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Remotas paisagens.

Joyce McDougall e os destinos do psicossoma

Rubens Marcelo Volich1

Resumo: A partir da história pessoal de Joyce McDougall, este texto descreve o caminho
por ela percorrido em sua formação em Londres e Paris. Destaca sua abertura às
diferentes correntes psicanalíticas e as influências das trocas por ela estabelecidas com
seus contemporâneos na criação de seus próprios conceitos. Analisa, igualmente, as
principais concepções de J. McDougall sobre sexualidade, perversão, desenvolvimento do
psicossoma, somatizações e a originalidade de seus conceitos de normopatia, desafetação,
histeria arcaica, psicose atual.
Palavras-chave: Joyce McDougall; psicanálise; psicossomática; homossexualidade
feminina; neossexualidades; normopatia; desafetação; criatividade; histeria arcaica;
psicose atual.

[...] em toda análise ocorrem ‘tempos mortos’, durante os quais o processo é refreado. [...] cada
vez que eu me encontrava em dificuldades, não compreendia mais nada ou não conseguia
comunicar minha compreensão [...] [quando] o processo analítico, com todas as modificações
profundas de que é capaz de induzir, não desencadeava nada – nesses momentos, punha-me a
escrever.
(McDougall, 1978, pp. 9-10).

Talvez seja esse o destino dos insulares. Espreitar o horizonte, tentar alcançá-lo,
sonhar com outras terras. Aguardar os navios, procurando, no relato dos viajantes, as
notícias de além-mar, as histórias das travessias, dos perigos, das descobertas, das
emoções das viagens. Suportar as noites insones, sorvendo, excitados, as histórias dos
que chegaram, e as maldormidas, pela tristeza das despedidas. Esperar pelas notícias,

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Psicanalista. Doutor pela Universidade de Paris VII – Denis Diderot. Professor do Curso de
Psicossomática Psicanalítica do Instituto Sedes Sapientiae. Autor de Psicossomática: de Hipócrates à
Psicanálise (São Paulo: Casa do Psicólogo, 2000); Hipocondria: impasses da alma, desafios do corpo
(São Paulo: Casa do Psicólogo, 2002); Segredos de mulher: diálogos entre um ginecologista e um
psicanalista (em coautoria com Alexandre Faisal), (São Paulo: Atheneu, 2010); coorganizador e autor dos
livros da série Psicossoma (São Paulo: Casa do Psicólogo).

à solidão. Enfrentando silêncios e vazios do sofrimento humano. Apaixonadamente. Joyce viveu sua infância e adolescência. já como jovem analista em formação. principalmente ingleses. Joyce resistiu pensando. também acompanhou os seminários de D. em sua vida. teve dois filhos. em sua clínica. distante cerca de 2. quando se encantou pela obra de Freud e teve seus primeiros contatos com as conferências radiofônicas de Winnicott na BBC. trouxe consigo o interesse pela literatura. Ou ao sonho. lançando-se. pp. Formou-se em psicologia. analisando. Winnicott e trabalhou ao seu lado no Hospital Infantil de Paddington Green. Naquelas terras. Jimmy McDougall. Casou-se. para tornar-se psicanalista. entregou-se a essa aventura. em sua escrita. à desconfiança. Porém. escrevendo. ela revelava um dom que se tornaria uma de suas . de origem inglesa. em 1920. mais tarde renomeada Centro Anna Freud. Joyce McDougall impregnou-se das marcas de sua geografia natal. Em Londres. pela pintura e pelo teatro. em arte. Foi essa a escolha de Joyce. Nessas inserções. ao encenarem juntos uma peça de Dylan Thomas. calorosa. à fantasia. 20-21). e. no início dos anos 1950. a violência da doença.000 quilômetros de seu vizinho mais próximo. agradecendo a ela por lhe ter revelado “a riqueza da noção de teatro interno dos dramas perdidos” (1982. e que lhe permitiu conhecer seu primeiro marido. é um convite ao isolamento. partiu com sua família para a Inglaterra. Desembarcou em Londres em meio ao intenso conflito na Sociedade Britânica de Psicanálise entre os seguidores de Anna Freud e os de Melanie Klein. o tédio e a impotência diante dos excessos da normalidade. até soltar as amarras. Daquela época.pelos reencontros. imaginar a partida. em escuta. sempre admirou a genialidade de Melanie Klein: “a primeira analista que reconheceu a profunda importância simbólica do jogo da criança”. dividido ao meio pelo mar. na aventura da travessia. na família Carrington. a si mesmo. da sexualidade e das convenções sociais. Um país sem fronteiras terrestres. à busca do outro. sensível. marcadas por paisagens exuberantes. praticado em família desde os tempos de criança. frequentou seus cursos por quatro anos e iniciou sua clínica como analista de crianças na Clínica Hampstead. Foi aceita por Anna Freud na formação em psicanálise de crianças. ao encontro do desconhecido. Joyce a homenageia especialmente em Teatros do eu. animais exóticos e dividida entre as raízes polinesianas Maori e a cultura bem mais recente de imigrantes europeus. Joyce McDougall mergulhou nesse destino. as tormentas dos conflitos institucionais. Afável. Nascida na Nova Zelândia. W. transformou sua sina.

[Schlumberger] não suportava a homossexualidade de seu pai e afirmava tranquilamente que o futuro da psicanálise pertencia às mulheres não médicas. René Major e Robert Barande. também seu supervisor. Queria compreender suas divergências teóricas e clínicas. continuou a se interessar por seus trabalhos. de conviver e dialogar com diferentes grupos. propôs uma formação mais livre. 168). Mais tarde. encontrou-se em meio ao fogo cruzado de outra “guerra civil” (sic). Tal constatação só veio a reforçar sua aversão a todo dogmatismo em psicanálise (p. 1986.. Em razão de uma proposta de trabalho da Unesco recebida por seu marido. Lacan era intelectualmente mais brilhante. Sou contra as igrejas que impedem as pessoas de pensar.principais marcas: a capacidade de transitar entre diferentes visões da psicanálise. no âmbito da Sociedade de Psicanálise de Paris (SPP). participando mesmo de seus seminários na Sociedade Francesa de Psicanálise. e a falta de interesse pelas verdadeiras questões psicanalíticas. Joyce McDougall procurou cada um deles para compreender a situação. foi também analista de Wladimir Grannoff e de Moustapha Saphouan. Porém. analisado por Laforgue e Nacht. Joyce decidiu continuar sua formação na SPP.. essas características de seu analista ganham um colorido especial. É interessante refletir sobre prováveis experiências transferenciais e contratransferenciais de Joyce com ele. 2001). a criatividade e a originalidade de Lacan. p. “como Winnicott em Londres” (sic). Em pouco tempo. 2 3 . juntamente com André Green. Roudinesco: “Órfão de mãe inglesa. Participou dos seminários de M. à luz da descrição de E. Precisando mudar para Paris em 19532. com a possibilidade de os candidatos escolherem os seminários que lhe interessassem (Moro. mas sofre de uma certa inibição para escrever. mas a personalidade de Nacht era talvez mais estável” (Moro. 2001).] Nem um nem outro falou da psicanálise! Os dois tinham razão: Lacan tornou-se mundialmente conhecido por suas ideias e Sacha Nacht desenvolveu a clínica e conseguiu que [a psicanálise] fosse reembolsada pela Seguridade Social. 5 “Gosto de trabalhar com pessoas de diferentes grupos. saiu decepcionada ao constatar o pouco de coerência dos argumentos apresentados por ambas as partes (fora as questões puramente narcísicas). essa característica seria novamente colocada à prova. Segundo a própria Joyce. 2001). Da perspectiva da história de Joyce McDougall. Creio que podemos aprender com todos” (Moro. frequentou também seminários da École Freudienne e do Quatrième Groupe5. mesmo em meio a conflitos. que não consegue superar” (Roudinesco. [. Marc Schlumberger4. Segundo Ceccarelli (1997). Tornou-se membro titular da SPP em 1961. reconhecendo o carisma. Esse esteta sedutor admira a feminilidade. 2001). como veremos. e foi secretária científica em 1971. entre Sacha Nacht e Jacques Lacan (Moro. e de grupos de supervisão de adolescentes com René Diatkine. Benassi e de Maurice Bouvet. mas não se convenceu com os argumentos. pois seu analista. Questionando a formação “concentrada e rígida” do Instituto. 4 Marc Schlumberger. eu pedi uma entrevista a Jacques Lacan e a Nacht. nem de um nem de outro3. “no momento da cisão. 105). permanecera no Instituto de Psicanálise.

. Joyce McDougall foi uma das principais responsáveis pela circulação de ideias e de trocas de experiências entre a psicanálise anglo-saxã e a psicanálise francesa. Paulo Roberto Ceccarelli. W. Christian David. Com esse mesmo espírito. psicanalistas e de outras áreas de conhecimento são marcas de sua obra. Em 1990. Maria Torok e outros ela questiona as posições freudianas sobre a feminilidade.Os insulares sonham em construir pontes. ainda inexistente na época. Assim. D. em seguida. tornando esses encontros uma fértil experiência de confrontação. Às vésperas de mudar-se para a França. também estabeleceu trocas produtivas com psicanalistas do mundo todo. em sua obra. a Winnicott e Bion. criar comunicações. um tema que a levou mais Joyce McDougall veio pela primeira vez ao Brasil em 1987. Hannah Segal. Com efeito. Winnicott. partilha e descobertas. de quem se tornou bastante próxima. Joyce sempre os construiu como um agradável diálogo com mestres. M. também bastante ligado à psicanálise inglesa. o gosto pela controvérsia criativa com colegas. Encontros Essa abertura à alteridade e ao convívio com as diferenças. e também muitos brasileiros. 1999 e 2004. e que a acompanhou em muitas das visitas a nosso país6. foi convidada pelos norte-americanos para tornar-se membro da New York Freudian Society. em particular. dos conceitos de “objeto transicional. Joyce McDougall conjecturou com Anna Freud a possibilidade de iniciar em Paris um núcleo de formação de psicanalistas de crianças. ela promoveu atividades em Paris com Margaret Mahler. 6 . e. ela constrói uma de suas mais conhecidas ideias: a de “um corpo para dois”. nos anos seguintes. com revelações de sua própria história pessoal e de situações clínicas vivas e impactantes. de língua espanhola. Bela Grumberger. podemos acompanhá-la em suas conversas com D.. em 1996. ministrando conferências e trabalhando com grupos de supervisão na Sociedade Brasileira de Psicanálise. estabelecer laços. em instituições universitárias e outros grupos de pesquisa e de formação psicanalítica. Anna Freud. Generosa em suas conferências e textos. Klein e Margareth Mahler. argentinos. em especial. discutindo a homossexualidade feminina e já sugerindo a dimensão criativa da perversão como forma de lidar com a essência eminentemente traumática da sexualidade humana. colegas e pacientes. entre outros. identificação projetiva e simbiose mãe bebê”. Em companhia de Janine Chasseguet-Smirguel. dispondo-se a transmitir a experiência que adquirira na Inglaterra e convidando analistas ingleses para ministrarem essa formação. a partir das quais. em especial. juntamente com um pequeno número de jovens analistas. Winnicott. Ao lado de André Green.

uma experiência de encantamento – agora. infelizmente. com seu conceito de alexitimia. dessa escuta. Primeiras cenas Não há dúvida que ao texto erudito. seus prazeres. sua busca pela libertação do sofrimento. e muitos outros. Donald Meltzer e suas construções sobre o processo psicanalítico. com suas concepções sobre o significante e a forclusão. sistematicamente convidados a testemunhar suas dores. Ferenczi e suas concepções sobre o traumatismo. conosco compartilhada. que ela praticava. Denise Braunschweig e Michel Fain. Inúmeros outros psicanalistas inspiram o pensamento de Joyce McDougall. à discussão conceitual. de quem se tornou amiga próxima e a quem dedica As múltiplas faces de Eros. É a escuta de Joyce. tornando a leitura de cada artigo uma vivência quase onírica. ela articula suas próprias concepções sobre as normopatias. com quem convivia. sua solidão. Massud Khan e suas contribuições sobre a perversão. seus teatros. não mais possível. a revelar as manifestações das neossexualidades. com suas descrições do “pensamento operatório e da depressão essencial”. ao longo de sua vida. descrevendo os primórdios da relação mãe bebê e a censura da amante. inegavelmente. pela transformação. São eles figuras incontornáveis das tramas de Joyce. os protagonistas principais de suas peças foram seus pacientes e suas próprias lembranças. ela cria uma visão original da psicose. Rosenfeldd e aos poucos conhece Piera Aulagnier. Siphneos. Jean-Baptiste Pontalis e suas reflexões sobre a dor. seus enredos. Nemiah e E. que nos cativa. algumas vezes sem sucesso. e Pierre Marty e Michel de M´Uzan. que ela conhecia. Joyce preferia dar voz à clínica. Mediando o diálogo entre J. Joyce McDougall construiu seus cenários. que se presta à difícil tarefa de acompanhá-los nessa busca. por algum sentido em suas vidas. Jaques Lacan. Otto Kernberg e suas teorizações sobre a economia do afeto e os estados limites. S. É a escrita de Joyce. André Green e suas teorizações sobre os narcisismos de vida e de morte. C.tarde. a partir das ideias de Robert Stoller sobre identidade de gênero e identidade sexual. Porém. Dos encontros com Serge Leibovici em torno de seu paciente Sammy. . ao discurso acadêmico. dialoga com Gisela Pankow e H. e sobre os estados de desafetação. Com a participação de todos eles. a escuta de cada palestra.

Quando cheguei a Paris. 1982). Hesitante. 2001). com uma quantidade imensa de palavras em volta. sem representações. na neurose e na perversão. desvendando a pluralidade de montagens possíveis para cada humano. insistindo para que ela publicasse o caso. Margaret Mahler encaminhou para tratamento com Serge Lebovici um menino americano de 9 anos. mas. psicótico. ela construiu seus teatros. isolado do psiquismo. como aprendera em Londres. por medo de que o que eles diziam se perdesse. ela pensou em desistir. por sua vez. havia algo de precioso. procurou Lebovici. questionando se sua experiência seria suficiente diante da gravidade do caso. eu não sou capaz de compreender essa criança. pelo mundo. Assustada com os primeiros encontros. lugar onde contracenam o eu e os outros. Ela descreve as cenas construídas pelo eu. Em torno dessa voz. dizendo: Veja. Porém. Lebovici reiterou sua aposta: Mas você será uma grande psicanalista! Sem compreender de onde vinha tal vaticínio. Os longos speeches teóricos são impressionantes. Um teatro do interdito. que se dedicava ao estudo da psicanálise de crianças. Dr. Desanimada. recém-criado na SPP. Joyce concebeu uma metáfora para ilustrar dois aspectos da atividade psíquica: o enquadre. marcado pelo narcisismo. ela passou a atendê-lo cinco vezes por semana. Lebovici. De sua experiência infantil. já que. mas por meio da clínica pode-se transmitir quase a totalidade da teoria (Moro. onde se desenrola a trama das relações aditivas e dos estados limites. ouvia as conferências de meus colegas e as considerava brilhantes. Em 1954. o encaminhou para Joyce. A psicose infantil ofereceu-lhe a possibilidade de imaginar suas primeiras cenas. era como o fruto do coqueiro. que vivia em Paris. mas. ainda não havia um relato de uma psicanálise de criança. 2001). considerando encaminhá-lo para outro colega mais experiente. Porém. Winnicott também a encorajou. marcado pelo recalcamento. juntamente com seus próprios comentários. sobretudo. um teatro do impossível. não tanto por dever do ofício. Este. ela discutia suas anotações em um pequeno grupo. Joyce continuou a análise de Sammy por oito meses. porque Sammy exigia que ela o fizesse. mudo. marcado pela explosão do corpo (McDougall. Em . Uma vez mais. pela psicose e pela ausência do sonho. e os personagens que os representam. no qual faltam palavras e objetos. um teatro transicional. na época. um teatro psicossomático. às vezes. No interior. Anotava minuciosamente o que cada um dizia nas sessões. descrito sessão por sessão (Moro. A cada semana. pelo corpo. Lebovici apostou em Joyce. em razão de seu conhecimento do inglês. das pequenas encenações em família.

Ela respondeu: “Sammy.” (Moro. uma questão que se estendeu também. as dúvidas e os desafios vividos com Sammy a aproximaram dos sofrimentos dos estados mais primitivos da psicose. Joyce protestara contra o dogmatismo das ideias freudianas sobre a feminilidade e o moralismo dos meios psicanalíticos com relação à perversão. 2001). para o campo das perversões. confrontando-a com a angústia contratransferencial que vivera com ele e com os limites da técnica psicanalítica para o tratamento desses casos. É essa dimensão criativa do sintoma. com o caráter eminentemente traumático da sexualidade. às divisões internas. 133).. Douggie”. do desvio da dita “normalidade”.. sempre existente no fundo do adulto. Já nos anos 1960. uma psicose. foi através do Livro d´Isso que Joyce descobriu a psicanálise e decidiu seguir seus estudos de psicologia. 7 . Tentativas de sobreviver ao desespero. e também com aqueles entre a criança. Douggie.. Groddeck (1923). Joyce passou a afirmar que os sintomas. 1978. de quem lera.”. Joyce McDougall inaugurou sua carreira de autora dos teatros da alma. o Livro d´Isso8. As turbulências. em 1960. Joyce passou a se perguntar sobre o sentido e a função de manifestações primitivas como aquelas.. mas você pode desenhar o que você imagina ver”. [. e ele mesmo. tentativas de autocura. A partir de casos de três mulheres homossexuais. perversa. sonhos. com um senso de humor extraordinário. aos traumatismos universais e pessoais que a vida inevitavelmente provoca. corporal. através de seus estudos sobre a homossexualidade feminina. Sammy disse a Joyce: “Quero ver tua bunda. ela contesta a generalização então frequente. obras de arte – e doenças psicossomáticas (McDougall. formas de lidar com as dificuldades da vida. “uma criança inteligente. 8 Segundo Philippe Porret (2006). muito cedo. mas desenhar não é a mesma coisa que ver. quaisquer que sejam sua natureza. pouco depois. você não verá minha bunda. um escudo caracterial.. você não gostaria de ver coisas que você nunca viu? Eu nunca vi a bunda de uma psicanalista. com conflitos psíquicos.. neurótica.parceria com Lebovici e Sammy. principalmente Em uma sessão. Da dor à criação Resgatando uma ideia central de G. Face à dor psíquica. o homem é capaz de criar uma neurose. mas por que você quer ver minha bunda?” “Escute. das dificuldades clínicas diante dos pacientes ditos “difíceis” que a leva a manifestar-se Em defesa de uma certa anormalidade. ao que ela responde: “Eu sei. das doenças ditas psicossomáticas e das adições. Sammy retruca. uma perversão sexual. são criações do humano. com Diálogo com Sammy. p. da multiplicidade de expressões da sexualidade. psicótica. uma necessidade vital diante da angústia de desaparecer no outro. não descrita no livro. “Ah.] maravilhoso7”.

entre outros. 1972). desenvolvendo a ideia de que para compreender o processo criativo é necessário ser homem e mulher. tornando-se um operador teórico clínico importante. jogos sadomasoquistas. ajudá-la a assumi-la. objetos fetichistas. na cena montada para o gozo do sujeito. Ela defende a existência de uma relação entre identidade sexual e criatividade.entre os grupos lacanianos. com disfarces. pacientes neossexuais e homossexuais. e. Se essa verdade é a orientação homossexual. a lidar com suas consequências ou transformá-la. ela desenvolve o conceito de neossexualidades para ampliar sua análise dessa dimensão criativa do sujeito com relação a seu comportamento sexual. Por mais bizarra que possa parecer a encenação da sexualidade. na medida em que ela reconhece o desejo e a liberdade do outro. e. chamando a atenção para o fato de que ambas comungam uma dimensão criativa que se manifesta pela ação. Na época. um sexo para dois. ela afirmava que o papel do psicanalista é auxiliar cada pessoa a descobrir sua verdade. montados segundo composições inabituais. provocando a desaprovação de certos colegas quanto ao fato de Joyce aceitar em análise pacientes perversos. diversos de uma sexualidade dita “normal”. a concepção da criatividade ganhou força e presença permanente no pensamento de Joyce. suas posições eram questionadas mesmo no seio da SPP. não há porque censurá-la. compreendendo-as como tentativas de se proteger (com o pensamento do outro) de angústias primitivas de . com crianças psicóticas. de que todas as homossexualidades eram perversões. pois ambos consentem em seu exercício. Mais tarde. O perverso é alguém que recria sua sexualidade. a própria existência desse outro. Ofendida por essas atitudes. uma vida para dois. porém. muitas vezes esta se manifesta por atos que ela denomina atos sintomas. nos quais a ação supera a elaboração fantasmática. Do psicossoma ao pensamento Em vários momentos. Ela analisa as relações entre criatividade e desvio sexual. às vezes. Diferentemente dessa situação. Ela se refere aos roteiros eróticos diferentes. criar com as partes masculinas e com as femininas. a dimensão perversa se caracteriza justamente pela impossibilidade de considerar o desejo do outro. A partir dessa perspectiva. da mesma maneira que se perguntava se o conceito de perversão podia explicar todos os desvios sexuais. Joyce identificou os movimentos fusionais manifestados por fantasias de uma psique para dois. apesar de também criativa. se ela for defensiva. manifestandose por um agir que desvia a pulsão sexual de seu alvo original (McDougall.

quando. ela dedicou-se à reflexão sobre as origens dos processos de pensamento. que a criatividade nasce com o corpo erógeno. inaugurando Teatros do corpo (1989)9. que reinava despótica e autoritária sobre Pater. A. uma fantasia que reedita a condição primordial do período intrauterino humano. sobre o desenvolvimento do psiquismo e do universo representativo a partir dos registros somáticos. que se expressavam pela fantasia de um corpo para dois (McDougall. Bion. efetivamente fazendo parte de um mesmo corpo. ou ameaças intensas às capacidades de elaboração e de proteção do sujeito. Uma vez. sobre toda a família e sobre os funcionários da fazenda. ela descreve como. 1989. Inspirada por Winnicott. autônomos. a partir das características dos cuidados maternos. sua mãe a proibiu de tomar o leite da fazenda. o feto é alimentado. rumo à constituição de um corpo e uma psique próprios. Em sintonia com muitos psicanalistas da época. as marcas mais primitivas de indistinção entre dois corpos apresentam prolongamentos imaginários. Green. relata Joyce. de sobrevivência. ela foi confrontada a outras modalidades de tais movimentos. e sobre as contingências patológicas desses processos. P. Na fazenda você não vai beber nem mais uma gota de leite!” Sem pestanejar. Joyce respondeu. 1986). Marty. P. Joyce aponta como. preocupada e irritada com a repetição dessas crises. mas também por Michel Fain. Mater era sua avó. Ela afirma. É justamente em sua própria infância que ela reconhece suas primeiras intuições a respeito dessas articulações: “Eu tinha cinco anos quando descobri que meu corpo tinha uma linguagem própria”. Perturbações no exercício da função materna. mobilizam a fantasia de um corpo para dois como forma de proteção frente a fantasias ou ameaças de desintegração ou.desintegração ou (com o sexo do outro) da perda da identidade sexual e. acompanhando o processo de diferenciação da matriz somatopsíquica individual. “idêntica à rainha Vitória” (sic). imediatamente: “Não é o leite que me faz dodói na pele. Denise Braunshweig e outros autores. era acometida por intensas crises de urticária. imaginando ser ele a causa desse sintoma. Joyce a detestava pela maneira bruta como era tratada 9 . 1996). preenchendo outras funções de mesma natureza. na Nova Zelândia. Desde seus primeiros artigos sobre a perversão e sobre a criatividade. dizendo-lhe: “Escute-me bem. Aulagnier. ainda. Joyce buscou articular as dinâmicas resultantes do encontro traumático com a sexualidade com as origens e as condições do desenvolvimento dos processos de diferenciação do psicossoma. sistematicamente. antes de partir para as férias de Natal. sustentado e protegido pela mãe. ela passava suas férias na fazenda dos avós paternos e ali. 26). como W. por exemplo. estamos todos cheios de teus dodói de pele. A partir do tratamento de pacientes com manifestações psicossomáticas. entre muitos. mesmo. p. No livro. é Mater” (McDougall. refletindo a forma como esse corpo se representa psiquicamente e como as funções somáticas foram estruturadas na infância (McDougall.

também ela. uma escuta e uma teorização metapsicológica específica para lidar com as manifestações primitivas observadas nesses pacientes. formalmente. 2000). com os pacientes desafetados e normopatas rapidamente promoveu sua compreensão de que as manifestações ditas psicossomáticas colocavam em jogo dinâmicas bem mais primitivas e desorganizadas que as da histeria. dedicavam-se à clinica de pacientes com manifestações somáticas não conversivas. os atribuiu à cólera e ao sentimento de ela ter sido traída por seu filho. Michel de M´Uzan. como as toxicomanias. que descrevem a precariedade do universo representativo. . psicanalistas da SPP. com os antianalisandos. Groddeck) enveredou por hipóteses que buscavam atribuir um significado aos sintomas. da neurose e mesmo da psicose. franceses. Porém. Na verdade. das mais organizadas psiquicamente. desenvolveram conceitos como pensamento operatório. Passou a participar das consultas e discussões clínicas realizadas por Marty e seu colegas no Instituto de Psicossomática11 e “começou a escutar [seus] pacientes com muito mais por ela. Dessa perspectiva. marcada pelo paradigma da histeria (e. transtornos alimentares e muitos outros (Marty. mas que apresenta conceitos que também permitem articular toda a gama de manifestações do humano. Foi em torno dessa cena que ocorreu o encontro de Joyce com outros psicanalistas. atualmente Instituto de Psicossomática Pierre Marty. Na sequência do livro. principalmente. às menos organizadas. ela relata outro episódio de sintomas somáticos graves (uma angina) de sua avó. Joyce McDougall reconheceu a proximidade de suas próprias intuições com o pensamento desses autores10 e sentiu-se “bastante estimulada” por ele. e. geralmente. bem como a pobreza de suas manifestações afetivas e de seu mundo objetal (Marty. Os dramas do corpo Nos anos 1960 e 1970. depressão essencial. Pierre Marty. entre outros. podemos reconhecê-la como uma escola original de pensamento sobre o que. como a maioria dos psicanalistas em seus primeiros contatos com essa questão. Christian David e Léon Kreisler. 1990). que. mentalização. fantasmático e onírico dessas pessoas. cabe dizer. fazendo-a questionar a natureza dessa simbolização. 1990. buscando compreender o teatro psicossomático. incluindo em sua passagem descargas comportamentais. como as doenças orgânicas. como as neuroses. 10 Esses autores são geralmente identificados como pertencentes a uma “Escola de Psicossomática de Paris”. ingleses e. se considera como sendo o campo da psicossomática. também pelas ideias de G. retrospectivamente. Mesmo se tratando de uma cena infantil e de uma interpretação feita muitos anos depois. o trabalho com as perversões. podemos imaginar a importância daquela vivência que acompanhou Joyce por toda a vida até seus encontros com sintomas somáticos de seus próprios pacientes. desorganização progressiva. americanos.Inicialmente. nunca existiu. Michel Fain. desenvolvendo um olhar. Volich. 11 IPSO.

então. a desafetação pode proteger contra as angústias primitivas. A primeira. resulta da carência. 1989). Joyce se contrapôs a muitas de suas hipóteses sobre os processos de somatização. características do início da vida. Porém se. A condição de prematuração do bebê para lidar com os estímulos do meio e de seu próprio corpo constitui a natureza potencialmente traumática que determina o desfecho de tais movimentos e. eventualmente. em um movimento oposto. em função da intensidade traumática e desorganizadora de certas experiências. por outro. Assim como nas adicções e nas descargas dos actings. Apesar de concordar com a leitura de Marty. expulsando do psiquismo em direção ao corpo percepções. Ela resulta de falhas no exercício da função materna que comprometem processo de internalização. duas manifestações clínicas descritas por Joyce. do esvaziamento ou do curto-circuito dos recursos psíquicos para representar e conter as vivências emocionais.interesse” (Moro. ela corresponde a uma dimensão particular do pensamento operatório. os processos de somatização. A função da somatização seria. próxima da depressão essencial de Marty (1966). o sintoma corporal corresponderia a um agir arcaico. presentes ou passadas. Joyce aponta que as fontes do psíquico encontram-se no somático. sem contato com . anterior à constituição da linguagem. Manifestando-se como descarga direta ou explosão somática da excitação. existe uma potencialidade regressiva da psique a retornar a suas fontes somáticas. a partir do qual se forma a identidade subjetiva. Destacando a indiferenciação “bebê-mãe universo” e a indistinção psique-soma. fantasias e pensamentos que desencadeiam afetos insuportáveis. Decorrem dessas dinâmicas a desafetação e a normopatia. Quanto à normopatia. Fain e Kreisler dos primórdios do desenvolvimento psicossomático e com a importância atribuída à função materna como determinante dos destinos da economia psicossomática. por um lado. como um modo de defesa arcaico. um episódio somático sinaliza o transbordamento dos recursos psíquicos de defesa contra a excitação. associados a vivências traumáticas e precoces do desenvolvimento infantil. portanto. ela aumenta a vulnerabilidade psicossomática. Essa leitura evidencia a importância da dimensão econômica do afeto no desenvolvimento do sujeito e nos processos de somatização. É em meio a essa dinâmica que o ser humano oscila entre o desejo de fundir-se ao corpo materno e o desejo de independência total desse corpo (McDougall. preencher os vazios criados pela tensão entre o desejo de fusão e o de individuação e apropriação psíquica do seu próprio corpo. seu caráter hiperadaptado à realidade exterior. Esta se constitui. 2001). da mesma forma que.

Laplanche. indizível. nas alergias. por serem bem mentalizados. Segundo ela. Marty. quando a alma não tem palavras suficientes ou quando o sujeito não consegue reconhecer seus afetos (Moro. 1990). que sustenta a existência de somatizações simbolizantes. Por outro lado. bem como a pobreza das expressões afetivas. carregadas de sentido. como todos os processos humanos como a arte. descrita por Marty como característica da transferência desses pacientes (Marty. mesmo sem explicitá-lo.. sustentando que tanto a doença. do mundo objetal dos mecanismos de defesas psíquicos. o pensamento. Existe um sentido a ser encontrado em todas as somatizações.a vida subjetiva. como Christophe Dejours (1989). pode se traduzir por uma manifestação somática. sensações corporais e angústias contratransferenciais vividas pelo analista. Cheguei à conclusão que o transtorno psicossomático pode ser associado a fantasias. com um mundo interno depauperado. nas quais mesmo as manifestações primitivas como as da doença orgânica podem ser tentativas de significação de algo que. A principal divergência entre as concepções de Joyce McDougall e as dos psicanalistas do IPSO dizem respeito ao sentido simbólico dos sintomas somáticos. características dos pacientes descritos como malmentalizados. o antianalisando (McDougall. já assinaladas por Joyce em suas descrições do “analisando robô”. as emoções e mesmo os acidentes são criações do Isso.. manifestando-se pela relação branca e indiferenciada. Nessas formulações. [. na história do sujeito. finalidade e de função expressiva. Todo mundo somatiza. uma dor psíquica. onírica e fantasmática. 12 Contrariamente a uma conhecida afirmação de que “os psicóticos adoecem pouco”. por meio de tais formulações. Fain e seus colegas consideram a carência representativa. da mesma forma que um funcionamento psicótico também pode apresentar somatizações12. o corpo fala e é preciso decodificar essa linguagem. em todo o resto.] De certa forma. de J. ela também se aproxima de autores contemporâneos. que praticamente preconizava uma espécie de “teoria da significação generalizada”13. Groddeck (1923). marcas patognomônicas dos pacientes ditos psicossomáticos ou propensos à somatização (Marty. e também nas experiências de vazio. mental ou corporal. Joyce sustenta que mesmo nos funcionamentos mais primitivos é possível. . Joyce parece manter vivas dentro de si as concepções de G. O que já é uma indicação de que o corpo fala. 13 Parafraseando a teoria da sedução generalizada. Ambas as manifestações constituem dificuldades evidentes ao processo analítico clássico. 1978). 2001). 1963). em alguns casos. reconhecer uma dimensão simbólica.

Por analogia às neuroses atuais. são descarregadas no corpo. pelo sintoma somático. Joyce McDougall (1989) formula os conceitos de privação psíquica. para salvar o eu da morte psíquica. Nesse nível de funcionamento primitivo. Permitiu-nos acompanhar suas dúvidas e descobertas no contato com seus pacientes. Por paradoxal que possa parecer. o temor de perda de sua identidade subjetiva ou. histeria arcaica e de psicose atual. ao invés de se manifestarem por meio de alucinações e delírios. possuindo mesmo uma dimensão relacional. Convidou-nos a trilhar com ela os incertos caminhos do prazer e do sofrimento humanos. como na infância. também referida a modos de funcionamento primitivos. seus enredos. ao ser ejetada do consciente. de ordem somatopsíquica. a psique tentará utilizar. A primeira diz respeito aos estados em que uma representação. a histeria arcaica busca. a psicose atual também é marcada por angústias primitivas que. enfrentando o medo e o desconhecido. a psicose atual revela a existência de núcleos psicóticos que. suas cenas. a histeria arcaica se manifesta em episódios esporádicos de somatização em função de conflitos em torno da própria possibilidade de existência do sujeito. como . 1998). preservar a integridade do corpo como um todo. perde qualquer possibilidade de ser recuperada sob a forma de sintomas ou de sublimação. iniciadas na longínqua Oceania e transladadas para outros palcos do mundo. Para nomear especificamente a natureza das dinâmicas em jogo. endereçada ao outro (Dejours. Joyce nos apresentou os protagonistas de seus teatros. infraverbais. mensagens primitivas. A descarga pela via curta do psicossoma pode produzir respostas “delirantes” do funcionamento fisiológico. em sua leitura dos processos de somatização. Para lidar com o vazio resultante dessa condição. Finalmente. seus autores. suas aventuras. por mecanismos projetivos ou pela identificação projetiva. ficando a psique em estado de privação. de morte interior. O afeto é congelado. Enfrentou preconceitos. colegas e instituições. quando se arriscou a seguir por aqueles mais sombrios e silenciosos. se manifestam por meio de sintomas corporais e doenças equivalentes ao delírio. diante da impossibilidade de encontrarem vias de expressão psíquica. mesmo. Cenas clínicas Ao longo de sua vida. e não de conflitos ligados à possibilidade de satisfação de desejos (como na histeria neurótica). Compartilhou conosco relatos de sua própria história. da vida.ficou excluído da subversão libidinal e da cadeia representativa.

604). mas leis. Ao nos filiarmos a uma escola 14 “[. Convidava-nos a pensar sobre nossa atitude frente a colegas ou grupos psicanalíticos que sustentam teorias ou posições clínicas diferentes das nossas. convocavam as réplicas inevitavelmente improvisadas de Joyce. ela aprendeu a escutar os “múltiplos dialetos” do soma. Joyce convidava-nos também. Não por acaso. a idealização ou o denegrimento dos mestres são sequelas de afetos transferenciais não resolvidos. Christophe. do paciente. ou pensadas. como estrangeira.] A canonização dos conceitos teóricos e clínicos. Ressaltava que [. e para a necessidade deste de suportar durante muito tempo a transferência desvitalizante. [. . Não por acaso. Tim. Com eles. Eram eles que..] uma teoria não é um artigo de fé. Ensinou-nos a dar voz à clínica. Honorine. sem renunciar à liberdade de manifestar o que pensava. como psicanalista. Isaac. a linguagem do desvario. mas “encontros difíceis” entre analista e analisando. tornados discípulos. 1989). como psicanalistas. alertou para impossibilidade de alguns pacientes de receber o que quer que seja do analista. a traduzir suas próprias sensações corporais. ela insistiu na importância do manejo do enquadre clássico da psicanálise para o tratamento desses pacientes. inclusive corporais. uma vez que eles não possuem recursos para suportar as condições regressivas e frustrantes do divã e da neutralidade do analista... fantasias. Peter. Os alunos. Se assim não fosse. em razão disso. sintomas. com suas palavras. Ela alertava contra o risco das instituições psicanalíticas investirem religiosamente seus pensadores. como as somatizações e as adicções. antes de conseguir ressuscitar esses “surdos-mudos do afeto” (McDougall. por nunca antes terem sido escritas. Lembrava que não existem “pacientes difíceis”. não mais questionam seus modelos teóricos e clínicos e não prosseguem sua pesquisa pessoal” (McDougall. como muitos outros psicanalistas.mulher. os modelos conceituais não seriam mais teorias. apresentando-nos Georgette... p. e às vezes mortífera. os compromissos institucionais e os ideais sociais que podem atravessar nossa escuta do paciente. podendo. 1988. desorganizar-se ainda mais em suas vivências primitivas. sobretudo diante dos pacientes com manifestações mais primitivas. Não por acaso. mestres e conceitos14. mas apenas uma série de postulados a serem demonstrados. Sammy e muitos outros que inspiraram suas descobertas e seus conceitos. a interpretar com atos. Paul..] nossas teorias nos ajudam a enfrentar as incógnitas da situação clínica e a nos precaver contra nossa solidão nessa situação a dois. Joyce foi uma das primeiras a insistir na importância da elaboração das experiências contratransferenciais do analista. a refletir sobre os valores inconscientes. silêncios.

perversion. desafectación. McDougall sobre la sexualidad. creatividad. Paisajes remotos. pela criatividade de seu pensamento. Subraya su apertura a distintas corrientes psicoanalíticas y las influencias de intercambios establecidos por ella con sus contemporáneos en la creación de sus propios conceptos. Clinicou em Paris até 2008 e. p. psicoanálisis. la perversión. voltou para Londres. Joyce McDougall y los destinos del psicosoma Resumen: Basado en la historia personal de Joyce McDougall. homosexualidad femenina. Conseguiu cruzar todos os mares. Dali. histeria arcaica y psicosis actuales. este artículo describe el camino recorrido por ella en su formación en Londres y París. En el mismo se analizan los conceptos fundamentales de J. Joyce McDougall and the fates of the psychosoma Abstract: Based on Joyce McDougall’s personal story. O ideal seria termos para com a teoria dos outros o mesmo respeito que temos pela nossa. histeria arcaica. superou turbulências. Remote Landscapes. this article describes the path she took while studying in London and Paris. ficamos menos sós face às incertezas que nos afligem a cada dia. sua sensibilidade e sua liberdade de espírito à escuta de seus semelhantes. em 2009. isso nos permitiria perceber melhor os limites de nossos próprios modelos e sua influência sobre nós (McDougall. psicosomática. It emphasizes her openness toward different psychoanalytic currents and the influences of the exchanges she established with her contemporaries on the creation of her own concepts. somatizations and the . nunca criou um grupo. em agosto de 2011. partiu para sua última viagem.teórica. pela riqueza de sua clínica. psicosis actuales. psychosomatic development. normopatía. por sua obra. 606). mas sempre continuou encontrando. Por mais de 50 anos Joyce McDougall ofereceu sua presença. el psicosoma y la originalidad de sus conceptos de normopatía. el desarrollo de enfermedades. neo sexualidad. It analyzes J. Apesar de reconhecida internacionalmente. fazemos parte de uma família. Palabras clave: Joyce McDougall. encantou-se com milhares de relatos de viagens. McDougall’s main ideas on sexuality. uma “escola”. trocando e discutindo com colegas das mais diversas orientações teóricas. 1988. desafectación.

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2013. 1527/122-B 04662-002 São Paulo.] Rubens Marcelo Volich Av. Washington Luis.: (11) 3862-7743 volichrm@dialdata. aceito em...[Recebido em 1.com. SP Tel.br .9.