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AUP 276 - PLANEJAMENTO URBANO I

21/08/15

Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Departamento de Projeto
Docentes responsáveis: Dr. Eduardo Nobre; Dra. Luciana Royer; Dra. Maria Cristina
da Silva Leme; Dra. Maria de Lourdes Zuquim; Dra. Paula Freire Santoro
Monitores: Fernanda Cavalcanti e Miguel Bustamante
Aluno: Americo Ranzini Fajardo

Nº USP: 9317969

VILLAÇA, Flávio. São Paulo: segregação urbana e desigualdade.

Bibliografia:
ENGELS, F. Do socialismo utópico ao socialismo científico. São Paulo: Global, s. d.
FELDMAN, S. Planejamento e zoneamento. São Paulo 1947-1972. São Paulo, 1996.
Tese (Doutorado) – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo.
SOUZA, A. de et. al. Metrópole e globalização. Efeitos do espaço sobre o social na
metrópole brasileira. São Paulo: Cedesp, 1999.
VILLAÇA, F. Espaço intra-urbano no Brasil. São Paulo: Studio Nobel, Fapesp, Lincoln
Institute, 2009.

Apresentação do conteúdo do texto e de sua estrutura:
O urbanista Flávio Villaça inicia seu texto introduzindo conceitos e formas de
avaliação crítica sobre a segregação no espaço urbano sua estreita ligação com a
desigualdade social, econômica e política vivenciada em praticamente todas as cidades
brasileiras. Primeiro é afirmado que o maior avanço ocorrido no campo da ciência da
geografia foi a difusão da ideia de que o espaço urbano não é algo dado pela natureza,
mas sim é um produto do trabalho humano. Em seguida que a sociedade brasileira é
pautada por uma enorme desigualdade, não apenas por causa da pobreza mas a
injustiça aliada a ela. Assim, os dois fatos articulados manifestam-se na segregação
ocorrida nas metrópoles, como a que o texto se aprofundará mais, São Paulo. Diferente
de outros estudos relativos a este tema, esse não tratará de áreas como bairros, mas
sim de regiões inteiras, desse modo não será apenas uma descrição da situação atual

Faria Lima e região até o vale do Rio Pinheiros. é mostrada a região sudoeste onde uma concentração das classes de mais alta renda é encontrada. tanto profissionais liberais e outras profissões de alta qualificação quanto profissões de menos qualificação como garçom. muitas vezes confundida com a deterioração do mesmo. pois é uma teoria atrasada do início do século XX. sendo essa a região de moradia das classes de mais alta renda.mas uma análise resultante da interação de dezenas de fatores. chamada de Região de Grande Concentração das Camadas de Mais Alta Renda. na cidade de São Paulo o ocorrido é totalmente diferente. onde também se encontram melhores transportes e mais especulação imobiliária. facilitando a vida como um todo. onde o centro passa por uma desvalorização e o crescimento da metrópole ocorre predominantemente em uma direção. Também não apresentará o tema na forma tradicional de estudo como "centro versus periferia". Focando na capital paulista e região. IDH e renda familiar mais altos. Villaça fala sobre a decadência do centro de São Paulo. Em uma série de figuras. desse modo os "restos" que sobraram da região abandonada é destinada às camadas populares que dominam tal espaço que passa a ter uma visão ruim para a maioria dos habitantes da cidade. Em seguida. O autor entra em outro tema quando aborda a segregação por meio do deslocamento espacial. como a baixa vulnerabilidade social. clima mais fresco pela maior presença de eareas verdes. enquanto os mais pobres precisam se deslocar grandes distâncias usando transportes de baixa qualidade ou insuficientes para a fácil locomoção. A região sudoeste paulista é a que é referida. onde os mais ricos se concentram no centro e os mais pobres na periferia. a baixa concentração de negros (máximo de 10%). os melhores locais para o jovens. Isso é. Av. atendente. assim o deslocamento dessa camada não é grande. e não em todos os sentidos. toda cidade brasileira tem uma região mais valorizada que concentra a maioria dos serviços e empregos. processo que acontece com os seres vivos como um apodrecimento. exatamente por isso. migrando para a região da Av. e concentra a maioria dos empregos do setor terciário. além de conter todas as zonas de exclusivamente residências unifamiliares e os menores números de homicídios por 100 mil habitantes. O que ocorreu foi que a elite abandonou o centro. Paulista. se explicita características exclusivas da região. em círclos concêntricos. .

principalmente do transporte como linhas de metrô e faixas de ônibus.vendedor. a matriz viária da cidade (o carro privado) é outro fator que privilegia os ricos. desse modo. etc. onde a concentração de tais empregos também é alta. Aliado a isso. a Zona Leste fica afastada de ambas regiões e pelo péssimo transporte público como a única linha de metrô e falta de empregos. tanto comercial como para lazer e outros fins. Desse jeito. A abordagem do tempo como o principal fator de segregação do espaço urbano é extremamente interessante. assim a grande concentração tanto das moradias. os quais a maioria é destinada para pessoas de baixa renda e pouca qualificação. o urbanista reforça a questão de que o tempo é a força mais poderosa da construção do espaço urbano. mesmo assim essa região abriga menos de 20% da população da região metropolitana. especialmente as de grande porte. Outra alternativa é a zona industrial como Osasco. pois como diz o ditado capitalista "tempo é dinheiro" e . se torna a região mais pobre da cidade. ABCD é Guarulhos onde existem a maioria dos empregos do setor secundário. Ou então. Aspectos relevantes e argumetos: Flávio Villaça trata em seu texto a relação entre a desigualdade social e econômica nas cidades brasileiras e a segregação que decorre dela. mas. uma vez que o adquirimento dos mesmos é muito mais fácil para uns que para outros. ampliando ainda mais o abismo existente entre os dois grupos sociais. também. Concluindo. o texto é de grande importância para denunciar e explicar a situação ocorrida em muitas cidades brasileiras. o governo beneficia a região sudoeste com o maior investimento em infraestrutura. Tudo o que foi falado está tratando de uma coisa. Este é o principal fator de dominação da classe dominante ao concentrar as atividades de interesse. se deslocam para o centro da cidade onde há uma grande concentração de empregos de baixa renda ou para subcentros localizados em bairros como Lapa. O autor faz isso de maneira muito concreta e direta. o que facilita muito o entendimento do texto mesmo que por pessoas que não são especialistas no tema ou que até não sabem nada a respeito sobre isso. o tempo. mostrando como a maioria pobre das pessoas precisa se deslocar muito para chegar ao seu local de trabalho. quanto dos serviços e empregos dos mais ricos é encontrada na região sudoeste da metrópole paulistana. Pinehiros ou Penha.

Comentários: Como já dito antes.claro que a classe alta visa sempre o menor desperdício dos dois. Desse modo. O tema abordado é de extrema importância. seja ele leigo ou não. . em certos trechos. Porém. o texto do urbanista foi escrito de maneira simples. esse "sistema" está montado e os mais pobres são sempre prejudicados pois o governo ainda ajuda os moradores da região da alta classe fazendo mais investimentos no setor de transporter principalmente. não sendo apenas uma descrição e sim uma análise crítica e detalhada. sem muito refinamento e especificidade na linguaguem. principalmente para os brasileiros pois é algo que está intrínseco na sociedade e. a abordagem por regiões e não apenas bairros deixa o discurso muito mais completo. fazendo com que as classe mais baixas tenham que se deslocar muito por meio de um transporte público de péssima qualidade que não supre as necessidades da grande parcela da população que mora em regiões mais afastadas como a Zona Leste. é claro que a desigualdade vai apenas aumentando e. empregos e moradias em uma mesma região. Deste modo. diferente de outros autores. Villaça volta muitas vezes a falar sobre pontos que antes já haviam sido apresentados. uma base concreta e "pálpavel". o uso de gráficos e imagens para ilustrar os pontos citados facilitam muito o entendimento e dá ao leitor. consequentemente. especialmente no começo. o que leva à concentração do serviços. a segregação do espaço urbano. Contudo. pode entender integralmente o que é citado pelo autor. dando um passo adiante. desse modo qualquer leitor. o que pode se tornar algo cansativo e repetitivo para o leitor.