ESTÁGIO
SUPERVISIONADO II

1ª Edição - 2007

SOMESB
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SUMÁRIO

CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS
HISTÓRIA: INTERDISCIPLINARIDADE E CONTEXTUALIZAÇÃO ________________

7

TENDÊNCIAS HISTORIOGRÁFICAS E SUAS INFLUÊNCIAS NO
ENSINO DE HISTÓRIA _______________________________________________ 7
APRENDIZAGEM EM HISTÓRIA ________________________________________________
CONTEÚDOS ESCOLARES E TENDÊNCIAS HISTORIOGRÁFICAS
A NOVA LDB, O PCNEM E O ENSINO DA HISTÓRIA

7

_______________________ 10

________________________________ 17

PROPOSTAS CURRICULARES DE HISTÓRIA NO ENSINO MÉDIO

_______________________ 21

ATIVIDADE COMPLEMENTAR _________________________________________________ 26

A INTERDISCIPLINARIDADE E O ENSINO DA HISTÓRIA ________________ 27
INTERDISCIPLINARIDADE, TRANSVERSALIDADE E ENSINO DE HISTÓRIA. _______________ 27
A INCORPORAÇÃO DE DIFERENTES FONTES E LINGUAGENS NO ENSINO DE HISTÓRIA ____ 30
PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS E PRÁTICAS INTERDISCIPLINARES EM HISTÓRIA _____ 35
A PRÁTICA PEDAGÓGICA NA FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE HISTÓRIA _______________ 37
ATIVIDADE COMPLEMENTAR _________________________________________________ 39

CIÊNCIA –TECNOLOGIA - SOCIEDADE:
O ESTÁGIO E A FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE HISTÓRIA NO ENSINO MÉDIO __ 40

PLANO E PROJETOS DE ESTÁGIO____________________________________ 40
PLANEJAMENTO DE ESTÁGIO_________________________________________________ 40
PLANEJANDO O ESTÁGIO EM FORMA DE PROJETOS _______________________________ 42
AVALIANDO PROJETOS DE ESTÁGIO

___________________________________________ 48

RELATÓRIO FINAL __________________________________________________________ 49
ATIVIDADE COMPLEMENTAR _________________________________________________ 52

SUMÁRIO O ESTÁGIO COMO PROPOSTA DE FORMAÇÃO CONTÍNUA ___________ 53 POR QUE O ESTÁGIO PARA QUEM EXERCE O MAGISTÉRIO? ESTÁGIO E CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE DOCENTE _________________________ 53 _____________________________ 61 O ESTÁGIO COMO POSSIBILIDADE DE FORMAÇÃO CONTÍNUA_______________________ 64 ESTÁGIO NAS DISCIPLINAS ESPECÍFICAS ________________________________________ 69 ATIVIDADE COMPLEMENTAR _________________________________________________ 73 GLOSSÁRIO _____________________________________________________________ 74 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS __________________________________________ 75 .

o acesso a uma educação de qualidade. garantindo. Um abraço. Possui carga horária de 72 horas. o nosso material didático foi pensado para potencializar sua aprendizagem e reflexão. fazendo cidadania em cada momento da ação educativa. principalmente. psicológicos que lhe servem como referências e. Um (re)começo que alerta e convida. Estamos pondo em suas mãos um (re)começo. que. vá além. O primeiro bloco temático intitula-se Ciências Humanas e suas Tecnologias História. Interdisciplinaridade e contextualização e será desenvolvido a partir de dois temas: Tendências Historiográficas e suas Influências no Ensino de História e a Interdisciplinaridade e o Ensino de História. questione. Vamos colocar em prática as temáticas discutidas ao longo do curso.. por este motivo leia. em dois grandes blocos temáticos. Tecnologia e Formação Docente. Sendo assim. a história e o papel dos educandos e educadores no processo ensino/aprendizagem. Tecnologia e Sociedade: O Estágio e a Formação do Professor no Ensino Médio e será desenvolvido em outros dois temas: Planos e Projetos de Estágio e o Estágio como Proposta de Educação Contínua. Aldaci Lopes e Ana Carolina Ayres . realize todas as atividades propostas.. O segundo bloco temático denomina-se Ciências. busque.Apresentação da Disciplina Caro educando. buscando promover um exercício de reflexão a respeito do ensino de História ressaltando aspectos ideológicos. Um momento de construção e reflexão de saberes. por questões metodológicas. Temos o desafio de participar da formação crítica dos educandos do Ensino Médio. vislumbra o exercício para construção de uma prática pedagógica considerando a autonomia. Abordaremos nesta disciplina pressupostos teóricos e práticos que sustentam uma prática educacional interacionista e dialógica. assim. na verdade. se complementam. e não uma conclusão. que corresponde a um trabalho de oito semanas em cada bloco temático. acreditamos no seu potencial para aproveitar bastante este módulo. discuta. possibilitando a ampliação de nossa formação docente nas temáticas das relações entre História. A disciplina Estágio Supervisionado II encontra-se dividida. Estamos começando mais uma viagem. filosóficos.

.

Para Refletir! Começar a ensinar traz associado um conjunto de incertezas. não há com quem discutir. Tratado da Política “O bom senso é a coisa do mundo melhor partilhada. para a inovação e a cooperação. de natureza prática e contextual. As tecnologias mudam o trabalho. ao mesmo tempo que integra novos conhecimentos.” ARISTÓTELES. Na maior parte dos casos. sobretudo. um animal feito para a sociedade civil. de início. Se não se perceberem como depositários da tradição ou precursores do futuro. As desigualdades se deslocam. fazem-se e desfazem-se. Deste modo. o interesse comum também nos junta. dos valores e do saber em transformação. Discurso do Método As sociedades se transformam. a modernidade não permite a ninguém proteger-se das contradições do mundo. nem por isso se deixaria de desejar a vida em comum. a profissão desenvolvese numa perspectiva de interioridade e as dúvidas resolvem-se naturalmente ou bloqueiam-se na necessidade de novas exigências. medos e expectativas que exigem ao jovem professor jogar com os saberes acadêmicos adquiridos anteriormente. Na verdade. Talvez importe. Quais as lições que daí podem ser tiradas para a formação de professores? Certamente. agravam-se e recriam-se em novos territórios.CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS HISTÓRIA: INTERDISCIPLINARIDADE E CONTEXTUALIZAÇÃO TENDÊNCIAS HISTORIOGRÁFICAS E SUAS INFLUÊNCIAS NO ENSINO DE HISTÓRIA APRENDIZAGEM EM HISTÓRIA “O homem é. Os atores estão ligados a múltiplos campos sociais. a comunicação. por sua natureza. a vida cotidiana e mesmo o pensamento.” DESCARTES. Essa dupla tese. Estágio Supervisionado II 7 . favorecer uma relação menos temerosa e individualista com a sociedade. não saberão desempenhar esse papel por si mesmos. Se os professores não chegam a ser os intelectuais. Mas. mesmo quando já não houvesse necessidade uns dos outros. no sentido estrito do termo. como orientações prioritárias da formação de professores. aqui. Prática reflexiva e participação crítica serão entendidas. convém reforçar sua preparação para uma prática reflexiva. são ao menos os mediadores e intérpretes ativos das culturas. antes de desenvolver. encontrando cada um aí o meio de melhor viver. a própria idéia de que as transformações da sociedade clamam automaticamente por evoluções na escola e na formação de profissionais. questionemos. pois cada qual pensa andar tão bem provido dele que até os mais difíceis de em qualquer outra coisa contentar não costumam desejar mais bom senso do que aquele já possuem. e é nesse jogo que vai alcançando a segurança necessária para se sentir professor.

Entendendo por sujeitos históricos indivíduos. • Relacionar os conteúdos históricos às realidades sócio-econômicas e culturais. são objetivos do ensino de História. como se relacionam entre si. grupos. A estrutura educacional pode ser considerada um limite. Uma conseqüência visível nessa problemática é a característica “inacabada” das intervenções e do processo de construção do professor. é impedido de aprofundar-se em suas ações pedagógicas e de tomar caminhos alternativos por ser requerido em outras urgências. aliando às novas tecnologias como ferramentas indispensáveis ao ensino. muitas vezes. espaço físico inadequado para a realização de dinâmicas diferenciadas como teatro. e não meras sombras dos feitos heróicos dos grandes personagens. participantes de acontecimentos de repercussão coletiva ou situações cotidianas na busca pela transformação ou continuidade de suas realidades. e o distanciamento entre o discurso e a prática é um aspecto bastante enfatizado. que permite ao aluno ter uma maior compreensão da sua realidade. mas sim. as aprendizagens a serem desenvolvidas na sala de aula de História podem ser organizadas nos seguintes pontos: • Identificar a História como uma disciplina na qual a criatividade possa ser explorada em todas as suas dimensões. Neste sentido. 8 FTC EaD | HISTÓRIA . debates e brincadeiras. enquanto protagonistas da construção de suas histórias. O docente. comprometendo a qualidade do trabalho individualizado e diferenciado. valoriza-se o indivíduo ou os grupos anônimos. Leitura Complementar 1 “O importante não é tanto relatar fatos passados ou enumerar acontecimentos que podem ser localizados geograficamente e datados cronologicamente. classes sociais.” (Neidson Rodrigues) Captar as diferentes formas como os homens concebem a vida e transformam-na em diversos momentos históricos. mostrar que em cada momento os homens estão produzindo uma realidade cultural. • Explorar a disciplina em todas as dimensões pedagógicas. ativo no processo de aprendizagem. qualquer situação que resulte na fragmentação do tempo e nas intervenções do professor. interfere na regulação das aprendizagens. percebendo as rupturas e permanências e reconhecendo-se como sujeito histórico. Para os professores o modelo teórico da organização do trabalho pedagógico é progressivo e inovador e sua realidade prática permanece quase que inalterada. exposições de trabalhos. e com a natureza. carência de sala com recursos audiovisuais. A falta de recursos materiais e/ou estrutura física deficitária da escola é ressaltada como sendo ressaltado dos seguintes aspectos: biblioteca com insuficiência de recursos para atender os interesses de pesquisa. pelo confronto com as demais.Quais as aprendizagens de História devem ser desenvolvidas no momento do ensino? Conforme Perrenoud (1999).

desenvolva a capacidade de interpretar características da sua realidade e relacione-as com às informações históricas. discussões em painéis. Tendo em vista tal proposta. transposições de linguagem. o curso de História tem como objetivo levar o aluno a desenvolver as seguintes habilidades: • Analisar a época em que vive. a disciplina de História não pode e não irá reduzir-se unicamente a informações sobre o passado.Por isso. existem as relações sociais. os objetos e os registros sonoros. por trás de um fato relatado. As atividades que deverão ser realizadas pelos alunos e que constituem a estrutura do curso são: leitura e análise de textos. as imagens. encarando o conhecimento histórico não como uma sucessão de fatos no tempo. situando-se diante dos problemas atuais. Desta forma. reconhecendo também sua realidade como múltipla. as relações de trabalho e as relações com o mundo. a prática da pesquisa e a convivência com diferentes métodos de abordagem favorecem a formação de um aluno crítico. social e cultural da humanidade. mas sim como ações humanas organizadas transformadoras de um dado momento. •Fazer com que percebam que foram as condições da época que permitiram determinadas ações. O contato com esta diversidade de fontes possibilita ao aluno perceber as diferentes temporalidades existentes simultaneamente e/ou ao longo da história. • Aplicar os conhecimentos adquiridos à realidade brasileira. são responsáveis por impulsionar uma determinada época na busca de alternativas. políticas e culturais que o produzem. pesquisas e redações. a visão de realidade que imperava nas diversas épocas. os artigos de jornais e revistas. Estágio Supervisionado II 9 . mas: •Passar aos alunos a concepção de mundo. econômicas. recorre-se a uma multiplicidade documental que abrange não só o escrito e institucional. testes de revisão e avaliações. com base numa visão de evolução econômica. tanto os do presente quanto os do passado. Para a compreensão de que. •Captar as conseqüências dos fatos históricos em termos do desdobramento do conhecimento científico e técnico que o mundo conheceu a partir destas ações. o intercâmbio com conceitos trabalhados por outras disciplinas torna-se imprescindível para que o aluno. os relatos orais. mas também os filmes. A reflexão sobre a relação entre os acontecimentos e os grupos. o aluno passa a ter uma dimensão mais ampla e significativa dos conteúdos específicos da área. enriquecendo o seu conhecimento e passando a ter subsídios para construir o seu próprio saber. a fim de melhor interpretá-la. • Identificar o sentido dos diversos aspectos de nossa herança cultural. •Fazer os alunos entenderem que as relações sociais de produção. e nela atuando. política. reflexivo e consciente do seu papel enquanto cidadão. em confronto com novos procedimentos de reflexão e análise. • Expor idéias de forma clara e compreensível nas atividades e avaliações propostas. resumos. Mantendo a perspectiva curricular de integração sistemática com disciplinas afins. conflituosa e complexa.

teoria e prática. por ato de dedução lógica e filosófica. seja na formação da consciência histórica do homem. Arte e a vida. resistentes a esse processo. CONTEÚDOS ESCOLARES E TENDÊNCIAS HISTORIOGRÁFICAS Segundo Bittencourt (2004). uma das maiores dificuldades dos professores de História é selecionar os conteúdos históricos apropriados para as diferentes situações escolares. História. jovens e adultos nas escolas e universidades. um desafio para os alunos e professores ultrapassar as fronteiras impostas entre culturas. na formação intelectual da clientela que freqüenta os bancos escolares para a prática da cidadania. que o(s) percebia(m) como um mero veículo de transmissão desinteressada do conhecimento social”. nos revelam um contexto social. Precisamos pensar que o currículo de História ou de qualquer outra disciplina tem seus autores. portanto. devemos ter em mente que estes. ao mesmo tempo. contudo são diversas em conteúdos e nos critérios para definir os prioritários. Os currículos constituem o instrumento mais significativo da intervenção do Estado no ensino. cientistas e educadores “desinteressados” e “imparciais” ditam. no sentido que interessa aos que se encontram representados no poder. existem sujeitos por detrás deles que vão além da expressão “generalizante” e “homogenizadora” de Estado. A seleção de conteúdos escolares é um problema relevante que merece intensa reflexão. Nesse sentido. Selecionar os conteúdos é uma complexa norteada de contradições para atuação dos professores desejosos de mudanças e. acadêmicos. Trata-se da escolha de uma determinada concepção de ensino e de conteúdos denominados tradicionais ou significativos para um público escolar proveniente de diferentes condições sócio-econômicas culturais e adequadas a situações de trabalho com métodos e recursos didáticos diferentes. aquilo que melhor convém ser ensinado às crianças. em última análise. política.Ensinar e aprender História é uma tarefa complexa que requer dos docentes de História refletir sobre o papel formativo do ensino de História e sua possibilidade educativa. cotidiano. Esse conhecimento. a História como saber disciplinar tem um papel a desempenhar socialmente. A autonomia do trabalho docente inclui escolha dos conteúdos históricos para as diferentes salas de aula. O contexto social requer do docente uma postura de luta política e cultural e a relação ensino-aprendizagem deve ser pautada em um convite. sujeito de uma sociedade marcada por profundas desigualdades múltiplas. grupos sociais. Dessa maneira. Dessa forma. 10 FTC EaD | HISTÓRIA . no interior de seu texto. “despojando-o(s) do caráter neutro ligado a uma visão. Ao analisar os currículos escolares. não pode apenas ser analisado como algo estático e naturalizado como um conjunto de informações e materiais para ser absorvido por professores e alunos de maneira passiva. porque está relacionado a base do saber disciplinar dos professores. As atuais propostas curriculares têm certa semelhança em relação aos fundamentos pedagógicos. econômico. cultural e político. o que implica sua interferência. uma análise do currículo não pode cair aos encantos de enxergar o processo de seleção e organização do conhecimento escolar como tão somente um “inocente” processo epistemológico em que intelectuais.

cujos capítulos cobrem desde a Pré-história até o presente. compreendendo-a como uma conquista historicamente determinada e não uma espécie de concessão divina ou de alguma entidade superior. os livros podem ter de cerca de 300 páginas até mais de 600. As propostas de modificações de um currículo têm conexões muito estreitas com o tipo de sociedade que se pretende formar. assim. além de brasileiros. Os capítulos de Antiguidade não raro se limitam a uma síntese da Antiguidade Clássica – Grécia e Roma – seguidos de outra unidade sobre a Idade Média que. constrói sujeitos. entretanto. entre cidadania e trabalho”. Nessa perspectiva. há um certo privilegiamento dessa última. Produz-se sujeitos dotados de identidades que lhes são atribuídas (classe. existe uma dificuldade em explicitar a relação entre cidadania social e política. dos exames vestibulares. um dos propósitos do estudo dessa disciplina3. de compromissos e de rupturas tem sido apenas esboçada em algumas poucas propostas. a rigor. Tal abrangência geralmente decorre. forma-se modelos de professores. Segundo Bittencourt. principalmente. considerando especialmente o custo final do exemplar e a carga horária disponível para as aulas de História. entre a História Moderna e a Contemporânea. uma predominância dos conteúdos de História Moderna e Contemporânea. constatei algo ainda mais interessante: os programas do Ensino Médio de História Geral5 naqueles dois países só contemplam o estudo de História Moderna e Contemporânea. A História do século XX. entendendo-se que os acontecimentos desde a Revolução Francesa jogam um papel mais decisivo para a compreensão do presente. Vitória Rodrigues e Silva* Desde meados dos anos 1990. o currículo produz identidades e subjetividades determinadas. de disciplinas. de lutas e de conquistas. E. serve para anunciar a Idade Moderna. nacionalidade). que exigem dos alunos o domínio de todo esse espectro de conhecimentos. ele cria. Ele não apenas representa. na maioria das vezes. Inclusões e exclusões no seu texto implica. É visível. mexicanos e brasileiros. Estágio Supervisionado II 11 . inclusões e exclusões na sociedade. nesses livros. Em diversos países europeus e latino-americanos verifica-se o mesmo. todo o conteúdo a ser desenvolvido nos três anos dessa etapa escolar (não obrigatória) é reunido em um só volume. os livros didáticos de História para o Ensino Médio no Brasil assumiram uma configuração denominada História Integrada em volume único.Nesse discurso que se constrói. de escola. mais ainda. Assim. E. etnia. com maior ênfase para esse segundo período. inserindo-se a História da América e do Brasil em uma perspectiva sincrônica à História Geral. No caso da pesquisa que desenvolvo. Leitura Complementar 2 As abordagens de História Contemporânea nos livros didáticos de História para o Ensino Médio: estudo de manuais argentinos. Nessas obras. de alunos. apenas uma proposta curricular apresenta preocupações em situar a cidadania como objeto de estudo. dependendo do público a que se destinam os livros. de condutas. de diferenças. de sociedade. Esse privilegiamento da História Contemporânea não é uma particularidade da educação brasileira. gênero. podendo mesmo constituir mais de metade do livro. de política. tende a ganhar maior espaço. analisando livros mexicanos e argentinos. A profundidade com que tais conteúdos são abordados varia bastante. de justiça. “A idéia de cidadania social que abarca os conceitos de igualdade.

Aqui está o problema. Aqui está o problema. também. com várias crenças e atitudes diversas e em culturas de contrastes marcantes. Para as crianças. a razão pela qual a história como disciplina merece um lugar indiscutível no currículo de nossas escolas primárias. num lugar e num povo em particular. durante períodos diferentes. mas por que elas foram como foram. utensílios e edifícios) que possam ser representados de maneira realista. uma tomada de consciência da condição humana. delimitar um pequeno segmento do passado humano. se assim fosse. em averiguar não simplesmente como as coisas aconteceram. O resumo não acaba aqui. O interesse pelo gênero humano aponta. em lugares distintos. talvez. cujas referências com a atualidade são mais marca das pelas semelhanças. Para chegar a compreender a na- 12 FTC EaD | HISTÓRIA . Mas ele deve preocupar-se também em averiguar não simplesmente como as coisas aconteceram. É infinita em sua variedade. centrarmo-nos num período. uma tomada de consciência da condição humana. o mais provável é que. Tantos homens e tantas mulheres viveram. fundamentar seu interesse inato pelo que se passou. O interesse por este gênero humano aponta. nem um fim particular. A História não tem nem um princípio particular no tempo e espaço. é importante compreender o presente no contexto do passado. Para chegar a compreender a natureza da investigação histórica. A História é uma compreensão dos atos humanos no passado. o estudo do passado imediato torna-se mais compreensível que o correspondente a uma época mais longínqua. com várias crenças e atitudes diversas e em culturas de contrastes marcantes. Guiar as crianças ao estudo da História requer. Para as crianças. em lugares distintos. teremos de forçosamente. é importante compreender o presente no contexto do passado. “Como era isso antes de eu estar aqui?” Essa é uma pergunta de Jane. necessariamente. A História busca compreender o gênero humano. já lhes ter apresentado alguma de suas áreas. A História busca compreender o gênero humano. talvez. mulheres e crianças viviam e respondiam aos sucessos do passado. mas por que elas foram como foram. mais difícil torne-se encontrar dados (documentos. quanto mais remotos sejam a época e o lugar selecionados. se assim fosse. a razão pela qual a história como disciplina merece um lugar indiscutível no currículo de nossas escolas primárias. o acesso ao passado pode se realizar a partir de qualquer ponto e lugar. A História é uma compreensão dos atos humanos no passado. umas apreciações de como os problemas humanos vão mudando no transcorrer do tempo e uma percepção de como homens. umas apreciações de como os problemas humanos vão mudando no transcorrer do tempo e uma percepção de como homens. Tantos homens e tantas mulheres viveram. Para as crianças maiores. mulheres e crianças viviam e respondiam aos sucessos do passado. o historiador seria pouco mais que um voyeur no tempo. O historiador não necessita estabelecer um ponto de partida absoluto. seu lugar e seu objetivo.Leitura Complementar 3 A História. fundamentar seu interesse inato pelo que se passou. uma menina de quatro anos. Para as crianças menores. durante períodos diferentes. Isso apresenta um problema aos professores. Mas ele deve preocupar-se. de grande profundidade e amplitude histórica. o historiador seria pouco mais que um voyeur no tempo. praticamente qualquer período pode trazer a oportunidade para desenvolver habilidades históricas. O resumo não acaba aqui.

já Ihes ter apresentado alguma de suas áreas. Um estudo das raízes da sociedade ajudará as crianças a apreciar as crenças. necessariamente. quanto mais remotos sejam a época e o lugar sele¬cionados. sempre que se trate de sua sobrevivência. centrarmo-nos num período. forçosamente.tureza da investigação histórica. Pode englobar uma época ou uma vida individual. mais difícil torne-se encontrar dados (documentos.] O ensino da História possibilita demonstrar e confirmar que nossa cultura nacional não possui uma única fonte. tem de responder e se adaptar a elementos sobre os quais não possui nenhum controle. à comunidade e a nação. utensílios e edifícios) que possam ser representados de maneira realista. [. num lugar e num povo em particular. O historiador não necessita estabelecer um ponto de partida absoluto. A História não tem nem um princípio particular no tempo e espaço. Para as crianças menores. é possível tornar cada criança consciente do patrimônio de que desfruta. Como Jane. A essas razões pode ser juntada uma dimensão posterior. Se a mente dos jovens tem de ser submetida a um estudo disciplinado. SCHIMDT.. todos nós necessitamos desenvolver um sentido pessoal de identidade. Maria Auxiliadora. Para estudar a História com eficácia.. Para as crianças maiores.. captar o modo como às instituições locais e nacio¬nais cresceram e desenvolveram-se. possui muitos pontos de acesso. 2004. nem um fim particular.] Já examinamos algumas das razões para incluir a História no currículo da escola primária. mas muitas. um estudo da história ajudará a situá-las num contexto compreensível. rujas referências com a atualidade são mais marcadas pelas semelhanças. Ensinar História. imunes aos movimentos mundiais dos POVOS que toda sociedade. A essas razões podem-se juntar outras que acentuam as dimensões social e cultural. também será necessário que eles compreendam algo dos métodos essenciais da investigação histórica. Assemelha-se a um labirinto. delimitar um pequeno segmento do passado humano. É infinita em sua variedade. [. o estudo do passado imediato torna-se mais compreensível que o correspondente a uma época mais longínqua.. Ainda que o patrimônio e a cultura derivem de um passado complexo. praticamente qualquer período pode trazer a oportunidade para desenvolver habilidades históricas. o acesso ao passado pode se realizar a partir de qualquer ponto e lugar. Coleção Pensamento e ação no magistério. e apreciar as crenças que sustentamos os valores e os costumes da sociedade em cujo seio crescemos. o mais provável é que. Durante a passagem pelas diferentes etapas escolares. as culturas e os usos sociais de outras sociedades que estudem (sejam essas sociedades contemporâneas ou mesmo sociedades somente exploráveis pelo olho do historiador). que nossa linguagem c nossos costumes não se desenvolveram isolados. Estágio Supervisionado II 13 . Guiar as crianças ao estudo da História requer. é preciso assegurar-se de que os processos utilizados são legítimos e que satisfazem os critérios acadêmicos. São Paulo: Scipione. teremos de. a das raízes culturais e da herança compartilhada. o estudo de uma cidade ou o de uma nação. compreender a sutil relação entre a família. CAINELLI. que podem oferecer uma compreensão da História. Isso apresenta um problema aos professores.

Assim. 2000. 1998) Os Parâmetros Curriculares Nacionais de História (BRASIL. 2ª . O “lugar da fala” (CERTEAU.p. sugerindo possibilidades de rever no ensino fundamental o formalismo da abordagem histórica tradicional. sobre parâmetros mnemônicos de não discussão. 1997. nem a prática de citações. conjuntura e estrutura” (BRASIL. 2000 p. por rupturas nas lutas. a vítima é o historiador inglês E. 1997.P. A História que “constata”. ao mesmo tempo. p. colocaram a questão da teoria em pauta de dois modos diferentes: elencando o conhecimento historiográfico. contudo. recorrendo constantemente à discussões historiográficas. 1997. O conhecimento historiográfico. onde se insere a teoria. Posteriormente. o documento define como um dos mais relevantes objetivos do ensino de História a constituição da noção de identidade (BRASIL. lugares-comuns a serem utilizados sem a discussão de autores. entendem ser este ambiente “impróprio” para reflexões teóricas.) moldada por descontinuidades políticas. aliado a outros aspectos como a interdisciplinaridade. Marcelo Cheche Galves A questão da teoria no ambiente escolar do ensino básico é comumente tratada com estranheza pelos professores que. 1976). em outro momento. p.38). como um dos pilares para o novo ensino da História. Os his14 toriadores voltaram-se para a abordagem de novas problemáticas e temáticas de estudo. a importância da realidade do aluno e o contato com os debates recentes da psicologia cognitiva.” (BRASIL. sem que eu precise me preocupar com isso especificamente” (SEFFNER. nos ajudando a compreender a dissonância entre prática e expectativa no ensino de História atual..1997).31) No primeiro caso. “a teoria é algo que vai se expressar naturalmente dentro do conteúdo das minhas aulas. 1997.As teorias da história em sala de aula Msc. por momentos de permanências de costumes ou valores. diriam alguns. “assalta” a obra de Braudel e proclama a necessidade de considerarmos os “tempos do acontecimento breve.28) FTC EaD | HISTÓRIA Esta mistura. formariam assim um arcabouço necessário para o enfrentamento dos novos desafios do ensino da História no final do século. enquanto alunos. de nova história cultural. é na segunda questão que reside o problema. é absolutamente ignorado e substituído por um tom pragmático. de maneira livre. O documento refere-se às discussões historiográficas como “grifes”. o documento anuncia a novidade: “(. “teoria é muito difícil de ensinar para os alunos de primeiro grau”. de maneira tímida. são respostas bastante comuns às indagações referentes ao tema.259). após construir uma caricatura do que define como “história tradicional”.” (BRASIL. “usado” na explicação da realidade “(. em que a reflexão dá lugar a uma espécie de conjunto de receitas para o sucesso. “Eu não gosto de teoria”.. Thompson. cultural e do cotidiano. demonstrando a força de uma tradição difícil de ser superada e. “fala por si” e “estuda o passado para entender o presente e melhorar o futuro” sobreviveu apesar das amplas transformações da historiografia no século passado. em um mundo onde as “coisas são” e não há lugar para uma pergunta elementar: quem disse? (CORSETTI.. dentre outras que o documento apresenta. de maneira geral. salientar o peso que um determinado tipo de conhecimento cristalizado no século XIX ainda exerce sobre os professores.) as propostas curriculares passaram a ser influenciadas pelo debate entre as diversas tendências historiográficas. neoliberal. sensibilizados por questões ligadas à história social. especialmente as oriundas da Escola dos Annales e da história social inglesa. p. No entanto. princípio básico do debate historiográfico.. É preciso. SILVA. constituídos.32).

A realidade.. o risco desta perspectiva está na transformação da sala de aula em “divã”. que exigiam novas abordagens e. Buscar ferramentas em outras áreas mantinha uma relação com a ampliação das preocupações do historiador e. seus problemas e “aquilo que ele quer aprender”. para Bloch.. p. Mas. quando chegarmos em Brasil.) tem sido considerado(.. Existe. com os novos problemas. no tempo presente. momento da fundação da Escola dos Annales. Outros defendem o inverso: é melhor começarmos com História Antiga porque o aluno tem dificuldade para aprender.. por conseguinte. Embora há 40 séculos antes de Cristo. portanto. mas a história do homem no tempo e. uma terceira via. participante das escolhas e olhares sobre o passado. A interdisciplinaridade é outra “novidade” anunciada pelo documento. espaço de falas não historicizadas e de recusa ao conhecimento historicamente acumulado pela humanidade.geração dos Annales e história social inglesa. ainda. qualquer novidade pedagógica. Para Bloch (1941). também era ação sobre o historiador e. Considerar a realidade.30). porque assim partiremos do “mais próximo para o mais distante”.)” (BRASIL. só faz sentido se tiver como objetivo a reflexão sobre justiça. objeto de análise. do ponto de vista teórico-didático. Sem negar a importância das expectativas do aluno e o fato dos conteúdos escolares também possuírem uma história que precisa ser conhecida em nome da autonomia de sua utilização. A perspectiva de um diálogo da História com as Ciências Sociais. 1997. difundida pelos fundadores Marc Bloch e Lucien Febvre. não no sentido anacrônico. que é mais importante. não havia a perspectiva de história “mais próxima ou mais distante”. derivada de uma leitura acrítica dos PCNs de História e de uma perspectiva restrita da realidade: é preciso abandonar os conteúdos tradicionais e trabalhar a vida do aluno. Após mais de sete décadas estas discussões ainda se inserem com dificuldade no ambiente escolar. a abordagem do Código mantém os “dois pés na realidade”. quais são as implicações desta perspectiva? Em primeiro lugar. por exemplo. defendem alguns. pode se constituir em novas formas de praticar velhos erros. legislação em causa própria. Estágio Supervisionado II 15 . sobre quais bases epistemológicas o ensino de História pode ser discutido? As discussões historiográficas utilizadas pelos PCNs remontam ao final dos anos 20 do século passado.. sem base teórica. impunidade. mas na busca por analogias que possibilitem referências para estes alunos. é também acrescida de críticas dirigidas à “velha História” advindas de um lugar indeterminado: (a história tradicional) ”tem sido criticada (. Os conteúdos da disciplina devem começar em História Antiga ou em Brasil? É melhor começarmos com Brasil. para dizer o mínimo. quer se tratando das Guerras de Religião ou de comentários sobre a Ilíada ou a Odisséia. difundiu a discussão acerca da importância do tempo do historiador na escrita da História. o que inclui pensar as demandas de sua clientela escolar. apenas esboçada aqui. ele já estará mais preparado. Discutir o Código de Hamurabi. era o tempo presente. O que significa considerar a realidade do aluno? E praticar a interdisciplinaridade? Ou ainda. um de seus fundadores. o que aprofunda a confusão conceitual e reforça a perspectiva de receituário a ser aplicado pelos professores. tinha como objetivo a compreensão do homem em sociedade e não a diluição da História enquanto área de conhecimento.. novos objetos. significa olhar para os conteúdos a partir dos objetivos traçados pelo professor. O historiador francês Marc Bloch. para usar um jargão. de sua escrita. Novamente os princípios da Escola dos Annales foram utilizados de maneira descuidada. o tempo.

reforça a perspectiva diluidora discutida acima. patrimônio. por exemplo. A historicização do Protocolo de Kyoto ou da relação entre industrialização e degradação ambiental são limites que não devem ser ultrapassados pelos profissionais da área. agravada pela presença acrítica dos temas transversais. temporalidades diferentes. lugar-tendência para afirmações como: “tudo é relativo”. mas também pelos riscos de um debate artificial. típica abordagem leiga incapaz de superar o senso comum. em que o professor se veja discutindo questões que fogem à sua área de conhecimento. Bolsa de Valores. Reconhecer os limites da pretensão cartesiana do século XVII. vivências e preocupações. decorrente da ausência de uma reflexão teórica. Sob o manto de “parâmetros” se amplia o leque de possibilidades em direção a uma obscura “noção de identidade”. Por fim. • admitir a impossibilidade da apreensão “real” do objeto e perceber a relação cognitiva como resultante de um “olhar sobre”. resultado de um contato superficial com o debate historiográfico. cristalizada na euforia cientificista do século XIX.A interdisciplinaridade nos PCNs de História possui uma perspectiva diluidora. “ a História depende muito do ponto de vista de quem está falando”. possíveis integradores disciplinares. “nada é História”. a ser alcançada “via” realidade. permanências. espécie de almanaque do pitoresco ou do curioso. A disseminação destas frases feitas. meio ambiente.1999) decorre exatamente da ausência de uma perspectiva clara sobre o significado do ensino da História. posto em xeque com mais veemência a partir do final dos anos 60. em busca de conhecimentos acerca de oferta e procura. “cada cabeça é uma cabeça”. logo. • abandonar a pretensão de narrar toda a História da Humanidade a partir do “despejo” de conteúdos historicamente constituídos. termo que comporta rupturas. por respeito às discussões específicas realizadas nas outras áreas de conhecimento. objetivo último de qualquer perspectiva crítica de ensino-aprendizagem. • entender o conhecimento histórico como construído a partir de critérios estabelecidos de acordo com valores predominantes em diferentes épocas. São pontos fundamentais para a adoção de uma nova perspectiva epistemológica: • reconhecer a inter-relação entre sujeito e objeto. “Tudo é história”. pluralidade cultural. significa perceber os limites de um tipo de conhecimento. A pulverização do objeto (REIS. sexualidade. ainda a título de exemplo. abandonando a perspectiva “asséptica” do conhecimento puro. pautado em referências teóricas. Romper com uma forma cristalizada de conhecimento no ambiente escolar é tarefa a ser enfrentada a partir de referenciais teóricos. é preciso que o professor tome contato com a famosa “crise dos paradigmas”. Dialogar com a área de Economia. ética. taxa Celic ou risco Brasil é muito diferente de participar de um projeto interdisciplinar sobre meio ambiente. Recusar esta perspectiva significa assumir o risco de mudar a receita sem mudar a premissa: quem disse? 16 FTC EaD | HISTÓRIA .

vol. porque a relação social é eivada da relação de poder e a socialização propende a valorizar comportamentos adaptativos.24 no. em todo processo educativo existe treinamento também. Nesse novo mapa cultura e político. de cariz participativo e autoformativo. A relação entre a educação. realizando autêntica “salada terminológica” e denotando que ainda prevalece a expectativa de uma escola e de uma universidade preocupadas essencialmente com aulas. L. A primeira coisa que causa estranhamento a quem lê os PCNEM é a utilização da expressão “Ciências Humanas e suas Tecnologias”. Explorar esse território transformá-lo. é mister cuidar que o processo se marque principalmente pelo desafio educativo ou formativo. Rev. tornando-se contraproducente a relação externa. implica enfrentar uma temática óbvia para os historiadores. essa expressão continua sendo ouvida neste início de século. ou mera instrução. memória e ensino da História. Leitura Complementar 4 Pedro Demo Impera entre nós confusão clássica com respeito à aprendizagem. O mandato dos 200 dias letivos talvez seja a expressão mais explícita. O PCNEM E O ENSINO DA HISTÓRIA Segundo Fonseca (2003). Leitura Complementar 5 Conteúdos de História no Ensino Médio CERRI. Mas. consciência crítica. neoliberalismo econômico e neoconservadorismo moral e político. F. O ambiente adequado de educação exige o diálogo de sujeitos. Bras. para não dizer treinamento. Esta banalização foi incorporada na nova LDB. pois ela tem seu lugar supletivo. Relativismo e multiculturalismo são marcas de um mundo social em que se articulam fundamentalismos. Um dos argumentos mais importantes poderia ser buscado no reconhecimento crescente de que a aula combina com ensino. situa-se o território da chamada crise da educação e valores vivenciada de forma aguda e complexa pela sociedade brasileira contemporânea.48 São Paulo 2004. Saberes históricos diante da avaliação do ensino: notas sobre os conteúdos de história nas provas do Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM. Embora não seja o caso de rejeitar a aula por completo. como a nova Lei de Diretrizes e Bases e os Parâmetros Curriculares Nacionais.A NOVA LDB. O estranhamento do leitor ganha uma resposta: trata-se de uma perspectiva que procura uma síntese nova entre o ideal formativo Estágio Supervisionado II 17 . vivemos um tempo de mudanças e incertezas. Hist. porque induz a pensar que o aluno aprende escutando aulas e que a função central do professor é dar aulas. geralmente tomada como simples ensino. cidadania de sujeitos capazes de história própria individual e coletiva. não com educação. Recorrente nos anos 90. É neste contexto. quando predominante. Certamente. dificilmente se pode hoje mantê-la como paradigma central da aprendizagem. que podemos entender a relação e a configuração de mecanismos de controle e regulação de sistemas educativos. cultura. se quisermos criatividade.

Tecnologia. na hora de selecionar o que ensinar. mas devemos examinar mais de perto essa flexibilidade que nos é oferecida. e o problema começa quando queremos saber o que se está entendendo por cidadania. Ao mesmo tempo em que se estabelece uma pretensa igualdade em que todos aparecem igualmente como definidores de conteúdos. os caminhos teóricos e metodológicos também são traçados e travados. guardadas as devidas proporções? Talvez porque hoje a tecnologia tenha inundado o cotidiano envolvendo tudo. ainda que essa obediência tenha toda a cara de uma seleção própria dos conteúdos. que é positiva. mas respeitando a in18 FTC EaD | HISTÓRIA dividualidade na medida em que permite tudo o que não proíbe. como o fato de chover sempre na hora em que estamos indo ou vindo de algum lugar. Determinismo tecnológico. normativos. ao determinarem um padrão de comportamento médio ao qual todos devem adequar-se. garantindo-se através de um controle do tempo.de cidadãos. ou talvez porque a “tecnologia” seja um objeto (ou um sujeito) de reverência. dos trajetos e dos gestos das pessoas submetidas (controle dos corpos em movimento). Os PCNEM propõem um comportamento disciplinar. Avança no sentido de que os conteúdos são finalmente institucionalizados como meio e não como fim. Daí pode-se depreender parte do conceito de cidadania que compõe o conteúdo dos PCN. porque “formar o cidadão” é uma missão da História desde que ela se instituiu enquanto disciplina. e os objetivos e os critérios de seleção já estão dados. para que possam encontrar um lugar em meio a isso tudo e não sejam excluídos. uma dessas coisas sobre as quais não temos nenhum controle enquanto espécie. como o fato de fazer um calor infernal ou um frio excessivo. Uma característica geral do conteúdo nos PCNEM é que desaparecem as antigas listagens de conteúdos fatuais mínimos obrigatórios. Traçam-se objetivos para a História e as humanidades no Ensino Médio. que vale para o que estamos . que naquele momento também tinha um papel revolucionário. A crítica de Foucault para o contrato social. não envolvendo a coerção direta nem formas externas de obediência. Por que o ensino de humanidades no século XIX não precisava referir-se à tecnologia. na medida em que põem em evidência um outro moMICHEL FOULCAULT delo de disciplina. A mobilidade do professor é posta apenas a partir daí. procurando nas noções jurídicas de lei e de norma o âmbito dessa liberdade. fundado sobre a lógica da norma. são essas coisas para as quais temos que preparar e adaptar os alunos. Os PCNEM são positivos. mercado. Pensar e planejar são atribuições de quem tem o poder. com base no discurso científico. essa igualdade é corroída pela existência de uma hierarquia que reduz a liberdade de quem está na base. que se pode chamar de militar. que é negativa. das humanidades e a tecnologia que preenche os horizontes contemporâneos. As análises críticas de Michel Foucault fazem duvidar se as regras estabelecidas de fato correspondem ao direito. representação política. para dar espaço a orientações que têm por função estruturar os conteúdos que pretensamente o professor vai escolher com liberdade. Não surgem como comportamento jurídico fundado sobre a lógica da lei. com o que substituem a espontaneidade e a iniciativa individuais. então. por parecer um fenômeno impessoal que nos carrega a todos como uma tromba d’água! “Tecnologia” parece. estabelecendo o permitido e o proibido. obedecer rápida e eficientemente são as do que se submete.

Padrão interdisciplinar. Se por um lado subsiste uma postura das mais defendidas em termos de ensino-aprendizagem. mas assumir tal postura no texto que equivale a um currículo nacional dá-nos um indício significativo do perfil do professor que é imaginado pelo MEC. Admitamos que existem professores que não conhecem esse assunto. O documento assume a impossibilidade da tarefa que é tentada pelos defensores da História Integrada. independentemente da superEstágio Supervisionado II 19 . trata-se de mais um dos consensos decretados sem discussão e que tende a ser tomado como dado da realidade e não como opção de uma política educativa e cultural do atual governo. explicando-lhe detidamente o que é. por outro é preciso tomar cuidado para que a especificidade da História não se perca. Os PCNEM. após quase 70 anos. impossibilidade aliás já apontada há muito tempo pelos professores de História do Ensino Médio.analisando. porque essa avaliação depende dos valores do sujeito bem como das múltiplas variáveis do contexto no qual ele se efetiva. listar algumas das diretrizes para a seleção dos conteúdos de História segundo os PCNEM. espírito de investigação e expressões assemelhadas? Qual a profundidade dessa atitude questionadora a ser implementada? Sim. porque existem diferentes níveis de indagação. Os PCNEM propõem dar uma ordenação diferente da cronológica a um ensino que já é constituído de uma seleção de conteúdos. postura que é inerente a uma política pública que retoma. mas a sua integração em práticas educativas unificadas. bem como os PCN para o Ensino Fundamental. Embora existam conteúdos e objetivos específicos da História. A nacionalização via educação pode tanto preparar as consciências para guerras por mercado quanto mobilizar populações por sua independência. com um duplo objetivo: comentá-las criticamente e possibilitar conferir a sua presença nos conteúdos que são exigidos pelo ENEM. Por exemplo: “o Brasil não tem jeito porque os políticos são ladrões”. não escondem sua intenção nacionalizadora. o tempo histórico. no contexto da política educacional. Produção de “condutas de indagação”. de abordar “toda a História”. o papel centralizador do Governo Federal na legislação sobre os currículos. por exemplo. agora. como existem diferentes níveis de crítica. Vamos. Outro dado interessante dos PCNEM é que eles assumem uma incômoda didática para o professor. Mas essa advertência também serve para identificarmos a faca de dois gumes que se coloca diante de nós. A nacionalização não pode ser definida a priori como positiva ou negativa. de qual é a imagem de professor que articula os PCNEM. até porque o texto oficial não aponta para a fragmentação desses conteúdos em disciplinas. dispondo de poucas horas semanais por turma. compreende por condutas de indagação. é que esse contrato supõe igualdade formal entre todos. Privilegiamento dos conteúdos de História nacional. É interessante fazer um exercício de imaginação: o que o documento. conectados à História Geral por relações de contexto. mas a disciplina corrói essa igualdade na medida em que estabelece pessoas que organizam a disciplina e as normas e pessoas que se submetem a elas. e que nacionaliza a avaliação da sua aplicação. por razões pragmáticas. de formação de identidade comum aos brasileiros. por exemplo entendendo o desenvolvimento histórico em articulação com a ocupação do espaço. é uma frase que. Resta perguntar para que é que seguiremos centrados numa estruturação dos conteúdos com base na idéia de nação. a quem isso serve. Estruturação do conteúdo por temas articulados em torno da construção de conceitos. os PCNEM apontam para o ensino integrado das Humanidades.

como já dissemos. É esse tipo/nível de crítica que a indagação produzirá. que permitiam ao professor utilizar qualquer programa. para selecionar seu conteúdo. o que não se encaixa imediatamente com a produção de bens passíveis de um emprego econômico. como já afirmamos. enquanto escasseiam propostas para a discussão política e social do mundo do trabalho em si. classes sociais. as disciplinas referenciadas nas Ciências Humanas como hierarquicamente inferiores. da . em que. contextualização sócio-cultural). e isso constitui mais um dos dogmas fundantes da reforma curricular cuja implantação estamos discutindo. ou é outro? Podemos ficar na dúvida. Diante disso tudo. planejamento. metodologia ou conteúdo. O “fim da História” orienta o ensino da História e das Humanidades para o texto dos PCNEM. Compreensão das tecnologias associadas à área. oferecendo signos fixos e constantes que 20 FTC EaD | HISTÓRIA neutralizam toda contradição possível entre o que está dado e o que pode surgir historicamente. desde que essas metas fossem atingidas. Pode-se interpretar que essa terminologia expressa a atribuição de uma função utilitária imediata para as Humanidades. uma vez que a “pedagogia das competências” tem dificuldades em compreender as especificidades do conhecimento tácito em relação ao conhecimento formal e organizado. para o ensino secundário foram definidas metas em termos cognitivos e de habilidades. se ele interessa ou não como está para o sujeito que o estuda. e de imaginar que dando a elas o status de produtoras de tecnologia. Mas é importante registrar o posicionamento de que as competências não são construídas na escola. Porém. Competências como metas às quais a seleção de conteúdos e sua didatização deverão estar atentas (representação e comunicação. depende de uma conduta do professor oposta à indagação dos princípios de sua prática. pois predominam assuntos relativos a resultados da ação das Ciências Humanas para melhoria do mundo do trabalho (gestão dos indivíduos e dos grupos. Essa disposição poderia fazer-nos imaginar alguma semelhança com as reformas curriculares de História marcadas pelo liberalismo da velha Inglaterra em meados da década de 1980. um objeto de fascínio que é assumido como sujeito histórico. princípios filosóficos e políticos que se cristalizam no currículo. Adaptar-se para sobreviver. mas sim nas situações reais de vida e trabalho. investigação e compreensão. então o que ocorre é um duplo equívoco: de imaginar. Esse fetiche obriga à genuflexão verbal da expressão “Ciências Humanas e suas Tecnologias”. o professor precisa estar atento à subjetivização da tecnologia. são bem mais prescritivos. é uma frase crítica. reforçam-se em termos de importância no currículo e na prática escolar. substituindo a ação de pessoas. e nesse sentido é interessante perguntar até que ponto os conteúdos de História são realmente históricos.ficialidade. ratificando o senso comum. porque a implantação dos PCN depende da aceitação de pressupostos que não são discutidos. grupos. mas sua função primordial é pensar e partilhar o ato de pensar o homem em relação ao mundo. sem que haja uma recuperação do seu estabelecimento como chave explicativa da contemporaneidade. regimes. ditando então normas fechadas para a ação e o progresso. em vez de fixarem a origem e o significado dos fatos. Não que as Ciências Humanas sejam diletantes. entretanto. obtenção e organização de informações. fazendo que esse campo do conhecimento seja obrigado a conviver com um termo que historicamente não tem servido para expressar o produto do seu trabalho. no sentido de permitirem pensar o significado dos fatos a partir do inédito e da criação. a sua assunção como causa. A tecnologia é um fetiche dos PCNEM de uma forma geral. e assim por diante). se a intenção é fortalecer o papel das Humanidades diante das disciplinas referenciadas nas ciências propriamente produtoras de tecnologias. em vez de compreender para transformar. Os PCN’s.

Sendo assim. na qual o cidadão comum pode ser ver inserido em uma sociedade global e multifacetada.escola. é muito sujeita aos ventos que sopram de latitudes as mais diferentes”. as transformações do ensino de História podem ser identificadas mediante análise das variáveis propostas curriculares. reconstruindo o passado recente. Nos últimos 10 anos tem surgido uma variedade de propostas que buscam proporcionar um ensino de História mais significativo para a geração do mundo tecnológico. Diante dessa afirmação. É nessa perspectiva que é preciso considerar o papel do professor na configuração do currículo real ou interativo. Estágio Supervisionado II 21 . bases amplas a partir das quais será operada a seleção cultural dos conteúdos de História nas diferentes culturas escolares. O estudo das sociedades de outros tempos pode possibilitar a constituição de uma identidade coletiva. identidade e diferença se complementam para a compreensão do que é ser cidadão e suas reais possibilidades de ação política sócio-cultural e econômica num país marcado por grandes desigualdades. tendo como foco o fato de ser o docente o sujeito fundamental na transformação e na continuidade do ensino da História crítica e significativa. O texto da Nova Lei de Diretrizes e Bases e os Parâmetros Curriculares traçam diretrizes gerais. como outras áreas do saber na área de Ciências Humanas. O ensino de História pode possibilitar ao aluno reconhecer a existência da História crítica interiorizada e a viver conscientemente cada uma delas. exige a discussão dos desafios do futuro a partir do presente. Fonseca (2003) levanta alguns questionamentos: •Essa afirmação parece ser ingênua. As diretrizes e os textos curriculares como elementos de políticas educacionais trazem ideologias de propostas culturais e pedagógicas com grande poder de penetração na realidade escolar. Neste sentido. é impor- tante analisar o impacto da Nova LDB e dos Parâmetros Curriculares no Ensino de História para compreender o papel da escola e da dinâmica escolar em relação aos saberes históricos nela transmitidos. PROPOSTAS CURRICULARES DE HISTÓRIA NO ENSINO MÉDIO “A história. como? •Em tempos de uniformização e padronização por meio da implantação dos currículos e das avaliações nacionais? •Por se tratar da complexidade do objeto de ensino de História: quais histórias ensinar e aprender? Buscar respostas a essas questões. José Roberto do Amaral Lapa Segundo Bittencourt (2004).

relativa à formação do professor.uepg. isto é. AS DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS PARA A ÁREA DE HISTÓRIA E A FORMAÇÃO DOS PROFESSORES PARA A EDUCAÇÃO BÁSICA. a rejeição da divisão entre cursos de licenciatura e cursos de bacharelado. Os cursos de graduação em História têm. Vejamos abaixo os princípios delineados: Atenção! PRINCÍPIOS PARA A FOMAÇÃO DO PROFISSIONAL EM HISTÓRIA 1. preservando o exercício de todas atividades inerentes ao ofício do historiador. Esse princípio deve estar assegurado na diplomação conferida pelos cursos. assim como capacitá-los a possibilitar a compreensão por outros indivíduos do mundo em que vivem. por sua vez. Indissociabilidade entre ensino.anpuh. 4. a estrutura curricular dos cursos de graduação deve contemplar essa dimensão como eixo estruturante e elemento de articulação entre a produção do conhecimento histórico e o ensino em todos os níveis. mas de produção de saberes docentes. reconhece-se a importância da articulação dos pólos sujeito-objeto neste ato produtivo. consideramos imprescindível discutirmos os princípios fundamentais para a formação do profissional de História. em tempos e espaços diversos. c) que a prática profissional não é o locus de aplicação de saberes universitários. como fios fundamentais da tessitura da formação de docentes da área de História. Diálogo contínuo e renovado entre saberes acadêmico e escolar. pesquisa e extensão em todos os níveis de ensino: Isto significa. Natureza educativa e social de toda e qualquer dimensão do trabalho do historiador: Este processo atinge múltiplos e diferenciados segmentos sociais. tornam-se dominantes. na prática. reconhece-se.br/anpuh/document/formac. os subjetivismos ou os objetivismos radicais que. o seguinte: a) o professor como agente do processo educacional. devem promover e/ou fortalecer a possibilidade da produção do conhecimento histórico pelos seus futuros alunos. 2. sem que isto signifique escolarizar o saber acadêmico ou academicizar o saber escolar. b) que a atividade docente pauta-se na articulação entre teorias e práticas (sendo que os estágios devem ser concebidos também como elementos fundantes das pesquisas). por meio da produção e da transmissão do conhecimento histórico através de práticas diversas. Ou seja. Em outras palavras. Disponível em: http://www. os quais.Sendo assim. a problemática da produção do conhecimento histórico-educacional pelos sujeitos envolvidos. portanto. e não se restringe. ao âmbito formal do ensino. escolares. imbricação esta que possibilita o questionamento das tendências culturais que prevalecem na contemporaneidade. Formação integral do profissional de História: deve-se levar em conta a complexidade posta ao conhecimento histórico na/pela contemporaneidade.htm 22 FTC EaD | HISTÓRIA . propiciar aos que nele ingressam a possibilidade de compreender o mundo em que vivem. Em conseqüência. 3. muitas vezes. ao se focalizar como eixo da discussão. que segmentam e desarticulam essas dimensões inerentes ao processo educativo. a partir do conhecimento das experiências vividas pelas diferentes sociedades. portanto. como objetivo. pois. tendo em vista que este é um multiplicador da disciplina de forma significativa e criativa.

As concepções e os encaminhamentos foram passando de amplas definições para concretizações mais específicas. como uma etapa conclusiva da educação básica para a população estudantil. Para esclarecermos qual é o papel que ocupa a disciplina História no contexto do ensino médio. é necessário recorrer às grandes linhas que são trabalhadas nesses textos legais. a educação. Assim. as finalidades da educação.Diante dos princípios apresentados. são desafiadoras: “A educação básica tem por finalidades desenvolver o educando. além de abrangentes. o assunto “reformas do ensino” foi-se propagando cada vez mais. diversas medidas de cunho legal foram sendo tomadas para que o ensino desempenhasse a função social que lhe cabia.. para que os objetivos da educação sejam plenamente alcançados. no sentido de auxiliar as pessoas a viverem melhor na sociedade e dela participarem de forma ativa e crítica. A nova identidade atribuída ao ensino médio define-o. Segundo a LDB. entendemos que o professor de História passa a ser um sujeito que facilitará o surgimento do contexto de compreensão comum e traz instrumentos procedentes da ciência. foram ainda mais definidos e explicitados pelas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (1998). por sua vez. além dos estudos teóricos que se produziram e de práticas renovadas e pioneiras. Muitas das propostas elaboradas nos últimos quinze anos não se limitaram apenas em refazer metodologias e técnicas de ensino ou a introduzir pontualmente alguns conteúdos. ver especialmente os Artigos 26. A produção sobre a História a ser ensinada no Ensino Médio. constitui-se como um conjunto heterogêneo. A História adquire seu pleno sentido para o ensino-aprendizagem quando procura contribuir. recebeu dispositivos amplos que foram detalhados na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996 (para o ensino médio. A partir dos anos 1980. O Currículo do Ensino Médio e a Disciplina História Cada disciplina que compõe o currículo do ensino médio pode ser comparada a uma peça que é parte inseparável de um conjunto. Vivemos um momento dentro da história da disciplina em que os conteúdos e metodologias estão sendo reformulados de forma conjunta. O objetivo é o de preparar o Estágio Supervisionado II 23 . do pensamento e das artes para enriquecer os conhecimentos prévios apresentados pelos alunos. 35 e 36). definida como direito de todos e dever do Estado. portanto. Artigo 1o).] vincular a educação com o mundo do trabalho e a prática social.Todo essa releitura em relação aos currículos anteriores conduziu a uma reavaliação da história ensinada pelas múltiplas possibilidades de abordagens historiográficas. Na Constituição Brasileira de 1988 (Artigos 205 e 210).. Artigo 22. com sua potencialidade cognitiva e transformadora. Já as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio estabelecem como finalidade “[. assegurarlhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos superiores”. apresentada pelos currículos oficiais que estão circulando no meio educacional a partir dos anos 1980 no Brasil. O grande marco das propostas curriculares concentrou-se na perspectiva de recolocar professores e alunos como sujeitos da História e da produção do conhecimento histórico e formação humana. consolidando a preparação para o exercício da cidadania e propiciando preparação básica para o trabalho” (DCNEM. estes. marcando um período peculiar da história da disciplina. 27.

espacial e temporalmente. não só no interior da área das ciências humanas. à suposição de que são possíveis diferentes interpretações sobre temas/assuntos. Cabe ao professor priorizar e selecionar as competências que são mais adequadas ao desenvolvimento de acordo com os contextos específicos da escola e dos alunos. cultural e do trabalho. o que está em jogo é a formação do cidadão por meio do complexo jogo dos exercícios de conhecimento e não apenas a transmissão–aquisição de informações e conquistas de cada uma das disciplinas consideradas isoladamente. Em última análise. dos alunos e dos agentes da comunidade em que se situa a escola. o caráter interdisciplinar de um currículo . o exercício dessas competências e dessas habilidades está presente em todas elas. superar a oferta de disciplinas compartimentadas e descontextualizadas de suas realidades sociais e culturais próximas. Procura-se. as estratégias didático-pedagógicas. Esse conjunto de preocupações consubstancia-se. como no interior das outras áreas e entre elas. também. psicomotoras e das que incentivam uma intervenção consciente e ativa na realidade social em que vive o aluno. 15-16. no projeto pedagógico da escola. ao mesmo tempo. A questão da interdisciplinaridade está claramente exposta nos PCN+. de constituir significados sobre a realidade social e política. a se inserir e a participar ativa e criticamente no mundo social. a definição de conceitos básicos da disciplina. de compreender o processo de transformação da sociedade e da cultura. à necessária e efetiva associação entre ensino e pesquisa. Nessa perspectiva. articulando-se com o das outras disciplinas. a seleção dos conteúdos e sua organização. precisamente por transcender cada disciplina. elaborado com a participação efetiva da direção. Dentre essas competências. o ensino pauta-se pelo conceito de educação permanente. O trabalho com a disciplina História estará atento ao desenvolvimento dessas competências mais gerais e. o domínio dos princípios e dos fundamentos científico-tecnológicos para a produção de bens. Pretende-se que o ensino médio atinja um grau de qualidade em que o aluno dele egresso tenha todas as condições para enfrentar a continuidade dos estudos no ensino superior e para se posicionar na escolha das profissões que melhor se coadunem com suas possibilidades e habilidades. o ensino médio buscará. para o exercício da cidadania. p. podem-se enumerar. Dessa forma. a contextualização. o ensino de História. Ciências Humanas. serviços e conhecimentos. segundo as DCNEM: a autonomia intelectual e o pensamento crítico.educando para a vida. ainda que com diferentes ênfases e abrangências. dos professores. e capacitá-lo para o aprendizado permanente e autônomo. ganha concretude e garantia de efetivação. a médio e a longo prazo. de saber se adequar de forma consciente às novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento. à preparação para o trabalho e à formação da cidadania possam ser atenuadas. à busca das competências que são específicas do conhecimento histórico. busca oferecer aos alunos possibilidades de desenvolver competências que os instrumentalizem a refletir sobre si mesmos. portanto. contribuir para que a disparidade e as tensões existentes entre os objetivos que visam à preparação para o vestibular. O que é preciso compreender é que. ao trabalho com diferentes fontes e diferentes linguagens. O princípio pedagógico da interdisciplinaridade é aqui entendido especificamente como a prática docente que visa ao desenvolvimento de competências e de habilidades. socioafetivas. não se restringindo a prepará-lo para outra etapa escolar ou para o exercício profissional. tendo em 24 FTC EaD | HISTÓRIA vista o desenvolvimento de competências cognitivas. Apontam-se como princípios estruturadores do currículo a interdisciplinaridade. Por isso. para sua inserção qualificada no mundo do trabalho. Para fazer frente à necessidade vital de formação para a vida. a capacidade de aprender e continuar aprendendo.

a referência à contextualização vai muito além daquela intenção de “situar” fatos e acontecimentos que estão sendo estudados na pretensa referência a aspectos gerais de uma situação histórica. Cabe ainda lembrar que o trabalho de contextualização busca compreender a correlação entre as dimensões de realidades local. II). sem o que se torna impossível compreender o real significado da vida cotidiana do aluno do ponto de vista histórico. para sermos rigorosos. mas isso não substitui a dimensão temporal da realidade humana. físico-espacial.br/seb/arquivos/pdf/book_volume_03_internet. é entendido como o trabalho de atribuir sentido e significado aos temas e aos assuntos no âmbito da vida em sociedade. Daí o poder estratégico do projeto político-pedagógico da escola como instrumento capaz de mobilizar o conjunto dos profissionais que nela trabalham. com vistas a que o mesmo desenvolva plenamente sua autonomia intelectual. para que se possam conseguir as condições que possibilitem implantar as reformas pedagógicas preconizadas. também. de maneira que cada disciplina dê a sua contribuição para a construção de conhecimentos por parte do educando. Disponívelem: http://portal. a contextualização. múltiplos conhecimentos e competências. externos à produção do conhecimento em pauta. BRASIL.gov. é imprescindível que a seleção da narrativa histórica consagrada pela historiografia esteja relacionada aos problemas concretos que circundam os alunos das diversas escolas que compõem o sistema escolar. de laboratórios. No entanto. O interdisciplinar se obtém por outra via. Estes poderão e deverão ser pontos de partida para a problematização do trabalho com a História. portanto.pdf Estágio Supervisionado II 25 . Os conhecimentos produzidos pelos estudiosos da História e do ensino da História.escolar não reside nas possíveis associações temáticas entre diferentes disciplinas. nas quais se incluem as do trabalho e do exercício da cidadania” (Artigo 9o. que em verdade. assim como a comunidade. de materiais didáticos. MEC/Sesu. de pessoal. por uma prática docente comum na qual diferentes disciplinas mobilizam. como se fosse necessário descrever o “pano de fundo” no qual eles estariam “inseridos”. Como se afirma nas DCNEM: “A relação entre teoria e prática requer a concretização dos conteúdos curriculares em situações mais próximas e familiares do aluno. Nessa compreensão. o trabalho pedagógico contará com atividades problematizadoras diante da realidade social.mec. por meio da associação ensino-pesquisa. são referências importantes para a construção dos conhecimentos escolares na dimensão da sala de aula. Orientações Curriculares para o Ensino Médio. Para que o princípio pedagógico da interdisciplinaridade possa efetivamente presidir os trabalhos da escola. além da seleção de temas e assuntos que tenham relação com o ambiente social dos alunos. costumam gerar apenas integrações e/ou ações multidisciplinares. Dessa forma será possível articular os conhecimentos produzidos de acordo com o rigor analítico-científico do processo de conhecimento histórico ao trabalho pedagógico concreto em sala de aula. faz-se necessária uma profunda reestruturação do ponto de vista organizacional. qual seja. Evita-se. Outro eixo estruturador do currículo. no âmbito das universidades. por exemplo. regional e global. Para adquirir significado e possibilitar impulsos criativos. gerais e particulares. entender a contextualização como se fosse apenas e tãosomente a referência a temas específicos e candentes do cotidiano dos alunos.

Traçam-se objetivos para a História e as Humanidades no Ensino Médio. Os PCNEM propõem um comportamento disciplinar. com o que substituem a espontaneidade e a iniciativa individuais. 26 FTC EaD | HISTÓRIA . ao determinarem um padrão de comportamento médio ao qual todos devem adequarse. Diante das leituras. Explique como deve ser a articulação dos conteúdos de História no Ensino Médio. A mobilidade do professor é posta apenas a partir daí. e os objetivos e os critérios de seleção já estão dados. Quais as propostas curriculares que você considera realmente importantes para serem aplicadas no Ensino Médio? 3. Explique o que viria a ser “mobilidade do professor” no ensino da História no Ensino Médio. Quais as aprendizagens devem ser desenvolvidas pelos alunos no Ensino Médio? 2. que é positiva. fundado sobre a lógica da norma. na hora de selecionar o que ensinar. os caminhos teóricos e metodológicos também são traçados e travados. qual deve ser a postura do professor no Ensino Médio? 4.Atividade Complementar 1. 5. com base no discurso científico.

Entretanto. É o lugar onde se educa para a vida. O professor vive em uma posição estratégica e ambígua na sociedade: vive exercita a luta pela profissionalização e a permanente ameaça de proletarização e desvalorização social. considerado como instituição escolar: • Como lugar social: forma indivíduos. interfere e transforma a cultura da sociedade. muitos papéis são assumidos pela escola. educação. Estágio Supervisionado II 27 . preservando e recriando a cultura. TRANSVERSALIDADE E ENSINO DE HISTÓRIA. Segundo Fonseca (2003). prepara para o trabalho produtivo. produz uma cultura que penetra. produz conhecimentos e valores. Por isso. contribuindo para essa transformação. cultura e cidadania. um espaço de inclusão e não de exclusão social e cultural (FONSECA. Isso requer de nós um esforço de revisão dos pressupostos teórico-metodológicos que nortearam as práticas da tradicional escola básica. a construção de novas propostas pedagógicas para o ensino de História deve fundamentar-se na concepção de escola como instituição social. Sobretudo. fundamentalmente. • Como instituição social: interage com diferentes grupos. sujeitos e instituições transforma-se junto com a sociedade. articula as necessidades individuais às demandas da sociedade contemporânea. a formação do ser humano não é tarefa exclusiva da escola. no final do século XX. p. 2003. Estado. • Para Fonseca (2003). exige de nós um trabalho paciente de compreensão e construção de novos referenciais para que a escola seja. Neste sentido. participa. evidencia-se a necessidade de repensar práticas pedagógicas dos professores em diferentes espaços educativos. novos problemas desafiam o processo educacional. vida social e política. transmitindo. como agente de formação de cidadãos. outros fatores devem ser considerados na construção do processo educativo-pedagógico. é um lugar de produção e socialização de saberes. exigindo que a escola redimensione suas funções e assuma o compromisso com seu tempo. Nesse contexto. nem do processo de ensino. políticas e econômicas ocorridas ao longo do século XX passaram a exigir da escola uma participação cada vez mais efetiva na educação das novas gerações. faz mediação entre sociedade. onde se formam as novas gerações para o exercício pleno da cidadania.A INTERDISCIPLINARIDADE E O ENSINO DA HISTÓRIA INTERDISCIPLINARIDADE. de fato. as mudanças sociais. 100). Leitura Complementar 6 Nesse quadro geral de transformações. Nesse contexto social de mudanças. A abordagem das formas de relação entre conhecimento e metodologia que fundamentam a idéia da inter e da transdisciplinaridade. reproduz saberes.

Dessa maneira. isto é. Não se trata da aquisição cumulativa de informações. A escola tem a responsabilidade não só de ampliar a compreensão do mundo. do bem comum. a educação é vital na busca da felicidade. das múltiplas experiências. Transdisciplinaridade A transdisciplinaridade é uma possibilidade de constituir uma formação geral do educando. mas que surja espontaneamente. interação entre sujeito e conhecimento. Nesse sentido. ele nunca poderá ser imposto. Portanto. Neste sentido. Para Fonseca (2003). Interdisciplinaridade Segundo Fazenda (1991). Num projeto interdisciplinar. mas deverá surgir de uma proposição. ensinar é estabelecer relações interativas que possibilitem ao educando elaborar representações pessoais sobre os conhecimentos. trata-se de projetos educativos no sentido amplo do termo. O envolvimento é condição para a prática. pensar essas questões significa acreditar na nossa capacidade de entender e agir sobre o mundo social. um projeto interdisciplinar de trabalho ou de ensino consegue captar a profundidade das relações conscientes entre pessoas e entre pessoas e coisas. professor e aluno atuam de maneira ativa em relação aos diferentes saberes. A escola — como espaço pedagógico — visa possibilitar ao indivíduo o desenvolvimento de seu potencial humano por meio da oferta de instrumental de ação no meio. Segundo Fonseca (2003). pois permite a identificação entre o vivido e o estudado como resultado das múltiplas inter-relações. pois a educação escolar visa fornecer ao indivíduo possibilidades de desenvolvimento cultural por meio da aquisição/reconstrução de conhecimentos formais e de instrumentos para apreender esses conhecimentos. precisa-se de um projeto que não se oriente apenas para o produzir. socialização. 28 FTC EaD | HISTÓRIA . mediada pelo professor. orientado para a progressiva autonomia do aluno. objetos de ensino e da aprendizagem. formação e transformação de homens.A escola — como espaço de reconstrução de saberes — objetiva o desenvolvimento e a aprendizagem dos educandos. Desta forma. que damos sentido e ressignificamos nossa prática profissional. NEM SE APRENDE: VIVE-SE. de forma implícita ou explícita. Educar é um ato de liberação. nas relações humanas. NÃO SE ENSINA. na promoção do humanismo. EXERCE-SE! Fonseca (2003) complementa que a postura interdisciplinar envolve uma determinada forma de conceber e se relacionar com o conhecimento socialmente produzido. de um ato de vontade frente a um projeto que procura conhecer melhor. Ensino e aprendizagem fazem parte de um processo de construção compartilhada de diversos significados. pois é sustentando essa crença. É um direito do cidadão para o exercício da cidadania. a construção de conhecimentos nos espaços escolares é uma ação coletiva. mas de formação de atitudes diante do conhecimento formal que possibilite ao educando transformar-se por meio de sua participação na ação coletiva de ensino e aprendizagem. no suceder diário da vida. de um ato de vontade. Na verdade. mas de formar indivíduos aptos a participar e intervir na realidade.

abril. A História conta. ao analisar uma pintura renascentista. a disposição dos elementos na tela e daí por diante. de estruturas conceituais e metodológicas compartilhadas por várias disciplinas. as relações entre as disciplinas podem se dar em três níveis: multidisciplinaridade. por exemplo. por outro lado. mas de formar indivíduos aptos a participar e intervir na realidade. interdisciplinaridade e transdiciplinaridade. Neste caso. Adriana Seabra http://novaescola. Mas.br/ed/124_ago99/html/comcerteza_didatica. recorremos a informações de várias matérias para estudar um determinado elemento. sendo tão grande e complexo. que não dá mais para separá-las: acaba surgindo uma nova “macrodisciplina”. A análise do material utilizado na pintura poderia ser ampliada para um estudo do desenvolvimento tecnológico ao longo do tempo. Assim. A Educação Artística lida com seus aspectos estéticos — as cores usadas. Segundo Piaget. haveria interdisciplinaridade se. complicou a compreensão de fenômenos mais complexos. A Química descreve a composição do material usado na pintura. cada matéria contribuiu com informações pertinentes ao seu campo de conhecimento. de forma implícita e explícita. que damos sentido e ressignificamos nossa prática profissional. pois os conceitos estão organizados em torno de unidades mais globais. da Química e da Educação Artística. Estágio Supervisionado II 29 . No exemplo anterior. Um exemplo de transdisciplinaridade são as grandes teorias explicativas do funcionamento das sociedades. Esse é o estágio de cooperação entre as disciplinas mais difícil de ser aplicado na escola. estabelecemos uma interação entre duas ou mais disciplinas. Na transdisciplinaridade. podemos usar dados vindos da História. A solução para o problema foi relacionar as várias disciplinas do currículo. A escola tem responsabilidade não só de ampliar a compreensão do mundo. Na multidisciplinaridade. quando foi o período chamado Renascimento.htm Pensar essas questões implica acreditar na nossa capacidade de entender e agir sobre o mundo social. Tal simplificação. ao estudar a pintura.Leitura Complementar 7 QUAL É A DIFERENÇA ENTRE MULTIDISCIPLINARIDADE. O ensino baseado na interdisciplinaridade proporciona uma aprendizagem muito mais estruturada e rica. sem a preocupação de interligar as disciplinas entre si. a cooperação entre as várias matérias é tanta. INTERDISCIPLINARIDADE E TRANSDISCIPLINARIDADE? O mundo é uma totalidade. pois é sustentando essa crença. Na interdisciplinaridade.com. pois há sempre a possibilidade de uma disciplina “imperialista” sobrepor-se às outras. seu conhecimento é feito pelas partes. Foi essa idéia de que a fragmentação facilita a compreensão do conhecimento científico que orientou a elaboração dos currículos básicos em certo número de disciplinas consideradas indispensáveis à construção do saber escolar. sem que houvesse uma real integração entre elas. relacionássemos o contexto histórico do Renascimento com os temas usados pelos artistas de então e sobre as técnicas empregadas por eles. Essa forma de relacionamento entre as disciplinas é a menos eficaz para a transferência de conhecimentos para os alunos.

os saberes são religados e rearticulados. além de considerar a difusão da indústria cultural brasileira que promovia a ampliação documental e temática para pesquisas. a literatura é um produto artístico com raízes sociais. Segundo Sevcenko (1986). As fronteiras disciplinares são questionadas. mas também a necessidade de (re) construir o conceito de ensino-aprendizagem. Para Silva (1985). Segundo Fonseca (2003). reconhece não só a estreita ligação entre os saberes escolares e a vida social.A INCORPORAÇÃO DE DIFERENTES FONTES E LINGUAGENS NO ENSINO DE HISTÓRIA Nos últimos anos. Nesse sentido. 30 FTC EaD | HISTÓRIA . filmes e programas televisivos. e o conhecimento. em busca da intelegibilidade do real histórico. As metodologias de ensino exigem permanente atualização. os documentos que evidenciam os acontecimentos. religiosas. Neste sentido. o uso de diferentes fontes e linguagens no ensino de História tornou-se uma prática. o mundo e suas representações. relações de trabalho e poder. da difusão de livros paradidáticos. obras de ficção. O professor não é mais aquele que apresenta o conteúdo. o uso de imagens. que depende de um mercado. artigos de jornais. Ele tem o privilégio de mediar às relações entre os sujeitos. Criticava-se o uso indiscriminado do livro didático tradicional. Obras de Ficção • Literatura A literatura é uma linguagem que possui uma forma discursiva própria. mas pela possibilidade. sobre os planos que não se concretizaram. pois as diversas linguagens expressam relações sociais. o trabalho com linguagens exige do historiador pensá-las como elementos constitutivos de uma realidade sócio-política. o historiador é atraído não pela realidade. universos mentais constitutivos da nossa realidade sócio-histórica. Esse processo requer dos professores um aprofundamento dos conhecimentos acerca da constituição das diferentes linguagens. garante determinadas modalidades de relações e participam na constituição de uma dada memória. sobre as possibilidades que não vingaram. tornou-se prática recorrente na educação escolar. no desenvolvimento de vários temas. As linguagens são constitutivas da memória social e coletiva. Trata-se de uma opção metodológica que amplia o olhar do historiador. o campo de estudo. dinâmico e flexível. Não concebe foros de verdade ao que se declara. 2003). identidades sociais. tornando o processo de transmissão e produção de conhecimentos interdisciplinar. Assim. étnicas. O discurso histórico visa explicar o real por meio de um diálogo que se dá entre o historiador e os testemunhos. Ao incorporar diferentes linguagens no processo de ensino de História. seus limites e suas possibilidades. como uma obra de ficção pode ser usada pela História como valor testemunhal? O discurso literário e o histórico têm em comum o fato de ambos serem narrativos. culturais. constante investigação e contínua incorporação de diferentes fontes em sala de aula (FONSECA. a literatura pode falar ao historiador sobre a história que não ocorreu.

... Criticava a sociedade baiana..... Numa cidade........... o clero e a exploração colonial.. de Euclides da Cunha. os modos de o homem relacionar-se com a natureza em diferentes épocas.. discutindo valores e comportamentos da sociedade carioca da segunda metade do século XIX. que mais se lhe impunha....... Por mais que a fama a exalta... Inveja Cuidei....... Que vai pela clarezia?.......... o governo.Unha. É uma fonte/documento/evidência que auxilia o desvendar da realidade......... Sugestões de leituras.......... mostra a ascensão de um recém-formado bacharel em Direito ao posto de deputado............. os detalhes sobre os lugares e paisagens............ referências do modo de ser. onde falta Verdade.. Passa-se em cena a votação.......... as mudanças naturais.. as mudanças menos perceptíveis............ Gregório de Matos foi um autor a frente de seu tempo.... relatando como viviam os seguidores de Antônio Conselheiro.....A leitura de textos literários pode oferecer pistas...... na qual não faltam defuntos eleitores. de França Junior.. Honra Falta mais que se lhe ponha... Honra....... tematiza o casamento como forma de ascensão social... de José de Alencar..... • Os Sertões... • Senhora....... • Como se fazia um deputado.... (Gregório de Matos) 1 Simonia: venda ilícita de coisas sagradas.... narra os acontecimentos da Guerra de Canudos... .. de agir e viver das pessoas e dos valores de uma determinada época.. A sátira é uma vertente da poesia em que o poeta não poupa a sociedade e os sujeitos sociais........ Verdade Que mais por sua desonra.. Simonia1 E pelos membros da Igreja?.... Vergonha O demo a viver se exponha.. no interior da Bahia............ Vergonha... Poesia A poesia também é uma forma de transmitir a realidade histórica.... Veja um de seus mais famosos poemas: Que falta nesta cidade?. Estágio Supervisionado II 31 ........

• A Banda. audição de músicas. de Eduardo Escolres. • Brasil. 1995. 1998. pichações lidos de passagem. Chico Buarque. tudo isso 32 FTC EaD | HISTÓRIA . • Xica da Silva. como instrumento pelo qual se revela o registro da vida cotidiana. na visão de autores que observam o contexto social no qual vivem. textos. 1996. numa perspectiva interdisciplinar. ao relacioná-los na aula de história ao saber apreendido na vivência cotidiana de cada um. tem possibilitado a abordagem e o debate de diferentes concepções de História em sala de aula. de Fábio Barreto. de Alselmo Duarte. As experiências realizadas situam-se no movimento de ampliação do campo temático e documental visando redimensionar a História e a Geografia praticadas por alunos e professores nos diferentes níveis de escolaridade (FONSECA. 1980. • Central do Brasil. Legião Urbana. • Alegria. 1979. Registro e Representação do Cotidiano: A música Popular na Aula de História As linguagens alternativas têm sido utilizadas como um importante recurso didático para a aprendizagem de história. 1988. letreiros. a tendência metodológica voltada para a incorporação da linguagem cinematográfica no processo ensino-aprendizagem. • O quereres. na atualidade. As mudanças de paradigmas do conhecimento histórico acadêmico. de Carlos Diegues. de Elis Regina. Caetano Veloso. Legião Urbana. cartazes. de Hector Babenco. a conversa trocada com amigos. Caetano Veloso. de Walter Salles. • O Quatrilho. • O pagador de promessas. a principal referência para a construção do conhecimento histórico escolar. permitem que este também reelabore os seus próprios elementos de construção. a música popular tem ocupado espaço. Músicas A seguir algumas sugestões de músicas que podem ser usadas no desenvolvimento do ensino da História: • Fábrica. alegria. 1962. de Jorge Furtado. • Pixote: A lei do mais fraco. 2003). • Como nossos pais. A incorporação do cinema. 1996.Filmes Discute-se muito. Caetano Veloso. • Bye bye Brasil. de Carlos Diegues. • Canção ao Senhor da Guerra. Imagens e objetos vistos e observados. Apresentamos a seguir uma sugestão de filmes e documentários nacionais que consideramos importantes fontes para a análise da História do Brasil: Sugestões de Filmes e Documentários: • Ilha das Flores. Entre essas linguagens. • O Barão de Rio Branco.

Em sociedades cada vez mais complexas. Mas você anda sem dúvida bem zangada E está interessada Em fingir que não me vê. conduzindo-os à elaboração da consciência histórica. Três apitos. 57). vocabulário. e de fontes para o conhecimento histórico acadêmico passam a ser recursos didáticos para auxiliar o aluno na construção do seu conhecimento. como comportamentos. permite que se elabore uma perspectiva de análise para a construção do conhecimento histórico pelo aluno.. no processo de aprendizagem as fontes se transformam em recursos didáticos. Tomemos.tem se constituído em linguagens da história. intencionalmente. são importantes para as representações sociais dos alunos que são intimamente ligadas aos conceitos espontâneos desenvolvidos nas interações sociais imediatas. Isso acontece quando se dá a divisão do conhecimento em campos de saber delimitados e em práticas de aprendizagem especializadas que levam à despersonalização do conhecimento. ao estabelecer as relações entre o sujeito individual. tal como Rüsen a concebe. de 1933 Quando o apito da fábrica de tecidos Vem ferir os meus ouvidos Eu me lembro de você. Nem no frio você crê. se integram a grupos e promovem trocas em suas relações cotidianas (Moscovici. é a forma de consciência humana que está relacionada imediatamente com a vida humana prática: “se entende por consciência histórica a soma das operações mentais com as quais os homens interpretam sua experiência da evolução temporal de seu mundo e de si mesmos de forma tal que possam orientar. a leitura. O registro. 17-25). entendido como um corpo organizado de conhecimentos graças aos quais os homens tornam inteligível o mundo físico e social. As chamadas linguagens alternativas para o ensino de história mobilizam conceitos e processam símbolos culturais e sociais. sua vida prática no tempo” (2001. p 17-18). O conceito de representação social. Imagem esta que acarreta outras instâncias de referências. Você que atende ao apito De uma chaminé de barro. Mas você é mesmo Artigo que não se imita. é um instrumento para o desenvolvimento de conceitos históricos e para a formação histórica dos alunos. as representações e símbolos podem se tornar a matéria mesma sobre a qual se assenta a definição das ações dos indivíduos (Guareschi & Jovchelovitch. p. 1979. Os efeitos sociais da aprendizagem de história se sintetizam e se consolidam na consciência histórica que. Por que não atende ao grito tão aflito Da buzina do meu carro? Você no inverno Sem meias vai pro trabalho. transformados. tratado como documento histórico em linguagem alternativa. mediante os quais apresentam certa imagem do mundo. no caso o aluno. 1999. 1999. segundo Rüsen. na qual a comunicação cotidiana é cada vez mais mediada pela comunicação de massa. Mas o que você não sabe É que enquanto você faz pano Faço junto do piano Esses versos pra você Estágio Supervisionado II 33 . Quando a fábrica apita Faz reclame de você. em conceitos científicos. de Noel Rosa. na medida em que são chamadas para responder perguntas e questionamentos adequados aos objetivos da história ensinada. moda. a audição de documentos aleatórios. A observação. em situações formais de aprendizagem. como a contemporânea. p.. Como a significação do conceito no conhecimento escolar não corresponde à significação do mesmo conceito no saber acadêmico. como exemplo. 19). e a sociedade na qual vive. Não faz fé com agasalho. informais. com a finalidade de permitir a sua retomada em programas e planejamentos (Develay.

que ele se dirija a uma moça que “faz pano”.À primeira vista. em sua compreensão cronológica. Nestas fábricas. Os diferentes temas tratados na canção (trabalho. relacionando-o ao relógio e não ao tempo da natureza. o que se tem é uma declaração de amor do autor a uma tecelã e o pano de fundo é o processo de industrialização. O comentário sobre a ausência de meias. predominante nos manuais didáticos. portanto. disciplina do trabalho. o automóvel também se faz presente na letra da música de Noel Rosa. Mais ainda. No final da segunda década daquele século. dos quais um dos mais significativos se encontra já no próprio título da música: o apito da fábrica. mesmo naqueles que se apresentam como portadores da “história integrada”. para os rapazes das famílias ricas. Um trabalho com a linguagem expressa das canções foge ao convencional em sala de aula. que escondiam suas pernas. sua utilização está relacionada a propostas alternativas de organização de conteúdos. as fábricas apareciam como contraponto do mundo rural. que provocou grandes reações. que fora introduzido na vida urbana burguesa. As fábricas de tecido foram um dos primeiros tipos de indústrias a se estabelecerem nas cidades brasileiras. Seu propósito é auxiliar o aluno a construir o conhecimento histórico a partir de documentos diferenciados dos costumeiramente presentes nas aulas e. o antigo footing. as mulheres abandonavam o uso das grossas meias de algodão. o automóvel. a utilização de tais registros colabora na formação dos conceitos espontâneos dos alunos e na aproximação entre eles e os conceitos científicos. o período posterior à Primeira Guerra foi marcado pela expansão industrial e. No Brasil. Símbolo de status e de abastada posição social. que fez para o carnaval de 1933 uma marchinha para a “Moreninha da praia”: Que anda sem meia Em plena avenida Varia como as ondas O teu coração A relação entre o fato de não usar meias e ser volúvel fica bastante evidente. nas grandes cidades brasileiras. Outros tipos de mudanças ocorriam na sociedade. cotidiano. desviando-se de propostas guiadas exclusivamente pela cronologia. por isso. comportamentos. Mais um elemento novo. mais que um meio de transporte. ou seja. mais do que o frio que possa sentir a personagem. entre outros) podem sugerir ao professor novos roteiros de organização dos conteúdos a serem desenvolvidos. Permite que o aluno se aproxime das pessoas 34 FTC EaD | HISTÓRIA . nos anos 1930. que disciplina o tempo do trabalho. moda. A oposição entre o urbano e o rural no século XX se expressaria por meio de diferentes elementos. mentalidade. era um instrumento de entretenimento. registros de acontecimentos a serem compreendidos pelos alunos em sua abrangência mais ampla. Com ele se fazia o corso carnavalesco e rodar pelas avenidas litorâneas em automóvel substituiu. especialmente na capital da República. a ditadora da moda. como a principal característica do mundo urbano. o operariado era predominantemente feminino. Tal metodologia de ensino auxilia os alunos a elaborarem conceitos e a dar significados a fatos históricos. liga-se a mudanças no comportamento feminino. foi também assunto do compositor João de Barro. na elaboração e re-significação de conceitos próprios da disciplina. As letras de música se constituem em evidências. produzido no exterior. Não causa estranheza. Vale lembrar que o fato.

Trata-se de um recurso didático. como intradisciplinaridade. Leitura Complementar 8 O CONCEITO DE INTERDISCIPLINARIDADE A interdisciplinaridade. embora não resgatasse ainda a unidade e a totalidade do saber. como questão gnosiológica. do construir a História. aulas expositivas. Segundo Bittencourt (2004). surgiu no final do século passado. o objetivo é fazer com que o conhecimento histórico seja ensinado de tal forma que dê ao aluno condições de participar do processo do fazer. a psicologia (da educação). sabendo o que tentaram fazer. Podem ser denominadas estratégias de ensino todas as formas de se organizar o saber didático através de meios como o trabalho em grupo. Etimologicamente. 2005). As ciências haviam-se dividido em muitas disciplinas e a interdisciplinaridade restabelecia. sabendo o que sentiram em relação à determinada situação” (Duarte. levando a conclusão de que ser historicamente ignorante é ser ignorante. etc. etc. Entre eles estão os recursos humanos em que se destaca a figura do professor. Desde então. que “vem da forma como sabemos como é que as pessoas viram as coisas. e pode ser lembrado como necessário À formação do professor de História. na educa- Estágio Supervisionado II 35 . o que se procura é a articulação entre os elementos constitutivos do fazer histórico e do fazer pedagógico. em relação à transposição didática do procedimento histórico. Assim. (DOMINGUES apud BITTENCOURT. o conceito de interdisciplinaridade vem se desenvolvendo também nas ciências da educação. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS E PRÁTICAS INTERDISCIPLINARES EM HISTÓRIA O fazer histórico e pedagógico é um desafio apresentado pelos educadores na sala de aula. pelo menos. pela necessidade de dar uma resposta à fragmentação causada por uma epistemologia de cunho positivista. A intradisciplinaridade‚ entendida. em Genebra. nas ciências da educação. como a relação interna entre a disciplina “mãe” e a disciplina “aplicada”. por Edward Claparède. elaborando a compreensão histórica. Este conceito é mais amplo que o de técnica. (BITTENCOURT. Elas aparecem com clareza em 1912 com a fundação do Instituto Jean-Jacques Rousseau. um diálogo entre elas.que viveram no passado. 2004). 2004). Esta última é instrumento ou ferramenta útil para o processo de ensino-aprendizagem. O termo interdisciplinaridade. Esse é o caminho da educação histórica da qual a sala de aula é um espaço privilegiado que pode possibilitar a desnaturalização de uma visão crítica do passado que está presente em nossas vidas. e noções correlatas foram surgindo. Recursos são os materiais de que se dispõe para a ação didática. a sociologia (da educação). a palavra método significa os meios colocados em prática para a obtenção de um resultado. mestre de Piaget. pluridisciplinaridade e transdisciplinaridade. Toda uma discussão foi travada sobre a relação entre as ciências mães e as ciências aplicadas à educação: por exemplo.

Atitude de busca. Então. O projeto de interdisciplinaridade nas ciências passou de uma fase filosófica (humanista) de definição e explicitação terminológica. a interdisciplinaridade aparece como preocupação humanista além da preocupação com as ciências. pois. Ele aprende a toda hora e não apenas na sala de aula. etc. 2º . até ela se especializou. ao mesmo tempo que. Piaget sustentava que a interdisciplinaridade seria uma forma de se chegar à transdisciplinaridade. é preciso ensinar a aprender. etapa que não ficaria na interação e reciprocidade entre as ciências. de certo modo. na década de 70.Na crença de que é o indivíduo que aprende. uma ciência da educação “complementa” outra.Na noção de tempo: o aluno não tem tempo certo para aprender. que exige uma explicação e uma compreensão pluridisciplinar. É maior que as partes.a teologia fenomenológica encontrou nesse conceito uma chave para o diálogo entre igreja e mundo. Na educação ela teve um desenvolvimento particular. a sua complexidade. no plano prático. A interdisciplinaridade é uma forma de pensar. para uma segunda fase (mais científica) de discussão do seu lugar nas ciências humanas e na educação. caindo na armadilha das ciências que ela queria evitar. buscando dar às ciências uma “cara humana”. parece que todas as correntes de pensamento se ocuparam com a questão da interdisciplinaridade: 1º . rompendo com as fronteiras das disciplinas.o marxismo que buscava uma via diferente para a restauração da unidade entre todo e parte. uma relação direta e pessoal com a aquisição do saber.ção. O todo é formado pelas partes. busca-se fundar a interdisciplinaridade na ética e na antropologia. Após a 2ª Guerra Mundial. A interdisciplinaridade se desenvolveu em diversos campos e. Não existe data marcada para aprender. ao indivíduo e não a um coletivo amorfo. isto é. 36 FTC EaD | HISTÓRIA . ao tratar do mesmo objeto de ciência. integrar conteúdos não seria suficiente. entre eles: 1o . 3º . surgem projetos que reivindicam uma visão interdisciplinar. É a natureza do próprio fato/ato educativo.A criança.o existencialismo. Diga-se o mesmo quanto à pluridisciplinaridade. mas alcançaria um estágio onde não haveria mais fronteiras entre as disciplinas. o conhecimento é uma totalidade. 3º . envolvimento. já não oferece problema. Para isso. Portanto. no plano teórico.o neo-positivismo que buscava no interior do positivismo a solução para o problema da unidade das ciências. o jovem e o adulto aprendem quando têm um projeto de vida e o conteúdo do ensino é significativo para eles no interior desse projeto. contraditoriamente. na década de 80. reciprocidade diante do conhecimento. Desde então. Seria preciso uma atitude e postura interdisciplinar. Nos projetos educacionais a interdisciplinaridade se baseia em alguns princípios. Atualmente. 4º . 4º . 2º . a estudar. A interdisciplinaridade visa a garantir a construção de um conhecimento globalizante. Aprendemos quando nos envolvemos com emoção e razão no processo de reprodução e criação do conhecimento. mas não é apenas a soma das partes.Embora apreendido individualmente. compromisso.

Nessa teoria o papel do sujeito é primordial na construção do conhecimento. 2º . o construtivismo tem tudo a ver com a interdisciplinaridade. O construtivismo é uma teoria da aprendizagem que entende o conhecimento como fruto da interação entre o sujeito e o meio. Um projeto interdisciplinar de educação deverá ser marcado por uma visão geral da educação. a base do seu projeto de vida e de aquisição do conhecimento e de atitudes novas. que se insere nas experiências cotidianas do aluno. coexiste no Brasil uma diversidade de formas de ensinar e aprender História.A biografia do aluno é. dos problemas. do professor e do povo e que. nosso mestre Piaget.superar a dicotomia entre ensino e pesquisa.htm A PRÁTICA PEDAGÓGICA NA FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE HISTÓRIA Do movimento historiográfico e educacional. dos objetos. É o sujeito que aprende através de suas próprias ações sobre os objetos do mundo. 3º . O seu objetivo tornou-se a experimentação da vivência de uma realidade global. na prática. tornou-se. como forma cooperativa de trabalho para substituir procedimentos individualistas.inclusao. Portanto. portanto. na educação. Na teoria do conhecimento de Piaget o sujeito não é alguém que espera que o conhecimento seja transmitido a ele por um ato de benevolência. Nesse sentido a interdisciplinaridade serve-se mais do construtivismo do que serve a ele. é possível apreender uma nova dimensão do ensino da História. A interdisciplinaridade deve ser entendida como conceito correlato ao de autonomia intelectual e moral.passar de uma concepção fragmentária para uma concepção unitária do conhecimento. A ação pedagógica através da interdisciplinaridade aponta para a construção de uma escola participativa e decisiva na formação do sujeito social. Articular saber. isto é. em Genebra. É interessante observar que num contexto de globalização e homogeneização Estágio Supervisionado II 37 . considerando o estudo e a pesquisa. a partir da contribuição das diversas ciências. Houve uma ampliação dos métodos de estudo. 4º . É ele. o objetivo da interdisciplinaridade que se traduz. na teoria positivista era compartimentada e fragmentada.br/projeto_textos_48.ensino-aprendizagem centrado numa visão de que aprendemos ao longo de toda a vida. como costumava nos dizer.com. por um trabalho coletivo e solidário na organização da escola. meio-ambiente etc. num sentido progressista e libertador. O conceito chegou ao final desse século com a mesma conotação positiva do início do século. enquanto sujeito autônomo. Segundo Fonseca (2003). vivência. como forma (método) de buscar. um conhecimento integral e totalizante do mundo frente à fragmentação do saber e. nos últimos anos. Texto disponível em: http://www. dos temas.integração de conteúdos. nas ciências. hoje. A relação entre autonomia intelectual e interdisciplinaridade é imediata. das fontes históricas utilizadas em sala de aula. A metodologia do trabalho interdisciplinar implica em: 1º . escola comunidade. conhecimento. que constrói suas próprias categorias de pensamento ao mesmo tempo que organiza seu mundo.

pela Lei n. democratiza o acesso ao saber. Quando os discursos não se encontram: imaginário do professor de História e a Reforma Curricular dos anos 80. ao diversificar as fontes e dinamizar as práticas de ensino. construídos e difundidos pela instância universitária. 9. perspectiva que lastreia o que foi estabelecido. A formação em nível superior constitui. É suficiente lembrar alguns aspectos oriundos da produção acadêmica e do debate social que foram incorporados à Constituição Federal de 1988.Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. na década de 1980. nos textos curriculares das escolas. Com o aprofundamento desse debate alimentado pela produção acadêmica e pela luta em favor da democracia. como o resgate do concurso público. em 1996. nos temas transversais. valores. O professor. aos quais deverá expor-se durante processo regulado de formação ou de capacitação e cuja crítica e superação necessita acompanhar e aprofundar. ganha destaque o professorado da educação básica que. ideológicas e metodológicas no ensino da História. alguns aspectos relativos ao processo de profissionalização. os valores culturais e políticos são transmitidos e reconstruídos na escola por sujeitos históricos que trazem consigo um conjunto de crenças. Leitura Complementar 9 PROFISSIONALIZAÇÃO DOCENTE E POLÍTICAS PÚBLICAS NO BRASIL Silke Weber Um tema recorrente do debate social brasileiro no século que findou é. passou a ser reconhecido como um dos principais agentes de mudança. possibilita o confronto e o debate de diferentes visões. Essas concepções inspiram-se nas pesquisas historiográficas no campo da nova História. serão apresentados dados e informações a respeito do que aqui está sendo indicado como processo de profissionalização docente. ainda que de modo rápido. Ao longo desse processo. como um profissional que domina e organiza conhecimentos sistematizados. a garantia de padrão de qualidade como princípio da educação e a visão do docente como profissional do ensino. políticas. porém. 2003). significados. seja da democratização da própria sociedade brasileira.curricular consolidou-se uma pluralidade de concepções teóricas. o docente dos anos iniciais do ensino fundamental passa a ser percebido. Os saberes históricos. Acreditamos que o professor de História não opera no vazio. também. com ênfase na dimensão formativa. (FONSECA. assim. Em seguida. estimula a incorporação e o estudo da complexidade da cultura e da experiência histórica. 38 FTC EaD | HISTÓRIA . importa situar. também. seus problemas e perspectivas. como também na prática cotidiana dos professores nos vários níveis de ensino. o da educação. seja da qualidade do ensino. Esse processo de reconhecimento se foi corporificando em políticas educacionais e em legislação e. Dimensões e pressupostos das novas produções são recorrentes não só nos PCNs para o ensino de História. atitudes e comportamentos adquiridos nos vários espaços. certamente. um dos aspectos importantes do processo de profissionalização docente da educação básica. cujos traços serão objeto do presente trabalho.394 . Antes. informou a luta das entidades representativas dos docentes.

php?script=sci_arttext&pid=S0102-01881998000200004&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Atividade Complementar 1. ou mesmo na imprensa.A armadilha que persegue os pesquisadores que procuram analisar o imaginário do professorado no período em questão é a de tentar buscar as referências ao ensino de História nos debates ocorridos nas universidades.) A heterogeneidade fez-se presente quando os professores falam do espaço da sala de aula..) A liberdade de cátedra é importante no sentido de você poder estar veiculando diferentes ideologias para se criar um espírito crítico. entidades profissionais. Diferencie os papéis da escola quanto instituição social. Foi a partir deles que os professores discutiram e expuseram.... Na sua opinião.br/scielo. no que diz respeito ao docentes de 1º e 2º graus. Contudo. como é possível desenvolver um projeto interdisciplinar na escola? 3.) o professor tem toda liberdade dentro da sala de aula.) para a liberdade de cátedra. Enquanto alguns sugerem controle sobre o seu trabalho. em especial. (. a intimidade de seu desgaste cotidiano.scielo. certezas e angústias. ao pensarem em desenvolver possibilidades de mudanças. a “liberdade de cátedra”: Na sala de aula o professor age conforme a sua consciência. (. Como a literatura pode ser utilizada em uma aula de História? Estágio Supervisionado II 39 . (.. deve haver uma liberdade pedagógica com um programa oficial sem que haja interferências de posições pessoais. Disponível na íntegra: http://www. com mais clareza e espontaneidade. ferrenhamente. não foram nessas instâncias que os professores expressaram suas dúvidas... outros defendem. assim como a defasagem e inadequação de sua formação.. mas nos mecanismos de consulta inaugurados pela Secretaria de Educação nos anos 80. 2. (.

é necessário revolver a terra. espalhar as sementes sobre as superfícies sem a esperança de que algum dia criem raízes. 5. os estágios objetivam inserir os alunos em diferentes campos educacionais em que podem trabalhar os historiadores. social e cultural o que supõe pleno domínio da natureza do conhecimento histórico pedagógico e das práticas essencial de sua produção e difusão para assim. nas motivações. tendo como eixo a pesquisa da prática. no máximo. nos medos daqueles que aprendem. Segundo Pimenta (2004). O graduando em História deve estar capacitado ao exercício do trabalho de Professor/Pesquisador nas suas dimensões econômica. Por isso. cresçam e dêem frutos”. Aquele que semeia sem revolver a terra consegue. em assessorias entidades públicas e privadas. penetrar nos saberes.4. suprir demandas sociais relativas ao seu campo de conhecimento. na preservação do patrimônio histórico e cultural. atuando no magistério no Ensino Médio. nos afetos. Como o fazer histórico pode ser desenvolvido dentro da sala de aula? CIÊNCIA –TECNOLOGIA . nas dúvidas.SOCIEDADE: O ESTÁGIO E A FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE HISTÓRIA NO ENSINO MÉDIO PLANO E PROJETOS DE ESTÁGIO PLANEJAMENTO DE ESTÁGIO Para que o ensino seja revertido em aprendizagem. que integram o currículo de graduação respectivo e que contribuem na formação acadêmica e profissional do estudante.(TORRES. espaço de formação docente. 2001) O estágio curricular caracteriza-se como um conjunto de atividades realizadas sob responsabilidade direta da coordenação de estágio do Curso de História. Redimensione o ensino de História na atualidade. política. nos talentos. considerando os avanços e perspectivas. ao mesmo tempo em que se confere 40 FTC EaD | HISTÓRIA . o estágio é o campo do conhecimento. Ao associar os conhecimentos teóricos e práticos e estimular uma experimentação das atividades efetivas da profissão.

realidade dos alunos e da sociedade. ONGS. citando estudos e pesquisas sobre áreas e sobre o tema trabalhado. A idéia de que o planejamento venha acontecer a partir do coletivo abre possibilidades de viabilização do projeto pedagógico do curso e marca a presença do estágio como parte fundamental nessa formação. inclusos museus. Pimenta (2004) analisa que os esquemas tradicionais de realização de estágios sob a forma de observação. jornais e revistas. pois a concepção que a sustenta é a de que o ensino é uma atividade técnica que. Estágio Supervisionado II 41 . •Transita pelos conhecimentos elaborados. revistas e autores. as previsões. os estágios são compreendidos como um projeto integrado. Segundo Zabala (1999). •A aula apresenta uma seqüência lógica. considerando as condições objetivas que a realidade oferece e os avanços que podem ser realizados a partir dela. Atenção! Os alunos percebem que o professor planeja uma aula quando: •Apresenta e segue um plano/roteiro ou conteúdo explícito da aula apresentam uma seqüência lógica. ainda. transcorre naturalmente ilustrada com interlocuções entre teoria e prática. também se valorizam os estágios em espaços alternativos da reflexão sobre o ensino. Planejamento de Estágio: Dialogando com o Professor O planejamento do estágio se efetiva em reuniões organizadas em cada início de semestre do curso e no decorrer do semestre letivo. revelam seu esgotamento em decorrência da verificação de que essa modalidade não resulta em melhoria dos resultados do ensino. •Demonstra domínio de conteúdo. já que acontece na aula.peso maior à realização de estágios em ambientes de ensino. galerias. cursos voltados à comunidade etc. atualidades. no qual a investigação científica poderá estar aliada a uma atuação visando o desenvolvimento da comunidade. a própria intervenção pedagógica nunca pode ser entendida sem uma análise que leve em conta as intenções. o debate sobre os caminhos que viabilizam os objetivos do curso e o perfil do profissional que se pretende formar. •Realiza atividades programadas por meio de esquemas metodológicos. tendo por pressuposto que a aprendizagem do professor se dá pela reprodução das práticas observadas e experimentadas. •Faz comentários bibliográficos utilizando indicações de livros. o planejamento se relaciona a atuação docente. •Flexibiliza a aula. participação e regência. •Planeja e repensa a aula. notícias e pesquisas. • Cuida da avaliação e do replanejamento. Ao mesmo tempo. pode ser aplicada em qualquer situação. as expectativas e a avaliação dos resultados. uma vez aprendida. •Utiliza algum material didático que se adapte às condições da sala de aula. Possibilita. editoras.

emoção e ação. social e humana! E é. A idéia de projeto está ligada a dois componentes essenciais: • A questão educativa. alguns princípios devem nortear os projetos de estágio: • A docência é a base da identidade dos cursos de formação. a realização de estágios sob a forma de projetos de pesquisa. voltada à inclusão social e em constante diálogo entre os participantes. transformadora e criativa. PLANEJANDO O ESTÁGIO EM FORMA DE PROJETOS O estágio tem como finalidade colaborar com o processo de formação de educadores. conseqüentemente.. sistematizada. têm a capacidade de transformar a realidade é que o projeto pode deixar de ser um instrumento burocrático para ser um instrumento de ensino e de aprendizagem como do aluno como do professor. • O estágio é o momento de integração entre teoria e prática. ao compreender e analisar os espaços de sua atuação. garantir subsídios aos alunos para a realização principalmente de observação. para Pimenta (2004). nesse sentido. mesmo quando finge passar por não-ideológico.A compreensão do ensino como atividade complexa e do professor como produtor de conhecimentos sobre o ensinar a partir da reflexão e da pesquisa sobre a prática. o compromisso de realizar projetos significativos para uma escola de melhor qualidade. participativa. juntas. analisar/discutir os dados trazidos pelos alunos com o conjunto da classe. • O trabalho em conjunto. Somente acreditando que as pessoas. possibilitando a compreensão do estágio e. 42 FTC EaD | HISTÓRIA .. científica e. o que é essencial. para que estes. Nesse sentido. É uma metodologia de trabalho que possibilita ressignificar a ação de todos os envolvidos. O projeto é uma maneira de superar o contexto existente. Vasconcellos (1995) define projeto como um instrumento teórico-metodológico que visa ajudar a enfrentar os desafios do cotidiano (. Essa ressignificação expressa que todo projeto é uma tomada de decisão diante da realidade natural. de interação e de intervenção mostra-se como um caminho teórico-metodológico que melhor possibilita a concretização dos fundamentos e objetivos do curso: proceder à mediação entre o processo formativo e a realidade no campo social. organiza. supõe. Desta forma. pois.) só que de uma forma refletida. À medida que as pessoas se sentem coautoras e não apenas executoras. criando o novo pela razão. Todo projeto traz embutida uma concepção de ser humano e uma concepção de sociedade. sempre um processo avaliativo em relação ao existente. possam proceder a uma inserção profissional crítica. Segundo Barreiro (2006). Realizar os estágios nessa perspectiva. consciente. atrelar/analisar a prática observada à luz de referências teóricas é uma preocupação e um grande objetivo dos orientadores/professores e a finalidade do estágio para o aluno. novas propostas e modalidades de ensino começam a se desenvolver. estão assumindo melhor o projeto e suas conseqüências.

• O estágio é o ponto de convergência e equilíbrio entre o aluno e o professor. administrar conflitos. (in)disciplina. mas uma mão dupla para a formação dos estagiários e para a criação de possibilidades de melhoria das escolas. • Social. órgãos de governo e de poder político social e outros. órgãos de gestão. Dimensões do Projeto de Estágio Segundo Pimenta (2004). cidade. saúde. Ter prazer no esforço comum. Compreender o outro. aponta como principal conseqüência da sociedade do conhecimento a necessidade de uma aprendizagem ao longo de toda a vida (Lifelong Learning) fundada em quatro pilares que são ao mesmo tempo pilares do conhecimento e da formação continuada. como exemplo desta tendência. pode-se citar a inclusão de temas/eixos transversais (ética.• O estágio não se resume à aplicação imediata. violência e outros. plano. na leitura acima. estratégias. • Profissional. Essa é a tendência. envolvendo formação contínua. Cortez. e sim um lugar por excelência para que o futuro professor faça a reflexão sobre sua formação e sobre sua ação. participar em projetos comuns. Aprender a viver juntos . J. práticas pedagógicas. biblioteca. Estágio Supervisionado II 43 . coordenador do “Relatório para a Unesco da Comissão Internacional Sobre Educação para o Século XXI”. avaliação. reforço escolar. princípios e normas apreendidas na teoria. formação em serviço. os projetos de estágio poderão abranger as dimensões: • Pedagógica. considerado não um simples cumprimento de horas formais exigidas pela legislação. cidadania. da não-violência. Participar de projetos de cooperação. que a tendência da educação brasileira é de se estruturar em projetos. Não é apenas uma técnica. cidadania. DELORS. envolvendo currículo. conduta dos alunos. postura do professor e outros. recursos em geral. disciplinas específicas. possa aprofundar conhecimentos e compreender o seu verdadeiro papel e o papel da escola na sociedade. envolvendo comunidade. Descobrir o outro. envolvendo questões administrativas e financeiras. São Paulo. no livro Educação: um tesouro a descobrir. Esses pilares podem ser tomados também como bússola para nos orientar rumo ao futuro da educação. rituais. Observa-se. que exigem equipes interdisciplinares e trabalho em projetos comuns. • Organizacional. composição das turmas.a viver com os outros. Educação: um tesouro a descobrir. No Brasil. recreação e outros. condições de exercício profissional. horário. deve-se atribuir valor e significado ao estágio supervisionado. projeto político-pedagógico. merenda. Saiba Mais! Jacques Delors (1998). e dessa forma. diversidade cultural) nos Parâmetros Curriculares Nacionais. Sendo assim. relações com os órgão e sistemas de ensino. ecologia. desenvolver a percepção da interdependência. programa. 1998. arte e recreação. alunos. metodologias de ensino e aprendizagem. mecânica e instrumental de técnicas. sala de aula. saúde.

Neste sentido. A compreensão do diagnóstico como processo dinâmico. um projeto de trabalho que responda às seguintes questões: O que será pesquisado? Por que pesquisar? Para que pesquisar? Como pesquisar? Que resultados esperar? A pesquisa como um instrumento pedagógico destinado a melhorar a qualidade da aprendizagem de certo conteúdo escolar. passando pelo desenvolvimento e execução dos trabalhos. b) Gestão democrática da educação. Para tanto. com análise dos dados. O projeto de estágio justifica-se e fundamenta-se em alguns princípios norteadores que embasam o Projeto Pedagógico para a formação de profissionais da educação para a docência. uma vez que possibilita a descoberta de espaços de intervenção significativa para sua formação e para as escolas. a saber: a) Valorização do perfil. tanto no ensino médio como no fundamental. possa ser ilustrada como uma proposta de diagnóstico realiza em escolas a partir de orientações emanadas de propostas de formação de professores. • Conselhos de classe. das necessidades. nas aulas e outros acontecimentos.O aprender investigativo é desde o papel do professor e a organização do currículo até os fundamentos teóricos. ou seja. que supera certo formalismo que o termo possa sugerir. • Seminários. 44 FTC EaD | HISTÓRIA . mas não é só dizer façam a pesquisa — é preciso orientar os alunos para que a concretização da pesquisa se viabilize. expectativas e saberes do educando. c) Desenvolvimento do espírito crítico e da postura investigativa para a intervenção e a transformação da realidade. o professor-estagiário precisa continuamente planejar e replanejar os objetivos e metodologias de ensino. até a finalização. visando ao aprimoramento das práticas de organização e gestão escolar: • Reunião de professores. desde o primeiro momento. Dessa forma. O diagnóstico da escola poderá servir para que o estagiário conheça um pouco da estrutura e funcionamento da unidade escolar. há procedimentos e técnicas úteis para a operacionalização do trabalho educativo. A realização do estágio em forma de projetos desenvolve uma atitude de autonomia e de criatividade dos estagiários. A construção de conhecimentos em sala de aula. o diagnóstico da escola se torna a base importante para o desenvolvimento do estágio. deduções e destaque dos conhecimentos adquiridos. • Entrevistas. O Diagnóstico e a Construção do Projeto No período do estágio. com a escolha do tema. d) Articulação entre teoria e prática no trabalho pedagógico e no oficio do professor. a entrada dos alunos. requer um planejamento. • Modelo clínico de formação continuada. segundo o autor. o comportamento dos mesmos no pátio. o processo da pesquisa. • Etapas para a elaboração dos projetos. a fim de atingir concretamente a realidade.

Profissionais dotados de maior autonomia para tomar decisões. que tem por objetivo resolver um problema. Projeto é desenho para orientar construção: “Já aprovei e pedi ao arquiteto que detalhasse o projeto”. mas se o projeto está se tornando realidade. Em uma equipe que trabalha com vistas a realizar um projeto. Nas escolas. Projeto é esboço ou proposta: “Todos têm o direito de apresentar um projeto de lei ao Congresso”. Entendendo a idéia de projeto. criada para realizar uma atividade finita: “Aquele pessoal é a equipe do projeto do novo motor” Todas as definições são corretas e abrangem significados do termo projeto. f) Fomento à capacidade criativa para elaborar projetos exeqüíveis de intervenção para uma dada realidade educacional.e) Habilidade e competência para o trabalho em equipe. Leitura Complementar 10 O QUE É PEDAGOGIA DE PROJETOS? O QUE SÃO PROJETOS? São inúmeras as atividades humanas nas quais. menos poluente ”Projeto é um tipo de organização temporária. Projeto é empreendimento com investimento: “A Prefeitura vai construir novo projeto habitacional”. A palavra projeto tem sido muito utilizada em várias áreas de atuação profissional. atualmente.. pretensão. filosofia. g) Conscientização da importância e do papel da educação na sociedade. • planejamento (formulação de propostas ou projetos de intervenção). A questão não é quem manda em quem. Projeto é atividade organizada. falar em projeto pedagógico já se tornou moda há algum tempo. Estágio Supervisionado II 45 . a idéia de projetos está colocada como uma nova forma de organizar e realizar as atividades profissionais. do que os níveis hierárquicos. Projeto é idéia ou concepção de produto ou serviço: “Estes dois carros são projetos muito semelhantes”. Por isso. que definem projeto do ponto de vista do gerenciamento e administração. sonho: “Meu projeto é comprar uma casa”. Projeto é atividade organizada com o objetivo de resolver um problema: “Precisamos iniciar o projeto de desenvolvimento de um novo motor. afinal. são mais importantes a solidariedade e o cuidado com a contribuição de cada um para o todo.. desenvolvimento de vínculos de solidariedade e aprendizado constante são algumas das características incentivadas pela realização de projetos de trabalho. Projeto é doutrina. o que é um projeto? Qual das afirmações a seguir você acha mais correta? Projeto é intenção. interessam os dois últimos. coleta e análise de dados). diretriz: “Meu projeto de país é muito diferente”. as atividades de estágio estarão estruturadas em três grandes momentos didáticos: • pesquisa (observação. valorização do trabalho em grupo. Mas. Neste texto.

fogem da rotina. Condições para o êxito A experiência mostra que as seguintes condições afetam positivamente a probabilidade de sucesso do projeto: 46 FTC EaD | HISTÓRIA . Execução confusa: As condições de execução tornam-se confusas nas situações a seguir: 1.São “irregulares”. Podem ocorrer falhas na execução. que depende de critérios. Muitas vezes. um detalhe põe tudo a perder. um problema.Em geral. 2. Já os projetos têm as seguintes características: . assegura o êxito de um projeto. os profissionais envolvidos percebem problemas que atrapalham o bom desenvolvimento das ações. por mais sofisticada que seja.São finitos: têm começo e término programados. colaborar de maneira decisiva para o trabalho em geral. 4. 5. o projeto termina. A atividade avança muito sem que pelo menos as intenções básicas do projeto estejam bem definidas. Autoridade e responsabilidade estão indefinidas. O resultado a ser alcançado é incompatível com o problema.Uma importante distinção: projetos são diferentes de atividades funcionais. cuja solução é o critério para definir seu grau de sucesso. Isso pode ocorrer mesmo quando o problema e o objetivo são coerentes. Atividades não são coerentes com o objetivo. Atividades funcionais são regulares (repetem-se sempre do mesmo modo. não se chega a lugar nenhum. Não se sabe direito quem tem poderes e atribuições para quê. simplesmente porque todo mundo achou que era importante demais e que outra pessoa iria cuidar daquilo. . . são realizados em função de uma necessidade específica. com pequenas variações) e são também “intermináveis”. ou seja. 3. Falhas na execução: Projetos podem ser muito bem planejados e organizados. Esse é um exemplo de situação em que a criação e implementação de um projeto podem ajudar a resolver um determinado problema e. Não há políticas nem procedimentos para resolver problemas e conflitos. Os recursos podem ter sido subestimados ou superestimados. Optar pela criação e implementação de um projeto. mas não coerente com o problema. em conseqüência. é uma decisão gerencial. Há problemas que devem ser evitados: Objetivo confuso: Projeto com objetivo confuso tem alta probabilidade de fracasso. O objetivo confuso pode ter várias origens: 1. Problemas comuns na implementação de projetos Nenhuma abordagem. . mas isso ainda não é garantia de sucesso. Houve pressa em iniciar. ou seja. para resolver determinado problema que se tem pela frente. No transcorrer do trabalho cotidiano. não têm perspectiva de serem finalizadas. As regras de decisão são imprecisas. Objetivo claro. sem clareza do problema. O problema não foi estudado e entendido corretamente. A previsão de recursos é incoerente com as atividades.Objetivo definido em função de um problema. Coordenador e equipe não entendem o problema e fazem suposições incorretas sobre o resultado a ser alcançado. 2. Não se sabendo onde se deve chegar. Uma das mais comuns é a seguinte: um detalhe vital não funciona e põe tudo a perder. Solucionado o problema. 3.

projetospedagogicosdinamicos. são definidos a partir do problema a ser resolvido e da clareza com que se define a solução do problema. descritas nos objetivos do projeto ou em suas metas. Sempre que possível. presente no livro Gestão da Escola. Por exemplo: reforma. Uma vez decidida a realização de um projeto. deve-se discutir exaustivamente como o problema pode ser resolvido e as características do resultado final.Definição do problema: Projetos bem sucedidos. Folha de Rosto c. Planos de Aulas i. Existem projetos que necessitam de recursos financeiros para sua implementação. Quanto mais tarde se deixa para realizar essas discussões e definições. Nesses casos. Referencial Teórico h. o problema que temos de resolver”. A existência de um coordenador é também uma providência necessária para que um projeto seja bem implementado e atinja a meta definida. considerando-se quanto se vai gastar e de onde sairá o dinheiro. Capa b. caso eles realmente aconteçam. A definição da função de coordenador e sua importância para um projeto encontram-se no item a seguir.htm Modelo Projeto de Estágio O projeto de estágio consiste numa previsão e sistematização das atividades a serem desenvolvidas durante o estágio. do Programa de Melhoria do Desempenho da Rede Municipal de Ensino de São Paulo Disponível na íntegra: http://www. Projetos bem sucedidos criam na equipe uma sensação de propriedade: “Este é o nosso projeto. aprimorando a formação do profissional da Estágio Supervisionado II 47 .kit. Final do trecho adaptado do texto Gestão de projetos. Justificativa f. de forma geral. maior é a probabilidade de que venha a ter sucesso. a partir do qual. Outro fator que contribui com o sucesso de um projeto é procurar prever problemas que possam surgir em sua implantação e. A probabilidade de o projeto ter sucesso aumenta se durante a sua implementação houver um cronograma de providências e resultados bem elaborado. Objetivo Geral e Objetivos Específicos do Estágio e. os participantes possam controlar o bom andamento dos trabalhos em direção aos resultados previstos. Cronograma de Atividades a serem desenvolvidas no Estágio j. no entanto. a equipe tem grande liberdade para executá-los. Envolvimento da equipe: Quanto mais o projeto representa um desafio para a equipe envolvida. Introdução d. O mais importante é definir com clareza os objetivos do projeto. o próprio título do projeto deve indicar as características do resultado final. preparar-se para resolvê-los. com a antecedência necessária.net/index_arquivos/Page325. instalação e colocação em funcionamento da cantina escolar. mais difícil se torna a implementação do projeto. Planejamento: Projetos bem sucedidos são muito bem planejados. Metodologia g. O estagiário deverá apresentar um projeto de estágio com a seguinte estrutura: a. Referências Um projeto de estágio deve ter como objetivo principal articular o curso de licenciatura com a educação básica da rede pública e privada. é preciso haver um bom planejamento dos custos do projeto. Uma vez estabelecidos os planos.

a avaliação dos projetos deverá envolver todos os segmentos que dele participam: os orientadores de estágio. execução e avaliação das experiências vivenciadas e a participação dos alunos em todas as atividades realizadas. as experiências e opiniões contribuem para elaboração de novos conhecimentos e permitem mudanças no processo como um todo. Como resultante de um processo coletivo. participam e/ou foram atingidos pelas ações do projeto. de uma forma ou de outra. e considerando o percurso de planejamento. com ênfase nos aspectos qualitativos sobre os quantitativos. mas ao contrário. a avaliação dos projetos de estágio vincula-se ao projeto políticopedagógico do curso. emitindo pareceres e opiniões sobre as ações desenvolvidas e por meio da socialização dos relatórios elaborados pelos estagiários. Essa visão global favorece preparar o futuro professor para compreender de forma mais profunda a prática docente e refletir sobre as possibilidades de transformação. AVALIANDO PROJETOS DE ESTÁGIO Segundo Pimenta (2004). A finalidade da avaliação dos projetos está na possibilidade de uma análise crítica do processo. Sendo assim. Os estabelecimentos de ensino que recém os alunos estagiários são envolvidos nesse processo de avaliação. dá-se pela interação entre as várias áreas de conhecimento. No que se refere aos estagiários. importa verificar até que ponto o estágio e o projeto possibilitou o avanço no sentido da construção de sua identidade e profissionalização docente. tendo em vista o desenvolvimento de todos os envolvidos. O projeto é o elemento mobilizador. A avaliação do projeto de estágio deve acontecer de forma processual. 48 FTC EaD | HISTÓRIA . de modo a garantir uma ação mais comprometida e instrumentalizada com o processo educativo. o projeto desenvolve uma atitude de cooperação dos estagiários com o professor orientador e destes com os profissionais das escolas. enquanto desenvolvem suas atividades propostas. Um projeto de estágio adquire contornos distintos porque pressupõe que a aquisição dos saberes pedagógicos científicos e didáticos não ocorre de forma estanque. Compreender os vínculos de integração entre as práticas de ensino e os demais componentes curriculares dos cursos de licenciatura é de fundamental importância para que se possa assimilar o processo de ensino em sua dimensão humana. formando uma verdadeira comunidade de formação. No processo de socialização das vivências dos estagiários. Concluindo.educação. é ele que harmoniza o conjunto de ações dos indivíduos com as necessidades do coletivo em uma comunidade escolar. para Pimenta (2004). os estagiários. em que as propostas efetivadas podem ser redimensionadas. a avaliação é concebida como processo contínuo e coletivo. mas sempre considerando-se os resultados alcançados. para colaborar no processo de melhoria das condições de escolarização de seus futuros alunos. técnica e sócio-política. os profissionais da escola e os alunos que. É um processo de pesquisa/ação do aprender a aprender. ao projeto geral dos estágios e ao projeto das escolas nas quais se realizam. reelaboradas e reaplicadas.

encontros individuais e situações de estágio em que ocorra a construção dos projetos. • Fichas de avaliação do desempenho docente • Elaboração de relatório final nas diversas etapas do estágio. • Realização de seminário de estágio. Este mecanismo avaliativo constitui-se em fonte de aprendizagem para as ações futuras dos estagiários/professores. O estagiário poderá ter. • Elaboração e execução do Projeto de estágio • Auto-avaliação. mesmo não tendo acompanhado o trabalho.Nesse processo estão. • Planejamento e organização do trabalho proposto. pois mostram um movimento reflexivo do processo ensino-aprendizagem e também da experiência vivenciada e da prática docente do estagiário. visto que é um instrumento de registro de reflexões daquilo que se mostra essencial para a compreensão e execução do projeto de estágio. serão levados em consideração no processo avaliativo: • Presença efetiva nas aulas. As considerações finais. a sua ação e intervenção. mediando sua formação acadêmica. e. possa compreendê-lo de modo proveitoso. o estagiário deve elaborar sínteses decorrentes da experiência prático-teórica para vislumbrar como um futuro profissional. a avaliação e redimensionamentos. elaboradas por um estagiário no seu relatório são elucidativas. A exemplo das observações realizadas na sala de aula. enquanto estagiários. Como instrumento de sistematização das atividades propostas e desenvolvidas. Para realizar o relatório. Sua finalidade ultrapassa as cobranças burocráticas e a necessidade de se comprovar a realização de um trabalho. Dessa maneira. Dessa forma todas as atividades constantes do estágio transformar-se-ão em subsídios consistentes para avaliação. É imprescindível para este momento reflexivo de finalização que os estagiários pensem em como fariam novamente as atividades que desenvolveram a partir dessa experiência. o relatório comporta análise e avaliações para se verificar se o projeto de estágio atingiu os objetivos propostos. desenvolvimento do estágio. estabelecendo vínculo entre escola e faculdade. evidentemente. relacionados aos objetivos do estágio. sem perder de vista que é fundamental a reflexão de sua vivência. RELATÓRIO FINAL O relatório de estágio representa a sistematização. Estágio Supervisionado II 49 . o relatório precisa ser claro para que outras pessoas. como referenciais para suas análises. • Relatórios reflexivos (discussões coletivas sobre a experiência vivenciada no cotidiano escolar). ao projeto a ser desenvolvido pelo estagiário. a contribuição dos conhecimentos das disciplinas específicas e os subsídios práticos. Consideramos o relatório de estágio um processo de elaboração que perpassa todo o estágio construído a cada momento. analisar os eventuais desacertos e como foram revistos. portanto.

O Relatório Final do estágio é relativo às atividades desenvolvidas dentro da escola do estágio. Tomar como base as indicações do item: “DETALHAMENTO DAS ATIVIDADES”Ações Desenvolvidas na Escola – desde os três aspectos em destaque no início desse item (A. o que esperava do estágio. • Planos de Aula. do total da carga horária efetivada. do relatório devem constar: 50 • Caracterização da Escola Parceira. a ser encaminhada a unidade escolar. o aluno deverá apresentar o relatório de estágio. O relatório deve contemplar os três momentos didáticos: estudo e pesquisa.B. Ele deve explicitar as condições de realização do estágio. convívio dentro e fora da classe e outros. incluir ilustrações. Apontar se havia vínculo anterior ao estágio (ex. elaboração de propostas e projetos de intervenção. O relatório deve conter os seguintes itens: a) Introdução Situação geral em que ocorreu o estágio: indicação da escola e sua localização. operacionalização dessas propostas.No final do estágio. Leitura Complementar 11 RELATÓRIO DE ESTÁGIO EM DOCÊNCIA Um Relatório de Estágio deve ser entregue para o professor de estágio ao final de cada período letivo considerado para o estágio supervisionado. FTC EaD | HISTÓRIA . O relatório final deverá ser apresentado conforme as Normas para Apresentação de Trabalhos e Relatórios da ABNT — Associação Brasileira de Normas Técnicas. Devem se feitos de forma destacada .: o estagiário é ex aluno?)Se possível. se. é pública ou particular.C) até as atividades desenvolvidas pelo estagiário. durante as aulas – “Regência”. o que foi interessante aprender com sua realização e o que poderia ter sido melhor desenvolvido.conforme: Apêndice 1: análise das atividades desenvolvidas na unidade escolar Apêndice 2: proposta de melhoria de aprendizado.em 2 documentos . o contexto da comunidade escolar. • Roteiro de Observação. do período em que foi realizado. • Reflexão Teórica. Para isso. as situações nos vários momentos da vida escolar: intervalo das aulas. b) Desenvolvimento do Estágio Fazer uma descrição do desenvolvimento do estágio e análise das atividades desenvolvidas Apêndices 1 e 2. apontando os aspectos mais importantes reconhecidos nos processos de ensino – aprendizagem na escola. propriamente dito. c) Conclusão O estagiário deve fazer uma avaliação geral do estágio. das classes acompanhadas e outras informações gerais sobre o estágio.

Salienta-se que o Relatório de Estágio em Docência deve ser entregue na seguinte
formatação: folha tamanho A4, espaçamento entre linhas de 1,5cm, margem superior e
esquerda ajustadas para 3,0cm e margens inferior e direita de 2,5cm. Fonte Times New
Roman, tamanho 12.
Caracterização da Escola Parceira
Refere-se à observação e registro dos dados de identificação da escola, seu histórico,
sua realidade e demanda, a divisão didático-pedagógica das turmas e classes, o quadro curricular da série, o horário de funcionamento, o espaço físico (externo e interno), os recursos
humanos e as condições materiais.
Roteiro de Observação
As observações e registros relativos à organização do Trabalho Pedagógico na escola
Parceira devem focar:
a) conteúdo da aula;

b) método e material didático utilizados pelo professor;

c) atividades desenvolvidas;

d) procedimentos de avaliação;

e) organização do espaço e do tempo.
As observações e registros relativos ao aspecto relacional em sala de aula devem focar:
a) dinâmica da aula;

b) relação professor-aluno;

c) relação aluno-aluno;

d) interferências externas na aula.

Reflexão Teórica:
A reflexão teórica é inerente ao processo de elaboração da proposta dos planos de
aula e tem por base os referenciais teóricos trabalhados na disciplina de História em articulação com as atividades práticas realizadas.
Planos de Aula:
As atividades relativas às intervenções pedagógicas e/ou regência deverão ter por referência um plano de aula previamente elaborado. Observa-se que:
•O aluno escolherá um tema junto com o professor da disciplina que o acolheu no estágio;
•Cada aluno deverá elaborar seu trabalho a partir das experiências vivenciadas no estágio;
BRASIL. Lei nº 9394/96, de 20 de dezembro de 1966. Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação nacional.
BRASIL. Lei nº 6494, de 07 de dezembro de 1977. Dispõe sobre os estágios de estudantes de estabelecimentos de ensino de nível
superior e de ensino profissionalizante do 2º Grau e Supletivo e dá outras providências.
BRASIL. Decreto nº 87.497, de 18 de agosto de 1992. Regulamenta a Lei nº 6497.
BRASIL. MINISTÉRIO DO TRABALHO. DEPARTAMENTO NACIONAL DE MÃO DE OBRA. Portaria nº 1002, de 29 de setembro de 1972. Dispõe sobre os estágios dos estudantes.
FAZENDA, Ivani (org). Práticas Interdisciplinares na Escola. São Paulo: Cortez, 1993.
GATTI, Bernadete. Formação de Professores e Carreira. Campinas (SP): Editora Autores Associados, 1998.

Estágio Supervisionado II

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Atividade Complementar
1. Qual o significado do relatório na prática de estágio supervisionado?
Justifique sua resposta.

2. Para que o ensino seja revertido em aprendizagem, é necessário revolver a terra, penetrar nos saberes, nos talentos, nas motivações, nos afetos, nas dúvidas, nos medos daqueles que
aprendem. Aquele que semeia sem revolver a terra consegue, no máximo, espalhar as sementes
sobre as superfícies sem a esperança de que algum dia criem raízes, cresçam e dêem frutos”.
(TORRES, 2001). Na práxis pedagógica, o que significa revolver a terra?

3. Qual a finalidade da construção de um projeto de estágio para o estagiário?

4. Como deve acontecer a avaliação do projeto de estágio?

5. Para a instituição escolar, e para o ambiente acadêmico, qual o reflexo da aplicação de
um projeto de estágio?

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O ESTÁGIO COMO PROPOSTA DE
FORMAÇÃO CONTÍNUA
POR QUE O ESTÁGIO PARA QUEM EXERCE O
MAGISTÉRIO?

Somos sempre aprendizes da profissão e
estagiários da vida. (Alves Franco)

“Considerar o estágio como campo de conhecimento significa atribuir-lhe um estatuto epistemológico que supere sua tradicional
redução à atividade prática instrumental (...) Campo de conhecimento que se produz na interação entre cursos de formação e o campo
social no qual se desenvolvem as práticas educativas, o estágio constituí-se numa atividade de pesquisa”. (PIMENTA, 2004)

Segundo Pimenta, o estágio sempre foi considerado como parte prática dos cursos de formação de professores, em contraposição à teoria. Contudo, recentemente, ao se colocarem no
horizonte as contribuições da epistemologia da prática e se diferenciar o conceito de ação do
conceito de prática, o estágio como pesquisa começa ganhar a solidez.
Ao contrário do que se propugnava, o estágio não é atividade prática, mas teórica instrumentalizadora da práxis docente entendida, esta atividade como atividade de transformação da
realidade. Neste sentido, o estágio curricular é a atividade teórica de conhecimento, de fundamentação, diálogo, e intervenção na realidade, esta, sim objeto da práxis (PIMENTA, 2004).
Sendo assim, podemos entender que é no contexto da sala de aula, da escola, do sistema de
ensino e da sociedade que a práxis acontece.

Por que é preciso fazer estágio supervisionado se há tanto tempo sou professor?

Esta pergunta chega em forma de apelo dos alunos que já exercem magistério, muitas vezes
indignados diante da obrigatoriedade de realizar o estágio curricular. Pimenta (2004) enfatiza outras questões de suma importância:
• Minha experiência docente não pode ser contada como estágio?
• Por que ainda sou obrigado a fazer estágio, se leciono há tanto tempo e já sei tudo sobre a escola?
• Pode o estágio considerar a experiência dos professores-alunos?
• Os conhecimentos sobre formação contínua podem ajudar nas atividades de estágio?
• Quais práticas de formação contínua podem ser consideradas como estágio?
Tais questionamentos são advindos de muitos estudantes dos cursos de licenciatura que já
são professores e trabalham dois expedientes, e mesmo alguns que já estão perto da aposentadoria. Pimenta (2004) afirma que refletir sobre esta questão que vem ficando cada vez mais freqüente nos cursos de formação de professores: o retorno dos professores experientes às salas de aula
das universidades e o exercício do magistério antes do término da licenciatura.
Estágio Supervisionado II

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Esta demanda em busca de uma formação universitária é decorrente dos cursos de licenciatura oferecidos em regime especial, nos quais professores da rede estadual e municipal vão em
busca da formação acadêmica exigida pela legislação atual.

Atenção!
O estágio supervisionado é instância privilegiada que permite a articulação entre o
estudo teórico e os saberes práticos. Apresentaremos, a seguir, atividades que o precedem
e etapas que o constituem.
Consideramos necessário que, durante o desenvolvimento de atividades práticas, seja
proporcionado aos alunos do curso de Licenciatura em História a imersão no seu contexto
profissional, por meio de atividades que focalizem os principais aspectos da gestão escolar
como a elaboração da proposta pedagógica, do regimento escolar, a gestão de recursos, a escolha dos materiais didáticos, o processo de avaliação e a organização dos ambientes de ensino.
Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino. Esses que-fazeres encontram-se um
no corpo do outro. Enquanto ensino continuo buscando, reprocurando. Ensino porque busco,
porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para constatar, constatando, intervenho,
inter-vindo educo e me educo. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar ou
anunciar a novidade. (Freire, 1996, p. 14).
Princípios norteadores da organização curricular para a Licenciatura
• Competências do futuro professor/pesquisador da educação básica;
• Coerência entre a formação oferecida e a prática esperada;
• Pesquisa como atividade nuclear do ensino e da aprendizagem;
• A relação teoria-prática na Licenciatura em Matemática;
• O estágio supervisionado na Licenciatura em Matemática;
O Estágio Supervisionado II deve ser dada ênfase a análise reflexiva da prática, por meio
de observação e regência em salas de aula de História, em classes do Ensino Médio, incluindo
atividades em que o estagiário possa analisar as formas de organização didática, identificando as
que se contrapõem às práticas didáticas fragmentadas e desarticuladas e refletindo sobre a escolha
de diferentes tipos de organização didática tais como: projetos de trabalho, seqüências didáticas
etc. Devem merecer destaque, a análise dos princípios e critérios para seleção e organização dos
conteúdos históricos, os contextos de interdisciplinaridade, as formas usadas pelo professor no
sentido de levantar e utilizar os conhecimentos prévios dos alunos, a da incorporação de alguns
aspectos como a construção do fato histórico, da identidade do sujeito históricos, a construção
da cidadania, história local, a incorporação de diferentes fontes e linguagens no ensino de História e a inserção dos recursos tecnológicos.
O Estágio Supervisionado II deve voltar-se para a preparação de ações de regência, em salas de aula de História no Ensino Médio, podendo ser realizadas atividades extras, como oficinas
oferecidas nas escolas à alunos que pertençam a esse nível de ensino. Para tanto, é importante,
que o estagiário elabore um projeto de trabalho e/ou seqüência didática referente a um dado
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FTC EaD | HISTÓRIA

identificando suas deficiências. para documentar estudos e pesquisas sobre os assuntos tematizados devem merecer especial atenção na prática de ensino. procedimentos e atitudes. visando a uma reflexão e produção escrita. suas preocupações. um espaço de aprofundamento teórico de diferentes aspectos da educação histórica que se completa com a realização do estágio que podemos considerar como uma pesquisa. portanto. dos pontos de vista históricos e da didática. procurando conjugar Parâmetros Curriculares Nacionais. Esses projetos individuais devem ser socializados para que o grupo possa identificar interesses e necessidades comuns que podem originar a organização de grupos de estudos temáticos. Na Prática de Ensino. Atenção! A Prática de Ensino do curso de Licenciatura em História constituirá. de como atender as diferenças individuais de aprendizagem são aspectos essenciais. Isso porque não é possível deixar ao futuro professor a tarefa de integrar e transpor o conhecimento sobre ensino e aprendizagem para o conhecimento na situação de ensino e aprendizagem. é importante que os alunos discutam como fazer registros sobre o que aprendem. a análise de protocolos de alunos. Estágio Supervisionado II 55 . sem ter oportunidade de participar de uma reflexão coletiva e sistemática sobre esse processo. das formas usadas pelo professor no sentido de levantar e utilizar os conhecimentos prévios dos alunos.conteúdo de História. Fundamentos teóricos para análise dos princípios e critérios para seleção e organização dos conteúdos históricos. Neste rico momento da formação do professor. Uma das atividades centrais da Prática de Ensino é a elaboração de projetos de trabalho e/ou de seqüências didáticas referente a um dado conteúdo de História. registrando suas vivências. conhecimentos teóricos e conhecimentos práticos se articulam. os sucessos que obtêm. a discussão de erros. dos pontos de vista históricos e da didática. de como estão contempladas as diferentes dimensões do conteúdo: conceitos. proporcionado ao futuro professor a possibilidade de construir competências para gerenciar sua própria formação. Outra atividade importante consiste na elaboração de um projeto individual de formação profissional. destacando sua opinião a respeito do que aprendem. destacando os problemas enfrentados. É necessário que essa disciplina não se configure como espaço isolado em que o estágio fique reduzido a algo fechado em si mesmo e desarticulado do restante do curso. O estagiário deve ser orientado na elaboração de seu relatório. partindo de uma pesquisa prévia para aprofundamento desse conteúdo. partindo de uma pesquisa prévia para aprofundamento desse conteúdo. especialmente em se tratando de pessoas com experiências de vida e no mundo do trabalho. etc. os interesses da sua formação com interesses manifestados pela instituição escolar e pelo professor da classe ou dos alunos que farão parte da oficina. A elaboração de portfólio para registro das observações em sala da aula. os resultados positivos e a avaliação de outros aspectos considerados relevantes de modo a produzir uma síntese que expresse suas reflexões sobre diferentes aspectos do desenvolvimento de um projeto pedagógico com o qual interagiu. a análise de livros didáticos e outros recursos utilizados. seus interesses e aprendendo a buscar informações necessárias.

) e o currículo real que. desigualdade social. através da interação com os alunos da disciplina de vivenciar todos os passos para a efetivação do Estágio através de minicursos. Essas novas percepções. trazem à tona “novas” formas de se trabalhar com o ensino 56 FTC EaD | HISTÓRIA desta disciplina.cidadão nacional..O Ensino de História e o Estágio Supervisionado: Um Fazer Diferente Gera o que Pensar Isaíde bandeira da silva Estamos em um mundo de transformações rápidas e desigualdades sociais que parecem estagnadas.. como o Curso de História da Universidade Estadual do Ceará é uma licenciatura (capacita profissionais principalmente para atuar no mercado de trabalho como professores de História). provocando uma “confusão mental” nos alunos e revelando o caráter alienador desta metodologia de ensino há muito praticada. o aspecto educacional e especificamente o ensino de História. sem nenhum atrativo. em uma escola pública. Foram aprovados os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs). Passemos a refletir sobre o hoje e as propostas que aparecem com o discurso do novo e a esperança da melhoria. paulificante e cansativa. no caso específico. caracterizando-a equivocadamente como componente de um setor do conhecimento que visa. os de História. Vale ressaltar que. da Universidade Estadual do Ceará (UECE). memorizei. Nestes. ao exercício da memorização. em geral. esta disciplina vem sobrevivendo. Enfocando. o Liceu do Ceará. no intuito de formar um sentimento de nação. se concretiza na escola e na sala de aula. rotulada como enfadonha. datas e fatos a “decorar”. Neste contexto. partindo de minha experiência. O Brasil experimenta momentos de exigências para enquadrar-se em um modelo “globalizado” em uma sociedade que ainda não superou problemas básicos como fome.) Tá tudo errado (. como destaca Elza Nadai. sou tomada de desagradável perturbação. Assim. Com efeito. hoje desenvolvidas por docentes e pesquisadores. primeiro como aluna. copiei. pretendo desenvolver uma análise do reflexo da práticas do Estágio Supervisionado em História. tenho contato com educandos do Ensino Médio de escolas públicas que se inscrevem para participar dos mencionados programas e. . objetivando romper o tradicionalismo fatual que permeia as salas de aula. tomando como referencial de análise as avaliações realizadas pelos educando em relação a esses cursos. como bem expõe Gabriel Pensador. em nome de uma construção crítica do saber através da reflexão e utilização de outras fontes e pontos de vistas diferenciados. ao refletir sobre uma forma de melhor compreender e suscitar nos estudantes o valor efetivo da Ciência histórica a eles transferida. mas não entendi Decoreba: esse é o método de ensino Eles me tratam como ameba e assim eu num raciocino Não aprendo as causas e conseqüências só decoro os fatos Desse jeito até história fica chato (. porém. o período do Estágio Supervisionado é fundamental para uma prática coerente. depois como monitora e hoje como professora de História. como docente da área. entraram em cena nas escolas os “heróis” a serem cultuados. nas propostas curriculares e no cotidiano dos alunos. das disciplinas Prática de Ensino I e II em História.. sem horizontes de extinção. que se dá através de minicursos [6]. efetivamente. em virtude desta prática. uma identidade comum . tirante as rotulações que a disciplina possui perante os educandos. em uma de suas músicas: Decorei.. com nomes. têm levado a reflexão profundas quanto a interação entre teoria e prática no espaço escolar e às relações estabelecidas entre o currículo formal (. pois. tenho a oportunidade. entre muitos outros agravantes de uma vida que urge ser transformada com determinação. analfabetismo... Assim.)” Pouco interesse por parte dos alunos e baixos rendimentos. na sua grande maioria.

depois transformados em projeto para execução em 20 hora/aulas. em que há uma forte interação de todos os participantes no processo. procurando diferenciar-se do “convencional” (lousa e giz!). para um ensino e um aprendizado diferentes. suas expectativas diante dos minicursos e. advém do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Prática de Ensino (GIEPE) do qual faço parte. focalizando. além de considerar a: . entre educador e educando. textos teóricos de autores diversos. Aqui são utilizadas fontes variadas (músicas. que sistematicamente já venho desenvolvendo no âmbito profissional. Assim. além de debates sobre como pensar. para um ensino de História mais atraente? Partindo destes princípios. espremido entre uma proposta de continuidade do 1º grau (. numa sondagem prévia realizada na escola onde estas vivências ocorrem. filmes..) e pressionado pela demanda de vir a ser a porta de entrada para o ensino superior. considerando o sentimento e o desejo dos educandos numa junção coerente com o currículo oculto. optei por estudar alunos do ensino médio. Assim. como o Liceu do Ceará. no plano de estabelecimentos escolares públicos de ensino médio. fazer e viver uma sala de aula diferente e “prazerosa”.. dentre outras) para se trabalhar o assunto. poesias. como devem corretamente acontecer. desejosa de conhecer melhor esta prática. suas possíveis propostas para um ensino de qualidade no cotidiano da sala de aula. onde são levantados relevantes enfoques sobre o exercício do magistério. artigos de jornais e/ou revistas. Precisamos romper com um projeto escolar excludente e neste aspecto. nos conhecimentos necessários à educação sistemática. vivenciado pelos alunos. como favorecer um pensar de um novo paradigma curricular de História. destaco o interesse em pesquisar. gravuras e fotos. através de uma metodologia. nem falsamente profundo. Objetivando discutir essa situação. avesso às posições autoritárias e em comunhão com uma prática democrática. o espaço escolar necessita vislumbrar e valorizar de forma global a vida do educando. alguns questionamentos buscam respostas: como os educandos do ensino médio da escola pública percebem a dinâmica das aulas de História antes e depois dos minicursos? Que propostas podem ser suscitadas por estes agentes históricos. Convém evidenciar o fato de que o Liceu foi escolhido por ser considerado uma referência no Estado do Ceará. relativamente à percepção das aulas de História. após sua efetivação. de uma metodologia eficaz e atraente nas aulas de História. em especial. favorecendo uma efetivação plena do currículo em ação na sala de aula. com outros professores de licenciatura da UECE.. em uma escola pública. que favorece a dinamização do conteúdo. respeitando as diferenças que enriquecem e. sem que se seja superficial.O anseio de compreender a importância desta prática para os escolares do ensino médio. analisar e registrar: Um Fazer Diferente Gera o que Pensar . pois os temas trabalhados são sugeridos pelos educandos. suponho que esses alunos tenham preconcebida uma noção de História. Estágio Supervisionado II 57 . via experiências com minicursos. consequentemente a construção da aprendizagem. Desta forma. Isto é possível fazer. aula de campo. repensando o currículo oficial. Então. abrindo espaço para as inovações. faz-se necessário parar e perceber o “olhar” do educando frente ao ensino de História hoje existente e favorecer-lhe vez e voz na construção conjunta. unindo o “útil ao agradável”? Na verdade um ensino diferenciado. de acordo com o seu olhar. possibilitando uma educação “intra e extra-muros”. é caminho almejado por muitos que vivem a escola hoje.O olhar dos alunos do ensino médio frente à proposta de estágio supervisionado em História.histórica indefinição do ensino médio. também. Importante é ressaltar que os minicursos desenvolvidos pelos estagiários do Curso de História da UECE são aplicados através de oficinas educativas.. da Universidade Estadual do Ceará.

Para analisar a problemática do ensino de História. tendo em vista a construção de uma sociedade em que os direitos inalienáveis sejam garantidos para todos. considerando que: . como tarefa político-pedagógica. Acredito que. critico e critizador. onde analisa a História social. A sala de . e este precisa ser de qualidade e ensinar para a vida a todos. no que se refere a educação. a potencialidade e a percepção dos educandos precisam ser urgentemente entendidas como pontos cruciais a observar em sala de aula. História e Currículo. que recebem educandos.e podem analisar este reflexo da dinâmica pedagógica do ensino da matéria por meio dos minicursos. em especial no ensino de História. já que a escola é uma instituição cujo papel consiste na socialização do saber sistematizado. num método ativo. o que naturalmente interfere no ensino-aprendizagem. destaco. é necessário ir plano do nível discursivo e proporcionar uma prática efetiva da teoria voltada para o melhor desempenho do ensino. um dos autores no qual busco suporte é Eric Hobsbawm. Esta conscientização da autonomia na educação precisa estar na essência do processo educativo. que exerce um papel de impacto para transformação reflexiva frente à realidade. procedem de famílias com baixa renda familiar e vivem sob condições de grande instabilidade econômica. muitas das quais situadas abaixo da linha de pobreza. social e psicológica. Entretanto. quem sabe. os quais. visando a uma compreensão ampla e intrínseca desses fatores... descortinar o homem e a mulher populares é prioridade na História que ora se manifesta nas academias. muito relevante para compreensão da História do ser humano como sujeito do seu conhecimento. onde a educação integral do ser humano favoreça a superação das estruturas injustas. Paulo Freire. na obra: Sobre História. permeada na relação professor-aluno (e não educador e educando!). com Pedagogia da Autonomia: Saberes Necessários à Prática Educativa. dentre muitos. é essencial o reconhecimento desses educandos como agentes ativos da própria História. na qual o exercício da reflexão seja constantemente exercido. Por conseguinte. principalmente se não 58 FTC EaD | HISTÓRIA houver atrativos para se conquistar o interesse destes para o que se tenta ensinar. como verdadeiros sujeitos da História. vale dizer. Trata-se de uma pesquisa que se propõe buscar opções de caminhos metodológicos capazes de favorecer uma educação de qualidade com ganhos recíprocos de conhecimentos para educador e educando. na sala de aula. sem distinção. todo e qualquer locus educativo deve ter um caráter “formador” do espaço pedagógico (consciente). onde nos lembra de que a educação é um forma de intervenção no mundo. pois na maioria das vezes não passam de palavras sem nenhum impacto social concreto. portadores dos mesmos direitos educacionais. Por isso. A preocupação com o futuro do País permeia os discursos da verborragia. Então. Ultrapassar as condições mecânicas de um ensino curricular que dificulta o desenvolvimento da criatividade e promove a letargia na ignorância se faz urgente na educação. No âmbito da Educação. Com relação à História. a adentrar a Universidade. dialogal. na sua maioria. Uma pedagogia da autonomia tem de estar centrada em experiências estimuladoras da decisão e da responsabilidade. a vivência dessas práticas diferenciadas do cotidiano poderá favorecer uma tomada de posição e um novo modo de entender as aulas de História no mundo destes educandos prestes. de modo especial nas escolas públicas. afinal. favorecendo espaços para indagações e posicionamento ativo dos educandos diante da realidade. com o intuito de se trabalhar a autonomia tão propalada por Paulo Freire. revertendo o quadro educacional caótico. em experiências respeitosas da liberdade. busco subsídios em autores que trabalham com a temática da Educação.

para se chegar ao estádio de autonomia desejada. numa multiplicidade de documentos. na perspectiva de currículo. como músicas. o educando que chega à escola está buscando. cria um senti- É tempo de vislumbrar uma idéia de ensino curricular capaz de favorecer a aquisiEstágio Supervisionado II 59 . um receio de fragmentação.. o que em geral não ocorre nas salas de aula. saliento o posicionamento de José Alberto Pedra. o ensino de História precisa ir além da superficialidade dos conteúdos trabalhados pela historiografia tradicional dos livros didáticos. ele necessita que seja ouvida a sua voz e o que este busca e anseia na História é essencial. deve e há de revelar seu mundo e expectativas no processo ensino-aprendizagem. sem cair em uma superficialidade do saber sistematizado. favorecer a compreensão do ensino de História como subsídio para uma nova prática de ministério escolar se faz a priori urgente.aula precisa ser um espaço onde o educando pode. utilizando-se estratégias e instrumentos diversos dos tradicionais lousa e giz. o porquê dessa instituição. pois.. homogêneo e linear oriundo do ensino tradicional. exceto à custa da tautologia ou da extrema banalização. o motivo do ensino de História. de perda de referencial. as atuais propostas curriculares sugerem uma efetiva participação do educando. com uma interação com outras fontes e ramos disciplinares. que transcende o óbvio. Como bem diz Hobsbawn: . artigos. pois a dinâmica própria à pesquisa histórica atual força ao diálogo [12]. numa abordagem do cotidiano no ensino de História. acaba fixando uma dicotomia que joga à sombra o muito de semelhante que há entre os dois. Afinal. onde se possa refletir à concepção de cotidiano no sentido de superar o tempo único. Assim. ou seja. Sendo assim. conhecimento e suas Representações. na ânsia. pôr em ação um currículo que possa representar os anseios dos educandos. não admite revisão na biografia dos heróis. destaca: Acreditamos. fica clara a necessidade de perceber o currículo como representações sociais do conhecimento científicos. em Currículo. que tal paradigma. mento de insegurança. Nesta tríade (currículo. e sim um constante vir-a-ser no processo social. numa constante interpretação crítica do conhecimento científico e cotidiano. como diz Pinsky. com vistas a uma reflexão do hoje em nome de uma sala de aula diferenciada. percebe-se que o saber constrói-se na relação educador e educando. ao estabelecer uma separação entre o conhecimento cotidiano (as representações sociais) e o conhecimento científico ou acadêmico. quem sabe. uma vez inserto o estudante numa instituição educacional. dentre vários autores. Com efeito. de compreender o seu meio e as mudanças que ocorrem. o qual. poesias. interligadas às práticas cotidianas. englobando fatores sociais-afetivos-cognitivos faz a diferença em relação à mesmice contunaz que é praticada há longos anos. Enfim. fatos etc.. contextualizando-o e interangindo-o com o meio. a História não é determinismo. no entanto. provavelmente novos sujeitos histórico serão descortinados. nem sempre bem definidas. onde se percebe que a valorização das experiências de cada participante no processo educativo. capaz de transformar o meio social. em que permeiam as “aulas-espetáculo” do conhecimento do professor. Por isso Pedra. porque. Por esse prisma. conteúdo e representações). permitindo uma interação e reflexão de ambos na vida escolar. o problema a questão é mais metodológico do que relativo a conteúdos. talvez até de forma inconsciente. Contudo. De acordo com Circe Bittencourt. conseqüentemente ir além da objetivação do conhecimento. A transição de um modelo estabelecido de fazer história para novas maneiras. Creio.os aspectos sociais ou societais da essência do homem não podem ser separados dos outros aspectos dos seu ser.

ou quase sempre bem diferenciadas de sua realidade. Vale ressaltar que estes questionários serão aplicados antes e depois dos minicursos. tenciono trabalhar na análise de alguns documentos oficiais. é como bem destaca Nikitiuk. analisar e inserir o estudo das micro-histórias no currículo escolar é primordial para um ensino de História renovado e crítico. estratégias de ensino utilizadas para viabilizar a dinâmica do ensino em sala. compreender o sentido e os princípios da licenciatura da sua escolha e perceber que a disciplina Estágio Supervisionado tem um caráter de formação contínua.ção de conhecimento necessário ao convívio social. no Liceu do Ceará. Estou ciente de poder desse modo contribuir para a revitalização do Ensino de História no grau médio. Ainda praticarei . posteriormente. fazendo um contraponto de idéias. E identificar possíveis propostas suscitadas por estes agentes históricos. favorecer a construção de um currículo diferenciado do ensino de História de acordo com a percepção e perspectivas dos estudantes. os PCNs de História e a Grade curricular de História do Liceu do Ceará. através dos Minicursos. em primeiro lugar. instrumentalizando uma reflexão do processo educativo em História. diferenciado do que a conjuntura atual impõe.observação. visa um repensar na prática metodológica do ensino de História na escola pública. segundo Pedra currículo é um modo pelo qual a cultura é representada e reproduzida no cotidiano das instituições escolares. e nos minicursos. 60 FTC EaD | HISTÓRIA . através da pesquisa científica a prática de ensino do Curso de História da Universidade Estadual do Ceará e demais universidades. a serem aplicados junto a 30% dos alunos escolhidos aleatoriamente de 3 minicursos a serem desenvolvidos pelos estagiários da disciplina Prática de Ensino II em História da UECE. capaz de gerar impacto favorável à realidade social. analisando novas práticas e o olhar de educandos sobre essas vivências. Então. a partir da percepção dos educandos do Ensino Médio. Enfim. inovações das fontes utilizadas. manifesta-se a perplexidade sobre a necessidade de cumprir o estágio nas escolas. materiais didáticos usados. dentre outros aspectos. Por isso. O profissional do magistério que se vê diante do estágio supervisionado em cursos de formação docente precisa. Intento empregar também os instrumentos de avaliação dos minicursos e questionários. tenho a pretensão de analisar a prática educativa do Ensino Curricular de História . E acreditar que o novo é possível e se faz fundamental. para um ensino de História mais atraente. Assim. resgatar. metodologicamente com vistas a compreender a importância do ensino de História para os estudantes de escola pública. objetivando perceber de perto conteúdos trabalhados. adquirir informações sobre as visões que os estudantes vivenciam em classse no cotidiano das aulas de História. quer dizer. além dos autores que lidam com a temática da Educação. História e currículo. como a Nova LDB.para alcançar de forma eficaz os objetivos da pesquisa . Baseando-se no que já foi exposto. relação estagiários e aluno (educador e educando). as vezes. confrontando teoria e prática no processo educacional em foco e. tendo como base a premissa de que a educação é um processo de crescimento e desenvolvimento de todos os sujeitos envolvidos no ato pedagógico. no decorrer de cada etapa da execução dos minicursos em sala de aula. Diante das exposições feitas. além de engrandecer. segundo a óptica dos educandos sujeitos da investigação. como também a comunidade no geral. participação dos educandos. para captar as diferenças favorecidas pela prática desenvolvida. estudar o que permite a compreensão e intervenção do hoje. só uma coisa é certa: é preciso buscar. conseqüentemente. Com todo o material coletado e com subsídios suficientes para análise do ensino de História.

desde os começos do processo. Falar da formação docente nunca dispensa a presença e a palavra do mestre Paulo Freire. É neste sentido que ensinar não é transferir conhecimentos. a disciplina se apropria de dimensões capazes de instrumentar formadores e formandos para o confronto de paradigmas. Por esta razão. (Fernando Sabino) Atenção! É preciso que. à percepção crítica do dia a dia da escola e à análise do real papel que a mesma exerce na comunidade. de construção e de criação. tantas vezes Paulo Freire repete que “não há docência sem discência”. ativismo. embora diferentes entre si. não se reduzem à condição de objeto. p. e vice-versa. as duas se explicam e seus sujeitos. leitura / interpretação dos bens culturais acumulados. levando à transmisEstágio Supervisionado II 61 . quem forma se forma e re-forma ao for-mar e quem é formado forma-se e forma ao ser formado. somando-se a esta formação a consciência política e social necessária à compreensão e inclusão no mundo do trabalho. co-participar e intervir na práxis pedagógica. Com estas características. transmissão e adaptação / enriquecimento. Não há docência sem discência. Finalmente. traz essa mutualidade. 12). (Freire. apesar das diferenças que os conotam.12) Chega-se à conclusão de que da Educação dependem não apenas a conservação. estimulando-os à observação das atuações dos variados segmentos. um do outro. A dialética da relação professor– aluno. vá ficando cada vez mais claro que. garante que a docência não seja mero derramamento de conteúdos inertes em “receptáculos – alunos” vazios e dóceis. 1996. através do exercício da observação e da análise crítica do próprio cotidiano. p. 1996. estilo ou alma a um corpo indeciso e acomodado. em que os que ensinam e os que aprendem são sujeitos de um processo. Exige do formador. bem como na organização do espaço escolar. ali na condição de formando. (Freire. desacomodar-se dos ritos e práticas rotineiras e. mais que de formação. tendo como base o referencial teórico apreendido e construído no decorrer do Curso. conteúdos nem formar é ação pela qual um sujeito criador dá forma. talvez mais do que outros componentes curriculares. A visão de que aquele que ensina aprende (ou “se forma e re-forma”) ao ensinar está presente nas mais modernas concepções e obras sobre a formação docente.ESTÁGIO E CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE DOCENTE Trocávamos idéias sobre tudo submetíamos nosso trabalho um ao outro. A reflexão crítica sobre a prática se torna uma exigência da relação Teoria/Prática sem a qual a teoria pode ir virando blablablá e a prática. interativa e recíproca. é reconhecido na disciplina um espaço interativo de revisão do fazer pedagógico específico. mas também o caráter comunicacional socializador e público do fato educativo. pelo contrário. É fácil compreender que o Estágio Supervisionado. de trabalho interdisciplinar e de enriquecimento profissional. Juntos reformulávamos nossos valores e descobrimos o mundo.

Saberes oriundos da formação escolar anterior. Tardiff fala dos saberes da formação profissional ou pedagógicos (oriundos das ciências da educação). Trata-se. Família. Acreditamos que uma formação continuada firmemente alicerçada deverá contemplar todos estes tipos de saberes: os teóricos. então. de um processo contínuo de produção. Programas. bem como um espaço de produção de saberes e de práticas inovadoras pelos professores experientes. Cursos de formação de professores. Saberes oriundos da formação para o magistério. tão necessária à nossa categoria profissional. Saberes adquiridos na própria experiência profissional. os professores são considerados práticos refletidos ou ’reflexivos’ que produzem saberes específicos ao seu próprio trabalho e são capazes de deliberar sobre suas práticas. porém único. em prol da cidadania. 286) 62 FTC EaD | HISTÓRIA . e dos saberes experienciais (aqueles desenvolvidos pelo professor no exercício da profissão e na prática construída).. formação continuada recebida. Da articulação destes com os novos conhecimentos. estágios. mas também à apropriação ativa e utilização dos saberes que circulam no espaço social.. Ensino Fundamental e Médio. formando um saber plural. comunicação e transmissão de saberes. anteriormente adquiridos. Ela torna-se um espaço original e relativamente autônomo de aprendizagem e de formação para os futuros práticos.. é verdade. como um simples campo de aplicação de teorias elaboradas fora dela. Neste amplo ciclo de formação. Tardiff (2002) fala em quatro fases: a formação escolar inicial (que também terá impacto sobre a formação profissional). (2002. Conclui Tardiff. dos saberes disciplinares (definidos e selecionados pela Universidade).são. acontecerá um “novo saber”. assim. dos saberes curriculares (oriundos dos currículos desenvolvidos pelas instituições escolares em que atua). Para Refletir. p. de objetivá-las e partilhá-las. Saberes derivados dos programas e livros didáticos utilizados. pelo interesse que apresenta para este trabalho.que se articulam. para estabelecer uma base de “ancoragem” para novos conhecimentos. ambiente. burilando e aprimorando a atuação profissional do professor e estruturando a “identidade docente”. os práticos nascidos da experiência pessoal e profissional prévia. na sala de aula. A prática profissional não é vista. O autor apresenta um quadro demonstrativo dos “saberes dos professores”. a formação universitária inicial. por exemplo nos centros de pesquisa e nos laboratórios. troca de experiências com os pares. Prática adquirida no cotidiano escolar. livros didáticos e para – didáticos etc. história de vida. mobilização.. Saberes dos professores Fontes sociais de aquisição Saberes pessoais.. bem de acordo com o nosso projeto de Estágio: Enquanto profissionais. o autor destaca vários tipos de saberes correspondentes às quatro fases da formação profissional . que nos permitimos adaptar. o ingresso na carreira (que pode dar-se antes ou depois da passagem pela Universidade) e a que se desenvolve ao longo da vida profissional. de aperfeiçoá-las e de introduzir inovações susceptíveis de aumentar sua eficácia.

o pensar certo que supera o ingênuo tem que ser produzido pelo próprio aprendiz em comunhão com o formador. Dessa forma. Sendo assim. estão relacionadas às condições de trabalho e a valorização e reconhecimento conferida pela sociedade à categoria profissional. A formação docente. Saberes de uma teoria especializada. da análise temática das práticas à luz das teorias existentes. segundo Pimenta (2004) passa sempre pela mobilização de vários tipos de saberes o que coloca elementos para produzir a profissão docente. Saberes de uma prática reflexiva. 1998). de suas angústias e anseios. (LIBÂNEO. os saberes.Para Refletir. Este não é o saber que a rigorosidade do saber do pensar certo procura. Afinal. (DUBAR. Práticas que resistem a inovações porque prenhes de saberes válidos e às necessidades da realidade. Em última instância. de um “pensar certo”. de seus saberes. Constrói-se. Assim como a partir de sua rede de relações com outros professores nas escolas. “desarmada”. assim como o desenvolvimento de convicções em relação à profissão. pelo significado que cada professor enquanto ator e autor. é fundamental que. Estágio Supervisionado II 63 . de suas representações. o aprendiz de educador assuma que o indispensável pensar certo não é presente dos deuses nem se acha nos guias de professores que iluminados intelectuais escrevem desde o centro do poder. nos sindicados e em outros agrupamentos. Do confronto entre as teorias e as práticas. também. espontânea produz é um saber de experiência feito. no dizer de Paulo Freire: O saber que a prática docente espontânea ou quase. 1997). da construção de novas teorias. (Freire. na prática da formação docente.. da reafirmação de práticas consagradas culturalmente e que permanecem significativas. ao promover a presença do aluno estagiário do cotidiano na escola. podemos compreender que o curso. da revisão constante de significados sociais da profissão. ensino de qualidade afinado com os desafios da sociedade contemporânea é uma questão moral de profissionalismo e de sobrevivência profissional. de sua história de vida. uma identidade profissional se constrói a partir da significação social da profissão. mas. o estágio e as experiências que comungamos dentro e fora de uma aprendizagem institucionalizada ajudam a construir a identidade docente. o Estágio Supervisionado busca o desenvolvimento. As identidades resultam do encontro de trajetorias socialmente condicionadas por campos socialmente estruturados. do sentido que tem em sua vida o ser professor. a identidade profissional e as práticas formativas presentes nos cursos de formação docentes precisam incluir discussões sobre o papel do docente na sociedade. indiscutivelmente. Saberes de uma militância pedagógica. nos docentes em formação continuada que buscam o curso. Por isso. A construção e a formação da identidade. 1996. O estágio. p 42) Segundo Pimenta (2004).. pelo contrário. a que falta a rigorosidade metódica que caracteriza a curiosidade epistemológica do sujeito. da revisão das tradições. confere à atividade docente em seu cotidiano a partir de seus valores de seu modo de situar-se no mundo. dotando-a de saberes específicos. abre espaço para a realidade e para a vida e o trabalho do professor e da sociedade. Mas também.

mas. Talvez essa interrupção corrobore com as dificuldades. No entanto. finalmente.55). investigadores de seu próprio processo de ensino. afirma que: “se se pretende manter qualidade de ensino [. André De Peretti (1987) apud García (1992. para poderem tratar o conteúdo como um momento no processo de construção do conhecimento. além de oportunizarem aos alunos de licenciatura. a construção do ser professor inicia antes de nos inserirmos num processo formal de ensino. temos representações do que seja um professor. uma aula e. também. Quem forma o professor – tanto a instituição quanto as pessoas – precisa estar diretamente envolvido com a atividade de pesquisa. após concluírem o curso. na 64 FTC EaD | HISTÓRIA maioria das vezes. as instituições formadoras do professor da escola básica devem estar atualizadas nos resultados da pesquisa em sua área. trabalhar o conhecimento como objeto de indagação e investigação. ou seja. também. o papel das disciplinas de Prática de Ensino presentes na estrutura curricular dos cursos de licenciatura. Esses saberes trazem experiências. pesquisadores. estarão aptos a exercer a docência. que a formação do professor não se conclui ao final de quatro ou cinco anos na universidade. formas de . Entende-se. é o momento onde os futuros professores adquirem os primeiros conhecimentos num longo processo que é o desenvolvimento profissional do professor. Precisam ser. decorrente de toda a experiência adquirida enquanto aluno. preocupações. As chamadas Práticas de Ensino. valores. Estas mudanças sofridas pelos licenciandos são avaliadas em várias pesquisas como um período de muitas dificuldades. por outro lado. à luz das pesquisas já realizadas. para poderem trabalhar o conhecimento. cujo primeiro nível é a formação inicial”. bem como no transcorrer da prática profissional.. a maioria dos ingressantes em cursos de formação de professores acredita que. Para Pimenta (1999). ou seja. uma escola. mas entende-se também que.O ESTÁGIO COMO POSSIBILIDADE DE FORMAÇÃO CONTÍNUA Dado o caráter da profissão do magistério — que é mais uma arte do que uma ciência — não se pode preparar o professor senão por meio do aprendizado direto. investigadores de sua própria ação de formadores.] é preciso criar uma cadeia coerente de aperfeiçoamento. o centro de sua preparação. a professores. crenças e inseguranças encontradas pelos professores durante seus primeiros anos de sala de aula. É nesta fase que a maioria dos licenciandos tem passado por um período de mudança. suas primeiras experiências didáticas. portanto. incertezas. de alunos. portanto. (ANÍSIO TEIXEIRA. podem também possibilitar aos docentes responsáveis por esta disciplina importantes reflexões sobre a formação inicial dos futuros docentes. Os formadores precisam ser. p.. A formação inicial deveria ser avaliada como o primeiro passo rumo à formação contínua. Assim sendo. 1998) Pensar a formação de docentes implica discutir. mas. o processo de desenvolvimento do sujeito é interrompido após o término do curso de graduação. dos processos de aprendizagem que ocorrem durante o processo de formação. em sala de aula. atualizadas nos processos de aprendizagem desse conhecimento específico. a profissionalização do professor não finda ao término do curso. A prática do ensino é. Devem estar. prolongase ao longo de sua carreira. através dos estágios supervisionados. não tendo este a continuidade de formação. Entretanto. no estado em que ele se encontra e no momento em que ele está sendo ensinado. essas imagens compõe os saberes que serão utilizados na atuação profissional. posturas profissionais e pessoais. licenciandos.

produto das novas políticas educacionais do MEC. mais precisamente. Descreveremos o conceito de competências gerenciais para a globalização (Rhinesmith. responsável pelo querer fazer. Especificamente. apresentaremos uma análise da formação inicial de professores de História. que deveriam ser discutidos. abordando as seguintes questões: quais os paradigmas de formação têm norteado as práticas dos Cursos Superiores de História? O que propõe o texto/ documento das Diretrizes Curriculares para os Cursos de História. das habilidades e das atitudes. Na variável conhecimentos. acerca da formação docente e das práticas de ensino de História no Brasil. Esse é o espaço e o tempo que podemos estar refletindo sobre as nossas escolhas. na variável atitude. a ANPUH(Associação Estágio Supervisionado II 65 . pela identidade e pela determinação. 1999). o debate sobre a formação e a profissionalização de historiadores e professores de história tem se pautado em torno de alguns dilemas políticos e pedagógicos que envolvem historiadores. professores de História dos vários níveis e sistemas ensino. adquirindo assim conhecimentos necessários a atuação docente. para a formação inicial de professores? Como se articulam as questões da formação inicial/universitária. p. quando decidem pela continuidade do seu processo de formação. Para este autor. buscando a re(construção) das imagens da/ na docência que nos produzem professores. as nossas inquietações. Trazer essas representações como materiais para as discussões nos cursos de formação possibilita a des(construção) da atuação do professor a partir de seus referenciais de docência. A este conceito abordamos a competência como a integração dos conhecimentos. Partindo da concepção de desenvolvimento de competências e habilidades que o professor deve incorporar no seu cotidiano.1993. nos processos de formação inicial e continuada. define “competência é uma capacidade específica de executar a ação em um nível de habilidade que seja suficiente para alcançar o A Formação do Professor de História no Brasil: Novas Diretrizes. temos a informação: a importância do saber o quê e saber o porquê. na variável habilidades temos: a técnica e a capacidade respondendo pelo saber como.pensar e agir. efeito desejado”. da articulação destas três dimensões será possível ter um ganho significativo na perspectiva do próprio papel que o indivíduo desempenha no mundo – no universo pessoal e profissional. as nossas motivações. a partir das experiências como alunos que fomos. Velhos Problemas. A formação docente não deve compreender somente o tempo que permanecemos nos cursos de graduação. 35). Selva Guimarães Fonseca (UFU) Este texto reúne algumas reflexões. (Pimenta. a construção dos saberes docentes e as práticas pedagógicas no ensino de História? Historicamente. resultado de pesquisas. professores formadores da área pedagógica. associações sindicais e científicas. que somos e a experiência como professores.

epistemológicas e institucionais precisas na organização e manutenção do status quo.) Quase vinte anos após a publicação. em seguida cursam as disciplinas obrigatórias da área pedagógica e aplicam os conhecimentos na Prática de Ensino. Durante três anos os alunos cursam as disciplinas encarregadas de transmitir os conhecimentos de História. da profissionalização dos professores e de um novo ensino de Historia. que exerce o trabalho pedagógico é um professor. o texto das Diretrizes Curriculares Nacionais dos Cursos Superiores de História. tem uma participação ativa no processo de discussões. 66 FTC EaD | HISTÓRIA capaz de assumir o ensino enquanto descoberta. de certa forma. é sobretudo na formação inicial . reflexão e produção. mas para os historiadores.. Logo as disciplinas da área pedagógica são desnecessárias. Assim. Entretanto. O exercício da docência. entre nós. Para exemplificar esta dificuldade. Este modelo apesar de tão amplamente debatido e criticado. num fórum de debates educacionais significa. consiste no domínio.) Nos anos 80. sistematizados e incorporados à experiência de construção do saber docente. obrigatória. (. da dicotomia bacharelado/licenciatura se processa articulada à defesa de uma formação que privilegia o professor/pesquisador. na área educacional. pela fórmula “três + um” marcou. ampliou-se o debate entre os profissionais da área.. Este modelo traduzido e generalizado. profundamente. o professor de História. proposições e publicações na área. Enfatizo a palavra. intervir num campo de acirradas disputas teóricas e políticas. falar das questões propostas. produtor de saberes. distanciada da realidade educacional brasileira. regido pela lógica disciplinar e aplicacionista e que. nos diversos tempos e espaços sócio-educativos.. óbvio para os educadores... espaço de construção de maneiras de ser e estar na futura profissão. de que para ser professor de História basta dominar os conteúdos de História. Podemos afirmar que houve uma generalização entre os estudantes de História. da idéia preconcebida. especialmente. desde meados dos anos 70. investigação. a luta em defesa de um outro processo de formação. acessórios. mera formalidade para obtenção dos créditos. historicamente. A defesa desta outra concepção de formação de professores de História é recorrente na literatura da área. Óbvio? Não é bem assim! Há inúmeras controvérsias sobre este ponto. transmissão e produção de um conjun- . problematizados.(. consagrada na literatura da área como modelo da racionalidade técnica e científica ou aplicacionista. Tornou-se lugar comum afirmar que a formação do professor de História se processa ao longo de toda sua vida pessoal e profissional. a partir das críticas ao modelo vigente nos diversos programas. para expressar uma idéia comum entre os graduandos de História e bastante conhecida dos professores da área pedagógica. não. sequer menciona a palavra professor! Cabe questionar: os Cursos de Licenciatura em História acompanharam o movimento histórico de transformações do ofício docente? Qual (is) modelo(s) de formação inicial de professores de História prevalecem no Brasil?(. Trata-se de um importante momento de construção da identidade pessoal e profissional do professor. É resultado da concepção de formação docente. a organização dos programas de formação de professores de História. ainda persiste como norteador dos cursos de preparação dos professores de História no Brasil. trocas de experiências. obrigatória.. cumpre funções ideológicas. a postura de perplexidade dos recém formados frente a complexidade da educação escolar é atual e não exclusiva da área de História. nos cursos superiores de graduação que os saberes históricos e pedagógicos são mobilizados.)Trata-se um modelo inadequado ao campo de ação do profissional docente. isto é.Nacional de História) que. O profissional egresso dos Cursos de Licenciatura de História. A crítica à formação livresca. também.

) uma vez que a formação do profissional de História se fundamenta no exercício da pesquisa. A seguir são delineadas as diretrizes. inclusive no magistério. o silêncio substitui a afirmação. artísticos. o texto silencia. entrando em composição com as influências. É constituído pelo conhecimento específico da disciplina. Forma-se o historiador. de acordo com a literatura da área. mas um conjunto de saberes.. assessorias a entidades públicas e privadas nos setores culturais.to de saberes e valores através de processos educativos desenvolvidos no interior do sistema de educação escolar. registro a voz de um outro historiador sobre a formação professor de História: “revelando. com formação complementar e interdisciplinar.. zelosos defensores de uma sólida formação para a pesquisa. a profissão. necessidades e interesses das IES.educador ou professor de História é alguém que domina não apenas os mecanismos de produção do conhecimento histórico. Assim. metodologias e materiais).(. Atendidas estas exigências básicas e conforme as possibilidades. Sobre a formação do professor. um saber plural. (. as circunstâncias da existência têm um papel determinante na formação de um historiador. para nós mesmos. os saberes pedagógicos (concepçöes sobre a atividade educativa) e os saberes práticos da experiência. os saberes curriculares (objetivos. Aqui o não-dito é ao mesmo tempo o inconfessado de textos que se tornaram pretextos. a formação continuada e a conexão com a avaliação institucional. o documento ao silenciar sobre o papel dos cursos superiores de História na formação do professor.. acentuando ou pelo contrário. o profissional estará em condições de suprir demandas sociais relativas ao seu campo de conhecimento(magistério em todos os graus. A produção do silêncio é uma operação lógica. de uma maneira geral. em primeiro lugar. competências e habilidades que possibilitam o exercício profissional da docência. é geralmente o ensino: na nossa sociedade. o historiador . escondendo as disposições inatas ou adquiridas.. turísticos etc.. As circunstâncias são. situam historicamente o problema e explicitam a forma de elaboração do documento. heterogêneo construído ao longo da história de vida do sujeito. produção de historiadores brasileiros é explícito: os cursos de História devem formar o historiador. qualificado para o exercício da pesquisa.”(grifos meus). que o campo de trabalho do historiador é basicamente o ensino? Na tentativa de combater a operação que produz o silêncio. preservação do patrimônio. os estágios e atividades complementares.) O texto/documento das Diretrizes Curriculares para os Cursos de História é constituído de um “preâmbulo” no qual os autores apresentam a proposta.. o documento Estágio Supervisionado II 67 . define estes cursos como locus privilegiado da formação do bacharel. Atendida esta premissa o profissional estará apto para atuar nos diferentes campos. O texto das Diretrizes. os conteúdos. conteúdos. Entretanto. assim como de todos os homens. Logo. a estruturação dos cursos. O que o documento nos diz sobre a formação do professor de História? Começaremos pelo perfil do profissional: “O graduado deverá estar capacitado ao exercício do trabalho do historiador em todas as suas dimensões. têm evitado reacender a polêmica em torno da dicotomia bacharelado/ licenciatura. em oito itens. formadores. versando sobre: o perfil do profissional. o que supõe pleno domínio da natureza do conhecimento histórico e das práticas essenciais de sua produção e difusão. Certeau ao analisar o lugar social da produção historiográfica e o papel dos historiadores na sociedade afirma: “no que concerne às opções.. a duração mínima. raros são os verdadeiros historiadores que não sejam professores”. no caso. o conhecimento historiográfico.. documento histórico. Este saber docente é. e a profissão para os historiadores. Por que não dizer que o curso de História forma professores de História? Por que não confessar. as competências e habilidades.) Os historiadores.

Consideramos pertinente a questão de Morin: “ de que nos serviriam todos os saberes parcelados. como os programas e currículos das Secretarias de Educação. no projeto pedagógico da escola e nos materiais didáticos. pois. transforma seu conjunto de complexos saberes em conhecimentos efetivamente ensináveis. adquirido na formação universitária. se nós não os confrontássemos. É uma reinvenção permanente. pois o objeto do ensino de História é constituído de tradições. os saberes. aos dilemas políticos e pedagógicos tem um alvo: a educação escolar. no discurso dos especialistas. alunos e pais. os grupos e os trabalhos cotidianos.) Será necessário romper com o paradigma de formação aplicacionista a favor de uma epistemologia da prática. Os professores de História sujeitos do processo vivenciam uma situação extremamente complexa e ambígua: trata-se de uma disciplina que é ao mesmo tempo extremamente valorizada.(.. na tradição educativa de cada escola. a construção dos saberes docentes e as práticas pedagógicas no ensino de História.. espaço de conflitos. formativos. será possível “revelar esses saberes. Esta formação não se dá exclusivamente na educação escolar. também. as práticas escolares 68 FTC EaD | HISTÓRIA exigem dos professores de História muito mais que o conhecimento específico da disciplina. Finalizando. o professor de História. nos materiais institucionais.. nas representações de grupos de trabalho. que supervaloriza o conhecimento específico da disciplina em detrimento dos outros saberes no atual contexto histórico e educacional de formação do profissional docente? A busca de respostas às nossas inquietações. As Diretrizes Curriculares Nacionais.) Diante deste conjunto de diretrizes e dilemas é necessário repensar as articulações entre a formação inicial/universitária. No caso. exerce. É na instituição escolar que as relações entre os saberes docentes e os saberes dos alunos defrontam-se com as demandas da sociedade em relação à reprodução. com sua maneira própria de ser. do professor de História. um papel fundamental na formação da consciência histórica dos cidadãos. às nossas necessidades e às nossas interrogações cognitivas?” De que nos serviriam um currículo que separa tão rigidamente teoria e prática. de formas culturais de resistência. (. faz com que o aluno não apenas compreenda. ao privilegiar tão somente a formação do pesquisador. são extremamente importantes. conforme definida por Tardif. o que parece óbvio: a necessidade de articular diferentes saberes no processo de formação. Daí decorre. local de trabalho. nos meios de comunicação de massa. mas que assimile. A História e o seu ensino são fundamentalmente. Este objeto e as finalidades da disciplina estão explícitos nos Parâmetros Curriculares Nacionais. estratégica para o poder e a sociedade e ao mesmo tempo desvalorizada pelos alunos e por diversos setores do aparato institucional e burocrática. desconsideram o objeto do ensino de História e o ensino de Historia como objeto de reflexão permanente do historiador/professor. nos discursos dos setores sociais e políticos dirigentes. transmissão e produção de saberes e valores históricos e culturais Neste sentido. Estão explícitos e/ou implícitos. compreender como são integrados concretamente nas tarefas dos profissio- . símbolos e representações que dão sentido às diferentes experiências históricas vividas pelos homens nas diversas épocas. Ora. mas é na escola que experienciamos as relações entre a formação. idéias. assim.omite o compromisso político e pedagógico dos historiadores não apenas com a construção de um novo paradigma de formação mas com o ensino de História no Brasil. A escola. pensar. incorpore e reflita sobre estes ensinamentos de variadas formas.. o que o professor de História ensina e deixa ensinar na sala de aula vai muito além da sua especialidade. a fim de formar uma configuração que responda às nossas expectativas. como lugar social. as dimensões éticas e políticas da formação. as práticas. os discursos. agir e ensinar.

assim como a faz. ESTÁGIO NAS DISCIPLINAS ESPECÍFICAS É sábio aquele que sabe usar o conhecimento para integrar-se à própria realidade. É este processo de reflexão que encaminhará o professor para o desenvolvimento de competências que se configuram como conhecimentos procedimentais e atitudinais imprescindíveis ao exercício de sua profissão. Física. Antônio Joaquim Severino Segundo Pimenta (2004). aplicam e transformam em função dos limites e dos recursos inerentes às suas atividades de trabalho”. na qual a pesquisa. Essas práticas são. centralizadas em conteúdos estanques. que não encontram nas salas de aula espaços para além de suas anotações e explicações. Estágio Supervisionado II 69 . produzem. Àqueles historiadores e educadores que se ocupam da elaboração de currículos e do ensino. da ação. e o professor de História é uma pessoa que está na história. cabe dizer que ignorar o professor. o trabalho do professor ao lecionar os conteúdos específicos. fora da realidade dos alunos e do contexto onde estão inseridos. histórico-social. utilizam. complexa. a formação para a docência de qualidade deve se pautar na perspectiva investigativa. técnica e política e englobadas num processo contínuo de construção e reconstrução da prática docente. Finalmente.nais e como estes os incorporam. Inglês e outras disciplinas. buscando analisar as relações que se estabelecem e as possibilidades de ação/intervenção e mudanças. Pimenta (2004) sinaliza ainda que há um grupo de professores que não prioriza os conteúdos. reproduzindo um ensino livresco voltado unicamente para aquela matéria trabalhada. quer na instância da formação. Isto decorre do reconhecimento de uma questão óbvia: não há educação e ensino sem professor. desfruta e transforma! Refletir sobre a formação docente e sua prática implica conceber um processo de formação onde o professor se coloca como agente e sujeito de sua prática. vale reiterar que a qualidade da educação e da formação de professores está diretamente relacionada ao estabelecimento e implementação de políticas educacionais que valorizam o ensino-aprendizagem. de forma analítica. além de sujeito do processo de construção e reconstrução do conhecimento. portanto esse processo exigirá dos professores permanente reflexão sobre o processo educativo. É comum ouvirmos os alunos expressarem idéias sobre os professores de Matemática. sofre. dedicando-se demasiadamente aos aspectos ligados à formação individual e ao relacionamento interpessoal. hoje. assumida como princípio científico e educativo apresenta-se como proposição metodológica fundamental para o rompimento das práticas de reprodução. Neste sentido. é colocá-lo no centro dos debates. assumida nas dimensões humana. Língua Portuguesa. contemplando igualmente a formação inicial do professor e sua contínua e melhor remuneração. muitas vezes se desenvolve direcionado apenas para o conhecimento cognitivo. em que o importante mesmo é o domínio dos conhecimentos daquela área. como afirma Barreiro (2006). geralmente. História. dinâmica.

Os povo se empilharam e apareci eu mesmo — Que formaram todos os corpos e todas as coisas humanas. por excelência. Todos levavam um a um os pedaços de mim mesmo..Nesse sentido. no espaço e no mundo. Introdução: Caminhar pelo mundo da educação.. a autora enfatiza a necessidade de se repensar o papel das disciplinas pedagógicas no ensino dos conteúdos específicos. Leitura Complementar 12 REFLEXÕES ACERCA DO MUNDO E DA EDUCAÇÃO Zuleide Blanco Rodrigues Graduada em Pedagogia (PUC-SP). não é senão. O estágio é o espaço. Como dizia Paulo Freire “A leitura do mundo precede a leitura da palavra”. pós-graduada em Educação (PUC-SP) e leciona no Colégio FMU. reviver através da memória. Esses saberes são mobilizados no momento da práxis educativa. onde podemos refletir sobre essas e outras questões referentes ao trabalho docente na sala de aula na sociedade. Para Refletir. a sala de aula é um local de convivência em que a pessoa do aluno. tendo a visão global do estágio poderá compreender esta experiência situando-se historicamente no tempo. contribuindo assim. o estágio na sala de aula das disciplinas específicas somente se constituirá um espaço de formação dos estagiários quando considerar os determinantes pedagógicos e políticos que condicionam para além daqueles característicos do ensino daquela disciplina. o trânsito e a perspectiva do futuro. Vygotsky. o começo. seus vínculos com a comunidade. Considerando que o ensino é um fenômeno complexo. com a organização e o funcionamento dos sistemas de ensino e deste com as políticas educacionais vigentes. sustenta o uso da memória quando diz que a capacidade criativa consiste em construir o novo reestruturando o velho. é importante o conhecimento das condições em que ocorra a aula: a cultura predominante na instituição escolar. o chamado Mozart da psicologia. qual a relevância do professor no processo educativo. as informações e. Não só no mundo da educação usa-se o prefixo 70 FTC EaD | HISTÓRIA . O professor em sua ação docente precisará recorrer ao conhecimento das áreas na qual é especialista. Segundo Macetto (1992). e a do professor como mediador entre o conhecimento. para a construção coletiva da identidade docente. Apollinaire Sendo assim. segundo Pimenta (2004). ao conhecimento pedagógico e ao conhecimento do sentido e significado da educação na formação humana. O estagiário. como sujeito da aprendizagem. a realidade e a sala de aula contribui para transformar o espaço escolar em momentos de ação e emancipação. Construíram-me pouco a pouco como se ergue uma torre. o conhecimento. Resumo: Prover subsídios para uma reflexão individual e/ou coletiva acerca do que seja a pedagogia.

enfatizando-se o cumprimento das regras rigidamente estabelecidas. As escolas que se formam são estatais ou particulares e acolhem os filhos de classes de dirigentes e médias.re. do professor. Hoje. da leitura e da escrita. A escola atual já não pode trabalhar numa lógica da técnica em que basta passar determinados conteúdos. A escola hoje deve ser o espaço que possibilita questionar criticamente. formuladores de novo fazer. os jovens e as crianças. ser transmitido de uma pessoa para outra. não pode. pela memória. não só em termos da pós-industrialização. profissão ou prática de ensinar”. dos erros e dos acertos e. segundo uma determinada concepção de vida. O estudo dos ideais de educação. sem dúvida é o local apropriado a tal formação. sobretudo. de parceiros. pura e simples. Por fim. interagir pela chat. O mundo antigo coloca como central a figura do pedagogo. É preciso ousar mais. que entre Egito e Grécia se vai articulando tanto no aspecto administrativo como cultural. aprende com seu aluno. que a controla e estimula. A formação e o desenvolvimento profissional são necessários e devem ser promovidos nas universidades. reinventar mais. daquele que reflete sobre sua prática. em relação às demandas humanas. mas. A escola de hoje precisa de bons profissionais como professores. a partir desse conhecimento retificar ou ratificar os princípios que norteiam esta ciência Pedagogia. Refletir acerca do mundo da educação é buscar argumentos que justifiquem o lento caminhar da pedagogia. a escolher. reconhecendo-lhes as qualidades. princípios e métodos de educação e instrução que tendem a um objetivo prático. A figura do pedagogo existe hoje como a figura do educador. para chegar a um mundo educativo que permita formar cidadãos conscientes dos fatos passados. Pedagogia: Segundo o dicionário Aurélio é “a teoria e ciência da educação e do ensino. recriar mais. ler um jornal. Conjunto de doutrinas. Só pode ser Estágio Supervisionado II 71 . mas construído a partir do diálogo e da relação interpessoal. reinventando a partir do resgate. Conhecimento ou informação? Quem é responsável? Conhecer é mais do que obter as informações ou ter acesso a elas. Resgatando-se a história deparamos com a instituição-escola. pois. A História é o exercício da memória realizado para compreender o presente e para nele ler as possibilidades do futuro. A figura do pedagogo surge na Grécia como o acompanhante da criança. o que está escrito nos textos. do mediador. Conhecer significa trabalhar as informações para que lhes sejam úteis. a tornar possível. mesmo que seja um futuro a construir. mas em todas as áreas do saber. de grandes transformações já não se contenta com a aquisição. do que já existe. uma revista. transmitindo-lhes educação básica. qualifica-se como protagonista da formação juvenil (exemplo Sócrates). São escolas que vão sofrendo transformações até a época helenística. e dos meios (processos e técnicas) mais eficientes para efetivar estes ideais. O momento atual. daquele que ao ensinar. sentir. fundamental na conquista de um viver de melhor qualidade. Conhecer transcende o ligar-se à internet. constituída do bem falar e do bem escrever. atuar. temos um mundo profundamente alterado. significativamente ativa na vida do indivíduo. porquanto estamos sempre reelaborando. reorganizando. O conhecimento é complexo. pensar. simplesmente. mas ser um espaço cultural onde se realiza uma mediação reflexiva entre as transformações sociais.

conhecimento elaborado. no mundo da educação. seja o obtido através da experiência de vida não é efêmero e se presta a insistentes debates e intenso estudo. mobiliza o indivíduo por inteiro. fundamentações teóricas. E colabora para que a discussão conjunta seja aprofundada. ajudando os alunos na organização de seus argumentos e justificativas. portanto.compreendido no todo se for relacionado com outros conhecimentos. com ideais educativos que passam a ser ideais de vida. de atuar e os resultados dessa atuação das gerações humanas. O processo educativo. contra-exemplos. professor da Faculdade de Educação da USP que há mais de 30 anos estuda a educação pública brasileira. não teremos um bom ensino”. ser o dono da verdade. Em síntese. O papel da escola. sem. 72 FTC EaD | HISTÓRIA . mas agir na necessidade de construir uma escola melhor. como bem nos aponta o verbete do dicionário. de 59 anos. consegue continuar a se desenvolver. Isto é feito através da solicitação de exemplos. contudo. observa Claudia Davis. é o de questionar criticamente os modos de pensar. 53 anos. com a subjetividade e com a realidade social do aluno.é o que nos diz o professor Vitor Henrique Paro. o papel da escola perante as demandas contemporâneas seria o de recriar a cultura na escola e a cultura que nos rodeia. ser a palavra final. doutora em psicologia da educação pela USP e professora do programa de pós-graduação da PUC de São Paulo. seja o formal transmitido pela escola. Grande parte desta responsabilidade cabe ao professor que deve agir como coordenador dos diálogos. Conclusão A reflexão sobre educação não se esgota jamais. O primeiro passo após a reflexão sobre um problema é ter consciência dele e resolvê-lo . O professor transforma-se num incentivador e articulador do diálogo. A pedagogia. “Enquanto não soubermos que a Educação depende de criar ou construir no aluno a vontade de aprender. afirma Vitor Paro. deixaremos de acreditar no ser humano”. “Se não acreditarmos na Educação. trabalha com uma série de técnicas. não só refletir. analogias. adquire capacidade de entender a vida de maneira global e. de sentir. Se o indivíduo aprende a raciocinar e a falar sobre os conteúdos. experiência. exposição das fontes de onde determinado argumento é retirado e dos critérios em que está embasado. Precisamos. a pedagogia pode-se dizer.

“Como vou dar aula se não tenho prática?”. se trabalho o dia todo?”.Atividade Complementar Somos. Diante das leituras e discussões. com suas palavras. qual a finalidade das duas dimensões apresentadas. 5. interpelando. “Em que horário vou estagiar. por que fazer estágio para quem já exerce o magistério? 2. 4. Justifique. Explique. Diante dessa proposição. “Posso trazer uma declaração de uma escola onde já trabalhei?”. ante esses questionamentos. Alves Franco 1. que respostas você daria com relação as especificidades do estágio supervisionado na formação profissional. O que significa “res-significar o estágio”? Estágio Supervisionado II 73 . aprendizes da profissão e estagiários da vida. sempre. O estágio se apresenta em duas dimensões: a de aprender a profissão e a da formação contínua. Observe os questionamentos: “Posso ser dispensado do estágio?”. Como você pensa em alicerçar a teoria e a prática no ensino de História? 3.

MUTUALIDADE – Complementaridade. por qualquer motivo. PROLETARIZAÇÃO – Ato ou efeito de tornar-se proletário. trabalhador que vive do próprio salário. ESTANQUES – Diz-se de compartimento fechado. para definir um mau estado de coisas. STATUS QUO – Emprega-se esta expressão. pleno. parece ser defendido por muita gente. em uma perspectiva realista. aparência da atmosfera ou do céu. apontando suas distorções e condicionamentos subjetivos. em um ponto de vista tendente ao idealismo. maçante. PRENHE – Repleto. natureza e limites do ato cognitivo. 74 FTC EaD | HISTÓRIA . gnoseologia. com o qual se está descontente mas que.Glossário CARIZ – Semblante. freq. CONVICÇÃO – Efeito de convencer. voltada para uma reflexão em torno da origem. ou sua precisão e veracidade objetivas. teoria do conhecimento. hábil. PAULIFICANTES – Enfadonho. FOROS – Jurisdições. em plena gravidez. aspecto. GNOSIOLÓGICO – Teoria geral do conhecimento humano. certeza adquirida. geralmente. INTELIGIBILIDADE – Capacidade de inteligência. DISCÊNCIA – Relativo a aluno.

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