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http://dn.sapo.pt/2008/04/30/sociedade/cancro_mama_aumenta_20_dez_anos.html

Cancro da mama aumenta 20% em dez anos
DIANA MENDES

Os estilos de vida, em que se enquadram o consumo de tabaco ou o sedentarismo, a toma da pílula e o aumento da esperança de vida são algumas razões que estão a justificar o aumento da incidência do cancro da mama entre as portuguesas. Um aumento que os especialistas em oncologia afirmam rondar os 20% nos últimos dez anos (mais 600 casos por cada ano). O diagnóstico é aterrador e tem atingido mulheres famosas como Simone de Oliveira ou Fernanda Serrano, que segunda-feira assumiu publicamente sofrer de cancro da mama. Este cancro é o mais fatal entre as mulheres , apesar de ser um dos que tem maior taxa de sobrevivência, "acima de 70%, 80%", diz Jorge Espírito Santo, presidente do colégio de oncologia da Ordem dos Médicos. "Conseguimos detectar o cancro mais cedo e tratá-lo melhor. Apesar de ainda não termos rastreios organizados, as mulheres estão cada vez mais informadas." Segundo o relatório Global Cancer Facts & Figures, foram diagnosticados 1,3 milhões de novos casos da doença em 2007. O cancro acabou por ser fatal para 464 854 mulheres. Em Portugal, não há dados consistentes, mas Vítor Veloso, presidente da Liga Portuguesa Contra o Cancro, calcula que haja "4000 novos casos por ano e 1700 mortes anuais. Jorge Espírito Santo refere que a doença afecta cada vez mais portuguesas, tendo "aumentado cerca de 20% em apenas dez anos", uma percentagem que Vítor Veloso corrobora. "Há muitas razões para isso, como o envelhecimento, a entrada em menopausa, o consumo de tabaco e até os elevados níveis de estrogénios relacionados com a toma da pílula. Hoje, sabe-se que 30% a 40% das mulheres a tomam", sublinha Jorge Espírito Santo. A alimentação, sedentarismo, consumo de álcool ou o excesso de peso são outros factores de risco. E são estes, os que se enquadram nos estilos de vida, que Vítor Veloso considera responsáveis por "70% dos cancros da mama. O papel da história familiar ou da hereditariedade é muito reduzido", assegura. "As mulheres têm uma responsabilidade muito grande devido aos seus hábitos", frisa. Estes factores estão também na origem do aparecimento da doença em mulheres cada vez mais jovens. No entanto, a detecção precoce dos carcinomas também justifica o facto, diz Jorge Espírito Santo, acrescentando que o diagnóstico é mais comum entre os 40 e os 60. Factores característicos da modernidade, como a pílula, a gravidez tardia ou a terapêutica hormonal de substituição (na menopausa) parecem ter um elevado peso na determinação da doença. A amamentação, pelo contrário, é um factor de protecção. Rastreio nacional em dois anos Se é verdade que uma em cada 12 mulheres irá desenvolver um cancro da mama, é preciso lembrar

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que a sobrevivência é cada vez maior e que são cada vez mais os casos em que o diagnóstico é feito precocemente: "Detectamos cada vez mais casos em estádios iniciais - cerca de 50% do total - o que é promissor. Quando houver um rastreio populacional bem implantado, poderemos reduzir a mortalidade em 30%, diz Vítor Veloso. Os benefícios dos rastreios não serão totalmente visíveis antes de um prazo de dez anos. Agora, apenas a região Centro tem um programa enraizado. Vítor Veloso, espera que, "em dois anos, o programa esteja implementado a Norte e Sul. "A Liga ficará responsável pelo programa a Norte." |

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