4º SEMINÁRIO PAULISTA DE PERÍCIAS JUDICIAIS

26.08.2011
Centro Brasileiro Britânico - São Paulo / SP
Realização: IBAPE/SP

Cássia Alexandra Candido
Advogada

Apesar de a Justiça ser, no plano legal, acessível a
todos aqueles que a ela se dirijam, o ingresso em
juízo é oneroso.
A realidade demonstra que não são todos os que
podem arcar com os custos de uma demanda judicial,
incluindo-se os gastos com o processo e os
honorários de advogado.
Para a maioria da população, a idéia de litigar em
juízo, consultar um advogado, aparece como algo
inatingível, como um privilégio desfrutado somente
por quem possa pagar pelos serviços.

Veja-se que a lei não pode excluir da apreciação do Poder
Judiciário lesão ou ameaça a direito.
Assim, em que pese a necessidade de se pagar custas e
despesas para a movimentação da máquina judiciária, tal fato
não deve ser considerado como empecilho àqueles que não
têm recursos e necessitam socorrer-se do Judiciário.

Na falta de recursos para arcar com as custas e despesas
do processo, bem como com os honorários advocatícios,
sem prejuízo do próprio sustento ou da família, o
hipossuficiente pode e deve invocar dispositivos da Lei n°
1.060 de 05 de fevereiro de 1950 (nos termos de suas
alterações posteriores), a qual estabelece normas para
concessão de assistência judiciária aos necessitados,
bem como o disposto no artigo 5°, inciso LXXIV, da
Constituição Federal, o qual garante que o Estado
prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que
comprovarem insuficiência de recursos.

O Parágrafo único do artigo 2° da Lei n° 1.060/50,
considera como “necessitado”:
“Art. 2º. Gozarão dos benefícios desta Lei os nacionais ou
estrangeiros residentes no país, que necessitarem recorrer
à Justiça penal, civil, militar ou do trabalho.
Parágrafo único. - Considera-se NECESSITADO, para os
fins legais, todo aquele cuja situação econômica não lhe
permita pagar as custas do processo e os honorários de
advogado, sem prejuízo do sustento próprio ou da
família”. (grifei).
Obs.: O benefício aqui pode ser requerido tanto por pessoa
física quanto jurídica, independentemente da existência de
bens.

O artigo 3° da Lei n° 1.060/50 consigna que a assistência judiciária compreende
as seguintes isenções:
“Art. 3º. A assistência judiciária compreende as seguintes isenções:
I - das taxas judiciárias e dos selos;
II - dos emolumentos e custas devidos aos Juízes, órgãos do Ministério Público e
serventuários da justiça;
III - das despesas com as publicações indispensáveis no jornal encarregado da
divulgação dos atos oficiais;
IV - das indenizações devidas às testemunhas que, quando empregados,
receberão do empregador salário integral, como se em serviço estivessem,
ressalvado o direito regressivo contra o poder público federal, no Distrito Federal
e nos Territórios; ou contra o poder público estadual, nos Estados;
V - dos honorários de advogado e peritos.
VI – das despesas com a realização do exame de código genético – DNA que for
requisitado pela autoridade judiciária nas ações de investigação de paternidade
ou maternidade.(Incluído pela Lei nº 10.317, de 2001)
VII – dos depósitos previstos em lei para interposição de recurso, ajuizamento de
ação e demais atos processuais inerentes ao exercício da ampla defesa e do
contraditório. (Incluído pela Lei Complementar nº 132, de 2009)”. (grifei)

Dispõe o artigo 4° da Lei n° 1.060/50 que a parte gozará dos
benefícios da assistência judiciária, mediante simples
afirmação, de que não está em condições de pagar as custas do
processo e os honorários de advogado, sem prejuízo próprio ou
de sua família, presumindo-se pobre, até prova em contrário,
nos termos do §1°:

“Art. 4º. A parte gozará dos benefícios da assistência
judiciária, mediante SIMPLES AFIRMAÇÃO, na própria petição
inicial, de que não está em condições de pagar as custas do
processo e os honorários de advogado, sem prejuízo próprio
ou de sua família. (Redação dada pela Lei nº 7.510, de 1986)
§ 1º. Presume-se pobre, ATÉ PROVA EM CONTRÁRIO, quem
afirmar essa condição nos termos desta lei, sob pena de
pagamento até o décuplo das custas judiciais. (Redação dada
pela Lei nº 7.510, de 1986)

A Lei 1.060/50 dispõe sobre “assistência judiciária” e
“justiça gratuita”.

Por “assistência judiciária” entende-se o patrocínio
gratuito da causa por advogado. A assistência judiciária é
um serviço público organizado, consistente na defesa em
juízo do assistido, que deve ser oferecido pelo Estado, mas
que pode ser desempenhado por entidades não estatais,
conveniadas ou não com o Poder Público (Exemplo: OAB).
Por “justiça gratuita” entende-se a gratuidade das custas
e despesas relativas a atos necessários ao
desenvolvimento do processo e à defesa dos direitos do
beneficiário em juízo.

A Constituição Federal, por sua vez, no artigo 5°, inciso LXXIV,
garante “assistência jurídica integral e gratuita” aos que
comprovarem insuficiência de recursos:
“Art. 5° (...)
LXXIV - o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita
aos que comprovarem insuficiência de recursos”. (grifei).
Assim, temos que a “assistência jurídica integral e gratuita”, é
mais ampla, trata-se de um benefício que compreende tanto a
assistência judiciária (defesa em juízo) como a prestação de
outros serviços jurídicos extrajudiciais, além da isenção de toda
e qualquer despesa necessária ao pleno exercício dos direitos e
das faculdades processuais, sejam tais despesas judiciais ou não.

De acordo com a Lei n° 1.060/50, basta que a pessoa afirme não
ter condições de arcar com as custas do processo e os
honorários de advogado, sem prejuízo do sustento próprio ou
da família para que seja beneficiado com a gratuidade, servindo
tal afirmação como prova da insuficiência de recursos, para
efeitos do artigo 5°, inciso LXXIV, senão vejamos o acórdão
abaixo:

"A declaração da própria pobreza basta ao litigante para a
obtenção da assistência judiciária gratuita (Lei n° 1.060/50,
art. 2°, parágrafo único, e art. 4°), correspondendo a prova a
que alude preceito da Constituição Federal - art. 5°, LXXIV),
ausentes, na espécie, "fundadas razões" (lei idem, art. 5°) para o
indeferimento." (TJ/SP 28ª Câmara de Direito Privado - AI n°
990.10.077463-8 - Rei. Des. Celso Pimentel). (grifei).

Diante da singeleza do requerimento de Justiça
Gratuita, não raro, são verificados abusos. Muitas
pessoas têm condições de arcar com as custas e
despesas do processos, bem como com os
honorários advocatícios e mesmo assim declaram-se
pobres e requerem os benefícios da Lei 1.060/50,
causando prejuízos ao Estado que assumiu o encargo
e prestar assistência jurídica integral e gratuita
àqueles que realmente são desprovidos de recursos.

Tecidas tais considerações e conforme já dito, a justiça gratuita
isenta os beneficiários do pagamento dos honorários do perito.

Nestes casos os honorários periciais são pagos com recursos do
Fundo de Assistência Judiciária – FAJ.
Ocorre que, os honorários periciais pagos com os recursos do
Fundo de Assistência Judiciária na maior parte dos casos estão
aquém do valor que o perito judicial faz jus e são insuficientes
para cobrir as despesas necessárias à realização da perícia.
Veja-se que a Lei 1.060/50 aduz que as partes beneficiárias da
justiça gratuita são isentas dos honorários dos peritos. Neste
caso pergunta-se: a isenção abrange também as despesas
necessárias à realização da perícia?

O artigo 146 do Código de Processo Civil indica que o
perito tem o dever de cumprir seu ofício, no entanto,
pode escusar-se do encargo alegando motivo legítimo:

“Art. 146 - O perito tem o dever de cumprir o ofício, no
prazo que lhe assina a lei, empregando toda a sua
diligência; pode, todavia, escusar-se do encargo
alegando motivo legítimo.
Parágrafo único - A escusa será apresentada dentro de 5
(cinco) dias, contados da intimação ou do impedimento
superveniente, sob pena de se reputar renunciado o
direito a alegá-la (Art. 423)”. (grifei).

Dispõem os artigos 422 a 424, do Código de Processo Civil:
“Art. 422 - O perito cumprirá escrupulosamente o encargo que lhe foi
cometido, independentemente de termo de compromisso. Os assistentes
técnicos são de confiança da parte, não sujeitos a impedimento ou
suspeição”. (grifei)
“Art. 423 - O PERITO PODE ESCUSAR-SE (Art. 146), ou ser recusado por
impedimento ou suspeição (Art. 138, III); AO ACEITAR A ESCUSA ou
julgar procedente a impugnação, O JUIZ NOMEARÁ NOVO PERITO”.
(grifei)
“Art. 424 - O perito pode ser substituído quando:
I - carecer de conhecimento técnico ou científico;
II - SEM MOTIVO LEGÍTIMO, deixar de cumprir o encargo no prazo que
lhe foi assinado”.
Parágrafo único - No caso previsto no inciso II, O JUIZ COMUNICARÁ A
OCORRÊNCIA À CORPORAÇÃO PROFISSIONAL RESPECTIVA, podendo,
ainda, impor multa ao perito, fixada tendo em vista o valor da causa e o
possível prejuízo decorrente do atraso no processo”. (grifei).

Veja-se que o perito tem o dever de cumprir o ofício. Não obstante, poderá
escusar-se do encargo alegando “motivo legítimo”.
Tem-se por motivos legítimos:
-

-

-

a ocorrência de força maior;
tratar-se de perícia relativa à matéria sobre a qual se considere inabilitado
para apreciá-la (CPC art. 424, inciso I);
versar a perícia sobre questão a que não possa responder sem grave dano
a si próprio, bem como ao seu cônjuge e aos parentes consangüíneos ou
afins, em linha reta, ou na colateral em segundo grau (CPC, art. 406, inciso
I);
versar a perícia sobre fato, a cujo respeito, por estado ou profissão, deva
guardar sigilo (CPC, art. 406, n.º II);
ser militar ou funcionário público, pessoas essas que somente são
obrigadas a aceitar o encargo mediante sua requisição ao comando ou ao
chefe da repartição a que estiverem subordinados (CPC, art. 412, § 2º);
versar a perícia sobre assunto em que interveio como interessado;
estar ocupado com outra ou outras perícias, no mesmo lapso de tempo, e
em condições de não poder aceitar aquela para a qual vem de ser
nomeado ou indicado.
etc.

Os honorários periciais fixados em ações onde as
partes são beneficiárias da Justiça Gratuita e o
não pagamento das despesas necessárias à
realização da prova pericial, podem ser
considerados motivos legítimos para o perito
declinar do encargo?
A jurisprudência se divide, conforme será
verificado a seguir.

O acórdão abaixo indica que não é lícito ao perito incluir entre as
razões da escusa a falta ou a demora no pagamento dos honorários,
senão vejamos:
"O perito é um auxiliar do Juízo, diz o artigo 139 do Código de
Processo Civil. Ao ser nomeado, tem o dever de cumprir o seu ofício,
empregando nele toda a sua diligência (artigo 146 do Código de
Processo Civil). Poderá escusar-se, alegando motivo legítimo, (artigos
146 e 423 do Código de Processo Civil), mas entre as razões da escusa
não lhe será lícito incluir a falta ou demora no pagamento de
honorários. Isto porque o encargo se apresenta como um munus
público, a exemplo do que ocorre com os demais auxiliares do Juízo,
que funcionários da justiça não são, e nem guardam vínculo
permanente com o serviço público, mas àquela prestam a sua efetiva
colaboração, independentemente do recebimento de honorários. É o
que ocorre com a testemunha que vem prestar o seu depoimento em
Juízo, com o Curador à lide, com o jurado, com o Advogado nomeado
ad hoc para intervir como defensor do réu em audiência que está para
se realizar." (Tribunal de Justiça de São Paulo, em acórdão relatado
pelo Des. Luiz de Azevedo: RJTJ-SP, vol. 114, p. 340). (grifei).

Assim decidiu o Tribunal de Justiça de São Paulo, em acórdão
relatado pelo Des. Cezar Peluso:

"Daí, a sensata e jurídica conclusão de que salários de perito, para
efeito de justiça gratuita, compreendem assim o estipêndio que se
daria por conta do trabalho pessoal, como todas as demais despesas
pessoais, ou materiais, necessárias ao desempenho do encargo,
como as concernentes a serviços técnicos complementares, ou
suplementares, custos de documentação e transportes, bem como
outros gastos, sob rubrica de despesas indiretas. A larga isenção
legal apanha também os terceiros prestadores, que não podem exigir
pagamento algum ao necessitado. E as despesas materiais, que, em
princípio poderiam recobradas ao erário público, sobre o qual pesa
outra promessa constitucional, a da assistência judiciária (artigo 153,
§32), se o não são, devem suportadas do perito, que delas se
indeniza, com folga, por generosos salários e reembolsos pagos
noutras causas."
(RJTJ-SP, vol. 114, p. 332).

No acórdão a seguir apresentado, verifica-se que a imposição de
depósito de “complemento” em favor do perito para cobrir as
despesas necessárias à perícia não é cabível. Não obstante, há de se
consignar que foi dado provimento ao recurso por maioria de votos e
não por unanimidade, ou seja, um dos Desembargadores discordou do
entendimento adotado, senão vejamos:

“Agravo de Instrumento. Gratuidade da Justiça - Concessão –
Inexigibilidade de custas e despesas processuais da parte que goza do
benefício - DESCABIMENTO DA IMPOSIÇÃO DE DEPÓSITO DE
"COMPLEMENTO" EM FAVOR DO PERITO JUDICIAL ALÉM DA VERBA
JÁ CUSTEADA PELO FUNDO DE ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA DA
DEFENSORIA PÚBLICA. Dá-se provimento ao recurso”. (grifei). (TJ/SP Agravo de Instrumento n° 0474868-35.2010.8.26.0000 – 5ª Câmara de
Direito Privado - Participaram do Julgamento: Des. CHRISTINE SANTINI
ANAFE (Relatora), Des. J. L. MÔNACO DA SILVA (Presidente sem voto),
SILVÉRIO RIBEIRO e A. C. MATHIAS COLTRO em 16.02.2011).

Neste caso, foi relatado o seguinte:
“(...) INEXIGÍVEL da parte beneficiária da gratuidade da justiça o
pagamento de custas ou despesas processuais, AQUI INCLUÍDAS
VERBAS NECESSÁRIAS À REALIZAÇÃO DE PERÍCIA TÉCNICA, sob pena
de ser ferido o direito constitucional de acesso à Justiça por pessoa de
parcos recursos (...). E foi exatamente o que ocorreu no caso em tela, já
que a Defensoria Pública noticiou o custeio da prova com base em sua
tabela, para o fim de evitar a falta de remuneração do expert. SE ESSE
ENTENDE QUE O VALOR SEJA POR DEMAIS MODESTO, DEVE
DECLINAR DA NOMEAÇÃO, PARA QUE O JUÍZO DECIDA A RESPEITO.
Jamais poderá ser exigido do beneficiário da gratuidade da justiça o
pagamento de ESDRÚXULO "complemento" na forma da R. Decisão
agravada. ASSIM, DEVE SER DADO PROVIMENTO AO RECURSO, PARA
AFASTAR A DETERMINAÇÃO DE DEPÓSITO PELA AGRAVANTE DO
"COMPLEMENTO" PARA CUSTEIO DA PROVA TÉCNICA, DEVENDO, SE
CASO, SER SUBSTITUÍDO O PERITO JUDICIAL POR OUTRO”. (grifei).

Interesse trazer ao debate o entendimento do
Desembargador Silvério Ribeiro, voto vencido no
julgamento deste recurso, senão vejamos:
“O perito, conquanto auxiliar da justiça, não tem
obrigação de trabalhar de graça, uma vez que não é
servidor público e não tem cargo oficial. A verba liberada
pela Defensoria Pública é de R$ 484,00 e não supre as
necessidades do perito para elaborar o laudo, pelo que
necessita de R$ 800,00 para os serviços de
levantamento topográfico. (...), sempre entendi caber à
parte, mesmo beneficiária de gratuidade de justiça,
pagar os serviços que suportem as despesas mínimas do
perito”. (grifei).

No acórdão abaixo apresentado, o entendimento é o de que a
isenção legal alcança custas e honorários, mas não as despesas
periciais, senão vejamos:
“Usucapião - Perícia - Despesas - A isenção legal alcança
custas e honorária, mas não as despesas periciais, não
havendo como se exigir que o auxiliar da Justiça custeie o
próprio trabalho - Precedentes, inclusive da própria Câmara Agravo parcialmente provido, apenas para determinar a
fixação dos honorários dentro da tabela da Defensoria Pública,
que deverá proceder ao pagamento”. (TJ/SP - Agravo de
Instrumento n° 680.194-4/9-00 – 6ª Câmara de Direito Privado –
Participaram do Julgamento: PERCIVAL NOGUEIRA (Presidente e
Relator), JOSÉ JOAQUIM DOS SANTOS e ROBERTO SOLIMENE –
08.10.2009). (grifei).

Do voto acima podemos extrair o seguinte:
“Os agravantes são beneficiários da assistência judiciária gratuita, nos termos
da Lei 1.060/50. Portanto, nos termos no artigo 3°, V, do referido diploma legal,
não podem arcar com a verba honorária do perito judicial. Portanto, deverá o
ilustre magistrado fixar o valor dos honorários da perita dentro dos limites
estabelecidos pela Defensoria Pública, a qual deverá arcar com tal verba.
QUANTO ÀS DESPESAS PARA A PERÍCIA, EM TEMA DE REALIZAÇÃO DA
REFERIDA PROVA, OS BENEFICIÁRIOS DA GRATUIDADE JUDICIÁRIA ESTÃO
DESOBRIGADOS APENAS DO PAGAMENTO DOS HONORÁRIOS, MAS NÃO DAS
DESPESAS PRÓPRIAS E INDISPENSÁVEIS À REALIZAÇÃO DA PERÍCIA. Isso
porque seria inadmissível obrigar o perito a, além de se sujeitar aos azares e
rigores da cobrança de seus honorários pela Fazenda Pública Estadual,
suportar prejuízo para exercício de seu mister, pagando de seu próprio bolso
as necessárias despesas com levantamento topográfico, transporte,
fotografias, cópias de plantas etc. Nesse sentido já decidiu esta própria A.
Câmara, em julgado relatado pelo i. Des. REIS KUNTZ (A. I. n° 224.503-1/3-00).
No mesmo sentido, também desta C. Corte: A.I. n°s 84.694-1, 96.585-1,
119.155-4/4-00, 135.459-1, 140.794-4/9-00, 159.831-1, 168.333.1/0, 187.7551, 252.068.1/7-00. Portanto, pelo exposto, meu voto é pelo PARCIAL
PROVIMENTO AO AGRAVO, APENAS PARA ISENTAR OS AGRAVANTES DO
PAGAMENTO DOS HONORÁRIOS PERICIAIS, DEVENDO O MAGISTRADO FIXÁLOS NOS LIMITES ESTABELECIDOS PELA DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE
SÃO PAULO, A QUAL DEVERÁ ARCAR COM TAL VERBA. QUANTO ÀS DESPESAS
PARA PERÍCIA, DEVERÃO OS AGRAVANTES ARCAR COM TAL ENCARGO”. (grifei).

Outra situação enfrentada pelos peritos nos casos de
Justiça Gratuita é quanto ao recebimento de seus
honorários.
Vimos que os honorários periciais são pagos com recursos
do Fundo de Assistência Judiciária, contudo, não raro, os
peritos encontram dificuldades para recebê-los
administrativamente.
Nestes casos, podem e devem os peritos propor ação
judicial com a finalidade de cobrar do Estado os
honorários periciais que lhes foram arbitrados nas ações
onde as partes se beneficiaram com a isenção do
pagamento dos mesmos.

É pacífico na jurisprudência que o Estado é o responsável pelo pagamento
dos honorários periciais arbitrados nos casos de Justiça Gratuita :
EMENTA: RESPONSABILIDADE DO ESTADO - PERITO JUDICIAL - ASSISTÊNCIA
JUDICIÁRIA - HONORÁRIOS DEVIDOS PELO ESTADO - AÇÃO PARCIALMENTE
PROCEDENTE - RECURSO IMPROVIDO. "A Constituição da República Federativa
do Brasil assegura que o 'ESTADO prestará assistência jurídica integral aos que
comprovarem insuficiência de recursos' (art. 5°, inciso LXXIV). A concessão de
assistência jurídica aos necessitados, envolve honorários de advogado e peritos
(art. 3°, inciso V . Destarte, o direito à tutela jurisdicional é assegurado a todos
indistintamente e aos necessitados com o amparo do Estado. Logo, o
engenheiro que, regularmente foi nomeado como perito, prestou relevantes
serviços ao Estado, na medida em que, como auxiliar do Juízo, resguardou a
plenitude da tutela jurídica individual. Assim, pelos seus honorários deve
responder o Estado". (APELAÇÃO COM REVISÃO N° 1170787-0/9. Seção de
Direito Privado – 31ª Câmara. COMARCA DA CAPITAL. APELANTE: FAZENDA DO
ESTADO. Relator: JOÃO OMAR MARÇURA. 15/09/2009 – TJSP – consulta
realizada em 16/11/2009). (grifei).

Em alguns casos, verifica-se que os magistrados fixam os honorários
periciais acima dos limites previstos na Tabela de Honorários Periciais da
Defensoria Pública, o que também é motivo de discussão nas ações que
têm por finalidade a cobrança dos honorários. Isso porque, de acordo com
o artigo 585, inciso VI, os honorários de peritos que forem aprovados por
decisão judicial constituem-se títulos executivos extrajudiciais:

“Art. 585. São títulos executivos extrajudiciais:
(...) VI - o crédito de serventuário de justiça, de perito, de intérprete, ou de
tradutor, quando as custas, emolumentos ou honorários forem aprovados
por decisão judicial”.
Deste modo, existem entendimentos de que é cabível propositura de ação
contra a Fazenda Pública do Estado pleiteando o pagamento de honorários
periciais arbitrados em valores superiores aos previstos na Tabela de
Honorários Periciais da Defensoria Pública, corroborando a pretensão o
fato de que os honorários periciais devem ser arbitrados com base no
trabalho desenvolvido pelo profissional.

Finalizando, estas são apenas algumas das diversas situações
enfrentadas pelos peritos nos processos em que há concessão de
Justiça Gratuita.

Particularmente, acredito que se a parte é beneficiária da Justiça
Gratuita, a isenção deve recair não somente sobre os honorários
periciais, mas também sobre as despesas necessárias com a
realização da perícia, em atendimento à garantia constitucional
prevista.
Contudo, não acho justo que o perito judicial deva arcar com as
despesas necessárias à realização das perícias, principalmente
quando os honorários fixados não refletirem o trabalho que deverá
ser desempenhado.
Assim, s.m.j., entendo que a fixação dos honorários periciais deva ser
condizente com o trabalho executado e que o Estado deve arcar não
só com os honorários do perito, mas também com as despesas
oriundas da perícia, nos casos de Justiça Gratuita.

Contato:
E-mail: candido.advocacia@gmail.com
Telefone: (11) 4436-6413