Prioridade é o orçamento, não a Rouanet

O debate sobre a Lei Rouanet é mesmo “complexo e necessário”, como afirmou
Marcus Faustini em artigo no jornal O Globo do último dia 5 de maio (Rouanet sem
inocência[1]). Mas também é inadequado e secundário. E voltou à agenda de um modo
equivocado.

[2]Inadequado, porque o contexto atual é ruim para a cultura

brasileira e as políticas públicas de cultura em níveis federal, estadual e municipal. O
Ministério da Cultura está às voltas com os restos a pagar de 2014 e teve seu
orçamento para 2015 cortado e contingenciado.
O valor, anunciado na última semana, é o menor da história da instituição, em
comparação ao orçamento total do governo federal. Equivale ao da Secretaria da
Pesca. Além disso, na maior parte dos estados e municípios, os orçamentos das SECs e
SMCs estão sendo reduzidos, em virtude da queda na arrecadação (por conta da crise
econômica) e de prioridades outras.
Finalmente, a crise também está reduzindo o estoque de incentivo das empresas, e o
valor alcançado em 2014 pela Lei Rouanet, cerca de R$ 1,4 bilhão, não se repetirá em
2015. Com o debate, e sobretudo com o próprio MinC detonando publicamente a Lei
Rouanet, a situação deve piorar.
A tendência é que muitas empresas não usem o mecanismo, com receio de associar
suas marcas a uma controvérsia. Ou seja… Menos dinheiro para a cultura. E mais
desemprego, mais recessão, mais exclusão.
Secundário, porque o desafio central da cultura brasileira é o reconhecimento de seu
papel estratégico na vida social e no processo de desenvolvimento do país, seja pelo
poder público, pelo conjunto das instituições, pela mídia e pela sociedade em geral. E,

chamou ao debate. de escuta e fala verdadeiras. e da importância econômica e social que ela já tem (e que pode ser ainda maior). produtores. O ponto. hoje. mas o MinC parece mais interessado em legitimar sua posição do que empreender uma discussão aberta.claro. equivocado. em que a conclusão não esteja pré-determinada. de sofismas. sejam mais convincentes e obtenham mais apoio na sociedade? Por outro lado. e que acontece num momento de refluxo para a cultura. para que a área seja objeto de políticas públicas e investimentos públicos e privados à altura da excelência e do talento dos nossos criadores. e sucedê-lo. não com um levantamento criterioso de dados e a divulgação de uma análise racional de resultados. que infestou a retórica petista nos últimos anos. depois. O MinC deve priorizar a busca do orçamento perdido. Por fim. é um equívoco que beira a irresponsabilidade. recebe seu salário no início do mês e. A priorização do debate sobre a Lei Rouanet. o MinC detonou. chova ou faça sol. por que empregar tempo e energia participando de um debate que começa assim. de visões superficiais e do clássico (e pavoroso) discurso “Nós (os bons. para além dos guetos e nichos culturais. crítica esta acompanhada de números errados. artistas. os puros. os consagrados. não antecedê-lo. e que pode ter sérias consequências para todos os que fazem cultura e vivem de e para a cultura no Brasil. mas com uma crítica feroz ao mecanismo por parte de autoridades encarregadas da sua gestão (o ministro da Cultura. Trata-se de um jogo de cartas marcadas. ou o bizantino . Primeiro. pelas razões expostas acima? Espero estar enganado. em que o volume e a intensidade da atividade cultural no país inteiro tendem a cair. os maus)”. em que já se sabe previamente a posição do organizador. o aumento de sua eficiência e de sua eficácia. caso os argumentos de quem apoia o mecanismo. pois começou não com um chamado público à reflexão e ao diálogo. e a valorização da cultura brasileira como um vetor estratégico da vida social e do desenvolvimento do país. e não à caverna de Platão habitada por quem. e não a substituição. Refiro-me ao Brasil real. técnicos e artesãos. e não de um debate real. não é se a Lei Rouanet concentra ou desconcentra. O debate sobre o financiamento público e privado da cultura (e não apenas sobre um dos mecanismos) deve ser consequência do enfrentamento deste desafio maior. o presidente da Funarte etc). ou de quem quer apenas uma revisão. continua ocupando cargos e usando carros oficiais. ainda mais deste modo. tendo ou não orçamento. os excluídos) x Eles (os privilegiados. Como acreditar que a condução do processo será justa? Estará o organizador disposto a mudar de opinião.

embate entre Excluídos e Consagrados.com.br/tag/orcamento/ 8. orçamento[7] Sobre Sérgio Sá Leitão[8] Consultor em negócios criativos.com/photos/ian-arlett/14538406745/ 3.com. Em 2015. http://www.culturaemercado.com. lei rouanet[4].com/cultura/rouanet-sem-inocencia-16056837 2.br/tag/lei-rouanet/ 5.culturaemercado.br/tag/cultura/ 4.flickr.globo.br/author/ssl/ . http://www.com. claro. https://www.culturaemercado. http://www. http://www. Foi diretor-presidente da RioFilme e secretário municipal de cultura do Rio de Janeiro. http://www.culturaemercado. minc[5].culturaemercado. http://www. http://oglobo.com.com. vale para boa parte dos prefeitos e governadores. ministério da cultura[6].br/author/ssl/ 9.culturaemercado.com. http://www. Ver todos os posts de Sérgio Sá Leitão[9] Links 1.br/tag/minc/ 6. a palavra de ordem da cultura tem que ser: “Independência (e mobilização) … Ou morte!” Tags:cultura[3]. O ponto é: Onde está o orçamento do MinC? Cadê o dinheiro do Fundo Setorial do Audiovisual? Quando haverá um edital nacional de Pontos de Cultura? Como pode a Funarte ter um orçamento menor do que o da SMC de Nova Iguaçu? Quando a presidente Dilma cumprirá o que afirmou na campanha eleitoral e incluirá a política cultural entre as prioridades reais (e não apenas retóricas) do seu governo? Quando o que ouvi no Teatro Casagrande em 2014 se tornará realidade? O mesmo.culturaemercado.br/tag/ministerio-da-cultura/ 7.