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MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DA AMAZÔNIA
INSTITUTO SÓCIO-AMBIENTAL E DE RECURSOS HÍDRICOS
DISCIPLINA: QUÍMICA
PROFESSORA: RUTH GRANHEN TAVARES

ASSUNTOS:

I - INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA QUÍMICA ANALÍTICA
II - TEORIA DA ANÁLISE VOLUMÉTRICA

PARTE I - INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA QUÍMICA ANALÍTICA
1. OBJETIVOS E DIVISÃO

Química é o ramo da Ciência que estuda a matéria, sua constituição e suas
transformações, sob a ação de diversos fatores.
A Química Analítica, como um dos setores básicos da Química, tem por finalidade
desenvolver, e por em prática, métodos que permitam determinar a composição química dos
constituintes de um material. Esses constituintes podem ser elementos, radicais, grupos
funcionais, compostos ou mesmo fases, que podem ser misturas.
A determinação (análise) pode assumir caráter:
a) Qualitativo, ou,
b) Quantitativo.
Diz-se que a análise é qualitativa (estudada na Química Analítica Qualitativa),
quando objetiva apenas identificar os componentes do material. Quando se pretende
determinar as quantidades ou proporções relativas dos componentes do material é
realizada a análise quantitativa (estudada na Química Analítica Quantitativa).
2. IMPORTÂNCIA

Em nossa vida diária, em casa, na rua ou no trabalho, lançamos mão, a todo
instante, de conquistas da química: os explosivos; os plásticos; o papel; sabões e detergentes;
corantes; conservantes; dentifrícios; cosméticos; fertilizantes; corretivos de solos; pesticidas;
fungicidas; inseticidas; rações; reagentes; combustíveis; etc.
A rigor, produto algum pode ser liberado ao consumo sem o competente laudo
químico-analítico.
Deste modo, o sucesso ou insucesso das grandes empresas do gênero e afins
repousa diretamente no controle químico de qualidade de seus produtos. Daí a razão e a
fundamental importância da Química Analítica no desenvolvimento da Ciência Química e
Tecnológica.
3. MARCHA GERAL DE UMA ANÁLISE QUÍMICA

Para que uma análise química possa ser levada a efeito, ou seja, antes de se
efetuar a medida propriamente dita dos constituintes de um material, é necessário todo um
conjunto de operações bem distintas e objetivas, ao qual se denomina Marcha Geral de uma
Análise Química, que consiste em:
1ª Etapa:
Amostragem;
2ª Etapa:
Preparação da amostra para análise;
3ª Etapa:
Medida de uma quantidade de amostra;
4ª Etapa:
Obtenção de solução para análise;
5ª Etapa:
Eliminação de interferentes; e,
6ª Etapa:
Medida final.
Vejamos em que consiste, e com quais objetivos é efetuada, cada etapa:
1ª etapa - AMOSTRAGEM:

É um conjunto de Operações que permite extrair do todo (universo) uma pequena
parte (amostra) que o representa.
Ex.: Um agricultor adquiriu 10 toneladas de uma mistura de adubos, e deseja conhecer a sua
composição real. É evidente que não irá enviar as 10 toneladas ao laboratório. Deverá tomar uma

para análise de Ca. Para que os resultados obtidos sejam confiáveis. ou mesmo efetuando-se a pesagem.PREPARAÇÃO DA AMOSTRA PARA ANÁLISE: Após recolhermos uma porção representativa do todo (a amostra).S.de duas maneiras: a) por isolamento físico do interferente: pode-se precipitá-lo e. 2ª etapa . como por exemplo. água régia (1 HNO3 : 3 HCl) e outras misturas de ácidos. interferindo nos resultados da análise. No processo geral de amostragem há regras que devem ser rigorosamente observadas. porque qualquer porção representa o todo. Outro fator importante nesta etapa é a remoção da umidade. etc. Obs. ou tão seletivas. portanto.Quím. Muitas vezes. apenas alguns gramas serão utilizados para análise. na seqüência: H2O. é necessário procedermos à preparação dessa porção. HNO3. HClO4. a qual – se presente – afetará os resultados. retirar uma amostra que represente o todo (talvez 1 ou 2 kg). é impossível estabelecer um processo de amostragem aplicável indistintamente a todos os tipos de material.: Para análise de solos costuma-se secar ao ar o material. Esses poucos gramas deverão representar as 10 toneladas. hidróxidos.MEDIDA DE UMA QUANTIDADE DE AMOSTRA: Os resultados das análises são sempre relativos. quando o material é líquido.F. Em função disso.Análise Volumétrica 2 Prof. etc. Caso contrário. se o material suportar essa temperatura sem sofrer alterações. efetuar uma filtração. causando erros. os quais são extraídos com solução de KCl 1N.: Se o material for homogêneo. Em qualquer das situações é necessário observar que a medida deve ser feita com rigor (com o uso de balança analítica. Em geral. basta tomarmos uma quantidade adequada. 5ª etapa . Obs. com agentes de dissolução.). Essas substâncias (ou espécies) são chamadas INTERFERENTES. depois de misturar muito bem.A. Assim. a quantidade de amostra a ser submetida à análise deve ser rigorosamente medida.Disciplina: QUÍMICA / ISARH / UFRA Assunto: Introd. é testada a solubilidade a frio e depois à quente. . Dessa amostra. o processo de extração (para certas análises de solos). Ocorre que dificilmente essas reações são específicas. Procede-se à pulverização e posterior peneiração (se a amostra for sólida) para reduzir ainda mais os tamanhos das partículas e torná-los homogêneos. efetuando-se uma pesagem – se a amostra é sólida – ou medindo-se um volume. A secagem em estufa se dá a 100º . Depende do universo.Analítica/Teor. ainda. de modo que somente a espécie de interesse reaja. Caso não se consiga a dissolução em H2O.ELIMINAÇÃO DE INTERFERENTES: Os métodos analíticos utilizam reagentes para medir a concentração de um constituinte em uma amostra. se homogêneo ou heterogêneo. Mg e Al trocáveis. após. os materiais sólidos e grandes exigem redução do tamanho das partículas através de trituração ou moagem e posterior peneiração para homogeneização dos tamanhos dessas partículas. de modo a facilitar a obtenção da solução que servirá para a análise. são fornecidos em relação a uma quantidade de amostra. de suas características (do seu estado físico. Usa-se. 3ª etapa . ou bureta). ou pipeta. (Terra Fina Seca ao Ar). as temperaturas deverão ser mais baixas. em ácidos (ou isoladamente ou em misturas) utiliza-se a fusão da amostra com fundentes alcalinos (carbonatos.).basicamente . RUTH GRANHEN TAVARES pequena quantidade dos diversos sacos que contém o adubo para. obtendo-se a T. a secagem em estufa ou ao ar. diversas espécies presentes na solução podem também reagir. HCl. antes de submetê-la à análise. 4ª etapa . depois de moído e peneirado. todavia. isto é. o que pode ser conseguido . é necessário eliminar ou minimizar a ação desses interferentes.OBTENÇÃO DE SOLUÇÃO PARA ANÁLISE: Há vários métodos para dissolver a amostra.115º C. fundentes alcalinos oxidantes (peróxido de sódio) – apenas como último recurso – pois a fusão não é muito recomendada em virtude de necessitar de elevadas temperaturas. É necessário.

Óticos ou espectrais: Colorimetria. especialmente na 4a e na 5a. 6ª etapa .3. etc. que requerem calibração prévia.Eletrométricos Potenciometria. No entanto. Gravimetria de volatilização de precipitação 2. neutralização. Outros: Cromatografia.2. Os métodos químicos. existem diversos métodos. dosam concentrações não muito baixas de espécies. Métodos químicos. clássicos ou convencionais foram os primeiros a surgir. mas necessitam de pequenas quantidades de amostras. Volumetria: de neutralização de complexação de oxi-redução de precipitação 1. etc. é necessário muito cuidado para que a substância adicionada não venha a alterar o teor do componente que se deseja determinar. por utilizarem equipamentos sofisticados. Polarografia. Obs. a partir dessa medida. os quais serão vistos a seguir. volume.2. utilizam equipamentos bastante simples. clássicos. MÉTODOS (Classificação) Os métodos de análise podem ser classificados de acordo com vários aspectos. Espectrofotometria. radiação absorvida ou emitida.MEDIDA FINAL: A análise quantitativa determina a quantidade relativa do(s) componente(s) desejado(s) na amostra. Coulometria. em geral. Métodos físico-químicos ou instrumentais: 2. ou seja. 2. RUTH GRANHEN TAVARES b) por transformação do interferente em uma espécie inócua. complexação. dosando pequenas concentrações. inferior à dos métodos convencionais.Analítica/Teor. 4. de acordo com a propriedade que é medida. etc. ou convencionais: 1. são de execução relativamente lenta. CRITÉRIOS PARA ESCOLHA DO MÉTODO ANALÍTICO A escolha do método de análise – dentre tantos existentes – depende de uma série de fatores e condições: a) Composição química da amostra: O conhecimento prévio da composição química da amostra (efetuado através de Análise Qualitativa) é de grande utilidade para selecionar um .Quím.Disciplina: QUÍMICA / ISARH / UFRA Assunto: Introd. mas necessitam de quantidades relativamente grandes de amostras. chegar-se ao objetivo na análise. etc. Espectrofotometria de Absorção Atômica.1. Daremos aqui a classificação de acordo com a instrumentalização utilizada e. etc. sua exatidão é. Análise Termogravimétrica e Térmica Diferencial. Os métodos mais importantes são: 1. 2. Os métodos físico-químicos ou instrumentais são comprovadamente mais onerosos. 5.1.) e. são de execução extremamente rápida.Análise Volumétrica 3 Prof. Eletrogravimetria. mas de uma exatidão elevada.: Em todas as etapas. Para determinar uma propriedade (massa. uma espécie que – embora presente – encontre-se em uma forma que não irá interferir na reação. Isso pode ser conseguido por processo de oxi-redução. dentro destes. Fotometria de chama.

que são mais sensíveis para superar a quantidade de amostra. c) Quantidade Relativa do componente desejado: A análise qualitativa – além de informar sobre a presença do componente – ajuda a estimar a quantidade do mesmo. pois a utilização de métodos instrumentais proporcionaria aumento de erro. optar-se-ia por um método instrumental (mais sensível). na ordem de 5% (exatidão 95%). consumindo menos tempo e tornando a análise menos onerosa. é preferível utilizar um método convencional. não irá necessitar dessa fase preliminar. abaixo desse limite é necessário utilizar aparelhos bem ajustados. Os métodos clássicos possibilitam elevada exatidão (99%).01 e 1%). . etc. algumas vezes. que se enquadrem na exatidão necessária. menores ( teor variando entre 0. é preferível aplicar os métodos clássicos. mais rápidos. mas necessitam de uma fase preliminar (aquecimento de aparelhos.Disciplina: QUÍMICA / ISARH / UFRA Assunto: Introd. já os métodos instrumentais apresentam erros.01%) em relação ao peso da amostra. se o número de amostras é grande. pois. No entanto. se as amostras forem poucas. embora de execução mais demorada. devido à necessidade de se efetuarem diluições. A partir desse dado. calibração. Neste caso. esse fator é determinante na escolha do método analítico. Se o constituinte é maior. Existem métodos instrumentais que trabalham com 10-5 ou 10-6 mg. muitas vezes.) mais demorada que as dos métodos convencionais.1 g ou mais). Para constituintes menores e – especialmente – para micro. são. é possível classificar os constituintes em: maiores (teor maior que 1%). Assim. pois o tempo preliminar é compensado pelo número de amostras. e) Número de Amostras a Analisar: Os métodos instrumentais são rápidos.Quím. b) Quantidade de Amostra disponível: Para análise química através de um método clássico é necessária uma quantidade relativamente grande de amostra (0. RUTH GRANHEN TAVARES método analítico adequado. d) Exatidão Requerida: A exatidão buscada em uma análise depende do fim a que se destinam os resultados e. podendo um método até ser descartado devido a esses problemas. no entanto. os métodos instrumentais são mais adequados. e micro (teor menor que 0.Análise Volumétrica 4 Prof. embora relativamente trabalhosos e demorados. para se utilizar um método convencional seria necessário trabalhar com amostras muito grandes (o que não seria prático nem econômico). A norma geral aconselha a escolha de métodos simples e rápidos. porque permite planejar melhor a análise e contornar problemas como – e principalmente – aqueles causados pela presença de interferentes.Analítica/Teor.

Disciplina: QUÍMICA / ISARH / UFRA Assunto: Introd. Esta solução é denominada Analito. CLASSIFICAÇÃO De acordo com o tipo de reação ocorrida durante a análise. é aquele cuja concentração se deseja conhecer.gota – o Titulante sobre o Analito (estando. com transferência de elétrons de uma para outra espécie. abrese a torneira da bureta e começa-se a adicionar – gota . 4. Este tipo de substância (complexo) será estudado em um capítulo mais adiante.TEORIA DA ANÁLISE VOLUMÉTRICA 1. é que deve ser escolhido criteriosamente de modo a não introduzir erros nos resultados da análise. Esta solução é denominada Titulante. Para realização de uma titulação. não necessita de equipamentos sofisticados. 2.Quím. por outro lado é de execução relativamente rápida e fornece resultados com elevada precisão. RUTH GRANHEN TAVARES PARTE II . Em seguida. bem como o que deve ser observado para que se saiba que a reação entre o analito e o titulante chegou ao fim. d) Volumetria de Precipitação: Quando ocorre a formação de um precipitado. ou seja. transfere-se – com o auxílio de uma pipeta – um volume exatamente conhecido da solução a ser analisada (solução cuja concentração deseja-se determinar). REQUISITOS PARA UMA TITULAÇÃO É claro que – para que seja possível uma titulação – alguns fatores devem ser observados. não se pode determinar a concentração de um analito utilizando qualquer titulante. ou titrimetria) é um método clássico ou convencional de análise utilizado para determinações de concentrações através de medidas de volumes. não sendo.a . estarão contidos no desenvolvimento deste texto. de sua concentração (que já é conhecida) e do volume do analito (que também já é conhecido). ou análise titrimétrica. ou seja. . ou seja.Análise Volumétrica 5 Prof. portanto. 3. De posse do volume gasto do titulante. é empregada uma técnica denominada Titulação. este último. O analito não pode ser mudado. INTRODUÇÃO A análise volumétrica (ou volumetria. A técnica de titulação é assim efetuada: Enche-se e afere-se a bureta com uma solução de concentração exatamente conhecida (uma solução padrão ou uma solução padronizada). mas o titulante. este sim. Tais características contribuem para torná-lo o método mais empregado em análises químicas. uma reação entre uma substância ácida (um ácido ou sal ácido) e uma substância básica (uma base ou um sal básico). a volumetria pode ser classificada em: a) Volumetria de Neutralização: Quando ocorre uma reação de neutralização.Analítica/Teor. c) Volumetria de Oxi-redução: Quando ocorre uma reação de oxi-redução. a adição do titulante é interrompida (fechando-se a torneira da bureta) e anota-se o volume gasto do titulante na titulação. para sua execução em laboratório. Nesse momento. b) Volumetria de Complexação: Quando ocorre a formação de um complexo. Por ser um método convencional de análise. sob agitação constante) até que a reação chegue ao fim. oneroso e. é possível estabelecer uma relação matemática que permita o cálculo da concentração do analito. TITULAÇÃO Qualquer que seja o tipo de volumetria. os instrumentos básicos de laboratório necessários são uma bureta e um erlenmeyer. Para o erlenmeyer. A dedução dessa relação matemática.

pois. etc.COONa + H2O. condições devem ser criadas de modo a deslocar o equilíbrio da reação totalmente para a direita. ela deve ser passível de catalisação. Se a reação não for instantânea. ou seja. uma gota de titulante só pode ser adicionada quando a anterior já reagiu completamente com o analito.Analítica/Teor. É esse requisito que nos permite observar que a reação chegou ao fim e – dessa maneira – terminar a titulação. proporcionando erros.Análise Volumétrica Prof. como as propriedades não são visíveis. pois os produtos se formam e reagem entre si. o ácido e a base reagem na proporção 1:1 e o produto da reação é o sal. seria necessário um excesso de titulante para provocar o deslocamento do equilíbrio para a direita e. que a estequiometria da reação é: NaOH + CH3-COOH CH3 .Disciplina: QUÍMICA / ISARH / UFRA 6 Assunto: Introd. O titulante deve reagir única e exclusivamente com a substância cujo teor se deseja determinar. no sentido da formação dos produtos. 3. já que – no fim da reação – só existe o produto da reação. a reação não ocorreria. ou seja. Se assim não fosse. deve ser utilizado um indicador. o titulante não poderia ser um ácido. que permitam suas visualizações. A reação entre o analito e o titulante deve ser quantitativa. desta forma. potencial. acetato de sódio. pois – além de reagir com o analito – o mesmo será consumido pelos interferentes. pois teria sido adicionado titulante em quantidade superior (excesso) à necessária para reagir com a quantidade de analito existente (não esquecer que a reação reversível não chega ao fim. Estando clara a necessidade de ocorrência da reação. quanto para o estabelecimento das condições que possibilitarão a observação do fim da reação. se desejamos determinar a acidez de uma amostra de vinagre. como será estudado dentro de cada volumetria. 2. Isto é necessário tanto para estabelecer a relação matemática que possibilita calcular a concentração do analito. passaremos a enumerar as características que essa reação deve exibir: 1. 5. 5ª etapa). ou melhor. RUTH GRANHEN TAVARES O requisito fundamental (o qual pode ser facilmente deduzido) é que ocorra uma reação entre o ANALITO e o TITULANTE. voltando a formar os reagentes). Para que isso ocorra. se o Analito é uma substância ácida. No fim da reação entre o analito e o titulante deve ocorrer uma mudança brusca em alguma propriedade da solução. Se a amostra (solução) contiver outros componentes que possam vir a reagir com o titulante. esses serão considerados interferentes e devem ser eliminados antes do início da titulação. mas pode também ser pH. Inicialmente. devemos saber que a substância que confere essa acidez é o ácido acético (o ácido acético é o Analito) e. Por exemplo. pois. A reação entre o analito e o titulante deve ser estequiométrica. com isso. vejamos o significado de cada um desses dois termos. instantânea.Quím. A reação entre o analito e o titulante deve ser específica. o titulante e o analito devem reagir proporcionalmente. Por exemplo. ou seja. a formação de um precipitado (ambos de fácil visualização). com o uso de uma das maneiras já indicadas anteriormente (Parte I. isto é. 4. Caso esse requisito não seja observado. quando a quantidade de titulante adicionada foi a necessária e suficiente para reagir com todo o analito. isso dificultará a observação do fim da reação. Para cada propriedade existe um tipo de indicador adequado. deve existir um meio (catalisador) que aumente sua velocidade (ex. mas haveria erro no resultado. se o titulante escolhido é o hidróxido de sódio. A reação entre o analito e o titulante deve ser rápida. Essa propriedade pode ser a cor. Se a reversibilidade fosse mantida. 6. haverá um consumo de titulante superior ao necessário. o titulante seria adicionado e – quando percebido o fim da reação – não haveria garantia de que isso ocorreu no momento da adição daquela última gota. Nesses últimos casos. É conveniente salientar que a propriedade deve mudar bruscamente. ou seja. formação de um complexo.: aumentando a temperatura) de modo a torná-la instantânea. ou há algumas gotas anteriores (que ainda não haviam tido tempo para reagir). caso a mudança seja gradual. se houver reversibilidade na reação. Ponto de equivalência é o exato momento em que a reação chega ao fim. a estequiometria da reação deve ser conhecida. . pois. O ponto final da titulação deve coincidir. ou ser o mais próximo possível do ponto de equivalência. não pode haver reações paralelas. o que provocará erro na análise. item 3. a reação chegaria ao seu final. ou seja.

determinar sua verdadeira (exata) concentração. as concentrações são exatamente conhecidas. vimos no item 3 (Titulação). quanto em temperaturas de secagem. Ponto final da titulação é o momento em que o operador observa que a reação chegou ao fim. Obs. o afastamento não pode ser acentuado. a titulação não pode ser efetuada. utilizando-se como titulante uma solução padrão.: Substâncias higroscópicas são as que possuem grande capacidade de absorção de umidade. mas que não foi obtida com uma substância padrão primário. caso não haja coincidência. portanto. nem higroscópicas.Disciplina: QUÍMICA / ISARH / UFRA Assunto: Introd. são as seguintes: a) serem 100% puras. CÁLCULOS Qualquer que seja o tipo de volumetria. e o volume do analito cuja concentração se deseja encontrar. é necessário efetuar sua padronização. é muito comum que a escolha do melhor titulante recaia numa substância desse tipo. b) serem estáveis. No entanto. lembrando que em 1000 ml de qualquer solução 1 Normal existe 1Eq-g do soluto dissolvido: . c) serem de fácil manipulação. Observe. Deve-se buscar outro titulante que se enquadre nas exigências. Soluções preparadas com substâncias que não possuam essas características apresentam erros nos valores de suas concentrações. Padronização é. Mas essa é uma reação entre massa de titulante e massa de analito e. Como a maioria das substâncias não é padrão-primário. Na maioria das vezes se consegue observar que a reação chegou ao fim ou um pouco antes. 7. ou outra solução que já tenha sido padronizada. Isso é conseguido titulando-se essa solução. etc. ou um pouco depois dela ter acabado.após a titulação . mencionados anteriormente. que . tanto à temperatura ambiente. mas raras vezes isso acontece. pelo fato de sua concentração não ser exatamente conhecida. Essas substâncias são denominadas Padrão Primário e as características que devem apresentar. Note que. ou seja. ou seja. 6. RUTH GRANHEN TAVARES não existindo mais esses componentes na solução. a dedução abaixo.Análise Volumétrica 7 Prof. No entanto. da exata concentração de uma solução que será usada como titulante. assim. O desejável é que essa observação ocorra no momento do Ponto de Equivalência. SOLUÇÕES PADRÕES x SOLUÇÕES PADRONIZADAS As soluções preparadas com padrões primários têm suas concentrações exatamente conhecidas no momento de sua obtenção. ou seja. é necessário. a reação entre o Analito e o Titulante observa o Princípio de Equivalência. a concentração não é exatamente aquela desejada. mas só aproximadamente igual àquela. 5. anteriormente à sua utilização como titulante. se pelo menos um não for observado. ou seja. de ambas.Quím. não podem ser voláteis. através de uma titulação. bastando para isso que cumpram os seis requisitos para uma titulação.o que se conhece é o volume e a concentração do titulante. e d) possuírem alto peso molecular. então. desde que obedeça aos seis requisitos necessários a uma titulação. pois isso acarretaria um erro elevado da titulação.Analítica/Teor. A solução cuja concentração exata é obtida dessa maneira é denominada Solução Padronizada e pode ser usada como titulante. os seis principais requisitos para que uma Titulação seja efetuada. São denominadas Soluções Padrões e podem ser usadas sem qualquer problema como titulante. mas somente os produtos da reação. a determinação. em comum. para serem consideradas como tal. Observe que. 1Eq-g do Titulante reage exatamente com 1Eq-g do Analito. São esses. a solução padrão e a solução padronizada têm o fato de que. SUBSTÂNCIA PADRÃO PRIMÁRIO Existe um grupo relativamente pequeno de substâncias que reúnem características favoráveis à preparação de soluções sem provocar erros nos valores de suas concentrações.

e resolvendo-se a regra de três tem-se: V1 x N1 x 1 x 1 = V2 x N2 x 1 x 1 . é conhecida a massa. na expressão da titulação. e a massa e o miliequivalente-grama ao analito. as duas principais expressões usadas em cálculos de volumetria. Note que se assemelha muito à expressão usada em diluições de soluções (V1 x C1 = V2 x C2). rearranja-se a expressão permanecendo no 1º membro os parâmetros relativos ao titulante e aqueles relativos ao analito são passados para o 2º membro: V x N = m meq. Como será visto mais adiante (durante a resolução de problemas). a concentração (C) pode ser expressa em qualquer unidade. ou seja: V1 x N1 = V2 Titulante x N2 (1) Analito A expressão (1) é utilizada para descobrir a concentração do analito em diversas situações da análise volumétrica.Disciplina: QUÍMICA / ISARH / UFRA 8 Assunto: Introd. ou. Titulante Analito (2) As expressões (1) e (2) são. ainda. .Analítica/Teor. a unidade só pode ser a Normalidade. é a massa do analito que se deseja conhecer (e não sua concentração). Para essas situações tem-se que: Titulante Analito 1 ml 1 Normal 1 ml 1 Normal 1 ml 1 Normal 1 Eq-g / 1000 g 1 ml 1 Normal meq-g V ml N Normal m g De onde se tem que: V x N x meq = m Obs. na expressão usada para titulação.Quím. RUTH GRANHEN TAVARES Titulante Analito 1 Eq-g 1 Eq-g 1000 ml 1 Normal 1 ml 1 Normal 1000 ml 1 Normal 1 ml 1 Normal V1 ml N1 Normal V2 ml N2 Normal Observada a proporcionalidade. algumas vezes – do que está contido no erlenmeyer – em vez do volume. portanto. pois é a única que se relaciona com o equivalente-grama. V2 é o volume do analito (e não o volume do analito + volume do titulante sobre ele adicionado).Análise Volumétrica Prof. enquanto V2 – na expressão de diluição – é a soma do volume inicial com o volume de H2O adicionado.: meq-g = miliequivalente-grama meq-g = Eq-g / 1000 Como o volume e a normalidade correspondem ao titulante. A outra diferença é que. mas existem duas diferenças fundamentais entre as duas: enquanto na diluição.