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MINISTÉRIO DA DEFESA

EXÉRCITO BRASILEIRO
SECRETARIA DE ECONOMIA E FINANÇAS
(Contadoria Geral/1841)

PARECER Nº 068/AJ/SEF

Brasília, 07 de outubro de 2008.

1. EMENTA – pensão militar; menor sob guarda; concessão; legalidade.
2. OBJETO – verificar se menor sob guarda judicial faz jus à pensão militar instituída por
seu guardião.
3. LEGISLAÇÃO PERTINENTE
a.
b.
c.
d.
e.
f.
g.
h.

Constituição Federal de 05 Out 1988;
Lei nº 3.765, de 04 Mai 1906 – Dispõe sobre Pensões Militares;
Lei nº 8.069, 13 Jul 1990 – Estatuto da Criança e do Adolescente;
Lei nº 8.212, de 24 Jul 1991 – Dispõe sobre a organização da Seguridade Social,
institui Plano de Custeio;
Lei nº 8.213, de 24 Jul 1991 – Dispõe sobre os Planos de Benefícios da Previdência
Social;
Lei nº 9.528, de 10 Dez 1997 – Alterou os dispositivos das Leis nº 8.212 e 8.213,
ambas de 24 Jul 1991;
Medida Provisória nº 2.215-10, de 31 Ago 2001 – Dispõe sobre a reestruturação da
remuneração dos militares das Forças Armadas;
Decreto nº 49.096, de 10 Out 1960 – Regulamenta a Lei de Pensões Militares.

4. RELATÓRIO
a. Trata-se de consulta encaminhada pela 12ª Inspetoria de Contabilidade e Finanças do
Exército acerca do direito do menor sob guarda perceber pensão militar.
b. Aquela Setorial Contábil questiona a licitude da concessão de pensão militar temporária
a menor sob guarda de militar falecido na vigência da MP 2.215-1, de 31 Ago 01. Após análise da
legislação de regência e em vista de entendimento jurisprudencial, manifestou posicionamento no sentido
de que “os menores sob guarda não reúnem condições legítimas de direito à sua cota-parte de benefício
da pensão militar”, pelos motivos que se passa a transcrever:

a) Que encontra óbice na existência dos demais beneficiários do
instituidor que podem ser, o cônjuge, o companheiro ou companheira
designada ou que comprove união estável como entidade familiar, a pessoa
desquitada, separada judicialmente, divorciada do instituidor ou a exconvivente, desde que percebam pensão alimentícia (com fundamento da MP nº

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2.215, de 31 Ago 2001. Esse entendimento privilegia as efetivas relações
familiares e não o formalismo jurídico;
b) Levando em consideração que o menor sob guarda deixou de
ser comparado ao filho desde o advento da Lei nº 9.258, de 10 Dez 1997, e
tendo o guardião falecido após essa modificação, descabe falar em direito à
pensão ao menor sob guarda, vez que não havia direito adquirido ao benefício,
mas apenas expectativa de direito, que frustrou-se ante a seqüência de
prioridades, excluindo-se desse direito os aludidos dependentes na qualidade
de beneficiário, inibiria o pretenso direito dos requerentes ao beneficio, numa
eventual condição de beneficiário instituídos, pois tal situação só se configura
se não existissem beneficiários de ordens anteriores habilitados à pensão, o
que não ocorre, ademais não poderia haver reversão em ordens anteriores em
favor de beneficiário instituído, por dispositivo legal ao pedido, vez que
quando da morte dos instituidores, há beneficiários legítimos e também
ausência de renúncia expressa, pressuposto para a concessão da pensão;
c) Os pais são sempre os primeiros responsáveis pelo sustento e
manutenção dos filhos, pois não são inválidos e nem tão pouco os menores são
órfãos de pai e mãe. Não há, portanto, insuficiência econômica dos genitores
dos menores, isso configura não só violação da moralidade, mas também o
princípio da transparência, à conta da sociedade, um privilégio inaceitável à
custa do erário;
d) Com o falecimento do instituidor da pensão, os pais dos
menores reassumiram o pátrio poder, quando, representando os menores
assinaram seus requerimentos e declarações objetivando a pensão militar, de
tal forma que uma criança sob guarda de seus avós ou de terceira pessoa, será
por estes representada, em juízo ou fora dele, para defesa de seus interesses e,
por não existirem nos processos provas que os pais dos menores sob guarda
em questão, não apresentam condições físicas, psicológicas e financeiras para
realizarem a guarda e responsabilidade de seus filhos;
e) Cabe ressaltar, que a jurisprudência do TCU, no tocante à
comprovação de dependência econômica é uniforme no sentido de que a
justificação judicial não é, por si só, documento suficiente para alcançar tal
finalidade. Outros elementos devem ser agregados ao processo, de modo a
demonstrar a efetiva dependência. A justificação judicial é processo
voluntário, no qual não há lide e nem sentença de mérito, limitando-se o juiz a
verificar se foram observadas as formalidades legais. (sic)
c. Faz alusão, ainda, ao Parecer nº 077, de 22 Ago 2007, da Assessoria Jurídica desta
Secretaria, que ao analisar em um caso concreto a concessão de pensão militar entendeu que menor sob
guarda detém a mesma condição jurídica de filha do instituidor fazendo jus ao recebimento do beneficio,
e, tendo o militar falecido contribuído com 1,5% para a pensão militar, teria a menor direito de modo
vitalício.
d. Assim sendo, dada à aparente divergência entre o entendimento jurisprudencial
apresentado e a posição adotada por esta Secretaria, o assunto veio à nova apreciação, com a finalidade de
padronizar os procedimentos de concessão da pensão militar a menor sob guarda.

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5. APRECIAÇÃO
a. Preliminarmente, há que se apontar que as razões aduzidas por aquele órgão de controle
interno se referem a casos concretos, não servindo como parâmetro absoluto para a concessão da pensão
militar.
b. É importante, inicialmente, observar que a concessão de benefícios previdenciários no
âmbito militar é regida pela Lei de Pensões Militares, Lei nº 3.765/90. Trata-se, portanto, de regime
diferenciado, regulado por legislação especifica, não sendo aplicável o Regime Geral da Previdência
Social, instituído pela Lei nº 8.212/91.

EMENTA: PREVIDENCIÁRIO. MENOR SOB GUARDA. EXCLUSÃO DO REGIME
GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. ERRO MATERIAL. AUSÊNCIA.
I - A lei 9.528/97 alterou o § 2º do art. 16 da lei 8.213/91, para excluir o
menor sob guarda do rol dos dependentes do segurado, como beneficiários
do Regime Geral de Previdência Social (RGPS).
II - Todavia, a derrogação não alcançou o Estatuto da Criança e do
Adolescente, que confere ao menor sob guarda, a condição de dependente
para "fins previdenciários". O termo "fins previdenciários" abrange o
Regime Geral de Previdência Social, o Regime de Previdência Social do
Servidor Público, bem como a Previdência Complementar ou Privada.
III - Se a Lei 9.528/97 excluiu o menor sob guarda do rol dos dependentes
do segurado sob o Regime Geral de Previdência Social, essa modificação
não pode alcançar qualquer outro regime de previdência, já que esse é
disciplinado por leis específicas.
IV - Ausente qualquer erro material no julgado, o que se verifica é mero
inconformismo do embargante com o resultado do julgado, contrário às
suas pretensões.
V - Embargos Rejeitados. (EERESP 398213/RS, 5ª T., Relator Min. Gilson
DIPP, J. 21/08/2003, DJ 29/09/2003, Pg. 307

c. Ainda que inaplicável à concessão da Pensão Militar, é pertinente tecer algumas
considerações sobre o Regime Geral da Previdência Social no que concerne ao menor sob guarda judicial
a título ilustrativo. A Lei 8.213/91, que dispõe sobre os Planos de Benefícios da Previdência Social, em
seu texto original garantia expressamente a condição de dependente ao enteado, ao tutelado e também ao
menor sob guarda judicial, equiparando-os a filho, ex vi do art. 16, I, § 2º.
d. Posteriormente, por força das alterações contidas na Lei nº 9.528/97, suprimiu-se a
equiparação do menor sob guarda, fazendo-se alusão apenas ao enteado e ao menor sob tutela, nestes
termos: "O enteado e o menor tutelado equiparam-se a filho mediante declaração do segurado e desde
que comprovada a dependência econômica na forma estabelecida no Regulamento".
e. Por sua vez, o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, Lei nº 8.069/90,
regulamentando a matéria, expressamente garantiu direitos previdenciários ao menor sob esta condição,
nos seguintes termos:
"Art. 33. A guarda obriga a prestação de assistência material, moral e
educacional à criança ou adolescente, conferindo a seu detentor o direito de
opor-se a terceiros, inclusive aos pais.

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(...)
§ 3º. A guarda confere à criança ou adolescente a condição de dependente,
para todos os fins e efeitos de direito, inclusive previdenciários."

f. O termo “guarda” exprime a obrigação imposta a certas pessoas de ter em vigilância:
coisas que lhes são entregues ou confiadas; bem como pessoa que se encontre sob sua responsabilidade. A
guarda é o dever jurídico ao qual se obriga a pessoa - em decorrência de contrato, de fato ou de omissão.
g. Pode-se, então, afirmar que, nos termos da Lei nº 8.069/90, a guarda judicial confere ao
menor todos aqueles direitos deferidos ao filho natural, e dentre estes os previdenciários, com o fito de
proteger o menor assistido, garantindo-lhe um futuro sadio e seguro, na proteção de pessoa responsável
material e afetivamente.
h. O instituto da guarda implícito no texto constitucional vem garantir a toda criança o
direito de ter um guardião a protegê-la, prestando-lhe toda assistência na ausência dos genitores. A
Constituição Federal, no capítulo reservado à família, à criança, ao adolescente e ao idoso, determina:
"Art. 227- É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança
e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à
alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à
dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária,
além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação,
exploração, violência, crueldade e opressão.
(...)
§ 3º - O direito a proteção especial abrangerá os seguintes aspectos:
(...)
II - garantia de direitos previdenciários e trabalhistas;
(...)
VI - estímulo do poder público, através de assistência judiciária jurídica,
incentivos fiscais e subsídios, nos termos da lei, ao acolhimento, sob a
forma de guarda, de criança ou adolescente órfão ou abandonado; (...).

i. Subsume-se, do excerto legal, que a Constituição Federal protege e incentiva a guarda
judicial, visando o bem-estar da criança e do adolescente, concedendo-lhes direitos fundamentais
necessários ao seu desenvolvimento. Nestes termos, observa-se que a Lei nº 8.09/90, Estatuto da Criança
e do Adolescente, mostra-se em perfeita sintonia com as prescrições constitucionais relativas ao menor.
j. Todavia, coexistem no ordenamento jurídico pátrio, no que se refere à condição de
dependente do menor sob guarda, para fins previdenciários, uma lei de ordem geral, a Lei n º 8.213/91,
que regulamentou o Plano de Benefícios da Previdência Social, e outra de ordem específica, a Lei nº
8.069/90, que instituiu o Estatuto da Criança e do Adolescente. Observa-se, portanto, que regulam de
forma antagônica a condição jurídica do menor sob guarda judicial.
k. O conflito deve ser dirimido segundo regras de hermenêutica jurídica que determinam
que lei geral não derroga lei especial. Lex generalis non derrogat lex especialis. Nesta esteira, não cabe
falar em anulação parcial do art 33, § 3º, do ECA, pela alteração trazida pela Lei 9.529/97, por ser

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modificadora da Lei nº 8.213/91, Plano de Benefícios da Previdência Social, e por não ser esta afeta a
situações específicas normatizadas em lei especial. Neste sentido:
EMENTA: PREVIDÊNCIA PRIVADA. CRIANÇA E ADOLESCENTE
GUARDA. ART. 33, § 3º DO ECA. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE.

SOB

1 - As crianças e adolescentes sob guarda, nos expressos termos do art.
33, § 3º do ECA são dependentes, para todos os fins e efeitos de direito,
inclusive previdenciários.
2 - Não se admite a derrogação deste dispositivo pela Lei nº 9.528/97
porquanto trata-se de diploma legal alterador da Lei nº 8.213/91, ou seja,
do Regime Geral da Previdência Social cujo espectro de incidência não
alcança situações particulares definidas em lei especial (lex generalis non
derrogat lex specialis). Mesmo porque o direito em questão tem
fundamento constitucional (art. 227, § 3º, II e VI).
3 - Afirmação pura e simples de contenção de despesas ou de fraude no
procedimento de guarda não têm o condão de elidir o direito expresso no
art. 33, § 3º do ECA.
4 - Recurso conhecido e provido." (RESP 346157/SC, Rel. Min. Fernando
Gonçalves j. em 02.04.2002).
EMENTA: PREVIDENCIÁRIO. MENOR SOB GUARDA. PARÁGRAFO 2º, ART.
16 DA Lei Nº 8.231/91. EQUIPARAÇÃO À FILHO. FINS PREVIDENCIÁRIOS.
Lei 9.528/97. ROL DE DEPENDÊNCIA. EXCLUSÃO. PROTEÇÃO AO MENOR.
ART. 33, PARÁGRAFO 3º DA LEI 8.069/90. ECA. GUARDA E DEPENDÊNCIA
ECONÔMICA COMPROVAÇÃO. BENEFÍCIO. CONCESSÃO. POSSIBILIDADE.
PRECEDENTES DO STJ. AGRAVO INTERNO.DESPROVIDO.
I – A redação anterior do § 2º do artigo 16 da Lei 8.213/91 equiparava o
menor sob guarda judicial ao filho para efeito de dependência perante o
regime geral de previdência social. No entanto, a lei nº 9.528/97 modificou
o referido dispositivo legal, excluindo do rol do artigo 16 e parágrafos esse
tipo de dependente.
II - Todavia, a questão merece ser analisada à luz da legislação de
proteção ao menor.
III - Neste contexto, a Lei 8.069/90 - Estatuto da Criança e do Adolescente
- prevê, em seu artigo 33, § 3º, que: "a guarda confere à criança ou
adolescente a condição de dependente, para todos os fins e efeitos de
direito, inclusive previdenciário."
IV - Desta forma, restando comprovada a guarda deve ser garantido o
benefício para quem dependa economicamente do instituidor, como ocorre
na hipótese dos autos. Precedentes do STJ.
V- Agravo interno desprovido.
(AGRG NO RESP 684.077/RJ, REL. MINISTRO GILSON DIPP, QUINTA
TURMA, JULGADO EM 14.12.2004, DJ 21.02.2005 P. 226)

EMENTA: ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE NETA MENOR
QUE ESTEVE SOB A GUARDA DO AVÔ EX-MILITAR DIREITO A PENSÃO
ESPECIAL INTELIGÊNCIA DO ART. 33, § 3º, DA LEI 8.069/90. O Estatuto
da Criança e do Adolescente confere ao menor sob guarda de terceira

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pessoa que não os pais a condição de sua dependente para todos os
efeitos de direito. Assim, faz jus à pensão especial deixada pelo avô exmilitar a neta que esteve sob sua guarda, conforme dispõe o art. 33, §
3º, da Lei 8.069/90.
(APELAÇÃO Nº 96.01.46369-6,
REGIÃO)

TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL - 1ª

l. Ao par destas considerações, não há que se falar em revogação da redação do art. 16 da
Lei 8.213/91 pela Lei 9.528/97, por ofensa a preceitos constitucionais ligados à proteção da criança e do
adolescente, bem como à própria legislação especial que normatiza o tema. Neste sentido, é patente que,
ainda que o RGPS fosse de observância obrigatória para a concessão dos direitos previdenciários aos
beneficiários de militar falecido, a alteração trazida pela Lei nº 9.258/97, não se constituiria óbice à
habilitação do menor sob guarda.
m. Ultrapassado o questionamento da incidência do Regime Geral da Previdência Social,
mais especificamente do § 2º, art 16, da Lei 8.231/91, passa-se a analisar outro questionamento formulado
por aquela Inspetoria Contábil: a ordem de prioridade no deferimento do beneficio.
n. A ordem de prioridade a ser observada para a concessão da pensão militar é prevista nos
incisos do art 7º, da Lei de Pensões Militares, nos seguintes termos:

Art. 7º A pensão militar é deferida em processo de habilitação, tomando-se
por base a declaração de beneficiários preenchida em vida pelo
contribuinte, na ordem de prioridade e condições a seguir:
I – primeira ordem de prioridade:
a) conjugue;
b) companheiro ou companheira designada ou que comprove união estável
como entidade familiar;
c) pessoa desquitada, separada judicialmente, divorciada do instituidor ou a
ex-convivente, desde que percebam pensão alimentícia;
d) filhos ou enteados até vinte e um anos de idade ou até vinte e quatro
anos de idade, se estudantes universitários ou, se inválidos, enquanto
durar a invalidez; e
e) menor sob guarda ou tutela até vinte e um anos de idade ou, se
estudante universitário, até vinte e quatro anos de idade, se inválido,
enquanto durar a invalidez.
II – segunda ordem de prioridade, a mãe e o pai que comprovem
dependência econômica do militar;
III – terceira ordem de prioridade:
a) o irmão órfão, até vinte e um anos de idade ou, se estudante
universitário, até vinte e quatro anos de idade, e o inválido, enquanto durar
a invalidez, comprovada a dependência econômica do militar.

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b) a pessoa designada, até vinte e um anos de idade, se inválida, enquanto
durar a invalidez, ou maior de sessenta anos de idade, que vivam na
dependência econômica do militar.

o. Os parágrafos do art 7º, cuidam em determinar a forma de rateio entre os beneficiários
de mesma ordem, in verbis:
§ 1o A concessão da pensão aos beneficiários de que tratam o inciso I,
alíneas "a", "b", "c" e "d", exclui desse direito os beneficiários referidos nos
incisos II e III.
§ 2o A pensão será concedida integralmente aos beneficiários do inciso I,
alíneas "a" e "b", ou distribuída em partes iguais entre os beneficiários
daquele inciso, alíneas "a" e "c" ou "b" e "c", legalmente habilitados, exceto
se existirem beneficiários previstos nas suas alíneas "d" e "e".
§ 3o Ocorrendo a exceção do § 2o, metade do valor caberá aos
beneficiários do inciso I, alíneas "a" e "c" ou "b" e "c", sendo a outra
metade do valor da pensão rateada, em partes iguais, entre os
beneficiários do inciso I, alíneas "d" e "e" (NR dada ao artigo pela
Medida Provisória nº 2.215-10, de 31/08/01)

p. O art 9º, também da Lei nº 3.765/60, prossegue assim dispondo sobre a divisão de cotaparte:
Art. 9º A habilitação dos beneficiários obedecerá, à ordem de preferência
estabelecida no art. 7º desta lei.
§ 1º O beneficiário será habilitado com a pensão integral; no caso de mais
de um com a mesma precedência, a pensão será repartida igualmente
entre eles, ressalvadas as hipóteses dos §§ 2º e 3º seguintes.
§ 2º Quando o contribuinte, além da viúva, deixar filhos do matrimônio
anterior ou de outro leito, metade da pensão respectiva pertencerá à viúva,
sendo a outra metade distribuída igualmente entre os filhos habilitados na
conformidade desta lei.
§ 3º Se houver, também, filhos do contribuinte com a viúva ou fora do
matrimônio reconhecidos estes na forma da Lei nº 883, de 21 de outubro
de 1949 metade da pensão será dividida entre todos os filhos, adicionandose à metade da viúva as cotas-partes dos seus filhos.
§ 4º Se o contribuinte deixar pai inválido e mãe que vivam separados, a
pensão será dividida igualmente entre ambos.

q. Subsume-se, do texto legal, que os integrantes de uma mesma ordem não são
excludentes entre si, mas, antes, concorrentes na partilha da pensão nos moldes estabelecidos. A
existência de dependente numa classe exclui, tão-somente, o direito dos dependentes da classe seguinte.
Vale dizer que por força do § 3º, do art 7º, combinado com o § 1º, do art 9º, ambos da Lei nº 3.765/60, o
menor sob guarda é habilitável à pensão militar, independentemente da existência de outros beneficiários
de mesma ordem.
r. É de se evidenciar que o texto original da lei em apreço não cotejava o menor sob guarda
como beneficiário da pensão militar, esta inovação foi trazida pela Medida Provisória nº 2.215/10, de 31
Ago 2001. Deflui-se, portanto, que o legislador ordinário visou adequar a Lei de Pensões Militares às

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prescrições contidas no Texto Maior e no Estatuto da Criança e do Adolescente. Neste norte, há que se
refutar as argumentações apresentadas pela 12ª ICFEx quanto à impossibilidade de concessão ao menor
sob guarda em face da existência de beneficiários legítimos e ausência de renúncia expressa.
s. Após as considerações expendidas, passa-se a apreciar a jurisprudência Tribunal de
Contas da União que, em alguns julgados, tem se manifestado pela ilegalidade do deferimento da pensão
a menor sob guarda.
t. Compulsando os Acórdãos 724/2008, 1507/2007, 1046/2005, 910/2005, 171/2005, da 2ª
Câmara, 980/2006, da 1ª Câmara e 586/2006, do Plenário, todos daquela Corte de Contas, conclui-se que
a denegação de concessão não se funda no aspecto legal de ser ou não o menor sob guarda beneficiário
para fins previdenciários, como se observa no teor da decisão mais recente:
ACÓRDÃOS 724/2008 – SEGUNDA CÂMARA -TCU
VOTO DO MINISTRO RELATOR
(...)
2. Quanto à primeira pensão (fls. 1/6), a unidade técnica a considera
eivada de vício, haja vista que pelo que se depreende de decisões
remanescentes deste Tribunal (AC 910/2005, 646/2003 e 171/2005, todos
da Segunda Câmara, entre outros), por analogia, apenas o termo de
guarda, por si só, não é suficiente o bastante para imprimir forte convicção
quanto à veracidade da dependência econômica. Não consta dos autos
nenhum outro elemento que corrobore essa condição.
(...)
7. No lastro desse raciocínio, transcrevo, a seguir, trecho do voto deste
relator que desaguou no Acórdão 980/2006-TCU-Primeira Câmara:
(...)
2. A pensão civil de caráter temporário é deferida à menor sob
guarda ou tutela, até vinte e um anos de idade, sem a exigência de
comprovação de dependência econômica do beneficiário em relação
ao instituidor, conforme previsto na alínea b do inciso II do art. 217
do citado diploma legal. Na espécie, esta Corte de Contas tem
entendido que é presumida a dependência econômica dos menores
sob guarda em relação ao instituidor, pois é como se seus filhos
fossem (Acórdão 586/2005-Plenário, em ter outros). Assim, do
ponto de vista estritamente jurídico-legal, não haveria óbices que
impedissem o deferimento da presente concessão.
3. Todavia, se de um lado os menores sob guarda judicial não
estejam obrigados a comprovar sua dependência econômica em
relação ao instituidor, por inexigibilidade legislativa e também
porque esta já se presume, do outro lado poderá exsurgir do
conjunto probatório analisado elementos suficientes que ensejem
uma convicção contrária, ou seja, de que os menores, a despeito da
existência do precitado título judicial, não necessitam do benefício
pensional por não dependerem, de fato, de seu instituidor. Desse
modo, por tratar-se de presunção juris tantum, a pretensão
deduzida não poderia subsistir.
(...)

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8. Além dos supracitados Acórdãos 586/2006-TCU-Plenário e
980/2006-TCU-Primeira Câmara, também os Acórdãos 646/2003,
171/2005, 910/2005 e 1.046/2005, todos da Segunda Câmara;
468/2006 e 732/2006, da Primeira Câmara, e 1.006/2004, do
Plenário, todos, sem exceção, trataram de casos em que a
presunção legal relativa foi afastada, tendo em vista que, do
conjunto probatório produzido nos autos, restou, de luminosa
claridade, que aqueles menores sob guarda não necessitavam da
pensão que lhes fora instituída, uma vez que seus pais possuíam
meios suficientes para sua manutenção e sustento, ficando
descaracterizada a dependência econômica desses pensionistas em
relação aos instituidores.
9. Dessume-se, do até aqui exposto, que o entendimento
sedimentado neste Tribunal é o de que, na espécie, no caso de
existência de provimento judicial válido que confira ao instituidor a
guarda
e
responsabilidade
de
menor,
e,
verificando-se
minuciosamente, caso a caso, a ausência de indício de fraudes e não
afastada a presunção de dependência econômica, a concessão
poderá ser considerada legal. A contrário sensu, será recusada e
negado o seu registro.
10. Por derradeiro, entendo que o documento acostado às fls. 15 Certidão de Guarda -, diferentemente da Justificativa Judicial,
confere ao menor dependência econômica em relação ao instituidor,
admitindo-se prova em contrário, o que não houve no caso em
comento, razão por que penso que a presente concessão poderá
prosperar, a exemplo dos precedentes citados.

u. É de se afirmar que o fundamento da Corte de Contas da União no sentido de denegar a
concessão da pensão reside no fato de não restar comprovada a dependência do menor em relação ao
instituidor do beneficio. É pertinente asseverar que este entendimento não se encontra pacificado naquela
Corte, não obstante seja majoritário. É o que se infere do Acórdão 2815/2007 – Segunda Câmara, desse
Tribunal, onde o eminente Ministro Relator Aroldo Cedraz divergiu deste entendimento, apontando que a
exigência de demonstração de dependência econômica em julgados pretéritos se originou do prévio
conhecimento de que os genitores dos menores entregues sob guarda possuíam capacidade de sustento.
Assim sendo, entende que as exigências serão razoáveis quando existirem fortes indícios de tentativa de
dano ao erário ou de desvio de finalidade da norma, que é garantir a proteção do assistido. De modo
diverso, inexistindo vestígios de ilegalidade, entende o Relator, que a exigência é exorbitante, por
extrapolar os limites da lei.
v. Existe, pois, dissensão quanto a exigência de comprovação da dependência econômica,
haja vista a inexistência de previsão legal para tanto, uma vez que o texto legal é silente quanto à
necessidade deste requisito para habilitação do menor sob guarda.
w. Entretanto, ainda que se entenda necessária a comprovação da condição jurídica do
menor em relação ao instituidor, a emissão de juízo de valor quanto à dependência econômica e sua
demonstração não se insere na esfera das atribuições da Administração. Vale dizer: não compete ao órgão
emissor do Título de Pensão Militar Provisório apreciar ato juridicamente constituído – Termo de Guarda
Judicial, competindo-lhe apenas verificar os requisitos formais para a habilitação do beneficiário.
x. Todavia, a Administração Militar, com o fito a subsidiar possível posicionamento do
Tribunal de Contas, poderá instruir o processo de habilitação à pensão militar com elementos de prova
que caracterizem dependência econômica, como por exemplo:

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Declaração de Imposto de Renda do instituidor, em que conste o habilitando como
seu dependente;
Disposição testamentária;
Declaração especial feita perante tabelião;
Prova de mesmo domicílio;
Conta bancária conjunta;
Registro em associação de qualquer natureza, onde conste nome do habilitando
como dependente do instituidor;
Apólice de seguro em que conste o habilitando como beneficiário; e,
Ficha de tratamento em instituição de assistência medica.

y. Por fim, no que concerne à concessão de pensão, bem como à duração do pagamento do
benefício, a menor sob a guarda de militar instituidor falecido sob a égide da Medida Provisória 2.21510, de 31 Ago 01, e diante das argumentações anteriormente aduzidas – equiparação do menor sob guarda
para todos os fins, inclusive previdenciário, por força do ECA, esta Secretaria ratifica o entendimento
manifesto por intermédio do Parecer 077/AJ/SEF, de 22 Ago 07, no sentido de conceder pensão militar
vitalícia a menor sob guarda instituída por militar que, após a edição da Lei de Remuneração dos
Militares, MP nº 2.215-10/2001, manteve o recolhimento do percentual de 1,5% para a pensão militar, por
entende-la como filha do de cujus.
6. CONCLUSÃO a. Isso posto, esta Secretaria entende que:
1) O menor sob guarda de militar falecido é beneficiário legítimo da pensão militar,
porquanto previsto dentre os de primeira ordem de prioridade;
2) Os beneficiários de uma mesma ordem de prioridade concorrem simultaneamente ao
beneficio, sendo legalmente previsto o rateio da pensão em cotas-parte nos termo da Lei 3.765/60;
3) O espectro da Lei nº 8.212/90, RGPS, não alcança a pensão militar, posto que esta se
encontra regulada por legislação especial;
4) Ainda que o RGPS fosse de observância obrigatória para a habilitação à pensão militar,
a alteração levada a efeito pela Lei nº 9.529/97, que retirou do § 2º do artigo 16 da Lei 8.213/91, o direito
do menor sob guarda à percepção de benefícios previdenciários, não seria impedimento à concessão do
benefício, por força do disposto no ECA;
5) O entendimento manifesto pelo TCU, contido na jurisprudência colacionada, não reside
na juridicidade de ser ou não o menor sob guarda beneficiário para fins previdenciários, mas sim na não
demonstração da relação de dependência econômica entre o menor e seu guardião;
6) Ainda que majoritário, naquela Corte de Contas, o entendimento de que, para a
concessão de pensão ao menor sob guarda, se faz necessária a comprovação da dependência econômica, a
manifestação de juízo de valor acerca da relação jurídica existente entre o menor habilitando e o
instituidor do benefício não cabe à Administração Militar; e,

(Continuação do Parecer

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7) Consoante entendimento jurisprudencial dominante, a menor sob guarda ostenta a
condição jurídica de filha. Assim sendo, para fins de concessão de pensão militar, esta fará jus à
percepção do benefício de modo vitalício, à luz da redação original do art. 7º, inciso II, da Lei 3.765, de
1960, se o militar optou por continuar contribuindo com o índice de 1,5% a fim de manter os benefícios
da Lei de Pensões.
b. Assim, é de se DISCORDAR, data máxima vênia, do posicionamento manifesto pela
12ª ICFx, que entende não ser o menor sob guarda beneficiário legítimo da pensão militar.
É o Parecer.
S.M.J.
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ELIANY DE OLIVEIRA GALVÃO
Auxiliar da Assessoria Jurídica/SEF
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GUSTAVO CASTRO ARAUJO – 1º Ten QCO- Direito
Adjunto da Assessoria Jurídica/SEF
De Acordo:
__________________________________________________
OCTAVIO AUGUSTO GUEDES DE FREITAS – Cel R/1
Rsp p/ Chefe da Assessoria Jurídica /SEF
7. DECISÃO –
a. Concordo com o presente Parecer.
b. A Assessoria Jurídica desta Secretaria elabore encaminhamento deste Subsecretário
às seguintes autoridades:
1) Ch da 12ª ICFEx, na qualidade de responsável pela consulta, para as providências
decorrentes;
2) Diretor de Auditoria, para conhecimento;
3) Vice-chefe do Departamento-Geral do Pessoal, para conhecimento, por se inserir, o
tema, na área de interesse da Diretoria de Civis, Inativos e Pensionistas.

O original assinado encontra-se
arquivado na Asse Jur/SEF
__________________________________
Gen Div SEBASTIÃO PEÇANHA
Subsecretário de Economia e Finanças
OSÓRIO 200 ANOS
“É fácil a missão de comandar homens livres: basta mostrar-lhes o caminho do dever”