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TRABALHO DA DISCIPLINA DE DIREITO DO CONSUMIDOR
CLÁUSULAS E PRÁTICAS ABUSIVAS NO CONTRATO DE CONSUMO
A Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990, também conhecida como Código de
Defesa do Consumidor (CDC) é uma lei abrangente que regula as relações de
consumo, protegendo o consumidor e colocando os órgãos e entidades de defesa
do consumidor a seu serviço. Este código foi criado tendo como fundamento a
perspectiva que o consumidor é parte vulnerável na relação jurídica em nossa
sociedade, devendo então existir a intervenção estatal para reequilibrar a situação
entre as partes.
A relação de consumo geralmente é confirmada através de contratos. O contrato é
um vínculo jurídico entre dois ou mais sujeitos de direito, correspondido pela vontade
e responsabilidade das partes, trata-se de um acordo de vontades, capaz de criar,
modificar ou extinguir direitos. O Código Civil preceitua em seu art. 422 que “os
contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em
sua execução, os princípios da probidade e boa-fé”. A previsão legal do principio da
boa-fé tem, como consequência imediata, a transparência na formação, execução e
término do contrato. O princípio da boa-fé objetiva na formação e na execução das
obrigações possui muitas funções, uma delas é a função limitadora do exercício
abusivo dos direitos subjetivos, que reduz a liberdade de atuação dos parceiros
contratuais ao definir algumas práticas e cláusulas como abusivas.
CLÁUSULAS ABUSIVAS – São cláusulas existentes em um contrato e que coloca o
consumidor em desvantagem exagerada, ou seja, incompatível com a boa-fé ou a
equidade. Não se restringe ao contrato de adesão, mas a todo e qualquer contrato
de consumo, escrito ou verbal.
No direito brasileiro, a definição do que sejam as cláusulas abusivas e seu regime de
nulidade estão previstos no artigo 51 do Código de Defesa do Consumidor, que diz:
Art. 51. São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas contratuais relativas ao
fornecimento de produtos e serviços que: (Redação dada pela Lei nº 8.884, de
11/06/1994)
I- impossibilitem, exonerem ou atenuem a responsabilidade do fornecedor por vícios
de qualquer natureza dos produtos e serviços ou impliquem renúncia ou disposição
de direitos. Nas relações de consumo entre o fornecedor e o consumidor - pessoa
jurídica - a indenização poderá ser limitada, em situações justificáveis;

subtraíram ao consumidor a opção de reembolso da quantia já paga. abusivas. IX . nos casos previstos neste Código. considerando-se a natureza e conteúdo do contrato. embora obrigando o consumidor. .ofende os princípios fundamentais do sistema jurídico a que pertence. XIII. o interesse das partes e outras circunstancias peculiares ao caso §2º . variação do preço de maneira unilateral.2 II. exceto quando de sua ausência. XV. XIV.permitam ao fornecedor.( VETADO ).autorizem o fornecedor a cancelar o contrato unilateralmente. ou seja. V. X.autorizem o fornecedor a modificar unilateralmente o conteúdo ou a qualidade do contrato.deixem ao fornecedor a opção de concluir ou não o contrato.A nulidade de uma cláusula contratual abusiva não invalida o contrato. após sua celebração.estabeleçam obrigações iníquas. II .infrinjam ou possibilitem a violação de normas ambientais. sem que igual direito lhe seja conferido contra o fornecedor. a vantagem que: I. §3º .restringe direitos ou obrigações fundamentais inerentes a natureza do contrato. sem que igual direito seja conferido ao consumidor. embora obrigando o consumidor. XII.determinem a utilização compulsória de arbitragem.imponham representante para concluir ou não o contrato. VII. incompatíveis com a boa-fé ou a equidade. decorrer ônus excessivo a qualquer das partes. III. de tal modo a ameaçar seu objeto ou equilíbrio contratual.(vetado) VI.obriguem o consumidor a ressarcir os custos de cobranças de sua obrigação.transfiram responsabilidade a terceiros.estabeleçam inversão do ônus da prova em prejuízo do consumidor. XI.estejam em desacordo com o sistema de proteção ao consumidor.se mostra excessivamente onerosa para o consumidor.” §1º . VIII. direta ou indiretamente. apesar dos esforços de integração. XVI.possibilitem a renúncia do direito de indenização por benfeitorias necessárias. III . que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada. IV.Presume-se exagerada entre outros casos.

e. ou fornecer qualquer serviço. I . PRÁTICAS ABUSIVAS: A prática abusiva é o desrespeito a qualquer direito do consumidor na fase pré-contratual. sem justa causa. em outras palavras ainda que o fato abusivo não esteja nominalmente no rol do artigo 51. IV .recusar atendimento às demandas dos consumidores. ainda. se praticadas devem ser anuladas. por desconhecer as malícias das relações de consumo se torna vítima de práticas abusivas por parte do fornecedor. é que é tratado como parte mais fraca.prevalecer-se da fraqueza ou ignorância do consumidor. sem solicitação prévia.3 §4º . será igualmente considerado nulo de pleno direito.repassar informação depreciativa. III .E facultado a qualquer consumidor ou entidade que o representante requerer ao Ministério público que ajuíze a competente ação para ser declarada a nulidade de cláusula contratual que contrarie o disposto neste Código ou de qualquer forma não assegure o justo equilíbrio entre direitos e obrigações das partes.executar serviços sem a prévia elaboração de orçamento e autorização expressa do consumidor. conhecimento ou condição social. VI . Esses são alguns exemplos de cláusulas abusivas. bem como. V . muitas vezes. hipossuficiente das relações consumeristas.exigir do consumidor vantagem manifestamente excessiva.enviar ou entregar ao consumidor. caso ele se enquadre no desrespeito a qualquer direito do consumidor. e nada mais que isso. na exata medida de suas disponibilidades de estoque. É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços. 39. saúde. a limites quantitativos. O consumidor. Art. O artigo 39 do Código de Defesa do Consumidor trata exclusivamente das práticas abusivas e dá alguns exemplos de tais práticas. dentre outras práticas abusivas: (Redação dada pela Lei nº 8. ressalvadas as decorrentes de práticas anteriores entre as partes. as quais são totalmente vedadas e. tendo em vista sua idade. qualquer produto. II . para impingir-lhe seus produtos ou serviços. de 11/06/1994). Por isso. de conformidade com os usos e costumes.884. por consequência. VII . antes de concluída a aquisição do produto ou do serviço.condicionar o fornecimento de produto ou de serviço ao fornecimento de outro produto ou serviço. referente a ato praticado pelo consumidor no .

Enquanto a proibição das práticas abusivas tem por condão evitar o dano e o abuso. Invalida o ato desde o seu nascedouro e pode ser alegada por qualquer interessado. ou seja. que implica a rejeição absoluta de validade para a cláusula em questão. pela Associação Brasileira de Normas Técnicas ou outra entidade credenciada pelo Conselho Nacional de Metrologia. qualquer produto ou serviço em desacordo com as normas expedidas pelos órgãos oficiais competentes ou. 39 não exaurem todas as práticas que são consideradas abusivas. Por fim é importante salientar que práticas e cláusulas abusivas diferem apenas em relação ao momento de nascimento. esses incisos do art. as cláusulas. no mercado de consumo. VIII . se há no contrato. tal será considerada nula de pleno direito. da mais intensa sanção civil prevista no ordenamento. Os serviços prestados e os produtos remetidos ou entregues ao consumidor. assim. ou seja.(Vetado). X . na hipótese prevista no inciso III. . nulas de pleno direito. se normas específicas não existirem.colocar. não podendo ser ratificada. IX . inclusive ex officio (automaticamente pelo juiz. as cláusulas abusivas surgem no momento “contratual”. ato oficial sem as partes terem provocado). equiparam-se às amostras grátis. a princípio. A nulidade de pleno direito é imediata e absoluta. Ou seja. É que enquanto as práticas abusivas nascem no momento “pré-contratual”. mas existem no CDC pelo mesmo motivo: combater o desrespeito ao consumidor.deixar de estipular prazo para o cumprimento de sua obrigação ou deixar a fixação de seu termo inicial a seu exclusivo critério. qualquer cláusula. Normalização e Qualidade Industrial (Conmetro). qualquer condição que desrespeite o direito do consumidor. Trata-se. O artigo 39 adota uma enumeração exemplificativa das práticas comerciais consideradas abusivas. inexistindo obrigação de pagamento. não produzirá efeitos jurídicos. são vedadas. Parágrafo único. As práticas. a nulidade das cláusulas abusivas já é a demonstração de que não vale a pena desobedecer a orientação do Código Brasileiro de Proteção e Defesa do Consumidor – CDC: a desobediência não produzirá efeitos jurídicos.4 exercício de seus direitos.