QUI0091 - COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO

PARTE 1: INTRODUÇÃO A FLUIDOS DE PERFURAÇÃO

1.1 Definição
O termo fluido de perfuração engloba todas as composições usadas para auxiliar
a produção e remoção dos cascalhos do fundo do poço até a superfície.

1.2 Tecnologia dos fluidos de perfuração
A tecnologia dos fluidos de perfuração envolve os conhecimentos científicos da
geologia, química e física e os recursos da engenharia. O seu objetivo é a
utilização de equipamentos e materiais disponíveis na escavação de poços ao
menor custo possível. A tecnologia empregada na elaboração dos fluidos de
perfuração não visa o projeto e a preservação de um fluido de perfuração
“perfeito”, “ideal”, mas sim a obtenção de um fluido que permita uma
completação de sucesso com o menor gasto possível.

1.3 Principais componentes dos fluidos de perfuração
Os fluidos de perfuração podem ser classificados de acordo com o seu principal
componente (presente em maior quantidade). Esses componentes são: (1) água;
(2) óleo ou fase orgânica insolúvel em água e (3) gás. Freqüentemente, dois
desses componentes, e algumas vezes, os três são observados em uma mesma
composição de fluido. A classificação geral é mostrada na Tabela 1.1.

Profa. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN

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Profa. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN

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Quando o constituinte principal é um líquido (água ou óleo/fase orgânica
insolúvel em água), o termo “lama” (“mud”) é aplicado a uma suspensão de sólidos
no líquido. A presença simultânea de ambos os líquidos resulta em uma emulsão,
quando se fornece ao sistema forte agitação e agente emulsificante adequado. A
natureza química do emulsificante determina se o óleo será emulsionado na água
(nesse caso, costuma-se chamar de lama de emulsão de óleo – oil emulsion mud),
ou se a água será emulsionada no óleo/fase orgânica insolúvel em água (nessas
circunstâncias, o sistema é chamado de emulsão inversa).

1.4 Água como fluido de perfuração
A água foi o primeiro fluido de perfuração empregado e continua sendo o
principal componente de muitos fluidos. Conseqüentemente, os fluidos aquosos
são os mais utilizados e investigados.

A água pode conter várias substâncias dissolvidas, como sais, álcalis,
surfactantes, polímeros orgânicos e gotas de óleo emulsionadas, e substâncias
insolúveis em suspensão, como barita (sulfato de bário), argila e cascalhos
(cuttings). A composição do fluido selecionado para uso freqüentemente
depende das substâncias dissolvidas na água utilizada, que deve ser a mais
“economicamente disponível” ou dos materiais solúveis ou dispersáveis em água
presentes na formação rochosa a ser perfurada.

1.5 Óleo (líquido orgânico insolúvel em água) como fluido de perfuração
Os fluidos de perfuração base óleo têm a fase oleosa (insolúvel em água) como
fase contínua. Antigamente, os óleos mais empregados eram o óleo diesel e o
óleo cru. Como geralmente a água está presente na formulação, se necessita da
adição de um agente emulsificante da água no óleo. Se a água é
propositadamente adicionada, o fluido de perfuração é chamado de lama de
emulsão inversa (invert emulsion mud). Vários agentes espessantes e de
suspensão são adicionados, assim como barita. A água emulsionada pode
conter álcalis e sais.

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Reduzir a fricção entre a broca e as paredes do poço.8 Teste piloto Um teste piloto usando os materiais em quantidades de escala de laboratório deve ser realizado para se conhecer o máximo possível do que deverá acontecer quando os diversos componentes do fluido se combinarem no poço. onde as gotas de ar são revestidas por um filme de água contendo uma substância estabilizadora de espuma e (4) espuma gel.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO 1. que sele os poros e outras aberturas presentes na formação rochosa penetrada pela broca. 10. 5. 8. Não dificultar a interpretação das informações obtidas a partir dos cascalhos. e permitir a separação entre o fluido e o cascalho na superfície. 7. Prevenir o influxo de fluidos – óleo. Manter a estabilidade das paredes do poço ainda não revestido. 11. gás ou água – da formação rochosa em perfuração em direção ao poço. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . 2. Um volume Profa. Esse material pode ser um polímero orgânico ou bentonita. Não ser agressivo aos operadores e nem ao meio ambiente. Transportar os cascalhos do fundo do poço até a superfície. através do anular. 1. Resfriar e limpar a broca. 4. (3) espuma. 6.7 Funções dos fluidos de perfuração Durante uma perfuração rotatória. Formar um reboco fino e de baixa permeabilidade. Não exigir métodos especiais ou caros para a completação do poço. Não corroer ou produzir desgaste excessivo dos equipamentos de perfuração. 9. em que a espuma contém um material capaz de reforçar a película de água que reveste as gotas de ar. embora o gás natural (metano) ou gases de combustão possam ser empregados. O ar é o gás mais utilizado nesses fluidos. Não interferir na produtividade do poço. as principais funções a serem desempenhadas pelos fluidos são: 1. 1.QUI0091 .6 Gás como fluido de perfuração Os fluidos de perfuração gasosos podem se classificados como: (1) gás seco. no qual as gotas de água ou lama são conduzidas através de uma corrente de ar. testemunhos e dados elétricos. 3. (2) névoa (mist).

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conveniente de líquido para o teste piloto é de 350 cm3 (350 mL), porque gramas
por 350 cm3 de volume é equivalente a lb/bbl (1 bbl = 42 galões). O volume de
350 cm3 é suficiente para as medidas das propriedades dos fluidos em
laboratório.

Os cálculos empregados de massas e volumes dos aditivos utilizados nos fluidos
não envolvem numerosas fórmulas que precisem ser memorizadas. Entretanto,
três princípios precisam ser memorizados:
1. Os volumes de todos os componentes são aditivos.
2. Os pesos (massas) de todos os componentes são aditivos.
3. Os volumes e massas devem estar em unidades consistentes. A densidade
dos componentes deve estar na mesma unidade dos volumes e massas.

A Tabela 1.2 mostra a densidade dos principais componentes dos fluidos de
perfuração. A partir desses dados, é possível se resolver problemas rotineiros, como
a determinação da quantidade de barita necessária para aumentar a densidade de
um determinado volume inicial de fluido, ou a redução da densidade do fluido por
adição de água ou óleo.

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Os princípios da química coloidal, mais do que a química analítica, determinam o
comportamento dos fluidos aquosos. Por exemplo, as propriedades de duas
misturas tendo composições idênticas, tendo cada uma 350 cm3 de água, 20g de
bentonita e 10g de cloreto de sódio são marcantemente diferentes dependendo
se o sal foi adicionado à água antes ou depois da bentonita.

Não somente a seqüência da adição é importante, mas também o estado físico
dos aditivos utilizados. As reações localizadas nas superfícies das substâncias
sólidas devem ter um efeito diferente do observado para a mesma substância em
solução. O tipo e o tempo de agitação, assim como a temperatura e o tempo de
envelhecimento também afetam os resultados dos testes.

1.9 Relação entre as propriedades dos fluidos e o seu desempenho
Um dos problemas do químico de fluidos é correlacionar as observações feitas
na superfície com o desempenho do fluido no poço. Outra dificuldade
freqüentemente surge em explicar os seus testes a um profissional não
familiarizado com a terminologia da área.

Densidade
Densidade é definida como a massa por unidade de volume. Ela é expressa ou
em libras por galão (lb/gal), ou libras por pé cúbico (lb/ft3), ou em kilogramas por
metro cúbico (kg/m3), ou ainda comparada à massa de igual volume de água
como gravidade específica (SG).

A pressão exercida por uma coluna de fluido estático depende da densidade e
da profundidade. Dessa forma, é conveniente expressar a densidade em termos
de libra por polegada ao quadrado por pé ((lb/in2)/ft = psi/ft), ou kilogramas por
centímetro quadrado por metro ((kg/cm2)/m).

Com o objetivo de evitar o influxo dos fluidos da formação e estabelecer um
reboco fino e de baixa permeabilidade na parede do poço, a pressão da coluna
de fluido deve exceder a pressão de poro, que representa a pressão exercida
pelos fluidos da formação nos poros, em torno de 200 psi (140 kg/cm 2). A
pressão dos poros depende da profundidade da formação porosa, da densidade
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dos fluidos da formação e das condições geológicas. Dois tipos de condições
geológicas afetam a pressão dos poros: (a) formações pressurizadas
normalmente. Nesse caso, existe uma estrutura organizada entre as partículas
sólidas. Assim, a pressão dos poros depende apenas do peso dos fluidos
presentes nos poros. (b) formações geopressurizadas ou anormalmente
pressurizadas. Nesse caso, a formação não é completamente compactada.
Assim, os fluidos dos poros devem conter o peso de alguns ou todos os
sedimentos e o peso também dos fluidos. O gradiente de pressão hidrostática
dos fluidos da formação varia de 0,43 a 0,52 psi/ft (0,1 a 0,12 kg/cm2/m),
dependendo da salinidade da água.

Além de controlar os fluidos dos poros, a pressão da coluna do fluido de
perfuração sobre as paredes do poço ajuda a manter a estabilidade do poço. No
caso de formações plásticas, tais como as rochas salinas e argilas não
consolidadas, a pressão da lama é crucial.

A dinâmica do fluxo do fluido sobre os cascalhos perfurados aumenta com a
densidade, ajudando o seu transporte no anular, mas retardando a sua
sedimentação na superfície. Muito raramente o aumento da densidade do fluido
é utilizado para aumentar a capacidade de carreamento dos cascalhos.

Com o interesse em garantir a segurança do poço, há uma tendência natural de
se utilizar o fluido com uma densidade acima da necessária para se controlar os
fluidos da formação. Entretanto, essa prática gera algumas desvantagens. Em
primeiro lugar, uma densidade excessiva do fluido pode aumentar a pressão na
parede do poço, causando tensões localizadas e, com isso, falhas denominadas
fraturas induzidas. Na fratura induzida, o fluido é perdido através dessa fratura, e
o nível de fluido no anular cai até que o equilíbrio seja alcançado.

Outra desvantagem da densidade excessiva é a sua influência sobre a
velocidade de perfuração (velocidade de penetração da broca). Experimentos em
laboratório e experiências em campo têm mostrado que a velocidade de
penetração diminui com o desequilíbrio das pressões (diferença entre a pressão
da lama e a pressão dos poros durante a perfuração de rochas permeáveis) e
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QUI0091 . Maiores densidades são obtidas com barita. Os custos das lamas aumentam não somente pelo custo inicial da barita.6 SG para os sólidos da formação. Assim.32 SG) não podem ser obtidas com os sólidos da formação porque o aumento em viscosidade é muito grande. Densidades maiores que 11 lb/gal (1. 50 a 420 Profa. Um alto desbalanço das pressões também pode provocar furos no tubo de perfuração (drill pipe). de aproximadamente 5. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . e mais barita é necessária para restaurar a densidade. e em maior extensão. forma e estrutura molecular das partículas dissolvidas e suspensas no meio. quando comparado ao valor de 2. pelo custo crescente para a manutenção das propriedades adequadas.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO pela pressão absoluta da coluna de lama quando perfurando rochas de baixa permeabilidade. Tamanho de partícula. muito menos sólidos por volume são requeridos para se alcançar a densidade desejada. As partículas podem ser convenientemente divididas em três grupos. Por último. (2) silte (qualquer fragmento de mineral ou rocha menor do que areia fina e maior do que argila) e barita (sulfato de bário) (algumas vezes chamados de sólidos inertes).0 x 10-3 a 1. de acordo com o tamanho: (1) colóides. 1 a 50 microns. mas também. especialmente as propriedades de fluxo. Na perfuração de formações pressurizadas normalmente. que fornecem densidade e (3) areia. que contribuem para o aumento de viscosidade e a redução do filtrado. forma e propriedades coloidais As propriedades reológicas e de filtração dos fluidos de perfuração dependem do tamanho. a viscosidade aumenta continuamente durante a perfuração.25. densidades excessivas dos fluidos de perfuração não são vantajosas porque oneram os fluidos desnecessariamente.0 micron (1micron = 10-3mm). Devido à incorporação dos sólidos perfurados. densidades adequadas podem ser automaticamente obtidas a partir dos sólidos da formação que são dispersos na lama por ação da broca. e deve ser reduzida de tempos em tempos pela adição de água. que tem uma gravidade específica em torno de 4.

Dentre essas. etc. com conseqüente perda das propriedades reológicas e de controle de filtrado. tanto na forma de colóide ou silte.1 mostra que a bentonita Wyoming. As argilas são colóides particularmente ativos. tais como montmorillonita. kaolinita. feldspato. se as argilas são floculadas por sais solubilizados no meio. A atividade da fração coloidal fundamentalmente é derivada do tamanho muito pequeno da partícula relativo ao seu peso.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO microns. poliacrílicos e gomas naturais são também utilizados em lamas de baixo teor de sólidos para ajudar a manter a estabilidade do poço e Profa. Outros minerais. que dão origem a forças atrativas ou repulsivas entre as partículas. a viscosidade do fluido resultante por peso de argila adicionada depende da proporção das várias argilas e dos minerais presentes no meio. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . a montmorillonita é a mais ativa. por colóides orgânicos quando requerido por determinados problemas. e são responsáveis pela formação de géis reversíveis durante o repouso. o comportamento das partículas é governado primariamente pelas cargas eletrostáticas sobre sua superfície. Os polímeros celulósicos. que contém em torno de 85% de montmorillonita. apresenta o maior rendimento. Interações entre essas cargas opostas influenciam profundamente a viscosidade dos fluidos contendo argila a baixas velocidades de fluxo. ou mesmo completamente substituídas. tais como quartzo. que pode atuar com agente de “ponte” em formações de alta porosidade. calcita. As argilas encontradas na natureza são constituídas de vários minerais argilosos. Por exemplo. Argilas coloidais são algumas vezes suplementadas. colóides resistentes a sais (como o amido pré-gelatinizado ou polímeros celulósicos) são adicionados à salmoura ou ao fluido contaminado com sal. podem também estar presentes.QUI0091 . illita. Quando argilas são misturadas com água. A Figura 1.minúsculas plaquetas cristalinas ou pacotes de plaquetas – e parcialmente devido a sua estrutura molecular. parcialmente devido a sua forma . Devido a sua grande superfície específica. constituída de cargas negativas na superfície basal e cargas positivas nas bordas.

protegendo-os da desintegração. Estruturas gelificadas podem ser obtidas pela adição de argilas tratadas com tensoativos para torná-las Profa.QUI0091 . Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN .COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO para minimizar a dispersão dos cascalhos na lama. Propriedades reológicas e de filtração são obtidas em uma emulsão inversa através da emulsão de quantidades significativas de água. Esses polímeros são adsorvidos na superfície dos cascalhos.

O comportamento do escoamento dos fluidos é governado pelos regimes de escoamento. Profa. A força axial dividida pela área superficial de um cilindro define a tensão de cisalhamento. as relações entre pressão e velocidade. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . Existem dois regimes de escoamento: escoamento laminar. A diferença em velocidade entre quaisquer dois cilindros dividida pela distância entre eles define a taxa de cisalhamento. prisão de ferramenta. que prevalece a baixas velocidades de escoamento e é uma função das propriedades viscosas do fluido. similarmente. lignita tratada pode ser adicionada para melhorar as propriedades de filtração.QUI0091 . Essas propriedades são primariamente responsáveis pela remoção dos cascalhos perfurados. tais como desmoronamento do poço. A velocidade dos cilindros aumenta de zero na parede do tubo a um máximo no centro do tubo. que é governado pelas propriedades de inércia do fluido e é somente indiretamente influenciado pela viscosidade. Como mostrado na Figura 1. e é uma medida da resistência ao escoamento do fluido.2. O desempenho insatisfatório pode levar a sérios problemas. A unidade de viscosidade é o poise. mas influenciam o progresso da perfuração de muitas outras formas. velocidade de perfuração reduzida. Propriedades de escoamento As propriedades de escoamento desempenham papel vital no sucesso da operação de perfuração. A razão entre a tensão de cisalhamento e a taxa de cisalhamento é chamada de viscosidade. em comparação ao escoamento laminar. que é 10 -2P. A unidade empregada na viscosimetria de fluidos de perfuração é o centipoise (cP). a pressão aumenta com o aumento da velocidade muito mais rapidamente quando o escoamento é turbulento. alargamento do poço. e o escoamento turbulento. Escoamento laminar Escoamento laminar em um tubo pode ser visualizado como cilindros infinitamente finos deslizando uns sobre os outros. a tensão de cisalhamento em dynes/cm 2 dividido pela taxa de cisalhamento em s-1 dá a viscosidade em poise.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO dispersíveis em óleo e. perda de circulação e mesmo um blowout.

3). glicerina.QUI0091 . Para fluidos que não contêm partículas maiores que as moléculas. ou moléculas de baixa massa molar (por exemplo: água. as curvas de fluxo são linhas retas passando pela origem. soluções salinas. Profa. A viscosidade de um fluido newtoniano é definida pelo coeficiente angular da sua curva de fluxo (Figura 1.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO Um gráfico de tensão de cisalhamento versus taxa de cisalhamento é conhecido como curva de fluxo ou curva de consistência. óleo). Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . Tais fluidos são chamados newtonianos porque seu comportamento segue a lei de Newton.

que contêm partículas maiores que as moléculas em quantidades significantes. Lamas à base de argilas contendo alto teor de sólidos Profa.QUI0091 . a viscosidade determinada a uma única taxa de cisalhamento pode ser usada em cálculos hidráulicos envolvendo escoamento em qualquer outra taxa de cisalhamento.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO Considerando que a viscosidade de um fluido newtoniano não muda com a taxa de cisalhamento. Suspensões como os fluidos de perfuração. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . A relação tensão de cisalhamento/taxa de cisalhamento de um fluido não newtoniano depende da composição do fluido. não seguem a lei de Newton e são classificadas genericamente como fluidos não newtonianos.

Profa. A curva de fluxo de um fluido de Bingham deve então ser descrito por dois parâmetros: ponto de escoamento e a viscosidade plástica.QUI0091 . que postula que uma tensão finita deve ser aplicada ao fluido para iniciar o escoamento. como mostrado na Figura 1. a viscosidade efetiva não é um parâmetro adequado para comparar o comportamento de dois fluidos diferentes.5. e é um parâmetro válido para cálculos hidráulicos apenas na taxa de cisalhamento em que ela foi medida. A tensão de cisalhamento dividida pela taxa de cisalhamento (a qualquer taxa de cisalhamento) é conhecida como viscosidade efetiva ou aparente. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . A Figura 1.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO freqüentemente seguem a teoria de Bingham do escoamento plástico.4 mostra que a viscosidade efetiva diminui com o aumento da taxa de cisalhamento. como mostrado na Figura 1. e que a tensões maiores o escoamento será newtoniano.3. De fato.

Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN .QUI0091 . O parâmetro K é uma medida da consistência: quanto maior o valor de K.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO Os fluidos de perfuração constituídos de polímeros e alguma ou nenhuma quantidade de partículas sólidas em suspensão se comportam a altas taxas de cisalhamento como se tivessem um ponto de escoamento. Profa. e pode ser considerado como uma medida da diminuição da viscosidade efetiva com o aumento da taxa de cisalhamento: quanto menor n. O parâmetro n é chamado de índice de comportamento de escoamento. mas realmente a curva de fluxo passa pela origem. mais viscoso é o fluido. O comportamento desses fluidos pseudoplásticos é descrito pela lei de potência que estabelece que Tensão de cisalhamento = K (taxa de cisalhamento)n.

A Figura 1. Além disso. já que a estrutura tridimensional do gel estará sendo quebrada. Assim. sua viscosidade diminui com o tempo. Muitos fluidos de perfuração exibem comportamento intermediário entre o plástico ideal de Bingham e o ideal da lei de potência. e K é igual à viscosidade. enquanto é mantida uma direção global do fluxo paralelo ao eixo do tubo. aumenta com o tempo após a agitação ter cessado. Profa. até que uma viscosidade de equilíbrio seja alcançada. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . Se n = 1. Em vez das camadas do líquido deslizarem umas sobre as outras. Escoamento turbulento O escoamento em um tubo muda de laminar para turbulento quando a velocidade do fluxo excede certo valor crítico. Essa interação entre as cargas também aumenta a viscosidade efetiva a baixas taxas de cisalhamento. n e K não são constantes a baixas taxas de cisalhamento.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO maior a diminuição da viscosidade.3 compara as curvas de fluxo dos três modelos de escoamento. especialmente os fluidos de argila em água doce. O fato das curvas de fluxo das lamas de argila interceptarem o eixo das tensões a um valor maior que zero indica o desenvolvimento de uma estrutura de gel. A força gel de alguns fluidos. Essa estrutura resulta da tendência das placas de argila se alinharem de forma a aproximarem as cargas positivas das arestas das cargas negativas da superfície basal. Devido às forças entre as partículas. As lamas apresentam um ponto de escoamento indefinido. que é menor do que o que seria previsto pela extrapolação da tensão de cisalhamento medida a alta taxa de cisalhamento. o fluxo muda localmente em velocidade e direção. influenciando os valores de n e K. o fluido se comporta como um fluido newtoniano.QUI0091 . um fenômeno conhecido como tixotropia. se após o repouso o fluido é submetido a um cisalhamento constante. a viscosidade efetiva de um fluido tixotrópico é dependente tanto do tempo quanto do cisalhamento.

o valor crítico para o número de Reynolds se situa entre 2. observando o tempo de escoamento de um litro de fluido. assim. e é expressa por um número adimensional conhecido como número de Reynolds. e é pouco influenciado pela viscosidade do fluido.000. Esse instrumento é capaz de determinar a viscosidade plástica (VP).QUI0091 . também podem ser calculados. Esse instrumento apresenta como vantagens a sua robustez e simplicidade. Para medidas de rotina. porém. e com a diminuição da viscosidade. Controle das propriedades de escoamento no poço A influência das propriedades de escoamento dos fluidos de perfuração sobre o desempenho dos poços é muito crítica no interior do tubo e no anular. As forças géis e as constantes da lei de potência. amostras dos fluidos são coletadas na linha de fluxo e testadas antes que qualquer mudança tixotrópica ocorra. n e K. O conhecimento desses parâmetros fornece as informações necessárias para o controle diário da reologia da lama. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . mas de grande utilidade para a tomada de decisões no campo. A razão LE/VP e o índice de Profa. com o aumento da densidade. que é uma função do número de Reynolds e da rugosidade da parede do tubo.000 e 3. A VP e o K dependem fortemente do volume de sólidos na lama e da viscosidade do líquido que mantém a suspensão. A perda de pressão de um fluido em escoamento turbulento através de um tubo de determinado comprimento depende de fatores inerciais. enquanto que o LE e as forças géis dependem mais da presença de argilas coloidais e da contaminação por sais inorgânicos. A equipe mede a viscosidade da lama através de um funil Marsh. Para muitos fluidos de perfuração.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO A velocidade crítica para o estabelecimento da turbulência diminui com o aumento do diâmetro do tubo. o ponto de escoamento/limite de escoamento (LE) e a viscosidade aparente (VA). A perda de pressão aumenta com o quadrado da velocidade. com a densidade e com um número adimensional chamado de fator de fricção de Fanning. os engenheiros de lama utilizam viscosímetros de cilindros concêntricos da Fann. fornece apenas um valor empírico.

ou seja. pode causar fratura com conseqüente perda de circulação. Além disso. uma alta força gel pode reduzir a pressão da coluna da lama abaixo da broca. Algumas dessas partículas não são removidas do fluido na superfície. a força gel deve ser alta apenas o suficiente para manter em suspensão a barita e os cascalhos perfurados. Similarmente. os fluidos da formação migrarão para o poço. lignita solubilizada e polifosfonatos. A diferença entre a força gel inicial e aquela determinada após 10 minutos de descanso do fluido pode ser usada para se prever o quanto espesso deverá ficar o fluido durante a circulação. pela adição de água. Com isso.QUI0091 . ou pela separação do excesso de sólidos. quando colocando o tubo dentro do poço. Se a força gel estiver muito baixa. A viscosidade plástica é reduzida. Idealmente. O efeito dispersivo dos íons Profa. se necessário. ela pode ser aumentada por adição de bentonita. sendo recicladas diversas vezes até alcançarem tamanho coloidal. em condições críticas. durante a remoção do tubo. e também porque aumenta a pressão requerida para colocar o fluido em circulação após a troca da broca. o movimento do tubo para baixo provoca uma pressão surgente que. podendo provocar um blowout. o controle de viscosidade torna-se muito difícil e caro durante a perfuração de formações argilosas com um fluido de água doce. Os afinantes mais comumente utilizados são o lignosulfonato de cromo solubilizado com soda cáustica. o grau de diminuição da viscosidade com o aumento da taxa de cisalhamento. caso haja uma parada de circulação. conhecidos como afinantes. Limite de escoamento e forças géis elevados são reduzidos por adição de composto de elevada massa molar. Os afinantes utilizados para reduzir a força gel de fluidos de água doce ou de baixa salinidade têm um efeito secundário desfavorável: a substituição do cálcio (ou outros cátions polivalentes presentes nos cascalhos de argila) pelo sódio (usado para solubilizar o afinante) tende a dispersar a argila em pequenas partículas.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO comportamento n podem ser usados como indicadores do comportamento shear thinning. Se a redução de pressão exceder a diferença de pressão entre a lama e os fluidos da formação. Forças géis maiores são indesejadas porque elas retardam a separação dos cascalhos e do gás arrastado quando o fluido retorna à superfície. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN .

ou pelo uso de fluidos contendo polímero e salmoura. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . Profa.QUI0091 . Essas formulações são denominadas “lamas ou fluidos de perfuração inibidos”.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO sódio pode ser revertido pela adição de compostos de cálcio.

a lama deveria invadir continuamente as formações permeáveis. o volume de filtrado e a espessura do reboco aumentam na proporção da raiz quadrada do tempo (portanto. A zona parcialmente obstruída pelas partículas de ponte começa a aprisionar partículas cada vez menores e. Essas partículas. é outro requisito de grande importância para a completação de sucesso de um poço. a filtração é dinâmica enquanto a perfuração está em andamento. a uma velocidade decrescente). denominadas “agentes ou partículas de ponte” (bridging particles). Sob condições dinâmicas. denominada “reboco”. em poucos segundos. Dessa Profa. Todos os testes de rotina de propriedades de filtração são feitos sob condições estáticas. subseqüentemente. são aprisionadas nos poros da rocha em contato com o fluido. a superfície da retorta é submetida à erosão a uma velocidade constante. No poço. e quando a velocidade de crescimento da retorta torna-se igual à velocidade da erosão. que seja fino e de baixa permeabilidade. A velocidade de filtração e o aumento da espessura do reboco dependem da existência ou não de erosão durante o fluxo do fluido.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO Propriedades de filtração A habilidade de um fluido de selar as formações permeáveis expostas pela broca através de uma “torta” (cake). caso um reboco não fosse formado.QUI0091 . devido à erosão pela lama e o desgaste mecânico da broca. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . Para que um reboco seja formado. entretanto. e o líquido que entra. ela é estática durante a circulação. é essencial que o fluido de perfuração contenha algumas partículas de tamanho levemente menor que a dos poros abertos da formação. a espessura da retorta e a velocidade da filtração tornam-se constantes. é chamado de filtrado. A suspensão das partículas finas que penetra na formação enquanto o reboco está sendo formado é conhecido como surto de lama ou jorros de lama (mud spurt). enquanto as partículas mais finas são conduzidas a uma profundidade maior na direção da formação. Quando o fluido está parado (estático). somente a fração líquida do fluido invade a formação rochosa. porque os testes dinâmicos demandam tempo e exigem equipamentos elaborados. Considerando que a pressão da coluna de fluido deve ser maior que a pressão de poro da formação para se evitar o influxo dos fluidos da formação para o poço.

Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . muitos xistos são sensíveis à água. Esse fenômeno ocorre quando parte da coluna de perfuração se desloca lateralmente durante a perfuração. tais como carbonatos densos. Estabilizações superiores dos poços são obtidas através de fluidos base óleo. mas certos colóides orgânicos propiciam a formação de rebocos de baixa permeabilidade mesmo em soluções saturadas de sais. A presença de sais solúveis nos fluidos argilosos aumenta a permeabilidade do reboco acentuadamente. em contato com a água. menor será a permeabilidade do reboco. Afinantes geralmente diminuem a permeabilidade do reboco porque eles dispersam os agregados de argilas a partículas menores. rebocos espessos podem prender o tubo de perfuração por um mecanismo chamado diferencial de pressão. Profa. Porém.QUI0091 . a parte do tubo em contato com o reboco é isolada da pressão da coluna de fluido. é o melhor critério por ser a principal propriedade que controla tanto a filtração estática quanto a dinâmica. quanto maior a quantidade de partículas em tamanho coloidal. arenitos e folhelhos (xistos litificados) podem ser perfuradas com pouco ou nenhum controle de filtração. A permeabilidade do reboco depende da distribuição do tamanho de partícula na lama e das condições eletromecânicas. eles desenvolvem pressões de inchamento que provocam alargamento do poço. removendo parte do reboco. as propriedades de filtração devem ser controladas de forma a evitar um espessamento excessivo do reboco e a conseqüente redução do diâmetro do poço. Em geral. Em formações permeáveis. que pode ser calculada a partir de testes estáticos. A permeabilidade do reboco. Formações estáveis com baixa permeabilidade. quando a salinidade do filtrado é ajustada para prevenir as pressões de inchamento.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO forma. Quando a rotação do tubo é parada. a velocidade de filtração e a espessura do reboco se correlacionam apenas de forma aproximada ao que acontece no poço. Além disso. As propriedades de filtração requeridas para uma completação de sucesso dependem significativamente da formação a ser perfurada. ou seja. e submetida somente à pressão de poros do reboco.

QUI0091 . de forma a minimizar o diferencial de pressão e (c) adicionando-se um lubrificante ao fluido para se reduzir a adesão entre o tubo e o reboco. (a) A permeabilidade da rocha reservatório contendo argila pode ser reduzida pelo inchamento dessas argilas pelo contato com o filtrado. (b) mantendo a menor densidade possível. Tanto a velocidade de filtração quanto os jorros de lama (mud spurt) devem ser minimizados durante a perfuração da zona potencialmente produtora. porque a produtividade do poço pode ser reduzida por um dos quatro mecanismos a seguir. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . ou pela dispersão e transporte das argilas ou outras partículas finas. que tendem a migrar para o interior do poço caso um reboco não seja rapidamente formado. O transporte dessas partículas no meio poroso pode obstruir os canais de fluxo. Boas propriedades de filtração também são importantes durante a perfuração de areias não consolidadas.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO Esse diferencial de pressão pode ser grande o suficiente para impedir o movimento do tubo. O risco de prender a coluna pode ser minimizado (a) pelo uso de fluidos que formem um reboco fino e resistente. reduzindo a Profa. O aprisionamento do tubo de perfuração raramente acontece quando se utiliza um fluido base óleo. porque ele fornece rebocos finos e alta lubricidade.

devendo-se levar em consideração outros fatores. Em um projeto de programa de fluido. distribuição do tamanho de partículas e composição química do filtrado. certo valor máximo é freqüentemente estabelecido para o filtrado API.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO permeabilidade da rocha. ou pelo uso de fluidos que contenham partículas que sejam solúveis no óleo ou em ácido. por exemplo) e água de formação (natural ou sintética). vários testes de laboratório são recomendados com o objetivo de se formular um fluido de perfuração que não prejudique a produtividade dos futuros poços. Esses testes deveriam ser feitos em testemunhos do reservatório.QUI0091 . Profa. utilizando destilados do petróleo (diesel. tendo em mente que quanto menor o filtrado. Assim. Se a formação possuir argilas. o filtrado continuando nos poros. Quando um campo de petróleo é descoberto. apenas o controle do volume do filtrado é altamente duvidoso. Entretanto. reduz o espaço disponível para o escoamento do óleo ou gás. (c) As partículas finas da lama. Nesse teste. conduzidas pelos jorros de lama. Os prejuízos causados pela invasão de partículas da lama podem ser evitados garantindo-se que partículas de ponte estejam em quantidade e tamanho suficientes. O desempenho da filtração em poços é rotineiramente avaliado por meio de testes de filtração API. o fluido de perfuração é submetido a filtrações estáticas através de papel de filtro por 30 minutos. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . Se o bloqueio por água for um problema. esse efeito é chamado de bloqueio por água (waterblock). tais como: espessura do reboco. maior a garantia de que as propriedades de filtração adequadas serão mantidas. e o volume do filtrado e a espessura do reboco são medidos. ou sejam biodegradáveis. fluidos à base de óleo (não aquosos) deveriam ser testados. é necessário que o filtrado do fluido de perfuração iniba o inchamento e dispersão dessas argilas. (b) a pressão de alguns reservatórios não é grande o suficiente para expulsar o filtrado dos poros da rocha. permeabilidade. (d) pode ocorrer precipitação pela incompatibilidade entre os sais dissolvidos no filtrado e os presentes na água de formação. podem bloquear alguns poros. quando o poço é colocado em produção.

terá um pH de 8 a 9. Capacidade de troca catiônica: teste do azul de metileno O teste do azul de metileno serve para indicar a quantidade de argila ativa em uma lama ou em uma amostra de xisto. carbonato (CO3) e bicarbonato (HCO3) no meio. A alcalinidade é um fator de controle nos fluidos de perfuração preparados com cal. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . junto com a determinação do teor de sólidos. A alcalinidade total é determinada por titulação com uma solução ácida padrão até um determinado ponto final indicado por uma mudança de cor de um indicador. A contaminação por cimento elevará o pH para 10 a 11. A Profa. Condutividade elétrica A resistividade do fluido aquoso é medida e controlada para permitir melhor avaliação das características da formação. Um fluido preparado com bentonita e água doce.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO pH A acidez ou alcalinidade relativa de um líquido é convenientemente expressa como pH.QUI0091 . por exemplo. O controle ótimo de alguns fluidos de perfuração é baseado no pH. e tratamento com polifosfonato ácido deslocará o pH para 8 a 9. ou a um pH correspondente a essa mudança de cor. como na detecção e tratamento de determinados contaminantes. Medidas de alcalinidade da água ou de filtrados podem ser usadas para calcular a concentração dos íons hidroxila (OH). o que é detectado pelo aparecimento da cor azul na água em que a amostra encontra-se suspensa. na indicação das características coloidais dos minerais argilosos. O sal é usado para baixar a resistividade. O teste mede a capacidade total de troca de cátions das argilas presentes e é útil. Outras razões para o controle do pH são o controle da corrosão e o uso efetivo dos afinantes. Titulações do fluido e do filtrado tornam possível a estimativa do teor de cal no fluido. Água doce é o único meio de aumentar a resistividade. A amostra é titulada com solução padrão de azul de metileno até que a capacidade de adsorção seja satisfeita. Alcalinidade A medida do pH tem sido descrita como um meio pra se determinar a acidez e a alcalinidade.

O teste de estabilidade elétrica é usado como uma indicação da estabilidade de emulsões de água em óleo: um dispositivo contendo eletrodos é imerso na amostra. A Tabela 1. variando amplamente em composição e propriedades. Lubricidade Uma das funções dos fluidos de perfuração é lubrificar a broca.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO determinação da resistividade envolve a medida da resistência de fluxo de uma corrente elétrica através de uma amostra de configuração conhecida.3 apresenta muitas opções disponíveis. 2. encontram-se disponíveis para seleção. tempo e desempenho. Corrosividade A corrosão tem sido considerada a principal causa de falha de tubos de perfuração. Diversos fluidos de perfuração. Alguns inibidores de corrosão podem severamente afetar as propriedades dos fluidos aquosos. e a voltagem na qual ocorre o colapso é reportada como a estabilidade da emulsão. que é preparado quanto às funções e propriedades dos fluidos de perfuração. A lubricidade é especialmente crítica em perfurações direcionais e para evitar estrangulamentos.QUI0091 . A densidade dos fluidos.5 a densidade da água. atenção deve ser dada não apenas aos possíveis efeitos corrosivos do fluido. que é considerada uma propriedade muitas vezes determinante na seleção. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . mas também aos efeitos dos inibidores de corrosão sobre os fluidos.0 Seleção dos fluidos de perfuração A tarefa de selecionar o fluido apropriado para cada situação particular é o trabalho do engenheiro de lama (mud engineer). Ao se planejar um programa de fluido de perfuração. tendo em mente as restrições de custo. a voltagem imposta através dos eletrodos é aumentada até um valor pré-determinado de corrente. e que adquire no campo a experiência para escolher o fluido certo para cada aplicação. Profa. pode variar desde a densidade do ar até 2.

Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN .QUI0091 .COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO Profa.

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com supervisão adequada. o desempenho do fluido pode ser mais importante que o seu custo.QUI0091 . Dentro de certos limites. pode provocar vários problemas e aumento do custo da operação. quando a incorporação excede determinados limites. ou desejável. não necessariamente o fluido mais elaborado ou caro é o mais indicado. A disponibilidade da água e a sua qualidade freqüentemente afetam a composição do fluido. a incorporação de sólidos no fluido é benéfica. Fatores de superfície A localização geográfica pode ser um fator importante na decisão do programa de fluido de perfuração a ser empregado. o programa de fluidos de perfuração deve ser adaptável às condições dos poços e permitir mudanças com pouco atraso no progresso da perfuração. Por exemplo. porém. o fácil acesso ao local e o baixo custo de transporte podem justificar a seleção de produtos mais efetivos. Por outro lado. ele não pode alcançar sucesso a menos que seja conduzido por profissionais competentes. 2. a alta viscosidade alcançada provoca diminuição na velocidade de perfuração. Por exemplo.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO Fator custo Na seleção do programa de fluidos. As leis ambientais aplicadas em determinadas áreas podem restringir ou proibir o uso de determinados produtos. Dessa forma. Independente dos méritos de um programa.1 Remoção dos sólidos perfurados A dispersão química e mecânica dos cascalhos tende a aumentar a concentração de sólidos em suspensão no fluido durante a perfuração. em excesso. a incorporação de argila coloidal contribui para as propriedades reológicas e de filtração do fluido. Entretanto. embora sejam considerados mais caros. Considerando que o objetivo é perfurar e completar no menor tempo possível. O fator mais importante que afeta o sucesso de um programa de fluidos de perfuração é a competência do pessoal envolvido. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . aumento da probabilidade de kick causado pelas Profa. uma atenção especial deve ser dada à contribuição dos fluidos de perfuração ao custo da operação de perfuração.

a remoção mecânica dos sólidos é a mais utilizada. Além disso. Muitos fluidos de perfuração são misturas complexas de diversos componentes interagindo entre si. muitos dos problemas encontrados durante a perfuração serão evitados. Dessa forma. não é exagero dizer que se a incorporação de sólidos for mantida em um valor mínimo. Por isso. Entretanto. Por último. entretanto. o fluido diluído necessitará da adição de novas quantidades de aditivos. aumentando a probabilidade de prisão de ferramenta por pressão diferencial. As partículas maiores são removidas por peneiras de telas duplas (por exemplo. uma tela de 40 mesh sobre uma tela de 80 mesh). Conforme os fluidos circulam no Profa. taxa de cisalhamento e a história de cisalhamento. um fluido com alta proporção de silte tem uma baixa razão LE/VP. Similarmente. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . PARTE 2: EQUIPAMENTOS E PROCEDIMENTOS PARA AVALIAR O DESEMPENHO DOS FLUIDOS A elaboração de testes capazes de descreverem com precisão como os fluidos de perfuração se comportam no interior do poço é uma tarefa impossível. O acúmulo dos sólidos perfurados pode ser combatido por controle químico da dispersão ou por diluição.QUI0091 . Em resumo. e a diluição envolve a perda de parte dos aditivos que ainda são úteis no fluido. o que representa uma limpeza do poço desfavorável. o controle químico é caro e limitado quanto à quantidade a que pode ser aplicado. e suas propriedades mudam acentuadamente com as variações de temperatura. a incorporação de silte provoca aumento da espessura do reboco. a incorporação de silte (qualquer fragmento de mineral ou rocha menor do que areia fina e maior do que argila) é uma forma econômica de aumentar a densidade de um fluido. e as centrífugas são utilizadas para remover o excesso das argilas coloidais.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO variações de pressão durante a retirada do tubo de perfuração e aumento da probabilidade de perda de circulação provocada pelo aumento da pressão no anular e pela colocação do tubo de perfuração. um aumento desnecessário pode provocar redução na velocidade de penetração da broca. Os hidrociclones são usados para remover areia e silte.

Dessa forma. Misturadores como Hamilton Beach (Figura 3. Em seguida. Outro problema é que os testes no campo devem ser feitos rapidamente e com equipamentos simples. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . a intenso cisalhamento na broca e a escoamento laminar no espaço anular. então.1 Preparação da amostra Considerando que as propriedades das lamas são muito influenciadas pela sua história de cisalhamento e pela temperatura.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO poço. os testes adotados são rápidos e práticos. Se o fluido for oriundo de um poço. e uma mudança também contínua da composição do fluido à medida que sólidos e líquidos da formação rochosa são incorporados ao fluido. Se existe intenção de se aplicar o fluido em análise em um poço a temperatura maior que 212 oF (100 oC). ser envelhecidas por um dia ou o tempo suficiente para os colóides sofrerem total hidratação. As lamas obtidas a partir de materiais secos devem sofrer uma mistura prévia. Por isso.2) são utilizados em testes de laboratório de fluidos de perfuração.1) e o multimisturador (Figura 3. o fluido deve ser envelhecido na temperatura de interesse. Entretanto. ele precisa ser cisalhado até alcançar a viscosidade inicialmente determinada. Eles. e devem. e refletem apenas de forma aproximada o que ocorre no poço. Além disso. esses testes cumprem o seu objetivo muito bem se suas limitações são compreendidas e se os dados obtidos são correlacionados com experiências anteriores. 2. eles são submetidos a escoamento turbulento no interior do tubo de perfuração. não fornecem as altas taxas de cisalhamento que existem durante a circulação dos Profa. há uma contínua mudança de temperatura durante a circulação do fluido. ele já terá tido tempo de resfriar e gelificar (se o fluido for tixotrópico). o fluido deve ser submetido à alta taxa de cisalhamento até uma viscosidade constante ser alcançada. entretanto.QUI0091 . A viscosidade de muitos fluidos é dependente do tempo e eles raramente possuem tempo suficiente para se ajustarem às novas condições. é importante que os fluidos a serem testados no laboratório sejam primeiramente submetidos a condições similares às que prevalecem no poço em perfuração.

QUI0091 . podendo ocorrer perda de água por evaporação. Eles podem ser usados apenas por pouco tempo. Profa. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN .COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO fluidos no poço. porque a temperatura sobe rapidamente.

ou peso da lama.QUI0091 . Profa. (4) mover o indicador ao longo do braço da balança até que o equilíbrio seja alcançado. Fatores de conversão são mostrados abaixo. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . libra por pé cúbico (lb/ft 3). grama por centímetro cúbico (g/cm3) ou como um gradiente de pressão exercida por unidade de comprimento.2 Propriedades medidas 2. (2) cobrir com a tampa. A densidade é expressa em libra por galão (lb/gal). é determinado pesando um volume preciso de lama e dividindo o peso pelo volume.4) fornece o meio mais conveniente de se obter um volume preciso.1 Densidade Densidade. (3) remover o excesso de lama da tampa.2. A balança de lama (Figura 3. e (5) fazer a leitura da densidade na posição mostrada pelo indicador. O procedimento consiste em (1) preencher o copo com a lama.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO 2.

O tempo de fluxo da água.5 s. A 70 oF (21oC). 62.3 lb/ft3 ou 1. Profa. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN 5oF (21 . Ele é constituído por um funil e um copo de medida (Figura 3.2.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO Gravidade específica (SG – Specific gravity) = g/cm3 = Gradiente de pressão em psi/ft = = = SG x 0. Mudanças significativas do fluido podem ser notadas pelo engenheiro de lamas. O número obtido depende parcialmente da viscosidade efetiva na taxa de cisalhamento que prevalece no orifício.QUI0091 .33 lb/gal.433 Gradiente de pressão em kg/cm2/m = SG x 0. e parcialmente da velocidade de gelificação. 2.1 A balança de lama pode ser calibrada com água.5).0 SG. a leitura deve ser 8. O procedimento consiste em preencher o funil até o nível da tela e observar o tempo de fluxo (em segundos). O instrumento é útil na sonda de perfuração. permitindo à equipe reportar periodicamente a consistência do fluido. a 70 3oC) é de 26 0.2 Viscosidade O funil Marsh. e fornece um valor empírico para a consistência da lama.

O fluido viscoso desloca o cilindro interno até que o equilíbrio com o torque da mola seja alcançado.6. em lb/100 ft 2. é calculada subtraindo-se a deflexão a 300 RPM da deflexão a 600 RPM (VP = L600 – L300). em cP. A viscosidade Profa. Os elementos essenciais desse instrumento são mostrados na Figura 3. A viscosidade plástica. e o limite de escoamento. O cilindro interno é suspenso por uma mola e é concêntrico ao cilindro externo. que fornece uma medida da tensão de cisalhamento que ocorre na superfície do cilindro interno. A deflexão do cilindro interno é lida em uma escala na parte superior do equipamento. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN .COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO Viscosímetro de indicação direta. São viscosímetros de cilindros concêntricos que permitem a avaliação da tensão de cisalhamento em função da taxa de cisalhamento. é obtido subtraindo-se a VP da deflexão a 300 RPM (LE = L300 – VP). O copo contendo o fluido é conectado ao sistema e o cilindro externo gira a uma velocidade constante.QUI0091 .

6: Viscosímetro de indicação direta Fann 2. n = 3. 2.2. Geralmente. em cP. é aplicada no topo da célula. para o gel final. obtida através de um cilindro de nitrogênio ou cápsula de CO 2.3 Força gel A força gel é medida após deixar o fluido em repouso por um tempo de interesse pré-determinado.10.32 x log K= Figura 3. Os parâmetros da lei de potência são determinados pelas expressões abaixo.2. Profa. Os componentes essenciais são mostrados na Figura 3. Uma pressão de 100 psi.QUI0091 . e 10 minutos. assim como a espessura do reboco.4 Filtração Filtração estática. A leitura direta na escala do viscosímetro já dá a força gel em lb/100 ft2. se utiliza o tempo de 10 segundos. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN .COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO aparente. é obtida dividindo-se L600 por 2 (VA = L600/2). A quantidade de filtrado obtida em 30 minutos é medida. para o gel inicial.

é utilizada uma contra-pressão de 100 psi.11 e 3. é utilizado um disco de aço inoxidável. A pressão de trabalho é 1000 psi e a temperatura máxima é 450 oF (232 oC). Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . Profa. quando a temperatura é menor do que 300 oF (149 oC).COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO As propriedades de filtração a altas temperaturas e pressões são medidas em células semelhantes (Figuras 3. e para temperaturas maiores. Para temperaturas até 400 oF.12). Com o objetivo de evitar evaporação do filtrado a altas temperaturas. quando a temperatura encontra-se entre 300 e 450 oF (149 e 232 oC). e de 450 psi. é utilizado o papel de filtro Watman 50.QUI0091 .

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Filtração dinâmica. Com o objetivo de simular de forma mais efetiva a filtração no
poço, é necessário limitar o crescimento do reboco por líquido ou erosão mecânica.

2.3 Envelhecimento a altas temperaturas
Muitos constituintes dos fluidos degradam lentamente a altas temperaturas. Essa
degradação ocorre durante a circulação, mas é mais severa na parte inferior do
poço, quando o fluido é deixado parado durante uma manobra, devido às maiores
temperaturas nessa região. Por isso, o efeito do envelhecimento a altas
temperaturas deve ser observado.

Esses testes são normalmente feitos em células de pressão de aço inoxidável, que
são comercializadas em 260 e 500 cm 3 (Figura 3.16). Para evitar fervura da parte
líquida, as células são pressurizadas com nitrogênio ou CO2. A pressão aplicada
deve ser, no mínimo, igual à pressão de vapor do líquido na temperatura do teste.

Para simular o envelhecimento do fluido durante a circulação no poço, as células
são giradas em um forno (Figura 3.17), por 16h, na temperatura do poço. As células
são então resfriadas e as medidas reológicas e de filtração são determinadas e
comparadas com as de antes de rolar.

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2.4 Identificação dos constituintes minerais

Adsorção de azul de metileno. Uma estimativa rápida da quantidade de
montmorillonita presente em um fluido ou argila pode ser obtida por meio do teste de
azul de metileno. Esse teste mede a quantidade de azul de metileno adsorvido na
argila, que é uma medida da capacidade de troca de cátions. Levando em conta que
a montmorillonita tem uma capacidade de troca de cátions muito maior que a de
outros minerais argilosos, o teste tem sido considerado como uma medida de
determinação da montmorillonita presente no meio.

O teste é feito pela diluição de uma amostra de lama; adicionando peróxido de
hidrogênio para remover a matéria orgânica, tais como polímeros e agentes
afinantes, e adicionando solução de azul de metileno até que uma gota da
suspensão, quando colocada sobre um papel de filtro, forme um anel azul cercando
os sólidos tingidos (API RP 13B). A capacidade de azul de metileno é definida como

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o número de cm3 da solução de azul de metileno (0.01 meq/cm 3) adicionado por cm3
de fluido. A bentonita é obtida em lb/bbl, multiplicando-se a capacidade de azul de
metileno por 5, e em kg/m3 multiplicando-se a capacidade de azul de metileno por
14,25.

2.5 Conteúdo de óleo e sólidos
As frações volumétricas de óleo, água e sólidos em um fluido são determinadas em
uma retorta, como a mostrada na Figura 3-20. É importante que o ar ou gás seja
removido antes da análise. Caso contrário, o teor de sólidos será determinado com
erro.

A retorta consiste em colocar um determinado volume de fluido em um reservatório
de aço inox e submetê-lo a aquecimento até que nenhum destilado seja coletado em
um cilindro graduado. O volume de óleo e água são lidos no cilindro graduado
(proveta), e a sua soma, subtraído do volume de fluido inicial, resulta no volume de
sólidos.

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Assim. A estabilidade de emulsões de água em óleo é avaliada através da aplicação de uma voltagem crescente entre dois eletrodos submersos na emulsão. do filtrado e do reboco são rotineiramente determinados.6 Propriedades elétricas Estabilidade das emulsões de água em óleo. mol/litro. A voltagem necessária para quebrar a emulsão é considerada uma medida da estabilidade da emulsão. Concentração de íons hidrogênio (pH). A medida de condutividade é o recíproco da resistividade. Valores de pH menores que 7 indicam aumento de acidez e valores maiores que 7 indicam aumento de alcalinidade. Cada unidade de pH representa mudança em dez vezes na concentração de íons. as concentrações de íons hidrogênio (H+) e de íons hidroxila (OH-) são iguais. A concentração de íons hidrogênio é mais convenientemente expressa através do pH. A medida da resistividade fornece um meio rápido de detectar a presença de sais solúveis na barita e nas águas.7 Lubricidade O procedimento recomendado consiste em aplicar uma carga de 150 lbf através do braço de torque. Uma melhor avaliação da formação pode ser obtida pelo controle da resistividade durante a perfuração. Resistividade dos fluidos aquosos. resultando em pH igual a 7. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN .COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO 2. e cada uma é igual a 10-7. que representa o logaritmo do inverso da concentração de íons hidrogênio. A resistividade é medida colocando-se a amostra em um reservatório contendo dois eletrodos espaçados de forma que a corrente elétrica possa fluir entre eles através da amostra. em grama. A voltagem é aplicada até que a emulsão quebre e surja uma corrente entre os eletrodos. O instrumento pode ser usado para distinguir rapidamente uma emulsão de óleo em água (condutora) de uma de água em óleo. em soluções neutras. A medida da resistividade dos fluidos aquosos. ajustar a velocidade de 60 RPM e ler o número de amperes no Profa.QUI0091 . 2. A influência significativa da concentração de íons hidrogênio nas propriedades dos fluidos tem sido reconhecida.

O número de amperes é convertido em coeficiente de lubricidade (Figura 3.QUI0091 .COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO medidor.24: Analisador de lubricidade de fluidos de perfuração Profa.24). Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . Figura 3.

74 (Pm – FwPf) Onde Fw é a fração de água no fluido. e a titulação da lama ao ponto final de fenolftaleína (Pm). Para determinar o teor de (xilenos) e álcool isopropílico (3:1) e água destilada. O teor de cal é calculado como: Cal. Dureza total: cálcio e magnésio. O ponto final do alaranjado de metila no filtrado. por exemplo. Os resultados são reportados como ppm de cloreto. utilizando cromato de potássio como indicador. devido à presença de produtos da reação entre vários aditivos orgânicos e dos silicatos resultantes da ação do hidróxido de sódio nas argilas. Cloretos. carbonato e bicarbonato a partir da titulação simples ao ponto final de fenolftaleína e alaranjado de metila. entretanto. em particular. O uso de diferentes tampões e diferentes indicadores torna possível a estimativa em Profa. costuma ser muito complexa. Estimativas da dureza total e do íon cálcio são baseadas na titulação com solução padrão de EDTA. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN .QUI0091 .26 (Pm – FwPf) ou Cal. A composição dos filtrados das lamas. Alcalinidade e teor de cal.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO 2. Uma amostra do filtrado da lama (neutralizada. O procedimento envolve a titulação do filtrado com ácido sulfúrico padrão ao ponto final de fenolftaleína (Pf) e ao ponto final de alaranjado de metila (Mf). e titulada na forma usual. se alcalina) é titulada com solução padrão de nitrato de prata. neutralizada ao ponto final de fenolftaleína. cálcio e sulfato de cálcio. é de significado dúbio. Métodos rotineiros de análise de água permitem o cálculo da concentração de hidróxido.8 Análises químicas A experiência tem mostrado que algumas análises químicas são úteis no controle do desempenho dos fluidos de perfuração. kg/m3 = 0. de forma que uma interpretação segura nem sempre é possível. um aumento no conteúdo de cloreto pode afetar as propriedades da lama. lb/bbl = 0.

Nesse método. ml) Ca2+ (mg/l) = -----------------------Vol.V1) (mg/l) = -----------------------Vol.2 x (V2 . Os sais presentes na formação podem alterar as propriedades da lama. e a estimativa da concentração de magnésio por diferença da dureza total. o H 2S é neutralizado. 400. A aplicação de cloreto de potássio em conjunto com polímeros para estabilizar o poço gerou a necessidade de criar métodos de campo para a determinação de potássio.mg/l) = ----------------------Vol. Profa. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . da amostra (ml) +2 Mg +2 243. assim como detectar a presença de H 2S na formação que está sendo perfurada. É utilizado o método “Garret Gas Train” – GGT. Potássio. Em fluidos de perfuração alcalinos. Os produtos químicos presentes na água disponível para a preparação do fluido de perfuração pode afetar a seleção do fluido. a concentração de potássio em uma amostra de filtrado da lama é estimado pela titulação com Brometo de cetil trimetil amônio.QUI0091 . cloretos e dureza para caracterizar a água. A estimativa de sulfeto é feita com o objetivo de minimizar/controlar a corrosão e os possíveis danos à equipe. Usualmente são realizadas as análises de alcalinidade.8 x V2 Dureza total (Eq. e pode ser detectado como sulfetos solúveis no filtrado. Ca . da amostra (ml) 400.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO separado do cálcio. Análise da água. da amostra (ml) Sulfetos.8 x V1 (EDTA.

Efeito das propriedades da lama sobre a velocidade de penetração da broca. de forma que a velocidade de circulação seja diminuída e (b) utilizando um fluido a base de polímeros com baixo teor de sólidos.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO PARTE 3: REOLOGIA DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO 3. é necessário revisar os mecanismos básicos envolvidos. Minimizar os custos do bombeamento 2. cujas propriedades de redução de fricção irão minimizar as perdas de pressão devido à turbulência. Maximizar a velocidade de penetração da broca 3. Diminuir as pressões no poço e a requerida para circular o fluido 5. Minimizar a erosão do poço Capacidade de bombeamento. Antes de iniciar a discussão sobre as propriedades reológicas ótimas para remover os cascalhos. há apenas duas formas de reduzir a perda de carga no interior do tubo: (a) aumentando a capacidade de carreamento do fluido. A capacidade de bombeamento deve ser grande o suficiente para manter uma velocidade alta na seção do anular mais larga. de forma a transportar os cascalhos de forma eficiente. Baixos valores de viscosidade é o fator mais importante para promover uma alta velocidade de penetração. Deslocar os cascalhos gerados eficientemente 4. Separar os sólidos perfurados e gás aprisionado no fluido na superfície 6. A velocidade na qual uma coluna de fluido desloca as partículas de sólido para a superfície depende da diferença entre a velocidade do fluido e a Profa.1 Propriedades reológicas necessárias para desempenho ótimo O engenheiro de perfuração controla as propriedades do fluido para: 1. A perda de carga nos orifícios da broca não é afetada pelas propriedades reológicas. A potência da bomba necessária para realizar esse trabalho dependerá quase completamente das condições de fluxo no interior do tubo de perfuração e nos orifícios da broca. Com relação à reologia. Limpeza do poço. da ordem de 105 s-1. A viscosidade relevante é a correspondente à taxa de cisalhamento que ocorre na broca.QUI0091 . devido ao escoamento turbulento nessas regiões. e a perda de carga no interior do tubo de perfuração é apenas afetada em pequena extensão. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN .

a menos que o Profa. porém. Em escoamento turbulento.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO velocidade de sedimentação das partículas sob a influência da gravidade. o número de Reynolds é dado por: Onde dp é o diâmetro da esfera. por dois motivos: (a) há uma variação grande em tamanho das partículas que possuem também formas irregulares e (b) os fluidos de perfuração costumam apresentar comportamento não newtoniano. Sob fluxo laminar. (b) do tamanho e a forma da partícula. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . que depende: (a) da diferença de densidade entre a partícula e o líquido. f é a densidade do fluido e µ é a viscosidade do fluido. os cascalhos se depositam quando a circulação é parada. a velocidade de queda terminal é dada pela fórmula de Rittinger: = 9√( ) Prever a velocidade terminal dos cascalhos perfurados é muito mais difícil. a velocidade de sedimentação é finita. Durante a perfuração. Em um fluido newtoniano. A partícula em queda rapidamente adquire uma velocidade constante. somente um pequeno percentual dos cascalhos alcançam a parte inferior do poço. a velocidade de escoamento terminal é dada pela lei de Stokes: x Onde p é a densidade da partícula. As velocidades terminais em escoamento turbulento são mais fáceis de serem previstas pelo fato de não serem dependentes das propriedades reológicas. vt é a velocidade de queda terminal. (c) da viscosidade do líquido. No caso de esferas caindo em um fluido newtoniano. independente da viscosidade. (d) se a velocidade de queda é suficiente para causar turbulência na vizinhança da partícula. devido ao enorme comprimento da coluna.QUI0091 . conhecida como velocidade de queda terminal.

as partículas podem “deslizar” ao longo da coluna. Quando criada pela diferença em S. então . Em um fluido não newtoniano.51. como mostrado na Figura 5. é necessário o aumento da força gel com o tempo. devido ao perfil parabólico da velocidade no regime laminar. a razão de transporte é fortemente dependente da viscosidade da lama. Dessa forma. vc = va .QUI0091 . a eficiência de limpeza do poço é definida em termos da razão de transporte. Profa. que submete as partículas a forças diferentes. Para que isso ocorra. A força gel inicial de muitos fluidos é muito baixa para manter em suspensão grandes cascalhos. a rotação do drill pipe melhora a razão de transporte. Uma partícula será deslocada para a superfície se a velocidade do fluido for maior que a velocidade de sedimentação da partícula. Entretanto. indicada abaixo.53). va é a velocidade do fluido no anular e vs é a velocidade de deslizamento das partículas. Em geral. a velocidade de sedimentação depende da diferença entre a tensão ( densidade ( - ) e a força gel do fluido (S). Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . Uma explicação para a pobre razão de transporte é a tendência das partículas sofrerem “reciclagem”. = razão de transporte = 1- A Figura 5. devido ao movimento helicoidal em torno do tubo (Figura 5.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO fluido alcance a viscosidade da água. a uma dada velocidade.50 mostra que a razão de transporte tende a um valor constante com o aumento da velocidade do anular e. provavelmente. de forma que a velocidade de deslocamento das partículas para a superfície é menor que a velocidade do fluido no anular.vs onde vc é a velocidade média de deslocamento do cascalho. e os cascalhos se mantêm em suspensão.

Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN .COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO Profa.QUI0091 .

Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN .COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO Profa.QUI0091 .

Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . Embora qualquer velocidade maior que a velocidade de sedimentação dos cascalhos de maior tamanho possa deslocar os cascalhos até a superfície.QUI0091 . a concentração de cascalhos depende da razão de transporte.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO Velocidade ótima no anular. uma velocidade baixa no anular pode levar a uma concentração indesejável e relativamente grande de cascalhos no anular. Devido ao “deslizamento” das partículas. assim como da taxa de escoamento volumétrico e da taxa de geração de Profa.

No caso de rochas fraturadas ou em formações reativas (passíveis de interação com os fluidos de perfuração) ocorrerá alargamento do poço com o aumento da velocidade no anular. a velocidade no anular é limitada pelas seguintes considerações: 1. A “viscosidade estrutural” dificulta a separação dos cascalhos e dos gases. e diminui nas regiões de menor diâmetro. As altas taxas de cisalhamento que prevalecem nos separadores mecânicos e degaseificadores promovem a liberação dos sólidos e gases pela redução da viscosidade estutural. 3. As partículas não sedimentarão e os gases não emergirão do fluido a menos que a tensão criada pela diferença de densidade entre as partículas ou os gases e o fluido seja maior que a força gel do fluido. 2.50). Entretanto. onde a velocidade do fluido é baixa. Em geral.QUI0091 . Liberação dos cascalhos e dos gases retidos no fluido. A taxa de aumento da razão de transporte cai a altas velocidades no anular (Figura 5. um fluido de perfuração com uma “viscosidade estrutural” – como indicado por uma razão LE/VP alta ou por um baixo índice de comportamento (n) – é desejável para a limpeza do poço. onde a velocidade do fluido é alta. Experiências têm mostrado que concentração de cascalhos maior do que cerca de 5% causa estreitamento do poço e prisão do tubo. Esse fluido será pseudoplástico (shear thinning). Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . Entretanto. de forma que a viscosidade efetiva aumentará nas regiões alargadas. sem causar alargamento excessivo do poço. Profa. é preferível manter a limpeza adequada do poço pelo aumento da velocidade no anular do que pelo aumento da viscosidade. Considerando que a taxa de penetração da broca diminui com o aumento da viscosidade. Altas velocidades de circulação envolvem altos custos de bombeamento porque a perda de carga no interior do tubo aumenta com o quadrado da velocidade no escoamento turbulento. em algumas formações geológicas. quando a circulação é parada por algum motivo. Propriedades reológicas ótimas para limpeza do poço. as perfurações podem ser feitas com água em escoamento altamente turbulento.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO cascalhos pela broca. Altas velocidades no anular podem provocar erosão na parede do poço.

minimizar possíveis danos à formação na região potencialmente produtora. o que pode resultar em uma operação cara de “pescaria”. através da qual apenas o filtrado pode passar. Profa. Rebocos espessos também podem provocar prisão de ferramenta por diferencial de pressão. assim. tais como excessivo torque durante a rotação do tubo. O fluido de perfuração deve ser tratado de forma a manter a permeabilidade do reboco a mais baixa possível. como o objetivo de garantir a estabilidade do poço e reduzir a invasão do filtrado e.QUI0091 . porque a limpeza do poço pode ser feita com um fluido de baixa viscosidade e. excessivo arraste quando o tubo é puxado e altas pressões surgentes quando o tubo é recolocado no poço. o que reduz o diâmetro efetivo do poço. que proporcionem um gel que seja suficiente para manter os cascalhos em suspensão durante uma parada de circulação. Altos valores de LE/VP são obtidos. a viscosidade e as forças géis deverão ser aumentadas para limpar o poço. etc. mas que sejam passíveis de quebra rapidamente quando perturbados. diminuindo VP. PARTE 4: PROPRIEDADES DE FILTRAÇÃO Com o objetivo de evitar o influxo dos fluidos da formação no poço. provocando vários problemas. como pode ser inevitável em algumas formações. nesse caso. formando uma “torta” (cake) de permeabilidade relativamente baixa. Uma infiltração do fluido de grande extensão geralmente não ocorre. Esses requisitos reológicos conflitantes serão minimizados pelo uso de fluidos pseudoplásticos. Se o poço se alarga. mas isso provocará redução diminuição de velocidade de penetração da broca. o progresso da perfuração é alto e os problemas podem ser poucos. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . a pressão hidrostática da coluna de lama deve ser maior que a pressão dos fluidos nos poros da formação. preferencialmente. Esses fluidos terão alta razão LE/VP e baixo n. porque a fração sólida do fluido é filtrada na superfície da parede do poço. Além disso. o fluido de perfuração tende a invadir a formação permeável. altas permeabilidades do reboco provocam rebocos espessos. O objetivo primário do engenheiro de perfuração deve ser manter a estabilidade do poço. pressões surgentes.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO A importância da estabilidade do poço. Conseqüentemente.

então. Então. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN (6. h = espessura em cm.3) Onde. P = pressão diferencial em atm. Filtração estática A teoria da filtração estática. 1 – x volumes da retorta (sólidos + líquido) serão depositados sobre o substrato. Então. = x x t Integrando: = Profa.4) .QUI0091 . se Qc é o volume da retorta e Qw é o volume de filtrado: = (6.2) De acordo com a Lei de Darcy (K= Q(mL/seg)* = (cP)*L(cm) / A(cm2)*DP(atm)). 1. e x volumes do filtrado são registrados. Se um volume unitário de uma suspensão de sólidos estável é filtrada através de um substrato permeável. e a filtração dinâmica acontece quando o fluido está circulando e o reboco sofre influência da erosão provocada pelo fluxo do fluido.1) E a espessura da retorta (h) por unidade de área em um tempo unitário será dada por: h= Qw (6. A filtração estática acontece quando o fluido não está sendo circulado. = viscosidade do filtrado em cP.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO Dois tipos de filtração podem ocorrer durante a perfuração de um poço: filtração estática e filtração dinâmica. k= permeabilidade em Darcy. q = volume do filtrado em cm 3 e t = tempo em segundos. e o reboco cresce sem perturbações. (6.

Relação entre volume de filtrado e o tempo. Para muitos fluidos.QUI0091 . mas ele pode ser significativo na rocha porosa. temos: = x t (6. A partir desse ponto. o resultado aproximado é suficiente para objetivos práticos. A intercessão com o eixo y marca o erro a tempo zero (zero error). esse erro a tempo zero é pequeno e freqüentemente negligenciado. apenas o filtrado passa pelo papel. pode-se considerar: Qw – q o = A √ (6. = x t (6. Qw/Qc e k se mantêm constantes ao longo do tempo. Se um fluido de perfuração for filtrado através de um papel de filtro à temperatura e pressão constantes.1 mostra um gráfico típico do volume de filtrado cumulativo em função do tempo. A Figura 6. comumente chamado de “mud spurt” (surto de lama).8) . e a curva segue um perfil linear.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO Ou seja. Para uma dada pressão. Q w é proporcional a √ . Embora isso não seja rigorosamente verdadeiro para todas as lamas. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN (6. Isso significa que. até que elas obstruam os poros do papel. para um dado fluido.6) Que é a equação fundamental que governa a filtração sob condições estáticas.7) Onde qo é o erro a tempo zero e C é uma constante dada por: C= Profa. é causado pela filtração das partículas sólidas menores que compõem os fluidos de perfuração através do papel de filtro. Esse erro a tempo zero.5) Se a área do filtrado é A.

5 minutos.QUI0091 . e duplicando o volume obtido. sob condições padrão também. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . Qw30 – qo = (Qw1 – qo) √ √ Por exemplo. As condições recomendadas pela API são:  Tempo: 30 minutos  Pressão: 100 psi  Área da retorta: 7 in2 (45 cm2) O volume de filtrado acumulado em 30 minutos pode ser previsto pelo volume Q w observado a um tempo t1. o volume de filtrado a 30 minutos é algumas vezes previsto pela medida do volume de filtrado a 7. considerando que √ /√ = 2. as propriedades de filtração de diversos fluidos podem ser avaliadas medindo-se o volume de filtrado acumulado em um tempo padrão. a partir da equação abaixo. Profa.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO Assim.

De acordo com a Equação 6. e diminui com o aumento da pressão. e em um gráfico Qw x P em escala logarítmica (log x log). de forma que a permeabilidade não se mantém constante. assumindo que todos os demais fatores permaneceram constantes.5. o volume de filtrado deveria ser proporcional a √ . Shale = xisto Profa.QUI0091 . como mostrado na Figura 6. Assim.6. Qw Px Onde o expoente x varia com a lama e é sempre menor que 0.5.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO Relação entre pressão e volume de filtrado. essa condição nunca é obtida porque o reboco formado apresenta certa compressibilidade. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . seria obtida uma reta com coeficiente angular igual a 0. Entretanto.2.

Como resultado desses efeitos. assim alterando a permeabilidade do reboco. A razão para esse comportamento é que a bentonita é quase completamente composta de placas finamente divididas de montmorillonita. A relação Qw/Qc na Equação 6.9. são tão compressíveis que x é zero. a permeabilidade do reboco é reduzida em maior extensão do que seria caso as partículas fossem esferas rígidas. No caso dos fluidos base óleo. Em primeiro lugar.9.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO O valor do expoente x depende fortemente do tamanho e forma das partículas que compõem o reboco. A relação específica entre a espessura do reboco e o volume de filtrado depende do tipo de lama. Qw2 = Qw1 √ (6. por exemplo. são maiores. os volumes de filtrado podem ser maiores ou menores que os previstos pela Equação 6. porém. 2.QUI0091 . geralmente. O volume de filtrado diminui com Profa. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . como mostra a Equação 6. Assim. outro fator entra em jogo: o aumento da viscosidade do filtrado com o aumento da pressão.9) Relação entre temperatura e volume de filtrado. O reboco Espessura do reboco. como mostra a Equação 6. O aumento da temperatura pode aumentar o volume de filtrado de diferentes formas. assim.6 depende da concentração de sólidos no fluido e da quantidade de água retida no reboco. Mudanças na temperatura também podem afetar o volume de filtrado através de mudanças no equilíbrio eletroquímico que governa o grau de floculação e agregação. a viscosidade do filtrado diminui e. que tendem a se alinhar de forma mais paralela ao substrato com o aumento da pressão. Rebocos de bentonita. e a velocidade de degradação aumenta com o aumento de temperatura. e Qw é constante com relação à P.9. o volume de filtrado aumenta. que tende a reduzir a perda de filtrado. Muitos produtos orgânicos utilizados como controladores de filtrado começam a se decompor em temperaturas próximas de 212 oF (100 oC). A espessura do reboco é proporcional ao volume de filtrado. A degradação química de um ou mais componentes do fluido é o terceiro mecanismo pelo qual as altas temperaturas podem afetar as propriedades de filtração dos fluidos.

mas o volume do reboco aumenta.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO o aumento da concentração de sólidos. Em uma menor extensão. a espessura do reboco é determinada pelo tamanho da partícula e a distribuição do tamanho de partícula. Profa. o volume de filtrado relativo ao volume do grão. o reboco desses fluidos tem uma alta razão água/sólidos. como mostrado na Figura 6.QUI0091 .4. Esses parâmetros controlam a porosidade do reboco e. e a razão Qw/Qc é baixa. Assim. assim. A quantidade de água retida no reboco de fluidos que contenham diferentes tipos e argila depende das propriedades de inchamento do argilomineral envolvido. Bentonita. tem alto poder de inchamento. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . por exemplo.

Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN .7 e 6. (6. Os fluidos com maior fração coloidal (Figura 6.99 x 10-3 md (6. porque as partículas menores empacotam mais densamente nos poros entre as partículas maiores. A em cm2 e µ em cP.8). Um excesso de partículas pequenas resulta em uma porosidade menor do que um excesso de partículas grandes. Assim. É o parâmetro que mais verdadeiramente reflete o comportamento da filtração. como abaixo.5 a 0. A permeabilidade do reboco. t em segundos. Os fluidos de perfuração contêm quantidades substanciais de colóides.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO Porosidades mínimas são obtidas quando há um gradiente de tamanho de partículas.10) Quando Qw e Qc são expressos em cm3. A permeabilidade do reboco é o parâmetro fundamental que controla tanto a filtração estática quanto a dinâmica.6. Misturas com ampla variedade de tamanho de partículas apresentam menor porosidade do que misturas com uma distribuição mais estreita de tamanho de partículas. Fazendo algumas determinações da permeabilidade do reboco sobre arenitos de permeabilidade entre 10 e 14000 md. P em atmosferas.11) Efeito do tamanho e da forma da partícula na permeabilidade do reboco.10 torna-se: x 1.31 x 10 -3 md. comprovou-se que a velocidade de filtração é dependente apenas da permeabilidade do reboco. A permeabilidade do reboco diminui com a diminuição do diâmetro médio das partículas e com o aumento da distribuição em tamanho das partículas (Figuras 6. enquanto que os fluidos sem Profa. a permeabilidade do reboco depende muito da proporção e propriedades da fração coloidal.QUI0091 . a Equação 6.9a) apresentam permeabilidades da ordem de 1. já que a permeabilidade do reboco é muitas vezes menor que a permeabilidade da formação. A permeabilidade do reboco pode ser determinada a partir de um rearranjo da Equação 6.

impedindo o escoamento. como a carboximetilcelulose. devido à natureza plana e arranjo em forma de filme das plaquetas da argila. No caso de fluidos argilosos em água doce. são parcialmente adsorvidos nas argilas e parcialmente aprisionados nos poros. como o amido. a permeabilidade é excepcionalmente baixa. Profa. devem a sua eficiência à capacidade de deformação das partículas e ao seu pequeno tamanho (coloidal). Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN .QUI0091 .9b) apresentam permeabilidades tão altas que não podem ser medidas. A permeabilidade do reboco é influenciada pelo tipo.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO colóides (Figura 6. Polieletrólitos. As macromoléculas orgânicas. que permitem o seu firme empacotamento em direção normal ao fluxo. quantidade e tamanho da partícula coloidal.

Essas gotas de água estabilizadas pelo emulsificante agem como sólidos deformáveis. o controle da filtração é obtido pela formação de gotas de água em óleo emulsionadas por ação de um emulsificante. mais essa estrutura tridimensional é achatada. Quanto maior a pressão de filtração. A floculação dos fluidos de perfuração causa a associação das partículas em uma rede tridimensional. Essa estrutura persiste por certo tempo no reboco. Efeito da floculação e agregação na permeabilidade do reboco.QUI0091 . mais forte será a estrutura e mais resistente à pressão (Figura 6. causando considerável aumento na permeabilidade. produzindo rebocos de baixa permeabilidade. de forma que a porosidade e a permeabilidade do reboco diminuem.10). Quanto maior o grau de floculação.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO Nos fluidos não aquosos. Profa. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . maior a intensidade das forças atrativas entre as partículas.

a suspensão 1 na Figura 6. Por exemplo.QUI0091 .10 contém somente 0.4 g/L de cloreto no filtrado. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . suficiente para formar apenas uma floculação fraca. A suspensão 2 foi obtida pela adição de 35g/L de cloreto de Profa.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO A estrutura é ainda mais forte se a floculação for acompanhada de agregação. já que uma estrutura mais compacta é formada.

mesmo a altas pressões de filtração. Profa. a permeabilidade e a porosidade do reboco da suspensão 2 foram consideravelmente maiores do que as da suspensão 1.QUI0091 .COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO sódio à suspensão 1. o que foi suficiente para causar uma forte floculação e agregação. Conseqüentemente. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN .

ele pode ser infinito (ou seja. Partículas maiores que a abertura do poro não podem penetrar nos poros e são “varridas” pelo fluxo da lama. Um reboco interno estendendo um conjunto de grãos para o interior da formação Profa. a menos que o fluido contenha partículas de tamanho suficiente para conectar os poros da rocha. três zonas de partículas do fluido são estabelecidas sobre ou no interior da formação permeável (Figura 6. O período de surto de lama é muito curto. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . a de um fluido de água doce não tratado é de 10 -3 md e a de fluidos tratados com afinantes é de 10-4 md. Em seguida. se observa um surto de lama (mud spurt). dispersando os agregados de argila e reduzindo a permeabilidade. formando uma ponte no interior dos poros. em seguida. Pode-se dizer que as condições eletroquímicas que prevalecem nos fluidos de perfuração são os fatores que mais influenciam a permeabilidade do reboco. Durante a perfuração de um poço. mas partículas de um certo tamanho crítico ficam retidas em gargalos nos canais de fluxo. a defloculação de um fluido por adição de um agente afinante causa uma diminuição na permeabilidade do reboco. Como resultado do processo descrito acima. ficando aprisionadas.QUI0091 .COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO Por sua vez. Muitos afinantes são sais de sódio. Somente partículas de certo tamanho relativo ao tamanho de poro podem formar a “ponte”. No momento em que uma ponte primária é formada. a permeabilidade do reboco de um fluido floculado é da ordem de 10 -2 md. Um reboco externo sobre a parede do poço 2. 1. e os íons sódio podem deslocar os cátions polivalentes trocáveis da superfície da argila. e. No início do teste de filtração realizado em laboratório. De uma forma geral. estabelecer uma base sobre a qual o reboco será formado. O processo de ponte. assim. a circulação do fluido pode ser perdida). apenas o filtrado invade a formação. o surto de lama pode ser muito maior quando a filtração ocorre em rochas de alta permeabilidade: na verdade. sucessivamente as partículas menores vão se depositando. Partículas consideravelmente menores que a abertura dos poros invadem a formação sem obstáculos. o volume de filtrado se torna proporcional a √ .11). antes mesmo que a filtração propriamente dita aconteça e.

COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO 3. 3. Uma zona invadida pelas partículas finas durante o surto de lama. De T o a T1. a velocidade de crescimento diminui com o passar do tempo.12. a velocidade de filtração é muito alta e o reboco cresce rapidamente. Filtração dinâmica Sob as condições da filtração dinâmica. até se igualar à velocidade da erosão. De T 1 a T2 a espessura do reboco permanece constante. quando a espessura do reboco fica constante. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . a velocidade de filtração diminui e a espessura do reboco aumenta. que geralmente se estende em torno de uma polegada no interior da formação.QUI0091 . mas a velocidade de filtração continua a Profa. o crescimento do reboco é limitado pela ação da erosão da corrente do fluido. Entretanto. Resultados experimentais indicam que essas partículas finas não causam significativo impacto à permeabilidade inicialmente. Os vários estágios da filtração dinâmica são mostrados na Figura 6. mas isso pode acontecer após algumas horas de filtração. provavelmente devido à migração e conseqüente bloqueio de poros. Quando a superfície da rocha é inicialmente exposta.

porque a espessura do reboco continua a compactar. Filtração no poço O ciclo de filtração em um poço em perfuração. Em T 2. Filtração abaixo da broca. Durante a perfuração de um poço. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . as condições de equilíbrio são alcançadas. A quantidade de filtrado que invade a formação em condições estáticas é pequena. trocar a broca. a filtração acontece sob condições dinâmicas enquanto a lama está circulando. mesmo durante paradas prolongadas. de forma que a velocidade de filtração diminui e a espessura do reboco aumenta. etc. Profa.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO diminuir. devido à erosão provocada pelos jatos de fluido e porque a todo o momento uma nova superfície da rocha é exposta. Um reboco “estático” é depositado sobre o reboco “dinâmico”. e tanto a velocidade de filtração quanto a espessura do reboco permanecem constantes. e sob condições estáticas quando a circulação é interrompida para fazer conexões.QUI0091 . Pouco reboco é formado abaixo da broca. 4.

COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO Avaliação da velocidade de filtração no poço. o filtrado API diminui continuamente com a adição dos controladores de filtrado. A pouca correlação entre o filtrado API e a velocidade de filtração dinâmica coloca em dúvida a validade dos testes API como critério de avaliação de filtração no poço. Profa. comparativamente baixas velocidades de filtração dinâmica são observadas em fluidos contendo lignosulfonatos e quebrachos. e o reboco desses fluidos são macios. Diferenças na erosão sofrida pelos rebocos – Comparativamente altas velocidades de filtração dinâmica são observadas em todos os testes com fluidos não aquosos. mas a filtração dinâmica diminui a um mínimo e depois aumenta. observou-se que: há uma relação diferente entre a filtração dinâmica e a filtração API para cada controlador de filtrado (Figura 6.QUI0091 .21). Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . Além disso. A pobre correlação entre o filtrado API e a velocidade de filtração dinâmica é devido a dois fatores: 1. Adicionando quantidades crescentes de vários agentes redutores de filtrado a fluidos convencionais de argila e medindo as mudanças no equilíbrio da filtração dinâmica e comparando com os resultados da filtração API. Por outro lado. Esses aditivos são fortemente adsorvidos na superfície das argilas.

Um controlador de filtrado recomendado com base no filtrado API pode propiciar maior velocidade de filtração dinâmica que outro que deu maior filtrado API. Nesse último caso. enceramento de broca por argilas plásticas e formação de danos pelo filtrado. Diferenças na razão volume de filtrado/volume do reboco – Esse parâmetro afeta o filtrado API (Equação 6. também. Tensão superficial também ocorre nos limites entre um sólido e um gás. entre um sólido e um líquido e entre dois líquidos imiscíveis.1. a espessura de equilíbrio do reboco depende somente da capacidade do reboco sofrer erosão. A interpretação dos resultados pode ser melhorada se a permeabilidade do reboco for determinada. afetam muitos outros aspectos da tecnologia dos fluidos de perfuração. 5.QUI0091 . Apesar das limitações do filtrado API. O perigo de se considerar o filtrado API como critério de seleção para o controle da filtração dinâmica é óbvio. PARTE 5: A QUÍMICA DE SUPERFÍCIES NOS FLUIDOS DE PERFURAÇÃO As forças de superfície controlam fortemente o comportamento de argilas em suspensão.1). E. mas não afeta a velocidade de filtração dinâmica. a tensão é freqüentemente chamada tensão interfacial. considere duas placas de vidro separadas por uma fina camada de água (Figura 7. A força de contração dessa membrana imaginária é conhecida como tensão superficial. Uma Profa. Tensão superficial A interface entre um líquido e um gás se comporta como se fosse uma membrana elástica estirada.6). As únicas variáveis que afetam a filtração dinâmica são a permeabilidade e a espessura do reboco. para uma dada permeabilidade. . Para ilustrar a natureza dessa força de contração da tensão superficial. E. o teste API é o único teste prático para se avaliar a filtração em um poço. ou um aditivo que reduziu o filtrado API pode aumentar a velocidade de filtração no poço. como formação de emulsões e espumas.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO 2. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN .

2). a força de contração do menisco é balanceada pela coluna hidrostática do líquido.  é o ângulo de contato e r é o raio do capilar. e é expressa em dyne/cm. em que g é a constante gravitacional. h é a altura no equilíbrio.  é a densidade do líquido. O método mais comum é através do uso do tensiômetro de DuNouy. como indicado abaixo. r2gh = 2rcos Profa. ou em ar.  é a tensão superficial. Medida de tensão superficial. Tensão superficial é definida como a força que age perpendicularmente a uma seção de superfície a uma distância de um centímetro. que mede a força necessária para deslocar/remover um anel através da superfície do líquido. Esse fenômeno é chamado atração capilar.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO força deve ser aplicada para afastar as duas placas por causa da força de contração na periferia das placas. A tensão superficial absoluta pode ser medida em vácuo. mas é mais conveniente fazer a medida na atmosfera do seu próprio vapor. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN (7.1) . Outro método consiste em medir a altura que um líquido sobe espontaneamente em um tubo capilar (Figura 7. No equilíbrio.QUI0091 .

2) A Equação 7. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN .1 pode ser reescrita como: gh =   (7.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO A tensão superficial é então dada por: = (7.3) O termo gh é a força que conduz o líquido para o interior do capilar e é chamada de pressão capilar.QUI0091 . Profa.

Profa. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . ou seja. 2. e  é o ângulo de contato entre a interface ar .3 = tensão superficial entre o ar e o vidro.QUI0091 .4) = Onde 1. Molhabilidade Quando uma gota de líquido é colocada sobre uma superfície. dependendo do balanço de forças mostrado na Figura 7.2. A água molha o vidro por que: (7.3a. ela pode ou não se espalhar sobre essa superfície.2 = tensão superficial entre a água e o vidro. ela pode ou não molhar a superfície.3 = tensão superficial entre o ar e a água.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO 5. 1.água e o vidro.

o vidro é preferencialmente molhável à água com relação a vários óleos. A água sobe espontaneamente no interior de um tubo capilar de vidro porque o vidro é molhado pela água na presença do ar. o sólido é crescentemente preferencialmente molhável ao óleo. Capilaridade e molhabilidade. De acordo com a Equação 7. e 2. Líquidos. A água deslocará o óleo através de um capilar de vidro espontaneamente. e uma pressão precisa ser aplicada para que isso aconteça.3 corresponderia à tensão interfacial.  é maior que 90o. dependendo das tensões relativas entre os líquidos e o sólido e da tensão interfacial. o sólido torna-se decrescentemente molhável à água conforme  aumenta de 0 para 90o. 1. Na Figura 7. a 90o. cos  é negativo.4.4. em outras palavras. como o mercúrio. a pressão capilar é negativa.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO Quando o líquido não molha a superfície.QUI0091 . Similarmente. as molhabilidades são iguais.3 e 1.2. que não molham o vidro não subirão espontaneamente no capilar. um líquido terá a preferência sobre o outro em molhar a superfície. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . Profa. seriam as respectivas tensões entre os líquidos e o sólido. e acima de 90 o. Se dois líquidos imiscíveis são justapostos sobre uma superfície. O ângulo  indica a molhabilidade preferencial.

Se um líquido molha uma superfície.6.QUI0091 . por exemplo.7) . Energia livre de superfície Os fenômenos de superfície também podem ser discutidos em termos de energia livre de superfície. O trabalho de coesão é o trabalho de um líquido se espalhar sobre si próprio e. FS = energia livre de superfície do sólido. FL = energia livre de superfície do líquido. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN (7. Esse efeito tem uma repercussão importante na permeabilidade relativa dos reservatórios de petróleo.4. Termodinamicamente. ele é igual a 2FL. assim como nos impactos de produtividade causados pelos filtrados da lama. 5. quando a água sobe em um capilar de vidro.W coesão = FS – FL – FSL Profa. ele baixa a energia livre e. 5. Por outro lado. Energia livre existe em todas as superfícies devido à perda de equilíbrio das cargas em torno das moléculas na superfície. quando um sólido é quebrado. as ligações químicas são quebradas e cargas de superfície eletrostáticas são criadas. Assim. Em outras palavras.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO enquanto que uma pressão precisará ser aplicada para o óleo deslocar a água. ele executa um trabalho como. o trabalho de adesão deve ser maior do que o trabalho de coesão. assim. O critério para a adesão é então: Wadesão . Por exemplo. a criação de novas superfícies envolve um aumento de energia livre. FSL = energia livre de superfície da nova interface gerada. pela Equação 7. Adesão Um líquido será adsorvido em um sólido se as forças de atração das moléculas pela superfície sólida forem maiores do que as existentes entre as moléculas do líquido.6) Onde W adesão é o trabalho de adesão. esse critério pode ser expresso por: Wadesão = FS + FL – FSL (7.3. trabalho deve ser fornecido para quebrar um sólido. ou para criar novas superfícies.

Eles são usados em fluidos de perfuração como emulsificantes. formadores de espumas. baixando a energia livre de superfície. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . Eles são freqüentemente um sal de uma amina graxa ou poliamina. como o oleato de sódio: Os surfactantes não iônicos são longas cadeias de polímeros que não se dissociam.8) 5. a atração eletrostática faz com que os surfactantes catiônicos sejam mais fortemente Profa.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO Então.5. aniônicos ou não iônicos. Os catiônicos se dissociam em um cátion orgânico de alta massa molar e um anion inorgânico. Os surfactantes podem ser catiônicos. por exemplo. Esses produtos são assim chamados porque adsorvem nas superfícies e interfaces. por exemplo. quebradores de espumas e para diminuir a hidratação das superfícies de argilas. O exemplo clássico é um sabão.QUI0091 . Surfactantes O termo surfactante representa a contração das palavras “surface active agent”. o poli (óxido de etileno): Como a superfície das argilas e da maioria das rochas tem natureza aniônica. o líquido sofrerá adesão se: FS FL + FSL (7. cloreto de trimetil dodecil amônio: Os surfactantes aniônicos se dissociam em um anion orgânico de alta massa molar e um cátion inorgânico simples. agentes molhantes.

Os surfactantes não iônicos competem com a água pela adsorção nas superfícies basais dos cristais de argilas. A porção lipofílica se solubiliza na parte oleosa da interface.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO adsorvidos. A Figura 7. Outros surfactantes não iônicos são adsorvidos nas interfaces óleo-água. mais solúvel em água é a molécula.6 ilustra como a molécula é deslocada cada vez mais para a fase aquosa à medida que o comprimento da cadeia de poli (óxido de etileno) e. aumenta. Já os surfactantes aniônicos são adsorvidos nos sítios positivos nos terminais dos látices cristalinos das argilas e nas interfaces óleo/água. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . conseqüentemente o valor de HLB. Dois fatores ajudam na determinação da aplicabilidade desses surfactantes: a identidade química das duas cadeias e o número HLB. Tanto o HLB quanto a identidade química servem apenas como guias para a seleção dos surfactantes não iônicos. enquanto a porção hidrofílica se solubiliza na fase aquosa. A seleção final deve ser baseada em evidências experimentais. Profa.QUI0091 . Quanto maior o HLB. HLB (hydrophilic lipophilic balance) é definido como ( a razão em peso entre a porção hidrofílica e a lipofílica ). Esses compostos consistem em uma cadeia lipofílica (solúvel em óleo) ligada a uma cadeia hidrofílica (solúvel em água). limitando a expansão de argilas como bentonita.

Emulsões A tensão interfacial entre o óleo e a água é muito alta. Profa.6. permite que um líquido forme uma dispersão estável de pequenas gotas no outro líquido. e um bom emulsificante baixará esse valor a cerca de 10 dynes/cm. eles se separam imediatamente quando a agitação cessa. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . pela adição de um surfactante. Quanto menor a tensão interfacial. menor o tamanho das gotas e mais estável é a emulsão. A diminuição da tensão interfacial. Assim. para minimizar a área interfacial. A tensão interfacial entre um óleo mineral e a água é em torno de 50 dynes/cm.QUI0091 .COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO 5. se os líquidos são misturados mecanicamente.

Profa. porque suas moléculas são adsorvidas nas interfaces óleo/água. Essa película age como barreira física. A formação de “emulsões inversas”. formando uma película em torno das gotas (Figura 7. Além de reduzir a tensão interfacial.7). evitando a coalescência das gotas quando elas colidem. pode ser obtida pelo uso de um emulsificante adequado. o óleo é a fase dispersa e a água é a fase contínua (Figura 7. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . o emulsificante estabiliza a emulsão.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO Em muitas emulsões. em que a água é a fase dispersa.8).QUI0091 .

mas os aumentos maiores acontecem a partir de 40% da fase dispersa. Se a emulsão formada é do tipo óleo em água (O/W) ou água em óleo (W/O). Como a criação de novas superfícies envolve trabalho. como um oleato de sódio. Entretanto. algum grau de agitação mecânica é necessário para formar uma emulsão. formará Profa. um surfactante preferencialmente solúvel em água. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . Assim. O requisito mais importante de um misturador é que ele promova alta taxa de cisalhamento. A conseqüente repulsão mútua contribui para a estabilidade da emulsão. porque o número de colisões entre as gotas é diminuído. mas a carga pode ser mantida apenas em baixa salinidade. Similarmente. quanto menor a tensão interfacial. menor é o trabalho requerido.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO As gotas emulsionadas podem apresentar uma pequena carga eletrostática. isso dependerá da solubilidade relativa do emulsificante nas duas fases. A viscosidade de uma emulsão aumenta com o aumento na proporção da fase dispersa.QUI0091 . A estabilidade de uma emulsão aumenta com o aumento da viscosidade da fase contínua. a estabilidade diminui com o aumento da temperatura porque o número de colisões aumenta.

COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO uma emulsão O/W. porque baixará a tensão superficial do lado da água da interface óleo-água. e assim formam emulsões de água em óleo (W/O). Similarmente. enquanto um surfactante não iônico com um grupo lipofílico grande (HLB ~4) formará uma emulsão de água em óleo (W/O). e a interface se curva em direção ao lado de maior tensão superficial. formando gotas de óleo em água. Por outro lado. ácidos graxos de polioxietilenos. um surfactante não iônico com um grupo hidrofílico grande (HLB de 10 a 12) será mais solúvel na água. oleatos de cálcio e magnésio são solúveis em óleo. Dodecil sulfato de sódio ácidos graxos de polioxietilenos Profa. mas não são solúveis em água. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN .QUI0091 . Emulsificantes O/W típicos usados em água doce são alquil aril sulfonatos e sulfatos. ésteres e éteres. e formará uma emulsão O/W.

evitando a sua coalescência. tais como argila.QUI0091 . uma emulsão O/W dispersará rapidamente na água. Emulsões estáveis podem ser formadas sem a presença de um emulsificante. na interface óleo-água. Profa. mas pela adsorção de sólidos finamente divididos ou colóides. Se uma emulsão é O/W ou W/O pode ser facilmente determinada pela adição da emulsão a um becker contendo água. Uma “película” dessas partículas sólidas/colóides se posiciona ao redor das gotas dispersas. enquanto que uma emulsão W/O permanecerá em fase separada. Como essas partículas não reduzem significativamente a tensão interfacial. amido e outros.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO Uma emulsão de óleo em água pode ser quebrada pela adição de pequena quantidade de um emulsificante de água em óleo e vice versa. Se a fase contínua for água. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . CMC. elas são conhecidas como “emulsificantes mecânicos”.

enquanto que as partículas fortemente molháveis ao óleo continuarão na fase oleosa. O sal ioniza em água produzindo um cátion orgânico de alta massa molar e dois anions cloreto. como mostra a Figura 7. as “emulsões mecânicas” não são tão estáveis como as “emulsões químicas”. a emulsão mais estável é formada quando o ângulo de contato é igual a 90o. Cloreto de Nalquil trimetileno diamina é um exemplo típico.QUI0091 . Profa. de forma a permanecer parcialmente em cada fase. as partículas devem ser parcialmente molháveis á água e ao óleo. 5. Quando a estabilidade necessária não é alcançada. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . Para formar emulsões estáveis. Muitos fluidos de perfuração aquosos contêm as partículas finamente divididas necessárias para formar “emulsões mecânicas”. Agentes de molhabilidade ao óleo Compostos nitrogenados com cadeias carbônicas longas são os agentes de molhabilidade mais usados (para melhorar a molhabilidade ao óleo).COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO Partículas fortemente molháveis à água permanecerão na fase aquosa.7.9. o emulsificante químico é adicionado. Idealmente. sendo adsorvidas nas interfaces óleo-água. Entretanto.

a gota de óleo é atraída para a superfície. A diamina age como um emulsificante O/W. assim como um agente de molhabilidade. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . Profa. assim. Como muitas superfícies metálicas e de minerais apresentam uma carga superficial negativa. A cadeia apolar do cátion dissolve na fase oleosa.10. onde ela quebra. depositando um filme do óleo como mostrado na Figura 7.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO Onde R é um grupo alquil com 18 átomos de carbono. atribuindo uma carga positiva à gota de óleo. e o terminal contendo o nitrogênio polar estende para a água.QUI0091 .

Nas operações com sondas de produção é necessário o uso de algum fluido para possibilitar os trabalhos a poço aberto. Prevenção de dano à formação. OPERAÇÕES Profa. reduzir o torque ou inibir a corrosão. Fenômeno de capilaridade. Estes fluidos são dotados de certas propriedades físico-químicas de acordo com a intervenção programada. Após os trabalhos da perfuração é necessário uma ou mais intervenções no poço visando equipa-lo para produção e/ou injeção. Agentes de molhabilidade ao óleo são adicionados aos fluidos base óleo para evitar a molhabilidade da barita à água e sólidos perfurados. A lecitina costuma ser efetiva. PARTE 6: COMPLETAÇÃO Fluidos de completação.QUI0091 . assim.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO Agentes de molhabilidade são algumas vezes adicionados a emulsões de óleo em água com o objetivo de tornar a broca molhável ao óleo e. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN .

A conversão de um poço de produção em injeção ou vice-versa. atendendo a técnica e as normas de segurança. e o abandono temporário ou definitivo do poço. reduzir ou eliminar a produção de fluidos indesejáveis e corrigir falhas na cimentação ou no revestimento. RESTAURAÇÃO São as operações realizadas visando restabelecer as condições normais de fluxo do reservatório para o poço ou do poço para o reservatório. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . Injeção de bactericidas RECOMPLETAÇÃO Operação visando colocar em produção ou injeção nova zona do reservatório ou reabrir zona isolada anteriormente.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO COMPLETAÇÃO É o conjunto de operações realizadas no poço com objetivo de prepara-lo para a produção ou injeção.QUI0091 . LIMPEZA Operações realizadas no interior do revestimento com objetivo de substituir ou remover equipamentos de subsuperfície para otimizar o rendimento. Profa.

a produtividade ou injetividade. identificando a natureza dos fluidos. FLUIDOS DE COMPLETAÇÃO Os fluidos de completação entram em contato com as zonas de interesse após a perfuração do poço ou em operações posteriores com as seguintes funções: er a estabilidade da formação PROPRIEDADES ente Profa. AVALIAÇÃO Atividades executadas para definir parâmetros da formação. -lift” para avaliação.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO ESTIMULAÇÃO Operações realizadas visando aumentar a produtividade ou injetividade de uma rocha reservatório através da criação de fraturas artificiais. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN .QUI0091 .

2 a 0.QUI0091 .0 Lb/gal Estabilizador de argila (Polifix50 ou Clatrol)-29 litros / 180 bbls Desemulsificante (Ultrawet 70). Profa.29 litros / 180 bbls Bactericida-0. Esse fluido tende a ser mais econômico. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . viscosidade para remoção de sólidos decantados no poço e inibição de argilas pelo fluido perdido para a formação. Fluidos especiais com polímeros: Quando se necessita de fluido de completação com controle de filtração. no entanto pode causar severos danos à formação devido aos sólidos insolúveis e prejudicar operações de squeeze. como uma menor concentração de sólidos em suspensão e controle de filtrado e densidade mais rígidos.3 lb/bbl.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO -químicas CLASSIFICAÇÃO DOS FLUIDOS DE COMPLETAÇÃO FLUIDOS AQUOSOS inas (brines) Fluidos de perfuração modificados: São os fluidos utilizados na perfuração da zona de interesse com algumas propriedades alteradas. devido à disponibilidade no poço. Composição do fluido: Solução salina com densidade solicitada CMC AV ADS – 3. Apresentam limitações para temperaturas acima de 200 ºF e apresentam custo elevado.

Profa. É um fluido não corrosivo. SALMOURA OU FLUIDOS SALINOS Os fluidos mais utilizados são as soluções salinas. que exige cuidados no manuseio e sua baixa capacidade de carreamento de sólidos. Emulsões verdadeiras: São fluidos preparados com a dispersão de óleo em água. pois são quimicamente estáveis e economicamente viáveis. para impedir a separação das fases.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO FLUIDOS NÃO AQUOSOS Petróleo: O petróleo. alcançando peso específico de 7. formando uma emulsão. devido ao baixo peso específico. apresenta elevada estabilidade térmica e baixo teor de sólidos. é usado em reservatórios depletados ou com baixa pressão original. que não apresenta problemas com argilas. Possui peso específico intermediário entre a água e o óleo e excelente poder de sustentação com agentes gelificantes. O fluido filtrado é óleo. levando o óleo a grudar nas rochas da formação. Pode ser inflamável. Possui elevada estabilidade térmica e baixo filtrado. dependendo do óleo utilizado. emulsionantes. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . no entanto. A desvantagem deste fluido é sua inflamabilidade. Emulsões inversas: São fluidos onde a água é dispersa no óleo. As desvantagens são a necessidade de condições dinâmicas e o elevado índice de poluição. pode ocorrer um tipo de dano causado por inversão de molhabilidade.2 lb/gal. As soluções salinas podem ser de baixa densidade e alta densidade. onde pequenas gotículas de óleo ficam espalhadas e cercadas de água.QUI0091 . Necessitam dos agentes estabilizadores.

sendo portanto mais utilizado como estabilizador de argilas que adensante.QUI0091 .1 lb/gal CaCl2 .até densidade de 14.até densidade de 10 lb/gal KBr / KBr+KCl – até densidade de 10. O cloreto de potássio é um bom estabilizador de argilas. A obtenção de 1. obteremos 1.até densidade de 11.135 bbls de solução saturada é feita pela adição de 112.até densidade de 10.até densidade de 11.até densidade de 15.2 lb/gal CaBr2 + ZnBr2 .9 lb/gal Alta densidade NaCl +CaCl2 .0 lb/gal NaCl +KCl . 2) Solução de cloreto de potássio: São utilizadas em formações muito argilosas e hidratáveis.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO Soluções mais usadas: Baixa densidade KCl.133 bbls de solução saturada de aproximadamente 10 lb/gal a 60ºF. normalmente utilizado na concentração de 1 a 3%.6 lb/gal NaBr / NaBr+NaCl – até densidade de 12.até densidade de 9. sendo apenas necessário de 1 a 3% de concentração para efetividade.03 lbs de KCl em 1 bbl de água.2 lb/gal CaCl2+CaBr2 .7 lb/gal NaCl . Podemos obter soluções de até 10 lb/gal a 60 ºF . O aumento da concentração de KCl não influencia de maneira considerável o efeito da estabilização das argilas. São compatíveis com a maioria dos aditivos e não são muito corrosivas.até densidade de 20. Obtemos soluções salinas de até 9.7 lb/gal CaBr2 . sendo assim. Dissolvendo 126 lbs de NaCl em 1bbl de água. O custo do cloreto de potássio é mais elevado que o cloreto de sódio.2 lb/gal 1) Solução de cloreto de sódio: É a solução mais simples e econômica. Profa.até densidade de 19.7 lb/gal com taxa de corrosão em limites aceitáveis adicionando inibidor de corrosão e mantendo o pH neutro. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN .1 lb/gal CaCl2+CaBr2+ZnBr2 .

tornando inviável o seu uso em climas frios. Aditivos para fluidos de completação As propriedades dos fluidos de completação são modificadas de acordo com as operações a serem realizadas no poço. no entanto. Em algumas situações podemos utilizar o carbonato de cálcio (CaCO3). Estas propriedades são obtidas com o uso de aditivos específicos. 4) Solução de cloreto de sódio/cloreto de cálcio: Utilizada quando necessário densidades que variam de 10. corrosividade. tais como: economia. danos à formação e segurança operacional. Apresentam menores taxas de corrosão que as soluções de NaCl e KCl e uma boa passivação do metal utilizando inibidor e pH >7. A combinação desses sais resultam em soluções mais econômicas e menos corrosivas que o uso isolado do cloreto de cálcio. necessitando de uso de gelificantes no fluido para manter as partículas em suspensão.Obteremos 1.76 lb/gal a 60ºF pela dissolução de 245.CaCl2. Vários aspectos são considerados nos projetos dos fluidos de completações. pois cristalizam a 56ºF.206 bbls de uma solução saturada com densidade de 11.7 lbs de CaCl2 a 94% em 1 bbl de água.7 lb/gal.QUI0091 .1 lb/gal. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN .KCl. Profa.ZnBr2. Estas soluções são instáveis nas proximidades da saturação. Adensantes: Uma das funções dos fluidos de completação é o amortecimento das pressões das formações e para tanto são utilizados adensantes para ajustar a densidade ao gradiente de pressão adequado para a operação. este produto é praticamente insolúvel em água. Os adensantes mais comuns são os seguintes sais inorgânicos: NaCl.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO 3) Solução de Cloreto de cálcio: É utilizada quando necessitamos de densidades superiores a 10 lb/gal e inferiores a 11.CaBr2.0 a 11.

Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . A formação de emulsão dos fluidos do reservatório com o fluido de perfuração é indesejável. sendo importante seguir as seguintes regras: cargas negativas). Dependendo da carga do grupo hidrofílico e das condições físico-químicas do meio. pois ocasiona o aumento de viscosidade.QUI0091 .COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO Preventores de emulsão: São compostos orgânicos de cadeia longa que apresentam grupos polares (hidrofílicos) e apolares (hipofílicos) com características tensoativas. água. Os preventores de emulsão não-iônicos (etoxilados) são os mais utilizados devido a compatibilidade com todos os tipos de formação. aniônicos. Profa. positivas). os tensoativos podem ser catiônicos. causando uma redução drástica do fluxo em um meio poroso (formação produtora). A inversão de molhabilidade reduz a permeabilidade relativa da formação ao óleo e promove bloqueio por água (waterblock). não-iônicos e anfóteros. A lei de Darcy para fluxo em meio poroso prevê que a vazão (Q) é inversamente proporcional a viscosidade (u). m óleo em água e quebram emulsão de água em óleo. O preventor de emulsão não deve alterar a molhabilidade da rocha reservatório. misturados. -iônicos não alteram a molhabilidade da rocha.

que também tem efeito bactericida. Bactericidas: Os bactericidas têm uso restrito nos fluidos de completação.QUI0091 . Polímeros: Os polímeros são utilizados como doadores de viscosidade ao fluido de completação. reduzindo assim a produtividade pelo bloqueio completo da garganta do poro ou mesmo reduzindo seu raio efetivo. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . Os métodos de estabilização de argilas mais utilizados são: uso de cloreto de potássio. no entanto este produto já foi banido em alguns países com legislação ambiental mais rígida e é questão de tempo para seu uso ser proibido. O movimento destas partículas cessam em gargantas dos poros de menor diâmetro. está se utilizando os inibidores orgânicos. cloreto de amônio. Para prevenir a formação de espuma são usados produtos como os álcoois de peso molecular médio e os glicóis.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO Inibidores de corrosão: Um inibidor de corrosão largamente utilizado era o dicromato de sódio na concentração de 2000 ppm. Os bactericidas à base de aminoálcoois. dificultando também o bombeamento. As argilas migráveis são aquelas que se dispersam em função do movimento dos fluidos através dos poros. sendo este fator a causa de grandes problemas na produção de fluidos nos arenitos. As argilas encontradas podem ser hidratáveis e migráveis. encapsulamento das partículas por filme de composto orgânico. triazina e glutaraldeído são os mais utilizados. Estabilizadores de argilas: Os arenitos e calcários das formações. Os polímeros utilizados são: Profa. compatibilidade da salinidade do fluido de completação com o ambiente nativo das argilas. geralmente possuem cimentos argilosos. As argilas hidratáveis são as que variam de tamanho em função da concentração iônica do fluido que estão em contato e desta maneira reduzem a porosidade da rocha. Atualmente. Antiespumantes: A espuma pode alterar a densidade dos fluidos de completação. O uso de bactericidas é comum quando são utilizados polímeros degradáveis.

podendo ocasionar produção descontrolada dos fluidos da formação. Os agentes granulares de tamponamento temporários mais utilizados no combate a perda de fluido nas operações de completação são: As características do agente granular são de fundamental importância para seleção. Os doadores e reguladores de pH mais utilizados são: Materiais de combate a perda de circulação: Em alguns campos é possível ocorrer perda do fluido de completação para a formação. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . ocasionando redução do nível hidrostático no poço. e as propriedades mais observadas são: Profa.QUI0091 .COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO Reguladores de pH: Nos fluidos de completação o pH do meio pode ser o responsável pela obtenção de algumas propriedades.

produzindo H2S que causam corrosão. Processo físico 2. Processo químico: Nos processos químicos. Processo biológico Processo físico: É o plugueamento dos canais porosos por fragmentos gerados dentro da própria formação ou penetrados para a formação pelos fluidos utilizados no poço. As redutoras de sulfato são anaeróbicas e reduzem o sulfato a sulfeto. O dano por depósitos bacterianos é praticamente impossível de remover.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO Existem outros materiais e métodos de combate à perda de circulação: DANOS À FORMAÇÃO PROCESSOS QUE GERAM DANOS À FORMAÇÃO: 1. Processo químico 3. O produto final (sulfeto de ferro) causa entupimento dos poros. o dano é formado por precipitados químicos causados pelas misturas de águas incompatíveis. Profa. As formadoras de lodo são aeróbicas e contribuem tanto para o entupimento dos poros da formação como para corrosão da tubulação. Processo biológico: Processo biológico ocasionado principalmente por bactérias redutoras de sulfatos e por bactérias formadoras de lodo.QUI0091 . Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN .

COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO ORIGEM DOS DANOS: O contato com fluidos estranhos à formação é a causa básica do dano à formação. valor médio de 3”. Caso a água de formação contenha alta concentração de cálcio. Perfuração Na perfuração existem duas condições causadoras de danos. A primeira condição atua no reboco formado e é de baixa penetração. o que pode levar à floculação das partículas antes dispersas. A água livre das pastas podem também ocasionar dano. fluidos de completação. Formações argilosas invadidas por estes fluidos podem ocasionar migração e/ou dispersão de argilas. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . Estes fluidos podem ser fluidos de perfuração. Profa. cascalhos. filtrado de cimento. o filtrado do cimento pode provocar a precipitação de sulfato. como resultado de falha no projeto do fluido de perfuração Cimentação Os colchões lavadores e espaçadores usados nas operações de cimentação possuem na sua composição dispersantes para dissolver e carrear restos de fluido de perfuração e reboco. fluido de estimulação e injeção. adensantes e agentes de combate a perda) e o filtrado do fluido de perfuração. os sólidos em suspensão (argilas. O filtrado do fluido contém muitos componentes causadores de dano e podem atingir profundamente a formação e é possivelmente uma das mais importantes causas da queda de produção. mas pode reduzir em até 90% a permeabilidade. Fatores que aumentam a perda de filtrado: abilidade do reboco.QUI0091 . O alto pH do filtrado das pastas de cimento é bastante nocivo aos argilominerais das formações e o íons de cálcio liberados pela pasta de cimento interagem rapidamente com as argilas em torno do poço.carbonato ou silicato de cálcio.

Profa. sob pena de criar dano permanente que não pode ser removido simplesmente pela redução da taxa de produção. Produção Na fase de produção. especialmente se água e óleos são produzidos simultaneamente. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN .QUI0091 . alguns reservatórios não podem ser produzidos com altas vazões. Injeção Entre os danos que podem ocorrer. Completação Grande parte dos danos causados pelos fluidos de completação tem origem na invasão de filtrado. bloqueio por água. emulsão e precipitação de incrustações. As argilas e outros finos nativos podem pluguear garganta se forem arrastados das paredes dos poços. que causam a dispersão de argilas. citamos: REMOÇÃO DE DANOS O tratamento adequado para cada tipo de dano só é possível se a identificação da fonte do dano for correta.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO Canhoneio A operação de canhoneio sempre resulta em uma zona compactada e danificada ao redor da perfuração onde a redução da permeabilidade atinge 80%. Ocorre também redução de permeabilidade da formação e plugueamento dos canhoneados pelos sólidos suspensos. bactérias e resíduos de polímeros.

baixas temperaturas e pressões durante a produção e misturas de águas incompatíveis. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . A grande área de algumas argilas favorecem a retenção de água nas paredes dos poços. O tratamento é efetuado pela injeção de solventes mútuos (butilglicol. principalmente nas emulsões de água em óleo (A/O). materiais que possuem forte afinidade por superfícies e também finos da formação ou estranhos a ela. As incrustações estão associadas às mudanças bruscas nas condições de fluxo. que contribuem para dificultar a quebra da emulsão. As incrustações mais comuns são: Profa. butidiglicol) com ou sem desemulsificante. podendo precipitar na coluna. Ele pode se formar durante a perfuração ou completação através da invasão dos filtrados. O bloqueio por água é favorecido pela presença de argilas nos poros da formação. ou durante a produção do poço por “fingers” ou cones de água da formação. Em poços de gás a injeção de álcoois é particularmente eficaz. nos canhoneados e mais raramente na formação.QUI0091 . caracteriza o bloqueio por água. SCALES OU INCRUSTAÇÕES: As incrustações são depósitos de minerais precipitados. O mecanismo inverso também pode ocorrer isto é o filtrado dos fluidos à base óleo pode formar emulsões quando em contato com a água de formação. As emulsões são estabilizadas pelos tensoativos. diminuindo a permeabilidade relativa aos hidrocarbonetos. Um bloqueio por água é geralmente tratado reduzindo a tensão superficial entre a água e o óleo ou gás com o uso de surfactantes ou álcoois. A formação de emulsão é caracterizada pelo incremento na viscosidade. BLOQUEIO POR ÁGUA: O aumento na saturação de água nas imediações do poço.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO EMULSÕES: A mistura de água dos fluidos de perfuração e completação com o óleo da formação podem resultar na formação de emulsões. promovendo a vaporização da água no gás produzido.

e seqüestradores de ferro (EDTA.COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO reservatórios onde existem altas concentrações de íons cálcio. O xileno é um dos mais utilizados. O tratamento com soluções de ácido clorídrico (HCl) dissolve facilmente estas incrustações. ARGILAS E SILTES: O dano é formado pela invasão dos fluidos de perfuração e o inchamento ou dispersão das argilas nativas da formação. DEPÓSITOS ORGÂNICOS: São precipitados formados pelas frações mais pesadas de hidrocarbonetos (parafinas e/ou asfaltenos) que se depositam na coluna de produção. bem com EDTA.QUI0091 . O mecanismo da deposição é complexo. O equilíbrio entre as argilas e as águas da formação é rompido com mudanças súbitas de salinidade que cria um desbalanceio nas forças eletrostáticas que agem nas argilas. canhoneados e formação. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN . A esmectita incha e Profa. DEPÓSITOS MISTOS: Mistura de compostos orgânicos e inorgânicos ou argilas podem ser dissolvidos utilizando tratamento com um sistema misto como uma dispersão de solvente aromático em ácido ou um colchão de solvente seguido por um ácido. Ácido cítrico) dissolvem estas incrustações e previne as precipitações de produtos derivados como hidróxido de ferro Fe(OH)2 ou enxofre elementar. porém a mudança de temperatura ou pressão no poço ou nas suas proximidades durante a produção são desencadeadores do processo. Os sulfatos de bário (BaSO4) e sulfato de estrôncio (SrSO4) são mais difíceis de serem removidos e necessitam de temperatura e maior tempo de contato com soluções de EDTA. Estes depósitos são tratados com solventes orgânicos. carbonatos ou bicarbonatos.

HCl e ácido fluorbórico (HBF4). INVERSÃO DE MOLHABILIDADE: Geralmente as rochas reservatórios são molháveis à água e a permeabilidade relativa ao óleo é maior. Se houver inversão parcial ou total da molhabilidade. Esta inversão ocorre devido a adsorção de tensoativos. em um raio de 3 a 5ft (1 a 1. pode ser dispersa e bloquear gargantas de poros. Os arenitos são removidos com HF (ácido fluorídrico) em combinação com ácidos orgânicos. Os distúrbios nos argilominerais originais da formação são os mecanismos de danos mais correntes. para tornar a água molhável a água novamente Profa. geralmente floculada. Os finos com granulometria de argila (silicatos com grãos menores que 4 μm) e siltes (silicatos ou alumissilicatos com grãos entre 4 e 64 μm) o dano fica localizado próximo ao poço. A injeção de solventes mútuos remove a fase óleo aderida à rocha e deve ser seguido de injeção de um surfactante enérgico. nas faces das rochas da formação.QUI0091 . a permeabilidade relativa ao óleo diminui. Rosangela de Carvalho Balaban – IQ/UFRN .COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DE FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO reduz bastante a permeabilidade e a caulinita.5 m). provenientes de fluidos de perfuração e completação base óleo.