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ESTUDO DE PLATAFORMAS ESTAQUEADAS PARA ESTOCAGEM DE

CONTÊINERES EM ALTERNATIVA À EXECUÇÃO DE ATERRO SOBRE SOLOS
MOLES

LUCAS ZURLI MONTEIRO

Projeto de Graduação apresentado ao Curso de
Engenharia Civil da Escola Politécnica,
Universidade Federal do Rio de Janeiro, como parte
dos requisitos necessários à obtenção do título de
Engenheiro.

Orientadores:
Francisco José Costa Reis
Ricardo Valeriano Alves

Rio de Janeiro – RJ - Brasil
Março de 2014

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
ESCOLA POLITÉCNICA
Curso de Engenharia Civil
Departamento de Estruturas

ESTUDO DE PLATAFORMA ESTAQUEADA PARA ESTOCAGEM DE CONTÊINERES
EM ALTERNATIVA À EXECUÇÃO DE ATERRO SOBRE SOLOS MOLES
Lucas Zurli Monteiro

PROJETO DE GRADUAÇÃO APRESENTADO AO CORPO DOCENTE DO
DEPARTAMENTO DE ESTRUTURAS DA ESCOLA POLITÉCNICA DA
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO, COMO REQUISITO PARA A
OBTENÇÃO DO TÍTULO DE ENGENHEIRO CIVIL.

Examinado por:

___________________________________
Francisco José Costa Reis
Prof. Assistente, M.Sc., EP/UFRJ
(Orientador)

___________________________________
Ricardo Valeriano Alves
Prof. Adjunto, D.Sc., EP/UFRJ
(Co-Orientador)

___________________________________
Henrique Inneco Longo
Prof. Associado, D.Sc., EP/UFRJ

___________________________________
Flávia Moll de Souza Judice
Prof. Adjunto, D.Sc., EP/UFRJ

Rio de Janeiro – RJ - Brasil
Março de 2014

Monteiro, Lucas Zurli
Estudo de plataformas estaqueadas
para estocagem de contêineres em
alternativa à execução de aterro sobre
solos moles.
/ Lucas Zurli Monteiro – Rio de Janeiro:
UFRJ/ Escola Politécnica, 2014.
X, 57 p.: il.; 29,7 cm.
Orientadores: Francisco Costa Reis,
Ricardo Valeriano Alves.
Projeto de Graduação – UFRJ/ Escola
Politécnica/ Curso de Engenharia Civil,
2014.
Referências Bibliográficas: p. 50.
1. Plataforma Estaqueada. 2.
Estocagem de Contêiner. 3. Porto.

iii

pelos ensinamentos prestados. me ajudando sempre que precisei.Agradecimentos Agradeço aos meus pais. obrigado por me ajudar em minhas conquistas. Sandro Gomes. Tenho muita sorte da minha mãe ter se casado com você. Thomaz Barboza e outros que sempre estiveram do meu lado durante o curso. Vitor Texeira Ferreira. Luiz Edmundo de Andrade Monteiro e Andrea Zurli Freire. Aos meus professores que sempre tiveram paciência para me passar seus conhecimentos. Tenho enorme orgulho de ser filho de vocês. Em especial ao meu chefe. paciência e confiança. por sempre estarem do meu lado. Obrigado por toda ajuda e assistência. em especial aos professores Francisco Costa Reis. por ter sido outro grande exemplo na minha vida. Aos meus amigos de faculdade Filipe Meirellis. Às minhas irmãs. À minha noiva e futura esposa. Saibam que estiveram e estarão sempre por trás de todas as minhas conquistas. sem você este trabalho não teria saído. Vinícius Bayeh. por toda ajuda que me deram e a compressão quando precisei faltar ao trabalho para terminar o projeto. Aos meus colegas de trabalho. pela compreensão. pela ajuda e orientação neste trabalho. Pedro Ariel. Augusto César Guimarães Freire. à desenhista Debora. pela ajuda nos desenhos e ao engenheiro Gabriel Nocito. Vitor Dutra. por terem sido meus grandes exemplos na vida. Henrique Longo e professora Flávia Moll. Ana Carolina Jardim Salgado Martins. Ricardo Valeriano. Juliana e Marcela. da Beton Stahl Engenharia. Sei que sempre poderei contar com vocês. Ao meu segundo pai. Paulo Pillar. iv .

consumo de materiais e a metodologia executiva. por razões econômicas. Curso: Engenharia Civil Face ao crescimento mundial do comércio de contêineres e consequente demanda da construção de novos terminais portuários especializados neste tipo de operação. Além disso. A solução de aterro sobre essas áreas era amplamente utilizada no passado. serão estudados três diferentes tipos de sistemas estruturais utilizados em plataformas estaqueadas com o auxílio de modelagem computacional. encontram-se sobre lâminas d´água e solos frequentemente moles e contaminados. Por fim. denominam-se retroárea. Em seguida.Resumo do Projeto de Graduação apresentado à Escola Politécnica/UFRJ como parte dos requisitos necessários à obtenção do grau de Engenheiro Civil. serão levantadas as indicações de diferentes normas a este respeito. Palavras-chave: Plataforma Estaqueada. estes serão comparados. Estas áreas. Este trabalho tem por objetivo analisar e comparar três soluções estruturais para este tipo de estrutura levando em conta o aspecto econômico. Primeiramente será feita uma descrição e uma análise crítica dos carregamentos típicos para áreas de estoque de contêineres e sobrecargas utilizadas usualmente em projetos deste tipo de estrutura. muitas vezes. De uma maneira geral. Estocagem de Contêiner. faz-se necessária a construção de grandes áreas para serem utilizadas para estoque e movimentação de contêineres. entretanto. Lucas Zurli Monteiro Março /2014 Orientadores: Francisco José Costa Reis e Ricardo Valeriano Alves. normalmente situadas atrás das estruturas de atracação. esta retroárea passou a ser constituída por uma plataforma estaqueada. em função à crescente preocupação ambiental e. Porto. v .

it is necessary to build large areas for container storage and handling. This work aims to analyze and compare three structural solutions for this type of structure. the three different structural solutions will be compared. Container Storage. material consumption and construction methodology. pilling foundation platform for containers storage. these areas are named retro areas. Course: Civil Engineering Due to the global growth of the container trade and the consequent demand for construction of new port terminals specialized in this type of operation. In general. The landfilling solution on these areas was widely used in the past. Lucas Zurli Monteiro March /2014 Advisors: Francisco José Costa Reis e Ricardo Valeriano Alves. Usually located behind the mooring structures. First a description and critical analysis of typical equipment loads will be made for these storage areas and also commonly surcharge loads usually used in projects of this type. however.Abstract of Undergraduate Project presented to POLI/UFRJ as a partial fulfillment of the requirements for degree of Engineer. three different types of structural systems used in pilling platforms will be analyzed with aid of computational modeling. Key-words: Pilling platforms. this retro area has been implemented as a pilling foundation platform. Finally. they are on water depths and often over soft contaminated soils. due to the growing of environmental concerns and often for economic reasons. Then. taking into account the economic aspect. Port. vi . This work will also describe the storage containers loads of different standards usually adopted in this matter.

SUMÁRIO

1.

Introdução ..................................................................................................................... 1

1.1

Considerações Iniciais .................................................................................................. 1

1.2

Objetivos e Metodologia .............................................................................................. 1

2.

Disposições Normativas ............................................................................................... 4

2.1

ROM – Recomendações para Obras Marítimas ........................................................... 4

2.2

NBR9782/1987 ............................................................................................................. 7

2.3

British Standards – BS6349 – 1:2000 .......................................................................... 7

3.

Materiais utilizados ...................................................................................................... 8

4.

Alternativas Estudadas ................................................................................................. 9

4.1

Solução 1 – Laje bidirecional e vigas com mesma rigidez nas duas direções ............. 9

4.2

Solução 2 – Pré-moldados “π” apoiados em vigas em uma direção .......................... 25

4.3

Solução 3 – Pré-moldados “PRÉ-LAJE” apoiados em vigas em uma direção .......... 32

5.

Modelo Matemático ................................................................................................... 35

5.1

Carregamentos considerados em todas as alternativas ............................................... 37

5.1.1

Peso Próprio ............................................................................................................... 37

5.1.2

Pavimento ................................................................................................................... 37

5.1.3

Enchimento ................................................................................................................. 38

5.1.4

Sobrecarga .................................................................................................................. 38

5.1.5

Carga provocada pelo apoio do contêiner .................................................................. 39

5.1.6

Carga provocada pelos apoios dos equipamentos ...................................................... 40

5.2

Combinações .............................................................................................................. 41

5.3

Resultados Obtidos ..................................................................................................... 43

6.

Dimensionamento ....................................................................................................... 45

7.

Comparações Quantitativas e Qualitativas Entre as Soluções Estudadas .................. 46

8.

Conclusões e Sugestões para Trabalhos Futuros ........................................................ 49

9.

Bibliografia ................................................................................................................. 50

A.

Anexo A – Rotinas de Dimensionamento à Flexão Simples...................................... 51

B.

Anexo B – Cálculo dos Quantitativos ........................................................................ 52

vii

LISTA DE FIGURAS
Figura 1 – Padrão de Estocagem de Contêineres ....................................................................... 3
Figura 2 – Contêiner de 20 pés ................................................................................................... 3
Figura 3 – Área que exerce pressão no pavimento (dimensões em m). ..................................... 5
Figura 4 – MHC operando. ......................................................................................................... 6
Figura 5 – Estaqueamento (dimensões em cm). ......................................................................... 9
Figura 6 – Dimensões em planta da “PASTILHA” (dimensões em cm). ................................ 10
Figura 7 – Dimensões em planta do “T INVERTIDO” (dimensões em cm). .......................... 11
Figura 8 – Seção transversal do “T INVERTIDO” (dimensões em cm). ................................. 11
Figura 9 – Dimensões em planta da “CAMBOTA” (dimensões em cm). ................................ 12
Figura 10 – Seção Transversal da “CAMBOTA” (dimensões em cm). ................................... 12
Figura 11 – Arranjo estrutural da superestrutura (dimensões em cm). .................................... 13
Figura 12 – Corte transversal típico (dimensões em cm). ........................................................ 13
Figura 13 – Fabricação das estacas pré-moldadas. ................................................................... 14
Figura 14 – Transporte das estacas pré-moldadas. ................................................................... 14
Figura 15 – Cravação das estacas pré-moldadas. ..................................................................... 15
Figura 16 – Arrasamento das estacas pré-moldadas................................................................. 15
Figura 17 – Arrasamento das estacas pré-moldadas e colocação da braçadeira metálica. ....... 16
Figura 18 – Arrasamento das estacas pré-moldadas................................................................. 16
Figura 19 – Fabricação do pré-moldado “PASTILHA”. .......................................................... 17
Figura 20 – Montagem do pré-moldado “PASTILHA”. .......................................................... 17
Figura 21 – Solidarização do pré-moldado “PASTILHA” com a estaca. ................................ 18
Figura 22 – Fabricação do pré-moldado “T INVERTIDO”. .................................................... 18
Figura 23 – Fabricação do pré-moldado “CAMBOTA”. ......................................................... 19
Figura 24 – Montagem do pré-moldado “T INVERTIDO”. .................................................... 19
Figura 25 – Montagem do pré-moldado “T INVERTIDO”. .................................................... 20
Figura 26 – Montagem do pré-moldado “CAMBOTA”. ......................................................... 20
Figura 27 – Montagem do pré-moldado “CAMBOTA”. ......................................................... 21
Figura 28 – Visão geral após montagem dos pré-moldados..................................................... 21
Figura 29 – Colocação das armaduras complementares nas vigas. .......................................... 22
Figura 30 – Concretagem das vigas até o nível do pré-moldado “cambota”. .......................... 22
Figura 31 – Colocação da armadura negativa da viga e da laje. .............................................. 23
Figura 32 – Concretagem da sobrelaje. .................................................................................... 23

viii

Figura 33 – Visão geral da plataforma após finalizar a concretagem. ..................................... 24
Figura 34 – Colocação do enchimento. .................................................................................... 24
Figura 35 – Colocação do pavimento. ...................................................................................... 25
Figura 36 – Dimensões em planta do pré-moldado “CALHA” (dimensões em cm). .............. 26
Figura 37 – Seção transversal do pré-moldado “CALHA” (dimensões em cm). ..................... 26
Figura 38 – Dimensões em planta do pré-moldado “π” (dimensões em cm). .......................... 27
Figura 39 – Seção transversal do pré-moldado “π” (dimensões em cm).................................. 27
Figura 40 – Seção longitudinal do pré-moldado “π” (dimensões em cm)................................ 27
Figura 41 – Arranjo geral dos pré-moldados (dimensões em cm). .......................................... 28
Figura 42 – Corte na direção horizontal (dimensões em cm). .................................................. 28
Figura 43 – Corte na direção vertical (dimensões em cm). ...................................................... 29
Figura 44 – Disposição dos pré-moldados “CALHA” em uma solução com vigas nas duas
direções. .................................................................................................................................... 30
Figura 45 – Disposição dos pré-moldados retangulares em apenas uma direção. ................... 30
Figura 46 – Montagem dos pré-moldados “π”. ........................................................................ 31
Figura 47 – Montagem dos pré-moldados “π”. ........................................................................ 32
Figura 48 – Dimensões em planta do pré-moldado “CALHA” (dimensões em cm). .............. 33
Figura 49 – Seção transversal do pré-moldado “CALHA” (dimensões em cm). ..................... 33
Figura 50 – Dimensões em planta do pré-moldado “PRÉ-LAJE” (dimensões em cm). .......... 33
Figura 51 – Seção transversal do pré-moldado “PRÉ-LAJE” (dimensões em cm).................. 34
Figura 52 – Arranjo geral de pré-moldados (dimensões em cm). ............................................ 34
Figura 53 – Corte horizontal da plataforma (dimensões em cm). ............................................ 35
Figura 54 – Visão geral do modelo da solução 1.............................................. ....................... 36
Figura 55 – Visão geral do modelo da solução 2. .................................................................... 36
Figura 56 – Carregamento devido à Sobrecarga – Posição 1 ................................................... 38
Figura 57 – Carregamento devido à Sobrecarga – Posição 2 ................................................... 39
Figura 58 – Carregamento devido à Sobrecarga – Posição 3 ................................................... 39
Figura 59 – Espraiamento da carga no caso da solução 1 (dimensões em cm). ....................... 40
Figura 60 – Carregamento devido ao apoio do contêiner. ........................................................ 40
Figura 61 – Direções principais dos momentos fletores........................................................... 43
Figura 62 – Exemplo de momento fletor na direção M11........................................................ 43

ix

........................... 45 Tabela 10 – Armadura necessária encontrada na solução 2....... 44 Tabela 8 – Momentos fletores obtidos na solução 3................................... expresso em carga distribuída.. .......................................Valores característicos nominais mínimos de sobrecarga para obras de acostagem..................................................... 46 Tabela 12 – Tabela Comparativa de Quantidades ................................................. (Fonte: NBR 9782/1987) .......................................... 47 Tabela 13 – Tabela Comparativa de Vantagens e Desvantagens .................... ........ 42 Tabela 6 – Momentos fletores obtidos na solução 1....... (Fonte: BS63491:2000) ..............................................................................................................LISTA DE TABELAS Tabela 1 ............................. (Fonte: NBR 9782/1987) .............................. .............. 45 Tabela 11 – Armadura necessária encontrada na solução 3................................................................ 41 Tabela 4 – Coeficientes de ponderação para ações variáveis...... ............... 47 x .................................. 44 Tabela 7 – Momentos fletores obtidos na solução 2................ ............................................. ...... 8 Tabela 3 – Coeficientes de ponderação para ações permanentes................ (Fonte: NBR 9782/1987) ............................................................ 41 Tabela 5 – Combinações dos Carregamentos Atuantes................ 7 Tabela 2 – Carregamento de contêiner............. 44 Tabela 9 – Armadura necessária encontrada na solução 1..........................

Introdução 1. os resultados encontrados para cada solução serão comparados. NBR 6118/2003 e NBR 9782/1987. frequentemente. de uma maneira geral. Além disso. este trabalho tem como propósito verificar se a norma brasileira NBR 9782/1987 é deficiente em relação aos carregamentos prescritos para este tipo de estrutura. Nos terminais de contêineres é necessário que exista uma grande área atrás da estrutura de atracação para movimentação e estocagem da carga.normalmente é muito caro fazer um aterro sobre solos moles ou solos que necessitam ser tratados . a demanda por projetos de obras portuárias para este tipo de carga especializada. no qual três soluções estruturais serão apresentadas. Além disso.2 Objetivos e Metodologia Este trabalho tem como objetivo analisar e comparar três soluções estruturais para uma plataforma estaqueada para estocagem de contêineres. Outro aspecto importante a ser ressaltado é que a prática atual de manuseio e estocagem de contêineres se dá com empilhamento dos mesmos até seis alturas. a estrutura será dimensionada com base nas prescrições da norma brasileira. SAP2000. 1. modeladas e analisadas com auxílio do programa comercial de análise estrutural. moles e contaminados.1 Considerações Iniciais Nas últimas décadas.passou a ser uma boa solução adotar a alternativa em plataforma estaqueada para conformar a retroárea. A partir desses resultados. serão apresentadas as vantagens e desvantagens em relação ao consumo dos principais insumos estruturais e à metodologia executiva de cada solução. por consequência. Ao fim. Esta área denomina-se retroárea e. Com isto. Entretanto. Para tal. em função da crescente preocupação ambiental e por razões econômicas . o comércio de mercadorias utilizando contêineres tem aumentado e. 1 . O cenário e as considerações acima motivaram o presente trabalho. baseado no método dos elementos finitos. A solução de aterro sobre essas áreas foi amplamente utilizada no passado.1. encontra-se sobre lâminas d´água e solos. a carga transferida à estrutura passou a ter grande importância na análise dos elementos estruturais de suporte. será feito um estudo de caso.

esta camada de enchimento dá maior flexibilidade na execução das instalações hidráulicas.10m) e de enchimento (0. Essas estacas são muito utilizadas no mercado nacional. que pode pesar até 300 kN.178m x 0. Será estudado um tipo de plataforma que pode estocar até seis contêineres ao alto. e não ao longo do seu comprimento. com carga máxima variando entre 3000 kN e 3500kN. transmite sua carga para o pavimento em uma área de 0. A necessidade da existência dessa camada de enchimento tornou-se imperativa face à magnitude das pressões de contato dos apoios dos contêineres com o pavimento.As três alternativas estudadas são empregadas. cada contêiner cheio. pois os contêineres se apoiam em quatro quinas (Fig. Para que apenas a superestrutura seja comparada. O estudo foi feito com base em uma plataforma de 25m x 25m. essa solução é essencial devido às dificuldades de execução de formas e concretagem no local da obra. com espessura de parede interna com 0. Estas pressões ocorrem. com condições de contorno adequadas para simular uma região central de uma plataforma com quaisquer dimensões. 2 .80m de diâmetro externo. vazadas. pois não utilizam forma no local onde a plataforma será construída. Devido a essa característica. como pressuposto pela presença dos rodapés laterais.2). conforme mostra a Figura 1. Além disso. elétricas e de drenagem. Para este tipo de obra. padrão muito utilizado atualmente pelos operadores portuários. em maior ou menor escala. todas as alternativas terão a mesma altura de pavimento (0.162m. na construção de obras portuárias. mas sim peças pré-moldadas.50m).15m. necessárias à operação da retroárea. A infraestrutura das três alternativas será constituída por estacas circulares de 0.

Figura 1 – Padrão de Estocagem de Contêineres Figura 2 – Contêiner de 20 pés 3 .

1 ROM – Recomendações para Obras Marítimas A ROM é uma publicação espanhola. da forma de armazenar os contêineres (fila simples ou fila múltipla) e das alturas de empilhamento (de uma a cinco. A ROM também afirma que a probabilidade de que todos os contêineres estejam totalmente carregados em altura é relativamente pequena.3. Esta hipótese para redução da carga adotada no projeto foi corroborada por experiência profissional. com o intuito de ser um instrumento técnico para projetistas. Devido à experiência profissional. facilitando aos diferentes órgãos do Estado espanhol e às empresas privadas o fácil acesso à informação especializada necessária para o desenvolvimento de seus trabalhos.1. quando chegam contêineres transportando cargas que podem alcançar seu peso máximo. A publicação da ROM 4. acredita-se que pode ser adotado um coeficiente redutor de peso dependendo da altura de armazenamento (até 40% para empilhamentos de cinco alturas ou mais). para estimativa de cargas aplicadas.1-94. que traz recomendações para projetar e construir pavimentos portuários. As pressões transmitidas ao solo devidas às cargas concentradas provenientes dos apoios do contêiner são muito elevadas. equivalente a 20 pés. A publicação cita que a carga máxima para um contêiner de 20 pés é de 200 kN e para um contêiner de 40 pés é de 300 kN.162 m situados nas quatro quinas de apoio. que teve sua primeira comissão técnica criada em 1987.178 m x 0. como foi adotado o padrão de 4 .1. Atualmente. foi utilizado no trabalho o contêiner de 20 pés com carga máxima de 300 kN. Por esta razão. determina que se considere que as cargas dos contêineres se transmitem ao piso por elementos de apoio de 0. supervisores e construtores. A unidade de medida no transporte de contêineres é o TEU (Transport Equivalent Unit). Neste trabalho. Operadores portuários afirmam que. como mostrado na figura 2.2. Estas publicações não têm poder normativo. pois sabe-se que dependendo da carga transportada. elaborada pelo órgão público da Espanha Puertos del Estado. estes são levados a áreas específicas e que seguem padrões de armazenamento próprio. os contêineres mais utilizados são os de 20 pés (1 TEU) e de 40 pés (2 TEUS). reunindo a tecnologia mais avançada no campo da engenharia marítima e portuária. Disposições Normativas 2. mas podendo ultrapassar esta última). A ROM pretende ser a base para futuras publicações espanholas. são algumas das recomendações mais completas e utilizadas no mercado. pode-se chegar a esse valor. porém. por exemplo azulejos. em seu item 3. e que as pressões de contato sobre o pavimento dependem da carga.

356 m x 0. Figura 3 – Área que exerce pressão no pavimento (dimensões em m). em altura de até cinco contêineres.363 kN/m². • Straddle Carriers: São veículos destinados à manipulação de contêineres.1 MPa. cada apoio recebe 270 kN. que reduzidos de 40%. de acordo com os critérios pré-estabelecidos de planificação portuária e os especificados pelo cliente ou pela Autoridade Portuária.6 MPa de pressão no pavimento. admitindo até três alturas de armazenamento de contêineres. Como os contêineres têm quatro apoios. Estes dois tipos de veículos podem gerar até 0.1 MPa.empilhamento de seis contêineres. • Front Lift Trucks e Side Loader Lift Trucks: São utilizados para a manipulação de contêineres. em uma área de 0. 5 . as características dos equipamentos de manipulação de mercadoria que operam na zona. admitindo armazenamento de até quatro alturas. Equipamentos citados na ROM 4. Transmitem cargas da ordem de 260 kN por par de rodas e pressões de contato de até 1.324 m.1-94: • Pórticos de Armazenamento (Transtêineres): Dedicam-se à manipulação de contêineres nas zonas de armazenamento dos mesmos. chega-se a 1800 kN. Devido ao fato do armazenamento poder ocorrer na configuração de quatro pilhas de contêineres justapostas. cada um com carga máxima de 300 kN. Alguns só manipulam contêineres de 20 pés e outros podem manipular também os de 40 pés. conforme ilustra a Figura 3. Transmitem cargas da ordem de 450 kN por roda e pressões de contato de 1. sua localização e a forma como solicitam o pavimento. A publicação Espanhola também afirma que o projetista deve considerar. levam a 1080 kN (força que deve ser transmitida ao pavimento). tem-se a força total de 1080 kN exercendo uma pressão no pavimento de 9. Movem-se sobre pneumáticos ou trilhos.

0-11. para contêineres cheios empilhados em 5 alturas 6 . A Figura 4 mostra um MHC em operação. adotou-se o MHC.• Mobile Cranes: São veículos destinados à manipulação de carga geral.dados fornecidos por um operador portuário. para contêineres cheios empilhados em 1 altura • q = 30 kN/m².6. no item 4. Nota-se que a ROM está ultrapassada em relação aos veículos prescritos. guindaste portuário sobre rodas que se apoia em patolas quanto está em operação. Neste trabalho. para contêineres cheios empilhados em 3 alturas • q = 60 kN/m². como equipamento de manipulação. Este equipamento possui patola com 1. As gruas possuem peso próprio de 1400 kN levando a uma carga sobre cada apoio de 1100 kN . para contêineres cheios empilhados em 2 alturas • q = 45 kN/m².4. Figura 4 – MHC operando. transferindo a carga máxima de 3775 kN para o pavimento . para contêineres vazios empilhados em até 4 alturas • q = 18 kN/m². Em relação à sobrecarga que deve ser utilizada em toda a plataforma. Quando manipulam contêineres.50m. admitem armazenamento de até quatro alturas. deve ser adotada: • q = 15 kN/m².80m x 5. afirma que para uso de contêiner. para contêineres cheios empilhados em 4 alturas • q = 75 kN/m². a ROM 2.1.

por se tratar de uma publicação especifica para obras de atracação e amarração.A ROM 2. item 4 da NBR9782/1987. (Fonte: NBR 9782/1987) 2. BS6349. presente nas áreas de estocagem. não contempla a sobrecarga possível de seis alturas.2 NBR9782/1987 A norma brasileira. No caso de cais ou píer para contêiner.3 da norma britânica. como mostra a Tabela 1. não apresenta qualquer indicação específica em relação às estruturas para estoque de contêiner.3 British Standards – BS6349 – 1:2000 A norma britânica. a sobrecarga indicada é de 40 kN/m². 2. definidas no item 44. afirma que o importante a ser considerado em projetos de obras portuárias especializadas em contêineres são as cargas dos apoios dos contêineres ou equipamentos de manipulação e armazenagem de contêineres. A Tabela 2 indica sobrecargas nominais para diferentes alturas de contêiner. 7 . Tabela 1 . por se tratar de norma antiga. NBR9782/1987.Valores característicos nominais mínimos de sobrecarga para obras de acostagem. O valor máximo indicado na norma para algum tipo de obra específica é de 100 kN/m².0-11.

Materiais utilizados 3.2 Aço para armadura passiva Será utilizado aço CA-50.8 da NBR 6118/03.Tabela 2 – Carregamento de contêiner.104  Outras propriedades físicas importantes do material. com as seguintes propriedades: f* = 500MPa (tensão de escoamento – CA50) E = 210GPa (módulo de elasticidade longitudinal) ν = 0. são:  = 25  ⁄!" (peso específico) $ = 0.2) Sendo assim. tem-se para fck= 40MPa:  = 35. Segundo item 8. devido às condições inerentes a este tipo de obra.2 da NBR 6118.3 (coeficiente de Poisson) 8 .2.5 % (módulo de elasticidade transversal) & = 10'(⁄℃ (coeficiente de dilatação térmica) 3. os módulos de elasticidade inicial (E ) e secante (E ) são calculados de acordo com as expressões abaixo: E = 5600 f (3. de acordo com o item 8.2 (coeficiente de Poisson) % = 12.1 Concreto Será utilizado concreto com resistência característica à compressão fck = 40MPa.1) E = 0.85E (3. expresso em carga distribuída. (Fonte: BS63491:2000) 3.417   = 30.

80 m de diâmetro externo e com 0. Figura 5 – Estaqueamento (dimensões em cm). Alternativas Estudadas 4. as estacas são pré-moldadas.385E = 80. Sua infraestrutura é composta por estacas dispostas a cada 5 m.2 x 10'( ⁄℃ (coeficiente de dilatação térmica) γ = 78. vazadas e circulares. acredita-se que é a mais eficiente por consumir menos material. conforme mostra a Figura 5.50 m de diâmetro interno.77GPa (módulo de elasticidade transversal) α = 1.1 Solução 1 – Laje bidirecional e vigas com mesma rigidez nas duas direções Esta solução ainda não é muito utilizada pelos projetistas.G = 0. com 0. Como dito anteriormente.5 kN⁄m" (peso específico) 4. 9 . porém.

o “T INVERTIDO”. Suas dimensões estão descritas nas Figuras 7 e 8. Possui peso aproximado de 18 kN. com seção transversal com dimensões de 0.80m x 0. O mesmo tem como objetivo apoiar os demais pré-moldados e garantir o nivelamento da superestrutura.40 m. Figura 6 – Dimensões em planta da “PASTILHA” (dimensões em cm).80m x 1. incorpora parte da armadura das vigas. utilizando-se apenas concreto “in loco”. em detrimento de um pequeno aumento de aço quando se adota esta solução.80m e laje de 0. O segundo pré-moldado. esta solução é constituída por três diferentes tipos de pré-moldados. A “PASTILHA” em planta possui dimensões de 1. será ilustrado no método executivo desta solução. Para evitar a utilização de formas no local da obra. As vigas poderiam ser feitas de forma alternativa. servindo como forma inferior da mesma e apoia-se nas “PASTILHAS”. e peso aproximado de 18 kN. O primeiro pré-moldado. devido às condições inerentes às obras marítimas. A solução prémoldada foi adotada pela dificuldade da execução da forma e desforma do fundo das vigas.80m. 10 . conforme mostra a Figura 6.A superestrutura desta solução é constituída por vigas de concreto armado nas duas direções. dispostas a cada 5 m. tipo “PASTILHA”.

conforme mostra a Figura 10. “CAMBOTA”. Possuem peso aproximado de 116 kN e formas mais complexas. maiores dificuldades de transporte e estocagem. também é apoiado nas “PASTILHAS”. Estes pré-moldados apresentam dimensões de 4. conforme mostra a Figura 9.20m em planta. As “CAMBOTAS” são pré-lajes que servem como formas laterais para as vigas e nelas estão as armaduras inferiores da laje.Figura 7 – Dimensões em planta do “T INVERTIDO” (dimensões em cm).20m de espessura. Figura 8 – Seção transversal do “T INVERTIDO” (dimensões em cm). e 0. O terceiro pré-moldado.20m x 4. Pode-se observar que esses elementos pré-moldados apresentam maiores dimensões e. 11 . consequentemente.

Figura 9 – Dimensões em planta da “CAMBOTA” (dimensões em cm). 12 . A Figura 11 mostra o arranjo geral dos pré-moldados da plataforma estudada e a Figura 12 mostra um corte transversal típico de toda plataforma. Figura 10 – Seção Transversal da “CAMBOTA” (dimensões em cm).

13 .Pré-moldado “PASTILHA” Pré-moldado “T INVERTIDO” Figura 11 – Arranjo estrutural da superestrutura (dimensões em cm). Figura 12 – Corte transversal típico (dimensões em cm).

são utilizadas formas metálicas. 14 . conforme mostra a Figura 13. Após a sua fabricação. Para esta fabricação. conforme as Figuras 14 e 15.A descrição do método executivo desta solução começa na fabricação das estacas prémoldadas no canteiro de obra. Figura 14 – Transporte das estacas pré-moldadas. as estacas são transportadas para local onde a obra está sendo executada e depois são cravadas. Figura 13 – Fabricação das estacas pré-moldadas.

15 . são colocadas as braçadeiras metálicas para nivelamento do pré-moldado “PASTILHA”. 17 e 18. Nesta etapa. Após a cravação das estacas. Figura 16 – Arrasamento das estacas pré-moldadas.Figura 15 – Cravação das estacas pré-moldadas. conforme mostra a Figura 17. estas são arrasadas na cota de projeto. conforme mostram as Figura 16.

16 . O pré-moldado “PASTILHA” é fabricado. este é transportado e montado. conforme mostra a Figura 19.Figura 17 – Arrasamento das estacas pré-moldadas e colocação da braçadeira metálica. Figura 18 – Arrasamento das estacas pré-moldadas. Após o arrasamento das estacas. A região central da “PASTILHA” é concretada para solidarização com as estacas. conforme a Figura 21. como mostra a Figura 20.

Figura 19 – Fabricação do pré-moldado “PASTILHA”. 17 . Figura 20 – Montagem do pré-moldado “PASTILHA”.

Os pré-moldados “T INVERTIDO” e “CAMBOTA” são fabricados conforme mostram as Figuras 22 e 23. Após a cura da região central da “PASTILHA”. A Figura 28 mostra uma visão geral da obra após finalizarem estas últimas etapas. são montados os prémoldados “T INVERTIDO”. conforme as Figuras 26 e 27. ou seja. Figura 22 – Fabricação do pré-moldado “T INVERTIDO”. como é possível observar nas Figura 24 e 25. 18 . é montada a “CAMBOTA”. Em seguida.Figura 21 – Solidarização do pré-moldado “PASTILHA” com a estaca. após a montagem de todos os prémoldados.

Figura 23 – Fabricação do pré-moldado “CAMBOTA”. Figura 24 – Montagem do pré-moldado “T INVERTIDO”. 19 .

Figura 26 – Montagem do pré-moldado “CAMBOTA”.Figura 25 – Montagem do pré-moldado “T INVERTIDO”. 20 .

Figura 28 – Visão geral após montagem dos pré-moldados.Figura 27 – Montagem do pré-moldado “CAMBOTA”. 21 .

Figura 29 – Colocação das armaduras complementares nas vigas. e a concretagem das vigas até o nível do pré-moldado “CAMBOTA”. conforme mostra a Figura 29. Figura 30 – Concretagem das vigas até o nível do pré-moldado “cambota”.A próxima etapa é a colocação das armaduras complementares nas vigas. 22 . tal como ilustra a Figura 30.

A seguir é feita a colocação das armaduras superiores das vigas e da laje. 23 . Figura 31 – Colocação da armadura negativa da viga e da laje. Figura 32 – Concretagem da sobrelaje.20m. conforme mostra Figura 31 e a concretagem da sobrelaje de 0. A Figura 33 mostra a plataforma com toda fase de concretagem finalizada. de acordo com a Figura 32.

Figura 33 – Visão geral da plataforma após finalizar a concretagem. conforme mostra a Figura 35. Após a finalização dessa etapa. compacta-se o enchimento sobre toda a plataforma. conforme mostra a Figura 34. coloca-se o pavimento. Figura 34 – Colocação do enchimento. e por último. 24 .

possui excelente comportamento ao tráfego de equipamentos pesados devido ao intertravamento por possuir um grande número de facetas em cada elemento. Além do pré-moldado “PASTILHA”. cais ou píer. superior a 50 MPa. esta solução é estendida para o pátio de estocagem. Também nesta solução utilizaram-se três tipos diferentes de pré-moldados. pois além da resistência. com maior dificuldade de montagem devido à 25 . porém.Figura 35 – Colocação do pavimento. servindo como forma. utilizou-se o pré-moldado “CALHA”. pré-moldado retangular com forma menos complexa. também presente na primeira solução.2 Solução 2 – Pré-moldados “π” apoiados em vigas em uma direção A Solução 2 é amplamente utilizada pelos projetistas para as estruturas de atracação. Este pré-moldado define a parte inferior da viga. Pode-se também usar nesta solução. por isso é uma das alternativa a serem estudadas.30m. 4. Possuem vigas na direção longitudinal para apoio de equipamentos sobre trilho. A solução desse pavimento para área de estoque de contêiner é uma das mais utilizadas.30m x 1. ao invés do pré-moldado “CALHA”. Normalmente. Esta solução tem a infraestrutura exatamente igual à solução 1. Já sua superestrutura é constituída por vigas de concreto armado apenas na direção dos eixos horizontais com dimensões de 1.

Suas dimensões em planta são de 4. conforme mostra a Figura 38. Este é apoiado nas vigas principais.30m e altura de 0. Possui peso aproximado de 55 kN. Outro pré-moldado utilizado é o tipo “π”. Suas “vigotas” têm largura média de 0.interferência de sua armadura com a espera da estaca. como se pode colocar a armadura principal da viga após a sua montagem. conforme será visto na metodologia executiva desta solução. servindo como forma lateral para a segunda fase de concretagem das vigas.00m x 2. Figura 37 – Seção transversal do pré-moldado “CALHA” (dimensões em cm). 26 . No pré-moldado “CALHA”. Possui peso aproximado de 30 kN. que serve como pré-laje. e possui laje de 0.60m. Figura 36 – Dimensões em planta do pré-moldado “CALHA” (dimensões em cm). Este pré-moldado apoia-se nos pré-moldados “PASTILHA” e apresenta as dimensões indicadas nas Figura 36 e 37.10m. tem-se menos interferências.50m. conforme mostram as Figuras 39 e 40.

Figura 38 – Dimensões em planta do pré-moldado “π” (dimensões em cm). Figura 40 – Seção longitudinal do pré-moldado “π” (dimensões em cm). Figura 39 – Seção transversal do pré-moldado “π” (dimensões em cm). 27 .

Na Figura 42 observa-se um corte na direção horizontal e. Figura 41 – Arranjo geral dos pré-moldados (dimensões em cm). na Figura 43. PM02 – pré-moldado “CALHA”. PM01 – pré-moldado “PASTILHA”.A Figura 41 mostra o arranjo geral dos pré-moldados da plataforma estudada. PM03 – pré-moldado “π”. um corte na direção vertical. Figura 42 – Corte na direção horizontal (dimensões em cm). 28 .

O método executivo desta solução segue os mesmos procedimentos de montagem da solução 1. Após posicionados. Esta figura apenas serve para ilustrar como é a forma do pré-moldado “CALHA”. pois trata-se de uma obra de atracação onde houve necessidade de aporticamento das estacas unicamente verticais. Nesta figura. os pré-moldados “CALHA” estão dispostos nas duas direções. A Figura 45 mostra a montagem de vigas em uma direção. 29 . que serve para apoio dos pré-moldados “CALHA”. conforme mostrado na Figura 44. até a etapa de colocação da “PASTILHA”.Figura 43 – Corte na direção vertical (dimensões em cm). não sendo o caso da alternativa estudada. que também pode ser utilizado nesse tipo de solução. estes servem de forma para as vigas. com o emprego de prémoldado retangular.

Figura 45 – Disposição dos pré-moldados retangulares em apenas uma direção. 30 .Figura 44 – Disposição dos pré-moldados “CALHA” em uma solução com vigas nas duas direções.

apoiandose na viga longitudinal com a primeira fase concretada. Figura 46 – Montagem dos pré-moldados “π”. já fabricados. onde há uma sobrelaje concretada sobre a pré-laje do “π”. conforme mostra a Figura 46. já com a laje incorporada. 31 . o aspecto do pré-moldado “CALHA” fica semelhante ao pré-moldado retangular da Figura 45. Na alternativa apresentada. A Figura 47 mostra a montagem dos pré-moldados “π”. A diferença se dá na quantidade de concreto moldado no local da obra. os pré-moldados “π”. para que a estrutura não fique instável. diferentemente da solução estudada. optou-se pelo emprego do “π” com pré-laje e posterior concretagem de sobrelaje.A próxima etapa desta solução é a colocação da armadura da viga no interior do prémoldado “CALHA” para posterior concretagem. Após essa etapa. A seguir. por ser uma solução de maior facilidade para a montagem das armaduras complementares .solução preferida pelos projetistas. finalizando a primeira fase de concretagem. são transportados e montados. Os prémoldados “π” só podem ser montados após a concretagem interna dos pré-moldados “CALHA” e a continuidade dos mesmos sobre as estacas. As duas soluções são similares em termos de dimensionamento.

Além do prémoldado “PASTILHA”.60m. apenas na direção horizontal. Coloca-se a armadura negativa. Após terminar a concretagem final. presente na solução 2. utilizou-se o pré-moldado “CALHA”. As próximas etapas são similares à solução 1. com dimensões diferentes. neste caso. Esta solução tem a infraestrutura exatamente igual às anteriores.Figura 47 – Montagem dos pré-moldados “π”. coloca-se o enchimento e o pavimento.05m. utilizaram-se três tipos diferentes de pré-moldados. conforme mostram as Figuras 48 e 49.20m x 1. tanto da viga como da laje. e laje de 0. de seção transversal com dimensões de 1. e a sobrelaje é concretada. Esta solução possui vigas de concreto armado.3 Solução 3 – Pré-moldados “PRÉ-LAJE” apoiados em vigas em uma direção A solução 3 também é muito utilizada pelos projetistas para esse tipo de obra devido à simplicidade de formas. 4. Também. 32 . presente nas outras soluções.

e tem espessura de 0.25m. Figura 49 – Seção transversal do pré-moldado “CALHA” (dimensões em cm).Figura 48 – Dimensões em planta do pré-moldado “CALHA” (dimensões em cm). conforme ilustra a Figura 50. servindo como pré-laje.50m. como mostra a Figura 51.00m x 2. Suas dimensões em planta são de 4. 33 . Figura 50 – Dimensões em planta do pré-moldado “PRÉ-LAJE” (dimensões em cm). Este é apoiado nas vigas principais. Outro pré-moldado utilizado é o tipo “PRÉ-LAJE”.

Pré-moldado “PASTILHA” Pré-moldado “CALHA” Figura 52 – Arranjo geral de pré-moldados (dimensões em cm).Figura 51 – Seção transversal do pré-moldado “PRÉ-LAJE” (dimensões em cm). A Figura 52 mostra o arranjo geral dos pré-moldados da plataforma estudada e a Figura 53 mostra um corte na direção horizontal. A metodologia executiva desta solução é igual à da solução 2. não será descrita novamente. 34 . A única diferença é que ao invés do pré-moldado “π”. esta solução utiliza o pré-moldado “pré-laje”. Por esta razão.

A partir dos resultados obtidos no programa. 5. a Figura 55. Modelo Matemático Para cada alternativa estudada. PM02 – “CALHA”. Nesse modelo. A Figura 54 mostra a visão geral do modelo da solução 1 e. foram introduzidas as características geométricas e físicas dos elementos e aplicados os carregamentos.15. 35 . da solução 2. foi considerado um trecho central de uma plataforma com qualquer tamanho. PM03 – “PRÉ-LAJE”. O eixo das vigas e da laje foram modelados no mesmo plano. A plataforma modelada possui dimensões em planta de 25m x 25m. com elementos de casca discretizados com dimensões de 0.20m x 0. foi elaborado um modelo estrutural do pátio de contêineres no programa SAP2000 v.PM01 – “PASTILHA”. foram feitos os dimensionamentos dos elementos estruturais. simulando-se as condições necessárias de contorno em suas extremidades. Por se tratar de um estudo genérico.20m. Figura 53 – Corte horizontal da plataforma (dimensões em cm).

Figura 55 – Visão geral do modelo da solução 2.Figura 54 – Visão geral do modelo da solução 1. 36 .

Com o valor médio das rotações dos nós extremos. 5. foram utilizados elementos de barra e para a laje foram utilizados elementos de casca. Quanto houve intercessão de um elemento de barra e de casca.m/(rotação) = 70.2 Pavimento O pavimento foi atribuído no programa SAP2000 como um carregamento distribuído por área.249 kN. foi aplicado um momento unitário nos nós extremos.2. Por exemplo. As estacas foram consideradas engastadas a 25m de profundidade nas três soluções.m/(rotação) = 22.1 Carregamentos considerados em todas as alternativas 5.4 kN/m².349 kN. para descobrir-se qual deve ser esse comprimento de engastamento. tal que: k = 1 kN. com espessura de 0.1.10m.m/rad – Nós extremos laterais da solução 2 k = 1 kN. A partir de sua rigidez. segundo a NBR 9782/1987. o peso da espessura de concreto da laje que já esta incorporada no elemento de barra que simula a viga.m/(rotação) = 53. define-se a rigidez da mola que deverá ser aplicada.m/rad – Nós extremos laterais da solução 3 k = 1 kN. com molas a cada metro simulando o comportamento do solo e aplica-se uma força unitária. Geralmente. item 3. segundo a NBR 9782/1987. item 3. O peso específico do pavimento considerado no cálculo foi de 24 kN/m³. no caso da solução 2. no sentido da rotação. 5.2. gerando uma carga de 2. modela-se uma estaca isolada com as mesmas características geométricas das da plataforma.m/(rotação) = 37. sendo considerado o peso específico do concreto 25 kN/m³.602 kN.168 kN. 37 .Para determinar um valor que simule a condição de continuidade da estrutura. descobre-se seu comprimento de engastamento equivalente.846 kNm/rad – Nós extremos superior e inferior da solução 3 Para simular as estacas e vigas das três soluções estudadas e.1 Peso Próprio O peso próprio da estrutura é gerado automaticamente pelo programa SAP-2000.m/(rotação) = 50. foi necessário que este elemento finito tivesse algum modificador de massa e peso. tal como um pavimento de concreto simples.m/rad – Nós nas quatro extremidades da solução 1 k = 1 kN.m/rad – Nós extremos superior e inferior da solução 2 k = 1 kN.1. as “vigotas”. para que não fosse contabilizado duas vezes.

tanto em relação ao momento negativo.1.3 Enchimento O enchimento também foi atribuído no programa SAP2000 como um carregamento distribuído por área. como em relação ao momento positivo. 57 e 58. conforme mostram as Figuras 56. Esta carga foi aplicada de três formas diferentes a fim de se encontrar a envoltória de esforços. com espessura de 0.50m. A posição 1 se refere a sobrecarga aplicada em toda a plataforma. a sobrecarga aplicada em faixas. 5.1. gerando uma carga de 9 kN/m². a posição 2.5. O peso específico do enchimento considerado no cálculo foi de 18 kN/m³. a sobrecarga aplicada de uma forma chamada “xadrez” e. A sobrecarga de projeto adotada foi de 100 kN/m².4 Sobrecarga A ROM e nenhuma das normas estudadas indicam qualquer sobrecarga para ser utilizada no caso de área de estoque com altura de empilhamento de seis contêineres. a posição 3. Figura 56 – Carregamento devido à Sobrecarga – Posição 1 38 . valor bastante utilizado em projetos de estruturas com as mesmas características das alternativas estudadas.

também foram aplicadas as cargas provocadas pelo apoio do contêiner como carga distribuída nos elementos de laje.5 Carga provocada pelo apoio do contêiner Para o dimensionamento dos elementos estruturais. 39 . Esta carga foi distribuída em uma área correspondente aos quatro apoios dos contêineres. A Figura 59 ilustra o espraiamento da carga. espraiada a partir da região de contato com o pavimento até a altura média da laje de concreto.Figura 57 – Carregamento devido à Sobrecarga – Posição 2 Figura 58 – Carregamento devido à Sobrecarga – Posição 3 5.1.

60m. A carga aplicada é o equivalente a seis contêineres de 20 pés empilhados. em uma das quatro posições de armazenamento simuladas.0m x 7.1 do presente trabalho. com uma carga equivalente de 300 kN por contêiner. que no caso da solução 1 teve o valor de 422 kN/m². Estas cargas foram aplicadas em quatro posições de armazenamento distintas da laje buscando encontrar a situação que provoca os momentos máximos. Figura 59 – Espraiamento da carga no caso da solução 1 (dimensões em cm).6 Carga provocada pelos apoios dos equipamentos Também foi aplicado um carregamento de 180 kN/m². conforme descrito no item 2.1.60m x 1. em uma área de 3.0m (mesmo espraiamento utilizado na carga devido ao apoio dos contêineres) . devido aos apoios 40 . 5. A Figura 60 mostra como foi aplicado este carregamento. será aplicada em uma área de 1. Figura 60 – Carregamento devido ao apoio do contêiner.Para facilidade de modelagem.

5.do equipamento MHC. conforme descrito no item 2. (Fonte: NBR 9782/1987) Tabela 4 – Coeficientes de ponderação para ações variáveis. para as ações permanentes e variáveis.80m x 5. (Fonte: NBR 9782/1987) 41 . como carga distribuída nos elementos de laje. A Tabela 5 mostra as combinações que serão utilizadas no estudo das três alternativas. conforme a NBR 9782/1987. por isso não foi considerada no dimensionamento. item 11. Tabela 3 – Coeficientes de ponderação para ações permanentes. respectivamente.50m. que possuem dimensões em planta de 1. prescritos na norma.2 Combinações Para a determinação dos esforços solicitantes máximos atuantes. devem-se levar em consideração as cargas permanentes e a envoltória das solicitações devidas às sobrecargas e apoio do contêiner. As Tabelas 3 e 4 mostram os coeficientes de ponderação.1 do presente trabalho. Esta carga não foi dimensionante em nenhuma das três alternativas.

2) Onde: Fd – Valor combinado da ação.30 1. FQ – Valor característico das ações variáveis.30 1.40 .00 1. prescrita na NBR 9782/1687: 67 = 8 69 + .00 Fissuração 1.60 1.1) Onde: Fd – Valor combinado da ação.= + >? 6< (5.60 1. FG – Valor característico das ações permanentes. FQ – Valor característico das ações variáveis.00 0.40 1.60 Tabela 5 – Combinações dos Carregamentos Atuantes Combinações de Cálculo Combinação Estado Limite Comb 1 Serviço Comb 2 Serviço Comb 3 Último Comb 4 Último Carregamentos Peso Próprio Pavimento Enchimento Sobrecarga Peso Próprio Pavimento Enchimento Apoio do Contêiner Peso Próprio Pavimento Enchimento Sobrecarga Peso Próprio Pavimento Enchimento Apoio do Contêiner 42 Fator de Majoração Objetivo 1.30 Dimensionamento 1.30 à Flexão 1.00 1.30 à Flexão 1. FG – Valor característico das ações permanentes.30 Dimensionamento 1. 6< (5.00 Fissuração 1. prescrita na NBR 9782/1687: 67 = 69. Para verificação da fissura no estado limite de serviço foi utilizado a seguinte combinação. Ψ1 = 0.00 0.Para dimensionamento no estado limite último foi utilizado a seguinte combinação.

e a Figura 62 apresenta um exemplo de momento fletor na direção M11. Figura 62 – Exemplo de momento fletor na direção M11. 43 .5. sendo apenas a primeira prescrita na norma brasileira NBR 9782/1987. As Tabelas 4 a 6 apresentam os esforços encontrados nas soluções 1. A Figura 61 mostra as direções dos momentos M11 e M22. Figura 61 – Direções principais dos momentos fletores. 2 e 3.3 Resultados Obtidos Serão comparados os resultados das combinações 3 e 4. respectivamente.

m/m) 145 M11 -115 Laje 343 M22 -243 Elemento Momento COMB 3 (kN.m/m) 276 -100 276 -100 COMB 4 (kN. Solução 1 Elemento Momento COMB 3 (kN.m/m) 141 -41 122 -100 COMB 4 (kN. nota-se que.m) M+ 848 Viga M-872 COMB 4 (kN. Solução 2 Elemento Momento COMB 3 (kN. Solução 3 Elemento Momento COMB 3 (kN.Tabela 6 – Momentos fletores obtidos na solução 1.m) M+ 335 Vigota M-369 M+ 2047 Viga M-1598 COMB 4 (kN.m) 537 -648 2524 -1904 % 213% 173% 85% 32% % 60% 76% 23% 19% Tabela 8 – Momentos fletores obtidos na solução 3.m) 1188 -1180 % 93% 39% 30% 7% % 31% 15% Comparando-se os momentos fletores nas lajes devidos às combinações 3 e 4. 44 . nas três soluções.m/m) 280 -160 445 -260 COMB 4 (kN.m) 997 -1068 % 53% 11% 53% 11% % 18% 22% Tabela 7 – Momentos fletores obtidos na solução 2.m/m) 180 M11 -90 Laje 180 M22 -90 Elemento Momento COMB 3 (kN. os esforções decorrentes da ação dos contêineres é sempre superior àqueles obtidos da combinação prescrita na NBR 9782. O mesmo observou-se nas vigas.m) M+ 905 Viga M-1023 COMB 4 (kN.m/m) 45 M11 -15 Laje 66 M22 -76 Elemento Momento COMB 3 (kN. variando de 7% a 213% maior.

58 45 . Solução 2 .36 9. Também foi verificada no estado limite de serviço (ELS) a fissuração.33 Vigota As Superior 12.42 Elemento Armadura COMB 3 (cm²) COMB 4 (cm²) As Inferior 11. Tabela 9 – Armadura necessária encontrada na solução 1.94 Viga As Superior 30.Armadura de Aço Necessária Elemento Armadura COMB 3 (cm²/m) COMB 4 (cm²/m) As Inferior 5.3 para combinação frequente de utilização.00 Laje .01 As Inferior 39.59 % 57% 0% % 19% 24% As mín As mín As mín - % 237% 0% 86% 33% % 52% 86% 24% 20% As mín As mín As mín - Tabela 10 – Armadura necessária encontrada na solução 2. item 11. em nenhum dos casos esta verificação foi dimensionante.84 Laje . conforme a NBR 6118/03.90 12. As Tabelas 9.2.84 10.20 COMB 3 (cm²) COMB 4 (cm²) 27.20 9. Como o limite na NBR 6118/03 para abertura de fissuras é de 0.direção 11 As Superior 6.41 48. conforme a NBR 6118/03.2. A combinação adotada. Elemento Armadura As Inferior Laje As Superior Elemento Armadura As Inferior Viga As Superior Solução 1 .38 17. As rotinas utilizadas no cálculo das armaduras necessárias estão no Anexo A.93 20.direção 22 As Superior 7. os elementos estruturais submetidos à flexão simples foram dimensionados para o estado limite último (ELU).00 20.6. utilizou o fator de 0. Dimensionamento Para comparar o consumo de material das três alternativas.09 28. 10 e 11 mostram as armaduras necessárias devido aos momentos fletores máximos provocados pelas combinações 3 e 4.4.90 6.56 36.74 35.91 33.Armadura de Aço Necessária COMB 3 (cm²/m) COMB 4 (cm²/m) 13.20 mm para obras portuárias.38 23. conforme mostra a Tabela 5.60 para a sobrecarga e o apoio do contêiner. conforme prescrito na NBR 9782/1987.90 As Inferior 6.

Comparações Quantitativas e Qualitativas Entre as Soluções Estudadas Para melhor entendimento das três soluções estudadas. a seguir. Solução 3 .80 13.80 30.Armadura de Aço Necessária Elemento Armadura COMB 3 (cm²/m) COMB 4 (cm²/m) As Inferior 10. na Tabela 12. Não foi feita uma comparação financeira entre as soluções estudadas.28 19.90 % 92% 0% 31% 0% % 32% 16% As mín As mín As mín As mín - 7. o tempo e os custos indiretos são os aspectos mais relevantes em uma obra portuária. Pode ser visto.84 29.Tabela 11 – Armadura necessária encontrada na solução 3.99 Laje . um quadro resumo com os principais quantitativos estruturais de cada solução. 46 .direção 22 As Superior 13.80 13. Normalmente. que a alternativa 1 apresenta o menor consumo de quantidades indicando a possibilidade de ser a melhor solução em termos econômicos. Os cálculos desses quantitativos estão descritos no Anexo B.direção 11 As Superior 13. pois o custo dos materiais nem sempre é a parte mais importante dos custos de uma obra.99 Laje .80 As Inferior 15.11 Viga As Superior 25. o que deve ser confirmado com o planejamento levando em conta a especificidade de cada obra. apresenta-se.40 19.80 Elemento Armadura COMB 3 (cm²) COMB 4 (cm²) As Inferior 22.

593 170 1238 1. é importante comparar as vantagens e desvantagens de cada solução. Tabela 13 – Tabela Comparativa de Vantagens e Desvantagens 47 .59 62.Tabela 12 – Tabela Comparativa de Quantidades Tabela Comparativa de Quantidades Forma (m²) Solução 1 Laje bidirecional e vigas com mesma rigidez nas duas direções Solução 2 Pré-moldados tipo “π” apoiados em vigas em uma direção Solução 3 Pré-moldados tipo “Prélaje” apoiados em vigas em uma direção.160 121 Além dos principais quantitativos estruturais das soluções.56 46.83 351 0.970 134 1619 2. que são apresentadas na Tabela 13.98 441 0.59 368 0.71 53. Volume de Forma Concreto (m²/m²) (m³) Espessura média da estrutura (m) Massa Taxa de Total de Armação Aço (kg) (kg/m³) 1144 1.

com a mesma rijeza nas duas direções. aumentando o tempo de montagem. rijeza maior •Pré-moldados leves. Este aspecto é muito importante em obras com cota de coroamento baixas. transporte simples. • Maior consumo de concreto quando comparado à solução 1. Soluçao 3 • Maior consumo de concreto. •Menor necessidade de altura estrutural.48 •Pré-moldado de maior peso. •Maior quantidade de pré-moldados. praticamente obrigando que a área de estocagem se localize nas proximidades da área de embarque para as barcaças de transporte. •Maior flexibilidade na absorção dos desvios de cravação das estacas. complexas. •Pré-moldados usuais e amplamente utilizados •Pré-moldados usuais e amplamente utilizados em obras portuárias. solução 2. •Maior agilidade na montagem. aumentando o tempo de montagem. •Pouco consumo de concreto quando •Maior flexibilidade na absorção dos desvios de cravação das estacas. •Necessidade de cravação de estacas com menor desvio de cravação em função da interferência com o apoio do pré-moldado “CAMBOTA”. •Menor consumo de materiais. •Dificuldade no transporte do pré-moldado tipo cambota em caminhões convencionais. • Maior consumo de aço quando comparado à • Estrutura unidirecional. de fácil estocagem e de • Menor consumo de aço quando comparado à comparado a solução 3. Soluçao 2 . Vantagens Soluçao 1 •Melhor distribuição das cargas pelo fato da laje ser bidirecional. •Estrutura parcialmente bidirecional. de fácil estocagem e de na direção das vigas e rijeza das vigotas do π na transporte simples. poucos prémoldados para cada módulo. aço e concreto. solução 1. outra direção. •Formas dos pré-moldados de baixa •Pré-moldados leves. obras de continuidade de obras antigas. •Maior consumo de aço. em obras portuárias. complexidade. • Maior quantidade de pré-moldados. • Formas dos pré-moldados de complexidade média. •Pré-moldado cambota com formas mais Desvantagens •Necessidade de maior área de estocagem devido às dimensões do pré-moldado “CAMBOTA”.

Outro aspecto importante a ressaltar é a necessidade da execução do enchimento sobre as estruturas. Pode-se notar a relevância da carga de apoio do empilhamento dos contêineres. para inclusão do carregamento de empilhamento em obras especializadas na operação de contêineres. que todas as soluções possuem suas vantagens e desvantagens. Sugestões para trabalhos futuros: • Estudo de uma das soluções estruturais para diversas alturas de enchimento. com laje bidirecional e vigas nas duas direções. Conclusões e Sugestões para Trabalhos Futuros Dos estudos apresentados. Por isso. entretanto. como lajes planas bidirecionais leves e lajes protendidas bidirecionais. incluindo o orçamento das alternativas estudadas. pois. a norma brasileira deve ser revisada. sem o mesmo. foi o carregamento dimensionante da superestrutura. Cabe ressaltar.8. visando buscar a altura ótima que levará ao menor consumo de quantitativos estruturais. • Estudo de novos tipos de soluções estruturais para a finalidade de estocagem. Tal carregamento sempre foi utilizado somente no dimensionamento de pavimentos pelas normas internacionais e sequer é tratado na NBR 9782/1987. pode-se concluir que a solução que possui menor consumo de materiais é a solução 1. todas as três soluções sofreriam acréscimos significativos nas quantidades devido ao aumento dos esforços. 49 . conforme citado anteriormente. que independentemente do sistema estrutural adotado.

.9. • ABNT. Madrid. 1990.1 – Del Proyecto y Construcción de Pavimentos Portuários. 2ª ed.0 – Diseños y ejecución em obras de Atraque y Amarre: critérios generales y factores del projecto. NBR 9782 – Ações Em Estruturas Portuárias Marítimas ou Fluviais. Madrid. Rio de Janeiro. • Puertos del Estado.. • Puertos del Estado. BS6349 – Maritime structures. • British Standards. ROM 2. NBR 6118 – Projeto e Execução de Obras de Concreto Armado. Bibliografia • ABNT. 2003. London. Code of practice for general criteria. 50 . ROM 0.2 – Acciones para proyecto de Obra Maritima Portuária. • Puertos del Estado. 2011. Rio de Janeiro. Madrid. 1987. 2000. ROM 4. 1994.

Propriedades da seção h := 0. .07m d := h − c = 0.h é a altura da seção.As é a armadura necessária.A.4    kmd  0.c é a distância parte inferior ou superior da seção até o centro de gravidade da armadura calculada. Anexo A – Rotinas de Dimensionamento à Flexão Simples Exemplo de uma rotina utilizada para o dimensionamento à flexão simples. . .γ é o fator de majoração.5 1 − 1 −  2 ⋅   0.80m Propriedades dos materiais fck := 40MPa fyk := 500MPa Dimensionamento M := 1068kN ⋅m γ := 1 3 Md := γ ⋅M = 1.85      Kx := kz := 1 − 0. 51 .945 As := Md kz ⋅d ⋅ fyk 2 = 35.8 kz = 0.591 ⋅cm 1.15 Onde: .bw é a base da seção.068 × 10 ⋅kN ⋅m kmd := Md 2 fck bw ⋅d ⋅ = 0.4Kx 0.088 1. nesse caso é igual a 1 pois o momento já foi majorado no programa SAP2000.73 m bw := 0. .80m c := 0.

4 kg/m x 10(vigas) = 3.60 kg Total Vigas = 20.936.5m x 2.80m x 3.25 m³  Pré-moldado do Tipo Laje Volume de concreto de 1 pré-moldado: 3.175m x 0.752 m³ Volume de Concreto Total = 120 m³ – 10.5m x 1.60 x 0.80 x 25m = 12 x 10 = 120 m³ Neste cálculo o encontro entre as vigas foi contado 2 vezes. Anexo B – Cálculo dos Quantitativos Solução 1 .812.60x0.10 kg 52 .650 kg Ø8 c 15 .5 kg/m = 15.60m x 4.80x2+0.752 m³ = 109.167 (estribos) x 2 x (0.B.80m.80 x 0.Quantitativos Volume de Concreto  Vigas Considerando as vigas extremas como meia viga. nas duas direções.80 m = 10.60 x 0.652 m³ x 25 = 116.30 m³  Laje Volume de Concreto Total = 25m x 25m x 0.20m = 125 m³ Volume de Concreto Total da Plataforma = 351 m³ Peso de Aço  Viga São 10 vigas: 23(barras) x 10(vigas) x 27. Volume de Concreto a ser retirado = 28 x 0.50x2)m x 0.473. temos 10 vigas de 0. logo deve-se retirar esse volume.80m x 0.20m + 0.50 kg 6(barras) x 10(vigas) x 27.20m x 4 = 4.0 kg/m = 1.652 m³ Volume de Concreto Total = 4. Volume de Concreto = 0.

34 kg x 25 = 20.60m + 0.75 m x 0.970 kg Taxa de Armadura = 134 kg/m³ Forma Por se tratar de uma obra toda pré-moldada.60m x 2 = 6.5 c 12.28 m² + 2x6.20m x 4 + 0.20m x 0.00 kg 4 Ø 8 – 4(barras) x 2(direções) x 4.80m x 3.71 m² Área de Forma Total / área = 1.60m x 2 + 0.25m x 3.0 kg/m = 5.20m x 4 + 0. Área de forma do pré-moldado tipo laje: 0.40 kg/m = 25. para comparar este número nas três soluções será feito a área de forma por área de estrutura.40 kg/m = 13.5 – 8(barras) x 2(direções) x 4.50 kg  Laje Ø12.40 m x 3.90 m x 4 + 3.238m x 3.214m² = 45.80m = 33.850(barras) x 2(direções) x 3m x 1.933.44 kg 8 Ø 12.20 kg Total = 837. Pré-moldados (x25) Ø20 c 15 . e poderá ser utilizada mais de uma vez. a forma será metálica.214 m² Em uma área de 25m² (5m x 5m) tem-se: Um pré-moldado do tipo laje +o equivalente a 2 pré-moldados do tipo viga T invertida 33.50m x 3.83 m² / m² 53 .5 .14(barras) x 2(direções) x 4.25 kg/m = 31.28(barras) x 2(direções) x 5m x 2.15m x 4.3 c 30 .20m x 1.60m x 4.20 kg Ø6.100 kg Peso Total de Aço = 46.28 m² Área de forma do pré-moldado do tipo viga T invertida: 0.50 kg/m = 700.21(barras) x 2(direções) x 2 x 0.00 kg/m = 67.50 kg Ø8 c 20 .50m x 0.

365 kg  Laje Ø16 c.4 kg/m x 5(vigas) = 2404.24 m³ x 50 = 112 m³  Laje Volume de Concreto Total = 25m x 25m x 0.05 x 25m = 26. 10 entre vigas (4m).25 x 5 = 131.63 kg/m = 68.20x4)m x 0.60m + 2.80 kg Total Vigas = 15.26 kg 14(barras) x 5m x 1.175m = 2.60m x 0.00 x 1.20)m x 0.5m x 1.5 kg/m = 4.24 m³ Volume de Concreto Total = 2.125 kg 8(barras) x 5(vigas) x 27.55m² x 3. tendo 5 “espaços”: 54 .6 kg/m = 32 kg 4(barras) x 2(Vigotas) x 5m x 1.05m. temos 5 vigas de 1.500 kg 12(barras) x 5(vigas) x 27.100 kg 167(estribos) x (0.00x1.63 kg/m = 95.6 kg/m = 112 kg Total = 467 kg x 50 = 23.0 kg/m = 1.90x2+0.605 kg  Pré-moldados (x50) 3(barras) x 2(Vigotas) x 5m x 4 kg/m = 120 kg 2(barras) x 2(Vigotas) x 5m x 1.20m = 125 m³ Volume de Concreto Total da Plataforma = 368 m³ Peso de Aço  Viga São 5 vigas: 10(barras) x 5(vigas) x 27.5m x 4.04 kg 27(barras) x 2(Vigotas) x (2x1.20+2x0.Solução 2 .0 kg/m = 5.25 m³  Pré-moldado do Tipo π Volume de concreto de 1 pré-moldado: 0.5m x 2.0 kg/m = 40 kg 27(barras) x 4m x 0.Quantitativos Volume de Concreto  Vigas Considerando as vigas extremas como meia viga.50m x 0.30x2+1. Volume de Concreto Total = 1.

a forma será metálica.750 kg Total Laje = 23.10m x 4m + 0.15m x 3.000 kg 2Ø25 – 2(barras) x 4 kg/m x 3m x 100(vigotas) = 2.712. 15 entre vigas (4m).51m x 4m x 4 + 0.70m x 2 + 0.6 kg/m x 3m x 100(vigotas) = 960 kg Ø12.70 m x 2 + 0.5m = 3.593 kg Taxa de Armadura = 170 kg/m³ Forma Por se tratar de uma obra toda pré-moldada.59 m² / m² 55 . Área de forma do pré-moldado tipo π: 0.70m x 2 + 0.16 m² + 2 x 7. 10 – 1250(barras) x 1.30m x 0.50 m x 2 + 0.80 m² Área de Forma Total = 2.623 kg Peso Total de Aço = 62.5 kg 2Ø25 – 2(barras) x 4 kg/m x 5m x 100(vigotas) = 4.800 kg Ø12.0 kg/m x 3m = 3.24 m² = 64.60 m x 2.15m x 1m x 2 + 0. e poderá ser utilizada mais de uma vez.35m x 4m x 2 + 0.5 c.45m x 3. tendo 5 “espaços”: 5 x 27(barras) x 1. para comparar este número nas três soluções será feito a área de forma por área de estrutura.6kg/m x 27.5 c.5m = 8.175m x 4 = 7.60m x 4m x 2 = 25.24 m² Em uma área de 25m² (5m x 5m) tem-se: 2 pré-moldados do tipo pi +o equivalente a 2 pré-moldados do tipo calha 2 x 25.25m x 4m x 2 + 1.0kg/m x 27.5 x 40(barras) x 1.400 kg 2Ø16 – 2(barras) x 1.31m x 3.16 m² Área de forma do pré-moldado tipo calha: 0.

tendo 5 “espaços”: 5 x 36(barras) x 1.40 kg x 50 = 19.40 kg/m = 21.60 kg/m = 200 kg Total = 394.60m).40x2+1.65 x 1.90x4+0.5 x 5 = 97.5m x 2.437.50 m³ x 50 = 125 m³  Laje Volume de Concreto Total = 25m x 25m x 0.50m x 4.65x1.920 kg 56 .75 m³ Volume de Concreto Total da Plataforma = 441 m³ Peso de Aço  Viga São 5 vigas: 10(barras) x 5(vigas) x 27.25m = 2.5m x 2. 10 entre vigas (3.5m x 1.5 kg/m = 3.50 kg 8(barras) x 5(vigas) x 27.20 x 25m = 19.50 m³ Volume de Concreto Total = 2.437.10x2)m x 0.35m = 218.80 kg 18(barras) x 3m x 0.5 kg/m = 3.60 kg 25(barras) x 5m x 1.5m = 7.100 kg 167(estribos) x (0. temos 5 vigas de 0. Volume de Concreto Total = 0.5 m³  Pré-moldado do Tipo pré-laje Volume de concreto de 1 pré-moldado: 2.93 kg Total Vigas = 11.Quantitativos Volume de Concreto  Vigas Considerando as vigas extremas como meia viga.50 kg 10(barras) x 5(vigas) x 27.Solução 3 .60 kg/m = 172.6kg/m x 27.00m x 0.0 kg/m = 1.720 kg  Laje Ø16 c.471.20m.63 kg/m x 5(vigas) = 3.447 kg  Pré-moldados (x50) 36(barras) x 3m x 1.

25m x 2.00m + 0.993 kg Peso Total de Aço = 53. a forma será metálica.893 kg Total Laje = 21.5 – 1000(barras) x 1.52 m² Em uma área de 25m² (5m x 5m) tem-se: 2 pré-moldados do tipo pré-laje + o equivalente a 2 pré-moldados do tipo calha 2 x 13.54 m² Área de Forma Total = 1.800 kg Ø10 c. 12.00m + 0.80m x 4.25 m² Área de forma do pré-moldado tipo calha: 0. e poderá ser utilizada mais de uma vez.6kg/m x 27.15m x 4. tendo 5 “espaços”: 5 x 29(barras) x 1.00 m x 2 + 0. Área de forma do pré-moldado tipo pré-laje: 2.00m x 2 = 13.45m x 1.25 m² + 2 x 11.6kg/m x 3m = 4.63kg/m x 27. para comparar este número nas três soluções será feito a área de forma por área de estrutura.50m x 2 + 0.5m = 6.305m x 4.25m x 4.52 m² = 49.60m). 12.160 kg Taxa de Armadura = 121 kg/m³ Forma Por se tratar de uma obra toda pré-moldada.5 entre vigas (3.98 m² / m² 57 .5m = 2.00m x 2 + 0.Ø16 c.380 kg Ø16 c.00m x 2 + 0.50m x 4.45m x 4. 15 – 167(barras) x 0.20m x 2 = 11.