Normas e Práticas

Tributárias

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Normas e Práticas Tributárias
Aula 01
Sistema Tributário Nacional e Princípios Constitucionais
Tributários

Objetivos Específicos
• Compreender os princípios das normas tributárias.

Temas
Introdução
1 O Estado e a Tributação
2 Princípios Constitucionais Tributários
3 Sistema Tributário Nacional
4 Federalismo Fiscal
Considerações finais
Referências

Professor

Daniel da Cunda Corrêa da Silva

Normas e Práticas Tributárias

Introdução
Durante o nosso dia a dia, utilizamos, o tempo todo, os serviços públicos. Alguns deles
são mais visíveis, como o transporte, a saúde e a educação. Outros, no entanto, não são
diretamente visíveis a olho nu.

Você já parou para pensar sobre como a água ou a luz que você consome
chegam até a sua casa?

Historicamente, entre as civilizações mais antigas, a cobrança de tributos servia,
sobretudo, para que uma unidade política organizada pudesse garantir coletivamente a
segurança de uma determinada sociedade. A unidade política acabou configurando-se no
que hoje conhecemos como Estado-nação, responsável não só por fomentar determinados
serviços públicos, mas também por gerar riquezas e promover a manutenção dos bens do
próprio Estado. Todos esses bens e serviços providos pelos governos possuem os seus custos,
que não são pequenos.
Para interpretar melhor de que maneira tais recursos são captados e geridos pela
administração pública, realizaremos um estudo apurado, nas próximas páginas, das mais
importantes normas e práticas tributárias.

1 O Estado e a Tributação
Após considerarmos que o Estado-nação é, por excelência, o ente responsável
pela tributação, é preciso verificar quais são as bases sobre as quais Estado e tributação
se estruturam. Sendo assim, este capítulo destina-se a apresentar os conceitos de poder
tributário, receitas públicas e competência tributária.

1.1 Poder Tributário
Nenhum tributo pode ser cobrado de uma pessoa sem que o poder de tributar seja
reconhecido e legitimado. O poder tributário é a possibilidade que o Estado tem de cobrar
tributos e impor o seu pagamento junto a seus cidadãos. O Estado-nação, considerado como
uma entidade política soberana, detém poder político. De acordo com Denari (2008, p. 22):
“Onde quer que exista poder político, existe poder tributário”.
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relacionada com a venda de bens produzidos e o pagamento pela promoção de serviços. são responsáveis por definir se um tributo vai incidir sobre a renda. é importante mencionar que o direito de tributar não é absolutamente irrestrito. canalizados em direção aos cofres públicos. são os legisladores – enquanto representantes do poder político do Estado – que. Vejamos as principais características de cada uma delas. de alguma forma. estabelecem-se algumas limitações à capacidade de tributar. energia e telecomunicações (quando providos pelo Estado). Receitas originárias patrimoniais são todas aquelas que derivam de arrendamento do espaço público. Sendo assim. locação e/ou venda de bens públicos móveis ou imóveis. por exemplo. ou seja.2.2 O Conceito de Receitas Públicas As regras que coordenam a tributação dentro de um país são chamadas de normas tributárias. especificamente.1.Normas e Práticas Tributárias Dentro de um Estado de Direito adepto da Democracia Representativa.1 Receitas originárias e receitas derivadas As receitas originárias são aquelas que têm origem a partir do patrimônio público ou da atuação do Estado enquanto produtor de bens e/ou provedor de serviços.Todos os Direitos Reservados 3 . sobre a circulação de riquezas etc.1 Limitações ao poder de tributar Mesmo com a soberania do Estado. na área das chamadas receitas públicas. como é o caso do Brasil. Na Constituição Federal do Brasil. de 1988. representam as receitas todo o dinheiro que vai para um Estado em situação definitiva. é o Poder Legislativo o principal responsável por incorporar o Poder Tributário de um Estado. às chamadas imunidades tributárias. quando não são passíveis de restituição. sobre o patrimônio. São as receitas provenientes. tarifas postais. jornais). 1. as receitas originárias podem ser subdivididas em receitas originárias patrimoniais e receitas originárias empresariais. As normas tributárias estão contidas dentro de um terreno mais amplo. Já as receitas originárias empresariais são aquelas que derivam da atividade propriamente econômica do Estado. 1. por sua vez. As imunidades podem ser de pessoas jurídicas (entidades religiosas. das tarifas cobradas dentro dos setores de transporte. organizações sem fins lucrativos) ou de objetos (livros. revistas. sobre o valor adicionado. As receitas públicas podem ser divididas em duas categorias. representam todos os recursos financeiros que são. as originárias e as derivadas. 1. Em última análise. Nesse caso. via de regra. Senac São Paulo. Essas limitações referem-se. Estas.

O estabelecimento das competências tributárias é dado pela Constituição Federal de 1988. VI. fundamentam-se nos poderes impositivos do Estado. o Imposto de Renda Pessoa Física ou Jurídica (IRPF e IRPJ) e os empréstimos compulsórios (BRASIL. câmbio e seguro. De acordo com o art. por sua vez. Sobre Produtos Industrializados (IPI). é de Competência Privativa da União a deliberação a respeito dos seguintes impostos: I. estados. III. Sobre a propriedade territorial rural (ITR). envolvendo o patrimônio. art. 1. 1988. art. 1988). 155): Senac São Paulo. 153 Constituição Brasileira.Todos os Direitos Reservados 4 . comum e residual. Sobre operações de crédito. por exemplo. a renda ou o consumo de entes que não pertencem ao Estado. Sobre as rendas e proventos de qualquer natureza (IRPF e IRPJ). Competência privativa: atribuída exclusivamente a um dos entes políticos. VII. Sobre as grandes fortunas (IGF) (BRASIL.Normas e Práticas Tributárias Receitas derivadas. Vejamos cada uma delas. a competência da União para instituir e legislar a respeito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). a. 155): I. Sobre a transmissão causa mortis e a doação de bens ou direitos (ITCM). II. Sobre a Exportação de produtos nacionais ou nacionalizados para o exterior (IE). 1988. III. É de competência privativa dos municípios a deliberação a respeito dos seguintes impostos (BRASIL. são aquelas que se baseiam na atividade coercitiva do Estado. 1988). IV. para instituir tributos discriminados na Constituição. Sobre a propriedade de veículos automotores (IPVA). É de competência privativa dos estados e do Distrito Federal a deliberação a respeito dos seguintes impostos (BRASIL. II. atribuindo competência tributária a cada um desses entes políticos. Distrito Federal e municípios) de instituir tributos. Sobre as operações de circulação de mercadorias e prestação de serviços (ICMS).3 Competência Tributária A competência tributária é a possibilidade atribuída às pessoas jurídicas de direito público (União. ou seja. Sobre a Importação de Produtos Estrangeiros (II). ou relativos a ações e outros títulos mobiliários (IOF). V. A Constituição brasileira apresenta três modalidades de competência: privativa.

são apresentados os chamados Princípios Constitucionais Tributários. Entretanto. Em outros termos. as taxas e as contribuições de melhoria. existe um capítulo específico para tratar do Sistema Tributário Nacional. ou seja. c. III. • Reserva de Lei Complementar. • Princípio da Isonomia Tributária. São comuns. Sobre Serviços de qualquer natureza. Toda e qualquer lei no território nacional que seja feita sobre tributos precisa respeitar esses princípios constitucionais. todos eles podem criar ou elevar os tributos de determinados casos. 2 Princípios Constitucionais Tributários Dentro da Carta Constitucional Brasileira de 1988. 1988): • Princípio da Legalidade.Todos os Direitos Reservados 5 . porque se relacionam à instituição de novos tributos não cumulativos. Desses princípios. por exemplo. • Princípio da Anterioridade. definidos em lei complementar (ISS). os principais são (BRASIL. Sobre a transmissão inter vivos de bens imóveis (ITBI). Nele. • Princípio da Irretroatividade Tributária. são a capacidade de criar novos tributos que não tenham explicitamente uma competência destinada na Constituição Federal. II. são diferentes das competências privativas. Senac São Paulo. • Reserva de Lei para Anistia. sem que haja qualquer similaridade com os outros tributos discriminados na Constituição. • Princípio da Não Discriminação Tributária. Sobre a propriedade predial e territorial urbana (IPTU). aos estados e aos municípios sem distinções. Competências residuais: essas competências são atribuídas exclusivamente à União. • Princípio da Competência. b. Competências comuns: são atribuídas à União.Normas e Práticas Tributárias I. • Princípio da Tipologia Tributária. • Princípio da Uniformidade Geográfica. logo no início. Vejamos agora cada um desses princípios detalhadamente.

não é permitido que eles tenham tratamento desigual no que se refere ao seu pagamento. no entanto. Senac São Paulo. rendimentos.2 Princípio da Isonomia Tributária Você possivelmente já ouviu falar que “todos são iguais perante a lei”. não está passando por uma situação semelhante. decretos e portarias.1 Princípio da Legalidade De acordo com esse princípio. é preciso ter em mente que existem outras normas dentro do Direito as quais não são necessariamente leis. Isso pode parecer de certa forma intuitivo ou até natural. Nesse caso. que está presente na Constituição Federal de 1988. títulos e/ou direitos de naturezas diferentes. O princípio da isonomia tributária é utilizado muitas vezes por empresas em processos na justiça. uma lei que entra em vigor em 2015 não pode requerer o pagamento de tributos referentes aos anos de 2014. pois várias delas sentem-se discriminadas de alguma maneira. podem criar ou elevar tributos. então. Em outros termos. funções diferentes. por exemplo. salvo as leis. É fundamental observar a parte jurídica dos concorrentes e averiguar se a sua empresa. 2. elas ainda assim devem ser tratadas de maneira igualitária diante de um tributo.Normas e Práticas Tributárias 2. como instruções normativas. Essa frase deriva do chamado Princípio da Isonomia. possuir a mesma base de cálculo do tributo. ou seja. nenhuma delas. ou. envolvendo os mais diversos tributos. Ele diz que. principalmente no que se refere à aplicação de alíquotas ou ao questionando os critérios para o estabelecimento de bases de cálculo. A isonomia tributária deriva desse princípio. lembre-se que mesmo que duas pessoas tenham profissões diferentes. tanto a obrigação de pagamento quanto o aumento de um tributo só podem ocorrer através de uma lei. 2.3 Princípio da Irretroatividade Tributária Não se pode cobrar um tributo referente a exercícios que antecedem a vigência de uma Lei que instaura ou eleva a alíquota deste tributo. Portanto. se dois contribuintes estão em situação equivalente diante de um tributo.Todos os Direitos Reservados 6 . 2013 ou 2012. ou a empresa em que você trabalha. devem pagar a mesma alíquota.

de exportação (IE).Normas e Práticas Tributárias 2. 2.Todos os Direitos Reservados 7 . ajudando a regular algum indicador essencial para a economia em dado momento. Diante de um cenário em que os brasileiros gastavam cada vez mais no exterior e aproveitando o efeito sazonal das compras de final de ano e férias escolares. entre outros aspectos. Por exemplo. Dentro do Direito. A medida foi emergencial e tinha como objetivo garantir o abastecimento desse cereal no Brasil. um aumento no IPVA aprovado em 2014 só terá validade a partir do ano de 2015. Além disso. é preciso que se tenha a aprovação de maioria absoluta do Poder Legislativo. Nesses casos. Atenção! Há exceções para este princípio. CSLL etc. Por exemplo. sobre produtos industrializados (IPI) e sobre operações financeiras (IOF). pois ele não se aplica aos impostos de importação (II). as Leis Complementares possuem um enquadramento hierárquico importante. sofrem elevação após 90 dias da publicação da lei. Via de regra. o governo brasileiro zerou o imposto de importação sobre o trigo. eles são regulamentados por meio das chamadas Leis Complementares.4 Princípio da Anterioridade De maneira geral. Outro exemplo foi o aumento do IOF em dezembro de 2013. Para que se possa criar ou alterar uma Lei Complementar – e. portanto. em junho de 2014. esses impostos ajudam a administrar o balanço de pagamentos e a balança comercial. Senac São Paulo. o governo decidiu elevar a alíquota do imposto sobre as operações com cartão de débito. a arrecadação. é proibido que uma lei aumente uma alíquota ou crie um tributo no mesmo ano da sua edição. cheques de viagem e cartões pré-pagos no exterior. COFINS.5 Princípio da Reserva de Lei Complementar Como a criação ou a alteração de um tributo tem a possibilidade de mudar significativamente a vida de um ou de vários segmentos sociais. um tributo –. as chamadas contribuições sociais. tais como PIS. estando apenas abaixo das leis constitucionais e das emendas à constituição. Por outro lado.. para aprovar uma Lei Ordinária – que possui menor peso na hierarquia das leis – é necessária apenas uma maioria simples. diante de uma safra insuficiente no Mercosul. de forma importante. aumentando. esses impostos acabam por auxiliar o governo na sua política macroeconômica.

é necessário que se tenha 50% mais 1 do total dos membros de cada uma das duas casas legislativas do Brasil (Câmara dos Deputados e Senado Federal). Senac São Paulo. temos um total de 513 deputados e 81 senadores. estadual ou municipal. Como hoje. na segunda.Todos os Direitos Reservados 8 . Assembleia Legislativa. basta que se tenha a maioria dos membros presentes na seção de cada uma das duas casas. se dará por meio da Casa Legislativa (Senado. 2. a capacidade de criar e cobrar tributos.6 Princípio da Reserva de Lei Para Anistia Em alguns casos.Normas e Práticas Tributárias A diferença entre maioria absoluta e maioria simples é que. ou seja. Assembleia Legislativa. quantos votos são necessários para que um tributo seja criado ou alterado no país? Para saber mais sobre a hierarquia das leis brasileiras e de que forma cada uma delas pode ser alterada. as pessoas ou as empresas podem ser liberadas do pagamento de um tributo. na primeira. seja ela federal. acesse o artigo que se encontra disponível na Midiateca.7 Princípio da Competência Este princípio diz que o exercício da competência tributária. Este princípio diz que o perdão de uma obrigação tributária só pode ocorrer mediante uma lei específica para o tema. 2. estados e municípios). Câmara dos Deputados. no Brasil. o que configura uma situação de anistia. Câmara de Vereadores) dos entes federativos (União.

até que se atinja proporcionalmente o montante de 10% do Produto Interno Bruto. não podendo criar distinções em relação aos estados. Na prática. Com este princípio. um legislador não pode criar um imposto para que a educação receba mais investimentos. chama-se Princípio da Indelegabilidade da Competência Tributária.Normas e Práticas Tributárias 2.11 Princípio da Indelegabilidade Nessa altura. já que não havia mecanismos imediatos de compensação.Todos os Direitos Reservados 9 . Uma redução drástica desse imposto – como foi o caso da última redução do IPI para a indústria automobilística no Brasil – afeta diretamente o poder de arrecadação dos municípios. A ele. é importante mencionar também que existe um princípio constitucional que não permite a transferência de competências entre as instituições jurídicas de direito público. que visa destinar parte da arrecadação nacional diretamente para a educação. Em termos gerais. como foi o caso da votação no Congresso Nacional. aos municípios e ao Distrito Federal. Sendo assim. parte do Fundo de Participação dos Municípios é composta pela receita que vem do IPI. por exemplo. Em função disso. Distrito Federal.8 Princípio da Uniformidade Geográfica De acordo com a Uniformidade Geográfica. De acordo Senac São Paulo. bases de cálculo ou qualquer outra fórmula tributária em benefício ou prejuízo da economia da União. muitos prefeitos reclamaram que o princípio da não discriminação tributária não estava sendo respeitado pela União. contribuições e taxas.10 Princípio da Tipologia Tributária Os tributos são a forma genérica de arrecadação do Estado. 2. 2. Tratando concretamente o caso. temos vários tributos que possuem receitas compartilhadas entre União. tenta-se evitar o que poderia se caracterizar como uma espécie de boicote entre unidades federadas. o que quer dizer exatamente este princípio? No Brasil. Mas. a tributação da União deve ser uniforme em todo o território nacional. podemos dizer que o Princípio da Tipologia Tributária diz que as taxas e os impostos não podem ter a mesma base de cálculo e nem hipótese de incidência. 2. ou seja. podendo dividir-se entre impostos.9 Princípio da Não Discriminação Tributária É proibida a manipulação de alíquotas. de acordo com o Código Tributário Nacional. a aplicação de sua receita não pode ser definida pela lei. um imposto não pode ter natureza vinculativa. procura-se executar essa vinculação de forma mais genérica. se. estados-parte e municípios. dos estados ou dos municípios.

é importante frisar que um tributo não pode constituir a sanção de um ato ilícito (ou seja. Por outro lado. • s e um município opta por não cobrar ISS em seus domínios. 145 ao art. a União pode delegar aos estados. assim como um estado não pode fazer o mesmo com relação a um município. O que é vetado pelo Princípio da Indelegabilidade é a instituição em si do tributo. antes de mais nada. Mesmo que pago de maneira obrigatória. mas são direcionados a corrigir certas distorções Senac São Paulo. Quanto à aplicação. posteriormente. responder à pergunta: afinal. sem traços de penalidade. existem dois tipos de tributos. 3 Sistema Tributário Nacional Em geral. Tributo Extrafiscal: existem casos em que os tributos não se dirigem diretamente à pessoa jurídica de direito público. os entes podem delegar entre si algumas competências no que se refere a atos administrativos com relação a esses mesmos tributos. mas sim uma obrigatoriedade de pagamento por pertencer a uma organização social. a União não pode delegar a um estado a cobrança de determinado tributo. Em outras palavras. fiscalizar ou cobrar judicialmente alguns tributos. podemos afirmar que o Sistema Tributário Nacional (STN) é composto pelo conjunto das informações existentes do art. isso significa que o município perde a participação que tem na receita desse imposto. Esse princípio é importantíssimo e podemos ilustrar essa importância com duas situações. mesmo que eles não tenham sido instituídos pelos estados. Vejamos: • s e um estado opta por não cobrar IPVA. a prerrogativa de arrecadar. é necessário. constituído a partir de uma lei e cobrado por meio de uma atividade administrativa. um estado não pode cobrar ICMS da mesma operação. sem traços de penalidade). não tem acesso e nem pode cobrar o repasse da verba desse tributo. T ributo Fiscal: os tributos fiscais acontecem quando a sua imposição propicia apenas a arrecadação de recursos financeiros à pessoa jurídica de direito público (União. utilizará esse recurso de alguma maneira. Ainda sobre esse tema. municípios e Distrito Federal).Normas e Práticas Tributárias com tal princípio. estados.Todos os Direitos Reservados 10 . Para apresentarmos e detalharmos o Sistema Tributário do Brasil. o que é um tributo? Podemos dizer que o tributo é toda a prestação paga em moeda corrente de maneira compulsória. que. ou seja. e. d. cabe uma observação importante. por exemplo. 162 da Constituição Federal de 1988.

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sociais e/ou econômicas de maneira mais direta. Para tornar mais claro, vejamos
um exemplo: construções abandonadas nas cidades podem ter um tributo adicional
que seja revertido diretamente para a construção de abrigos ou casas de apoio a
moradores de rua.
As formas mais comuns de tributos são os impostos, as taxas e as contribuições de
melhoria. O imposto é toda imposição legal constituída na qual não há vinculação com algum
serviço público específico. Por exemplo, sabe-se que o Imposto sobre a Propriedade de
Veículos Automotores (IPVA) advém da propriedade de um veículo; no entanto, não se
estipula exatamente o que se fará com essa receita (construir estradas, pagar salários de
funcionários, investir em uma escola, hospital etc.)

Ainda assim, nos últimos anos, tem-se tentado cada vez mais vincular as
receitas dos impostos. Dessa forma, existem muitos projetos de lei tentando
estabelecer percentuais mínimos da arrecadação de determinados impostos a
serem aplicados em determinadas áreas (como saúde e educação).

As taxas, por sua vez, são imposições legais que dependem da atuação estatal diretamente
referida a quem utiliza um serviço ou adquire um produto do poder público. Costuma-se dizer
que as taxas possuem uma natureza compensatória, na medida em que são a contrapartida
à prestação de serviços.
Normalmente, as taxas são citadas como um exemplo de que o ente público exerce,
certas vezes, poder de polícia. Esse poder de polícia não está, necessariamente, vinculado
a um poder de promover segurança pública. Nesse caso, as taxas associam-se ao poder de
polícia, por exemplo, na concessão de alvarás de funcionamento. Um fiscal do município
pode cumprir a função de realizar a fiscalização sanitária de um restaurante. Se esse lugar
atende às especificações exigidas em lei, pode obter um alvará de funcionamento. Tal vistoria,
no entanto, implica no pagamento de uma taxa para a execução do serviço e a emissão da
autorização de funcionamento.
As contribuições de melhoria são imposições legais que dependem da atuação estatal
indiretamente referida a quem utiliza um serviço ou adquire um produto do poder público.
Elas costumam ocorrer, sobretudo, na relação de manutenção de estradas e rodovias, por
exemplo; ou então na recuperação de prédios públicos. Se as taxas são as compensações
por um serviço público prestado, as contribuições podem ser vistas como uma espécie de
melhoria dos bens públicos, seja para a expansão, seja para a manutenção de um espaço
existente.
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4 Federalismo Fiscal
O nome oficial de nosso País é República Federativa do Brasil. Isso nos transmite a
ideia de que vivemos em uma Federação. O fato de se organizar politicamente como uma
federação implica que as regiões (estados e/ou províncias) abrem mão de suas soberanias
relativas – política, tributária e administrativa – em troca da transferência de recursos à
Federação (nesse caso, a União Federal).
O objetivo máximo de uma Federação é conciliar os objetivos nacionais de distribuição
das receitas tributárias com os interesses locais de seus estados-membro. Nesse sentido, ao
longo dos tempos, as Federações buscaram estabelecer políticas fiscais de transferência de
recursos. Somente assim poderia ser realizável a tarefa de assegurar uma oferta de serviços
públicos mais equitativa para os estados.
O atual sistema tributário brasileiro prevê dois tipos de transferência de recursos.
1. T ransferências horizontais: quando as transferências ocorrem entre esferas
governamentais de mesmo patamar. Os maiores exemplos das transferências
horizontais são as alíquotas diferenciais de ICMS nas operações interestaduais.
Por alíquotas diferenciais pode-se entender, por exemplo, o ICMS-ST. Ao levar em
consideração a Margem de Valor Agregado (MVA) no cálculo do imposto, há uma
transferência horizontal da receita de ICMS entre diferentes estados do país.
2. T ransferências verticais: quando as transferências ocorrem entre esferas
governamentais de patamares diferentes. São as transferências mais comuns, das
quais as de maior destaque são o Fundo de Participação dos Estados (FPE) e o Fundo
de Participação dos Municípios (FPM). Para o primeiro, são destinados, por exemplo,
21.5% da arrecadação de Imposto de Renda e Imposto sobre Produtos Industrializados.
Para o segundo, o percentual é de 23,5% dos mesmos tributos.

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Normas e Práticas Tributárias

A Nota Fiscal é um documento indispensável à circulação de mercadorias
dentro de um território e informações erradas podem ocasionar pesadas
penalidades ao descumpridor das normas. Se você trabalha na área fiscal de
uma empresa, é possível que já tenha tido contato com as transferências
horizontais, sobretudo se a empresa em que você trabalha envia mercadorias
para fora do estado. Portanto, sempre preste muita atenção e verifique a origem
e o destino das mercadorias comercializadas na empresa; destacar a alíquota
correta na Nota Fiscal é de fundamental importância para evitar transtornos
com o fisco. Essa situação é ainda mais delicada quando se trabalha em uma
grande empresa, na qual a emissão das notas pode ser feita exclusivamente na
sede, que pode estar situada em um lugar diferente daquele de onde partem as
mercadorias efetivamente.

Existem três critérios para que sejam feitas as transferências verticais:
• diretamente proporcional à arrecadação do tributo em seu destino;
• diretamente proporcional à população e à área de destino;
• inversamente proporcional à renda que o estado ou município gera.
O primeiro critério é utilizado no Brasil para a redistribuição das receitas de ITR, IPTU
e ICMS. O segundo, para a distribuição do FPE e do FPM. Ambos os critérios possuem a
limitação de não irem de encontro, diretamente, à situação de desigualdade entre as regiões
no país. O terceiro critério, mais racional do ponto de vista do combate às desigualdades, não
é base atualmente para a política de transferências verticais no Brasil.
As transferências horizontais com alíquotas de ICMS diferenciadas são as que mais
buscam atenuar as desigualdades regionais. A propósito, de acordo com Denari (2008), os
estados das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, e também o Espírito Santo, participam
com menos de 40% na arrecadação nacional do ICMS.

Para saber mais a respeito das transferências horizontais e verticais,
busque artigos que tratem da questão de cobrança de ICMS na origem ou no
destino das mercadorias, como o que está disponível na Midiateca.

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4.1 Repartição das Receitas Tributárias
As receitas tributárias são repartidas para os estados e o Distrito Federal da seguinte
maneira:
a. 100% dos recursos de Imposto de Renda retido na fonte sobre os rendimentos dos
próprios entes públicos, suas autarquias e fundações vão para os estados e o Distrito
Federal;
b. 20% dos impostos residuais eventualmente impostos pelo Governo Federal.
c. 21,5% dos impostos sobre a renda (IRPF e IRPJ, destinados ao Fundo de Participação
dos Estados), bem como do IPI;
d. 10% do IPI, proporcionais à exportação de produtos industrializados enviados ao
exterior pelo próprio estado;
e. 29% da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE).
Já as receitas dos municípios advêm do seguinte enquadramento:
a. 100% da arrecadação de IR incidente na fonte sobre os rendimentos pagos pelos
próprios municípios, bem como suas autarquias e fundações;
b. 50% da arrecadação do ITR dos imóveis a ele relacionados;
c. 50% da arrecadação do IPVA dos veículos licenciados sob seus domínios;
d. 25% do total da arrecadação do ICMS;
e. 23,5% do total arrecadado com IR e IPI;
f. 25% da arrecadação da CIDE.

Considerações finais
Nesta aula, foi possível observar as principais características que nos introduzem ao
estudo das Normas e Práticas Tributárias, com especial enfoque, no início, nas relações
existentes entre o Estado-nação e as suas capacidades e limitações no tocante a tributos.
Vimos que o governo somente pode arrecadar os seus recursos por meio de leis, de
modo que o Poder Legislativo ganha especial importância na matéria tributária. Foi possível
entender, também, que a competência tributária é uma possibilidade atribuída às pessoas
jurídicas de direito público (União, estados, Distrito Federal e municípios) de instituir tributos.

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pudemos verificar com mais atenção o Federalismo Brasileiro. foi possível compreender o que são tributos e de que forma eles podem ser diferenciados entre impostos. 32-35. Princípio da Isonomia Tributária. Título VI Da Tributação e do Orçamento. Por fim. Reserva de Lei Complementar. Acesso em: 10 set.br/books?id=ekRBqzGvghoC&prints ec=frontcover&hl=pt-BR#v=onepage&q&f=false>. 2014. Curso de Direito Tributário. Distrito Federal e municípios. Princípio da Não Discriminação Tributária e Princípio da Tipologia Tributária. cujos critérios recorrentemente aparecem na ordem do dia das discussões tributárias. Princípio da Irretroatividade Tributária. Nos estudos sobre o Sistema Tributário Nacional. Reserva de Lei para Anistia. cujos principais são: Princípio da Legalidade.com. 2008. p.google. estados. Princípio da Competência. Princípio da Anterioridade.Normas e Práticas Tributárias Também pudemos conhecer os chamados Princípios Constitucionais Tributários. com especial destaque para as repartições tributárias entre União. Disponível em: < http://books. Senac São Paulo. 2010. Z.Todos os Direitos Reservados 15 . taxas e contribuições. Constituição da República Federativa do Brasil. Princípio da Uniformidade Geográfica. DENARI. São Paulo: Atlas. Referências BRASIL.

Normas e Práticas Tributárias Aula 02 Impostos. Hipótese de incidência. Objetivos Específicos • Identificar as funções. a classificação e os elementos fundamentais dos tributos. taxas e contribuições. obrigação tributária e alíquotas. Temas Introdução 1 Tributos e critérios de classificação 2 O que não é considerado Tributo 3 Elementos fundamentais dos Tributos Considerações finais Referências Professor Daniel da Cunda Corrêa da Silva . fato gerador.

observaremos também quais são os critérios adotados para que elas se estabeleçam. as obrigações tributárias e as alíquotas. b. No entanto. estados. os tributos são cobrados sobre o capital ou sobre o trabalho ou. os fatos geradores. IPI. Os principais tributos. ITR e IPVA. alíquota (quanto paga) e fato gerador (a partir de que momento a obrigação do tributo é gerada). Tributo é a forma genérica de definir um pagamento que é feito a uma pessoa jurídica de Direito Público (União. pagar uma taxa não significa pagar um imposto. na figura de IPTU. Sendo assim. Distrito Federal e municípios).Normas e Práticas Tributárias Introdução Nesta aula. Na imensa maioria dos casos. São considerados tributos sobre a renda a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e os Impostos de Renda sobre a Pessoa Física e sobre a Pessoa Jurídica (IRPF e IRPJ). c. Especificamente quanto à incidência. Tributos sobre a Renda: quando se relacionam à renda. ISS) e as contribuições (PIS e COFINS). Tributos sobre o Consumo: os tributos sobre consumo são aqueles que agem sobre a cadeia produtiva. nesse caso. sobre o patrimônio e sobre o consumo. quando na verdade não o são. Nesse caso. Em outras palavras. os tributos podem ser classificados em tributos sobre a renda. essas duas palavras são tratadas como sinônimos. a. podem ser citados como exemplos os impostos (ICMS. ITBI. são os impostos. Vejamos cada um dos três aspectos em detalhes. pode-se classificar as diferentes formas de tributos. mas nem todo tributo é um imposto. Os impostos são uma forma específica de tributo. seremos capazes de compreender melhor as diferenças entre os tributos. 1 Tributos e critérios de classificação Pagar um imposto significa pagar um tributo. aprenderemos com clareza como diferenciar um imposto de uma taxa ou de uma contribuição. Isso significa dizer que todo imposto é um tributo. Senac São Paulo.Todos os Direitos Reservados 2 . Não são raras as vezes em que confundimos o que significa pagar um imposto e o que significa pagar um tributo. Além de detalhar essas diferenças. vamos verificar o que são as hipóteses de incidência. ainda sobre a combinação dos dois. Tributos sobre o Patrimônio: são todos os tributos cobrados sobre o patrimônio de propriedade das pessoas físicas e jurídicas. De acordo com os critérios de incidência (quem paga).

Imposto de Importação. os estados. 16 do Código Tributário Nacional (CTN) – Lei nº 5172/66 (BRASIL. 1. como fato gerador. segundo o art. Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços etc.1 Impostos Os impostos. • Empréstimos compulsórios. imediata ou posterior. detalhadamente. Senac São Paulo. colocado à disposição do contribuinte. somente a União. 77 do Código Tributário Nacional (CTN) – Lei nº 5172/66 (BRASIL. Os impostos são de competência privativa dos entes da federação. são tributos cujo fato gerador é uma situação independente de qualquer atividade estatal. 1966).Todos os Direitos Reservados 3 . Dessa maneira. consta a classificação dos tributos enquanto partes do Sistema Tributário Nacional. • Contribuições parafiscais. 1. • Impostos. Na sequência. podemos detalhar melhor as divisões que apresentam os tributos. as taxas possuem.2 Taxas De acordo com o art. • Taxas. São exemplos de impostos: Imposto de Renda. • Contribuições de melhoria. cada um deles. o Distrito Federal e os municípios possuem a prerrogativa de criar e cobrar impostos. Imposto sobre Produtos Industrializados.Normas e Práticas Tributárias Tomando como base esse contexto. o exercício do poder de polícia ou a utilização. desse recurso na provisão de um serviço público específico. 1966). Vejamos agora.

Mas o que exatamente esse chamado “poder de polícia” tem a ver com as taxas? É simples: para que sejam concedidas autorizações de funcionamento. 1. associar as taxas ao poder de polícia pode suscitar certas confusões. Contribuições de melhoria levam em consideração obras públicas. O que diferencia uma contribuição de um imposto. assim como as taxas e os impostos. sendo geralmente acompanhadas de um certificado (alvará). mais estados e municípios que a União – cobra taxas. Essas atividades envolvem. a segurança pública. a obrigatoriedade de pagamento de imposto (nesse caso. As taxas podem ser criadas e ter a sua alíquota elevada por qualquer um dos entes federados – União. o poder de polícia significa que a livre iniciativa será garantida. aqui. no Brasil. mas pode ser relativizada. pelos estados e pelos municípios. Essas taxas denotam a regularidade ou não de um estabelecimento. vincular as taxas ao poder de polícia significa atribuir aos entes federais o poder de limitar e disciplinar as atividades de interesse público. o respeito à propriedade privada e à propriedade pública.3 Contribuições de melhoria As contribuições de melhoria. é o fato de que o valor cobrado a título de contribuição relaciona-se Senac São Paulo. a disciplina de produção. Por exemplo. Na verdade. bem como pelo Distrito Federal.Todos os Direitos Reservados 4 .Normas e Práticas Tributárias Em um primeiro momento. o poder público – na grande maioria das vezes. o mercado. Alguns exemplos de taxas ficaram mais populares ultimamente. que terá de ser renovado com uma determinada periodicidade. também podem ser criadas pela União. a taxa de coleta de lixo. que afetaria de forma significativa a ordem pública e os direitos coletivos daqueles moradores. Em outros termos. como a taxa de incêndio. estados. Quando uma construção é executada. os costumes. em certos bairros de traços mais residenciais. de início. geralmente há. por exemplo. mas vão além. Também incorporam a ordem pública. municípios ou Distrito Federal. Pense e elabore outras situações nas quais esse poder de polícia do ente público pode ser verificado. As taxas também podem referir-se à utilização efetiva ou potencial de algum outro serviço público específico. um município pode vetar a instalação de uma casa noturna. levando-nos a crer que as taxas servem para remunerar a segurança pública do país. a higiene. sim. sobre o patrimônio).

Normas e Práticas Tributárias diretamente à obra pública a ser executada e à valorização indireta que isso pode provocar em uma propriedade privada. Senac São Paulo. Distrito Federal e municípios. Vamos a um exemplo: caso o Estado de São Paulo queira realizar uma obra de investimento na mobilidade urbana da cidade de São Paulo. porque as diretorias das empresas públicas não têm escolha. praticamente não se utiliza desse mecanismo para arrecadar mais recursos. são obrigadas a ceder os recursos ao governo do estado de São Paulo. A cobrança das contribuições de melhoria é rara e pouco comum no Brasil. na medida em que saem e não retornam mais às empresas. expresso tanto pela União quanto pelos estados. Isso faz com que outra corrente interprete os empréstimos compulsórios simplesmente como tributos. 1. são raras as vezes em que esse valor retorna às empresas estatais. fazendo com que se considere os empréstimos compulsórios um imposto restituível. em certos momentos.4 Contribuições parafiscais As contribuições parafiscais são bastante peculiares. em certas situações. Isso porque. na lei propriamente dita e na interpretação dos juristas. como a Sabesp e a Dersa. há obrigatoriedade de devolução dos recursos. Costuma-se argumentar. na prática. Há debates entre os especialistas em tributos quanto à classificação desses empréstimos compulsórios. Alguns pesquisadores da área tributária também chamam essa modalidade de contribuições sociais. como taxas. 1. ele pode pegar esses recursos das empresas públicas que pertencem ao estado. tais como sindicatos e conselhos representativos de classe (conselhos regionais de alguma profissão).Todos os Direitos Reservados 5 .5 Empréstimos compulsórios Os empréstimos compulsórios são tributos cuja receita é aplicada em investimentos públicos que possuam uma natureza contratual. pois. no meio tributário. Talvez essa seja uma das razões pelas quais o poder público em geral. podemos elencar os pagamentos ao Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) e os pagamentos a entidades de classe. Esses tributos são arrecadados por entidades profissionais ou econômicas. que a instituição de contribuições de melhoria é rodeada por enorme burocracia. e. comportam-se como impostos. pela existência de um contrato. Como exemplos de contribuições parafiscais. De outro lado. A tomada dos recursos é compulsória.

o valor pago é transferido à corte dos Bragança. 2. para comprar a propriedade. boa parte dos terrenos pertenciam à família real portuguesa. na região de Santos. é necessário que saibamos diferenciar os tributos de outros pagamentos feitos à União. existem alguns pagamentos que realizamos às pessoas jurídicas de direito privado que não se enquadram no conceito de tributos. O comprador do terreno paga à Marinha um valor. Nessa cidade. os imóveis que se localizam na orla marítima são considerados de propriedade da União (os populares terrenos de Marinha). Ainda assim. não deixam de ser um gasto com o governo. certo? Na verdade. para efeito de nossos estudos. cabe ao Ministério da Defesa ceder a sua área costeira para venda. Ele apresenta-se como uma espécie de compensação devida ao proprietário. algo que não acontece para os tributos. originariamente.1 Laudêmio Nas palavras de Abreu (2008). as quais não se aplicam ao laudêmio. o laudêmio. Entre eles. ao Distrito Federal e aos municípios. a multa administrativa e os serviços prestados.Normas e Práticas Tributárias Para mais informações e o acompanhamento desse tema. afinal. por não usar o direito de preferência que tem sobre o imóvel. Para subir ou descer o valor do laudêmio. não é nenhuma novidade que pagamos tributos demais.Todos os Direitos Reservados 6 . consulte o artigo disponível na Midiateca sobre classificação de tributos e empréstimos compulsórios. 2 O que não é considerado Tributo Em um país como o Brasil. os pedágios. diretamente. ou por mais que. mais precisamente na cidade de Petrópolis. Senac São Paulo. Depois de adquirido um terreno. Há um caso bastante peculiar de laudêmio que acontece na região serrana do Rio de Janeiro. até agora. veremos mais detalhadamente as tarifas. mas. a multa. por mais que possam parecer. Por exemplo. aos estados. o ente público é soberano. Tudo bem. o laudêmio é um valor pago pelo proprietário de um domínio ao proprietário de um domínio direto (ou pleno) sempre que se realizar uma transação onerosa do imóvel. que ainda possui os seus descendentes em Portugal. não ficou claro especificamente por que essa modalidade se difere do tributo. Por outro lado. que não retornam com a qualidade que deveriam. a diferença propriamente dita é que o tributo possui normas específicas. Dessa forma. para nós. denominado laudêmio. eles não representem muita diferença. o aforamento.

Entre os mais tradicionais.4 Tarifas de serviços públicos Nos últimos tempos. Uma particularidade do pedágio é a Senac São Paulo. a expansão dos serviços prestados. eram de competência praticamente exclusiva do setor público. temos visto cada vez mais a existência de empresas que ocupam espaços de prestação de serviços ou de oferta de bens que. vemos as concessões a portos e aeroportos. as taxas possuem uma natureza exclusiva de ressarcimento. 2. não são tributos. antes. Enquanto isso. entre os mais recentes. as melhorias e. A instituição e as alterações nos preços públicos são definidas por contrato e não por lei.5 Pedágio O pedágio é uma receita cobrada sob a forma de taxa ou tarifa. contrabalançando a remuneração dos capitais investidos. É uma receita originária. referente à utilização de qualquer via de transporte por pessoas e veículos. como acontece nos tributos. De outro lado. só acontece mediante a utilização do bem ou do serviço. Os serviços de postagem. são outra ilustração disso.2 Aforamento O aforamento representa um pagamento de 0. atualizado anualmente. são efetivamente tarifas. a taxa é uma receita pública derivada. estão os serviços de transporte urbano. representando uma receita para o Estado. ou seja. na medida em que devem ser cobradas em um montante suficiente para assegurar o equilíbrio econômico e financeiro do contrato. portanto. Quando os serviços de distribuição de água e energia são controlados pelo setor público. 2. retirada de maneira compulsória da pessoa física ou jurídica de direito privado. eventualmente. 2. às normas do Código Tributário Nacional. por exemplo.Todos os Direitos Reservados 7 . portanto.6% do valor de uma propriedade plena do poder público. Todos possuem uma natureza distinta das taxas. quer dizer. Os preços públicos são um valor monetário que o órgão público ou a empresa associada/concessionária cobra sobre a venda de um bem ou a prestação de um serviço. Na tarifa.3 Preços públicos Os preços públicos são as receitas decorrentes de vendas realizadas pelo Estado. o serviço promovido é facultativo e o pagamento possui natureza voluntária.Normas e Práticas Tributárias 2. referentes a multas administrativas e doações que o Estado recebe. que não está sujeita. de recuperar o custo de se promover um serviço ou ofertar um bem. As tarifas precisam ter por objetivo gerar um excedente. as contas também são referentes a preços públicos.

Segundo Abreu (2008).Normas e Práticas Tributárias iniciativa de se tentar cobrar de maneira proporcional pela utilização da rodovia. contratualmente. Nesse caso. a receita pública derivada do pedágio é originária e facultativa. por exemplo. na medida em que se impõe sobre o tráfego na via. Para obter mais informações a respeito do debate sobre a natureza jurídica dos pedágios. 2. quando as pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado subestimam o valor de um tributo a ser pago. elas alteram significativamente os custos da viagem. a questão não é consenso dentro da área tributária. Entretanto. Tenta-se levar em consideração o peso e de que forma os veículos que utilizam uma estrada oneram a via em questão. assim. Enquadram-se nessas disposições também as multas de trânsito – pelo atraso no pagamento de impostos ou no envio de documentos para um processo público –. o fisco pode interpretar o caso como uma tentativa de burlá-lo. a maior proximidade entre a multa e um tributo é quando não há o pagamento de um tributo (obrigação disposta pelo ente federado). Senac São Paulo. as multas por descumprimento de normas ambientais. Mesmo que existam rotas alternativas – e a legislação brasileira demanda isso –. 2. uma sanção (multa administrativa). que lança o valor a ser pago por uma multa administrativa. referentes à legislação sanitária etc. Na verdade. acesse o artigo disponível na Midiateca. na medida em que é o próprio Estado. Isso é o que diferencia as multas administrativas das multas da seção anterior. De acordo com Abreu (2008). não representam um tributo. Nesse caso.7 Multa administrativa As multas podem ter natureza administrativa. as multas administrativas encaixam-se na categoria de preços públicos. dessa forma. uma multa pode ser aplicada.Todos os Direitos Reservados 8 . por meio de um auto de infração. Há quem advogue que o pedágio não possui natureza facultativa.6 Multa As multas representam uma sanção por descumprimento de uma obrigação disposta pelo ente federado. aplicando.

fato gerador de ISS. fato gerador de IOF. 4. fato gerador de IR.Todos os Direitos Reservados 9 . ou seja.1 Fato gerador O fato gerador é o que faz nascer a obrigação tributária. considera-se que a situação de obrigatoriedade de pagamento está definida como necessária e suficiente à sua ocorrência. O recebimento de salários ou proventos.Normas e Práticas Tributárias 3 Elementos fundamentais dos Tributos São considerados elementos fundamentais dos tributos: • o contribuinte. que o contribuinte reconheça que possui uma obrigação para com o ente federado. 3. necessariamente. Senac São Paulo. • o fato gerador. as demandas são de cunho administrativo. ou seja. é o que determina a partir de qual momento um tributo é devido a uma pessoa jurídica de direito público. Por sua vez. a obrigação acessória é toda aquela em que obrigações são geradas sem que. Essa obrigação de pagamento pode ser principal ou acessória. sempre exigirá um pagamento em moeda corrente. A importação de mercadorias. fato gerador de II. Caso a obrigação de pagamento seja principal. • a base de cálculo. A propriedade de um automóvel. 3. A contratação de um seguro. quer dizer. A prestação de serviços. 5. • a alíquota. fato gerador de IPVA. Em outros termos. Uma obrigação principal é sempre de natureza pecuniária. nas obrigações acessórias. Pêgas (2011) cita cinco exemplos de fatos geradores: 1. haja uma contrapartida de pagamento em espécie. 2. como a escrituração de livros ou o envio de declarações.

não sabemos quanto do dinheiro que efetivamente recebemos ficou com o fisco ou quanto foi descontado e por quê.2 Contribuinte de fato e contribuinte responsável Podemos afirmar que existem dois tipos de contribuintes no Sistema Tributário Nacional: os chamados contribuintes de fato e os contribuintes responsáveis. por sua vez. por si só. é o contribuinte de fato. o comprador é o contribuinte de fato. a responsabilidade de recolher esse tributo é do empregador. No entanto. quando vamos ao banco.Normas e Práticas Tributárias Se há uma faixa de população no Brasil que está isenta do pagamento de Imposto de Renda. efetivamente. Imagine o pagamento do INSS de um empregado. Poderíamos. o tributo devido na Nota Fiscal. Senac São Paulo. Pêgas (2011) dá alguns exemplos que podem nos ajudar a ilustrar mais claramente essa situação. Outra situação em que algo semelhante acontece é no destaque de IPI cobrado pelo comprador na Nota Fiscal. enquanto que o vendedor é o contribuinte responsável. a Pessoa Física que contrata um empréstimo é o contribuinte de fato. o IPTU é emitido pelas prefeituras com base nesse critério. Pêgas (2011) também fala a respeito do IOF. pois é ele quem paga efetivamente o IPTU. é fato gerador desse imposto? O fato gerador não deveria estar alinhado a esse mínimo de rendimento? 3. que descontará o percentual do salário base do próprio empregado. que é cobrado sobre um empréstimo bancário. é a instituição financeira a responsável por descontar o valor devido e encaminhá-lo ao Governo Federal. por outro lado. O locador. fazendo do locatário um contribuinte responsável. pois cabe a ele destacar. da maneira correta. Simultaneamente. Os contribuintes de fato são aqueles que. Ora.Todos os Direitos Reservados 10 . Nesse caso. ainda. acrescentar mais uma situação: pela propriedade de um imóvel. Nesse caso. sustentam o chamado ônus tributário. Esse pagamento caracteriza-se por dar responsabilidade sobre a matéria ao empregado. os contribuintes responsáveis são aqueles que a lei elege para responderem pela obrigação de recolher e pagar o tributo em si. como pode-se dizer que o recebimento de salários ou proventos.

para que se saiba o quanto se deve pagar. Quanto ao fato gerador e à alíquota. a carga tributária brasileira geralmente usa como base de cálculo o valor imediatamente anterior do produto. A base de cálculo dos tributos é definida.4 Alíquota A alíquota se refere ao percentual. que fazem com que os tributos pagos vão elevando paulatinamente a sua parcela a pagar. irretroatividade e anterioridade.3 Base de cálculo A base de cálculo representa o valor sobre o qual é aplicada uma alíquota de tributo. certamente. Isso faz com que. Em sua prática profissional atual ou futura. ao fato gerador e à alíquota. atente sempre para a determinação correta das bases de cálculo dos tributos. destacado na Nota Fiscal. de acordo com o Código Tributário Brasileiro. por Lei Complementar. definido por Lei Complementar. A alíquota e a base de cálculo dos tributos estão sujeitas aos princípios constitucionais. Quanto à incidência. para eliminar certas tributações consideradas sem sentido ou contraproducentes ao desenvolvimento nacional. depois de várias operações subsequentes de compra e venda. os produtos no Brasil sejam sobretaxados. sobre o patrimônio e sobre o consumo. a base de cálculo dos tributos. Considerações finais Nesta aula. Quando incide sobre o consumo. 3. discussões envolvendo o Sistema Tributário Nacional. como legalidade.Todos os Direitos Reservados 11 . O resultado disso é o valor monetário que o contribuinte deve pagar em dinheiro. pudemos observar que os tributos em geral podem ser classificados quanto à incidência. algumas vezes. mas pelos famosos “impostos em cascata”. não exatamente por bitributação. Diz-se que o Brasil precisa urgentemente de uma Reforma Tributária. que é aplicado sobre a base de cálculo. sob pena de incorrer em situações que podem acarretar penalidades junto ao fisco.Normas e Práticas Tributárias 3. foi possível observar Senac São Paulo. Entre essas discussões está. os tributos podem ser classificados em tributos sobre a renda. Você pode ter acompanhado.

ainda que não haja consenso sobre essas divisões. 1961. A.Normas e Práticas Tributárias os diversos tipos de tributos existentes. 2014. Acesso em: 3 set.172. Manual de Contabilidade Tributária: análise dos impactos tributários das leis 11. agora. contribuições especiais e empréstimos compulsórios. 25 dez. Aprendemos que os tributos podem ser classificados em impostos. Finalmente. 2008. contribuições de melhoria. contribuições parafiscais. PÊGAS. DF. 2011. BRASIL. não submetidas a esse sistema. análise dos impactos tributários do CPC. Estados e Municípios. Algumas delas são tarifas. Lei nº 5. Gestão Fiscal nas Empresas: Principais Conceitos Tributários e sua Aplicação. São Paulo: Atlas. os estados.com. Brasília. taxas. a base de cálculo e a alíquota. o fato gerador. não confundiremos mais tributos com impostos e saberemos que taxas e contribuições possuem uma natureza distinta dos próprios impostos. P. o Distrito Federal e os municípios não necessariamente podem ser classificadas como tributos. Disponível em: <http://www. Não confundiremos mais essas despesas. multas. quais delas são ou não regidas pelo Sistema Tributário Nacional e quais são receitas originárias. tivemos a oportunidade de estudar os chamados elementos fundamentais dos tributos e a base sobre a qual eles se constituem. além dos casos mais particulares. Dispõe sobre o Sistema Tributário Nacional e institui normas gerais de direito tributário aplicáveis à União. Senac São Paulo.638/07 e 11. Diário Oficial da União. que são o contribuinte.Todos os Direitos Reservados 12 .jusbrasil.br/ topicos/10589645/artigo-16-da-lei-n-5172-de-25-de-outubro-de-1966>. Referências ABREU. tais como o aforamento e o laudêmio. sobretudo porque sabemos. de 25 de outubro de 1966. Rio de Janeiro: Freitas Bastos.941/09. H. preços públicos. A partir de agora. Foi possível compreender também que certas despesas com a União.

Normas e Práticas Tributárias Aula 03 Impostos. Temas Introdução 1 Impostos Federais 2 Contribuições Federais 3 Taxas Federais Considerações finais Referências Professor Daniel da Cunda Corrêa da Silva . Taxas e Contribuições Federais Objetivos Específicos • Entender de modo preliminar os principais tributos existentes no país na esfera federal.

faremos um estudo acerca dos tributos federais existentes no Brasil. revistas etc. quais são os fatos geradores. E não são raras as vezes em que se reclama que pagamos uma quantidade enorme de impostos. É importante mencionarmos que também faz parte do rol de impostos federais o imposto sobre a renda de pessoas físicas (IRPF) e de pessoas jurídicas (IRPJ).Normas e Práticas Tributárias Introdução Nesta aula. a partir de agora. precisamos ir além do senso comum. É chegado o momento. sem que haja um retorno à população. isto implica sabermos exatamente quantos e quais são estes “muitos impostos” que pagamos no Brasil. caso o indivíduo tenha uma empresa. em torno de seis1 – os cinco elencados anteriormente mais o Imposto de Renda (IR). 1 São sete impostos. Em outras palavras. 1 Impostos Federais Podemos perceber. • Imposto sobre Operações Financeiras. internet. de detalharmos o pagamento desses impostos. Só assim teremos propriedade para discutirmos sobre o tema. Neste capítulo. rádio. Enquanto estudantes de contabilidade.) discutem a questão tributária no Brasil. • Imposto Territorial Rural. o que faz dele pessoa física e jurídica simultaneamente. Portanto. então. como se configuram as bases de cálculo. o quanto os meios de comunicação (televisão. 2 . Verificaremos. Faremos uma exposição mais detalhada a respeito dos seguintes tributos: • Imposto sobre Exportação. • Imposto sobre Produtos Industrializados. na esfera federal. conhecendo a forma como se organiza essa estrutura tributária. os “muitos impostos” que pagamos são. quais são os fatos geradores. as bases de cálculo e os contribuintes desses tributos. as alíquotas e as pessoas que possuem obrigação de pagar esses tributos. sem riscos de realizarmos análises superficiais. • Imposto sobre Importação. será realizada uma apresentação dos impostos federais existentes no Brasil. todos os dias.

a maioria dos países do mundo não cobra imposto sobre as exportações. ainda para onde é destinado o produto da arrecadação do imposto de exportação. só estão sujeitas à tributação as exportações de: armas e munições. E no Brasil não é diferente. O imposto passa a ser devido a partir do momento em que se confecciona o Registro de Exportação (RE) (RECEITA FEDERAL DO BRASIL. não faz sentido dentro da racionalidade do fisco limitar uma atividade que gera dinheiro para uma economia. Para saber mais detalhes a respeito da tributação de exportações no Brasil. Onerar as exportações significa penalizar uma operação que representa entrada de recursos no país. Equador e Chile. O montante que se obtém por conta do IE vai para o Banco Central do Brasil. 2014). ou seja. elas costumam variar de acordo com o interesse do governo em incentivar a exportação de determinados produtos – que possuem isenção ou tarifa reduzida – e desincentivar a exportação de outros – que possuem tarifas mais elevadas.Normas e Práticas Tributárias 1. Por exemplo. exportações de armas e munições não estão sujeitas ao imposto quando as operações forem para Argentina. sobre a venda de produtos (bens e/ou serviços) brasileiros ao exterior. ou com alíquota ad valorem. a título de reserva monetária a crédito. a depender de certas condições. cigarros contendo fumo (tabaco). porto seco ou base da aduana na fronteira terrestre). acesse o endereço eletrônico disponível na Midiateca. ou seja. De acordo com a Receita Federal do Brasil. De acordo com o Código Tributário Nacional. sendo que a alíquota incide sobre o preço do produto entregue no local de embarque da mercadoria para o estrangeiro (porto.1 Imposto de Exportação de Produtos Estrangeiros Esse imposto incide sobre as exportações de produtos. Há também alíquotas diferenciadas. castanha de caju com casca e couros e peles de animais. É importante mencionarmos. Atualmente. 3 . que pode ou não resultar na entrada de moeda estrangeira. No que se refere às alíquotas. O imposto de exportação no Brasil para os produtos mencionados possuem especificidades quanto à região do mundo para a qual se exporta. Praticamente não cobramos impostos sobre as exportações. As operações de exportação decorrem de um contrato de compra e venda internacional. o imposto sobre exportações pode ser cobrado a partir de uma alíquota sobre a unidade de medida adotada pela lei tributária. aeroporto.

ou seja.Normas e Práticas Tributárias 1. mas que desenvolva atividades agrícolas e/ou pecuárias? O cálculo do ITR é equivalente ao valor da terra nua tributável multiplicado pela alíquota do imposto. Portanto: ITR = VTNt x alíquota Por sua vez: Alíquota = GUT = Área utilizada Área aproveitável Uma vez encontrado o grau de utilização da terra. 11 da Lei nº 9. as culturas desenvolvidas na propriedade. a depender do grau de utilização (GUT) da terra. 1996). 3 A zona urbana é definida por meio de Lei Municipal.172. A alíquota é diretamente proporcional ao tamanho da propriedade e inversamente proporcional ao seu grau de utilização. O Valor da Terra Nua tributável (VTNt) correspondente ao valor de mercado da terra. varia entre 0.393/1996 estipula de que a razão encontrada configura a alíquota de imposto para o cálculo do ITR (BRASIL. a partir do momento em que a referida propriedade se encontra fora da zona urbana.2 Imposto sobre a Propriedade Territorial e Rural O Imposto sobre a Propriedade Territorial e Rural incide exclusivamente sobre a propriedade. as pastagens etc.3 Como se dá a cobrança de imposto sobre a propriedade para o caso de uma terra que se encontre dentro do perímetro urbano. o art. por sua vez. descontadas as benfeitorias. É obrigatório. 4 . as construções. sobre a posse ou domínio útil2 de uma terra. que a União repasse 50% do valor arrecadado com o ITR para o município onde fica localizada a propriedade rural. respeitando critérios estabelecidos na Lei nº 5.03% e 20%. de 25 de outubro de 1966. na atualidade. conforme ilustra a tabela 1 a seguir: 2 Os conceitos de posse e domínio útil estão estabelecidos no conjunto de leis que formam o Código Civil Brasileiro. O grau de utilização da terra é calculado a partir da razão entre a área utilizada e a área aproveitável da propriedade rural. A alíquota do imposto.

ou seja.0 20. debêntures. seguro e valores mobiliários (ações.40 6. em condições de livre concorrência.60 Acima de 5.70 1.10 0.0 8. a base de cálculo deverá ser aquela adotada pela própria lei tributária. • Quando se tratar de alíquota ad valorem.03 0. 1.40 0. No que se refere às bases de cálculo.85 1.3 Imposto de Importação de Produtos Estrangeiros Esse tributo incide sobre as operações de importação de produtos estrangeiros.60 1. notas promissórias etc. que podem ser da seguinte forma: • Quando se tratar de alíquota específica.000 0.Normas e Práticas Tributárias Tabela 1 – Cálculo da alíquota do ITR Área total do imóvel (em hectares) GRAU DE UTILIZAÇÃO – GU (EM%) Maior que 80 Maior que 65 até 80 Maior que 50 até 65 Maior que 30 até 50 Até 30 Até 50 0.30 4.).15 0. câmbio.00 Maior que 50 até 200 0.07 0.30 Maior que 500 até 1.00 Fonte: Brasil (1996).4 Imposto sobre Operações Financeiras Esse imposto incide sobre as movimentações referentes a crédito.45 3. seus princípios são estabelecidos pelo Código Tributário Nacional. no sentido de incentivar a entrada de determinados itens – com alíquotas reduzidas – e desincentivar a entrada de outros – com alíquotas mais elevadas. As alíquotas de imposto de importação funcionam de maneira análoga às do imposto de exportação.000 até 5.30 1.40 12.30 2. 1.0 6. compondo a base o valor do frete internacional correspondente ao transporte da mercadoria convertido para a moeda nacional.20 0. ou seu similar.70 Maior que 1.00 Maior que 200 até 500 0.Todos os Direitos Reservados 5 .000 0. o tributo possui como seu fato gerador o processo de nacionalização de mercadorias estrangeiras que entram no território nacional.40 0. variam conforme a política econômica do governo. a base de cálculo envolverá o preço normal do produto.80 1.60 3.000 0.90 3. Assim.30 3. Essas operações são Senac São Paulo.40 2.

Finalmente. Além disso. comprar ou vender moeda estrangeira também implica em pagamento de IOF. seja no exterior. desembaraço aduaneiro é o ato pelo qual é registrada a conclusão da conferência aduaneira.Normas e Práticas Tributárias realizadas. o ato de receber seu salário em uma conta corrente já é. se envolve movimentação de recursos no mercado interno ou externo). pois esses produtos estão relacionados na tabela de incidência do IPI (TIPI). A base de cálculo do IOF será sempre o valor da operação envolvida. entre outras). é o procedimento por meio do qual a Receita Federal dá a anuência de que um produto ou serviço está apto a circular ou ser prestado normalmente dentro do país (para o desembaraço aduaneiro de importação) ou que pode ser enviado para fora do país (para o desembaraço aduaneiro de exportação). elas costumam variar bastante. mesmo que você não utilize um centavo deste recurso. As alíquotas não só variam em termos de amplitude – distância entre a alíquota mais alta e a mais baixa – mas também no que se refere a mudanças de curto ou de longo prazo no fluxo internacional de capitais. A incidência do imposto envolve todos os produtos que possuem tarifação (ainda que seja uma alíquota de 0%). conforme a alíquota sobe ou desce. A incidência pode ocorrer sobre o “desembaraço aduaneiro4” de mercadorias importadas. toda e qualquer transação envolvendo valores mobiliários – ações. por si só. ou o arremate de produtos industrializados apreendidos e levados a leilão. Sendo assim. 6 . seguradoras. sempre. porque. Hoje. o governo “pune ou premia” a entrada e a saída de capitais do país. portanto. elas giram entre 1% a 6%. conforme a faixa de renda envolvida e a natureza da operação (por exemplo. corretoras de câmbio. 4 Segundo a Receita Federal do Brasil (2014). Outro exemplo é válido: a utilização de um seguro. por instituições financeiras (bancos. por exemplo – geram obrigação de pagamento de IOF. Em outras palavras. O governo utiliza o IOF também como instrumento de política econômica. Quanto às alíquotas. a operação financeira de qualquer natureza. seja ele total ou parcial. um fato gerador da cobrança de IOF.5 Imposto sobre Produtos Industrializados O imposto sobre produtos industrializados incide sobre os bens que passaram por processo de industrialização seja no Brasil. O fato gerador deste imposto é. 1. a saída de produtos industrializados.

receita. combustíveis minerais do país. revistas. a base de cálculo será correspondente à saída do produto industrializado.2 Contribuintes É obrigatório o recolhimento de IPI para os seguintes contribuintes: • Estabelecimentos industriais. recipientes etc. 1. periódicos e papel de impressão. encargos cambiais.htm>. • Quando da saída de produtos industrializados. do preço do arremate. O valor aduaneiro é composto por: imposto sobre a importação.)5. ou então ao preço corrente da mercadoria no setor atacadista (da praça daquele que envia o produto). • Estabelecimentos tidos como comparáveis aos industriais. • Quando do arremate por leilão. • O ouro. taxas exigidas para a entrada do produto no país.5. A base de cálculo do IPI pode ser disposta em três situações: • Quando do desembaraço aduaneiro de mercadoria estrangeira. • Produtos industrializados destinados à importação. tais como: importadores e estabelecimentos comerciais de produtos cuja industrialização tenha sido realizada por outro estabelecimento da mesma pessoa jurídica (envolvendo moldes. verifique as disposições da Receita Federal do Brasil sobre o tema em: <http://www. quando for definido por lei como ativo financeiro ou instrumento cambial.fazenda. quando ocorre a saída de produto de algum estabelecimento industrial ou equiparado à indústria.br/Pessoajuridica/dipj/1999/Inf_Gerais/Conceito_de_Estabelecimento_Industrial_e_Equiparado_a_ Industrial. 7 .1 Imunidade A imunidade tributária referente ao IPI atinge: • Jornais. • Energia elétrica.Normas e Práticas Tributárias É importante mencionarmos que todo estabelecimento que seja regido pelo Simples Nacional deverá recolher o IPI mensalmente junto com os demais impostos e contribuições dispostos na Lei que rege o Programa.5. a base é o chamado valor aduaneiro. 5 Para maiores detalhes sobre estabelecimentos comparáveis aos industriais. O IPI possui dois fatos geradores: quando ocorre o desembaraço aduaneiro de mercadoria importada.gov. embalagens. 1. devido ao processo de industrialização e à consequente saída do produto em direção ao consumidor. derivados de petróleo.

8 . Sendo assim. o total de IPI pago na operação de compra dos insumos em um primeiro momento. O IPI é um imposto considerado seletivo. • PIS/PASEP e Cofins. são apresentados: • Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). 2. Além disso.5% sobre a remuneração mensal do empregado em uma conta na Caixa Econômica Federal. Nesta seção. é possível que a indústria (ou estabelecimento equiparado) possa deduzir do imposto a pagar o que foi recolhido na operação anterior. o IPI é um imposto cujas alíquotas podem ser alteradas pelo Poder Executivo sem que se leve diretamente em consideração os princípios da legalidade (não é preciso que a alteração seja disposta em formato de Lei) e também da anterioridade (a entrada em vigor não necessariamente cumpre um período de carência. poderá abater. caso você tenha uma confecção de roupas e compre produtos no atacado para serem processados e vendidos no varejo. uma vez que suas alíquotas são fixadas conforme a essencialidade dos produtos. nessa venda. como os 90 dias tradicionalmente adotados no Brasil). O empresário deve pagar ao FGTS uma alíquota de 8. quanto à incidência. • Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Por exemplo. • Contribuição para o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS).Normas e Práticas Tributárias O IPI é um imposto considerado não cumulativo.1 Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) O FGTS foi instituído em 1966 para garantir a existência de uma poupança forçada que respalde o trabalhador em caso de demissão. • Contribuição de Intervenção sobre o Domínio Econômico (CIDE). 2 Contribuições Federais As contribuições federais referem-se a pagamentos realizados para a União e que possuem receitas vinculadas a determinados fins.

São pagos 40% de multa sobre o saldo do total existente no FGTS do empregado. incide sobre a importação e a comercialização de combustíveis. cuja alíquota varia entre 1%. por sua forma incomum de incidência. tendendo inclusive a gerar processos inflacionários. muitas vezes não é tão fortemente conhecida. 2. chegando ao patamar de 5. Vejamos primeiro a CIDE sobre os combustíveis e.2 Contribuição para o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) Diferentemente do FGTS. Além disso. Possui como contribuintes produtores e importadores de diesel. a qual o empregador paga ao trabalhador em caso de demissão sem justa causa. tanto empregadores quanto empregados pagam a contribuição para o INSS. Ao trabalhador. Ao mesmo tempo. o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop) e o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).Normas e Práticas Tributárias É a partir dessa regulamentação que foi estipulada multa de 40%. 2% e 3% conforme o grau de risco da atividade. o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). A questão é que. gasolina. caminhões etc. 9 . Os empregadores devem pagar 20% a título de contribuição direta para o INSS sobre a folha de salários – relativos à aposentadoria. também recebem contribuições da seguridade social as organizações pertencentes ao chamado Sistema “S”. A CIDE-combustíveis. Integram o Sistema “S” o Serviço Social da Indústria (Sesi). além de 10% adicionais sobre o mesmo saldo do FGTS pagos ao governo. respectivamente – essa contribuição está associada sobretudo ao auxílio-doença. querosene e etanol. cabe apresentar o extrato do FGTS a tempo de se homologar a rescisão do contrato de trabalho. médio e grave. a CIDE influencia o custo de locomoção de carros. o Serviço Social do Comércio (Sesc). sobre as remessas para o exterior. na atualidade. leve. incidindo sobre o preço dos transportes.3 Contribuição de Intervenção sobre o Domínio Econômico (CIDE) A CIDE pode ser Incidente sobre as Operações Realizadas com Combustíveis – a mais comum – ou ainda. A diferença é que as alíquotas são maiores para as pessoas jurídicas. mas é importante mencionar que ela está “embutida” na maioria de nossas atividades cotidianas. o Serviço Social do Transporte (Sest). ônibus. o Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Senat). sobre remessas ao exterior. o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). 2. Como incide sobre os combustíveis. Essa contribuição. é paga uma contribuição ao Seguro por Acidente de Trabalho. os empresários podem repassar boa parte de seus custos ao preço final dos produtos. na sequência. o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).8% da folha de pagamento.

22. Este tipo de pagamento sobre exploração de um recurso. Há ainda 7. De acordo com as leis brasileiras que vigoram na atualidade. o Brasil demonstra que reconhece e respeita internacionalmente o sistema de registro de patentes no mundo. um produto. nosso país assume que o desenvolvedor de um processo de produção. ou TRIPS. que são distribuídos para todos os outros municípios e estados do Brasil. É importante mencionarmos que este é um tributo não cumulativo. a CIDE tem por objetivo atender ao programa de estímulo à interação universidade-empresa para apoiar a inovação no Brasil. A partir deste acordo. o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) são 10 . Segundo Abreu (2008). A alíquota de contribuição da CIDE para operações de remessa ao exterior é de 10%. O valor arrecadado fica com o poder público. Neste caso. a base é a quantidade comercializada ou importada do produto. Hoje em dia. União.Normas e Práticas Tributárias A base de cálculo da CIDE é a unidade de medida disposta em Lei para cada tipo de combustível. o Programa de Integração Social (PIS). uma marca. O tratado chama-se Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio. Em outras palavras. estes contratos deverão estar averbados no Instituto Nacional de Propriedade Industrial e registrados no Banco Central do Brasil. O chamado pagamento de royalties no Brasil é reconhecido e regulamentado por nossa aceitação a um tratado internacional. na sigla em inglês para Trade-Related Aspects of Intellectual Property Rights. Da mesma forma que a elevação da CIDE pode ter impacto inflacionário. permitindo a dedução do que foi pago em uma operação anterior. os royalties são cobrados das concessionárias que exploram os óleos brutos de petróleo. sua alíquota muitas vezes é utilizada como instrumento de controle dos preços dos combustíveis. cujos pagamentos são diretamente proporcionais à quantidade explorada.5% restantes.4 PIS/Pasep e Cofins Geralmente conhecidos e tratados apenas a partir de suas siglas e em conjunto. a divisão é de: 40% para a União. Consideram-se os contratos de transferência de tecnologia relativos à exploração de propriedade intelectual ou de uso de marcas registradas no exterior. estados e municípios produtores recolhem royalties do petróleo. entre outros. O tema entrou mais em evidência nos últimos tempos em função da cobrança dos chamados royalties do petróleo. Do ponto de vista da remessa ao exterior. 2. bem como a prestação de assistência técnica. e 30% para os municípios em que a riqueza é explorada. a contribuição é devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou compradora de conhecimentos tecnológicos.5% para estados. Desta forma. de propriedade intelectual ou do uso de marca registrada no estrangeiro é chamado de royalty. ou seja. deve receber um pagamento pelo uso ou comercialização de sua propriedade intelectual.

para PIS/Pasep e Cofins. As entidades sem fins lucrativos.Normas e Práticas Tributárias tributos que possuem como base de cálculo o total de receitas da pessoa jurídica.65% e 7. Sua função é arrecadar fundos para o sistema de Seguridade Social. devem pagar a CSLL as pessoas jurídicas. 1988). ou seja. Já para as empresas que estão enquadradas na modalidade lucro presumido.5 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) A CSLL é uma contribuição federal instituída pela Lei nº 7. sobre uma base de presunção de lucro na proporção de 32% sobre o lucro bruto. respectivamente. de apuração de prejuízos. diante 11 . respectivamente.689/1988 (BRASIL. que estão enquadradas em um regime de lucro presumido. locação de imóveis. intermediação de negócios. e de 15% para as companhias financeiras. Além disso. ajustado pelas adições e exclusões permitidas pela legislação. Atenção! Para a CSLL. entre outras. algumas empresas precisam recolher CSLL. Nesses eventos. as alíquotas de PIS/Pasep e Cofins são de 0. devem apurar a base de cálculo da CSLL nos termos da legislação vigente. A alíquota cobrada sobre o lucro líquido contábil é de 9% para as pessoas jurídicas em geral. sem deduções de custos. Isso é importante porque. a Receita Federal do Brasil permite que se possa compensar o valor não recolhido no exercício presente em um exercício futuro.65% e 3%. que não são raros. No que se refere às pessoas jurídicas de direito privado. a CSLL é recolhida mensalmente. Em outras palavras. a CSLL incide sobre o lucro contábil da companhia. 2. a base de cálculo da CSLL seria negativa. são aplicadas as mesmas normas de apuração e de pagamento que valem para o recolhimento do imposto de renda das pessoas jurídicas (IRPJ). Via de regra. quanto aos tributos sobre o lucro. para atividades como: prestação de serviços em geral (salvo serviços hospitalares e de transporte). Já para as que se enquadram no regime de lucro real. e que não se enquadrem em nenhuma lei de imunidade ou isenção. por exemplo. a isenção no que se refere ao imposto sobre o lucro não significa isenção quanto ao pagamento da contribuição. Essa contribuição incide sobre o lucro das empresas. as alíquotas são de 1. mesmo sem serem contribuintes de IRPJ. 2011). Para as empresas que possuem enquadramento tributário na modalidade lucro real. despesas e encargos. Para essas situações. de seguros privados e de capitalização (PÊGAS. é importante mencionarmos casos.6%.

Vamos nos reservar a tratar apenas algumas mais conhecidas. As taxas federais devem respeitar o princípio da tipologia tributária. Nesta seção. não exploraremos a totalidade das taxas existentes no país no âmbito federal. tais como: • Taxa de emissão de passaporte. Os valores dessa taxa são geralmente fixados e reajustados conforme as interpretações do Ministério da Justiça e do Ministério das Relações Exteriores.05% e 0. 12 . de serviços públicos que pertencem à esfera federal. não podem ter como base de cálculo aspectos próprios dos impostos. pode-se acumular uma “reserva” para abater do valor de CSLL de um exercício futuro que venha a ser lucrativo. debêntures. atualmente. as taxas para execução de serviços públicos possuem quantidades ainda mais expressivas. O pagamento da taxa torna-se obrigatório a partir do momento em que o registro é requerido à Comissão de Valores Imobiliários. ou pela utilização. os passaportes são emitidos no Brasil. dentre eles. 3 Taxas Federais As taxas federais são cobradas em razão do exercício de poder de polícia por parte da União. notas promissórias. efetiva ou potencial.1 Taxa de emissão de passaporte A taxa de emissão de passaporte abrange toda a concessão de documentos de viagem. que são demandados a um órgão competente da administração pública – neste caso. A base de cálculo da taxa é referente ao valor da oferta pública. ou seja. o mais comum é o passaporte. pela Polícia Federal. bônus de subscrição etc. Seu pagamento é efetuado mediante a necessidade de apresentação de documentos de viagem. Se os impostos e contribuições no Brasil já são numerosos. sejam eles ações (mais comuns).2 Taxa de fiscalização da Comissão de Valores Mobiliários O pagamento dessa taxa é devido quando alguma pessoa jurídica pleiteia registrar um pedido de oferta pública de valores mobiliários. • Taxa de fiscalização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). 3.64%. 3. que possui alíquotas variando entre 0.Normas e Práticas Tributárias de um prejuízo contábil. • Taxa de depósito de pedido de registro de marca de produto ou serviço.

por parte do governo. sem onerar grande parte da população com aumentos de passagens de ônibus. garantindo a este ente do poder público maior margem de manobra. considerada uma contribuição “silenciosa”. cumpre um papel central do ponto de vista da arrecadação do governo. 13 . ao mesmo tempo. ao fato gerador e às alíquotas. os combustíveis. quais são as taxas federais cobradas no Brasil e sua ligação com certas atividades que muitas vezes não imaginamos de onde podem ter sua receita e execução. e compreender suas características principais no que se refere à incidência. o governo reduziu a zero a alíquota da CIDE. Nesse caso.Normas e Práticas Tributárias 3. os pedidos são encaminhados ao Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI). com relação a uma receita arrecadada. do que aos demais entes. Assim. entendemos que a CIDE. Por fim. neste caso. Foi possível percebermos que uma boa parte dos impostos que conhecemos é de responsabilidade da união. pode ser utilizada como um mecanismo de sinalização. mas. durante manifestações motivadas mais especificamente pelo aumento do preço das passagens de ônibus em várias capitais do país. ainda no ano de 2012. de que está preocupado com a alta da inflação. ainda que brevemente.3 Taxa de depósito de pedido de registro de marca de produto ou serviço O que inaugura a obrigatoriedade de pagamento dessa taxa é a utilização do aparato estatal para registrar a propriedade intelectual sobre um produto. Além disso. os valores são fixos e. pudemos ter um panorama geral acerca dos impostos. Considerações finais Nesta aula. serviço ou uma marca específica. por estar presente em um dos bens mais elementares de um país. das contribuições e das principais taxas que vigoram atualmente no Brasil no âmbito federal. Junho de 2013 marcou a existência de diversas manifestações ao longo do país. Indústria e Comércio. Com abrangência em todo território nacional. determinados pelo Ministério do Desenvolvimento. à base de cálculo. permitindo aos empresários do transporte coletivo uma redução de custos. Mas. foi possível vermos.

htm>.htm>. P. Rio de Janeiro: Freitas Bastos.receita.gov. 2014. 2014.941/09. análise dos impactos tributários do CPC. 16 dez.planalto. Imposto de Exportação.planalto. ______. 2014.393.htm>. Brasília.br/ccivil_03/leis/l9393. Acesso em: 29 set. de 15 de dezembro de 1988. 2008.gov. Conceito de estabelecimento industrial e equiparado à indústria. Diário Oficial da União. RECEITA FEDERAL DO BRASIL. de 19 de dezembro de 1996. Diário Oficial da União.doc>.br/manuaisweb/exportacao/topicos/ conceitos-e-definicoes/imposto-de-exportacao-ie.br/Pessoajuridica/dipj/1999/Inf_ Gerais/Conceito_de_Estabelecimento_Industrial_e_Equiparado_a_Industrial. República Federativa do Brasil. DF. Acesso em: 29 set.gov.Normas e Práticas Tributárias Referências ABREU. Gestão Fiscal nas Empresas: Principais Conceitos Tributários e sua Aplicação. RECEITA FEDERAL DO BRASIL. 2011. São Paulo: Atlas. 1996. 1988. 2014. Manual de Despacho de Exportação. Dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR. 20 dez. ______. Disponível em: <http://www.638/07 e 11. Acesso em: 10 out. BRASIL.planalto. Acesso em: 29 set. DF.fazenda. Brasília. PÊGAS. Acesso em: 29 set.fazenda. Institui contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas e dá outras providências.689.gov.receita. Lei nº 7. Disponível em: <http://www.gov. Disponível em: <http://www. 2014.br/ccivil_03/_ Ato2004-2006/2005/Decreto/Anexos/aneDec-5651-05/07-02-Anexo%20IV-%20BRASIL-Notcomple%20art%207%20port. Notas complementares do artigo 7: produtos sujeitos a imposto de exportação no Brasil. H.htm#anexo>. sobre pagamento da dívida representada por Títulos da Dívida Agrária e dá outras providências. Manual de Contabilidade Tributária: análise dos impactos tributários das leis 11. Disponível em: <http://www. 14 . A. Lei nº 9. Disponível em: <http://www.br/ccivil_03/leis/L7689.

Temas Introdução 1 Impostos Estaduais 2 Impostos Municipais 3 Taxas e Contribuições Estaduais 4 Taxas e Contribuições Municipais Considerações finais Referências Professor Daniel da Cunda Corrêa da Silva .Normas e Práticas Tributárias Aula 04 Impostos. Taxas e Contribuições Estaduais e Municipais Objetivos Específicos • Compreender de modo preliminar os principais tributos existentes no país nas esferas estadual e municipal.

1 Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) O ICMS é um imposto cobrado sobre a circulação de mercadorias e serviços dentro de uma unidade da federação. as contribuições de melhoria e as taxas são mecanismos pelos quais estados e municípios obtêm recursos. a partir do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Além deste. Estes dois tributos municipais terão nossa atenção durante esta aula. 1. Portanto. Senac São Paulo. e recebeu o “S” após a constituição de 1988. 1 Impostos Estaduais Os impostos estaduais representam uma importante fonte de receita para os estados. Já nos municípios. Os estados possuem sua principal fonte de arrecadação pela tributação no consumo – por meio do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) – e na propriedade – mediante o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). Apresentaremos. veremos as principais características de três destes tributos: ICMS. Nos estados. bases de cálculo. a quantidade de tributos existentes é menor que na União. era conhecido apenas pela sigla ICM. Antigamente. juntamente com os repasses do Governo Federal.Todos os Direitos Reservados 2 . Neste capítulo. os estados ainda apresentam um terceiro: o Imposto sobre a Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD). considerando suas alíquotas. é um imposto interestadual e intermunicipal. Como o conjunto de exemplos para esses outros dois tributos é mais amplo. realizaremos um estudo sobre os principais tributos municipais e estaduais vigentes no Brasil. um tributo com base na propriedade é a principal fonte de arrecadação. Além destes dois tributos. as características dessas três tributações. quando unificou outros dois impostos: o imposto sobre a prestação de serviços de transportes interestaduais e intermunicipais e o imposto sobre a energia elétrica e telecomunicações. o Imposto Sobre Serviços (ISS) também aparece como importante fonte de receita para as cidades.Normas e Práticas Tributárias Introdução Nesta aula. apresentaremos apenas alguns utilizados recorrentemente pelas administrações estaduais e municipais. Por fim. fatos geradores e incidências. em detalhes. IPVA e ITCMD.

Na indústria. serviços e preços administrados (como. a depender da unidade da federação em que é cobrado. energia elétrica. A despeito disso. Para além do tema dos créditos. o Estado de São Paulo arrecadou aproximadamente R$ 113.]). com 16. cosméticos.3%. o crédito eventual deve ser anulado. geralmente estabelecida em 17% ou 18%.1%. respectivamente (ESTADO DE SÃO PAULO.Todos os Direitos Reservados 3 . alimentos em geral possuem alíquota de ICMS da ordem de 7%. tais como perfumes. (5. considerados supérfluos.7 bilhões com ICMS. o valor do imposto deve estar destacado na nota fiscal. combustíveis. os setores de atividade que proporcionam maior arrecadação de ICMS são os de produtos químicos e materiais de transporte. [s. por exemplo. sua alíquota é relativamente rígida. • As entradas de mercadorias destinadas à revenda e as entradas de matérias-primas e de outros insumos.1% da arrecadação no estado. na medida em que é possível abater nas operações subsequentes o montante recolhido em operações anteriores. outra característica do ICMS é seu caráter seletivo. com 38. desde que sejam utilizados na elaboração de produtos destinados a vendas.d. as operações onde houver isenção do imposto ou a saída de ICMS não for tributada. através de estorno. Quanto aos créditos. o imposto é usado como instrumento de política econômica do estado. e cigarros são taxados em 25%. salvo em caso de operações de comércio exterior. saiba que geram créditos de ICMS: • A compra de mercadorias que se destinam ao consumo ou ao ativo permanente das empresas.Normas e Práticas Tributárias Em 2013. telefonia). mas outros bens.1%). planos de saúde. 29. Para que se tenha direito a créditos de ICMS.1% de participação. A atividade agropecuária responde por apenas 0.9% e 28. Por isso. na medida em que pode apresentar alíquotas menores de acordo com a essencialidade do produto. o comércio atacadista é o maior responsável pela arrecadação. O ICMS é considerado um imposto não cumulativo. Nos serviços. Assim. Grande parte da receita do imposto advém das atividades de indústria. Senac São Paulo. Em São Paulo. e estas sejam passíveis de cobrança de ICMS. seguidos de perto pela metalurgia (4%).

Normas e Práticas Tributárias 1. independentemente do meio de transporte: carro. barco. • Na utilização de um serviço iniciado em outra unidade da federação e que não esteja Senac São Paulo. • Prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal. 1. a partir da circulação de mercadorias e serviços entre estados ou entre municípios. Quando puder haver cobrança pelo município. • Fornecimento de mercadorias em conjunto com prestação de serviços. desde que não haja regulamentação atribuindo aos municípios a responsabilidade de tributar o serviço em questão. • Entrada de petróleo e derivados. sejam eles de geração. • Entrada de mercadoria importada do exterior. • Serviços prestados integralmente no exterior ou que tenham iniciado no exterior e sido concluídos em território nacional. ônibus. em um determinado estado. • No desembaraço aduaneiro de mercadorias vindas do exterior por processos de importação. avião. Vamos observar. algumas delas: • No fornecimento de alimentação.1 Hipóteses de incidência O ICMS é considerado um dos impostos mais complexos que existem no Sistema Tributário Brasileiro. ou seja. transmissão ou recepção de conteúdo relacionado à área.2 Fato Gerador O ICMS começa a gerar obrigações tributárias.1. desde que não destinados à comercialização e/ou à industrialização. quiosques etc. existem outras situações específicas nas quais o ICMS começa a ser devido. • Prestação de serviços de comunicação. mesmo que para consumo próprio ou incorporação de ativo de uma pessoa jurídica.1. No entanto. bares. cafés.Todos os Direitos Reservados 4 . a seguir. padarias. por meio do Imposto Sobre Serviços (ISS). há mecanismos para separar a tributação entre ISS e ICMS. O imposto é cobrado tanto no transporte de mercadorias quanto no de pessoas. é possível enumerar algumas hipóteses de incidência que podem ser consideradas comuns em todos os estados. Vejamos algumas: • Circulação de mercadorias em geral. bebidas e bens de qualquer outra natureza por parte de restaurantes. estabelecidas nacionalmente. começa a ser um imposto devido. trem etc. emissão. Ainda assim.

o Senado é o órgão responsável por decidir as alíquotas interestaduais. para o caso de bens não industrializados. sejam estas operações interestaduais ou intra-estaduais. • No caso de haver mercadorias no estoque final. para operações de transporte. a base de cálculo do ICMS apresenta diferentes condições. no Brasil. • O custo da mercadoria produzida • O preço da mercadoria no mercado atacadista. 1. há casos em que as operações de ICMS envolvem transferência de bens entre uma mesma empresa.Normas e Práticas Tributárias vinculado a operações ou prestações de serviços subsequentes para as quais há incidência do imposto. 1. mesmo que a operação Senac São Paulo. Preste atenção! Para casos como esse. a base de cálculo do imposto será: • O valor correspondente à entrada mais recente da mercadoria. No entanto. através do mecanismo das Resoluções do Senado Federal (RSF). a alíquota a ser paga é a alíquota interna do estado remetente. e outra cobrada fora. por exemplo.4 Alíquotas O ICMS é um imposto que possui dois tipos gerais de alíquota. uma cobrada dentro dos estados (alíquota interna). há condições diferentes para o cálculo do ICMS. Neste caso. Dentro do poder legislativo da República Federativa do Brasil. Não raras vezes. Quando o destinatário de uma mercadoria não for contribuinte do ICMS. as alíquotas interestaduais merecem maior atenção.Todos os Direitos Reservados 5 . Internamente.1.3 Base de Cálculo Pelo seu alto grau de complexidade e alto alcance de incidência. as alíquotas tendem a ser de 17% e 18% para a maioria das mercadorias e serviços internos. quando há encerramento de atividades de uma empresa. nas chamadas operações interestaduais. Grosso modo. incluindo gastos de frete e seguro. como vimos nesta aula. ele é calculado com base no valor da operação com mercadorias.1.

Sendo assim.00.1. o recolhimento dos impostos ocorre integralmente logo no início da cadeia. cobrar e recolher o imposto que será recolhido nas operações posteriores. do Nordeste e do Centro-Oeste. Nordeste e Centro-Oeste será recolhido ICMS de 7%. restringem-se as possibilidades de sonegação fiscal. as alíquotas diferenciadas entre regiões têm por objetivo incentivar o envio de mercadorias e serviços das regiões menos desenvolvidas do país para as regiões mais desenvolvidas. Senac São Paulo. Sendo assim. Deste modo. ao estipular alíquotas internas mais altas que as interestaduais. Todavia. Neste caso. pois a pessoa física não é contribuinte direta de ICMS. 2011). pelo menos naquele que se refere ao consumo. Logo.5 Substituição Tributária A substituição tributária consiste em um regime tributário que traz para o início da cadeia produtiva o centro do recolhimento do ICMS. objetivando atenuar maiores restrições ao consumo nestas regiões mais pobres. consegue-se incentivar a demanda dos estados menos desenvolvidos por produtos das regiões mais desenvolvidas. 1. Mais que dominar as alíquotas em si. a alíquota utilizada será de 12%. quando o destinatário for contribuinte de ICMS. Ao mesmo tempo.Todos os Direitos Reservados 6 . mas o restante das etapas da cadeia está desonerado de ICMS. as alíquotas utilizadas serão as seguintes: • Para as operações realizadas entre estados das regiões Sul e Sudeste do Brasil e os estados das demais regiões Norte. caso você compre pela internet um produto que vem de outro estado. entre os próprios estados do Sudeste. A intenção do Governo Federal. será recolhido o ICMS sobre esta operação considerando-se a alíquota do estado que enviará a mercadoria. precisamos compreender por que elas estão dispostas desta forma.00 e que tenha um valor de imposto de R$ 10. já no início da cadeia.Normas e Práticas Tributárias ocorra entre diferentes estados1. o ICMS cobrado terá alíquota de 12% (PÊGAS. visa a aumentar a integração entre mercados dentro do país. há uma ressalva: as transações entre os estados do Sul e Sudeste com o estado do Espírito Santo também pagam 7% de ICMS (PÊGAS. buscando evitar que um estado se “isole” com relação aos outros tendo menores custos tributários. A substituição tributária faz com que o contribuinte seja obrigado a calcular. para uma mercadoria de R$ 100. • Para todas as demais operações. Por outro lado. Nordeste e Centro-Oeste. nas operações entre os estados do Norte. em todas as transações entre os próprios estados do Sul. ou entre as regiões Norte. É como se as primeiras etapas do processo produtivo realizassem as funções do Governo de cobrar o recolhimento de tributos. 1 Quando isso ocorreria? Simples! Em qualquer relação direta de compra de um bem ou serviço por parte de uma pessoa física junto a uma pessoa jurídica. ou entre as regiões Sul e Sudeste. Com as informações e o recolhimento prévios. 2011). o fornecedor pode embutir em seu preço o custo dos impostos.

este é o segundo imposto mais importante para os estados em termos de arrecadação. • Casos em que ocorre arrendamento mercantil.1. é cobrado a partir da propriedade de um veículo automotor qualquer. 2008). lancha. veículos e equipamentos pertencentes ao ativo imobilizado de uma companhia. jornais. moto.Normas e Práticas Tributárias Conforme afirma Pêgas (2011). incluindo as chamadas trading companies e os armazéns alfandegados (portos secos. O pagamento do tributo pode ser feito integralmente com descontos. por exemplo). metade do montante arrecadado com IPVA é repassada aos municípios. Ainda que paguemos o IPVA. Mesmo tendo sido previsto desde 1988. revistas. o que acontece é a antecipação do imposto. máquinas. trator. Deste modo. Falamos em tese Senac São Paulo. 1. desde que retornem ao mesmo titular posteriormente. ferramentas. pois ela pode ser drenada para o custeio de qualquer atividade dentro de uma unidade da federação (ABREU. por exemplo. Este caso é particularmente comum em remessas para conserto.2 Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) O IPVA é um imposto cobrado sobre a propriedade de veículos automotores. em substituição a um antigo tributo denominado Taxa Rodoviária Federal (TRF). salvo aqueles quando há venda de bens arrendados ao arrendatário. 1. pois ele é cobrado antes da existência do seu fato gerador. não devemos esperar que a integralidade da receita adquirida com ele sirva para a manutenção de rodovias. • Operações que envolvam livros. • Saídas de peças. Seu início remonta à Constituição de 1988. De acordo com o pacto federativo vigente atualmente no Brasil. Na grande maioria dos estados brasileiros.6 Não Incidência Certas mercadorias e serviços estão isentos da cobrança de ICMS. 1. O IPVA não possui vinculação com outras atividades. A maioria dos estados brasileiros permite o parcelamento do IPVA em até três vezes. barco.2. seja ele carro. uma vez que se trata de um imposto. não há recolhimento de imposto nos casos ilustrados a seguir: • Operações de exportação. ele foi regulamentado especificamente em 1997. moto aquática. avião etc.1 Fato Gerador O IPVA. quando passou a ser cobrado anualmente pelos estados.Todos os Direitos Reservados 7 . e papel destinado à impressão. ainda que haja um fato gerador (principalmente a circulação de mercadorias e serviços). que é a circulação da mercadoria. em tese. sobretudo de computadores.

])2: • 1.4 Não Incidências ou isenções Alguns veículos específicos não pagam IPVA. 1. Como o Imposto é cobrado em substituição à Taxa Rodoviária Federal.2.fazenda. 2014. 2 Disponível em: <http://www. automóveis com mais de 15 anos de fabricação. 1.2 Base de Cálculo A base para o cálculo do IPVA de veículos novos é a nota fiscal do bem. Para veículos automotores terrestres usados.5% para caminhões. Senac São Paulo. tais como aqueles pertencentes a estrangeiros em missões oficiais. [s.sp. por exemplo. helicópteros e jatinhos. guindastes.br/publicacao/noticia. veículos e máquinas fabricados para uso específico na agricultura. vans pertencentes a cooperativas. a base de cálculo é o valor venal do veículo. tais como empilhadeiras. mesmo que combinados entre si. micro-ônibus. entre outros.aspx?id=2108>.gov. Acesso em: 7 out. GNV ou elétricos. muitas pessoas que detém a posse de veículos automotores tais como lanchas. veículos para portadores de necessidades especiais. o Imposto possui as seguintes alíquotas (SÃO PAULO. • 4% para os veículos que não constarem nas situações anteriores. transporte de produtos rurais para cooperativas (mediante cadastro prévio).d.Todos os Direitos Reservados 8 .2. já que a natureza de suas posses não é rodoviária.3 Alíquotas As alíquotas de IPVA variam conforme o estado sobre o qual se realiza a cobrança. • 3% para veículos com motores específicos a etanol. emitida pelo revendedor ou pelo importador. conseguiram na justiça o direito de não pagar este tributo. popularizado pela tabela calculada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE). ambulâncias. motos e máquinas. Para o caso de São Paulo.2. tratores e similares. • 2% para ônibus. locomotivas (e similares) utilizadas no transporte público. nos anos mais recentes. 1. camionetes. uma série de pessoas tem conseguido eliminar seu fato gerador do IPVA.Normas e Práticas Tributárias porque.

este imposto representa 0. Por outro lado. este imposto é cobrado sobre as transmissões de patrimônio decorrentes da morte dos titulares e das doações de quaisquer bens e direitos (BRASIL.3. a maior fonte de arrecadação da “maioria esmagadora” dos municípios no Brasil. previsto na Constituição Federal de 1988. Mencionamos aqui que não são deduzidas da base de cálculo do imposto as dívidas que oneram o imóvel. presentes nas relações de compra e venda de imóveis. créditos. Além disso. De acordo com Abreu (2008).3. no art. 156.3 Alíquota A alíquota do ITCMD tem a prerrogativa de variar a cada unidade da federação. Veremos na sequência. também é tributada a transferência de bens entre pessoas vivas. No entanto. costumam incidir sobre o patrimônio.3 Imposto sobre a Transmissão de Causa Mortis e Doação (ITCMD) Segundo a Constituição Brasileira de 1988. além da aquisição de bens ou direitos por parte de herdeiros. 1.Normas e Práticas Tributárias 1. a transmissão de títulos. cada um destes tributos e suas principais características. são cobrados impostos sobre a realização de serviços (ISS). cotas e valores de bens imóveis. inciso II. em detalhes. como é o caso do Imposto de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI).Todos os Direitos Reservados 9 . 1. como é o caso do IPTU. O IPTU é um imposto que incide sobre o titular da propriedade.3. De modo geral.2 Base de Cálculo É o valor de mercado (valor real) de um bem ou direito. 1. a transmissão de direitos reais sobre imóveis. ações. sendo que quase metade do total é arrecadada no estado de São Paulo. 1988).1 Fato Gerador O fato gerador do ITCMD pode ser a transmissão da propriedade ou domínio útil de bens imóveis. Senac São Paulo.2% da carga tributária nacional. 2 Impostos Municipais Os impostos municipais são aqueles que mais nos afetam diretamente. boa parte dos estados brasileiros utiliza uma alíquota de 4% sobre a base de cálculo para o recolhimento do tributo.

mas geralmente fica na ordem de 2% para a maioria das cidades brasileiras. Atualmente. na atualidade. serve como mecanismo de arrecadação para os municípios. sejam eles casas. Sua alíquota. seja na privada.3 Imposto Sobre Serviços (ISS) O ISS é um imposto municipal que incide sobre toda e qualquer prestação de serviços nos limites do território de uma cidade ou entre cidades diferentes. entre patamares mais modestos – de 2% – até condições mais ousadas – como cifras que chegam a até 5% da operação. É um imposto que atua fortemente no sentido de tributar a ocupação do espaço nos centros urbanos. terrenos e também garagens. Para que o conceito não fique incompreendido. É importante mencionarmos que ele apresenta isenções específicas. os municípios brasileiros cobram alíquotas de aproximadamente 3% sobre os bens imóveis. sindicatos de trabalhadores. este poder de polícia não engloba unicamente o tema da segurança pública. Senac São Paulo. apartamentos. sobretudo para casos em que as compras e vendas de bens imóveis possuem como finalidade construir ou ampliar instituições de educação. o valor venal é o valor que o poder público atribui a um espaço ocupado. 2. entre outros.1 Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) O IPTU é um imposto cobrado sobre a propriedade de imóveis nas cidades. 3 Taxas e Contribuições Estaduais As taxas são tributos relacionados à capacidade de o poder público exercer uma função fiscalizadora.Normas e Práticas Tributárias 2. comumente considerada como poder de polícia. servindo de base para a estipulação da alíquota a incidir sobre determinado local. seja na esfera pública. diretórios municipais de partidos políticos. Logicamente. Esse imposto é cobrado sobre o valor das transações imobiliárias. 2. Esse imposto incide sobre o chamado valor venal das propriedades urbanas.2 Imposto de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) Antes de 1988. templos destinados a ritos religiosos. sendo de responsabilidade do comprador. varia de lugar para lugar.Todos os Direitos Reservados 10 . de assistência social. o ITBI era um imposto de competência dos estados da federação. Em média. mas sim a possibilidade de estabelecer boas práticas na condução de atividades que visem a atender o público em geral. Sua alíquota é peculiar a cada cidade.

1 Contribuições de Melhoria As contribuições de melhoria são instituídas para custear obras públicas em casos onde haverá valorização imobiliária e/ou que o contribuinte se beneficie da obra de qualquer modo. Por serem receitas lastreadas.1. faremos uma exposição mais generalizada dos aspectos das taxas e contribuições que compõem a arrecadação do estado de São Paulo.Todos os Direitos Reservados 11 . podem ser encontrados casos de contribuição com a previdência pública estadual. por sua vez. Na falta de uma unidade que possa facilitar a discussão sobre suas características. Para além das contribuições de melhoria. serão discutidas as contribuições de melhoria das obras viárias. Como as taxas e contribuições de melhoria apresentam um caráter muito particular para cada uma das regiões à qual estão vinculadas.1.2 Base de Cálculo A base de cálculo enfrenta um dilema para sua cobrança: pode ser calculada sobre as previsões de valorização da área.1 Fato Gerador O fato gerador das contribuições de melhoria não pode ser simplesmente o custo da obra. apresentam características peculiares. que vigoram principalmente no sentido de realizar reformas específicas em determinadas áreas. o fato gerador é um só: a contribuição decorre da atuação estatal para a realização de uma obra pública que provoque benefício ou valorização de imóveis nas adjacências. 3. têm por iniciativa serem arrecadadas com propósito de vinculação. 3. Desta forma. há destaque para o fato de as contribuições existentes geralmente serem contribuições de melhoria. que escapam à generalização das contribuições de melhoria. Senac São Paulo. aproxima essas contribuições das taxas. no caso de empresas públicas. mais uma vez. a Secretaria de Estado da Fazenda. o que. podemos considerar que possuem uma natureza bastante heterogênea. 3. Para o Governo. bem como a cobrança de taxas via órgãos estaduais do estado de São Paulo.Normas e Práticas Tributárias Já as contribuições. a Junta Comercial do Estado etc. caso contrário ela seria considerada uma taxa. Para o caso dos estados. tais como o Detran. especificamente. ou sobre o rateio efetivo dos custos.

conforme já mencionamos. Documento de Permissão Internacional para Dirigir. estadia de veículos no pátio por um período superior a cinco dias. sobretudo. entre outros. taxas de expedição de documentos. as principais taxas cobradas são taxas de Constituição de Sociedade Empresária. entre outros (ESTADO DE SÃO PAULO. podemos citar: taxa de emissão de documento de identidade no Registro Geral (RG). Secretaria de Estado da Fazenda e a Junta Comercial do Estado. [s. exame de corpo de delito. recomendamos que você acesse. taxas de utilização de polícia civil e polícia militar. Entre eles. 4 Taxas e Contribuições Municipais Nos municípios. O Detran do Estado de São Paulo divide suas cobranças quanto à natureza do serviço prestado: há taxas de alvará (por exemplo. fazem parte das atribuições vinculadas ao poder de polícia do Governo. como a Carteira Nacional de Habilitação (CNH). alteração de Contrato Social. são cobradas.d.). Os valores das taxas oscilam bastante e são reajustados anualmente.Normas e Práticas Tributárias Para mais informações a respeito das contribuições de melhoria. Desta forma. Nesta subseção em específico. responsável por recolher os tributos estaduais. o capítulo específico da Constituição Federal que versa sobre este tema. alvará de funcionamento de estabelecimentos comerciais. Constituição de Sociedade Anônima. taxas de autorização (para remarcação de chassi. Cabe apenas ressaltarmos que esses tributos podem ser cobrados tanto pela União quanto pelos estados.Todos os Direitos Reservados 12 .2 Taxas As taxas. uso de placas especiais etc. Quanto à Junta Comercial. junto à Midiateca. as contribuições (em geral) e as contribuições de melhoria (em específico) possuem a mesma natureza. razão pela qual não nos cabe aqui detalhar especificamente seus valores. destacaremos as taxas referentes ao Detran. por órgãos estaduais de fiscalização.]). municípios e pelo Distrito Federal. exame toxicológico. taxas cobradas para credenciamento de médicos e psicólogos para a realização de exames). Enfatizamos que as contribuições de melhoria são arrecadadas dos proprietários de imóveis Senac São Paulo. também consegue receber taxas por serviços prestados. Cancelamento de Inscrição e Proteção ao Nome Empresarial. 3. Já a Secretaria de Estado da Fazenda de São Paulo.

por sua vez. referem-se às cobranças específicas do exercício de poder de polícia da prefeitura. Sobre contribuições de melhoria. que continuam realizando a cobrança. Além disso. destacamos as taxas referentes à Vigilância Sanitária Municipal.d. seu impacto sobre os imóveis da região foi de desvalorização. porque o elevado fez com que várias em construções do local tivessem veículos passando ao lado das janelas e varandas. Apesar disso. os municípios arrecadam essa taxa justamente para pagar os custos da iluminação às distribuidoras de energia. municípios possuem muitas atribuições de fiscalização e exercício de poder de polícia. Em São Paulo. diversos municípios brasileiros cobram taxas para o custeio de serviços de recolhimento de resíduos sólidos. Também no âmbito municipal. no limite individual. uma função de companhias estaduais. No que se refere à Vigilância Sanitária Municipal. As duas principais são: a Taxa de Fiscalização de Anúncios (TFA) e a Taxa de Fiscalização de Estabelecimentos (TFE). [s. tradicionalmente. pudemos ter uma dimensão melhor de uma série de tributos que estão próximos à nossa realidade. As taxas mobiliárias da prefeitura. Na atualidade. Como o caixa dos municípios é exíguo. não de valorização. Popularmente conhecido como “minhocão”.]). São Paulo e boa parte dos municípios do Brasil possuem uma Contribuição de Custeio do Serviço de Iluminação Pública. será cobrado o valor total da despesa realizada – aqui. a cidade de São Paulo possui um caso emblemático.Normas e Práticas Tributárias cujas obras públicas provocarão valorização de suas propriedades. tentou-se instituir um conjunto de quatro taxas em 2002. inaugurado em 1971. que serve para dar entrada em processos de abertura de estabelecimentos comerciais com anuência da vigilância sanitária do município.Todos os Direitos Reservados 13 . porém não houve aceitação por parte da câmara de vereadores (ESTADO DE SÃO PAULO. a discussão perdeu força na cidade. as taxas e as contribuições dentro dos estados e municípios nos permitem perceber concretamente o poder tributário de cada um desses entes federados. como vimos. será correspondente à valorização dos imóveis beneficiados pela obra. Quanto ao lixo. Trata-se do viaduto Costa e Silva. Os impostos. normalmente as taxas são mais importantes que as contribuições e contribuições de melhoria. Neste sentido. Mesmo que a responsabilidade de geração de energia seja. Senac São Paulo. No limite coletivo. Considerações finais Nesta aula. a principal cobrança é a da Taxa de Fiscalização de Serviços Diversos (TFSD). mas não entre muitos outros municípios do país. aproximando-se de uma taxa – e. a taxa de Coleta de Lixo e as Taxas Mobiliárias cobradas pela municipalidade em São Paulo. o elevado foi construído com base em uma contribuição de melhoria.

é infundada a crítica ao estado de conservação das rodovias e vias públicas em função do montante arrecadado com IPVA. O ISS. é utilizado como mecanismo de barganha para atrair investimentos. uma área industrial ou um condomínio.aspx?id=2108>. precisamos frisar. que o IPVA é uma importante fonte de arrecadação. mas esta é uma fonte ainda com pouco interesse.br/ ccivil_03/constituicao/Constituicao. Disponível em: <www. Acesso em: 7 out. Rio de Janeiro: Freitas Bastos.Normas e Práticas Tributárias No que se refere aos estados. 2011. 2014. Muitos municípios apostam em uma isenção temporária (não raras vezes de longo prazo) para criar. é fundamental que as administrações municipais atualizem a tabela do valor venal dos bens imobiliários caso queiram elevar a arrecadação. ESTADO DE SÃO PAULO. Por sua vez. mais uma vez. não como contribuição) permite que não haja vinculação da receita. Secretaria de Estado da Fazenda. Já nos municípios. por exemplo. por estarem relacionadas a geração de benefícios. Em uma situação de valorização de bens imóveis. Além disso. São Paulo: Atlas. em média. Secretaria de Estado da Fazenda. possuem uma natureza bastante heterogênea.gov. 2014. analisamos as taxas e contribuições estaduais e municipais.16% mais barato para proprietários paulistas. H. Diário Oficial da União. na grande maioria das vezes. mas possui alcance limitado.htm>. Senac São Paulo.941/09. Também vimos. Neste sentido.638/07 e 11.gov. Gestão Fiscal nas Empresas: Principais Conceitos Tributários e sua Aplicação. 1988. P. foi possível observar que o ICMS é um mecanismo excepcional de arrecadação para um estado como São Paulo.br>. Dados Tributários. PÊGAS. 2014.br/ publicacao/noticia. Por fim. Referências ABREU. já as contribuições de melhoria. que sua lógica tributária (servindo como imposto. Disponível em: <http://www. IPVA será. Constituição (1988) Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Acesso em: 7 out.sp. BRASIL.fazenda. Manual de Contabilidade Tributária: análise dos impactos tributários das leis 11.gov. 2008. A. ainda na parte dos estados. Brasília. notamos que a principal fonte de arrecadação é o imposto sobre o patrimônio.fazenda. análise dos impactos tributários do CPC. ESTADO DE SÃO PAULO. DF. na medida em que seu dinamismo econômico vai ao encontro do propósito do tributo: arrecadar sobre a circulação de mercadorias e serviços. compreendendo que as taxas normalmente são cobradas por órgãos de fiscalização. Disponível em: <http://www.sp. o contribuinte pode se beneficiar de uma recorrente omissão por parte da fiscalização municipal quanto ao pagamento do IPTU com base em tabelas defasadas.planalto. 5 out. 5. Acesso em: 12 out.Todos os Direitos Reservados 14 .

Normas e Práticas Tributárias Aula 05 Demonstração do valor adicionado com cálculo aplicado aos tributos Objetivos Específicos • Identificar o papel e a disposição dos tributos nas demonstrações financeiras. serviços e contribuições 2 Lucro bruto 3 Lucro operacional Considerações finais Referências Professor Daniel da Cunha Corrêa da Silva . Temas Introdução 1 Impostos sobre consumo.

aqui. trabalharemos com uma empresa fictícia. revelando. indicando os valores em comparação com o exercício anterior. com informações úteis para a tomada de decisões dentro da empresa. os tributos pagos pela companhia são os seguintes: 2 . variação do patrimônio líquido. tais como a contribuição social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e o Imposto de Renda (IR). em uma data preestabelecida. para ilustrar os acontecimentos descritos. As demonstrações contábeis (ou financeiras) são uma representação monetária estruturada da situação patrimonial e financeira de uma pessoa jurídica. que – após as deduções de despesas administrativas. pela demonstração do resultado. Nesta aula.Normas e Práticas Tributárias Introdução Nesta aula. entre outros – resultará nos dados do lucro operacional da companhia. 1 Impostos sobre consumo. para que você possa obter algumas interpretações sobre os números e discutir possíveis mudanças na conduta da empresa. como são dispostos os tributos sobre o consumo. Na sequência. serão apresentadas as contabilizações das contribuições. demonstração dos fluxos de caixa. serviços e contribuições Uma demonstração contábil é constituída pelo balanço patrimonial. Essas demonstrações são dispostas contendo os dados de um exercício. de valor adicionado e de notas explicativas. tais como ICMS e IPI. a Bem-Viver Móveis e Objetos. Sendo assim. Veremos. depreciações. O resultado desses cálculos apresentará o lucro bruto. completando-se a apresentação do fluxo financeiro de uma pessoa jurídica. será apresentada a demonstração do valor adicionado. Os dados serão apresentados em forma de exemplos. Hipoteticamente. as transações realizadas por uma companhia ao final dessa data. Logo após. Por fim. Exemplo: o ano de 2013 na empresa Bem-Viver Móveis e Objetos A Bem-Viver Móveis e Objetos é uma empresa que presta serviços de venda e montagem de móveis feitos sob medida para residências e empresas. tais como o PIS e o Cofins. Além disso. de vendas. será apresentada a forma de contabilização do ISS. que é onde mais aparecem e se evidenciam as contabilizações de tributos. veremos de que forma o resultado do lucro operacional nos encaminhará para as tributações sobre o lucro das companhias. demonstração de lucros/prejuízos. mostraremos de que forma são dispostos os tributos nas demonstrações contábeis. daremos maior ênfase para a demonstração do resultado.

tornando-a passível da cobrança dessas contribuições.000. • Taxas diversas: para autorização de funcionamento junto à Vigilância Sanitária do município.000. • IOF: por ser uma empresa que paga seus funcionários e fornecedores mediante operações bancárias. Esse valor é o equivalente à receita que se tem.200.000. 1. • PIS e Cofins: por ser uma empresa que gera receitas. 1.1 Receita bruta de vendas ou serviços A receita bruta de vendas é composta por tudo que a empresa fatura em suas operações de vendas e prestação de serviços. • IPTU: por ser proprietária do imóvel que sedia a empresa. • INSS e FGTS: por possuir dez funcionários.00 de vendas diretas (sem montagem) e R$ 2.000. • ISS: em função da prestação de serviços de montagem de móveis sob encomenda.00. • IPVA: por ter um veículo de propriedade do CNPJ da companhia. Entre eles. São Paulo. podemos destacar: 3 . somando a esta o valor de todas as notas fiscais de saída que tiveram operações de venda de mercadorias por parte da empresa. R$ 1.2 Deduções de receita bruta As deduções de receita bruta devem ocorrer após a apuração de certos eventos que não compõem a receita bruta. R$ 800.000. A partir de agora. Consideraremos que a receita bruta da empresa Bem-Viver foi de R$ 4. • IPI: pela manufatura de móveis para posterior comercialização.000. ao Corpo de Bombeiros (Polícia Militar estadual) e ao Ibama (esfera federal). além de receber pagamentos e lidar com empréstimos bancários em transações financeiras. Desse total.00 foram em prestações de serviços de montagem.00 foram com a venda de produtos montados.Normas e Práticas Tributárias • ICMS: por comercializar mercadorias dentro e fora de seu estado de origem. • Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre Lucro Líquido: uma vez que a empresa gera lucros (a companhia está enquadrada em um regime de lucro real). apresentaremos os dados referentes à empresa para que o exercício se torne completo.

será recolhido o ICMS sobre a parcela restante. compostos por: ICMS. focaremos especificamente sobre as deduções dos tributos. o ICMS só incide sobre o valor adicionado pela empresa ao produto. Em nosso exemplo. descontando-se os custos com insumos.000. contabilizados como vendas. Especificamente para nosso exemplo. b. o valor de IPI cobrado sobre a mercadoria deverá aparecer destacado na Nota Fiscal de saída do produto. por exemplo.000. Como a alíquota interna de ICMS no estado de São Paulo é de 18%.00 Crédito Ao caixa R$ 440.2.00. o ICMS pago nesse exercício hipotético seria de R$ 180. A primeira dedução é de ICMS e IPI. c. sem compor o preço da mercadoria. O IPI é cobrado de quem adquire a mercadoria. IPI. Os lançamentos contábeis da empresa Bem-Viver ficarão preliminarmente assim: Tabela 1 – Lançamentos contábeis da Bem-Viver Móveis e Objetos Natureza da despesa Referente Valor Débito Aos insumos R$ 328. Em razão disso.Normas e Práticas Tributárias a. Senac São Paulo. PIS e Cofins.000. sobre R$ 2. a receita com a venda de produtos montados foi de R$ 800.Todos os Direitos Reservados 4 .000. incidirá sobre essa receita uma alíquota de IPI da ordem de 10%1. No entanto. Então. ou seja.000.000. não irão compor a receita da empresa.000. Cancelamento de vendas ou devolução de mercadorias: produtos são vendidos.00 Fonte: Elaborada pelo autor (2014).00 Débito Ao IPI pago (a recuperar) R$ 40.00 e que todo o estoque foi vendido.000. ele pode ser compensado com o valor pago pela empresa na compra de insumos que foram usados na produção do produto em questão. também de R$ 1. 1.1 ICMS e IPI Agora.000.000. Quanto ao ICMS. Assim. saiba que ele incide sobre o total das vendas de mercadorias da empresa. ISS.000. Descontos e abatimentos das vendas.000.00 Débito Ao ICMS pago (a recuperar) R$ 72.00. Ao mesmo tempo. Tributos que incidem sobre as operações de venda de mercadorias e prestação de serviços. Porém. para o caso de uma compra de insumos no valor de R$ 1. vamos considerar que o total de insumos utilizado atingiu o montante de R$ 400. Sempre verifique a Tabela do IPI (TIPI) para a apuração das operações realizadas.00.00. do consumidor final.00. ou seja. 1 Tarifa sujeita a alterações.000.

por R$ 1.00 e representam o valor de IPI cobrado junto ao preço final. Os R$ 492. Logo. Na medida em que não são cumulativos. Observe que a receita com a mercadoria vendida foi de R$ 2.Viver. o total do desembolso de caixa da companhia.00 gastos com o valor das mercadorias para revenda.000.000. o IPI é um imposto cobrado “por fora”.00.00 de insumos.000. Sobre esse ponto.00 Crédito À receita de vendas R$ 2. portanto.000. também passíveis da cobrança de imposto.000.00 são contabilizados como R$ 80.000. Desse total.000. R$ 600.000.000.00 Crédito Ao caixa R$ 600.000.Normas e Práticas Tributárias Na Tabela 1.000.00 referem-se ao valor líquido das mercadorias dos 18% de ICMS (R$ 108.000. é fundamental uma observação: podemos ter a evidência clara de que o ICMS é um imposto que se cobra “por dentro”.00 Fonte: Elaborada pelo autor (2014).00 Fonte: Elaborada pelo autor (2014). podem ser abatidos do valor de venda e. você pode verificar que há R$ 328. O valor efetivamente pago pelos insumos foi de R$ 440. totalizando o valor de R$ 40.000. os 10% de IPI foram somados aos R$ 400. Na sequência. por isso.000.00. apresentaremos os impostos contabilizados para a operação de compra de mercadorias para a revenda e a venda direta de mercadorias: Tabela 2 – Demonstração contábil da compra de mercadorias para a revenda da Bem-Viver Móveis e Objetos Natureza da despesa Referente Valor Débito Às mercadorias para revenda R$ 492.00) cobrados sobre os R$ 600.000.000.00 são referentes à mercadoria vendida com montagem (passível de cobrança de IPI).000.00 são contabilizados como valor adicionado. reconhecidos como despesa.00).200.000.00 de ICMS (18% de R$ 400. Já que o IPI só incide sobre a transformação dos 5 . Por outro lado.00 referentes a R$ 400.000. Os 10% desses R$ 800.00. R$ 800. uma vez que ele é cobrado após o estabelecimento do preço da mercadoria.000. também vamos estimar uma despesa com insumos da ordem de 50% atingindo. Por isso. Tabela 3 – Demonstração contábil da venda de mercadorias da Bem-Viver Móveis e Objetos Natureza da despesa Referente Valor Débito Ao caixa R$ 2. os outros R$ 600. Esse foi.00 Crédito Ao IPI a recolher R$ 80.080.000.00 em IPI e o crédito em caixa de R$ 440. visto que sua contabilização incorpora o preço do produto.00.000.00 Débito Ao ICMS a recuperar R$ 108.000.00 gastos em insumos e descontados os R$ 72. portanto.00.000.000. Para as mercadorias que foram vendidas diretamente. Esses dois impostos – ICMS e IPI – representam uma despesa para a empresa Bem.000.

00). Em termos de custo da mercadoria vendida e despesas de ICMS. sobre a operação de saída. Quanto ao ICMS.080.00 Crédito Aos insumos diversos R$ 328. ainda.000.000. Para efeito de simplificação.000.00) da empresa Bem-Viver Natureza da despesa Referente Valor Débito À despesa de ICMS R$ 360.000. a Bem-Viver.000.000. o avanço do nosso raciocínio levará em consideração que as despesas de mão de obra e os custos indiretos de fabricação estão contemplados dentro das despesas operacionais. consideraremos que todos os insumos adquiridos foram utilizados integralmente na fabricação e que não houve sobras de estoque. cada uma delas. as Despesas de ICMS e com o ICMS a pagar serão. o valor considerado da operação é de R$ 2.000. Tabela 5 – Despesas de ICMS. referente a 18% do total da operação (R$ 2. A empresa somente cobra do cliente para poder repassar os custos posteriormente ao governo.00 Fonte: Elaborada pelo autor (2014).000. O custo da mercadoria vendida será equivalente ao custo dos insumos (R$ 328.000.00 Crédito Ao ICMS a pagar R$ 360.000. R$ 492.000.00 Fonte: Elaborada pelo autor (2014). De qualquer modo.00. incidirá.000. com transformação). com receita de vendas em R$ 2. razão pela qual o débito em caixa referente à demonstração contábil de venda de mercadorias é de R$ 2. totalizando R$ 820.000. a alíquota de 18% sobre o total da operação.00 da produção com montagem (produção própria.00. 6 .Normas e Práticas Tributárias produtos. No entanto. quem recolhe o imposto é a empresa contribuinte responsável.000. para a contabilização geral.000. Dessa forma.000.00 e IPI a recolher de R$ 80. Nesse caso. ou seja.000.000. R$ 2.00 (18% de R$ 2.00.00.00 Crédito À mercadorias R$ 492.00) somado ao custo das mercadorias adquiridas para revenda. Além disso.000. ele só vai se referir aos R$ 800. Esse é um caso típico em que o contribuinte de fato de um tributo é o consumidor final. a distribuição dos tributos na demonstração contábil será da seguinte forma: Tabela 4 – Custo da mercadoria vendida pela empresa Bem-Viver Natureza da despesa Referente Valor Débito Ao custo da mercadoria vendida R$ 820.00.000.000.00. equivalentes em R$ 360.000.

ocorrerá cobrança do imposto sempre que houver prestação de serviço de montagem de móveis.2. respectivamente.000. visto que as alíquotas de PIS e Cofins são de. Para efeito de simplificação.000. Desse valor.00 e R$ 120. esse IPI é de responsabilidade do consumidor final.000.2.00. terá que recolher impostos no montante de R$ 60.000. seu valor é apurado com alíquota aplicada sobre o faturamento mensal. o pagamento de R$ 360. apesar de recolhido pela empresa.00.000.000. Considerando uma tarifa hipotética de ISS da ordem de 3%.000. o que faz com que o imposto efetivamente pago também seja da ordem de R$ 180. Ao contrário dos tributos anteriores.00. nesse caso.000. Se o fato gerador do ISS é a prestação de serviços. o ICMS pago pela Bem-Viver será de R$ 360.000. a Bem-Viver.000. 7 .00. Para esse caso. incidem sobre todas as etapas do processo produtivo e não são passíveis de recuperação. até o momento. dinheiro propriamente dito.00. como somente será realmente tributado o valor adicionado na produção (e este valor é de R$ 1. ela pode recuperar R$ 40.000. Nesse caso.000. 3 PIS e Cofins também podem ser não cumulativos. Nesse caso.65% e 3%. 0. mesmo que ele não se expresse em termos fiduciários2. 1.000. trabalharemos aqui somente com o regime cumulativo. Logo.000. é a seguinte: 2 Moeda em espécie.00. consulte o site da Receita Federal do Brasil. Para nosso caso específico.000.000.00. ainda vale a ressalva de que. 1.00 sobre o total da operação de R$ 2.000. o imposto recolhido pela empresa é de R$ 80.00 na prestação de serviços de montagem.00. por apresentar uma receita anual de R$ 2. a demonstração contábil da Bem-Viver. No entanto.2 ISS O imposto sobre serviços será cobrado sempre que houver a prestação de um serviço qualquer.00 gera um ICMS a recuperar da ordem de R$ 180. A receita bruta da Bem-Viver é de R$ 4. essas duas contribuições são cumulativas3.00).000. as obrigações de pagamento geradas em função do imposto são de R$ 26.Normas e Práticas Tributárias Nesse caso.3 PIS e Cofins As contribuições PIS e Cofins possuem sua base de incidência na receita bruta das empresas. Caso queira maiores informações a respeito do regime não cumulativo. fazendo com que o imposto efetivo cobrado seja de R$ 40. Já para o caso do IPI.00. a base de cálculo do imposto é o valor cobrado pelo serviço prestado.

574.00 Fonte: Elaborada pelo autor (2014).00) Receita líquida R$ 3.000.574.00. a venda de produtos e serviços gerou uma receita total de R$ 4. deve-se descontar R$ 820.574. demonstrada anteriormente.000.000. O CSP é calculado a partir da soma do ICMS cobrado sobre a prestação de serviços. Custo das Mercadorias Vendidas (CMV) e Custo dos Serviços Prestados (CSP) O Custo dos Produtos Vendidos (CPV) é calculado sobre atividades industriais.000.00) ISS (R$ 60.000.000. O resultado.00. somado ao ISS que também incide sobre a atividade.00) ICMS (R$ 180. Nesse caso.00.000. portanto.00 Deduções da receita bruta (R$ 426. 1.000.3 Receita líquida de vendas e serviços A receita líquida resulta da dedução das vendas canceladas e dos tributos que incidiram sobre as atividades da companhia.00.00) IPI (R$ 40. por sua vez. do lucro bruto dessa atividade é de R$ 2. a demonstração contábil parcial: 8 . já o Custo das Mercadorias Vendidas (CMV) incide sobre as atividades eminentemente comerciais.00 Vendas de mercadorias R$ 2.000. Para nosso caso hipotético.00 Prestação de serviços R$ 2.4 Custo dos Produtos Vendidos (CPV).000.00.000.00) PIS/Cofins (R$ 146. o CSP será de R$ 240.000. 2 Lucro bruto O lucro bruto será calculado a partir dos descontos de CPV e CSP da receita líquida. chega-se ao resultado da receita líquida. simplificamos CPV e CMV em uma só conta. Como a empresa Bem-Viver é produtora e vendedora de mercadorias. ISS e PIS/Cofins). Para nosso caso hipotético.000.000.000.000.00 e R$ 240. o Custo dos Serviços Prestados (CSP) refere-se a atividades de prestação de serviços.Normas e Práticas Tributárias Tabela 6 – Demonstração contábil da Bem-Viver Móveis e Objetos Receita bruta R$ 4.000. que será de R$ 3.000.000. no valor de R$ 820. na tabela a seguir.000.00 do total de R$ 3.514. Descontados os impostos citados anteriormente (ICMS.000. 1.00. Acompanhe.

Além disso.00) Receita líquida R$ 3. entre outras.00) Custo de prestação de serviços (R$ 240.00 Fonte: Elaborada pelo autor (2014).574. também são contabilizadas despesas de outra natureza. tais como despesas de depreciação e amortização. Como essas despesas são bastante peculiares. despesas financeiras líquidas das receitas.000. por algum acaso. a empresa for superavitária nessa conta.Normas e Práticas Tributárias Tabela 7 – Demonstração contábil parcial da Bem-Viver Móveis e Objetos Receita bruta R$ 4. incorporam todos aqueles gastos com a infraestrutura da empresa. despesas administrativas e outras despesas operacionais. tudo que é gasto para levar o produto ao mercado e deixá-lo disponível para venda. internet etc.000. geralmente. As despesas operacionais são divididas. são descontadas as chamadas despesas operacionais. As despesas administrativas. além de resultados de empresas controladas ou coligadas. Se. entre: despesas de vendas. água.000. Apurado o lucro bruto. Em nosso caso hipotético. tributos.000. manutenção de equipamentos. 9 . fretes.00 Prestação de serviços R$ 2. neste caso.000. comissões de vendas.000. ela comporá um grupo de receitas financeiras.00) IPI (R$ 40. treinamento de funcionários.00 Vendas de mercadorias R$ 2.000. As despesas financeiras remetem aos empréstimos bancários eventualmente contraídos para aplicação na empresa.00) ISS (R$ 60. tais como energia.000.000. iremos considerar mais adiante valores arbitrários apenas para efeito de apresentação de como essas despesas são contabilizadas nas demonstrações contábeis. as quais envolvem todos os gastos necessários para que o produto seja colocado à venda no mercado.00) PIS/Cofins (R$ 146. enfim.000. também entram despesas com recursos humanos. a Bem-Viver. Às vezes. As despesas de vendas incorporam os gastos com propaganda.00 Deduções da receita bruta (R$ 426.514.000.00 Custo de vendas (R$ 820. telefonia.000.000.00) Lucro bruto R$ 2. elas variam muito de empresa para empresa. por sua vez.00) ICMS (R$ 180.000.000.

obtém-se o lucro operacional.00) ISS (R$ 60.00) ICMS (R$ 180.00 Fonte: Elaborada pelo autor (2014).000.00) PIS/Cofins (R$ 146.00) Despesas de depreciação (R$ 50.Normas e Práticas Tributárias 3 Lucro operacional Depois de deduzidas todas as despesas mencionadas anteriormente.00) Taxas em geral (R$ 5. aquele que evidencia o quanto se teve de lucro efetivo na operação.000.00 Despesas de pessoal (R$ 694.514.000.000.00) Fretes (R$ 220.000.000.00) Despesas financeiras (R$ 30.000.000.00 Deduções de receita bruta (R$ 426.00) IOF (R$ 27.00 (R$ 1.000.000.00) Despesas de infraestrutura (R$ 60.000.000.000.00 Vendas de mercadorias R$ 2.754.00) Despesas tributárias (R$ 110.00) Lucro bruto Despesas operacionais R$ 2.00 Custo de vendas (R$ 820.00) 4 Lucro operacional R$ 760.000.00) Custo de prestação de serviços (R$ 240.00) Receita líquida R$ 3. 4 Esse valor de PIS/COFINS refere-se à aquisição de recursos.000. Tabela 8 – Lucro efetivo da operação da Bem-Viver Móveis e Objetos Receita bruta R$ 4.00) Receitas de aplicações financeiras R$ 50.000. 10 .00) IPTU e IPVA (R$ 15.000.000.00) IPI (R$ 40.000.000.574.00) Encargos sociais (R$ 37.000.00) Propaganda (R$ 590.000.00) PIS/Cofins (R$ 26.00) Encargos financeiros (R$ 80.00) Despesas de vendas (R$ 810.000.000. em razão de retenção do valor.000.000.00 Prestação de serviços R$ 2.000.000.000.000.000.000.

000.00) ( .) Despesas de vendas (sem comissões) (R$ 400.00 ( .000.00 mensais. De forma sucinta.) Custo de vendas e serviços (R$ 820. Caso a tributação sobre o lucro seja advinda do enquadramento fiscal de uma empresa no regime de lucro real.000.00) ( .00. na apuração por estimativa. Não há deduções para o IRPJ adicional.000. a alíquota é de 15%. O IRPJ adicional incidirá sobre a parcela do lucro real.000. a DVA da Bem-Viver pode ser exposta da seguinte maneira: Tabela 9 – Demonstração do valor adicionado da Bem-Viver Móveis e Objetos ( + ) Receita bruta R$ 4.00) ( . Já para a contribuição social.000. com o pagamento no valor total de R$ 105.000.) ICMS (R$ 180.Normas e Práticas Tributárias 3.00) ( .000. será devido o adicional sobre a parcela da base de cálculo que exceder R$ 20. 11 .2 Demonstração do Valor Adicionado (DVA) da Bem-Viver Móveis e Objetos A Demonstração do Valor Adicionado (DVA) faz parte do conjunto de informações denominado balanço social. a alíquota cobrada é de 9%.540.00) Total de valor adicionado (riqueza gerada na operação): R$ 2. existe a possibilidade de cobrança de IR adicional. presumido ou arbitrado que exceder o valor resultante da multiplicação de R$ 20.) Despesas de infraestrutura (R$ 60.000.00 Fonte: Elaborada pelo autor (2014).000. A alíquota adicional será de 10%. Essa alíquota é única para todas as pessoas jurídicas e vale mencionar que. são contabilizados os descontos de Imposto de Renda (IR) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). totalizando um montante a recolher de R$ 63. Ele informa a riqueza gerada pela empresa. Para o primeiro.) Despesas financeiras (R$ 130.00.1 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e Imposto de Renda (IR) Para esse valor estimado de lucro operacional.00 pelo número de meses do respectivo período de apuração.000. 3.000.

2011. certos analistas observam dados generalizados sobre o desempenho econômico de certas companhias e de certos países para realizar comparações entre os tamanhos de algumas economias. Observou-se que.638/07 e 11. também. Por isso. na medida em que nos aproximamos do valor adicionado pela companhia. de fato.000. ed. H. A comparação realizada geralmente coloca frente a frente grandezas como o faturamento bruto (ou mesmo líquido. o quanto a empresa gera de valor adicionado. M. já que só assim é possível obter uma medida mais cabida da produtividade de uma companhia. o lucro bruto e o lucro operacional. 2009. Portanto.500. foi possível observar de que forma são calculadas as despesas que compõem a demonstração contábil. números pujantes não podem nos levar a ilusões do ponto de vista contábil. Por isso. difere substancialmente do valor adicionado por elas. de todo o valor acumulado pela empresa. PÊGAS.00 são efetivamente valor adicionado. ou o total de suas receitas. apenas uma parte é efetivamente lucro.000. de um total movimentado de R$ R$ 4. No caso apresentado anteriormente. segundo esses analistas. 12 . 11. Manual de contabilidade tributária: análise dos impactos tributários das leis 11.941/09.000. vimos o quanto o faturamento de uma empresa. de et al. a partir das considerações a respeito dos impostos e das contribuições que incidem sobre a realidade econômica. O faturamento bruto de várias grandes corporações internacionais evidenciaria. às vezes) ou o lucro de certas companhias em relação ao PIB de determinados países. que acaba gerando distorções nas análises que se realizam posteriormente.00 a título de receita. O PIB é uma medida de valor agregado. o quanto certas empresas são grandes e poderosas. Considerações finais Ao longo desta aula. L. Rio de Janeiro: Freitas Bastos. apenas R$ 2. uma maneira de apresentação sistemática da evolução do cálculo. Trabalhou-se. É necessário apurar. comparar o PIB de um país à receita ou ao lucro de uma companhia significa comparar duas grandezas distintas. Referências OLIVEIRA. Manual de contabilidade tributária. São Paulo: Atlas. desconsidere qualquer comparação dessa natureza. Acontece que essas são comparações impróprias e equivocadas. de geração de riqueza. na medida em que se mostram “maiores” que muitos países de menor porte e/ ou expressão econômica.Normas e Práticas Tributárias Não raras vezes. análise dos impactos tributários do CPC. P. Concretamente para o nosso caso hipotético.

Temas Introdução 1 Imposto sobre operações relativas à Circulação de Mercadorias e Serviços de transporte intermunicipal e interestadual e de comunicações (ICMS) 2 Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) 3 Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS) 4 Contribuição Social sobre o Faturamento (COFINS) 5 Contribuição para o PIS/PASEP Considerações finais Referências Professor Rubia Carla Erthal . ISS. IPI.Normas e Práticas Tributárias Aula 06 ICMS. COFINS e PIS Objetivos Específicos • Compreender o mecanismo de funcionamento dos tributos sobre consumo.

como contribuintes. A sua regulamentação é bastante complexa e está distribuída entre as 27 unidades da federação. como você pode verificar. permitindo uma noção geral do IPI. discorreremos sobre o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). enfim. Nesta parte. A arrecadação desse imposto envolve altos valores de recursos. em detalhes. e a base legal que regulamenta o ICMS também é bastante extensa. 167). Senac São Paulo. sendo que serão explorados alguns detalhes deste imposto. identificando seus elementos fundamentais.Normas e Práticas Tributárias Introdução Nesta aula. 2011). Por último. de forma menos árida possível. uma água mineral. Em seguida. serão apresentados os tributos incidentes sobre o consumo e sua forma de funcionamento. o conhecimento do ICMS é muito importante para as empresas e para a sociedade em geral (PÊGAS. ao comprar um caderno. apresentaremos o COFINS e o PIS. estudaremos. sua estrutura básica. Por exemplo.Todos os Direitos Reservados 2 . fato gerador e base de cálculo. Será exposta. Portanto. Logo. também será apresentado. O Imposto sobre Serviços de qualquer natureza (ISS). Nesta aula. apresentaremos ainda as principais regras aplicáveis a este imposto federal. 2011. que permitiu que os estados e o Distrito Federal instituíssem este imposto “O ICMS está presente em nossa vida em quase todos os momentos” (PÊGAS. Ele é uma das principais fontes de receitas dos municípios grandes e médios. ao tomar café da manhã. estudaremos a estrutura conceitual do ICMS. Por exemplo: arrecadouse em torno de R$ 301 bilhões em 2011 e R$ 330 bilhões em 2012 (BECK. seu fato gerador e base de cálculo. p. Mas tudo começou com a Constituição Federal de 1988. iniciando pelo Imposto sobre operações relativas à Circulação de Mercadorias e Serviços de transporte intermunicipal e interestadual e de comunicações (ICMS). em todas estas situações existe a participação do ICMS. 1 Imposto sobre operações relativas à Circulação de Mercadorias e Serviços de transporte intermunicipal e interestadual e de comunicações (ICMS) O nome já é bastante grande. a complexa legislação que disciplina a cobrança destas contribuições. 2013). ao almoçar. assistirmos TV.

Todos os Direitos Reservados 3 . 1. o tema ICMS é um dos mais importantes” (PÊGAS. salvo determinação em contrário da legislação: a. b. mas que tenha alíquotas e regras definidas nacionalmente. urgente. com certeza. supondo que a reforma de uma casa tenha que ser feita com a família morando nela. O ICMS é de competência dos estados. p. Senac São Paulo. cada estado possui sua legislação própria em relação a este imposto. mesmo que depois seja necessário fazer alguns ajustes. mas dependemos da ação de deputados e senadores para o avanço na reforma do modelo que temos atualmente para este imposto. compensando-se o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal. A reforma tributária do ICMS é comparada à reforma do banheiro da casa. Veja o que diz a Constituição Federal (BRASIL. seria mais fácil se o ICMS fosse federal ou se tivesse uma legislação unificada. O autor ainda compara a reforma tributária com a reforma de uma casa. 1988): § 2º O imposto previsto no inciso II (ICMS) atenderá ao seguinte: (Emenda Constitucional nº 3. Isto dificulta seu entendimento e. a família só tem outro. A autorização para cobrança dos impostos estaduais é tratada no artigo 155 (1º parágrafo) e o ICMS é autorizado no inciso II. o fim da guerra fiscal entre os estados pelo ICMS terminaria com a reforma deste. Acarretará a anulação do crédito relativo às operações anteriores. mas tal reforma deve ser feita de forma rápida. Assim. Não implicará crédito para compensação com o montante devido nas operações ou prestações seguintes. “Quando se fala em reforma tributária.1 Regulamentação na Constituição É no capítulo do Sistema Tributário Nacional que a Constituição Federal dispõe sobre o ICMS. pequenino. 2011. de 1993): I – Será não-cumulativo. 168). visto que. II – A isenção ou não-incidência. Existem discussões que procuram unificar a legislação do ICMS. Alguns desdobramentos acerca da cobrança do ICMS são apresentados no 2º parágrafo. portanto. O objetivo desta uniformização é transformá-lo em um imposto estadual. além deste.Normas e Práticas Tributárias Saiba mais sobre a arrecadação do ICMS acessando o link disponível na midiateca.

pois em alguns casos específicos. O ICMS pago na entrada da mercadoria poderá ser compensado com o ICMS da saída: ICMS venda (saída): R$ 12. Veja um exemplo: uma empresa comprou mercadorias para revenda no valor de R$ 50. também com ICMS de 18%.00 ICMS compra (entrada): R$ 9. 2011.00.00 Saldo devido: R$ 3. p. O ICMS da venda foi então de R$ 12. Neste caso. que oferecerá tais produtos aos consumidores finais. Neste valor. mas existem as legislações complementares para situações específicas. p. Isto quer dizer que todo o imposto pago nas etapas anteriores é passível de compensação com débitos que surgem em decorrência da venda ou revenda futura. ao vendê-los.00. o crédito de ICMS não poderá ser feito (exceto em vendas ao exterior.600. as normas gerais são as regras supremas.600. R$ 9. Cada estado possui uma regulamentação específica. uma empresa compra matéria-prima com ICMS incluso.Normas e Práticas Tributárias O ICMS é regulamentado pela Lei Complementar nº 87/96 e pelos Convênios firmados entre os diversos estados. A empresa revendeu esta mercadoria por R$ 70. Ao vender seus produtos acabados para uma revenda. Ou seja. Uma das características principais do ICMS é destacada neste dispositivo constitucional: a não cumulatividade.000. poderá haver nova cobrança de ICMS. mas. De acordo com Oliveira et al. encontrava-se imbutido 18% de ICMS. tem isenção de ICMS. 169) Por exemplo. As normas gerais têm o objetivo de harmonizar o sistema tributário nacional para evitar o caos na legislação tributária.000. o critério da não cumulatividade será ignorado. 64): Senac São Paulo.” (PÊGAS.00.000. que são equiparadas às saídas tributadas).Todos os Direitos Reservados 4 .600. logo. o crédito deverá ser anulado nesta empresa. “A aplicação do texto é controversa.000.00. mas deve seguir os termos das normas gerais. processa esta mercadoria para a produção de seus produtos acabados.00 Caso a saída não seja tributada. (2011.

alíquota. com a Emenda nº 18. A base legal para a incidência do IPI encontra-se na Constituição Federal. quando era chamado de Imposto sobre Consumo. os débitos de IPI referentes às saídas poderão ser compensados pelos créditos de IPI das entradas. da Constituição Federal. 2011). entrada de mercadorias do exterior. não compreendidos na legislação municipal.Normas e Práticas Tributárias O ICMS corresponde a um tributo com múltiplas hipóteses de incidência e como consequência sua base de cálculo. § 3º. inciso II. inciso I. inciso IV. 2011. Existem também produtos indicados como “NT” que quer dizer não tributado. 2 Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) O IPI é de competência da União e ele surgiu inicialmente com a Constituição de 1934. Em 1965. em seu art.212/10 (RIPI/10)” (OLIVEIRA et al. p. “O imposto sobre produtos industrializados (IPI) incidente sobre produtos nacionais e estrangeiros que forem industrializados ou importados é de competência da União e tem suas disposições regulamentadas atualmente pelo Decreto nº 7. serviços prestados em outro país e sobre a entrada de petróleo. A Tabela de Incidência do IPI (Tipi) determina a alíquota de todos os produtos individualmente. mas ele também pode incidir sobre prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal.Todos os Direitos Reservados 5 . ou seja. inclusive lubrificantes e combustíveis derivados de petróleo e de energia elétrica. além do momento da ocorrência do fato gerador. da Constituição Federal. O princípio da não cumulatividade segue as mesmas regras do ICMS. de acordo com o art. são estabelecidos em lei estadual para o cálculo e a cobrança do imposto devido em cada operação ou prestação.. mas destacamos dois: • não cumulatividade. no território do estado quando não forem destinados à comercialização/industrialização. local da operação ou da prestação do serviço. O Senac São Paulo. 153. 100). O principal fato gerador do ICMS é a circulação de mercadorias. fornecimento de mercadorias com prestação de serviços. inclusive aqueles que possuem alíquota zero. § 3º. e • seletividade. de acordo com o art. passou a ter a denominação de Imposto sobre Produtos Industrializados (PÊGAS. Existem alguns princípios que regem o IPI. 153. 153.

Por exemplo: cigarro (PÊGAS. Por exemplo: redução das alíquotas de IPI para a produção de máquinas agrícolas. verificamos que o ICMS é um imposto estadual. Ou seja. Como o governo consegue intervir na economia por meio dos impostos? Na Tabela 1 há um comparativo entre o ICMS e o IPI. percebemos que os contribuintes do ICMS são empresas industriais e comerciais. p. na entrega de produtos vendidos por intermédio de ambulantes. enquanto em relação ao IPI são contribuintes somente as empresas industriais e equiparadas a industriais. 2011). Desta forma. 101). produtos essenciais são menos tributados ou até isentos. Acompanhe: Tabela 1 – ICMS e IPI Competência Contribuintes ICMS IPI Estadual Federal Empresas industriais e comerciais Empresas industriais ou equiparadas a industriais e importadores de produtos Fonte: Oliveira et al. por exemplo. por ordem de um importador. Da mesma forma. ocorre o fato gerador do IPI. p. ao comprador. O fato gerador do IPI também ocorre na saída da repartição que promoveu o desembaraço aduaneiro remetido a terceiros. 101). De acordo com a Tabela 1. enquanto o IPI é federal. que pode apoiar ou subsidiar determinados setores. além de importadores de produtos. As alíquotas de IPI variam de acordo com a política governamental. 2011. Portanto. enquanto outros possuem uma tributação mais pesada. na saída de armazém-geral ou de qualquer outro estabelecimento de depósito industrial ou que seja equiparado a industrial (OLIVEIRA et al.Todos os Direitos Reservados 6 . (2011. ele não segue o princípio da anterioridade e suas alíquotas podem mudar durante o exercício financeiro. O fato gerador do IPI é a saída de produto do estabelecimento industrial ou o desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira. O IPI incide sobre produtos industrializados nacionais e estrangeiros. Além disso. o governo subsidia a agricultura..Normas e Práticas Tributárias princípio da seletividade diz respeito à essencialidade do produto. buscando baratear os alimentos para a população. Senac São Paulo.

fica também fora do campo de incidência do ISS. p. A Lei Complementar nº 101/2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal) atribui aos municípios a obrigação de instituir. entre outras. 116). de contabilidade. transportes. A lista que acompanha a Lei Complementar nº 116/03 compreende diversos serviços. Para compreender o fato gerador do ISS é preciso saber o que é exatamente a prestação de serviço.. estamos tratando de bens imateriais e incorpóreos. Caso uma empresa possua várias fábricas. entre eles o ISS. não são tributados pelo ISS. O ISS será devido no local do estabelecimento ou do domicílio do prestador. 116): O Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza é um tributo de competência dos municípios. 51. cada uma delas é considerada um contribuinte. (2011. Logo. geração e fornecimento de energia elétrica. que são levados a leilão. p. 3 Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS) O ISS é um imposto de competência dos municípios e do Distrito Federal. portanto. por parte de uma pessoa (física ou jurídica) para outra. De acordo com Oliveira et al. mas em sentido genérico. Além disso. Nestes casos. também constam os arrematantes de produtos apreendidos ou abandonados. o fato gerador destes serviços não é de competência dos municípios e. para efeito de apuração de IPI. de pintura etc. São exemplos desta situação a prestação de serviços de telecomunicação. pois já sofrem a tributação do estado ou da União. Lá estão estabelecidos como contribuintes o importador. assim. os diretores e membros de conselhos consultivos” (OLIVEIRA et al.Normas e Práticas Tributárias A definição dos contribuintes do IPI consta no Código Tributário Nacional (CTN) em seu art. 253) aponta que: “Prestação de serviços é a transferência onerosa. cobrar e efetivamente arrecadar os tributos de sua competência. Mesmo que o serviço prestado não componha a atividade preponderante do prestador do serviço. PÊGAS (2011. Portanto. desde que o fato gerador do serviço já não seja de competência tributária do Estado ou da União. o industrial ou a quem a lei equiparar a industrial. Caso o município não cumpra estas obrigações poderá confirgurar como renúncia de receita. de um bem imaterial. 2011. Por exemplo: serviços de consultoria empresarial. os trabalhadores avulsos. p. ao passo que não são contribuintes os que prestam serviços em relação de emprego. haverá incidência do ISS. Ele incide sobre a prestação dos serviços que constam em uma relação estabelecida na Lei Complementar nº 116/2003. “São contribuintes desse imposto a empresa ou o trabalhador autônomo que presta serviços tributáveis. que incide sobre os serviços prestados pelas empresas – pessoas jurídicas – ou pelos profissionais autônomos.” Portanto. é no município em que o prestador de serviços tem sua sede.Todos os Direitos Reservados 7 . pode haver algum tipo de dificuldade ao procurar um serviço específico que tenha sido Senac São Paulo.

Lei municipal também poderá determinar onde o imposto será devido. quaisquer atividades referidas na lista de serviços” (OLIVEIRA et al. 119). p.. deve-se verificar a possibilidade de separação destes serviços e tributar cada um deles de acordo com as alíquotas propostas na lista para cada serviço. p. 2011. “A base de cálculo é o preço do serviço” (OLIVEIRA et al. 117). o fato gerador será aquele determinado pela legislação do município correspondente ao local onde a empresa do prestador está localizada. 2011. 2011). e este é o profissional autônomo ou a empresa que exerça. 2011. Desta forma. já a Lei Complementar estabelece normas gerais a respeito do ISS. A Constituição simplesmente delimita o âmbito de incidência em que o legislador municipal poderá atuar. assim. 4 Contribuição Social sobre o Faturamento (COFINS) Com o objetivo de financiar a seguridade social. o valor dos materiais adquiridos de terceiros e das faturas de subempreiteiras. Denomina-se profissional autônomo a pessoa física que executa serviços sem ter vínculo empregatício. deverão enquadrar-se na lista de serviços somente os predominantes (OLIVEIRA et al.. cada município poderá atribuir a responsabilidade do pagamento do imposto. com ou sem estabelecimento fixo. em casos de obras civis. pois não se presta serviços a si mesmo. Assim. que poderá também ser o prestador do serviço. incluindo-se as cooperativas. Porém. as quais já foram tributadas anteriormente pelo ISS.Normas e Práticas Tributárias prestado. p. Alguns municípios admitem deduzir. o fato gerador do ISS é a prestação de qualquer serviço que conste na lista de serviços. No caso do ISS. Empresa é a pessoa jurídica que presta serviços. É importante frizar que tanto a Constituição Federal quanto a Lei Complementar estabelem o fato gerador do ISS. Ou seja. Mesmo sem distribuir resultados. Isso quer dizer que o serviço deve ser prestado a terceiro. é a receita bruta correspondente ao serviço sem qualquer dedução. Sempre que alguém prestar qualquer um destes serviços. “Os objetivos da seguridade social são os de assegurar os direitos Senac São Paulo. “O contribuinte do ISS é o prestador de serviço. considera-se empresa aquela que tiver uma atividade organizada que produza bens e serviços para o mercado.. haverá incidência de ISS. A responsabilidade tributária do ISS é atribuída aos tomadores do serviço. determinada atividade de prestação de serviços pode englobar mais de um tipo de serviço. pela Lei Complementar Federal nº 116/03. em caráter permanente ou eventual. Neste caso. 118). Caso os serviços forem inseparáveis.Todos os Direitos Reservados 8 . exceto os descontos ou abatimentos concedidos. a Constituição Federal autorizou a criação de contribuições sociais. aquele que tiver relação direta com o fato gerador será considerado o contribuinte. “É importante salientar que o ISS incide sobre a ‘prestação de serviços’ e não sobre a execução de serviço pura e simplesmente” (OLIVEIRA et al. Desta forma.

exportação de mercadorias e serviços prestados à pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior (OLIVEIRA et al. receitas referentes à venda de itens do imobilizado. ou seja. Já na construção civil. municípios e das contribuições que serão cobradas sobre a folha de pagamento (INSS). ou seja. que são enquadradas como entidades filantrópicas.. o sistema é normal. a seguridade social precisa ser financiada pela sociedade.. Incluem-se aqui as instituições financeiras. A alíquota da COFINS para as empresas tributadas pelo Lucro Presumido ou Arbitrado e as optantes pelo Simples Nacional é de 3%. art. aquelas cujos objetivos sejam a compra e o fornecimento de bens aos consumidores. da contribuição social para financiamento da seguridade social. federações. com recursos que serão provenientes dos orçamentos da União. também deverá ser excluído da base de cálculo o lucro obtido em decorrência de avaliação de investimentos. consta as situações de isenção da COFINS para entidades beneficentes de assistência social. Portanto. estados. Exemplo: asilos. p. 553). é considerado seu faturamento e. também apurada a COFINS. As microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP) também estão isentas da COFINS. organizações reguladoras de atividades profissionais e demais entidades classistas. Integrarão a base de cálculo da COFINS as receitas financeiras. lucros em decorrência de investimentos em participações acionárias. 195 da Constituição Federal.Normas e Práticas Tributárias relativos à saúde. na realidade. Neste caso. “Nas transações de câmbio. vendas canceladas. construtoras e incorporadoras de imóveis. à previdência e à assistência social” (PÊGAS.. 2011. nos termos do inciso I do art. 2011. portanto. 2011). Em uma revenda de automóveis. “Trata-se. a COFINS é paga pelo regime de caixa. ICMS.” (OLIVEIRA et al. ou seja. em operações no mercado futuro. que não representam entrada de novas receitas. lucro (CSLL) e receita ou faturamento (COFINS). um tributo que incide sobre o valor do faturamento mensal das pessoas jurídicas ou a elas equiparadas” (OLIVEIRA et al. A base de cálculo da COFINS será o faturamento mensal das empresas. é considerada a receita bruta da venda de mercadorias e serviços. De forma direta ou indireta. exceto as cooperativas de consumo. 195.Todos os Direitos Reservados 9 . Desta forma. o resultado positivo obtido pela empresa deverá ser considerado como receita bruta para fins de apuração da COFINS. orfanatos etc. A COFINS foi instituída em 1991 pela Lei Complementar nº 70. Desta forma. no período em que a construtura recebe o pagamento do bem ou serviço. 2011. p. Na Constituição Federal. a base de cálculo da COFINS será a diferença entre o valor pego pelo carro e o preço de venda para o consumidor. p. excluídos os valores de IPI. são isentas da COFINS as associações. o contribuinte da COFINS é a pessoa jurídica ou a ela equiparada pela legislação do Imposto de Renda. As cooperativas também são isentas. não gera Senac São Paulo. Além disso. sindicatos. reversões de provisões operacionais e recuperação de créditos baixados como perda. Além disso. caso optarem pelo Regime Integrado de tributação (Simples Nacional) e no período em que ficarem submetidas ao regime simplificado. 236). será considerada receita bruta a diferença bruta positiva entre o preço de venda e o de compra da moeda estrangeira. 235).

Isso quer dizer que poderão ser creditadas do valor da COFINS paga por ocasião das entradas. Para um melhor entendimento.65% e estas empresas passaram a utilizar os créditos permitidos em lei para deduzir o PIS/PASEP a pagar.65% para 1. as principais mudanças ocorridas para as empresas optantes do Lucro Real foram a alteração da alíquota de 0. p. instituído pela Secretaria da Receita Federal. As empresas tributadas pelo lucro presumido ou com seu lucro arbitrado permaneceram calculando PIS/PASEP no formato anterior. observe a Figura 1: Figura 1 – Resumo COFINS Empresas tributadas pelo Lucro Real COFINS NÃO CUMULATIVO 7. Foi a Lei nº 10.Todos os Direitos Reservados 10 .718/98 e passou a cobrar PIS e COFINS apenas sobre a receita bruta para as empresas tributadas pelo lucro presumido ou arbitrado. 240). a Lei nº 11.6% Empresas tributadas pelo Lucro Presumido e Arbitrado optantes pelo simples Federal COFINS SEM FATURAMENTO 3% Fonte: Oliveira et al.6%. o PIS/PASEP passou a ser cobrado pelo método não cumulativo para as empresas que utilizam o lucro real como forma de tributação. 3º da Lei nº 9. A apuração das contribuições sociais deve ser evidenciada na DACON. (2011. De acordo com a Figura 1. Desta forma. em 1970. no regime Não Cumulativo. a qual entrou em vigor em 01/02/2004.Normas e Práticas Tributárias direito a quaisquer créditos. p. verificamos a forma de apuração da COFINS para as diferentes formas de tribução das empresas. 553): A partir de dezembro de 2002.941/09 revogou o § 1º do art. De acordo com PÊGAS (2011. foram criados o Programa de Integração Social (PIS) e o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP). Em 2009. Senac São Paulo. Já as empresas tributadas pelo Lucro Real possuem a alíquota de 7. que é o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais. 5 Contribuição para o PIS/PASEP Com o objetivo de integrar os trabalhadores na vida e no desenvolvimento das empresas.833/03 que introduziu esta nova forma de cobrança para a COFINS.

Economia. O PIS é apurado e recolhido sobre a receita devida mensalmente pelas empresas. 2015.65% Templos. partidos políticos entidades sem fins lucrativos PIS/Pasep sobre a folha de pagamento 1% Fonte: Oliveira et al. O Globo. Referências BECK. ISS. p. Disponível em: <http://oglobo. Já a COFINS é uma contribuição para o financiamento da seguridade social. M. Arrecadação de ICMS foi recorde em 2012: R$ 330 bilhões. Tanto o PIS quanto a COFINS possuem regime não cumulativo para as empresas optantes do lucro real. O ISS é um imposto de competência dos municípios e incide sobre a prestação de serviços de qualquer natureza. Acesso em: 5 mar. enquanto no IPI os contribuintes são as empresas industriais e equiparadas. PIS e COFINS. os contribuintes são as pessoas jurídicas com fins lucrativos.globo. na base do faturamento. 2013. Esperamos que você tenha entendido o mecanismo destes tributos que incidem diretamente sobre o consumo. 242). IPI. partidos políticos e entidades sem fins lucrativos pagam o PIS/PASEP sobre a folha de pagamento.65% Empresas tributadas pelo Lucro Presumido PIS/Pasep faturamento 0. podemos verificar que empresas tributadas pelo lucro real possuem PIS/PASEP não cumulativo e alíquota de 1. os contribuintes do ICMS são empresas comerciais e industriais. (2011.65%. De acordo com a Figura 2.65%.Todos os Direitos Reservados 11 . Logo. Já os templos. condomínios. Portanto. O ICMS é um imposto de competência estadual e incide sobre a circulação de mercadorias e serviços. condomínios. Senac São Paulo. Considerações finais Nesta aula.Normas e Práticas Tributárias Figura 2 – PIS/PASEP Empresas tributadas pelo Lucro Real PIS/Pasep não cumulativo 1. na alíquota de 1%. As empresas tributadas pelo Lucro Presumido possuem o PIS/PASEP sobre o faturamento e a alíquota é de 0.com/economia/arrecadacao-de-icms-foi-recorde-em2012-330-bilhoes-7502356>. Já o IPI incide sobre os produtos industrializados. foram apresentados conceitos e informações fiscais sobre os tributos: ICMS.

Acesso em: 5 mar.249. de 6 de março de 1972 .218. de 31 de julho de 2003. Diário Oficial da União. ______.235. Brasília.941 de 27 de maio de 2009.planalto.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp70. Disponível em: <http://www. Disponível em: <http://www. Constituição (1988).gov. Diário Oficial da União.br/ ccivil_03/leis/l5172. e dá outras providências. Brasília. 25 de outubro de 1966.planalto. Regulamenta a cobrança. Altera a legislação tributária federal relativa ao parcelamento ordinário de débitos tributários. Diário Oficial da União. Disponível em: <http://www. 4 de maio de 2000. ______. de 27 de novembro de 1998. Diário Oficial da União.htm>. Diário Oficial da União. 30 de dezembro de 1991.gov. Lei Complementar nº 116.gov.gov.833. Disponível em: <http://www.htm>. 27 de novembro de 1998. 29 de dezembro de 2003. 2015.planalto. Lei nº 11. arrecadação e administração do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI. Altera a Legislação Tributária Nacional.planalto. 2015. fiscalização. de 24 de julho de 1991 . Disponível em: <http://www. Lei Complementar nº 101.htm>.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp116. Altera a Legislação Tributária Federal e dá outras providências. Acesso em: 5 mar. Brasília. de 25 de outubro de 1966. Brasília. Dispõe sobre o Sistema Tributário Nacional e institui normas gerais de direito tributário aplicáveis à União.Todos os Direitos Reservados 12 .833. Brasília. 2015. Estados e Municípios. 13 de setembro de 1996.gov. ______.gov.gov. de competência dos Municípios e do Distrito Federal. eleva a alíquota da contribuição social sobre o lucro das instituições financeiras e dá outras providências.planalto. Acesso em: 5 mar. Brasília.br/ccivil_03/leis/2003/l10. Institui contribuição para financiamento da Seguridade Social. de 24 de julho de 1991. 8. de 15 de junho de 2010. 8. Acesso em: 5 mar. Decreto nº 7.htm>. Lei nº 10.planalto.htm>.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado. Acesso em: 5 mar. Acesso em: 5 mar.213. Estabelece normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal e dá outras providências. Disponível em: <http://www. 2015. Brasília. de Senac São Paulo.br/ ccivil_03/leis/lcp/lcp101. Acesso em: 5 mar.Normas e Práticas Tributárias BRASIL. Diário Oficial da União. Disponível em: <http://www.planalto.planalto. (LEI KANDIR). Lei Complementar nº 87. Acesso em: 5 mar.430. htm>. ______.htm>. ______.br/ccivil_03/_ ato2007-2010/2010/decreto/d7212. 9. Dispõe sobre o Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza. de 30 de dezembro de 1991. Acesso em: 5 mar. 2015. 15 de junho de 2010. Disponível em: <http://www.718.469. Diário Oficial da União.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp87. de 27 de dezembro de 1996 .gov. alterando o Decreto nº 70.172. br/ccivil_03/leis/l9718. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. 2015. 9. 2015. ______. Disponível em: <http://www. institui regime tributário de transição. Diário Oficial da União. de 26 de dezembro de 1995 . Lei nº 5. as Leis nºs 8. de 4 de maio de 2000. ______. Brasília.gov. 2015. Lei Complementar nº 70. 29 de dezembro de 2003. 2015. 31 de julho de 2003. Dispõe sobre o imposto dos Estados e do Distrito Federal sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação.212. 9. de 13 de setembro de 1996.212. de 29 de agosto de 1991 .htm>. Lei nº 9.planalto. e dá outras providências. ______.htm> . ______. concede remissão nos casos em que especifica.

de 24 de abril de 2002  [..941/09.] e dá outras providências.fazenda.gov. 2015. P.Todos os Direitos Reservados 13 .br/Legislacao/Leis/2009/lei11941. de 10 de dezembro de 1997 . 27 de maio de 2009.532. Manual de Contabilidade Tributária: análise dos impactos tributários das leis 11. Diário Oficial da União. análise dos impactos tributários do CPC..htm>. M.638/07 e 11.426. et al. PÊGAS. OLIVEIRA. Senac São Paulo. 2011. Rio de Janeiro: Freitas Bastos.Normas e Práticas Tributárias 10 de julho de 1997. São Paulo: Atlas (e-book). L. Manual de Contabilidade Tributária: Textos e Testes com as Respostas. 2011. Acesso em: 5 mar. 9. Disponível em: <http://www.receita. Brasília. 10. H.

tributos devidos pelos empregados e empregadores. provisões para férias e 13º salário. Objetivos Específicos • Identificar os critérios para cálculo e contabilização de encargos sobre a folha de pagamento. Temas Introdução 1 Encargos sociais da empresa 2 Fundo de garantia do tempo de serviço 3 Contribuição para a Previdência Social: parte dos funcionários 4 Imposto de Renda Retido na Fonte dos funcionários: tabela e exemplo de como calcular 5 Contabilização da folha de pagamento e dos encargos sociais 6 Aspectos fiscais e contábeis para cálculo das férias e 13º salário Considerações finais Referências Professor Rubia Carla Erthal .Normas e Práticas Tributárias Aula 07 Encargos sociais.

1 Encargos sociais da empresa No Brasil existe muita discussão a respeito do custo da mão de obra. Inúmeros outros gastos. as informações são enviadas de uma única vez e atendem a todas essas instituições. o Instituto Nacional do Seguro Social.. os custos e despesas com funcionários. Além da questão tributária. horas extras e outros benefícios” (OLIVEIRA et al. contribuição para o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). repouso semanal remunerado. O empregador deve enviar informações de seus empregados para diversos órgãos. férias. Todos esses aspectos serão abordados em nossa aula. além dos salários. as empresas têm gastos adicionais com os encargos sociais que são diversos e incidem sobre os salários. 2011. indenização compensatória de 40% sobre o saldo do FGTS. Porém. Os custos elevados de mão de obra impulsionam os investimentos em novas tecnologias. p. fazer a emissão das guias do encargos sociais. incluindo os encargos sociais. assim como dos encargos sociais.Normas e Práticas Tributárias Introdução Nesta aula serão focalizados os procedimentos para a contabilização da folha de pagamento. Com o intuito de unificar essas informações. foi criado o E-social. “Além do salário propriamente dito. a empresa está obrigada a cumprir também com as demais exigências da legislação trabalhista. de forma organizada e lógica. algumas regras precisam ser observadas. como 13º salário. para facilitar seu entendimento. poderão ser dedutíveis do Imposto de Renda. Sendo assim. que é um projeto que unifica esse envio. entre outras obrigações previdenciárias e trabalhistas. além da complexidade da legislação trabalhista. como a Secretaria da Receita Federal do Brasil. 170). entre outros.Todos os Direitos Reservados 2 . Esses gastos são representados pelos encargos sociais. Esses custos e despesas precisam ser necessários para a empresa e os empregados precisam estar devidamente registrados no quadro funcional da empresa. oneram a folha de pagamento. Ou seja. É importante lembrar que para empresas do lucro real. a empresa também precisa emitir o arquivo da folha de pagamento individualizada e detalhada. escriturar fichas ou livros de controle de pessoal. aviso prévio indenizado. Os encargos trabalhistas e os tributos que oneram a folha de pagamento contribuem significativamente para o chamado “custo Brasil”. Senac São Paulo. o Ministério do Trabalho e Emprego e a Caixa Econômica Federal.

Devido à sua complexidade. pois o uso desses recursos torna-se mais compensador do que a contratação de mão de obra para se obter lucratividade.50 Senai.46 13º salário 10.67 TOTAL GERAL (36.. As leis trabalhistas trazem um alto custo para os empresários.34 Encargos sobre a mão de obra % Repouso Semanal Remunerado – RSR/DSR 18. 2011. Senac ou Senat 1.03 1/3 sobre as férias 3.67 + 23. Senac São Paulo. Sesc ou Sest 1.00 Fundo de Garantia do Tempo de Serviço 8.00 Incra 0.83 Total encargos sobre a mão de obra 48.98 Incidências cumulativas (encargos sobre a folha x encargos sobre a mão de obra ou 36. muitas empresas optam por investir em automação.67%) 17.34% de 48. que mostra os dados relativos ao custo com encargos sociais sobre a mão de obra. Isso exige que a Justiça do Trabalho mantenha uma cara estrutura para resolver tais conflitos.68 Fonte: Campanini e Maranhão (2001 apud OLIVEIRA et al.Normas e Práticas Tributárias Esses encargos foram criados para proteger os trabalhadores.97 Aviso prévio 2. existe um grande número de ações movidas pelos trabalhadores contra seus ex-empregadores. mas sua existência desestimula a contratação de funcionários.50 Seguro de Acidentes do Trabalho – média 2.61 Feriados 3. robotização e uso intensivo da informática.00 Sesi. p. mas esse não é o único problema.77 Férias 9. Por isso.Todos os Direitos Reservados 3 .00 Novas Contribuições Sociais – LC 110/01 0.54 Total encargos sobre a folha 36.60 Salário-educação 2.67 Encargos % FGTS na demissão sem justa causa.34 + 48.69 Total encargos 23. 170).67) 108.20 Sebrae 0. Apresentaremos a seguir os resultados de uma pesquisa efetuada por uma empresa de consultoria. Tabela 1 – Encargos sociais Encargos sobre a folha % Contribuição ao INSS – parte da empresa 20. que se aplica apenas nos casos em que o empregador dispensar o empregado sem justa causa 5.

trazidas pela Lei Complementar nº 110/01. Dessa forma. terá uma despesa de 50% sobre o saldo do FGTS deste. tem-se: • Risco considerado leve: 1% • Risco considerado médio: 2% • Risco considerado grave: 3% As novas contribuições sociais. caso demita algum funcionário sem justa causa. 3 Contribuição para a Previdência Social: parte dos funcionários O desconto da contribuição previdenciária e do Imposto de Renda sobre os rendimentos Senac São Paulo. 8% da remuneração paga.Todos os Direitos Reservados 4 . serão apresentadas a seguir. Além disso. em caso de demissão sem justa causa. se uma empresa demitir um funcionário sem justa causa. sendo 40% de multa e 10% de contribuição social. nessas condições. em guias específicas. Quer dizer que. deverá pagar a multa de 40% sobre o saldo de FGTS. caso o empregado seja demitido por justa causa. que se encontra na conta vinculada do trabalhador demitido. É importante frisar que o seguro acidente de trabalho depende do grau de risco da atividade da empresa. 2 Fundo de garantia do tempo de serviço As empresas precisam depositar. O FGTS pode ser sacado pelo funcionário. Essa Lei prevê uma contribuição adicional de 10% sobre o montante de todos os depósitos devidos do FGTS durante a vigência do contrato de trabalho. Assim. A Lei Complementar nº 110/01 instituiu novas contribuições para o custeio do pagamento dos expurgos inflacionários sobre os saldos das contas de FGTS que foram mantidas no período de 1º de dezembro de 1988 a 28 de fevereiro de 1989 e também durante o mês de abril de 1990. a título de Fundo de Garantia (FGTS).68%. perde esse direito. mensalmente. caso ele seja demitido sem justa causa.Normas e Práticas Tributárias A Tabela 1 nos mostra que o total de encargos sociais sobre a folha de pagamento e mão de obra pode chegar a 108.

pois ela é responsável pelo cálculo correto do valor a ser descontado e também do recolhimento dessas contribuições ao INSS (Instituto Nacional da Seguridade Social). conforme a Tabela 3. De acordo com a Tabela 2. pela empresa. verificamos que a contribuição para a Previdência Social aumenta de acordo com a faixa salarial. O desconto é feito. apresentamos a Tabela 2 para que você entenda como funciona.07 8 De 1.12 9 De 2. Senac São Paulo. É importante lembrar que a tabela do INSS tem alteração nos valores anualmente.195. ao elaborar a folha de pagamento.317. Ou seja.13 até 4. é depositária temporariamente desse desconto. que também tem seus valores alterados anualmente. na prática. 4 Imposto de Renda Retido na Fonte dos funcionários: tabela e exemplo de como calcular O Imposto de Renda Retido na Fonte também deve ser descontado da folha de pagamento dos funcionários. A empresa.Normas e Práticas Tributárias dos empregados é de responsabilidade da empresa. nesse caso.24 11 Fonte: Adaptado do site do Ministério da Previdência Social. Qual a finalidade do desconto da contribuição para a Previdência Social.317.08 até 2. O desconto da contribuição para a previdência social é efetuado por alíquotas. portanto. as empresas já farão os devidos descontos e emitirão a guia para pagamento dos devidos encargos. INSS? Tabela 2 – Contribuição para a Previdência Social – parte do empregado (a partir de 1º de janeiro de 2014) Salário de contribuição – R$ Desconto – % Até 1. no prazo fixado.195. o cálculo.Todos os Direitos Reservados 5 .390. de acordo com a faixa salarial do empregado.

78 a R$ 2.Todos os Direitos Reservados 6 . para a Receita Federal. anocalendário de 2014) Rendimento do funcionário Alíquota .463.177. p. aplicar a alíquota sobre esse resultado líquido e subtrair desse valor obtido a parcela a deduzir. A Medida Provisória nº 597/12. a empresa é depositária temporariamente desse imposto. conforme informado na Tabela 3.463.94.94 x 27. Aplicando a alíquota do Imposto de Renda.572. conforme a Tabela 3. Logo. conforme a Tabela 2.).% Parcela a deduzir Até R$ 1. As deduções cabíveis para o cálculo do Imposto de Renda Retido na Fonte são: • R$ 179. teremos: R$ 4.03 De R$ 3.787.5 R$ 602. deve-se somar todos os vencimentos do mês (como salário-base. nos casos de participações em lucros e resultados. no prazo fixado. Desse valor. Esse valor deverá ser descontado de sua folha de pagamento e deve ser recolhido juntamente com o Imposto de Renda dos demais funcionários.177.433/13. Logo.200.00 de salário mensal bruto e possui três dependentes. Da mesma forma que no INSS. pois o calcula e recolhe para a Receita Federal.13. Primeiro vamos calcular a contribuição para o INSS.15.43 15 R$ 335.698. estabelece uma tabela exclusiva para o desconto do Imposto de Renda. nesse caso R$ 826.96 Acima de R$ 4.Normas e Práticas Tributárias Tabela 3 – Imposto de Renda Retido na Fonte sobre os salários dos funcionários (a partir do exercício de 2015.679.13 = R$ 6.81 27.81 22. 2011.5 R$ 134. teremos: R$ 6.15 = R$ 872. O valor resultante desse cálculo é o imposto retido na fonte do funcionário. De acordo com a Tabela 3. A base de cálculo para o IRRF será: R$ 7. calculamos o valor da dedução de três dependentes: R$ 179. convertida na Lei nº 12. nesse caso não há dedução de dependentes e nenhuma outra despesa.08 De R$ 2.. Um funcionário recebe R$ 7. sua alíquota aumenta conforme aumenta o valor do rendimento.24.93.44 a R$ 4.93 – R$ 826. verificamos que o Imposto de Renda também é progressivo. Para calcular o Imposto de Renda.15 Fonte: Brasil (2011).5 R$ 826. horas extras etc. Senac São Paulo.29 7. • Contribuições ao INSS.787.698. 172) de cálculo do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF).679. gratificações.390. Porém. O teto é de R$ 4.00 – R$ 482. temos que descontar a parcela permitida pela tabela.832/13 e Instrução Normativa nº 1. teremos: R$ 1.30 a R$ 3. ou seja.5% = R$ 1.77 Isento --- De R$ 1. Em seguida.93. subtrair desse total a contribuição à previdência e a dedução por dependente.93 – R$ 539.71 x 3 = R$ 539.24 x 11% = R$ 482. que é o Imposto de Renda Retido na Fonte. Vejamos um exemplo (OLIVEIRA et al.200.390.71 por dependente (alterado anualmente). exceto a importância paga a título de pensão alimentícia.572.78.

acessando o link disponível na Midiateca.8% de a 55. logo.000 120. p. Total a recolher para a Previdência Social em novembro = b + g 73. 172) para melhor elucidar a contabilização da folha de pagamento e dos encargos sociais.000 220. financeiro etc.000 d.000 4.000 21.250 i. Salário líquido = a – b e c 179. Salários e demais rendimentos 200. 173). Contribuição previdenciária patronal sobre a folha.500 h.000 7. Senac São Paulo. 27.000 c.Todos os Direitos Reservados 7 . de acordo com a legislação e nesse mesmo mês não houve pagamento de férias e 13º salário. serão contabilizados como despesas.900 92. é ofertado aos seus funcionários adiantamento no importe de 40% no dia 20 de cada mês. vendas. os valores relacionados à produção serão contabilizados como custo e os valores referente à administração.000 41. Faremos a contabilização da folha de pagamento. Saiba mais sobre os custos que afetam a folha de pagamento. Desconto do Imposto de Renda Retido na Fonte dos funcionários – diversas faixas de contribuição 3. p.000 b. Os saldos são pagos até o quinto dia útil do mês subsequente. (2011.5% de a 17. Saldo do salário líquido a pagar aos funcionários até o quinto dia útil de novembro = d – e 99.900 69.600 18. Adiantamento efetuado em 20 de outubro – 40% de a 80. De acordo com a convenção coletiva da categoria. Encargos com Fundo de Garantia do Tempo de Serviço = 8.250 21. 2011. do mês de outubro.Normas e Práticas Tributárias 5 Contabilização da folha de pagamento e dos encargos sociais Abordaremos um exemplo (OLIVEIRA et al.000 g. de uma empresa industrial.000 f.000 4.000 5.000 23.500 Encargos sociais da empresa Fonte: Oliveira et al.. Desconto da contribuição social dos empregados das diversas faixas de contribuição 18.000 20.000 e.600 13. Tabela 4 – Resumo da folha de pagamento do mês de outubro Valores hipotéticos da folha de pagamento do mês – R$ Produção Administração Total a. Considera-se ainda que os encargos sociais do mês de outubro foram pagos em novembro.000 100.000 250.000 50.

00 C – Disponibilidades (AC) – bancos conta corrente – R$ 240.00 C – Disponibilidades (AC) – banco conta corrente – R$ 100. Diante disto.00 Total de débitos – R$ 240.00 C – Adiantamento a funcionários (AC) – Salários – R$ 100.00 C – Encargos com o FGTS a recolher (PC) – R$ 21.00 D – Encargos previdenciários a recolher (PC) – R$ 92. teremos os lançamentos referente ao pagamento dos salários e recolhimento dos encargos sociais: D – Salários a pagar (PC) – R$ 120.750.00 C – Salários a pagar (PC) – R$ 120.000.000. descontos e encargos que precisam ser contabilizados. Além disso.000.150.00 Total de créditos – R$ 340.00 DESPESAS D – Salários da mão de obra – R$ 50.250. pois tanto a taxa de encargos como a base de contribuição dependem de diversos fatores.750.00 AC = Ativo Circulante 31 de outubro – provisionamento da folha e dos encargos sociais CUSTO DA PRODUÇÃO D – Salários da mão de obra – R$ 200.000.00.600.250.00 Perceba que todos os valores contabilizados foram extraídos do resumo da folha de pagamento.600.00 D – Encargos com o FGTS – R$ 17. iniciamos a contabilização: 20 de outubro – Adiantamento concedido por conta do salário do mês D – Adiantamento a funcionários (AC) – salários – R$ 100. em novembro.750.250.00 TOTAL – R$ 68.600.00 TOTAL – R$ 272.000.000.00 D – Encargos com FGTS a recolher (PC) – R$ 21.00 D – Encargos com o FGTS – R$ 4.000.00 C – Encargos previdenciários a recolher (PC) – R$ 92. verificamos que o resumo da folha de pagamento apresenta todos os valores de vencimentos.00 D – Imposto de Renda Retido na Fonte a recolher – R$ 7. Senac São Paulo.000.750.Todos os Direitos Reservados 8 . Os cálculos da contribuição previdenciária e do Fundo de Garantia foram simplificados.00 = R$ 340.Normas e Práticas Tributárias De acordo com a Tabela 4.500.00 D – Encargos previdenciários – R$ 13.00 + R$ 68.500.000.150.00 D – Encargos previdenciários – R$ 55.000.900.00 Total de débitos: R$ 272.00 C – Imposto de Renda Retido na Fonte a recolher (PC) – R$ 7.

pois faltam ainda os gastos relativos à apropriação mensal das férias e 13º salário. As provisões de férias e 13º salário devem ser lançadas mensalmente em conformidade com o princípio da competência. os custos e despesas são lançados para cada um dos setores correspondentes. Logo.000. 174).Todos os Direitos Reservados 9 . O registro dessas provisões é feito como custos para os gastos relativos à mão de obra direta e despesas operacionais referente ao gasto com o pessoal do Departamento Administrativo e Comercial (OLIVEIRA et al. visto que cada mês trabalhado dá direito a 1/12 desse valor.00. 6.1 Observância dos princípios de contabilidade Geralmente. teríamos R$ 560. Tanto o 13º salário como as férias são pagos em determinados meses do ano. 2011. A primeira parcela em novembro e a segunda parcela em dezembro. a legislação trabalhista concede aos funcionários diversos benefícios adicionais. “As justificativas técnicas para o reconhecimento mensal de tais obrigações podem calcar-se na observância dos princípios fundamentais de contabilidade da competência de exercícios e da confrontação das receitas e despesas” (OLIVEIRA et al.000.000. 2011). p.00 como custo total da folha de pagamento. ela paga 13º salário e concede férias a seus funcionários. Para um melhor entendimento desses aspectos contábeis.000.. Observe: Senac São Paulo. ao invés de R$ 480. Algumas empresas possuem a contabilidade dividida em departamentos ou centros de custos. Nesses casos. Já o 13º salário é pago em duas parcelas. Elas também devem ser pagas.. ela teria hipoteticamente o seguinte custo de mão de obra.Normas e Práticas Tributárias 6 Aspectos fiscais e contábeis para cálculo das férias e 13º salário Além dos salários. que estudaremos a seguir.000 unidades = R$ 96. Suponha que uma empresa possua 200 funcionários e o valor da sua folha mensal totaliza R$ 480. caso o funcionário seja demitido e existir “saldo de férias” não gozadas. esse cálculo não está correto. São exemplos as férias e o 13º salário. o funcionário goza suas férias após completar um ano no emprego. mas sua constituição contábil deve ser feita mensalmente. Em dezembro. vejamos um exemplo.000 unidades: R$ 480.00.00 / 5. caso produzisse no mês 5.00 Porém. Caso a empresa não reconheça mensalmente os gastos de férias e 13º salário.

que corresponde a R$ 80. e • As empresas podem reconhecer as obrigações destinadas ao pagamento de férias. inclusive os encargos sociais incidentes sobre os valores reconhecidos.Todos os Direitos Reservados 10 .000.2 Dedutibilidade fiscal das despesas e obrigações reconhecidas Para apurar o lucro tributável.000 unidades = R$ 112.000..000. o custo unitário seria de: R$ 560. Portanto. 2011. • As importâncias pagas serão debitadas da obrigação.000.000. Em relação à despesa de férias (OLIVEIRA et al.00 / 5.000. Da mesma forma.00.000.3 Inclusão dos encargos sociais No valor das férias. pois os operários estarão de férias. Quem regulamenta isso é a Constituição Federal. o fisco aceita as despesas apresentadas anteriormente. em cada exercício social. Senac São Paulo. p. Desse valor.00 serão para férias e R$ 440. • O limite da despesa será determinado com base na remuneração mensal do empregado e no número de dias de férias a que já tiver direito na época do balanço.00 serão para o 13º salário. Assim. não haverá custo.000.00 1/12 férias: R$ 40. normais e proporcionais. importância destinada a reconhecer obrigação para pagamento de remuneração correspondente a férias de seus empregados.000. cujo ônus cabe ao empregador. 6. 6. que poderão ser deduzidos da base de cálculo do Imposto de Renda e contribuição social sobre o lucro.Normas e Práticas Tributárias Salários: R$ 480. mensalmente a empresa apropria um valor de custos e despesas referente às provisões de férias e 13º salário.000 de férias e 40.00 (40.000.00 x 11 meses. encontra-se o valor do salário do empregado acrescido de um terço desse salário. até o limite do valor reconhecido.00 1/12 13º salário: R$ 40. esses R$ 80. adquiridas até a época do balanço. R$ 440. quando chegar dezembro. inciso XVII. pois a empresa terá provisões lançadas no valor de R$ 880.00 Logo. como dedutíveis.000 de 13º salário) devem ser reconhecidos mensalmente.00 médio mensal Dessa forma. a empresa não terá produção. em seu artigo 7º.00 Total: R$ 560. 175): • O contribuinte poderá deduzir como custo ou despesa operacional. para fazer face aos custos de férias e 13º salário.

Normas e Práticas Tributárias Dessa forma. Institui contribuições sociais. de 26 de agosto de 2011.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12469.250. de 2 de julho de 2002. Disponível em: <http://www. assim como dos empregados. Dispõe sobre a tabela progressiva anual relativa à tributação do imposto sobre a renda incidente sobre o valor da participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa (PLR) a partir do anocalendário de 2014. ______. M. Entendemos o que é o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e como ele é recolhido.482. 9. Lei complementar nº 110. Disponível em: <http://sijut2. Lei nº 12. de 29 de junho de 2001. de 3 de junho de 1998. de 10-12014. Disponível em: <http://www. OLIVEIRA. 7.gov. autoriza créditos de complementos de atualização monetária em contas vinculadas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS e dá outras providências.gov. e 10. Senac São Paulo. 9. Estudamos os encargos sociais das empresas.br/sijut2consulta/link. Acesso em: 12/2014. Acesso em: 12/2015.gov. de 31 de maio de 2007.receita. A contabilização da folha de pagamento também foi apresentada por meio de um exemplo. onde contabilizamos a parte relativa à mão de obra da produção como custo e as demais como despesas. Inicial – Central de serviços ao segurado: Formas de Contribuição: Empregado. sendo que existe a parte dos funcionários e a parte da empresa.469. Altera os valores constantes da tabela do Imposto sobre a Renda da pessoa física e altera as Leis 11. de 26 de dezembro de 1995. Portaria Interministerial nº 19. Considerações finais Nesta aula foram abordados aspectos contábeis e tributários referentes à folha de pagamento. em seu artigo 279. Por último.planalto.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp110. o Regulamento do Imposto de Renda. Também foi abordada a contribuição para a Previdência Social.Todos os Direitos Reservados 11 . de 22 de dezembro de 1988. Acesso em: 12/2014. Diário Oficial da União. Diário Oficial da União. Tabela válida para 2014. de 30 de dezembro 2013. L.htm>.gov. Instrução Normativa nº 1. Acesso em: 12/2014.planalto. também permite a dedução do valor da provisão das férias e respectivos abonos e encargos da previdência e do FGTS.htm>.713.433.planalto. ______. 2011.previdencia. Constituição (1988). Apresentamos a tabela do Imposto de Renda e um exemplo demonstrando seu cálculo.fazenda. como custos e despesas. São Paulo: Atlas. Disponível em: <http://www. et al. Referências BRASIL. MINISTÉRIO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. ______. Acesso em: 12/2014.656.480.br/inicial-central-de-servicos-ao-seguradoformas-de-contribuicao-empregado/>. foram abordados aspectos fiscais e contábeis para o cálculo das férias e do 13º salário. action?visao=anotado&idAto=48913>.br/ccivil_03/ constituicao/constituicaocompilado.htm>. Disponível em: <http://www. Manual de Contabilidade Tributária: textos e testes com as respostas. gov.

lucro presumido e lucro arbitrado Considerações finais Referências Professor Rubia Carla Erthal . Temas Introdução 1 Fato gerador e conceito de renda e proventos 2 Lucro real.Normas e Práticas Tributárias Aula 08 Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica IRPJ e a opção pelo lucro real Objetivos Específicos • Compreender o funcionamento do sistema de impostos sobre os lucros.

348). os contribuintes devem fazer uma declaração de ajuste. As formas de tributação das Pessoas Jurídicas no Brasil também serão apresentas e o regime de tributação com base no lucro real será o mais detalhado. 186) Esse tributo é pago mensalmente. Para simplificar o modelo de tributação existente no Brasil. E nessa declaração. p. do trabalho ou da Senac São Paulo. 2011. seu fato gerador. temos dois tributos incidentes sobre o lucro das empresas: a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e o Imposto de Renda (IR). base de cálculo e alíquotas. Apresentaremos os conceitos de forma prática e objetiva. será indicado se existe alguma diferença a pagar de imposto ou se existe algum valor a restituir. tendo fato gerador. A Contribuição Social (CSLL) arrecadada pela União não tem nenhum valor destinado aos estados e municípios. tratando-se do Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF). 2011). 2011. Apresentaremos os aspectos introdutórios da tributação sobre o lucro no país.Normas e Práticas Tributárias Introdução Nesta aula. no ano seguinte. expondo exemplos que facilitem seu entendimento. ou seja. “A Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL foi autorizada pela Constituição Federal de 1988 e regulamentada no ano seguinte. Já o Imposto de Renda arrecadado possui uma parcela de destinação para outros entes da Federação (PÊGAS. base de cálculo e contribuintes semelhantes ao imposto de renda. “Imposto de Renda é um imposto adotado universalmente que obriga cada pessoa ou empresa a destinar um determinado percentual de sua renda média anual para o governo” (OLIVEIRA et al. Ao final desta aula. pois suas destinações são diferentes. que é representada pelo produto do capital. você será capaz de compreender o funcionamento do sistema de impostos sobre os lucros e entender os elementos fundamentais que envolvem o Imposto de Renda. com pequenas diferenças” (PÊGAS. Os contribuintes se dividem em pessoas naturais. que é um imposto de competência da União. 1 Fato gerador e conceito de renda e proventos No Brasil. mas.Todos os Direitos Reservados 2 .. Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ). não seria melhor termos somente um tributo sobre o lucro? Existem dois impostos sobre o lucro. estudaremos o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. p. e em empresas. O fato gerador do Imposto de Renda é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda.

Senac São Paulo. condição jurídica ou nacionalidade da fonte. em seu art. Quando se fala em renda. deve-se entender. 1966). sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor. surgirá a obrigação tributária. o fato gerador acontece quando a organização apura resultado positivo. as sociedades de economia mista e suas subsidiárias. 1966). quando a Pessoa Física ou Jurídica adquire alguma disponibilidade jurídica ou econômica da renda ou se porventura se constatar algum acréscimo patrimonial. 2011. a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade. ou seja. p. “O imposto será devido à medida que os lucros.. Assim. 43. 187). Pessoas Físicas e empresas individuais. (BRASIL. Além disso. rendimentos e ganhos forem auferidos” (OLIVEIRA et al. As Pessoas Jurídicas incluem as empresas públicas. dos bens produtores de renda ou dos seus proventos tributáveis. lucro. temos: § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento. Ainda nesse artigo.Todos os Direitos Reservados 3 . que determina que toda e qualquer forma de renda ou provento deverá ser tributada. a qualquer título. O Imposto de Renda tem suas normas consolidadas no Regulamento do Imposto de Renda. 43. O Código Tributário Nacional. para fins de incidência do imposto referido neste artigo. § 2º Na hipótese de receita ou do rendimento oriundo do exterior. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam (BRASIL. a aquisição de proventos de qualquer natureza que são representados pelos acréscimos patrimoniais também se configuram como fato gerador do Imposto de Renda. da localização. 45. cita o seguinte: Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o art. Art. Nas empresas. Parágrafo único.Normas e Práticas Tributárias combinação destes. Um dos princípios do Imposto de Renda é a generalidade.1 Contribuinte do Imposto de Renda Os contribuintes do Imposto de Renda são as Pessoas Jurídicas. em amplo sentido. da origem e da forma de percepção. dispositivo organizado por assuntos e segregado por contribuintes Pessoas Físicas das Pessoas Jurídicas. Isso está estabelecido no Código Tributário Nacional. que abrange a renda propriamente dita e os seus proventos – para efeitos tributários. 1.

mas. a obtenção de um conjunto de bens. as formas de tributação pelo lucro real. 205). a empresa poderá solicitar ao Fisco a opção do lucro arbitrado. quase sempre como última alternativa. 2011.3 Conceito de renda e proventos Para fins tributários. obtiverem lucro e acréscimos patrimoniais decorrentes de ganhos de capital e outras receitas. industriais. lucro presumido e lucro arbitrado. nesta parte. Por exemplo. Nesse caso. Abordaremos.. a combinação deles. lucro presumido e lucro arbitrado Uma empresa legalmente constituída no Brasil poderá optar por diferentes formas de tributação. do trabalho ou do capital com o trabalho. surge a obrigação tributária do Imposto de Renda.Todos os Direitos Reservados 4 . Dessa forma. o lucro arbitrado É um recurso utilizado pelas autoridades fiscais. as empresas (fontes pagadoras) são responsáveis pelo recolhimento do imposto (desconto do funcionário) e pagamento à Receita Federal. 1.2 Fato gerador Como vimos. por força maior ou caso fortuito. devido à falta ou insuficiência de elementos concretos que permitam a identificação ou verificação da base de cálculo utilizada na tributação pelo lucro real ou presumido. passíveis de serem transformados ou convertidos de imediato em numerário” (OLIVEIRA et al. (2011. Portanto. mercantis ou de prestação de serviços. para que aconteça a incidência do Imposto de Renda. De acordo com Oliveira et al. os lucros –. Ela é resultante de um capital investido. de maneira resumida. ou seja. 1. 2 Lucro real. é preciso que essa disponibilidade seja efetivamente adquirida. valores e/ou títulos por uma pessoa física ou jurídica. a empresa optou pela forma de tributação do lucro presumido. por meio de suas atividades comerciais. p. “Por disponibilidade econômica ou jurídica pode-se entender. o conceito de renda envolve também os proventos. quando se constata um acréscimo patrimonial na empresa – ou seja. p. 187). que só deve ser aplicado quando houver ausência absoluta de confiança na escrituração contábil do contribuinte. Senac São Paulo. percebeu que seus registros contábeis e fiscais estão obscuros ou omissos em algo.Normas e Práticas Tributárias No caso do Imposto de Renda Pessoa Física. as empresas estarão sujeitas ao Imposto de Renda sempre que. o fato gerador do Imposto de Renda é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda e de proventos de qualquer natureza. Desta forma.

Normas e Práticas Tributárias Fazendo essa opção. com a estrita e rigorosa observância dos princípios de contabilidade e demais normas fiscais e comerciais” (OLIVEIRA et al. é preciso confrontar as receitas e despesas.Todos os Direitos Reservados 5 . Nessas três formas de tributação. com base na completa escrituração contábil fiscal. Nesta aula. Uma empresa terá lucro real quando suas receitas forem maiores do que suas despesas. a legislação impõe uma presunção do lucro para cada tipo de atividade e a empresa é tributada com base nesse lucro presumido. Saiba mais sobre as formas de tributação acessando o link disponível na Midiateca. e sobre este é efetuado o cálculo do Imposto de Renda e da contribuição social. Pêgas (2011) apresenta os conceitos de receitas e despesas. “Contabilmente falando. apurar o resultado que a empresa efetivamente teve. a palavra real representa o resultado verdadeiro que a empresa teve. a empresa irá apurar seu lucro ou prejuízo. 188). p. 2011. Resumidamente. 2. No lucro presumido. Já no lucro real. ou seja. Senac São Paulo. colocado em oposição às palavras presumido ou arbitrado. a base de cálculo do Imposto de Renda e da contribuição social será semelhante à base utilizada no lucro presumido. pode-se concluir que o lucro real é aquele realmente apurado pela contabilidade.. o lucro é a base de cálculo para o imposto. Logo. da seguinte forma: RECEITA = TODO VALOR GANHO DESPESA = CONSUMO OU GASTO ATRELADO AO GANHO Subtraindo as despesas da receita. é apurado efetivamente o lucro que a empresa teve no período.1 Lucro real Para apurar o lucro real de uma empresa. porém com um acréscimo de 20%. daremos enfoque à forma de tributação pelo lucro real.

30 de junho. o limite será proporcional ao número de meses que ela estiver ativa. que incluem o Registro de Inventário e Lalur. que é chamado limite trimestral. Já o lucro real envolve uma complexidade maior na escrituração das atividades e apuração do lucro.000.Normas e Práticas Tributárias O lucro presumido visa a facilitar as rotinas burocráticas e administrativas de algumas organizações que podem fazer a opção por essa forma de tributação. dos resultados não operacionais.Todos os Direitos Reservados 6 . para a apuração do lucro real. Então. ou seja. ter a escrituração contábil e fiscal completa. portanto.1. deve ser feito o levantamento das demonstrações contábeis e apurado o lucro do período. poderão ser deduzidos do valor do Imposto de Renda trimestral: Senac São Paulo.1.1 Conceito de lucro real O lucro real é o lucro líquido apurado nas demonstrações financeiras e também é denominado de lucro contábil. escriturar um conjunto de livros fiscais e contábeis. o lucro será apurado pelas demonstrações financeiras. R$ 20. conforme o § 1º. 2. O lucro real é apurado da mesma forma que o lucro líquido do exercício. preparar as demonstrações contábeis etc. (2011.2 Apuração trimestral do lucro real Caso a empresa opte por apurar o lucro real trimestralmente. esse lucro deve ser determinado nos períodos de apuração encerrados em 31 de março. O lucro real será. apresenta o conceito de lucro líquido do exercício. Ele poderá ser ajustado pelas adições. A forma de cálculo do Imposto de Renda trimestral é a seguinte: aplica-se uma alíquota de 15% sobre o lucro real e uma alíquota adicional de 10% sobre a parcela da base de cálculo que exceder o limite de R$ 60. Caso a empresa esteja no início das atividades. o Decreto-Lei nº 1. e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial. p. 2. do saldo da conta de correção monetária (art. Portanto. Em 1977.404.598. 189). art. o resultado líquido de cada trimestre. que deverão ser levantadas de acordo com a Lei nº 6. constituir provisões necessárias. de 1976. De acordo com as normas contábeis e fiscais. De acordo com Oliveira et al.000.00 por mês que ela exerceu atividades. 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano. por exemplo: observar os princípios de contabilidade. 11). deve-se adotar um conjunto de procedimentos no ambiente da contabilidade. Esse lucro real poderá ser apurado trimestralmente ou anualmente. 51) e das participações. exclusões e compensações que são autorizadas pela legislação do Imposto de Renda. 6º: O lucro líquido do exercício é a soma algébrica de lucro operacional (art. a critério do contribuinte.00.

Normas e Práticas Tributárias • Os incentivos fiscais..00.] tem a opção de pagar em três quotas mensais. Esse recolhimento é feito com base em estimativas e. 1. 2. exceto revenda de combustíveis para consumo. 189). Para se calcular o Imposto de Renda por estimativa. Tabela 1 – Base de estimativa o Imposto de Renda Atividades da Pessoa Jurídica geradora da receita bruta – base de estimativa para os pagamentos mensais dos tributos do Imposto de Renda Percentuais aplicáveis sobre a receita Revenda para consumo de combustíveis derivados de petróleo.4 Pagamento mensal do imposto por estimativa As empresas que são tributadas pelo lucro real podem pagar seu imposto com base em estimativas.000. Os principais aspectos dessa forma de tributação são: o imposto de cada mês. de acordo com a atividade da empresa.6% Venda de mercadorias ou produtos. Deve ser aplicado um percentual sobre a receita bruta auferida. com juros pela taxa Selic até o mês anterior ao do pagamento e de 1% no mês” (OLIVEIRA et al. todos os meses devem ser efetuados os recolhimentos dos tributos.. a empresa não poderá mudar sua forma de tributação pelo lucro presumido durante o exercício. 8% Senac São Paulo. Um deles refere-se à base de cálculo. devem ser observados alguns critérios. p.1. Elas apuram o lucro real anualmente e têm a possibilidade de obter a suspensão ou a redução do imposto baseada em balanços ou balancetes periódicos. a alíquota do Imposto de Renda é de 15%. e também existe a alíquota adicional de 10% sobre a parcela do lucro mensal estimado que exceder R$ 20. 2.. dentro dos limites e condições fixados pela legislação. 2011. o contribuinte “[. nessas condições. O imposto que for apurado no trimestre poderá ser pago em cota única no mês seguinte ao trimestre.3 Tributação pelo lucro real anual Alternativamente à apuração do lucro real em cada trimestre. as empresas também podem optar pela apuração anual. carburante e gás natural. Acompanhe a Tabela 1. que será calculado por estimativas. álcool etílico. • O saldo de imposto pago a maior ou indevidamente em períodos anteriores. • O Imposto de Renda pago ou retido na fonte sobre receitas computadas na determinação do lucro real.1.Todos os Direitos Reservados 7 . deverá ser pago até o último dia útil do mês subsequente. Além disso. Porém.

32% Prestação de serviços em geral por empresas com receita bruta anual não superior a R$ 120. devem ser verificadas as exclusões das receitas brutas. 190). Assim. p. que são: o IPI sobre as vendas e o ICMS que é devido pelo contribuinte substituto. Esses descontos são os que constam na nota fiscal de venda e que não dependem de evento que aconteça depois da emissão dessa nota.00. um exemplo com valores hipotéticos (OLIVEIRA et al.. (2011. a seguir. suas receitas foram: Senac São Paulo. por exemplo. no regime de substituição tributária. Outro critério a ser observado relaciona-se à receita bruta.Todos os Direitos Reservados 8 . para os quais não esteja previsto percentual específico. apresentaremos. de transporte e de profissões regulamentadas. 2.1. Ela optou pelo recolhimento mensal por estimativa e. 190). Caso uma empresa explore mais de uma atividade. Devem ser acrescidos às receitas brutas os ganhos de capital. e os descontos incondicionais que foram concedidos. Suponha que uma empresa está obrigada à apuração do lucro real para calcular a pagar o Imposto de Renda. fez a apuração do lucro real anual.000. Em novembro de 2013. deverá aplicar o respectivo percentual para cada atividade. as demais receitas e os resultados positivos. 16% Prestação de demais serviços em geral. A Tabela 1 nos mostra os percentuais aplicáveis sobre o faturamento de cada ramo de atividade para o cálculo do Imposto de Renda. p. posteriormente. 8% Prestação dos demais serviços de transporte. se uma empresa presta serviços de transporte de cargas.Normas e Práticas Tributárias Prestação de serviços de transporte de cargas. 16% Instituições financeiras e entidades a elas equiparadas. deverá aplicar o percentual de 8% sobre seu faturamento. exceto serviços hospitalares. Por último. 16% Fonte: Oliveira et al. 2011. Considera-se receita bruta o somatório dos montantes das vendas de mercadorias ou produtos e dos serviços prestados. Somente não serão acrescidos os ganhos tributados a título de aplicações financeiras. as vendas canceladas e devoluções de vendas.5 Exemplo de apuração do Imposto de Renda por estimativa Para um melhor entendimento da forma de cálculo e contabilização do Imposto de Renda por estimativa.

00 Senac São Paulo.000.00 Imposto de Renda Retido na Fonte sobre os ganhos de capital R$ 50.00 Vendas canceladas e devoluções R$ 15.00 R$ 60.00 Imposto sobre circulação de mercadorias R$ 81.000.00 Imposto sobre serviços R$ 3.000.000.000.00 Receitas líquidas R$ 350.00 Ganhos de capital no mês Lucro na venda de Ativo imobilizado R$ 30.00 Fonte: Oliveira et al.00 Descontos incondicionais R$ 4.000.000. A Tabela 2 mostra toda a composição das receitas da empresa.000. p.000.000.00 . Para encontrar a base de cálculo e calcular o Imposto de Renda. devemos analisar o que deve ser excluído da receita e o que permanece.00 R$ 57.000.000. Tabela 3 – Base de cálculo e Imposto de Renda Receitas brutas Vendas de mercadorias Prestação de serviços R$ 500.00 Total de ganhos de capital R$ 38. (2011.000.000. incluindo seus impostos e demais ganhos.00 R$ 3.000 R$ 60.000.000. Acompanhe a Tabela 3.00 Deduções para apuração da base de cálculo Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) R$ 50.00 Receita com locação de imóvel R$ 2.00 Rendimentos auferidos nas operações de mútuo com coligadas R$ 6.Normas e Práticas Tributárias Tabela 2 – Receitas Receitas brutas Vendas de mercadorias Prestação de serviços R$ 500.Todos os Direitos Reservados 9 R$ 60.00 Total das deduções R$ 150.000 Vendas canceladas e devoluções R$ 15. 191).00 Descontos incondicionais R$ 4.00 Receitas líquidas para efeito da apuração da base de cálculo R$ 431.00 Deduções das receitas brutas Imposto sobre produtos industrializados R$ 50.000.00 Total das deduções R$ 69.000.000.000.000.

basta calcular o adicional de 10% sobre o que exceder R$ 20.00.752.00 da base de cálculo.680. o ICMS não foi deduzido para apurar a receita líquida para efeito da base de cálculo. Agora.000.Todos os Direitos Reservados 10 . subtraindo R$ 20.00 + R$ 7.00.480.152.92 A contabilização do Imposto de Renda será a seguinte: Senac São Paulo.680. O valor do Imposto de Renda a pagar será R$ 13. podemos verificar que no caso das vendas de mercadorias. Aplicando-se o percentual do Imposto de Renda. Depois de encontrado o valor.Normas e Práticas Tributárias Aplicação do percentual sobre a receita bruta 8% 32% Lucro estimado = receitas líquidas x o percentual R$ 34.00 Fonte: Oliveira et al.168.00 R$ 13. Encontrada a receita líquida.00. De acordo com a Tabela 3.00 Cálculo do Imposto de Renda devido no mês por estimativa Alíquota normal = 15% de R$ 91. Tínhamos o valor de R$ 91. O mesmo ocorreu com o ISS.00 x 4% = R$ 550.752. Ainda a este valor.00 = R$ 20. Aplicando 10% sobre este valor.00 Imposto de Renda a pagar R$ 20. 15% sobre essa base de cálculo.00. 191).00 = 10% de R$ 71. (2011. devem ser somados os acréscimos e os ganhos.680. temos R$ 71. no caso da prestação de serviços. a empresa poderá fazer as deduções dos incentivos fiscais. Supondo que a empresa tivesse gastos com o PAT (Programa Alimentação do Trabalhador).000. onde o limite para dedução é de 4% do Imposto de Renda calculado sobre a alíquota normal.200.00 R$ 7. o Imposto de Renda final ficaria em: Imposto de Renda calculado com base em estimativa: R$ 20.680.00 Adicional de 10% sobre o excesso do lucro estimado R$ 91. Neste caso. encontra-se a base de cálculo.920.168.08. então.920.168. encontra-se o valor de R$ 13.00 Acréscimo dos ganhos de capital R$ 38.00 Menos: dedução do incentivo fiscal: R$ 550.680.00.00 R$ 19.752. a dedução seria de: R$ 13.00. Desta forma.000.000. p.00 Imposto de Renda a recolher: R$ 20. foi aplicado o percentual. para determinar a base de cálculo do Imposto de Renda.08 Menos: Imposto de Renda retido na fonte sobre ganhos de capital: R$ 50. de acordo com cada atividade.319.680.920.680.00 Base de cálculo do imposto mensal R$ 91.00 em relação ao limite mensal de R$ 20.00 Total do lucro estimado R$ 53. teremos R$ 7.

______. Referências BRASIL. Acesso em: 12 dez.planalto.319. 27 out.172. DF. 1966. de 26 de dezembro de 1977.00 C – Imposto de Renda a Recolher (PC) – R$ 20.92 Considerações finais Nesta aula apresentamos os aspectos gerais do Imposto de Renda Pessoa Jurídica. 17 dez.92 C – Bancos conta corrente – Disponibilidades (AC) – R$ 20.404.htm>. 1976. Dispõe sobre as sociedades por ações. 2014. deverá ser feita a seguinte contabilização: D – Imposto de Renda a recolher (PC) – R$ 20. abordando seu fato gerador e o conceito de renda e proventos. lucro presumido e lucro arbitrado. Brasília.htm>. Acesso em: 10 dez.92 No pagamento do imposto.92 C – Impostos a Recuperar (AC) – ou a compensar Imposto de Renda Retido na Fonte – ganhos de capital – R$ 50. Diário Oficial da União. Brasília. Lei nº 6. será a base de cálculo do Imposto de Renda. Senac São Paulo. Enfatizamos o conceito de lucro real e as suas formas de apuração: apuração trimestral e apuração anual. Disponível em: <http://www. de 25 de outubro de 1966. Por fim. Brasília. 27 dez. com pagamento mensal por estimativa. Diário Oficial da União. onde estudamos que a empresa deve apurar efetivamente o lucro do período. Estados e Municípios.gov. DF. Lei nº 5. Disponível em: <http://www. 1977. Decreto-Lei nº 1.Normas e Práticas Tributárias D – Impostos a Recuperar (AC) – ou a compensar Imposto de Renda Pessoa Jurídica – estimativa – R$ 20. Diário Oficial da União. Disponível em: <http://www.Todos os Direitos Reservados 11 .htm>.gov.319. 2014. Acesso em: 12 dez. de 15 de dezembro de 1976. apresentamos um exemplo. Dispõe sobre o Sistema Tributário Nacional e institui normas gerais de direito tributário aplicáveis à União.369.gov. com cálculo e contabilização do Imposto de Renda de renda por estimativa mensal. Altera a legislação do imposto sobre a renda. DF.br/ccivil_03/leis/ l5172.br/ ccivil_03/leis/l6404compilada. 2014. planalto.598. Foi dado um enfoque maior à forma de tributação pelo Lucro Real.br/ccivil_03/decreto-lei/del1598. ______. Identificamos os contribuintes do Imposto de Renda a discutimos sobre as formas de tributação existentes no Brasil.319.planalto. para esclarecer esse assunto. Você compreendeu a diferença entre lucro real.

941/09. Manual de Contabilidade Tributária: textos e testes com as respostas. Manual de Contabilidade Tributária: análise dos impactos tributários das leis 11. São Paulo: Atlas. 2011.638/07 e 11. PÊGAS. análise dos impactos tributários do CPC. P. H. et al. 2011. L. M.Todos os Direitos Reservados 12 .Normas e Práticas Tributárias OLIVEIRA. Rio de Janeiro: Freitas Bastos. Senac São Paulo.

Normas e Práticas Tributárias Aula 09 Adições e exclusões temporárias e definitivas. Objetivos Específicos • Identificar o funcionamento do diferimento contábil. Lucro presumido. Entender a caracterização do lucro presumido. a partir de seus Ativos e Passivos fiscais. Temas Introdução 1 Definições e exemplos 2 Diferenças temporárias e permanentes 3 Diferenças temporárias tributáveis 4 Lucro presumido Considerações finais Referências Professor Rubia Carla Erthal .

2014. 2009. que citaremos a seguir. “A contabilização de um ativo ou passivo enseja que a recuperação ou liquidação de seus valores possa produzir alterações nas futuras apurações de imposto de renda e contribuição social. p. Ao final desta aula será possível entender como se calcula o Imposto de Renda e a contribuição social sobre o lucro líquido pelo lucro presumido e suas particularidades. “Resultado contábil é o lucro ou prejuízo para um período antes da dedução dos tributos sobre o lucro” (CFC. Os procedimentos exigidos nessa norma têm o objetivo de adequar os registros contábeis dos tributos que incidem sobre o lucro aos procedimentos contábeis de acordo com as PCAB – Práticas Contábeis Adotadas no Brasil.Todos os Direitos Reservados 2 .. 220). através de sua dedutibilidade ou tributação” (OLIVEIRA et al. 2009.Normas e Práticas Tributárias Introdução Nesta aula estudaremos as adições e exclusões temporárias e definitivas do lucro. determinado de acordo com as regras estabelecidas pelas autoridades tributárias. O resultado contábil representa a diferença entre todas as receitas e despesas que foram reconhecidas no período. de acordo com as Práticas Contábeis Adotadas no Brasil (PCAB). sobre o qual os tributos sobre o lucro são devidos (recuperáveis)” (CFC. apresentaremos comentários e exemplos para facilitar o entendimento. “Lucro tributável (prejuízo fiscal) é o lucro (prejuízo) para um período. Apresentaremos também o funcionamento do lucro presumido. Após cada definição. grifo do autor). Nesse caso. mas de acordo com o Regulamento do Imposto de Renda. A norma contábil que trata dos tributos sobre o lucro é a NBC TG 32 (R2). independentemente de elas serem tributáveis ou dedutíveis de acordo com o Regulamento do Imposto de Renda (RIR). “Despesa tributária (receita tributária) é o valor total incluído na determinação do lucro Senac São Paulo. 1 Definições e exemplos A NBC TG 32 (R2) apresenta alguns termos. grifo do autor). Nela é possível encontrar os conceitos e regras que serão apresentados a seguir. estamos falando da diferença entre receitas e despesas que foram reconhecidas no período.

Ativo fiscal diferido é o valor do tributo sobre o lucro recuperável em período futuro relacionado a: diferenças temporárias dedutíveis. é o resultado fiscal que será apresentado no Balanço Patrimonial como tributos a pagar sobre o lucro tributável ou tributos a recuperar sobre prejuízos fiscais. Refere-se ao tributo que a empresa deixa de pagar nesse período. A compensação futura de créditos fiscais não utilizados diz respeito aos tributos incidentes sobre diferenças temporárias que não foram compensadas até esse período e que poderão ser compensadas em períodos futuros. “Tributo corrente é o valor do tributo devido (recuperável) sobre o lucro tributável (prejuízo fiscal) do período” (CFC. “Passivo fiscal diferido é o valor do tributo sobre o lucro devido em período futuro relacionado às diferenças temporárias tributáveis” (CFC. grifo do autor).Todos os Direitos Reservados 3 . 2009. e compensação futura de créditos fiscais não utilizados. 2009. Ou seja. efetivamente. São exemplos de diferenças temporárias as perdas estimadas com devedores duvidosos.Normas e Práticas Tributárias ou prejuízo para o período relacionado com o tributo sobre o lucro corrente ou diferido” (CFC. Esse é o valor do tributo apurado. “Base fiscal de ativo ou passivo é o valor atribuído àquele ativo ou passivo para fins Senac São Paulo. 2009. grifo do autor). sobre exclusões temporárias. Esse valor é obtido pela somatória ou diferença dos tributos correntes e diferidos e apresentada na Demonstração do Resultado do Exercício. grifo do autor). 2009. (CFC. grifo do autor). As diferenças temporárias dedutíveis são tributos pagos nesse período sobre despesas que foram reconhecidas contabilmente e que serão dedutíveis da base de cálculo dos tributos em períodos posteriores. compensação futura de prejuízos fiscais não utilizados. Exemplo: lucro na venda de bens do imobilizado que serão recebidos a longo prazo. porém terá que pagar em períodos futuros. A compensação futura de prejuízos fiscais não utilizados refere-se ao valor de tributos que incidem sobre prejuízos fiscais e que poderão ser abatidos de tributos a pagar sobre lucros futuros.

é apresentado um exemplo de provisão para garantias.Todos os Direitos Reservados 4 . como devedores incobráveis e redução ao valor recuperável de ativos.000.00.000. Já no Passivo. Exemplo: lucro na venda de imóveis para recebimento a longo prazo. grifo do autor).00 Despesas de garantia provisionadas que serão dedutíveis quando 3. 2009. Exemplo: a base fiscal de estoques é o custo de aquisição ou de produção. p. A Tabela 1 nos mostra um exemplo de Ativo (Recebíveis de clientes) que apresenta uma diferença temporária de R$ 5. As diferenças temporárias podem ser tributáveis e dedutíveis. grifo do autor). a qual é a diferença temporária que resulta em valores tributáveis para determinar o lucro tributável (prejuízo fiscal) de períodos futuros quando o valor contábil de ativo ou passivo é recuperado ou liquidado” (CFC. onde não há base fiscal.00 os serviços de garantias forem prestados. 2009.000. Logo. Exemplo: provisões para perdas com garantias e litígios trabalhistas ou ajustes de ativos. “Diferença temporária tributável.000. grifo do autor). Senac São Paulo. as diferenças são representadas pelas inclusões temporárias da base de cálculo dos tributos. O valor dessa diferença consta no resultado contábil. “Diferença temporária dedutível. 2009. “Diferença temporária é a diferença entre o valor contábil de ativo ou passivo no balanço e sua base fiscal” (CFC.00 Passivo Provisão para garantias 3. 0. A diferença temporária tributável é representada pelas exclusões temporárias da base de cálculo dos tributos.Normas e Práticas Tributárias fiscais” (CFC. Veja o exemplo: Tabela 1 – Exemplo Base contábil Diferença temporária Base fiscal Resultado Ativo Recebíveis de clientes 115.00 Fonte: Oliveira et al. grifo do autor). 120. 220). Nesse caso.00 Perda estimada sobre devedores 5. essa despesa será dedutível quando os serviços de garantia forem prestados.000. 2009.00 duvidosos que será dedutível quando as perdas forem efetivas. Essa perda estimada será dedutível quando ocorrer efetivamente. a qual é a diferença temporária que resulta em valores que são dedutíveis para determinar o lucro tributável (prejuízo fiscal) de futuros períodos quando o valor contábil do ativo ou passivo é recuperado ou liquidado” (CFC. (2014.000.

surgem algumas diferenças temporárias. resultam em obrigações fiscais diferidas (OLIVEIRA et al. Senac São Paulo. a aceleração da depreciação resulta em um Ativo fiscal diferido. Apresentaremos a seguir um exemplo de diferenças desse tipo. Vejamos um caso em que a depreciação considerada para determinar o resultado tributável seja diferente daquela que é considerada na determinação do resultado contábil. Se a empresa tiver a depreciação acelerada. Exemplo: a empresa contabilizou uma despesa para a qual não há comprovante fiscal. Isso fará com que surja uma diferença entre o valor líquido contábil do Ativo e sua base fiscal. as diferenças temporárias são aquelas que podem impactar a apuração do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro líquido em períodos futuros. As diferenças temporárias podem ser tributáveis. O Fisco não aceita tal gasto como dedutível. quando representam valores que devem ser adicionados no cálculo do resultado tributável futuro. ou seja. 3 Diferenças temporárias tributáveis Quando se inclui receita ou despesa no resultado contábil de um período e no resultado tributável de período diferente. ela terá uma obrigação fiscal diferida.Normas e Práticas Tributárias Como as empresas podem se planejar para obter uma menor carga tributária sem infringir a legislação? 2 Diferenças temporárias e permanentes Como vimos. Caso essa diferença seja revertida ao longo do tempo. que são diferenças temporárias tributáveis.Todos os Direitos Reservados 5 . ou dedutíveis. ela não poderá fazer a dedução. Essas variações não impactam e não podem impactar a apuração do Imposto de Renda e da contribuição social futuramente. teremos uma diferença temporária. 2014). Nesse caso. A multa paga pela empresa em decorrência de infração fiscal também não é aceita como dedutível. Para fins contábeis. Essas diferenças ocorrem por variações dos valores da base fiscal em relação aos seus valores contábeis no Balanço Patrimonial. quando seu valor será deduzido do cálculo do resultado tributário em períodos futuros.. Mas existem também as variações permanentes. ainda que o gasto tenha sido necessário para a atividade empresarial.

ou seja. o lucro tributável seria de: R$ 2.00.320. mas somente concedido como incentivo fiscal.00 = R$ 1.00. Nesse caso.300.00. que resulta em R$ 578. mas sim em períodos futuros.00) 680. temos R$ 300. Vamos ao nosso exemplo: suponha que uma empresa tenha encerrado suas demonstrações contábeis em 31-12-X0 e apurou lucro contábil de R$ 2. (2014.00 x 34% = R$ 680.00 x 34% = R$ 578. 222).700.00.700. O valor da depreciação acelerada não é contabilizado.00.00 x 34% = R$ 102. Nesse caso. Mas.00 – R$ 300. Isso quer dizer que esse tributo não é pago nesse período. Senac São Paulo.000.00 Tributos correntes (34% de 1.Todos os Direitos Reservados 6 .000.00 1. teremos uma despesa tributária de R$ 2.00) Lucro 2.Normas e Práticas Tributárias Saiba mais sobre contabilização do Imposto de Renda da contribuição social. p. Esse valor corresponde ao montante de tributos a pagar nesse período. mas também deve ser calculado o tributo diferido. Já o lucro líquido será de R$ 2. Sobre esse valor será calculado o imposto do período.00 do seu lucro contábil para apurar o Imposto de Renda.000.300. antes da provisão para o Imposto de Renda e contribuição social.00 – R$ 680.00 Fonte: Oliveira et al.700. enquanto no fiscal teremos um lucro de R$ 1.00 680.00.000.700.00) 102.000.00 Tributos diferidos (34% de 300.00) (300.00 2.700. sobre o valor da depreciação acelerada.00 (300.00 Despesa tributária (34% de 2. suponhamos que essa empresa goze de incentivos fiscais de depreciação acelerada sobre suas máquinas e equipamentos industriais.00.000. Acompanhe a Tabela 2: Tabela 2 – Cálculo da despesa tributária Contábil Lucro antes da despesa de depreciação Depreciação contábil Fiscal 2. Se levarmos em consideração uma alíquota de 34%. E os tributos ficariam em: R$ 1.000.00.00) 578. acessando o link disponível na Midiateca.00. podemos verificar que no contábil temos um lucro de R$ 2.00) Depreciação acelerada (300. De acordo com a Tabela 2.00 = R$ 1. Ela pode deduzir o montante de R$ 300.

Dessa forma.00. mas não poderá deduzir tal depreciação para fins de tributação. ela irá esse valor adicionar ao lucro contábil para apurar o lucro tributável. 223). a empresa vai contabilizar a depreciação normal dessas máquinas e equipamentos.00 Menos: despesa com tributos Tributos correntes (578. existe a figura do diferimento.700. Por isso.00 Reconhecimento do Passivo fiscal diferido – ou obrigações diferidas: D – Resultado do exercício X0 – Tributos diferidos – R$ 102. O incentivo fiscal é. Com base nessas informações.00 Representa 34% do lucro tributável de R$ 1. mas recolherão um valor maior ao final. seu pagamento foi postergado.00) Lucro contábil após tributos 1.320.00) Tributos diferidos (102. Senac São Paulo.00 Corresponde a 34% de R$ 300. As empresas recolhem um valor menor no início da vigência do incentivo fiscal.00) Despesa tributária (680. uma postergação do imposto sobre o lucro.00 Fonte: Oliveira et al. podemos verificar que a despesa com tributos foi corretamente contabilizada no período a que correspondem.00 C – Tributos correntes a recolher (PC) – R$ 578. a contabilização de toda essa operação ficaria da seguinte forma: Reconhecimento do Passivo corrente: D – Resultado do exercício X0 – R$ 578. De acordo com a Tabela 3.Todos os Direitos Reservados 7 . porém.00 C – Obrigações fiscais diferidas (PC) – R$ 102.Normas e Práticas Tributárias Isto se explica porque o valor das máquinas industriais deverão ser depreciados em 100% e está se acelerando a depreciação delas. Logo. de acordo com o princípio da competência. Em algum momento. para fins fiscais.000. temos o resultado da empresa da seguinte forma: Tabela 3 – Lucro contábil R$ Resultado contábil antes dos tributos 2. p. (2014. portanto.

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4 Lucro presumido
Pelo lucro presumido é utilizado somente o faturamento da empresa para apurar o
resultado tributável de Imposto de Renda e contribuição social sobre o lucro líquido. Dessa
forma, tais tributos são calculados por valores estimados, de acordo com percentuais definidos
na legislação. “O cálculo de IR e CSLL pelo lucro presumido têm um grau de simplicidade bem
maior em comparação com o cálculo pelo lucro real” (PÊGAS, 2011, p. 497). Essa forma de
tributação não é obrigatória, ou seja, mesmo o contribuinte tendo um valor de receita bem
reduzido, poderá também ser tributado pelo lucro real, se assim desejar. Porém, algumas
empresas não podem optar pelo lucro presumido. As regras básicas referentes ao lucro
presumido estão no Regulamento do Imposto de Renda entre os artigos 516 e 528 (Decreto
nº 3.000/99) e algumas alterações posteriores.

4.1 Empresas proibidas
Todas as empresas podem optar pelo lucro presumido, exceto aquelas obrigadas a
optar pelo lucro real. Estão obrigadas à opção pelo lucro real, as empresas enquadradas nos
seguintes casos (PÊGAS, 2011):
a. Tenha receita total, no ano-calendário anterior superior a R$ 78.000.000,00 ou
proporcional ao número de meses do período, quando inferior a 12 meses; (Esse
valor poderá ser alterado conforme a legislação do Imposto de Renda)
b. Instituições financeiras e equiparadas, inclusive empresas de seguros privados,
capitalização, factoring e entidades de previdência privada aberta;
c. Que tiverem lucros, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do exterior;
d. Que, autorizadas pela legislação tributária, usufruam benefícios fiscais relativos à
isenção ou redução de imposto;
e. Que no decorrer do ano-calendário tenham efetuado pagamento mensal pelo regime
de estimativa, inclusive mediante balanço ou balancete de suspensão ou redução.
Para calcular o limite de R$ 78.000.000,00, são deduzidos da receita total as vendas
canceladas, devolvidas ou anuladas, os descontos incondicionais concedidos, o IPI e o ICMS
Substituição Tributária, quando registrados como receita.
De acordo com Oliveira et al. (2014, p. 199):
As empresas que optam pela apuração do imposto de renda e contribuição social na
modalidade do lucro presumido não estão obrigadas a possuir escrituração contábil
detalhada de suas receitas e despesas, que indique seu lucro real, basta que possua e
escriture o livro caixa, o qual irá mostrar, entre outras coisas, as receitas efetivamente
recebidas.
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Porém, esse livro-caixa precisa ser escriturado de acordo com as normas fiscais, ou seja,
dentro de seus princípios e formalidades. Ao optar por esse método, o contribuinte deve
estar ciente de que essa opção é para todo o ano-calendário, não podendo efetuar mudanças
durante o ano. Tal escolha deverá ser feita no momento em que for paga a primeira parcela
do Imposto de Renda ou da cota única, que acontece no final de abril para os optantes do
lucro presumido.

4.2 Apuração do lucro presumido
A apuração do lucro presumido é trimestral, ou seja, no dia 31 de março, 30 de junho,
30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano-calendário. Caso a empresa encerre suas
atividades ou o seu acervo líquido, também deverá apurar o lucro presumido. A apuração
do lucro presumido é feita com base na receita bruta e acréscimos auferidos a cada mês.
Por isso, as pessoas jurídicas também podem fazer os pagamentos mensais do tributo, por
meio do Documento de Arrecadação (DARF), com o código 2089. No último mês do intervalo
trimestral a empresa deve ajustar o valor pelo efetivamente devido.
Caso a empresa tiver o seu patrimônio ou parte dele absorvido em decorrência de
incorporação, fusão ou cisão, mesmo tributada pelo lucro presumido, deverá levantar balanço
específico na data desse evento. Nesse balanço, seus bens e direitos serão reconhecidos
pelo valor contábil ou de mercado. Mesmo não tendo sido contabilizada a diferença entre
os valores e diminuídos os valores referente aos encargos de depreciação, amortização ou
exaustão, estes deverão ser considerados ganho de capital e adicionados à base de cálculo
do Imposto de Renda.

4.3 Base de cálculo do lucro presumido
A base de cálculo do lucro presumido é a receita bruta da empresa, que corresponde ao
produto das vendas de bens e serviços. De acordo com Oliveira et al. (2014, p. 201):
Na receita bruta não se incluem os impostos não cumulativos cobrados destacadamente
do comprador ou contratante, além do preço do bem ou serviço, e dos quais o
vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário, a exemplo do
IPI e do ICMS cobrado do adquirente, a título de substituição tributária.

Já quando a empresa vende a prazo e os custos do financiamento estão incluídos nos
preços dos produtos ou serviços ou estão destacados na nota fiscal, este fará parte da receita
bruta.

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4.4 Regime de reconhecimento das receitas
A regra geral é que seja adotado o regime de competência para reconhecimento das
receitas, ganhos e demais resultados. Porém, a empresa poderá optar pelo regime de
caixa para reconhecer as receitas da atividade em vendas a prazo ou em parcelas, em cada
trimestre. “A empresa que mantiver escrituração contábil, na forma da legislação comercial,
deverá controlar os recebimentos de suas receitas em conta específica, na qual, em cada
lançamento, será indicada a nota fiscal a que corresponder o recebimento” (OLIVEIRA et al.,
2014, p. 201). As empresas que não mantiverem escrituração contábil deverão emitir a nota
fiscal e indicar no livro-caixa a nota fiscal que corresponder cada recebimento.

4.5 Cálculo do lucro presumido
O Imposto de Renda é calculado sobre o lucro. Na forma de tributação do lucro presumido,
presume-se um lucro com base em percentuais ditados pela legislação. Acompanhe a Tabela 4:
Tabela 4 – Percentuais do lucro presumido

Atividade

Receita bruta

Alíquota

Lucro presumido

Indústria e comércio em geral

1.000.000,00

8%

80.000,00

Serviços em geral

1.000.000,00

32%

320.000,00

Serviços hospitalares e de
transporte de cargas

1.000.000,00

8%

80.000,00

Demais serviços de transportes

1.000.000,00

16%

160.000,00

Revenda de combustíveis para
consumo

1.000.000,00

1,6%

16.000,00

Fonte: Oliveira et al. (2014, p. 202).

Na Tabela 4 podemos verificar um exemplo de cálculo do lucro presumido em diversas
atividades. Na indústria e comércio em geral, a alíquota determinada pela legislação é de
8%. Em um faturamento de R$ 1.000.000,00, teremos um lucro presumido de R$ 80.000,00
(1.000.000 x 8%).

4.6 Cálculo do imposto devido sobre o lucro presumido
A alíquota do Imposto de Renda é de 15% e deve ser aplicada sobre o lucro presumido e
demais receitas e ganhos de capital, que é a base de cálculo. Além disso, um adicional de 10%
deve ser calculado sobre o que exceder R$ 20.000,00 por mês ou R$ 60.000,00 por trimestre.
De acordo com Oliveira et al. (2014, p. 204):
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Do imposto devido a empresa poderá deduzir: o imposto pago ou retido na fonte
sobre as receitas que integraram a base de cálculo; dos créditos, inclusive os judiciais
com trânsito em julgado, relativos a tributos e contribuições administrados pela
Receita Federal, objeto de declaração de compensação; do saldo negativo de IRPJ de
trimestres anteriores.

Quando a empresa opta pelo lucro presumido, é vedada qualquer dedução a título de
incentivo fiscal.

4.7 Contabilização do lucro presumido
A contabilização do lucro presumido é feita da seguinte forma (valores hipotéticos):
Despesa tributária
• D – Imposto de Renda Pessoa Jurídica – lucro presumido – R$ 20.319,92
• C – Passivo circulante – Imposto de Renda a recolher – R$ 20.319,92
Contabilização do recolhimento
• D – Passivo circulante – Imposto de Renda a recolher – R$ 20.319,92
• C – Ativo circulante – Bancos conta corrente – disponibilidades – R$ 20.319,92
Todas as empresas, sejam elas do lucro real, lucro presumido ou Simples Nacional, estão
obrigadas a manter a escrituração contábil completa de suas operações. O Conselho Federal
de Contabilidade alerta:
As leis que dispõem sobre o lucro presumido e o Simples são de natureza fiscal e
não revogaram as demais legislações que exigem a escrituração contábil completa.
Além de proporcionar maior controle patrimonial e melhor gerência dos negócios,
a contabilidade completa visa atender às normas do Código Comercial, da Lei das
Sociedades Anônimas, do Código Tributário e da Legislação Previdenciária. (CFC, 1998
apud OLIVEIRA et al., 2014, p. 206).

Portanto, é importante sabermos que para finalidades contábeis é preciso que a
escrituração das empresas tributadas pelo lucro presumido esteja completa.

Considerações finais
Nesta aula, estudamos as adições temporárias e definitivas do lucro e entendemos como
funciona o diferimento contábil, a partir de Ativos e Passivos fiscais. Na segunda parte da
aula, foi abordado o tema lucro presumido. Verificamos seu conceito e que empresas podem
se enquadrar nesse regime de tributação.
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Ao final. Manual de Contabilidade Tributária: análise dos impactos tributários das leis 11. Manual de Contabilidade Tributária: textos e testes com as respostas.000. Aprova a NBC TG 32 (NBC T 19.gov.Normas e Práticas Tributárias Foi apresentado também o período de apuração do lucro presumido. Referências BRASIL. htm>.941/09.2) Tributos sobre o Lucro. et al. 2014. L.br/ccivil_03/decreto/d3000. análise dos impactos tributários do CPC. M.aspx?Codigo=2009/001189>. Regulamenta a tributação. 2011. Senac São Paulo. 2015.189. Disponível em: <http://www. br/sisweb/sre/detalhes_sre. PÊGAS. OLIVEIRA.638/07 e 11. Mostramos um exemplo de cálculo do lucro presumido e abordamos como se calcula o Imposto de Renda devido sobre o lucro presumido. de 26 de março de 1999. Disponível em: <http://www. sua base de cálculo e o regime de reconhecimento das receitas. P. São Paulo: Atlas. Acesso em: 5 mar.org. arrecadação e administração do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza. Acesso em: 5 mar.cfc. H. apresentamos a contabilização do imposto devido por essa forma de tributação. Rio de Janeiro: Freitas Bastos. 2015. CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE.Todos os Direitos Reservados 12 . fiscalização. Diário Oficial da União. Resolução nº 1.planalto. Decreto nº 3. de 15 de setembro de 2009.

Temas Introdução 1 Conceito de estoques 2 Apuração do custo das mercadorias vendidas em empresas comerciais 3 Apuração do custo dos produtos vendidos em empresas industriais 4 Por que as empresas devem implantar um sistema de custos 5 Tratamento contábil e fiscal do ICMS.Normas e Práticas Tributárias Aula 10 Critérios para a avaliação dos estoques nas empresas industriais e comerciais Objetivos Específicos • Entender a importância do controle dos estoques do ponto de vista da Contabilidade Tributária. IPI e do PIS/Cofins 6 Métodos de avaliação de estoques 7 Critérios aceitos pelo Fisco para a avaliação dos estoques 8 Avaliação de estoques pelo arbitramento fiscal Considerações finais Referências Professora Rubia Carla Erthal .

Nesta aula apresentaremos esses critérios e a importância dos estoques para empresas industriais e comerciais. Os itens que fazem parte do estoque do almoxarifado de peças de reposição geralmente são classificados no Ativo circulante. Para Oliveira et al. Além disso.. também são estoques os itens que se destinam a ser consumidos na produção de mercadorias para venda ou para uso próprio. É preciso entender que não se incluem nos estoques os bens que possuem desgaste de longo prazo. 1 Conceito de estoques Estoques são bens tangíveis que a empresa mantém para venda ou para uso próprio. Por isso. Por isso. que possibilite valorizar os itens em estoques de maneira correta. os resultados apurados pela organização também estarão corretos e possibilitarão a correta apuração dos tributos sobre os lucros. 2 Apuração do custo das mercadorias vendidas em empresas comerciais O Lucro Bruto é resultado da diferença entre as receitas líquidas de vendas e o custo das mercadorias vendidas. é importante que a empresa possua um rigoroso sistema de controle interno. é preciso que o custo das mercadorias vendidas esteja calculado corretamente. Para que esse cálculo esteja correto. o custo das mercadorias vendidas: “Nas empresas comerciais. 130). Esses valores encontram-se evidenciados no Balanço Patrimonial e também na Demonstração de Resultados. as peças de reposição para o Ativo imobilizado poderão ser classificadas nesse grupo. p. dependendo da relevância dos valores dessas peças (OLIVEIRA et al. (2014. é preciso que os estoques sejam avaliados corretamente. pois o custo das mercadorias vendidas é resultado da valorização das diversas saídas dos estoques.Todos os Direitos Reservados 2 . pelas vendas.Normas e Práticas Tributárias Introdução Os valores constantes no grupo de estoques possuem grande importância para as empresas. no decorrer de suas atividades. para a correta apuração do resultado contábil e tributável. Senac São Paulo. representa o total dos custos de aquisição das mercadorias que foram revendidas em determinado período. Assim. pois estes são classificados como imobilizado e estão sujeitos à depreciação. 2014). Eles também se encontram no processo de produção de itens para venda. Porém.” Vejamos um exemplo para facilitar o entendimento. As autoridades fiscais determinam critério para a avaliação dos estoques. como custo dos produtos vendidos. em determinadas situações. Serão apresentados exemplos que facilitarão a assimilação dos conceitos.

000. os estoques também se constituem de diferentes itens.00 (-) Custo das mercadorias vendidas = 2.00 cada 175. o conjunto de mercadorias adquiridas para posterior revenda.700 unidades x R$ 25. p. Existem os estoques de matérias-primas. (2014.Todos os Direitos Reservados 3 .00 cada 67.00 cada. Por exemplo: Senac São Paulo.500.700 pneus a R$ 65.00 Fonte: Oliveira et al. “Entende-se por estoques nas empresas comerciais. Também podemos identificar que em 31-1-XA a empresa ficou com um saldo de 300 pneus em estoque (3. R$ 40.00. 130). Neste mês. o custo dos produtos vendidos possui mais elementos do que em empresas comerciais.700 unidades x R$ 40.Normas e Práticas Tributárias Suponha que uma empresa comercial revende pneus e iniciou suas atividades em 5-1X0. Por exemplo: Quadro 1 – Exemplo de estoques empresas comerciais Uma sapataria compra sapatos dos fabricantes e os deixam à disposição dos clientes para revenda. ela adquiriu 3.00) = Lucro bruto = 2. materiais de embalagem e outros materiais que são utilizados na produção.000 – 2.000 pneus a R$ 40.. 130). O saldo de estoques desse tipo de empresa será o total de sapatos comprados e ainda não revendidos 3 Apuração do custo dos produtos vendidos em empresas industriais Nas empresas industriais.00. devido ao processo produtivo. De acordo com a Tabela 1.00 = R$ 12. Dessa forma.00 cada e revendeu 2.” (OLIVEIRA et al. ou seja.00 cada (108.700 unidades x R$ 65.000.700) e que o valor dos estoques é de 300 x R$ 40.500. 2014. verificamos que o custo das mercadorias vendidas foi o valor de aquisição dos pneus. A apuração do Lucro Bruto da empresa nesse período foi de: Tabela 1 – Apuração do lucro bruto R$ Receitas com vendas = 2. p.

mas ainda não finalizada durante o mês. colas.Normas e Práticas Tributárias Quadro 2 – Exemplo de estoques de materiais utilizados na produção Em uma gráfica. Geralmente. os gastos com salários. ferramentas de pequeno valor. p. Exemplo: graxas e lubrificantes para limpeza das máquinas e áreas produtivas. Dessa forma. esses estoques serão constituídos por bobinas de papel. 130). cartolinas para a confecção das capas etc. as empresas industriais possuem o estoque de produtos acabados. Senac São Paulo.Todos os Direitos Reservados 4 . Devem ser contabilizados como custo dos produtos acabados todos os gastos ocorridos no período. revistas etc. Existem também os estoques de produtos em processo que consistem nas mercadorias que tiveram sua produção iniciada. O custo dos produtos vendidos é obtido pela multiplicação do custo unitário pela quantidade vendida. Por último. enquadram-se os materiais auxiliares ao processo de produção. de acordo com a legislação tributária e os princípios de contabilidade. o custo com mão de obra direta e os gastos com matériaprima são considerados custos diretos e os demais gastos são classificados como custos indiretos de fabricação... Além disso. “O total do custo de produção é a soma dos fatores produtivos consumidos no mês para a fabricação dos produtos acabados. que estão estocados para a entrega aos clientes que fizerem seus pedidos. tintas. que são os produtos que estão prontos para a venda. teríamos como estoque de produtos acabados os livros. No exemplo de uma gráfica. encargos sociais e outros benefícios e os custos indiretos de fabricação compondo o custo dos produtos acabados. Nesse grupo. peças de pequeno valor para reposição e manutenção das máquinas etc.” (OLIVEIRA et al. que sejam relacionados com a produção. nas empresas industriais existe o estoque de materiais auxiliares. caixas de papelão para embalar os livros. teremos o custo de aquisição da matéria-prima. 2014.

Vejamos um exemplo prático para um melhor entendimento da apuração do Lucro Bruto em uma empresa industrial. gastos com água.000 unidades x R$ 40.Normas e Práticas Tributárias Segue o detalhamento da composição do custo da produção (OLIVEIRA et al.00.000.000. Senac São Paulo. a apuração do lucro bruto do mês ficaria de acordo com a Tabela 3.000 unidades x R$ 30. (2014. que engloba os custos com matéria-prima. seguro e tributos devidos na aquisição ou importação.Todos os Direitos Reservados 480. 131). podemos verificar que o custo unitário de cada pneu é de R$ 30. telefone. mão de obra indireta de funcionários de departamentos auxiliares da produção.000 pneus ao preço de R$ 40. (2014.00 Mão de obra direta – salários mais encargos 8. 131).000 unidades x R$ 10. Diante disto. p. assim como gastos com desembaraço aduaneiro. Custo das matérias-primas e demais materiais utilizados no processo produtivo – estes itens devem ser avaliados pelo seu custo de aquisição. c. de acordo com o Regulamento do Imposto de Renda.00 Fonte: Oliveira et al.00 5 . luz. Incluem-se nesse valor os gastos com transporte.00.00 120.00 Total do custo unitário de produção 30.. Suponha que nesse mesmo mês foram vendidos 12.000 pneus. amortização de softwares etc. cujo custo unitário está apresentado na Tabela 2. Tabela 2 – Custo unitário R$ Matérias-primas 12. Determinada empresa fabrica pneus e iniciou suas atividades em 1º-12-XA. Durante o mês de dezembro fabricou 15. mão de obra direta e custos indiretos de fabricação. Custo de mão de obra – corresponde aos salários e encargos dos funcionários que trabalham diretamente no processo produtivo e que podem ser identificados em cada fase do processo. Tabela 3 – Apuração do lucro bruto R$ Receitas com vendas = 12. 2014): a. seguros.000.00 cada (-) Custo dos produtos vendidos = 12.00 cada (-) 360. Exemplo: depreciação. p.00 cada = Lucro Bruto = 12.00 Custos indiretos de fabricação (apurado por rateio) 10. De acordo com a Tabela 2.00 Fonte: Oliveira et al. b. Custos indiretos de fabricação – são os gastos que não podem se identificados diretamente aos produtos fabricados.

ela axilia os gestores na tomada de decisões.000. deve ser utilizado o sistema de custeio por absorção. verificamos que o custo dos produtos vendidos é obtido pelo custo unitário (R$ 30. todos os custos são atribuídos aos produtos.. finalidades da legislação societária e finalidades da legislação tributária. que é o sistema determinado pelos princípios contábeis geralmente aceitos.1 Finalidades da Contabilidade Gerencial A Contabilidade Gerencial é um sistema destinado a fornecer informações úteis para a administração das empresas.00) multiplicado pela quantidade vendida (12. Portanto. aos aspectos fiscais e tributários. 4 Por que as empresas devem implantar um sistema de custos Para apurar de maneira correta o custo dos bens e serviços. p. Senac São Paulo.2 Finalidades da legislação societária Para atender às finalidades da legislação societária. 4. 131).Todos os Direitos Reservados 6 .000 unidades x R$ 30.000 unidades (15. Nesses moldes.00 = R$ 90. a contabilidade não segue princípios contábeis nem regulamentações legais e fiscais. Nessa data o estoque final de pneus será de 3. Ou seja.Normas e Práticas Tributárias De acordo com a Tabela 3. “A Contabilidade Gerencial não se preocupa muito em atender. 2014. A contabilidade de custos está integrada à Contabilidade Gerencial. a empresa deve manter um sistema de apuração de custos de produção. Existem três finalidades básicas para se manter esse sistema de apuração de custos: finalidades gerenciais. devido à necessidade de gerar informações para os proprietários e gestores das empresas.000 – 12. 4. Um sistema de custos integrado e coordenado com a contabilidade serve como instrumento de controle e gestão da empresa.000 unidades). os controles são totalmente extracontábeis e a única preocupação é a de fornecer informações úteis.000) e o valor do estoque final será de 3. Por esse método. na íntegra. além das normalmente obtidas na contabilidade oficial. tanto os custos diretos quanto os custos indiretos.00.” (OLIVEIRA et al.

isto é.Normas e Práticas Tributárias 4. § 2º: Considera-se sistema de contabilidade de custo integrado e coordenado com o restante da escrituração aquele: I . Caso a empresa não possua um sistema de custos integrado e coordenado com a contabilidade. será que ele é o único método existente? De acordo com Oliveira et al. manter um bom sistema de custos também possibilita ferramentas de controle e gestão para a organização.apoiado em valores originados da escrituração contábil (matéria-prima. Mas. artigo 294. p. 4. a classificação e contabilização e a geração de relatórios e informações sobre os custos de produção. Devido a essa obrigatoriedade. Senac São Paulo.3 Finalidades da legislação tributária A empresa deve manter um sistema de custos integrado e coordenado com o restante da escrituração contábil.Todos os Direitos Reservados 7 . de acordo com a legislação do Imposto de Renda. De acordo com o RIR/99.4 Sistema de custo integrado e coordenado com a contabilidade As empresas devem manter um sistema de custos integrado e coordenado com a contabilidade para atender à legislação contida no Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). como a sistemática de análise dos gastos. que é utilizado como base de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social. sobretudo. o único sistema de custos aceitável é o custeio por absorção. Isso quer dizer que o lucro. a contabilidade de custos deve se formalizar em alguns aspectos. deve ser integrado e coordenado com a contabilidade mercantil. mão de obra direta. custos gerais de fabricação). o Fisco poderá arbitrar o valor dos estoques de produtos em processo e acabados. seguir as normas do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). além de atender a uma exigência fiscal. Mas. será estimado e poderá penalizar sensivelmente o contribuinte. O sistema de custeio por absorção é o método aceito pela legislação fiscal no Brasil. (2014. que além de seguir os princípios contábeis deve. 132): Para efeito de pagamento do Imposto de Renda e da Contribuição Social.

apoiado em livros auxiliares.Todos os Direitos Reservados 8 . O IPI integrará Senac São Paulo. fichas.000. III . De acordo com a definição apresentada pelo RIR/99. do valor dos estoques de matérias-primas e outros materiais.00.000.que permite avaliar os estoques existentes na data de encerramento do período de apropriação de resultados segundo os custos efetivamente incorridos.Normas e Práticas Tributárias II . Nessa situação. 5 Tratamento contábil e fiscal do ICMS.000.00 de ICMS e soma-se ao valor das mercadorias 10% de IPI (R$ 100. tidos em boa guarda e de registros coincidentes com aqueles constantes da escrituração principal.00 Perceba que o valor do ICMS e PIS/Cofins não integram o custo das mercadorias para revenda.000.000.00 de PIS/Cofins recuperáveis (valores hipotéticos). ao fim de cada mês. a empresa deverá efetuar o seguinte registro: D – AC – Estoque de mercadorias para revenda – R$ 920. não devem fazer parte do custo de aquisição das mercadorias ou matérias-primas. folhas contínuas. com o ICMS das vendas. Nesse valor está incluso R$ 180.1 Registro do ICMS a recuperar em empresa comercial Suponha que uma empresa adquiriu mercadorias para revenda no valor de R$ 1.00 D .que permite determinação contábil.000.000. o custo dos estoques assim como efetuar a apuração do resultado de acordo com os custos efetivamente incorridos no período. Para saber mais sobre os métodos de custeio existentes.00). IV .000. podemos verificar que o sistema de custos integrado e coordenado com a contabilidade permite apurar o custos dos produtos vendidos. Por isso.00 D – AC – ICMS a recuperar – R$ 180.00 C – PC – Fornecedores (total da nota fiscal) – R$ 1. IPI e do PIS/Cofins Os tributos não cumulativos podem ser recuperados.150. ou mapas de apropriação ou rateio.000. Apresentaremos a seguir a contabilização dos estoques. acesse o link disponível na Midiateca. 5. Além disso. sobre a compra também incide o valor de R$ 50. produtos em elaboração e produtos acabados. pois eles serão recuperados posteriormente. abordando esses aspectos.AC – PIS/Cofins – R$ 50.

000.00) e R$ 92.00. Dessa forma. ele deverá integrar o custo do estoque. matérias-primas por R$ 1.PIS/Cofins recuperáveis – R$ 92.000.00 foi apurado da seguinte forma: Total da nota fiscal de fornecedores – R$ 1. 6 Métodos de avaliação de estoques As empresas devem manter registros permanentes dos estoques ou se utilizar de inventários periódicos para apurar o custo das mercadorias vendidas ou das matérias-primas.00 Menos o ICMS a recuperar – (R$ 180. o que diminui o lucro – que é a base de cálculo para o Imposto de Renda e Contribuição Social (OLIVEIRA et al. 2014).000.00 D – AC .000.00) = Custo das mercadorias para revenda – R$ 920.00 No caso desses tributos serem recuperáveis.000.00 incluídos de ICMS.000. a prazo. Caso o valor do ICMS não seja recuperável.. pois na venda não haverá incidência do IPI e ele não poderá ser recuperado.00 5. mas 10% de IPI (R$ 100.000.00) Menos PIS/COFINS recuperáveis – (R$ 50.000. O valor do custo da mercadoria contabilizado em R$ 920.150.00 D – AC .2 Registro do ICMS e do IPI a recuperar em empresa industrial Suponha que uma empresa adquira.192. pois por esse método existe a tendência de os estoques ficarem subavaliados.500.Todos os Direitos Reservados 9 . Primeiro a Sair (UEPS).IPI a recuperar – R$ 100.00 D – AC .000. o lançamento do custo das matériasprimas deve ser feito no valor de R$ 820.ICMS a recuperar – R$ 180. em que existem R$ 180.Normas e Práticas Tributárias o custo das mercadorias em empresas industriais.000.000.00 de PIS/COFINS.00 C – PC – Fornecedores (total da nota fiscal) – R$ 1. Senac São Paulo. os estoques contantes nesses registros poderão ser avaliados pelo custo médio de aquisição ou de produção ou pelo método de Primeiro a Entrar. IPI e PIS/COFINS.500.500.000.00 que é obtido pelo valor da nota fiscal menos o ICMS.000. Não é permitido o uso do método Último a Entrar. Primeiro a Sair (PEPS). O registro na contabilidade deve ser o seguinte: D – AC – Estoque de matérias-primas – R$ 820.

Incluem-se os custos referentes à supervisão direta. manutenção. O mesmo pode ocorrer.. Se o Fisco julgar que existe fraudes. 8 Avaliação de estoques pelo arbitramento fiscal No arbitramento fiscal. o Fisco ignora as informações contidas nos registro contábeis e apura um lucro com base em estimativas. reparos e depreciação dos bens utilizados na produção. p. Para arbitrar o custo dos estoques de produtos acabados. Possuindo o sistema de custos integrado e coordenado com a contabilidade. mão de obra direta e indireta e gastos gerais de fabricação. No custeio direto somente os custos diretos e variáveis entram para o cálculo do custo de produção. “A empresa que mantiver sistema de contabilidade de custo integrado e coordenado com o restante da escrituração durante todo o período-base poderá utilizar os custos assim obtidos para avaliar os estoques. o Fisco ira arbitrar o valor dos estoques. o Fisco utilizará o percentual de 70% do maior preço de venda do período. ele poderá arbitrar o lucro da empresa. sejam eles diretos ou indiretos.Todos os Direitos Reservados 10 . 137). poderá ser considerado como custo de produção: • Custo das matérias-primas. • Amortização de Ativos que se relacionam diretamente com a produção. como softwares de sistemas de computação. No custeio por absorção todos os gastos irão compor o custo de produção. o contribuinte poderá optar pela avaliação de acordo com o valor das matérias-primas ou Senac São Paulo. caso a empresa não disponha de sistema de custos integrado e coordenado com a contabilidade.” (OLIVEIRA et al. com base no custo das matérias-primas ou do preço de venda do produto acabado. • Custos de locação. A legislação fiscal não permite o uso desse método para apuração do resultado tributário da empresa. • Exaustão de recursos naturais usados na produção. Os métodos de custeio mais conhecidos são o custeio por absorção e o custeio direto. mas existem também outros métodos. manutenção e vigilância das instalações da produção. Os demais custos são levados ao resultado do exercício. Incluem-se aí os custos com matériaprima. sendo tratados como despesas do período. 2014. materiais de embalagem e outros materiais consumidos na produção. Para os estoques de produtos em processo. irregularidades ou má-fé na escrituração contábil.Normas e Práticas Tributárias 7 Critérios aceitos pelo Fisco para a avaliação dos estoques O Fisco aceita dois critérios para avaliação dos estoques: o custo real por absorção ou pelo arbitramento fiscal. Nesse caso. • Custo de mão de obra (salários e encargos sociais).

Logo. Se ele optar pelo preço das matérias-primas. Disponível em: <http://www. Verificamos como é dado o tratamento fiscal e contábil para o ICMS.planalto. de 26 de março de 1999. Por isso. 2011.Normas e Práticas Tributárias de acordo com o valor de mercado dos produtos acabados. Referências BRASIL. Por fim. o valor dos estoques de produtos em processo será 80% do valor dos produtos acabados. apresentamos como o Fisco faz o arbitramento dos estoques e em que situações ele acontece.htm>.Todos os Direitos Reservados 11 . et al.000. para a própria gerência da empresa. Optando pelo valor de mercado dos produtos acabados. OLIVEIRA. Como vimos. fiscalização. verificamos que o controle de custos é importante para atender às finalidades da Contabilidade Gerencial. É por meio de sua avaliação que também se avalia o custo dos produtos ou mercadorias vendidas. Além disso. o valor dos produtos acabados será 70% do preço de venda. nesta aula abordamos o tema controle de estoques em empresas comerciais e industriais e seus reflexos na parte fiscal da organização. Entendemos como apurar o custo e o resultado bruto de um comércio e de uma indústria. Senac São Paulo. Acesso em: 5 jan. é imprescindível que esses valores estejam corretos. IPI e PIS/Cofins em comércios e indústrias. o resultado do período também está vinculado à correta apuração desses valores. arrecadação e administração do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza.br/ccivil_03/decreto/d3000. podemos dizer que os produtos em processo equivalem a 56% do preço de venda (80% de 70%). Consequentemente.gov. o custo dos produtos em processo será igual a uma vez e meia o maior do que o custo de aquisição de matérias-primas do período. 2015. São Paulo: Atlas (e-book). da Legislação Societária e da Legislação Tributária. Manual de Contabilidade Tributária: textos e testes com as respostas. Levando em consideração que a empresa é tributada sobre seu lucro. assim como para atenderem à legislação fiscal. M. Regulamenta a tributação. L. Considerações finais Os estoques representam valores extremamente importantes para as organizações. Decreto nº 3.

Normas e Práticas Tributárias Aula 11 Adições temporárias e definitivas Objetivos Específicos • Compreender a forma pela qual é possível se estabelecer provisões nos balanços e demonstrações para situações excepcionais. Temas Introdução 1 Definição e conceito de tributação sobre o lucro 2 Adições e exclusões temporárias e definitivas 3 Despesa de Imposto de Renda (IR) com adições e exclusões definitivas 4 Despesa de Imposto de Renda (IR) com adições temporárias 5 Exemplos de diferenças temporárias dedutíveis 6 Ativo fiscal diferido sobre prejuízos fiscais Considerações finais Referências Professor Rubia Carla Erthal .

Apresentaremos exemplos de diferenças temporárias dedutíveis que resultam em Ativos fiscais diferidos. Apesar disso.” (PÊGAS. não determina a base de cálculo para cobrar seus tributos. Senac São Paulo. cobrar seus tributos (IR e CSLL). Esperamos que você compreenda como é possível estabelecer provisões nos balanços e demonstrações para situações excepcionais. o que acontece é que essa tributação não incide exatamente sobre o resultado positivo auferido pelas empresas.Normas e Práticas Tributárias Introdução O objetivo desta aula é trazer explicações sobre o controle de Ativos fiscais diferidos. será possível compreender a necessidade do reconhecimento de Ativos fiscais diferidos sobre adições temporárias. que representam valores significativos nas grandes empresas do país. O lucro contábil deverá ser ajustado (adições e exclusões) para chegarmos ao lucro real ou tributável. Logo. estudaremos o comportamento da despesa com Imposto de Renda com adições definitivas e temporárias. inclusive provenientes de prejuízo fiscal. “O Fisco parte do lucro contábil para chegar ao lucro fiscal e. Ao final desta aula. apresentando os conceitos de adições e exclusões temporárias e definitivas. exatamente como o lucro da empresa. é o lucro líquido do período ajustado pelas adições e exclusões permitidas em lei. o lucro fiscal. também conhecida como Fisco. Dessa forma. partindo de explicações sobre a tributação sobre o lucro. Entende-se como receitas tributáveis aquelas exigidas pelo Fisco e despesas dedutíveis aquelas aceitas pelo Fisco. p. 665).Todos os Direitos Reservados 2 . com base neste lucro fiscal. assim como sua contabilização. 2011. 1 Definição e conceito de tributação sobre o lucro A tributação sobre o lucro das empresas tem o objetivo de retirar uma parcela específica do resultado positivo das organizações. registrar de forma adequada esses Ativos. também chamado de lucro real. A Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB). Abordaremos os assuntos em uma sequência lógica para facilitar a assimilação dos conceitos. podemos dizer que o Fisco determina sua base de cálculo pelas receitas tributáveis menos as despesas dedutíveis. permitidas em lei. Em seguida.

Despesas aceitas pelo Fisco e não contabilizadas em despesa RESULTADO LÍQUIDO AJUSTADO (-) COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS RESULTADO TRIBUTÁVEL Fonte: Pêgas (2011. 2 Adições e exclusões temporárias e definitivas Adição definitiva é uma despesa que não pode ser aceita agora e nem será em um período futuro.Todos os Direitos Reservados 3 . Em seguida.Receitas exigidas pelo Fisco e não contabilizadas em receita (-) EXCLUSÕES . por atender a tal requisito. a despesa se tornará dedutível e aceita nas bases de Imposto de Renda e Contribuição Social. por não preencher algum requisito. mas. do resultado antes do Imposto de Renda e da Contribuição Social. p. As adições e exclusões definitivas modificam o valor do Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o lucro líquido. A despesa referente a essa provisão não é aceita pelo Fisco. 363). Senac São Paulo. mas que poderá ser dedutível em outro período. De acordo com a Tabela 1. A partir daí. Exemplo: as despesas com brindes não são aceitas como dedutíveis.Despesas contabilizadas que não são aceitas pelo Fisco . Ou seja. e quando o processo for encerrado.Normas e Práticas Tributárias Tabela 1 – Apuração do lucro tributável RESULTADO ANTES DE IR + CSLL (+) ADIÇÕES .Receitas contabilizadas que não são exigidas pelo Fisco . Já a adição temporária representa uma despesa que não pode ser considerada dedutível em um determinado período. podemos verificar que o cálculo do resultado tributável parte do lucro líquido do período. é feita a compensação de prejuízos fiscais e encontra-se o resultado tributável. essa despesa será dedutível em períodos futuros. ou seja. somam-se as adições e subtraem-se as exclusões permitidas em lei para apurar o resultado líquido ajustado. Exemplo: provisão para perdas em um processo trabalhista movido por um empregado contra a empresa.

A despesa com IR será de: R$ 400.00.00 de adições definitivas.00) Prejuízo – (R$ 40. Alguns casos interessantes podem surgir em decorrência das adições e exclusões definitivas. seu lucro tributável seria de: R$ 300.000.00) e a sua despesa com IR e IR a pagar passam a ser: R$ 450.00.00 x 34% = R$ 136. A empresa 1 tem Lucro Antes do IR (LAIR) de R$ 300. sendo consideradas exclusões definitivas. suponha que uma empresa apresentou lucro de R$ 400.00 x 34% = R$ 340.00 x 34% = R$ 153. teremos: R$ 1.00 = R$ 1. Mas. imagine que nesse lucro de R$ 400. possuía R$ 700.00 esteja incluída a despesa com brindes. Por exemplo. temos o mesmo raciocínio. Exemplo: o lucro na venda realizada para o governo. Receitas que não representam base para a tributação sobre o lucro devem ser excluídas.00 e adições definitivas de R$ 700. Exemplo: a renda com participações em empresa controlada e/ou coligada. ou seja.00 + R$ 50. A contrapartida desse lançamento será em conta do Passivo.000. A demonstração de resultados dessa empresa ficaria da seguinte forma: LAIR – R$ 300. 2011). Acompanhe estes exemplos (PÊGAS. Considerando uma alíquota de 34%. Combinando isto com o baixo valor de lucro ocorreu um prejuízo depois do imposto.00.Normas e Práticas Tributárias Em relação à receita. Portanto. Senac São Paulo.00) A empresa 1 possuía elevadas despesas que não possuíam dedução permitida pela legislação fiscal. o valor do IR a pagar e também a despesa com IR serão afetadas.00 e sua alíquota IR seja 34%.00. Essa venda será tributada pelo regime de caixa e reconhecida na contabilidade pelo regime de competência. Uma exclusão temporária é uma receita que será reconhecida para fins tributários somente em períodos futuros.00.00 (-) IR – (R$ 340. 3 Despesa de Imposto de Renda (IR) com adições e exclusões definitivas Quando a empresa tem adições e exclusões definitivas para fazer em seu lucro. quando o produto for entregue.00 + R$ 700.Todos os Direitos Reservados 4 . no valor de R$ 50. A base de cálculo para o IR passa a ser R$ 450.00 (R$ 400.00. IR a pagar.

00 x 34% = R$ 34. 2011). será.00 esteja incluída uma despesa com provisão para garantia de produtos.00 e exclusões definitivas de R$ 800. que a garantia incluída no resultado seja de R$ 50.00 x 34% = R$ 68. Suponha que uma empresa teve lucro contábil de R$ 200.00.00 + R$ 50. Se ela não tiver nenhum ajuste para fazer.00 x 34% = R$ 85. a base de cálculo do IR é: R$ 900. Senac São Paulo. Logo.00) Lucro líquido – R$ 866.00.00 = R$ 100. seu Imposto de Renda será: R$ 200.Todos os Direitos Reservados 5 .00.00.00). efetivamente. Isso aconteceu porque a maior parte do lucro era composta por receitas não exigidas pelo Fisco.00 antes do IR. somente o valor dos tributos a pagar.00. Considere-se.00. vamos supor que no resultado de R$ 200.00 (R$ 200. A empresa 2 teve LAIR de R$ 900. A demonstração de resultado desta empresa será: LAIR – R$ 900.00. ou 34% de R$ 50.00 – R$ 800. 4 Despesa de Imposto de Renda (IR) com adições temporárias As adições temporárias não modificam a despesa com o Imposto de Renda. portanto: R$ 250. O IR a pagar. o valor desse conserto deve ser diminuído da conta de provisão que está registrada no Passivo. O Imposto de Renda a pagar será de: R$ 100. pois a diferença de R$ 17. a despesa com IR continuará sendo R$ 68. Neste caso.00.Normas e Práticas Tributárias Por que o resultado da empresa não é. Ela tem relação com a receita de venda registrada e não com o pagamento de algum conserto. Agora. IR a pagar.00 (-) IR – (R$ 34.00 refere-se à provisão para garantia. Essa provisão é constituída na venda de todos os produtos que possuem garantia de pelo menos um ano. ela terá um lançamento na despesa de IR com a contrapartida no Passivo. em nosso exemplo.00 Perceba que o valor do Imposto de Renda representou somente 4% do lucro antes do Imposto de Renda. a base de cálculo do IR será de R$ 250. Mas. a base de cálculo dos tributos sobre a renda? Veja esta outra situação. Portanto. Acompanhe um exemplo (PÊGAS. se ocorrer. Caso ocorra.

E diferido porque o Ativo somente será recebido ou compensado em períodos futuros. É um crédito.00 – R$ 50. no Passivo e a crédito no caixa. Continuando nosso exemplo. portanto. não alterando a Despesa de IR.00 representa um adiantamento feito para o Fisco. ou seja. Em resumo.00 com conserto de produtos na garantia..00. 2014): a. Esse pagamento terá um lançamento a débito na provisão de garantias. 5 Exemplos de diferenças temporárias dedutíveis Quando se incluem receitas ou despesas no resultado contábil de um período e no resultado tributável de um período diferente surgem as diferenças temporárias. Senac São Paulo. mas não foi aceito pelo Fisco. p. Esse “adiantamento” feito ao Fisco é registrado como Crédito Tributário Diferido. Ou seja. pois refere-se a tributos.00. “As adições e exclusões temporárias modificam apenas o IR a pagar. a seguir. A despesa com IR será calculada da seguinte forma: R$ 150.00 x 34% = R$ 51. mas para fins fiscais é dedutível somente quando realizado o gasto com garantia. teremos o IR a pagar no valor de R$ 85.Normas e Práticas Tributárias Esse valor será dedutível no futuro.00 nesse ano.00 x 34%. são registrados na contabilidade no período da venda dos produtos.00 (exclusão permitida) = R$ 100.” (PÊGAS. Apresentaremos. imagine que a empresa parou de conceder garantias e teve um lucro de R$ 150. Tributário. Para simplificar.00. pois representa um direito a creditar para a empresa. Saiba mais sobre créditos tributários diferidos no link disponível na Midiateca.00 e o IR a pagar será: R$ 100. A diferença de R$ 17. 668).00 x 34% = R$ 34. 2011. ela representará uma exclusão em algum período posterior. Perceba que esse lançamento não transita pelo resultado.Todos os Direitos Reservados 6 . suponha que no ano seguinte a empresa gastou R$ 50. alguns exemplos de diferenças temporárias dedutíveis que resultam em Ativos fiscais diferidos (OLIVEIRA et al.00 e uma despesa com IR no valor de R$ 68. sua dedução será temporária. o valor dos gastos com garantia. Provisão para garantia de produtos – conforme apresentado em exemplo anterior.00 entre o IR a pagar e a despesa com IR corresponde a R$ 50. Esse valor já foi pago no ano em que a empresa registrou a provisão para garantia. neste exemplo. O valor de R$ 17. A base de cálculo do IR será: R$ 150.

suponha que a empresa tenha constituído provisões que não são aceitas pelo Fisco como dedutíveis para apuração do lucro real ou tributável.00) R$ 792. Vejamos alguns exemplos práticos de Ativos fiscais diferidos e sua contabilização (OLIVEIRA et al. 225).00 Fonte: Oliveira et al. c.00. Amortização contábil de ágio – será dedutível somente por ocasião de sua realização por alienação ou baixa. mas não aceitas como dedutíveis para fins de apuração do lucro tributável ou real. Elas são dedutíveis apenas na efetivação do gasto.. de seus produtos vendidos.200.00 Provisão para litígios fiscais e trabalhistas 150. 200. Provisão para gasto com manutenção e reparo de equipamentos – para fins fiscais é dedutível somente quando os gastos forem efetivamente realizados. Levando em consideração uma tributação de 34% para Imposto de Renda e Contribuição Social.200. Sendo assim. representando 1% do total das vendas do exercício de X0. e. Ajustes para perdas permanentes em investimentos.00 Lucro contábil antes dos tributos Menos: Despesa de tributos Lucro contábil após os tributos R$ 1. f. 2014). (2014. o lucro contábil seria o seguinte: LAIR – R$ 900.00 (-) IR – (R$ 34. Provisão para riscos fiscais e outros litígios.00) Lucro líquido – R$ 866. por 12 meses. d. p.200.00 Total das provisões contabilizadas como redutoras do lucro contábil do exercício de X0. Valor contábil de Ativo ajustado ao valor de mercado ou valor de recuperação.00 Porém.Normas e Práticas Tributárias b. os tributos da empresa seriam: R$ 1.00.00 x 34% = R$ 408. Tabela 2 – Provisões constituídas R$ Provisão para garantia.Todos os Direitos Reservados 7 .00 (R$ 408. Uma empresa encerrou suas atividades em 31-12-X0 e apurou lucro contábil antes do Imposto de Renda de R$ 1. A provisão é calculada no momento das vendas. 350. Senac São Paulo. após a provisão dos tributos.

00 C – Tributos correntes a recolher (PC) – R$ 527.200.550.00 Tributos correntes (34% de 1. quando os gastos referente às provisões acontecerem.Normas e Práticas Tributárias A Tabela 2 apresenta as provisões constituídas pela empresa do exemplo. a empresa pagará R$ 527.550.00 Tributos diferidos (34% de 350.Todos os Direitos Reservados 8 .00 Reconhecimento do Ativo fiscal diferido D – Ativo fiscal diferido – R$ 119. Senac São Paulo. 225).00.00 Dessa forma. pois as provisões não são dedutíveis e.200.00 1. Dessa forma.550. mas R$ 119.200. Dessa forma. De acordo com a Tabela 3.00) Fiscal 1.00) 408.00 o lucro tributável para o Fisco é de R$ 1.00) Despesa tributária (34% de 1.00 527.00 será dedutível em períodos futuros.00.550.00) (119.00 408.00 de tributos.00) Lucro 1. A contabilização dessa operação se dará da seguinte forma: Reconhecimento do Passivo corrente D – Despesa tributária corrente – R$ 527. p. (2014. conforme podemos verificar na Tabela 4. podemos verificar que enquanto o lucro contábil é de R$ 1. totalizando R$ 350.00 C – Despesa tributária diferida – R$ 119.00 Fonte: Oliveira et al. devem ser adicionadas ao lucro contábil. Isso significa que a empresa terá um Ativo diferido. o resultado tributável ou lucro real da empresa será composto conforme apresentado na Tabela 3: Tabela 3 – Resultado tributável Contábil Lucro antes da despesa de depreciação 1.550.00 Despesas estimadas com garantias (200.00) Perdas prováveis com litígios (150. após o Imposto de Renda o lucro contábil foi apurado de acordo com o princípio da competência. portanto.

Todos os Direitos Reservados 9 . pois é ajustada pelo lançamento dos tributos diferidos. Para avaliar a probabilidade de lucro tributável futuro. sobre o qual possa compensar os prejuízos fiscais. 226): Para fins de determinação do lucro real.Normas e Práticas Tributárias Tabela 4 – Apuração do lucro após os tributos R$ Lucro contábil antes dos tributos 1. poderá ser reduzido pela compensação de prejuízos fiscais. o Ativo fiscal diferido com relação a esses prejuízos deve ser reconhecido. essa compensação está limitada a 30% do valor do lucro tributável.200. Senac São Paulo. assim como a despesa seja contabilizada em consonância com princípio contábil da competência. observado o limite máximo de 30%. b) Se for provável que terá lucros tributáveis antes de prescrever o direito à compensação dos prejuízos fiscais. lembrando que os prejuízos não operacionais.00 Fonte: Oliveira et al. somente podem ser compensados com lucros da mesma natureza.00) Lucro contábil após tributos 792. o limite de 30%. Caso existam dúvidas em relação à continuidade operacional da organização. relativas à mesma autoridade fiscal. (2014. Dessa forma. é preciso julgar a possibilidade que a empresa tem de obter lucros futuros. 6 Ativo fiscal diferido sobre prejuízos fiscais A compensação de prejuízos fiscais não possui prazo de prescrição estabelecido pelo Regulamento do Imposto de Renda. (2014. respeitado. apesar de não haver um prazo de prescrição para a compensação dos prejuízos fiscais.00 Menos: Tributos correntes (527.00 Despesa tributária (408.00. que resultem em valores tributáveis contra os quais esses prejuízos fiscais possam ser utilizados antes que prescrevam. 226). Ou seja. a empresa deve considerar alguns critérios. apurados pelas pessoas jurídicas. p. p. depois de ajustado pelas adições e exclusões. p. (2014. não é procedente efetuar o lançamento contábil dos Ativos diferidos. À medida que seja provável a existência de lucro tributável. no futuro. o lucro líquido. suficiente para compensar os prejuízos.00) Mais: Tributos diferidos 119. 226): a) Se existem diferenças temporárias tributáveis. de acordo com Oliveira et al. De acordo com Oliveira et al. Isso faz com que o lucro contábil. também neste caso. A Tabela 4 demonstra que o valor da despesa tributária é de R$ 408.

Normas e Práticas Tributárias
c) Se os prejuízos fiscais resultam de causa identificada que provavelmente não
ocorrerá novamente;
d) Se há oportunidade de identificação de planejamento tributário, respeitados
os princípios fundamentais de contabilidade, que possa gerar lucro tributável
no período em que os prejuízos possam ser compensados. Se não for provável
que não haverá lucro tributável para compensar os prejuízos fiscais, o ativo
fiscal diferido não deve ser reconhecido.

Portanto, é preciso cautela no registro do Ativo diferido e tais circunstâncias são evidências
concretas e que precisam ser avaliadas pela administração interna da organização. Vejamos
agora um exemplo de contabilização de Ativos fiscais diferidos sobre prejuízos fiscais.
Suponha que uma empresa não tem nenhuma adição ou exclusão a fazer em seus
resultados e tenha apresentado os seguintes dados:
Tabela 5 – Resultados contábeis

Período Contábil

Compensação Fiscal
Prejuízo

Lucro

Tributos
34%

10.000

3.400

1

Lucro

10.000

2

Prejuízo

(2.000)

3

Lucro

5.000

(1.500)

3.500

1.190

4

Lucro

3.000

(500)

2.500

850

Acumulado

16.000

(2.000)

(680)

16.000

Fonte: Oliveira et al. (2014, p. 227).

A Tabela 5 apresenta quatro períodos. No período 1 a empresa teve lucro de R$ 10.000,00.
Com uma tributação de 34%, seu imposto a pagar foi de R$ 3.400,00. No período 2 a empresa
teve prejuízo de R$ 2.000,00. O valor do tributo diferido é de R$ 680,00 ou R$ 2.000,00 x 34%.
No período 3 a empresa teve lucro de R$ 5.000,00. Ela tem R$ 2.000,00 de prejuízos fiscais
a compensar, mas poderá compensar nesse período somente o valor equivalente a 30% do
seu lucro. Logo, ela poderá compensar: R$ 5.000,00 x 30% = R$ 1.500,00. O lucro tributável
será então: R$ 5.000,00 – R$ 1.500,00 = R$ 3.500,00. E o valor dos tributos a pagar será: R$
3.500,00 x 34% = R$ 1.190,00. Nesse período a empresa lançará o valor da compensação do
prejuízo fiscal de: R$ 1.500,00 x 34% = R$ 510,00. No período 4 a empresa teve lucro de R$
3.000,00. Ela ainda tem um saldo de R$ 500,00 de prejuízos fiscais a compensar (R$ 2.000,00
– R$ 1.500,00). Logo, o lucro tributável será de R$ 2.500,00. Acompanhe os lançamentos
contábeis em cada período:

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Normas e Práticas Tributárias

Período 1 – Reconhecimento dos tributos correntes
D – Despesa tributária corrente – R$ 3.400,00
C – Tributos correntes a recolher – R$ 3.400,00
Representa 34% do lucro tributável de R$ 10.000,00
Período 2 – Reconhecimento do Ativo fiscal diferido
D – Ativo fiscal diferido – R$ 680,00
C – (Resultado) Tributos diferidos – R$ 680,00
Representa 34% do prejuízo fiscal de R$ 2.000,00
Período 3 – Reconhecimento dos tributos correntes com compensação de prejuízo fiscal
D – Despesa tributária corrente – R$ 1.190,00
D – Despesa tributária diferida – R$ 510,00
C – Tributos correntes a recolher – R$ 1.190,00
C – Ativo fiscal diferido – R$ 510,00
Período 4 – Reconhecimento dos tributos correntes com compensação de prejuízo fiscal
D – Despesa tributária corrente – R$ 850,00
D – Despesa tributária diferida – R$ 170,00
C – Tributos correntes a recolher – R$ 850,00
C – Ativo fiscal diferido – R$ 170,00
Conforme você pode verificar, a conta do Ativo fiscal diferido recebeu inicialmente um
lançamento a débito do valor de R$ 680,00 e à medida que o prejuízo fiscal foi compensado
essa conta foi sendo abatida: R$ 510,00 no período 3 e R$ 170,00 no período 4, zerando
seu saldo.

Considerações finais
Nesta aula estudamos as adições temporárias e definitivas. Iniciamos apresentando uma
visão geral sobre a tributação sobre o lucro e entendendo que o lucro contábil deve ser
ajustado para tornar-se o lucro real ou tributável. Alguns exemplos de Ativos fiscais diferidos
foram apresentados, englobando as provisões, ajustes e amortizações.
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Normas e Práticas Tributárias

Entendemos que os prejuízos fiscais podem ser compensados em períodos futuros, desde
que no limite de 30% do lucro tributável apurado. Para uma melhor assimilação, apresentamos
um exemplo com o cálculo e contabilização do prejuízo fiscal como Ativo diferido.

Referências
BRASIL. Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. Regulamenta a tributação, fiscalização,
arrecadação e administração do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza.
Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d3000.htm>. Acesso em: 5 jan.
2015.
OLIVEIRA, L. M. de. et al. Manual de Contabilidade Tributária: textos e testes com as respostas.
São Paulo: Atlas (e-book), 2011.
PÊGAS, P. H. Manual de Contabilidade Tributária: análise dos impactos tributários das leis
11.638/07 e 11.941/09, análise dos impactos tributários do CPC. Rio de Janeiro: Freitas Bastos,
2011.

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Normas e Práticas Tributárias
Aula 12
Tributação das microempresas e empresas de pequeno porte:
Simples e Super Simples

Objetivos Específicos
• Analisar a natureza e compreender tecnicamente como atuam as formas
simplificadas e unificadas de tributação.

Temas
Introdução
1 Normas gerais para o tratamento diferenciado e favorecido
2 Conceito de Receita Bruta no Simples Nacional
3 Cadastro Nacional Sincronizado
4 Excesso do limite de receita bruta
5 Impostos abrangidos pelo Simples
6 Cálculo do Simples Nacional
7 Recolhimento
8 Livro Caixa e Escrituração Contábil
9 Declaração única e simplificada
10 Notas fiscais e créditos acumulados
11 Exclusão do Simples Nacional
Considerações finais
Referências

Professora

Rubia Carla Erthal

ISS e a Contribuição para a Seguridade Social destinada à Previdência Social a cargo da pessoa jurídica (CPP). a sociedade simples. II – As empresas consideradas de pequeno porte – EPP. Senac São Paulo. A Lei Complementar nº 139/11 considera microempresa (ME) ou empresa de pequeno porte (EPP) a sociedade empresária.600. de 10 de janeiro de 2002. de acordo com o art. Na mídia. A seguir.Todos os Direitos Reservados 2 . e 139. esse sistema corresponde a um regime diferenciado de tributação que permite o pagamento de seis tributos federais por uma única alíquota. dos impostos abrangidos pelo Simples. também em cada anocalendário devem auferir receita bruta superior a R$ 360. de acordo com Oliveira et al. O pagamento desses tributos será feito mediante o Documento de Arrecadação do Simples (DAS). Esses e outros aspectos serão abordados nesta aula quando trataremos. a empresa individual de responsabilidade limitada e o empresário que.000. ICMS. Uma vez feita a opção. Para as microempresas e empresas de pequeno porte. as empresas podem optar por adotá-lo ou não. apresentaremos o funcionamento do Simples Nacional. 387): I – As microempresas – ME.000. CSLL. de 14 de dezembro de 2006. de 19 de novembro de 2008. para pagamento em cota única: IRPJ.406. III – Os microempreendedores individuais (MEI) auferirem receita bruta máxima anual de R$ 60 mil. que é um sistema utilizado pelas microempresas e empresas de pequeno porte como instrumento de tributação. a qual foi alterada pelas Leis Complementares nº 128. 966 da Lei nº 10. exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. (2014. IPI. COFINS.00 (três milhões e seiscentos mil reais). Apresentaremos as principais mudanças ocorridas na forma de tributação do Simples Nacional.00 (trezentos e sessenta mil reais). Trata-se do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições. Trata-se de um regime facultativo. apresentaremos o enquadramento dessas empresas. também. especialmente as trazidas pela Lei Complementar nº 147/2014 e a Resolução CGSN nº 117.00 (trezentos e sessenta mil reais) e igual ou inferior a R$ 3. em cada ano-calendário devem auferir receita bruta igual ou inferior a R$ 360. instituído pela Lei Complementar nº 123. de 10 de novembro de 2011. PIS/Pasep.000. 1 Normas gerais para o tratamento diferenciado e favorecido O Simples Nacional é um regime de tributação adotado pelas Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP). ela é irretratável para todo o ano calendário. Essa forma de tributação unifica os seguintes tributos. ou seja. p. ele é conhecido como Super Simples e entrou em vigor no início do segundo semestre de 2007.Normas e Práticas Tributárias Introdução Nesta aula.

foi criado o Cadastro Único Nacional. existiam diversas restrições em relação à atividade exercida pela empresa para que se optasse por essa forma. alteração e baixa do registro. A partir de 2015. o limite será de R$ 5. citando a preferência dessas empresas para o fornecimento de bens e serviços aos Poderes Públicos. feito por meio eletrônico. Também dispõe sobre o acesso ao crédito e ao mercado. O link está disponível na midiateca. porém. previdenciárias e acessórias.00 por mês. é considerada receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria. Se a empresa estiver em início de atividades. deverá informar à Receita Federal Senac São Paulo. quando parte das empresas do Simples foram retiradas do programa de substituição tributária. o IPI e o ICMS Substituição Tributária. tivemos mudanças significativas na forma de opção pelo Simples Nacional. a partir de janeiro de 2015. Já o Microempreendedor Individual (MEI) tem seu processo de abertura.Normas e Práticas Tributárias A Lei Complementar nº 123/2006 estabelece as normas gerais referentes ao tratamento diferenciado que pode ser adotado pelas microempresas e empresas de pequeno porte. registro. o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações de conta alheia. Para o Microempreendedor Individual (MEI) em início de atividade.000. Além disso. 2 Conceito de Receita Bruta no Simples Nacional Para apurar os limites de enquadramento no Simples Nacional. Quando a empresa faz a opção pelo regime de caixa. A base de cálculo dos tributos pelo Simples Nacional é a receita bruta total mensal. o limite será proporcional ao número de meses em que a microempresa ou a empresa de pequeno porte tiver exercido as atividades. passou a valer o critério do porte para essa opção e não mais o da atividade exercida. que poderá ser apurada pelo Regime de Competência ou pelo Regime de Caixa. os descontos incondicionais. Antes. de acordo com a opção feita pelo contribuinte. é possível obter mais informações sobre esse assunto. Além disso. Lá. que visa reduzir a burocracia nos processos de abertura e fechamento de empresas. 2011).Todos os Direitos Reservados 3 . As devoluções de vendas. trata das obrigações trabalhistas. quando registrados em receita bruta. com trâmite especial e simplificado. poderão ser excluídos da receita bruta (PÊGAS. as vendas canceladas. Outra mudança importante ocorrida foi a limitação da substituição tributária. O Portal do Empreendedor é o site pelo qual se formaliza o Microempreendedor Individual (MEI). Ela trata do regime único de arrecadação que inclui as obrigações acessórias necessárias para apurar e recolher os impostos e contribuições.

esse aviso deve ser feito antes da apuração dos valores relativos ao mês da opção. a opção pelo Simples Nacional começa a produzir efeitos. a ME ou EPP terá o prazo de 10 dias. Essa data também será considerada como a data de início das atividades. Nesse caso. apresentaremos os procedimentos que eram adotados para a opção pelo Simples Nacional antes da existência do Cadastro Nacional Sincronizado. para efetuar a opção pelo Simples Nacional.Normas e Práticas Tributárias do Brasil antes de apurar os valores relativos ao mês de janeiro de cada ano. Uma vez feita a opção. ela deve ser mantida por todo o ano-calendário e é válida para todos os estabelecimentos da empresa. contados do último deferimento de inscrição. • No prazo de até 10 dias. a Receita Federal disponibilizará aos estados. apresentaremos os procedimentos que são utilizados com o Cadastro Sincronizado e como ele visa eliminar a burocracia. • A partir da data do último deferimento de inscrição nos cadastros estaduais e municipais. ou seja. • Depois de formalizada a opção. exceto se a repartição federal considerar inválidas as informações prestadas pela ME ou EPP. a opção será considerada indeferida. serão consideradas validadas as informações prestadas pela ME ou EPP. Em seguida. Você poderá observar como acontecia a comunicação entre os diversos órgãos públicos. matriz e filiais. 3 Cadastro Nacional Sincronizado A seguir. Senac São Paulo.Todos os Direitos Reservados 4 . Distrito Federal e municípios a relação com os contribuintes para que possa ser verificada as informações prestadas. Para fazer a opção pelo Simples Nacional. Caso a empresa esteja em início de atividades. • Se os dados forem confirmados ou se o prazo de 10 dias passar e não houver manifestação por parte do ente federativo. os entes da federação deverão comunicar à Receita Federal sobre a verificação da relação dos contribuintes que foi anteriormente repassada. as ME ou EPP deveriam: • Após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e obter sua inscrição estadual e municipal.

A) Informações validadas: opção pelo Simples Nacional deferida – produz efeitos a partir da última inscrição deferida. Estados/Municípios verificam as informações 10 dias 5.. as informações serão validadas e a opção pelo Simples Nacional será deferida. no silêncio.Todos os Direitos Reservados 5 . Estados/Munícipios comunicam à RFB acerca da validade ou não das informações prestadas. RFB envia para Estados/Munícipios as informações prestadas pelas empresas para verificação. Inscrição no CNPJ/Estado/Munícipio 2. p. Senac São Paulo. 2014. a Receita Federal envia as informações das empresas para os estados e municípios verificarem. Fonte: Fiscosoft (2007 apud OLIVEIRA et al. a empresa faz a inscrição no CNPJ. 388). serão consideradas válidas. Estes têm o prazo de 10 dias para validar ou não as informações. pudemos verificar que. no prazo de 10 dias. no início das atividades. estado e município e tem o prazo de 10 dias para fazer a opção pelo Simples Nacional. Caso eles não se manifestem dentro do prazo. Em seguida.Normas e Práticas Tributárias Figura 1 – Esquema prático de opção pelo Regime antes da utilização do Cadastro Sincronizado Nacional 10 dias 1. 4. B) Ente federativo considerou inválidas as informações prestadas pela ME/EPP – opção pelo Simples Nacional indeferida. ou. Na Figura 1. Opção pelo Simples Nacional 3. A formalização da opção pelo Simples Nacional é feita pela internet e é irretratável para todo o ano-calendário.

gerando um código de acesso para acompanhamento da solicitação. com a finalidade de agilizar os processos. ensejar registro na Junta (alteração sujeita a registro). composto tanto de fichas com informações do interesse da Secretaria da Receita Federal do Brasil quanto de fichas com informações de interesse dos Estados. A utilização do Sedex é opcional.Normas e Práticas Tributárias Para integrar os procedimentos cadastrais das empresas. • 3º Passo: o contribuinte deve enviar a cópia do ato registrado e o DBE ou protocolo para endereço informado na opção Consulta da Situação do Pedido na Internet. todas as entidades que fazem parte dos processos de registro e legalização de empresas terão acesso. simultaneamente. Ou seja. • 2º Passo: o documento eletrônico gerado no aplicativo é transmitido/enviado pela Internet. pois esta data será depois alterada pela Junta). é emitida uma confirmação (atualmente é o Documento Básico de Entrada (DBE) ou Protocolo de Transmissão).Todos os Direitos Reservados 6 . a solicitação de CNPJ e o registro do ato podem ser apresentados à respectiva Junta Comercial conjuntamente (utilizar como data do evento a de preenchimento da solicitação. todas as informações das pessoas jurídicas ficarão disponíveis para as diversas entidades no âmbito das Administrações Tributárias da União. De acordo com a Secretaria da Receita Federal. Caso haja impedimentos. Nesse cadastro. foi criado o Cadastro Sincronizado Nacional.PGD CNPJ ou o Aplicativo de Coleta On Line. Distrito Federal ou Municípios. no caso de inscrição deferida. além de não estar ainda registrado. • 4º Passo: o atendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil e dos convenentes efetua a análise do pedido conforme procedimentos próprios de cada Órgão.Web). A solicitação passa por verificações eletrônicas automatizadas que consultam tanto os sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. o contribuinte poderá emitir e imprimir o seu comprovante de inscrição no CNPJ e a respectiva inscrição estadual e/ou municipal. Para fazer inscrição. o cidadão irá adotar praticamente os mesmos passos utilizados para inscrições ou alterações no CNPJ. dos estados. quanto a base de dados dos convenentes envolvidos. os procedimentos a serem adotados são os seguintes: • 1º Passo: o cidadão utiliza o aplicativo de coleta de dados/informações para inscrição/alteração/baixa da pessoa jurídica ou demais entidades (atualmente é o Programa Gerador de Documentos CNPJ . Caso a pesquisa não verifique impedimentos. alteração ou baixa no Cadastro Sincronizado Nacional. O aplicativo de coleta pode ser obtido via Internet. deferindo-o ou não. é disponibilizada na internet a relação dos impedimentos. aos dados cadastrais das empresas. • 5º Passo: o resultado é informado ao contribuinte via Internet. Por exemplo. Em havendo convênio com a Junta Comercial do seu Estado para análise de CNPJ e se o ato constitutivo ou alterador. o motivo do indeferimento Senac São Paulo. quanto os dos conveniados. Da mesma forma. O número concedido alimentará tanto a base CNPJ da RFB. seja na página da RFB. do Distrito Federal e dos municípios. seja nas páginas dos convenentes. O identificador das empresas perante todas as esferas de governo é o número do CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica).

à condição de empresa de pequeno porte.000. ficará excluída do tratamento diferenciado (Simples Nacional) no mês subsequente à ocorrência do excesso.Todos os Direitos Reservados 7 .00. No ano seguinte. Se uma empresa de pequeno porte ultrapassar o limite de R$ 3. observado o disposto no inciso XII do § 1º deste artigo. 2007). observado o disposto no inciso XII do § 1º deste artigo. de que trata o art. O artigo 13 da Lei Complementar nº 123/2006 aponta os impostos que serão recolhidos pelo Simples Nacional. calculados proporcionalmente ao número de meses do ano-calendário que iniciar suas atividades. mediante documento único de arrecadação. O mesmo ocorrerá com a empresa de pequeno porte caso não ultrapasse o limite de R$ 360.000. II – Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI. está previsto que a microempresa que exceder o limite de R$ 360. IV – Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS. VI – Contribuição Patronal Previdenciária – CPP para a Seguridade Social.00.212. a cargo da pessoa jurídica.000. V – Contribuição para o PIS/Pasep. mediante documento único de arrecadação (DARF): Art. exceto no caso da microempresa e da empresa de pequeno porte que se dedique às atividades Senac São Paulo. (BRASIL.Normas e Práticas Tributárias do pedido será informado (esse motivo poderá ser decorrente da Secretaria da Receita Federal do Brasil ou dos convenentes).600. 22 da Lei nº 8. 5 Impostos abrangidos pelo Simples O Simples Nacional representa uma das várias vantagens previstas em lei para as microempresas (ME) e as empresas de pequeno porte (EPP). essa empresa passará à condição de microempresa. no ano seguinte.00. Exceção é feita quando o excesso de limite for inferior a 20% do limite total. como a empresa estará registrada no Cadastro Sincronizado. O Simples Nacional implica o recolhimento mensal. 13. dos seguintes impostos e contribuições: I – Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Ou seja. 4 Excesso do limite de receita bruta A Lei Complementar nº 123/2006 trata das ME e das EPP em seu artigo terceiro. observado o disposto no inciso XII do § 1º deste artigo. Nele. III – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. de 24 de julho de 1991. as solicitações de alterações – ou mesmo a opção pelo Simples Nacional – poderão ser deferidas ou indeferidas pelo próprio sistema pelos três entes federativos. passará.

ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários (IOF). • Imposto sobre a Exportação. isso não exclui a qualidade de contribuinte ou responsável pela incidência de outros impostos. VII – Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS. O Simples Nacional unifica diversos tributos para pagamento em documento único. de Produtos Nacionais ou Nacionalizados (IE). • Imposto sobre a Importação de Produtos Estrangeiros (II). na operação de compra ou prestação ou. quando existir lei estadual ou distrital que obrigue a empresa a recolher como responsável. Existem situações em que o recolhimento poderá acontecer de forma separada da guia unificada do Simples. • Contribuição Previdenciária. ainda. este na qualidade de contribuinte individual. • Contribuição para o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). 2006). do trabalhador e a do dono da empresa (empresário ou sócio). • Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). São eles: • Imposto sobre Operações de Crédito. 18 desta Lei Complementar. COFINS e IPI incidentes na importação de bens e serviços.Todos os Direitos Reservados 8 . Outros tributos que não estão listados também poderão incidir sobre as empresas enquadradas no Simples Nacional. por terceiro. • Imposto de Renda. porém. • Contribuição para o PIS/Pasep. (BRASIL. manutenção em Senac São Paulo. para o Exterior. Câmbio e Seguro. relativo aos rendimentos ou ganhos líquidos obtidos em aplicações de renda fixa ou variável. VIII – Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza – ISS.Normas e Práticas Tributárias de prestação de serviços referidas no § 5º-C do art. • ICMS devido nas operações ou prestações sujeitas ao regime de substituição tributária.

• Anexo III – prestação de serviços.Todos os Direitos Reservados 9 . bem como energia elétrica. Portanto. haverá uma tabela de alíquotas a ser aplicada. por ocasião do desembaraço aduaneiro. 18. Por que o Simples Nacional é vantajoso para as pequenas empresas? 6 Cálculo do Simples Nacional As alíquotas do Simples Nacional variam de acordo com o tipo de atividade da empresa.Normas e Práticas Tributárias estoque desacobertada de documento fiscal. • Anexo V – prestação de serviços previstos nos incisos XII a XXI do § 2º do art. O valor devido mensalmente pela microempresa ou empresa de pequeno porte. na entrada. será determinado mediante aplicação das alíquotas constantes das tabelas dos Anexos I a VI desta Lei Complementar sobre a base de cálculo de que trata o § 3o deste artigo. 3o. 18. Esses tributos são citados no § 1º do artigo 13 da Lei Complementar nº 123/2006. 15. Isso porque. Senac São Paulo. para cada atividade. se a empresa executa atividades de comércio e indústria. por exemplo. de petróleo. deverá segregar seu faturamento de acordo a atividade desempenhada. Essas tabelas são anexos à Lei Complementar nº 123/2006 e estão assim divididas: • Anexo I – comércio.  § 1º Para efeito de determinação da alíquota. • Anexo VI – prestação de serviços relacionados no parágrafo 5º-I do art. optante pelo Simples Nacional. Acompanhe: Art. observado o disposto no § 15 do art. inclusive lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos dele derivados. o sujeito passivo utilizará a receita bruta acumulada nos 12 (doze) meses anteriores ao do período de apuração. • Anexo II – indústria. quando não destinados à comercialização ou à industrialização. • Anexo IV – construção de imóveis e obras de engenharia em geral. no território do estado ou do Distrito Federal. O artigo 18 da Lei Complementar nº 126/2006 explica como as empresas comerciais devem efetuar o cálculo do Simples Nacional. • Relativo ao ISS na importação de serviços.

destacadamente. em caráter pessoal. sendo essa opção irretratável para todo o ano-calendário.Normas e Práticas Tributárias § 2º Em caso de início de atividade. podendo tal incidência se dar.Todos os Direitos Reservados 10 . que serão tributadas na forma do Anexo I desta Lei Complementar. as receitas decorrentes da: I - revenda de mercadorias. IV - prestação de serviços de que tratam os §§ 5o-C a 5o-F e 5o-I deste artigo. que serão tributadas na forma do Anexo II desta Lei Complementar. as receitas: I. na forma regulamentada pelo Comitê Gestor. deduzida a parcela correspondente ao ICMS e acrescida a parcela correspondente ao ISS prevista no Anexo III desta Lei Complementar. III -  prestação de serviços de que trata o § 5o-B deste artigo e dos serviços vinculados à locação de bens imóveis e corretagem de imóveis desde que observado o disposto no inciso XV do art. O contribuinte deverá segregar. § 3º Sobre a receita bruta auferida no mês incidirá a alíquota determinada na forma do caput e dos §§ 1º e 2º deste artigo. para fim de pagamento. que serão tributadas na forma do Anexo III desta Lei Complementar. produzidos no próprio estabelecimento após o atendimento inicial. sobre a receita recebida no mês. VII - comercialização de medicamentos e produtos magistrais produzidos por manipulação de fórmulas: a)  sob encomenda para entrega posterior ao adquirente. que serão tributadas na forma do Anexo III desta Lei Complementar. que o imposto já tenha sido recolhido por substituto tributário ou por antecipação Senac São Paulo. 17. deduzida a parcela correspondente ao ISS. quando serão tributadas na forma do Anexo I desta Lei Complementar. que serão tributadas na forma do Anexo II desta Lei Complementar. que serão tributados na forma do Anexo III desta Lei Complementar. § 4o-A. decorrentes de operações ou prestações sujeitas à tributação concentrada em uma única etapa (monofásica). V - locação de bens móveis. b) nos demais casos. § 4º O contribuinte deverá considerar. II  -  venda de mercadorias industrializadas pelo contribuinte. também. à opção do contribuinte. mediante prescrições de profissionais habilitados ou indicação pelo farmacêutico. VI - atividade com incidência simultânea de IPI e de ISS. em relação ao ICMS. os valores de receita bruta acumulada constantes das tabelas dos Anexos I a VI desta Lei Complementar devem ser proporcionalizados ao número de meses de atividade no período. bem como. que serão tributadas na forma prevista naqueles parágrafos.

Normas e Práticas Tributárias
tributária com encerramento de tributação;
II. sobre as quais houve retenção de ISS na forma do § 6o deste artigo e § 4o do
art. 21 desta Lei Complementar, ou, na hipótese do § 22-A deste artigo, seja
devido em valor fixo ao respectivo município;
III. sujeitas à tributação em valor fixo ou que tenham sido objeto de isenção
ou redução de ISS ou de ICMS na forma prevista nesta Lei Complementar;
IV. decorrentes da exportação para o exterior, inclusive as vendas realizadas
por meio de comercial exportadora ou da sociedade de propósito específico
prevista no art. 56 desta Lei Complementar;
V. sobre as quais o ISS seja devido a Município diverso do estabelecimento
prestador, quando será recolhido no Simples Nacional. (BRASIL, 2006).

Perceba que as empresas deverão segregar os valores de receitas para que sejam
aplicadas as alíquotas correspondentes a cada atividade desempenhada. O contribuinte
deverá considerar a receita bruta acumulada dos últimos meses para o cálculo do Simples
Nacional. Caso esteja no ano-calendário do início de suas atividades, os valores das receitas
acumuladas devem ser proporcionais aos meses de atividades daquele período.

7 Recolhimento
Os tributos devidos pelo Simples Nacional devem ser recolhidos até o último dia útil
da primeira quinzena do mês seguinte àquele em que foi auferida a receita bruta. Esse
recolhimento deve ser feito no CNPJ do estabelecimento matriz e deve levar em consideração
as isenções ou reduções na base de cálculo do ICMS que são estabelecidas pelos estados ou
pelo Distrito Federal. Reduções na base de cálculo do ISS também podem ser estabelecidas
pelos municípios, mas devem estar previstas em legislação posterior a 1º de julho de 2007 e
serem válidas para ME ou EPP optante pelo Simples Nacional.
Esses tributos serão pagos por meio de um documento único de arrecadação em banco
integrante da rede arrecadadora do Simples Nacional.

8 Livro Caixa e Escrituração Contábil
Para fins fiscais, o contribuinte fica desobrigado da escrituração contábil. Basta que ele
escriture o livro caixa e o livro registro de inventário, nos quais devem constar os estoques
existentes ao final de cada ano. Apesar de a legislação permitir que empresas tributadas
pelo Simples Nacional não mantenham a escrituração contábil, é importante frisar que
as empresas devem manter a escrituração por diversos motivos. Por exemplo: o Código
Comercial Brasileiro diz que a escrituração contábil completa serve de instrumento de prova
em juízo em casos de acertos de direitos dos sócios, acionistas, seus herdeiros ou sucessores.
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Normas e Práticas Tributárias

Pelo livro caixa, é contabilizada somente a movimentação financeira. Não é possível
registrar as compras e vendas a prazo e empréstimos, portanto, não se tem uma visão dos
valores a pagar e a receber. Além disso, o levantamento das demonstrações contábeis de
forma adequada reduz a insegurança e os prejuízos que podem ser acarretados pela falta
de registro dos direitos e obrigações. A contabilidade organizada é fundamental como
instrumento de tomada de decisões.

9 Declaração única e simplificada
As microempresas e empresas de pequeno porte deverão apresentar anualmente, para
a Receita Federal, uma declaração única e simplificada de informações socioeconômicas e
fiscais, de acordo com o art. 25 da Lei Complementar nº 123/2006. Para o fisco, essa declaração
representa uma confissão de dívida do contribuinte e torna-se um instrumento hábil para a
exigência dos tributos e contribuições. Ela também evidencia situações de inatividade, isto é,
empresas que não apresentem mutações patrimoniais e atividades durante todo o ano.

10 Notas fiscais e créditos acumulados
As empresas optantes pelo Simples Nacional deverão emitir os documentos fiscais
previstos na legislação tributária. Utilizando as Notas Fiscais modelo 1 ou 1-A ou, ainda, o
Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas, a empresa deverá inutilizar os campos
destinados à base de cálculo e ao imposto destacado. Em campo destinado às informações
complementares, a empresa deverá citar:
Documento emitido por ME ou EPP Optante pelo Simples Nacional e não gera
direito a crédito fiscal de ICMS.
Se a operação for de substituição tributária, também deverá constar:
Base de cálculo do imposto próprio incidente e o valor do ICMS incidente.
Em empresas optantes pelo Simples Nacional, não há o crédito do ICMS. Portanto, esse
crédito também não pode ser transferido. Dessa forma, o saldo de créditos acumulados deve
ser estornado. É importante destacar, também, que uma das mudanças trazidas pela Lei
Complementar 147/2014 determina que, a partir de 2015, as empresas terão dois limites de
enquadramento para o Simples Nacional: o de venda no mercado interno e o de exportação
de mercadorias e de serviços para o exterior. As obrigações acessórias estipuladas pela CGSN
para empresas optantes pelo Simples Nacional são: o PGDAS-D, que é um aplicativo no qual
o contribuinte efetua os cálculos dos tributos devidos e emite a guia de pagamento (DAS)
mensalmente; e a DEFIS, anualmente, que é a Declaração de Informações Socioeconômicas
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Normas e Práticas Tributárias

e Fiscais.

11 Exclusão do Simples Nacional
Três motivos podem fazer as microempresas e empresas de pequeno porte serem
excluídas do Simples Nacional:
• exclusão por opção;
• exclusão por comunicação obrigatória;
• exclusão de ofício (pelo fisco).
Quando não existe nenhuma situação de exclusão obrigatória e o contribuinte deseja
deixar de ser optante pelo Simples Nacional, ocorre a exclusão por opção. Ela deve ser
comunicada pela internet, por meio do Portal do Simples Nacional, a qualquer tempo. Porém,
ela irá produzir efeitos a partir de 1º de janeiro do ano-calendário seguinte. Caso a solicitação
seja feita em janeiro, os efeitos se darão no mesmo ano.
“A exclusão por comunicação obrigatória ocorre quando a ME ou EPP está incorrendo
em alguma situação que impede a sua permanência no Simples Nacional” (OLIVEIRA et al.,
2014, p. 396). Se acontecer alguma situação de impedimento, o contribuinte tem a obrigação
de comunicar a sua exclusão.
A exclusão de ofício se dará quando ocorrerem algum dos fatos citados no art. 29,
incisos I a XII, da Lei Complementar 123/2006. Em resumo, Oliveira et al. (2014, p. 396) nos
apresentam esses fatos:
• Falta de comunicação de exclusão obrigatória;
• Falta de emissão de nota fiscal;
• Omissão da folha de pagamento da empresa ou de documento de informações
previsto pela legislação previdenciária, trabalhista ou tributária, segurado
empregado, trabalhador avulso ou contribuinte individual que lhe preste serviço;
• Embaraço à fiscalização (recusa a exibir livros, documentos, informações sobre
bens e movimentação financeira);
• Resistência à fiscalização (negativa de acesso ao estabelecimento ou ao local de
atividades ou bens);
• Constituição (da empresa) por interpostas pessoas;
• Prática reiterada de infração;
• Inaptidão da empresa, na forma dos arts. 80 e 81 da Lei nº 9.430, de 27 de
dezembro de 1996, e alterações posteriores;
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Normas e Práticas Tributárias
• Comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho;
• Falta de escrituração do livro-caixa ou não permitir a identificação da
movimentação financeira, inclusive bancária;
• Despesas pagas superam 20% (vinte por cento) o valor de ingressos de recursos
no mesmo período, excluído o ano de início de atividade;
• Aquisições de mercadorias para comercialização ou industrialização, ressalvadas
hipóteses justificadas de aumento de estoque, superior a 80% (oitenta por
cento) dos ingressos de recursos no mesmo período, excluído o ano de início de
atividade.

A exclusão de ofício é feita pelas administrações tributárias federal, estaduais ou do
Distrito Federal. Caso o contribuinte queira fazer uma impugnação contra a exclusão do
Simples Nacional, esta deverá ser protocolada na administração tributária na qual foram
apontadas as irregularidades.

Considerações finais
Nesta aula, estudamos aspectos relativos ao regime de tributação do Simples Nacional.
Entendemos que as empresas que podem se enquadrar nesse regime são as microempresas
e as empresas de pequeno porte. Entende-se por microempresa aquela que auferir receita
bruta igual ou inferior a R$ 360.000,00 e por empresa de pequeno porte aquela que auferir
receita bruta superior a R$ 360.000,00 e igual ou inferior a R$ 3.600.000,00.
A Lei Complementar nº 123/2006, regulamenta esse assunto e traz também as tabelas
de alíquotas que incidem sobre o faturamento das empresas que optam pelo Simples
Nacional. Essa lei teve diversas alterações trazidas pela Lei Complementar nº 147/2014, as
quais entraram em vigor a partir de 2015.
Estudamos o conceito de receita bruta no Simples e como funciona a opção por esse
regime. Esse é um regime muito vantajoso para as empresas, porém, para saber se ele é
exatamente o melhor, é preciso analisar diversas variáveis – o número de empregados da
empresa, por exemplo. Com base em bons planejamentos, é possível avaliar os benefícios ou
não da adoção desse sistema em cada caso específico.

Referências
BRASIL. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Diário Oficial da União,
Brasília, DF, 10 jan. 2002. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/
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et al. 2015. Lei Complementar nº 123. 2014. Altera as Resoluções CGSN nº 3. 2011. 11. DF. de 14 de dezembro de 2006. Disponível em: <http://www. de 24 de julho de 1991.receita. de 11 de janeiro de 1990. de 14 de dezembro de 2006.gov. de 14 de dezembro de 2006 .º 9. e dá outras providências. de 24 de julho de 1991. de 8 de junho de 1973.Normas e Práticas Tributárias ______. e a Lei no 8. 11. de 14 de dezembro de 2006. DF. e as Leis nos 5. 14 dez. de 2 de dezembro de 2014. DF.gov. da Lei nº 10. Disponível em: <http://www. Manual de Contabilidade Tributária: análise dos impactos tributários das leis 11.889. de 15 de janeiro de 2007. de 10 de novembro de 2011. 2015. que dispõe sobre a composição da Secretaria-Executiva do Comitê Gestor do Simples Nacional – CGSN/SE. de 5 de outubro de 1999. 10. Diário Oficial da União.598. as contratações de seguro no exterior e as operações em moeda estrangeira do setor securitário.101.º 8.br/Legislacao/Resolucao/2014/CGSN/Resol117. planalto.406.452. de 19 de dezembro de 2008. 10. DF. de 26 de setembro de 1995. e dá outras providências. ______. e dá outras providências. de 9 de fevereiro de 2005. altera as Leis nº 8.planalto. Acesso em: 6 jan.htm>. da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT. Rio de Janeiro: Freitas Bastos. 2011.receita. de 3 de dezembro de 2007.fazenda. 2015.666.213. 19 dez. altera dispositivos das Leis n. da Lei Complementar nº 63. aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.941/09. altera o DecretoLei no 73. de 10 de janeiro de 2002 – Código Civil . L. Brasília. ______. de 12 de abril de 1990. 2007.Todos os Direitos Reservados 15 .htm>. 10 nov. 2015. Diário Oficial da União. de 29 de novembro de 2011. ______. 2015.br/ccivil_03/leis/lcp/ lcp139. Acesso em: 6 jan. OLIVEIRA. ______. PÊGAS. DF. de 10 de janeiro de 2002.gov. Altera dispositivos da Lei Complementar no 123.031. Diário Oficial da União. e dá outras providências.planalto. Acesso em: 6 jan. 8. 2015.029. Diário Oficial da União. Brasília. de 12 de abril de 1990. Disponível em: <http://www. 2014. 9. Disponível em: <http://www.gov.099. e 8.gov. e revoga as Leis n. Disponível: <http://www18.htm>. 2 dez.fazenda.934.212. 8. Brasília. de 7 de agosto de 2014. Brasília. DF. São Paulo: Atlas (e-book). Brasília. Diário Oficial da União. 2006.212 e 8. de 28 de maio de 2007.fazenda.406. análise dos impactos tributários do CPC. Resolução nº 117. de 14 de fevereiro de 2001 . as operações de co-seguro. Manual de Contabilidade Tributária: Textos e Testes com as Respostas. Lei Complementar nº 139. Lei Complementar nº 128.638/07 e 11.htm>. 2008. de 21 de junho de 1993. retrocessão e sua intermediação. Senac São Paulo. de 1º de maio de 1943.189. Lei Complementar nº 147. Altera a Lei Complementar nº123. Dispõe sobre a política de resseguro.br/Legislacao/LeisComplementares/2006/ leicp123. e 9. Diário Oficial da União. 8.htm>. de 5 de dezembro de 1996 . Disponível em: <http://www. de 18 de novembro de 1994.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp147.htm>. Brasília. Acesso em: 6 jan. H. que dispõe sobre o Simples Nacional e dá outras providências. 2014. de 21 de novembro de 1966. M.213.br/legislacao/LeisComplementares/2008/leicp128. Acesso em: 2 mar.receita.841. Institui o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte. Acesso em: 2 mar. 15 jan.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp126.gov. ambas de 24 de julho de 1991. 7 ago. Lei Complementar nº 126.317. P. Altera a Lei Complementar no 123. e nº 94. ______.

Temas Introdução 1 Conceitos gerais acerca dos incentivos fiscais 2 Forma de apresentação das declarações do imposto de renda das pessoas jurídicas 3 Incentivos fiscais Considerações finais Referências Professora Rubia Carla Erthal .Normas e Práticas Tributárias Aula 13 Incentivos fiscais Objetivos Específicos • Identificar a existência cada vez maior de exceções à tributação e identificar onde há melhores oportunidades de investimento.

para que possa ser adotado e divulgado aos empresários e demais interessados. Atividade Audiovisual. por meio de doações e incentivos do governo. algumas leis surgiram com o intuito de incentivar as empresas a colaborarem com tais instituições. Porém. o governo concede incentivos fiscais às empresas por meio de legislação específica. o Programa de Desenvolvimento Tecnológico Agropecuário (PDTA). As doações não têm custo para os contribuintes. por sua vez. Doações: transferências gratuitas. abordaremos algumas formas de incentivos fiscais para as doações que podem ser feitas pelas empresas. As empresas investem e colaboram com esse tipo de entidade. Quase sempre. FINAM e FINOR. p. É o que chamamos de incentivos fiscais. em caráter definitivo. Veja a diferença. promovem a cultura e valorizam as suas marca. (2014. o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). investimento e imobilizações. Muitas vezes. Para isso. É preciso que você entenda que incentivo fiscal não é o mesmo que doação. ainda são muito limitados e boa parte dos filantropos ainda não os conhecem totalmente. Por isso. Atividade Cultural ou Artística. de recursos financeiros ou do direito de propriedade de bens. Atividade de Caráter Desportivo. 401): Incentivo fiscal: renúncia total ou parcial de receita fiscal do Governo em favor de entidades públicas ou privadas com objetivo de geração de benefícios sociais e econômicos. de acordo com Oliveira et al. Podemos citar como exemplos de incentivos fiscais o Fundo da Criança e do Adolescente. 1 Conceitos gerais acerca dos incentivos fiscais Com o objetivo de destinar uma parte da arrecadação do Imposto de Renda para atividades que precisam do apoio federal para seu desenvolvimento. essas entidades eram mantidas por igrejas e pela iniciativa privada. no Brasil. além de obterem redução no recolhimento de impostos. esta aula visa apresentar e esclarecer aspectos relacionados a esse assunto. como única opção de manter uma vida mais digna. são impulsionadas a ocupar espaço na solução das desigualdades sociais devido às deficiências do poder público.Todos os Direitos Reservados 2 . com finalidade de custeio. poucos também os conhecem e os realizam. Os incentivos fiscais. Senac São Paulo. o Programa de Desenvolvimento Tecnológico Industrial (PDTI). algumas pessoas menos afortunadas procuram por entidades filantrópicas que.Normas e Práticas Tributárias Introdução O objetivo desta aula é apresentar como as pessoas jurídicas podem captar recursos por meio de leis de incentivo e de isenção tributária. porém.

antes de apresentarmos as modalidades de benefícios fiscais. os quais estão distribuídos em diversos artigos do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). 2014. p. “Lucro Real é o lucro líquido do período.1 Declaração de ajuste anual pelo lucro real Para determinar a parcela do lucro que será destinada ao governo. mostraremos. 2 Forma de apresentação das declarações do imposto de renda das pessoas jurídicas As deduções referentes aos incentivos fiscais são permitidas somente para os contribuintes pessoas jurídicas que optem pelo Lucro Real. Ela não alcança o adicional de 10% nem a contribuição social sobre o lucro. apurado pela Contabilidade.Normas e Práticas Tributárias “No Brasil. Pela forma de trituração pelo Lucro Real. 2014. 2. 401). uma das formas de apuração é o Lucro Real. p. resumidamente. Os incentivos fiscais recaem somente sobre a alíquota de 15% do Imposto de Renda. Senac São Paulo. Por isso.. as formas de apresentação das declarações para ajuste anual do imposto de renda. a empresa irá calcular o valor do imposto de renda e da contribuição social a pagar.. os incentivos fiscais para as doações são muito limitados e vêm sendo reduzidos nos últimos anos” (OLIVEIRA et al.Todos os Direitos Reservados 3 . Dessa forma. 402). com a observância dos princípios fundamentais e normas oficiais de contabilidade” (OLIVEIRA et al. Diversas leis regulamentam os incentivos fiscais. de acordo com o lucro apurado nos demonstrativos contábeis. é possível fazer uso dos benefícios dos incentivos fiscais.

administração de contas a pagar e a receber.000.430/1996. escrituração contábil completa. empresas de arrendamento mercantil. outras situações podem concorrer para essa opção: • cujas atividades sejam de bancos comerciais. sociedades de crédito. exclusões ou prescrições que o Regulamento do Imposto de Renda autoriza.00. Essa é uma forma um pouco mais simplificada do que o Lucro Real. ele deve ser ajustado pelas adições. As empresas obrigadas a optar pelo Lucro Real são aquelas que tiverem receita bruta anual superior a R$ 78. na forma do art. valores mobiliários e câmbio. no decorrer do ano-calendário. Registro de Apuração do ICMS e do IPI. caixas econômicas. Registro das Entradas e Saídas de Mercadorias. Lalur. gestão de crédito.Todos os Direitos Reservados 4 . distribuidora de títulos e valores mobiliários. • que. financiamento e investimento. • que explorem as atividades de securitização de créditos imobiliários. sociedades de crédito imobiliário. Registro de Prestação de Serviços etc. autorizadas pela legislação tributária. rendimentos ou ganhos de capital oriundos do exterior. escrituração de livros fiscais e contábeis (Razão Contábil. cooperativas de crédito. empresas de seguros privados e de capitalização e entidades de previdência privada aberta. Além disso. 2. • que tiverem lucros. visto que o imposto é calculado sobre as receitas das empresa em Senac São Paulo. seleção e riscos. sociedades corretoras de títulos. tais como observância dos princípios de contabilidade. Registro de Inventário. compras de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring).Normas e Práticas Tributárias Após apurar o lucro. bancos de investimentos. Esse ajuste deve ser feito no Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur).2 Declaração de ajuste anual pelo lucro presumido Além do Lucro Real. financeiros e do agronegócio. • que. é necessário que a contabilidade siga um conjunto de procedimentos. • que explorem as atividades de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia. temos também o regime do Lucro Presumido para a apuração do imposto de renda e da contribuição social. constituição de provisões necessárias. Para isso. Com base na escrituração contábil das empresas e após sofrer os ajustes de adições e exclusões. 2 da Lei 9. mercadológica. tenham efetuado pagamento mensal pelo regime de estimativa. bancos de desenvolvimento.) e preparação das demonstrações contábeis. usufruam de benefícios fiscais relativos à isenção ou redução do imposto.000. o Lucro Real é apurado.

qual o retorno que proporcionam e qual a redução que pode ser obtida no imposto de renda devido pelas empresas. do Regulamento do Imposto de Renda: Art. pois algumas empresas não podem fazer uso desses incentivos. como o próprio nome diz. mas empresas tributadas com base no Lucro Presumido não terão qualquer abatimento em seus tributos em função dessas doações. 3 Incentivos fiscais Estudaremos.1 Doações para incentivos culturais.Normas e Práticas Tributárias determinado período. às instituições de ensino e pesquisa e às instituições civis legalmente constituídas sem fins lucrativos Senac São Paulo. 1999). III - as empresas instaladas em Zona de Processamento de Exportação - ZPE. a seguir. Quem determina isso é o artigo 614.Todos os Direitos Reservados 5 . para entendermos melhor como utilizar cada um deles. As empresas que podem optar pelo Lucro Presumido são aquelas que não estão obrigadas à opção pelo Lucro Real. o lucro é presumido. 3. é preciso estar atento. V -  as empresas referidas no  §  2º  do art. Porém. visto que esse benefício é somente para as pessoas jurídicas tributadas pelo Lucro Real. VI - as pessoas jurídicas com registro no Cadastro Informativo de créditos não quitados do setor público federal – CADIN. As empresas tributadas pelo Lucro Presumido não gozam de qualquer benefício em decorrência dos incentivos fiscais. as empresas que optarem pelo lucro presumido não precisarão manter a escrituração contábil. (BRASIL. relativamente à parcela do lucro inflacionário tributada à alíquota de seis por cento. 541. Nesse regime. IV - as microempresas - ME e empresas de pequeno porte - EPP. 614 Não podem se beneficiar da dedução dos incentivos de que trata este Capítulo: I - as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido. optantes pelo SIMPLES. Para fins fiscais. basta que escriturem o livro caixa dentro das formalidades fiscais. II - as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro arbitrado. as empresas estão livres para fazerem doações. Esse regime poder ser adotado por determinados tipos de empresas e firmas individuais. com base em um percentual determinado pela legislação. o funcionamento e o controle contábil de cada incentivo fiscal. Portanto.

ficou conhecida como a Lei Rouanet. Essas atividades específicas são áreas que necessitavam de maior apoio por parte do Ministério da Cultura. Nessa lei.313.249. que poderão funcionar também como centros culturais comunitários. “A Lei nº 8. Senac São Paulo. de 26 de dezembro de 1995. museus. bem como treinamento de pessoal e aquisição de equipamentos para a manutenção desses acervos.Normas e Práticas Tributárias A Lei nº 9. 18. p. A Lei nº 9. Sérgio Paulo Rouanet” (PÊGAS.Todos os Direitos Reservados 6 . 489). e g) preservação do patrimônio cultural material e imaterial.874.313/91. literário ou humanístico. (BRASIL. de 23/dez/91. em Municípios com menos de 100. arquivos públicos e cinematecas. homenagem ao Ministro da Cultura da época. Nesse tipo de incentivo. e)  doações de acervos para bibliotecas públicas. Os incentivos a atividades específicas está definido no art.313. de 23 de dezembro de 1991. 18 da Lei Rouanet. 1991). de 23 de novembro de 1999. estabelece a possibilidade da dedução das deduções no cálculo do Imposto de Renda das pessoas jurídicas. § 3º. A dedução do incentivo tradicional e de atividades específicas é limitada a 4% do imposto de renda devido. em § 2º. d) exposições de artes visuais. existem dois tipos de incentivos que podem ser concedidos: o tradicionalmente conhecido como Lei Rouanet e o incentivo a atividades específicas. 2011. h) construção e manutenção de salas de cinema e teatro.313/91) : a) artes cênicas. Por que os incentivos fiscais são concedidos somente à empresas tributadas pelo Lucro Real? Na atividade cultural. estão enquadradas as seguintes atividades (Art. Lei 8. os incentivos fiscais das atividades culturais ou artísticas foram tratadas. b) livros de valor artístico. c) música erudita ou instrumental. Ela cita que podem ser deduzidas as doações estabelecidas na Lei nº 8. alíquota básica.000 (cem mil) habitantes. deu nova redação a diversos artigos da Lei 8. f) produção de obras cinematográficas e videofonográficas de curta e média metragem e preservação e difusão do acervo audiovisual.

490). 2011): suponha que uma empresa tenha obtido um lucro de R$ 1.000.00 R$ 310. com o patrocínio. A dedução também é limitada a 4% do valor da alíquota básica. teremos R$ 322. p.000. Senac São Paulo. R$ 20.00.874/99.800. podese aplicar o incentivo fiscal de 30% do valor do patrocínio.000.000. Para um melhor entendimento.800. terá um lucro de R$ 1.000. definido no art.000.000.00) R$ 322. a empresa terá R$ 310. nesse caso.00 antes do Imposto de Renda e da Contribuição Social.000. engloba outras atividades não definidas na Lei 9.00 R$ 90. com o patrocínio e sem ele.000.000.00 IR – Alíquota de 15% R$ 153. que será deduzido diretamente do imposto devido.000.00 CSLL – Alíquota de 9% R$ 91.000. Na Tabela 1.00 a pagar. Acompanhe: se a empresa não fizer o patrocínio de R$ 20.000.00 R$ 0.00 R$ 150.020.00 Fonte: Pêgas (2011. O incentivo fiscal tradicional. cujo enredo foi enquadrado na Lei Rouanet. Além disso. Considerando um patrocínio para uma escola de samba no valor de R$ 20.00 x 30% = R$ 6.000. representando uma economia de R$ 12. 25 da Lei Rouanet. Assim. mas.00 R$ 76.00.Todos os Direitos Reservados 7 .Normas e Práticas Tributárias No limite máximo de 4%. Aplicando as alíquotas dos impostos. seu lucro diminui em R$ 20.800. Conheça mais sobre benefícios fiscais no link disponível na midiateca. A despesa será dedutível nas bases de Imposto de Renda e Contribuição Social. serão deduzidos 40% das doações e 30% nos patrocínios.020.00 R$ 1. Logo.00 (-) Incentivo Fiscal Total de IR + CSLL devido Economia de IR e CSLL obtida com incentivo à cultura R$ 12. esses incentivos são deduzidos integralmente do imposto de renda (alíquota básica).00 IR – Adicional de 10% R$ 78.000.00. podemos verificar um comparativo dos valores a pagar de impostos. se ela fizer o patrocínio.00.020.00. podemos fazer a seguinte comparação: Tabela 1 – Apuração do IR devido Sem cultura Lucro antes do IR + CSLL Com cultura R$ 1.00 de Imposto de Renda e Contribuição Social a pagar.000.00.800.000. Mas.800. segue um exemplo (PÊGAS.000.00 (R$ 6.

fornecida pela entidade beneficiária. III . 9% de Contribuição Social (pela dedutibilidade da despesa). Esse patrocínio representou uma despesa dedutível nas bases de Imposto de Renda e Contribuição Social. obtido por 25% de Imposto de Renda.000.800. No caso das doações.00 = R$ 2. No nosso exemplo.00 de recursos próprios (R$ 20. e respectivos dependentes. e a não Senac São Paulo.00 de impostos contra uma despesa de R$ 20. II.00 = R$ 3.800.Todos os Direitos Reservados 8 . sendo 34% de Imposto de Renda e Contribuição Social.00 na Contribuição Social (R$ 91.00 – R$ 90.000. legalmente constituídas no Brasil. “O limite conjunto dos incentivos à atividade audiovisual e cultural ou artístico é de 4% do IR devido. antes de computada a sua dedução. podemos concluir que a empresa investiu R$ 20. 491). antes de computada a sua dedução e a de que trata o inciso seguinte.000.000. o retorno chega a 74%. ou em benefício da comunidade onde atuem.00 no Imposto de Renda (R$ 153.00 e R$ 78.000.00) e de R$ 5.000.000.. quando em dinheiro. mais 40% de redução direta no Imposto de Renda devido. Em outras palavras.. também houve uma redução de R$ 1.00 x 64% = R$ 12.00 nos tributos.000. logo.000. até o limite de um e meio por cento do lucro operacional. b) a pessoa jurídica doadora manterá em arquivo. Lembrando que. foi o que aconteceu: R$ 20. a empresa contribui com uma parte por meio de recursos próprios. os incentivos da Lei Rouanet representam um retorno de até 64% do valor investido em patrocínios. à disposição da fiscalização.800. nesse tipo de incentivo.800.00 para o patrocínio. segundo modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal. serão feitas mediante crédito em conta corrente bancária diretamente em nome da entidade beneficiária.000. Dessa forma. alíquota básica” (PÊGAS. sendo que ela colocou R$ 7. que prestem serviços gratuitos em benefício de empregados da pessoa jurídica doadora.000.00). observadas as seguintes regras: a) as doações. mais 30% de redução direta no Imposto de Renda.as doações. p.Normas e Práticas Tributárias Ou seja. efetuadas a entidades civis.000. a empresa teve uma redução de R$ 12. com identificação da pessoa física responsável pelo seu cumprimento.as efetuadas às instituições de ensino e pesquisa cuja criação tenha sido autorizada por lei federal e que preencham os requisitos dos incisos I e II do art.00 – R$ 150. até o limite de dois por cento do lucro operacional da pessoa jurídica. 213 da Constituição Federal.249/95 estabelece que também poderão ser deduzidas as seguintes doações: I – [.00.00 – R$ 76.200. em que esta se compromete a aplicar integralmente os recursos recebidos na realização de seus objetivos sociais. declaração.800.00 e obteve redução de R$ 12. O § 2º da Lei nº 9. 2011.00 – R$ 12.800. A empresa deve avaliar com cautela a melhor área a ser investida.]. pois uma área que apresenta menor retorno diretamente pode proporcionar melhores resultados indiretamente e ser mais atraente para a empresa.00). sem fins lucrativos.

(BRASIL.00. visto que ela já reduz o valor do imposto de renda no limite de 1%. Ou seja. Se a doação for de R$ 150. De acordo com o art. alíquota básica.00 = R$ 17. de 13 de julho de 1990. 1995). as doações efetuadas para os fundos federais. 260 dessa lei. Mas. essa doação não é contabilizada como dedução direta do Imposto de Renda.069. Nesse caso. nos artigos 581 a 589. “O valor da doação deve ser adicionado nas bases do IR e da CSLL. Esse incentivo foi instituído em 1976 e seu tratamento fiscal está consolidado no Regulamento do Imposto de Renda. bonificações ou vantagens a dirigentes. somente R$ 180. o que quer dizer que a empresa entra com R$ 20. 481). o imposto de renda passará a ser: R$ 18.00 não será deduzida nas bases de imposto de renda e contribuição social.00 de recursos próprios para o fundo da criança e do adolescente. distrital. o único benefício fiscal é que elas podem deduzir esse valor como despesa operacional. c) a entidade civil beneficiária deverá ser reconhecida de utilidade pública por ato formal de órgão competente da União. 3. esse valor será reduzido do imposto de renda devido. sob nenhuma forma ou pretexto. Isso quer dizer que o valor da doação será adicionado ao lucro real para evitar que a despesas seja deduzida duas vezes. Os R$ 200. Se ela fizer uma doação de R$ 180.820. somente esse valor será reduzido do imposto de renda.3 Programa de alimentação ao trabalhador As empresas que adotam o Programa de Alimentação ao Trabalhador (PAT) para fornecerem alimentação aos seus empregados podem deduzir diretamente em seu imposto de renda parte do valor pago a título de despesas de alimentação. 2011.00 e pague imposto de renda de R$ 18. Por exemplo: suponha que uma empresa tenha lucro real de R$ 120.000. mantenedores ou associados.00. Para as empresas que apuram o IR e a CSLL pelo Lucro Real e efetuam doações às entidades sem fins lucrativos enquadradas nas condições da Lei 9. Essa dedução poderá alcançar 1% do valor do Imposto de Renda. 3.00 serão adicionados às bases fiscais. se a doação for de R$ 200.249/95. estaduais e municipais de Direitos da Criança e dos Adolescentes poderão ser deduzidas do Imposto de Renda das pessoas jurídicas.00 (alíquota de 15%).00 – R$ 180.00. independentemente da parcela incentivada” (PÊGAS.000. mas sim como despesa operacional na pessoa jurídica.00 (1% do IR) será deduzido do IR devido.00. A despesa de R$ 180.000.Todos os Direitos Reservados 9 . Senac São Paulo. p.2 Fundo da criança e do adolescente A Lei nº 8.Normas e Práticas Tributárias distribuir lucros. dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente.

O valor incentivado. Mas. Dos dois. p. para que serve o registro no PAT então? Além de deduzir integralmente a despesa com alimentação das bases do IR e CSLL. ou seja. Para que a despesa com alimentação seja dedutível. Até seis meses após a rescisão do contrato de trabalho. As refeições pagas pela empresa a seus funcionários e contratados em serviços temporários irão compor a despesa com PAT.Normas e Práticas Tributárias “Para utilização do incentivo. poderá deduzir uma parte dela diretamente do imposto de renda devido. 481).99 por refeição. a empresa deve ser cadastrada no PAT. é recomendável que o valor pago seja compatível com a necessidade de alimentação do trabalhador durante o horário de trabalho. 2011. o departamento pessoal das empresas efetua os trâmites burocráticos para esse cadastramento. Toda a despesa com refeições é deduzida integralmente das bases de imposto de renda e contribuição social.99 x 15%) ou 15% da Despesa com alimentação. será obtido por: Número de refeições fornecidas x (R$ 1. algumas regras devem ser obedecidas. Caso as refeições sejam feitas na própria empresa. cujo programa pertence ao Ministério do Trabalho” (PÊGAS. todos os custos diretos e exclusivos do serviço de alimentação serão admitidos como despesas de custeio. o menor A maioria das empresas paga mais de R$ 1. essa extensão é limitada ao período de cinco meses. mão de obra. Porém. Senac São Paulo. não é necessário o registro no PAT. se a empresa tiver o registro no PAT. Porém. a empresa ainda pode conceder o benefício do vale-refeição ou refeição própria. Todos os funcionários da empresa podem fazer parte do benefício. a ser deduzido do IR devido. pois não cabe ao fisco analisar o valor despendido com alimentação. o limite de 15% da despesa com alimentação raramente é utilizado. Isso independe do valor que a empresa paga para cada funcionário. Porém. esse benefício pode ser estendido caso o funcionário esteja com seu contrato suspenso para participar de curso ou programa de qualificação. Geralmente. Além disso. portanto. Por exemplo: matériaprima. Cabe lembrar que esse benefício fica limitado a 4% do imposto de renda (alíquota básica de 15%).Todos os Direitos Reservados 10 . mas especialmente aqueles que ganham até cinco salários mínimos devem ser atendidos. encargos decorrentes de salários e gastos de energia diretamente relacionados ao preparo e à distribuição das refeições. vinculado ao Ministério do Trabalho.

Os seguintes incentivos fiscais são concedidos a empresas que adotarem estes programas (PÊGAS. 3. como despesa operacional. Crédito de 20% (até 31/dez/2007. Depreciação acelerada. a título de royalties. A depreciação acelerada poderá ser utilizada para máquinas. da soma dos pagamentos em moeda nacional ou estrangeira. 483). mediante dedução como custo ou despesa operacional. inclusive pagamentos a terceiros. caracteriza-se como uma diferença temporária. Assim. 2011. sem prejuízo da depreciação normal. averbados nos termos do Código de Propriedade Industrial. poderá ser aproveitado nos dois anos subsequentes. a partir da segunda metade da vida útil do bem. Dedução pelas empresas industriais ou agropecuárias de tecnologia de ponta ou de bens de capital não-seriados. até o limite de 4% do IR devido (alíquota básica). até o limite de 10% da receita líquida das vendas de bens produzidos com a aplicação da tecnologia objeto desses pagamentos. nos termos do Código de Propriedade Industrial. p. equipamentos. calculada pela aplicação da taxa de depreciação usualmente admitida. Amortização acelerada. Dedução. 2011. 2011. a depreciação continua sendo registrada normalmente. Caso não possa ser aproveitado no ano em função desse limite. Na apuração do lucro tributável. este benefício tem o limite de 4% do Imposto de Renda devido. 5. p. (PÊGAS. (PÊGAS. Na contabilidade. A partir de 2008 cairá para 10%) do imposto retido na fonte incidente sobre os valores remetidos e creditados a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. pois. 4.Todos os Direitos Reservados 11 . multiplicada por dois. 483). de assistência técnica ou científica. 483): 1. do valor equivalente à aplicação da alíquota vigente (15%) sobre as despesas em atividades de pesquisa e de desenvolvimento tecnológico industrial ou agropecuário. Em conjunto com o PAT. de assistência técnica ou científica e de serviços especializados. o valor da depreciação acelerada aparece como uma exclusão. dos dispêndios relativos à aquisição de bens intangíveis vinculados à atividade principal e classificados no ativo diferido do beneficiário. efetuados a título de roulaties. ela deve ser adicionada por já ter sido deduzida antecipadamente. previstos em contratos de transferência de tecnologia. Senac São Paulo.4 PDTI e PDTA Empresas industriais e agropecuárias podem executar o Programa de Desenvolvimento Tecnológico Industrial (PDTI) ou o Programa de Desenvolvimento Tecnológico Agropecuário (PDTA). desde que o PDTI ou o PDTA esteja vinculado à averbação de contrato de transferência de tecnologia. 2. aparelhos e instrumentos destinados à atividades de pesquisa e desenvolvimento tecnológico industrial ou agropecuário. p.Normas e Práticas Tributárias 3. no período de apuração em que forem efetuados.

Acesso em: 6 jan. o total que pode ser deduzido do IR pode chegar a 10%. cada incentivo possui suas regras que precisam ser observadas e seguidas. Foram abordados temas como o Programa de Alimentação ao Trabalhador (PAT). Essa dedução está limitada a 1% do IR devido. Para um melhor entendimento. A título de incentivos fiscais. reduzindo os encargos tributários – em algumas situações. de 13 de julho de 1990.438/06. Considerações finais Nesta aula. são vários os incentivos fiscais concedidos para as empresas que adotam o PDTI ou o PDTA. Atividades culturais ou artísticas e Incentivo ao esporte. PDTA. Fundo da Criança e do Adolescente. de forma direta e. 2015.planalto. PDTI e PDTA. enquadrado na Lei Rouanet.069.br/ccivil_03/leis/l8069. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências. essa despesa representará uma adição ao lucro tributável. 491). 2011. Lei nº 8. alíquota básica. foi apresentado um exemplo do IR devido em uma empresa que efetuou um patrocínio para uma escola de samba. 1% para o esporte e 1% para as doações do Fundo da Criança e do Adolescente. Porém. com alterações da Lei nº 11.5 Incentivo ao esporte Um incentivo fiscal para fomentar as atividades desportivas foi criado pela Lei nº 11. em outras. DF. Brasília. de forma indireta.htm>. 13 jul.Todos os Direitos Reservados 12 .Normas e Práticas Tributárias Conforme pode-se verificar. Referências BRASIL. até o ano de 2015. dando ao incentivo para as atividades desportivas o mesmo tratamento fiscal que é dado ao Fundo da Criança e do Adolescente” (PÊGAS. “A despesa com o patrocínio ou a doação não será dedutível nas bases do IR e da CSLL.472/07. 3. Ou seja. Diário Oficial da União. 4% para incentivos a atividade cultural. Conhecemos os incentivos existentes e seus limites individuais e coletivos e aprendemos como as empresas podem utilizar os incentivos fiscais como forma de planejamento tributário. apresentamos os principais incentivos fiscais que podem ser utilizados para a redução do imposto de renda. p. Disponível em: <http://www. 1990. sendo 4% para o PAT ou PDTI.gov. Senac São Paulo. O valor pago a título de doação ou patrocínio para projetos esportivos ou paradesportivos aprovados pelo Ministério do Esporte poderão ser deduzidos diretamente do IR devido.

gov. Diário Oficial da União. Disponível em: <http://www. 26 dez. Disponível em: <http://www.313. M. de 29 de dezembro de 2006. de 23 de novembro de 1999. Acesso em: 6 jan.505.472. PÊGAS. 2 maio. Brasília.gov. 2015. e dá outras providências. Acesso em: 6 jan.gov. 23 nov.br/ccivil_03/leis/L9874.br/ccivil_03/leis/l8313cons.249. Brasília. análise dos impactos tributários do CPC. ______. DF. Lei nº 9. Restabelece princípios da Lei n° 7. 1991. 2006.Normas e Práticas Tributárias ______.638/07 e 11. São Paulo: Atlas (e-book). OLIVEIRA. ______. Disponível em: <http://www. 2011. Disponível em: <http://www. Diário Oficial da União. Rio de Janeiro: Freitas Bastos. ______. Senac São Paulo. Altera dispositivos da Lei no 8. 2007. 1999.htm>.438. receita.gov. Manual de Contabilidade Tributária: análise dos impactos tributários das leis 11. Lei nº 8. 2015. Lei nº 11.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11472. DF.htm>. Acesso em: 6 jan. DF. Brasília. 2014. Acesso em: 6 jan.313.gov. de 29 de dezembro de 2006. Brasília. 29 dez. Brasília. de 2 de maio de 2007. Diário Oficial da União. Manual de Contabilidade Tributária: textos e testes com as respostas. Diário Oficial da União.438.Todos os Direitos Reservados 13 .874.planalto. 2015. e dá outras providências. de 26 de dezembro de 1995.br/Legislacao/Leis/Ant2001/lei924995. Lei nº 11. de 23 de dezembro de 1991. et al. Disponível em: <http://www. ______. DF.planalto.br/ccivil_03/_ ato2004-2006/2006/lei/l11438. 2015.planalto.htm>. 2015. Altera e acresce dispositivos à Lei no 11.941/09. H. de 2 de julho de 1986. bem como da contribuição social sobre o lucro líquido. Diário Oficial da União. Acesso em: 6 jan. P. DF.htm>. institui o Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac) e dá outras providências. que dispõe sobre incentivos e benefícios para fomentar as atividades de caráter desportivo. Dispõe sobre incentivos e benefícios para fomentar as atividades de caráter desportivo e dá outras providências. de 23 de dezembro de 1991. 23 dez. 1995. Altera a legislação do imposto de renda das pessoas jurídicas. Lei nº 9. planalto. L.htm>.fazenda.

bem como entender de que forma ele é tributado.Normas e Práticas Tributárias Aula 14 Análise das normas e cálculo dos juros sobre o capital próprio Objetivos Específicos • Compreender como se pode contabilizar os juros sobre o capital próprio. Temas Introdução 1 Custo de oportunidade do capital próprio 2 Juros sobre o capital próprio 3 Deliberação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para as empresas de capital aberto 4 Juros sobre capital próprio como instrumento de planejamento tributário Considerações finais Referências Professora Rubia Carla Erthal .

2011. pode-se analisar a rentabilidade dos investimento. Por isso. Senac São Paulo. Todo o valor investido em uma empresa gera perspectivas de retorno para os investidores. 699). o capital próprio também deveria ser. p. Em uma empresa. Esse pagamento pode ser deduzido como despesa financeira para apuração do lucro real. as empresas preferem trabalhar com capital de terceiros.Todos os Direitos Reservados 2 . tendo um custo específico” (PÊGAS. quando a empresa apura sua demonstração de resultados. os rendimentos que eles obteriam caso aplicassem em outro investimento. Assim. ali só aparecem os custos relativos ao capital de terceiros. vamos explicar o funcionamento prático dos juros sobre o capital próprio. ou seja. a empresa teria um resultado “mais correto”.Normas e Práticas Tributárias Introdução Os juros sobre o capital próprio são uma ótima alternativa de planejamento tributário. pois é possível identificar a remuneração do capital investido e do risco assumido pelos investidores nas organizações. “O raciocínio é que. Esses e outros detalhes serão apresentados nesta aula. visto que as despesas para a obtenção desses recursos podem ser abatidas da base fiscal. a correção monetária de balanços foi extinta e os direitos dos sócios deixaram de ser corrigidos. a empresa adquiriu o direito de remunerar seus sócios sob a forma de remuneração do capital próprio. Nesta aula. você certamente deixou de fazer outras atividades. o grande problema relacionado a esse assunto é que a contabilidade não registra o custo de oportunidade do capital dos sócios investido na organização. se o capital de terceiros é remunerado. mas certamente está tendo o custo de abrir mão de outras atividades – esse é o custo de oportunidade. ou seja. a empresa tem obrigações com os sócios ou quotistas. Em dezembro de 1995. Eles representam a remuneração do capital empregado na empresa e. por eles. Você está tendo o benefício de adquirir conhecimentos ao estudar o material. Por isso. Por isso. Se o custo de oportunidade fosse contabilizado. 1 Custo de oportunidade do capital próprio O custo de oportunidade representa quanto poderia ser ganho se fosse feito outro investimento ao invés do que está sendo feito. Por exemplo. um lucro mais econômico. como despesas financeiras. compreendendo as diferenças entre a remuneração do capital próprio instituída no Brasil com fins fiscais e o conceito de custo de oportunidade. Para fazer isso. você está agora lendo e estudando este material. em janeiro de 1996.

Veja este exemplo (OLIVEIRA et al. “A contabilidade ainda não está desenvolvida o suficiente para incorporar em seus procedimentos o correto tratamento quanto a tais custos de oportunidade” (OLIVEIRA et al. inclusive se forem de propriedade dos sócios. p. aborda-se o conceito de custo econômico. Com esse exemplo bastante simples.000. Em cursos de mestrado e doutorado da Universidade de São Paulo. sendo utilizado parte de seu capital próprio. 2 Juros sobre o capital próprio O conceito de custo de oportunidade é válido no que diz respeito às fontes de captação de capital para as empresas. 2014): uma empresa pode adquirir um conjunto de equipamentos para a expansão da fábrica.000. Os procedimentos contábeis utilizados atualmente não registram o custo de oportunidade. para mensurar corretamente o resultado econômico e contábil.. deveria lançar também o valor do aluguel que o sócio obteria caso alugasse o imóvel para outra pessoa.00. Senac São Paulo. 2014): suponha que um empresário deseja abrir um escritório de contabilidade e. com o intuito de aperfeiçoar esses procedimentos.. 279).00. Se a empresa não tivesse recursos próprios. Acompanhe este exemplo (OLIVEIRA et al. é discutido o conceito de Gecon (Gestão Econômica).. todos os fatores produtivos precisam ser remunerados. caso a contabilidade registrasse o custo de oportunidade. Algumas pesquisas já estão sendo desenvolvidas nesse sentido. à vista.Todos os Direitos Reservados 3 .Normas e Práticas Tributárias Os juros sobre capital próprio são calculados sobre as contas do patrimônio líquido. a empresa não terá gastos com aluguel para com a pessoa física. sendo que estariam inclusos 5% para os encargos financeiros.000. para isso. Economicamente falando.00 para pagamento em 60 dias.000. que equivale ao conceito do custo de oportunidade. 2014. por R$ 3. esses mesmos equipamentos seria adquiridos por R$ 3. Como o imóvel é próprio. é possível perceber que seria lógico e coerente o registro do custo do capital próprio no valor de R$ 150.150. irá utilizar um imóvel de sua propriedade. Nessa discussão. Porém.

“Os juros sobre capital próprio – JCP foram introduzidos através da Lei nº 9. 2014). em seu art. 347. p. não sendo dedutível na base da contribuição social” (PÊGAS. Isso quer dizer que. esta não deve compor a sua base de cálculo – isso deve acontecer somente quando ela for realizada. 9º). • Reservas de lucros.249/95 (art. O Regulamento do Imposto de Renda. • Ajustes de Avaliação Patrimonial. as empresas passaram a contabilizar os “custos de oportunidade”. não será considerado o valor de reserva de reavaliação de bens ou direitos da pessoa jurídica. A Lei 6. exceto se esta for adicionada na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido (BRASIL. O patrimônio líquido é a base de cálculo dos juros sobre o capital próprio. caso a empresa possua reserva de reavaliação. e • Prejuízos acumulados. 699.) A partir dessa lei.404/76 diz que o patrimônio líquido é dividido em: • Capital social.Todos os Direitos Reservados 4 . determina: § 4º Para fins de cálculo da remuneração prevista neste artigo.Normas e Práticas Tributárias Somente as empresas tributadas pelo lucro real podem fazer uso do instrumento dos juros sobre capital próprio. ou seja. As parcelas não realizadas da reserva de reavaliação que foi constituída como contrapartida do aumento do valor de bens do Ativo Imobilizado que tenham sido capitalizadas também não devem compor a base de cálculo dos juros sobre capital próprio. houve outro avanço nessa matéria. quando seu saldo for transferido para lucros ou quando for adicionada na determinação do lucro real e da contribuição social. quando os juros sobre capital próprio passaram a ser dedutíveis também para a apuração da base de cálculo da contribuição social. Em 1997. Senac São Paulo. considerada dedutível para base do imposto de renda. • Reservas de capital. para determinar o valor dos juros sobre o capital próprio. representando uma despesa com a remuneração de sócios e acionistas. 2011.

sendo que o contribuinte poderá optar pelo maior dos dois: a.000. O lucro real anual (do próprio período base) não será incluído na base de cálculo dos juros sobre o capital próprio. 2. 2014).00. ou b. Eles são calculados sobre as contas do patrimônio líquido e estão limitados à variação pro rata die da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP). o lucro apurado no exercício encerrado em 31/12/X1 irá compor a base de cálculo dos juros sobre o capital próprio somente a partir do ano calendário seguinte. 50% dos saldos de lucros acumulados e reservas de lucros. Devido ao fato de o cálculo ser pro rata die. poderá compor a base de cálculo. para um melhor entendimento: a. essa dedutibilidade não pode exceder os limites a seguir. para fins de dedutibilidade da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social. o lucro apurado em cada trimestre.Todos os Direitos Reservados 5 .Normas e Práticas Tributárias 2. 50% do lucro líquido correspondente ao período-base do pagamento ou crédito dos juros antes da despesa de Imposto de Renda e da dedução dos referidos juros. Antes da despesa com imposto de renda e da dedução dos juros sobre o capital Senac São Paulo. após a dedução do imposto de renda. a menos que elas sejam adicionadas na determinação da base de cálculo do lucro tributável. Por que a utilização do instrumento de juros sobre o capital próprio pode ser uma excelente forma de planejamento tributário? As reservas de reavaliação não serão consideradas na base de cálculo. Porém.1 Procedimento para cálculo Os juros sobre capital próprio devem ser registrados como despesas financeiras.2 Limites para a dedutibilidade Poderá ser tratado como despesa financeira. esse valor deverá ser deduzido na determinação da base de cálculo dos juros.000. Caso a empresa opte pelo lucro real e faça a apuração trimestral. todas as modificações que ocorrerem no patrimônio líquido durante o exercício deverão ser consideradas na base de cálculo. Por exemplo. Caso a empresa tenha apurado prejuízo. Vamos apresentar alguns exemplos (OLIVEIRA et al. Uma empresa teve lucros acumulados e reservas de lucros no valor de R$ 1. o valor dos juros pagos ou creditados sobre o capital próprio..

2014): uma empresa possui o seu patrimônio líquido do ano de 20X1 composto. Uma empresa não possui saldos de lucros acumulados e reservas de lucros. Nesta situação.000.00. que é maior do que 50% dos lucros acumulados e reservas de lucros.3 Cálculo e contabilização em empresa que paga ou credita Juros sobre o Capital Próprio Para a explicação de cálculo e contabilização dos juros sobre capital próprio.000. b.000. o limite para a dedução dos juros será de R$ 100. Aqui. Neste caso.00. mas ela obteve lucro contábil. Isso porque esse valor é maior do que 50% de R$ 300. de R$ 60.000. essa empresa teve lucro contábil de R$ 300.00.000. em média. que é igual a R$ 150. Determinada empresa apresentou lucros acumulados e reservas de lucros no valor de R$ 700.000.00.000.00 no período-base.00 e obteve prejuízo contábil de R$ 150.000. da seguinte forma: Senac São Paulo.00.00 no período-base.00 e obteve lucro contábil (antes do IR e da dedução dos juros) de R$ 800. c.000. Para saber mais sobre juros sobre capital próprio. R$ 30. O limite que será deduzido da base de cálculo do imposto de renda e contribuição social será de R$ 500.000..000. no períodobase. ou seja. R$ 400. que correspondem a 50% dos lucros acumulados e reservas de lucros de R$ 200.Normas e Práticas Tributárias próprio. não poderá contabilizar a deduzir nenhum valor da base de cálculo do resultado tributável ou para acréscimo do prejuízo fiscal.00. que correspondem a 50% dos saldos de lucros acumulados e reservas de lucros. Caso a empresa não possua lucros acumulados e reservas de lucros e tenha apurado prejuízo contábil no período. e. apresentaremos um exemplo prático (OLIVEIRA et al.Todos os Direitos Reservados 6 .00. o limite para a dedução será 50% do lucro contábil.00 no período-base. o limite para a dedução será 50% do lucro contábil. d.000.000. antes do imposto de renda e da dedução dos juros. acesse o link disponível na midiateca.00. A empresa teve lucros acumulados e reservas de lucros no valor de R$ 200. 2. ou seja.

00 – R$ 800. antes da despesa de Imposto de Renda e da dedução dos juros sobre capital próprio. mas as sociedades limitadas podem. Considere ainda as seguintes informações: a empresa obteve um lucro contábil. pela alíquota de 15%.800.00 Conforme podemos verificar. é preciso verificar o limite que pode ser deduzido.000.00 Lucros Acumulados R$ 1. de R$ 900. b.800.200. Agora.00.000. ou seja. A Taxa de Juros de Longo Prazo foi de 15%. em 31/12/X1. registrado como despesa para a dedução da base de cálculo do Imposto de Renda e Contribuição Social: a. Porém. R$ 600. A Tabela 1 apresenta as contas que compõem o patrimônio líquido e seus respectivos saldos. As Reservas de Reavaliação não foram adicionadas na determinação da base de cálculo do lucro tributável.000. 281).Composição do Patrimônio Líquido Capital Social Integralizado R$ 3. p.000. da seguinte forma: D – Despesas financeiras – R$ 600. pois foi facultado às empresas que a possuíam a sua manutenção até a total realização dos bens reavaliados.00 C – PC – Imposto de Renda Retido na Fonte a Recolher – R$ 90.000.00 x 50% = R$ 600.000. antes da despesa de Imposto de Renda e da dedução dos referidos juros no exercício de 20X1 = R$ 900.00 Reservas de Capital R$ 400.400. (2014.00 Reservas de Reavaliação R$ 800.000.000.000.000.000.00 x 15% = R$ 750. 50% do lucro contábil. ou seja.Todos os Direitos Reservados 7 .000. a base de cálculo dos Juros sobre Capital Próprio é de R$ 5. O cálculo dos juros então é: R$ 5.000.200. os juros sobre capital próprio estão sujeitos à incidência do Imposto de Renda na Fonte.00. Logo.000.000.00 x 50% = R$ 450.941/09. a apresentamos neste exemplo.00 Total do Patrimônio Líquido R$ 5. A conta de Lucros Acumulados não pode ser mantida pelas Sociedades por Ações. na data do pagamento ou crédito ao beneficiário.Normas e Práticas Tributárias Tabela 1 .000.00 no exercício de 20X1. Esse imposto deve ser recolhido até o terceiro dia útil da semana subsequente Senac São Paulo. É importante frisar que a Reserva de Reavaliação foi extinta pela Lei nº 11. Isso corresponde ao total do Patrimônio Líquido menos as Reservas de Reavaliação. Esse valor poderá ser contabilizado como despesa.00 Fonte: Oliveira et al. O contribuinte poderá escolher entre o maior dos dois limites.000.00.00 = R$ 5.00 C – PC – Juros sobre o Capital Próprio a Pagar – R$ 510.00.000. Nesse caso. o maior foi 50% dos lucros acumulados.00.000. 50% dos lucros acumulados = R$ 1.000.000.

00 C – PL – Reserva para Aumento de Capital ou Recursos para Aumento de Capital – R$ 510. Se a empresa for tributada pelo lucro presumido ou arbitrado.4 Contabilização em empresa beneficiária dos juros sobre o capital próprio Algumas empresas participam do capital de outras organizações e tais participações podem ser em coligadas.000. 2014): a investidora Organizações Cruzeiro do Sul S.000.00 C – Receitas financeiras – Juros sobre Capital Próprio – Investida Comércio e Indústria Rio Sapucaí S. a empresa investida calculou juros sobre o capital próprio no valor de R$ 300. Em vez de pagar ou creditar os juros aos acionistas. além do lançamento anterior.Todos os Direitos Reservados 8 . – R$ 255.. possui 50% das ações da investida Comércio e Indústria Rio Sapucaí S.000. Em 31/12/X1. presumido ou arbitrado. irão compor a base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social. – R$ 300. é auferidos devem ser adicionados ao lucro presumido ou arbitrado para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social. a investidora deverá fazer o seguinte lançamento contábil: D – AC – Juros sobre Capital Próprio a Receber – Investida Comércio e Indústria Rio Sapucaí S. por sua vez. Essas investidoras podem receber juros sobre o capital próprio que é calculado nas empresas investidas.000.00 2. cujo valor não será capitalizado. Senac São Paulo. Nesse caso.000.00. Nessa data.00 O Imposto Retido na Fonte é considerado uma antecipação do imposto devido na declaração de rendimentos para beneficiários pessoa jurídica tributada com base no lucro real.000. As investidoras que são tributadas pelo lucro real devem contabilizar esses juros auferidos como receitas financeiras e estas.A.Normas e Práticas Tributárias à do pagamento ou crédito dos juros. controladas ou como joint ventures.A. a empresa tem a opção de aumentar seu capital social com os juros sobre o capital próprio.00 D – Imposto de Renda a Compensar – R$ 45.A. Vejamos um exemplo (OLIVEIRA et al. deve ser feito o seguinte lançamento: D – PC – Juros sobre Capital Próprio a Pagar – R$ 510.A.

em seguida. mas.000. a investida Comércio e Indústria Rio Sapucaí S. a título de remuneração do capital próprio. a título de remuneração do capital próprio. na forma do art. devem ser contabilizados como Despesas Financeiras.A. Esta determina um tratamento diferente para os juros auferidos por empresas de capital aberto. fosse uma empresa de capital aberto.A. sem afetar o resultado do exercício. os juros sobre capital próprio devem ser contabilizados na conta de Lucros Acumulados.00 C – PC – Juros sobre Capital Próprio a Pagar – R$ 510. diferentemente das demais empresas.Todos os Direitos Reservados 9 . também fosse uma empresa de capital aberto. devem ser contabilizados da seguinte forma: a.249/95. Se. nas quais são contabilizados como despesas financeiras.00 C – PC – Imposto de Renda Retido na Fonte a Recolher – R$ 90. deve ser feito um estorno do lançamento e o registro como distribuição de lucro.00 nos juros calculados pela investida seriam contabilizados da seguinte forma: Senac São Paulo. continuando o nosso exemplo.00 Para que os Juros Sobre Capital Próprio sejam dedutíveis da base de cálculo do Imposto de Renda e Contribuição Social. 1996). Como crédito da conta de investimentos. se a investidora Organizações Cruzeiro do Sul S.000. No caso das companhias abertas. Quem determina isso é a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por meio da Deliberação nº 207/96. Além disso. no nosso exemplo. deve ser feito esse registro. para as companhias abertas. a Deliberação 207/96 também cita: II – Os juros recebidos pelas companhias abertas.000. Perceba que. Portanto.000. I – Os juros pagos ou creditados pelas companhias abertas. 1996). 9º da Lei nº 9. devem ser contabilizadas diretamente à conta de Lucros Acumulados. a sua participação de R$ 300. a contabilização seria a seguinte: D – PL – Lucros Acumulados – R$ 600.Normas e Práticas Tributárias 3 Deliberação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para as empresas de capital aberto Os juros pagos pelas companhias de capital aberto devem ser contabilizados diretamente na conta de Lucros Acumulados. quando avaliados pelo método da equivalência patrimonial e desde que os juros sobre o capital próprio estejam ainda integrando o patrimônio líquido da empresa investida ou nos casos em que os juros recebidos já estiverem compreendidos no valor pago pela aquisição do investimento (CMV. sem afetar o resultado do exercício (CMV.

a Deliberação nº 207/96 nos apresenta que: III – Os juros sobre o capital próprio que forem utilizados para aumento de capital ou para manutenção em reserva. 705). pois representa a decisão sobre a forma de remuneração do capital da empresa” (PÊGAS. “E trata-se de uma elisão fiscal legítima.000. 2011. na forma do § 9º do art.: D – PC – Juros sobre Capital Próprio a Pagar – R$ 510. 2011. 1996). Porém. deve ser incluído na análise o recolhimento destas contribuições. Ou seja. pois pode reduzir legalmente a tributação sobre o lucro.A.00 C – Investimentos Permanentes em Participações Societárias Avaliadas pela Equivalência Patrimonial – Investida Comércio e Indústria Rio Sapucaí – S. – R$ 255. haveria a necessidade de mais um lançamento contábil em nosso exemplo na investida Comércio e Indústria Rio Sapucaí S.249.000.A.00 D – AC – Imposto de Renda a Compensar – R$ 45. considerando também a dedutibilidade delas na base de IR e CSLL” (PÊGAS.Todos os Direitos Reservados 10 . “Em qualquer planejamento fiscal que seja feito. 9º da Lei nº 9.000.00 C – Reserva de Lucros – Reserva para Aumento de Capital ou Recursos para Aumento de Capital – R$ 510.00 4 Juros sobre capital próprio como instrumento de planejamento tributário As empresas podem substituir a distribuição de dividendos pelo pagamento de juros sobre o capital próprio. Isso representa uma poderosa forma de planejamento tributário. a menos que a empresa que vai pagar apresente lucros e Senac São Paulo.00 Por último. p. Os juros sobre capital próprio compõem a base de PIS e COFINS. o pagamento de juros sobre capital próprio entre empresas (em situação de normalidade) não é vantajoso. é preciso estar atento e planejar o conjunto global de tributos que incidem sobre a atividade da empresa para não transformar a prática de substituição de dividendos por juros sobre o capital próprio em maior desembolso para a organização. deverão ser destinados a partir da conta de Lucros Acumulados e registrados em conta específica de Reservas de Lucros até a sua capitalização (CMV.A. – R$ 300. p.Normas e Práticas Tributárias D – AC – Juros sobre o Capital Próprio a Receber – Investida Comércio e Indústria Rio Sapucaí S. Nesse caso.000. 705). Essa prática vem crescendo muito no Brasil nos últimos anos. a análise da adoção de pagamento de juros sobre o capital próprio deve ser criteriosa para evitar maiores desembolsos tributários.000. para pagamento de JCP entre empresas. Geralmente.

htm>.218. Acesso em: 12 jan. 8. institui regime tributário de transição. 2015. Brasília. DF. receita. Existe vantagem quando a empresa paga juros sobre capital próprio diretamente para pessoas físicas. Brasília. Diário Oficial da União.fazenda.htm>. foram apresentados exemplos com a devida contabilização. 2015. DF.213. DF. 8. Senac São Paulo. Porém. de 27 de maio de 2009.] e dá outras providências. Brasília. Disponível em: <http://www. Diário Oficial da União. no decorrer da aula. Disponível em: <http://www. alterando o Decreto nº 70. as Leis n.br/ ccivil_03/leis/l6404consol. Lei nº 11. 15 dez.404.Normas e Práticas Tributárias a empresa que vai receber apresente prejuízo fiscal. entendemos como as empresas podem remunerar seus acionistas dessa forma e como deve ser feita a contabilização dessas operações. 1976. Entendemos o conceito de custos de oportunidade e qual a legislação aplicável a esse tema.249.fazenda. Lei nº 6. essa transação também pode ser vantajosa. ______. bem como da contribuição social sobre o lucro líquido.941. A empresa terá que observar.htm>. de 15 de dezembro de 1976. com retorno de até 19% do valor bruto referente à Contribuição Social devida e adicional de Imposto de Renda. Disponível em:<http://www.receita. de 24 de julho de 1991.planalto.212. Acesso em: 12 jan. Para vincular os conceitos e a legislação com a prática.br/Legislacao/Leis/Ant2001/lei924995.  [. de 24 de julho de 1991. para cada caso. Diário Oficial da União. 2009. concede remissão nos casos em que especifica. Lei nº 9. Além disso.gov.º 8. e dá outras providências.gov.. Altera a legislação do imposto de renda das pessoas jurídicas. 27 maio. Conhecemos os procedimentos para o cálculos dos juros sobre o capital próprio e os limites para a dedutibilidade desses juros da base de cálculo do imposto de renda e contribuição social.br/Legislacao/Leis/2009/lei11941.. o planejamento para o repasse dos juros sobre capital próprio da empresa até a pessoa física ficará mais complicado quanto maior for a grade societária envolvida. Dispõe sobre as Sociedades por Ações. Altera a legislação tributária federal relativa ao parcelamento ordinário de débitos tributários. 2015.Todos os Direitos Reservados 11 . de 26 de dezembro de 1995.235. que não são tributados na pessoa física. se a empresa pagar juros sobre capital próprio para um proprietário pessoa física. os limites de dedutibilidade e também deve considerar o custo de PIS e COFINS para cada empresa que receba os juros. 1995.gov. Acesso em: 12 jan. Considerações finais Os juros sobre o capital próprio são uma excelente forma de planejamento tributário. ______. mas devem ser cuidadosamente avaliados. Nesta aula. 26 dez. de 6 de março de 1972. de 29 de agosto de 1991. Referências BRASIL.

análise dos impactos tributários do CPC.br/legislacao/?id=64468>.Todos os Direitos Reservados 12 .legisweb. Manual de Contabilidade Tributária: análise dos impactos tributários das leis 11. Deliberação nº 207. 2014. 2015. et al. Senac São Paulo. São Paulo: Atlas (e-book). 2011. com. M. Acesso em: 12 jan.941/09. OLIVEIRA L.249/1995. Disponível em: <http://www.Normas e Práticas Tributárias CVM. Rio de Janeiro: Freitas Bastos. H. Manual de Contabilidade Tributária: Textos e Testes com as Respostas. P.638/07 e 11. de 13 de dezembro de 1996. Dispõe sobre a contabilização dos juros sobre o capital próprio previstos na Lei nº 9. PÊGAS.

Temas Introdução 1 Considerações iniciais sobre participações acionárias 2 Classificação contábil na investidora 3 Conceito de coligadas e controladas 4 Método do custo de aquisição para avaliação dos investimentos em participações societárias 5 Método da equivalência patrimonial para avaliação dos investimentos em participações societárias 6 Fundamentos econômicos para o ágio ou deságio 7 Contabilização do resultado da equivalência patrimonial e dos lucros ou dividendos distribuídos pela coligada ou controlada 8 Contabilização na investidora dos lucros ou dividendos distribuídos ou provisionados pela coligada ou controlada Considerações finais Referências Professora Rubia Carla Erthal .Normas e Práticas Tributárias Aula 15 Investimentos em participações societárias Objetivos Específicos • Identificar a maneira pela qual grupos empresariais se relacionam contabilmente e que tipo de tributação essa relação pode gerar.

os efeitos dessa participação serão refletidos na demonstração de resultados da organização. Por esse método. A avaliação dos investimentos societários poderá ser feita pelo método de custos ou da equivalência patrimonial. Em países mais desenvolvidos e também no Brasil. será aplicada a alíquota correspondente à participação que a empresa tem no capital social de outra sobre o Patrimônio Líquido da empresa investida. Um dos métodos existentes para atualizar o valor contábil dos investimentos ao valor equivalente à participação societária que a empresa investidora possui é o método da equivalência patrimonial. p. no atual mundo dos negócios. serão estudados os procedimentos contábeis e fiscais que se aplicam às participações societárias. A aplicação desses recursos em outras organizações é denominado investimento em participações societárias. investida. As empresas efetuam aplicações em outras empresas pelos mais variados motivos. 711). 2011. empresas que participam de grupos empresariais como investidoras e possuem participação societária em outras empresas. A empresa que adquire ações ou quotas de outra empresa é denominada investidora e. Grandes empresas investidoras mantêm investimentos e diversas outras empresas. “No mundo moderno e globalizado em que vivemos.Normas e Práticas Tributárias Introdução É comum encontrarmos. entre outros. a outra. Os motivos que levam uma empresa a adquirir parte (ou a totalidade) de ações ou de quotas de outra empresa são os mais variados.Todos os Direitos Reservados 2 . Para a apuração do valor do investimento. cresce cada vez mais a disputa por fatia de mercado. entre os quais podemos citar a obtenção de renda para a empresa investidora e motivos estratégicos. 1 Considerações iniciais sobre participações acionárias É possível que uma empresa compre ações de outra organização. Senac São Paulo. essa é uma prática muito comum. sendo a aquisição de empresas uma das formas mais simples de uma instituição aumentar sua participação no mercado” (PÊGAS. Nesta aula. que pode ser coligada ou controlada.

Essa intenção deve ser manifestada quando for adquirido o direito. em conta de investimentos. Portanto. ou seja. (2014. Os investimentos em sociedades coligadas e controladas serão avaliados pelo Método de Equivalência Patrimonial. com o objetivo de expansão ou complementação de suas atividades. Nesse caso. em contas do realizável a longo prazo. primeiramente. 288): Controladas: participação de 50% ou mais do capital votante. a empresa os adquire com a intenção de manter em seu ativo.Normas e Práticas Tributárias Esses investimentos devem ser contabilizados de acordo com os princípios de contabilidade e devem considerar. deverão ser avaliados pelo método de equivalência patrimonial. Coligadas: participação maior que 20% do capital votante sem atingir o controle ou influência na administração da investida. De acordo com Oliveira et al. 2 Classificação contábil na investidora As participações societárias representam a reversão de capitais em investimentos. Senac São Paulo. quando os investimentos são comprados com a intenção de revenda. Elas devem ser registradas em contas do ativo circulante quando tiverem previsão de alienação até o final do exercício seguinte. tais direitos de sócio são assegurados com a posse de mais de 50% das ações ordinárias de sociedades por ações ou cotas de sociedade limitadas. eles são avaliados pelo custo de aquisição ou valor justo e serão reduzidos por provisões para ajustes ao valor de mercado. se a empresa investidora pretende permanecer ou não com esses ativos na sociedade investida. 3 Conceito de coligadas e controladas Os investimentos em empresas podem caracterizar-se como coligação e controle. quando a previsão de alienação for após o término do exercício seguinte. Na prática. que dão direito a votar nas assembleias. p. são classificados no ativo circulante ou realizável a longo prazo. se a investidora não tiver a intenção de vender.Todos os Direitos Reservados 3 . e no ativo não circulante. Já os investimentos que não têm caráter especulativo.

(2014. Senac São Paulo. • A Investidora A possui 25% das ações ordinárias com direito a voto e 60% das ações preferenciais da Investida Z. nem controle. • Agora. alterada pela Lei nº 11. • Nesse caso. p. • Aqui. a Lei diz que. 288): Será considerado influente o investimento em sociedade coligada sob cuja administração a investidora tenha influência (possibilidade de eleger pelo menos um dos administradores da investida ou outro fator que caracterize influência) em sociedade coligada que participe com 20% ou mais do capital social. pois a Investidora não possui mais de 20% das ações ordinárias e não exerce influência na administração da Investida. Sobre as coligadas.941/09. pois ela possui mais de 20% das ações ordinárias que dão direito a voto. quando uma empresa participa com 20% ou mais do capital votante da investida. Quem traz o conceito de coligada é a Lei nº 6. ela não tem o controle da Investida.404/76. a Investida Z é uma coligada. ou em sociedade controlada. a Investida X é uma coligada da Investidora A.Todos os Direitos Reservados 4 . seria preciso que a Investidora tivesse mais de 50% do capital votante. A Investidora A possui mais de 50% das ações ordinárias com direito a voto. • Como a investidora possui mais de 20% das ações ordinárias. Porém. • A Investidora A possui 95% das ações ordinárias com direito a voto e 30% das ações preferenciais da Investida W. mas com influência na administração. a empresa investida é considerada uma coligada. Uma sociedade controlada é aquela na qual a investidora é titular dos direitos de sócio e tem preponderância nas deliberações sociais.Normas e Práticas Tributárias Vejamos alguns exemplos para entender melhor esses conceitos: • Investidora A possui 25% de ações ordinárias com direito a voto e 30% das ações preferenciais na Investida X. não existe nem coligação. De acordo com Oliveira et al. • A Investidora A possui 9% das ações ordinárias com direito a voto e 80% das ações preferenciais da Investida Y e sem exercer influência na administração da investida. temos um caso de controlada. além de poder para eleger a maioria dos administradores. Para que fosse controlada. sem ter o controle.

tenha adquirido. apresentaremos um exemplo de contabilização das operações de investimentos avaliados pelo método de custo (OLIVEIRA et al.000.00.00 de dividendos. Para um melhor entendimento. em 30-6-20X0.A. em 30-6-20X0 seria a seguinte: D – Ativo Não Circulante – Realizável a Longo Prazo – Investimentos Temporários a Longo Prazo – Participações não Permanentes em Outras Empresas – Empresa Industrial Max S.00.000. deduzindo-se eventuais ajustes para perdas permanentes. Senac São Paulo.00 de dividendos.000.Todos os Direitos Reservados 5 . a investidora teria direito a R$ 100. no encerramento do exercício de 20X0.Normas e Práticas Tributárias 4 Método do custo de aquisição para avaliação dos investimentos em participações societárias O método de custo de aquisição normalmente é utilizado para investimentos em outras sociedades cuja participação seja inferior a 20% das ações do capital votante da investida e nas quais a investidora não tenha influência na administração. 2011. Nesse caso.00.00 x 23% = R$ 23. deve ser adotado o custo de aquisição do investimento. para efeito de registro contábil. 23% das ações da Empresa Industrial Max S. p.00. 2014). sem modificação posterior até a venda. C – Receita de Dividendos – Dividendos decorrentes de Investimentos em Participações Societárias avaliados pelo Custo de Aquisição – R$ 23. ela terá o direito de receber 23% de possíveis dividendos distribuídos ou a distribuir pela investida. Esse investimento é considerado irrelevante e de caráter especulatório. pois ela já foi tributada na empresa investida. “A avaliação a valor de custo representa o registro no ativo pelo valor pago na aquisição. Portanto. – R$ 200. O preço pago pelo investimento foi de R$ 200.A. Considere que.A. Portanto. exceto se o valor de mercado for menor que o valor contábil. 712). Suponha que a Investidora GranaAlta S. a investida distribuiu R$ 100.000. C – Ativo Circulante – Caixa e Equivalentes – Disponível – Bancos ContaCorrente – R$ 200. A empresa investidora possui 23% das ações da empresa investida. quando então será reconhecida uma provisão para perdas por impairment” (PÊGAS. A contabilização referente a essa operação seria a seguinte: D – Ativo Circulante – Dividendos Propostos a receber – R$ 23..000.000. A contabilização na empresa GranaAlta S.000. pois a investidora pretende vendê-lo durante o exercício de 20X2. É importante lembrar que essa receita contabilizada não fará parte da base de cálculo do lucro real.A.00.000.

deve ser confrontado o custo do investimento com o valor de mercado e aplicar a regra “custo ou mercado. – R$ 15. Isso quer dizer que se o valor de mercado for menor do que o valor registrado na contabilidade como custo de aquisição do investimento. ele deve ser ajustado.000. A contabilização dessa perda não é dedutível para a apuração do lucro tributável por Imposto de Renda e Contribuição Social. Suponha que. A contabilização referente a esse ajuste é a seguinte: D – Resultados Extraordinários – Ganhos e Perdas de Capital nos Investimentos – Ajuste para Perdas Prováveis na Realização de Investimentos em Participações Societárias Avaliados pelo Custo de Aquisição – R$ 15. Nesse caso. R$ 185. a investidora deverá constituir um ajuste de R$ 15. e o custo de mercado. o investimento foi avaliado pelo custo de aquisição.00. Qual a principal diferença entre o método de custo e o método de equivalência patrimonial? 5 Método da equivalência patrimonial para avaliação dos investimentos em participações societárias O método da equivalência patrimonial é utilizado para avaliar investimentos permanentes em participações societárias. esse valor deve ser adicionado para a apuração da base de cálculo.000. de R$ 200.000.404/76.A. A investidora terá que constituir um ajuste para perdas prováveis. Por isso.638/07. A normatização desse método encontra-se na Lei nº 6. “O método da equivalência patrimonial – MEP Senac São Paulo. o valor de mercado do investimento em participação societária na empresa Industrial Max S. o menor”. Por esse método. A base de cálculo da equivalência patrimonial é o patrimônio líquido da sociedade coligada ou controlada. dos dois. C – Ativo Não Circulante – Ativo Realizável a Longo Prazo – Investimento Temporários a Longo Prazo – Ajuste para Perdas Prováveis – Empresa Industrial Max S. que é a diferença entre o custo de aquisição.00.000.000.Normas e Práticas Tributárias Nesse exemplo.00. atualizada pela Lei nº 11.000. em 31-12-20X1.00.00. era de R$ 185.Todos os Direitos Reservados 6 . Tal perda somente será dedutível quando ocorrer a realização do investimento. quando se encerram as demonstrações contábeis.A.00.

A. A diferença entre o valor pago e o valor encontrado no cálculo da equivalência patrimonial representa o ágio e deve ser contabilizada em conta específica: R$ 410. Suponha que a Investidora Grana Alta S.000. Com. 2011.00.000. Segue a contabilização: D – Ativo Não Circulante – Investimentos em outras sociedades – Avaliadas pela equivalência patrimonial – Ind.00.000.000.00 Agora. São Caetano S.000.00. 712). São Caetano S. apresentaremos um exemplo de aquisição com ágio.00.000. – R$ 50. 2014). adquiriu uma participação de 63% no capital social da controlada Comercial de Bebidas TombaLevanta S.Normas e Práticas Tributárias foi desenvolvido para refletir os acréscimos ou decréscimos no patrimônio líquido da empresa investida. A diferença entre o valor encontrado nesse cálculo e o valor pago ou a pagar em decorrência da aquisição do investimento chama-se ágio ou deságio e deverá ser contabilizada em conta específica.00 – R$ 360.A. vamos ver um exemplo de aquisição com deságio. A equivalência patrimonial é obtida pela aplicação do percentual de participação que a investidora tem no capital social da investida sobre o patrimônio líquido da investida. Se aplicarmos a fórmula para o cálculo da equivalência patrimonial desse investimento. teremos o seguinte: R$ 1.Todos os Direitos Reservados 7 .000.A. era de R$ 1.00. Nessa data.A. o patrimônio líquido da investida era de R$ 1. nessa data.200.000. Vejamos alguns exemplos do cálculo e da contabilização da equivalência patrimonial no momento da aquisição do investimento em participação societária (OLIVEIRA et al.000. p.000. Com.000. São Caetano S. em 15-2-X0.000. O valor pago pelo investimento foi de R$ 410.A.00 x 30% = R$ 360. O valor pago pelo investimento foi R$ 600. No primeiro caso. em 21-5-X1. tenha adquirido uma participação de 30% no capital social da coligada Ind. Imagine que a empresa GranaAlta S.. – R$ 360. referente a seus lucros ou prejuízos e outros eventos na empresa investidora” (PÊGAS. Vamos Senac São Paulo.00 = R$ 50. Saiba mais sobre o método da equivalência patrimonial acessando o link disponível na midiateca.00 C – Ativo Circulante – Caixa e Equivalentes – Banco Conta Corrente – R$ 410. Com. O total do patrimônio líquido da empresa investida.000.A.200.00.00 D – Ágio do investimento – Ind.

1 Aspectos tributários do método da equivalência patrimonial Toda pessoa jurídica tributada pelo lucro real tem o dever de avaliar seus investimentos em coligadas permanentes.000. A pessoa jurídica que mantiver filiais e sucursais no exterior também deverá adotar o método da equivalência patrimonial. o fisco irá considerar como reavaliação espontânea tributável. Devem ser observados os princípios de contabilidade e a legislação comercial para a elaboração de tais demonstrações. caso a empresa avalie seus investimentos por um valor superior ao custo de aquisição.000. Caso não existam as características de controle e influência na participação societária.00.000. 5. Dessa forma. Nesse caso. se decorrer de lucro ou prejuízo apurado na coligada ou controlada.00.Todos os Direitos Reservados 8 .000. Ao apurar o valor do patrimônio para o cálculo da equivalência patrimonial. 5. controladas. teremos que lançar um deságio de R$ 30. Senac São Paulo. Perceba que o valor da equivalência patrimonial é maior do que o valor pago pelo investimento. Na hipótese de os critérios contábeis adotados pela investida coligada ou controlada e pela investidora não forem uniformes. a pessoa jurídica deverá elaborar no balanço ou no balancete das empresas investidas os ajustes necessários para eliminar as diferenças relevantes decorrentes da diversidade de critérios.000.00 C – Ganho por compra vantajosa – Deságio do investimento – Comercial de Bebidas TombaLevanta S.Normas e Práticas Tributárias calcular a equivalência patrimonial: R$ 1. – R$ 30.A.00. assim como investimentos influentes.000. Dessa forma. – R$ 630.00 x 63% = R$ 630. o investimento será avaliado pelo método de custo. é necessário que seja elaborado o balanço patrimonial ou balancete de verificação na mesma data do balanço da investidora ou até dois meses antes. conforme segue: D – Ativo Não Circulante – Investimentos em outras sociedades – Avaliadas pela equivalência patrimonial – Comercial de Bebidas TombaLevanta S.2 Critérios para a utilização da equivalência patrimonial Para que o investimento seja avaliado de acordo com o patrimônio líquido da investida.000. não devem ser incluídos os resultados não realizados que decorrem dos negócios da companhia ou com outras sociedades coligadas ou controladas. pelo método da equivalência patrimonial.A. a diferença entre o custo de aquisição e o valor do investimento somente deve ser contabilizada como resultado do exercício nas seguintes situações: 1.00 C – Ativo Circulante – Caixa e Equivalentes – Bancos Conta Corrente – R$ 600.

Assim. mas que. Dessa forma. ela irá contabilizar separadamente o valor do investimento (pela equivalência patrimonial) e o ágio ou deságio.Normas e Práticas Tributárias 2. não basta identificar o ágio ou deságio. art. A Lei nº 6. a empresa precisa avaliar esse investimento e verificar a existência de ágio (valor pago a maior em relação ao patrimônio líquido da investida) ou deságio (valor pago a menor). 3. art. a empresa investidora passa a participar também dos resultados da empresa investida. se corresponder. por algum motivo. tanto no lucro quanto no prejuízo. fundo de comércio. 3. A empresa investidora precisa indicar os fundamentos econômicos para a existência dessas diferenças. 6 Fundamentos econômicos para o ágio ou deságio Ao adquirir uma participação societária. e RIR/99. Para investimentos que não preencham os requisitos legais para serem avaliados pelo método de equivalência patrimonial. Esse valor não afetará o cálculo do lucro real. comprovadamente. 387: Senac São Paulo. fusão ou cisão de empresas.404/76 e o Regulamento do Imposto de Renda elencam esses fundamentos: 1. no caso de companhia aberta. Existe a necessidade de a empresa identificar esses fundamentos na aquisição do investimento devido à possibilidade de uso do processo de incorporação. a ganhos ou perdas efetivos. 2. inatingíveis e outras razões econômicas. com observância das normas expedidas pela CVM. valor de rentabilidade da coligada ou controlada com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros. 22. valor de mercado dos bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado em sua contabilidade. o utilizam.Todos os Direitos Reservados 9 . Essa participação.598/77. 7 Contabilização do resultado da equivalência patrimonial e dos lucros ou dividendos distribuídos pela coligada ou controlada Ao adquirir um investimento em participação societária. Porém. tais valores poderão ser aproveitados na sociedade sucessora. a diferença entre o valor contábil do custo de aquisição e o valor da primeira avaliação deve ser registrado como ágio ou deságio. será proporcional ao percentual de participação que a investidora tem no capital social da investida. A fundamentação legal para isso se encontra no Decreto-lei nº 1.

00.. pois o patrimônio da investida também diminuiu. a investida encerrou suas demonstrações contábeis e apurou lucro de R$ 70. A Investidora GranaAlta adquiriu 63% de participação do capital social da controlada Comercial de Bebidas TombaLevanta S. tenha provisionado. 8 Contabilização na investidora dos lucros ou dividendos distribuídos ou provisionados pela coligada ou controlada Quando os lucros ou dividendos distribuídos estiverem computados no valor do patrimônio líquido do investimento.00.100.000. em 31-12-X1. Continuando o exemplo anterior.A. a investidora terá uma redução de 63% em seu investimento. em 31-12-X1. do total distribuído de R$ 30. que é a proporção de sua participação no capital social da investida.A. Diante disso.900. sua distribuição deve ser registrada como diminuição do valor do patrimônio líquido do investimento. o ganho da empresa investidora foi: R$ 70.00 x 63% = R$ 18. apresentaremos um exemplo prático (OLIVEIRA et al.000. Dessa forma. Dessa forma. teremos: R$ 30.100. mediante lançamento da diferença a débito ou a crédito da conta de investimento.Todos os Direitos Reservados 10 .00.00 x 63% = R$ 44.00. Tal procedimento deverá ser observado na escrituração comercial.000. conforme entendimento manifestado pelo fisco através do Parecer Normativo CST nº 11/79. – R$ 44. o valor de R$ 30. 2014) para facilitar o entendimento.00 para a distribuição de dividendos sobre o lucro apurado. Considere que. Sobre esse assunto.000. o patrimônio da investida diminuiu R$ 30.100. em 21-5-X1. imagine que a investida Comercial de Bebidas TombaLevanta S.00.A. Isso quer dizer que.00. sobre o valor de patrimônio líquido ajustado.00 e o investimento da investidora diminuiu R$ 18. Isso não influenciará as contas de resultado. Cabe ressaltar que a contrapartida do ajuste não será computada no cálculo para a determinação do lucro real. A contabilização é a seguinte: Senac São Paulo. Em outras palavras.000.000. C – Outras receitas operacionais – Participação nos resultados de coligadas e controladas – Resultado de Equivalência Patrimonial – R$ 44. somente diminuirá a o valor do investimento.00. O método da equivalência patrimonial serve exatamente para isso: atualizar o valor do investimento em relação ao patrimônio líquido da investida.Normas e Práticas Tributárias O valor do investimento na mesma data do balanço deverá ser ajustado ao valor do patrimônio líquido apurado de acordo com a aplicação do percentual de participação da empresa no capital da coligada ou controlada.900.. ela deve contabilizar o ganho como Resultado da Equivalência Patrimonial da seguinte forma: D – Ativo não circulante – Investimentos em outras sociedades – Avaliadas pela equivalência patrimonial – Comercial de Bebidas TombaLevanta S.

______.planalto.gov.Normas e Práticas Tributárias D – Ativo circulante – Outros créditos – Dividendos propostos a receber – R$ 18.900. DF. 1977.404. br/ccivil_03/leis/l6404consol. Acesso em: 12 jan. o valor do investimento continua proporcional à participação da investidora no capital social da investida. de 26 de dezembro de 1977.385. assim como de ajuste para perdas prováveis na realização do investimento. Diário Oficial da União. Lei nº 6. Diário Oficial da União. 1976. Altera a legislação do imposto sobre a renda.00.598. Disponível em: <http:// www. 2007.gov.900. DF.gov. Distinguimos o tratamos fiscal dado às participações societárias entre os investimentos avaliados ao custo e aqueles avaliados pelo método de equivalência patrimonial.Todos os Direitos Reservados 11 . Brasília. e da Lei no 6. 28 dez. de 15 de dezembro de 1976. Decreto-lei nº 1. Acesso em: 12 jan. Referências BRASIL. apresentamos o tratamento fiscal dado às participações societárias. e estende às sociedades de grande porte disposições relativas à elaboração e divulgação de demonstrações financeiras. Acesso em: 12 jan.htm>. 2015.404. abordamos a contabilização do resultado da equivalência patrimonial e dos lucros ou dividendos distribuídos pela coligada ou controlada. C – Ativo não circulante – Investimentos em outras sociedades – Avaliadas pela equivalência patrimonial – Comercial de Bebidas TombaLevanta S.htm>. Por último. bem como qual tratamento é dado às diferenças entre o valor resultante da equivalência patrimonial e o custo de aquisição do investimento. DF. Altera e revoga dispositivos da Lei no 6. Assim. Diário Oficial da União.A. de 15 de dezembro de 1976.planalto. Alguns aspectos tributários do método da equivalência patrimonial foram expostos. Disponível em: <http://www. de 28 de dezembro de 2007. Considerações finais Nesta aula. Brasília. de 7 de dezembro de 1976.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/lei/l11638. Entendemos que os investimentos são classificados de acordo com o tempo que a empresa pretende ficar com eles. 2015. – R$ 18. 26 dez.br/ccivil_03/decreto-lei/del1598. são divididos em temporários e permanentes.00. Entendemos o conceito de coligada e controlada. 15 dez. ______. Dispõe sobre as Sociedades por Ações. Brasília. Com esse lançamento. Também foi apresentada a contabilização na investidora para lucros ou dividendos recebidos.planalto. Lei nº 11. Senac São Paulo.htm>. 2015. Disponível em: <http://www.638.

receita.235. de 6 de março de 1972 . Altera a legislação tributária federal relativa ao parcelamento ordinário de débitos tributários.941.br/Legislacao/Leis/2009/lei11941. Diário Oficial da União. Lei nº 11.gov. L. P.213. Acesso em: 12 jan. Manual de Contabilidade Tributária: Textos e Testes com as Respostas. de 27 de maio de 2009. 2014..fazenda. 27 maio. DF.] e dá outras providências. 2009. Senac São Paulo. de 24 de julho de 1991 . institui regime tributário de transição. Rio de Janeiro: Freitas Bastos. Disponível em: <http://www. São Paulo: Atlas (e-book).638/07 e 11. análise dos impactos tributários do CPC. Brasília. 2011.212.htm>. as Leis n. alterando o Decreto nº 70.Normas e Práticas Tributárias ______. OLIVEIRA. H.941/09. M. de 24 de julho de 1991 [. 2015. concede remissão nos casos em que especifica.º 8.. PÊGAS.Todos os Direitos Reservados 12 . 8. Manual de Contabilidade Tributária: análise dos impactos tributários das leis 11. et al.

Objetivos Específicos • Entender de que forma devem ser adotadas as práticas tributárias no que se refere às unificações de capital social das organizações.Normas e Práticas Tributárias Aula 16 Aspectos contábeis e tributários de processos de fusão. aquisição e incorporação de empresas. Temas Introdução 1 Incorporação 2 Fusão 3 Cisão 4 Aspectos tributários Considerações finais Referências Professora Rubia Carla Erthal .

A empresa que as incorporou será a sucessora de suas personalidades jurídicas e também de seus direitos e obrigações. para garantir o fornecimento de matérias-primas. 315). (2014): considere que a Empresa Alfa industrializa produtos de alumínio. E. [. que é uma concorrente de pequeno porte em sua totalidade. uma ou mais sociedades têm seu patrimônio absorvido por outra empresa. Com essa operação. 223 até 226) e às específicas do instituto.Todos os Direitos Reservados 2 . que lhes sucede em todos os direitos e obrigações (Lei nº 6. p. “É a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra. consultoria para avaliação de itens do balanço patrimonial e até mesmo assessoria organizacional “pós-incorporação. contadores. 2014. 1. advogados e especialistas no assunto podem prestar serviços de auditoria contábil e trabalhista. 1 Incorporação No processo de incorporação. as empresas Beta e Ceres são extintas. Tais processos envolvem valores elevados e necessitam de especial atenção por parte dos acionistas que buscam auxílio de profissionais capacitados nessa área. adquire também a totalidade da Empresa Ceres. ela adquire a Empresa Beta. esta aula irá apresentar alguns aspectos contábeis e fiscais a respeitos desses processos para que se possa entender de que forma são adotadas as práticas tributárias nessas situações..]” (OLIVEIRA et al..Normas e Práticas Tributárias Introdução Os processos de reestruturação societária que envolvem grupos de empresas em casos de incorporação. Dessa forma.404. Na incorporação. art. as sociedades que são incorporadas deixam de existir. Nesse sentido.1 Exemplo de incorporação Para um melhor entendimento do conceito de incorporação. fusão ou cisão”.. que é uma fornecedora de alumínio. Para expandir suas atividades. apresentaremos um exemplo de Oliveira et al. e cuja realização deve obedecer às formalidades gerais já expostas (arts. auditoria fiscal para a verificação de possíveis inobservâncias de normas fiscais. Senac São Paulo. 227). porém. seus ativos e passivos são incorporados ou assumidos pela Empresa Alfa. cisão e fusão proporcionam aos profissionais de contabilidade que atuam em assessoria fiscal e planejamento tributário um imenso mercado de trabalho.

Para defender os acionistas e terceiros credores. 1. É realizada uma assembleia na incorporada e duas na incorporadora. p. Beta e Ceres. a incorporada já tiver aprovado a operação. os passivos e também a sociedade de Beta e Ceres. Seguem alguns fatos que merecem destaque entre os procedimentos: • depois de aprovado o protocolo.2 Operacionalização Ao se proceder a uma incorporação. • na assembleia que aprovar o protocolo. alguns reflexos ocorrem internamente e externamente à empresa. 1.3 Procedimento de incorporação Para se efetivar a incorporação.Incorporação EMPRESAS BETA E CERES INCORPORADAS EMPRESA ALFA INCORPORADORA Empresas Beta e Ceres são extintas e seus ativos e passivos são incorporados pela Empresa Alfa. a assembleia geral da incorporadora deve autorizar o aumento de capital que será subscrito e realizado pelos sócios da incorporada. Também deve nomear os peritos que avaliarão o valor do patrimônio líquido da incorporada. a Empresa Alfa. 315). + EMPRESA ALFA SUCESSORA DE BETA E CERES = Patrimônio composto dos ativos e passivos de Alfa. de três empresas. a lei não impede que os bens sejam incorporados por valores inferiores aos de mercado. a Lei das Sociedades por Ações exige um laudo de avaliação.. ou seja. (2014.Normas e Práticas Tributárias Figura 1 . mas pode ser somente uma na incorporadora quando: for possível concentrar todos os atos. podemos verificar que. p. Porém.Todos os Direitos Reservados 3 . Senac São Paulo. “A operação de incorporação poderá ser feita pelo valor contábil” (OLIVEIRA et al. que incorpora os ativos. geralmente são feitas três assembleias gerais nas sociedades interessadas. passamos a ter somente uma. Fonte: Oliveira et al. tanto nos planos societários como nos tributário e contábil. 2014. Os sócios de Beta e de Ceres passam a ser sócios de Alfa na proporção definida na relação de troca. a sociedade incorporada deverá autorizar seus administradores a praticar os atos necessários para a incorporação. e os laudos da avaliação estiverem prontos. impedindo que os bens sejam incorporados por valor superior ao de mercado. 315). De acordo com a Figura 1.

a empresa que absorver o patrimônio negativo assumirá as dívidas da empresa que for extinta. isso representa uma assunção de dívidas com consequente extinção da sociedade devedora.5 Incorporação de controlada Quando ocorrer uma incorporação de controlada.Todos os Direitos Reservados 4 .4 Formação do capital Quando há uma incorporação. 2014. 1.Normas e Práticas Tributárias • assim que a incorporação for aprovada.404/76 permite optar pela baixa do investimento ou a respectiva substituição por ações em tesouraria. a incorporada será extinta e a incorporadora deverá promover o arquivamento e a publicação dos atos da incorporação. O método a ser utilizado é o da equivalência patrimonial e. os sócios da incorporadora terão seus investimentos afetados. só há incorporação entre empresas que tenham patrimônio positivo. 1.. Os critérios de avaliação para o patrimônio de ambas deve ser o mesmo e também na mesma data. Caso uma empresa tenha o patrimônio negativo e seja absorvido por outra. Quando a incorporadora participa do capital da incorporada. A formação do capital e o aumento de capital da sociedade incorporadora é regulado pelo art. 315). “O aumento de capital na sociedade incorporadora será decorrente da versão do patrimônio líquido da sociedade incorporada e sua consequente extinção” (OLIVEIRA et al. Na assunção de dívidas. Senac São Paulo. devem ser seguidas as normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). 226 da Lei nº 6. deve ser feito o cálculo das relações de substituição com base nos valores de patrimônio líquido da controladora e da controlada. o § 1º do art. nas companhias abertas.404/76. Dessa forma. a preços de mercado. 226 da Lei nº 6. Na medida do valor do patrimônio incorporado. o capital da sociedade incorporadora aumenta. p. Os sócios das empresas incorporadas irão substituir o investimento que tinham em suas próprias empresas pelo investimento da incorporadora.

Diante disso. denominada D. que irá assumir os ativos e os passivos das três empresas. constatouse que unificar as empresas traria redução de custos e aumentaria a competitividade com a sinergia resultante. Essa nova empresa assume todos os ativos e passivos das três empresas. 323). Avaliação. Depois de um trabalho de consultoria.Fusão EMPRESA A + EMPRESA B + EMPRESA C = EMPRESA D Fonte: Oliveira et al. por comparação.. Essa nova sociedade irá suceder as sociedades anteriores em todos os direitos e obrigações. tanto interna quanto externamente. 2014. Figura 2 . 2. B e C são eliminadas e é formada uma nova empresa. “Na fusão. todas as sociedades interessadas desaparecerão e darão origem a uma nova empresa que sucederá os direitos e as obrigações existentes. na fusão. As regras a serem obedecidas seguem os mesmos padrões das regras aplicáveis à incorporação. que. Por que as empresas estão buscando por alternativas de fusão. o patrimônio da nova sociedade será determinado com base na avaliação feita em cada uma das envolvidas. evidenciará a respectiva relação” (OLIVEIRA et al. mas. que são empresários tradicionais do Sul do Brasil.1 Operacionalização e aspectos contábeis As sociedades envolvidas em uma fusão sofrem algumas alterações. O patrimônio das empresas fundidas dará origem a uma nova empresa. duas ou mais sociedades se unem para formar uma sociedade nova. Por exemplo. (2014. verifica-se que as empresas A. B e C pertencem à família Siqueira. p. as empresas A. imagine que as empresas A. 324).Todos os Direitos Reservados 5 . que será aprovado pela assembleia. p. deve ser elaborado o estatuto da nova empresa. incorporação e cisão? Essa prática pode ser vantajosa? No procedimento final do processo de fusão. balanços e registros aplicados na incorporação também são aplicáveis na fusão. De acordo com a Figura 2.Normas e Práticas Tributárias 2 Fusão No processo de fusão. B e C são extintas e é criada a empresa D. Senac São Paulo.

no caso de cisão parcial. Iniciaremos com a cisão total. duas formas de cisão: total e parcial. Um irá tratar de cisão total e outro de cisão parcial. ou seja. Devido a um desentendimento. 2014) sobre cisão. Ao se constituir a nova empresa. é necessário proceder a uma reforma estatutária. depois de negociarem. uma assembleia geral será convocada para que os sócios ou acionistas tomem conhecimento e resolvam sobre a constituição definitiva da nova sociedade. os sócios resolver se separar e.Normas e Práticas Tributárias 2.Todos os Direitos Reservados 6 . 2014. são realizadas três assembleis gerais para o processo de fusão. 3. devem Senac São Paulo. 3 Cisão A cisão é uma operação na qual a sociedade transfere parcelas de seu patrimônio para uma ou mais sociedades. sendo duas preliminares (uma em cada sociedade) e uma para a constituição da nova sociedade. No caso de cisão total. com a versão de todo o patrimônio da sociedade cindida ou apenas com sua divisão” (OLIVEIRA et al. que podem ser constituídas para essa finalidade ou serem sociedades já existentes.. a sociedade é extinta e.2 Procedimento Normalmente. que é uma rede de supermercados que possui lojas e depósitos em São Paulo e no Rio de Janeiro. É vedado aos sócios votar o laudo de avaliação da empresa da qual fazem parte.. ela subsiste com redução de seu capital. Suponha que os grupos empresariais Mar e Sol são proprietários da Empresa A.1 Casos práticos de cisão Vamos acompanhar dois exemplos (OLIVEIRA et al. Saiba mais sobre os processos de cisão. A companhia cindida poderá ser extinta caso a cisão seja total (todo o seu patrimônio) ou pode-se dividir o patrimônio. deve-se promover o arquivamento e a publicação dos atos da fusão. incorporação e cisão acessando o link disponível na midiateca. “Admitemse. pois. 327). Nessa situação. p. Cada sociedade convocará assembleia geral para aprovar o protocolo de fusão e para nomear os peritos que irão avaliar os patrimônios líquidos das sociedades envolvidas. o que se chama de cisão parcial. Depois de apresentados os laudos.

equipamentos e demais ativos dessa atividade. que já é existente e é de propriedade do grupo Mar. Agora.Todos os Direitos Reservados 7 . o esquema da cisão total da Empresa A.Normas e Práticas Tributárias extinguir a Empresa A. Devido a problemas financeiros. Figura 3 . Acompanhe.Cisão total Transferência de 40% do patrimônio Empresa B Transferência de 60% do patrimônio Empresa C Empresa A Fonte: Oliveira et al. O comprador assume esses ativos e constitui a Empresa B. p. Suponha que a Empresa A explore atividades de transportes marítimo e terrestre de cargas. De acordo com a Figura 3. Figura 4 . Senac São Paulo. 327).Cisão parcial Transferência de 30% do patrimônio Empresa B formada com 30% do PL de A Empresa A Empresa A continua com 70% de seu PL Fonte: Oliveira et al. 327). a Empresa C. verifica-se que a Empresa A teve a transferência de 40% de seu patrimônio para a Empresa B e 60% para a Empresa C. na Figura 3. fazendo com que a Empresa A seja extinta. (2014. com transferência do seu patrimônio para as empresas B e C. embarcações. 100% do seu patrimônio foi transferido. vejamos uma situação de cisão parcial. a Empresa A continua operando somente com o transporte terrestre. Isso representa 30% do patrimônio dessa empresa. Ou seja. Após a cisão. que irá constituir uma nova sociedade. p. As lojas do Rio de Janeiro representam 60% do patrimônio da Empresa A e estes ficarão com o grupo Sol. Isso é o que ocorre da cisão total. (2014. As lojas e os depósitos de São Paulo representam 40% do patrimônio da empresa e serão transferidos para a Empresa B. resolve abandonar o transporte marítimo e negocia a carteira de clientes.

em contrapartida. A sociedade que recebeu as parcelas do patrimônio terá o respectivo aumento e. 328): a. p. necessita de uma reforma estatutária e tem alterações na sua estrutura contábil também.2 Operacionalização Tanto a cisão total como a cisão parcial apresentam reflexos nos campos societário. logo. 2014. creditando em contrapartida. p.3 Aspectos contábeis da cisão Apresentaremos agora os lançamentos que devem ser feitos em caso de cisão. Debitar a conta de “capital social” pelo valor correspondente ao patrimônio líquido transferido. um aumento em seu capital. c. transferindo-se todo o seu patrimônio para as sociedades receptoras. pois nela também existe a integração de um ou mais patrimônios em outro. Dessa forma. creditando. a conta dos sócios retirantes. em relação à formação de capital. consequentemente. 328). Debitar a conta dos sócios retirantes pelo total que lhes toca na operação. 3. b. criada especificamente para esse fim. deverão ser efetuados os lançamentos a seguir na sociedade cindida (OLIVEIRA et al.Normas e Práticas Tributárias De acordo com a Figura 4. No caso de cisão total. Creditar as contas ativas pelo valor das parcelas que serão transferidas para a nova sociedade. podem ser aplicadas as mesmas regras sobre incorporação. “Na cisão. Senac São Paulo. em contrapartida. Conforme se pode verificar. operam-se modificações em todas as sociedades envolvidas. d. extingue-se a sociedade cindida. 3. Quando a cisão é parcial. creditando. em contrapartida. todas as contas são zeradas (contas ativas com crédito e contas passivas com débito) e a contrapartida é na conta cisão. devem ser observadas as regras próprias do tipo societário. Estas terão um acréscimo patrimonial e deverão proceder à reforma estatutária. na cisão. a empresa cindida tem seu patrimônio reduzido. pois ela ainda tem 70% de seu patrimônio líquido. Se for constituída uma sociedade nova. Para registrar essa operação.. salvo no caso de criação de empresa (sociedade nova)” (OLIVEIRA et al. a conta “cisão”. podemos verificar que a Empresa A continua operando após a cisão. Debitar as contas passivas pelo valor das parcelas que serão transferidas para a nova sociedade. tributário e contábil. 2014. a conta “cisão”..Todos os Direitos Reservados 8 . debitando. a conta “cisão” (conta especialmente criada para fins de registro da operação).

incorporação ou cisão será avaliado pelo valor contábil ou de mercado. 4. (2014. referente às obrigações nascidas até a data da cisão. a empresa Z. É admissível. Quem determina isso é a Lei nº 9. sendo que Y será composta pelos sócios “a” e “d” e. Ela pode ser cindida em Y e Z. Senac São Paulo.249/95. a legislação do imposto de renda criou algumas regras em relação a esse assunto. os encargos serão considerados incorridos para esse efeito. incorporação ou cisão respondem pelo imposto devido pelas sociedades transformadas. Por isso. “c” e “d”. A Lei nº 6. a lei estabelece que a pessoa jurídica que tiver parte ou todo o seu patrimônio absorvido em virtude de incorporação. Pode ocorrer também a cisão seletiva.1 Valor do patrimônio nas operações de fusão. incorporação e cisão. Mesmo que não tenham sido registrados contabilmente. A participação percentual de cada sócio deve ser observada em relação ao total do patrimônio líquido da sociedade cindida.Normas e Práticas Tributárias 4 Aspectos tributários A legislação do imposto de renda estabelece que as empresas constituídas por fusão. Ela não é descaracterizada dessas obrigações. “b”. a sociedade que absorver parte de outra responderá solidariamente pelos tributos devidos pela sociedade cindida. no qual os bens e direitos serão avaliados.Todos os Direitos Reservados 9 . por exemplo. fusão ou cisão deverá levantar balanço específico para este fim. extintas ou cindidas. pelos sócios “b” e “c”. 332): Atualmente. Se ocorrer uma cisão parcial. p. até 30 dias antes do evento. Por exemplo: somente pode ser deduzida como perda de capital a diferença entre o valor contábil e o valor líquido quando a avaliação for feita a preços de mercado. não existiam regras legais oficialmente determinadas a respeito da avaliação dos patrimônios líquidos que eram transferidos em processos de fusão. A diferença apurada entre o valor de mercado e o custo de aquisição para empresas tributadas com base no lucro presumido deverá ser adicionada à base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social. pelo valor contábil ou pelo valor de mercado. incorporação e cisão O valor dos bens e direitos nas operações de fusão. até 1996. pois a divisão do patrimônio resulta em composição societária distinta daquela anterior ao evento.404/76 concede liberdade às sociedades para determinar o critério de avaliação a ser adotado. segundo opção da pessoa jurídica. que é a seleção de bens e direitos dos sócios. que a sociedade Y tenha como sócios as pessoas “a”. que dispõe ainda que a pessoa jurídica deverá levantar balanço específico para esse fim. Portanto. De acordo com Oliveira et al.

Portanto. por todas as pessoas jurídicas. 810: Art. 1977). até o último dia útil do mês de junho. 434 e no art. O valor da reserva deverá ser computado na determinação do lucro real de acordo com o disposto no § 2º do art. na sociedade cindida ou em uma ou mais das sociedades resultantes da cisão (BRASIL. podemos verificar que o saldo da conta de ajuste de avaliação patrimonial não irá compor o lucro real e sim as reservas. de acordo com os arts. benfeitorias e reformas dos bens e direitos. Senac São Paulo. As reservas de reavaliação transferidas por ocasião da incorporação. o ganho de capital será apurado com base nos documentos de aquisição. em seu art. 1977). 440. terão. Parágrafo único. A pessoa jurídica incorporada. 440 e 441 do Regulamento do Imposto de Renda. 4. Deve-se descontar os encargos de depreciação. deverão observar o tratamento que é adotado para a reavaliação. na sucessora. Art. incorporação ou cisão são será computada para determinar o lucro real enquanto mantida em Ajuste de Avaliação Patrimonial na sociedade resultante da fusão ou incorporação. O imposto que é apurado em função de resultados em fusão. até o último dia útil do mês subsequente ao do evento (BRASIL. amortização ou exaustão incorridos. 441. 1995). mesmo que não estejam contabilizados. fusão ou cisão. 4.3 Apresentação da Declaração Integrada de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) A Declaração Integrada de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) deve ser entregue anualmente. A contrapartida do aumento do valor dos bens do ativo em virtude de reavaliação na fusão. incorporação ou cisão deve ser pago até o último dia útil do mês subsequente ao do evento.2 Tratamento do Ajuste de Avaliação Patrimonial As empresas tributadas com base no lucro real que registrem. Esse pagamento deve ser realizado em cota única. 435 (BRASIL. 810. em seu próprio nome. 1995).Todos os Direitos Reservados 10 .Normas e Práticas Tributárias Caso a empresa não possua escrituração contábil ou esta seja considerada imprestável. o mesmo tratamento tributário que teriam na sucedida (BRASIL. Art. O Regulamento do Imposto de Renda estabelece. a diferença entre o valor contábil e o valor de mercado que é adotado na avaliação. nos livros contábeis. fusionada ou cindida deverá apresentar declaração de rendimentos correspondente ao período transcorrido durante o anocalendário.

incorporação e fusão e seus aspectos contábeis e fiscais. estudamos os processos de cisão. br/ccivil_03/leis/l6404consol. Altera a legislação do imposto de renda das pessoas jurídicas. bem como da contribuição social sobre o lucro líquido. 26 dez. Sobre os aspectos tributários.249. Disponível em: <http://www.htm>. Surgem aí ótimas oportunidades de prestação de serviços. L. de 26 de dezembro de 1995. 1995. que conterá o patrimônio das antecessoras. Diário Oficial da União. e dá outras providências. Abordamos também a apresentação da Declaração Integrada de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Acesso em: 12 jan. Na fusão. de 15 de dezembro de 1976.htm>. na cisão parcial. OLIVEIRA. Verificamos que.Todos os Direitos Reservados 11 . Referências BRASIL. Manual de Contabilidade Tributária: Textos e Testes com as Respostas. DF. ela continua suas atividades. abordamos as reponsabilidades tributárias após o processo de incorporação. São Paulo: Atlas (e-book). DF. a empresa cindida é extinta e. como o patrimônio deve ser avaliado para essas operações e qual tratamento deve ser dado ao ajuste de avaliação patrimonial.Normas e Práticas Tributárias Considerações finais Nesta aula. 2015. ______. Disponível em: <http://www. Dispõe sobre as Sociedades por Ações.planalto. na incorporação. 15 dez. M. Brasília. Diário Oficial da União.gov. Acesso em: 12 jan. E.gov. Brasília. 2014. temos a exclusão de duas ou mais empresas para a criação de uma nova empresa. Lei nº 9. uma empresa absorve o patrimônio e outra(s) e se torna sucessora dela. a empresa transfere parte ou a totalidade de seu patrimônio para uma empresa já existente ou uma nova sociedade. na cisão. 1976.404. fusão ou cisão de empresas. planalto. 2015. Pudemos perceber que esse assunto é bem complexo e que as empresas necessitam de profissionais bem preparados para atuarem nessa área.br/ccivil_03/leis/l9249. No caso da cisão total. Lei nº 6. Senac São Paulo.