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Ressurreição da carne não existe.

Reencarnação a hipótese lógica

a) Ressurreição da carne não existe
A crosta terrestre, como podemos ver nos diagramas acima, tem uma espessura muito pequena. É apenas na crosta terrestre que se encontram as moléculas orgânicas e inorgânicas que mantêm a vida, e o seu número é pequeno. Ao fim de 4,5 milhões de anos que tem a existência do Homem (homens e mulheres) na Terra, essas matérias já fizeram parte do corpo de vários Homens. Na ressurreição, essa única matéria iria para que corpo, uma vez que pertenceu a vários corpos?

1–

2 – Essa matéria, sendo limitada e pouca, não seria suficiente para restaurar todos
os Homens; logo não poderiam ressurgir todos os Homens. Poder-se-ia argumentar que Deus, podendo tudo, iria fazer um milagre de multiplicação de moléculas. Mas as leis de Deus são imutáveis e as observações científicas, nomeadamente as astronómicas, demonstram que Deus nunca derrogou as Suas Leis. Porque o faria apenas na Terra quando já foi observado que todos os astros criados por Deus morrem? Foi observado que o sistema solar é idêntico a outros sistemas. O Sol é uma estrela e por isso vai morrer um dia. Quando e como isso acontecerá é uma questão que os astrónomos estão a resolver. Para chegar a esta resposta, eles criaram uma teoria, com a qual podemos entender a formação de uma estrela, o que ocorre com ela ao longo do tempo, as mudanças de brilho e tamanho, e várias outras coisas.

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Nascimento do Sol, Agora, Gradual aquecimento, Gigante vermelha, Nebulosa, Anã branca

4 - O Sistema solar está agora na fase da tranquilidade. Essa fase de tranquilidade
deve durar, no total, cerca de 10 mil milhões de anos. Como ela se iniciou há cerca de 4,5 mil milhões de anos, o Sol ainda tem pela frente aproximadamente 5,5 mil milhões de anos de tranquilidade

Sol, Mercúrio, Vénus, Terra com a Lua, Marte, Cintura de asteróides, Júpiter, Saturno, Urano, Neptuno, Plutão e um Cometa

Mas, para nós na Terra, essa fase não será assim tão calma, porque a luminosidade do Sol sempre aumenta, ainda que de forma lenta, e deverá dobrar ao final dos 9 mil milhões de anos. Ficando mais brilhante, o Sol vai aquecer mais a Terra. Com mais calor, toda a água do nosso planeta vai evaporar. Não sabemos exactamente quando isso vai acontecer, mas poderá ser em pouco mais de 3 mil milhões de anos.

5 - Antes do final, o Sol transformar-se-á numa fornalha que empurrará as camadas
externas do Sol para fora, transformando-o numa estrela gigante, uma Gigante Vermelha. Essa fase irá durar "apenas" pouco mais de mil milhões de anos. Nessa fase, o Sol alcançará uma luminosidade 2 mil vezes maior que a actual e um diâmetro quase 200 vezes maior que o presente. Com um diâmetro tão grande, a Terra ficará ou dentro do Sol ou muito próximo dele. Nesta situação toda a matéria será queimada, melhor, calcinada a 2000 até 3000º de temperatura. Nada restará na Terra para formar vida e provavelmente a Terra desaparecerá. Não é possível a ressurreição na Terra. Não haverá nenhum Paraíso na Terra. Ponto final. Ver figuras seguintes do que foi observado pelos astrónomos com duas estrelas semelhantes ao Sol.

A Terra será calcinada pelo Sol. Não haverá nenhum Paraíso na Terra. Não haverá ressurreição dos corpos. Só os nossos Espíritos manterão a individualidade.

O Apóstolo Paulo disse na 1ª Carta aos Coríntios (ICo 15,12-19): A Ressurreição dentre os Mortos
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Ora, se está sendo pregado que Cristo ressuscitou dentre os mortos, como alguns de vocês estão
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dizendo que não existe ressurreição dos mortos?
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Se não há ressurreição dos mortos, nem

Cristo ressuscitou;

e, se Cristo não ressuscitou, é inútil a nossa pregação, como também é
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inútil a fé que vocês têm. Mais que isso, seremos considerados falsas testemunhas de Deus, pois contra ele testemunhamos que ressuscitou a Cristo dentre os mortos. Mas se de facto os
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mortos não ressuscitam, ele também não ressuscitou a Cristo.
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Pois, se os mortos não

ressuscitam, nem mesmo Cristo ressuscitou.
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E, se Cristo não ressuscitou, inútil é a fé que vocês

têm, e ainda estão em seus pecados.
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Neste caso, também os que dormiram em Cristo estão

perdidos. Se é somente para esta vida que temos esperança em Cristo, somos, de todos os homens, os mais dignos de compaixão.

Desde há muitos séculos que os teólogos (Católicos, Ortodoxos, Protestantes, Islâmicos, Testemunhas de Jeová, etc.) vêm interpretando esta passagem como ressurreição da carne, mas estão enganados. Paulo só poderia estar a referir-se à ressurreição do Espírito de acordo com as provas científicas e com a lógica actual.

b) Reencarnação existe. A hipótese lógica 6 - Erlendur Haraldsson
Erlendur Haraldsson, nasceu em 1931, fez cursos de Filosofia nas Universidades de Edinburgo e Friburgo (Alemanha), curso de Psicologia na Universidade de Friburgo e na Universidade de Munique, (1969). É professor do Departamento de Psicologia da Universidade da Islândia . Autor de artigos e livros sobre a sobrevivência do espírito e reencarnação. Interessa-se pelo estudo da reencarnação há alguns anos, desde que conheceu o professor Ian Stevenson, da Universidade da Virgínia (EUA), entretanto já falecido em 2007.

7 - Entre muitos outros casos, investigou o caso de uma menina chamada Purmina
Ekanayake, que aos dois anos e meio começou a relatar acontecimentos de uma vida anterior. Ela disse que trabalhava na fabricação de incensos e estava indo para o trabalho na sua bicicleta quando foi atropelada. Ela começou a falar várias frases relacionadas com essa vida anterior, sobre as pessoas com quem vivia e principalmente o facto de que trabalhava com a fabricação de incensos do tipo “Ambiga” e “Geta Pichcha”, marcas bem específicas daquela região. Ela também descreveu aspectos de um templo do Sri Lanka chamado Keleniya e afirmou ter morado perto desse lugar. Outra informação relevante foi a de que seu pai na vida anterior não era um professor como na vida actual e que se lembrava da escola onde estudou na sua vida passada, a Rahula. Então, um pesquisador local, Sumanasiri, começou a levantar dados em Keleniya e encontrou a família de Jinadasa, que, de acordo com a descrição dada por Purmina, seria sua encarnação anterior. Em 1993, Purmina fez sua primeira visita à família de Jinadasa e suas marcas de nascença

correspondiam às lesões sofridas por Jinadasa por ocasião de seu falecimento. E podemos verificar que, de facto, Jinadasa morreu após um atropelamento, tendo em mãos a comparação de legistas que examinaram o corpo, com detalhes coincidentes das marcas apresentadas no corpo de Purmina.

8 - No Líbano, numa comunidade de drusos, que fazem parte do islamismo, encontrei
um caso de um menino, que morava a cerca de 70 km de Beirute e com aproximadamente três anos, começou a relatar a seus pais lembranças de uma vida passada na cidade de Beirute. Ele dizia também que morava perto do mar, mas relatava que tinha outra casa para onde precisava viajar de avião. Ele mencionou muitos outros factos específicos que puderam ser comprovados, como detalhes da casa onde morava. Ele disse que a sua família era a Assaf e que seu primeiro nome era Rabih. Então, pesquisamos sobre a possibilidade de encontrar alguém com esse nome e nos deparamos com uma história sobre um jovem de mesmo nome, que realmente vivia em Beirute, em uma casa cuja localização e descrição eram compatíveis com o que o menino falava. O nome do jovem era Rabih Assaf, tinha se mudado para a Califórnia para estudar e faleceu alguns anos depois, por suicídio. As crianças que analisei e se lembravam de vidas anteriores, em boa parte, de 75 a 80%, o falecimento na vida anterior está ligado a algum tipo de acidente.

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Haraldsson refere que mesmo com tantos casos já comprovados de reencarnação, muitos cientistas ainda resistem em acreditar nos factos. O que posso afirmar é que depois de todos esses estudos comprovando vidas passadas, já há evidências suficientes para mostrar a existência da reencarnação, isso realmente existe.

Há poucos grupos internacionais estudando cientificamente esses assuntos. Um desses grupos está na Universidade de Virgínia (EUA), com estudos bem-sucedidos iniciados pelo dr. Ian Stevenson, agora sob a orientação do dr. Jim Tucker. Há outro grupo na Universidade da Tasmânia (uma ilha e um estado australiano), orientado pelo dr. Jurgen Keil, e também a dra. Antonia Mills, da Universidade de Vancouver, no Canadá, e uma senhora no sul da Índia.

c) Sobrevivência da alma (ou Espírito) 10 - Três casos em Portugal
Enterraram-me vivo Caso António Manuel* ocorrido a 17 de Janeiro de 1994. A reunião mediúnica decorre. Na sala estão apenas a meia dúzia de pessoas da equipa de trabalhos. A entrada na mesma é salvaguardada.

A médium, em transe, exprime desassossego. Trata-se de uma entidade espiritual que evidencia angústia, pois dá a entender que acredita ter sido enterrada viva aquando do funeral. Quem dialoga com esse espírito, o Coordenador da reunião mediúnica, lembra-se de activar o áudio gravador: «(...) Coordenador (C) - Sabes o número da porta? Entidade espiritual (EE) - Lembro-me e sei como se chama a minha mulher e as minhas filhas. C. - Como é que se chama a tua mulher? Entidade espiritual - Laura. C. - E as tuas filhas? EE - Susete, Graça, Ana. C. - Mas estavas doente quando te deu isso ou foi de repente? EE - Eu tinha uma sinal... C. - Tinhas um sinal aonde? Desculpa, mas não te compreendi agora... EE - Não me faças lembrar disso... (pede). C. - Ora bom, tu moravas na Rua Pinto Foz*, não é? Não te lembras do nr. da porta? EE - Não tenho cabeça. Fui para os Estados Unidos para ser operado e vim e depois enterraram-me vivo! Não sei mais nada. C. - Deixa lá. É que se tu me desses o nr. o mais que eu poderia fazer era levar uma mensagem para a tua mulher e para as tuas filhas. EE - Não, vais lá comigo que eu digo-te aonde é. C. - Não, mas é que, repara, eu estou na vida física e eu não te vejo. Como é que eu estou a falar aqui contigo e não te vejo? O fenómeno é muito simples. EE - Estamos em Marte? C. - Não, não estamos em Marte... EE - Vens comigo, vamos os dois. C. - Não, ouve: este corpo pelo qual estás a falar é um corpo que não te pertence, que te foi emprestado, o teu corpo físico está a desfazer-se na terra. E eu não posso falar contigo porque não te ouço nem te vejo se não for através deste corpo (médium) e este corpo só te é emprestado aqui, neste local. EE - Não pode. Eu tenho a minha cabeça oca, vazia. Não te entendo, não percebo... C. - Olha... EE - Não te entendo, anda comigo, falas com elas, que elas compreendem tudo! C. - Ouve, meu irmão! Tu estás em Torres Vedras*. Conheces? E falas através de uma mulher, de uma senhora que tem faculdades paranormais, em que os espíritos (portanto, as almas daqueles que já morreram) podem falar através dela. Pela misericórdia de Deus, pelo seu imenso amor... EE - Já sei. (...) C. - Como te chamas? EE - António Macedo*. C. - Tinham telefone em casa? EE - Eu não me lembra o número. C. - É só o teu nome António Macedo? EE - É. Sou engenheiro. C. - Engenheiro? Onde trabalhavas? EE - Na Sonae*. C. - Tu como engenheiro... EE - Não me deixes, não me deixes... C. - Ouve: tu nunca acreditaste no espiritismo, pois não? EE - A minha mulher acreditava. (...) (O coordenador da reunião, que conversa com o espírito, disserta sobre vida após a morte) EE - Vê na lista telefónica. C. - Eu vou ver.

... C. - Está aqui gravada a tua mensagem para chegar aos ouvidos da tua mulher, se tu dizes que ela é um pouco crente nestas coisas. EE - Diz-lhe que me enterraram vivo. C. - Para a vida ainda lhe ser mais custosa? Que é que lhe queres dizer? Que a vida continua, que a tua vontade é visitá-la, simplesmente não te aconselhamos porque não estás em condições, como ser inteligente que és, bastante culto, tens que compreender que se passaste por uma situação dessas... EE - Eu digo-te o nome das minhas filhas... C. - Já está gravado. ... C. - A lei de causa e efeito funciona... EE - Minha mulher é professora aqui em Torres*. C. - Em que escola? EE - Na Escola Secundária de ... C. - Na ... Fernandes ou ... EE - Eu não sei. C. - Bom, olha, meu irmão. Trabalhavas na Sonae*. Sabes onde é que eu trabalho? Na PE. Conheces? EE - Sim. C. - Vamos deixar de falar na vida física que te preocupa, nas tuas filhas, para falarmos na vida espiritual. Tu acreditas em Deus? Não sei se eras católico ou se professavas outra religião, mas todas elas falam na alma, no ser que ama, que sofre, que é eterno (...) aqueles que ficam na Terra geralmente não conseguem ver... EE - Eu vim com ela. C. - Vieste com ela como? EE - Foi ela que me trouxe. C. - (à tua volta há outras entidades) (dissertação sobre reencarnação) «ninguém é de ninguém» «eu queria que despertasses para a vida espiritual» Nós já estamos em 17 de Janeiro de 1994. Declarações do coordenador da reunião, C., colhidas um par de meses depois: «É evidente que não confiei abertamente no que o espírito disse e tive o cuidado de tomar algumas precauções para verificar a veracidade das informações.» Usou uma pseudo procura de explicador para o seu filho estudante e ligou à médium para verificar se ela conhecia a drª. Laura que dava aulas nalguma Escola. Ela disse que não, que conhecia uma outra senhora que dava aulas de francês. Perguntei também se conhecia o engº. António Macedo*. Disse-me que não, que era a primeira vez que ouvia falar no nome. Em face disto, pediu à telefonista, no trabalho, «eu tenho um endereço de 1988, vejame por favor se não for nas listas actuais, deve constar o nome desse eng.º e o número de telefone. Veja se mo consegue. E meia hora depois a telefonista dá-me o número de telefone. Mesmo assim, eu fui à lista telefónica e para surpresa minha vejo o nome do eng.º ainda na lista actual e o número de telefone. Liguei de imediato para casa, atende-me uma senhora e eu pergunto-lhe se é da casa do sr. engº. António Macedo. E a senhora diz-me que é, sim senhor. O sr. eng.º está? A resposta lacónica: - Não, o sr. eng.º já faleceu. - Faleceu, minha sr.ª, em 1988? - Sim, sim.

- Foi depois de uma viagem que ele fez ao exterior, foi submetido a uma intervenção cirúrgica? - Foi sim, e faleceu dias depois. - A esposa do sr. engº. está, a drª. Laura? - Não, não. Está a dar aulas. - E a filha Fulana e Sicrana? - Também não estão. Estão para a escola. - A senhora desculpe a minha pergunta, qual é o parentesco da sr.ª com o falecido eng.º? - Eu sou sogra. - Minha sr.ª, por favor transmita à sua filha que eu tenho necessidade de falar com ela, porque tenho um recado do sr. eng.º António Macedo, falecido há 6 anos, mas que ontem nós tivemos o grato prazer de ouvir e atender, embora não o tivéssemos conhecido antes, nem sequer aos seus familiares. Ao fim da tarde telefonarei para aí. À noite, já em casa, eu resolvi telefonar. Falei com a esposa, disse-lhe que tinha uma mensagem do marido e para ela não se assustar que ele disse que tinha sido enterrado vivo. Disse-lhe que estivesse descansada que não era bem assim. A entidade espiritual, muito nova ainda, com 41 anos, eng.º, colocado numa grande empresa, com uma vida bonita, as 3 filhinhas, a esposa muito jovem ainda, naturalmente que muito agarrado à vida, ele prendeu-se um pouco ao corpo, dificultou a separação e passou por essa situação de lhe parecer ser enterrado vivo, mas que não ficasse preocupada porque ele não foi enterrado vivo. - A senhora vai ouvir calmamente, não se impressione, que isto é absolutamente normal. E passei a gravação pelo telefone. Finda a audição, não muito boa mas perceptível, perguntou-me: - E agora o que é que eu devo fazer? - Nada, a não ser seguir os princípios cristãos, sejam eles católicos ou não. Não entrar em conflitos, não desejar o mal a ninguém, ser tolerante, perdoar, não se ofender, fazer isso como uma homenagem àquele que foi seu marido, e que, como vê, ainda a ama muito. Veja que vivia a preocupação de ter deixado a esposa ainda muito nova. Bom, e se mais tarde a entidade se comunicar para agradecer, quer dizer, voltar para dar uma mensagem, ainda lhe podemos colocar a questão, se os orientadores das tarefas que partem do plano espiritual acharem utilidade nisso, de avisar a sr.ª para ele lhe falar directamente. A senhora agradeceu. Não lhe prometi que isso iria acontecer, mas que se isso acontecesse, eu entraria em contacto com ela. * Dados fictícios para evitar transtornos para a família e demais pessoas envolvidas.

11 - O pai do médico
Este caso reflecte a perplexidade de quem tem faculdade mediúnica de vidência, sem saber, e num consultório médico, sem perceber como, vê o pai desencarnado do próprio médico, que dá informações à médium (que nem sabe que o é, nessa altura) que o filho, estupefacto, confirma... Maria era uma jovem, hoje uma senhora, mãe, contou-nos uma das muitas passagens da sua vida, quando já tinha faculdades mediúnicas ostensivas e não sabia, o que, ao contrário do que sucede desde que começou a estudá-la e por consequência a equilibrá-la, lhe trazia alguma perturbação, por vezes. Eis a entrevista em directo: Maria - (...) Passados dois dias, durante os quais não me consegui levantar, ao terceiro dia, fui ao médico. O médico tinha sempre muitos clientes. Eu cheguei ao consultório e perguntei à empregada se o sr. dr. iria demorar muito a atender-me, quando chegaria a minha vez (eu vi o consultório cheio de gente à espera). E a menina diz-me que só tem uma pessoa. Quando olhei, verifiquei que havia várias. A minha preocupação era o meu emprego. (...) A senhora levantou-se e diz-me: Eu dou-lhe a vez. Esta era a verdadeira entre as outras todas. Entrevistador - Não notava nenhuma semelhança entre as pessoas que viu à espera da consulta e a que lhe deu a vez? Maria - Não; era tudo igual. Aos meus olhos era tudo igual. Pensei então que não ia demorar-me muito. Saiu uma senhora da consulta e entro eu. Comecei a conversar com o sr. dr. e tal, e coloquei-lhe logo a situação: - Sr. doutor, então não é que eu continuo louca! Fiz os tratamentos e verifico... eu cheguei, perguntei, dizem-me que a sala só tem uma pessoa à espera e eu vejo em redor várias pessoas que estão para ser atendidas. O médico levanta-se, abre a porta, olha e diz: - Só está uma. - Então é o que eu digo: continuo louca! Lembro-me que fiquei profundamente triste. Estava assim bastante em baixo de forma, o médico estava a começar a preparar os papéis e vi, de repente, entrar do lado da porta um senhor de cabelos brancos, com um ar muito fino, muito distinto, e eu, ao olhar para ele, achei-o tão parecido com o médico que olhei para um e para o outro. E disse para comigo: São tão parecidos! Têm traços tão semelhantes entre si... Olhava para o idoso, que sorria, calmamente, e eu disse ao médico: - Sr. Doutor, fui louca lá fora e estou a ser agora louca cá dentro... porque vai a entrar agora um senhor de cabelos brancos com uma postura muito fina, e é muito parecido com o senhor doutor. E ele parou: Com uns cabelos grisalhos, aquele grisalho muito bem tratado, um homem muito bonito. E o médico perguntou: - Como está vestido?

- Fato cinzento com risca branca. E ele entretanto faz um gesto e vejo o colete e digo: - Tem uma risca maior, não corresponde com a risca de fora (as riscas são iguais, mas mais longas, não são iguais). E ele foi empalidecendo. - Traz também uma gravata do casamento (fez questão de o afirmar). É de cetim, penso, uma gravata brilhante, muito bonita. - Consegue ver-lhe as mãos? - Não, não consigo. Vejo só o tronco até ao começo da calça, mas não vejo mais nada. E ele diz: - Não consegue ver as mãos? - Não, assim não consigo. E o senhor entretanto - que estava a escutar, com certeza - põe uma mão pousada sobre o outro braço (a entrevistada faz o gesto) como se estivesse assim com os braços dobrados. - Tem alguma coisa nas mãos? - Sim, não tem os dois dedos pequenos de uma das mãos. - Mas não tem mesmo? frisou ele. - Não, não tem. E tem um bocadinho mais cortado na mão. - Mas verifique bem, por favor, não tem? - Não, e acho que foi num acidente, tinha os dedos mas agora não tem. E ele ficou muito constrangido. - Então senhor doutor, eu estou mesmo maluca! - Não, não está. Não tenho resposta para isso, mas efectivamente louca não está. Porque essa pessoa é o meu pai, que faleceu há pouco tempo e teve um acidente um tempo antes do falecimento dele. Eu fiquei assim: então que é que se passa? Então o que é isto? Que resposta é esta? Eu queria dados. Diz ele: - Não sei. Mas vir cá não precisa de vir mais. Vai tomar os calmantes para ficar mais calma, não entrar tão facilmente em conflitos. Fiquei com essa medicamentação e nunca mais fui ao senhor doutor, ele disse que não era de lá. Teria 23 a 24 anos. Aos 27 nasceu a minha filha. Hoje desapareceram as sensações. Passados dois anos vai pela primeira vez a um centro espírita idóneo no Porto. * Dados fictícios para evitar transtornos para a família e demais pessoas envolvidas.

12 - Experiência de morte iminente
São muitos depoimentos. Impressionantes. Quem os dá, esteve tão próximo da morte quanto é possível estar. Cativos num coma profundo, sentiram-se livres, de fora, como observadores. O assunto tange as fronteiras da fé e da ciência. As experiências próximas da morte (EPM), hoje, são inegáveis. A ciência vê-se forçada a pesquisar, porque as alucinações, só por si, não satisfazem os factos.

«A senhora estava na cama, de olhos fechados, aparentemente sem respirar. Auscultei-a. Pareceu-me ainda haver sons cardíacos. Verifiquei que a pele da doente ainda estava quente: se tivesse morrido, isso teria sido há pouco tempo», conta João Pereira*, médico. Escolhera um recanto discreto do amplo vestíbulo do hospital, naquela tarde calma de fim-de-semana. Olhos brilhantes, resolvera arriscar falar a um desconhecido sobre um arquivo secreto das suas memórias. O gravador... «bem, depois desgrava isto mal passe ao papel?!». «Sim, sim!», tranquilizei-o. A voz é medida, palavra a palavra, pausada, mas expressiva. Rememora: naquela noite, os filhos da senhora octogenária procuravam-no, em casa, à hora de jantar. Não se conheciam. Esse encontro ocorreu em virtude da emergência. Informaram que a mãe estava naquele estado desde as duas da tarde. Não a levaram para o hospital a pedido da doente, que avisara preferir falecer em casa. Após exame, o médico diagnostica «um coma hipoglicémico», uma quebra de glicose. Na falta de ampolas injectáveis, administra-lhe um pouco de açúcar normal pela boca. Depois, «passei aos filhos a receita de uns comprimidos, para lhos administrarem». Está atrasado para a palestra agendada para às 21h30, alhures na cidade. Promete passar ali um par de horas depois, nem que seja para verificar o óbito. «Passei por casa da doente pelas 23h30. Recordo que evoca João Pereira , quando entrei naquela casa, fui recebido com alegria pelos filhos. Com um sorriso, disseramme: Venha ver a doente, que não parece a mesma!». Entra no quarto da doente. Vê-a sentada, bem-disposta e cumprimenta-a: - Com que então está bastante melhor! Não há dúvida que foi uma alegria franca, graças a Deus que está outra. Diz a senhora: - É, estou melhor do que há umas horas, quando o senhor doutor cá veio. - Exactamente, eu vim cá, mas a senhora não se recorda de eu cá ter vindo! - Ai isso é que recordo!... - Não pode ser... - Eu vi-o entrar aqui! - Não pode. Porque a senhora no estado em que se encontrava, num coma profundo, olhos fechados, era impossível ver-me. - Eu vi-o! Não tenho dúvidas de que foi o senhor doutor que veio cá! - Não pode ser. Digo-lhe com todo o respeito: a senhora não podia ver-me... «E então ela olha para mim - afirma João Pereira - e perante o espanto da família dizme»: - Pois vou contar-lhe uma coisa que não era para lhe contar. Eu hoje morri. Morri e depois de morrer apercebi-me de que na minha proximidade se encontrava uma luz brilhantíssima que eu nunca tinha visto. Nem é possível descrevê-la. «A senhora falava até muito bem», salienta.

- Não há maneira de dizer como era aquela luz. Só sei que ao ver aquela luz diante de mim, ajoelhei-me. Ao ajoelhar-me passou-se entre mim e a luz toda a minha vida. Tudo o que eu tinha vivido até agora, eu vi diante de mim. Vi tudo! Desde criança, quando eu era jovem, coisas que nunca mais me lembrei que tinha feito. Vi-as com muita clareza, e sem poder modificá-las!... Era aquilo, com toda a força real, não podia modificar, nem podia dizer que não foi. Era aquilo! Comecei a ver o mal que fiz, o que me dava uma tristeza profunda, mas também vi o bem, e isso dava-me uma alegria, uma felicidade enorme. À medida que me fui apercebendo que o bem que fiz era muito mais forte do que os erros que cometi, essa luz (que é que eu hei-de chamarlhe?) davam alento, confiança, força. Ajudava-me. Estava tão feliz!... Vejo vir ao meu encontro os meus pais, meus irmãos já falecidos, outros familiares, vizinhos, amigos, vinham em trajes resplandecentes abraçar-me. Eu estava num estado que nunca tinha tido, nem imaginava que era possível ter. Ao mesmo tempo via a minha família aqui, junto do meu corpo. Enquanto isso, vejo entrar o senhor doutor. Não sei o que me fez, só sei que me tirou deste estado. O médico ficou perplexo até hoje. Já lá vão nove anos. --- Este é um caso, entre tantos outros, de uma experiência próxima de morte (EPM). Nada mais do que um fenómeno que, hoje em dia, é cada vez mais divulgado por todo o mundo. Alguém sofre, de súbito, um acidente fulminante. Na estrada, num hospital, e até na guerra. Está em coma e, em muitos casos, é considerado morto do ponto de vista clínico, durante alguns minutos. Esta, depois de reanimada, conta as experiências que viveu. E descreve-as intensamente. Com fases diversas, comuns a outros casos, a EPM, em certas partes, é vivenciada com profunda lucidez. Por vezes, o ex-paciente fala de um túnel que percorre, com uma luz ao fundo. Ouve sons como campainhas ou uma música bonita, tranquilizadora. Descreve o encontro com o ser de luz, que não se comporta como juiz, mas como uma criatura amorosa e inteligente, até com sentido de humor, ou com familiares falecidos, e, com frequência, antes de passar a última e irreversível fronteira, diz-lhe essa luz que tem de voltar ao corpo. Em profundo bemestar, a ideia não agrada. Detectadas as características clínicas da morte, considera-se a reanimação impossível passado um período de sete minutos, ou menos, sob pena de haver danos nos tecidos cerebrais. Mas algumas destas pessoas estiveram nesse estado sete, 12 e até 16 minutos. Corpo inanimado, parecem ser os vivos de outra dimensão que observaram com detalhe a azáfama que rodeou a morte clínica do seu próprio corpo físico. E, contudo, não morreram. * Dados fictícios para evitar transtornos para a família e demais pessoas envolvidas.
Fonte: http://www.adeportugal.org/mambo/index.php?option=content&task=view&id=19&Itemid=45

Carlos Rodrigues - Tregosa, Fev. 2010