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Comunidade de Taizé

A Comunidade foi fundada em 1940 pelo Frère Roger (Irmão Roger), que
permaneceu como seu Prior até à data de sua morte a 16 de Agosto de 2005, e
é dedicada à reconciliação. A comunidade ecuménica é constituída por mais de
cem homens de várias nacionalidades, representando ramos Protestantes e
Católicos da Cristandade. A vida na comunidade foca a oração e a meditação
cristã. Jovens de todo o mundo visitam Taizé todas as semanas para integrar
na vida da comunidade.

Taizé germinou um estilo único de música contemplativa que reflecte a


natureza meditativa da comunidade. A música de Taizé foca frases simples,
usualmente linhas dos Salmos ou outro pedaço da Escritura, repetidas e
algumas vezes cantadas em cânone. O intuito da repetição é o de ajudar na
meditação e na oração. Mais sobre a música e oração de Taizé pode ser
encontrado no site da comunidade em [1]

A comunidade, apesar de origem Europeia Ocidental, procura acolher pessoas


e tradições ao longo do globo. Este internacionalismo arrasta-se até à música e
orações onde as músicas são cantadas em muitas línguas, cada vez mais
incluindo cânticos e ícones provenientes da tradição Ortodoxa Oriental.

A comunidade de Taizé tornou-se um importante destino de peregrinação


Cristã com milhares de pessoas que a visitam cada ano, e grupos até seis mil
pessoas por semana, especialmente durante o verão. Os encontros de uma
semana com jovens de várias nacionalidades [2] (para jovens dos 17 aos 30
anos de idade) são a prioridade da comunidade.

No coração de Taizé encontra-se uma paixão pela Igreja. É por essa razão que
a comunidade nunca quis criar um "movimento" ou organização centrada em si
mesma, mas sim enviar o jovem de volta dos encontros para a sua Igreja local,
para a sua paróquia, grupo ou comunidade, para realizar, junto com muitos
outros, a "peregrinação de confiança na terra". Em muitos locais ao longo do
globo, orações ecuménicas que usam as músicas de Taizé são organizadas
por gente, novos e velhos, que estiveram em contacto com a comunidade.
Estes tempos de oração são muito variados e integram de forma apropriada na
vida da Igreja local. O site da comunidade [3] fornece reflexões, orações,
canções e notícias sobre a "peregrinação de confiança na terra".

O Irmão Roger foi morto no dia 16 de Agosto de 2005, quando uma mulher
romena aparentemente com distúrbios mentais, o apunhalou várias vezes
durante a oração da noite. A mulher foi presa, mas o Irmão Roger morreu
pouco após o ataque. O Irmão Alois, um católico de origem alemã, sucedeu ao
Irmão Roger. Alois já tinha sido escolhido pelo Irmão Roger oito anos antes.
Irmão Roger de Taizé

12 de Maio de 1915 - 16 de Agosto de 2005


Tudo começou numa grande solidão. Em 1940,
com 25 anos, o irmão Roger deixou a sua terra
natal, na Suíça, para ir viver em França, o país de
sua mãe. Há já vários anos, trazia dentro de si o
chamamento para criar uma comunidade onde se
concretizasse todos os dias a reconciliação entre
cristãos, «onde a bondade do coração fosse vivida
de forma muito concreta e onde o amor fosse o
coração de tudo». Ele desejava que esta
comunidade estivesse presente no meio do
sofrimento daqueles tempos e foi assim que, em plena 2ª guerra mundial, se
estabeleceu na pequena aldeia de Taizé, na Borgonha, a alguns quilómetros
da linha de demarcação que dividia a França ao meio. Começou então a
esconder refugiados (principalmente judeus), que sabiam que, quando fugiam
da zona ocupada, podiam encontrar refúgio em sua casa.
Mais tarde juntaram-se-lhe alguns irmãos. Foi no dia de Páscoa de 1949 que
os primeiros irmãos se comprometerem para toda a vida no celibato, na vida
comunitária e numa grande simplicidade de vida.
No silêncio de um longo retiro, durante o Inverno de 1952-1953, o fundador da
comunidade escreveu a Regra de Taizé, onde expressava para os seus irmãos
«o essencial que permitira uma vida comunitária».
A partir dos anos 50, alguns irmãos foram viver para lugares desfavorecidos
para ficarem mais perto daqueles que sofrem.
Desde os finais dos anos 50, o número de jovens que vem a Taizé cresceu
sensivelmente. A partir de 1962, irmãos e jovens enviados por Taizé não
cessaram de ir e vir dos países da Europa de Leste, com a maior discrição,
para não comprometer as pessoas que estavam a ajudar.
Entre 1962 e 1969, o próprio irmão Roger visitou a maior parte dos países da
Europa de Leste, por vezes para encontros de jovens, autorizados mas muito
vigiados, outras vezes para simples visitas, sem permissão para falar em
público («Calar-me-ei convosco», costumava dizer aos cristãos desses países).
Foi em 1966 que as irmãs de Santo André, comunidade católica internacional
fundada há mais de 7 séculos, vieram habitar para a aldeia vizinha e
começaram a assumir uma parte das tarefas do acolhimento. Mais
recentemente, algumas irmãs ursulinas polacas vieram também dar a sua
colaboração.
A comunidade de Taizé junta hoje uma centena de irmãos, católicos e de
diversas origens evangélicas, vindos de mais de 25 países. Pela sua própria
existência, ela é um sinal concreto de reconciliação entre cristãos divididos e
povos separados.
Num dos seus últimos livros, intitulado «Deus só pode amar», o irmão Roger
descrevia deste modo a sua caminhada ecuménica:
«Poderei recordar aqui que a minha avó materna descobriu intuitivamente uma
espécie de chave para a vocação ecuménica e que me abriu uma via para a
concretizar? Marcado pelo testemunho da sua vida, e ainda muito jovem,
encontrei a minha própria identidade de cristão ao reconciliar em mim mesmo a
fé das minhas origens com o mistério da fé católica, sem ruptura de comunhão
com ninguém.»
Os irmãos não aceitam doações nem ofertas. Nem sequer aceitam para si
mesmos as suas próprias heranças pessoais, mas oferecem-nas aos mais
pobres. É pelo seu trabalho que ganham a vida e partilham com os outros.
Existem agora pequenas fraternidades em bairros desfavorecidos da Ásia, da
África e da América do Sul e do Norte. Os irmãos tentam partilhar as condições
de vida daqueles que vivem à sua volta, esforçando-se por serem uma
presença de amor junto dos mais pobres, dos meninos de rua, dos prisioneiros,
dos moribundos, dos que ficam feridos mesmo no mais profundo de si mesmos
por rupturas de afeição, pelos abandonos humanos.
Hoje, vindos do mundo inteiro, muitos jovens encontram-se em Taizé, durante
todas as semanas do ano, para encontros que podem juntar de um domingo ao
domingo seguinte até seis mil pessoas, representando mais de 70 países. Com
os anos, centenas de milhares de jovens passaram por Taizé, meditando sobre
o tema «vida interior e solidariedade humana». Nas fontes da fé, procuram
descobrir um sentido para a sua vida e preparam-se para assumir
responsabilidades nos lugares onde vivem.
Também homens da Igreja se deslocam a Taizé; assim, a comunidade acolheu
o papa João Paulo II, três arcebispos de Cantuária, metropolitas ortodoxos,
catorze bispos luteranos suecos e numerosos pastores do mundo inteiro.
Para apoiar as gerações mais jovens, a comunidade de Taizé anima uma
«peregrinação de confiança através da terra». Esta peregrinação não organiza
os jovens num movimento centrado na comunidade, mas estimula-os a serem
portadores de paz, de reconciliação e de confiança, nas suas cidades,
universidades, nos seus locais de trabalho, nas suas paróquias, e isto em
comunhão com todas as gerações. Como etapa desta «peregrinação de
confiança através da terra», um encontro europeu de cinco dias reúne no fim
de cada ano várias dezenas de milhares de jovens numa metrópole europeia,
no Leste ou no Ocidente.
Por ocasião do encontro europeu, o irmão Roger publicava todos os anos uma
«carta», traduzida em mais de cinquenta línguas, retomada e meditada depois
durante todo o ano pelos jovens, em suas casas ou nos encontros em Taizé. O
fundador de Taizé escreveu muitas vezes esta carta a partir de um lugar pobre
onde ia viver durante algum tempo (Calcutá, Chile, Haiti, Etiópia, Filipinas,
África do Sul...)
Hoje, no mundo inteiro, o nome de Taizé evoca paz, reconciliação, comunhão e
a espera de uma Primavera da Igreja: «Quando a Igreja escuta, cura e
reconcilia, ela torna-se naquilo que é no mais luminoso de si mesma: límpido
reflexo de um amor» (irmão Roger).

Autor: Paulo Maia (5ºB)


Márcia (6ºG)
Fevereiro 2010