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Leonardo de Medeiros Garcia

Coordenador da Coleção

Fernando Ferreira Baltar Neto
Advogado da União. Coordenador Geral da Consultoria Jurídica da União na Paraíba. Professor
universitário. Professor de cursos preparatórios para concurso. Palestrante. Ex-Coordenador
da Escola da Advocacia-Geral da União na Paraíba. Pós-graduado pela UNIPÊ. Co-autor do livro
Direito Administrativo (Coleção OAB - Ed. Jus Podivm).

Ronny Charles Lopes de Torres
Advogado da União. Consultor Jurídico Adjunto do Ministério do Trabalho e Emprego. Professor
universitário. Professor de cursos preparatórios para concurso. Palestrante. Mestre em Direito
Econômico. Pós-graduado em Direito tributário. Pós-graduado em Ciências Jurídicas. Autor dos
livros “Leis de licitações públicas comentadas” e “Licitações públicas: Lei nº 8.666/93 (Coleção
Leis especiais para concursos – Ed. Jus Podivm)”. Co-autor do livro Direito Administrativo
(Coleção OAB - Ed. Jus Podivm).

DIREITO
DIREITO
ADMINISTRATIVO
ADMINISTRATIVO
COLEÇÃO SINOPSES
PARA CONCURSOS

3ª edição
2013

logradouro. cidades e salas de aula (STF. 21 . de suma importância para uma boa preparação para as provas. ADI 307/CE. rua. os assuntos triviais sobre cada matéria. a Coleção contempla: • Doutrina otimizada para concursos Além de cada autor abordar. hospital. rel. dispositivo de Constituição Estadual que vede ao Estado e aos Municípios atribuir nome de pessoa viva a avenida. Min. biblioteca. • Entendimentos do STF e STJ sobre os principais pontos Segundo precedente do STF. reservatório de água. Eros Grau. 13. edifício público. auditórios. Neste contexto. praça. é compatível com o princípio da impessoalidade.2.Guia de leitura da Coleção A Coleção foi elaborada com a metodologia que entendemos ser a mais apropriada para a preparação de concursos. ponte. são contemplados temas atuais. maternidade. viaduto.2008). praça de esporte. de maneira sistematizada.

foi considerada incorreta a seguinte assertiva: Ao criar uma autarquia. permanecendo com a titularidade desse serviço. ESQUEMAS E DESENHOS Com esta técnica. • QUESTÕES DE CONCURSOS NO DECORRER DO TEXTO Através da seção “Como esse assunto foi cobrado em concurso?” é apresentado ao leitor como as principais organizadoras de concurso do país cobram o assunto nas provas. TABELAS COMPARATIVAS. • QUADROS.  Como esse assunto foi cobrado em concurso? No concurso para provimento do cargo de Procurador do Estado do Ceará-2008.FERNANDO BALTAR E RONNY CHARLES • PALAVRAS-CHAVES EM OUTRA COR As palavras mais importantes (palavras-chaves) são colocadas em outra cor para que o leitor consiga visualizá-las e memorizá-las mais facilmente. o leitor sintetiza e memoriza mais facilmente os principais assuntos tratados no livro. 22 . a administração pública apenas transfere a ela a execução de determinado serviço público.

Tal narrativa permite uma visão ampla sobre vários ramos do Direito Público.6 Gestão pública e serviços públicos.2. conforme ensina Dirley da Cunha 23 .2 Controle social e democracia participativa.1 A função administrativa. foi erigido um ordenamento legal fundado. 5.3 Supremacia do interesse público sobre o privado. O Estado e suas funções: 2. 5. 4. 4.5 Terceiro setor. Reforma Administrativa: 4. ajudando a entender e a perceber as mudanças ocorridas. Breve histórico sobre o Estado – do modelo liberal aos tempos atuais – 2.7 Princípio da subsidiariedade. Critérios de identificação e espécies – 3. em período que ficou marcado pelo absolutismo monárquico. 4. 4. 5. 5. traçaremos um breve esboço sobre a evolução do Estado Moderno. 4.NOÇÕES PRELIMINARES Capítulo 1 Noções preliminares Ronny Charles Sumário • 1. concentrado na pessoa do príncipe. 5. 5. 5.5 Crise da noção de serviço público. inclusive o Administrativo.3 Agências executivas. Contudo.8 Relativização das regras de direito público em algumas contratações administrativas.4 Agências reguladoras.6 “Agencificação”. BREVE HISTÓRICO SOBRE O ESTADO – DO MODELO LIBERAL AOS TEMPOS ATUAIS Nesse capítulo introdutório.2.2. 4.1 Fontes do direito administrativo – 4.2.1 Servidor público.2.3 Formas de administração pública – 5.2. com outorga de função regulatória. 5.2 Contratos de gestão. notadamente em sua faceta econômica e jurídica.4 Processualização do direito administrativo. Tendências no direito administrativo brasileiro: 5. Com o Estado Moderno. Administração pública e direito administrativo: 3. 4. inicialmente. 4. no poder unitário.1 Introdução.9 Formas consensuais como instrumento de resolução de problemas da administração 1. totalitário e absoluto. partindo de sua compleição liberal e chegando ao momento mais recente.2 Principais alterações. suas características e suas tendências.1 Princípio da legalidade.

como reflexo das aspirações burguesas e da repulsa aos excessos praticados pelo Estado Absolutista. 24 . pode-se dizer que apenas com a submissão do Estado ao Direito (Estado de Direito) foi provocada a construção de um verdadeiro Direito Administrativo. Esta atuação equidistante permitiu o incremento de problemas sociais e econômicos não resolvidos pela insuficiente autorregulação do sistema mercadológico. Os graves problemas causados pela atuação desregrada do mercado indicavam certa exaustão do modelo liberal e a necessidade de uma reformulação no papel do Estado na conjuntura social.RONNY CHARLES Júnior. que estipulavam as diretrizes de sua atuação. então. Vale frisar. Com a grande depressão vivida pelo capitalismo do início do século XX. que culminou com a quebra da Bolsa de Nova Iorque. resguardavam. No Estado Liberal. Essas eram aspirações seculares da classe burguesa. Legislativo e Judiciário). que esse período foi marcado por uma abstenção estatal na área econômica e na prestação de serviços públicos. Percebe-se. reconhecidos como afirmação do indivíduo frente ao Estado. ramo que “regula as relações entre Administração Pública e administrados. que consolidaram uma concepção de Estado com poderes limitados. se o início da organização do Estado indica a existência de uma Administração Pública. apenas. a Administração Pública tinha atuação reduzida e excepcional. naquele momento. A concepção liberal clássica de Estado de Direito teve por base um pilar institucional de freios e contrapesos (checks and balances) entre as três facetas do Poder constituído (Executivo. A passagem do Estado Absolutista para o Estado Liberal de Direito representou a mudança de um modelo baseado na autoridade do príncipe e sua infalibilidade. A limitação dos poderes estatais impunha a obediência às normas jurídicas. para uma realidade que tratava com primazia a autonomia da pessoa humana e a liberdade civil e econômica do indivíduo. as Constituições. assegurando a correta e legítima gestão do interesse público e garantindo os direitos dos administrados”. estabelecidas por parlamentares (representantes do povo). a primeira geração (ou dimensão) de direitos fundamentais.

O Estado Social surgiu com a incumbência de dar resposta a questões sociais que clamavam por uma intervenção estatal. foi concebido em razão de um Estado de Direito. No novo ambiente. em sua configuração moderna. agora entendidas como ônus estatal. o Estado Social surgiu para dar solução a outro tipo de violência. por consequência. se o Estado. mas também pela repercussão da grande expansão de suas atividades (como a criação de novos órgãos e o 25 . crescendo a importância da atuação pública na amenização das desigualdades sociais. da mesma forma. as constituições nacionais começaram a registrar direitos e garantias fundamentais de segunda geração (ou dimensão) que reclamavam prestações materiais pelo Estado. Não por coincidência. afetou materialmente a Administração Pública e. o modelo de Estado liberal foi pressionado a se renovar. em favor dos indivíduos. certamente. Esse novo paradigma. de modo a assegurar condições mínimas para aqueles incapazes de prover o seu próprio sustento. a pobreza.NOÇÕES PRELIMINARES em 1929. Uma nova proposta de Estado. assistência e educação. conhecida como Estado Social (do Bem-Estar Social ou welfare state). garantindo liberdade e segurança. passando a ter como meta o atendimento das necessidades da coletividade. Nesse contexto. a Administração Pública teve que ampliar suas atribuições e deveres perante a sociedade. que assumiu a dupla função de suprir as deficiências do sistema de mercado e implementar objetivos definidos de políticas públicas. Não apenas pela revisitação de alguns de seus princípios de atuação (como a igualdade). impôs-se a necessidade de realização de determinadas prestações públicas. justificado pela necessidade de oferecer proteção contra violências públicas e privadas. como instrumento para efetivar liberdades públicas. Canotilho lembra que. o Direito Administrativo. buscando suprir anseios coletivos como saúde. Diante do novo paradigma. a proteção da liberdade e a presunção da igualdade entre os homens deixaram de ser o foco único. agregou outros objetivos à atuação/intervenção estatal. passando a invocar a maior presença estatal na economia e na materialização de direitos sociais.

grosso modo. o crescimento desmesurado do Estado. que precisaram ser reguladas por normas jurídicas. complexidade das instituições políticas. investidor e empresário. Contudo. a proteção ao meio ambiente e o desenvolvimento de políticas públicas. À medida que ela era aprofundada. configurou-se um quadro de ingovernabilidade que levou à crise do Estado Social. como o desemprego. a crise de legitimidade dos representantes políticos. O Estado. Todos esses elementos foram potencializados por variáveis externas ou exógenas. diante da sobrecarga das prestações sociais. permitiu um fortalecimento exagerado do Poder Executivo. a chamada crise do Estado Social (ou de Bem-Estar) parecia relacionada. através da intervenção maciça do Estado. a fatores como as dificuldades de fomento do desenvolvimento e manutenção da estabilidade econômica. como o fim do desenvolvimento pós-guerra. a nova realidade globalizada e a instabilidade do mercado financeiro internacional. Revigoraram-se algumas teorias que permeavam o raciocínio liberal. por alguns radicais. como o grande problema da crise econômica enfrentada pela maioria dos Estados que adotaram o postulado do welfare state. Na verdade. o excesso de demandas e o consequente aumento da carga fiscal para dar conta de seu custeio. passou a ser considerado. Ademais. 26 . ávidos pelo retorno do Estado mínimo. que passou a ser prestador de serviços públicos. o rompimento do sistema de equilíbrio cambial firmado pelo acordo de Bretton-Woods.RONNY CHARLES estabelecimento de novas competências). notadamente da primazia da iniciativa privada e da necessidade da retração estatal em sua atuação interventiva. identificadas (até hoje) na origem de escândalos políticos. desequilibrando o tradicional sistema de controle e gerando inúmeras fragilidades estruturais. evidenciavam-se os problemas relativos à estrutura estatal e as dificuldades para atender à cobertura de novas demandas sociais. além de impor um crescente aumento da dívida pública. outrora apontado como o único capaz de resolver as injustiças e desequilíbrios causados pelo apetite capitalista da doutrina liberal. falta de autonomia. crises administrativas e carência de apoio pelos cidadãos. as crises do petróleo. no decorrer do século XX.

continua em vigor a tese de que o Estado deve centrar seus esforços nas suas atividades precípuas. a ampliação das potencialidades tecnológicas. hipertrofiada no transcorrer do Estado Social. descortina-se um novo paradigma. pela compreensão de que sua atuação é necessária para manter o equilíbrio do sistema social. Conforme será visto adiante. Neste novo cenário econômico e jurídico. fortemente afetado pelo fenômeno da globalização. Ademais. Noutro diapasão. pela construção de outra qualidade de Estado. potencializando seu papel regulador e sedimentando sua condição de Estado Democrático de Direito. publicidade. as normas que a regulam e os seus princípios. Segundo Di Pietro. constituindo-se em novo conceito. nas palavras de Boaventura de Sousa Santos. novamente se faz necessário revisitar o modelo de Administração Pública. cristalizando a lição de que ela gera modelos antagônicos. A recente crise do sistema financeiro mundial fortaleceu o raciocínio que coloca o Estado como ator relevante no cenário econômico. dilema que não se resolve pela redução da quantidade de Estado. supremacia do interesse público. o Direito Administrativo rediscute conceitos como legalidade. frente a algumas práticas autoritárias exercitadas pela Administração Pública. Discute-se uma nova via para a concepção de existência e de atuação da figura estatal. atos e contratos administrativos. essa configuração do Estado Democrático de Direito é resultado da síntese dialética dos momentos anteriores da evolução dos paradigmas de Estado. Além de impor a eficiência como princípio. Tal embate impõe a necessidade de rediscussão do papel do Estado. entre outros. 27 . inclusive de comunicação. mas sim. exige-se proteção para o cidadão. que une preceitos do direito formal burguês e do direito materializado no Estado Social. desinteressantes para o próprio capital.NOÇÕES PRELIMINARES De qualquer forma. a história já provou os malefícios que podem ser causados pela atuação libertina do Mercado. e a consagração dos direitos humanos. redimensionando a sua atuação na busca por eficiência e pela legitimidade de suas ações. personalização do direito administrativo.

subdividindo-se. a moderna doutrina do Direito Administrativo aponta para uma transformação da noção de Interesse Público. impondo uma “outra qualidade de Estado”.”  Importante! Tornando mais produtiva a leitura das sínteses jurídicas apresentadas adiante. constantemente suscitadas em questões das melhores bancas de exame (direta ou indiretamente). jurisdicional e administrativa).RONNY CHARLES Muitos dos conceitos do nosso Direito Administrativo foram concebidos ainda no período do Estado Liberal. Nesse contexto. O ESTADO E SUAS FUNÇÕES Consolidou-se o entendimento clássico de que o Estado possui três funções (legislativa. esse sucinto relato tem a pretensão de (didaticamente) permitir ao leitor a compreensão de algumas tendências de nosso Direito Administrativo. jurisdicional e executiva. Perceber essa mutação no direito administrativo é um diferencial que auxilia no estudo da matéria e no desenvolvimento do jurista. com a seguinte ementa: “Analisando o arcabouço constitucional que indica as noções do Estado Democrático de Direito. hoje pretendida. em função política (ou de governo) e em função administrativa. Parece-nos mais adequada a alusão às funções legislativa. Outra parte desse ramo jurídico foi concebida durante o Estado Social. Foi considerada correta a seguinte alternativa: “O Interesse Público confunde-se com a atividade da Administração Pública na realização da democracia e dos direitos fundamentais.  Como esse assunto foi cobrado em concurso? No concurso para o Tribunal de Justiça do Paraná (2008). 2. a última. Judiciário e Executivo) de forma típica ou atípica. assinale a alternativa correta:”. 28 . A concepção democrática. pelas melhores bancas. além de essencial para questões suscitadas em provas subjetivas e orais. aludindo a um fenômeno chamado “personalização do direito administrativo”. sendo importante para a compreensão de algumas questões objetivas. realizadas por seus Poderes (Legislativo. exige a acomodação dos conceitos e normas tradicionais ao novo paradigma constitucional (Estado Democrático de Direito).

conforme lições do Mestre Diogo de Figueiredo Moreira Neto. mas destacados dos Poderes do Estado”. que discorrem sobre os Poderes da clássica repartição (Executivo. inserido no título sobre a organização dos Poderes. através de comportamentos infralegais. apresentam-se como sistema de controle. classificando-as como “funções essenciais à Justiça”. Judiciário e Legislativo) não se deu de forma despropositada.NOÇÕES PRELIMINARES Legislativa Jurisdicional Política Executiva Administrativa Enquanto a função política (ou de Governo) está relacionada à superior gestão da política estatal (como ocorre no veto presidencial. na cassação política de um parlamentar ou em algumas decisões do Tribunal Constitucional). mas autônomo em relação aos três anteriores.  Atenção! As funções essenciais à Justiça. submetidos a um regime jurídico próprio (o administrativo). A distribuição ordenada pela Constituição tem sentido e demonstrou sintonia com as mudanças que ocorreram no Estado Moderno. a uma estrutura hierárquica e ao controle de legalidade pelo Poder Judiciário. Importante perceber que o deslocamento das funções essenciais à Justiça para um capítulo próprio. a função administrativa está relacionada à execução das normas jurídicas para atendimento direto e imediato do interesse da coletividade. com configuração constitucional peculiar. insere determinadas funções em capítulo próprio. “exercentes de uma parcela do poder estatal. O Constituinte buscou prestigiar funções imprescindíveis para o equilíbrio 29 . através de funções específicas que atuam por órgãos técnicos. Cabe observar. tornando inadequada ou insuficiente a teoria da separação dos poderes. que a Constituição. em seu título IV. em sua compleição original. ainda. ao tratar sobre a organização dos Poderes.

parece-nos que nenhum deles é suficiente.1. Critério objetivo material busca reconhecer a função através de elementos intrínsecos da atividade. Min. eles devem ser avaliados em seu conjunto. Quando qualquer dos poderes/ funções ou de seus órgãos e entidades atua no campo dessa função administrativa. Ela se diferencia das demais funções e é exercida tipicamente pelo Poder Executivo e atipicamente pelo Poder Legislativo e pelo Poder Judiciário. A função administrativa. 2. através de seu conteúdo. tendo em vista sua natureza eminentemente política (STF AgR 6650. o Supremo tem assentado que a nomeação de parentes para cargos políticos não configuraria afronta aos princípios constitucionais que regem a Administração Pública. não se submetendo esta última. Ellen Gracie. Assim. Rel. 16/10/2008). a Advocacia de Estado e a Defensoria Pública). Embora parte da doutrina aponte um ou outro critério como mais adequado para a identificação da função administrativa. ou seja.RONNY CHARLES e para a harmonia dos Poderes estatais. submetendo-se ao seu regime jurídico. atua enquanto Administração Pública. Critério objetivo formal busca reconhecê-la pelo regime que a disciplina. e é sob esse aspecto que deve ser percebida a atuação da advocacia privada e das “procuraturas constitucionais” (o Ministério Público.  Atenção! Em relação ao nepotismo (que afronta princípios do regime jurídico da administração pública). Critérios de identificação e espécies O presente trabalho se deterá especificamente ao estudo da função administrativa. A doutrina identifica as funções administrativas através de três critérios: Critério subjetivo ou orgânico leva em conta o sujeito responsável pelo exercício da função administrativa. para a correta identificação da função administrativa. Importante perceber que tal entendimento do Supremo segue a linha de raciocínio de que há uma diferenciação entre função administrativa e função política. ao regime jurídico da Administração Pública. 30 .

Nesse caso. 3. A expressão pode ser compreendida em dois sentidos: a) Sentido objetivo (administração pública): consiste na própria atividade administrativa exercida pelos órgãos e entes estatais. o Direito Administrativo é um conjunto de princípios e normas que limitam os poderes do Estado. que não a administrativa. b) Sentido subjetivo (Administração Pública): consiste no conjunto de órgãos. para sua realização. há incidência do direito administrativo em atividades que. O Direito Administrativo se apresenta como o ramo do Direito Público que envolve normas jurídicas disciplinadoras da Administração Pública em seus dois sentidos. seja de forma indireta. o exercício de funções outras. que desenvolve atividades de interesse coletivo. no desempenho de sua função administrativa. são reguladas por outros ramos do Direito (o Constitucional.NOÇÕES PRELIMINARES A função administrativa compreende diversas atividades. a expressão se inicia com letras maiúsculas. para satisfação de suas necessidades. Enquanto arcabouço de regras disciplinadoras da Administração Pública. Da mesma forma. Fomento atividade administrativa de estímulo à iniciativa privada de utilidade pública. Intervenção atuação da Administração no domínio econômico. seja de forma direta (através de suas empresas estatais). enquanto atividade administrativa propriamente dita e enquanto órgãos. como: Serviços públicos atividade direcionada a proporcionar utilidades ou comodidades para os administrados. Poder de polícia atividade que contém ou restringe o exercício das liberdades. por exemplo). ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E DIREITO ADMINISTRATIVO A Administração Pública é a faceta organizacional do Estado voltada para o atendimento das necessidades coletivas. exigem o exercício da função 31 . entidades e agentes que tenham a atribuição de executar a função administrativa. Nessa feita. adequando-as ao interesse público. entes e agentes que possuem a atribuição de executá-la. através da regulamentação e da fiscalização da atividade econômica.

considerada fonte do chamado Direito Administrativo Global (Global Administrative Law). Rafael Carvalho lembra que eles pressupõem a prática reiterada de atos administrativos em situações similares. b) leis. submetem-se a certas regras de direito administrativo. g) precedentes administrativos. As fontes do Direito Administrativo não se resumem às normas oriundas do Estado. a aplicação da Lex mercatoria. nas relações comerciais internacionais que envolvem o Estado. f) costumes. a tais normas jurídicas. Em apertada síntese.  Como esse assunto foi cobrado em concurso? No concurso para o cargo de Juiz do Tribunal de Justiça de São Paulo (Vunesp/2009). na prática. das disciplinas direito tributário e direito previdenciário. e) jurisprudência (destaque para as súmulas vinculantes e decisões em ADI.” 3. demonstra-se importante buscar identificar aquilo que provoca. Pensando o Direito administrativo como um conjunto de normas. respectivamente. podemos apontar as seguintes fontes para o Direito Administrativo: a) princípios.1. A constituição do crédito tributário ou a concessão de uma aposentadoria. formado por regras e princípios. em relação aos servidores públicos envolvidos. Fontes do direito administrativo Quando se aponta uma fonte de algo. Rafael Oliveira lembra. de acordo com a melhor doutrina. Em relação aos precedentes administrativos como fontes. que disciplinam a Administração Pública. como o mercado e a sociedade. devendo a Administração 32 . revisão de atos administrativos praticados. c) atos normativos infralegais. processamento administrativo. revela ou dá origem. entre outros. por exemplo. justamente. d) doutrina.RONNY CHARLES administrativa. com a seguinte ementa: “Um dos aspectos primordiais do Direito Administrativo brasileiro é o de ser um conjunto:”. ADC e ADPF). já que a disciplina deste ramo do direito sofre influência também dos demais setores. embora sejam objeto. foi considerada correta a seguinte alternativa: “d) de princípios e normas limitador dos poderes do Estado. ela está relacionada à origem daquele objeto de estudo.

Se a grande depressão de 1929 e a existência do socialismo soviético foram importantes para a transformação do Estado. laissez passer. b) quando o interesse público justificar a alteração motivada do entendimento administrativo. proposta pela máxima laissez faire. à isonomia e da vedação à arbitrariedade estatal.1. no final do século XX.NOÇÕES PRELIMINARES restar vinculada a tais entendimentos quando analisar relações jurídicas distintas. 4. o endividamento fiscal dos Estados. mas com agudas manifestações nos anos 90. como a crise do petróleo. as dificuldades de satisfação (outputs) das exigências sociais e dos grupos de interesse organizados 33 . que hoje fazem parte de nosso ordenamento. alterando institutos outrora concebidos e criando outros tantos. mas que possuam identidade subjetiva e objetiva. 4. característica do welfare state. afetaram toda a sociedade mundial. que abandonou a sua configuração mínima. As alterações sociais. é importante visitar algumas lições sobre a Reforma Administrativa. REFORMA ADMINISTRATIVA Para entendermos melhor a atualidade vivenciada em nosso direito administrativo. causaram transformações nos modelos estatais. Introdução Importante frisar que esse movimento não foi identificado apenas em nosso país. O autor ressalta que apenas em duas situações a Administração poderia se afastar de um precedente administrativo: a) quando o ato invocado como precedente for ilegal. Tal vinculação decorreria da necessidade de respeito à segurança jurídica. econômicas e políticas que. culminando com aquilo que se costumou chamar de crise do Estado Social. para adotar uma postura intervencionista. ainda inconclusa. Essa reforma repercutiu em nosso modelo de administração pública. também os problemas econômicos e políticos vividos após a década de 70. hipótese em que seria possível a adoção da teoria denominada “prospective overruling”. segundo a qual a alteração de orientação jurídica deve ser aplicada apenas para os casos futuros.

começou com a reforma da gestão pública realizada entre os anos de 1995 a 1998. que a sintonizasse às alterações sofridas pelo mundo. em países como a Inglaterra. a prática indiscriminada de rent-seeking (busca de privilégios pela manipulação do ambiente econômico ou político) e a própria crise de legitimidade estatal. deve buscar a construção de uma sociedade livre. passando a expressamente vincular e nortear a administração pública. erradicar a pobreza e promover o bem-estar de todos. justa e solidária. as deficiências do governo incitaram o debate sobre a necessidade de nova mudança de paradigmas. ampliados na vigência do Welfare State. As discussões sobre a redefinição do papel estatal ganharam contorno de questão de ordem. sobretudo no âmbito financeiro. Assim. se as deficiências do mercado influenciaram a passagem para o modelo do Estado Social. antes da reforma. já que o Poder Público não conseguia cumprir adequadamente as competências atribuídas pela Constituição. Essa reforma administrativa foi marcada pela tentativa de implantação de uma administração gerencial. os governantes brasileiros se deparavam com pelo menos duas realidades no âmbito da administração pública. de acordo com o novo pensamento majoritário. Em outras palavras. levaram ao fortalecimento dos pensamentos contrários à ampliação da estrutura administrativa. deveria o Estado reduzir sua intervenção no Mercado e equacionar seus gastos. entre seus objetivos. decorrentes da mudança de paradigmas que acompanhava o movimento da globalização. que repercutiu na inclusão da eficiência como um dos princípios constitucionais da Administração Pública. Esse princípio foi inserido no texto constitucional pela EC nº 19/98. A segunda se relacionava à procura de soluções que permitissem a efetivação das aspirações constitucionais de um Estado que. A verificação. iniciada desde a década de 80. inclusive aqueles destinados às prestações de serviços públicos. no Estado Brasileiro. pela qual o Brasil acompanhou a segunda grande reforma do Estado Moderno. Essa redefinição do papel estatal exigia uma revisão do papel exercido pela Administração Pública. Segundo Di Pietro. garantir o desenvolvimento.RONNY CHARLES (inputs). exigindo que a atividade 34 . influenciado pelo raciocínio neoliberal. da revisão do modelo administrativo. A primeira se relacionava à situação de crise.

Essa visão do Estado inspirou a adoção de diversas medidas que alteraram o panorama da Administração Pública. que atingiram tanto o modelo estatal como o próprio capitalismo. perfeição e rendimento funcional. algumas de suas principais alterações. foi considerada correta a seguinte alternativa: “e) gerencial”. introduzido expressamente na Constituição Federal (CF) na denominada Reforma Administrativa. traduz a idéia de uma administração”. Servidor público A Reforma Administrativa trouxe várias alterações à relação Administração-servidor. permanece a crítica de que a mudança no modelo administrativo induziu governos recentes à importação de modelos internacionais que não tinham a necessária relação de simetria jurídica com nosso ordenamento.1. mais adiante.NOÇÕES PRELIMINARES administrativa seja exercida com presteza.2. Di Pietro o aponta como forma de 35 . 4. Os objetivos e as diretrizes para a reforma da administração pública brasileira foram registrados no Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado.2. com a seguinte ementa: “O princípio da eficiência. Vejamos adiante. sobre agentes públicos. As nuances e alterações realizadas serão estudadas no capítulo próprio. por exemplo. nos capítulos próprios: 4.2.2. fixando. também tratadas nessa obra. De qualquer maneira. a possibilidade de avaliação de desempenho e a perda do cargo por excesso de despesas. Contratos de gestão O contrato de gestão foi apresentado como instrumento de modernização da gestão pública. inclusive em relação à remuneração e às regras de estabilidade. importante salientar que a reforma do aparelho estatal brasileiro foi fortemente influenciada pelas mudanças do final do século XX. 4.  Como esse assunto foi cobrado em concurso? No concurso para Procurador do Estado da Paraíba (Cespe/2008). Principais alterações No caso do Brasil.

Com o fim do monopólio estatal. Agências executivas A Reforma estabeleceu a possibilidade de que o Poder Executivo qualifique como agência executiva.2. para a regulação dessas atividades econômicas transferidas ao setor privado. com melhor desempenho e redução de custos.2. Esse tema será abordado no capítulo sobre Organização da Administração Pública.4. 4. transferindo à iniciativa privada alguns serviços públicos outrora prestados pelo Estado (Ex: telefonia). o tema será devidamente tratado. ao qual remetemos o leitor.2. 4. Terceiro setor No cerne da sociedade civil. devendo ter prazo de duração estabelecido em lei. nem têm interesses privados que as identifiquem com o Mercado ou com agrupamentos 36 . ao qual remetemos o leitor. foi necessária a criação de autarquias de regime especial (agências reguladoras). orçamentária e financeira. o Governo Federal iniciou o Programa Nacional de Desestatização. a autarquia ou a fundação que tenha cumprido requisitos estabelecidos para o alcance de uma maior eficiência em seu funcionamento. Esse tema será abordado no capítulo sobre Organização da Administração Pública. o contrato de gestão pode objetivar a ampliação da autonomia gerencial. O objetivo desse contrato seria o de estabelecer metas a serem alcançadas. surgem associações de pessoas que não participam da roupagem estatal. Organização da Administração Pública e Entes de cooperação.3. Nos capítulos próprios. Agências reguladoras Com o objetivo de sanear as finanças públicas. em troca de benefícios ou parcerias com o Poder Público. 4.RONNY CHARLES ajuste entre a Administração Pública Direta e entidades da Administração Indireta (agência executiva) ou entidades privadas que atuam paralelamente ao Estado (Organizações Sociais). Quando realizado entre órgãos ou entidades da Administração.5.