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CIÊNCIAS SOCIAIS

6ºPERÍODO

Estrutura e
funcionamento
do ensino
fundamental e médio
Maria Olímpia Beatriz Santos
Silvina Fonseca Corrêa

Maria Olímpia Beatriz Santos
Silvina Fonseca Corrêa

Estrutura e
funcionamento
do ensino
fundamental e médio

Montes Claros/MG - 2011

Copyright ©: Universidade Estadual de Montes Claros
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MONTES CLAROS - UNIMONTES

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Autores
Maria Olímpia Beatriz Santos

Mestre em Educação e Sociedade pela Universidade Presidente
Antônio Carlos, especialização em Pedagogia pela Universidade Estadual de Montes Claros, graduação em Pedagogia com habilitação
em Supervisão Pedagógica pela Universidade Estadual de Montes
Claros.

Silvina Fonseca Corrêa

Formada em Pedagogia com Habilitação em Supervisão Escolar de
1º Grau; Orientação Educacional e Ensino das Disciplinas e Atividades Práticas, pela Fundação Norte-Mineira de Ensino Superior,
FUNM – Montes Claros – MG. Cursou Supervisão Escolar de 1º E 2º
GRAUS. Universidade Federal de São Carlos, UFSCAR, São Carlos,
Brasil. Especializou-se em Supervisão Educacional pela PUC/MG.
Atualmente é Mestranda em Educação e Psicanálise, gerenciado
pelo Centro de Orientação e Organização Psicanalítica - CORPO – em
convênio com a Cambridge Internacional University – External Degree of Campus – Commonwealth Territory of British Virgin Islands
– United Kingdom – e com a Universidad de Los Pueblos da Europa
- UPE, regido pela resolução 001/2001 – CNE/CES/MEC, publicada
no D.O.U em 03/04/2001. É professora universitária e diretora da
empresa Instituto Pólis Montes Claros - Assessoria e Consultoria na
Elaboração de Planos, Programas Projetos e Estatutos atuando em
diversos municípios de Minas, inclusive com a instalação de diversos
Centros de Apoio e atendimento a EAD.

Sumário
Apresentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9

Unidade 1
Breve histórico da educação na legislação brasileira . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13

1.1 A educação no Brasil colônia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13

1.2 A educação brasileira no período republicano . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14

1.3 A educação no Brasil contemporâneo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16

1.4 Conclusão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19

Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20

Unidade 2
Estrutura e funcionamento da educação básica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21

2.1 Legislação educacional no Brasil . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21

2.2 Princípios e fins da educação nacional na atualidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25

2.3 Objetivos da educação básica à luz da legislação vigente . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26

2.4 Conclusão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28

Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29

Unidade 3
A legislação e a universalização de uma escola básica de qualidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31

3.1 O ensino fundamental de 09 anos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31

3.2 O ensino médio e o direito à profissionalização . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33

3.3 A educação de jovens e adultos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37

3.4 Conclusão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40

Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41

Unidade 4
O plano nacional de educação e as ações articuladas e normatizadas
tpelas políticas educacionais vigentes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43

4.1 O plano nacional de educação – antecedentes históricos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44

4.2 O plano nacional de educação e as metas propostas para a década

da educação- 2001-2011. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46

4.3 O PNE e a visão sistêmica do PDE . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49

4.4 Conclusão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56

Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57
Resumo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59
Referências básicas, complementares e suplementares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 65
Atividades de Aprendizagem - AA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 69

Ciências Sociais - Estrutura e Funcionamento do Ensino Fundamental e Médio

Apresentação
Prezado (a) cursista,
Estamos iniciando o estudo sobre a estrutura e funcionamento da Educação Básica
Brasileira em seus níveis fundamental e médio. Vamos começar questionando: você sabe
como funciona a Educação Básica em nosso
país? Conhece a legislação que a orienta? E no
passado, como a nossa educação foi instituída? Com base em quais pressupostos legais?
Para responder a essas questões nos fundamentaremos na Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional que apresenta os pressupostos e fatores, que determinam e/ou norteiam a organização das diretrizes e Bases da
Educação Nacional Brasileira, dando ênfase especial para a intencionalidade da Lei e do Planejamento Curricular. Ressaltamos que estes
pressupostos se consolidam como principais
responsáveis pela formação das identidades
pessoais e sociais, significando, sobretudo, a
determinação dos modos e intenções como
foi organizada a educação antes e depois da
República brasileira.
Fazendo um breve histórico da legislação
brasileira, entenderemos o antes e o depois,
mas, principalmente, como ela se estrutura na
atualidade, já que o funcionamento está ainda
sob a responsabilidade dos agentes (atores)
sujeitos atuais, quer sejam os que legislam,
executam, dirigem, coordenam ou ensinam,
formando educadores/educandos para uma
sociedade que se pretende seja, cada vez
mais, democrática, por meio do planejamento participativo, decorrido de um diagnóstico
real dos dados educacionais, como também
das expectativas e julgamentos de critérios/indicadores tecnicamente elaborados dos perfis
encontrados, enfim da avaliação realizada.
Pretendemos que o nosso trabalho seja
baseado em compromissos e hábitos de estudos individuais, em pequenos grupos, em
grupos diversificados e/ou na coletividade,
mas sempre visando à construção de um novo
conhecimento. A partir de enunciados, muitas
vezes já conhecidos por nós, mas que também
sirvam de renovação de práticas educativas
que possam fazer da educação, cada vez mais,
um instrumento de desenvolvimento pessoal,
ético e democrático, capaz de refletir na qualidade social brasileira. A participação de todos

será determinante para a construção de uma
educação a distância, com mérito, desde a organização e funcionamento dessa modalidade
de ensino, dentro dos parâmetros da legislação brasileira assim, também, de parâmetros
de formação de formadores de crianças, adolescentes e jovens, adultos e idosos, pois, no
Brasil, todos têm direito a uma educação de
qualidade. Portanto a sua participação e a do
seu colega são de extrema importância para
o bom andamento das atividades e trabalhos
propostos.
Acompanhe, com atenção, o estudo dos
textos apresentados, as orientações no decorrer deste estudo e faça das propostas e estratégias momentos inovadores e desafiadores
que possibilitem a construção de uma nova
prática educativa. Prática essa que lhe proporcione vivenciar momentos de perfis profissionais diversos: coordenador ou líder de um
grupo de trabalho; mediador ou relator, exercendo sempre papéis diferenciados no grupo
de educandos etc. Essas oportunidades trarão
para sua formação novas competências e habilidades num processo de ensino-aprendizagem e avaliação.
Atente-se para a carga horária da disciplina, o tempo previsto no calendário do curso
e se organizem para melhor aproveitar este
tempo. Acompanhe o seu tutor e preste a ele
a ajuda necessária para que possa também
ajudá-lo.
A Educação a Distância requer de todos
os envolvidos o compromisso com o hábito
de estudo, a sistematização dos registros e
atividades bem como o cumprimento de prazos. Não podemos nos esquecer de que a verbalização nas discussões e debates, o uso das
diversas linguagens textuais e as pesquisas
bibliográficas de enriquecimento dos estudos
constituem as diversas formas de você fazer
do seu curso oportunidade de otimização de
sua formação e/ou da formação de colegas.
Evite limitar as suas características, habilidades
e capacidades, mas faça delas oportunidades
de crescimento nas análises, críticas, sínteses
e construções que pretendemos seja proveitosa não só durante o curso, mas no decorrer da
carreira profissional e da vida que esperamos
seja próspera e feliz.

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UAB/Unimontes - 6º Período
Priorize! Evite situações indesejadas.
Aperfeiçoe, a cada dia, o seu desempenho acadêmico. Crie o hábito de leitura diária, de seleção de leituras significativas, de interpretações e inferências devidas, de abstração de raciocínio, de concentração e respeito às regras, de promoção e integração entre alunos e profissionais
do curso/instituição. Colabore para encontrar e promover medidas e projetos que possam ser
elencados no rol de iniciativas do curso, da educação como iniciativa dos acadêmicos dos polos
da UAB em qualquer canto deste grande sertão veredas.
Professora Mestra Maria Olímpia Beatriz Santos
Professora Mestranda Silvina Fonseca Corrêa

Orientações para as unidades
Acadêmico (a), neste material que você está recebendo da Disciplina “Estrutura e Funcionamento do Ensino Fundamental e Médio” trabalharemos com a seguinte ementa:
Os determinantes que norteiam a organização das diretrizes e bases da educação, com ênfase especial para a intencionalidade da lei e do planejamento curricular, como principais responsáveis pela formação das identidades pessoais e sociais.
Para atendermos a esta ementa, o conteúdo está dividido em quatro unidades. São elas:

Unidade I
Breve Histórico da Educação na Legislação Brasileira
A Educação antes da República.
Educação Brasileira no Período Republicano.
A Organização Educacional no Brasil (Constituição Federal de 1988)

Unidade II
Estrutura e Funcionamento da Educação Básica
Legislação Educacional no Brasil.
Princípios e fins da Educação Nacional na Atualidade.
Objetivos da Educação Básica à Luz da Legislação Vigente.

Unidade III
A Legislação e a Universalização de uma Escola Básica de Qualidade
O Ensino Fundamental de 09 anos.
O Ensino Médio e o Direito à Profissionalização.
A Educação de Jovens e Adultos.

Unidade IV

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O Plano Nacional de Educação e as Ações Articuladas e Normatizadas pelas Políticas Educacionais Vigentes
O Plano Nacional de Educação (PNE) e os seus Antecedentes Históricos.
O Plano Nacional de Educação e as Metas Propostas para a Década da Educação- 2001-2011.
O Plano de Desenvolvimento da Educação, o Compromisso “Todos pela a Educação” e as
Ações Articuladas dos Entes Federados.

Ciências Sociais - Estrutura e Funcionamento do Ensino Fundamental e Médio
Na primeira unidade, temos o histórico da educação brasileira, tomando como ponto principal a legislação educacional. Apresentamos como a educação estava legalizada antes e durante o período republicano até chegarmos à organização da Educação Nacional, a partir da nova
Constituição do Brasil em 1988.
Na segunda unidade, intitulada “Estrutura e Funcionamento da Educação Básica”, apresentamos a Legislação Educacional no período que antecede à Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional de 1996, além de apresentarmos os objetivos, os princípios e fins da Educação Nacional,
na atualidade, de acordo com a legislação vigente.
Já na terceira unidade, o enfoque é a universalização da educação básica e a busca de qualidade. Apresentamos o ensino de nove anos, as considerações sobre o ensino médio atrelado à
profissionalização e o direito à educação- garantido a todos- por meio da educação de jovens e
adultos.
E para finalizar este estudo, na quarta unidade - “O Plano Nacional de Educação e as Ações
Articuladas e Normatizadas pelas Políticas Educacionais Vigentes” tratamos do Plano Nacional de
Educação e como, através da legislação brasileira, chegamos até aqui e por onde se faz o caminhar da sociedade brasileira em busca de uma escola pública e eficaz para todos os brasileiros.
O mais importante de tudo isso, entretanto, é que você, acadêmico (a), faça a leitura do material e das sugestões propostas; reflita sobre o processo legal da educação brasileira e acredite que,
antes da legislação, existe a ação de homens e mulheres empenhados em um mundo melhor.
Lembrando Paulo Freire
Não posso entender os homens e as mulheres, a não ser mais do que simplesmente vivendo, histórica, cultural e socialmente existindo, como seres fazedores de seu “caminho” que, ao fazê-lo, se expõem ou se entregam ao “caminho”
que estão fazendo e que assim os refaz também.(1992, p.97)

Assim, torna-se necessário refletir sobre a importância da legislação brasileira em um curso
de Pedagogia e licenciaturas para que os futuros profissionais da educação observem que fazer
educação no Brasil exige de nós um profundo conhecimento da trajetória da educação brasileira. E, assim sendo, contribuiremos para que em todos os dias possamos refletir e agir na busca da
educação de qualidade para todos.

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Ciências Sociais - Estrutura e Funcionamento do Ensino Fundamental e Médio

Unidade 1

Breve histórico da educação na
legislação brasileira
Objetivo Geral
Apresentar o histórico da educação brasileira, tomando como ponto principal a Legislação
Educacional, analisando os aspectos educacionais, antes e durante o período republicano, até
chegarmos à organização da Educação Nacional através da Constituição do Brasil, em 1988.

Introdução
No Brasil, as concepções de gestão da
educação e administração pública vigentes
resultam de uma construção histórica influenciada pela tradição jurídica que caracterizou o
Período Colonial, marcado pelas orientações
e práticas resultantes das correntes filosóficas
positivistas e funcionalistas, que dominavam
as Ciências Sociais na segunda metade do século XIX e na primeira metade do século XX
(SANDER, 2007).
Veja no glossário ao lado a explicação sobre estas correntes filosóficas.
Ações estratégicas para a condução possível do processo educacional em território
nacional, de alguma forma ou por algum motivo, sempre foram executadas, pois, de acordo com Sander (2007, p.14), “fundamenta-se
na convicção de que a gestão da educação,

longe de ser um instrumento ideologicamente neutro, desempenha um papel político e
cultural específico, situado no tempo e no espaço”.
Para melhor compreender os processos
que envolvem a legalização e administração
da educação brasileira, é de fundamental relevância identificar aspectos e características
dos três grandes momentos históricos: Brasil
Colônia, Brasil República e Brasil Contemporâneo. Em cada um deles desenvolveram-se
processos e situações que possibilitam compreender a evolução da estrutura e administração da educação brasileira, percebendo,
especificamente, o momento histórico em que
deixou de ser vigente uma concepção de administração, avançando para uma concepção
de gestão da educação.

1.1 A educação no Brasil colônia
Como podemos imaginar a educação no
Brasil colônia? Vamos lá...
A organização e administração da educação, durante o período colonial, apresentam
a influência das Correntes Escolástica e Positivista, mas fundamentalmente manifesta um
enfoque jurídico, fundamentado no direito romano, que era interpretado em acordo com o
código napoleônico.
A tradição do direito romano tinha como
principais aspectos o caráter normativo e o
pensamento dedutivo, o que acabou por nortear a trajetória educacional e administrativa
do Brasil. Naquele momento histórico, a lei era
considerada um ideal a ser alcançado e não
apenas “um parâmetro a ser aplicado em cir-

cunstâncias concretas” (SANDER, 2007).
No entanto, a educação, durante o Período Colonial, era um tema de pouca importância para os colonizadores portugueses e para
a população que habitava o país, resultando
na pouca atenção aos processos relacionados
à sua administração.Vale destacar que, apesar
desse olhar desatento com a educação brasileira naquele momento, algumas das importantes personalidades da época desenvolveram ações em prol da valorização e melhoria
da educação nacional, especialmente a educação pública, entre eles, o grupo liderado por
Rui Barbosa. Sobre isso, Sander afirma que

glossário
Corrente Positivista: É
uma corrente sociológica cujo precursor foi o
francês Auguste Comte
(1798-1857). Propõe
à existência humana
valores completamente
humanos. O método
geral do Positivismo
de Auguste Comte
consiste na observação
dos fenômenos, subordinando a imaginação
à observação (ou seja,
mantém a imaginação),
mas há outras características igualmente
importantes.
Corrente Funcionalista: É um ramo da
Antropologia e das
Ciências Sociais que
procura explicar aspectos da sociedade em
termos de funções realizadas por indivíduos
ou suas conseqüências
para a sociedade como
um todo. Corrente
sociológica relacionada
ao pensador francês
Emile Durkheim, para
quem cada indivíduo
exerce uma função específica na sociedade e
sua má execução significa um desregramento
da própria sociedade.
Sua interpretação de
sociedade está diretamente relacionada ao
estudo do fato social.
O fato social é exterior
na medida em que
existe antes do próprio
indivíduo e coercitivo
na medida em que a
sociedade impõe tais
postulados, sem o
conhecimento prévio
do indivíduo.

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UAB/Unimontes - 6º Período
estudos sobre a organização do ensino daquela época não permitem identificar uma administração escolar capacitada para atender às exigências mínimas
das poucas instituições educacionais para a elite governante e, muito menos,
para dirigir as escolas destinadas à educação popular. (2007, p.20)

O enfoque jurídico que influenciava a
administração da educação acabou somado
aos valores do cristianismo com a chegada da
Ordem Franciscana, chefiada pelo Frei Henrique de Coimbra, que integrava a caravela
comandada por Pedro Álvares Cabral. Porém,
a grande interferência religiosa na educação
brasileira resultou do trabalho dos padres da
Companhia de Jesus, os jesuítas, sacerdotes
que rapidamente disseminaram seus ensinamentos por todo o território brasileiro, desenvolvendo o primeiro esboço de um sistema
educacional. Essa influência permaneceu e

glossário
Caráter Normativo:
Atos de caráter normativo, como o próprio
nome está dizendo,
são instruções de
caráter geral para que
todos os interessados/
envolvidos procedam de padronizada.
Geralmente os atos de
caráter normativo são
editados para melhor
compreensão dos procedimentos requeridos
em função de um texto
de Lei, Decreto etc.
(LYRA, 2001)
Pensamento Dedutivo: quando, a partir de
enunciados mais gerais
dispostos ordenadamente como premissas de um raciocínio,
chega a uma conclusão
particular ou menos
geral. Ex: Todo homem
é mortal (geral)
Pedro é homem
Pedro é mortal (conclusão particular)
Função básica do
pensamento dedutivo:
explicitar, ao longo da
demonstração, aquilo
que implicitamente já
se encontra no antecedente.
www.esmec/
wp.../2008/.../
metodo_cientifico

14

até aumentou durante o Período Imperial e a
Primeira República.
O positivismo teve grande impacto na sociedade brasileira, manifestando-se no funcionamento das instituições políticas e sociais da
época. Um precioso exemplo é o lema “ordem
e progresso”, que consta na bandeira brasileira.
Na educação, o positivismo manifestou-se “no conteúdo universalista de seu currículo
enciclopédico, na sua metodologia científica
de natureza descritiva e empírica e nas práticas prescritivas e normativas de organização e
gestão educacional” (SANDER, 2007, p.25).

1.2 A educação brasileira no
período republicano
Agora, no período republicano, como estava a educação brasileira?
Em 1920, no Brasil, organizou-se o movimento chamado Escola Nova. Naquele momento histórico, o mundo vivia um período de
crescimento industrial e de expansão urbana
e, nesse contexto, um grupo de intelectuais
brasileiros sentiu necessidade de preparar o
país para acompanhar esse desenvolvimento.
A educação era percebida por eles como
o elemento-chave para promover a remodelação requerida. Inspirados nas ideias político-filosóficas de igualdade entre os homens e do
direito de todos à educação, esses intelectuais
viam num sistema estatal de ensino público livre e aberto o único meio efetivo de combate

às desigualdades sociais da nação. Denominado de Escola Nova, o movimento ganhou impulso na década de 30, após a divulgação do
Manifesto da Escola Nova (1932). Nesse documento, defendia-se a universalização da escola pública, laica e gratuita.
Compreenda melhor o que significou o
movimento denominado Escola Nova e o Manifesto dos Pioneiros no glossário ao lado.
O pensamento vigente, na administração
da educação brasileira, no período republicano,
divide-se, segundo Sander (2007), em quatro
fases: organizacional, comportamental, desenvolvimentista e sociocultural. Cada uma delas
revelava um modelo de gestão específico.
Vamos analisar cada uma destas fases?

a) Fase organizacional:
início do século XX, desde a Primeira Guerra Mundial até a Revolução de 1930.
Caracterizou-se como um período de grande
efervescência pol ítica e intelectual. Esse movimento manifestou-se, também, na educação,
tendo como principais consequências a fundação da Associação Brasileira de Educação
(ABE), em 1924, e o Manifesto dos Pioneiros da
Escola Nova, em 1932. Esses movimentos foram determinantes para a gestão da educação
nacional, impulsionando a promulgação, em

1961, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional, LDB 4024/61. Destacaram-se nessa
época, entre outros, Anísio Teixeira, Querino
Ribeiro e Lourenço Pinto. (SANDER, 2007)
Nessa fase, a gestão da educação teve grande interferência dos princípios da administração
clássica, assumindo “características de um modelo-máquina preocupado com a economia, a produtividade e a eficiência” (SANDER, 2007, p. 30).
Apresentaremos, a seguir, um elenco das
principais características da LDB 4024/61 que

Ciências Sociais - Estrutura e Funcionamento do Ensino Fundamental e Médio
foram determinantes para a gestão da educação brasileira:
• obrigatoriedade de matrícula nos quatro
anos do ensino primário (Art. 30);
• formação do professor para o ensino primário no ensino normal de grau ginasial
ou colegial (Art. 52 e 53);
• ano letivo de 180 dias (Art. 72);
• ensino religioso facultativo (Art. 97);

• maior autonomia aos órgãos estaduais,
diminuindo a centralização do poder no
MEC (Art. 10);
• empenho de 12% do orçamento da
União e 20% dos municípios com a educação (Art. 92);
• regulamentação da existência dos Conselhos Estaduais de Educação e do Conselho Federal de Educação (Art. 8 e 9).

glossário

b) Fase comportamental
a Segunda Guerra Mundial manifestou,
também no Brasil, a reação que já acontecia
em outros países contra os princípios e práticas da escola clássica da administração, resgatando a sua dimensão humana. Essa fase tem
como marco inicial a expansão do movimento
psicossociológico das relações humanas, deflagrado com os estudos de Hawthorne, que
foram desenvolvidos entre 1924 e 1927, e que
fundamentaram as bases teóricas da construção comportamental de administração.
Sander destaca que, a partir daí, “instalou-se,
assim, o reinado dos psicólogos e psicólogos
sociais no estudo do comportamento administrativo no setor público, na empresa e na educação”.(2007, p. 37)
Sander (2007, p. 39) afirma que “na realidade, a aplicação da psicologia à organização
e administração do ensino remonta ao psicologismo pedagógico do início do século XIX,

protagonizado por Pestalozzi e Froebel, os
quais postularam que a educação deve levar
em conta a realidade psicológica do educando
com todas as exigências do seu mundo subjetivo”.
Os ensinamentos da sociologia da educação vieram ainda contribuir e influenciar as
concepções da gestão da educação. A integração entre a psicologia e a sociologia deu
origem à psicologia social, que influenciou os
estudos da administração da educação.
Nesse período, foi intenso o movimento
para superação da utilização dos estudos da
administração na área educacional, destacando-se uma perspectiva pedagógica. Essa percepção se manifesta na gestão da educação,
em que o principal compromisso passa a ser
com a “consecução eficaz dos objetivos intrínsecos do sistema educacional e de suas escolas e universidades” (SANDER, 2007, p. 42-43).

c) Fase desenvolvimentista
surge com a denominada “administração
para o desenvolvimento”, período de reconstrução econômica nas décadas de 1950-1960,
resultante das consequências da Segunda
Guerra Mundial e decorrente da necessidade
de organizar e administrar os serviços de assistência e ajuda financeira no período pós-guerra. 
No que se refere à educação, o enfoque
desenvolvimentista também se inseriu no movimento internacional da economia da educação, em que se destacam as áreas de recursos
humanos, teorias do capital humano e investimentos no ser humano, numa compreensão
de que a educação é fator estratégico para o

desenvolvimento econômico.
O otimismo pedagógico, até então vigente, entra em crise diante da constatação de
que os investimentos, na área da educação,
não haviam alcançado os resultados esperados na economia e no progresso tecnológico.
Tedesco (1987, p. 85-86) afirma que “o sistema
educacional deixou de ser concebido como
alavanca e motor de transformação, e o otimismo pedagógico, que concebia a educação e o
professor como fontes de progresso, transformou-se em pessimismo e desilusão”.
Essa realidade impôs a necessidade de se
reavaliar o papel da educação nos aspectos
econômicos, políticos e culturais.

Escola Nova: A “escola
nova”, “escola ativa” ou
“escola progressiva” foi
um movimento próprio
do século XX, mas que
se inspirou em pedagogos e filósofos do
século XVIII e XIX como
Rousseau (1712-1778),
Pestalozzi (1746–1827),
Froebel (1782–1852),
Nietzsche (1844-1900),
Tolstoi (1828-1910),
William James (18421910) etc. Este movimento foi iniciado na
Europa e nos Estados
Unidos na transição
dos séculos XIX para o
XX. Na Europa, foi defendido, entre outros,
por Edouard Claparède
(1873-1940) e Maria
Montessori (1870-1952).
Nos Estados Unidos
John Dewey (18591952) e William Kilpatrick (1871-1965) foram
seus principais advogados. A “educação nova”
privilegia a criança
como indivíduo. Essa
educação surge como
resultado de um novo
sentimento dos adultos
em relação às crianças,
que merecem cuidados
especiais. (Aranha,
1996)

15

UAB/Unimontes - 6º Período

d) Fase sociocultural
ao contrário da fase desenvolvimentista, anteriormente vigente, a fase sociocultural
desenvolve-se a partir dos ensinamentos das
ciências sociais.
Paulo Freire, expoente da pedagogia libertadora, foi um dos representantes desse
período, disseminando, por meio de seus estudos, a reflexão a respeito das relações de dominação e dos ideais de libertação que ainda
se manifestavam nas relações econômicas e

nas políticas internacionais.
A eficiência da administração, inclusive
a educacional, determinava-se fundamentalmente pela atuação de um conjunto de fatores – políticos, sociológicos e antropológicos.
Essa compreensão disseminou-se, também, no
meio acadêmico, onde os cursos de pós-graduação em educação desenvolveram suas discussões voltadas para área de política e gestão
da educação.

1.3 A educação no Brasil
contemporâneo

dicas
Para entender o Manifesto dos Pioneiros
da Educação Nova, de
1932, leia-o na integra,
acessando o site:
http://www.pedagogiaemfoco.
pro.br/heb07a.htm.
Mais a frente comentaremos sobre Paulo
Freire, mas se você estiver interessado visite:
www.paulofreire.org
e pesquise mais sobre
este grande educador.

16

E agora? Chegamos à contemporaneidade. Você consegue perceber como a educação
é influenciada pelos acontecimentos políticos,
econômicos e sociais? Vamos lá então.
A história da educação brasileira, na contemporaneidade, também participou e sofreu
a interferência de inúmeros movimentos políticos e culturais.
Em 1930, foi criado o Ministério da Educação e Saúde Pública (MESP), como um dos
primeiros atos do Governo Provisório de Getúlio Vargas, tendo como Ministro da Educação
Francisco Campos. O ministério foi responsável pela reforma que ocorreu na estrutura
do ensino brasileiro, organizando a educação
escolar, “especialmente nos níveis secundário
e universitário e na modalidade do ensino comercial, desatendendo o ensino primário e a
formação dos professores”. (LIBÂNEO, 2005, p.
135),
A Constituição Federal de 1934 delegou
ao Estado a responsabilidade de fiscalizar e regulamentar as instituições de ensino públicas
e privadas. Naquele momento histórico, até
1945, vigorava a ditadura de Getúlio Vargas,
fato que também interferia na organização da
educação brasileira. No entanto, pouco tempo depois, em 1946, a sociedade política brasileira – partidos de esquerda e progressistas
– retomou as principais discussões sobre a necessidade de melhorar e democratizar a educação brasileira.
Nossa intenção é fazer alguns recortes na
História da Educação Brasileira que possibilite
a você compreender o contexto atual, a partir
do entendimento das histórias construídas no
passado, sendo assim, algumas décadas não
serão, por nós, reportadas.

A partir da década de 1970, até meados
da década de 1990, diferentes segmentos sociais brasileiros se mobilizaram em prol da democracia efetiva, pois já se manifestavam as
novas exigências de uma sociedade impulsionada pela globalização econômica.
O contexto educacional brasileiro também sofreu essa interferência, mobilizando-se
e se transformando, muitas vezes, segundo
Sander, “numa arena de lutas em que seus diferentes atores vêm tratando de impor suas
opções políticas e suas categorias de percepção e interpretação”. (2007, p. 70-71)
Um exemplo dessa mobilização (arena de
luta) foi a manifestação ocorrida, em 1984, em
prol das eleições diretas para a presidência do
Brasil. O país e muitos de nós assistimos a uma
mobilização popular sem precedentes. Na
grande maioria das cidades e em todas as capitais brasileiras, a população manifestou seu
repúdio às eleições indiretas e exigiu o voto
direto para presidente. A maior manifestação
realizou-se em São Paulo e reuniu aproximadamente 1 milhão e 700 mil pessoas.
A concretização da democracia implica
mecanismos de tomada de decisão que, na
maioria das vezes, revelam a posição da maioria. É com essa compreensão que Machado e
Cavalcanti afirmam que “democratizar o ensino pressupõe o acesso à permanência com
êxito e à qualidade”.(2004, p. 141)
Quanto à legislação educacional, a primeira LDB – a Lei nº 4.024/61 – dispõe, reproduzindo a Constituição vigente à época, que
a União, os Estados e o Distrito Federal organizem seus sistemas de ensino (art. 11). E, ao
delimitar a abrangência destes sistemas, determina como competência da União reco-

Ciências Sociais - Estrutura e Funcionamento do Ensino Fundamental e Médio
nhecer e inspecionar as instituições de ensino
superior, particulares (art. 14) e como competência dos Estados e Distrito Federal autorizar
o funcionamento, reconhecer e inspecionar os
estabelecimentos de ensino primário e médio
não pertencentes à União (art. 16), aí incluindo,
portanto, as instituições estaduais, municipais
e privadas.
A partir da compreensão de que a delimitação dos universos de jurisdição dos sistemas
de ensino reforça muito a delimitação das áreas de competência de cada esfera de Governo,
vagamente expressas no texto constitucional
(ROMÃO, 1997, p. 26), conclui-se que, desde a
década de 1930, a educação nacional passou
a contar com uma ordenação jurídica comum. 
Saviani, (1997, p. 05) diz que até a Constituição Federal de 1988, a distribuição de competências pela educação escolar, no Brasil, atribuía à União a responsabilidade pelo ensino
superior e aos Estados e ao Distrito Federal a
responsabilidade pelos ensinos primário e secundário, ou, conforme a legislação da época,
pelo ensino de 1º e 2º graus.
Portanto os Municípios não tinham uma
esfera de competência própria (JUSTO, 1988,
p. 20). Até a Constituição de 1988 o ensino
municipal era considerado um “subsistema”
que se vinculava ao sistema estadual. O Estado repartia com o Município a responsabilidade pelo ensino fundamental numa relação
em que o Município desempenhava um papel
suplementar, praticamente excluído das decisões normativas (BEDÊ apud ARELARO, 1997, p.
5).
Apesar disto, sempre se estendeu aos
Municípios a obrigatoriedade da aplicação de
percentuais mínimos da receita de impostos
em educação.
Segundo a Constituição de 1946, art. 169,
a União deveria aplicar nunca menos de dez
por cento e os Estados, o Distrito Federal e os
Municípios, nunca menos de vinte por cento
da renda resultante de impostos em manutenção e desenvolvimento do ensino.
Eliminada pela Constituição de 1967, esta
vinculação de recursos para educação foi, entretanto, reintroduzida apenas para os Municípios pela Emenda Constitucional nº 1 de 1969,

de fato, ao dispor sobre a intervenção dos Estados nos Municípios. O art. 15, § 3º institui, na
alínea “f”, que estes últimos deveriam aplicar,
em cada ano, pelo menos vinte por cento da
receita tributária municipal no ensino primário.
Em 1983, a Emenda Calmon acrescentou
o § 4º ao art. 176 da Constituição de 1969, estabelecendo que, anualmente, a União deveria aplicar nunca menos de treze por cento e
os Estados, o Distrito Federal e os Municípios
vinte e cinco por cento, no mínimo, da receita
resultante de impostos, na manutenção e desenvolvimento do ensino.
Como se observa, não só sempre se estendeu aos Municípios a vinculação de recursos para educação como, em 1969, somente
a eles foi atribuída esta obrigação. Em consequência, apesar de não existir, antes de 1988,
uma esfera de competência própria dos Municípios, esses já desempenhavam papel suplementar aos Estados, especialmente em relação
ao oferecimento do ensino de 1º grau. Brasil
(1983)
A primeira referência legal à responsabilidade dos Municípios encontra-se na Reforma
de Ensino – Lei nº 5.692/71. Ao lado dos sistemas de ensino da União, dos Estados e do
Distrito Federal previstos na Lei nº 4.024/61 e
da destinação de recursos para a educação
no âmbito dos Municípios (art. 59 da Lei nº
5.692/71). 
A Reforma de 1971 previu que legislação
supletiva disporia sobre a responsabilidade do
Estado e dos seus Municípios no desenvolvimento dos diferentes graus de ensino (art. 58)
e, no parágrafo único deste mesmo dispositivo, previa a progressiva passagem para a responsabilidade municipal dos encargos e serviços da educação, especialmente do 1º grau.
A partir da década de 70, intensificou-se,
no Brasil, a municipalização do ensino, atingindo principalmente as regiões mais pobres do
país. Muitas vezes, a municipalização decorreu
de iniciativas dos Estados mais com o objetivo
de diminuir seus gastos do que inserida em
uma política de melhoria da qualidade do ensino Haguette (s/d, p. 4).

glossário
Manifesto da Escola
Nova: ou Manifesto dos Pioneiros da
Educação Nova. Foi um
documento elaborado
e assinado pelos mais
destacados expoentes do movimento de
renovação do ensino
e vinha, num primeiro
momento, responder
a uma solicitação do
Governo Provisório,
que buscava subsídios
para sua política educacional. Divulgado em
1932 é um documento
dirigido ao povo e ao
governo. Seu texto
define, de forma clara,
seus pressupostos e
se apresenta com o
propósito de superar
o empirismo das reformas parciais efetuadas.
O documento diagnostica a situação precária
do ensino no país como
decorrência da falta de
organização das escolas e reforça a ideia da
necessidade de dotar
a escola e, consequentemente, o sistema de
ensino, de estrutura
burocrática consoante
com os propósitos
estabelecidos para a
educação escolarizada
nessa nova fase de desenvolvimento do país.
(Aranha, 1996)

1.3.1 Constituição Federal de 1988
Considerando a legislação anterior (constituições e leis de diretrizes e bases nacionais)
no art. 211 da CF (Constituição Federal) de
1988, encontram-se as seguintes novidades:
1ª – a organização dos sistemas Municipais de ensino, ao lado dos sistemas da União,

dos Estados e do Distrito Federal (caput);
2ª – a organização dos sistemas de ensino
em regime de colaboração (caput);
3ª – a atuação prioritária dos Municípios
no ensino pré-escolar e fundamental (§ 2º).

17

UAB/Unimontes - 6º Período

glossário
Otimismo pedagógico:
A partir de 1920,
engendra-se no campo
educacional brasileiro
o movimento eufórico
que fora denominado
"Otimismo Pedagógico". Esse movimento
desencadeou por todo
o país uma série de
reforma do ensino em
nível estadual, restritas,
portanto, aos ensinos
primário e normal,
visto que o ensino
superior estava a cargo
do governo federal e
o secundário não passava de uma rede de
cursos preparatórios.
Podemos destacar, com
efeito, quatro reformas
que foram fundamentais no delineamento
do ensino público
no Brasil: a primeira,
em 1920, no Estado
de São Paulo, tendo
como mentor o ilustre
advogado Antônio
de Sampaio Dória; a
segunda, em 1922,
no Ceará, realizada
por Lourenço Filho;
a terceira, em 1927,
implantada em Minas
Gerais, por Francisco
Campos e, por último,
em 1928, no Distrito
Federal, por Fernando
Azevedo. (CAVALCANTE, Francisco Leonardo
dos Santos, 2004,
Disponível em http://
www.conteudoescola.
com.br/site/content/
view/118/42/1/1/. Acesso em 03 de agosto

18

Na Assembléia Nacional Constituinte, a
municipalização do ensino constitui-se em
tema polêmico, em relação ao qual se opunham duas posições radicais: definir a responsabilidade da União pelo 3º grau, dos Estados
pelo 2º grau e dos Municípios pelo 1º grau ou
manter a responsabilidade dos Estados pelo 1º
e 2º graus.
Como resultado, no texto constitucional
não há, como nas Constituições anteriores, a
definição clara de competências, e o debate
continuou a ser defendido a partir de diferentes interpretações do disposto no § 2º do art.
211 da Constituição Federal. Para os defensores da municipalização, os Municípios passavam a ser os responsáveis ou, ao menos, os
principais responsáveis pelo 1º grau. Para os
contrários à municipalização, a atuação prioritária dos Municípios, na oferta do ensino
fundamental, não implicava a supressão da
responsabilidade principal dos Estados pela
oferta desse nível de ensino. Abreu (1998)
A indefinição do texto constitucional refletia, na verdade, a impossibilidade de se de-

finir no âmbito nacional, uma distribuição de
competências entre Estados e Municípios, ou
seja, em relação à oferta da educação escolar,
notadamente do ensino fundamental, face à
extrema diferenciação entre as regiões brasileiras quanto à capacidade de arrecadação
tributária e de investimento na educação dos
entes federados e quanto às suas diferentes
participações historicamente construídas na
oferta do ensino.
Em consequência, a Constituição de 1988
optou por não atribuir a responsabilidade pelo
ensino fundamental exclusivamente aos Estados ou aos Municípios. Na verdade, o conflito
presente na Constituinte, entre a posição favorável e a contrária à chamada municipalização do ensino de 1º grau, foi mediado pela
introdução, no texto constitucional, do regime
de colaboração. Através dele, no caminho já
apontado pela Lei nº 5.692/71, em cada Unidade Federada, Estados e Municípios devem delimitar a responsabilidade concorrente a eles e
atribuída pela Magna Carta em relação à oferta do ensino fundamental. Abreu (1998)

1.3.2 Emenda Constitucional nº 14/96 
A Constituição de 1988 não explicita, de
forma coerente, as responsabilidades e competências de cada uma das esferas do Poder
Público. Daí, o Governo Federal apresentar
como um dos objetivos da Proposta de Emenda Constitucional enviada ao Congresso em
1996, a definição clara de responsabilidades
dos diferentes níveis da população no que se
refere à obrigatoriedade da educação fundamental.
No art. 211 do texto constitucional, a
Emenda Constitucional nº 14 altera a redação
do parágrafo primeiro, relativo às atribuições
da União e acrescenta os parágrafos terceiro
e quarto, relativos, respectivamente, à área de
atuação prioritária dos Estados e à colaboração entre Estados e Municípios em relação ao
ensino obrigatório. Abreu (1998)
Segundo Abreu, (1998) o novo texto constitucional, emendado em 1996, utiliza-se da
mesma linguagem – atuação prioritária – para
a definição das responsabilidades de Estados
e Municípios. Tanto no artigo 211, como na
emenda constitucional o ensino fundamental
é colocado em primeiro lugar na sentença: antes da educação infantil, no caso dos Municípios e antes do ensino médio, para os Estados.
Abreu (1998)
Em segundo lugar, o parágrafo quarto
trata de explicitar o que estava implícito: a universalização do ensino obrigatório, ou seja, do

ensino fundamental deve ser assegurada, em
conjunto, pelos Estados e pelos Municípios
que, para isso, define formas de colaboração
entre seus sistemas de ensino. (ABREU, 1998)
A Emenda Constitucional nº 14/96 substitui, na redação do parágrafo segundo do art.
211, o ensino pré-escolar pela educação infantil, desta forma procedendo à adequação do
texto da Constituição ao debate educacional
desenvolvido no país.
Após 1988 e consubstanciado na nova
LDB nº 9394/96 que, por coerência com o disposto no art. 208, inciso VI, do texto de 1988,
institui a educação infantil como a que atende
crianças, até seis anos de idade, em creches
(até três anos) e pré-escolas (de quatro a seis
anos de idade) (Callegari & Callegari, 1997, p.
16). Entretanto, igual adequação não foi encaminhada no art. 30, inciso VI, da Constituição
Federal de 1988, segundo o qual cabe ao Município manter, com a cooperação técnica da
União e do Estado, programas de educação
pré-escolar e de ensino fundamental. Abreu
(1998)
Ao mesmo tempo, ao constituir uma subvinculação para o ensino fundamental dos recursos vinculados à manutenção e desenvolvimento do ensino pelo art. 212 da Constituição
Federal, a Emenda Constitucional nº 14/96,
na nova redação do art. 60 do ADCT (Ato das

Ciências Sociais - Estrutura e Funcionamento do Ensino Fundamental e Médio
Disposições Constitucionais Transitórias), determina igual percentual de recurso dos Estados e dos Municípios para este nível de ensino.
Abreu (1998)
No que se refere à União, a Emenda Constitucional nº 14/96 promove alterações na redação do parágrafo primeiro do art. 211, de
forma a tornar o texto mais preciso. Em primeiro lugar, diferencia a atribuição da União
de organizar o sistema federal de ensino e o
dos Territórios da atribuição de financiar as
instituições públicas federais. O texto constitucional de 1988, ao atribuir à União a responsabilidade de organizar e também financiar o
sistema federal de ensino, deixava margem a
uma interpretação equivocada sobre o papel
do Governo Federal em relação às instituições
de ensino privadas que integram o seu sistema de ensino. Abreu (1998)
Em terceiro lugar, o texto constitucional
emendado em 1996 explicita a função redistributiva e supletiva da União em matéria educacional e acrescenta que o objetivo da União,
ao exercer esta função, será o de “garantir a

equalização de oportunidades educacionais
e padrão mínimo de qualidade de ensino”.
Abreu (1998)
Em quarto lugar, repete o texto de 1988
ao estabelecer que a função redistributiva e
supletiva da União será implementada através de “assistência técnica e financeira aos
Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios”.
Abreu (1998)
Daí, para falar de estrutura e funcionamento do ensino fundamental e médio é necessário recorrer à fala da Secretária de Educação Básica, Maria do Pilar Lacerda em 2008
que apresenta “A educação básica é o caminho para assegurar a todos os brasileiros a formação comum indispensável para o exercício
da cidadania e fornecer-lhes os meios para
progredir no trabalho e em estudos posteriores.” Para isso, temos dois documentos norteadores da Educação Básica brasileira: A Lei de
Diretrizes e Bases nº 9394/96 de 20/12/1996 e
Plano Nacional de Educação Lei nº 10.172/2001
regidos naturalmente pela Constituição da República Federativa do Brasil.

1.4 Conclusão
Nesta Unidade nós discutimos:
Sobre o processo histórico da educação
brasileira, tomando como ponto principal a
legislação educacional antes e durante o período republicano até chegarmos à organização
da educação nacional através da nova Constituição do Brasil em 1988.
No Brasil, as concepções de gestão da
educação e administração pública vigentes
resultam de uma construção histórica, influenciada pela tradição jurídica que caracterizou o
Período Colonial, marcado pelas orientações
e práticas resultantes das correntes filosófica,
positivista e funcionalista. Para melhor compreender os processos que envolvem a legalização e administração da educação brasileira,
é de fundamental relevância identificar aspectos e características dos três grandes momentos históricos: Brasil Colônia, Brasil República e
Brasil Contemporâneo.
A Educação no Brasil Colônia: A organização e administração da educação durante o
período colonial apresentam a influência das
correntes escolástica e positivista, mas fundamentalmente manifesta um enfoque jurídico,
fundamentado no direito romano, que era interpretado de acordo com o código napoleônico. A educação, durante o Período Colonial
era um tema de pouca importância para os
colonizadores portugueses e para a popula-

ção que habitava o país, resultando na pouca
atenção aos processos relacionados à sua administração.
A Educação Brasileira no Período Republicano: O pensamento vigente na administração
da educação brasileira no período republicano
divide-se, segundo Sander (2007), em quatro
fases: organizacional, comportamental, desenvolvimentista e sociocultural. Cada um delas
revelava um modelo específico de gestão.
A Educação no Brasil Contemporâneo: A
história da educação brasileira na contemporaneidade também participou e sofreu a interferência de inúmeros movimentos políticos
e culturais. Em 1930, foi criado o Ministério da
Educação e Saúde Pública (MESP). A Constituição Federal de 1934 delegou ao Estado a
responsabilidade de fiscalizar e regulamentar
as instituições de ensino públicas e privadas.
Naquele momento histórico, até 1945, vigorava a ditadura de Getúlio Vargas, fato que também interferia na organização da educação
brasileira. No entanto, pouco tempo depois,
em 1946, a sociedade política brasileira – partidos de esquerda e progressistas – retomou
os debates sobre a necessidade de melhorar
e democratizar a educação brasileira. A partir
da década de 1970, até meados da década de
1990, diferentes segmentos sociais brasileiros
se mobilizaram em prol da democracia efetiva,

Glossário
Constituição de 1934:
Promulgada em 16 de
julho pela Assembléia
Nacional Constituinte, foi redigida "para
organizar um regime
democrático, que
assegure à Naçao, a
unidade, a liberdade,
a justiça e o bem-estar
social e econômico",
segundo o próprio preâmbulo. Ela foi a que
menos durou em toda
a História Brasileira: durante apenas três anos,
mas vigorou oficialmente apenas um ano
(suspensa pela Lei de
Segurança Nacional). O
cumprimento à risca de
seus princípios, porém,
nunca ocorreu. Ainda
assim, ela foi importante por institucionalizar
a reforma da organização político-social
brasileira — não com
a exclusão das oligarquias rurais, mas com a
inclusão dos militares,
classe média urbana
e industriais no jogo
de poder. (WIKIPÉDIA.
Enciclopédia Livre.
Disponível em http://
pt.wikipedia.org. (Acesso em 23 jul. 2009).
Constituição de 1988:
A Constituição da
República Federativa
do Brasil de 1988 é a lei
fundamental e suprema do Brasil, servindo
de parâmetro de validade a todas as demais
espécies normativas,
situando-se no topo do
Ordenamento jurídico.
É a sétima a reger o
Brasil desde a sua Independência. Apesar das
controvérsias de cunho
político, a Constituição Federal de 1988
assegurou diversas garantias constitucionais,
com o objetivo de dar
maior efetividade aos
direitos fundamentais,
permitindo a participação do Poder Judiciário
sempre que houver
lesão ou ameaça de
lesão a direitos. (WIKIPÉDIA. Enciclopédia
Livre. Disponível em
http://pt.wikipedia.org.
Acesso em 23 jul.2009)

19

UAB/Unimontes - 6º Período

dicas
Para conhecer a Emenda Constitucional nº
14/94, acesse o site:
http://www.planalto.
gov.br/ccivil.../Emendas/.../emc14.htm

glossário
Função redistributiva
e supletiva:
O Art. 211 da CF/88
destaca que a União
tem, “em matéria
educacional, função
redistributiva e supletiva, de forma a garantir
equalização de oportunidades educacionais
e padrão mínimo de
qualidade do ensino
mediante assistência
técnica e financeira aos
Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios”
(BRASIL, 1988). Através
desta função fixada
à União, a Constituição Federal procura
a equalização das
oportunidades educacionais, tendo em
vista as desigualdades
regionais, a carência
de recursos financeiros
ou mesmo técnicos
nos demais sistemas
estaduais e municipais.
Castro (1998)

pois já se manifestavam as novas exigências
de uma sociedade impulsionada pela globalização econômica.
A Constituição Federal de 1988, a Lei de
Diretrizes e Bases de 1996 e o Plano Nacional

de Educação, Lei nº 10.172/2001, são os documentos norteadores da Educação Básica brasileira. Através deles está estruturado todo o
funcionamento fundamental e médio, além da
educação infantil e da educação superior.

Referências
ABREU, Mariza, Organização da Educação Nacional na Constituição e na LDB. Ijuí: UNIJUÍ,
1998.
ARANHA, M.L. História da Educação. 2 ed.rev. São Paulo: Moderna, 1996.
ARELARO, Lisete Regina Gomes. Concepção de Sistema de Ensino no Brasil e competências
legais do Sistema Municipal. Brasília, 1997. (Mimeo).
BRASIL. Emenda Constitucional Nº 24 (Estabelece a obrigatoriedade de aplicação anual, pela
União, de nunca menos de treze por cento, e pelos Estados, Distrito Federal e Municípios, de, no
mínimo, vinte e cinco por cento da renda resultante dos impostos, na manutenção e desenvolvimento do ensino.). Brasília, 1983.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil (1988). Brasília: Senado Federal, Gráfica Central, 1988.
BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei 9.394/96. Brasília: Diário Oficial de
12 de dezembro de 1996.
CALLEGARI, César; CALLEGARI, Newton. Ensino Fundamental: a Municipalização induzida. São
Paulo: Editora SENAC, 1997.
CASTRO, M. L. O. de. A educação na Constituição de 1988 e a LDB – Lei de Diretrizes e Bases da
educação Nacional. Brasília: André Quicé, 1998.
HAGUETTE, André. Parceria: o Desafio do Regime de Colaboração no Ensino Fundamental. (Mimeo).
JUSTO, Eloy Bernst. Sistemas de Ensino: concepções e aplicabilidade as novas disposições constitucionais. Conselho Estadual de Educação do RS, 1988.
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SANDER, B. Administração da educação no Brasil: genealogia do conhecimento. Brasília: Líber
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SAVIANI, Demerval. A nova lei da educação. 3ed. Campinas: Autores Associados, 1997
TEDESCO, J.C. El desafio educativo: calidad y democracia. Buenos Aires: Grupo Editor Latinoamericano, 1987.

20

Ciências Sociais - Estrutura e Funcionamento do Ensino Fundamental e Médio

Unidade 2

Estrutura e funcionamento da
educação básica
Objetivo Geral
Apresentar a legislação educacional, no período que antecede a Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional de 1996, destacando os objetivos, os princípios e fins da educação nacional
ao longo da história até a atualidade.

2.1 Legislação educacional no
Brasil
“Conhecer a legislação é um ato de cidadania e que não pode ficar restrito aos especialistas como juristas, bacharéis e advogados.” (CURY, 2000, p.16)
Como educadores precisamos conhecer
a legislação do ensino brasileiro. O que você
sabe sobre a nossa legislação? A nossa educação caminha com que base e fundamento? Vamos estudar sobre isso?
Devido à independência do Brasil, surge então a necessidade de um Sistema Educacional Brasileiro, pois o país emancipou-se
politicamente sem, contudo, ter uma forma
de organização educacional que atendesse a
esta nova realidade. Sabemos que, quando os

jesuítas foram expulsos, em 1759, das terras
brasileiras, também levaram com eles uma organização educacional que, embora atendesse
a uma minoria da população (e nós veremos
que isso continuará por um bom tempo), ainda era um referencial para a população brasileira. De acordo com Xavier (1994), somente
em 1772 houve a primeira iniciativa das autoridades públicas com a escola brasileira e, mesmo assim, restringindo-se ao ensino superior.
Após a independência, justificando os
princípios liberais e democráticos, são elaborados planos, tendo como meta uma nova política referente à instrução popular, mas, na prática, isso pouco se concretiza.

Segundo Xavier,
conforme o discurso da época, havia que se construir o “edifício instrucional”,
de que a “jovem nação” carecia para tomar finalmente os “rumos da civilização”. Mas esse processo foi marcado, desde logo, por um escandaloso desajuste entre os objetivos proclamados e o encaminhamento de projetos, assim
como entre as medidas legais definidas e as condições concretas de efetivação.
(1994, p. 61)

Ainda é possível verificar a incoerência
dos debates realizados, a época, sobre como
efetivar um sistema educacional consistente e
que atendesse à educação popular quando, na
Assembléia Constituinte e Legislativa de 1823,
são apresentados dois projetos para apreciação: o Projeto de Tratado de Educação para a
Mocidade Brasileira e o Projeto de Criação de
Universidades. Estes dois projetos na realida-

Glossário
Projeto de Tratado
de Educação para a
Mocidade Brasileira
e Projeto de Criação
de Universidades:
dois projetos elaborados em 1823 relativos
à instrução pública.
O primeiro projeto,
apresentado à Assembléia Constituinte, em
16 de junho de 1823,
objetivava “estimular
os gênios brasileiros”
a elaborar um tratado
completo de educação
física, moral e intelectual para a mocidade
brasileira e o segundo,
sugeria a criação de
universidades.
Ensino Elementar:
relativo à educação
básica (ou ensino
básico). É a designação dada ao nível de
ensino correspondente
aos primeiros anos de
educação formal.
Fonte: pt.wikipedia.org
Ensino Secundário:
O ensino secundário
ou ensino médio é um
nível de ensino cuja
denominação corresponde a um conjunto
específico de anos de
escolaridade.
Ensino Propedêutico: Ensino que serve
de introdução e que
prepara alguém para
receber, mais tarde,
ensino de nível mais
alto. “Conjunto de estudos que, como estágio
preparatório, antecede
os cursos superiores.”
(DUARTE,1986. 175 p.)

de não definiam como deveria se organizar a
educação brasileira. Eles visavam a interesses
particulares. O primeiro preocupava-se em excluir qualquer tentativa governamental para o
ensino elementar e ao segundo só interessava
a criação de duas universidades no país. Nos
dois projetos, como já afirmamos, percebia-se
o descaso em construir um sistema educacional popular e sim continuar garantindo um sis-

21

UAB/Unimontes - 6º Período

glossário
Constituição Republicana de 1891: A
elaboração da constituição brasileira de
1891 iniciou-se em
1890. Após um ano
de negociações, a sua
promulgação ocorreu
em 24 de fevereiro de
1891. Esta constituição
vigorou durante toda
a República Velha e
sofreu apenas uma
alteração em 1927.
Fonte: pt.wikipedia.org

para refletir
Sobre o PLANO NACIONAL DE EDUCAÇAO
O primeiro Plano
Nacional de Educação surgiu em 1962,
durante a vigência da
primeira LDB (Lei 4024
de 1961)
Um Decreto proposto no Governo João
Goulart, de iniciativa
do MEC e aprovado
pelo CNE, propunha
metas qualitativas e
quantitativas para a
educação num prazo
de oito anos.
Durante o período em
que os militares estiveram no poder, de 1964
a 1985, a concepção
tecnicista de educação
transformou a ideia de
um plano nacional em
instrumento de racionalidade tecnocrática.
Em 1990, no inicio
do Governo Collor,
discutiu-se internacionalmente (UNICEF,
UNESCO, PNUD, BM)
sobre um plano decenal para os nove países
mais populosos do
mundo.

22

tema de educação voltado para os interesses
da elite. Veja os significados destes termos no
quadro ao lado.
A Constituição de 1824 garantia a instrução primária a todos os cidadãos do Império
e, devido a isso, em 1826, é apresentada a proposta de criação de escolas primárias no país,
através do Projeto Januário da Cunha Barbosa
e legitimado no Decreto de 15 de outubro de
1827. Entretanto, o projeto propunha, em sua
essência, uma educação voltada para a realidade europeia e o decreto visava a transformar a instrução pública elementar em Escolas
de Primeiras Letras e não ressaltava como deveriam ser implantadas essas escolas e quais
as condições reais que o país dispunha. Xavier
(1997)
De acordo com Xavier (1997), os documentos oficiais desta época deixam claro que,
durante todo o Período Imperial, pouco se
preocupou com a criação de um sistema de
instrução nacional. Ainda com o Ato Adicional
de 1834 houve a criação de sistemas paralelos de ensino em cada província, na busca de
soluções para questões que eram centralizadas pela Coroa, anteriormente. Então começa
a ter uma preocupação com o ensino básico,
continuando o poder central responsável pelo
ensino superior. Essa medida pouco modificou
o quadro do ensino elementar, porque a verba
destinada às províncias, para custeio da instrução pública, era ínfima, insuficiente para assumir tais responsabilidades. Em consequência,
algumas raras escolas particulares, sediadas na
Corte e nas grandes cidades, ofereciam ensino
primário mais rico e consistente que o ministrado nas escolas públicas.
Apesar das iniciativas de alguns teóricos
e magistrados da época, a educação brasileira
caminhava lentamente e, com pouca evolução enquanto política educacional; o ensino
elementar era qualitativamente deficiente e
quantitativamente precário. O ensino secundário beneficiava apenas diminuta parcela
da população que buscava o ensino superior.
Foram criadas condições de expansão da rede
privada, procurando, dessa forma, suprir as
graves lacunas do ensino público provincial.
No entanto, o Império legou à República uma
tarefa imensa a ser cumprida no setor da instrução pública, agregando-se à tal tarefa a necessidade de instalação do ensino técnico comercial, agrícola e industrial, que praticamente
inexistia no Brasil. Aranha (1996).
Qual é a diferença entre ensino elementar
e ensino secundário? Pode-se dizer que, desde
o Império, com toda a precariedade dos serviços educativos, já se percebe uma dicotomia
no ensino que espelhava a realidade da socie-

dade, ou seja, o ensino propedêutico para as
elites e o ensino profissional, que visava preparar o aluno para o mercado de trabalho, era
o ensino destinado às classes pobres.
E no período Republicano, quais foram as
preocupações com a educação do povo?
No período Republicano, começa a se formar um novo perfil educacional onde se apresentam leis, decretos e atos institucionais que
propõem diretrizes e critérios para o ensino
primário, secundário e superior e tentam também normatizar o ensino agrícola e o ensino
industrial que eram mantidos com finalidades
filantrópicas e se destinavam, primeiramente, aos órfãos e desvalidos. Ressaltamos que a
Proclamação da República em 1889, apesar de
o povo simpatizar com a causa e ter o respaldo
dos intelectuais progressistas que já a reivindicavam desde a Independência, não trouxe
uma mudança significativa para a ordem econômica nacional. Aranha (1996).
A Constituição Republicana de 1891 estabeleceu uma república federativa e fez com
que o Estado assumisse, de forma definitiva, as
rédeas da educação, instituindo várias escolas
públicas de ensino fundamental e intermediário. Em relação à educação, continuou a tradicional divisão entre escola para a elite e escola
para a população menos favorecida.
Com a responsabilidade pela educação
primária e profissional delegada aos estados,
o dever de manter as escolas secundárias e superiores fica a cargo das autoridades estaduais
e federais. Isso, de acordo com Planck, traz as
seguintes consequências: 
a) o fortalecimento do papel federal na
educação superior;
b) um crescimento substancial das matrículas no ensino primário em alguns estados
relativamente ricos, como São Paulo e estagnação em outros;
c) e uma quase total falta de coordenação das políticas educacionais dos vários órgãos envolvidos no sistema educacional. Plank
(2001)
Durante a década de 1920, com a urbanização e a industrialização em desenvolvimento, tem como consequência  a pressão para
mudanças no sistema educacional. Jovens
educadores, influenciados por educadores
progressistas dos Estados Unidos e da Europa, criam a Associação Brasileira de Educação
onde publicam artigos e livros desejando uma
nova escola em todo o país. Todas estas ideias
e movimento escolanovista culminam com a
públicação do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nacional, em 1932.
Ainda em 1930, com a Revolução, o governo nacional demonstrou grande interes-

Ciências Sociais - Estrutura e Funcionamento do Ensino Fundamental e Médio
se na política social e educacional. Cria-se o
Ministério da Educação e da Saúde que se
torna um marco da ação federal no campo
educacional.
A Constituição de 1934, em seu capítulo sobre a educação, exigia que todo cidadão
tivesse direito ao ensino fundamental e seria
obrigação do Estado ofertá-lo. Surgem, portanto, as primeiras ideias de um Plano Nacional de Educação para especificar as diretrizes
curriculares e orientar as atividades dos estados e municípios..
Com o Golpe de Estado de Getúlio Vargas e o estabelecimento do Estado autoritário, muitas das iniciativas foram revertidas.
Enquanto a Constituição de 1934 estabelecia o dever do Estado de prover a educação,
agora a Constituição de 1937 colocava a obrigação no Estado de prover o ensino primário
e profissional para os “menos favorecidos”;
entretanto esta ação deveria ser realizada em
acordo com os órgãos privados, como a Igreja
Católica e só se esses órgãos não conseguissem atender, satisfatoriamente, é que o Estado
deveria intervir. Percebemos então que, nesta
Constituição, o Estado delega a outros órgãos
a obrigação que deve ser primeiramente dele.
Durante este período, sob o governo de Vargas, são criadas as redes de ensino depois do
primário, de 5ª à 8ª séries e são favorecidos
cursos profissionalizantes (formação industrial,
comercial, agrícola e magistério).
Cria-se o SENAI (Serviço Nacional de
Aprendizagem Industrial) e o SENAC (Serviço
Nacional de Aprendizagem Comercial) que deviam oferecer uma profissionalização a todos
os brasileiros que desejavam profissionalizar-se. Aranha (1996)
Em 1945, com o fim do governo autoritário, uma nova Constituição é adotada - a de
1946. Nela, os “pioneiros da educação nova”
retomam a luta pelos valores já defendidos em
1934 no qual o Estado tem como obrigação
oferecer e prover a educação a todo cidadão
brasileiro. A Constituição de 1946 obriga, também, os empresários a oferecerem educação
para os empregados e filhos dos empregados,
caso este número seja superior a cem, e restaura a determinação (ausente na Constituição de 1937) de que as autoridades públicas
federal, estadual e municipal deveriam investir percentuais de suas receitas na educação.
Contudo isso era a lei, mas cumprir esta determinação era a dificuldade.
De 1910 até 1960 podemos afirmar que
foram várias as reformas educacionais com o
objetivo de resolver os problemas principais
da educação brasileira: a quantidade e a qua-

lidade educacional. Vamos constatar, entretanto, que essas reformas significaram pouco na
conquista de auxiliar a construçao de uma escola de qualidade para todos. Podemos destacar as Reformas: Francisco Campos (1931-1932)
e Reforma Capanema (1942-1946). Consulte
http://pt.wikipedia.org onde você encontrará
informações sobre estas reformas.
Enquanto isso, desde 1946, acontecem
os intensos debates sobre a Lei de Diretrizes
e Bases (LDB). Como salienta Aranha (1996),
o percurso desse projeto é longo e muito tumultuado e se estende até 1961, data da promulgação da lei. E durante este percurso há
muitas discussões e debates sobre a descentralização do ensino; a iniciativa privada e as
obrigações do Estado; a Igreja Católica defende uma escola baseada nos princípios religiosos católicos; e os intelectuais, estudantes e líderes sindicais iniciam a Campanha em Defesa
da Escola Pública.
Em 1961, a Lei nº 4024 é promulgada após
13 anos de discussões e quando isso acontece
já se encontra ultrapassada, pois, apesar de ter
sido gestada como uma proposta avançada,
para a educação a Lei “envelhece” no decorrer dos debates e do confronto de interesses.
Destacamos os pontos principais desta Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional:
• não há alteração na estrutura do ensino,
ou seja, mantém a desarticulação entre
os ensinos primário e o médio. Entretanto
diminui-se a rigidez do sistema e propõe
a redução do número de disciplinas no
ensino secundário.
• a União dispensará recursos para a construção e reforma de prédios escolares e
equipamentos.
• cria-se o Conselho Federal de Educação
(CFE) e os Conselhos Estaduais de Educação (CEE) com a função principal de exigir
recursos financeiros do governo.
• o ensino técnico continua sem merecer
uma atenção especial e continua sendo
relegado a uma população “menos favorecida”. (LDBEN, 1961)
Após a promulgação da Lei, muitos intelectuais, políticos e líderes religiosos ficam
insatisfeitos com os resultados e intensificam
os movimentos populares em defesa de uma
escola para todos. Estes movimentos populares exigem do governo uma educação voltada
para os interesses dos educandos. Baseiam suas
propostas em aulas com peças teatrais (muitas
vezes apresentadas nas ruas);  atividades em
sindicatos e universidades; alfabetização para
a população rural e urbana marginalizada; exibição de filmes e documentários e formação de

glossário
SENAI: Serviço Nacional de Aprendizagem
Industrial é uma instituição privada brasileira de interesse público,
sem fins lucrativos,
cujo objetivo é ministrar cursos de formação
profissional de aprendizagem industrial para
indústria brasileira.
SENAC: Serviço Nacional de Aprendizagem
Comercial foi criado em
10 de janeiro de 1946
em São Paulo.É uma
instituição brasileira
de educação profissional aberta a toda a
sociedade. Através de
diferentes modalidades
de ensino a instituição
se faz presente em
mais de 1.850 municípios, capacitando para
o mundo do trabalho
cerca de 1,7 milhões de
brasileiros, a cada ano.
pt.wikipedia.org.
Constituição de 1946:
foi promulgada em 18
de setembro de 1946. A
Constituição Brasileira
de 1946, bastante avançada para a época, foi
notadamente um avanço da democracia e das
liberdades individuais
do cidadão.
Lei de Diretrizes e
Bases: Lei= normas,
regras; Diretrizes = direção, o que se deseja
alcançar; Bases= aquilo
que sustenta. Souza
(1997)
Paulo Freire: um grande educador brasileiro.
Destacou-se por seu
trabalho na área da
educação popular, voltada tanto para a escolarização como para a
formação da consciência. É considerado um
dos pensadores mais
notáveis na história da
pedagogia mundial,
tendo influenciado o
movimento chamado
pedagogia crítica.
Saiba mais no Instituto
Paulo Freire: www.
paulofreire.org

23

UAB/Unimontes - 6º Período

glossário
Golpe militar de 1964:
O Golpe Militar de 1964
designa o conjunto de
eventos ocorridos em
31 de março de 1964
no Brasil e que culminaram no dia 1º de abril
em um Golpe de Estado, que interrompeu o
governo do presidente
João Belchior Marques
Goulart, também conhecido como Jango,
que havia sido, democraticamente, eleito
vice-presidente pelo
Partido Trabalhista
Brasileiro (PTB). Depois
de muita negociação,
principalmente de
seu cunhado Leonel
de Moura Brizola, na
época governador do
Rio Grande do Sul, os
apoiadores de Jango e
a oposição acabaram
fazendo um acordo
político pelo qual se
criaria o regime parlamentarista, passando
então João Goulart a
ser chefe-de-Estado.
Em 1963, porém, houve
um plebiscito e o povo
optou pela volta do regime presidencialista.
João Goulart, finalmente, assume a presidência da República com
amplos poderes, o que
tornou aparente vários
problemas estruturais
na polÍtica brasileira
acumulados nas décadas que precederam
o golpe e disputas de
natureza internacional,
desestabilizando o
governo. O Golpe de
1964 submeteu o Brasil
a uma ditadura militar
alinhada politicamente
com os interesses dos
Estados Unidos da
América, que durou até
1985, quando, indiretamente, foi eleito o primeiro presidente civil
desde 1964, Tancredo
Neves.
Fonte: WIKIPÉDIA.
Enciclopédia Livre.
Disponível em http://
pt.wikipedia.org Acesso em 23 jul.2009.

24

líderes locais para uma melhor participação política. Destaque para o grande educador Paulo
Freire. Como já dissemos anteriormente vale a
pena pesquisar sobre este educador brasileiro.
O Golpe Militar de 1964 desarticula estes
movimentos de conscientização do povo, pois
são considerados subversivos e seus líderes
são logo penalizados através de exílios, desaparecimentos e até assassinatos.
O que este golpe realmente representou
para a educação brasileira?
A ditadura militar que tomou o poder
em 1964 afirmou a importância da educação
e buscou adaptar o sistema educacional aos
requisitos do rápido crescimento econômico. Por ser ditatorial, o regime promove uma
estreita “vigilância” no setor educacional, especialmente nas escolas de grau médio e nas
universidades. Mas o governo ainda estabeleceu um setor de planejamento de recursos
humanos e desenvolveu uma série de Planos
Nacionais de Educação voltados para uma política de incentivo à melhoria da escola pública. Entretanto lembramos que isso tudo era realizado tendo como base o terror e as ameças.
O governo militar ainda tentou promo-

ver uma reorganização da universidade brasileira (1968) e do ensino primário e secundário
(1971). Juntamente com as reformas de organização do sistema educacional, o governo
militar diminui, de forma bem significativa, a
responsabilidade dos governos estaduais e
municipais em relação à aplicação dos recursos financeiros na educação. Como já dissemos anteriormente, no governo militar são realizadas as reformas educacionais dos ensinos
superior, médio e fundamental.
A Reforma do 1º e 2º graus (ensinos fundamental e médio) acontece no período
mais crítico do governo ditatorial com a Lei
5692/71 que apresenta os pontos:
• extensão da obrigatoriedade para o 1º
grau (1ª à 8ª séries);
• não se separa mais o ensino secundário
do técnico, superando o dualismo escolar;
• superação do ensino propedêutico com a
profissionalização do ensino médio para
todos;
• as empresas devem cooperar com a educação;
• integração geral do sistema educacional:
do primário ao superior.

Para melhor compreender a Reforma do 1º e 2º graus confira as dicas do quadro a seguir:
Conheça algumas das principais características da Lei 5692 de 1971:
Foi publicada em 11 de agosto de 1971, durante o regime militar, pelo presidente Emílio
Garrastazu Médici.
Prevê um núcleo comum para o currículo de 1º e 2º graus e uma parte diversificada em
função das peculiaridades locais (art. 4)
Inclusão da educação moral e cívica, educação física, educação artística e programas de
saúde como matérias obrigatórias do currículo, além do ensino religioso facultativo (art. 7)
Ano letivo de 180 dias (art. 11)
Ensino de 1º grau obrigatório dos sete aos 14 anos (art. 20)
Educação a distância como possível modalidade do ensino supletivo (art. 25)
Formação preferencial do professor para o ensino de 1º grau, da 1ª à 4ª séries, em habilitação específica no 2º grau (art. 30 e 77)
Formação preferencial do professor para o ensino de 1º e 2º grau em curso de nível superior ao nível de graduação (art. 30 e 77)
Formação preferencial dos especialistas da educação em curso superior de graduação ou
pós-graduação (art. 33)
Dinheiro público não exclusivo às instituições públicas de ensino (art. 43 e 79)
Os municípios devem gastar 20% de seu orçamento com educação; não prevê dotação
orçamentária para a União ou os estados (art. 59)
Progressiva substituição do ensino de 2º grau gratuito por sistema de bolsas com restituição (art. 63)
Permite o ensino experimental (art. 64)
No tocante às reformas educacionais, estas, ao longo da história da educação brasileira, deixaram suas contribuições, embora ainda continuemos exigindo dos governantes uma responsabilidade maior em relação aos objetivos e metas para a educação dos brasileiros.
Na verdade, desde o início, a política educacional demonstra que a evolução do conhecimento e a aprendizagem do indivíduo estão sempre ancorados no que o Estado deseja e impõe.
Assim, o poder prevalece e a educação fica relegada ao segundo plano.
Chegamos à Constituição de 1988, também chamada de Constituição Cidadã. Esta Consti-

Ciências Sociais - Estrutura e Funcionamento do Ensino Fundamental e Médio
tuição dará início às discussões sobre uma nova LDBEN (Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional). Muitas foram as pressões e exigências para esta Constituição onde todos queriam
agora (em um período democrático) expressar a sua voz e direitos.
De acordo com Aranha os pontos mais relevantes da Constituição Federal de 1988 referente
à educação são: (www.planalto.gov.br/.../constituicao/constituição)
a)ensino público gratuito em estabelecimentos oficiais;
b)ensino fundamental obrigatório e gratuito e extensão do ensino médio;
c)oferecimento de creches e pré-escolas para crianças de zero a seis anos;
d)a educação como direito público subjetivo;
e)valorização dos profissionais do magistério e autonomia universitária;
f)estabelece a aplicação anual de recursos obtidos com impostos para a União,
estados e municípios;
g)obriga a elaboração de um plano nacional de educação que tenha como metas principais: a erradicação do analfabetismo; universalização do ensino; melhoria da qualidade do ensino com formação para o trabalho, formação humanística e tecnológica. (1996 p. 223)

A Constituição de 1988 aborda os principais problemas enfrentados na educação brasileira:
o acesso à educação e a qualidade desta educaçao. E como já afirmamos, inicia-se o debate sobre a elaboração da nova LDBEN. Contudo veremos que mesmo com a nova Lei ainda teremos
um grande caminho a percorrer na luta por uma educação de qualidade para todos os cidadãos
brasileiros.

2.2 Princípios e fins da educação
nacional na atualidade
“...pessoa, cidadania e trabalho são tres
conceitos que sintetizam os fins da educação
e até mesmo da ordem social.” (CURY, 2000,
p.28)
Depois da aprovação da Constituição de
1988, a democratização do país e a abertura
política restava agora a elaboração de uma
lei educacional que confirmasse as mudanças
agora exigidas. A lei anterior, a LDBEN 5692/71
já não atendia aos desejos e necessidades explicitadas na nova Constituição. Então inicia-se, a partir de 1988, a preocupação com a
nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.
A nova Lei de Diretrizes e Bases da Educaçao Nacional, sancionada em 1996  retoma os
princípios e bases da Lei 5692/71 adaptando-se ao novo contexto social, uma vez que a
anterior caracterizou-se pela centralização de
decisões, excesso de burocratização e autoritaritarismo visto que a referida Lei foi elaborada durante a ditadura militar.
Esta nova LDB de nº 9394 de 20 de dezembro de 1996 é marcada pela flexibilidade,
principalmente em relação à Educação Básica,
oferecendo autonomia aos estados, municí-

glossário
Lei 5692/71: Fixa as Diretrizes e Bases para o
ensino de 1° e 2º graus,
e é revogada pela Lei
9394/96.
Direito público
subjetivo: É o direito
intrínseco da pessoa,
ou seja, pertence ao
indivíduo a manifestação de postular ou
reivindicar um direito
a um serviço, atendimento, reclamação de
conduta e outros feitos
negativos cometidos
por representantes do
Poder Público. 
Fonte: WIKIPÉDIA.
Enciclopédia Livre.
Disponível em http://
pt.wikipedia.org Acesso em 23 jul.2009.

pios e procurando respeitar as diferenças entre as localidades urbanas e rurais.
Esta Lei, entretanto, é também considerada uma síntese contraditória de diferentes
projetos politicos e pedagógicos que, por oito
anos, se confrontaram em diversas instâncias
da sociedade civil e principalmente no Congresso Nacional. Foram oito anos de idas e
vindas do projeto até tornar-se lei. Muito do
texto foi modificado a partir do projeto inicial.
Ora o texto foi acusado por ser muito idealista,
ora por ser vago demais e até por privilegiar o
poder Executivo, dispensando a participação
ativa da sociedade.
De acordo com a Constituição de 1988
(art. 205) e a LDB de 1996 (art. 2º), a educaçao
tem por finalidade o pleno desenvolvimento
do educando, seu preparo para o exercício da
cidadania e sua qualificação para o trabalho.
Esses objetivos já se encontravam na Lei da
Reforma do Ensino de 1971 em seu artigo 1º. A
atual Lei de Diretrizes e Bases acrescenta ainda
que a educação deve ser inspirada nos principios de liberdade e nos ideais de solidariedade
humana.

25

UAB/Unimontes - 6º Período

glossário
Artigo 206 da Constituição Federal de
1988: Trata dos princípios da educação brasileira, também contemplados na LDB 9394/96.
(BRASIL, Constituição
Federal, 1988)

para refletir
Principais características da LDB 9394/96
que diferenciam das
anteriores.
Gestão democrática
do ensino público e
progressiva autonomia
pedagógica e administrativa das unidades
escolares (art. 3 e 15).
Ensino fundamental
obrigatório e gratuito
(art. 4)
Carga horária mínima
de oitocentas horas
distribuídas em duzentos dias na educação
básica (art. 24)
Prevê um núcleo comum para o currículo
do ensino fundamental
e médio e uma parte
diversificada em função das peculiaridades
locais (art. 26)
Formação de docentes
para atuar na educação
básica em curso de
nível superior, sendo
aceito para a educação
infantil e as quatro
primeiras séries do
fundamental formação
em curso Normal do
ensino médio (art. 62)
Formação dos especialistas da educação
em curso superior de
pedagogia ou pós-graduação (art. 64)
A União deve gastar
no mínimo 18% e os
estados e municípios
no mínimo 25% de seus
respectivos orçamentos na manutenção e
desenvolvimento do
ensino público (art. 69)
Dinheiro público pode
financiar escolas comunitárias, confessionais e
filantrópicas (art. 77)
Prevê a criação do
Plano Nacional de
Educação (art. 87)

26

Vamos então falar dos Princípios e Fins da Educação Nacional segundo a Lei em vigor: a LDBEN 9394/96.
Art. 2º A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua
qualificação para o trabalho.
Art. 3º O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:
I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber;
III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas;
IV - respeito à liberdade e apreço à tolerância;
V - coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;
VI - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
VII - valorização do profissional da educação escolar;
VIII - gestão democrática do ensino público, na forma desta Lei e da legislação
dos sistemas de ensino;
IX - garantia de padrão de qualidade;
X - valorização da experiência extra-escolar;
XI - vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais.

De acordo com o artigo 2º da LDB, a educação é dever da família e do Estado. Embora
no texto da Constituição de 88, em seu artigo
205, fica evidente que a educação é dever do
Estado e posteriormente da família.
A educação é uma função da família e do
Estado e sendo assim todos somos responsáveis por ela quer seja das crianças, dos jovens
dos adultos e idosos que não tiveram acesso
à educação escolar em idade correspondente.
Podemos dizer que a sociedade é co-responsável pela educação e deve cobrar do poder
público este direito assegurado a todo cidadão brasileiro.
Continuando, o 2º artigo da LDB 9394/96
trata ainda de três assuntos: dever de educar
(dever da família e do Estado), princípios inspiradores da educação (inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade
humana), e fins da educação (pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o
exercício da cidadania e sua qualificação para
o trabalho). Estes três assuntos ou pontos fundamentais dos princípios e fins da educação
nacional referem-se ao ponto primordial que

nossa educação deve alcançar: o preparo para
o mercado de trabalho, mas também para a cidadania. 
Segundo Souza e Silva, (1997, p.9) tanto o
ensino fundamental, como o médio e o superior não devem medir esforços para atender o
educando, proporcionando o seu autodesenvolvimento como ser humano e instrumentando-o para o trabalho (o seu meio de sobrevivência) e o exercício da cidadania (meio de
sobreviver-se em uma sociedade politicamente organizada).
Já o artigo 3º expõe, trás os onze princípios que devem reger a organização no país
e deste destacamos dois itens principais: a
afirmação de valores ligados aos ideais de liberdade, igualdade, tolerância e pluralismo
ideológico; e a definição de políticas para fortalecimento entre as relações: família, escola
sociedade e trabalho. Isso também se repete
no artigo 206 da Constituição Federal de 1988
o qual deu origem aos princípios da LDB.
Vamos nessa oportunidade conhecer
algumas características que diferem a LDB vigente das anteriores.

2.3 Objetivos da educação básica
à luz da legislação vigente
Conforme o Plano Nacional de Educação,
o ensino fundamental é obrigatório e gratuito
e garantido na Constituição Brasileira. O artigo
208 da Constituição Federal garante isso inclusive para todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria e diz ainda que se o Poder
Público não o oferecer implica em responsabi-

lidade da autoridade competente. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional também
ressalta em seu artigo 32 que o ensino fundamental tem que oferecer uma educação que
garanta o pleno domínio da leitura e da escrita, além de condições para o desenvolvimento
da capacidade de aprender e de se relacionar

Ciências Sociais - Estrutura e Funcionamento do Ensino Fundamental e Médio
no meio social e político. O Plano Nacional
de Educação apresenta a realidade do Ensino
Fundamental do Brasil dizendo que “existe
hoje, no Brasil, um amplo consenso sobre a
situação e os problemas do ensino fundamental. As matrículas do ensino fundamental brasileiro superam a casa dos 35 milhões, número
superior ao de crianças de 7 a 14 anos, representando 116% dessa faixa etária. Isto significa
que há muitas crianças matriculadas no ensino
fundamental com idade acima de 14 anos. Em
1998, tínhamos mais de oito milhões de pessoas nesta situação. (BRASIL, Lei nº 10.172/2001).
A exclusão da escola de crianças na idade própria, seja por descaso do Poder Público,
seja por omissão da família e da sociedade, é
a forma mais perversa e irremediável de exclusão social, pois nega o direito elementar de cidadania, reproduzindo o círculo da pobreza e
da marginalidade e alienando milhões de brasileiros de qualquer perspectiva de futuro.
A consciência desse fato e a mobilização
social que dela decorre têm promovido esforços coordenados das diferentes instâncias do
Poder Público que resultaram numa evolução
muito positiva do sistema de ensino fundamental como um todo, em termos tanto de
cobertura quanto de eficiência.
O Plano Nacional de Educação ainda diz
que, considerando-se o número de crianças de
7 a 14 anos matriculadas no ensino fundamental, o índice de atendimento dessa faixa etária (taxa de escolarização líquida) aumentou,
de 86% para cerca de 91% entre 1991 e 1996.
O Plano destaca o seguinte: “O progresso foi
impressionante, principalmente se tomarmos
os dados já disponíveis de 1998: taxa bruta
de escolarização de 128% e líquida, de 95%. A
taxa de atendimento subiu para 96%, na faixa
de 7 a 14 anos. As diferenças regionais estão
diminuindo, pois nas regiões Norte e Nordeste
a taxa de escolarização líquida passou a 90%,
portanto aproximando-se da média nacional.
Em 1998, o ensino privado absorvia apenas
9,5% das matrículas, mantendo a tendência
decrescente de participação relativa”. (BRASIL,
Lei nº 10.172/2001).
Se considerarmos, por outro lado, o número de crianças de 7 a 14 anos efetivamente
matriculadas em algum nível de ensino, o que
inclui algumas que estão na pré-escola, outras
que frequentam classes de alfabetização, além
de uma parcela muito reduzida que já ingressou no ensino médio, o atendimento é ainda
maior e o progresso igualmente impressionante: entre 1991 e 1998, essa taxa de atendimento cresceu de 91,6% para 95%, o que está
muito próximo de uma universalização real do
atendimento. (BRASIL, Lei nº 10.172/2001).

O PNE indica também um grave problema ocorrido no ensino fundamental: a distorção idade-série. Essa provoca um verdadeiro
inchaço nas escolas de ensino fundamental.
Segundo o PNE a distorção idade-série é consequência dos altos índices de reprovação. “De
acordo com o censo escolar de 1996, mais de
46% dos alunos do ensino fundamental têm
idade superior à faixa etária correspondente
a cada série. No Nordeste essa situação é mais
dramática, chegando a 64% o índice de distorção. Esse problema dá a exata dimensão do
grau de ineficiência do sistema educacional do
País: os alunos levam em média 10,4 anos para
completar as oito séries do ensino fundamental”. (BRASIL, Lei nº 10.172/2001).
Tomando como referência apenas as
crianças de 14 anos, verificamos que, em 1998,
dos 3,5 milhões de adolescentes nessa faixa
etária, apenas cerca de 622 mil frequentavam
a 8ª série do ensino fundamental. Além de indicar atraso no percurso escolar dos alunos,
o que tem sido um dos principais fatores de
evasão, a situação de distorção idade-série
provoca custos adicionais aos sistemas de ensino, mantendo as crianças por período excessivamente longo no ensino fundamental.
A correção dessa distorção abre a perspectiva
de, mantendo-se o atual número de vagas,
ampliar o ensino obrigatório para nove séries,
com início aos seis anos de idade. Esta medida é importante porque, em comparação com
os demais países, o ingresso no ensino fundamental é relativamente tardio no Brasil, sendo
de seis anos a idade padrão na grande maioria
dos sistemas, inclusive nos demais países da
América Latina. Corrigir essa situação constitui
prioridade da política educacional.
Tendo em vista este conjunto de dados
e a extensão das matrículas no ensino fundamental, é surpreendente e inaceitável que ainda haja crianças fora da escola. O problema da
exclusão ainda é grande no Brasil. De acordo
com a contagem da população, realizada pelo
IBGE em julho de 1996, são cerca de 2,7 milhões de crianças de 7 a 14 anos fora da escola,
parte das quais nela já esteve e a abandonou.
Uma parcela dessa população pode ser reincorporada à escola regular e outra precisa ser
atingida pelos programas de educação de jovens e adultos. (BRASIL, Lei nº 10.172/2001).
A existência de crianças fora da escola e
as taxas de analfabetismo estão estreitamente
associadas. Onde há criança fora da escola costuma-se haver um grande número de adultos
analfabetos.
Na maioria das situações, o fato de ainda
haver crianças fora da escola não tem como
causa determinante o déficit de vagas, está

dicas
A autonomia das escolas tem seu fundamento na exigência ética de
que a ação educativa
não se reduza ao mero
cumprimento de horários e de execução de
tarefas determinadas
por órgãos exteriores
à instituição. A ação
educativa, tanto na sua
dimensão individual
como coletiva, requer
uma consciência
clara dos objetivos
educacionais e dos
valores a eles ligados.
Sem essa consciência
não é possível definir
responsabilidades num
sentido ético e social.
(MENESES, 2004)

27

UAB/Unimontes - 6º Período
relacionado à precariedade do ensino e às
condições de exclusão e marginalidade social
em que vivem segmentos da população brasileira. Não basta, portanto, abrir vagas. Programas paralelos de assistência a famílias são
fundamentais para o acesso à escola e a permanência nela da população muito pobre que
depende, para sua subsistência, do trabalho
infantil. (BRASIL, Lei nº 10.172/2001).

A desigualdade regional é grave, tanto em
termos de cobertura como de sucesso escolar.
Apesar do expressivo aumento de nove pontos
percentuais de crescimento entre 1991 e 1998,
as regiões Norte e Nordeste continuam apresentando as piores taxas de escolarização do
País em relação às regiões Sul e Sudeste do país.
Em relação aos objetivos da Educação Básica, a LDBEN 9394/96 tem o seguinte texto:

Art. 1º A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na
vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e
pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais.
§ 1º Esta Lei disciplina a educação escolar, que se desenvolve, predominantemente, por meio do ensino, em instituições próprias.
§ 2º A educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática
social.

A estrutura do ensino brasileiro está dividida da seguinte forma: Educação Básica e
Educação Superior. A Educação Básica é composta de Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio. A Educação Superior é um
direito assegurado a todos os cidadãos brasileiros, conforme os Art. 21 e 22 da LDB.
A Educação Básica tem por objetivo formar o educando para o exercício da cidadania e possibilitar meios para que ele prossiga
sua formação em estudos posteriores. A LDB

estabelece algumas exigências comuns para
a Educação Básica. Entre estas, para os níveis
fundamental e médio, a LDB prevê a carga horária mínima de 800 horas anuais, distribuídas
em 200 dias letivos no mínimo, permite a classificação do aluno por séries, que pode ser feita: por promoção, transferência ou avaliação
feita pela escola em vista de definir o grau de
desenvolvimento do educando, além de outras possibilidades. (BRASIL, Lei 9394/96).

2.4 Conclusão

28

Nesta Unidade nós discutimos sobre a legislação educacional no período que antecede
a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996. Além disso, discutimos também
os objetivos, os princípios e fins da educação
nacional na atualidade de acordo com a legislação atual (a LDB 9394/96), bem como do PNE.
Destacamos os seguintes pontos:
Com a Independência do Brasil surge então a necessidade de um Sistema Educacional
Brasileiro porque o país emancipou-se politicamente sem ter estrutura educacional organizada.
• Justificando os princípios liberais e democráticos, são elaborados planos, tendo
como meta uma nova política referente
à instrução popular, mas na prática isso
pouco se concretiza.
• A Constituição de 1824 garantia a instrução primária a todos os cidadãos do
Império e devido a isso, em 1826, é apresentada a proposta de criação de escolas primárias no país através do Projeto
Januário da Cunha Barbosa e legitimado
no Decreto de 15 de outubro de 1827. Os

documentos oficiais desta época deixam
claro que, durante todo o período imperial, pouco se preocupou com a criação
de um sistema de instrução nacional e a
educação brasileira caminhava lentamente e com pouca evolução enquanto política educacional.
• No período Republicano começa a se
formar um novo perfil educacional onde
se apresentam leis, decretos e atos institucionais que propõem diretrizes e critérios tanto para o ensino primário quanto
secundário e superior e tentam também
normatizar o ensino agrícola e o ensino
industrial que eram mantidos por finalidades filantrópicas e se destinavam primeiramente aos órfãos e desvalidos.
• Ressaltamos que a Proclamação da República, em 1889, apesar de o povo simpatizar com a causa e ter o respaldo dos
intelectuais progressistas que já a reivindicavam desde a Independência, tal fato
não trouxe uma mudança significativa da
ordem econômica nacional.
• A Constituição Republicana de 1891 es-

Ciências Sociais - Estrutura e Funcionamento do Ensino Fundamental e Médio


tabeleceu uma república federativa e fez
com que o Estado assumisse, de forma
definitiva, as rédeas da educação, instituindo várias escolas públicas de ensino
fundamental e intermediário. Em relação
a educação, continuou a tradicional divisão entre entre escola para a elite e escola
para a população menos favorecida.
Durante a década de 20, com a urbanização e a industrialização em desenvolvimento, tem como consequência  a
pressão para mudanças no sistema educacional.
Em 1932: o movimento escolanovista culmina com a públicação do Manifesto dos
Pioneiros da Educação Nacional em 1932.
Cria-se o Ministério da Educação e da Saúde que se torna um marco da ação federal
no campo educacional.
A Constituição de 1934 ,em seu capítulo
sobre a educação, exigia que todo cidadão tivesse direito ao ensino fundamental e seria obrigação do Estado ofertá-lo.
Aqui surgem as primeiras ideias de um
Plano Nacional de Educação para especificar as diretrizes curriculares e orientar as
atividades dos estados e municípios.
A Constituição de 1937 coloca no Estado
a obrigação de prover o ensino primário e
profissional. Cria-se o SENAI e o SENAC.
Em 1945, com o fim do governo autoritário, uma nova Constituição é adotada, a
de 1946. Nela os “pioneiros da educação
nova” retomam a luta pelos valores já defendidos em 1934 onde o Estado tem a
obrigação oferecer e prover a educação a
todo cidadão brasileiro. Esta Constituição
obriga também os empresários a oferecer
educação para os empregados e filhos

dos empregados e restaura a determinação de que as autoridades públicas federal, estadual e municipal deveriam investir
percentuais de suas receitas na educação.
Em 1961, a Lei nº 4024 é promulgada.
Após a promulgação desta Lei muitos
intelectuais, políticos e líderes religiosos
ficam insatisfeitos com os resultados e intensificam os movimentos populares em
defesa de uma escola para todos.
Em 1971, é promulgada a Lei 5692/71 que
fixa as Diretrizes e Bases para o ensino de
1º e 2º graus. Esta lei é revogada pela Lei
9394/96.
A Constituição de 1988 dará início às discussões sobre uma nova LDBEN (Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional).
Esta Constituição aborda os principais
problemas enfrentados na educação brasileira: o acesso à escola e a qualidade da
educaçao oferecida.
Em 1996 é promulgada a nova Lei de Diretrizes e Bases da educação brasileira e
nela os principios e fins da educação nacional são estabelecidos de acordo com
a Constituição de 1988. A educaçao tem
por finalidade o pleno desenvolvimento
do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o
trabalho.
A estrutura do ensino brasileiro está dividida da seguinte forma: Educação Básica
e Educação Superior. A Educação Básica
é composta de Educação Infantil, Ensino
Fundamental e Ensino Médio. A Educação
Superior é um direito assegurado a todos
os cidadãos brasileiros, conforme os Art.
21 e 22 da LDB.

Referências
ARANHA, M.L. História da Educação. 2 ed.rev. São Paulo: Moderna, 1996.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil (1988). Brasília: Senado Federal, Gráfica Central, 1988.
BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei nº 9.394/96. Brasília: Diário Oficial
de 12 de dezembro de 1996. 
BRASIL. Plano Nacional de Educação. Lei nº 10.172/2001. Brasília: Diário Oficial de 10 de janeiro de 2001.
CURY, Carlos Roberto Jamil. A legislação educacional brasileira. RJ: DP&A Editora, 2000.
DUARTE, Sérgio Guerra. Dicionário brasileiro de educação. Rio de Janeiro: Edições Antares: Nobel, 1986.

29

UAB/Unimontes - 6º Período
MENESES, João Gualberto (org). Educação Básica: Políticas, Legislação e Gestão – Leituras. São
Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2004.
PLANK, D. Política Educacional no Brasil: caminhos para a salvação pública. Porto Alegre: Artmed Editora, 2001.
SOUZA, P.N.P.; SILVA, E. Como entender e aplicar a nova LDB? São Paulo: Pioneira, 1997.
XAVIER, M.E. História da Educação: a escola no Brasil. São Paulo: FTD, 1994.

30

Ciências Sociais - Estrutura e Funcionamento do Ensino Fundamental e Médio

Unidade 3

A legislação e a universalização de
uma escola básica de qualidade
Objetivo Geral
Apresentar o ensino fundamental de nove anos, as considerações sobre o ensino médio
atrelado à profissionalização e ao direito a uma educação de qualidade garantida a todos, inclusive na educação de jovens e adultos.

3.1 O ensino fundamental de 09
anos
O que você sabe sobre o Ensino Fundamental de nove anos? Nesta unidade, além
de tratarmos do Ensino Médio e a educação
de jovens e adultos também falaremos sobre
a lei que colocou as crianças um ano antes na
escola. Vamos lá?
O Ensino Fundamental visa desenvolver
no aluno a capacidade de aprender o domínio da leitura, da escrita, do cálculo, desenvolver a capacidade de aprendizagem, o

fortalecimento dos vínculos de família, de solidariedade e de tolerância recíproca na vida
social. O Ensino Fundamental pode ser dividido em ciclos e deve ser presencial, permitindo complementação dos estudos por meio
de ensino a distância.
De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases nº 9394 o Ensino Fundamental passa a ser
de 09 anos para que se tenha mais tempo da
criança na escola.

para refletir
Ensino Fundamental de
nove anos:
A Lei nº 11.274, de 06
de fevereiro de 2006,
institui o Ensino Fundamental de nove anos.
Antes da implementação da referida lei, a
pré-escola da Educação Infantil atendia
as crianças de quatro
a seis anos de idade.
www.planalto.gov.br/
ccivil.../
Lei/L11274.htm

Vejamos o que diz a Lei:
Art. 32. O Ensino Fundamental obrigatório, com duração de 09 (nove) anos,
gratuito na escola pública, iniciando-se aos 06 (seis) anos de idade, terá por
objetivo a formação básica do cidadão, mediante: (Redação dada pela Lei nº
11.274, de 2006)
I - o desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios básicos o
pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo;
II - a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade;
III - o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores;
IV - o fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de solidariedade humana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social.
§ 1º É facultado aos sistemas de ensino desdobrar o Ensino Fundamental em
ciclos.
§ 2º Os estabelecimentos que utilizam progressão regular por série podem
adotar no Ensino Fundamental o regime de progressão continuada, sem prejuízo da avaliação do processo de ensino-aprendizagem, observadas as normas
do respectivo sistema de ensino.
§ 3º O Ensino Fundamental regular será ministrado em língua portuguesa, assegurada às comunidades indígenas a utilização de suas línguas maternas e
processos próprios de aprendizagem.
§ 4º O Ensino Fundamental será presencial, sendo o ensino a distância utilizada
como complementação da aprendizagem ou em situações emergenciais.
§ 5o  O currículo do Ensino Fundamental incluirá, obrigatoriamente, conteú-

para refletir
O Presidente da República, Luís Inácio Lula
da Silva, sancionou, em
fevereiro de 2006, a Lei
nº 11.274 que amplia
o Ensino Fundamental
para 09 anos. A alteração estava prevista na
Lei nº 9394/96, na Lei
de Diretrizes e Bases
da Educação (LDB) e no
Plano Nacional de Educação (PNE). A legislação determina que, até
2010, todas as escolas
brasileiras deverão se
organizar para receber
crianças a partir de seis
anos de idade.

31

UAB/Unimontes - 6º Período

para refletir
Para saber mais sobre
o Ensino Fundamental com duração de
09 anos, você pode
pesquisar os seguintes
documentos:
BRASIL. Lei nº 9394, 20
de dezembro de 1996.
Estabelece as diretrizes
e bases da educação
nacional. Diário Oficial
da União, Brasília, 23
dez. 1996.
________. Lei nº 9424,
24 de dezembro de
1996. Dispõe sobre o
fundo de manutenção
e desenvolvimento do
Ensino Fundamental
e de Valorização do
Magistério, na forma
prevista no Art. 60,
parágrafo 7º, do ato das
disposições constitucionais transitórias, e
dá outras providências.
Diário Oficial da União,
Brasília, 26 dez. 1996.
__________. Lei
10172, 9 de janeiro de
2001. Aprova o Plano
Nacional de Educação e
dá outras providências.
Diário Oficial da União,
Brasília, 10 jan. 2001.
Disponível em: http://
www.mec.gov.br>.
___________. Lei nº
11114, 16 de maio de
2005. Altera os arts.
6, 30, 32 e 87 da Lei
nº 9394, de 20 de dezembro de 1996, com
o objetivo de tornar
obrigatório o início
do Ensino Fundamental aos seis anos de
idade. Diário Oficial da
União, Brasília, 17 maio
2005. Disponível em:
http://www.senado.
gov.br>

32

do que trate dos direitos das crianças e dos adolescentes, tendo como diretriz
a Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990, que institui o Estatuto da Criança e do
Adolescente, observada a produção e distribuição de material didático adequado. (Incluído pela Lei nº 11.525, de 2007).
Art. 33. O ensino religioso, de matrícula facultativa, é parte integrante da formação básica do cidadão e constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de Ensino Fundamental, assegurado o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil, vedadas quaisquer formas de proselitismo. (Redação
dada pela Lei nº 9.475, de 22.7.1997)
§ 1º Os sistemas de ensino regulamentarão os procedimentos para a definição
dos conteúdos do ensino religioso e estabelecerão as normas para a habilitação e admissão dos professores.
§ 2º Os sistemas de ensino ouvirão entidade civil, constituída pelas diferentes
denominações religiosas, para a definição dos conteúdos do ensino religioso.
Art. 34. A jornada escolar no Ensino Fundamental incluirá pelo menos quatro
horas de trabalho efetivo em sala de aula, sendo progressivamente ampliado o
período de permanência na escola.
§ 1º São ressalvados os casos do ensino noturno e das formas alternativas de
organização autorizadas nesta Lei.
§ 2º O Ensino Fundamental será ministrado progressivamente em tempo integral, a critério dos sistemas de ensino. (BRASIL, LDB nº 9394/96)

E quais devem ser as regras para todo o Ensino Fundamental em nosso país?
Para que o Ensino Fundamental, de acordo com a Lei 9394/96 atinja seus objetivos, deve
seguir as seguintes regras:
a) O Ensino Fundamental regular deve ser ministrado em língua portuguesa,
mas deve ser assegurado às comunidades indígenas as suas línguas maternas;
b) ter uma carga horária mínima de oitocentas horas com o mínimo de duzentos dias letivos excluindo o tempo reservado aos exames finais e a jornada escolar deverá ter um mínimo de quatro horas de trabalho efetivo;
c) o currículo deve ter uma base comum e ser complementado com uma base
diversificada para assim contemplar as características regionais e locais; e a
partir do 5ª série (ou 6º ano de escolaridade) deve-se obrigatoriamente oferecer uma língua estrangeira moderna;
d) o ensino fundamental pode ser desdobrado em ciclos;
e) o ensino fundamental só poderá ser presencial, sendo que o ensino a distância só poderá ser utilizado como complemento da aprendizagem ou em situação emergencial;
f) a matricula para o ensino religioso é facultativa, entretanto constitui disciplina dos horários normais da escola pública;
g) em relação a avaliação do aluno, a mesma deve ser contínua e cumulativa e
deve prevalecer os aspectos qualitativos sobre os quantitativos; a classificação
do aluno poderá ser feita em qualquer série, exceto a primeira série, independentemente da escolarização anterior. (BRASIL, LDB nº 9394/96)

Pense bem: Qual deve ser o objetivo
maior de aumentar o Ensino Fundamental
para nove anos?
O objetivo maior de aumentar o número
de anos no Ensino Fundamental é assegurar
a todas as crianças um tempo mais longo de
convívio escolar, com maiores oportunidades
de aprendizagem.  Entretanto, sabemos que
aprendizagem não depende apenas do tempo de permanência na escola, mas também da
qualidade destinada a este tempo. O Ensino
Fundamental de nove anos visa principalmente privilegiar as crianças oriundas de famílias
menos favorecidas, visto que as famílias com
maior poder aquisitivo já colocam seus filhos
na escola antes dessa idade, mesmo sabendo
nós que esse não se viabiliza como regra geral.
O Ensino Fundamental de nove anos traz o

desafio e a oportunidade de repensar a escola
que temos na direção de um projeto de escola
que tenha como centro de sua atenção reflexão e ação das crianças em suas características,
dimensões e necessidades concretas. Ou seja,
um projeto político-pedagógico que materialize para todos os brasileiros as condições de
aprendizagem voltadas para conhecimentos de
diferentes áreas, interligados a linguagens, imagens, sentimentos e relações que apresentem e
coloquem em debate a realidade e a sociedade
na sua contemporaneidade e historicidade.
A universalização e a ampliação do Ensino
Fundamental para nove anos, além de garantir
um maior tempo de escolarização, ainda propiciam avaliar as possibilidades e os sentidos
do trabalho da alfabetização e do letramento,
no âmbito do Ensino Fundamental.

Ciências Sociais - Estrutura e Funcionamento do Ensino Fundamental e Médio

3.2 O ensino médio e o direito à
profissionalização
Como o Ensino Médio é definido na LDB de 1996? O Ensino Médio, segundo esta Lei é considerada a ultima etapa da Educação Básica. Então é preciso conhecer as suas características direitinho. Vamos lá?
O Ensino Médio - conforme a Lei de Diretrizes e Bases 9394/96 - é assim definido: (www.planalto.gov.br/ccivil.)
Art. 35. O Ensino Médio, etapa final da educação básica, com duração mínima
de três anos, terá como finalidades:
I - a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no ensino fundamental, possibilitando o prosseguimento de estudos;
II - a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando para continuar aprendendo, de modo a ser capaz de se adaptar com flexibilidade a novas
condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores;
III - o aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico;
IV - a compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos
produtivos, relacionando a teoria com a prática, no ensino de cada disciplina.
Art. 36. O currículo do Ensino Médio observará o disposto na Seção I deste Capítulo e as seguintes diretrizes:
I - destacará a educação tecnológica básica, a compreensão do significado da
ciência, das letras e das artes; o processo histórico de transformação da sociedade e da cultura; a língua portuguesa como instrumento de comunicação,
acesso ao conhecimento e exercício da cidadania;
II - adotará metodologias de ensino e de avaliação que estimulem a iniciativa
dos estudantes;
III - será incluída uma língua estrangeira moderna, como disciplina obrigatória,
escolhida pela comunidade escolar, e uma segunda, em caráter optativo, dentro das disponibilidades da instituição.
IV – serão incluídas a Filosofia e a Sociologia como disciplinas obrigatórias em
todas as séries do ensino médio. (Incluído pela Lei nº 11.684, de 2008)
§ 1º Os conteúdos, as metodologias e as formas de avaliação serão organizados
de tal forma que ao final do ensino médio o educando demonstre:
I - domínio dos princípios científicos e tecnológicos que presidem a produção
moderna;
II - conhecimento das formas contemporâneas de linguagem;
III - domínio dos conhecimentos de Filosofia e de Sociologia necessários ao
exercício da cidadania. (Revogado pela Lei nº 11.684, de 2008 que estabelece
as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir a Filosofia e a Sociologia
como disciplinas obrigatórias nos currículos do ensino médio).
§ 2º O ensino médio, atendida a formação geral do educando, poderá prepará-lo para o exercício de profissões técnicas. (Regulamento) (Revogado pela Lei
nº 11.741, de 2008 que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional,
para redimensionar, institucionalizar e integrar as ações da educação profissional técnica de nível médio, da educação de jovens e adultos e da educação
profissional e tecnológica).
§ 3º Os cursos do ensino médio terão equivalência legal e habilitarão ao prosseguimento de estudos. (LDB nº 9394/96)

O Ensino Médio no Brasil é a etapa final da educação básica e deve oferecer uma
educação que prepare o cidadão para a vida
adulta. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional determina, nas finalidades do Ensino
Médio, que o mesmo deve propiciar a todos
os cidadãos a oportunidade de consolidar e
aprofundar os “conhecimentos adquiridos no
Ensino Fundamental”; “aprimorar o educando
"como pessoa humana”; “possibilitar o prosseguimento de estudos”; “garantir a preparação

básica para o trabalho e a cidadania” e dotar
o educando dos instrumentos que lhe permitam “continuar aprendendo”, tendo em vista o
desenvolvimento da “compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos
produtivos” (LDB 9394/96, art. 35, incisos I a
IV).
O Ensino Médio pode ser oferecido em
estabelecimentos públicos ou privados. Nos
estabelecimentos públicos, a legislação educacional determina que, prioritariamente, os

para refletir
________. Lei n°
11.274, 6 de fevereiro
de 2006. Altera a redação dos Artigos 29, 30,
32 e 87 da Lei nº 9394,
de 20 de dezembro de
1996, que estabelece
as diretrizes e bases
da educação nacional, dispondo sobre a
duração de nove anos
para o Ensino Fundamental, com matrícula
obrigatória a partir
dos seis anos de idade.
Diário Oficial da União,
Brasília, sete fev. 2006.
Disponível em: http://
www.senado.gov.br>.
________. Conselho
Nacional de Educação. Parecer CEB n.
020/1998. Consulta
relativa ao ensino
fundamental de nove
anos. Disponível em
http://www.mec.gov.br
________. Ministério
da Educação. Conselho
Nacional de Educação.
Parecer CNE/CEB n.
18/2005. Orientações
para a matrícula das
crianças de 6 (seis) anos
de idade no Ensino
Fundamental obrigatório, em atendimento
à Lei n. 11.114, de 16
de maio de 2005, que
altera os arts. 6, 32 e 87
da Lei n. 9.394/1996.
Disponível em http://
www.mec.gov.br
________. Ministério
da Educação. Conselho
Nacional de Educação. Resolução CNE/
CEB n.3/2005. Define
normas nacionais para
ampliação do Ensino
Fundamental para
nove anos de duração.
Disponível em http://
www.mec.gov.br
________. Ministério
da Educação. Secretaria
de Educação Básica.
Ensino Fundamental de
nove anos: orientações
gerais. Brasília, 2004.
________. Ministério
da Educação. Secretaria
de Educação Básica.
Ensino Fundamental
de nove anos: orientações para inclusão da
criança de seis anos de
idade. Brasília, 2006.

33

UAB/Unimontes - 6º Período
________. Ministério
da Educação. Conselho
Nacional de Educação.
Parecer CNE/CEB n.
18/2005. Orientações
para a matrícula das
crianças de 6 (seis) anos
de idade no Ensino
Fundamental obrigatório, em atendimento
à Lei n. 11.114, de 16
de maio de 2005, que
altera os arts. 6, 32 e 87
da Lei n. 9.394/1996.
Disponível em http://
www.mec.gov.br
________. Ministério
da Educação. Conselho
Nacional de Educação. Resolução CNE/
CEB n.3/2005. Define
normas nacionais para
ampliação do Ensino
Fundamental para
nove anos de duração.
Disponível em http://
www.mec.gov.br
________. Ministério
da Educação. Secretaria
de Educação Básica.
Ensino Fundamental de
nove anos: orientações
gerais. Brasília, 2004.
________. Ministério
da Educação. Secretaria
de Educação Básica.
Ensino Fundamental
de nove anos: orientações para inclusão da
criança de seis anos de
idade. Brasília, 2006

para refletir
Em 1994, eram mais
de cinco milhões de
matriculas. Em 2000,
estavam registrados
mais de oito milhões de
alunos. Ou seja, em seis
anos, houve um acréscimo de mais de 50%
de inscritos. Em 2003,
mais de nove milhões
de jovens frequentavam o Ensino Médio.
Fonte: Ministério
da Educação (MEC),
Instituto Nacional de
Estudos e Pesquisas
Educacionais Anísio
Teixeira (INEP). Disponível em http://www.
mec.gov.br

34

sistemas de ensino estaduais devem oferecer
gratuitamente o Ensino Médio.
O Ensino Médio tem como finalidade a
consolidação e o aperfeiçoamento dos conhecimentos, possibilitando o prosseguimento
dos estudos em nível mais avançado; a preparação básica para o trabalho e a cidadania do
educando, para continuar aprendendo, numa
visão prospectiva da sociedade contemporânea, que exigirá dos indivíduos a capacidade
de adaptar-se a um mundo em constante mudança; o aprimoramento do educando como
pessoa humana, incluindo a formação ética e
o desenvolvimento da autonomia intelectual
e da consciência crítica contribuindo, assim,
para a formação do cidadão e da sociedade
contemporânea. Além disso, o Ensino Médio deve unir teoria e prática, desenvolvendo
competências cognitivas, intelectuais e de
convivência social que, sem constituir elementos de habilitação profissional, capacitem o
indivíduo para o mundo do trabalho. Meneses
(2004).
A última etapa da educação básica deve
ter a duração mínima de três anos, sendo que
a legislação não estabelece idade mínima
para o acesso a esta etapa. As políticas educacionais brasileiras têm direcionado, recente-

mente, especial atenção à universalização do
Ensino Fundamental. Na medida em que essa
meta se concretiza, a demanda pelo Ensino
Médio passa a ser impulsionada. É nesse sentido que a própria legislação prevê progressiva
extensão da obrigatoriedade e gratuidade ao
Ensino Médio (artigo 4º).
Sendo assim, segundo Meneses (2004) o
Ensino Médio integra-se à escolaridade que
tem como objetivo a formação comum indispensável ao exercício da cidadania. Entretanto, a identidade desse nível de ensino tem oscilado, nas últimas décadas, entre preparação
para a educação superior, como curso propedêutico, e a qualificação para o trabalho,
como curso técnico ou profissionalizante. A
LDB então busca superar essa dualidade, conferindo ao Ensino Médio função de educação
geral que, embora diferenciada da educação
profissional, inclui preparar para o mercado
de trabalho.
Em relação à profissionalização a Lei nº.
9394/96 aponta-nos uma exigência. Vamos verificar qual é?
A Lei nº. 9394/96 coloca-nos a seguinte
exigência no tocante à profissionalização: (disponível no site www.planalto.gov.br/ccivil)

Art. 36-A. Sem prejuízo do disposto na Seção IV deste Capítulo, o Ensino Médio,
atendida a formação geral do educando, poderá prepará-lo para o exercício de
profissões técnicas. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
Parágrafo único. A preparação geral para o trabalho e, facultativamente, a habilitação profissional poderão ser desenvolvidas nos próprios estabelecimentos
de Ensino Médio ou em cooperação com instituições especializadas em Educação Profissional. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
Art. 36-B.  A Educação Profissional Técnica de nível médio será desenvolvida
nas seguintes formas: (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
I - articulada com o Ensino Médio; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
II - subseqüente, em cursos destinados a quem já tenha concluído o Ensino Médio. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
Parágrafo único. A Educação Profissional Técnica de nível médio deverá observar: (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
I - os objetivos e definições contidos nas diretrizes curriculares nacionais estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação; (Incluído pela Lei nº 11.741, de
2008)
II - as normas complementares dos respectivos sistemas de ensino; (Incluído
pela Lei nº 11.741, de 2008)
III - as exigências de cada instituição de ensino, nos termos de seu projeto pedagógico. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
Art. 36-C.  A educação profissional técnica de nível médio articulada, prevista
no inciso I do caputdo art. 36-B desta Lei, será desenvolvida de forma: (Incluído
pela Lei nº 11.741, de 2008)
I - integrada, oferecida somente a quem já tenha concluído o Ensino Fundamental, sendo o curso planejado de modo a conduzir o aluno à habilitação
profissional técnica de nível médio, na mesma instituição de ensino, efetuando-se matrícula única para cada aluno; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
II - concomitante, oferecida a quem ingresse no ensino médio ou já o esteja
cursando, efetuando-se matrículas distintas para cada curso, e podendo ocorrer: (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
a) na mesma instituição de ensino, aproveitando-se as oportunidades educacionais disponíveis; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
b) em instituições de ensino distintas, aproveitando-se as oportunidades educacionais disponíveis; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
c) em instituições de ensino distintas, mediante convênios de intercomplemen-

Ciências Sociais - Estrutura e Funcionamento do Ensino Fundamental e Médio
taridade, visando ao planejamento e ao desenvolvimento de projeto pedagógico unificado. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
Art. 36-D.  Os diplomas de cursos de Educação Profissional Técnica de Nível
Médio, quando registrados, terão validade nacional e habilitarão ao prosseguimento de estudos na educação superior. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
Parágrafo único.  Os cursos de Educação Profissional Técnica de Nível Médio,
nas formas articuladas concomitante e subsequente, quando estruturados e
organizados em etapas com terminalidade, possibilitarão a obtenção de certificados de qualificação para o trabalho após a conclusão, com aproveitamento,
de cada etapa que caracterize uma qualificação para o trabalho. (Incluído pela
Lei nº 11.741, de 2008) (LDB 9394/96 e Lei nº 11.741/08)

E continuando a Lei ainda afirma:
Art. 39. A educação profissional e tecnológica, no cumprimento dos objetivos
da educação nacional, integra-se aos diferentes níveis e modalidades de educação e às dimensões do trabalho, da ciência e da tecnologia. (Redação dada
pela Lei nº 11.741, de 2008)
§ 1o Os cursos de educação profissional e tecnológica poderão ser organizados
por eixos tecnológicos, possibilitando a construção de diferentes itinerários
formativos, observadas as normas do respectivo sistema e nível de ensino. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
§ 2o A educação profissional e tecnológica abrangerá os seguintes cursos: (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
I – de formação inicial e continuada ou qualificação profissional; (Incluído pela
Lei nº 11.741, de 2008)
II – de educação profissional técnica de nível médio; (Incluído pela Lei nº 11.741,
de 2008)
III – de educação profissional tecnológica de graduação e pós-graduação. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
§ 3o Os cursos de educação profissional tecnológica de graduação e pós-graduação organizar-se-ão, no que concerne a objetivos, características e duração,
de acordo com as diretrizes curriculares nacionais estabelecidas pelo Conselho
Nacional de Educação. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
Art. 40. A educação profissional será desenvolvida em articulação com o ensino
regular ou por diferentes estratégias de educação continuada, em instituições
especializadas ou no ambiente de trabalho. (Regulamento)
Art. 41. O conhecimento adquirido na educação profissional e tecnológica, inclusive no trabalho, poderá ser objeto de avaliação, reconhecimento e certificação para prosseguimento ou conclusão de estudos. (Redação dada pela Lei
nº 11.741, de 2008)
Art. 42.  As instituições de educação profissional e tecnológica, além dos seus
cursos regulares, oferecerão cursos especiais, abertos à comunidade, condicionada à matrícula à capacidade de aproveitamento e não necessariamente ao
nível de escolaridade. (Redação dada pela Lei nº 11.741, de 2008). (LDB 9394/96
e Lei nº 11.741/08)

De acordo com Silva (2004 apud MENESES, 2004) falar sobre a educação profissional exige
também ter maior clareza sobre o papel do trabalhador enquanto sujeito da história; o conhecimento produzido através do trabalho além da importância e interferência do trabalho na vida de
cada um. Não se pode falar de exercício de cidadania sem falar de qualificação, competência e
respeito conquistados através da produção individual e em grupo.
Para sabermos como está a situação do Ensino Médio atualmente devemos recorrer ao Plano Nacional de Educação e é isso que iremos fazer agora.
O Plano Nacional de Educação (Lei nº 10172/2001) apresenta-nos o seguinte diagnóstico sobre a situação do Ensino Médio brasileiro:
Considerando o processo de modernização em curso no País, o ensino médio
tem um importante papel a desempenhar. Tanto nos países desenvolvidos
quanto nos que lutam para superar o subdesenvolvimento, a expansão do
ensino médio pode ser um poderoso fator de formação para a cidadania e de
qualificação profissional.
Justamente em virtude disso, no caso brasileiro é, particularmente, preocupante o reduzido acesso ao Ensino Médio, muito menor que nos demais países
latino-americanos em desenvolvimento, embora as estatísticas demonstrem
que os concluintes do Ensino Fundamental começam a chegar à terceira etapa
da educação básica, em número um pouco maior, a cada ano. Esses pequenos

35

UAB/Unimontes - 6º Período
incrementos anuais terão efeito cumulativo. Ao final de alguns anos, resultarão
em uma mudança nunca antes observada na composição social, econômica,
cultural e etária do alunado do Ensino Médio.
A Contagem da População realizada pelo IBGE, em 1997 acusa uma população
de 16.580.383 habitantes na faixa etária de 15 a 19 anos. Estavam matriculados
no Ensino Médio, no mesmo ano, 5.933.401 estudantes. Significa que, idealmente, se o fluxo escolar fosse regular, o Ensino Médio comportaria bem menos que metade de jovens desta faixa etária. Isso é muito pouco, especialmente quando se considera a acelerada elevação do grau de escolaridade exigida
pelo mercado de trabalho. A situação agrava-se quando se considera que, no
caso do Ensino Médio, os cálculos das taxas de atendimento dessa faixa etária são pouco confiáveis, por diversas razões. Em primeiro lugar, porque, em
virtude das elevadas taxas de repetência no Ensino Fundamental, os jovens
chegam, ao Ensino Médio, bem mais velhos. Em segundo lugar, porque há um
grande número de adultos que volta à escola vários anos depois de concluir o
Ensino Fundamental.
Em virtude dessas duas condições, o Ensino Médio atende majoritariamente
jovens e adultos com idade acima da prevista para este nível de ensino, devendo-se supor que já estejam inseridos no mercado de trabalho. De fato os
6.968.531 alunos do Ensino Médio, em 1998, 54,8% - ou seja, 3.817.688 – estudavam à noite.
O número reduzido de matrículas no Ensino Médio – apenas cerca de 30,8% da
população de 15 a 17 anos não se explica, entretanto, por desinteresse do Poder Público em atender à demanda, pois a oferta de vagas na 1ª série do Ensino
Médio tem sido consistentemente superior ao número de egressos da 8ª série
do Ensino Fundamental. A exclusão ao Ensino Médio deve-se às baixas taxas de
conclusão do Ensino Fundamental, que, por sua vez, estão associadas à baixa
qualidade daquele nível de ensino, da qual resultam elevados índices de repetência e evasão.
O Ensino Médio convive, também, com alta seletividade interna. Se os alunos
estão chegando, em maior número a esse nível de ensino, os índices de conclusão, nas últimas décadas, sinalizam que há muito a ser feito. Na coorte 1970-73,
74% dos que iniciavam o Ensino Médio conseguiam concluí-lo na coorte 197780, esse índice caiu para 50,8%; na de 1991-94, para 43,8%.
Causas externas ao sistema educacional contribuem para que adolescentes e
jovens se percam pelos caminhos da escolarização, agravadas por dificuldades
da própria organização da escola e do processo ensino-aprendizagem. Os números do abandono e da repetência, apesar da melhoria dos últimos anos, ainda são bastante desfavoráveis.
Desagregados por regiões, os dados da repetência e abandono, ao lado das taxas de distorção idade-série, permitem visualizar – na falta de políticas específicas – em que região haverá maior percentual de alunos no Ensino Médio, em
idade pedagogicamente adequada.
Para o Ensino Médio, a idade recomendada é de 15 anos para a 1ª série, 16 para
a 2ª e 17 para a 3ª série. A 4ª série não é incluída nos cálculos, pois apresenta
características diferentes das outras séries.
Há, entretanto, aspectos positivos nesse panorama brasileiro. O mais importante deles é que esse foi o nível de ensino que apresentou maior taxa de crescimento nos últimos anos, em todo o sistema. Apenas no período de 1991 a
1998, a matrícula evoluiu de 3.770.230 para 6.968.531 alunos, de acordo com
censo escolar, o que está claramente associado a uma recente melhoria do Ensino Fundamental e da ampliação do acesso ao Ensino Médio, ocorridas. Nos
próximos anos, como resultado do esforço que está sendo feito para elevar as
taxas de conclusão da 8ª série, a demanda por Ensino Médio deverá ampliar de
forma explosiva.
Entretanto, no caso do Ensino Médio, não se trata apenas de expansão. Entre
os diferentes níveis de ensino, esse foi o que enfrentou, nos últimos anos, a
maior crise em termos de ausência de definição dos rumos que deveriam ser
seguidos em seus objetivos e em sua organização. Um aspecto que deverá ser
superado com a implementação das Novas Diretrizes Curriculares para o Ensino Médio e com programas de formação de professores, sobretudo nas áreas
de Ciências e Matemática.
Quanto ao financiamento do Ensino Médio, a Emenda Constitucional nº 14,
assim como a Lei de Diretrizes e Bases, atribui aos Estados a responsabilidade
pela sua manutenção e desenvolvimento. De fato, o seu surpreendente crescimento deve-se, basicamente, às matrículas na rede estadual. A diminuição da
matrícula, na rede privada, atesta o caráter, cada vez mais público, desse nível
de ensino. A expansão futura, porém, dependerá da utilização judiciosa dos recursos vinculados à educação, especialmente porque não há, para este nível de
ensino, recursos adicionais como os que existem para o Ensino Fundamental
na forma do Salário Educação. Assim, como os Estados estão obrigados a apli-

36

Ciências Sociais - Estrutura e Funcionamento do Ensino Fundamental e Médio
car 15% da receita de impostos no Ensino Fundamental, os demais 10% vinculados à educação deverão ser aplicados, nessa instância federativa, prioritariamente, no Ensino Médio. Essa destinação deve prover fundos suficientes para
a ampliação desse nível de ensino, especialmente quando se considera que o
Ensino Fundamental consta de oito séries e o Médio, de apenas três; isso significa que, mesmo com a universalização do Ensino Médio, o número de alunos
matriculados será, no máximo, 35% daquele atendido no nível fundamental.
Há de se considerar, entretanto, que, em muitos Estados, a ampliação do Ensino Médio vem competindo com a criação de universidades estaduais. O mais
razoável seria promover a expansão da educação superior estadual com recursos adicionais, sem comprometer os 25% constitucionalmente vinculados
à educação, que devem ser destinados prioritariamente à educação básica.
(BRASIL, Lei nº 10172/2001)

E aí? O que você achou da situação do
Ensino Médio apresentada no Plano Nacional de Educação? Apresenta algo que você
desconhecia?
De acordo com o Ministério da Educação
(MEC), o ensino médio brasileiro será todo reformulado. Nesta reformulação está previsto
um novo currículo e modelo pedagógico, aliado à expansão das matrículas que permitirão a
oferta de uma educação acessível e de qualidade a todos os jovens e adultos. Em dezembro de 2008, um grupo de trabalho composto
por técnicos do Ministério da Educação e da
Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República apresentou um estudo
sobre a reestruturação e expansão do ensino
médio no Brasil. E neste estudo o principal desafio consiste no significado da ultima etapa
da Educação Básica para o cidadão brasileiro.
O Ensino Médio é visto como uma mera pas-

sagem para o ensino superior ou inserção na
vida econômico-produtiva?
Hoje a reformulação do Ensino Médio caminha para a formação integral do estudante
estruturada na ciência, cultura e trabalho. Estabelece um significado mais amplo e reconhece na integração à educação profissional técnica uma importante política pública, mas que
precisa ser complementada com a mudança
curricular do ensino médio “tradicional” não
profissionalizante. É preciso priorizar a melhoria da escola de ensino médio da rede estadual
de educação, que mantém, segundo os dados
do MEC, mais de 85% das matrículas.
Se você quiser aprofundar ainda mais os
seus conhecimentos sobre o Ensino Médio
atualmente no Brasil visite o portal do MEC
(http://portal.mec.gov.br) e acesse todo o estudo realizado sobre a reestruturação e expansão do Ensino Médio.

3.3 A educação de jovens e
adultos
Vamos agora refletir sobre a Educação de Jovens e Adultos. E você já sabe, para isso é preciso recorrer mais uma vez à LDB/96.
A Educação de Jovens e Adultos (EJA) é contemplada na Lei de Diretrizes e Bases de 1996
em seus artigos 37 e 38. Nestes artigos a Lei prevê que os jovens e adultos poderão concluir os
Ensinos Fundamental e Médio através de cursos e exames supletivos, sendo que a idade mínima
para o Ensino Médio, por meio do Supletivo, é ser maior de dezoito anos. Os cursos de exames
supletivos são uma alternativa e uma modalidade de ensino para prosseguimento dos estudos e
conclusão da educação básica.
Vejamos o que nos fala a Lei: 
Art. 37. A educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não tiveram
acesso ou continuidade de estudos no Ensino Fundamental e Médio na idade
própria.
§ 1º Os sistemas de ensino assegurarão gratuitamente aos jovens e aos adultos,
que não puderam efetuar os estudos na idade regular, oportunidades educacionais apropriadas, consideradas as características do alunado, seus interesses, condições de vida e de trabalho, mediante cursos e exames.
§ 2º O Poder Público viabilizará e estimulará o acesso e a permanência do trabalhador na escola, mediante ações integradas e complementares entre si.
§ 3o  A educação de jovens e adultos deverá articular-se, preferencialmente,

37

UAB/Unimontes - 6º Período
com a educação profissional, na forma do regulamento. (Incluído pela Lei nº
11.741, de 2008)
Art. 38. Os sistemas de ensino manterão cursos e exames supletivos, que compreenderão a base nacional comum do currículo, habilitando ao prosseguimento de estudos em caráter regular.
§ 1º Os exames a que se refere este artigo realizar-se-ão:
I - no nível de conclusão do ensino fundamental, para os maiores de quinze
anos;
II - no nível de conclusão do ensino médio, para os maiores de dezoito anos.
§ 2º Os conhecimentos e habilidades adquiridos pelos educandos por meios
informais serão aferidos e reconhecidos mediante exames. (BRASIL, LDB
9394/96 e Lei nº 11.741/08)

Segundo Meneses (2004), a educação profissional de acordo com a LDB/96 não é apenas
um nível de ensino, mas um tipo de formação que deve estar presente na vida do indivíduo em
idade profissional produtiva.  Isso significa educação permanente ou educação continuada, na
qual o indivíduo nunca encerra o seu aprendizado, podendo assim acompanhar as mudanças
tecnológicas do nosso mundo.
A LDB/96 apresenta-nos a educação profissional de acordo com os artigos 39, 40, 41 e 42 já
especificados neste material.
O Plano Nacional de Educação (Lei nº 10172/2001) apresenta-nos o diagnóstico sobre a educação de jovens e adultos:
A Constituição Federal determina como um dos objetivos do Plano Nacional de
Educação a integração de ações do poder público que conduzam à erradicação
do analfabetismo (art. 214, I). Trata-se de tarefa que exige uma ampla mobilização de recursos humanos e financeiros por parte dos governos e da sociedade.
Os déficits do atendimento no ensino fundamental resultaram, ao longo dos
anos, num grande número de jovens e adultos que não tiveram acesso ou não
lograram terminar o ensino fundamental obrigatório. Embora tenha havido
progresso com relação a essa questão, o número de analfabetos é ainda excessivo e envergonha o País: atinge 16 milhões de brasileiros maiores de 15 anos.
O analfabetismo está intimamente associado às taxas de escolarização e ao número de crianças fora da escola.
Todos os indicadores apontam para a profunda desigualdade regional na oferta de oportunidades educacionais e a concentração de população analfabeta
ou insuficientemente escolarizada nos bolsões de pobreza existentes no País.
Cerca de 30% da população analfabeta com mais de 15 anos está localizada no
Nordeste.
Uma concepção ampliada de alfabetização, abrangendo a formação equivalente às oito séries do Ensino Fundamental, aumenta a população a ser atingida, pois, é muito elevado o número de jovens e adultos que não lograram
completar a escolaridade obrigatória.
Embora o analfabetismo esteja concentrado nas faixas etárias mais avançadas e as taxas tenham se reduzido, passando de 20,1% da população, em 1991,
para 15,6 % em 1995, há também uma redução insuficiente do analfabetismo
ao longo do tempo. As gerações antigas não podem ser consideradas como as
únicas responsáveis pelas taxas atuais, pois pessoas entre quinze e trinta anos
em 1997 somavam cerca de 21,4 % do analfabetismo total. O problema não se
resume a uma questão demográfica.
Como há reposição do estoque de analfabetos, além do fenômeno da regressão, é de se esperar que apenas a dinâmica demográfica seja insuficiente para
promover a redução em níveis razoáveis nos próximos anos. Por isso, para acelerar a redução do analfabetismo é necessário agir ativamente tanto sobre o
estoque existente quanto sobre as futuras gerações. Tomado este indicador,
distorções significativas em função do gênero, estando inclusive as mulheres
melhor posicionadas nos grupos etários abaixo de 40 anos. Tomando-se o corte regional, as mulheres têm, em todas as regiões, uma maior média de anos de
estudo. Entretanto, quando o fator verificado é a etnia, nota-se uma distorção,
a indicar a necessidade de políticas focalizadas. (BRASIL, Lei nº 10172/2001)

As mudanças ocorridas no mercado de trabalho, no entanto, vêm exigindo mais conhecimentos e habilidades das pessoas, assim como atestados de maior escolarização, obrigando-as
a voltar à escola básica, como jovem, ou já depois de adultas, para aprender um pouco mais ou
para conseguir um diploma. Essa realidade tem sido responsável pela criação de diversos projetos voltados para a alfabetização e educação de jovens e adultos.
A educação de adultos é uma necessidade tanto na comunidade como nos locais de traba-

38

Ciências Sociais - Estrutura e Funcionamento do Ensino Fundamental e Médio
lho. À medida que a sociedade se desenvolve novas possibilidades de crescimento profissional
surgem, mas, por outro lado, exigem maior qualificação e constante atualização de conhecimentos e habilidades.
Analisemos a tabela de crianças e jovens matriculados no Brasil no ano 2000.
Tabela 1: Crianças e jovens matriculados na escola (BRASIL, 2000)
Nível de ensino

Matriculas

Faixa etária (%)

Fundamental

35.717.948

95,5

Médio

8.192.948

32,6

Superior

2.694.245

7,6

Fonte: BRASIL. MEC/Inep. Censo escolar e censo do ensino superior. Brasília, 2000.

Observando esta tabela vemos que os jovens apresentam uma taxa de exclusão maior
do que as crianças. Enquanto praticamente
95,5% de todas as crianças de 7 a 14 anos estão no Ensino Fundamental, apenas uma pequena parcela de jovens em idade de frequentar universidades está estudando. Em 2000, a
faixa de 20 a 24 anos era composta por 16,1
milhões de pessoas e havia 2,6 milhões de alunos matriculados no nível superior. O ideal seria que uma parcela maior do contingente que
ingressa nas séries iniciais permanecesse por
mais tempo na escola.
A política educacional voltada para a faixa de 7 a 14 anos (Ensino Fundamental) baseia-se na ideia de que colocar todas as crian-

ças na escola estancaria a produção de novos
analfabetos ou de pessoas com baixa escolaridade, garantindo assim a tão esperada universalização do Ensino Fundamental para toda a
população.
A Educação de Jovens e Adultos no Brasil
está restrita à questão do analfabetismo, sem
relacioná-la com a Educação Básica como um
todo. É preciso entender que a alfabetização
e Educação Básica são partes indissociáveis de
um mesmo processo e isso tem sido o grande
desafio para a construção de efetivas políticas
públicas para a Educação de Jovens e Adultos
no Brasil. Souza (1999).
Souza analisando o analfabetismo sob o
enfoque demográfico no Brasil diz,

[...] as altas taxas observadas atualmente não estão relacionadas apenas à presença de analfabetos de gerações antigas na população. Além dos aspectos
essencialmente relacionados à dinâmica demográfica, há também os relacionados à ineficiência do sistema educacional na determinação das taxas anuais.
Em outras palavras, o analfabetismo atual é resultado tanto da insuficiência
quanto da demora da melhoria na alfabetização ao longo da segunda metade
desse século. (1999, p.17)

Sendo assim, nós educadores brasileiros
enfrentamos imensos desafios para colaborar
com o país na universalização do Ensino Fundamental. Oferecer a toda a população um
ensino de qualidade é dever e compromisso
de governos e de todos os envolvidos com a
questão educacional.
Reafirmamos que, à medida que a sociedade evolui, surge a necessidade da escolarização
e a educação dos adultos favorece a educação
das crianças e adolescentes porque quanto
mais os pais estudam mais conscientes ficam da
importância da educação e mais contribuirão
para que seus filhos permaneçam na escola.
Se por um lado, a educação tem assumido novos contornos em face das mudanças
ocorridas na sociedade, por outro, a educa-

ção é a responsável pelo crescimento social,
pois à medida que as pessoas vão ficando
mais escolarizadas, o nível de vida vai melhorando, as pessoas ficam mais conscientes, críticas e exigentes. E, com isso, vão melhorando as condições de higiene, de alimentação,
de saúde, de segurança e de satisfação pessoal. Enfim, a educação possibilita o desenvolvimento da sociedade.
Sabe-se que a educação é o instrumento que vai permitir às pessoas buscarem uma
melhoria de vida, capacitando-as para competir no mercado de trabalho bem como reconhecer seus direitos.

39

UAB/Unimontes - 6º Período

PENSE SOBRE ISSO: Aproximadamente um terço da população é considerada analfabeta funcional. Isso se refere a pessoas que sabem ler e escrever, mas são incapazes de interpretar o que leem e de usar a leitura e a escrita em atividades cotidianas. O analfabeto funcional
não consegue compreender o significado das palavras nem colocar ideias no papel por meio
do sistema de escrita. No Brasil, é considerada analfabeta funcional a pessoa com mais de 20
que não completou quatro anos de estudos formais. Entretanto existem países como Polônia
e Canadá em que é considerado analfabeto funcional o adulto com menos de oito anos de escolaridade. Para a UNESCO, o analfabeto funcional é aquela pessoa que, apesar de saber ler e
escrever formalmente, por exemplo, não consegue compor e redigir corretamente um pequeno texto. Meneses (2004) afirma que,
Segundo a Declaração Mundial sobre Educação para Todos, mais de 960 milhões de adultos são analfabetos, sendo que mais de um terço dos adultos
do mundo não têm acesso ao conhecimento impresso, à novas habilidades
e tecnologias, que poderiam melhorar a qualidade de vida e ajudá-los a
perceber e a adaptar-se às mudanças sociais e culturais.

Na Declaração, o analfabetismo funcional é visto como um problema significativo para
todos os países industrializados ou em desenvolvimento.
Para saber mais sobre a Declaração Mundial sobre Educação para Todos acesse:
www.educacaoparatodos.org/documents/declaracao_educacaoparatodos_jomtien

3.4 Conclusão

40

Na terceira unidade, apresentamos o ensino de nove anos, as considerações sobre o ensino
médio vinculado à profissionalização e à garantia da educação para os jovens e adultos.
Destacamos os pontos:
• O Ensino Fundamental visa desenvolver
art. 35: é a etapa final da educação básino aluno a capacidade de aprender, o
ca, com duração mínima de três anos.  A
domínio da leitura, da escrita, do cálculo,
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Navisa ainda desenvolver a capacidade de
cional determina nas finalidades do enaprendizagem, o fortalecimento dos vínsino médio que o mesmo deve propiciar
culos de família, de solidariedade e de toa todos os cidadãos a oportunidade de
lerância recíproca na vida social. De acorconsolidar e aprofundar os “conhecimendo com a Lei de Diretrizes e Bases 9394, o
tos adquiridos no ensino fundamental”;
Ensino Fundamental passa a ser de nove
“aprimorar o educando «como pessoa
anos para que se tenha mais tempo da
humana”; “possibilitar o prosseguimento
criança na escola.
de estudos”; “garantir a preparação bási• O ensino fundamental de nove anos traz
ca para o trabalho e a cidadania” e dotar
o desafio e a oportunidade de repensar a
o educando dos instrumentos que lhe
escola que temos na direção de um propermitam “continuar aprendendo”, tendo
jeto de escola que tenha como centro de
em vista o desenvolvimento da “compresua atenção a reflexão e ação das crianças
ensão dos fundamentos científico-tecnoem suas características, dimensões e nelógicos dos processos produtivos” (art. 35,
cessidades concretas. Ou seja, um projeto
incisos I a IV).
político-pedagógico que materialize para
• O ensino médio integra-se à escolaridaas crianças condições de aprendizagem
de que tem como objetivo a formação
voltadas para conhecimentos de difecomum indispensável ao exercício da cirentes áreas, interligados a linguagens,
dadania. Entretanto, a identidade desse
imagens, sentimentos e relações que
nível de ensino tem oscilado, nas últimas
apresentem e coloquem em debate a readécadas, entre preparação para a educalidade e a sociedade na sua contemporação superior, como curso propedêutico,
neidade e historicidade.
e a qualificação para o trabalho, como
• O Ensino Médio conforme a Lei de Diretricurso técnico ou profissionalizante. A
zes e Bases 9394/96 é assim definido no
LDB então busca superar essa dualidade,

Ciências Sociais - Estrutura e Funcionamento do Ensino Fundamental e Médio
conferindo ao ensino médio função de
educação geral que, embora diferenciada
da educação profissional, inclui preparar
para o mercado de trabalho.
• O Plano Nacional de Educação (Lei nº
10172/2001) em seu diagnóstico sobre o
Ensino Médio destaca que este nível de
ensino no Brasil está em expansão. Devido à melhoria no Ensino Fundamental os
brasileiros têm apresentado mais interesse no Ensino Médio e a demanda para o
mesmo tem evoluído a cada ano.
• A Educação de Jovens e Adultos (EJA) é
contemplada na Lei de Diretrizes e Bases de 1996 em seus artigos 37 e 38.
Nestes artigos a Lei prevê que os jovens
e adultos poderão concluir os ensinos
fundamental e médio através de cursos
e exames supletivos, sendo que a idade
mínima para o ensino médio através de
supletivo é ser maior de dezoito anos. Os
cursos de exames supletivos são uma alternativa e uma modalidade de ensino
para prosseguimento dos estudos e conclusão da educação básica. Aqui de acordo com a LDB/96 a educação profissional

não é apenas um nível de ensino, mas
uma modalidade de formação que deve
estar presente na vida do indivíduo em
idade profissional produtiva. Isso significa
educação permanente ou educação continuada.
• As mudanças ocorridas no mercado de
trabalho, no entanto, vêm exigindo mais
conhecimentos e habilidades das pessoas, assim como atestados de maior
escolarização, obrigando-as a voltar à escola básica, como jovem, ou já depois de
adultas, para aprender um pouco mais ou
para conseguir um diploma.
• A educação de adultos é uma necessidade tanto na comunidade como nos locais
de trabalho. À medida que a sociedade se
desenvolve novas possibilidades de crescimento profissional surgem, mas, por
outro lado, exigem maior qualificação e
constante atualização de conhecimentos
e habilidades. Através da educação, as
pessoas têm a oportunidade de melhorar
de vida e competir no mercado de trabalho bem como reconhecer seus direitos.

Referências
BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei 9.394/96. Brasília: Diário Oficial
de 12 de dezembro de 1996. 
BRASIL. Plano Nacional de Educação. Lei nº 10.172/2001. Brasília: Diário Oficial de 10 de janeiro de 2001.
MENESES J.G. (org.). Educação Básica: Políticas, Legislação e Gestão. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2004.
SOUZA, Marcelo de Medeiros. O analfabetismo no Brasil sob o enfoque demográfico. Brasília:
IPEA, 1999. Disponível em: http://www.ipea.gov.br. Acesso em 25 jul.2007.

41

Ciências Sociais - Estrutura e Funcionamento do Ensino Fundamental e Médio

Unidade 4

O plano nacional de educação e as
ações articuladas e normatizadas
pelas políticas educacionais
vigentes
‘’(...) trabalhar lucidamente em favor da escola pública, em favor da melhoria
dos padrões de ensino, em defesa da dignidade dos docentes, de sua formação
permanente significa lutar pela educação popular, pela participação crescente
das classes populares nos conselhos de comunidade, de bairro, de escola. Significa incentivar a mobilização e a organização não apenas de sua própria categoria, mas dos trabalhadores em geral como condição fundamental da luta
democrática com vistas à transformação necessária e urgente da sociedade
brasileira. (Freire, 1987) 

• O Plano Nacional de Educação (PNE) e os seus antecedentes históricos.
• O Plano Nacional de Educação e as Metas Propostas para a década da educação- 2001-2011.
• O Plano de Desenvolvimento da Educação, o Compromisso “Todos pela a Educação” e as
Ações Articuladas dos entes federados.

Objetivo Geral
Oportunizar ao acadêmico um estudo
sistemático do Plano Nacional de Educação, seus antecedentes históricos e as ações
articuladas e normatizadas pelas políticas
educacionais vigentes, ressaltando o compromisso da sociedade brasileira em busca
de uma escola pública de qualidade e eficaz
para todos os brasileiros.
E para finalizar nosso estudo da disciplina “Estrutura e Funcionamento do Ensino
Fundamental e Médio”, na quarta unidade “O
Plano Nacional de Educação e as Ações Articuladas e Normatizadas pelas Políticas Educacionais Vigentes” trataremos do Plano Nacional de Educação e como, através da vontade

popular e mobilização social, além da legislação brasileira, chegamos até aqui. Resta-nos
ainda, entender melhor por onde se faz o caminhar da sociedade brasileira para a consolidação de uma escola pública de qualidade
e eficaz para todos a partir das experiências
aqui explicitadas.
O mais importante de tudo isso, entretanto, é que você, acadêmico (a), faça a leitura
do material e das sugestões propostas, reflita
sobre o processo de legalização da educação
brasileira e acredite que, antes da legislação,
existe a ação de homens e mulheres empenhados em um mundo melhor.

Lembrando Paulo Freire:
Não posso entender os homens e as mulheres, a não ser mais do que simplesmente vivendo, histórica, cultural e socialmente existindo, como seres fazedores de seu “caminho” que, ao fazê-lo, se expõem ou se entregam ao “caminho”
que estão fazendo e que assim os refaz também. (1992, p.97)

glossário
Plano Nacional de
Educação – PNE: É
um plano onde estão
traçados os objetivos
e metas para a educação brasileira. É um
plano de Estado, não
um plano de governo.
Os governantes atuais
lideram o processo de
elaboração do PNE e
dos Planos Estaduais
e Municipais. O Plano
tem vigência por dez
anos.
É um plano global, isto
é, abrangente de toda a
educação, tanto no que
se refere aos níveis de
ensino e modalidades
de educação, quanto
no envolvimento dos
diversos setores da
administração pública
e da sociedade. Saviani
(2007)

43

UAB/Unimontes - 6º Período

dicas
Você sabia que são
298 metas propostas
pelo PNE para todos os
níveis e modalidades
de ensino, importantes
questões sobre a formação de professores
e o financiamento da
educação e a gestão da
educação no Brasil que
tem objetivos primordiais.
Conheça o manifesto
dos pioneiros da educação:
http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/ /
heb07a.htm
http://www.scielo.br/
scielo.
php?script_sci_
arrttextepid=s0101

44

4.1 O plano nacional de educação
– antecedentes históricos
O PNE que hora discutimos, pode ser considerado com a Constituição Federal (CF) e
com a LDB, uma das bases normativas em que
se assenta a educação do país.  Reportamo-nos ao texto elaborado para apresentação do
PNE- MEC que muito bem descreve os autores
sobre os antecedentes históricos do PNE- Lei

nº 10.172/ 2001, como uma leitura básica imprescindível para o seu entendimento, nesta
unidade. Transcrevemos um trecho longo, mas
de suma importância para que você conheça a
história de criação e elaboração do Plano Nacional de Educação.
Veja a História a seguir:

A instalação da República no Brasil e o surgimento das primeiras ideias de um
plano que tratasse da educação para todo o território nacional aconteceram simultaneamente. À medida que o quadro social, político e econômico do início
deste século se desenhavam, a educação começava a se impor como condição
fundamental para o desenvolvimento do país. Havia grande preocupação com
a instrução, nos seus diversos níveis e modalidades. Nas duas primeiras décadas, as várias reformas educacionais, ajudaram no amadurecimento da percepção coletiva da educação como um problema nacional.
Desde o movimento de 1932, "Manifesto dos Pioneiros da Educação” quando
um grupo de educadores, homens e mulheres da elite intelectual brasileira,
lançou um manifesto ao povo e ao governo que propunham a reconstrução
educacional, de grande alcance e de vastas proporções... um plano com sentido unitário e de bases científicas...". O documento teve grande repercussão e
motivou uma campanha que resultou na inclusão de um artigo específico na
Constituição Brasileira de 16 de julho de 1934. O art.150 declarava ser competência da União "fixar o plano nacional de educação, compreensivo do ensino
de todos os graus e ramos, comuns e especializados; e coordenar e fiscalizar a
sua execução, em todo o território do País". Atribuía, em seu art.152, competência precípua ao Conselho Nacional de Educação, organizado na forma da
lei, a elaborar o plano para ser aprovado pelo Poder Legislativo, sugerindo ao
Governo as medidas que julgasse necessárias para a melhor solução dos problemas educacionais bem como a distribuição adequada de fundos especiais".
Todas as constituições posteriores, com exceção da Carta de 37, incorporaram,
implícita ou explicitamente, a ideia de um Plano Nacional de Educação. Havia
subjacente, o consenso de que o plano devia ser fixado por lei. A ideia prosperou e nunca mais foi inteiramente abandonada.
O primeiro Plano Nacional de Educação surgiu em 1962, elaborado já na vigência da primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº 4.024, de
1961. Ele não foi proposto na forma de um projeto de lei, mas apenas como
uma iniciativa do Ministério da Educação e Cultura, iniciativa essa aprovada
pelo então Conselho Federal de Educação. Era basicamente um conjunto de
metas quantitativas e qualitativas a serem alcançadas num prazo de oito anos.
Em 1965, sofreu uma revisão, quando foram introduzidas normas descentralizadoras e estimuladoras da elaboração de planos estaduais. Em 1966, uma
nova revisão, que se chamou Plano Complementar de Educação, introduziu
importantes alterações na distribuição dos recursos federais, beneficiando a
implantação de ginásios orientados para o trabalho e o atendimento de analfabetos com mais de dez anos.
Com a Constituição Federal de 1988, cinquenta anos após a primeira tentativa
oficial, ressurgiu a ideia de um plano nacional de longo prazo, com força de lei,
capaz de conferir estabilidade às iniciativas governamentais na área de educação. O art. 214 contempla esta obrigatoriedade.
Por outro lado, a Lei nº 9.394, de 1996, que "estabelece as Diretrizes e Bases da
Educação Nacional", determina nos artigos 9º e 87, respectivamente, que cabe
à União, a elaboração do Plano, em colaboração com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, e institui a Década da Educação. Estabelece ainda, que a
União encaminhe o Plano ao Congresso Nacional, um ano após a publicação da
citada lei, com diretrizes e metas para os dez anos posteriores, em sintonia com
a Declaração Mundial sobre Educação para Todos.
Em 10 de fevereiro de 1998, o Deputado Ivan Valente apresentou no Plenário
da Câmara dos Deputados o Projeto de Lei nº 4.155, de 1998 que "aprova o Plano Nacional de Educação". A construção deste plano atendeu aos compromissos assumidos pelo Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública, desde sua
participação nos trabalhos da Assembléia Nacional Constituinte, consolidou

Ciências Sociais - Estrutura e Funcionamento do Ensino Fundamental e Médio
os trabalhos do I e do II Congresso Nacional de Educação - CONED e sistematizou contribuições advindas de diferentes segmentos da sociedade civil. Na
justificação, destaca o autor a importância deste documento-referência que
"contempla dimensões e problemas sociais, culturais, políticos e educacionais
brasileiros, embasado nas lutas e proposições daqueles que defendem uma sociedade mais justa e igualitária".
Em 11 de fevereiro de 1998, o Poder Executivo enviou ao Congresso Nacional a
Mensagem 180/98, relativa ao projeto de lei que "Institui o Plano Nacional de
Educação".
Iniciou sua tramitação na Câmara dos Deputados como Projeto de Lei nº 4.173,
de 1998, apensado ao PL nº 4.155/98, em 13 de março de 1998. Na Exposição de
Motivos destaca o Ministro da Educação a concepção do Plano, que teve como
eixos norteadores, do ponto de vista legal, a Constituição Federal de 1988, a Lei
de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 1996, e a Emenda Constitucional nº 14, de 1995, que instituiu o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do
Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério. Considerou ainda realizações anteriores, principalmente o Plano Decenal de Educação para Todos, preparado de acordo com as recomendações da reunião organizada pela UNESCO e realizada em Jomtien, na Tailândia, em 1993. Além deste, os documentos
resultantes de ampla mobilização regional e nacional que foram apresentados
pelo Brasil nas conferências da UNESCO constituíram subsídios igualmente importantes para a preparação do documento. Várias entidades foram consultadas pelo MEC, destacando-se o Conselho Nacional de Secretários de Educação
- CONSED e a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação - UNDIME.

O PNE tramitou por várias instâncias até
a aprovação do texto final – aprovado em 09
de janeiro de 2001, promulgado como Lei nº
10.172/ 2001pelo então Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso.
Desde a proposta inicial, elaborada a partir de 1998, nos congressos nacionais da educação e ainda contando com a participação de
educadores, profissionais da educação, estudantes, pais de alunos dentre outros. Embora
registra-se mais uma vez na história brasileira
que apesar de toda a participação e mobilização do povo nota-se que os interesses majoritários do Congresso Brasileiro ou do Governo
aprovam, como texto final, o que lhes convém.
Para saber mais sobre essa discussão leia o artigo “PNE: Plano Nacional de Educação ou Carta de Intenção?” Do Deputado Ivan Valente e
do Prof. Dr. Roberto Romano, que está Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php .
Mesmo sendo aprovado o texto, segundo as intenções do Congresso Nacional, cabe
aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, com base nesta Lei, elaborem seus planos decenais correspondentes. Ficando ainda a União, em articulação com os Estados, o
Distrito Federal, os municípios e a sociedade
civil, responsáveis por proceder à avaliação
periódica da implementação do referido Plano Nacional de Educação, cabendo ao Poder
Legislativo, por intermédio das Comissões de
Educação, Cultura e Desporto da Câmara dos
Deputados e da Comissão de Educação do Se-

dicas
Conheça a Mensagem
nº 9 do Presidente da República de
09.01.2001-VETOS DO
PNE.
Acesse o site: https://
www.planalto.
gov.br/ccivil_03/Leis/
Mensagem_Veto
/2001/Mv0009-01.htm

nado Federal acompanhar a execução do referido plano, responsabilidade essa também da
sociedade civil brasileira. 
O que se deduz é que a luta da sociedade
brasileira precisa continuar articulada e participando de construções de propostas e projetos
que possam transformar a realidade brasileira a favor de todos nós. Movimentos sociais,
diagnóstico da realidade, dos problemas da
educação brasileira além da leitura crítica das
proposições advindas dos governos precisam
ser entendidos, valorizados e viabilizados.
Já é do conhecimento dos educadores e
da sociedade civil organizada que é antiga a
vontade popular da elaboração de um Plano
Nacional de Educação para definir a intervenção plurianual do Poder Público e da sociedade, assim como sabemos ser exigência de relevantes segmentos sociais do nosso País, agora
que temos a Lei nº. 10.172/2001, que aprova o
PNE, doze anos depois de promulgada a Constituição Federal, quando surge a norma Legislativa posta no seu artigo 214 e requerida pela
LDB 9394/96.
Já registramos também que o projeto do
PNE surgiu do Fórum Nacional em Defesa da
Escola Pública, com a entrada em 10 de fevereiro de 1998, na Câmara dos Deputados, de
um projeto elaborado coletivamente por educadores, estudantes, pais, profissionais da educação nos Congressos Nacionais de Educação I
e II (CONEDS), daí o plano ter ficado conhecido
como PNE da Sociedade Brasileira.

É preciso assinalar que um plano da magnitude do PNE deve ser assumido pelo
Poder Público, especialmente pelo Congresso Nacional, como tarefa de Estado.
Ele não pode ser reduzido às "razões" de governos que agem para conquistar
vitórias conjunturais, em proveito de seus interesses imediatos. (VALENTE; ROMANO, 2002)

45

UAB/Unimontes - 6º Período
Registramos, com o histórico apresentado
acima, que de um lado tínhamos um projeto
democrático e popular, expresso na proposta
da sociedade e de outro o entendimento de
um plano que expressava a política vigente.
O nosso entendimento precisa ser o de
busca de fortalecimento da escola pública de
qualidade para todos e a democratização da
gestão educacional, como eixo da universalização da educação básica. Daí entendermos
que propor objetivos, metas e estratégias e

meios ousados requer, antes de tudo, a ampliação de gastos públicos para a manutenção
e desenvolvimento do ensino público.
Os autores Valente e Romano (2002) apresentam críticas ao Plano, quanto ao seu fundamento, entendendo que ele se submete
às imposições advindas de política do capital
financeiro internacional impostas pelo Banco
Mundial ao MEC conforme os exemplo do que
eles chamaram de “detalhismo e generalismo
ambíguo”. Veja:

Detalhismo, ao se intensificar a centralização da política educacional, como na
meta oito: "assegurar que, em três anos, todas as escolas tenham formulado
seus projetos pedagógicos, com observância das Diretrizes Curriculares para o
ensino fundamental e dos Parâmetros Curriculares Nacionais";
Generalismo ambíguo na ausência de definição de prazo e meios, ao retardar
a sua implementação, como na meta 20: "eliminar a existência, nas escolas, de
mais de dois turnos diurnos e um turno noturno, sem prejuízo do atendimento
da demanda".

Tomando como base de análise o que dispõe a Constituição no seu artigo 214, o plano
deve visar à articulação e ao desenvolvimento
do ensino em seus diversos níveis e a integração das ações do Poder Público que condu-

zam à sua viabilização. Os referidos autores
apresentam, no quadro comparativo dos objetivos do PNE na Constituição, versus Lei aprovada, o que se refere a distância entre o Plano
e o que o país precisa. 

4.2 O plano nacional de educação
e as metas propostas para a
década da educação- 2001-2011.
para refletir
Atividades e ações de
erradicação do analfabetismo começaram a
existir com o Programa
Comunidade Solidária,
ocasião também que,
com a sanção da Lei
9424/96 que cria o
FUNDEF, foram vetadas
ações para a manutenção e desenvolvimento
do ensino de jovens
e adultos, questão já
resolvida com a Lei nº.
11.494/2007 que cria o
FUNDEB.
Vale a pena você ler
essa duas leis

46

Observe, na tabela a seguir, algumas diferenças entre objetivos da Constituição e do Plano.
Objetivos do PNE na constituição versus Lei aprovada
DIZ A CONSTITUIÇÃO

DIZ O PNE APROVADO

- erradicar o analfabetismo

Neste ponto não faz referência

- universalizar o atendimento escolar

- elevar de modo global o nível de escolaridade da
população

- melhorar a qualidade do ensino

- a melhoria da qualidade do ensino em todos os
níveis

Fonte: Artigo 214 da Constituição federal e item 2, "Objetivos e prioridades", do PNE

Falta ênfase no item: erradicar o analfabetismo, como objetivo do plano, aliás, simplesmente ele desaparece, o que se nota é um
descaso dos legisladores diante de uma das
dívidas sociais brasileiras com os brasileiros,
embora vale lembrar que há explicações para
a contemplação do aspecto na seção que trata
da EJA, quando metas que indicam a tarefa do
combate ao analfabetismo são contempladas,
embora sem definir meios para concretização.

Analisando outros aspectos do plano,
também neste sentido, a Universalização do
atendimento escolar chega a ser substituído
por elevação global do nível de escolaridade
da população, o que parece diminuir a finalidade, à época, do Plano.
Quanto ao tema “financiamento da educação” no PNE, ficou estabelecido a elevação
para 7% do PIB como meta a ser atingida na
década de validade do plano.

Ciências Sociais - Estrutura e Funcionamento do Ensino Fundamental e Médio
Vamos comparar com atenção aspectos
do texto legal aprovado e o texto do projeto
da sociedade brasileira.
Vejam as Diretrizes Gerais no PL nº.

4155/98 em comparação com os objetivos e
prioridades, item 2, da Seção I – Introdução do
PNE aprovado – Lei nº. 10172/2001 originária
do Projeto de Lei nº. 4.173/98.

47

UAB/Unimontes - 6º Período

para refletir
E agora, como podemos fazer uma nova
leitura após mudança
de governo e passado
quase uma década da
votação do PNE?
Faça uma análise sobre
em que medida os
objetivos e as metas
propostas pelo PNE
vêm sendo alcançadas no seu município.
Para fazer essa análise,
leia todo o plano e,
em seguida, procure
o gestor educacional
do seu município e
converse com ele sobre
o assunto.

dicas
Conheça o relatório: “O
PNE e a Avaliação de
Políticas Públicas pelo
Congresso Brasileiro”. Artigo da Consultoria Legislativa- Câmara
dos Deputados. Disponível em http://apache.
camara.gov.br
/portal/arquivos/camara/internet/pública

Outros aspectos conclusivos apresentados pelos autores precisam ser considerados no nosso estudo:
O PNE aprovado pelo Congresso, assim como a LDB e a legislação educacional,
aprovadas sob a égide do pacto conservador que atualmente controla o governo brasileiro, traduzem a compreensão de que a política educacional deve
ser concebida e praticada hostilizando-se o pensamento, as reivindicações, os
anseios da comunidade escolar. Mais do que isso, essa orientação materializa
no Brasil a política do Banco Mundial para os países subdesenvolvidos.
Neste sentido e até por isso, o PNE, como lei de conjunto não contempla as
propostas e reivindicações dos setores democráticos e populares da sociedade. Ele é uma espécie de salvo-conduto para que o governo continue implementando a política que já vinha praticando. (VALENTE e ROMANO, 2002)

Apresentamos as críticas e ponderações sobre o PNE feitas pelos autores citados e embasadas em outros tantos atores do poder público e representantes da sociedade civil. Porém apesar das críticas apresentadas, percebemos o PNE como um avanço significativo na
construção de políticas públicas para os brasileiros.
É preciso que o PNE seja amplamente discutido nos cursos de formação de professores e nas redes de ensino, já que se constitui em um dos principais pilares da política educacional brasileira.
Assim, focando nossa discussão nos objetivos e metas determinados pelo próprio PNE, com
o intuito de propiciar a você as analises e as perspectivas para o seu cumprimento, acreditamos
contribuir para melhor formar a sua consciência crítica.
Queremos aqui, destacar os objetivos e prioridades segundo o PNE:
1. a elevação global do nível de escolaridade da população;
2. a melhoria da qualidade do ensino em todos os níveis;
3. a redução das desigualdades sociais e regionais no tocante ao acesso e à permanência, com sucesso, na educação pública e a democratização da gestão do
ensino público, nos estabelecimentos oficiais, obedecendo aos princípios da
participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola e;
4. a participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou
equivalentes (BRASIL, PNE, 2001).

Fazendo cumprir o dever constitucional com base nas necessidades sociais, e considerando
as limitações impostas pelos recursos financeiros e pela capacidade de responder ao grande desafio de oferecer uma educação compatível, na extensão e na qualidade, à dos países desenvolvidos é que este plano estabelece as seguintes prioridades:
1. Garantia de ensino fundamental obrigatório de oito anos a todas as crianças
de 7 a 14 anos, assegurando o seu ingresso e permanência na escola e a conclusão desse ensino.
2. Garantia de ensino fundamental a todos os que a ele não tiveram acesso na
idade própria ou que não o concluíram.
3. Ampliação do atendimento nos demais níveis de ensino.
4. Valorização dos profissionais da educação.
5. Desenvolvimento de sistemas de informação e de avaliação em todos os níveis e modalidades de ensino. (BRASIL, PNE, 2001)

O Plano Nacional de Educação define:
1. as diretrizes para a gestão e o financiamento da educação;
2. as diretrizes e metas para cada nível e modalidade de ensino e;
3. as diretrizes e metas para a formação e valorização do magistério e demais
profissionais da educação, nos próximos dez anos. (BRASIL, PNE, 2001)

Notamos nessas diretrizes a preocupação com a adequação às especificidades locais e definição de estratégias adequadas a cada circunstância que marcará a elaboração de planos estaduais e municipais.
Daí objetivarmos a reflexão da importância social e política do PNE e da LDB. 9394/96, enquanto instrumentos que norteiam a educação brasileira. Para conhecer suas principais determinações e implicações legais, compreendendo a organização para o funcionamento da educação
nacional, a partir das ações articuladas entre as três esferas de governo e a sociedade, é preci-

48

Ciências Sociais - Estrutura e Funcionamento do Ensino Fundamental e Médio
so tomar como base um diagnóstico local/real, realizado pelos agentes/atores. Os princípios de
equidade e inclusão são elementos capazes de se tornar instrumento de redução das desigualdades e das discriminações sofridas. 
Além da LDB e do PNE, o Plano de Desenvolvimento da Educação – PDE e o Plano de Ações
Articuladas – PAR são referências nacionais que possibilitam a articulação entre os entes federados para fazer cumprir as políticas públicas brasileira na atualidade.

4.3 O PNE e a visão sistêmica do
PDE
O Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (2007), afirma que os mais diferentes setores sociais: dos trabalhadores aos empresários, dos professores aos alunos, das escolas
privadas às escolas públicas, em todas as regiões, têm reconhecido a consistência das políticas
públicas voltadas para a educação: PROUNI, Universidade Aberta - UAB, FUNDEB, Piso Salarial
Nacional do Magistério, IDEB, REUNI, IFET, entre outras iniciativas. Muito já foi feito e muito mais
temos que fazer.
O PDE oferece uma concepção de educação alinhada aos objetivos constitucionalmente determinados à República Federativa do Brasil. Esse alinhamento exige a construção da unidade dos sistemas educacionais como sistema nacional
– o que pressupõe multiplicidade e não uniformidade. Em seguida, exige pensar etapas, modalidades e níveis educacionais não apenas na sua unidade, mas
também a partir dos necessários enlaces da educação com a ordenação do território e com o desenvolvimento econômico e social, única forma de garantir a
todos e a cada um o direito de aprender até onde o permitam suas aptidões e
vontade. (BRASIL, MEC, PDE, s/d)

Compreendemos o PDE como uma possibilidade de ser mais do que a tradução instrumental do PNE.
Ao analisar a relação do PDE com o PNE, enquanto norma legal, fica claro que o PDE pretende ser mais do que um instrumento ou plano executivo que traduz o PNE. Este plano estabelece
um conjunto de programas que visam dar consequência e encaminhamento às metas quantitativas estabelecidas no PNE. Ao apresentar um bom diagnóstico dos problemas educacionais,
deixa em aberto a questão das estratégias e ações a serem executadas no sentido de garantir a
melhoria da qualidade da educação. Ressaltamos que é notória a visão sistêmica da educação, a
concepção vigente e de inter-relação entre os níveis e modalidades educacionais bem como o
contexto do ordenamento territorial e do desenho econômico e social, que garante uma unidade geral à Nação Brasileira.
O PDE pretende na sua concepção vencer as falsas oposições que projetaram a educação
brasileira tais como: educação básica x educação superior; educação básica x níveis da educação
infantil, ensino fundamental e médio; ensino médio x educação profissional; alfabetização x EJA;
educação regular x educação especial (BRASIL, MEC, PDE, s/d)
Dentre as razões e princípios do PDE vale destacar a concepção de educação que inspira
este plano, no âmbito do MEC. Essa se volta para uma visão sistêmica da educação,
Visão sistêmica implica, portanto, reconhecer as conexões intrínsecas, entre
educação básica, educação superior, educação tecnológica e alfabetização e a
partir dessas conexões, potencializar as políticas de educação, de forma a que
se reforcem reciprocamente. (BRASIL, MEC, PDE, s/d)

A Educação é definida constitucionalmente como direito de todos e dever do Estado e da
família. Responsabilizar a classe política e mobilizar a sociedade como condições indispensáveis
da existência e execução de um plano de desenvolvimento da educação é também dever de todos nós. Daí, responsabilização e mobilização social serem evidentes nos propósitos deste Plano.
Elencaremos os seis pilares em que se sustentam o PDE:

para refletir
a) territorialidade:
Condição do que faz
parte do território de
um Estado. Limitação
da força imperativa das
leis ao território do Estado que as promulga.
b) desenvolvimento: é
um processo dinâmico
de melhoria, que implica uma mudança, uma
evolução, crescimento
e avanço. Crescimento;
propagação.
(HOLANDA, 1986)
c) regime de colaboração: A Constituição
de 1988 no artigo 211
estabelece que a União,
estados e municípios
organizarão, em regime
de colaboração, os seus
sistemas de ensino.
Ou seja, esse regime
significa organizar a
educação em âmbito
nacional e, portanto,
um sistema nacional
de educação. (SAVIANI,
1997)
d) responsabilização:
obrigação de membros
de um órgão administrativo ou representativo de prestar contas a
instâncias controladoras ou a seus representados. (HOLANDA,
1986)
e) mobilização social:
Processo dinâmico e
permanente de envolvimento, de construção
e mudança de valores e
atitudes e de engajamento de pessoas e
grupos sociais. A Mobilização Social é um
processo educativo que
promove a participação
(empoderamento) de
muitas e diferentes
pessoas (irradiação) em
torno de um propósito
comum (convergência).
(LINO, 2008).
Disponível em www.
museudapessoa.net/
umm
ilhao/.../mobilizacaosocial.pdf

49

UAB/Unimontes - 6º Período





visão sistêmica da educação,
territorialidade,
desenvolvimento,
regime de colaboração,
responsabilização e
mobilização social (BRASIL, MEC, PDE, s/d)

Outro aspecto a ser considerado e de
suma importância para quem espera conquistar avanços no país pelos ideais da nossa constituição brasileira é que ao organizar o nosso
território sob a forma federativa, organizou
ainda as competências da União, dos Estados,
do Distrito Federal e dos municípios em matéria educacional. E aí cabe a análise, de fato, de
que os propósitos do PDE tornam o regime de
colaboração um imperativo necessário, significando compartilhamento de competências
políticas, técnicas e financeiras para a execução de programas de manutenção e desenvolvimento da educação de forma a exigir a
atenção dos entes federados sem ferir-lhes a
autonomia. (BRASIL. MEC, PDE, s/d)

Ao analisar o mandamento constitucional, segundo o qual a União deve exercer função distributiva e supletiva, de forma a garantir equalização de oportunidades educacionais
e padrão mínimo de qualidade do ensino, mediante assistência técnica e financeira aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios, nota-se que, a partir do PDE, pode garantir maiores
compromissos, inclusive financeiros através de
instrumentos eficazes de avaliação e de implementação de políticas de melhoria da qualidade da educação. Ressaltamos que, na Educação Básica Pública, ações significativas já estão
sendo concretizadas entre os entes federativos
através do PAR.

4.3.1 O Plano de Desenvolvimento da Educação, o Compromisso
“Todos pela Educação” e as Ações Articuladas dos entes federados.

4.3.1.1 O PDE e o caminho para a construção do Sistema Nacional de
Educação
Descrevemos, no item anterior, nossas
considerações acerca da visão sistêmica da
educação e a concretização de preceitos legais
vigentes para a nossa educação, mais precisamente para a educação básica, objeto de
estudo nessa nossa disciplina: Estrutura e Funcionamento do Ensino. Agora queremos analisar o caminho que se pode construir a partir

desta visão para a consolidação da construção
de um Sistema Nacional da Educação, possibilitando ainda o rompimento com a visão fragmentada da educação, sem disputa entre etapas, modalidades e níveis educacionais e que
gera incoerência e ausência de articulação de
todo sistema.

Quando consideramos o caminho possível para a construção de um Sistema
Nacional de Ensino, estamos fazendo não apenas pela análise de organização
em eixos norteadores como elos de aliança que se reforçam, mas também pelos pilares que se fixam e seus suportes institucionais: Sistema Nacional de avaliação, Sistema Nacional de formação de professores e regime de colaboração
e ainda duas considerações que se entrelaçam: financiamento e autonomia.
(BRASIL, MEC, PDE, s/d)

Para explicar a afirmação anterior vamos recorrer a outro trecho do PDE – MEC – Brasil.

50

Estudiosos da educação, em especial economistas, têm defendido a tese de
que o Brasil não precisa ampliar os investimentos em educação como proporção do Produto Interno Bruto. Alegam que o patamar atual, de 4%, aproxima-se da média dos países desenvolvidos, o mesmo valendo para a relação entre
o investimento na educação básica e o investimento na educação superior, de
cerca de quatro para um. Esta abordagem, contudo, perde de vista dois aspectos: nosso baixo PIB per capita e nossa elevada dívida educacional. Se quisermos acelerar o passo e superar um século de atraso no prazo de uma geração,
não há como fazê-lo sem investimentos na educação da ordem de 6% a 7% do

Ciências Sociais - Estrutura e Funcionamento do Ensino Fundamental e Médio
PIB. Neste esforço, que deve ser nacional, o PDE, considerada a complementação da União ao FUNDEB, acrescenta, a partir do quarto ano de seu lançamento, R$ 19 bilhões anuais ao orçamento do Ministério da Educação, ou 0,7% do
PIB, apenas como contrapartida federal [...]. (BRASIL, MEC, PDE, s/d).
O regime de colaboração deve prever o aumento das transferências automáticas de recursos às escolas e às redes educacionais que demonstrem capacidade de avançar com suas próprias forças e o aumento das transferências de
recursos condicionado à elaboração e ao cumprimento de um plano de trabalho para as escolas e as redes educacionais que necessitem de apoio técnico e
financeiro. Deve-se equalizar as oportunidades educacionais pelo aumento do
financiamento, diferenciando-se apenas o caráter do apoio, de modo a garantir a ampliação da esfera de autonomia das escolas e das redes educacionais.
(BRASIL, MEC, PDE, s/d)

4.3.2 O PDE enquanto Programa de Ação:
Apresentaremos, de forma bastante didática e resumida, os quatro eixos norteadores
que compõem o PDE enquanto plano executivo – um dos elementos conceituais que
determinam a formulação do PDE, daí os seus
programas estarem organizados em termo de
educação básica, educação superior, educação
profissional e alfabetização, dentro da concep-

ção da educação que já discorremos anteriormente.
O nosso compromisso de educador nos
impõe destacar aqui aspectos relevantes de
cada eixo. Apresentaremos os quatro eixos,
mas vamos nos ater ao primeiro eixo por se
tratar da Educação Básica, objeto de estudo da
nossa disciplina.

para refletir
Você concorda que
um dos objetivos da
educação pública é
promover autonomia?
Para você o que significa autonomia?

Conheça a metodologia PDE Escola. Visite o site do MEC.
I - Educação básica, com seus respectivos colóquios:

Formação de professores e piso salarial nacional.

Financiamento: Salário Educação e FUNDEB.

Avaliação e Responsabilização: O IDEB

O Plano de metas: Planejamento e gestão educacional.
II - Educação Superior

Reestruturação e Expansão das diversidades federais: REUNI e PNAES

Democratização do Acesso: PROUNI e FIES

Avaliação como base de regularização: SINAE
III – Educação Profissional tecnológica:

Educação Profissional e Educação Científica: O IFET

Normatização

EJA Profissionalizante
IV – Alfabetização, Educação Continuada e Diversidade. (BRASIL, MEC, PDE, s/d)

4.3.3 Formação de Professores e Piso Salarial Nacional 
Dentre os pontos principais do PDE está
a formação de professores e a valorização dos
profissionais da educação. Primeiro é preciso registrar que houve distinção em relação a
estes profissionais com a criação do Piso Salarial Nacional, única categoria profissional com
piso constitucionalmente assegurado, além
do comprometimento determinante da União
com a formação de professores para os sistema públicos de educação básica através da
Universidade Aberta do Brasil –UAB.
A UAB e o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência –PIBID, ao estabelecer uma relação permanente entre educação
superior e educação básica pôde representar
o início de um sistema Nacional Público de for-

mação de professores, inclusive com a Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior- CAPES-assumindo uma
responsabilidade que sempre foi sua. Os polos
presenciais da UAB, a exemplo do curso de vocês, é resultado de acordos de cooperação entre os entes federados e as universidades  públicas, acolhendo professores sem formação
superior ou garantindo formação continuada
aos que já estão graduados. Eis aqui também
um exemplo que as diretrizes e os objetivos
do PNE abrangem: “Ampliar, a partir da colaboração da União, dos estados e dos Municípios, os programas de formação em serviço
que assegurem a todos os professores a possibilidade de adquirir a qualificação mínina

51

UAB/Unimontes - 6º Período
exigida  pela LDB, observando as diretrizes e
os parâmetros curriculares” e desenvolver programas de educação a distancia que possam
ser utilizados também em cursos semipresenciais modulares, de forma a tornar possível o
cumprimento da meta anterior. No caso do PIBID, há a oferta de bolsas de iniciação à docên-

cia, aos licenciados de cursos presenciais que
se dediquem ao estágio nas escolas públicas e
que se comprometam com o exercício do magistério na rede pública, uma vez graduados
nas áreas de física, química, biologia e matemática, prioritariamente.(BRASIL, PDE-Razões
e Princípios, s/d )

4.3.4 Financiamento da Educação

dicas
Conheça o Anexo da
Lei 11494/2007: nota
explicativa. Esta nota
explica como são feitos
os cálculos para a distribuição dos recursos
do Fundeb.
Conheça também o
Decreto n 6.253,de 13
de novembro de 2007,
que dispõe sobre o
FUNDEB e regulamenta
a Lei 11494 de 20 de
junho de 2007 e dá
outras providências
(operacionalização dos
FUNDOS).
Disponível em www.
fnde.gov.br
Após ler os documentos, procure saber
qual o valor mínimo
nacional por aluno/ano
vigente.

52

Acreditamos que um grande passo na
construção de uma política financeira para o
país, na área da educação, foi dado no inicio
da década de 80 quando, pela Emenda Calmon, a Constituição Federal estabeleceu um
patamar de gastos em educação mediante a
vinculação de, no mínimo, 25% das receitas
dos estados e municípios e de 18% das receitas da união. Com essa obrigatoriedade, a educação, embora contando com um montante
significativo de recursos disponíveis, nem todas as mudanças aconteceram, especialmente as  do ponto de vista  qualitativos, embora
já fosse previsto por alguns legisladores, de
1972/88.
A Educação Básica, no aspecto de  Valorização dos Profissionais da Educação, com a
implantação do  FUNDEB, busca uma das respostas mais esperadas, com base na gestão
compartilhada entre a União, os Estados , o
Distrito Federal e os Municípios.
Embora na forma de um fundo contábil, o
FUNDEB traz no seu bojo não somente a alocação de recursos financeiros no ensino, mais
que isto, traz a possibilidade da concretização
de uma luta histórica, de um sonho de educadores comprometidos com uma formação
qualificada para nossas crianças, jovens e adultos. Esta é uma historia que remonta aos tem-

pos de Anísio Teixeira, liderando o Manifesto
dos Pioneiros em 1932; o Professor Florestan
Fernandes na campanha a favor da escola pública, laica, gratuita e de qualidade, na década
de 50, ao lado de tantos outros educadores
que fizeram a historia  da educação brasileira.
Dificilmente será possível aos brasileiros e brasileiras exercerem plenamente a sua cidadania
sem a garantia da elevação de seu nível cultural e de uma escolaridade básica qualificada
(DELGADO, 2006).
A garantia da educação básica pública – cuja responsabilidade cabe aos Estados,
Distrito Federal e Municípios, com a participação suplementar da União, conforme prevê
a Constituição Federal de 1988 - constitui um
dos grandes desafios esperados da política
brasileira, sobretudo no que se refere às ações
de inclusão social. O que ainda se espera é que
com a implantação do FUNDEB haja a redução
das diversas  formas de desigualdades educacionais existentes nesta grande Nação, equidade na distribuição dos recursos disponíveis no
âmbito dos Estados, Distrito Federal e Municípios e maior participação federal no repasse
de recursos financeiros, de forma a contribuir
para elevar as estatísticas quantitativas e qualitativas nos diversos âmbitos da educação.

4.3.5 O que é o FUNDEB?
O FUNDEB foi criado pela Emenda Constitucional n 53/2006 e regulamentado pela Lei
n 11.494/2007 e pelo Decreto n 6.253/2007, em
substituição ao Fundef, que vigorou de 1998 a
2006. Trata-se de fundo especial, de natureza
contábil e de âmbito estadual., com vigência
prevista para o período 2007/2020, tendo sua
implantação iniciada em 1º de Janeiro de 2007
e concluída no terceiro ano de vigência.
O FUNDEB é calculado sobre as seguintes
fontes de impostos e de transferências constitucionais:
• Fundo de Participação dos Estados (FPE)
• Fundo de participação dos Municípios
(FPM)

• Imposto sobre Circulação de Mercadorias
e sobre prestação de Serviços (ICMS)
• Imposto sobre os  Produtos Industrializados, proporcional às exportações (IPIexp)
• Imposto sobre transmissão causa mortis
e doações de quaisquer bens ou direitos
(ITCMD)
• Imposto sobre a propriedade de Veículos
Automotores (IPVA)
• Impostos sobre a propriedade Territorial
Rural (cota-parte dos Municípios) (ITRm)
• Recursos relativos à desoneração de exportações de que trata a LC nº 87/96
• Arrecadação de impostos que a União
eventualmente instituir no exercício de

Ciências Sociais - Estrutura e Funcionamento do Ensino Fundamental e Médio
sua competência (cotas- partes dos Estados, Distrito Federal e Municípios)
• Receita da dívida ativa tributária, juros e
multas relativas aos impostos acima relacionados.
Além desses recursos, originários dos
entes estaduais e municipais, recursos federais também integram a composição do

FUNDEB, a título de complementação financeira, com o objetivo de assegurar o valor
mínimo nacional por aluno/ano a cada Estado ou Distrito Federal, em que este limite
mínimo não for alcançado com os recursos
dos próprios governos (BRASIL, FUNDEB,
Manual de Orientação-2009).

4.3.6 Utilização dos recursos pelos Estados, Distrito Federal e
Municípios:
É do nosso conhecimento que os recursos
do FUNDEB só podem ser empregados exclusivamente em ações de manutenção e de desenvolvimento da educação básica, especialmente na valorização do magistério, devendo
ser utilizado na aplicação da seguinte forma:
Parcela mínima de 60% do FUNDEB destinada
à remuneração dos profissionais do magistério
em efetivo exercício na educação básica pública, com vínculo tanto permanente quanto
temporário, tanto do regime celetista quanto
do regime jurídico específico do ente governamental. São considerados profissionais do magistério: os professores e os profissionais que
exercem as atividades de suporte e assessoramento pedagógico à docência; direção ou administração escolar, planejamento, inspeção,
supervisão, orientação educacional e coordenação pedagógica.

• Parcela de até 40% do Fundo: Garantida a
exigência mínima de 60% para a remuneração do magistério, os recursos restantes
(de até 40%do total) devem ser direcionados para despesas diversas que são consideradas como de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino (MDE), realizadas
na educação básica, conforme previsto
no artigo 70 da LDB 9.394/96, observando
ainda os níveis de atendimento por ente
governamental:
• Municípios: despesas com MDE no âmbito da Educação Infantil e do ensino fundamental.
• Estados: despesa com MDE no âmbito
dos ensinos fundamental e médio.
• Distrito Federal: despesas com MDE no
âmbito da educação Infantil e dos ensinos
fundamental e médio.

4.3.7 Avaliação e responsabilização: O IDEB
O PDE traz nas alterações feitas na avaliação da educação brasileira um novo conceito,
a responsabilização, e decorrente deste a mobilização social. Até 2005 o Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) era apenas um
exame aplicado a cada dois anos, a uma amostra de alunos de cada estado, acompanhado
de um questionário.
Em 2005 o SAEB foi reformulado, a partir
da realização da primeira avaliação universal
da educação básica pública. Com a Prova Brasil, e com a adesão dos estados e municípios,
alunos da 4ª à 8ª série das escolas públicas
urbanas realizaram as provas e puderam mostrar seu desempenho em Língua Portuguesa e
Matemática. Com isso os dados do SAEB passaram a ser divulgados por rede e por escola,
o que pode indicar responsabilização de todos os envolvidos: comunidade, pais, professores, dirigentes e governantes. Neste caso,
responsabilização e mobilização social fazem

da escola cada vez mais pública e não apenas
estatal. Bons resultados são associados a boas
práticas e as insuficiências poderão ser enfrentadas de forma mais efetiva e específica.
A Prova Brasil confirmou a existência de desigualdades regionais, mesmo em redes ou sistemas comuns. Bem como a ideia de combinar
os resultados de desempenho escolar (PROVA
BRASIL) e os resultados de rendimento escolar
(fluxo apurado pelo censo escolar) num único
indicador de qualidade: o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) que se
constitui numa sistemática que impôs inclusive mudanças na realização de censo escolar,
o que permitiu que os dados do fluxo fossem
dados individualizados sobre promoção, reprovação e evasão escolar de cada estudante
brasileiro. Brasil, programa educacenso (2006)
Interessante é que, com a Prova Brasil e o
EDUCACENSO havia as condições para a criação do IDEB expresso numa escala de Zero a

53

UAB/Unimontes - 6º Período
10. Com a criação do IDEB, calculado por escola, por rede e para o próprio Pais foi possível fixar metas de desenvolvimento educacional de
médio prazo para cada instância, com metas
intermediarias de curto prazo que possibilitam
visualização e acompanhamento da reforma
qualitativa dos sistemas educacionais, conforme descrito no PDE-BRASIL (s/d). O IDEB calculado para o país, com base na radiografia em
2005, relativo aos anos iniciais, foi de 3,8 contra uma média estimada dos países desenvolvidos de 6,0 que passa a ser a meta nacional
para 2021. Uma das metas é alcançar a média
dos países integrantes da Organização para a
Cooperação e o Desenvolvimento Econômico
(OCDE), no ano em que o BRASIL completará

200 anos de sua independência.Interessante
é que o IDEB, ao permitir identificar as redes e
as escolas públicas com maior necessidade de
assistência técnica e ou financeira, com base
em critérios objetivos, permitirá o cumprimento mais justo do art.211 da CF quando esta estabelece  que “A União, os Estados, o Distrito
Federal e os Municípios organizarão, em regime de colaboração, seus sistemas de ensino”.
Cabe à União exercer, ”em matéria educacional, função redistributiva e supletiva, de forma
a garantir equalização de oportunidades educacionais e padrão mínimo de qualidade do
ensino mediante assistência técnica e financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios” (CF, art. 211, § 1º). 

4.3.8 O Plano de Metas: Planejamento e Gestão Educacional
para refletir
Você se lembra de
ter feito ou aplicado
provas do SAEB e agora
a PROVA BRASIL?
Você conhece o IDEB
da sua escola e de seu
município?
Se você tem resposta
para essas questões,
apresente-as aos seus
colegas. Se não tem,
faça uma pesquisa e
comente com seus
colegas.

54

Instrumentos jurídicos se fizeram necessários para  o relacionamento entre os entes
federados para cumprir o regime de cooperação. Surgem os Planos de Ações Articuladas
(PAR): em 2006, após a divulgação dos resultados da Prova Brasil, o MEC fez realizar nas
escolas e redes de ensino, em parceria com organismos internacionais, um estudo das experiências e boas práticas as quais poderiam ser
atribuídas ao bom desempenho dos alunos,
consideradas as variáveis sócio-econômicas.
Essas práticas foram traduzidas em 28 diretrizes que orientam as ações do Plano de Metas
e Compromisso. Todos pela Educação, programa estratégico do PDE. (BRASIL, Decreto,
6.094/2007)
Fechando as nossas considerações, vale
destacar a ideia das conferências como espaço social de discussão da educação brasileira
e de articulação dos diferentes agentes institucionais da sociedade civil e dos governos,
em favor da construção de um projeto nacional de educação e de uma política de estado.
Podemos afirmar que esta iniciativa representa um dos possíveis caminhos de busca para
construção de uma escola pública eficaz para
todos os brasileiros. E, ao fazer a leitura do PDE
e de suas possíveis articulações, percebemos
a mobilização social como espaço de poder
para a elaboração e avaliação de diretrizes
para a construção de um sistema nacional de
educação que promova a efetiva cooperação

entre os âmbitos federal, estadual e municipal
da educação brasileira, desde a pré-escola até
a pós-graduação.
A coordenação dessas conferências é de
responsabilidade primeira do Ministério da
Educação em parceira com a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC, a
exemplo da CONAE 2010, que será a próxima
conferência nacional de educação.
Francisco das Chagas Fernandes - Secretário executivo adjunto do MEC e coordenador
da comissão organizadora nacional da CONAE,
por ocasião do lançamento da CONAE 2010,
assim pronuncia: “‘Nossa pretensão é fazer
uma discussão sobre o sistema educacional de
educação de forma articulada, e determinar
que diretrizes a sociedade brasileira, não só o
MEC, deve considerar para a construção desse
sistema”  (Matéria publicada na edição 642 do
‘jornal da ciência’- SBPC-23.abril.2009A CONAE será precedida por conferências
municipais ou intermunicipais e conferências
estaduais e do Distrito Federal; e os debates
serão orientados por um documento-referência, que será elaborado pela comissão organizadora nacional.Já que a pretensão é tratar
a educação de forma articulada, em que haja
uma cooperação entre União, Estados e Municípios para desenvolver a Educação Brasileira,
é preciso que entendamos que não se trata de
um sistema único, a exemplo do que existe na
saúde, para esclarecer o assunto:

Ciências Sociais - Estrutura e Funcionamento do Ensino Fundamental e Médio
[...] Quando falamos em sistema articulado não queremos dizer um sistema único de educação. As pessoas acham que estamos tratando da mesma coisa que
o SUS (Sistema Único de Saúde), mas não é isso [...]. Francisco Das Chagas Fernandes (lançamento da CONAE 2010-Brasília-23.04.2009)

Ele ressalta ainda a importância da CONAE em ser uma instância que discute a educação como um todo ‘com a participação de
todos’.
Dentre outros objetivos da conferência, o
de elaborar conceitos, diretrizes e estratégias
nacionais para a efetivação do sistema nacional articulado da educação, a CONAE pretende
ainda integrar todos os níveis da educação.
A mobilização dos educadores, em articulação com os movimentos sociais, a partir do
conhecimento da realidade, das demandas, da
apresentação de expectativas globais e diversificadas de propostas e projetos, continuará
sendo o caminho mais emergente e profícuo
para a continuidade da luta por uma escola
pública, gratuita, democrática e de qualidade
para todos no Brasil.
Os debates previstos na CONAE terão
como tema central: “Construindo o sistema
nacional articulado de educação, o PNE, diretrizes e estratégias de ação” e as discussões serão organizadas em torno de seis eixos temáticos:
• Democratização do acesso, permanência
e sucesso escolar;
• Papel do Estado na garantia do direito a
educação: organização e regulação da
Educação Nacional;
• Qualidade e Avaliação da Educação Nacional;
• Formação e valorização dos trabalhos em
educação e  financiamento da educação;
gestão democrática;
• Fortalecimento Institucional das Escolas e
dos Sistemas de Ensino;
• Justiça Social e Educação: Inclusão, Diversidade e Promoção da Igualdade Social.
Ainda sobre a conferência, vale registrar
as considerações do representante da SBPC na
CONAE, Nelson Maculam, (2009)  quando diz
que:  a conferência tem grande importância
por ser inédita no formato e na amplitude, englobando discussões que vão desde a creche

até o pós-doutorado [...] o país ainda tem uma
educação básica muito ruim; e mesmo a pós-graduação, que é boa, alcança pouca gente. É
preciso discutir um pacto federativo em favor
da educação, no qual seja revisto o papel dos
prefeitos e governadores. Aqui, no Brasil joga-se tudo em cima de Brasília, como se o Governo Federal fosse o culpado de tudo, e não é
verdade. “As prefeituras e governos estaduais
têm que se responsabilizarem pela educação
básica “. Maculam (2009)
Participe você também dos espaços de
construção da história da educação brasileira
na sua estrutura e funcionamento, e ainda fazendo parte de momentos democráticos de
participação e definição dos rumos da educação neste século.
Se você é um representante da sociedade
civil, um agente público, um membro de entidade de classe, um professor ou gestor, ou
simplesmente um estudante cidadão, ou ainda pai ou mãe, ou responsável por aluno você
poderá participar não apenas da CONAE 2010,
mas de todos os espaços de ações colegiadas
ou de mobilização social, tanto a exemplo dos
conselhos escolares quanto dos espaços das
grandes conferências nacionais.
Concluindo, precisamos que você, na condição de acadêmico de um curso superior de
licenciatura, compreenda que toda a discussão que fizemos sobre a estrutura e funcionamento do ensino brasileiro não cumprirá a
sua missão se você não a perceber no momento atual, como parte integrante de um mundo
globalizado e contextualizado pelas constantes transformações e muitas delas vindas da
própria exigência social. Sendo assim, efetivar
uma educação escolar de qualidade demanda
que você,acadêmico, também conheça e utilize  desse referencial legal, que apresentamos
nessa disciplina, como referencial capaz de
embasar a formação de cidadãos ativos, críticos e participativos em seu meio.

55

UAB/Unimontes - 6º Período

4.4 Conclusão
Na quarta unidade apresentamos os antecedentes históricos do Plano Nacional de
Educação além de apresentarmos também as
ações articuladas e normatizadas pelas políticas educacionais vigentes, ressaltando o compromisso da sociedade brasileira em busca de
uma escola pública de qualidade eficaz para
todos os brasileiros.
Destacamos os pontos:
O PNE pode ser considerado juntamente
com a Constituição Federal (CF) e com a LDB,
uma das bases normativas em que se assenta
a educação do país.
O PNE tramitou por várias instâncias até
a aprovação do texto final – aprovado em 09
de janeiro de 2001 e promulgado como Lei nº
10.172/ 2001 pelo então Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso.
Desde a proposta inicial, elaborada a partir de 1998, nos congressos nacionais da educação e ainda contando com a participação de
educadores, profissionais da educação, estudantes, pais de alunos dentre outros.  Embora
se registre mais uma vez na história brasileira
que apesar de toda a participação e mobilização do povo nota-se que os interesses majoritários do Congresso Brasileiro ou do Governo
aprovam como texto final o que lhes convém.
Mesmo sendo aprovado texto segundo
as intenções do Congresso Nacional cabe aos
Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios,
com base nesta Lei, elaborem seus planos
decenais correspondentes, ficando ainda a
União, em articulação com os Estados, o Distrito Federal, os municípios e a sociedade civil,
responsáveis por proceder à avaliação periódica da implementação do referido Plano Nacional de Educação.
Objetivos e prioridades segundo o PNE:
a elevação global do nível de escolaridade da
população; a melhoria da qualidade do ensino
em todos os níveis; a redução das desigualdades sociais e regionais no tocante ao acesso
e à permanência, com sucesso, na educação
pública e democratização da gestão do ensino
público, nos estabelecimentos oficiais, obedecendo aos princípios da participação dos
profissionais da educação na elaboração do
projeto pedagógico da escola e a participação
das comunidades escolar e local em conselhos
escolares ou equivalentes. Brasil, PNE (2001)
Fazendo cumprir o dever constitucional
com base nas necessidades sociais, e considerando as limitações impostas pelos recursos
financeiros e pela capacidade de responder

56

ao grande desafio de oferecer uma educação
compatível, na extensão e na qualidade, à dos
países desenvolvidos é que este plano estabelece prioridades. Veja-as a seguir: 1. Garantia de ensino fundamental obrigatório de oito
anos a todas as crianças de 7 a 14 anos, assegurando o seu ingresso e permanência na escola e a conclusão desse ensino. 2. Garantia de
ensino fundamental a todos os que a ele não
tiveram acesso na idade própria ou que não o
concluíram. 3. Ampliação do atendimento nos
demais níveis de ensino. 4. Valorização dos
profissionais da educação. 5. Desenvolvimento
de sistemas de informação e de avaliação em
todos os níveis e modalidades de ensino. Brasil, PNE (2001).
O Plano Nacional de Educação define as
seguintes diretrizes: as diretrizes para a gestão
e o financiamento da educação; as diretrizes e
metas para cada nível e modalidade de ensino
e as diretrizes e metas para a formação e valorização do magistério e demais profissionais
da educação, nos próximos dez anos. Brasil,
PNE (2001)
Além da LDB e do PNE o Plano de Desenvolvimento da Educação – PDE e o Plano de
Ações Articuladas – PAR são referências nacionais que possibilitam a articulação entre os
entes federados para fazer cumprir as políticas
públicas brasileira na atualidade.
O PDE (Plano de Desenvolvimento da
Educação) é um plano que estabelece um
conjunto de programas que visam dar consequência, e encaminhamento às metas quantitativas estabelecidas no PNE. O PDE pretende,
na sua concepção, vencer as falsas oposições
que projetaram a educação brasileira tais
como: educação básica x educação superior;
educação básica x níveis da educação: infantil,
ensino fundamental e médio; ensino médio
x educação profissional; alfabetização x EJA;
educação regular x educação especial.
Dentre as razões e princípios do PDE vale
destacar a concepção de educação que inspira este plano no âmbito do MEC, pois essa se
volta para uma visão sistêmica da educação.
A Educação é definida constitucionalmente
como direito de todos e dever do Estado e da
família. Responsabilizar a classe política e mobilizar a sociedade como condições indispensáveis da existência e execução de um Plano
de desenvolvimento da educação é também
dever de todos nós. Daí, responsabilização e
mobilização social serem evidentes nos propósitos deste Plano.

Ciências Sociais - Estrutura e Funcionamento do Ensino Fundamental e Médio
Seis pilares em que se sustenta o PDE:
Visão sistêmica da educação; territorialidade;
desenvolvimento; regime de colaboração; responsabilização; mobilização social (BRASIL,
MEC, PDE, s/d)
Financiamento da Educação através do
FUNDEB (Fundo Nacional de Desenvolvimento
da Educação Básica). O FUNDEB foi criado pela
Emenda Constitucional n 53/2006 e regulamentado pela Lei nº 11.494/2007 e pelo Decreto nº 6.253/2007, em substituição ao Fundef,
que vigorou de 1998 a 2006. Trata-se de fundo
especial, de natureza contábil e de âmbito estadual, com vigência prevista para o período
2007/2020, tendo sua implantação iniciada em
1º de Janeiro de 2007  e concluída no terceiro
ano de vigência.
O PDE ainda traz alterações na avaliação
da educação brasileira com um novo conceito:
a criação do IDEB (Índice de Desenvolvimento

da Educação Básica).
Fechando as nossas considerações, vale
destacar a ideia das conferências como espaço
social de discussão da educação brasileira, articulado com os diferentes agentes institucionais da sociedade civil e dos governos, em
favor da construção de um projeto nacional
de educação e de uma política de estado. Podemos afirmar que esta iniciativa representa um dos possíveis caminhos de busca para
construção de uma escola pública eficaz para
todos os brasileiros. Ao fazermos a leitura do
PDE e de suas possíveis articulações, percebemos a mobilização social como espaço de poder para a elaboração e avaliação de diretrizes
para a construção de um sistema nacional de
educação que promova a efetiva cooperação
entre os âmbitos federal, estadual e municipal
da educação brasileira, desde a pré-escola até
a pós- graduação.

Referências
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MANIFESTO dos Pioneiros da Educação Nova (1932). Disponível em http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/heb07a.htm . Acesso em setembro 2009.
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58

Ciências Sociais - Estrutura e Funcionamento do Ensino Fundamental e Médio

Resumo
Unidade 1: Breve Histórico da Educação na Legislação Brasileira
Nesta primeira unidade apresentamos
o histórico da educação brasileira, tomando
como ponto principal a legislação educacional antes e durante o período republicano até
chegarmos à organização da educação nacional através da nova Constituição do Brasil em
1988.
No Brasil, as concepções de gestão da
educação e administração pública vigentes
resultam de uma construção histórica influenciada pela tradição jurídica que caracterizou o
Período Colonial, marcado pelas orientações
e práticas resultantes das correntes filosóficas
positivista e funcionalista. Para melhor compreender os processos que envolvem a legalização e administração da educação brasileira,
é de fundamental relevância identificar aspectos e características dos três grandes momentos históricos: Brasil Colônia, Brasil República e
Brasil Contemporâneo.
A Educação no Brasil Colônia: A organização e administração da educação durante o
período colonial apresentam a influência das
correntes escolástica e positivista, mas fundamentalmente manifesta um enfoque jurídico,
fundamentado no direito romano, que era interpretado em acordo com o código napoleônico. A educação, durante o Período Colonial
era um tema de pouca importância para os
colonizadores portugueses e para a população que habitava o país, resultando na pouca
atenção aos processos relacionados à sua administração.
A Educação Brasileira no Período Republicano: O pensamento vigente na administração

da educação brasileira no período republicano
divide-se, segundo Sander (2007), em quatro
fases: organizacional, comportamental, desenvolvimentista e sociocultural. Cada um delas
revelava um modelo de gestão específico.
A Educação no Brasil Contemporâneo: A
história da educação brasileira na contemporaneidade também participou e sofreu a interferência de inúmeros movimentos políticos
e culturais. Em 1930, foi criado o Ministério da
Educação e Saúde Pública (MESP). A Constituição Federal de 1934 delegou ao Estado a responsabilidade de fiscalizar e regulamentar as
instituições de ensino públicas e privadas. Naquele momento histórico, até 1945, vigorava a
ditadura de Getúlio Vargas, fato que também
interferia na organização da educação brasileira. No entanto, pouco tempo depois, em 1946,
a sociedade política brasileira, através dos partidos de esquerda e progressistas, retomou os
debates sobre a necessidade de melhorar e
democratizar a educação brasileira. A partir da
década de 70, até meados da década de 90, diferentes segmentos sociais brasileiros se mobilizaram em prol da democracia efetiva, pois já
se manifestavam as novas exigências de uma
sociedade impulsionada pela globalização
econômica. A Constituição Federal de 1988, a
Lei de Diretrizes e Bases de 1996 e o Plano Nacional de Educação - Lei nº 10.172/2001 são os
documentos norteadores da Educação Básica
brasileira. Através deles está estruturado todo
o funcionamento do ensino fundamental e
médio, além da educação infantil e da educação superior.

Unidade 2: Legislação educacional no Brasil
Nesta segunda unidade, apresentamos a
legislação educacional no período que antecede a Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional de 1996, destacando os objetivos,
os princípios e fins da educação nacional na
atualidade de acordo com a legislação atual.
A partir da Independência do Brasil surge então a necessidade de um Sistema Educacional
Brasileiro porque o país emancipou-se politicamente sem ter sua estrutura educacional

organizada. Com a expulsão dos jesuítas, em
1759, a educação brasileira ficou sem nenhum
referencial. Após a Independência, justificando os princípios liberais e democráticos, são
elaborados planos, tendo como meta uma
nova política referente à instrução popular,
mas na prática isso pouco se concretiza. A
Constituição de 1824 garantia a instrução primária a todos os cidadãos do Império e devido
a isso, em 1826, é apresentada a proposta de

59

UAB/Unimontes - 6º Período

60

criação de escolas primárias no país através do
Projeto Januário da Cunha Barbosa e legitimado pelo Decreto de 15 de outubro de 1827. Os
documentos oficiais desta época deixam claro
que, durante todo o período imperial, pouco
se preocupou com a criação de um sistema de
instrução nacional e a educação brasileira caminhava lentamente e com pouca evolução
enquanto política educacional.
No período Republicano começa a se formar um novo perfil educacional onde se apresentam leis, decretos e atos institucionais que
propõem diretrizes e critérios tanto para o ensino primário, quanto secundário e superior e
tentam também normatizar o ensino agrícola
e o ensino industrial que eram mantidos por
finalidades filantrópicas e destinava, primeiramente, aos órfãos e desvalidos. Ressaltamos
que a Proclamação da República, em 1889,
apesar de o povo simpatizar com a causa e ter
o respaldo dos intelectuais progressistas que
já a reivindicavam desde a Independência, tal
fato não trouxe uma mudança significativa na
ordem econômica nacional. A Constituição Republicana de 1891 estabeleceu uma república
federativa e fez co que o Estado assumisse, de
forma definitiva, as rédeas da educação, instituindo várias escolas públicas de ensino fundamental e intermediário. Em relação à educação, continuou a tradicional divisão entre
entre escola para a elite e escola para a população menos favorecida.
Durante a década de 1920, com a urbanização e a industrialização em desenvolvimento, tem como consequência  a pressão para
mudanças no sistema educacional. Jovens
educadores, influenciados por educadores
progressistas dos Estados Unidos e da Europa criam a Associação Brasileira de Educação
onde publicam artigos e livros desejando uma
nova escola em todo o país. Todas estas ideias
e o movimento escolanovista culminam com a
publicação do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nacional em 1932. Ainda em 1930, com
a Revolução, o governo nacional demonstrou
grande interesse na política social e educacional. Cria-se o Ministério da Educação e da Saúde que se torna um marco da ação federal no
campo educacional. A Constituição de 1934
em seu capítulo sobre a educação exigia que
todo cidadão tivesse direito ao ensino fundamental e seria obrigação do Estado ofertá-lo.
Aqui, surgem as primeiras ideias de um Plano
Nacional de Educação para especificar as diretrizes curriculares e orientar as atividades dos
estados e municípios.
Com o Golpe de Estado de Getúlio Vargas e o estabelecimento do Estado autoritário,
muitas das iniciativas para melhorar a educaçao foram revertidas.

A Constituição de 1934 em seu capítulo
sobre a educação exigia que todo cidadão tivesse direito ao ensino fundamental e seria
obrigação do Estado ofertá-lo. Aqui, surgem
as primeiras ideias de um Plano Nacional de
Educação para especificar as diretrizes curriculares e orientar as atividades dos estados e
municípios. E a Constituição de 1937 coloca no
Estado a obrigação de prover o ensino primário e profissional. Cria-se o SENAI e o SENAC.
Em 1945, com o fim do governo autoritário, uma nova Constituição é adotada, a de
1946. Nela os “pioneiros da educação nova” retomam a luta pelos valores já defendidos, em
1934, onde o Estado tem a obrigação de oferecer e prover a educação para todo cidadão
brasileiro. Esta Constituição obriga também os
empresários a oferecer educação para os empregados e filhos dos empregados e restaura a
determinação de que as autoridades públicas
federal, estadual e municipal deveriam investir
percentuais de suas receitas na educação.
Dos anos 10 aos anos 60 do século XX podemos afirmar que foram várias as reformas
educacionais com o objetivo de resolver os
problemas principais, até então, da educação
brasileira: a quantidade e a qualidade educacional. Podemos destacar as Reformas: Francisco Campos (1931-1932) e Reforma Capanema
(1942-1946).
Em 1961, a Lei nº 4024 é promulgada.
Após a promulgação desta Lei muitos intelectuais, políticos e líderes religiosos ficam insatisfeitos com os resultados e intensificam os
movimentos populares em defesa de uma escola para todos. Destaque para o grande educador Paulo Freire.
O golpe militar de 1964 desarticula estes
movimentos de conscientização do povo, pois
são considerados subversivos e seus líderes
são logo penalizados. A ditadura militar, que
tomou o poder em 1964, afirmou a importância da educação e buscou adaptar o sistema
educacional aos requisitos do rápido crescimento econômico. O governo militar promoveu ainda uma total reorganização da universidade brasileira (1968) e do ensino primário e
secundário (Lei 5692 de 1971).
A Constituição de 1988 dará início às discussões sobre uma nova LDBEN (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional). A Constituição de 1988 aborda os principais problemas
enfrentados, até então, na educação brasileira.
Os princípios e fins da educação nacional
são estabelecidos de acordo com a Constituição de 1988 (art. 205) e a LDB de 1996 (art. 2º),
a educaçao tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o
exercício da cidadania e sua qualificação para
o trabalho. O artigo 2º da LDB diz que a educa-

Ciências Sociais - Estrutura e Funcionamento do Ensino Fundamental e Médio
ção é dever da família e do Estado. Já no artigo
3º, estão os onze princípios que devem reger a
organização no país.
Os objetivos da educação básica, destacados na legislação em vigor (CF/ 88; LDB/96 e
PNE), determinam que  a Educação Básica tem
por objetivo formar o educando para o exercício
da cidadania, possibilitando meios para que ele

prossiga sua formação em estudos posteriores.
A estrutura do ensino brasileiro está dividida da seguinte forma: Educação Básica e
Educação Superior. A Educação Básica é composta de Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio. A educação Superior é um
direito assegurado a todos os cidadãos brasileiros, conforme os Art. 21 e 22 da LDB.

Unidade 3: A legislação e a universalização de uma escola básica de
qualidade
Na terceira unidade apresentamos o ensino de nove anos, as considerações sobre o ensino médio vinculado à profissionalização e a
garantia da educação para os jovens e adultos.
O Ensino Fundamental visa desenvolver
no aluno a capacidade de aprender, o domínio da leitura, da escrita, do cálculo. Visa ainda
desenvolver a capacidade de aprendizagem, o
fortalecimento dos vínculos de família, de solidariedade e de tolerância recíproca na vida social. De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases
9394/96 o Ensino Fundamental passa a ser de
09 (nove) anos para que se tenha mais tempo
da criança na escola. Para que o Ensino Fundamental, de acordo com a Lei 9394/96, atinja
seus objetivos deve seguir as seguintes regras:
ser ministrado em língua portuguesa; ter uma
carga horária mínima de oitocentas horas com
o mínimo de duzentos dias letivos; currículo
com base comum e base diversificada; oferecer língua estrangeira a partir do 6º ano de
escolaridade; em relação à avaliação do aluno,
a mesma deve ser contínua e cumulativa, prevalecendo os aspectos qualitativos sobre os
quantitativos; dentre outras regras.
O ensino fundamental de nove anos traz
o desafio e a oportunidade de repensar a escola que temos na direção de um projeto de
escola que tenha como centro de sua atenção
a reflexão e ação das crianças em suas características, dimensões e necessidades concretas. Ou seja, um projeto político-pedagógico
que materialize para as crianças condições de
aprendizagem voltadas para conhecimentos
de diferentes áreas, interligados a linguagens,
imagens, sentimentos e relações que apresentem e coloquem em debate a realidade e a
sociedade na sua contemporaneidade e historicidade.
O Ensino Médio, conforme a Lei de Diretrizes e Bases 9394/96, é assim definido no art.
35: é a etapa final da educação básica, com duração mínima de três anos. A Lei de Diretrizes
e Bases da Educação Nacional determina, nas
finalidades do ensino médio, que o mesmo

deve propiciar a todos os cidadãos a oportunidade de consolidar e aprofundar os “conhecimentos adquiridos no ensino fundamental”; “aprimorar o educando «como pessoa
humana”; “possibilitar o prosseguimento de
estudos”; “garantir a preparação básica para
o trabalho e a cidadania” e dotar o educando
dos instrumentos que lhe permitam “continuar aprendendo”, tendo em vista o desenvolvimento da “compreensão dos fundamentos
científico-tecnológicos dos processos produtivos” (art. 35, incisos I a IV). As políticas educacionais brasileiras têm direcionado, recentemente, especial atenção à universalização do
ensino fundamental. À medida que essa meta
se concretiza, a demanda pelo ensino médio
passa a ser impulsionada. É nesse sentido que
a própria legislação prevê progressiva extensão da obrigatoriedade e gratuidade ao ensino
médio (artigo 4º).
Sendo assim, o ensino médio integra-se
à escolaridade que tem como objetivo a formação comum indispensável ao exercício da
cidadania. Entretanto, a identidade desse nível
de ensino tem oscilado, nas últimas décadas,
entre preparação para a educação superior,
como curso propedêutico, e a qualificação
para o trabalho, como curso técnico ou profissionalizante. A LDB então busca superar essa
dualidade, conferindo ao ensino médio função
de educação geral que, embora diferenciada
da educação profissional, inclui preparar para
o mercado de trabalho.
O Plano Nacional de Educação (Lei nº
10172/2001) em seu diagnóstico sobre o Ensino
Médio destaca que este nível de ensino no Brasil
está em expansão. Devido à melhoria no Ensino Fundamental os brasileiros têm apresentado
mais interesse no Ensino Médio e a demanda
para o mesmo tem evoluído a cada ano.
A Educação de Jovens e Adultos (EJA) é
contemplada na Lei de Diretrizes e Bases de
1996 em seus artigos 37 e 38. Nestes artigos, a
Lei prevê que os jovens e adultos poderão concluir os ensinos fundamental e médio através

61

UAB/Unimontes - 6º Período
de cursos e exames supletivos, sendo que a
idade mínima para o ensino médio através de
supletivo é ser maior de dezoito anos. Os cursos de exames supletivos são uma alternativa
e uma modalidade de ensino para prosseguimento dos estudos e conclusão da educação
básica. Aqui, de acordo com a LDB/96 a educação profissional não é apenas um nível de ensino, mas uma modalidade de formação que
deve estar presente na vida do indivíduo em
idade profissional produtiva. Isso significa educação permanente ou educação continuada.
As mudanças ocorridas no mercado de
trabalho, no entanto, vêm exigindo mais conhecimentos e habilidades das pessoas, assim

como atestados de maior escolarização, obrigando-as a voltar à escola básica, como jovem,
ou já depois de adultas, para aprender um
pouco mais ou para conseguir um diploma.
Sendo assim, a educação de adultos é uma
necessidade tanto na comunidade como nos
locais de trabalho. À medida que a sociedade
se desenvolve novas possibilidades de crescimento profissional surgem, mas, por outro
lado, exigem maior qualificação e constante
atualização de conhecimentos e habilidades.
Através da educação, as pessoas têm a oportunidade de melhorar de vida e competir no
mercado de trabalho bem como reconhecer
seus direitos. 

Unidade 4: O Plano Nacional de educação e as ações articuladas e
normatizadas pelas políticas educacionais vigentes
Na quarta unidade apresentamos os antecedentes históricos do Plano Nacional de
Educação, além de apresentarmos também as
ações articuladas e normatizadas pelas políticas educacionais vigentes, ressaltando o compromisso da sociedade brasileira em busca de
uma escola pública de qualidade e eficaz para
todos os brasileiros.
O PNE pode ser considerado com a Constituição Federal (CF) e com a LDB, uma das bases normativas em que se assenta a educação
do país. O PNE tramitou por várias instâncias
até a aprovação do texto final – aprovado em
09 de janeiro de 2001 promulgado como Lei
nº 10.172/ 2001 pelo então Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso.
Desde a proposta inicial, elaborada a
partir de 1998, nos congressos nacionais da
educação e ainda contando com a participação de educadores, profissionais da educação, estudantes, pais de alunos dentre outros.
Embora se registre mais uma vez na história
brasileira que, apesar de toda a participação
e mobilização do povo, nota-se que os interesses majoritários do Congresso Brasileiro
ou do Governo aprovam como texto final o
que lhes convém. Mesmo sendo aprovado
texto segundo as intenções do Congresso
Nacional cabe aos Estados, ao Distrito Federal
e aos Municípios, com base nesta Lei, elaborem seus planos decenais correspondentes.
Ficando ainda a União, em articulação com os
Estados, o Distrito Federal, os municípios e a
sociedade civil, responsáveis por proceder à
avaliação periódica da implementação do referido Plano Nacional de Educação.
Objetivos e prioridades, segundo o PNE:
elevação global do nível de escolaridade da

62

população; melhoria da qualidade do ensino
em todos os níveis; redução das desigualdades sociais e regionais no tocante ao acesso
e à permanência, com sucesso, na educação
pública e democratização da gestão do ensino
público, nos estabelecimentos oficiais, obedecendo aos princípios da participação dos
profissionais da educação na elaboração do
projeto pedagógico da escola e a participação
das comunidades escolar e local em conselhos
escolares ou equivalentes. (BRASIL, PNE, 2001).
Fazendo cumprir o dever constitucional,
com base nas necessidades sociais, e considerando as limitações impostas pelos recursos
financeiros e pela capacidade de responder
ao grande desafio de oferecer uma educação
compatível, na extensão e na qualidade, à dos
países desenvolvidos é que este plano estabelece prioridades. Veja-as, a seguir: 1. Garantia
de ensino fundamental obrigatório de oito
anos a todas as crianças de 7 a 14 anos, assegurando o seu ingresso e permanência na escola e a conclusão desse ensino. 2. Garantia de
ensino fundamental a todos os que a ele não
tiveram acesso na idade própria ou que não o
concluíram. 3. Ampliação do atendimento nos
demais níveis de ensino. 4. Valorização dos
profissionais da educação. 5. Desenvolvimento de sistemas de informação e de avaliação
em todos os níveis e modalidades de ensino.
(BRASIL, PNE, 2001).
O Plano Nacional de Educação define as
seguintes diretrizes: as diretrizes para a gestão e o
financiamento da educação; as diretrizes e metas
para cada nível e modalidade de ensino e as diretrizes e metas para a formação e valorização do
magistério e demais profissionais da educação, nos
próximos dez anos. (BRASIL, PNE, 2001). 

Ciências Sociais - Estrutura e Funcionamento do Ensino Fundamental e Médio
Além do LDB e do PNE o Plano de Desenvolvimento da Educação – PDE e o Plano de
Ações Articuladas – PAR são referências nacionais que possibilitam a articulação entre os
entes federados para fazer cumprir as políticas
públicas brasileira na atualidade.
O PDE (Plano de Desenvolvimento da
Educação) é um plano que estabelece um conjunto de programas que visam dar consequência, e encaminhamento às metas quantitativas
estabelecidas no PNE. O PDE pretende na sua
concepção vencer as falsas oposições que projetaram a educação brasileira tais como: educação básica x educação superior; educação
básica x níveis da educação: infantil, ensino
fundamental e médio; ensino médio x educação profissional; alfabetização x EJA; educação
regular x educação especial.
Dentre as razões e princípios do PDE vale
destacar a concepção de educação que inspira este plano no âmbito do MEC, voltada para
uma visão sistêmica da educação. A Educação
é definida constitucionalmente como direito
de todos e dever do Estado e da família, responsabilizar a classe política e mobilizar a sociedade, como condições indispensáveis pela
existência e execução de um Plano de desenvolvimento da educação, é também dever de
todos nós. Daí, responsabilização e mobilização social serem evidentes nos propósitos
deste Plano.
Seis pilares em que se sustentam o PDE:
visão sistêmica da educação; territorialidade;
desenvolvimento; regime de colaboração; responsabilização; e mobilização social (BRASIL,
MEC, PDE, s/d).

Financiamento da Educação através do
FUNDEB (Fundo Nacional de Desenvolvimento
da Educação Básica). O FUNDEB foi criado pela
Emenda Constitucional nº 53/2006 e regulamentado pela Lei nº 11.494/2007 e pelo Decreto nº 6.253/2007, em substituição ao Fundef,
que vigorou de 1998 a 2006. Trata-se de fundo
especial, de natureza contábil e de âmbito estadual, com vigência prevista para o período
2007/2020, tendo sua implantação iniciada em
1º de Janeiro de 2007 e concluída no terceiro
ano de vigência.
O PDE ainda traz alterações na avaliação
da educação brasileira com um novo conceito:
a criação do IDEB (Índice de Desenvolvimento
da Educação Básica).
Fechando as nossas considerações, vale
destacar a ideia das conferências como espaço social de discussão da educação brasileira,
articulado com os diferentes agentes institucionais da sociedade civil e dos governos, em
favor da construção de um projeto nacional de
educação e de uma política de estado. Podemos afirmar que esta iniciativa representa um
dos possíveis caminhos de busca para construção de uma escola pública eficaz para todos
os brasileiros. E ao fazer a leitura do PDE e de
suas possíveis articulações percebemos a mobilização social como espaço de poder para
a elaboração e avaliação de diretrizes para a
construção de um sistema nacional de educação que promova a efetiva cooperação entre
os âmbitos federal, estadual e municipal da
educação brasileira, desde a pré-escola até a
pós-graduação.

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Ciências Sociais - Estrutura e Funcionamento do Ensino Fundamental e Médio

Referências
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Complementares
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ARANHA, Maria Lúcia A. História da Educação e da Pedagogia: geral e Brasil. 3 ed. São Paulo:
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Ciências Sociais - Estrutura e Funcionamento do Ensino Fundamental e Médio

Atividades de
Aprendizagem - AA
1) Quais as novidades apresentadas pela Constituição Federal de 1988 em relação à legislação anterior?
2) Marque a alternativa INCORRETA. O movimento denominado “Escola Nova” defendia
principalmente:
a) ( ) Defendia uma escola pública, laica e gratuita.
b) ( ) Acreditava que um sistema de educação estatal garantiria um ensino a todos.
c) ( ) Dizia que a educação não era elemento-chave. 
d) ( ) Sentia o desejo de preparar o país para acompanhar as mudanças ocorridas em todo
o mundo.
e) ( ) Defendia uma escola que combatesse as desigualdades sociais da nação.
3) Dos onze princípios da LDB/96 para a educação, cite no mínimo 03 destes princípios.
4) Os documentos norteadores da educação brasileira são:
a) ( ) Plano Nacional de Educação e Planos Municipais de Educação.
b) ( ) Constituição Federal e Lei de Diretrizes e Bases.
c) ( ) Constituição Federal, Lei de Diretrizes e Bases e Plano Nacional de Educação.
d) ( ) Lei de Diretrizes e Bases e Plano Nacional de Educação
e) ( ) Os Planos Municipais de Educação e os Planos Estaduais de Educação.
5) Como a Educação de Jovens e Adultos é contemplada na LDB/96?
6) Por que a Lei de Diretrizes e Bases, de 1996, foi considerada uma síntese contraditória durante o seu processo de elaboração?
7) Por que a Lei 5692, de 1971, já não atendia as necessidades da educação nacional após o
período ditatorial do país?
8) De acordo com os onze princípios da educação nacional comente a responsabilidade do
Estado, da família e da sociedade com a educação das futuras gerações.
9) Para a LDB 9394/96 qual deve ser o objetivo principal para a educação básica brasileira?
10) Por que a LDB 9394/96 propôs um ensino fundamental de maior duração? E qual é a extensão deste desafio para a sociedade?

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