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ORAÇÃO FINAL
Maria, O amor fez-te livre como a aurora, na manhã. O teu coração pobre é livre, Com a liberdade do Reino. O teu coração manso é livre, Com a liberdade de possuir a terra. O teu coração em pranto é livre, Com a liberdade de um Deus próximo. O teu coração com fome e sede de justiça é livre, Com a liberdade de um Deus plenitude. O teu coração misericordioso é livre, Com a liberdade de um Deus amor. O teu coração puro é livre, Com a liberdade de ser chamada filha de Deus. O teu coração perseguido pela justiça é livre, Com a liberdade de ser teu Reino. A tua liberdade leva-te a ser feliz, Quando a injúria ou a perseguição, Por causa de Jesus, batem à tua porta. Então, alegra-te e regozija-te, Porque a recompensa será grande no Reino. Bem-aventurada tu, porque acreditaste em Jesus, Como o Senhor e o Libertador.
Bibliografia: Jacques Dupont, Cadernos Bíblicos, A Mensagem das BemAventuranças, Difusora Bíblica, Lisboa, 1991. Padre Senra Coelho, Rezar as Bem-Aventuranças, Paulus Editora, Lisboa, 2009. 2 23

4 – ACTUALIZAÇÃO Rezar com o Salmo 68: Buscai o Senhor e o vosso coração se reanimará. Para actualizar esta bem-aventurança aqui ficam algumas questões para que o grupo possa partilhar a sua oração. 1 – O que é que este Salmo te diz sobre esta bem-aventurança? 2 – Que lição tiras da 9ª bem-aventurança para a tua vida quotidiana? 3 – Que podemos fazer como grupo para a pôr em prática na vida de cada dia? 5 – ORAÇÃO Senhor, que escolhestes a humilhação da cruz para nos mostrar o caminho da salvação, livrai-nos da Vossa indignação devida aos nossos pecados e concedei-nos contemplar as chagas do Vosso Filho, Jesus Cristo, nosso Redentor, para que sejamos devorados pelo zelo da Vossa casa e aceitemos com amor os insultos e as perseguições por amor do reino dos Céus, cantando hoje e sempre, a pertença, o amor e a confiança naquele que nos redimiu no Seu Sangue, Nosso Senhor Jesus Cristo Vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

Apresentação
As Bem-Aventuranças retratam o rosto de Jesus Cristo e descrevem-nos a sua caridade; exprimem a vocação dos fiéis associados à glória da sua Paixão e Ressurreição; definem os actos e atitudes características da vida cristã; são as promessas paradoxais que sustentam a esperança no meio das tribulações; anunciam aos discípulos as bênçãos e recompensas já obscuramente adquiridas; todas elas já estão inauguradas na vida da Virgem Maria e de todos os santos. As Bem-Aventuranças respondem ao desejo natural de felicidade. Este desejo é de origem divina; Deus pô-lo no coração do homem para o atrair a Si, o único que pode satisfazer: “Todos nós, sem dúvida, queremos viver felizes, e não há entre os homens quem não dê o seu assentimento a esta afirmação, mesmo antes de ela ser plenamente enunciada.” Como é então, Senhor, que eu Te procuro? De facto, quando Te procuro, ó meu Deus, é a vida feliz que eu procuro. Faz com que Te procure, para que a minha alma viva! Porque tal como o meu corpo vive da minha alma, assim a minha alma vive de Ti.”
“Só Deus sacia.” (Santo Agostinho e São Tomás de Aquino)

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A Mensagem das Bem-Aventuranças
A riqueza da Palavra de Deus, e especialmente a do Evangelho, é de tal preço que o nosso balbuciar humano nunca saberá dizer, dela, o suficiente; e nunca poderá, mesmo que as palavras fossem de ouro, pagar por preço justo o que as palavras reveladas contêm. Vale a pena ler, meditar, rezar esse texto das Bem-aventuranças, e, através dele, entrar na contemplação d’Aquele que as pronunciou e nos fez tal proposta de vida, dinamizada pelo amor. As Bem-aventuranças estão no coração da pregação de Jesus. O seu anúncio retoma as promessas feitas ao povo eleito, desde Abraão. A pregação de Jesus completa-as, ordenando-as, não já somente à felicidade resultante da posse de uma terra, mas ao reino dos Céus: o Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus. o Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados. o Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra. o Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. o Bem-aventurados os misericordiosos, porque encontrarão misericórdia. o Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. o Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. o Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus. o Bem-aventurados vós, se fordes insultados e perseguidos por causa de Mim.

9. “Bem-aventurados vós, se fordes insultados e perseguidos por causa de Mim” (Mt 5,11-12)
1 – INTRODUÇÃO Os dons do Espírito Santo, recebidos no Baptismo e confirmados no sacramento do Crisma, oferecem aos cristãos a fortaleza suficiente para permanecerem em Jesus, mesmo nos momentos de prova.

2 – CONTEXTO DA BEM-AVENTURANÇA Percebemos pelo texto desta bem-aventurança que será pela fidelidade total dos discípulos ao seu Mestre, que estes poderão esperar uma recompensa grande no Céu. Por isso, os discípulos são convidados à confiança e à alegria, mesmo em situações de perseguição, pois enquanto perseguidos pelo nome do Senhor têm a oportunidade de testemunhar todo o seu amor e fidelidade ao gesto de Jesus que por todos deu a vida.

3 – MENSAGEM Desde os primeiros tempos, a Igreja experimentou que o anúncio da Boa Nova de Jesus é sempre actual. O livro dos Actos dos Apóstolos narra logo no início a alegria dos apóstolos de sofrer anunciando o nome de Jesus (Actos 5,41-42). Também a 1ª Carta de São Pedro, datada do ano 67, exorta os novos cristãos a permanecerem firmes na fé, no meio de um ambiente hostil que os impede de testemunhar publicamente a sua fé.. 21

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3 – MENSAGEM O amor deve permanecer sempre, mesmo nos momentos de perseguição. O Mestre deixou-nos como ensinamento: “Ora, Eu vos digo, amai os vossos inimigos e orai pelos vossos perseguidores” (M 5,44). Quem opta por Jesus Cristo e pelos Seus valores é muitas vezes isolado e perseguido. A perseguição é o destino que desde sempre experimentaram os justos, pois assim foram tratados os profetas do Antigo Testamento. 4 – ACTUALIZAÇÃO Rezar com o Salmo 141: Senhor, Vós sois o meu refúgio, a minha herança na terra dos vivos. Para actualizar esta bem-aventurança aqui ficam algumas questões para que o grupo possa partilhar a sua oração. 1 - Como praticas, como pessoa, este salmo? 2 - Conheces alguém que tenha sofrido perseguição por proclamar a Palavra de Deus? 3 - Se alguém estivesse a ser perseguido por amor da justiça, que farias para o ajudar? 5 – ORAÇÃO Senhor nosso Deus, ajuda-nos a sermos anunciadores para que lutemos sempre contra todos os perseguidores e que com a Vossa ajuda possamos sempre proclamar a Vossa Palavra sem medo. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

1. “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus” (Mt 5,3)
1 – INTRODUÇÃO As Bem-aventuranças na versão do evangelista Mateus apresentam um programa de vida cristã e manifestam claramente a importância da prática da fé. No sermão da montanha encontramos a síntese da vida cristã, ou o “cristianismo concentrado”, para que cada cristão procure diluir no quotidiano os ideais e critérios da vida contidos neste programa de vida. Os “pobres em espírito” são aqueles que, apesar de terem a posse de bens materiais, evitam escravizar-lhes o próprio coração, procurando mantê-lo livre dessa posse através de atitudes íntimas de desprendimento. 2 – CONTEXTO DA BEM-AVENTURANÇA As bem-aventuranças resumem a vida de Cristo. Em cada uma delas descobrimos a Sua interioridade e a beleza do Seu coração. São as pegadas da Sua vida, as marcas por onde Ele passou, para que cada cristão acerte a própria vida com a vida de Cristo. São Mateus apresenta-nos Jesus como o novo Moisés, subindo ao monte para aí anunciar uma nova lei ao novo povo de Deus, como Moisés no Monte Sinai. Na segunda parte do livro de Isaías encontramos a referência aos “anawim” que significa pobres, que confiam em Deus. Há dois textos que nos mostram a predilecção de Deus por uma atitude feita de humildade e de mansidão: “Eu estou com o homem humilde de espírito” (Is 57,15); “Eis para quem dirijo o meu olhar: para o homem humilde, aquele que tem o coração contrito e que treme quando ouve a minha voz” (Is 66,2). 3 – MENSAGEM Os pobres em espírito: “Em espírito”, diz-nos que não se trata da pobreza no sentido de indigência, mas no sentido de uma disposição espiritual. Os padres da Igreja falavam de humildade, de mansidão e até de paciência. Os pobres em espírito são os curvados interiormente, por conseguinte, os humildes. Em Qumrân encontramos a palavra “anawim” com o determi5

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nativo “ruah”, que significa espírito. Encontra-se também várias vezes a expressão inversa: “ruah anawah”, “espírito de pobreza”. A palavra hebraica “anawim” evoca a imagem daqueles que estão “curvados”: é a atitude do fraco, que não é capaz de resistir e de se defender, que é obrigado a ceder diante dos poderosos. O pobre é considerado sobretudo como um ser humilhado, rebaixado, um homem que não consegue fazer respeitar os seus direitos. Os “anwey ruah”, os “pobres em espírito” são pessoas que se curvam interiormente, que não resistem, que não se revoltam; pessoas que possuem a “ruah anawah”, o espírito de pobreza, uma atitude espiritual feita ao mesmo tempo de humildade, de paciência e de doçura ou mansidão. Há manifestamente uma ligação estreita entre as duas expressões: “pobres em espírito” e “mansos”. Trata-se de uma mesma atitude de alma, a “anawah”, dos monges de Qumrân, que une humildade, doçura, mansidão, paciência, não resistência, não-violência, mas também a submissão, a docilidade. “Com toda a humildade e mansidão, com paciência” (Efésios 4,1-2); “Vós que sois espirituais, agi segundo o espírito – exortação à humildade feita por Paulo na carta à comunidade dos Gálatas (6,1). A palavra portuguesa “pobre” vem do latim “pauper”, que designa aquele que tem pouco do ponto de vista económico. 4 – ACTUALIZAÇÃO Rezar com o Salmo 9: O Senhor fará justiça aos pobres da terra. Para actualizar esta bem-aventurança aqui ficam algumas questões para que o grupo possa reflectir e partilhar. 1 – O que é que este Salmo te diz sobre esta bem-aventurança? 2 – Que lição tiras da 1ª bem-aventurança para a tua vida quotidiana? 3 – Que podemos fazer como grupo para a pôr em prática? 5 – ORAÇÃO Senhor nosso Deus e nosso refúgio, vinde em socorro do Vosso povo e não escondais o Vosso rosto nos momentos de angústia, para que Vos possamos reconhecer como nosso consolador na tristeza e ajuda na tribulação, Vós que sois o Pai dos órfãos e a riqueza dos pobres. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. 6

8. “Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos Céus” (Mt 5,10)
1 – INTRODUÇÃO A promessa que o Senhor apresenta como recompensa para aqueles que dão testemunho em Seu nome e dos Seus valores é a participação na eternidade de Deus. O apóstolo Paulo alertou seu amigo Timóteo dizendo: “Todos os que querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” mas a estes, Jesus assegura que são cidadãos do único reino permanente, o reino dos céus. 2 – CONTEXTO DA BEM-AVENTURANÇA Bem-aventurado significa feliz, por isso, todas as vezes que a Bíblia se refere a alguém como bem-aventurado, está a afirmar a sua felicidade. Estejamos certos de que esse conceito de felicidade é completamente diferente do mundo e de toda a distorção que Satanás trouxe ao termo. A felicidade, segundo o mundo, é resultado da prosperidade, do acumular de bens materiais, do individualismo, etc. Mas as bem-aventuranças apontam para um estado de felicidade contraditório e independente de tudo isso. Jesus tem a receita certa para a felicidade: ela depende de um posicionamento interno de nossa parte e não das circunstâncias externas; trata-se de uma felicidade interna, de tal forma que as situações exteriores são transformadas. No sermão da montanha, Jesus descreve-nos as características internas que devemos ter para que a felicidade seja gerada em nós.

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4 – ACTUALIZAÇÃO Rezar o Salmo 119: Clamei ao Senhor e Ele ouviu a minha voz. Para actualizar esta bem-aventurança aqui ficam algumas questões para que o grupo possa partilhar a sua oração. 1 – O que é que este Salmo te diz sobre esta bem-aventurança? 2 – Que lição tiras da 7ª bem-aventurança para a tua vida quotidiana? 3 – Que podemos fazer como grupo para a pôr em prática na vida de cada dia? 5 – ORAÇÃO Senhor Jesus Cristo, que proclamastes bem-aventurados todos os homens que desejam, neste mundo em guerras, ser construtores da Paz, porque só esses serão chamados Filhos de Deus, concedei-nos o dom da paz, dom precioso que o mundo não pode dar, para que a Vossa Igreja, liberta da angústia de tantas insídias, se dedique à construção da paz e caminhe alegremente ao Vosso encontro. Vós que sois Deus, com o Pai, na unidade do Espírito Santo.

2. “Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados” (Mt 5,4)
1 – INTRODUÇÃO Nesta segunda bem-aventurança, aparece novamente o tema central de que o Messias veio em primeiro lugar para os pobres, isto é, para os que estão na dura escola do sofrimento e já experimentaram que em última analise só podem contar com Deus. A estes que sofrem, Jesus manifesta o seu desejo de lhes dar o “Reino”, a “Terra prometida”, a consolação e o banquete que sacia. 2 – CONTEXTO DA BEM-AVENTURANÇA Quando Jesus proclama bem-aventurados os “aflitos” utiliza uma linguagem bíblica que importa conhecermos para entendermos bem a quem se refere o termo “aflitos”. O profeta Isaías emprega a designação “aflitos” para todos os que devem suportar injustiças, falsidades, afrontas e humilhações e promete-lhes a consolação de Deus: “Em lugar da vergonha que sofrestes, recebereis porção dobrada; em lugar de humilhação, tereis gritos de júbilo como porção” (Is 61,7). Esta mensagem de esperança é dirigida aos que estão sentados sobre a cinza e que se revestem de luto, “para consolar os aflitos de Sião, para transformar a sua cinza em coroa, o seu luto em perfume de festa, o seu abatimento em roupa de gala. Eles serão chamados carvalhos da justiça, plantação do Senhor para a sua glória” (Is 61,3). A intervenção de Deus será sempre para reverter a situação. Ele intervirá no sentido de dar aos “aflitos” o lugar digno dos filhos que são sempre herdeiros da alegria do Pai. Um dia, na sinagoga de Nazaré, Jesus aplicou a Si mesmo esta bemaventurança. Ele veio dar cumprimento às promessas de Deus: todos os “aflitos serão consolados”, por isso diz de si mesmo: “Cumpriu-se hoje esta passagem da escritura” (Lc 4,21). 7

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3 – MENSAGEM Jesus é a certeza de que as sementes do bem lançadas nos momentos de aflição hão-de crescer e dar fruto abundante (Sl. 126,6). Jesus deixa-nos no Sinal da Sua Cruz a grande mensagem do grão de trigo para os que vivem aflitos. De facto, se o grão de trigo que cai à terra não morrer, não dará muita vida (Cf. Jo 12, 24-25). A consolação de Cristo nos “aflitos” passa também pelos Seus discípulos que, ao viverem o Seu mandamento Novo do Amor, se tornam “mãos de Cristo e pés de Cristo” para aqueles que sofrem. Jesus identifica-se com todos os que cabem na designação “os mais pequenos”, por isso cada cristão há-de viver atentamente para ser presença do Cristo fraterno e solidário junto de quem sofre. Esta bem-aventurança é uma sugestão para que cada cristão se sinta consolação de Deus para os irmãos que sofrem. 4 – ACTUALIZAÇÃO Rezar o Salmo 125: Os que semeiam em lágrimas recolhem com alegria. Para actualizar esta bem-aventurança aqui ficam algumas questões para que o grupo possa partilhar a sua oração. 1 – O que é que este Salmo te diz sobre esta bem-aventurança? 2 – Que lição tiras da 2ª bem-aventurança para a tua vida quotidiana? 3 – Que podemos fazer como grupo para a pôr em prática na vida de cada dia? 5 – ORAÇÃO Senhor nosso Deus, conforto dos que sofrem e amparo dos que choram, cresça junto de Vós a semente da justiça que semeámos em lágrimas na Vossa presença, para que possamos recolher com alegria o que esperamos receber com a paciência. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. 8

7. “Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5,9)
1 – INTRODUÇÃO A promessa do Senhor é dirigida a todos os obreiros da paz com a intimidade de filhos, pois a paz vem de Deus e os obreiros da paz e as suas obras são de Deus. 2 – CONTEXTO DA BEM-AVENTURANÇA Nesta bem-aventurança, Jesus exalta os promotores da paz. Importa percebermos o que entende a Bíblia pelo termo “paz”. Percebemos desde logo que a paz (Shalom) significa todo o género de felicidade. É o dom de Deus por excelência, no qual transparece o próprio Deus. A Carta de Tiago lembra-nos de que “é com a Paz que uma colheita de justiça é semeada pelos obreiros da Paz” (Tiago 3,18). De facto, a paz exige aos seus construtores muita sabedoria evangélica, na qual está sempre presente a certeza de que só constrói a paz quem aprende a dar a vida, morrendo para si mesmo. Foi desta escola pascal de vida cristã que brotou uma das mais belas orações, a Oração de São Francisco: “Senhor, fazei de mim um instrumento da Vossa Paz”. 3 – MENSAGEM A paz e a santidade juntam-se e são imprescindíveis para ver a Deus. A Paz leva à santidade e é fruto da santidade de Deus em nós. É atributo próprio dos que são de Deus, dos que lhe pertencem.

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4 – ACTUALIZAÇÃO Rezar o Salmo 138: Como são admiráveis, Senhor, os Vossos pensamentos. Para actualizar esta bem-aventurança aqui ficam algumas questões para que o grupo possa partilhar a sua oração. 1 – O que é que este Salmo te diz sobre esta bem-aventurança? 2 – Que lição tiras da 6ª bem-aventurança para a tua vida quotidiana? 3 – Que podemos fazer como grupo para a pôr em prática na vida de cada dia? 5 – ORAÇÃO Senhor, nosso Deus e nosso Criador, que conheceis o mais íntimo do nosso ser e do nosso pensamento e sempre nos acompanhais para que não nos afastemos da Vossa amorosa presença, encaminhai para Vós o nosso coração e conduzi-nos sempre pelo caminho perfeito, que nos conduz à eternidade. Por Nosso senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

3. “Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra” (Mt 5,5)
1 – INTRODUÇÃO Ser “manso” significa não deixar que as coisas e os objectos nos dominem colocando-nos na ansiedade de possuir. Ser “manso” significa também não viver para o poder e para o prestígio considerando os outros como meros objectos descartáveis. A mansidão, hoje como sempre, é filha da presença de Deus e é geradora da paz interior. 2 – CONTEXTO DA BEM-AVENTURANÇA Deus quer que tenhamos consciência de que a violência não leva a lado nenhum, temos que agir de forma consciente, perante as situações com as quais nos deparamos, e que por vezes nos levam a ter atitudes incorrectas para com o nosso irmão. O termo “manso” que Jesus utiliza é tomado do Antigo Testamento a partir do Salmo 36 em que se diz que “os pobres vão possuir a terra e deleitar-se com paz abundante” (Sl. 36,11). Mansos são os que sofrem com paciência, e estes possuirão a terra porque irão participar da glória de Deus (Is 61,2). Jesus em Mateus apresentase como manso e humilde de coração (Mt 11,29-30). A mansidão de Jesus nunca assume o sentido de fraqueza ou timidez, mas sim um desafio de grande exigência humana defendendo os valores que brotam do coração de Deus e que devem crescer no coração humano. Os mansos possuirão a terra numa paz perpétua e nunca verão diminuídos os seus direitos, quando este corpo mortal se revestir de imortalidade, deste modo a tribulação converter-se-á em prémio e a adversidade em honra. 3 – MENSAGEM Para percebermos o que significa para nós cristãos ser discípulo de Cristo “manso e humilde de coração” podemos apoiar-nos nas catequeses do Apóstolo João que logo na sua primeira carta nos diz que “quando alguém confessa que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele, e ele em Deus” (1 Jo 4,15). O permanecer na fé de que nos fala João na sua carta

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(1 Jo 5,4) é inspirador de paz e de mansidão. “Neste mundo tereis aflições, mas tende coragem: Eu venci o mundo” (Jo 16,33). A nossa fé é um dom precioso que o Criador colocou nas mãos da nossa liberdade. Afinal a “nova Terra” e os “novos Céus” nascem no coração íntimo e são o reflexo de Deus em nós. Importa ser já “nova Terra” e “novo Céu” para que as nossas vidas sejam bem-aventuradas. Lembra-te: As Bem-Aventuranças retomam e aperfeiçoam as promessas de Deus, desde Abraão, ordenando-as para o Reino dos céus. Correspondem ao desejo de felicidade que Deus colocou no coração do homem; As Bem-Aventuranças ensinam-nos qual o fim último a que Deus nos chama: o Reino a visão de Deus, a participação na natureza divina, a vida eterna, a filiação, o repouso em Deus; A Bem-Aventurança da vida eterna é um dom gratuito de Deus; é sobrenatural, como a graça que a ela conduz. As Bem – Aventuranças colocam – nos perante opções decisivas relativamente aos bens terrenos; purificam o nosso coração, para nos ensinarem a amar a Deus sobre todas as coisas; A Bem – Aventurança do céu determina os critérios de discernimento no uso dos bens terrenos, em conformidade com a Lei de Deus. 4 – ACTUALIZAÇÃO Rezar o Salmo 36: Confia ao Senhor o teu destino e Ele te salvará. Para actualizar esta bem-aventurança aqui ficam algumas questões para que o grupo possa partilhar a sua oração. 1 – O que é que este Salmo te diz sobre esta bem-aventurança? 2 – Que lição tiras da 3ª bem-aventurança para a tua vida quotidiana? 3 – Que podemos fazer como grupo para a pôr em prática na vida de cada dia? 5 – ORAÇÃO Senhor Jesus, que sois manso e humilde de coração e proclamastes felizes os mansos, porque só estes possuirão a terra, concedei-nos a graça de aprender a não invejar os poderosos e os ricos, mas a confiar de coração manso e humilde no Pai Celeste porque Ele não abandona todo aquele que busca o reino de Deus e a Sua justiça. Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo. 10

6. “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt 5,8)
1 – INTRODUÇÃO Por puros de coração entendem-se sobretudo os simples e os sinceros. O sentido da pureza do coração é muito mais amplo do que a castidade ou uma perfeição moral. Esta bem-aventurança sublinha a honestidade e sinceridade de coração daqueles que não o dividem, servindo, ao mesmo tempo, a Deus e aos ídolos, pretendendo, simultaneamente, amar a Deus e guardar sentimentos maus em relação aos irmãos. 2 – CONTEXTO DA BEM-AVENTURANÇA O Salmo 24,3-6 diz “ Quem pode subir à montanha do Senhor? Quem pode habitar no Seu santuário? Aquele que tem as mãos inocentes e o coração puro, que não confia nos ídolos, nem faz juramento falso”. No Antigo Testamento, Deus aparece como inacessível e o facto de alguém ver a Deus significava morrer. Era um privilégio ver Deus e continuar no mundo dos vivos. Agora é necessário ter um coração “novo” ou renascido em Jesus Cristo para estar em condições de poder habitar no Seu Santuário que é igual a viver com Deus. 3 – MENSAGEM Os puros de coração recebem a promessa de que verão a Deus, pois só se consegue fazer uma autêntica experiência de Deus e desfrutar da Sua presença quando se parte de um coração honesto e indiviso para Deus, e solidária com todos os irmãos. No mundo em que vivemos, percebe-se uma grande necessidade de compreensão e aprofundamento desta bem-aventurança. Podemos dizer que a sua actualidade é permanente. 15

mento Novo de Jesus, a que Ele chama “Lei do Reino”: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Tiago 2,9). Feliz é a pessoa que em seu coração tem sentimentos de misericórdia para com o próximo. A pessoa que age com misericórdia, receberá automaticamente a misericórdia de Deus na sua vida. A misericórdia que usamos para com o próximo, será a mesma que Deus usará para connosco. Misericordiosos são aqueles que perdoam, praticam constantemente o perdão, não guardando as mágoas da vida e que deste modo não hesitam em dar o perdão ao próximo. A misericórdia é o retrato de um amor leal, firme e fiel, por isso, agir com misericórdia leva-nos à compreensão dos limites e falhas do outro, sem deixar de o amar, do mesmo modo que Deus compreende as nossas falhas e limites e mesmo assim continua a amar-nos. A misericórdia traz-nos a felicidade de viver a verdadeira graça de Deus, apontando para o verdadeiro sentimento de compaixão, que leva a “sofrer” os sofrimentos do próximo. 4 – ACTUALIZAÇÃO Rezar o Salmo 144, 1-13: O Vosso reino é um reino eterno, o Vosso domínio estende-se por todas as gerações. Para actualizar esta bem-aventurança aqui ficam algumas questões para que o grupo possa partilhar a sua oração. 1 – O que é que este Salmo te diz sobre esta bem-aventurança? 2 – Que lição tiras da 5ª bem-aventurança para a tua vida quotidiana? 3 – Que podemos fazer como grupo para a pôr em prática na vida de cada dia? 5 – ORAÇÃO Senhor nosso Deus e nosso Pai, só Vós sois eternamente misericordioso, compassivo e justo e com eterna misericórdia para todos olhais e sobre todos distribuis a Vossa bênção, o Vosso amor, a Vossa graça e o Vosso perdão. Concedei-nos, Vos pedimos a abundância e a riqueza da Vossa casa, para que seja abençoada a geração dos justos e a generosidade do Vosso Filho permaneça hoje e sempre, pelos séculos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. 14

4. “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados”(Mt 5,6)
1 – INTRODUÇÃO Ser saciado nesta vida significa viver de Deus, alimentando-nos n’Ele, vendo os outros como Ele os vê e amando-os com o Seu Amor. Ele é a própria recompensa da nossa escolha pela justiça. 2 – CONTEXTO DA BEM-AVENTURANÇA Esta Bem-aventurança parte de duas privações básicas e essenciais para a sobrevivência biológica, como são a fome e a sede, para construir com elas uma metáfora em relação à justiça. As injustiças aparecem sempre que se ignora ou esquece o mandamento novo de Jesus Cristo, o amor. Na Bíblia a fome e sede de justiça traduz-se na exigência de uma vida perfeita, ou seja, numa fidelidade maior à Lei de Deus. Jesus desafia os Seus discípulos a procurarem a justiça de Deus, colocando-a como modelo de justiça entre os homens (Mt 5,20). Neste mundo somos deparados constantemente com injustiças que nos levam a ter atitudes maliciosas. Temos de pensar em procurar a justiça testemunhando verdadeiramente os nossos actos. Ter fome e sede de justiça leva-nos a ter um objectivo no mundo. Juntamente com Cristo caminharemos na verdade, alcançando assim a justiça plena. 3 – MENSAGEM O nosso compromisso com a civilização do amor pertence às escolhas fundamentais da nossa identidade cristã e por isso deve permanecer nas nossas opções e decisões quotidianas, tornando-se testemunho, compromisso e bem-aventurança vivida já na história desta fase da nossa vida aqui na Terra. Esta Bem-Aventurança transmite que a fome e sede de justiça é uma das exigências de uma vida perfeita e de uma fidelidade maior que devemos ter à lei de Deus. Com esta mensagem queremos que as pessoas reflictam se querem continuar a seguir Jesus e serem saciadas por Ele. 11

4 – ACTUALIZAÇÃO Rezar o Salmo 10: Os olhos do Senhor estão voltados para o pobre. Para actualizar esta bem-aventurança aqui ficam algumas questões para que o grupo possa partilhar a sua oração. 1 – O que é que este Salmo te diz sobre esta bem-aventurança? 2 – Que lição tiras da 4ª bem-aventurança para a tua vida quotidiana? 3 – Que podemos fazer como grupo para a pôr em prática na vida de cada dia? 5 – ORAÇÃO Senhor, nosso refúgio e nossa fortaleza, que observais os homens e conheceis as emboscadas dos ímpios contra os justos, fazei que, iluminados pela Vossa luz e livres de todo o mal, Vos alcancemos com um coração puro para contemplarmos a Vossa face. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

5. Bem-Aventurados os misericordiosos, porque encontrarão misericórdia (Mt 5, 7)
1 – INTRODUÇÃO Podemos intuir destas palavras que as bem-aventuranças são caminho de santidade pela identificação com Jesus de Nazaré, pois “as bemaventuranças são o retrato mais perfeito de Jesus: pobre, manso, misericordioso, construtor da paz e perseguido por causa da justiça”. 2 – CONTEXTO DA BEM-AVENTURANÇA Na Bíblia, a palavra misericórdia apresenta-se com dois significados fundamentais: O primeiro indica a atitude da parte do mais forte (Deus mesmo na aliança com o Seu Povo) para com a parte mais fraca e expressa-se habitualmente no perdão das infidelidades e das culpas; O segundo indica a atitude para com a necessidade do outro e expressa-se nas chamadas obras de misericórdia. Existe, por assim dizer, uma misericórdia do coração e uma misericórdia das mãos. Na vida de Jesus resplandecem as duas formas. Ele reflecte a misericórdia de Deus para com os pecadores, mas comove-se também diante de todos os sofrimentos e necessidades humanas, intervém para dar de comer à multidão, curar os enfermos, libertar os oprimidos. Dele o evangelista diz: “Tomou sobre si as nossas fraquezas e carregou todas as nossas enfermidades” (Mt 8, 17). Nesta bemaventurança, o sentido que prevalece é certamente o primeiro, o do perdão e da remissão dos pecados. Nós o deduzimos pela correspondência entre a bem-aventurança e a sua recompensa: «Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia», entenda-se que é antes de mais o perdão de Deus que actua em nós. A frase: «Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso», explica-se imediatamente com uma outra «perdoai e sereis perdoados» (Lc 6,36-37). 3 – MENSAGEM Misericordiosos são os que sabem perdoar e ir ao encontro dos outros em espírito de serviço, sempre à maneira do Mestre. A Carta de São Tiago coloca a misericórdia no juízo final como síntese da vivência do Manda-

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