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PRINCÍPIO DA
INSIGNIFICÂNCIA, NO
ENTENDIMENTO DO STF
Princípio da insignificância e reincidência genérica
A 2ª Turma concedeu “habeas corpus” para
restabelecer sentença de primeiro grau, na parte em
que reconhecera a aplicação do princípio da
insignificância e absolvera o ora paciente da imputação
de furto (CP, art. 155). Na espécie, ele fora condenado
pela subtração de um engradado com 23 garrafas de
cerveja e seis de refrigerante — todos vazios, avaliados
em R$ 16,00 —, haja vista que o tribunal de justiça
local afastara a incidência do princípio da bagatela em
virtude de anterior condenação, com trânsito em
julgado, pela prática de lesão corporal (CP, art. 129). A
Turma, de início, reafirmou a jurisprudência do STF
na matéria para consignar que a averiguação do
princípio da insignificância dependeria de um juízo
de tipicidade conglobante. Considerou, então, que
seria inegável a presença, no caso, dos requisitos
para aplicação do referido postulado: mínima
ofensividade
da
conduta;
ausência
de
periculosidade
social
da
ação;
reduzida
reprovabilidade
do
comportamento;
e
inexpressividade da lesão jurídica. Afirmou,
ademais, que, considerada a teoria da reiteração
não cumulativa de condutas de gêneros distintos, a
contumácia de infrações penais que não têm o
patrimônio como bem jurídico tutelado pela norma
penal (a exemplo da lesão corporal) não poderia ser
valorada como fator impeditivo à aplicação do
princípio da insignificância, porque ausente a séria
lesão à propriedade alheia.
HC 114723/MG, rel. Min. Teori Zavascki, 26.8.2014.

Descaminho: princípio da insignificância e
atipicidade da conduta
A 1ª Turma, por maioria, declarou extinto “habeas
corpus” pela inadequação da via processual, mas
concedeu a ordem de ofício para trancar ação penal
ante a atipicidade da conduta imputada ao paciente
(CP, art. 334, “caput”). A Ministra Rosa Weber
(relatora), observou que, em se tratando de crime
de descaminho, a jurisprudência da Turma seria
firme no sentido de reconhecer a atipicidade da
conduta se, além de o valor elidido ser inferior
àquele estabelecido pelo art. 20 da Lei 10.522/2002,
atualizado por portaria do Ministério da Fazenda,
não houvesse reiteração criminosa ou, ainda,
introdução de mercadoria proibida em território

nacional. O Ministro Roberto Barroso, embora
acompanhasse a relatora, ressaltou a existência de
julgados da Turma afastando, no tocante ao patrimônio
privado, a aplicação do princípio da bagatela quando a
“res” alcançasse o valor de R$500,00. Assim, não seria
coerente decidir-se em sentido contrário quando se
buscasse proteger a coisa pública em valores de até
R$20.000,00. Ademais, aduziu que, ao se adotar o
entendimento de que o princípio da insignificância
acarretaria a atipicidade da conduta, o cometimento
anterior de delitos similares não se mostraria apto para
afastar o aludido princípio, uma vez que a atipicidade
da conduta não poderia gerar reincidência. Vencido o
Ministro Marco Aurélio, que conhecia do “writ”, porém
negava a ordem por vislumbrar que o objeto jurídico
protegido pelo art. 334 do CP seria a Administração
Pública e não apenas o erário. Considerava, ainda, que
as esferas cível e penal seriam independentes e que
adotar portaria do Ministério da Fazenda como
parâmetro para se aferir eventual cometimento do
delito seria permitir que o Ministro da Fazenda
legislasse sobre direito penal.
HC 121717/PR, rel. Min. Rosa Weber, 3.6.2014.

RHC N. 118.109-RS
RELATORA: MIN. ROSA WEBER
RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS.
IMPETRAÇÃO
DENEGADA
NO
STJ
POR
INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. FURTO. PRINCÍPIO
DA
INSIGNIFICÂNCIA.
REINCIDÊNCIA.
REPROVABILIDADE DA CONDUTA.
1. O Superior Tribunal de Justiça observou os
precedentes da Primeira Turma desta Suprema Corte
que não vêm admitindo a utilização de habeas corpus
em substituição a recurso constitucional.
2. Avalia-se a pertinência do princípio da
insignificância, em casos de pequenos furtos, a
partir não só do valor do bem subtraído, mas
também de outros aspectos relevantes da conduta
imputada.
3. A reincidência revela reprovabilidade suficiente a
afastar a aplicação do princípio da insignificância
(ressalva de entendimento da Relatora).
4. Recurso ordinário em habeas corpus a que se nega
provimento. Julgado em 31.03.2014

HC N. 114.877-MG
RELATOR: MIN. TEORI ZAVASCKI
EMENTA: HABEAS CORPUS. PENAL. FURTO.
PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. NÃO INCIDÊNCIA
NO
CASO.
CONTUMÁCIA
DELITIVA.
REPROVABILIDADE DA CONDUTA. PACIENTE
MONITORADO POR SISTEMA ELETRÔNICO DE
VIGILÂNCIA.
CRIME
IMPOSSÍVEL.
NÃO
OCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DA POSSE MANSA E

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PACÍFICA
DA
COISA
FURTADA.
DESCLASSIFICAÇÃO
PARA
MODALIDADE
TENTADA. INVIABILIDADE. ORDEM DENEGADA.
1. O paciente retirou a coisa móvel da esfera de
disponibilidade da vítima e, ainda que por um curto
período, teve a livre disposição da coisa, moldura fática
suficiente para, na linha de precedentes desta Corte,
caracterizar o crime de furto na modalidade
consumada.
2. Na hipótese em que o sistema de vigilância não
inviabiliza, mas apenas dificulta a consumação do
crime de furto, não há que falar na incidência do
instituto do crime impossível por ineficácia absoluta do
meio (CP, art. 17). Precedentes.
3. Segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal
Federal, para se caracterizar hipótese de aplicação
do denominado “princípio da insignificância” e,
assim,
afastar
a
recriminação
penal,
é
indispensável que a conduta do agente seja
marcada por ofensividade mínima ao bem jurídico
tutelado, reduzido grau de reprovabilidade,
inexpressividade
da
lesão
e
nenhuma
periculosidade social.
4. Nesse sentido, a aferição da insignificância como
requisito negativo da tipicidade envolve um juízo de
tipicidade conglobante, muito mais abrangente que
a simples expressão do resultado da conduta.
Importa investigar o desvalor da ação criminosa em
seu sentido amplo, de modo a impedir que, a
pretexto da insignificância apenas do resultado
material, acabe desvirtuado o objetivo a que visou
o legislador quando formulou a tipificação legal.
Assim, há de se considerar que “a insignificância
só pode surgir à luz da finalidade geral que dá
sentido à ordem normativa” (Zaffaroni), levando em
conta também que o próprio legislador já
considerou hipóteses de irrelevância penal, por ele
erigidas, não para excluir a tipicidade, mas para
mitigar a pena ou a persecução penal.
5. Para se afirmar que a insignificância pode
conduzir à atipicidade é indispensável, portanto,
averiguar a adequação da conduta do agente em
seu sentido social amplo, a fim de apurar se o fato
imputado, que é formalmente típico, tem ou não
relevância penal. Esse contexto social ampliado
certamente comporta, também, juízo sobre a
contumácia da conduta do agente.
6. Não se pode considerar atípica, por irrelevante, a
conduta formalmente típica, de delito contra o
patrimônio, praticada por paciente que possui
condenações anteriores transitadas em julgado,
sendo uma delas por crime contra o patrimônio.
7. Ordem denegada. Julgado em 31.03.2014

HC N. 118.361-MG
RELATOR: MIN. GILMAR MENDES

Habeas corpus. 2. Furto de fios elétricos praticado
mediante concurso de agentes. Condenação. 3. Pedido
de aplicação do princípio da insignificância. 4. Ausência
de dois dos vetores considerados para a aplicação do
princípio da bagatela: a ausência de periculosidade
social da ação e o reduzido grau de reprovabilidade da
conduta. 5. A prática delituosa é altamente
reprovável, pois afeta serviço essencial da
sociedade. Os efeitos da interrupção do
fornecimento de energia não podem ser
quantificados apenas sob o prisma econômico,
porque importam em outros danos aos usuários do
serviço. 6. Personalidade do agente voltada ao
cometimento de delitos patrimoniais (reiteração
delitiva). Precedentes do STF no sentido de afastar a
aplicação do princípio da insignificância aos acusados
reincidentes ou de habitualidade delitiva comprovada.
7. Furto em concurso de pessoas. Maior desvalor da
conduta. Precedentes do STF. 8. Ordem denegada.
Julgado em 17.03.2014.

HC N. 115.423-SP
RELATOR: MIN. ROBERTO BARROSO
EMENTA:
HABEAS
CORPUS
ORIGINÁRIO
IMPETRADO CONTRA ACÓRDÃO QUE NEGOU
PROVIMENTO A AGRAVO REGIMENTAL EM
RECURSO ESPECIAL. ATIVIDADE CLANDESTINA
DE
TELECOMUNICAÇÕES.
HABITUALIDADE.
EMISSORA CLANDESTINA QUE INTERFERE NO
TRÁFEGO
AÉREO.
INAPLICABILIDADE
DO
PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA PENAL. ORDEM
DENEGADA. 1. O acórdão impugnado está em
conformidade com a jurisprudência de ambas as
Turmas do Supremo Tribunal Federal no sentido de
que “o uso clandestino e habitual de serviços de
telecomunicações amolda-se ao tipo penal do art.
183 da Lei 9.472/1997” (HC 115.137, Rel. Min. Luiz
Fux, Primeira Turma). Precedentes. 2. Constatado
pelas instâncias de origem que a rádio clandestina
operada pelo paciente
estava interferindo no
tráfego aéreo, não é possível a adoção do princípio
da insignificância penal. 3. Violação do bem jurídico
tutelado pela norma incriminadora. Precedente: HC
119.979, Rel.ª Min.ª Rosa Weber. 3. Ordem
denegada.
Julgado em 17.03.2014.

Princípio da insignificância: alteração de valores
por portaria e execução fiscal
A 2ª Turma, em julgamento conjunto, deferiu
“habeas corpus” para restabelecer as sentenças de
primeiro grau que, com fundamento no CPP (“Art.
397. Após o cumprimento do disposto no art. 396-A,
e parágrafos, deste Código, o juiz deverá absolver
sumariamente o acusado quando verificar: ... III -

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que o fato narrado evidentemente não constitui
crime”), reconheceram a incidência do princípio da
insignificância e absolveram sumariamente os
pacientes. Na espécie, os pacientes foram
denunciados como incursos nas penas do art. 334,
§ 1º, d, c/c o § 2º, ambos do CP (contrabando ou
descaminho). A Turma observou que o art. 20 da
Lei 10.522/2002 determinava o arquivamento das
execuções
fiscais,
sem
cancelamento
da
distribuição, quando os débitos inscritos como
dívidas ativas da União fossem iguais ou inferiores
a R$ 10.000,00. Destacou que, no curso dos
processos, advieram as Portarias 75/2012 e
130/2012, do Ministério da Fazenda, que atualizaram
os valores para R$ 20.000,00. Asseverou que, por
se tratar de normas mais benéficas aos réus,
deveriam ser imediatamente aplicadas, nos termos
do art. 5º, XL, da CF. Aduziu que, nesses julgados,
além de o valor correspondente ao não
recolhimento dos tributos ser inferior àquele
estabelecido pelo Ministério da Fazenda, a
aplicação do princípio da bagatela seria possível
porque não haveria reiteração criminosa ou
introdução, no País, de produto que pudesse
causar dano à saúde. Os Ministros Teori Zavascki e
Cármen Lúcia concederam a ordem com ponderações.
O Ministro Teori Zavascki salientou o fato de portaria
haver autorizado e dobrado o valor da dispensa de
execução. A Ministra Cármen Lúcia observou que
“habeas corpus” não seria instrumento hábil a apurar
valores.
HC 120620/RS e HC 121322/PR, rel. Min. Ricardo
Lewandowski, 18.2.2014.

Princípio da insignificância e rádio comunitária de
baixa potência
Em conclusão de julgamento, a 2ª Turma, por
maioria, proveu recurso ordinário em habeas
corpus para conceder a ordem e restabelecer a
rejeição da denúncia proferida pelo juízo de origem.
No caso, o magistrado de 1º grau aplicara o
princípio da insignificância ao crime descrito no art.
183
da
Lei
9.472/1997
(desenvolver
clandestinamente atividade de telecomunicação),
por não haver prova pericial que constatasse, in
loco, que a rádio comunitária operara com potência
efetiva radiada acima do limite de segurança. Dessa
forma, o magistrado considerara que o desvalor —
insegurança — não estaria demonstrado, e essa prova
seria essencial para constatação do fato típico. Contra
essa decisão, fora interposto recurso em sentido estrito
para o TRF que, provido, determinara o recebimento da
denúncia. O STJ mantivera esse entendimento — v.
Informativo 734. A Turma assentou a ausência, na
espécie, de comprovação da materialidade delitiva da
infração penal. Ressaltou que não teria sido constatada

a lesão aos bens jurídicos penalmente tutelados.
Considerou, entretanto, que o Poder Público poderia ter
outro tipo de atuação, como, por exemplo, a via
administrativa. Vencidos os Ministros Teori Zavascki e
Gilmar Mendes, que negavam provimento ao recurso.
O primeiro consignava que a falta de elementos que
comprovassem que a rádio comunitária interferia, ou
não, na segurança não seria motivo para rejeitar a
denúncia por insignificância. Destacava que essa prova
poderia e deveria ser realizada no curso da ação penal.
O Ministro Gilmar Mendes aduzia que a instalação de
estação
clandestina
de
radiofrequência,
sem
autorização do órgão competente, seria suficiente para
comprometer a regularidade do sistema de
telecomunicações. Sublinhava que o legislador buscara
tutelar a segurança dos meios de comunicação,
especialmente para evitar interferência em diversos
sistemas como, por exemplo, o aéreo. Assim, seria
prescindível a comprovação de prejuízo efetivo para a
consumação do delito.
RHC 119123/MG, rel. Min. Cármen Lúcia, 11.3.2014.

HC N. 120.550-PR
RELATOR: MIN. ROBERTO BARROSO
EMENTA:
HABEAS
CORPUS.
IMPORTAÇÃO
FRAUDULENTA DE CIGARROS. CONTRABANDO. 1.
A importação clandestina de cigarros estrangeiros
caracteriza crime de contrabando e não de
descaminho. Precedentes. 2. A jurisprudência do
Supremo Tribunal Federal não admite a aplicação do
princípio da insignificância ao delito de contrabando. 3.
Habeas corpus denegado.
Julgado em 17.02.2014.

Princípio da insignificância e reincidência
A 2ª Turma deu provimento a recurso ordinário em
habeas corpus para trancar ação penal, ante
aplicação do princípio da insignificância. No caso,
o paciente subtraíra dois frascos de desodorante
avaliados em R$ 30,00. Após a absolvição pelo juízo
de origem, o Tribunal de Justiça deu provimento à
apelação do Ministério Público para condenar o réu à
pena de 1 ano e 4 meses de reclusão, em regime inicial
fechado, pela prática do delito previsto no art. 155,
caput, do CP. A Turma destacou que o prejuízo teria
sido insignificante e que a conduta não causara ofensa
relevante à ordem social, a incidir, por conseguinte, o
postulado da bagatela. Consignou-se que, a despeito
de estar patente a existência da tipicidade formal, não
incidiria, na espécie, a material, que se traduziria na
lesividade efetiva. Sublinhou- se, ainda, a existência de
registro de duas condenações transitadas em julgado
em desfavor do paciente por crime de roubo. Afirmouse que, embora o entendimento da Turma afastasse
a aplicação do princípio da insignificância aos

não haveria condenação penal transitada em julgado. Min. por laudo da . a reconhecer a atipicidade material do comportamento dos pacientes. tampouco o reduzido grau de reprovabilidade do comportamento. em face da coisa pública atingida. 19. não haveria como reconhecer a mínima ofensividade da conduta. Ricardo Lewandowski. Min.2013. Salientou-se a necessidade de se analisar o caso perante o contexto jurídico. Destacou-se que as consequências do ato perpetrado transcenderiam a esfera patrimonial. 25. cabível. a 2ª Turma. ausência de violência e cumprimento de cinco meses de reclusão (contados da data do fato até a prolação da sentença). 27. tendo em conta as circunstâncias próprias do caso: valor ínfimo. considerada a presunção constitucional de inocência que a todos beneficiaria.www. rel.2013. Asseveravam ser certo não bastar apenas o ínfimo valor das coisas furtadas. Consignavam. aproximar-se-ia do de caráter administrativo. Pontuavam que esse fato não seria suficiente a atribuir ao paciente o caráter de agente criminoso ou de alguém que fizesse do crime prática reiterada e habitual.8. denegou ordem de habeas corpus. Ricardo Lewandowski.. Na espécie. não pode ser denunciado pela suposta prática de exercício ilegal da profissão (Lei das Contravenções Penais: “Art. Asseverou-se que. Princípio da insignificância e reiteração criminosa Em conclusão. o bem jurídico penalmente protegido. rel. a 2ª Turma concedeu habeas corpus para restabelecer decisão de 1º grau. Gilmar Mendes. já que comprovado.6.br acusados reincidentes ou de habitualidade delitiva comprovada. HC 115046/MG. considerou-se que.SRTE. alegava a inexpressividade do valor do bem.com. Os Ministros Cármen Lúcia e Ricardo Lewandowski assinalavam acompanhar o relator em razão da peculiar situação de o réu ter ficado preso durante o período referido. na medida em que o valor da coisa danificada seria somente um dos pressupostos para escorreita aplicação do postulado. a sua incidência. Vencidos os Ministros Gilmar Mendes e Celso de Mello. Princípio da insignificância e rádio clandestina A 2ª Turma denegou habeas corpus no qual se requeria o trancamento da ação penal pelo reconhecimento da aplicação do princípio da insignificância à conduta de operar de forma clandestina rádios com frequência máxima de 25W. 47. o paciente fora condenado pelo delito de atividade clandestina de telecomunicações (Lei 9. que concediam a ordem. rel. III). 14. a falta de registro no órgão competente não atingiria. art. Verificou-se a presença de requisitos para a aplicação do princípio da insignificância. HC 115383/RS. contudo. O paciente.00. o paciente danificara protetor de fibra de aparelho telefônico público pertencente à concessionária de serviço público.242/75. bens restituídos. HC 114340/ES. no caso daqueles conhecidos por “flanelinhas”. Entendeu-se que a conduta perpetrada pelo réu conteria elevado coeficiente de danosidade. Frisou-se que seria nesse contexto que se deveria avaliar a censurabilidade da conduta e não apenas na importância econômica dos bens subtraídos. 163.3. por maioria. que. Destacou-se que a tipificação em debate teria por finalidade garantir que as profissões fossem exercidas por profissionais habilitados e. pressuposto processual ou condição para o exercício da ação penal” (CPP. condenado pela prática de furto simples tentado. Min. parágrafo único. II). na espécie. No caso. em face da privação da coletividade. art. Nessa senda. a 2ª Turma denegou habeas corpus em que requerida a incidência do mencionado princípio em favor de acusado pela suposta prática do crime de dano qualificado (CP. na espécie. Assim. Com base nesse entendimento. RHC 113773/MG. impossibilitada de se valer de um telefone público. Princípio da insignificância e bem de concessionária de serviço público É inaplicável o princípio da insignificância quando a lesão produzida pelo paciente atingir bem de grande relevância para a população. cujo prejuízo fora avaliado em R$ 137. examinados os elementos caracterizadores da insignificância. reconheceu-se a atipicidade da conduta perpetrada pelo recorrente. Reputou-se minimamente ofensiva e de reduzida reprovabilidade a conduta. a inaplicabilidade do princípio da insignificância ante a reprovabilidade e ofensividade da conduta do agente. Exercer profissão ou atividade econômica ou anunciar que a exerce. Gilmar Mendes.2013. art. 183).2013. se ilícito houvera..5. Com base nesse entendimento. sem preencher as condições a que por lei está subordinado o seu exercício”). Min. 395. que rejeitara a peça acusatória por falta de “. de forma significativa. nos termos fixados pela Lei 6.472/97. Ressaltou-se que o paciente possuiria acentuada periculosidade e faria do crime o seu meio de vida. rel. a apostar na impunidade. “Flanelinha” e registro de profissão O guardador ou lavador autônomo de veículos automotores não registrado na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego . Apontou-se que o reconhecimento da insignificância não poderia levar em conta apenas a expressão econômica da lesão. embora o paciente tivesse registro de inquéritos policiais e ações penais.penalemfoco. ao reconhecer.

CRIME DE DESCAMINHO.149-RS RELATORA: MIN. ORDEM CONCEDIDA. 6. no sentido de se verificar a ocorrência de alguma lesão grave. Min. 20 da Lei 10. 20 DA LEI 10. o que afasta a aplicação do princípio da insignificância no caso. 3. Para a incidência do princípio da insignificância.033/2004. a jurisprudência deste Supremo Tribunal é firme no sentido de que o cheque furtado e preenchido com valor superior a um décimo do mais alto salário mínimo do país não enseja adoção do princípio da insignificância. tais como a mínima ofensividade da conduta do agente. o princípio da insignificância deve ser aplicado ao delito de descaminho quando o valor sonegado for inferior ao estabelecido no art.2012.com. § 1º. por consequência. devido à sua reprovabilidade. PENAL. . CONSTITUCIONAL. pois.2012. apesar de haver lesão a bem juridicamente tutelado pela norma penal. FURTO QUALIFICADO DE CHEQUE PREENCHIDO NO VALOR DE R$ 400. Cármen Lúcia. Habeas corpus denegado. 3.00. mesmo que pratique crimes de pequena monta. clara interferência à segurança do tráfego aéreo com eventuais consequências catastróficas. Comportamentos contrários à lei penal. 2.Nos termos da jurisprudência deste Tribunal. A tipicidade penal não pode ser percebida como o exercício de mera adequação do fato concreto à norma abstrata. por consequência. seriam transformados pelo infrator em verdadeiro meio de vida. HC N. 1. 4. para a configuração da tipicidade.penalemfoco. PENAL. 4.033/2004. O princípio da insignificância não pode ser acolhido para resguardar e legitimar constantes condutas desvirtuadas. 344. O princípio da insignificância reduz o âmbito de proibição aparente da tipicidade legal e. 2. CÁRMEN LÚCIA EMENTA: HABEAS CORPUS. Ordem denegada. INFRAÇÃO DO ART. O princípio da insignificância reduz o âmbito de proibição aparente da tipicidade legal e. não pode ser tratado pelo sistema penal como se tivesse praticado condutas irrelevantes. além do cheque subtraído ter sido preenchido e sacado no valor de R$ 400. 1.522/2002. 112. fazendo-se justiça no caso concreto.2. o reduzido grau de reprovabilidade do comportamento e a inexpressividade da lesão jurídica causada. quando analisados isoladamente. HABEAS CORPUS. 108. 112. mesmo que insignificantes. HC N. A tipicidade penal não pode ser percebida como o trivial exercício de adequação do fato concreto à norma abstrata. sejam sancionados pelo direito penal. a ausência de periculosidade social da ação. CÁRMEN LÚCIA EMENTA: HABEAS CORPUS.www. a indiferença penal do fato. mas para impedir que desvios de conduta ínfimos. Precedentes.br Anatel. isolados. devem ser relevados o valor do objeto do crime e os aspectos objetivos do fato. Julgado em 18. 5. quando constantes. APLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA: INVIABILIDADE. VALOR SONEGADO INFERIOR AO FIXADO NO ART. Elevado grau de reprovabilidade da conduta imputada evidenciado pela reiteração delitiva.2013. ALÍNEA D. pois crimes considerados ínfimos. apesar de haver lesão a bem juridicamente tutelado pela norma penal. a configuração da tipicidade demandaria uma análise materialmente valorativa das circunstâncias do caso concreto. perdem a característica da bagatela e devem se submeter ao direito penal. rel. torna atípico o fato na seara penal. RICARDO LEWANDOWSKI EMENTA: PENAL. I . 5. PRETENSÃO DE APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA: INVIABILIDADE. para se verificar a ocorrência de alguma lesão grave. contundente e penalmente relevante do bem jurídico tutelado. contundente e penalmente relevante do bem jurídico tutelado. Nas circunstâncias do caso. Além da correspondência formal.522/2002. Julgado em 15. O criminoso contumaz.00.597-PR RELATORA: MIN. PRECEDENTES. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. o que se aproxima do valor do salário mínimo da época em que se deram os fatos.09.05. qual seja. HC 111518/DF. é necessária uma análise materialmente valorativa das circunstâncias do caso concreto. COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI 11. o fato não é penalmente irrelevante do ponto de vista social.772-PR RELATOR: MIN. PRÁTICA REITERADA DE DESCAMINHO. ALTO GRAU DE REPROVABILIDADE DA CONDUTA. Destacou-se que estaria ausente um dos elementos necessários para a incidência do aludido postulado. com a redação dada pela Lei 11. Existência de outros processos administrativos fiscais instaurados contra o Paciente em razão de práticas de descaminho. PRECEDENTES. Além da correspondência formal. DO CÓDIGO PENAL. torna atípico o fato na seara penal. HC N. ORDEM DENEGADA. 5. APLICABILIDADE. mas relevantes quando em conjunto.

a 1ª Turma. a conduta minimamente ofensiva. DJe 14. quase zero. Afirmou-se que. inclusive mais graves. para o reconhecimento da insignificância da ação. REGISTROS CRIMINAIS PRETÉRITOS. sendo: uma pelo crime de homicídio qualificado. ser absolvido por atipicidade do comportamento. Ressalva de entendimento pessoal da Ministra Relatora. Avalia-se a pertinência do princípio da insignificância. INAPLICABILIDADE. 180 do CP) traz consigo um enorme número de outros crimes. Julgado em 11. RICARDO LEWANDOWSKI EMENTA: PENAL. o que demonstra a necessidade da tutela penal.02. DIREITO PENAL. também. HC 110.2012. 2.g.www.2011). exige a satisfação. à primeira vista. 112.9. ROSA WEBER E M E N T A: RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. Julgado em 21. de modo a tornar a ação atípica. Cármen Lúcia.2012.02. Res furtiva de valor insignificante. no valor pago pelo paciente para. rel. Atipicidade reconhecida. que. VI – Ordem denegada.08. PACIENTE DENUNCIADO PELO CRIME DE RECEPTAÇÃO. o reduzido grau de reprovabilidade do comportamento e a lesão jurídica inexpressiva. Conforme ressaltado pelas instâncias anteriores e pelo Ministério Público Federal. DJe 14. ORDEM DENEGADA. na certidão de antecedentes criminais que instrui os autos da ação penal. HC N. adquirir um produto de crime. possa parecer pouco expressivo (R$ 50. consoante jurisprudência consolidada da Primeira Turma desta Suprema Corte (v. em recurso ou habeas corpus. verifica-se que o paciente responde a outras cinco ações penais em curso. Irrelevância no caso. Cármen Lúcia.2012. embora o bem pertencesse ao Estado. REPROVABILIDADE DA CONDUTA DO AGENTE. ilicitamente. e não apenas na importância econômica do bem subtraído ou. não se pode levar em conta apenas a expressão econômica da lesão. reconhecendo-se a atipicidade da conduta.696 rel.2011. Dias Toffoli. REPROVABILIDADE DA CONDUTA. Deve-se destacar. HC 108. em casos de pequenos furtos. Princípio da insignificância e furto em penitenciária Em conclusão de julgamento. HC concedido para esse fim. por maioria.com. V – Os autos dão conta da reiteração criminosa. IV – O delito de receptação (art. Informativos 618 e 625.608-RS RELATOR: MIN. É nesse contexto que se deve avaliar a reprovabilidade da conduta. o que não pode ser considerado ínfimo. uma pelo delito de violência doméstica e outra pelo suposto cometimento de roubo/extorsão. Coisa estimada em treze reais. Voto vencido. III – Impossível o reconhecimento do delito de bagatela. II – Embora o valor do bem adquirido. com violação da privacidade e da tranquilidade pessoal desta. Dano à probidade da administração. à época dos fatos correspondia a quase 25% do salário mínimo vigente. Crime de bagatela. por carcereiro. Caracterização. HABEAS CORPUS. Dias Toffoli. de farol de milha que guarnecia motocicleta apreendida.2012. e a ausência de prejuízo que pudesse advir para a Administração Pública seria suficiente para que . de certos requisitos. a partir não só do valor do bem subtraído. Min. 111. Verificada a objetiva insignificância jurídica do ato tido por delituoso. rel.951. DJe 27. Min. deve o réu. deu provimento a recurso ordinário em habeas corpus para aplicar o princípio da insignificância em favor de condenado pela tentativa de subtração de cartucho de tinta para impressora do Centro de Progressão Penitenciária.: HC 109.388-SP REDATOR PARA PELUSO O ACÓRDÃO: MIN. HC N. mas também de outros aspectos relevantes da conduta imputada. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. Periculosidade não considerável do agente. rel. A existência de registros criminais pretéritos contra o recorrente obsta por si só a aplicação do princípio da insignificância.739/SP. em que trabalhava e cumpria pena por delito anterior —v. determinar o trancamento da ação penal.00).707-DF RELATORA: MIN. Julgado em 24. e HC 107. RHC N. à luz das suas circunstâncias. Julgado em 21. FURTO. CEZAR AÇÃO PENAL.2012. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. a exemplo do furto e do roubo. porquanto a conduta narrada reveste-se de significativa reprovabilidade. Absolvição decretada.br II – Ordem concedida para.penalemfoco.09. Não tem pertinência o princípio da insignificância se o crime de furto é praticado mediante ingresso subreptício na residência da vítima. Delito de peculato-furto.10. DJe 20. duas pela prática de furto. 3. Min. seu valor poderia ser reputado ínfimo. Apropriação. quais sejam. I – A aplicação do princípio da insignificância. pois é nele que se encontra incentivo para a prática de diversos crimes contra o patrimônio. 112.04. Min. Circunstâncias relevantes.674.2012. a ausência de periculosidade social da ação. 1.08. de forma concomitante. Aplicação do princípio da insignificância. como no caso sob exame.

Ricardo Lewandowski. (c) reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento.884/RS. da Lei 9. apesar do valor do bem ser insignificante.05. rel. É possível que o reincidente cometa o delito famélico que induz ao tratamento penal benéfico.00.. a insignificância destacada do estado de necessidade impõe a análise de outro fatores para a sua incidência. não mais primário. as seguintes condições objetivas: (a) mínima ofensividade da conduta do agente. Penal. Julgado em 22. Gilmar Mendes acresceu ser evidente a desproporcionalidade da situação.com. HC 108. 4. e Marco Aurélio. Princípio da insignificância e crime ambiental A 2ª Turma. que denegava a ordem. II. (b) nenhuma periculosidade social da ação.9.. Julgado em 22. ou mediante a utilização de aparelhos. FURTO QUALIFICADO MEDIANTE O CONCURSO DE DUAS OU MAIS PESSOAS (CP. Ordem denegada. Vencido o Min. orig.. e (d) inexpressividade da lesão jurídica provocada. que negavam provimento ao recurso. É entendimento reiterado desta Corte que a aplicação do princípio da insignificância exige a satisfação dos seguintes vetores: (a) mínima ofensividade da conduta do agente. e (d) inexpressividade da lesão jurídica provocada.05.2012. b) a aplicação do princípio da insignificância deve. 34. O Min. 155. rel. Explicitou-se que. red. RHC 106731/DF. Inviabilidade. concedeu habeas corpus para aplicar o princípio da insignificância em favor de condenado pelo delito descrito no art. INCISO IV).74. (c) grau reduzido de reprovabilidade do comportamento. No caso. HC 112563/SC. Furto qualificado. contudo. LUIZ FUX EMENTA: PENAL. demonstram significativa reprovabilidade do comportamento e relevante periculosidade da ação.penalemfoco. Ressaltava que o paciente teria reiterado essa prática. Princípio da insignificância e militar da reserva A 1ª Turma denegou habeas corpus em que pleiteada a aplicação do princípio da insignificância em favor de policial militar da reserva acusado de utilizar documento falso — passe livre conferido àqueles da ativa — para obter passagem de ônibus intermunicipal sem efetuar pagamento do preço. Cezar Peluso. Incorre nas mesmas penas quem: .2012. JOAQUIM BARBOSA EMENTA: Habeas Corpus. 1. Min. Ricardo Lewandowski. Crime praticado mediante o rompimento de obstáculo. Asseverou que outros meios deveriam reprimir este tipo eventual de falta. HC N. o dispositivo visaria preservar a época de reprodução da espécie que poderia estar em extinção. tendo em conta a objetividade da lei de defesa do meio ambiente. que reputou irrelevante a conduta em face do número de espécimes encontrados na posse do paciente..2012. p/ o acórdão Min. Cezar Peluso. Ricardo Lewandowski.840-MS RELATOR: MIN. LIMINAR INDEFERIDA. red.8. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. (b) ausência de periculosidade social da ação. 3. Prevaleceu o voto do Min. petrechos. O furto famélico subsiste com o princípio da insignificância. Vencidos os Ministros Ricardo Lewandowski. Ordem denegada. Asseveravam não poder ser considerado reduzido o grau de reprovabilidade da conduta do paciente que. Parágrafo único. Min.262-MG RELATOR: MIN. p/ o acórdão Min. embora o valor do bilhete fosse apenas de R$ 48. É cediço que a) O princípio da insignificância incide quando presentes. ser precedida de criteriosa análise de cada caso. Incidência do princípio da insignificância. relator. INAPLICABILIDADE. As peculiaridades do delito .br incidisse o postulado. NÃO OBSTANTE O ÍNFIMO VALOR DA RES FURTIVA: RÉU REINCIDENTE E COM EXTENSA FICHA CRIMINAL CONSTANDO DELITOS CONTRA O PATRIMÔNIO.pesca quantidades superiores às permitidas. posto não integrarem binômio inseparável. o paciente fora flagrado ao portar 12 camarões e rede de pesca fora das especificações da Portaria 84/2002 do IBAMA. seria inaplicável o referido postulado. 21. porquanto se estaria diante de típico crime famélico. BENS AVALIADOS EM R$ 91. 34: Pescar em período no qual a pesca seja proibida ou em lugares interditados por órgão competente: . embora não houvesse antecedente específico nesse sentido. ART. orig. 112. Asseverou-se que a conduta revestir-se-ia de elevada reprovabilidade.605/98 (“Art. Dias Toffoli. a fim de evitar que sua adoção indiscriminada constitua verdadeiro incentivo à . técnicas e métodos não permitidos”).2012. parágrafo único. 110. 4. II . por maioria. 2. porquanto envolveria policial militar. cumulativamente.praticado mediante a destruição de obstáculo (arrombamento da janela da casa da vítima) -. caput.www. § 4º. Esclarecia que. fato este suficiente ao afastamento da incidência do princípio da insignificância. HABEAS CORPUS. HC N. Deveras. tentara furtar bem público na constância do cumprimento de pena em estabelecimento penitenciário. pois não seria razoável a imposição de sanção penal à hipótese.

conforme se verifica na certidão de antecedentes criminais juntada à impetração (fl.4. no entanto. Princípio da insignificância e ato infracional Ante a incidência do princípio da insignificância. Resolveu-se.2012. rel. c/c o art. preventivo e protetor. Min. Essas circunstâncias inibem a aplicabilidade do postulado da insignificância ao caso concreto. Ricardo Lewandowski que. não podendo o Estado ficar impedido de aplicá-las (HC 98381/RS. à vida pregressa ou à reincidência na análise da aplicação desse postulado. Inaplicabilidade. 38 do anexo 5).2012. seria usuário de drogas e possuiria antecedentes pelo cometimento de outros atos infracionais. concedeu habeas corpus para trancar ação movida contra menor representado pela prática de ato infracional análogo ao crime de furto simples tentado (niqueleira contendo cerca de R$ 80. Min. Ordem denegada. 5. Princípio da insignificância e furto qualificado A 1ª Turma. nessa extensão. Frisou-se que a pena mínima cominada ao tipo penal em questão seria superior a um ano de reclusão. não há como acatar a tese de irrelevância material da conduta por ele praticada. ainda. por maioria. 180. 6.00). 5. a saber. Julgado em 20. a 2ª Turma conheceu. consta da sentença que “.2012. 89) não são aplicáveis ao delito de receptação qualificada (CP. De outra parte.2009). que deferia o writ ante a ausência de tipicidade penal. se levado em conta que o valor do salário mínimo vigente à época dos fatos não ultrapassava a cifra de R$ 350.00 (trezentos e cinquenta reais).com. Precedentes. . 2. de habeas corpus e. R$ 200. Furto simples na modalidade tentada. Min. Rel. estas não lhe favorecem em razão dos inúmeros delitos contra o patrimônio cujas práticas lhe são atribuídas. Celso de Mello. por maioria. DJ de 26/5/2011. e HC 108.03. Penal. art. 3. 24. DJ de 23/11/2010. 1. “o reconhecimento da insignificância material da conduta increpada ao paciente serviria muito mais como um deletério incentivo ao cometimento de novos delitos do que propriamente uma injustificada mobilização do Poder Judiciário” (HC nº 96. Ostentando o paciente a condição de reincidente e possuindo extensa ficha criminal revelando delitos contra o patrimônio. Relator o Ministro Ayres Britto. Com base nesse entendimento.099/95. a 2ª Turma. inciso II. HC 105963/PE. indeferiu a ordem impetrada em favor de denunciado pela suposta prática do crime de receptação qualificada por haver sido encontrado em sua farmácia medicamento destinado a fundo municipal de saúde. Cármen Lúcia.os antecedentes criminais são péssimos. bem como o benefício da suspensão condicional do processo (Lei 9. 5. rel. ainda que se admitisse ser de reduzida expressividade financeira o valor daqueles bens. § 1º). Quanto à sua conduta social e personalidade. HC 96684/MS. Vencida a Min. 111.00 (duzentos reais). tendo em vista sua personalidade voltada à prática delitiva. 4. Ordem denegada. Rel.2012.penalemfoco. 1ªTurma. Ordem denegada. rel. 1ª Turma. Cármen Lúcia. Em seguida. esclareceu-se que o paciente. Min. não cabe a aplicação do princípio da insignificância. denegou habeas corpus em que se requeria a incidência do princípio da insignificância em favor de condenado por tentativa de furto qualificado de impressora avaliada em R$ 250.3. Rememorou-se entendimento da Turma segundo o qual as medidas previstas no ECA teriam caráter educativo. o Ministro Luiz Fux. Salientava. De início. o que não é o caso. Conforme a jurisprudência desta Corte. DIAS TOFFOLI Habeas corpus.www. Destacou-se não ser de bagatela o valor do objeto em comento. destacou-se a ausência de efetividade das medidas socioeducativas anteriormente impostas. HC 108330/RS.11.056. DJe de 20. 14. 20. Na espécie. que incidiria o princípio da bagatela à espécie. o que denota a sua vocação para a delinquência.. Paciente reincidente em práticas delituosas.br prática de pequenos delitos patrimoniais. Asseverou-se não ser razoável que o direito penal e todo o aparelho do Estado-polícia e do Estado-juiz movimentassem-se no sentido de atribuir relevância típica a furto tentado de pequena monta quando as circunstâncias do delito dessem conta de sua singeleza e miudez.04. DJe de 28/5/10). conforme depreender-se-ia dos autos. Receptação: princípio da insignificância e suspensão condicional do processo O princípio da insignificância. Valor dos bens furtados equivalente a pouco mais da metade do salário mínimo vigente à época dos fatos. Precedentes: HC 107067. Julgado em 10. caput. art. HC N. em 14/02/2012.. ressaltando-se que a reincidência não será no momento observada para se evitar bis in idem. In casu. Rosa Weber. consistente em dois terços do salário mínimo vigente à época.123-RS RELATOR: MIN. Dias Toffoli. não há como considerar de reduzida expressividade financeira o valor em que foram avaliadas as mercadorias que o paciente tentou subtrair. em parte. desconsiderar aspectos vinculados à culpabilidade. ambos do Código Penal. j. Artigo 155. o que afastaria o instituto da suspensão condicional do processo. 1ªTurma. Vencido o Min.202/RS.00. Primeira Turma. Alegada incidência do postulado da insignificância penal.

Ainda. 109. GILMAR MENDES Habeas corpus. As peculiaridades do delito . Julgado em 22. ORDEM DENEGADA. e as menos graduadas a obedecer). Reprovabilidade da conduta. 3.com. HC 110845/GO. denegou habeas corpus em que se requeria a incidência do princípio da insignificância em favor de condenado por tentativa de furto qualificado de impressora avaliada em R$ 250.05. 20.2012. Incidência do princípio da insignificância. Subtração de hidrante contra incêndio. A hierarquia e a disciplina militares não operam como simples ou meros predicados institucionais das Forças Armadas brasileiras. Efetivo risco de dano coletivo. 108. fato este suficiente ao afastamento da incidência do princípio da insignificância.www. isto sim. HC 108330/RS. Mínimo grau de lesividade da conduta. rel. Furto. Julgado em 08.br em face das peculiaridades do caso concreto. Salientou-se não ser possível considerar pequena a quantia auferida pela paciente que. consistente em dois terços do salário mínimo vigente à época.2012. Salientava. Ordem denegada. Bem de pequeno valor (R$ 50. HIERARQUIA E DISCIPLINAS MILITARES.2012. Ademais. a disciplina importa a permanente disposição de espírito para a prevalência das leis e regramentos que presidem por modo peculiar a estruturação e o funcionamento das instituições castrenses.praticado durante o período de repouso noturno e cuja res furtiva possui importante utilidade coletiva -. Impossibilidade. Possibilidade. rel.38. 5. Min. Vencida a Min. ABANDONO DE POSTO. à vida pregressa ou à reincidência na análise da aplicação desse postulado. 2. Aplicação do princípio da insignificância.2012. Reincidência. Gilmar Mendes. como elementos conceituais e vigas basilares de todas elas. 112. 4.811-PR RELATOR: MIN. 4.penalemfoco. Precedentes. MILITAR ESCALADO PARA O SERVIÇO DE SENTINELA. Inviabilidade. Bens de pequeno valor (R$ 35. Destacou-se não ser de bagatela o valor do objeto em comento. Aplicação do princípio da insignificância. porém. Infração penal praticada com rompimento de obstáculo.2012. Dias Toffoli. que deferia o writ ante a ausência de tipicidade penal. HC N. DELITO MILITAR. seria inferior ao salário mínimo à época da impetração. HC 112400/RS. Rosa Weber. 10. MODELO CONSTITUCIONAL DAS FORÇAS ARMADAS. valor menor que o salário mínimo. HC N.00). Julgado em 22. 108. JOAQUIM BARBOSA EMENTA: Habeas Corpus.3. que o montante envolvido seria da ordem de R$ 398. Ordem denegada.5.00). Reincidência e habitualidade delitiva comprovadas. GILMAR MENDES Habeas Corpus. rel. HC N. Dias Toffoli. mas.682-RS RELATOR: MIN. Penal.06.Ordem concedida. (c) reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento. Furto. Min. Princípio da insignificância e furto qualificado A 1ª Turma. 2. de modo a legitimar o juízo técnico de que. a normalidade. ao contrário do alegado. demonstram significativa reprovabilidade do comportamento e relevante periculosidade da ação.4.2012. ALEGAÇÃO DE ATIPICIDADE PENAL PELA INEXPRESSIVIDADE DA CONDUTA. P/ O ACÓRDÃO: MIN. HC N. Destacou-se que a paciente obtivera a vantagem em face de saques irregulares de contas inativas vinculadas ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço – FGTS. Modalidade qualificada.538-MG RELATOR: MIN. Crime praticado durante o repouso noturno. Furto. acima daquele valor de referência quando perpetrado o delito. AYRES BRITTO EMENTA: HABEAS CORPUS. Tudo a encadeadamente desaguar na concepção e prática de uma vida corporativa de pinacular compromisso com a ordem e suas naturais projeções factuais: a regularidade. e (d) inexpressividade da lesão jurídica provocada. denegava a ordem. desconsiderar aspectos vinculados à culpabilidade. É entendimento reiterado desta Corte que a aplicação do princípio da insignificância exige a satisfação dos seguintes vetores: (a) mínima ofensividade da conduta do agente. 1.00.06. Irrelevância de considerações de ordem subjetiva. A defesa sustentava a mínima ofensividade. asseverou-se que a conduta seria dotada de acentuado grau de desaprovação.870-RS RED. Ordem denegada. Min. (b) ausência de periculosidade social da ação. a ausência de periculosidade e o reduzido grau de censura da conduta. a . Princípio da insignificância e programa social do governo A 1ª Turma denegou habeas corpus em que requerida a aplicação do princípio da insignificância em favor de acusada pela suposta prática do crime de estelionato. se a hierarquia implica superposição de autoridades (as mais graduadas a comandar. Dados da própria compostura jurídica de cada uma e de todas em seu conjunto. 3. por maioria. ainda. 22. por tratar-se de fraude contra programa social do governo a beneficiar inúmeros trabalhadores.

Descaminho e princípio da insignificância A 1ª Turma. o que demonstraria tanto a sua ousadia quanto o alto grau de reprovabilidade do seu comportamento. 3. não se enquadraria dentre os vetores que legitimariam a aplicabilidade do referido postulado. Tudo conforme especialíssimas disposições normativo-constitucionais. Reputou-se não ter havido a restituição.9. enfim. rel. deixou as dependências do Cindacta II.9.2011. Esse regime jurídico de especialíssima compleição também se revela no fato em si da abertura de todo um capítulo constitucional para a realidade das Forças Armadas.2011. o paciente. de um a quatro anos. em favor de acusado pela suposta prática do crime de furto de quadro denominado “disco de ouro”. o fez explicitamente. 5. Sem que esse maior apego a fórmulas disciplinares de conduta venha a significar perda do senso crítico quanto aos reclamos elementarmente humanos de se incorporarem ao dia-a-dia das Forças Armadas incessantes ganhos de modernidade tecnológica. Frisou que. 27. que o objeto subtraído seria dotado de valor inestimável para a vítima. De ordinário. 5º do Magno Texto. precisamente. Min.www. o paciente utilizara-se de uniforme diverso ao da sua patente sob o argumento de que o teria feito para impressionar um parente que iria visitar. Os militares. em seu veículo particular. o ofendido recebera a premiação do “disco de ouro” após muito esforço para se destacar no meio artístico. 172 – Usar. 155 – Subtrair. a saber: “ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente. Pelo que não procede a alegação de irrelevância penal da conduta. além da filiação a partido político (incisos IV e V do art. indivíduos que são. Crime militar e princípio da insignificância A 1ª Turma denegou habeas corpus em que requerida a aplicação do princípio da insignificância em favor de militar condenado pelo crime de uso indevido de fardamento da corporação (CPM: “Art. uniforme. não foram excluídos da proteção constitucional daqueles que se acham na condição de acusados criminalmente. a fixidez.2011. para si ou para outrem. Princípio da insignificância e rompimento de obstáculo A 2ª Turma denegou habeas corpus em que requerida a aplicação do princípio da insignificância em favor de condenado por crime de furto qualificado com rompimento de obstáculo (CP: “Art. 142. por si só. Min. quando quis tratar por modo diferenciado os servidores militares. alusivo à defesa do Estado e das instituições democráticas. de que serve de amostra o inciso X do art. a colocação das coisas em seus devidos lugares. Por ilustração. encartado no Título de número V. logo após a ocorrência deste. 4. Capítulo de que fazem parte as sintomáticas regras do serviço militar obrigatório (caput do art. … § 4º – A pena é de reclusão de dois a oito anos. ante a aplicação do princípio da insignificância. Consignou-se que o aludido postulado não seria aplicável no âmbito da justiça militar sob pena de afronta à autoridade e à hierarquia. HC 109609/MG. no caso.10. HC 107615/MG. Asseverou-se. coisa alheia móvel: Pena – reclusão. porquanto o agente fora encontrado nas imediações do local do delito.00. Gilmar Mendes. 5º da nossa Constituição Federal. porque o bem possuiria valor apenas sentimental e teria sido restituído integralmente ao ofendido. se o crime é cometido: I – com destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa”). salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar. a Constituição Federal de 1988. ainda. explicitou que não se poderia cogitar insignificante a conduta do acusado sob qualquer ângulo. Luiz Fux acrescentou que a aplicação do princípio da bagatela deveria levar em conta o valor da res furtiva para o sujeito passivo do crime. Na espécie. Princípio da insignificância e furto de prêmio artístico A 1ª Turma denegou habeas corpus em que requerido o trancamento de ação penal. indevidamente.11. Aduziu-se que aquela conduta. definidos em lei”.br estabilidade.com. distintivo ou insígnia militar a que não tenha direito: Pena – detenção. Na espécie. rel. Logo. Luiz Fux. 142). é o que se contém no inciso LXI do art. até seis meses”). e multa. rel. denegou habeas corpus em que se pleiteava a aplicação do princípio da insignificância — em favor de denunciado pela suposta . A defesa sustentava atipicidade da conduta. arejamento mental-democrático e otimizada observância dos direitos e garantias individuais que se lêem no art. sem autorização do superior hierárquico e sem a rendição da nova equipe de serviço. soldado da Aeronáutica. salientou-se que o acusado praticara o delito com invasão de domicílio e ruptura de barreira.penalemfoco. De início. 4. 2. Dias Toffoli. 143) e da proibição aos militares dos institutos da sindicalização e de greve. haja vista que a res furtiva fora avaliada em R$ 220.2011. Na linha da jurisprudência firmada pela 2ª Turma. 6. a defesa sustentava a atipicidade material da conduta. Min. que é. Ordem denegada. o capítulo de número II. O Min. e multa. ratificou-se a inviabilidade da incidência do referido postulado aos delitos contra o patrimônio praticados mediante ruptura de barreira. Julgado em 08. No caso dos autos. HC 108512/BA. por maioria.

por maioria. rel. Vencida a Min. Nesse tocante. 1º. Por esse motivo.Considerou-se plausível a tese sustentada pela defesa. concedeu habeas corpus para reconhecer a aplicação do princípio da insignificância e absolver o paciente ante a atipicidade da conduta. art. Vencidos os Ministros Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski. por inúmeras vezes.www. Min. seria pública e. Na situação dos autos. ainda.2011. o trancamento da respectiva ação penal. Salientou-se que a ação penal. do Decreto-Lei 201/67 (“Art. Na espécie. Na situação dos autos. Marco Aurélio. Observou-se que os acusados eram civis e preencheriam os requisitos para o enquadramento da conduta como beneficiária do referido postulado.penalemfoco. que desprovia o recurso. tendo como destino o lixão. descartada e abandonada pelo titular do direito real. civis.5. Salientava que o furto de fios de cobre seria um delito endêmico no Brasil. em seguida.4. talvez conseguissem juntar quantidade razoável de metais. HC 100986/PR. Min.br prática do crime de descaminho —. rel.2011. Enfatizou-se que. que indeferia ordem. poderiam ser recolhidos e revertidos em favor da União. de bens.5. Princípio da insignificância e Administração Pública A 2ª Turma. por conseqüência. inclusive. se eles tivessem prosseguido na coleta. Aduziu-se. Ellen Gracie.00 em circulação (CP. o STF teria verificado. o postulado da insignificância penal. 31. 12. sujeitos ao julgamento do Poder Judiciário. de vítima ou de terceiros. com a persecução criminal. indevidamente. ao descrever o fato. como consignado em voto vencido no STM. em casos análogos. Concluiu-se pela plausibilidade da tese defensiva quanto ao referido postulado. foram presos em flagrante e denunciados pela subtração de cápsulas de projéteis deflagrados e fragmentos de chumbo de estande de tiros do Exército. a própria denúncia. mediante ressarcimento.2011. e c) teriam sido devolvidas. em proveito próprio ou alheio. no exercício de suas atividades funcionais. fora denunciado pela suposta prática do crime previsto no art. a defesa sustentava atipicidade da conduta em virtude do reduzido grau de reprovabilidade da ação. Princípio da insignificância e ato de prefeito A 2ª Turma concedeu habeas corpus para aplicar o princípio da insignificância em favor de ex-prefeito que. expusera que a finalidade seria de reversão do material em moeda e que o objeto caracterizava res derelicta — coisa despojada. que. utilizara-se de máquinas e caminhões de propriedade da prefeitura para efetuar terraplenagem em terreno de sua residência. ainda. 3. ausência de violência ou ameaça. § 1º). ele fora denunciado pela suposta prática do crime de peculato. dentre eles. acresceu-se que. inicialmente. 26. em virtude da subtração de 2 luminárias de alumínio e fios de cobre. Gilmar Mendes. rendas ou serviços públicos”). esta Corte. se contabilizado hoje.88. a causar enormes prejuízos. Asseverou-se tratar-se de prática comum na municipalidade em questão. Aduziu-se que o objeto do furto fora avaliado em R$ 18. para fins de remuneração dos condutores e abastecimento de óleo diesel. que concediam a ordem.00. ao ressaltar que os pacientes teriam invadido estabelecimento castrense. a possibilidade de aplicação do referido postulado. Considerou-se incidir. Min. Vencida a Min. Ellen Gracie. b) seriam de valor irrisório. em situação precária.00. rel. física ou moral. onde teriam adentrado após arrombar cerca de arame. No ponto. não ultrapassaria o valor de R$ 40.2011. que o valor nominal derivado da . cujo acesso seria vedado a civis. independentemente do pronunciamento da Câmara dos Vereadores … II – utilizar-se. ressaltou-se que não se poderia confundir a possibilidade de o Procurador da Fazenda Nacional requerer o sobrestamento de execução fiscal. os recorrentes.000. na espécie. Min. que as luminárias: a) estariam em desuso. ao alegar a atipicidade da conduta. em tese. Afastou-se.4. Aduzia a impetração. HC 104286/SP. Furto em estabelecimento militar e princípio da insignificância A 2ª Turma.com. bem assim que o metal seria reaproveitável. Ayres Britto. 1º São crimes de responsabilidade dos Prefeitos Municipais.522/2002. HC 107370/SP. dado que o serviço prestado. Gilmar Mendes. rel. 289. já tivera oportunidade de reconhecer a admissibilidade de sua incidência no âmbito de crimes contra a Administração Pública. Apontou. por maioria. a cargo do órgão ministerial. haja vista o tributo totalizar valor inferior a R$ 10. a hipótese de falsificação grosseira e considerou-se que as referidas cédulas seriam capazes de induzir a erro o homem médio. Ressaltou-se que. RHC 97816/SP. bem como da inexpressiva lesão jurídica provocada. Aludiu-se à Lei 10. Observou-se que os bens seriam inservíveis e não haveria risco de interrupção de serviço. na origem. Princípio da insignificância e moeda falsa A 2ª Turma indeferiu habeas corpus no qual pretendida a aplicação do princípio da insignificância em favor de condenado por introduzir duas notas falsas de R$ 10. os quais. deu provimento a recurso ordinário em habeas corpus para reconhecer a atipicidade da conduta supostamente protagonizada pelos pacientes e determinar. II.

inépcia da denúncia. atentaria também contra a Administração Militar (Título VII. 334. Min.000. HC 102940/ES. fora proferida sentença que reconhecera a prescrição da pretensão punitiva do Estado e. constaria dos autos que o paciente fora condenado definitivamente em duas outras oportunidades por cometer delito idêntico. Contrabando e princípio da insignificância A 2ª Turma indeferiu habeas corpus impetrado em favor de denunciados como incursos nas penas do art. por ter exposto à venda milhares de adesivos contendo imagens de super-heróis e personagens infantis. porquanto as partes se considerariam automaticamente intimadas para a sessão seguinte. enfatizou-se que. conseqüentemente. o paciente fora condenado pela prática do crime previsto no art. visto que os produtos oriundos da Zona Franca de Manaus não teriam sua utilização proibida em território nacional. porque o objeto de proteção da norma seria supra-individual.2. em lei especial. rel. apesar do valor irrisório obtido com a contrafação (cerca de R$ 200. ainda que não realizado o julgamento do recurso na primeira sessão subseqüente à publicação da pauta. a 1ª Turma.000. explicitou-se que a defesa não teria comprovado a alegação de que o valor dos bens seria inferior a R$ 10. Sustentava. Min. Princípio da insignificância e reincidência A 2ª Turma indeferiu habeas corpus em que se sustentava atipicidade da conduta. peculato-furto. ao argumento de que incidiria. ao resolver questão de ordem.2011. 39 do Decreto-Lei 288/67 (“Será considerado contrabando a saída de mercadorias da Zona Franca sem a autorização legal expedida pelas autoridades competentes”).4.12.2010. sargento do Exército. Gilmar Mendes. Min. 184. 7.com. por ofensa ao princípio da ampla defesa.2011. Princípio da insignificância e usuário de drogas Em conclusão. deveriam ser observados todos os seus requisitos. do CP (“Importar ou exportar mercadoria proibida ou iludir. também. mediante a aplicação do princípio da insignificância. a englobar a credibilidade do sistema monetário e a expressão da própria soberania nacional. em face do reduzido valor das coisas furtadas: 100 cartuchos de munição para fuzil calibre 7. aduziu-se razoável a aplicabilidade. na espécie. rel. Esclareceuse que. b. em virtude de ter sido adiado sem que houvesse intimação do patrono do paciente informando a nova data designada. que o caso dos autos trataria de um tipo especial de contrabando. na instância de origem. rel. HC 97541/AM. razão pela qual o pedido não foi conhecido nesse ponto. Ricardo Lewandowski. HC 100240/RJ. julgou prejudicado habeas corpus no qual se pretendia. no tocante à alegada inépcia da peça acusatória. Ayres Britto. rel. § 2º. 7.00. Furto de munição e princípio da insignificância A 2ª Turma indeferiu habeas corpus em que se pretendia a absolvição do paciente. HC 97220/MG. Considerou-se que a lesividade da conduta não deveria ser analisada exclusivamente sob o aspecto econômico e patrimonial. a contrabando ou descaminho”) c/c o art. assemelhado ao descaminho.12. o reconhecimento da atipicidade material da conduta do paciente — surpreendido na posse de 0. porquanto o delito perpetrado pelo paciente. o princípio da insignificância.05. pela saída ou pelo consumo de mercadoria … § 1º – Incorre na mesma pena quem … b) pratica fato assimilado. a reprovabilidade do comportamento seria agravada de modo significativo. Ricardo Lewandowski. relator. produzidos com violação do direito de autor. pois o valor dos bens contrabandeados não ultrapassaria R$ 10. tudo avaliado em R$ 193. Inicialmente.2010. Reputou-se. 7. no todo ou em parte.2010. Ademais. Entretanto.00.62 x 51 mm. reconhecida a reincidência. em tese. Reputou-se que. o pagamento de direito ou imposto devido pela entrada. Pretendia a defesa fosse trancada a ação penal com base na aplicação do princípio da insignificância. Reajustou o voto o Min. desnecessária seria a renovação da intimação. em virtude de incidência do princípio da insignificância. § 1º. sob o argumento de ser genérica. O Min.00). 1 caixa de chumbinho e 8 cartuchos calibre 9 mm.12. do postulado da insignificância.penalemfoco. 15. Capítulo II.5 grama de maconha — v. 5. Ayres Britto. consignou-se que. inicialmente. Celso de Mello acompanhou o relator com a ressalva de seu entendimento pessoal. e nulidade do julgamento de recurso de apelação. Min. Informativo 597. para a aplicação do princípio da insignificância. Joaquim Barbosa.br falsificação de moeda não seria critério de análise de relevância da conduta. extinguira a punibilidade do réu. do CP. a 1ª Turma resolveu .www. sendo suficiente para inviabilizar a aplicação do referido postulado. rel. HC 104820/SP. Nesse sentido. Min. Por fim. considerou-se inexistir o vício aventado na impetração. Na espécie. Princípio da insignificância: furto privilegiado e serviço público Em conclusão de julgamento. Verificou-se que. do CPM).

Ellen Gracie.www. 290 do CPM. HC 99054/RS. Ricardo Lewandowski. que o referido postulado. Eros Grau que concedia o writ. O Min. rel. 23. seja com ela incompatível. Assentou-se que a prática da conduta prevista no referido dispositivo legal ofenderia as instituições militares. mesmo para o agente que pratica o delito reiteradamente. Princípio da insignificância e descaminho Em conclusão de julgamento. Votaram pelo indeferimento os Ministros Marco Aurélio. afetado ao Pleno pela 2ª Turma.10. ou regule inteiramente a matéria por ela tratada. Vencido o Min. ante a prescrição da pretensão punitiva. Salientouse. Informativos 519 e 526. dessa forma. Gilmar Mendes. mesmo que se trate de reiteração de conduta. não ser possível a análise dos elementos subjetivos desfavoráveis. a nenhuma periculosidade social da ação. concluiuse que o entorpecente no interior das organizações militares assumiria enorme gravidade. e agrediria. Art. 290) — v. Gilmar Mendes. rel. Entendeu-se que.br questão de ordem para julgar prejudicado habeas corpus no qual se pretendia a aplicação do princípio da insignificância em favor de denunciado pela suposta prática do delito previsto no art. não havendo que se cogitar de violação ao princípio fundamental da dignidade da pessoa humana.10. no ponto. relator. 26. rel. denegou habeas corpus a condenado por furto de 9 barras de chocolate de um supermercado avaliadas em R$ 45. Em seguida. indeferiu habeas corpus. armamento de alto poder ofensivo. § 1º) e trancar a ação penal ao fundamento de que o referido postulado emergiria do valor sonegado diante da grandeza do Estado e do custo de sua máquina.2010. Marco Aurélio. diante dos valores e bens jurídicos tutelados pelo aludido art. em razão da reincidência específica do paciente em delitos contra o patrimônio. Min. a divergência de entendimento entre os órgãos fracionários da Corte. os valores básicos das instituições militares. rel.33 — v. ao afastar a aplicação do princípio da insignificância. orig. o reduzido grau de reprovabilidade do comportamento e a inexpressividade da lesão jurídica provocada. do CP. revelar-se-ia inadmissível a consideração de alteração normativa pelo advento da Lei 11.2010. afetaria a própria tipicidade penal. Princípio da insignificância e furto A 1ª Turma. 290 do CPM seria norma especial. Min. houvera a apreensão de bebidas cujo valor estimado totalizaria o montante de R$ 2. HC 94685/CE. 290 do CPM o princípio da insignificância. Precedente citado: HC 96202/RS (DJe de 28.10. no âmbito do tipo previsto no art. em decorrência de haver furtado água potável mediante ligação clandestina. a operacionalidade das Forças Armadas. HC 101998/MG. em 21. Princípio da insignificância e elementos subjetivos desfavoráveis A 2ª Turma. independentemente da quantidade da droga encontrada.2010. Min. p/ acórdão Min. 30. ademais. Salientou-se.991. a 1ª Turma.11. Informativo 557. que resultara em prejuízo econômico avaliado em R$ 96.2010). haja vista que a 2ª Turma admite a aplicação do princípio da insignificância. Dias Toffoli. no serviço.2010. art.com.00. concedeu habeas corpus para trancar ação penal instaurada em desfavor de acusado por furto de uma janela no valor de R$ 120.00 — v. tendo em conta o recente posicionamento do Plenário acerca da matéria no julgamento do HC 103684/DF (j. Min. Informativo 569. o que afetaria. art.00. não se compreendendo movimentá-la para cobrar o tributo devido. fazendo ressalva do seu entendimento pessoal em sentido contrário. HC 96412/SP. 26. § 2º. em face do perigo que acarreta. impetrado contra acórdão do Superior Tribunal Militar – STM em favor de militar condenado pelo crime de posse de substância entorpecente em lugar sujeito à administração castrense (CPM. o Plenário. reputou-se inaplicável. Afirmou-se. Reputouse que.11. ante a falta de justa causa. e Cármen Lúcia. a operacionalidade da tropa e a segurança dos quartéis. além de violar os princípios da hierarquia e da disciplina na própria interpretação do tipo penal. No ponto. Min.5.2010. não estariam presentes os requisitos autorizadores para o reconhecimento desse postulado. 155. 334. .343/2006. por maioria. HC 104468/MS. 290 do CPM e princípio da insignificância Em conclusão de julgamento. Considerou-se. red. Dias Toffoli. rel.11. que lei posterior apenas revoga anterior quando expressamente o declare.2010). inclusive uma constante prática de pequenos delitos. Asseverou-se que a circunstância de a Lei 11. ante o empate na votação. uma vez que seria utilizado. No caso.343/2006 ter atenuado o rigor na disciplina relacionada ao usuário de substância entorpecente não repercutiria no âmbito de consideração do art. 11. Reputou-se ter ocorrido a extinção da punibilidade.penalemfoco. já que o art. acompanhou o colegiado. após discorrer que o referido postulado tem como vetores a mínima ofensividade da conduta do agente. ainda. concedeu habeas corpus para reconhecer a aplicação do princípio da insignificância ao crime de descaminho (CP. 290 do CPM. relativamente ao princípio da insignificância. Concluiu-se não incidir qualquer uma das hipóteses à situação em tela. diretamente.

Asseverou-se que o aludido preceito cominaria somente a pena máxima aplicável ao delito. já que o paciente fora flagrado na posse de 0. nesse ponto. Mencionou-se que a referida lei revogara. Com base nesse entendimento.965. pela suposta prática do crime de tráfico internacional de munição (Lei 10. a saúde. Gilmar Mendes. Marco Aurélio. por maioria. Cezar Peluso salientava que a admissão desse princípio em matéria de Direito Penal Militar permitiria que o magistrado não ficasse impossibilitado de. HC 103684/DF. rejeitada essa tese. o Plenário indeferiu habeas corpus em que a Defensoria Pública da União pleiteava a incidência desse postulado. haveria a informação de que o paciente responderia a outro processo — como incurso no mesmo tipo penal . Vencidos os Ministros Joaquim Barbosa. que o maior rigor penal da lei castrense. 21. se harmonizaria com a maneira pela qual a Constituição dispusera sobre as Forças Armadas. art. A defesa sustentava que seria objeto da denúncia apenas a apreensão de 3 cápsulas de munição de origem estrangeira. rel. expressamente.826/2003. Crime de Descaminho e Princípio da Insignificância A Turma indeferiu habeas corpus impetrado em favor de condenado pela prática do delito de descaminho (CP. ao revés. 28 da Lei 11. constituindo-se. Os Ministros Gilmar Mendes e Celso de Mello. embora o tributo elidido totalizasse R$ 8. Art. não teriam sido objeto da peça acusatória.penalemfoco. que deferiam o writ. no qual se pretendia o trancamento de ação penal.1 g de maconha. Celso de Mello e Cezar Peluso. O primeiro realçava o fato da quantidade ínfima ser insuscetível de colocar em risco o bem jurídico protegido pela norma.br Tráfico internacional de munição e princípio da insignificância A 1ª Turma. aplicavam o princípio da proporcionalidade. rel. dado que a disposição em si para manter o vício implicaria inafastável pecha de reprovabilidade cívico-profissional por afetar tanto a saúde do próprio usuário quanto pelo seu efeito no moral da corporação e no conceito social das Forças Armadas. reconheciam a possibilidade de aplicação do princípio da insignificância a crime militar e.409/2002 e que o Código Penal Militar trataria da matéria de forma específica.29. indeferiu habeas corpus em que se pretendia a aplicação do princípio da insignificância para trancar ação penal instaurada contra o paciente. no instante em que flagrado com a posse da droga em recinto sob administração castrense. 290 do CPM e Princípio da Insignificância Aduziu-se que a hierarquia e a disciplina militares não atuariam como meros predicados institucionais.368/76 e 10.10. consignou-se que essa tipologia de relação não seria compatível com a figura da insignificância penal. porquanto a hipótese seria de crime de perigo abstrato. art. mas sim a qualidade da relação jurídica entre esse usuário e a instituição militar da qual ele faria parte. Art. Min. de reduzida quantidade de substância entorpecente em lugar sujeito à administração castrense (CPM. embora em termos mais drásticos. O Min. rel. de ofensa ao princípio da proporcionalidade no sentido de que o art. Vencido o Min. apenas as Leis 6. em situação regular. a partir do exame das circunstâncias objetivas e subjetivas da situação concreta. para o qual não importaria o resultado concreto. por sua vez.2010. 290) não autoriza a aplicação do princípio da insignificância. Presidente. Ayres Britto. Min. na hipótese. qual seja. em elementos conceituais e “vigas basilares” das Forças Armadas. Considerou-se que. Nesse sentido.10. que deferia a ordem por reputar configurado no caso o crime de bagatela. 290 do CPM não distinguiria entre traficante e usuário.2010. Min. Inicialmente. Em seguida. Enfatizou-se. Explicitou-se que esta consubstanciaria vetor interpretativo cujo propósito seria o de excluir a abrangência do Direito Penal de condutas provocadoras de ínfima lesão ao bem jurídico tutelado. rejeitou-se a aplicação do art. Aduziu-se que o denunciado faria do tráfico internacional de armas seu meio de vida e que teriam sido encontrados em seu poder diversos armamentos e munições que.com. suscitada da tribuna. Reputou-se que o uso de drogas e o dever militar seriam inconciliáveis. com base na aplicação do princípio da insignificância. Ricardo Lewandowski. ao examinar o caso e verificar a inexistência de afronta às objetividades jurídicas do tipo. 18).10.000. 290 do CPM e Princípio da Insignificância A posse. pois o tributo devido seria inferior a R$ 10. 26. A impetração também alegava que essa conduta não causaria risco de lesão à saúde pública. De igual modo. tendo em vista que a imputação diria respeito tão-somente às 3 cápsulas de origem estrangeira. o que permitiria ao juiz sentenciante estabelecer a justa medida entre os atos praticados e o crime.2010. mas não a todo o material apreendido. por militar. não se poderia cogitar da mínima ofensividade da conduta ou da ausência de periculosidade social da ação.343/2006. HC 97777/MS.www. HC 103684/DF. destacou-se que o problema em questão não envolveria a quantidade ou o tipo de entorpecente apreendido.00. afastou-se a assertiva. Ante o critério da especialidade. 21. Ayres Britto. art. por atipicidade da conduta. daí a aplicabilidade do referido postulado. 334). assentar a atipicidade por falta de ofensividade ou de lesividade ao bem jurídico.

ademais.612/98). à jurisprudência do STF no sentido de ser inaplicável o princípio da insignificância ao delito de roubo. Joaquim Barbosa. Ellen Gracie. em companhia de dois adolescentes. a matéria não deveria ser resolvida na esfera penal e sim nas instâncias administrativas. tendo em conta a falta do licenciamento exigido para o serviço de radiodifusão comunitária e o teor de laudo pericial que teria concluído pela possibilidade de o funcionamento da referida rádio interferir em outras freqüências. a autorização para execução do serviço de radiodifusão em favor da mencionada rádio. a Turma deferiu habeas corpus para. o que demonstraria ser remota a possibilidade de causar algum prejuízo para outros meios de comunicação. Enfatizouse que. Concluiu-se que. seria de R$ 12.864. avaliados em R$ 1. poderia servir como estímulo à prática criminosa. rel. Na espécie. O Min. art. Considerou que a res furtiva. Incorre na mesma pena quem. o que agravaria o contexto.9. Ocorre que o STM. Além disso. empregara grave ameaça.detenção de dois a quatro anos. aumentada da metade se houver dano a terceiro. com cerca de dois mil habitantes. e multa de R$ 10. em comunidades localizadas no interior de tão vasto país. Na espécie o paciente. Ademais. Afirmou que o tratamento interna corporis dado pela instituição militar à conduta seria suficiente para sua correção e que a esfera criminal deveria cuidar apenas dos atos mais gravosos perpetrados contra os bens jurídicos sujeitos à tutela penal. rel. Em conseqüência.25. reformara. Parágrafo único. HC 97257/RS.35.00. 28. por maioria. ao Ministério das Comunicações. Marco Aurélio. nos termos da norma regulamentadora (Lei 9. em face da atipicidade da conduta. relator. até que subtraído. Joaquim Barbosa. capacidade de causar interferência relevante nos demais meios de comunicação. as rádios comunitárias surgiriam como importante meio de divulgação de notícias de interesse local.472/1997 [“Desenvolver clandestinamente atividades de telecomunicação: Pena . Ricardo Lewandowski. o serviço de radiodifusão comunitária utilizado pela emissora seria de baixa potência — 25 watts e altura do sistema irradiante não superior a 30 metros — não tendo. Informativo 567.000. reprovabilidade social da ação dos pacientes. a Turma. Ayres Britto destacou que o reconhecimento do mencionado princípio. por exemplo.2010. apesar de ínfimo o valor subtraído.00. considerados ambos os delitos. seu valor econômico — calculado em R$ 503. por supostamente operarem rádio comunitária sem autorização legal. quando utilizadas por facções criminosas. enfatizou seu convencimento no sentido de que. Vencidos os Ministros Cármen Lúcia e Marco Aurélio que denegavam a ordem. indeferiu habeas corpus no qual a Defensoria Pública da União pleiteava o reconhecimento do princípio da insignificância em favor de condenado por roubo majorado pelo concurso de pessoas (CP. Rádio Comunitária Clandestina: Princípio da Insignificância e Excepcionalidade Ante o empate na votação. Min. praticado por militar.10. 157. No caso. Marco Aurélio. HC 101709/RJ.com.penalemfoco. Registrou-se que. houvera concurso de pessoas. cassar o acórdão proferido pelo STJ e restabelecer a sentença absolutória que aplicava o princípio da insignificância.br — cujo valor não pago à Fazenda Pública.9. ambos de metal. 183 da Lei 9.410. Min. daí a inaplicabilidade do referido postulado. Após. concedeu a ordem. Ressaltou-se a excepcionalidade do caso concreto e aduziu-se que a rádio era operada em pequena cidade no interior gaúcho. ao prover recurso do Ministério Público. distante de outras emissoras de rádio e televisão e de aeroportos.www. condenara o paciente apenas pela tentativa de furto do tarugo. em parte. em detrimento de instituição castrense.2010. Acresceu-se que. observou-se que fora pleiteada.2010. desse modo. Crime Militar e Princípio da Insignificância A Turma iniciou julgamento de habeas corpus em que se discute a incidência do princípio da insignificância em crime de furto tentado. relator. Destacou-se estar-se diante de reiteração de conduta delitiva. o paciente fora acusado de tentar sair de arsenal da Marinha levando consigo 2 válvulas e um tarugo. dentre as quais adolescentes. em desuso. Princípio da Insignificância e Crime de Roubo Em conclusão de julgamento.00 (dez mil reais). pediu vista a Min. um tarugo “velho e inútil”. como incursos nas sanções do art. em virtude da irrelevância da conduta praticada pelos pacientes e da ausência de resultado lesivo. de modo que não se vislumbraria. na situação concreta dos autos. Min. os pacientes foram denunciados. 5. Cármen Lúcia lembrava que algumas emissoras poderiam prestar desserviços. concorrer para o crime”]. § 2º. rel. encontrar-se-ia armazenado em paiol durante cerca de 4 anos. O Min. II) — v. sendo o montante superior a R$ 100.00 — seria insignificante. sentença absolutória que reputara o fato infração disciplinar. O Min. simulando portar arma de fogo sob a camiseta. daí a aplicação do referido postulado. HC 104530/RS. Reportou-se. pois o agente faria do descaminho seu meio de vida. caberia concluir-se pela tipicidade. Marco Aurélio salientava que o bem protegido seria da maior valia e a Min. nas quais o acesso à informação não seria amplo como nos grandes centros. . 28. direta ou indiretamente. e subtraíra a quantia de R$ 3. O Min. na situação em apreço.

HC e Trânsito em Julgado Ao aplicar o princípio da insignificância.00). tendo tal decisão. conduta minimamente ofensiva. do CP. rel.4. HC 95570/SC.6. rel.522/2002 (com a redação dada pela Lei 11.2010. rel. Ressaltou-se que o valor dos bens seria de R$ 389. tendo sofrido medida sócioeducativa.10. geralmente. Descaminho: Princípio da Insignificância e Quota de Isenção Ante a incidência do princípio da insignificância. Princípio da Insignificância e Aplicação em Ato Infracional Em face da peculiaridade do caso. magistrada de primeira instância rejeitara a inicial da representação com base no citado princípio. produtos importados sem as respectivas notas fiscais. HC 98381/RS. 168-A do CP A Turma.com. aduziu que o valor em questão seria superior àquele que autoriza a extinção do executivo fiscal (R$ 100. indeferiu habeas corpus em que condenados pelo delito de apropriação indébita previdenciária (CP.00 legalmente previsto no art. a Turma indeferiu habeas corpus no qual se pleiteava a aplicação do princípio da insignificância a menor acusado pela prática de ato infracional equiparado ao delito tipificado no art. que indeferia o writ por considerar que se teria. Min. Consignou-se que.6. Princípio da Insignificância e Art. quais sejam. tal fato não impediria a apreciação do tema pela via do habeas corpus. além de ressaltar que não houvera ameaça ou violência contra a pessoa. 11. Vencida. 155. HC 100938/SC.penalemfoco. 20. Assim. a Min. por maioria. art. Min. na espécie.2009). em decorrência do fato de haver sido surpreendido colocando à venda. não portam toda a mercadoria que trazem do exterior. art. consignou-se que o valor do tributo iludido estaria muito aquém do patamar de R$ 10. 188 do ECA —. 334. Min. sido cassada pelo tribunal local e mantida pelo STJ. estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. rel. por maioria. c). DJE de 24. não havendo o envolvimento de matéria fática. Mencionou-se. Cármen Lúcia. relativos à importação e à exportação de mercadorias. Ademais. Asseverou-se que. 334. 22. § 4º.033/2004). o envolvimento de vendedores ambulantes os quais. § 1º. Min. rel. embora a impetração tivesse impugnado decisão já transitada em julgado. o qual seria incontroverso. rel. consistente na subtração de uma ovelha no valor de R$ 90. RHC 94905/CE. conheceu-se do writ. Tendo em conta o caráter educativo. ou seja. a aplicação de medida consistente na liberdade assistida. Min. no ponto.2010. art. § 1º. Dias Toffoli. deferiu habeas corpus para determinar o trancamento de ação penal instaurada em desfavor de vendedor ambulante acusado pela suposta prática do crime de descaminho (CP. reduzido grau de reprovabilidade do comportamento e lesão jurídica inexpressiva. ausência de periculosidade do agente. Na espécie. 10. tomando-se por base o patrimônio desta.2009. Dias Toffoli.6. além de ser usuário de substâncias entorpecentes. Marco Aurélio. seria incabível a incidência do almejado princípio. c). que o adolescente registraria antecedentes pela prática de outros atos infracionais. Min. 1º.2010.00. HC 97190/GO. 20 da Lei 10. IV. 168-A) pleiteavam a aplicação do princípio da insignificância. Preliminarmente. protetor das medidas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA. Vencido o Min. pelo prazo de seis meses — mínimo previsto pelo art. assinalou-se que não se encontraria maior dificuldade em considerar satisfeitos os requisitos necessários à configuração do delito de bagatela. deferiu habeas corpus para trancar ação penal instaurada em desfavor de denunciado pela suposta prática do crime de descaminho (CP. a Turma. que denegava a ordem por rejeitar a incidência do aludido princípio. reputou-se desnecessário o ajuizamento de revisão criminal.br Vencido o Min. por outro lado.5. além de sua inclusão em programa oficial ou comunitário de . Ricardo Lewandowski. não obstante o pequeno valor das contribuições sonegadas à Previdência Social. asseverou-se que não pareceria desarrazoado o que fora decidido pela Corte de origem. pois o próprio habeas seria a via adequada para a reanálise do tema jurídico colocado diante do quadro fático. No mérito. tendo em conta o valor supra-individual do bem jurídico tutelado.www. Ricardo Lewandowski. Dias Toffoli.8. Princípio da Insignificância e Aplicação em Ato Infracional Preliminarmente. entretanto. em calçadão de praia. ante a peculiaridade da situação. Marco Aurélio que deferia o writ por concluir pela insignificância do procedimento.2010.2010. a Turma. Na presente situação.000. HC 98021/SC. haja vista que a questão trazida seria exclusivamente de direito. montante este inferior à quota de isenção de tributos. Sustentava a impetração que a lesão econômica sofrida pela vítima seria insignificante. observou-se que esta Turma já reconhecera a possibilidade de incidência do princípio da insignificância em se tratando de ato praticado por menor (HC 96520/RS. 22.00 (noventa reais). Ricardo Lewandowski.

art. XXXV.2009. CEZAR PELUSO EMENTA: AÇÃO PENAL. Caracterização. Entendeu-se que não estariam presentes os requisitos autorizadores para o reconhecimento desse princípio. Periculosidade não considerável do agente. os quais não poderiam passar despercebidos pelo Estado.2009. 747.988-RS RELATOR: MIN. Ricardo Lewandowski. sendo um bem pertencente ao patrimônio nacional. HC 98159/MG. Coisa estimada em cento e trinta reais. Asseverou-se. Aplicação do princípio da insignificância. Atipicidade da conduta. art. na medida em que se tratava de fato cuja conduta seria atípica. considerou-se que a situação dos autos fora devidamente enquadrada como infração de pequeno valor. Absolvição decretada. embora o reconhecimento da atipicidade penal pela insignificância dependa da constatação de que a conduta seja a tal ponto irrelevante — desvalor da ação e do resultado — que não seja razoável impor-se a sanção penal descrita na lei. 20. HC 96003/MS.br combate à dependência química (ECA. art.08. distinguindo-a. Min. quando tenha sido condenado. Princípio da Insignificância e Furto Privilegiado A Turma indeferiu habeas corpus em que se pleiteava a aplicação do princípio da insignificância a condenado por 2 furtos praticados contra vítimas distintas. no ponto. Entendeu-se que. em recurso ou habeas corpus. e cuja subtração repercutira expressivamente em seu patrimônio. § 1º. Agravo de instrumento não conhecido.10.06.522-RS RELATOR: MIN. Min. isso não ocorreria na espécie. Atipicidade reconhecida. Delito de furto. § 5º) — em virtude da subtração de um laptop que se encontrava em sala sujeita à administração militar (sala de sargenteação) — alegava a falta de justa causa para o prosseguimento da persecução penal. Precedentes. com vítimas distintas. § 2º). VI). FURTO – PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA HC N. reação. da Constituição Federal. HC concedido para esse fim. Crime de bagatela. 23.com. demonstrara possuir propensão à prática de pequenos delitos. rel.2009. Matéria infraconstitucional. que o valor do bem subtraído não poderia ser considerado ínfimo. CEZAR PELUSO EMENTA: RECURSO. porque se trata de matéria infraconstitucional. Inicialmente. ser absolvido por atipicidade do comportamento. art. Por fim. dirigira-se a estabelecimento comercial. Ricardo Lewandowski. 155. onde furtara uma garrafa de uísque — avaliada em R$ 21. do CP — por guardar em sua residência duas notas falsas no valor de R$ 50.2009. ademais. ante a diversidade de situações. não se adotou o paradigma da 2ª Turma. 2. 240. que a pena fora bem aplicada. de modo a revelar que esse bem era relevante para a vítima. inclusive com a atenuante de restituição da coisa antes de instaurada a ação penal (CPM. 92. a Turma indeferiu habeas corpus no qual militar condenado pela prática do crime de furto qualificado (CPM.00 — e. HC 98381/RS. arrombamento ou prejuízo material. Princípio da insignificância. dado que aquele órgão julgador considerara .penalemfoco.www. 101. não se poderia aplicar o sufragado princípio da insignificância.00 — pleiteava a aplicação do princípio da insignificância. Res furtiva de valor insignificante. em ato contínuo. Inocorrência. § 2º). Min. rel. Julgado em 02. que a utilizava para se deslocar ao seu local de trabalho. Ricardo Lewandowski. que permite o reconhecimento da atipicidade da conduta. ao cometer 2 crimes de furto em concurso material. Circunstâncias relevantes. o paciente subtraíra para si uma bicicleta — avaliada em R$ 70. Falsificação de Moeda e Princípio da Insignificância A Turma indeferiu habeas corpus em que condenado pela prática do delito previsto no art. incs. 289. Subtração de aparelho de som de veículo. rel. Tentativa. sendo preso em flagrante. Inadmissibilidade. Extraordinário. Inexistência de fuga.80 —. deve o réu. na qual incidente causa de diminuição de pena referente ao furto privilegiado (CP. Ausência de repercussão geral. Ofensa ao art. apontado pela impetração. Aduziu-se que o paciente. 240. No caso. Princípio da Insignificância e Furto de Patrimônio Nacional Por reputar ausentes os requisitos que autorizam a incidência do princípio da insignificância. da figura da infração insignificante. Julgado em 28.2009. LV e LIV. Não apresenta repercussão geral o recurso extraordinário que verse sobre a questão do reconhecimento de aplicação do princípio da insignificância. 5°. Enfatizou-se que a bicicleta fora furtada de pessoa humilde e de poucas posses. REPERCUSSÃO GERAL EM AI N.6. Asseverou-se que. Verificada a objetiva insignificância jurídica do ato tido por delituoso. bem como que o paciente fora agraciado com a suspensão condicional do processo.6. à luz das suas circunstâncias.

embora o tema relativo ao princípio da insignificância não tivesse sido examinado pelo STJ. cuidar-se-ia de furto de uma folha de cheque (CP. FURTO.2009. e c) o fato de ter sido apreendida uma nota falsa no valor de R$ 5. 3. assim. HC 96153/MG. TENTATIVA. asseverou-se que. 26. b) a inexpressividade da lesão jurídica causada.br as circunstâncias da situação concreta apresentada para conceder a ordem. motivo bastante para a concessão de ofício da ordem de habeas corpus.2009. valor esse que se ajustaria ao critério de aplicabilidade desse princípio — assentado por esta Corte em vários precedentes —.770-RS REL. OCULTA COMPENSATIO.2004). rel.8. Celso de Mello. na espécie. invalidando-se todos os atos processuais. bem assim à integridade da ordem social. desde a denúncia. da simples análise do valor material por ela representado. O direito penal não deve se ocupar de condutas que não causem lesão significativa a bens jurídicos relevantes ou prejuízos importantes ao titular do bem tutelado. tais como: a) a falsificação grosseira. O paciente se apropriou de um violão cujo valor restou estimado em R$ 90. 157. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. a Turma deferiu. ademais. Princípio da Insignificância e Concessão de Ofício de HC O princípio da insignificância. no caso. cuidar-se-ia de notas falsas. HC N. até a condenação eventualmente já imposta. que o bem violado seria a fé pública. as quais poderiam perfeitamente provocar o engano. na Suma Teológica. Registrou-se que. caput) na quantia de R$ 80. Ordem deferida. 2.penalemfoco.2008. PENAL. não se tratando.www. HC 97836/RS. 1. o que descaracterizaria. conduzindo à atipicidade da conduta de quem comete delito movido por razões análogas às que adota São Tomás de Aquino. art. Julgado em 23. a qual é um bem intangível e que corresponde à confiança que a população deposita em sua moeda.5. A aplicação do princípio da insignificância há de ser criteriosa e casuística.5. por si só. para justificar a oculta compensatio.00. Cármen Lúcia. a própria tipicidade penal. APLICABILIDADE. . Princípio que se presta a beneficiar as classes subalternas. Com base nesse entendimento. de ofício. Precedentes citados: HC 83526/CE (DJU de 26. rel. P/ O ACÓRDÃO: MIN.com.2008).00 [noventa reais]. inclusive. 19. como fator de descaracterização material da própria atipicidade penal.3. Min. habeas corpus para determinar a extinção definitiva do procedimento penal instaurado contra o paciente.00 em meio a outras notas verdadeiras. A conduta do paciente não excede esse modelo. EROS GRAU EMENTA: HABEAS CORPUS. Enfatizouse. constitui. HC 93251/DF (DJE de 22.09. no plano material. Min. Em seguida. 94.

10. passou a não admitir o conhecimento de habeas corpus substitutivo de recurso previsto para a espécie. de 22 de março de 2012. durante a madrugada.115.Recurso não conhecido. PACIENTE REINCIDENTE. PRECEDENTES DO STJ E STF. QUINTA TURMA. Relator Ministro Joaquim Barbosa. 112. MANUTENÇÃO DA DECISÃO AGRAVADA. . 6. 75. Na hipótese. ILEGALIDADE MANIFESTA (INEXISTÊNCIA). DJe 29/06/2015) Quinta Turma AGRAVO REGIMENTAL. firmou entendimento no sentido de que o reconhecimento do princípio da insignificância no delito de descaminho está adstrito ao valor de R$ 10.522/02. firmado no julgamento do HC n. certo é que foi avaliada em R$4. o valor do tributo iludido com a introdução clandestina de produtos de origem estrangeira pelo agravante em território nacional foi avaliado em R$ 14.393. NO ENTENDIMENTO DO STJ Quinta Turma HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DO RECURSO PRÓPRIO (NÃO CONHECIMENTO). julgado em 23/06/2015. Nesse contexto. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA. em razão da existência de eventual coação ilegal. DESCAMINHO. (HC 319. RECURSO ESPECIAL. 1.com. de forma cumulada. devem estar presentes. (RHC 57.00 (dez mil reais) previsto no artigo 20 da Lei n. por se tratar de ato administrativo normativo. tendo em vista a possibilidade de se conceder a ordem de ofício. quer porque o valor do bem não se apresenta ínfimo. seguindo entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal. não se verifica a presença dos referidos vetores. fica evidenciada a efetiva periculosidade do agente. . A Portaria n. Esta Corte Superior de Justiça. o que afasta o reconhecimento da atipicidade material da conduta. INAPLICABILIDADE.378/SP. No entanto. a demandar a atuação do Direito Penal. Ademais. 3.633/SC.Na espécie.941/SC.522/02. HABEAS CORPUS NÃO CONHECIDO. depende da presença concomitante dos seguintes requisitos: a) conduta minimamente ofensiva. proferido pela Segunda Turma. com a exceção de quando a ilegalidade apontada é flagrante. b) ausência de periculosidade do agente. verificada a prática de furto qualificado pelo rompimento de obstáculo e invasão de um estabelecimento comercial. 10. no sentido de que a aplicação do princípio da insignificância ou da bagatela. a fim de que não se desvirtue a finalidade dessa garantia constitucional. e d) lesão jurídica inexpressiva. os seguintes vetores: a) mínima ofensividade da conduta do agente. deve-se analisar o pedido formulado na inicial.000. DJe 25/06/2015) Quinta Turma RECURSO EM HABEAS CORPUS. Habeas corpus não conhecido. do Ministério da Fazenda. 2. c) reduzido grau de reprovabilidade do comportamento. 1. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA (INAPLICABILIDADE).penalemfoco. Sedimentada se encontra a orientação jurisprudencial por este Superior Tribunal e pelo Supremo Tribunal Federal. por ocasião do julgamento do REsp 1. Rel.00 .quantia que não é nada insignificante.317/PR. IMPOSSIBILIDADE. QUINTA TURMA.www. como ocorreu no caso vertente. a reiteração no cometimento de infrações penais se reveste de relevante reprovabilidade e se mostra incompatível com a aplicação do princípio da insignificância.Nos termos de precedente do Supremo Tribunal Federal. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA. como causa de exclusão da tipicidade do delito. e d) inexpressividade da lesão jurídica provocada. Na hipótese.O Superior Tribunal de Justiça. hipótese em que se concede a ordem de ofício (Precedentes). circunstância . INSURGÊNCIA DESPROVIDA. 2. . c) reduzido grau de reprovabilidade do comportamento do agente. b) nenhuma periculosidade social da ação. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. 4. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. não tem o condão de revogar conteúdo de lei ordinária em sentido estrito. quer por se tratar de paciente reincidente na prática de delitos. FURTO QUALIFICADO (MEDIANTE ARROMBAMENTO E DURANTE O REPOUSO NOTURNO). RELEVÂNCIA DA CONDUTA NA ESFERA PENAL. FURTO.33 (quatorze mil. embora a res furtiva tenha sido restituída à vítima. para a aplicação do princípio da insignificância. Rel. . cento e quinze reais e trinta e três centavos).br PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. julgado em 18/06/2015.000. O habeas corpus não pode ser utilizado como substitutivo de recurso próprio. TRIBUTOS QUE ULTRAPASSAM O VALOR PREVISTO NO ARTIGO 20 DA LEI N. pela aplicação do princípio da insignificância. 5. no âmbito da Terceira Seção.

SEXTA TURMA. avaliados em R$ 28. 183 da Lei n.Na hipótese.16 (Vinte e oito reais e dezesseis centavos). HABEAS CORPUS NÃO CONHECIDO. SEXTA TURMA. ART. HC n. ATIPICIDADE MATERIAL DA CONDUTA. RES FURTIVA AVALIADA EM R$ 28. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. passou a não admitir o conhecimento de habeas corpus substitutivo de recurso previsto para a espécie. b) nenhuma periculosidade social da ação. DJe 29/06/2015) Sexta Turma HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO ORDINÁRIO. seguindo entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal . (AgRg no REsp 1488690/PR. INAPLICABILIDADE. tendo em vista a possibilidade de se conceder a ordem de ofício.472/1997. FURTO TENTADO. DJe 17/06/2015) Quinta Turma PENAL. Agravo regimental desprovido. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. PERÍCIA REALIZADA POR AMOSTRAGEM. PRINCÍPIOS DA ADEQUAÇÃO SOCIAL E DA INSIGNIFICÂNCIA. 1. DO CÓDIGO PENAL. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA.551/SP. Ministro Luiz Fux. CRIME CONTRA AS TELECOMUNICAÇÕES. pacificou o entendimento de que para a aplicação do princípio da insignificância. 83 do STJ. c) reduzido grau de reprovabilidade do comportamento do agente. foi denunciado por tentar furtar um creme de barbear da marca Nívea e um creme dental da marca Sensodine. a importação não autorizada de cigarros constitui o crime de contrabando.689/RS. CONSTRANGIMENTO ILEGAL EVIDENCIADO. CIGARROS. INAPLICABILIDADE. . imperioso o reconhecimento da atipicidade material da conduta. AGRAVO REGIMENTAL.16 (VINTE E OITO REAIS E DEZESSEIS CENTAVOS). Rel. LEGALIDADE.com.472/1997. primário e com bons antecedentes. e d) inexpressividade da lesão jurídica provocada (STF. (AgRg no REsp 1512142/SP. será observada a presença dos seguintes vetores: a) mínima ofensividade da conduta do agente.O Superior Tribunal de Justiça. CONTRABANDO. Rel. Rel. QUINTA TURMA. Agravo regimental não provido. DJe 26/06/2015) Quinta Turma AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. no que foi seguido por esta Corte Superior.br que impede o reconhecimento da atipicidade material da conduta. não ficando demonstrada a presença de lesão significativa ao bem jurídico tutelado que justifique a intervenção do Direito Penal. o paciente. julgado em 11/06/2015. com o restabelecimento da decisão de primeiro grau que absolveu sumariamente o paciente das imputações contidas na denúncia. 1. QUINTA TURMA. portanto.O Supremo Tribunal Federal. 107. DJe 30/06/2015) Sexta Turma PENAL. Nos termos da pacífica orientação da Terceira Seção desta Corte. insuscetível de aplicação do princípio da insignificância. que tem como bem jurídico tutelado a segurança dos meios de comunicação. Ordem concedida de ofício para restabelecer a decisão de primeiro grau. 2. RESTITUIÇÃO AO PATRIMÔNIO DA VÍTIMA. . 183 DA LEI N. Primeira Turma. sendo. AGRAVO NÃO PROVIDO. 184. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. .www.699/PA. Agravo regimental desprovido. devese analisar o pedido formulado na inicial. julgado em 18/06/2015. PRECEDENTES. (AgRg no AREsp 634. 9. APREENSÃO DE CDS E DVDS FALSIFICADOS. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. pois o desenvolvimento clandestino de atividades de telecomunicação é crime formal. . ART. Incidência da Súmula n. Habeas corpus não conhecido. Ministro ERICSON MARANHO (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/SP). No entanto. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.penalemfoco. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ. 9. INAPLICABILIDADE. de perigo abstrato. 4. (HC 323.STF. ORDEM CONCEDIDA DE OFÍCIO. § 2º. DESCABIMENTO. Inaplicável o princípio da insignificância ao delito previsto no art. ESTAÇÃO DE RÁDIO CLANDESTINA. Ministro LEOPOLDO DE ARRUDA RAPOSO (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/PE). Rel. julgado em 16/06/2015. 2. que deverá ser analisado conjuntamente com os princípio da fragmetaridade e da intervenção mínima. julgado em 18/06/2015. DJe 7/3/2012). em razão da existência de eventual coação ilegal. APLICAÇÃO.

na situação em análise. HC 299. Agravo regimental desprovido. firmou o entendimento de que não se aplicam os princípios da adequação social e da insignificância ao mencionado crime. são suficientes. DJe 24/9/2009). PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. no julgamento do REsp. 3. CORTE ESPECIAL. Aplica-se o princípio da insignificância à conduta formalmente tipificada como furto tentado consistente na tentativa de subtração de chocolates. por si sós e isoladamente. II. A lei penal não deve ser invocada para atuar em hipóteses . a repercussão econômica para a vítima. SEXTA TURMA. julgado em 03/06/2015. têm instigado a prática delitiva na sociedade moderna. NA FORMA DO ART. julgado em 19/05/2015. AUSÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. PENAL E PROCESSUAL PENAL. DJe 19/06/2015) Quinta Turma AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Incidência da Súmula 83/STJ. por exemplo. do Código Penal. APLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. a conduta do réu não traduz lesividade efetiva e concreta ao bem jurídico tutelado. 1.508/RS. principalmente. DJe 15/06/2015) Sexta Turma AGRAVO REGIMENTAL. A perícia realizada por amostragem e mediante a análise das características externas dos CDs e DVDs apreendidos mostra-se suficiente para a comprovação da materialidade do delito previsto no art. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR. Aplica-se o princípio da insignificância à conduta formalmente tipificada como furto consistente na subtração. A intervenção do Direito Penal há de ficar reservada para os casos realmente necessários. MATÉRIA RESTRITA AO EXAME DE LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL. o grau de reprovabilidade do comportamento do agente. Para o reconhecimento da insignificância da ação.penalemfoco. Sebastião Reis Júnior. São outros e mais complexos fatores que. a moralidade administrativa. Rel. É firme a jurisprudência deste Superior Tribunal no sentido da não aplicação do princípio da insignificância aos crimes contra a Administração Pública. 2. § 2º. 4.522 RG. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. MORALIDADE ADMINISTRATIVA INSUSCETÍVEL DE VALORAÇÃO ECONÔMICA. a ausência de violência e o tempo do agente na prisão pela conduta. pertencentes a um supermercado e integralmente recuperados. julgado em 9/9/2014. DO CPM. Ministro CEZAR PELUSO. visto que a matéria se restringe à análise de legislação infraconstitucional (AI 747. Ministra LAURITA VAZ. Todas as peculiaridades do caso concreto devem ser consideradas. por réu primário e sem antecedentes. há de se ressaltar que o mencionado princípio não fomenta a atividade criminosa. O agravo regimental não merece prosperar. CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. não se pode levar em conta apenas a expressão econômica da lesão. Nesse contexto. o que implica no indeferimento liminar do recurso extraordinário. HIPÓTESE DE APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. a restituição do bem. não obstante a certidão de antecedentes criminais indicar uma condenação transitada em julgado em crime de mesma natureza. Rel. (AgRg no RE nos EDcl no HC 284. Ministro GURGEL DE FARIA. SÚMULA 83/STJ. em seus antecedentes criminais. Agravo regimental improvido. RECURSO ESPECIAL. 1. na verdade.www.com.br 1. Rel. 3.00. A Terceira Seção deste Tribunal. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 2. Agravo regimental desprovido. 30.196/MG. ART. INAPLICAÇÃO. DJe 29/05/2015) Sexta Turma DIREITO PENAL. Min. 2. ainda que o réu tenha. julgado em 27/8/2009. Rel. de um par de óculos avaliado em R$ 200. 1. mas. Ademais. Nem a reincidência nem a reiteração criminosa. Rel.00. QUINTA TURMA. Quinta Turma DIREITO PENAL. CÓDIGO PENAL MILITAR. § 2°.185-SP. o valor do objeto. avaliados em R$ 28. (AgRg no REsp 1458252/MG. porquanto as razões reunidas na insurgência são incapazes de infirmar o entendimento assentado na decisão agravada. n. sendo prescindível o exame e a descrição individualizada de cada um dos produtos apreendidos em poder do agente. insuscetível de valoração econômica. como. uma vez que a norma visa resguardar não apenas a dimensão material. a premeditação. O Supremo Tribunal Federal já se pronunciou no sentido de que a questão relativa à aplicação do princípio da insignificância carece de repercussão geral.193. julgado em 09/06/2015. 184. registro de uma condenação transitada em julgado pela prática de crime da mesma natureza. tampouco a habitualidade delitiva. 303. INDEFERIMENTO LIMINAR DO APELO EXTREMO. para afastar a aplicação do denominado princípio da insignificância. (AgRg no REsp 1308038/SP.

1. É inaplicável o princípio da insignificância quando configurado o crime de contrabando. a intervenção mínima do Poder Público em matéria penal”. 3. IRRELEVÂNCIA PENAL DO FATO. NÃO APLICAÇÃO. Marco Aurélio Bellizze. DJe 24/03/2015) Sexta Turma DIREITO PENAL. uma vez que. Agravo regimental improvido. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. (c) o reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento e (d) a inexpressividade da lesão jurídica provocada – apoiou-se. conferindo-se maior relevância à proteção de valores . no âmbito das relações domésticas. INAPLICABILIDADE. julgado em 27/5/2014. AgRg no RHC 44. Agravo regimental improvido. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA. a fim de se reformar o aresto que. é possível se vislumbrar atipicidade material da referida conduta. razão pela qual os princípios da insignificância e da intervenção mínima surgem para evitar situações dessa natureza. mercadoria de proibição relativa. A internação de arma de pressão.767/RS. A despeito da subsunção formal de determinada conduta humana a um tipo penal. demandaria a alteração das premissas fático-probatórias estabelecidas na instância ordinária. Rel. Não é possível afastar a tipicidade material do porte de substância entorpecente para consumo próprio com base no princípio da insignificância. 2. SEXTA TURMA. verifica-se a presença dos referidos vetores. entre os quais a ausência de ofensividade penal do comportamento em análise.penalemfoco. Agravo regimental improvido. DJe 17/3/2015). subsidiária e fragmentária do Direito Penal. em seu processo de formulação teórica. VIOLÊNCIA DOMÉSTICA. DJ 5/6/2009). na aferição do relevo material da tipicidade penal.152-MG. SEXTA TURMA. PRINCÍPIO DA BAGATELA IMPRÓPRIA. julgado em 05/05/2015.461-RS. sendo pacífico o entendimento deste Superior Tribunal de Justiça no sentido da relevância penal de tais condutas. (AgRg no REsp 1446768/ES. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR. no qual foram apresentados os requisitos necessários para a aferição do relevo material da tipicidade penal: “O postulado da insignificância – que considera necessária. CRIME AMBIENTAL. 1. Sexta Turma. RECURSO ESPECIAL. tais como (a) a mínima ofensividade da conduta do agente. a presença de certos vetores. DJe 14/05/2015) Sexta Turma PENAL E PROCESSO PENAL. Sexta Turma PENAL. 2. O acolhimento da pretensão recursal. em função dos próprios objetivos por ele visados. com base no aludido princípio. AGRAVO REGIMENTAL. nos termos do enunciado da Súmula 7/STJ. IMPORTAÇÃO DE ARMA DE PRESSÃO.www. INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA AO CRIME DE PORTE DE SUBSTÂNCIA ENTORPECENTE PARA CONSUMO PRÓPRIO. de modo a atrair a incidência do princípio da insignificância. concluiu que a conduta em análise seria atípica. devendo ser analisadas as circunstâncias específicas do caso concreto para se verificar a atipicidade da conduta em exame. CONTRABANDO. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA MATÉRIA EMINENTEMENTE FÁTICA. Rel.br desprovidas de significação social. Não têm aplicação aos delitos com violência à pessoa. por tutelar não apenas interesse econômico. 3. Predomina nesta Corte entendimento no sentido da possibilidade de aplicação do princípio da insignificância aos crimes ambientais. (b) a nenhuma periculosidade social da ação. 2. julgado em 24/03/2015. ATIPICIDADE. configura o delito contrabando. não há como excluir a tipicidade material do referido delito à vista apenas do valor da evasão fiscal. DJe 31/03/2015) Sexta Turma PENAL E PROCESSO PENAL. por se tratar de crime pluriofensivo. AGRAVO REGIMENTAL. Isso porque. Min. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA. Rel. deve haver uma atuação seletiva.418. RECURSO ESPECIAL LESÃO CORPORAL. Na hipótese em análise. mas também a segurança e a incolumidade pública (AgRg no REsp n. sem a prévia autorização ou licença da autoridade administrativa. ainda que ínfima a quantidade de droga apreendida. SEXTA TURMA. (AgRg no REsp 1418887/RS. além da adequação típica formal. tanto o princípio da insignificância como o da bagatela imprópria. 1. conveniente trazer à colação excerto de julgado do STF (HC 98. Ministro Nefi Cordeiro. no reconhecimento de que o caráter subsidiário do sistema penal reclama e impõe. por diversos motivos. (AgRg no REsp 1464335/MS. atuando como instrumentos de interpretação restrita do tipo penal. SÚMULA 7/STJ.com. julgado em 17/03/2015. 1. Rel. Posto isso. o que é vedado em sede de recurso especial.

há de se reconhecer a tipicidade material do porte de substância entorpecente para consumo próprio.920-DF. o desvalor da ação suplanta o desvalor do resultado. mas. Quinta Turma. isoladamente. de prestação de serviços à comunidade e de medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo. alertá-lo sobre o risco de sua conduta para a sua saúde.penalemfoco. com ele. Sexta Turma. diante da potencialidade ofensiva do delito de porte de entorpecentes. corrupção. INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA NA HIPÓTESE DE REITERAÇÃO DA PRÁTICA DE DESCAMINHO. exigindo-se. assim. não há como negar que o usuário de drogas. do contrário. Isso porque. em razão da política criminal adotada pela Lei 11.www. mas toda a coletividade. segundo entendimento doutrinário. ainda que o valor do tributo suprimido não ultrapasse o limite previsto para o não ajuizamento de execuções fiscais pela Fazenda Nacional. o tipo previsto no art. concretamente. previsto no art. RHC 35. DJe 30/5/2011.343/2006 esgota-se. ou seja. conforme os incisos do art. Vale dizer. da propriedade. O consumo de drogas ilícitas é proibido não apenas pelo mal que a substância faz ao usuário. visto que prescinde da comprovação da existência de situação que tenha colocado em risco o bem jurídico tutelado. ao adquirir droga para seu consumo. simplesmente. Portanto. Ademais. Sexta Turma DIREITO PENAL. Nessas circunstâncias. tráfico de armas etc. Assim. Precedentes citados: HC 158. nas hipóteses em que uma conduta omissiva do agente (um deslize) não ultrapasse o valor de R$ 10 mil. Dessa maneira.343/2006. gerando. o valor econômico do bem jurídico tutelado. a fim de possibilitar a sua recuperação. e não apenas a saúde do usuário. não se faz necessária a ocorrência de efetiva lesão ao bem jurídico protegido. além de evitar a reiteração do delito. associados aos efeitos do consumo de drogas ou à obtenção de recursos ilícitos para a aquisição de mais substância entorpecente. Rogerio Schietti Cruz. 334 do CP). a intenção do legislador foi a de impor ao usuário medidas de caráter educativo. Min. A par disso. para uso próprio. Além disso. Nesse contexto. Com efeito. objetivando. de outro lado não se pode considerar despida de lesividade (sob o aspecto valorativo) a conduta de quem. o usuário realimenta o comércio ilícito. Nessa linha. todos os outros crimes relacionados ao narcotráfico: homicídio. quando efetivamente ofendidos. DJe 14/4/2014). e RHC 34. uma compulsão quase incontrolável pela próxima dose. da liberdade. para que haja a incidência do princípio da insignificância. visto que. frise-se que o porte ilegal de drogas é crime de perigo abstrato ou presumido. Rel. reduzido grau de reprovabilidade. também. assim. principalmente se considerada a . para a caracterização do delito descrito no art. assim. Nesse passo.097-PA. julgado em 20/5/2014. amparando-se na expectativa sincera de inserir-se nessa hipótese de exclusão da tipicidade. “é indispensável que a conduta do agente seja marcada por ofensividade mínima ao bem jurídico tutelado. o equilíbrio necessário para a perfeita adequação do princípio bagatelar. o usuário de drogas precisa de maiores quantidades para atingir o mesmo efeito obtido quando do início do consumo. por isso mesmo. reiteradamente. além da contrariedade normativa. Essa ilação é corroborada pelo expressivo número de relatos de crimes envolvendo violência ou grave ameaça contra pessoa. o objeto jurídico tutelado pela norma em comento é a saúde pública. optou por abrandar as sanções cominadas ao usuário de drogas. visto que sua conduta atinge não somente a sua esfera pessoal. todas as circunstâncias que envolvem a prática delitiva. 28 do referido diploma legal. se de um lado a omissão no pagamento de tributo relativo à importação de mercadorias é suportada como irrisória pelo Estado.br tidos como indispensáveis à ordem social. 28 da Lei 11. importante instrumento que objetiva restringir a aplicação literal do tipo formal. HC 114. poder-se-ia estar diante da hipótese do delito de tráfico de drogas. após certo tempo e grau de consumo. a exemplo da vida. Segunda Turma. ao editar a Lei 11. a reduzida quantidade de drogas integra a própria essência do crime de porte de substância entorpecente para consumo próprio. roubo. também.955-RS. do patrimônio. acaba estimulando diretamente o comércio ilegal de drogas e. irrelevante que a quantidade de drogas não produza. 28 da Lei 11. a ocorrência efetiva de ofensa relevante ao bem jurídico tutelado (tipicidade material). inexpressividade da lesão e nenhuma periculosidade social” (STF. danos ao bem jurídico tutelado. afastando a possibilidade de aplicação de penas privativas de liberdade e prevendo somente as sanções de advertência. pelo perigo que o consumidor dessas gera à sociedade. omite o pagamento de tributos sempre em valor abaixo da tolerância estatal. A reiterada omissão no pagamento do tributo devido nas importações de mercadorias de procedência estrangeira impede a incidência do princípio da insignificância em caso de persecução penal por crime de descaminho (art. mas. qualquer substância entorpecente que possa causar dependência. bastando a realização da conduta proibida para que se presuma o perigo ao bem tutelado. ao buscar alimentar o seu vício. ainda que ínfima a quantidade de droga apreendida. contribuindo para difusão dos tóxicos.com.343/2006. 33 da Lei 11.343/2006. A par disso. Por fim.466-DF. rompendo-se. no fato de o agente trazer consigo. DJe 27/5/2013. não se pode olvidar que o legislador.343/2006. não basta que seja considerado. o princípio da insignificância revela-se. sendo.

Precedentes citados: AgRg no AREsp 242.. Min. se foi de dia ou durante o repouso noturno. julgado em 22/4/2014. DJe 1º/3/2012. Vale lembrar que. DJe 29/11/2013. INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA AO CONTRABANDO DE GASOLINA. c) as circunstâncias em que o crime foi perpetrado. a despeito da subsunção formal de um tipo penal a uma conduta humana.246-MG. Precedente citado do STJ: RHC 41.384. Sexta Turma DIREITO PENAL. RHC 31. ainda que a Portaria 75/2012 do Ministério da Fazenda tenha estabelecido o valor de R$ 20 mil como parâmetro para o não ajuizamento de execuções fiscais pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Aplica-se o princípio da insignificância à conduta formalmente tipificada como furto consistente na subtração. AgRg no REsp 1. HC 109. e não sujeito a um patamar legal absoluto –. com sucessivas ocorrências (reincidente ou não). notadamente se demonstra fazer da subtração de coisas alheias um meio ou estilo de vida. Sexta Turma. em casos de reiteração na omissão do pagamento de tributos. Rel.134-RS. Quinta Turma.com.317-MG. no crime de furto. faz-se necessária a ponderação do conjunto de circunstâncias que rodeiam a ação do agente para verificar se a conduta formalmente descrita no tipo penal afeta substancialmente o bem jurídico tutelado.569-RJ. Sexta Turma. Rogerio Schietti Cruz. Não é aplicável o princípio da insignificância em relação à conduta de importar gasolina sem autorização e sem o devido recolhimento de tributos. REsp 1. Ante o exposto.770-RJ. em face do grau de lesão à ordem tributária que atribua relevância penal à conduta. DJe 7/4/2014. por diversos motivos. DJe 3/12/2013. em atenção aos princípios da fragmentariedade e da subsidiariedade. Desse modo.686-PR. Precedentes citados do STJ: AgRg no REsp 1. AgRg no REsp 1. o Direito Penal apenas deve ser utilizado contra ofensas intoleráveis a determinados bens jurídicos e nos casos em que os demais ramos do Direito não se mostrem suficientes para protegê-los.br possibilidade de que a aplicação desse instituto. DJe 26/6/2013. Rel. como verdadeiro incentivo à prática do descaminho. se teve o concurso de terceira pessoa. para que o magistrado possa decidir sobre a aplicação do princípio da insignificância. sobretudo adolescente. Min. Em outras palavras. Sexta Turma DIREITO PENAL.400.334. todo cuidado é preciso para que o princípio não seja aplicado de forma a estimular condutas atentatórias aos legítimos interesses dos supostos agentes passivos e da sociedade” (STJ. Min. economicidade e praticidade. Primeira Turma. avalia-se notadamente: a) o valor do bem ou dos bens furtados. “se de um lado revela-se evidente a necessidade e a utilidade da consideração da insignificância. DJe 6/12/2013. Nessa análise. Sexta Turma.402. serve. por réu primário. Quinta Turma. se abusou da confiança da vítima etc.406. Quinta Turma DIREITO PENAL.752-PR. Rogerio Schietti Cruz. Nesse contexto. de outro é imprescindível que sua aplicação se dê de maneira criteriosa. AgRg no AREsp 321. b) a situação econômica da vítima. Isso porque essa conduta tem adequação típica ao crime de contrabando.penalemfoco. a Sexta Turma do STJ entende que o parâmetro para a aplicação do princípio da insignificância ao delito de descaminho não está necessariamente atrelado aos critérios fixados nas normas tributárias para o ajuizamento da execução fiscal – regido pelos critérios de eficiência. de bijuterias avaliadas em R$ 40 pertencentes a estabelecimento comercial e restituídas posteriormente à vítima. Segunda Turma. Precedentes citados do STF: HC 115. ao fim. O princípio da insignificância não é aplicável ao crime de descaminho quando o valor do tributo iludido for superior a R$ 10 mil. DJe 7/4/2014). julgado em 4/2/2014. julgado em 26/11/2013. é dizer. Assim. quanto à aplicação do princípio da insignificância é preciso considerar que. entre os quais a ausência de ofensividade penal do comportamento verificado. Sexta Turma.355-RS. há possibilidade de. DJe 13/12/2013. Precedente citado do STF: HC 118. Quinta Turma. e d) a personalidade e as condições pessoais do agente. Segunda Turma. entende-se que o Direito penal não deve ocupar-se de bagatelas. ao qual não se .797-RS. concluirse pela atipicidade material da conduta. Dessa forma. HC 208. Com efeito.500-PR. julgado em 20/5/2014. caso seja verificada a inexpressividade do comportamento do agente. Rel. Assusete Magalhães. mas decorre de construção jurisprudencial erigida a partir de medida de política criminal. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA NO CRIME DE DESCAMINHO. a reiteração na prática de supressão ou de elisão de pagamento de tributos justifica a continuidade da persecução penal. AgRg no REsp 1. DJe 13/12/2013. Isso para evitar que a tolerância estatal vá além dos limites do razoável em função dos bens jurídicos envolvidos. Sexta Turma.051-PR.612-PB.049-PR. fica afastada a intervenção do Direito Penal. HC 208. se rompeu obstáculo de considerável valor para a subtração da coisa. dada a natureza fragmentária do Direito Penal.www. ATIPICIDADE MATERIAL DA CONDUTA NO CRIME DE FURTO. De início.207-PR. DJe 12/12/2013.

caput. por se tratar de critério jurisprudencial e doutrinário que incide de forma tão drástica sobre a própria tipicidade penal – ou seja. Além disso. Para se chegar a essa conclusão. do ponto de vista da mera dogmática penal. fica patente o intuito de se aperfeiçoar a utilização da máquina pública.www. por ser monopólio da União. Diversa.278. entende-se que a irrisória lesão ao fisco conduz à própria atipicidade material da conduta. por sua vez. com sucessivas ocorrências (reincidente ou não). o patamar utilizado para a incidência do princípio da insignificância é jurisprudencial e não legal. agregam-se outros requisitos de cunho eminentemente subjetivo. deve-se ter criterioso cuidado na sua aplicação. 2º da Lei 4. 334.406. O princípio da insignificância não é aplicável ao crime de descaminho quando o valor do tributo iludido for superior a R$ 10 mil.657/1942. fazer uma vinculação de forma absoluta. não havendo que se falar em insignificância da conduta quando o objetivo precípuo da tipificação legal é evitar o fomento de transporte e comercialização de produtos proibidos.522/2002 que definiu ser insignificante. APLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA NO CRIME DE DESCAMINHO. Quinta Turma. ao novo valor apresentado. AgRg no REsp 1. economicidade.732RR.com. entretanto. Assim. as circunstâncias em que o crime foi perpetrado e a personalidade e as condições pessoais do agente. A doutrina e a jurisprudência do STF e do STJ admitem a possibilidade de aplicação do princípio da insignificância como critério para a verificação judicial da relevância penal da conduta humana sob julgamento.356-PR. Em face da natureza tributária do crime de descaminho. constituindo o crime de contrabando. 20 da Lei 10. Contrabando é a importação ou exportação de mercadorias cuja entrada no país ou saída dele é absoluta ou relativamente proibida. O crime de descaminho. naquele momento. notadamente se demonstra fazer da subtração de coisas alheias um meio ou estilo de vida. Regina Helena Costa. por acaso.penalemfoco. o valor de R$ 10 mil fixado pelo art. é a fraude utilizada para iludir. embora relevante a missão do princípio da insignificância na seara penal. conforme dispõe o art. AgRg no AREsp 348. inclusive de gasolina. maior que o crédito a ser recuperado. que.408-RR. uma vez que a importação desse combustível. sua introdução. na seara penal. caput. a orientação aplicável ao delito de contrabando. Inviável. mas sim em estratégia de cobrança. o descaminho de valores de até R$ 10 mil. o contrabando afeta bem jurídico diverso. do CP. de modo que toda vez que for modificado o patamar para ajuizamento de execução fiscal estaria alterado o valor considerado bagatelar. sobre a lei –. Sua incriminação encontra-se na 1ª parte do art.522/2002 não foi alterado. Precedente citado do STJ: AgRg no REsp 1. por particulares. está expresso em lei. Não se aplica o princípio da insignificância ao furto de uma máquina de cortar cerâmica avaliada em R$ 130 que a vítima utilizava usualmente para exercer seu trabalho e que foi recuperada somente alguns dias depois da consumação do crime praticado por agente que responde a vários processos por delitos contra o patrimônio.242. também conhecido como contrabando impróprio. sendo concedida apenas aos produtores ou importadores. ainda que a Portaria 75/2012 do Ministério da Fazenda tenha estabelecido o valor de R$ 20 mil como parâmetro para o não ajuizamento de execuções fiscais pela Procuradoria da Fazenda Nacional. ambos previstos no art. Min. o pagamento de impostos de importação ou exportação. embora previsto no mesmo tipo penal. DJe 16/9/2013. total ou parcialmente. do CP. DJe 1º/2/2013. é conduta proibida. Por outro lado. sob pena de se chegar ao extremo de desproteger por completo bens juridicamente tutelados pelo direito penal. visando autorizar o não ajuizamento de execução cujo gasto pode ser. julgado em 6/2/2014. É que portaria emanada do Poder Executivo não tem força normativa capaz de revogar ou modificar lei em sentido estrito. a situação econômica da vítima. 334. Não é correto. a Portaria 75/2012 do Ministério da Fazenda não proíbe de modo absoluto a cobrança de créditos inferiores a R$ 20 mil. Desse modo. Por fim. foram os julgados dos Tribunais Superiores que definiram a utilização do referido parâmetro. Se.br admite a aplicação do princípio da insignificância. Marco Aurélio Bellizze. ou seja. Min. importa avaliar empiricamente o valor do bem ou dos bens furtados. Rel. estes últimos fatos não poderiam ser considerados como óbice ao . Sexta Turma DIREITO PENAL. mas o permite desde que atestado o elevado potencial de recuperabilidade do crédito ou quando se mostre – observados os critérios de eficiência. julgado em 18/2/2014. não foi a Lei 10. Note-se ainda que. falar em valor irrisório. Precedente citado do STF: HC 116. pois. portanto. Quinta Turma DIREITO PENAL. Tendo como bem jurídico tutelado a ordem tributária. pela forma como redigidas as disposições da Portaria 75/2012 do Ministério da Fazenda. Por um lado. sujeita-se à prévia e expressa autorização da Agência Nacional de Petróleo. é possível a incidência do princípio da insignificância nas hipóteses em que não houver lesão significativa ao bem jurídico penalmente tutelado. Para empreender essa tarefa. De fato. Primeira Turma. em território nacional. praticidade e as peculiaridades regionais e/ou do débito – conveniente a cobrança. cumpre diferenciar o crime de contrabando do de descaminho.

se houve ou não relevante lesão ao bem jurídico tutelado. em casos como este. o fato. relevância jurídica apta a justificar a intervenção do direito penal. se não servem para caracterizar a continuidade delitiva. Min. inúmeros processos em curso por delitos contra o patrimônio. restabelecendo a sentença que condenou o recorrido à pena de um ano e quatro meses de reclusão em regime aberto pela tentativa de furto de um aparelho de DVD avaliado em R$ 250. julgado em 12/3/2013. ainda que ocorra a perfeita adequação formal da conduta à lei incriminadora e esteja comprovado o dolo do agente. HC 241. vale registrar. Rel. que consiste na relevância penal da conduta e do resultado produzido. as quais. a denotar sua habitualidade criminosa. Min. por razões derivadas predominantemente de política criminal. apesar de se adequar formalmente ao tipo penal de furto.795RS. Nessa situação. HC 250. na avaliação da conduta formalmente correspondente a um tipo penal. Na hipótese. Assim.713-DF. APLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA NA HIPÓTESE DE ACUSADO REINCIDENTE OU PORTADOR DE MAUS ANTECEDENTES. também. Quinta Turma PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. a verificação da lesividade mínima da conduta. Para o Min. Rel. Rel. julgado em 2/4/2013. De fato. REsp 1. o maquinário subtraído era usualmente utilizado pela vítima para exercer seu trabalho.penalemfoco. inexistindo. ressalvadas. Além disso. A Turma reformou acórdão do tribunal de justiça. Precedentes citados: AgRg no REsp 982. na certidão de antecedentes criminais. é atípico sob o aspecto material.962-MG. INSIGNIFICÂNCIA. inexiste a tipicidade material. Sendo favoráveis as condições pessoais do agente. subjetivamente. é aplicável o princípio da insignificância em relação à conduta que.00. visto o valor da ferramenta de trabalho subtraída e a sua recuperação pela vítima tão somente após alguns dias da consumação do delito. subsumida formalmente ao tipo correspondente ao furto simples (art. caput. Min. as hipóteses em que a inexpressividade da conduta ou do resultado é tão grande que. ignorar o contexto que singulariza a conduta como integrante de uma série de outras de igual natureza. Min. Embora se trate de um único bem subtraído. FURTO.228. TENTATIVA. Ainda que se trate de acusado reincidente ou portador de maus antecedentes.89 pertencentes a determinado estabelecimento comercial. Não se pode considerar. Og Fernandes. a fim de se determinar. DJe 8/6/2011.00 possa ser considerado como reduzido ou irrelevante dependendo da condição econômica do sujeito passivo.122-MG. como inexpressiva a lesão jurídica provocada. o fato de o paciente ostentar. DJe 8/6/2011. é altamente censurável a conduta do agente. e AgRg no REsp 1. consista na subtração de bem móvel de valor equivalente a pouco mais de 23% do salário mínimo vigente no tempo do fato. PRINCÍPIO DA .224. Quinta Turma DIREITO PENAL. APLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA AO FURTO DE BEM CUJO VALOR SEJA DE POUCO MAIS DE 23% DO SALÁRIO MÍNIMO DA ÉPOCA. o recorrido adentrou um dos cômodos da residência e apossou-se do bem.com. 155. apta a torná-la atípica. deve ser aplicado o princípio da insignificância no caso em que a conduta apurada esteja restrita à subtração de 11 latas de leite em pó avaliadas em R$ 76.651-PE. Rogerio Schietti Cruz. Gilson Dipp.www. Quinta Turma FURTO QUALIFICADO. a condição econômica do sujeito passivo. porquanto. Sexta Turma DIREITO PENAL. não se deve admitir a incidência do princípio da bagatela em casos nos quais o agente é contumaz autor de crimes contra o patrimônio. Jorge Mussi.br reconhecimento da insignificância penal – por aparentemente sinalizar a prevalência do direito penal do autor e não do fato –. a hipótese revela peculiaridades que devem ser levadas em consideração para afastar a hipótese de crime de bagatela. a conduta perpetrada pelo paciente – subtração de uma máquina de cortar cerâmica avaliada em R$ 130 – não se revela de escassa ofensividade penal e social. Relator. AgRg no HC 254. assim como as circunstâncias e o resultado do crime. Nessa situação. tendo sido detido pela vítima quando saía da residência dela. não se justifica a utilização do aparato repressivo do Estado para punir o comportamento formalmente tipificado como crime. bem evidenciam o comportamento humano avesso à norma penal e ao convívio respeitoso e harmônico que se espera de todo componente de uma comunhão social. do CP). deve levar em consideração a importância do objeto material subtraído. assim. não deve o juiz. a despeito da existência de maus antecedentes. julgado em 13/3/2012.818-RS. Assim. julgado em 10/12/2013. pois o resultado jurídico – a lesão produzida ao bem jurídico tutelado – há de ser considerado como absolutamente irrelevante. a aplicação da sanção penal configura indevida desproporcionalidade. Rel. APARELHO DVD. cujo valor de R$ 250.

SISTEMA ELETRÔNICO DE VIGILÂNCIA. automaticamente. Quinta Turma FURTO SIMPLES.44. Ponderou-se que. outros objetos.com. que o crime tratado nos autos não representa fato isolado na vida do paciente. HC 169. comete vários delitos ou atos infracionais. razão pela qual a sua conduta não deve ser tida como penalmente irrelevante. foi condenado à pena de dois anos e sete meses de reclusão em regime semiaberto. para acórdão Min. observando o bem subtraído. à pena de três anos e quatro meses de reclusão em regime semiaberto. quatro pedaços de picanha e um frasco de fermento em pó. avaliados no total de R$ 206. bem como estimular a prática reiterada de furtos de bens pequeno valor. Rel. por subtrair de veículos objetos avaliados em R$ 75. não deve ser utilizada como único parâmetro para aplicação do aludido princípio sob pena de relativizar o direito de propriedade. as circunstâncias e o resultado do crime. Concluiuse. asseverou-se não ser possível reconhecer como reduzido o grau de reprovabilidade na conduta do agente que. DJe 17/10/2011. denegou a ordem na qual se pretendia o reconhecimento da ocorrência de crime impossível ou absolvição do paciente pela aplicação direta do princípio da insignificância e. destacou que. julgado em 15/3/2012. seria necessária a apreciação dos seguintes requisitos: a mínima ofensividade da conduta do agente. ressaltou-se que o pequeno valor da vantagem patrimonial ilícita não se traduz. Após o voto do Min. de forma reiterada e habitual. AgRg no REsp 982. Min. Gilson Dipp. Em seguida. PRINCÍPIO. de fato. a alteração do regime inicial de cumprimento da pena. não recuperados. A Turma denegou habeas corpus no qual se postulava a aplicação do princípio da insignificância em favor de condenado por crime de furto qualificado e. Na espécie. Sebastião Reis Júnior. em frações que. prevalecendo a decisão mais favorável ao réu. caput. dessa forma. INSIGNIFICÂNCIA. pelo delito descrito no art. nenhuma periculosidade social da ação. verificou-se empate na votação. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. e em razão da restituição dos bens. subsidiariamente. configurada pela pequena lesão causada ao patrimônio da vítima. Inicialmente. também foram furtados. Rel.penalemfoco. e RHC 29. a condição econômica do sujeito passivo. não superassem certo valor tido por insignificante. Na espécie.029-RS. 155. isoladamente. REINCIDÊNCIA. Rel. não seria o caso do reconhecimento da figura do crime impossível. cassando a liminar deferida. Ponderou. consta dos . julgado em 6/12/2011. Inicialmente. No caso.961-RS. Rel. HC 150. romperam obstáculos durante o repouso noturno. motivos que indicam o alto grau de reprovabilidade da conduta. que. o paciente. em razão da incidência do princípio da insignificância ante a ausência de lesividade da conduta. Em seguida. Relator denegando a ordem. qualquer entendimento contrário seria um verdadeiro incentivo ao descumprimento da norma legal. o paciente foi condenado. A Turma entendeu ser inaplicável esse princípio porque os agentes em concurso. em especial diante da capacidade econômica da vítima. Além disso. do Código Penal (CP). A Turma. que a mínima ofensividade da conduta seja analisada caso a caso. Min. RES FURTIVA.www. a Turma concedeu a ordem nos termos do voto da Min. que a suposta inexpressividade da lesão jurídica provocada. a fixação da pena-base no mínimo legal. DJe 8/6/2011. Considerou. Maria Thereza de Assis Moura.Laurita Vaz. ressaltou o Min. Relator a posição firmada neste Superior Tribunal em diversos precedentes de que a presença de sistema eletrônico de vigilância no estabelecimento comercial não se mostra infalível para impedir a consumação dos delitos de furto. DJe 28/11/2011. FURTO. ao ingressar na residência da vítima. para sua aplicação. Sexta Turma FURTO.00. seguidas vezes. originário Min. ademais. VALOR IRRISÓRIO. mormente tendo em conta aqueles que fazem da criminalidade um meio de vida. Logo. julgado em 16/2/2012. mas o excedesse na soma. o reduzido grau de reprovação do comportamento e a inexpressividade da lesão jurídica provocada.236-DF. Quinta Turma PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. Maria Thereza de Assis Moura. a lei seria inócua se tolerada a reiteração do mesmo delito. trata-se da tentativa de furto de quatro saquinhos de suco. invocou-se tal princípio. Quanto à dosimetria da pena. como consabido.br O princípio da insignificância requer. Inclusive. CRIME IMPOSSÍVEL. no reconhecimento do crime de bagatela. mas comportamento altamente reprovável a ser combatido pelo Direito Penal. In casu. Precedentes citados: HC 187. consideraram-se suficientes os fundamentos apresentados para justificar a exacerbação da pena-base. para a exclusão da tipicidade material pela aplicação do princípio da insignificância. que seria uma rede de supermercados. diante da impossibilidade do amplo revolvimento da matéria fático-probatória na via do habeas corpus. ademais.818RS. HC 179. subsidiariamente.572-SP. Dessa forma. pois foram apreendidos como objetos do furto apenas uma colcha de casal e um edredon.133-GO.

Precedente citado do STF: HC 84. Ademais.690-RS.penalemfoco. havendo que se reconhecer a ofensividade. a Turma denegou a ordem. de R$ 380.441-RS.br autos que o paciente. Sexta Turma PRINCÍPIO.202-RS.304-DF.365-SP. Haroldo Rodrigues (Desembargador convocado do TJ-CE). HC 96.875-SP. A Turma deu provimento ao recurso especial do MPF para afastar a incidência do princípio da insignificância na hipótese em que havia habitualidade na prática do crime de descaminho. Precedentes citados do STF: HC 96. EMPREGADA DOMÉSTICA. INSIGNIFICÂNCIA. julgado em 21/6/2011. Min. CELULAR. A Turma não aplicou o princípio da insignificância no caso em que o paciente foi denunciado pelo furto de um motor elétrico avaliado em R$ 88. mas adquirido pelo paciente por R$ 10. e. que a atitude da ré revela lesividade suficiente para justificar uma condenação. Assim. HABITUALIDADE. REsp 1. INSIGNIFICÂNCIA. CONDUTA. DJe 31/3/2011. INSIGNIFICÂNCIA.007-SP.www. do STJ: HC 142. no que foi seguido pelos demais Ministros. HC 182.067-MS. HC 44. DJ 22/8/2005. não obstante o pequeno valor da res furtiva.088-RS. Fora aplicada ao paciente a medida socioeducativa de internação em razão da prática de ato infracional análogo ao delito previsto no art. julgado em 14/6/2011. Min.757MG. HC 84.00. do STJ: REsp 784. julgado em 8/11/2011.920RS. Rel. DJe 28/5/2010. por último. deve-se aferir o potencial grau de reprovabilidade da conduta e identificar a necessidade de utilização do direito penal como resposta estatal.412-SP. Haroldo .00.696-PR. DJ 7/11/2005. A Turma aplicou o princípio da insignificância na hipótese de receptação de um celular avaliado em R$ 55. Com isso. o réu é reincidente e a conduta delituosa foi perpetrada mediante arrombamento da janela da residência da vítima.359-RS.241. Laurita Vaz. Se assim é. Relator entendeu. DJe 3/11/2009. MOTOR ELÉTRICO. HC 195. pois a res furtiva foi avaliada em R$ 80. teria sido advertido de que. HC 152. a Polícia Militar seria acionada. DJe 4/5/2011. o paciente está afastado da escola e faz uso de drogas. DJ 19/11/2004. não ocorre desinteresse estatal à repressão do ato infracional praticado pelo paciente. DJe 29/3/2010. DESCAMINHO.690-MG. Precedentes citados do STF: HC 102.600-RS. Por fim. não se poder considerar o valor de R$ 120. REPROVABILIDADE. Precedentes citados do STF: HC 97.00. Quinta Turma PRINCÍPIO. DJe 31/3/2011. No habeas corpus. § 4º. e HC 143. além de praticar reiteradamente atos infracionais. Min. não é possível reconhecer um grau reduzido de reprovabilidade na conduta. INSIGNIFICÂNCIA. haja vista trabalhar na casa da vítima há dois anos e meio. REsp 1. Continuando seu voto. Quinta Turma PRINCÍPIO.179. DJ 30/10/2006. o Min. se houvesse outra tentativa.091-PR.007-SP. haver notícias nos autos de que a denunciada já havia furtado da vítima. RECEPTAÇÃO. Julgou-se procedente o pedido feito pelo MP para reformar acórdão do TJ que negou prosseguimento à denúncia pelo cometimento do crime de furto por empregada doméstica.00.00. 155. CONFIANÇA. FURTO QUALIFICADO. ainda que o valor apurado do tributo tenha sido inferior a R$ 10 mil. mais R$ 270. ABUSO. após ter tentado subtrair outros itens por diversas vezes no mesmo estabelecimento comercial. HC 103. DJe 6/8/2010.586-SP. Sexta Turma PRINCÍPIO. julgado em 16/8/2011. Gilson Dipp. DJ 19/11/2004. DJe 12/3/2010.com. Relator. De acordo com o Min. HC 97. Min.00 como bagatela. quanto à pessoa que comete vários delitos ou comete habitualmente atos infracionais.202-RS. do STJ: HC 137.178-MS. Rel. Precedentes citados do STF: HC 91. e HC 38. Rel. mesmo que pequeno o valor da res furtiva (cadeira de alumínio). julgado em 7/6/2011. II. diante da ausência de flagrante ilegalidade suportada pelo paciente apta a viabilizar a análise da matéria no mandamus.Min. HC 101. DJe 7/6/2010.00 da gaveta e da carteira do seu patrão. Ressalvou seu entendimento a Min. Laurita Vaz. notadamente tomando-se de base o salário mínimo vigente à época (ano de 2007). que subtraiu o valor de R$ 120. DJe 1º/2/2011. Rel. O Min.965-RS.794-MG. DJe 27/5/2010. a periculosidade social e o significativo grau de reprovabilidade do seu comportamento.998-MG. HC 181. INSIGNIFICÂNCIA. e HC 153. do CP. DJe 1º/7/2010.138-MG. pretende-se a aplicação do princípio da insignificância. Maria Thereza de Assis Moura. Rel. e HC 139. HC 191. Logo.00.986-RS. DJe 4/5/2011. Relator aduziu que a ação da denunciada se deu com nítido abuso de confiança. Rel.412-SP. Sexta Turma PRINCÍPIO. FURTO. em ocasiões anteriores. para a aplicação do mencionado princípio. foi mantido o regime prisional semiaberto. DJe 3/5/2010. HC 100. do STJ: HC 130. DJe 22/3/2011. DJe 21/5/2010. um lavrador de frágil situação financeira. Og Fernandes. Min.

nem podem ensejar constrangimento ilegal. o reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento e a inexpressividade da lesão jurídica provocada. De acordo com a peça acusatória. há alto grau de reprovação na conduta do paciente. para acórdão Min. ao ser surpreendido pelos agentes. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. O paciente foi denunciado por tentar. PRINCÍPIO. tais condutas do paciente não se afiguram como um irrelevante penal.00. Gilson Dipp. e HC 83. julgado em 26/4/2011. na via estreita do habeas corpus. INSIGNIFICÂNCIA. Rel. Embora o crime seja militar. originário Min. Quinta Turma PRINCÍPIO. Rel. reduzidíssimo grau de reprovação do comportamento e inexpressividade da lesão jurídica provocada). fardado e em serviço. dele se exige um . Diante dessas considerações. caput e § 4º. aos olhos da sociedade. mediante arrombamento. entendeu não aplicar o princípio da insignificância e denegar a ordem. Por fim. nenhuma periculosidade social da ação. a conduta do paciente não preenche os requisitos necessários para a concessão da benesse pretendida.penalemfoco. DJ 19/11/2004. Min. foi requerida a alteração da capitulação legal atribuída na denúncia. Policial rodoviário da reserva remunerada (ora paciente) utilizou-se de documento falso (passe conferido aos policiais da ativa) para comprar passagem de ônibus intermunicipal no valor de R$ 48. em última análise.412-SP. subtrair duas facas de cozinha.656-SC. Mesmo que a capitulação esteja equivocada. visto não estarem presentes todos os requisitos necessários para tal (mínima ofensividade da conduta. Para o Min. satisfazendo os requisitos do art.027. No caso. ARROMBAMENTO. para a incidência do princípio da insignificância. busca a impetração seja restabelecida a decisão de primeiro grau devido à aplicação do referido princípio.00 no bolso. por maioria.384-RS. foi denunciado pela suposta prática do crime de estelionato previsto no art. as circunstâncias que levam à denegação da ordem consistem em ser o paciente policial da reserva. o que somente será verificado na instrução criminal. Agora. além de ela ser relevante para o Direito Penal. assim. O paciente. Precedentes citados: HC 154. a Turma. Explica que. pois. HC 147. julgado em 17/5/2011. a demonstrar que teria plena condição de adquirir a passagem. Celso Limongi (Desembargador convocado do TJ-SP). INSIGNIFICÂNCIA. Sexta Turma ESTELIONATO. Haroldo Rodrigues (Desembargador convocado do TJ-CE). Quinta Turma PRINCÍPIO. INSIGNIFICÂNCIA. Sucede que a sentença o absolveu sumariamente em razão do princípio da insignificância. Por esse motivo. Na impetração. HC 134. julgado em 2/6/2011. POLICIAL. nenhuma periculosidade social da ação. Apesar de poder tachar de inexpressiva a lesão jurídica em razão de ser ínfimo o valor dos bens subtraídos (R$ 0. o exame da alegação da defesa quanto a eventuais dificuldades financeiras do paciente. ambos do CP). colocando-a dentro de seu colete à prova de balas. Assim. como alegam os impetrantes. um alicate de unhas e uma chave de fenda (arts. julgado em 5/5/2011. DJe 13/9/2010. Sexta Turma PRINCÍPIO. uma vez que exige o revolvimento do conjunto fático-probatório. a Turma denegou a ordem e cassou a liminar deferida para sobrestar a ação penal até o julgamento do habeas corpus. Rel.br Rodrigues (Desembargador convocado do TJ-CE). c/c 14. 171 do CP.40). DJe 20/9/2010.542-GO.com.00 (valor da passagem). do STJ: HC 146. DJe 1º/12/2008. Esclarece ainda que. pois se deve resguardar a moral administrativa. Min. Nesse contexto. I. Relator. II. não ser possível aplicar o princípio da insignificância à hipótese. profissão da qual se espera outro tipo de comportamento. policial militar. o policial militar representa confiança e segurança. Precedentes citados do STF: HC 84. e HC 167.915-MT. não havendo assim qualquer prejuízo ao exercício da ampla defesa e do contraditório. foi praticado contra a Administração Pública. são necessários a mínima ofensividade da conduta do agente.www. HC 156.PE.433-MG. 155. Rel. INSIGNIFICÂNCIA. assevera que não caberia também. a Turma entendeu não ser possível sua aplicação aos crimes praticados contra a Administração. portar a quantia de R$ 600. no habeas corpus.940-DF. Og Fernandes. embora o valor da vantagem patrimonial seja de apenas R$ 48. de acordo com a jurisprudência do STF. 77 do CPPM. a defesa deve combater os fatos indicados na denúncia e não a estrita capitulação legal. DJe 1º/2/2010. ter falsificado documento para parecer que ainda estava na ativa. Quanto ao princípio da insignificância. os fatos revelam indícios suficientes para justificar apuração mais aprofundada do caso. Vê-se. mas o MP estadual interpôs apelação e o TJ determinou o prosseguimento da ação penal. além de. a acusação descreve fato criminoso com todas as circunstâncias. subtraiu uma caixa de bombons de um supermercado. o que é inviável no habeas corpus.

ARROMBAMENTO. julgado em 22/3/2011. Precedentes citados do STF: HC 84. 34. Min. § 1º. DJe 4/8/2008. julgado em 17/3/2011. Quinta Turma INSIGNIFICÂNCIA.242-MG. In casu. dentro do que ela considera correto do ponto de vista ético e moral. por mais que se considere que o objeto supostamente tomado continha informações importantes à vítima. tendo em vista a importância reduzida do bem e a sua devolução à vítima (pessoa jurídica).412-0-SP. II. sem que tenha ocorrido qualquer circunstância hábil a lhe conferir maior relevância. Consignou que. AGENDA. Rel. Gilson Dipp. Há interesse estatal na repreensão da conduta em se tratando de delito contra o meio ambiente. A Turma afastou o critério adotado pela jurisprudência que considerava o valor de R$ 100. 9. HC 99. AFASTAMENTO.605/1998. alegou que o paciente – também advogado e colega do mesmo escritório de advocacia – teria se apropriado de sua agenda pessoal (avaliada em cerca de dez reais). DJe 22/5/2009. Gilson Dipp. Segundo o Min. dada sua relevância penal. quanto mais se considerado o desvalor da conduta. 240. HC 160. Anote-se não se tratar de furto simples. DJe 30/6/2010. Assim. HC 192. DJe 14/6/2010. que pune a atividade durante o período em que a pesca seja proibida. DJe 8/3/2010. ressaltou não ter ocorrido repercussão social ou econômica com a tentativa de subtração. II.651-MG. a hipótese dos autos revela um acontecimento trivial. Rel Min. e HC 164.036-RS. No caso. DJ 19/11/2004.618-SP. Sexta Turma INSIGNIFICÂNCIA.com. da Lei n. Postula o paciente a atipicidade da conduta com a aplicação do princípio da insignificância. apesar do valor ínfimo subtraído (R$ 14. a vítima sofreu prejuízo de R$ 300. Rel. Maria Thereza de Assis Moura. Min.00 como limite para a aplicação do princípio da insignificância e deu provimento ao recurso especial para absolver o réu condenado pela tentativa de furto de duas garrafas de bebida alcoólica (avaliadas em R$ 108.993-RJ. Sexta Turma PRINCÍPIO.916-SP.penalemfoco. INSIGNIFICÂNCIA. DJe 20/9/2010. INSIGNIFICÂNCIA. mas sim que cabe ao juízo da causa.673-MG. 168 do CP (apropriação indébita). analisar se a infração pode ser considerada apenas como disciplinar.20). Precedentes citados do STF: HC 84. ou seja. advogado. 34 da Lei n. parágrafo único. com a utilização de petrechos proibidos em período defeso para a fauna aquática e sem autorização dos órgãos competentes. que foram devolvidos ao habitat natural. Relator.00 decorrente do arrombamento. Precedentes citados do STF: HC 84. DJe 18/11/2010. ante a aplicação do princípio da insignificância. visto que pescara aproximadamente quatro kg de camarão. tendo a CF destinado um capítulo inteiro à sua proteção. DJ 19/11/2004. Quinta Turma PESCA PREDATÓRIA. a qual continha dados pessoais e profissionais. HC 170. Relatora. Gilson Dipp.412-SP. DJ 19/11/2004. Cuida-se de furto qualificado pelo rompimento de obstáculo: o paciente arrombou as duas portas do veículo da vítima para subtrair apenas algumas moedas. DJ 5/6/2006. a simples adoção de um critério objetivo para fins de incidência do referido princípio pode levar a conclusões iníquas quando dissociada da análise do contexto fático em que o delito foi praticado – importância do objeto subtraído. Para a Min.686-SP. APROPRIAÇÃO INDÉBITA. julgado em 3/3/2011. após o processamento dela. julgado em 1º/3/2011. HC 97. Min. do STJ: HC 141. HC 104. HC 122. a vítima. HC 102. A Turma concedeu a ordem de habeas corpus para reconhecer a atipicidade da conduta imputada ao paciente denunciado pela suposta prática do crime previsto no art.207-SP. DJe 13/11/2009. o que demonstra não ser ínfima a afetação do bem jurídico a ponto de aplicar o princípio da insignificância. Precedentes citados: REsp 778. Anote-se que a interpretação que se dá ao art. . tal qual determina a jurisprudência do STJ.br comportamento adequado.853-PR. condição econômica da vítima.00) em um supermercado.347-DF. circunstâncias e resultado do crime – e das características pessoais do agente.618-SP. 9.605/1998.412-SP.795-RS. do referido artigo).260-SP. PEQUENA QUANTIDADE. uma vez que foi flagrado pela Polícia Militar de Proteção Ambiental praticando pesca predatória de camarão.696-SC.765-MG. Rel.www. a conduta é dotada de mínimo caráter ofensivo e reduzido grau de reprovação. do STJ: HC 103. mas de crime qualificado sujeito a um plus de reprovabilidade por suas peculiaridades. REsp 1. assim como a lesão jurídica é inexpressiva e não causa repulsa social. exatamente como no caso. PRINCÍPIO. DJe 17/12/2009. HC 192.218. do STJ: HC 103. A Turma denegou a ordem com o entendimento de que a quantidade de pescado apreendido não desnatura o delito descrito no art. Trata-se de habeas corpus impetrado em favor de réu denunciado como incurso nas penas do art. DJe 11/10/2010. VALOR MÁXIMO. e HC 153. em época da reprodução da espécie e com utilização de petrechos não permitidos (parágrafo único. do CPM (que ao ver do paciente justificaria a aplicação do referido princípio) não denota meio de trancar a ação penal.

e REsp 898. Relator. Contudo. Quinta Turma PRINCÍPIO. 155. que condições pessoais desfavoráveis. Min. DJe 3/8/2009. qual seja. HC 163. HC 190. Min. IV. o reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento e a inexpressividade da ordem jurídica provocada. A Turma. caput. ato a cuja execução o apenado se opôs . DJe 7/6/2010. DJe 16/11/2009.185-MG. Rel. O paciente. Jorge Mussi. Precedentes citados: HC 146.412-SP. do STJ: HC 104. julgado em 15/2/2011. DJe 1º/2/2010. subtraiu para si ferragens de uma construção civil no valor de R$ 100. DJe 8/9/2009.392RS. reformou a sançãobase aplicando o mínimo legal. concedeu habeas corpus de ofício para declarar extinta a punibilidade do paciente em razão da prescrição da pretensão punitiva estatal.875-SP. HC 83. reincidência e ações penais em curso não impedem a aplicação desse princípio. haja vista a infungibilidade do bem. Não havendo circunstâncias atenuante e agravante ou causas de diminuição e aumento de pena. DJe 2/8/2010. DJe 1º/12/2008. PREFEITO. nos termos dos arts.004-MG. Precedentes citados do STF: HC 84. A Turma. 33.002-MG. Og Fernandes. REsp 922. PRINCÍPIO. DJe 16/11/2009. Para aplicar o referido princípio.176-RS. julgado em 17/8/2010. e § 3º.105-RS. nenhuma periculosidade social da ação. na jurisprudência. Sexta Turma TRANCAMENTO. Maria Thereza de Assis Moura.114-GO. não obstante o ínfimo valor do bem que se tentou subtrair. referente a uma festa oferecida a convidados especiais. HC 181. HC 163.756-MG. o que demonstra seu total desrespeito à atuação estatal. a atitude do paciente revela reprovabilidade suficiente para que não seja aplicado o princípio da insignificância. FERRAGENS. no exercício do cargo de prefeito. 1º. a Turma verificou que o decreto condenatório carece de motivação apta a justificar a fixação da pena-base no patamar aplicado e. em razão de sua responsabilidade na condução dos interesses da coletividade. auxiliado por dois menores. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. Precedentes citados do STF: HC 84. REsp 1. do CP fixou o regime aberto para início do cumprimento da sanção reclusiva. denegou a ordem de habeas corpus a paciente condenado por tentativa de furto de um cartucho de tinta para impressora avaliado em R$ 25. respeitando os compromissos funcionais firmados quando da aceitação do cargo. Trata-se. 201/1967.475-RS. entendeu ser inaplicável o princípio da insignificância aos crimes praticados por prefeito. concordou com a emissão de documento fiscal apto a justificar despesa que. INSIGNIFICÂNCIA. julgado em 28/9/2010. Quinta Turma FURTO.027-PE. I. Segundo o Min. julgado em 3/2/2011. e HC 83. INSIGNIFICÂNCIA. na modalidade retroativa. por maioria. com a obrigatoriedade de agir sempre pautado em valores éticos e morais. Quinta Turma PRINCÍPIO.435-DF. HC 145. Apesar de não existir nos autos qualquer laudo que ateste o valor da coisa subtraída.br DJe 4/8/2008. Rel. INSIGNIFICÂNCIA. c. maus antecedentes.963-MG. Napoleão Nunes Maia Filho. HC. recebido em homenagem à marca de 100 mil cópias vendidas. atualmente. DJ 1º/10/2007. quanto mais se já consolidado. DJ 19/11/2004. 107. do CP. INSIGNIFICÂNCIA. § 2º.656-SC. FURTO. PENITENCIÁRIA.penalemfoco. reconhecendo a aplicabilidade do princípio da insignificância somente em relação à conduta enquadrada no art.408-MS. Sexta Turma PRINCÍPIO. avaliados em R$ 45). ser impossível acolher o argumento de que a referida declaração de atipicidade teria o condão de descaracterizar a legalidade da ordem de prisão em flagrante. DJe 15/3/2010. DJe 9/3/2009. Asseverou-se. pois perpetrada dentro da penitenciária em que o agente cumpria pena por crime anterior. fixou a pena definitiva naquele patamar. e HC 126. Assim.102. Rel. são necessários a mínima ofensividade da conduta do agente. Min. e 109. do furto de um “Disco de Ouro”. A Turma concedeu parcialmente a ordem de habeas corpus a paciente condenado pelos delitos de furto e de resistência. RESISTÊNCIA. Og Fernandes. entre outras questões. o alto grau de reprovação da conduta não permite a aplicação do princípio da insignificância. no entanto. Min. APLICAÇÃO. do DL n. O tribunal a quo condenou o paciente à pena de reclusão de cinco anos. do STJ: HC 124. no caso. O teor do art. Quanto à questão da dosimetria da pena. DJ 19/11/2004. V. tendo sido reconhecida a inexistência de qualquer característica judicial desfavorável.412-SP. Rel. julgado em 5/8/2010. AÇÃO PENAL.143-DF. a Turma denegou a ordem. em regime semiaberto. A conduta esperada de um chefe da Administração municipal é a obediência aos mandamentos legais. HC 145. Esse contexto permite a aplicação do princípio da insignificância. e HC 152. seria cerca de R$ 600. pela prática da conduta prevista no art.com. dois anos de reclusão. Min.70. do CP (subtração de dois sacos de cimento de 50 kg. de propriedade de renomado músico brasileiro. porque. Rel.www.

Laurita Vaz. REsp 776. O primeiro laudo psiquiátrico concluiu por sua inimputabilidade penal. PRINCÍPIO. e julgou extinta a punibilidade do recorrido. Precedentes citados do STF: HC 93. configurada a conduta típica descrita no art. cumulativamente. julgado em 6/4/2010. reconheceu a incidência do princípio da insignificância. Segundo o Min. DJe 13/4/2009. SANIDADE. autora do voto condutor da tese vencedora. invocando a doutrina. Quinta Turma ROUBO CIRCUNSTANCIADO. sim.047-DF. de acordo com as circunstâncias atinentes ao caso concreto. além de aborto. na espécie. Já o segundo laudo reconheceu a imputabilidade penal. A Turma reiterou seu entendimento de que não se aplica o princípio da insignificância ao crime de moeda falsa. d. por conter vícios – ausência dos quesitos elaborados pelo MP e pela defesa e não ter explicitado conclusivamente se.www. DJ 23/3/2007. O paciente foi denunciado pela suposta prática de dois crimes de homicídio duplamente qualificado (sendo um tentado). não há de se falar em consequente absolvição nesse ponto. INSIGNIFICÂNCIA. fez referência ao estado psicológico do acusado tanto à época dos fatos quanto ao tempo da elaboração da perícia.914-MG. não obstante se tratar de estelionato qualificado. reconheceu a bagatela. o paciente utilizou duas notas falsas de R$ 50 para efetuar compras em uma farmácia. ainda. Para a Min. In casu. a simples existência de dois laudos não justifica a realização de um terceiro. HC 154. PRINCÍPIO. Relator. Rel. Min. em virtude da subtração.614-MG. Para o Min. DJe 5/8/2008. o STF já decidiu que o referido princípio não se aplica ao delito de roubo. mas foi anulado em grau de reexame necessário. visto que a conduta dos denunciados (recorridos) não teve força para atingir o bem jurídico tutelado pela norma penal. mas. consubstanciado no recebimento indevido de parcelas de seguro-desemprego. Acrescentou que o segundo laudo. INSIGNIFICÂNCIA. Rel.394-MG. DJ 25/9/2006. e REsp 778. independentemente do quantum. entendeu que é inviável a aplicação do princípio da insignificância em crimes perpetrados com violência ou grave ameaça à vítima.216-MG. no momento em que toma conhecimento de um delito.800-RS. § 3º.998-MG. assim. LAUDOS. Ademais. julgado em 1º/6/2010.803-MG. discute-se a necessidade de novo exame psiquiátrico (terceiro) em razão do antagonismo entre as duas perícias antes realizadas. Rel. REsp 964. DJ 19/11/2007. Em habeas corpussubstitutivo de recurso ordinário. para acórdão Min.penalemfoco. Arnaldo Esteves Lima. Precedente citado: REsp 795.949-MG. 157. o cerne da questão posta no especial cinge-se à possibilidade da incidência do principio da insignificância no delito de roubo. c/c 29 e 65. Assim.00 (art. O juízo acerca da incidência do princípio da insignificância é realizado apenas em momento posterior pelo Poder Judiciário. há conotação própria da insignificância e. do STJ: HC 78. não se pode aplicar o princípio da insignificância às fraudes contra o programa de seguro-desemprego. DJe 1º/6/2009. do STJ: REsp 468. Maria Thereza de Assis Moura. Sexta Turma SEGURO-DESEMPREGO. § 2º. O tribunal a quo. Assim. Logo. Felix Fischer. Relator. FRAUDE. Nas instâncias ordinárias se indeferiu a realização da terceira perícia por a considerarem desnecessária. ao prosseguir o julgamento. e HC 129. a Turma denegou a ordem.251-DF. precedido das formalidades legais. A Turma. I e III. Precedentes citados do: STF: REAgR 454. julgado em 3/8/2010. logo não há que falar em desinteresse estatal à sua repressão. pois se trata de delito contra a fé pública. 329 do CP. que os laudos são dirigidos ao Magistrado para que . todos os CP).HC 132. do CP. Min.735-MG. pela prática do delito roubo circunstanciado. mediante violência. considerou que. Rel. em sede de apelação. A tese vencida.592-AL. 171. Sexta Turma EXAME. o paciente era capaz de entender o caráter ilícito de sua conduta. uma vez que não restou caracterizada significativa lesão ao patrimônio e à pessoa. o ora recorrido foi condenado à pena de cinco anos e quatro meses de reclusão e 13 dias-multa. Observou. na questão está posto como violado um valor que pertence ao Poder Público. Rel. de um cupom fiscal e o valor de R$ 10. originário Min. DJ 5/6/2006. Min. As instâncias ordinárias rejeitaram a denúncia do Ministério Público e aplicaram o princípio da insignificância como causa excludente de tipicidade quanto ao crime descrito no art. Quinta Turma MOEDA FALSA. Isso porque o primeiro exame foi cassado não por ser desfavorável à defesa.br de forma violenta. à época dos fatos. surge para a autoridade policial o dever legal de agir e efetuar o ato prisional. mormente pelo fato de que ambos os delitos imputados ao paciente são autônomos e tutelam bens jurídicos diversos.159. julgado em 15/6/2010. REsp 1. a Turma deu provimento ao recurso do Ministério Público. No caso. DJe 1º/12/2008. Isso posto. II. Nilson Naves.com. Maria Thereza de Assis Moura. não obstante o ínfimo valor da coisa subtraída.

na moderna dogmática jurídico-penal. e aquele primeiro. do CP). HC 130. Salientou. 201/1967. sustentando que a conduta atribuída é materialmente atípica pela aplicação do princípio da insignificância. do DL n. Daí.penalemfoco. Foi encontrado com o paciente apenas 1. HC 152. DJe 13/10/2009. toleradas pelo Estado.677-MG. O Min. PREFEITO. Min.www.113. por outro.738-DF. A Turma negou ordem de habeas corpus que sustentava a ausência de justa causa para a ação penal pela atipicidade da conduta do paciente. a tentativa de furto do código subsume-se à definição jurídica do furto tentado. como um todo. explica o Min. soberanamente. por maioria. Min. Rel. n.774-RS. o princípio da insignificância. estaria caracterizando um ilícito penal. em razão do valor da res furtiva. observa que no furto. que se caracteriza como causa supra legal de atipicidade penal. nem estava realizando qualquer serviço público e. não se pode negar a relevância desse princípio. 1º. ainda que se considere o delito como de pouca gravidade e esse delito não se identifica com o indiferente penal se.75 gramas de maconha. Min. na tentativa de furto de um código comentado em livraria (R$ 150. INSIGNIFICÂNCIA. INSIGNIFICÂNCIA. 155. Rel. INSIGNIFICÂNCIA. afetariam seriamente a vida coletiva. se. como também se amolda à tipicidade subjetiva uma vez que presente o dolo e ultrapassa a análise da tipicidade material. A interpretação de insignificância deve necessariamente considerar o bem jurídico tutelado e o tipo de injusto para sua aplicação. condenando-o a 25 anos de reclusão. A Turma. conduzia veículo privado estaria tipificada no art. Com esse entendimento. 20 da Lei n. julgado em 6/4/2010 Quinta Turma TENTATIVA. Celso Limongi. para aplicar o princípio da insignificância. pois o que se busca resguardar não é somente o ajuste patrimonial.br forme seu livre convencimento. ademais. ambos do CP). HC 132. a questão está em saber se o objeto pretendido no furto. Nilson Naves concedeu a ordem aplicando. c/c art. 10. LIVRO. que. o que reclama a incidência da Súm. pois o paciente quebrou o vidro do carro para furtar um guarda-chuva e uma chave de roda. Sexta Turma PRINCÍPIO. Este último implica eventualmente o furto privilegiado (art. Trata-se de furto qualificado com destruição de obstáculo para subtração de res furtiva. Nessa circunstância. DJ 29/6/2007. podendo adotá-los ou não. decidiu. . que se aplica o princípio da insignificância ao crime de descaminho quando os delitos tributários não ultrapassam o limite de R$ 10 mil (art. O habeas corpus objetiva absolver o paciente. de um ano e dois meses de reclusão no regime semiaberto e 46 dias-multa pela prática de tentativa de furto (art. Quinta Turma FURTO QUALIFICADO. Aponta. julgado em 20/10/2009. § 2º. I. FURTO. Precedente citado do STF: HC 84. a Turma denegou a ordem. pois a intervenção do direito penal apenas se justifica quando o bem jurídico tutelado tenha sido exposto a um dano impregnado de significativa lesividade. Para o Min.112. pela responsabilização do paciente e sua perfeita imputabilidade.522/2002). ao caso. ao considerar precedentes do STF. porém isso não autoriza aplicar o princípio da insignificância ao delito de porte de entorpecentes. um ilícito extra-penal ou algo até juridicamente indiferente.com. é necessário observar a insignificância da conduta (aceitação social) e a insignificância do resultado (lesão relevante). a questão suscita polêmica no que se refere aos limites e às características do princípio da insignificância. Dessa forma.00). que os jurados. Ressalta que. na atipicidade conglobante (dada a mínima gravidade). citando a doutrina. Sexta Turma CRIME. Arnaldo Esteves Lima.412-SP. ainda. em recurso repetitivo.748-TO. sendo proporcional a pena aplicada. ENTORPECENTE. Quinta Turma PRINCÍPIO. Rel.039-RS. Min. Rel. mas a moral administrativa. ele não pode ser manejado de forma a incentivar condutas atentatórias que.021-PB. PRINCÍPIO. 15. A Seção. para efeito de aplicação do princípio da insignificância. DJ 19/11/2004. Contudo o Relator entendeu que não se aplica tal princípio quando há crime contra a Administração Pública. julgado em 18/2/2010. Og Fernandes. 155. Precedente citado: REsp 1. Napoleão Nunes Maia Filho. HC 63.087-PR. caput. Relator. Rel. Então. é imprescindível a distinção entre o ínfimo (ninharia desprezível) e o pequeno valor. No caso. julgados em 14/12/2009. Relator. Precedente citado: REsp 880. 168-STJ. por um lado.EREsp 1. Min. pois seria equivalente a liberar o porte de pequenas quantidades de droga contra legem. julgado em 4/2/2010. Celso Limongi (Desembargador convocado do TJ-SP). INSIGNIFICÂNCIA. denegou a ordem de habeas corpus por entender que a conduta do prefeito que emitiu ordem de fornecimento de combustível (20 litros) a ser pago pelo município para pessoa que não era funcionário público. ao ser este consumado. DESCAMINHO. concluíram. o teor do acórdão embargado coaduna-se com esse novo entendimento. II. no júri.

a par de que a aplicação do princípio da bagatela utiliza-se de duplo critério: o valor de pequena monta e seu caráter ínfimo para a vítima. CELULAR. A paciente foi denunciada por tentativa de furto de bens de pequena monta de um supermercado. julgado em 29/9/2009. pois não se confundem bens de pequeno valor e de valor insignificante. Quinta Turma FURTO. aparentar desprestígio ao juízo de primeiro grau.403-ES. Trata-se de HC em que se discute a aferição de tipicidade material no comportamento do paciente que subtraiu um aparelho celular avaliado em R$ 120. impetrou habeas corpus em busca do trancamento da ação penal por atipicidade da conduta. DJe 25/8/2008. DJe 9/3/2009. HC 74.00. DJe 1º/6/2009. REsp 1. Relatora. . HC 137. independentemente do preço pelo qual foi avaliado o celular. Min. Assim. e essa figura. Min. Diante do exposto. Quinta Turma ECA. concedeu a ordem em razão da incidência do princípio da insignificância. Felix Fischer. Maria Thereza de Assis Moura. SURSIS PROCESSUAL. Precedentes citados do STF: HC 92.00 não se insere no conceito de crime de bagatela. mesmo quando o réu ostenta maus antecedentes. HC 142. Nesse cenário. Celso Limongi (Desembargador convocado do TJSP) tratar-se de um ato de arrebatamento. Para a Ministra.411-RS. Precedentes citados: HC 100. DJe 9/5/2008. julgado em 25/8/2009. um delito de bagatela (guarda-chuva e chave de roda). dos quais não há notícia nos autos. HC 136. Min. ainda que não prevista no CP. Sexta Turma FURTO. a hipótese em questão parece não se enquadrar no universo em que a jurisprudência do STJ entende ser aplicável o princípio da insignificância. a Turma denegou a ordem de habeas corpus. precisaria de mais informações para saber em que circunstâncias o fato ocorreu para se reconhecer tal princípio. e HC 92. Observou. para a Min. Min. julgado em 6/10/2009. voto vencedor. Nilson Naves. logo aceitou a proposta de suspensão condicional do processo.www. É certo que a aceitação da proposta ministerial de suspensão tem momento próprio. não pela vontade do paciente. entretanto a vítima teve de desembolsar a quantia de R$ 333. INSIGNIFICÂNCIA. logo o valor total do prejuízo causado pelo paciente não é insignificante.847-SP. quando sobre ela pesaria o risco de aceitação da denúncia pelo juízo. Precedentes citados: HC 107. PRINCÍPIO. isso foi feito pela polícia. Só o segundo exclui o crime pela falta de ofensa ao bem jurídico tutelado (princípio da insignificância).297-MG. após a retificação do voto da Min. o fato pelo qual o paciente foi denunciado não constitui crime. Rel.com. HC 135. por maioria. HC 135.451-RS.540-RS. acompanhou a Turma. em razão do princípio da insignificância. DJe 13/10/2008. há que se conceder a ordem para trancar a ação penal pela atipicidade da conduta. Assevera que esse é o caso dos autos. não seria razoável exigir da defesa rejeitar a proposta por convicção da ilegalidade da ação penal. e HC 46. a Turma denegou a ordem. ele deixa de caracterizar a sua insignificância. embora tenha havido a restituição do bem à vítima. e REsp 898. Rel. DJe 11/5/2009. condições atendidas na espécie. Sexta Turma ISNSIGNIFICÂNCIA. DJ 24/9/2007.370-MG. Celso Limongi (Desembargador convocado do TJ-SP). porém. Rel. para acórdão Min. Para o Min. FURTO. Observou que. por sua vez. julgado em 1º/10/2009. Sexta Turma TENTATIVA. Sendo ínfimo o valor do bem apreendido pela autoridade policial e não havendo nenhuma repercussão no patrimônio da vítima. o desvalor da conduta.779-RS. DOCUMENTO FALSO. Em primeiro grau. PRINCÍPIO. como não é o caso de reconhecer a irrelevância penal da conduta. HC 103.penalemfoco. Rel.929-MG. num primeiro momento. Felix Fischer.00 (total de R$ 100. Laurita Vaz. Rel. impõese o reconhecimento da atipicidade material.744-RS. A conduta do adolescente de furtar uma bicicleta no valor de R$ 120.880-SP. o trancamento da ação penal pode. INSIGNIFICÂNCIA. DJe 16/3/2009. originário Min. o valor da res furtiva é insignificante. posteriormente. Assim. PRINCÍPIO. também.00). está um pouco acima do furto.392-RS. porém se verifica não haver qualquer óbice a sua ultimação superveniente à referida suspensão.br observado o binômio o tipo de injusto e o bem jurídico. mas com a ressalva de seu entendimento. INSIGNIFICÂNCIA.00 em espécie e de um celular no valor de R$ 80. O Min.582-DF.00 para recolocar o vidro quebrado. HC 96. pois a denunciada tem o direito à ampla defesa. Laurita Vaz. Maria Thereza de Assis Moura.740-SP. tem a conotação própria da insignificância. o Min. pois se cuidava do furto de R$ 20. Rel. A Turma. Contudo. DJe 15/8/2008. Dessa forma. julgado em 15/9/2009.495-DF. Anote-se que. o princípio da insignificância exclui a tipicidade a ponto de tornar irrelevantes aspectos subjetivos para sua aplicação. DJ 27/3/2006. Relator. USO.084.

além de serem os fatos acima narrados vetores do princípio da insignificância. Com esse entendimento. CTPS. § 1º. Vem daí a imputação do crime previsto no art. pois a carteira foi devolvida ao ofendido e. Observou ainda que os antecedentes criminais ostentados pelo paciente não se erigem em óbice ao princípio da insignificância. 18. também levam à convicção de que a denúncia narra fato atípico. do CP. No habeas corpus. 297 do CP. além de que foi reparado ao cumprir a sentença condenatória trabalhista. Pondera que o prejuízo foi irrisório devido ao curto período do contrato de trabalho. entendimento prevalecente no âmbito da Quinta Turma do STJ. 10. quanto mais na hipótese. da ação de execução fiscal (suspensão da execução). No caso. 34. parágrafo único. pela mínima lesividade causada ao empregado. porque deixou de anotar a Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) de empregado durante a vigência do contrato de trabalho. em interior de coletivo. INSIGNIFICÂNCIA. gerente responsável por sociedade empresarial foi denunciado como incurso no art. Maria Thereza de Assis Moura. após ser preso. HC 93. daquela mesma lei. vê-se da norma incriminadora que se trata de crime formal (crime de perigo abstrato). Rel. a fauna aquática. nesse crime de descaminho. apetrecho de uso proibido.833RJ. segundo o Min. Consta da denúncia que o paciente foi flagrado ao pescar em represa mediante a utilização de uma rede de nylon.859-SP. Daí não se hesitar em consignar a presença da insignificância a ponto de. julgado em 13/8/2009.penalemfoco. pois o parâmetro contido no art. acolheu-os para negar provimento ao especial. INSIGNIFICÂNCIA. Melhor padrão para esse fim é o contido no art.www. Rel. Relator. jogou a carteira no chão e. PESCA. Rel. DESCAMINHO. o princípio da insignificância. a Turma concedeu a ordem. nesse momento. Quinta Turma PRINCÍPIO.HC 132. Para o Min. II.492-MS. Para o Min.522/2002 (dez mil reais) diz respeito ao arquivamento. Min. pouco mais de 1 mês). sobretudo quanto à configuração dos delitos penais nela insculpidos. chegando alguns a entender até que os princípios nela edificados. é possível aplicar o princípio da insignificância pelo curto período do contrato (segundo o Juízo Trabalhista. EREsp 966. Precedentes citados: HC 82. sobrepõem-se aos próprios princípios penais de garantia ao cidadão. Min. carteira que continha pequeno valor em dinheiro e documentos pessoais. em que há dúvidas sobre o exato valor do tributo devido. 291. § 4º. REGISTRO. Porém. 386. a Seção conheceu dos embargos e. Com esse entendimento. forneceu seu nome verdadeiro. largamente . ainda que não fosse. Diante disso. visto que há um mínimo de probabilidade de a conduta do paciente atingir o bem jurídico tutelado na espécie. APETRECHO PROIBIDO. Acionada a polícia.com. DJe 9/12/2008. 9. Assim. por maioria. Entretanto. III. Relator. a vítima não teria suportado prejuízo significativo. obrigando-o a registrar o empregado. apesar de não se desconhecer que o enquadramento da lei de crimes ambientais no ordenamento jurídico brasileiro ainda é tema tormentoso a causar inúmeras discussões jurídicas. ao reconhecer a atipicidade material da conduta.384-DF. quanto à tentativa de furto. porque o caso não se subsume ao § 4º do art.077GO. julgados em 27/5/2009. o paciente. Sexta Turma PRINCÍPIO. Esses fatos. Min. só após muita insistência. substitutivo de recurso ordinário. porém se mostra ainda preferível manter o patamar de cem reais. que cuida da extinção do débito fiscal igual ou inferior a cem reais. julgado em 18/8/2009. delito que prescinde de resultado danoso específico (no caso. Quanto a isso. conforme a jurisprudência deste Superior Tribunal. a vítima a recuperou. ao meio ambiente). Anote-se que não se desconhecem recentes julgados do STF no sentido de acolher aquele primeiro parâmetro (tal qual faz a Sexta Turma do STJ). da Lei n. devido à condenação do paciente pelo juízo trabalhista. Anote-se que foram encontrados com ele apenas dois quilos de peixes de variadas espécies. Celso Limongi (Desembargador convocado do TJ-SP). Sexta Turma PRINCÍPIO. Laurita Vaz. a conduta do réu não teve nenhuma repercussão social ou econômica a justificar a decisão condenatória. espera quanto à proteção de sua existência. mas manteve a condenação em relação ao delito de uso de documentos falsos. destaca-se que a hipótese em apreço resolve-se mesmo pela pouca invasão naquilo que a sociedade.br Trata-se de paciente denunciado e condenado pela tentativa de subtrair. o que denota sua inaptidão para caracterizar o que deve ser penalmente irrelevante. tais como os da prevenção e da precaução. conceder a ordem para trancar a ação penal por falta de justa causa. não é possível incidir. DJ 22/10/2007. 20 da Lei n. mediante o ordenamento jurídico. apresentou documentos falsos aos policiais e. absolveu o paciente da acusação de tentativa de furto com fundamento no art. além do fato de que a denunciada ostenta outras condenações por crimes de mesma espécie. pede a aplicação do princípio da insignificância (negada no TJ). Os pacotes de cigarro e litros de uísque apreendidos por entrada ilegal no País totalizavam quase sete mil reais. do CP. Relator. sem baixa na distribuição.605/1998. e HC 110. INSIGNIFICÂNCIA.

Rel.626-RS. não afetou o patrimônio da vítima de forma expressiva. Sexta Turma PRINCÍPIO. mas também a condição econômica da vítima e as circunstâncias e conseqüências do delito. Min.723-RS. DJ 22/5/2006. do STJ: RHC 17.00).424-SP. FURTO.869-MG. Paulo Gallotti.247MS. não há que se aplicar aquele . do STJ: HC 39. trariam desordem social.326-MG. por maioria. INSIGNIFICÂNCIA. exclui o crime diante da ausência de ofensa ao bem jurídico tutelado.077-GO. julgado em 11/11/2008. Diante disso. Og Fernandes. DJ 5/6/2006. Napoleão Nunes Maia Filho. negou provimento ao recurso. Rel. Paulo Gallotti. DJ 19/4/2004. entendeu que. Rel. DJ 4/9/2006. reincidente na prática de crimes contra o patrimônio (tal como se vê do acórdão recorrido). Precedentes citados do STF: HC 84. FERRAMENTAS.412-SP. DJ 17/12/2004. RHC 24. INSIGNIFICÂNCIA. a jurisprudência e lições da doutrina de Damásio de Jesus quanto ao fato de deixar de registrar empregado não ser crime. e REsp 663. VÍTIMA. Assim. revela suficiente periculosidade social e significativo grau de reprovabilidade. Quanto à aplicação do princípio da insignificância. DJ 3/9/2007. e REsp 750. Nilson Naves entendeu acolher a incidência do princípio da insignificância.599-MG. aquele. ÁGUA POTÁVEL. REINCIDÊNCIA. pois sempre o aplica sem as amarras de ordem dogmática. a subtração de bens cujo valor não pode ser considerado ínfimo não pode ser tido como um indiferente penal.50). De acordo com o exposto. DJe 15/12/2008. necessariamente. BEM RELEVANTE.412-SP. PRINCÍPIO.412SP. DVDS. eventualmente. Mesmo considerando tratar-se da tentativa de furto de um secador de cabelos (R$ 40.286-MG. Precedentes citados: REsp 966. Com efeito. DJ 7/10/2005. Rel. propondo-se a não se prender ao fato de não se tratar da primeira vez. mas a sentença condenatória alertava para a recorrência do réu na prática desses pequenos furtos. a Turma. julgado em 17/3/2009. DJ 12/6/2006. ainda valeria aplicar o princípio à hipótese. Princípio da insignificância e relevância do bem para a vítima PRINCÍPIO. Quinta Turma FURTO. Celso Limongi (Desembargador convocado do TJ-SP). A Turma. Esse entendimento também foi acolhido pela Min. INSIGNIFICÂNCIA. originário Min. necessários se fazem a mínima ofensividade da conduta do agente. o que inviabiliza a aplicação do princípio da insignificância. porém a Turma. 155 do Código Penal.penalemfoco. entendeu negar a ordem de habeas corpus. Quinta Turma PRINCÍPIO. a habitualidade ou os maus antecedentes. Com esse entendimento. Min. FURTO. julgado em 10/2/2009. Firmou que. não obstante a reincidência.237-CE. Min. Rel. já prevendo a Lei Penal a possibilidade de pena mais branda.876-RS.572-SP.com. DJ 24/11/2003. DJ 19/12/2005. No caso do furto. HC 120. não há que falar em mínima ofensividade da conduta. A denúncia descreve a tentativa de furto de dois discos (DVDs).br admitido na jurisprudência. ainda. no conjunto.892-DF.HC 102. compatível com a pequena gravidade da conduta. Este. INSIGNIFICÂNCIA. Precedentes citados do STF: HC 84. de ferramentas utilizadas na construção civil. daí incidir o princípio da insignificância. O delito em causa não se insere na concepção doutrinária e jurisprudencial de crime de bagatela.www. julgado em 14/4/2009. O furto em questão. não se pode confundir bem de pequeno valor com de valor insignificante. DJ 19/11/2004. Min. Nilson Naves. além de caracterizar valor ínfimo (R$ 32. e HC 47. apesar de os bens furtados totalizarem pouco mais de noventa reais.912-MG. PRINCÍPIO. a conduta perpetrada pelo agente não pode ser considerada irrelevante para o Direito Penal. julgado em 3/2/2009. REsp 984. o reduzido grau de reprovabilidade do comportamento e a inexpressividade da lesão jurídica provocada. temse reiterado que a verificação da lesividade mínima da conduta apta a torná-la atípica deve considerar não apenas o valor econômico e a importância da res furtiva. No caso. INSIGNIFICÂNCIA. e REsp 495. além de sua má conduta social e reprovável personalidade. para acórdão Min. pode caracterizar o privilégio previsto no § 2º do art. DJ 19/11/2004. Rel. HC 107. HC 84. a nenhuma periculosidade social da ação. por maioria. por maioria. a Turma concedeu a ordem. Precedentes citados do STF: HC 84. aplicando-se-lhe o princípio da insignificância. Observou. Maria Thereza de Assis Moura. Cinge-se a questão em definir se é aplicável o princípio da insignificância ao delito do furto de água potável mediante ligação clandestina e em quantidade avaliada em noventa e seis reais e trinta e três centavos. na medida em que a falta de repressão de tais condutas representaria verdadeiro incentivo a pequenos delitos que. quanto à incidência de tal princípio.986-MG. enquanto o comportamento do agente. o Min. REsp 406. do STJ: REsp 904.

br princípio.181-RS. DJ 6/8/2007. Rel.www.penalemfoco. de poucas posses. Uma das vítimas é pessoa humilde. HC 95.025-RS.226-MS.716-RS. REsp 828. julgado em 24/6/2008. Jorge Mussi. bebida alcoólica por natureza. Min. DJ 13/3/2006. é bem relevante e de repercussão em seu patrimônio. o paciente voltou a delinqüir ao subtrair uma garrafa de uísque. Logo em seguida a esse furto. DJ 6/8/2007.com. sua bicicleta. . e REsp 751. o que impede também a aplicação da referida benesse. que era utilizada como meio de transporte e foi furtada pelo ora paciente. Precedentes citados: REsp 686. Dessarte.