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Tributos: são em termos latos as receitas cobradas pelo Estado ou por outros entes

públicos para a satisfação de necessidades públicas sem função sancionatória, é
comum agruparem-se em três figuras distintas: os impostos, as taxas e as
contribuições especiais. Paralelamente, ao lado dos impostos temos as taxas e as
contribuições especiais estando estas sujeitas a reserva de lei como os impostos mas
com uma diferente legitimação. Por outro lado, com uma natureza juridica distinta
orientadas por outos objetivos temos as coimas ou outras sanções pecuniárias, estas
receitas do Estado estão igualmente sujeitas à reserva de lei mas a sua existência
encontra-se pré-ordenada prima facie a objetivos puramente dissuasórios e não ao da
obtenção de receitas.
Imposto: o impoto é uma prestação pecuniária, singular ou reiterada que não
apresenta conexão com qualquer contraprestação retributiva especifica exigida por
uma entidade pública a uma outra entidade (sujeito passivo) utilizada exclusivamente
ou principalmente para a cobertura de despesas públicas. O imposto tem como
conteúdo um dever de prestar que surge pela simples verificação de um facto previsto
na lei dando origem a uma relação juridica tributária. individualizavel, o imposto é
unilateral e a taxa é bilateral. O imposto constitui a forma normal e principal de
financiamento do Estado contenporâneo o que leva a recorrer-se comunmente ao
conceito desenvolvido por Schumpeter de Estado Fiscal (Stentersant), em Portugal as
receitas publicas oriundas dos impostos constituiem cerca de 92% do valor total das
receitas previstas no OE tal como se passa nos restantes paises europeus e em termos
macroeconómicos as receitas tributarias representam cerca de 21% do PIB. Por outro
lado, percorre o texto Constitucional de 76 a ideia de redistribuição de riqueza e
solidariedade social (artigos 1, 2, 9, 12, 63, 81, 103 e 104 CRP), o objetivo é elevar o
nivel dos rendimentos dos cidadãos mais pobres ou das empresas como mais
dificuldades através da redistribuição dos recursos públicos oriundos dos impostos e
da aplicação de normas tributárias que tributem de forma diferenciada titulares de
rendimentos diferentes. Para Benjamin Franklin neste mundo nada está garantido
senão a morte e os impostos, para Oliver W. Holmes os impostos são o que pagamos
por uma sociedade civilizada e, para John Maynard Keynes o problema politico da
humanidade é o de combinar a eficiência económia, a justiça social e a liberdade
individual.
Ex: a aquisição tabular de uma moradia por Ana, gera no momento da transmissão a
obrigação de pagar o Imposto Municipal sobre Transmissões Onerosas de Imóveis
(IMT), num momento prévio o legislador identificou a aquisição de um imóvel como
uma manifestação de força ecónomica dos cidadãos diferente de outras e que justifica
a sua oneração como imposto, por outro lado, não existe nenhum imposto especifico
sobre a aquisição de tendas de campismo, por fim a receita será emtregue aos cofres
do Estado e depois ao Municipio. O imposto destingue-se da taxa por não implicar
qualquer contraprestação retributiva.

Imposto ou tributo unilateral: objetivamente o imposto é uma prestacao,
pecuniária, unilateral, definitiva e coativa, subjetivamente o imposto é uma prestação
exigida a detentores de capacidade contributiva a favor de entidades que exerçam
funcoes ou tarefas publicas. Sendo uma prestção integra uma relacao de natureza
obrigacional e não uma relacao
de carater real, o imposto é uma prestação
pecuniaria, é uma prestacao de dare. O conceito de imposto está associado ao criterio
material da igualdade ou da justiça fiscal que constitui o suporte indiscutivel do Estado
Fiscal de Direito, a capacidade contributiva, deste modo enquanto os impostos
obedecem ao principio da legalidade fiscal as taxas bastam-se com a reserva à lei
parlamentar ou decreto lei autorizado e a sua medida assenta no principio da
proporcionalidade taxa/prestacao estadual proporcionada.
O Imposto define-se com base em 3 elementos:

 Elemento objetivo - Prestação; - Carácter pecuniário; - Unilateralidade (quando se
paga um imposto nada nos é dado em troca); - Carácter definitivo; - Natureza
coativa;
 Elemento subjetivo - Dirigido a detentores de capacidade contributiva (pessoas
singulares e coletivas); - A favor de entidades que exerçam funções públicas.
 Elemento teleológico - Exigido com vista à satisfação de necessidades públicas; Enquanto não tenham o carácter de sanção.
^ No caso das licenças fiscais - estas não são verdadeiras taxas mas sim verdadeiros
impostos porque não se vislumbra ai qualquer contraprestação real a favor do
contribuinte, contituindo o levantamento e a posterior remoção do obstaculo em
causa uma verdadeira actividade e os serviços correspondentes um verdadeiro serviço
de lançamento e corança do referido imposto.
Ex: licenças fiscais relativas à publicidade atraves de anuncios, o tribunal considerou
num 1º momento que se estava diante de um imposto, julgando inconstitucional o
tributo exigido pelo Munucipio de Guimarães pela licença para a afixacao de painéis
pubicitários em veiculos de transportes coletivos e em veiculos particulares e o tributo
exigido pelo Municipio de Lisboa pela licença para afixacao de anuncios luminosos em
prédios, porém por unanimidade veio a considerar-se tais licenças como taxas,
contudo, Teixeira Ribeiro entende que as licenças de uso de porte de arma,de caça e
de ter cão verdadeiros impostos, mas para José Casalta Nabais estas licenças são
verdadeiras taxas.
^ Taxa renumeradoras de saude - não está constitucionalmente vedada a
possibilidade de o Estado utilizar o imposto ou agravamento do imposto com o
objetivo ou finalidade principal de evitação de certos comportamentos economicos e
sociais dos seus destinatários , caso em que não estamos face a verdadeiros impostos
substituiveis na constituicao fiscal mas nates perante tipicas medidas de intervencao
economica e social por via fiscal.
Classificacao de impostos:
^ Impostos reais: IRC, IMI, IMT, IVA – atinge-se a materia colectável objetivamente
determinada fazenso-se abstracao da concreta situacao economica e social do
contribuinte.
^ Impostos especiais: IRS – tem-se em consideracao a concreta situacao económica e
social do contribuinte, isto é o valor da sua fortuna e dos seus rendimentos por um
lado, e o montante dos encargos que tem obrigatoriamente de suportar por outro.
^ Impostos de quota fixa – têm como caracteristica a dispensa de uma liquidacao já
que o montante da coleta consta da propria lei (contribuição para audivisuais).
^ Impostos de quota variavel – são aqueles cujo montante varia em funcao da
variacao da materia coletavel seja esta variacao numa proporcao ou taxa fixa
(impostos proporcionais), seja numa proporcao ou taxa variavel (impostos
progressivos – IRS; IMT; IRC).
^ Impostos gerais – estão previstos na lei de modo a aplicarem-se a toda uma
categoria de situações homogénias (IRS; IRC – impostos gerais sobre o rendimento;
IVA – imposto geral sobre o consumo).
^ Impostos especiais – não obstante dizerem respeito a factos ou situações
genericamente abrangidos nos impostos gerais, são objeto de uma disciplina juridica
especial (contribuições especiais; imposto sobre o jogo; IMI; IMT.

^ Imposto sobre o rendimento – IRS – tributa o rendimento global das pessoas
singulares; IRC – tributa o lucro das empresas ou o rendimento global das demais
pessoas coletivas.
^ Imposto sobre o patrimonio – IMI – incide sobre o patrimonio imobiliario detido e
cuja ateria coletavel é constituida pelo valor patrimonial tributario dos predios rusticos
ou urbanos; IMT - tributa a transmissao onerosa de bens imoveis.
^ Impostos sobre o consumo – IVA - bem como os impostos especiais de consumo
IEC - em que temos impostos sobre os produtos petroliferos (ISP), o imposto sobre o
tabaco (IT); o imposto sobre o alcool e as bebidas alcoolicas (IABA) bem como o
imposto sobre veiculos (ISV) e o imposto único de circulacao (IUC).
^ Impostos diretos (geralmente são periódicos): Incidem sobre a matéria coletável,
sobre manifestações diretas ou imediatas da capacidade contributiva, não
constituindo custo de produção das empresas. (rendimento, capital ou património) IRS / IRC / CA
^ Impostos indiretos (geralmente de obrigação única): Incidem sobre manifestações
indiretas ou mediatas da capacidade contributiva, constituindo custo de produção das
empresas (sobre o consumo ou despesa)
^ Impostos principais - Quando existem por si sem dependência de outros ( IRS / IRC /
IVA / IMT)
^Impostos acessórios- Quando dependem da existência de outros impostos (Derramas
municipais - adicionais sobre a coleta do IRC)
^Impostos periódicos - Quando a situação tributária se produz no tempo ou se renova
sucessivamente ( IRS / IRC / IMI)
^Impostos instantâneos ou de obrigação única - Situação tributária que se esgota
num só momento, por se tratar de actos ou factos isolados (IVA / IMT)
^Impostos extra fiscais - São os que prosseguem objetivos de natureza económica e
social, não se lhe aplicando integralmente os Princípios da Constituição Fiscal
(Contribuições para a Segurança Social)
Taxas: para além dos imopostos as entidades publicas cobram para a cobertura das
suas despesas taxas. Através do financiamento de entidades públicas especificas as
taxas podem ter objetivos extra-fiscais por exemplo ambientais por exemplo a nova
taxa sobre as lâmpadas de baixa eficiência energética, trata-se de uma taxa a pagar
pelos fabricantes/importadores. Na clássica definição de Alberto Xavier taxas são
receitas tributárias que têm caráter sinalagmático, não unilateral, o qual por seu turno
deriva funcionalmente da natureza do facto constitutivo das obrigações em que se
traduzem e que consiste ou na prestação de uma actividade pública ou na utilização
de bens de dominio público ou na remoção de um limite juridico à actividade dos
particulares, hoje encontramos no artigo 4(2) da LGT a previsão dos factos em que
assenta a cobrança de taxas. Por outro lado, na definição doutrinal e legal de taxa
podemos distinguir um aspecto estrutural, a bilateralidade ou sinalagmaticidade que
constitui uma condição para que uma qualquer imposição administrativa possa ter a
qualidade de taxa com todas as consequencias que lhe são inerentes principalmente
quanto ao seu modo de criação, visto que as taxas estão excluidas da reserva de lei
em sentido formal a qual é uma condição orgânica para a criação de impostos, ao
contrario do imposto em que não há parametros de controlo imediatos quanto à sua
medida que justifica a não sujeição das taxas às apertadas vinculações formais e
materiais do principio da legalidade que são uma garantia dos destinatario dos
impostos, por outro laod, no dominio dos impostos os principios fundamentais do
Estado de Direito exigem que seja drasticamente reduzida a liberdade de apreciação e

de decisão da Administração, mas já em relação às Taxas, razões de eficiência
administrativas e optimização financeira justificam adicionalmente a concessao de
amplos poderes à Administração e às Assembleias quer quanto à criação de taxas
quer quanto ao seu nível.
^ Prestação de um serviço público: uma das situações apontadas para a cobrança
de taxas é a prestação de um serviço público de um modo individual a um
determinado sujeito passivo singular ou coletivo, por exemplo há um serviço público
no caso das actividades notariais e registais, nos casos da educção e da justiça ou na
mera passagem de uma certidão. Como a doutrina e a jurisprudencia espanholas têm
apontado não se pode tratar de meros serviços de fachada que não tenham quaisquer
custos reais incluidos.
^ Utilização de um bem de dominio público: nesta categoria integram-se
quantias cobradas pela utilização de bens ou acesso a bens.
^ Remoção de um limite juridico: desde há muito que se colocam algumas
reservas a esta forma de legitimação das taxas, segundo Teixeira Ribeiro há que
ditinguir entre a remoção de limites juridicos que possibilita a utilização de um bem
semi-público e a que não a possibilita, o que quer dizer que não podem ser cobradas
taxas pela remoção de limites juridicos criados de forma artificial por uma entidade
dotada de poderes públicos com i único objetivo de legitimar a cobrança de uma taxa.
Contribuições especiais: a generalidade da doutrina tem-se pronunciado no sentido
de as equiparar ao imposto porque não se vê nenhuma contraprestacao especifica a
favor do contribuinte e, tais contribuicoes não passam de impostos que apresentam a
particularidade de terem por base manifestaçoes da capacidade contributiva
resultantes do exercicio de uma atividade administrativa e não do exercicio de uma
atividade do respetivo contribuinte. Ao lado dos impostos orientados sobretudo pelo
principio da capacidade contributiva encontramos encargos tributários que de formas
mais ou menos completa recorrem também ao principio da equivalência como forma
de legitimação e parâmetros de distribuição dos encargos tributários, neste tipo de
tributos há características homogenias de certos sujeitos passivos que justificam que
a tributação incida especialmente obre eles quer pela ligação especial do grupo ao fim
publico cuja tributação pretende especificamente concretizar quer pelo
aproveitamento potencial do grupo daquele tributo diferente do dos outros membros
da comunidade, são as chamadas contribuições especiais (por exemplo o IMI).
As contribuições especiais de melhoria: como formas especificas das
contribuicoes especiais em que o Estado legitima e encontra uma medida para a a sua
tributacao num determinado beneficio ocasionado por uma despesa publica com
vantagens diretas para um determinado conjunto de particulares.

Artigo 103º nº2 da CRP
“Os impostos são criados por lei1 que determina a incidência2, a taxa3, os benefícios
fiscais4 e as garantias dos contribuintes5”.
1. Os impostos são criados por Lei: Esta Lei da criação dos impostos é uma lei
formal da A.R., ou um D.L., autorizado ao governo. A esmagadora maioria dos actos
legislativos em matéria fiscal é elaborada pelo governo sob D.L. autorizado. Esta é
uma reserva absoluta de lei formal, ou seja, só a lei formal pode determinar estas

matérias. O art. 165º diz-nos que é a A.R. que cria impostos, mas é o art. 103º nº.2
que nos diz qual o âmbito da competência.
2. Incidência: Uma norma de incidência é uma norma que define os pressupostos de
facto do nascimento de obrigação de imposto. A incidência divide-se em Incidência
Real ou Objetiva e em Incidência Pessoal ou Subjetiva. A primeira define o que está
sujeito a imposto, isto é, define quais os factos e os pressupostos da definição de
imposto (ex: os rendimentos de trabalho estão sujeitos a IRS). A segunda incidência,
são as normas que definem a quem, ou seja, quem é que está sujeito a imposto (ex:
quem adquirir um prédio a titulo oneroso está sujeito a imposto de SISA). Outra coisa
diferente é aquilo a que se chama de isenção fiscal. A isenção é uma exceção à regra
da incidência, ou seja, é algo que está dentro do campo da incidência, mas só não é
tributado porque um facto impede a aplicação da norma fiscal. A CRP distingue entre
o conjunto de normas que criam impostos determinam as taxas, criam isenções ou
atribuem garantias e um outro conjunto composto pelas outras normas o que bem se
compreende pois apenas quando se criam ou modificam impostos ou se aumentam as
taxas estão a ser tomadas as decisões estruturantes do sistema fiscal, desta forma a
CRP distingue entre normas de decisão sobre a repartição dos encargos tributário e
normas de execução, como afirmou o Tribunal Constitucional a criação de impostos
que abraça a criação e a definição dos elementos essenciais daquelas receitas
unilateralmente impostas que hão-de custear o financiamento em geral das despesas
publicas e hão-de ser repartidas pela generalidade dos contribuintes de harmonia com
os critérios genericamente apontados pelos artigos 106 e 107 da CRP. A definição
exata do alcance do principio da legalidade tributaria levanta alguns problemas
mesmo no amago das normas de incidência ou na fixação da taxa
Ex: Quem comprar uma casa para habitação, até certo montante, beneficia de
isenção. Excecionalmente este facto está inserido dentro do âmbito da incidência, mas
está excecionalmente de fora da tributação. Pode estar isento, uma coisa, uma
pessoa, ou ambas, mas qualquer norma que determine a incidência, a isenção ou não
incidência só pode ser determinada por lei formal (Lei da A.R. ou D.L.A.).
3. Taxas: Estas taxas são os fatores de quantificação de imposto que podem ser um
valor percentual. O imposto não é obrigatoriamente quantificado percentualmente, o
imposto pode ser uma quantia fixa (ex. imposto de selo). Há taxas específicas, como
as taxas sobre as cervejas, mas as mais usuais são as taxas percentuais, estas
normalmente são taxas de dois tipos:
 Taxas proporcionais, são taxas que aumentam à medida que aumenta a
proporção.
 Taxas progressivas, são taxas que aumentam mais do que a proporção, ou
seja o imposto aumenta em progressão.
A razão disto vem consagrado na CRP art. 104º nº.1, ou seja, na diminuição da
desigualdade, é o exemplo do IRS.
4. Benefícios Fiscais; Consideram-se benefícios fiscais as medidas instituídas para
tutela de interesses públicos extra fiscais relevantes, superiores ao da própria
tributação que impedem. Os benefícios fiscais correspondem à diminuição da
tributação, ou seja, do interesse público, pois se a tributação existe em benefício do
interesse público a sua redução e eliminação só pode existir com base no interesse
público, e este tem se ser relevante e superior ao da própria tributação, se não fosse
assim a existência do benefício fiscal corresponderia a uma violação do princípio da
igualdade tributária e para evitar isto a lei exige na atribuição do benefício certos
requisitos:
 Excepcionalidade

 Há-de ter uma razão de ser que consiste na persecução do interesse público.
 O interesse público tem de ser relevante.
 O interesse público tem de ser superior ao da própria tributação.
5. Garantias dos Contribuintes: Estas podem ser classificadas em garantias
processuais e garantias gerais dos contribuintes.
Garantias Gerais: Correspondem a determinados direitos que são legalmente
reforçados e que permitem aos contribuintes uma tutela dos seus interesses legítimos
e o acesso à informação das leis fiscais sem terem necessidade de consultar um
advogado. Outra das garantias é o direito de fundamentação do ato tributário.
Garantias Processuais: São os meios de defesa que a lei atribui aos sujeitos
passivos em reação a determinado ato praticado pela administração fiscal. As
garantias processuais dividem-se em:
 Garantias Graciosas: Quando a lei permite ao contribuinte recorrer para a
administração fiscal diretamente.
 Garantias Contenciosas: Quando a lei prevê que os contribuintes possam
recorrer aos Tribunais Tributários pedindo a anulação de um ato praticado pela
administração fiscal.
Deveres de cooperação dos contribuintes e reserva de lei – o artigo 8º da
LGT: se as decisões sobre a caducidade e a prescrição dizem respeito a garantias
fundamentais do sujeito passivo e por isso são sujeitas a reserva de lei, já quanto á
liquidação e á cobrança temos de distinguir entre normas que constituem uma efetiva
oneração do contribuinte e deveres de cooperação de menor monta que daquela
podem estar dispensados e normas organizatórias da cobrança e da liquidação que faz
sentido sujeitar ao principio da legalidade. Segundo o tribunal constitucional se tal
dever de cooperação constitui um efetivo encargo tributário para o contribuinte
estamos perante uma decisão de repartição dos encargos tributários e essa decisão
cabe á lei, se pelo contrário estamos perante uma verdadeira obrigação acessória
inserida num procedimento administrativo que liga o sujeito passivo e sujeito ativo
com uma oneração reduzida do contribuinte, a reserva de lei em sentido formal não se
aplica.
Previsibilidade e caducidade da norma fiscal: o princípio da legalidade, os
princípios materiais que constitucionalizam os pontos essenciais da lei fiscal e a
necessidade de encontrar na lei o fundamento direto da decisão administrativa
convergem para um único sentido, assegurar a racionalidade dos comportamentos
privados, a justiça tributaria tem uma dimensão económica uma vez que a norma
arbitraria destituída por natureza de regra e de medida é insuscetível de previsão ou
de inserção num sistema, isto permite no horizonte normal do planeamento da
atividade privada numa previsibilidade a medio prazo dos elementos essenciais da lei
fiscal uma previsibilidade que vai exigir a ponderação em conjunto dos valores
conflituantes da segurança e da justiça com a necessária dos aperfeiçoamentos que
vão criando uma necessidade de mudança, não estamos perante um imperativo de
segurança a todo o tempo estamos sim perante a tentativa de definição de princípios
mínimos de estabilidade sem os quais se não pode obter uma efetiva segurança
jurídica.
Capacidade contributiva: os artigos 103 e 104 da CRP estruturam o sistema fiscal
português, assente no princípio da capacidade contributiva, o sistema constitucional
considera o rendimento do agregado familiar como indicie da capacidade das pessoas
singulares e medida de retribuição e o lucro real tem o mesmo papel para as
empresas ou seja funciona como critério para a distribuição dos seus encargos fiscais.
Ao definir o modo de tributação das pessoas singulares o legislador partiu do modelo
agregado familiar e das suas necessidades, o agregado devera ser tributado com um
imposto único e progressivo que visará a diminuição das desigualdades artigo 104(1)

CRP e para alem disso o imposto deve ser único e ter uma taxa progressiva garantindo
uma situação depois da tributação do rendimento em que as desigualdades
económicas sejam menos intensas do que antes dessa mesma tributação, um sistema
de tributação que tenha no seu centro um imposto de rendimento moldado pelas
necessidades e os rendimentos do agregado familiar é só por si uma garantia da justa
repartição dos encargos tributários. Quanto ao imposto sobre as empresas há uma
preocupação com uma tributação justa optando-se assim pela tributação pelo
rendimento real
Limites: o prrincipio da equivalência e a cobertura do custo, a proibição da
desproporção manifesta. O que faz com que as taxas não estejam sujeitas à reserva
de lei é o facto de a sua estrutura sinalagmática permitir o controlo do seu montante e
portanto conterem uma imanente salvaguarda do sujeito passivo quanto a exacções
excessivas, para a legitimação e quantificação das taxas é normalmente apontado o
principio da equivalência seegundo o qual entre a taxa e a prestação pública deve
haver uma equivalencia de cutos e beneficios, segundo este principio um tributo não
será quantificado se acordo com a força económica do contribuinte mas sim com os
custos que ele fera ou os beneficios que recebe de uma determinada prestação
publica. Entre os principios que deverão limitar o poder de criação de taxas está o da
relação entre o custo da prestação publica “serviço” e a quantia a cobrar, diz-se que o
quantitativo da taxa deve corresponder ao custo que a circunstancia pressuponente
acarrreta para a entidade publica. O principio da cobertura do custo tem sido adotada
com algumas reservas pelo Tribunal Constitucional, que seguindo a posição do
professor Teixeira Ribeiro aceita que mesmo quando haja preços lucrativos as taxas
não se transnudam em receitas patrimoniais visto continuarem coativas, nem
constituirem impostos na parte excedente ao custo visto manterem o seu carater
bilateral, criou-se assim o principio da proporcionalidade entre a taxa e o cuto da
prestação publica.
Regime geral das taxas das autarquias locais: a importancia que as taxa têm
para o financiamneto dos múltiplos serviços prestados pelos municipios justificou a
publicitação de um regime geral das taxas das autarquias locais nos entido de limitar
e disciplinar o seu uso, sendo o principio da euivalencia juridica entre a taxa e a
prestação um principio estruturante, este limite ao poder local quanto à criação de
taxa vem trazer para a lei ordinaria o principio segundo o qual a finalidade da taxa é a
cobertura do custo do bem produzido havendo uma desconformidade com a lei
sempre que este limite for ultrapassado, por outro lado a taxa deve conter
obrigatoriamente a fundamentação economica-financeira relativa ao valor das taxas,
desigadamente os custos direto e indirectos, os encargos financeiros, amortizações
etc.
As taxas, a unidade do ordenamente juridico tributario e o Imposto
Municipal sobre os Imóvei: no ordenamento tributario deve haver uma coerencia
entre as imposicoes decorrentes dos varios tributos. O IMI é quantificado com base no
valor patrimonial dos imóveis e serve essencialmente para o financiamente dos bens e
serviços que se encontram ligados ao urbanismo (iluminação pública, serviços de
saneamento) contudo muitas vezes os municipios combram taxas como a taxa de
conservação da rede de esgotos, confrontado com este problema o T.Constitucional
opotou por não decidir a inconstitucionalidade da taxa.
Outros tributos comulativos: no ordenamento juridico tributario português temos
dois tributos paradigmaticos, ou seja, o imposto como tributo unilateral e a taxa como
tributo bilateral, contudo, encontramos uma seria de outras figuras tributarias com
caracterisiticas quer de unilateralidade quer de bilateralidade, ao lado dos impostos
orientados pelo principio da capacidade tributária encontramos encargos tributário
que tambmee recorrem ao principio da equivalencia como forma de legitimação e
parametrro de disstribuição dos encargos tributarios como afirma Sérgio Vasques, é
o caso das contribuições especiais, exemplo disso é o IMI.

Imposto Municipal sobre Imóveis como contribuição especial: o principio do
beneficio preferido no preambulo do codigo do IMI justifica que a quantificação da
prestação dependa não do rendimento que o prédio rustico ou urbano pode
proporcionar mas sim do seu valor patrimonial correspondendo o seu pagamento à
contrapartida dos beneficios que os proprietarios recebem com obras e serviços que a
comunidade proporciona, e esta carateristica da comutatividade aproxima esta figura
às contribuições especiais.
Impostos especias de consumo: muito proximos das contribuições epeciais e
tambem legitimados pelo principio da equivalencia estão os impostos especiais de
consumo que vão atingir com cargas mais elevadas aqueles produtos cuja utilização é
vista como algum desfavor especial como o alcool e o tabaco (impostos sobre o
pecado) bem como produtos petroliferos e a energia cuja utilização acarreta um cuto
social elevado, deste modo, assiste-se ao crescimento da função da extra-fiscal
destes impostos.
Os tributos parafiscais: ao lado dos impostos a receita normal e principal do
Estado e que se encontran afetos ao financiamento global das suas despesas
encontramos outras receitas tributarias que têm sido qualificadas como tributos
parafiscais e que partilham de todas as carateristicas normais dos impostos
(unilaterlaidade, coatividade, ausencia de qualquer objetivo punitivo) mas que se
encontram afetas ao financiamento de certas actividades publicas que comparticipam
no preenchimento de objetivos publicos, enquanto os impostos integram o sistema
fiscal que visa a satisfação das necessidades financeiras do Estado estas contribuições
por serem tributo com finalidades financeiras especificas são receitas conignadas à
satisfação de fins concreto em oposição aos fins gerais do Estado, a estas receitas
falta a unilateralidade, sendo afetadas a fins especiais prosseguidos por entidades
autonomas, o que os destingue dos demais tributos é a subtração qo regime clássico
da legalidade tributaria e do OE.

^ As receitas do sistema de segurança social: são contribuições obrigatórias
que incidem sobre os rendimentos do trabalho e que se destinam a financiar o sistema
de segurança social, como elemento comum nos impostos a generalidade dessas
contribuicoes tem natureza obrigatoria e conserrva uma correspectividade difusa em
sentido lado, difusa porque o artigo 63(1) CRP cria um direito geral que por isso
deveria ser indeoendente das contribuições à segurança social e por outro lado o
artigo 63(4) CRP atribui ao sistema de segurança social uma função global de
proteção de todos os cidadãos e não apenas daqueles que para ele tiverem
contribuido, deste modo a lei de bases da segurança social distingue o sistema
contributivo (sistema previdencial) e o sistema não contributivo (sistema de proteção
socail e cidadania).
Fontes do direito fiscal –a CRP é a 1ª das fontes ou modos de revelacao das normas
juridico fiscais, mas como acontece com a maioria das CRP’s tambem a nossa não faz
qualquer referencia expressa ao carater fiscal do Estado, contudo, não se pode negar
que o Estado moderno se apresenta por toda a parte como um Estado fiscal, ou seja,
como um Estado que tem por suporte financeiro determinante ou tipico a figura dos
impostos que não são nada mais do que um preço, ou seja o preço que pagamos por
termos a sociedade que temos, por dipormos de uma sociedade assente na ideia de
liberdade ou ou o que é mesmo assente no previo reconhecimento dos direitos,
liberdades e garantias fundamentais do individuos.

É á Assembleia da Republica como representante da totalidade dos contribuintes que
cabe a competencia das competencias, primeiro como poder constituinte,
posteriormente dentro dos limites dos poderes que lhe são atribuidos pela CRP, a
forma de concretização dos poderes tributarios que a lei fundamental atribui aos
municipios e às regioes autonomas é tambem uma decisão da Assembleia da
Republica, tal como a definiçao dos poderes da Administração publica e o ambito da
fiscalizacao judicial. Como primeira manifestação do poder tributario temos a
soberania legislativa que é a producao legislativa em materia fiscal que inclui as leis
gerais da republica e subidariamente as normas fiscais produzidas pelas Regioes
Autonomas dos Açores e da Madeira e pelos Municipios, no entanto a aplicacao dessas
normas gerais e abstratas não pode ser feita sem a atribuicao à Administração de um
conjunto de poderes que lhe permitam a sua aplicação coativa. Aqui temos a
soberania fiscal administartiva que ainda cabe ao Estado, quanto às Regioes
Autonomas estas detêem a soberania quanto às receitas cobradas nas ilhas, podendo
considera-las como detentoras d eum poder tributario que se exprime na siberania
quanto às receitas.
Por outro lado, a soberania fiscal é externamente limitada pela celebração de acordos
bilaterais de dupla tributação com outros paises e pelo nascimento do Direito Fiscal
Europeu, a soberania administrativa pela obrigação contratual de cooperação com
outras administracoes fiscais, a soberania quanto às receitas pelas obrigacoes
contraidas quanto ao financiamento da UE e por ultimo a soberania judicial pela
crecente competencia que vem assumindo o Tribunal das Comunidades no julgamento
de questoes fiscais. Por exemplo os artigo 4 e 18 do codigo do IRS procuram
determinar quais os rendimentos que podem ser objeto de tributações pelo Estado
Português por terem a sua fonte em Portugal, não se trata de normas que digam
respeito a rendimentos produzidos em Portugal e de que são titulares residentes em
Portugal, pela sua natureza estes rendimentos são sempre tributados em Portugal,
trata-se sim de normas que dizem respeito a rendimentos obtidos em Portugal por não
residentes.
Regiões Autónomas: a reserva de lei em materia fiscal revela a sua dimensão
formal e organica ao atribuitr uma competencia exclusiva à Assembleia da Republica
ou ao Governo sob autorização desta para a producao das leis fiscais, no que toca aos
poderes tributarios do Parlamento a limitação da soberania fiscal atinge o seu grau
mais elevado com uma competencia concorrente das Regiões Autonomas dos Açores e
da Madeira artigo 227 (1-I e J), poratnto temos assim um poder tributario de
adaptação ou derivado, um poder tributario proprio, um direito a determinadas
receitas e um direito de participação politica ou do direito constitucional sendo o cariz
fiscal em sentido proprio apenas instrumental. O poder de criar impostos regionais ou
o de adaptar os impostos de ambito nacional às especificidades regionais deve ser
exercido respeitando o principio da conguencia ou da coerencia do sistema fiscal.
Autarquias Locais: o regime de atribuição de poderes tributarios aos municipio deve
perseguir dois objetivos, designadamente obter recursos que permitam aos municipios
realizar as despesas para que estão constitucionalmente vocacionados e leegitimar
democraticamente o poder local mediante a sua responsabilização politico-financeira
pelos recusros que vão utilizar, segundo o professor Casalta Nabais o poder
tributario dos outros titulares “entidades não estaduais” não passa da consequencia
de uma dada concepcao da organizacao politica e administrativa do Estado e dentro
deste da opção por uma das alternativas possivei relativamente à questão financeira
das comunidades descentradas. A concepção vigente no Estado Português é aquela
que passa não so pela atribuição do poder aos municipios de lançar e cobrar taxas
mas tambem pela possibildiade hoje constitucionalmente prevista de nos termos da
lei aqueles terem poderes tributario que passarão pelo exercicio de qualquer das
formas de poder tributario.

^ Principio da legalidade fiscal – tem como base a ideia de autoimposicao,
autotributação ou de autoconsentimento dos impostos segundo a qual os impostos
devem ser consentidos pelos proprios contribuintes, ideia que encontramos na Magna
Carta Inglesa que deu lugar ao principio da “no taxation without representatio”. O
principio da legalidade fiscal desdobra-se em dois aspectos, designadamente no
principio da reserva de lei formal que implica que haja uma intervencao d elei
parlamentar a fixar a propria disciplina dos impostos ou uma intervencao de carater
meramanete formal autorizando o Governo a estabelecer em consonacia com
arespetiva lei de autorizacao legislativa essa disciplina artigo 165(1-i) CRP e, por outro
lado no principio da reserva de lei material.
^ Principio da segurança juridica – está assente na ideia de Estado de direito
democrático artigo 2 CRP + artigo 18(3) CRP
^ Principio da igualdade fiscal – configura-se o o principio geral da igualdade como
uma igualdade material, o principio da capacidade contributiva enquanto tertim
comparationis da igualdade no dominio dos impostos não carece de um especifico e
direto preceito ocnstitucional, constitui o pressuposto e o criterio da tributacao.
Integra 2 sub princípios, designadamente o Princípio da generalidade- Todos estão à
partida sujeitos a impostos, não pode haver discriminações e o Princípio da
uniformidade- Igualdade horizontal e igualdade vertical. A igualdade horizontal que
integra o princípio do benefício (estariam na mesma situação aqueles que tiverem os
mesmos benefícios), princípio da capacidade contributiva (estariam na mesma
situação aqueles que tivessem a mesma capacidade contributiva avaliada através do
rendimento obtido, acumulado ou gasto). A igualdade vertical integra o sistema
proporcional (a mesma taxa é aplicada independentemente do rendimento, tanto a
100 como a 1 000), progressivo (a taxa vai subindo à medida que o rendimento sobe)
ou regressivo.
^ Princípio da reserva de lei formal - Os impostos são por lei da AR (artº 165º nº 1
alínea i) CRP), das Assembleias legislativas regionais (artº 227º nº 1 alínea i) CRP) ou
pelas Assembleias Municipais (artº 238º nº 3 CRP).
^ Princípio da reserva de lei material -Conteúdo (artº 103º nº2 CRP) - O que se tributa:
tem de estar tipificado categoria por categoria, como se tributa: com base na lei
regularmente criada, quando se tributa: dentro dos prazos de caducidade.
^ Princípio da capacidade contributiva - Ninguém pode ser tributado se não tiver
capacidade contributiva. O imposto deve estar distribuído de acordo com a
capacidade. O artº 103º nº 1 CRP consagra a justa repartição do rendimento e da
riqueza. Quem tem mais paga mais (justiça social). O artº 104º nº 1 CRP consagra que
o IRS visa diminuir as desigualdades tendo em conta as necessidades e os
rendimentos.
O respeito pelos direitos liberdades e garantias fundamentais: porque
integram um dever fundamental apresetando-se como limites imanentes ou maximos
de conteudo ou do ambito dos direitos liberdades e garantias fundamentais os
impostos não beneficiam da aplicabilidade do regime juridico constitucional das
restricoes jusfundamnetais, mormente o principio da proibicao do execesso, mas
todavia o direito dos imopostos não está de todo imune á influencia dos direitos
fundamentais em homenagem a certos direitos ou liberdades fundamentais que
estabeleceram determinadas imunidades fiscais que ao excluirem da eventual

tributacao manifestacoes normais da capacidade contributiva alargaram assim o
conteudo constitucional desses direitos ou liberdades e, por outro lado a ideia de
intangibilidade da dignidade da pessoa humana que dá sentido ao conjunto dos
direitos fundamentai e consubstancia o conteudo essencial de cada um deles alem de
constituir um eficaz obstaculo ás capitacoes sempre constitui uma barreira inferior aos
impostos a exigir que estes não ponham em causa um determinado minino de
subsistencia.
Principio do Estado social: o Estado tem como tarefa fundamental a realizcao da
democracia economica, social e cultural no quadro de um produtive state, tem como
incumbencia prioritaria no ambito economico e social promover a justiça social,
assegurar a igualdade de oportunidades e operar as necessarias correcoes das
desigualdades na destribuicao da riqueza e do rendimento atraves da politica fiscal.
Coerencia do sistena e o limite aos limites da tributacao: os limites materiais
da tributacao têm sobretudo a ver com a ideia de coerencia do sistema, ao impor
limites intra-sistematicos, ou seja, coerencia entre os diversos impostos e coerencia do
sistema fiscal no seu conjunto, o principio em causa deve ser convocado para a
solucao de problemas tais como a dupla tributação interna.
Limites da tributação: o direito dos impostos está particularmente pelo principio da
praticabilidade que conduz á exclusao não só das solucoes impossiveis de levar á
pratica mas tambem das solucoes economicamente insuportaveis, ou seja, os limites
materiais não podem ser levados tao longe quanto o defensavel. O legislador não é
porem totalmente livre já que para alem de ter de respeitar o principio da proibicao do
excesso ao lançar mao desse instrumento de de simplicacao há-de socorrer-se de
tipificacoes objetivamente assentes em situacoes tipicas.

O recorte constitucinal do sistema fiscal: o atual apelo a especificos limites
constitucionais aos impostos está onge de ter adesao significativa na doutrina e de
conseguir um lugar nas CRP’s como demonstra a persistente rejeicao do já celere
balanced – budget amendmente norte-amerciano, por isso o mais frequente é tais
limites reduzirem-se aos decorrente seja da distribuica consstitucional do poder
tributario e ou das receitas fiscais entre os diversos niveis da estrutura descentrada
dos Estados. A nossa CRP recorta o desenho do nosso sistema fiscal em dois
momentos, designadamente, quando fixa a finalidade do sistema fiscal estabelecendo
que o sistema fiscal tem em 1º lugar uma finalidade financeira porque visa a satisfaca
das necessidades fianceiras do Estado e outra entidades publicas e, quando refere
uma finalidade de carater extrafiscal decorrente de uma reparticao
justa dos
rendimentos e da riqueza e, num segundo momento quando preve um imposto único
único e progressivo sobre o rendimento pessoal, a tributacao real como regra da
tibutaca do rendimento das empresas, uma tributacao do patrimonio que contribua
para a igualdade dos cidadaos e uma tributacao do consumo adaptada ao
desenvolvimento economico e á justiça social.

O imposto sobre o rendimento pessoal: quanto ao rendimento pessoal a CRP
exige que este seja único, progressivo e que tenha em conta as as necessidades e os
rendimentos do agregado familiar, contudo estas exigencias continuam a na ser
respeitada ppelo pelo nsso sistema fiscal
Tributação do patrimonio: relativamente a este tipo de tributacao a CRP apenas
exige que ela constitua um instumento de igualdade entre os cidadaos, temo assim
como objtivo a diminuicao das desiguldades , taxando-se os mais elevados e
isentando-se os mais baixos, contudo, não foi tido em conta na reforma da tributaca
do patrimonio de 2003/2004 já que o IMI, IMT, IS sobre as transmissoes gratuitas
praticamente na as tiveram em conideração.
A tributação do consumo: a CRP exige por um lado que ela vise a adaptacao da
estrutura do consumo á evolucao das necessidades do desenvolvimento economico e
da justiça social e por outro lado a oneracao dos consumos de luxo.
A interpretação das normas juridico-fiscais: é de seguir a orientação no sentido
de que as normas juridicas fiscais se interpretam como quaisquer outras normas
juridicas artigo 11(1) LGT, o nr 3 do mesmo artigo está a mais e contraria o nº1.

Normas de soberania fiscal: Aquelas que determinam e definem os poderes
tributários do estado em geral; constituem princípios tributários fundamentais e
definem normas de carácter geral
Normas de incidência:

Definem o complexo de pressupostos dos quais resulta a obrigação de imposto,
definem quem é o sujeito ativo (Estado, Institutos Públicos, Autarquias, etc.) e
também quem são os Sujeitos passivos (Contribuintes, substitutos,
responsáveis solidários) – normas de incidência subjetiva – artigo 13 do
CIRS.

Qual é a matéria colável (Valores económicos sobre que recai a tributação), qual
é a taxa de imposto (A quota ou percentagem calculada sobre a matéria
coletável) – normas de incidência objetiva – Artigos 1 a 12 do CIRS.

Normas de lançamento: Definem os processos de criação de cada obrigação de
imposto e os processos através dos quais se determinam os respectivos elementos de
tributação . (Art. 28° CIRS e arts. 16° e 57° do CIRC).
Normas de liquidação: Aquelas que disciplinam a liquidação dos impostos. (arts.
75° a 90° CIRS e arts. 82° a 95° CIRC)
Normas de cobrança: São todas aquelas que disciplinam o pagamento dos
impostos. (arts. 97° a 111° CIRS e arts. 96° a 108° CIRC)
Normas sancionatórias: Destinam-se a penalizar os contribuintes e, por vezes, os
terceiros por actos ilícitos cometidos ou susceptíveis de comprometer as operações
fiscais. Estas normas estão contidas no Regime Geral das Infracções Tributárias,
aprovado pelo Dec- Lei 1093/2001, de 27 de Dezembro
Normas do Contencioso Tributário: Tratam-se de normas que disciplinam os
processos contenciosos de impugnação judicial, de execução fiscal e de contra

ordenação fiscal. Estas normas encontram-se na
Processo e Procedimento Tributário.

quase totalidade, no Código de

Facto tributário: Facto, atividade ou situação que dá origem ao imposto.

Eficacia temporal das normas juridico fiscais: a eficacia temporal das normas
juridicas fiscais como a de quaisquer outras normas juridicas reconduz-se a tres
problemas, designadamnete, o inicio da vigencia das normas fiscais, a cessacao da
vigencia das normas fiscais e a sucessao das normas fiscais no tempo. O direito dos
impostos rege-se pelo principio constitucional e legal da não retroatividade que a nivel
constitucional impoe o artigo 103(3) da CRP a proibicao de impostos retroativos pelo
que o legislador está impedido de criar ou aumentar rretroativamente os impostos,
este principio era tardcionalmente reconduzido ao principio da sehurança juridica, e ao
principio da protecao da confiança insito na ideia do Estado de direito democratico,
tendo hoje suporte constitucional autonomo. De acordo com o artigo 12 (1) da LGT as
normas tributarias aplicam-se aos fatos tributados posteriores á sua entrada em vigor
não podendo ser criados impostos retroativos e, se o fato for de formacao sucessiva a
lei nova so se aplica ao periodo decorrido a partir da sua entrada em vigor artigo 12(2)
LGT, pr outro lado as normas sobre o procedimento e process são de aplicacao
imediata sem prejuizo das garantias, direitos e interesses legitimos anteriormente
constituidos dos contribuintes artigo 12(3) LGT e, ainda que não são abrangidos pelo
disposto no numero anterior as normas que embora integradas no processo de
determinacao da materia tributavel tenham por funcao o desenvolvimento das normas
de incidencia tributaria artigo 12(4) LGT.
Problemática da não retroatividade das normas fiscais: as expetativas e a
incerteza quanto ao modo de tributação ou sobre o nível das exações fiscais afetam as
decisões de investimento e as decisões de consumo, e por isso se pode afirmar
considerando o ordenamento jurídico como um todo que a perspetiva da continuidade
fornecendo um grau superior de segurança jurídica, favorece a racionalidade do
planeamento e das decisões que exigem uma lei fiscal previsível. De um ponto de
vista formal a mudança retrativa da lei fiscal cria em regra uma impossibilidade de
previsão pela aplicação a um fato total ou parcialmente verificado, a imprevisibilidade
verifica-se porque de uma norma que não exista no momento da sua verificação vai
ser retirada uma consequência que se não encontrava até então no ordenamento
jurídico. A questão em causa não consiste em saber se a norma fiscal é aplicável antes
da sua entrada em vigor, após o período de “vacatio legis”, estabelecido em termos
genéricos ou específicos. Mas, mesmo aplicando a norma fiscal apenas a partir do
momento da sua entrada em vigor, importa fixar a quais situações, a quais relações, é
essa norma aplicável. Se todas as situações a todas as relações que correspondem à
previsão de comando normativo, ou se somente àquelas que se consubstanciam já
durante a vigência da norma considerada. Na primeira hipótese, a norma estará a ser
aplicada retroativamente quanto àquelas situações, àquelas relações constituídas
antes da sua entrada em vigor. Na segunda hipótese, observar-se-á o princípio da não
retroatividade.
Em favor da não retroatividade das normas jurídicas em geral, é invocável um
princípio de segurança, de respeito da boa-fé. Porquanto os regimes jurídicos
aplicáveis deverão ser aqueles com os quais os seus destinatários podiam
razoavelmente contar, tendo em face deles estabelecidos os seus planos e realizados

as suas opções. Em homenagem a um princípio da certeza, de segurança, a norma
nova deverá aplicar-se às relações constituídas no domínio da norma anterior; pois, de
outro modo, todas as razoáveis expectativas sobre as consequências das opções dos
membros de uma sociedade seriam fundadas. Este mesmo princípio de segurança
impôs ao legislador a consagração da regra da não retroatividade das normas civis
(art. 12º CC).
Os princípios da legalidade e da tipicidade do imposto podem servir de fundamento à
tese de que não são suscetíveis de aplicação retractiva das normas fiscais
respeitantes às matérias contempladas pelo art. 103º/2/3 CRP. Mais frouxa parece ser
a argumentação baseada num princípio de igualdade tributária ou nas regras
fundamentais do Estado de Direito, demasiado fugidias em muitos aspetos para serem
utilizadas por uma teoria da aplicação da lei no tempo. Também não parece
consistente fazer duvidar um princípio geral de não retroatividade das normas
desfavoráveis aos cidadãos da “legalidade democrática” e da submissão do Estado à
lei constitucional (art. 3º CRP).
Eficacia espacial das normas juridico fiscais: rege-se tradicionalmente pel
chamad principio da territorialidade, segundo o seu entendimento classico as leis
tributarias apenas se aplicam aos fatos ocorridos n territorio da ordem juridica a que
pertencem independentemente da situacai em causa com a nacionalidade, o domicilio
ou a residencia do sujeito passivo, detse modo aterritorialidade tem assim um vetor
negativo e um vetor positivio, de acordo com o 1º as leis estrangeiras não se aplicam
no territorio do pais em causa enquanto no 2º as leis tributarias internas aplicam-se no
territorio nacional de modo generalizado inclusivamente aos que não são nacionais
desse estado.
O codigo de IRS e o seus antecedentes: foi introduzido pela reforma fiscal de
1989 e deu exigencia legal apos um longo periodo de iniciativa legislativa ao
imperativo constitucional de modernizacao e racionalizacao do sistema fiscal
portugues aproximando o nosso ordenamento a um modelo de tributacao inicialmente
utilizado apenas nos paises mais desenvolvidos, tal modelo assenta em dois impostos
principais sobre o rendimento das pessoas singulares e outro sobre o rendimento das
pessoas colettivas e ainda um imposto sobre o valor acrescentado. antes da reforma
tinhamos assim um codigo e um imposto para cada tipo de rendimento com uma
previsao legal especifica do objeto do imposto, a reforma funcionou como um
movimento de simplificacao fiscal

IRS: a construcao de um imposto pessoal de rendimento como centro da relacao entre
particular e Estado é um dos aspetos centrais do estado fiscal no sentido de ser uma
organizacao que alargou o ambito da sua intervencao na sociedade e chamou a si a
satisfacao dos direitos sociais inerentes aos niveis minimos exigidos pela dignidade da
pessoa humana, no entanto esta rececao no ordenamento juridico portugues tem sido
um longo processo. O dever universal de declarar e de englobar quase todos os
rendimentos na declaraacao pessoal so passou a existir embora nao plenamente com
a reforma de 2989 e com a criacao do imposto pessoal de rendimento, o artigo 104(1)
impoe-se como norma programatica ao legislador ordinario na concretizacao do
sistema fiscal e ao interprete na hermeneutrica das normas que o compoem , o
objetivo deste imposto sera sempre a diminuicao das desigualdades, a unicidade do
imposto prevista pela CRP constitui a transformacao de uma mera regra de boa
administracao num principio constitucional porque a multiplicacao dos impostos
conduz a uma ineficiencia na sua gestao devendo por isso ser evitada, já quanto á
progressividade do impsoto esta vidsa adequa-lo ao rendimento efeitov de cada
agregado uma vez que determian que a parte do imposto pago aumenta á medida

que o rendimento aumenta e nesse sentido a progressividade opoe-se á
proporcionalidade, uma simplicacao do regime fiscal do IRS com eliminacao de
deducoes e de abatimento acompanhada de uma reducao dad taxas poderiaa
conduzir a um aumento da progressividade. A adequacao do IRS ao grau de
capacidade contributiva de cada sujeito passivo pode fazer-se essencialmente de duas
formas a 1º é atraves da graduacao do grau de progressividade do imposto em funcao
do rendimento subindo a carga fiscal a 2º é feita atraves da escolha de um conjunto
de despesas que podem ser atribuidas ao ao rendimento coletavel ou á coleta por
serem despesas que afetam as necessidades do sujeito passivo ou do agregado
familiar e, para alcancar este objetivo podem ser usadas duas tecnicas alternativas
designadmanete a 1º com base no principio da enumeracao ou em elaternativa pode
utilizar-se a tecnica da clasula geral possivelmente acompanahda por enumeracoes
exemplificativas de receitas, no caso portugues a incidencia objetiva do IRS procura
abranger todas as possiveis modalidades de situacoes economicas que possam ter
como consequencia a percecao de um rendimento ainda que com menor esforço de
abrangencia no caso das mais valias. deste modo o legislador optou por criar um
imposto unico mas que recorre a varias categorias de rendimentos que trata de forma
diferente, ao contrario da tributacao cedular que é uma tributacao analitica, a
concecao sintetica do rendimento resulta de uma tecnica de estruturacao do IRS
assente numa previsao global da sua tributacao.
O principio do rendimento liquido e as suas consequencias na tributacao das pessoas
singualres: dentro do sistema que deve constituir o ordenamento fiscal e para que
etse possa ser uma zona judicialmente entendida devemos ter em consideracao o
principio da capacidade contributiva e o principio da tributacao do rendimento liquido
que acontece pela previsao direta dos fatos tributaveis e para se determinar o
rendimento empresarial liquido é necessario proceder á deducao dos custos
suportados na atividade empresarial.
Caraterísticas do IRS:
 É um imposto geral pois abrange a generalidade;
 É estadual/regional;
 É direto pois incide diretamente sobre o rendimento;
 É pessoal pois atende à situação pessoal e familiar do titular;
 É periódico na perspetiva anual dos rendimentos;
 É de prestação variável pois varia de pessoa para pessoa;
 É de taxa progressiva como regra;
 É de natureza fiscal.
 Há 4 tipos de taxas de IRS: as progressivas (artº 68º), liberatórias (juros de
depósitos bancários – artº 71º), especiais (ex: mais valias – artº 72º),
autónomas (tributa-se na empresa, que é o acontece na distribuição de lucros –
artº 73º).
Incidência positiva:
 Categoria A – trabalho dependente (rendimentos do trabalho);
 Categoria B – empresários e profissionais (rendimentos do trabalho);
 NOTA: com a reforma de 2000 a cat. B, C (rend. de empresários) e D (rend.
agrícolas) fundiram-se
 Categoria E – rendimentos de capitais (juros);
 Categoria F – rendimentos prediais (rendas);
 Categoria G – Incrementos patrimoniais (mais valias, jogo, sinais exteriores de
riqueza);
 Categoria H – rendimentos de pensões (pensões de alimentos).
 A isenção é uma exceção à incidência positiva.

Incidência negativa: Não constitui matéria de rendimento. Os valores não
têm de ser declarados. A Administração não os quer conhecer. A incidência negativa
não corresponde a uma isenção.
Ex: Subsídio de refeição até determinado montante, as indemnizações por danos
comprovados.
Ex: Não se tributam 50% dos rendimentos de pessoas com um grau de deficiência
superior a 65%.
As isenções têm de ser declaradas, entram para o cálculo do imposto.

Obrigação fiscal absoluta: Assenta na tributação com base no domicílio, sede, etc.
É atribuído ao sujeito passivo titular daquela sede ou domicilio toda a matéria
colectável seja qual for a situação ou a sua origem. Assim os rendimentos tributáveis
em IRS de que seja titular um residente em Portugal serão tributados em Portugal
independentemente do Estado onde tenham a sua fonte.
Obrigação fiscal limitada: Reduz-se à matéria colectável situada dentro das
fronteiras portuguesas. A extinção da obrigação é feita através do cumprimento, o
devedor leva a cabo o cumprimento devido. Mas as obrigações também se podem
extinguir sem haver um cumprimento, através da caducidade e da prescrição (art. 45º
e 48º da LGT). Caducidade: Verifica-se um facto tributário, e este facto vai
normalmente criar ao contribuinte um dever declarativo, caso o sujeito passivo não
declare devendo declarar. A Administração fiscal dispõe de um período de 4 anos para
rectificar esta situação, ultrapassado este período verifica-se a caducidade do poder
de liquidar por parte da Administração fiscal.
Ex: IRS de 2000. O contribuinte só está obrigado a pagar se for notificado até
31/12/2004
Prescrição: A formação de uma dívida fiscal cria um dever de cumprimento ao sujeito
passivo, mas um dever de pagamento que não se pode manter por tempo indefinido,
por isso, o n.º 1 do art. 48º cria um prazo de prescrição de 8 anos para as dívidas
fiscais.
A obrigação é uma relação jurídica obrigacional de imposto, pelo qual alguém tem de
levar a cabo um certo comportamento. Esta relação jurídica tem como traça
fundamental, o comportamento devido. A obrigação tributária não é uma obrigação
simples, isto porque não há só um caminho que o devedor tem de fazer até chegar ao
credor, mas há sim outros deveres como:
- O dever do contribuinte fazer uma declaração
- O dever do contribuinte de manter a contabilidade organizada
- O dever da administração liquidar um imposto, etc...
Todos estes auxiliam o dever fundamental que é o de entregar uma quantia em
dinheiro. A obrigação tributária é irrenunciável e indisponível, é uma obrigação legal, é
uma obrigação que tem natureza pública, é executível, ou seja, a Administração pode
accionar os mecanismos para executar o direito de crédito, o ser carácter executório
está limitado. O sujeito passivo está também sujeito a obrigações acessórias no que
respeita à obrigação de escrita, de facturação/recibo, declarativas, obrigação de
exibição de documentos fiscalmente relevantes. A notificação perfeita em termos de
conteúdo e de forma é uma condição de eficácia externa dos actos.
Princípios gerais do procedimento tributário:
 Princípio do contraditório e da proporcionalidade (artº 58 LGT): Os actos a
adoptar devem estar de acordo com os princípios da proporcionalidade, eficiência,
praticabilidade e simplicidade.
 Princípio do duplo grau de decisão (artº 56º LGT): A mesma pretensão do
contribuinte só pode ser apreciada sucessivamente por 2 órgãos que integram a

Administração Tributária. A Administração é sempre obrigada a decidir excepto se a
mesma situação lhe for posta no prazo de 2 anos (nº 2 artº 56º LGT).
 Princípio da cooperação entre a Administração e os contribuintes: A
Administração deve esclarecer os contribuintes das suas obrigações tributárias e estes
devem cooperar com a Administração tributária (artº 59º e 60º LGT).
 Princípio da cooperação de entidades públicas: Há um dever geral de
cooperação de todas as entidades públicas como a Administração tributária.
 Princípio da verdade material: Devem utilizar-se todos os meios de prova
indispensáveis ao correcto apuramento dos factos (artº 72º LGT)
 Legitimidade contributiva no procedimento: Têm legitimidade no procedimento
os sujeitos passivos, os substitutos, os responsáveis, outros obrigados tributários e
outras pessoas que provem interesse (artº 65º e 66º LGT).
 Procedimento prévio de informação: A Administração Tributária deve emitir
orientações genéricas através de circulares, embora só vinculem os funcionários e a
Administração Tributária.
 Informações vinculativas (artº 68º LGT): As informações vinculativas aos
contribuintes, sobre a sua concreta situação tributária, vinculam a Administração
Tributária (informações escritas).
 Avaliação prévia dos bens: Mediante pagamento de uma taxa, podem os
interessados solicitar a avaliação dos bens.
 Princípio da verdade declarativa: O procedimento da liquidação pela
Administração Tributária instaura-se, em regra, com base nas declarações dos
contribuintes ou, na sua falta ou vício, com base nos elementos disponíveis.
 Aplicação das normas anti-abuso: Depende da abertura de procedimento próprio,
sendo obrigatória a audição do contribuinte, o contribuinte tem de ser previamente
ouvido.
 Presunções: Todas as presunções em matéria fiscal são “tantum júris”, ou seja, são
ilidíveis (destrutíveis) em procedimento administrativo próprio, nunca são verdades
absolutas (artº 73º LGT).
 Juros indemnizatórios a favor do contribuinte: São pagos sempre que for
proferida decisão que os reconheça ou o reembolso do excesso de imposto retido não
seja atempadamente. Os juros indemnizatórios a favor do contribuinte só são pagos
pela Administração Tributária se forem pedidos. Ex: Se o contribuinte pagou mais 50€ e
pedir o dinheiro que pagou a mais a Administração tem que pedir que lhe sejam pagos
os juros. Os juros podem pedir autonomamente.
Reconhecimento de benefícios fiscais: Salvo tratar-se de benefícios fiscais
automáticos, que operam “ope lege” o reconhecimento dos benefícios depende da
iniciativa dos interessados.

Reclamação graciosa: Visa a anulação total ou parcial do acto tributário. Os prazos
para reclamar são diversos, regra geral, são de 90 dias a contar da data limite de
pagamento. Mas há casos especiais para efectuar uma reclamação graciosa sendo de
1 ano no caso de preterição de formalidades essenciais ou de inexistência total ou
parcial do facto tributário ou de 2 anos no caso de autoliquidação de IRC e no caso das
retenções. O prazo para decidir uma reclamação graciosa é de 180 dias sob pena de
incorrer o acto tácito de indeferimento. A reclamação graciosa pode ser apresentada
em coligação, se não houver prejuízo parta a celeridade da decisão. A entidade
competente para a decisão é o órgão periférico regional, podendo ser o órgão
periférico local em causa de valor não superior ao quíntuplo da alçada dos TAF (4 686,
25 €) ou em casos de simplicidade. Os agravamentos à colecta ocorrem nos casos em
que a reclamação não seja condição de impugnação e nos casos em que seja

destituída de fundamento razoável. O agravamento é variável, com o máximo de 5%
da colecta.
Recurso hierárquico: Sem prejuízo do duplo grau de decisão, todas as decisões dos
órgãos da Administração Tributária são susceptíveis de recurso hierárquico. O recurso
hierárquico tem natureza meramente facultativa e efeitos devolutivos, excepto se a lei
os considerar de efeito suspensivo. O prazo para a sua apresentação é de 30 dias a
contar da notificação da decisão do acto de que se recorre.
Devem ser decididos no prazo máximo de 60 dias.
Competência para a instauração da reclamação: A petição deve ser dirigida ao
órgão periférico regional (Director de Finanças do distrito do domicilio ou sede do
contribuinte.
Se for feita verbalmente deve ser feita no órgão periférico local (Serviço local de
finanças do domicilio ou sede).
Garantias do contribuinte:
-

-

 Garantias não impugnatórias:
As que exigem o respeito pelos princípios constitucionais do sistema fiscal da
legalidade, igualdade, justiça, participação, proporcionalidade, de certeza e
segurança e da celeridade.
As que conferem direitos subjectivos, nomeadamente o direito à informação,
direito à fundamentação dos actos, direito à notificação, direito ao pagamento de
prestações, direito ao pagamento de juros indemnizatórios.
 Garantias no procedimento tributário:
Reclamação graciosa;
Recurso hierárquico;
Revisão da matéria tributável;
Revisão dos actos tributários.

 Garantias processo tributário:
- Impugnação judicial;
- Oposição à execução fiscal;
- Acção para reconhecimento de um direito ou interesse legítimo em matéria
tributária;
- Intimação para consulta de documentos ou passagem de certidões;
- Recurso da decisão administrativa tributária relativa à derrogação do sigilo
bancário;
- Recurso da decisão da Administração Tributária de avaliação indirecta;
- Intimação para um comportamento em caso de omissão lesiva de direito ou
interesse legítimo;
- Recurso contencioso dos actos relativos a questões tributárias, que não envolva a
apreciação do acto tributário de liquidação;
- Recurso de actos de aplicação de coimas;
- Recurso de actos praticados em processo de execução fiscal.
NOTA: Regra geral o prazo para reclamar ou impugnar é de 90 dias .
Tribuação do rendimento das pessoas coletivas: a tributacao das empresas
segundo o seu rendimento real constitui uma das principais opcoes da CRP de 1976,
no entanto decorreu algum tempo entre as proclamacoes constitucioanis no campo da
opcão pelo lucro real e a sua aplicacao pelo legislador ordinario tal como sucedeu com
a implementacao do IRS. No caso das empresas o movimento gradual de alargamento
do universo das que eram tributadas pela sua contabilidade continuou depois de
1976, a opcao definitiva do legislador foi feita com a aprovacao do codigo de IRS de
1988, são entidades tributadas em Portugal segundo o principio da fonte do
rendimento, mas entre o IRS e o IRC encontramos uma radical diferenciacao no modo

de realzacao da sua previsao normativa, enquanto o IRS está normativamente
estruturado a partir do objeto do imposto sendo sujeitos passivos todas as pessoas
que residam no territorio portugues ou as pessoas a quem possam ser imputadas
rendimentos com origem no territorio Portugues, a previsao normativa do IRS começa
com a definicao dos sujeitos passivos do imposto passando depois para a definicao e
os principios de quantificacao dos rendimentos que lhes possam ser imputados.
Consequentemente no IRS determina-se qual o rendimento que é rendimento
tributavel e efetua-se depois a sua imputacao a um certo sujeito passivo, no IRC
deverá seguir-se por uma outra via tendo sempre como questão prévia a qualidade
juridica do sujeito passivo uam vez que sem previsao legal expressa nenhuma
entidade pode ser sujeito passivo deste imposto.
Carateristicas:



Sobre o rendimento
Directo



Proporcional
Estadual


Principal
Global

Periódico
Real
Os sujeitos passivos e a base territorial do imposto: a incidencia real do IRC tal
como a do IRS dependerá de os sujeitos passivos terem residentes ou não residentes
artigo 4 IRC, em relacao as pessoas coletivas e outras entidades com sede ou direcao
efetiva em Portugal os rendimentos que segundo os criterios de decisao contidos
nesse artigo sejam considerados como sendo produzidos no pais, temos um regime de
obrigacao fiscal ilimitada, de sujeicao ilimitada ou de tributacao de base mundial: o
IRC reside sobre a totalidade dos seus rendimentos, reside sobre a totalidade dos seus
rendimentos incluindo os obtidos fora do territorio portugues, pelo contrario os não
residentes tem uma sujeicao fiscal limitada relativamente ás suas possiveis
obrigacoes fiscais, por isso, temos o principio geral de separacao entre sujeicao
ilimitada e sujeicao limitada do artigo 4, no caso da sujeicao limitada é necessario
como condicao minima de tributacao que haja uma conexao entre o rendimento e o
territorio portugues.
Incidência objetiva: o objeto do imposto vai ser constituido por rendimentos obtidos
por pessoas coletivas e apenas pelos rendimentos por elas recebidos, no texto
constitucional encontramos proclamado sem ambiguidades e com poucas restricoes o
direito subjetivo dos sujeitos passivos de IRC – as empresas – a serem tributadas
segundo o seu lucro real artigo 104(2) CRP, e desta proclamacao decorrem 4
consequencias designadamente,esta proclamacao constitucional do direito subjetivo
do contribuinte a ser tributado de acordo com o seu lucro real é uma particularidade
do ordenamento juridico-tributario portugues no qual o legislador constitucional optou
pela consagracao expressa desse direito artigo 104(2) CRP, contudo considerando
como principio ordenador do direito fiscal o principio da tributacao segundo a
capacidade contributiva teremos de ver a tributacao segundo o lucro real uma mera
regra concretizadora do principio da igualdade que vai exigir uma tributacao segundo
o rendimento liquido objetivo o que por sua vez se vai decompor num conjunto de
regras e sub-principios tais como o da especializacao dos exercicios com as suas
regras quanto á atribuicao temporal de ganhos e perdas. A substituicao do conceito de
razoabilidade pelo de necessidade de comprovacao das despesas insere-se no sistema
geral do novo codigo de determinar de forma mais densa os deveres de organizacao
da escrita por parte das empresas e consequentemente limitar a margem de decisao
da Administracao.
A tributacao do consumo: a tributacai do consumo que teve um papel fundamental
no financiamento do Estado do ancien regime e que foi depois abudantemente
criticada pelos estados fundadores dos modernos sistemas fiscais pelo seu carater

regressivo voltou a ter um papel de grande importancia no financiamento das tarefas
do estado social de direito. estes impostos indiretos repercutidos no consumidor final
dos bens são impostos tambem com uma larga tardicao entre nós, o conceito de valor
acrecentado é um conceito criado pela economia para impedir a dupla contagem dos
produtos. O Iva adquiriu deste modo pela possibilidade de deducao do imposto
anteriormente suportado para quem está integrado na cadeia produtiva a sua
carateristica de um imposto interiramente neutro relativamente á concorrencia entre
as empresas, deste modo a necesssidade de encontrar um imposto neutro quer em
relaçao á concorrencia interna entre as empresa quer em relacao á concorrencia entre
paises juntamente com a necessidade de encontrar um imposto que fosse altamente
produtivo no capitulo das receitas conduziu á adocao europeia do IVA como imposto
destinado a financiar as estruturas comunitarias calculando uma parte das receitas da
UE atraves do IVA e assim criando a forma de distribuir proporcionalmente estes
encargos entre os paises.
Situação atual do IVA: como imposto ligado á construcao do mercado comum teve
as suas modificacoes principais relacionadas com o processo de formacao destes
espaço economico, a principal carateristica deste processo de integracao foi a da
eliminacao das fronteiras com a acriacao de um egime de circulacao das mercadorias
dentro o espaço europeu e com a renuncia ao controlo fiscal exercida nas fronteiras o
que conduziu a um regime dito transitorio que se tem prolongado por dificuldades de
acordo quanto á sua substituição. O novo regime dependendo de um acordo entre os
varios estados membros tem perante si a questao complexa em termos de justiça na
distribuicao dos recursos entre os varios paises da passagem do principio do destino
no qual o iva era cobrado no pais onde a mercadoria era consumida para o principio
da origem. A legitimacao deste imposto é uma questao em aberto mas cuja resposta
passa por duas questoes, designadamente, a sua importancia financeira em relacao a
impostos direta e imediatamente redistributivos como imposto de redimento e, a
integracao num orcamento publico que pelas suas tarefas e pelo lado das despesas é
tambem redistributivo

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