianópolis (SC). implantado pela Universidade Federal do Ceará. Construções Artesanais O projeto Ferrocimento. No Vale do Camarujipe. com o uso da tecnologia adequada à região. através da realização dos Cursos de Ferrocimento para Operários e dos Cursos de Ferrocimento de Nível Superior. lavatórios e tanques. quer na construção industrializada. objetivando seu uso artesanal na produção de utilidades. barcos de pequeno porte etc. telhas.

estes dispositivos já estão sendo implantados em larga escala e avaliados. com a utilização de mão-de-obra pouco especializada.  Mobiliário urbano (pontos de ônibus. A argamassa armada no Brasil No Brasil. * montagem das peças o local da obra. As escolas foram montadas no local da obra. Aplicação no meio urbano:  reservatórios enterrados e similares (decantadores de estações de tratamento. . As escolas foram montadas nos municípios e regiões circunvizinhas à cidade do Rio de Janeiro e têm trazido interessantes implicações sociais. com de mão-de-obra pouco especializada.  pontilhões. pequenos bares e lojas etc. podendo ser utilizadas para outros fins sociais de interesse da comunidade. o problema consistia na cobertura de 1000 m² de diversos pavilhões. ao longo de três anos. a argamassa armada seria empregada pela primeira vez na EESC/USP – Escola de Engenharia de São Carlos da universidade de São Paulo. a argamassa armada encontra hoje as mais diversas aplicações. edificações transitórias desmontáveis como bancas de jornal e flores. por observação de comportamento. cercas. a fim de garantir um excelente acabamento às mesmas. tanques de banho. bebedouros. bancos.  reservatórios ao nível do solo elevados. A usina para produção de peças pré-moldadas destinadas à construção de escolas.  mobiliário rural (cochos.  galerias e canais a céu aberto.. é outro exemplo de industrialização da produção de componentes de argamassa armada. Aplicações no meio rural:  silos e reservatórios. sinalização urbana e rodoviária. O processo industrial de fabricação em operação.  galpões.  passarelas para aplicação em travessia de pequeno vão. fornos.  fossas sépticas e biodigestores. tabelas e respectivos suportes para a prática de basquetebol.).). com processo de industrialização aprimorado. Alem de vir de encontro ao esfoço desenvolvido pelas municipalidades para incrementar a educação de base. filtros para o tratamento de águas etc. no Rio de Janeiro (RJ). em 1960. canais e canaletas de irrigação etc). estufas. parasitológico. Campos de aplicações Com uma tecnologia simples e de fácil assimilação.Hoje. Esse modelo permitiu a divisão dos serviços em duas etapas distintas: * confecção das peças em usina. as escolas são totalmente desmontáveis. digestores para o tratamento de esgoto. estábulos.

1 e 2) e para o terminal rodoviário de Florianópolis – 1980 – até que em 1981. a nível nacional. Também da mesma época (1980) são as primeiras aplicações em larga escala da argamassa armada no Brasil. e com potencial enorme a ser mais explorado. o Grupo de São Carlos ampliou o seu universo de trabalhos e serviços. consumo de cimento de aproximadamente 650 Kg/m³ de argamassa e taxas de armadura variando desde 80 Kg/m³ de argamassa – para peças divisórias. Com esse novo alento. Dante A. conseguindo restabelecer o necessário equilíbrio entre as pesquisas técnicas e aplicadas do material. O. Conta hoje com diversos centros irradiadores de sua tecnologia. realiza periodicamente Cursos de Ferrocimento para Operários e Cursos de Ferrocimento de Nível Superior e pesquisa as mais variadas aplicações: reservatórios para armazenamento de . Objetivando o uso artesanal do material na produção de utilidades. Martinelli e Lafael Petroni a desenvolver novos estudos e aplicações.A partir dos resultados de Nervi. Trilhando um caminho marcado pela utilização de tecnologia simples porém adequadas às regiões mais desenvolvidas do país. além de prestar serviços de apoio técnico e consultoria aos interessados. O Grupo de São Carlos desde de 1960 tem acompanhado e tutelado o desenvolvimento da tecnologia do material. a partir de uma revisão eminentemente técnica do estado-da-arte do material. A confirmação prática desses resultados motivou os pioneiros desta tecnologia no Brasil. consistia inicialmente na utilização de elementos pré-fabricados de argamassa armada na urbanização do Vale do Camurugipe. procurando porém adequá-la às condições da região nordeste. despontando como um material moderno. constituindo-se o grupo de pesquisas que se denominou Grupo de São Carlos. realiza pesquisas de aprimoramento tecnológico e de aplicações do material.0cm. Esse grande esforço desenvolvido pelo Grupo de São Carlos para implementar a divulgação da tecnologia do material e o incansável trabalho do Arqt° Lelé fizeram com que. O trabalho conduzido pelo Arqt° João Filgueiras Lima (Lelé). com o emprego de taxas de armadura compreendidas entre 250 e 300 kg/m³ de argamassa e consumo de cimento de cerca de 700 kg/m³. a argamassa armada é atualmente empregada com espessuras variando de 1. elaborou-se um primeiro Plano Diretor.5cm a 4. também estuda a introdução da tecnologia da argamassa armada em nosso país. o Laboratório de Estruturas da EESC/USP iniciou ensaios em perfis pré-moldados. contida no documento Construções de Argamassa Armada: Situação. a argamassa armada gerasse no meio profissional brasileiro uma grande expectativa. Professores Frederico Schiel. O projeto FERROCIMENTO. A partir de então o Grupo de São Carlos passou alternadamente por fases de estudo das propriedades da argamassa armada e de aplicações essencialmente marcadas pela extesão de serviços à comunidade – notadamente os estudos feitos para a Fábrica de Latcinios de São Carlos. implantado pela Universidade Federal do Ceará em abril de 1982. com cobrimentos de armadura de 5mm a 7 mm. prosseguindo na produção de escolas e de infra-estrutura urbana no Rio de Janeiro. de isolamento térmico – até 250 Kg/m³ de argamassa – para peças com finalidade estrutural. em Salvador/BA. de piso. Perspectivas e Pesquisas de autoria do Coordenadort do Grupo.1975 ( fig. destinado à consolidação de suas atividades. a partir do início da década de 80. Dr. Consideradas as constantes modificações e aperfeiçoamentos na sua tecnologia ao longo de 25 anos de desenvolvimento no Brasil. João Bento de Hanai. Prof. da terceira onda.

este trabalho foi continuado no estado do Rio de Janeiro com a instalação de diversas fábricas responsáveis pela pré-fabricação diária de 600 m² de construções. a partir de 1985. creches. . iniciaram-se na Companhia de Renovação Urbana de Salvador/BA onde foram executadas escadarias e rampas drenantes. A EPUSP – Escola Politécnica da USP. tem-se voltado mais ao problema da habitação popular. o CEPED – Centro de Pesquisas e Desenvolvimento. abrigos de ônibus. cursos e debates sobre o assunto. pelo Arqt° Lelé. pretende transferir a já consagrada prática artesanal na execução de obras. destinadas basicamente a escolas. vem somando esforços aos demais órgãos citados. Posteriormente. Produziam ainda canais para drenagem de regiões faveladas e semi-urbanizadas do Rio de Janeiro. atualmente na fase final de elaboração do texto-base. edição e distribuição de publicações. Itapevi/SP e Rio Claro/RJ.água. barcos de pequeno porte. preocupado inicialmente com a difusão da argamassa armada ou ferrocimento como tecnologia popular. Brasília/DF. acéquias. Seguindo igualmente esta linha de tecnologias simplificadas de construção. fica bastante sensível a atual fase de franco desenvolvimento por que passa a argamassa armada. na transferência da tecnologia do material. no assessoramento técnico para produtos. etc. na pesquisa intensiva de aplicações. comissão de estudo para normalização do material. e a instalação junto à ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas da CE18:05. Cumprindo também importante papel na irradiação da tecnologia do material estão algumas aplicações frutíferas e consagradoras do material. duas ocorrências marcantes para o franco e planejado desenvolvimento do material. O projeto. que se concretizará na forma de recomendações. em Camaçari/BA. silos. Levadas a cabo. Estuda também aplicações para o meio rural. na realização de palestras. canais e muros de arrimo. em junho de 1986.14 – Argamassa Armada. casas comunitárias. foram a realização do I Simpósio Nacional de Argamassa Armada. Desta exposição de obras e realizações. cada vez mais. Todo este trabalho desenvolvido para aplicação da tecnologia da argamassa armada em escala industrial encontra hoje profundos reflexos. além de toda infra-estrutura básica para assentamento das construções pré-fabricadas. desenvolvendo componentes adaptáveis aos sistemas construtivos alternativos. Existem atualmente fábricas de artefatos de argamassa armada em Salvador/BA. a FAU/USP – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e o IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas têm realizado estudos com aplicações diversas do material. telhas. ingressa em sua segunda etapa. Finalizando. que dará ênfase à argamassa armada como tecnologia profissional. a sua consideração como uma alternativa viável aos processos construtivos. O trabalho desenvolvido pela ABCP consiste na redação. também tomou parte nos trabalhos de implantação das usinas a ABCP – Associação Brasileira de Cimento Portland que. contando com intercâmbio constante com órgãos internacionais afins. como é o caso do protótipo de moradia de argamassa armada. na sua grande maioria. tubos e tubulões para canalizações. Nestas duas últimas cidades. Nessa fase. feito para a COHAB/SP. cisternas.

70 10.00 11.80 CÓDIGO LARGURA(CM) V20D 19 V15D 14 PESO(KG) 7.10 MEIA CANALETA PESO(KG) 13.0Mpa: BLOCO INTEIRO CÓDIGO LARGURA(CM) B20D 19 B15D 14 MEIO BLOCO PESO(KG) 16.Anexos: Estrutural 10.80 CÓDIGO LARGURA(CM) F20D 19 F15D 14 CANALETA INTEIRA CÓDIGO LARGURA(CM) V20/40D 19 V15/40D 14 PESO(KG) 6.10 .50 6.80 6.50 BLOCOS ESPECIAIS CÓDIGO LARGURA(CM) B1534D 14 A(CM) 34 PESO(KG) 9.