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CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA

FUNDAMENTOS METODOLÓGICO DO JUDÔ

COMO AS

LUTAS DOS SAMURAIS SE TRANSFORMARAM, PELO MÉTODO DE

JIGORO KANO,

NUM INSTRUMENTO DE AUTO-CONTROLE DISCIPLINAR, EDUCAÇÃO E INTEGRAÇÃO SOCIAL PARA
CRIANÇAS E JOVENS

Em uma das introduções sobre o tema, dizia-se que a história das lutas se perde
na noite dos tempos. É proposta deste estudo, até certo ponto, levantar as questões historiográficas e etnográficas das atividades físicas que envolvem a ancestralidade das Lutas orientais. Na verdade, este trabalho faz parte de tese de Livre Docência ampliada,
com novidades às quais só agora se teve acesso, apresentada em 1974 na U.F.R.J., sobre as peculiaridades do ensino Judô infantil. O tema é tão apaixonante e prazeroso que,
na medida em que a pesquisa se aprofunda no assunto, parece interminável pela riqueza
bizarra do Budo, uma vez que, a cada momento, vai-se enriquecendo seu conteúdo, na
medida em que se adquire novos documentos relevantes e inéditos e que mereçam crédito e rigor científico. Assim sendo, em viagem à França foram adquiridas valiosas crônicas
do Japão Medieval de um Bouquiniste das margens do Sena, que serviram como peças
inestimáveis e imperdíveis.

A China, Índia e Japão-sólidos blocos do continente Asiático fizeram dessas culturas do Budo um culto. A fidelidade deste estudo ao Budo se deve a uma razão puramente etnográfica, uma vez que Artes Marciais vem de Marte, o Deus da guerra na mitologia
grega, e o Budo se constituía numa organização concreta de treinamento para os embates reais dos guerreiros; Bu significa cavaleiro, guerreiro, samurai, corajoso. Do (Japonês) - caminho, vereda para sabedoria, (filosofia). Em chinês, Do é o nome de uma espada usada no T’ai Chi Chuan. A palavra para o caminho em chinês é: - Tao. Do é também o nome de couraça usada no Kendo para proteger o peito. Budo, portanto, em japonês, designa todo o treinamento e todas as técnicas para a guerra, compreendendo a cavalaria, infantaria e manejo de armas em geral, sob o ponto de vista da reflexão, da meditação até atingir finalmente a sabedoria, abrindo o caminho ao cavaleiro, ao guerreiro, à
vida e à paz, à iluminação, ao satori.

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O fascínio das lutas orientais se caracteriza ainda pela ritualística, os símbolos,
respeito aos mestres, o Dojo (sala de treinamento), os gestos e as saudações ao Sensei
(Professor), a hierarquia de graus nas faixas na metodologia da aprendizagem. No Judô,
o seu aprendizado se divide em kyus e Dans, no Japão as faixas são brancas do 6º ao
4º kyu do 3º ao 1º kyu podem ser marrons. Nos Dans são pretas até o 5º Dan (GoDan), do 6º Dan (Roku-Dan) em diante até o 8º, as faixas são nas cores vermelha e
branca, do 9º em diante as faixas são de cor vermelha, e a última é toda branca como
símbolo da perfeição, é o 12º Dan só atingido pelo fundador do judô, embora as faixas
pretas possam ser usadas em qualquer grau de Dan. Todos os graus de cor vermelha e
branca são denominados Kodanchas, sendo professores mais antigos, com mais experiência, que observam os princípios éticos educacionais que nortearam e inspiraram a sua
criação por Jigoro Kano; sem a quebra dos seus preceitos. Mesmo tendo passado por
uma sistemática pedagógica e metodológica, revitalizado para a nossa época e nossas
circunstâncias, o Judô mantém muito da herança ascética da vida e do código de honra
dos samurais; o Bushido.

As artes das lutas por nós ocidentais denominadas artes marciais, acompanham o
homem através da história desde o seu nascimento na terra. O homem que se iniciou
combatendo com os animais e inclusive os estimulou a lutar entre eles, sempre foi levado
pela sua inteligência a exercer domínio e impor sua supremacia sobre o resto dos viventes. As ambições humanas abriram um grande espaço para as conquistas e sua fértil
imaginação criou as técnicas de combate de ataque e defesa num extremo esforço para
vencer e subsistir. As lutas de uma maneira geral exercem sobre o homem um encantamento, um predomínio principalmente as orientais por trazerem em seu bojo um mistério
peculiar pela diversidade de modalidades, tornando-se uma linguagem universal, como
forma de lazer, cultura física ou um esforço de auto-superação. Acreditando-se que um
trabalho como este para chegar ao término, tenha-se um longo caminho a percorrer,
mesmo assim, no ponto em que se chegou será mostrada uma visão histórica e socioantropológica de como uma cultura japonesa se transforma num fenômeno de massa, invade as universidades cria raízes pedagógicas, é praticado nas escolas e se torna paixão
coletiva. Por razões educativas, é utilizado como instrumento de integração social. O
Judô passou a ter papel importantíssimo. O Brasil é o país das academias de Judô, por

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ocasião dos campeonatos mundiais, torneios e olimpíadas são superadas todas as fronteiras políticas e ideológicas.

Há um século, o Judô vem se organizando para se constituir em um desporto de
luta para um mundo civilizado. Por sermos um país Sul-Americano o mapa do subdesenvolvimento esportivo coincide, com raríssimas exceções, com o mapa do próprio desenvolvimento do país. Segundo estatística da UNESCO, nos países subdesenvolvidos, para
cada cinco jovens, quatro não têm condições de praticar atividades físicas e desportivas,
apesar dessas discrepâncias, segundo estatística recente da revista Veja, o Judô é o
desporto mais praticado no Brasil. As escolas de Educação Física mantêm cursos oficiais
de Judô nos seus currículos. Várias Teses de Doutorado e Dissertações de mestrado já
foram defendidas inclusive sobre a biomecânica como é o caso do Professor Ney Wilson
Pereira da Silva, professor da disciplina na U.F.R.J. e Presidente da Federação de Judô
do Estado do Rio de Janeiro. O Judô se torna uma atividade desportiva integradora de
auto disciplina e auto-controle, servindo como óbice aos desvios da juventude na sociedade moderna além de combater qualquer forma de exclusão do homem do seio das comunidades. Nas páginas seguintes mostraremos como essas mudanças são possíveis
por meio da sistemática metodológica de Jigoro Kano.

A ABERTURA DOS PORTOS E A OCIDENTALIZAÇÃO DO JAPÃO

PREÂMBULO HISTÓRICO(1)

Dos acontecimentos que marcam as histórias nos primeiros e agitados tempos da
União Norte-Americana, poucos haverão que tenham permanecido tão ignorados e como
que propositalmente ocultos aos olhos do grande público, como a expedição do Comodoro Perry ao Japão. Para a maioria dos Norte-Americanos com efeito, Perry era apenas,
até recentemente, um personagem de somenos importância, mas, não obstante à indiferença dos seus próprios compatriotas, não deixa de ser significativo que os japoneses o
tenham considerado uma das figuras mais representativas da era moderna da sua história nacional.

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Transcorridos tanto anos fecundos de acontecimentos nenhum historiador pode
hoje desprezar a decisiva importância do primeiro tratado Japonês, nem o papel de relevo
do homem a cuja energia, larga visão e força de vontade se deve esse memorável documento.

Mattheew Calbraith Perry, membro de uma família de oficiais de marinha cujos
serviços à pátria remontam aos tempos heróicos de John Paul Jones, o pioneiro da guerra da Independência. A abertura do Japão ao comércio do mundo veio coroar gloriosamente os seus pontos de vista e é em reconhecimento desse fato que Perry ainda hoje
ocupa tão alto lugar na consideração dos japoneses.

Um acontecimento de tamanho alcance sobre o papel da marinha de guerra como
pioneira do comércio é perfeitamente compreensível quando se tem presente que, ao
tempo em que Perry se afirmava como grande oficial da marinha, os barcos dos aventureiros Yanques andavam já penetrando os “Sete Mares”, abrindo por lá mercados novos e
incitando a América a dar os primeiros passos no caminho da mundialização. Os famosos veleiros norte-americanos, os Yankee Clippers, competiam audaciosamente com os
navios da Inglaterra no tráfego do chá entre as feitorias inglesas da China e os grandes
mercados importadores de Londres e Liverpool. Regressavam depois aos portos de matrícula, na América, carregados de sedas e especiarias, de lacas e charões, porcelanas e
faianças da China, de objetos de latão e outros metais trabalhados, reveladores de uma
habilidade manual muito superior à quanto então se conhecia na laboriosa Nova Inglaterra. Os baleeiros de New Bedford só em 1845 havia 685 registrados sob a bandeira americana - iam até os últimos confins do planeta e, durante suas longas viagens, viam-se
com freqüência obrigados a tocar em portos estranhos, para fazer reparos ou receber suprimentos. Nestas contingências eram sempre bem acolhidos em todos os portos habilitados, com exceção de um só país - o Japão.

Para além dos últimos afloramentos rochosos das ilhas aleutas, e estendo-se até
mais de meio caminho do litoral da Ásia, jazia o arquipélago japonês, cujos naturais davam aos estrangeiros de qualquer casta ou nação todos os sinais duma quase incrível
inospitalidade.

conseguiam algum dia regressar para narrar essa aventura traziam consigo estranhas descrições de uma esplêndida e bem organizada civilização e narrativas ainda mais estranhas das brutalidades que os habitantes praticavam contra os seus hóspedes involuntários. se procuravam refúgio nas enseadas do Japão. e forçados a pisá-la! Quando um dos marujos protestou contra o desacato. Os baleeiros clamavam junto aos poderes públicos pelo direito de entrada em portos japoneses. arrastando-o. onde pudessem adquirir os suprimentos que lhes eram necessários e exigiam proteção contra as práticas desumanas dos nipões em relação aos náufragos. Às vezes. ou forçados a seguir caminho até as praias mais acolhedoras da China ou das Filipinas. Os holandeses testemunhavam idênticos ultrajes. desenrolando-se numa extensão de quase 1. Nestas condições o arquipélago japonês. viam-se forçados a percorrer um arco intenso para se manterem ao largo do Japão. ou que se viam reduzidos à última onça de provisões ou de água. os transportava à China ou Java. Os mercantes americanos que demandavam a Ásia e as suas paragens. tão grande era o perigo de naufragar perto dele.CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA FUNDAMENTOS METODOLÓGICO DO JUDÔ Os baleeiros desarvorados pelos temporais e incapacitados para navegar. por milagre. foi agarrado pelos japoneses. e os relatos não deixavam dúvidas sobre a intenção de tais cerimônias. O pior de tudo. . com elas os japoneses pretendiam manifestar o quanto desprezavam o cristianismo e seus prosélitos. que em 1846 deu à costa no Japão. Estes eram encarcerados e proibia-selhes ver o que fosse do país. e esta situação trazia-os de dia para dia mais enfastiados. o fizeram passar a força por sobre o sagrado símbolo. Aqueles que. era somente para se verem enxotados com aspereza para o mar. foram levados a um lugar onde uma enorme cruz jazia por terra. que.500 km ao longo da costa Oriental a Ásia. até ser chegada a oportunidade de serem remetidos para o porto de Nagasaqui de onde um único navio Holandês que os Japoneses autorizavam a fazer ali uma visita anual. as tripulações de navios naufragados se viam arrastados pelo mar até as praias do Japão. por causa das suas crenças religiosas. Seis marinheiros do baleeiro americano Lagoda. ainda eram as humilhações a que os estrangeiros se viam sujeitos. constituía uma tremenda barreira à segurança de navegação.

todas as relações com gente das camadas inferiores eram obrigatoriamente negociadas por intermédio de subordinados de elevada hierarquia. havia dois séculos. Perry teve a idéia de organizar entre os seus oficiais. De maneira a poder tratar em termos de igualdade com os diplomatas japoneses. Quando por acaso os juncos japoneses fundeavam nos portos da China. um fac símile do sistema de castas reservando-se a si próprio a categoria superior de Lorde do Interior Inacessível. Rússia e Portugal houvessem já tentado enviar navios de guerra ao Japão. com as mesmas intenções de Perry todos eles foram desdenhosamente repelidos. O micado. somente pelo privilégio de poderem mandar um navio por ano àquele país. embora a Inglaterra. que os japoneses tinham as suas próprias regras de etiqueta cortesã e que se impunha aos visitantes respeitá-las. Assim. os mercadores americanos que por lá andavam entreviam grandes perspectivas de um negócio de ilimitadas atrações. o Congresso dos Estados Unidos aprovou uma proposta no sentido de se tomarem imediatas providências para o estabelecimento de acordos comerciais com o Império do Japão. Só a 24 de março de 1852 é que Perry recebeu ordens formais para se apetrechar e logo começou elaborando cuidadosos planos. Em 1845. rodeou-os de toda a literatura então existente sobre aquele país e a leitura dessas obras acabou de convencê-lo de que. no correr das negociações anteriores. que a ordem social japonesa repousava sobre inabaláveis alicerces de casta. uma feitoria que vivia sujeita aos piores termos de humilhação e extorsão. Antes de tudo entrevistou capitães e marujos dos baleeiros de New Bedford que haviam naufragado e vivido no Japão. se haviam cometido sérios erros diplomáticos. Os holandeses tinham achado que valia a pena manter em Nagasaqui. A isto tudo vinha somar-se a cobiça comercial. descendente de sol. .CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA FUNDAMENTOS METODOLÓGICO DO JUDÔ Acresce que a navegação a vapor já nesse tempo andava penetrando o Extremo Oriente e o estabelecimento de estações carvoeiras ia-se tornando um problema premente. pois o tráfego com o Japão era uma perspectiva rica de possibilidades. não podia dignar-se a prestar atenção a quem quer que não tivesse categoria próxima ou equivalente à dele. entre outras coisas. França. Esqueceram-se.

a desumana política de isolamento do Japão. garantindo o domínio do hemisfério ocidental à Espanha. como presente. A Portugal coube assim em partilha o que é hoje a China. na Virgínia. e o então novíssimo prodígio americano.Macau. se não justificavam. Os outros navios destacados para tomar parte na expedição estavam ainda. Para evitar que as duas nações se aniquilassem mutuamente na sua rivalidade pelo domínio do comércio do Oriente. o Mississipi. a histórica expedição ao Japão. o Comodoro valeu-se da gigantesca maquinaria dos seus navios a vapor. uns nas docas outros dispersos pelo oceano. ao surgir a vista do Japão.mas o Departamento da Marinha havia prometido despachá-los o mais depressa possível para o ponto de concentração . as grandes potências marítimas da Terra. e a Cristandade era essencialmente católica em 1497. entre outras uma pequena locomotiva com os respectivos vagões telescópicos e vários instrumentos científicos. Após quase um ano de inexplicáveis demoras no preparo e aparelhamento da esquadra.CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA FUNDAMENTOS METODOLÓGICO DO JUDÔ Perry resolveu também levar ao Micado.com o fim de mostrar aos japoneses de que maravilhas eles se estavam privando. a Índia e o arquipélago Malaio. ficou pronto a seguir viagem. uma instalação telegráfica completa . Constava então de um só navio. Finalmente a 27 de novembro de 1852. A Espanha e Portugal eram. amostras de todos os produtos mais requintados da civilização americana. que eram ainda do tipo de rodas. nos três séculos anteriores. o navio-capitania de Perry. pelo fato de se manterem alheados do mundo exterior. . bem como as razões que explicavam. faz-se ao mar discretamente de Norfolk. caminho do Oriente. o Papa Alexandre VI dividiu generosamente o mundo em duas partes. nesse tempo. Como suprassumo do poderio mágico. O MUNDO EM RELAÇÃO A ESPANHA E PORTUGAL Para bem podermos compreender o estado de espírito que Perry foi encontrar. e o do oriental à Coroa Portuguesa. é necessário passar em revista a conduta dos seus precursores europeus.

Os náufragos. Ao reduzido grupo de adventícios do Mar do Norte. jazia um enigma que. inclusive. e era um nobre que governava em nome do Micado como regente. que passara a ser símbolo sem poder próprio. Com grande estranheza. limitava-se a firmá-las. Foram os portugueses os primeiros que tiveram por acaso a oportunidade de verificar o que havia de verdade nessas histórias fantásticas: pelo ano de 1542 naufragava à vista da ponto sudoeste do Japão um junco chinês em que viajava um grupo de navegantes portugueses. viram-se acolhidos pelos japoneses com um misto de curiosidade e hospitalidade. Este era venerado como uma espécie de deus e nenhum mortal ordinário podia aproximar-se dele. revelaram a sua identidade. Diziase que eram aguerridos. bebidas fortes em quantidade e acompanhadas de missionários para levar os benefícios do Evangelho Cristão às suas novas conquistas. Sob a confusa instituição do Shogunato. agradecidas. no topo do qual se entronizava o Micado. o poder estava de fato nas mãos da nobreza hereditária. nada tinha o Papa que oferecer. encaminharam-se até uma aldeia costeira e. sob o título de Shogun. . com certa apreensão. dotada de um complexo sistema de governo e cuja cultura tinha muito em comum com a dos chineses. por algum tempo ainda. mesmo aos olhos dos próprios chineses. A 480 km de distância da costa da China. balas de canhão. Vinham encontrar ali uma nação bem organizada. tendo conseguido alcançar a terra. puseram-se em campo bem munidas de bugigangas. pacífica. e aproximadamente na linha divisória dos dois grandes hemisférios de influência em que o mundo fora dividido. nem ele podia sair do seu palácio. Assim as duas nações Peninsulares. grupo de ilhas de grande vastidão.CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA FUNDAMENTOS METODOLÓGICO DO JUDÔ À Espanha couberam as Américas e as ilhas do Pacífico até as Filipinas. incompreensível. que significa General. povoadas de uma raça de homens cuja vida era envolta de mistério. e o Micado. nenhuma das duas nações ousaria desvendar: um estranho. próspera. Viviam os japoneses sob um complicado sistema de castas sociais. dedicando-se à Literatura e às Artes. as leis eram realmente ditadas pelo Shogun. Ao tempo em que os portugueses por lá apareceram. cultos e ricos para além de quanto podia imaginar-se.

era impossível que todas aquelas rixas e intrigas tivessem como pretexto o serviço do Príncipe da Paz! A certa altura surgiu uma complicação mais grave. traficantes e missionários. e uma missão na cidade de Nagasaqui. Os holandeses convenceram Eyeyochi. Os japoneses os acolheram bem. que era então Shogun de que as disputas das ordens católicas estavam dando lugar a que a Europa as expulsasse todas. Mas não tardou muito para que os franciscanos e os dominicanos de Manila. e todos.CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA FUNDAMENTOS METODOLÓGICO DO JUDÔ AS DISSENSÕES RELIGIOSAS DOS OCIDENTAIS FECHAM AS PORTAS DO JAPÃO Os primeiros portugueses ali chegados. . à medida que cada uma das seitas se esforçava por destronar a outra. Na guerra que se seguiu pela conquista da supremacia. como haviam feito aos lusitanos e a partir de então a obra missionária desenrolou-se numa espécie de luta triangular .protestantes holandeses contra jesuítas e contra franciscanos. porém. Os jesuítas encarregaram-se logo dos negócios religiosos. e as conversões ao cristianismo começaram a fazer-se aos milhares. Estabeleceram o que então se chamava uma “feitoria”. se instalaram no Porto de Hirado. antigos rivais. os jesuítas e dentro em pouco desembarcava em Nagasaqui um destacamento daqueles missionários. começassem relanciar olhares ciosos do êxito dos seus irmãos de crença. e durante algum tempo nem os mercadores nem a Igreja tiveram razão de queixa do Japão. nas Filipinas. Os japoneses mostravam-se empenhados em adquirir as mercadorias e assimilar as idéias ocidentais. esquecendo o respeito devido a sua religião e a si mesmo. em 1600 apareceram na Ásia ocidental os holandeses que. não queriam saber de problemas nem de métodos de governo. ou entreposto de comércio. desacreditaram a cultura européia aos olhos dos orientais. As disputas começaram e foram crescendo de intensidade. A seu ver. como sinal de gratidão para com um Papa generoso. Os japoneses viam esses incidentes com espanto e suspeita. tendo chegado ao Japão. uns contra os outros. Seus únicos objetivos eram enriquecer-se pelo comércio e converter o gentio ao cristianismo.

O Shogun rechaçou-os desdenhosamente para Nagasaqui onde ficaram confinados numa ilhota minúscula à entrada do porto. O momento culminante do drama sobreveio quando. massacrando os poucos sobreviventes do cerco. os holandeses reclamaram que se abrisse em favor deles uma exceção à severidade do edito e requereram lhes fosse concedido o monopólio do comércio europeu. Os japoneses autorizaram a visita anual de um só navio holandês a essa ilhota segregada do resto da nação. O Shogun volveu-se então para Keockebecker. Foi em fins desse ano de 1638 que se promulgou o edito imperial determinando que “de futuro. até que os sitiantes japoneses puderam tomar de assalto. mas não tiveram êxito. Assim. porque razão hei eu de aturá-los? E passou logo a proibir sumariamente que os missionários continuassem sua obra no Japão. tentaram desalojá-los. vendo-se sem proteção. Como prêmio da sua traição à civilização européia. As tropas do Shogun. naquela praça forte da fé cristã. nem mesmo na qualidade de embaixador. numa súbita explosão de sentimentos anti-cristãos. Mas não tardou muito que. devido ao seu objetivo de amor ao lucro. sendo-lhes proibido comunicar-se com quem quer que fosse. começaram as perseguições e os massacres dos convertidos. além de alguns membros escolhidos da classe desprezível dos mercadores. e durante quinze dias despejou balas de canhão contra os seus correligionários cercados.CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA FUNDAMENTOS METODOLÓGICO DO JUDÔ “Ora. se os príncipes da Europa não podem mais tolerar as querelas destes sacerdotes. feitor dos holandeses. e ordenou-lhe insolentemente que mandasse uma das naus holandeses sair ao mar para bombardear os cristãos isolados no seu castelo. os protestantes holandeses ganharam uma triste vitória sobre os católicos. fica proibido seja a quem for demandar as terras do Japão. e esta declaração nunca poderá ser revogada sob pena de morte”. enquanto a luz do sol brilhar no mundo. Keockebecker assim fez. . se foram acolher em um velho castelo situado no alto de um promontório. dali. decretando que as três ordens fossem expulsas sem tardança. muitos milhares dos quais. replicou Eyeyochi. Este último ultraje veio dar o golpe de misericórdia na consideração que os japoneses voltavam à civilização cristã e tudo que ela representava. eles fossem privar a cristandade dos poucos vestígios de tolerância que ainda restavam no Japão. em 1638.

se tentassem atravessar o alto mar. Ficou proibido aos estrangeiros aproximarem-se das suas praias. O capitão era obrigado a contribuir com os presentes mais extravagantes para os altos senhores da região e devia sempre iniciar as suas operações prestando homenagem. ao largo do extremo sul do Japão – e derradeiro porto de escala antes de atingir-se o Império do Sol Nascente. nas costas do Japão. Os próprios pescadores a quem os temporais arrastassem para longe das ilhas não tinham o direito de regressar ao país. que estavam fundeados em Hon Kong. O isolamento do Japão tornou-se deste modo tão completo quanto era possível à vontade dos homens realizá-lo. ao governador provincial. de joelhos. Durante a sua permanência na China. até 8 de julho de 1853. Quando mais. Quem quer que naufragasse. estariam irremediavelmente condenados a naufragar. saudaram com uma salva atroadora a entrada do Mississipi naquele porto. . que. A construção naval no Japão passou a ser rigorosamente circunscrita a determinado tipo de embarcações.CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA FUNDAMENTOS METODOLÓGICO DO JUDÔ A nau que ali viesse só poderia desembarcar determinados artigos e. daí em diante o Japão isolou-se da família das nações. era preso ou mesmo executado. e mãos no chão. grande autoridade em assuntos orientais. E assim permaneceu. o Comodoro conseguiu fazer uma importante aquisição: convenceu o missionário Wells Williams. o Saratoga e o navio de mantimentos Supply. mesmo assim sob a vigilância de uma guarda reforçada. Qualquer tentativa para sair do Japão era punida com a pena de morte. Pouco depois o esquadrão largava o caminho das ilhas Liu-Chiu. envolto na névoa da lenda. amuado e misterioso. COMODORO PERRY CHEGA À BAÍA DE YEDO A 6 de abril de 1853. a acompanhar a expedição no caráter de intérprete. o Plymouth.

e levando consigo apenas certeza a de que não seriam bem acolhidos. O Comodoro ensaiou então a primeira das regras pelas quais se decidira. e mandou que a esquadra continuasse avançando. abertamente para o ataque. rumando intrepidamente para a baía de Yedo. Avistaram pouco depois a cidadezinha de Uraga. De súbito. enquanto pelo seu lado os americanos se postavam junto dos canhões com os nervos tensos de expectativa. a bordo de um deles. Nas fortificações baixas que se descortinavam sobre as duas línguas de terra enseada. formigavam soldados. tentando entregá-lo a bordo . Mas tão depressa os japoneses pela sua parte entreviam os navios que avançavam como fantasmas gigantescos. dragões e outros monstros singrando diretamente contra a corrente baía acima com as velas colhidas! À medida que a luz da manhã foi crescendo. os americanos puderam avistar ao longo das praias as massas de povo que corriam de lado para lado soltando brados em que havia tanto de assombro como de medo. como nos é mais conhecida hoje – pouco sabendo a cerca do povo misterioso que se ocultava para além do horizonte.CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA FUNDAMENTOS METODOLÓGICO DO JUDÔ A 2 de julho de 1853. a pequena esquadra de navios levantou ferro de Napha. ao estudar o tratamento que devia dar aos altivos japoneses: . preparando-se. gigantes que excediam tudo quanto já houvessem sonhado. O número dos juncos japoneses em volta da armada foi aumentando e muitos deles aproximavam-se com manifesta intenção de chegarem a falar com o navio-capitania. uma verdadeira nuvem de botes de patrulha cada qual manejada por trinta remadores completamente nus. aos olhos perscrutadores dos vigias e marinheiros iam surgindo negras formas que vogavam sobre as águas: eram as barcas de pesca que saíam logo ao amanhecer para a sua faina. ou Tokyo. Um oficial. Pela primeira vez na sua vida punham os olhos em navios que respiravam fogo e vomitavam fumaça. a esquadra penetrou sorrateiramente na baía de Yedo. aninhada em uma pequena enseada à esquerda da baía. Através da névoa matinal que velava a costa. Às quatro da madrugada de 8 de julho. veio formar um anel em volta da esquadra.fez de conta que não via os juncos. davam meia volta e regressavam a toda pressa ao porto. ergueu na mão um rolo de papel.

O Saratoga viu-se a dada altura em sérios embaraços – os japoneses tinham conseguido arremessar uns cabos a bordo. naturalmente. uma voz bradou de um dos botes japoneses: “Eu sei falar holandês!” Os americanos autorizaram este bote a aproximar-se encostando ao navio e o intérprete rogou que o levassem ao comandante da esquadra. e nos termos ditados pelos americanos. e desejava que se marcasse o dia em que o dignitário americano devia pessoalmente fazer entrega dela ao Imperador. que era agora o navio-capitania da esquadra. para conferenciar com ele? Após bem calculada demora. pela primeira vez. que só os mais altos dignitários japoneses poderiam ter o privilégio de avistar-se com ele. Graças a este triunfo aparentemente corriqueiro. A isto encontraram pronta resposta os engenhosos japoneses. mas de grande alcance. manejando croques compridos. onde estava situada a feitoria dos holandeses. e não poderia o comandante americano delegar um subordinado de categoria equivalente. Então quando a luta armada já ia parecendo inevitável. sendo assim o primeiro alto funcionário nipônico a ser recebido na ponte dum navio de guerra americano. acompanhado do intérprete holandês. tratados em termos de relação que lhes eram compreensíveis. mas os oficiais da ponte recusaram recebê-lo. assim lhe responderam. e chegaram mesmo a tentar trepar pelas cadeias do casco – mas os marujos americanos resolutamente os repeliram. Saboraske foi informado de que Lorde do Interior Inacessível era portador de uma carta do Presidente dos Estados Unidos para o Imperador do Japão. este pedido foi satisfeito.CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA FUNDAMENTOS METODOLÓGICO DO JUDÔ do Susquehanna. vinha ali naquele bote o Vice-Governador de Uraga. entrou a bordo. Nessa conferência. indeferido: o Lorde do Interior Inacessível. era homem de tão alta hierarquia. O pedido foi.o respeito das castas. e o ViceGovernador Saboraske. . duas coisas ficaram imediatamente claras: os americanos puseram para sempre termo à insolência com que os japoneses viram-se. Respondeu Saboraske que o seu governo só podia receber comunicações estrangeiras por via de Nagasaki. mas fizeramlhe logo saber que em caso algum os americanos aceitariam negociar naquela cidade.

enquanto o Comodoro se recolhia à sua câmara. . pela primeira vez. devido à necessidade de remeter a cada passo as mensagens protocolares ao Lorde do Interior Inacessível. de manhã cedo. com efeito seria o equivalente a aceitar que as negociações fossem conduzidas nos mesmos termos de subordinação degradante que os holandeses haviam sempre aceito. ofereceu a água e os viveres de que a esquadra americana pudesse necessitar enquanto ali ancorasse. provido de credenciais diretamente emanadas do soberano. onde a cerimoniosa conferência se arrastou interminavelmente.a carta do Presidente dos Estados Unidos devia ser entregue aos holandeses em Nagasaqui. e a resposta seria também transmitida por intermédio do funcionário desse porto. e foi imediatamente conduzido ao camarote do Capitão. Os americanos rejeitaram in limine esta proposta. sem a sanção do qual nada se podia decidir. anunciou que vinha ali Yezaimen. as maneiras de Yezaimen mudaram e como por encanto podia ler-se-lhe nos olhos o pensamento de que não estava decerto lidando com bárbaros. O Governador era um imponente personagem. e mais uma vez um intérprete de língua holandesa dirigindo-se ao navio capitania. aproximaram-se da esquadra duas grandes barcaças vindas de Uraga. e dentro da qual vinha solenemente acondicionada a carta do chefe do Estado americano. À vista do precioso objeto. Tornou-se cordial e. Yezaimen iniciou a conversa com a declaração peremptória de que aquela entrevista era inútil. Saboraske cedeu a transmitir os desejos do Comodoro ao seu superior e a entrevista findou.CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA FUNDAMENTOS METODOLÓGICO DO JUDÔ Ter cedido neste ponto. o Governador foi recebido por dois capitães. O Governador japonês quis então saber onde estava a carta do Presidente mostraram-lhe a maravilhosa caixa de pau-rosa e ouro que tinha sido feita por encomenda em Washington. Neste ponto. Em atenção a sua elevada categoria. No dia seguinte. e insistiram em que Perry só entregaria a carta pessoalmente nas praias da baía de Yedo a um funcionário da corte. Governador de Uraga. e funcionário da mais alta hierarquia da região.

fazia perder a balança a favor dos Yanques. O caso estava ainda indeciso. de boca em boca entre o povo que aqueles nautas eram cristãos em adoração ao seu Deus. cantando com solenidade hinos da fé. não podiam receber os visitantes. pediam autorização para subir a bordo. os gigantescos botes de fogo donde rompia o volumoso coro de vozes. POMPA E CERIMÔNIA Logo no dia seguinte os americanos enxergaram três barcaças de imponente aparência que vinham aproando em direção ao Susquehanna. rodeado de aparatosa comitiva. e que por isso. e isto somente porque Perry soubera compreender o caráter japonês. e encerrado em uma caixa de pau de sândalo. uma barcaça japonesa coberta com toldos de listas (sinal de que o seu dono era pessoa de alta posição) tentou aproximar-se do navio capitania para fazerlhe uma visita: três ou quatro nobres. o Comodoro teve o primeiro ensejo de dar aos japoneses uma impressão do que era um ritual cristão quando nele não figurava a cerimônia do espizinhamento da cruz. Pela tarde. mas a vitória estratégica pertencia já. incredulamente. Tendo subido a bordo. Correu. Olhando de longe. envolto em opulentas sedas. Foi lhes dito. com toda a cortesia. Ao longo das praias de Uraga a multidão de japoneses fervilhava. de aparência banal. Era Yezaimen que chegava. sem dúvida. entregou aos americanos. enquanto os oficiais em grande uniforme. o populacho podia ver impecavelmente alinhados no tombadilho do Susquehanna. No domingo seguinte. abanando languidamente os leques. contemplando à distância. Estes fizeram uma profunda reverência e foram embora. perfilados na ponte de comando assistiam devotadamente ao serviço religioso. um poderoso pergaminho cuidadosamente embrulhado em veludo. . aos americanos. que os cristãos consagravam aquele dia ao serviço da divindade. para entregar a decisão que trazia de Yedo documento de imensa repercussão futura.CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA FUNDAMENTOS METODOLÓGICO DO JUDÔ Era mais uma instância em que um pormenor. O Governador voltou a terra para pedir novas instruções à capital. 300 marinheiros em farda domingueira. com uma reverência impressionante.

formou ao longo das praias. Terminados estes preparativos no meio de majestoso silêncio ecoou o comando de “apresentar. armas!”. pesadamente carregados. com a bandeira americana desfraldada à popa e marinheiros de uniforme azul aos remos. voltados para o mar. Quinze escalares. às dezenas de milhares. A tripulação desses botes desembarcou e. O encontro foi marcado para o dia seguinte.CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA FUNDAMENTOS METODOLÓGICO DO JUDÔ Era a credencial do mensageiro do Micado. Quando o dia rompeu. os americanos puderam ouvir a bordo o reboar de marteladas nos madeiramentos que os japoneses erguiam na terra. que convergiam de todos os lados da baía para a aldeia. Trazia afixado o próprio selo do ofuscante Filho do Céu. Cem fuzileiros perfilaramse em toda a extensão do cais. O escaler que arvorava a larga flâmula do comandante chefe destacou-se do navio e singrou rapidamente em direção ao cais. trazida para ser examinada pelo Comodoro. onde se faziam apressados preparativos para a histórica entrevista. Seguiu-se uma força de cerca de 200 marujos. de chapéu armado e dragonas de ouro. e ao vê-los. todos os miradouros e pontos de vista da colina se encontravam apinhados de pessoas que. imóveis. e duas bandas de música fechavam a marcha. Provava-se que o enviado do Micado era oficial de mui alta hierarquia. os remadores. cuidadosamente selecionados do ponto de vista de altura e de aparência marcial. No mastro real do Susquehanna era agora içado o sinal de desembarque. solitário. armada de carabinas e baionetas à cinta. Ao atracar. largaram dos dois navios. pôs-se em pé e pulou em terra:. Os vigias seguiam com os olhos no escuro da noite. Perry pisava enfim a terra do Japão. à retaguarda. e durante toda aquela noite. equivalente a do Lorde Almirante. . e o homem que vinha a popa. de Idsu. Tanto os marinheiros como os fuzileiros eram homenzarrões. ergueram os remos verticalmente em continência-. Primeiro Conselheiro do Império. O príncipe Toda. pela multidão de japoneses de pequena estatura perpassou um murmúrio de admiração. as luzes misteriosas de fantasmáticos juncos. ardendo em curiosidade. tinham acorrido aos altos para observar o desembarque dos bárbaros.

sob um amplo dossel. escrita em puro velino. e encadernada em veludo de seda azul. homens de idade e de fisionomia inteligente. Eram eles o Príncipe Toda e o seu confrade Ido. redargüiu o marinheiro. e nenhum deles voltou a mover-se nem abriu a boca. de fato. embrulhados em pano escarlate. Durante toda a cerimônia. os dois personagens se ergueram com rígida formalidade. e o Comodoro voltou no meio da escolta para o seu escaler.. Vinha depois o Comodoro. Yezaimen abria o desfile. graves e imóveis personagens. Príncipe de Iwani. as caixas de pau-rosa com aplicações de ouro. Refez-se o cortejo.CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA FUNDAMENTOS METODOLÓGICO DO JUDÔ A banda rompeu a tocar.. em volta das tropas americanas quase lhes dificultando a manobra. “pois o que aí está é apenas fração da minha esquadra!” Esta informação foi recebida com reservado silêncio pelos dignitários nipônicos e a entrevista ficou por ali. anunciou sua intenção de regressar em breve a Macau para voltar ali na primavera seguinte. . cobertos de preciosos bordados de ouro e prata. onde ele voltou a ser o enigmático Lorde do Interior Inacessível . precedido de dois grumetes que carregavam. onde vinham depositados as credenciais do Comodoro e a carta do Presidente dos Estados Unidos. a fim de receber a resposta à mensagem do seu presidente. segundo descrição deixadas pelo próprio Comodoro. No Pavilhão de Estado. Eram. ambos ricamente vestidos de brocados e sedas. que pouco depois o depunha a bordo do naviocapitania. acompanhado de seu intérprete e seguido pelos fuzileiros e marujos americanos. e o deslumbrante cortejo avançou a caminho do pavilhão. Os japoneses desejaram saber se os quatro navios de guerra voltariam com ele ao Japão: “Estes e mais alguns”. Após o que tornaram a sentar-se. enquanto durou a conferência. estavam sentados dois impassíveis. Houve no cais quando os americanos retornavam a bordo. havia se apoderado de ambas as forças uma quase tensão belicosa. e os soldados japoneses agruparam-se com lépida presteza. À entrada do Comodoro no pavilhão. uma ligeira demora reveladora da rigorosa vigilância dos japoneses: os barcos de patrulha aproximaram-se mais. O Comodoro depondo solenemente as cartas sobre o tampo de uma caixa de laca.

. Uma diferença marcante das invasões hoje feitas pelos americanos. tinham ficado assestados sobre a multidão. e enquanto as tripulações acenavam a bordo. um despacho que lhe suscitou as maiores desconfianças. Em janeiro de 1854 estava enfim reunida toda a esquadra asiática dos Estados Unidos da América no porto de Napha. isolado no minúsculo porto. Os campos em volta da povoação fervilhavam de soldados nipônicos bem treinados. Depois. as visitas de cortesia sucederam-se entre os barcos do Governo japonês e os vasos de guerra ianques. ao som das bandas marciais. acabando por se tornar visitas de pura e simples amizade. através de Van Twist. antes que Perry voltasse a ver as praias do Japão. tinha a clara noção dos perigos que corria. seis meses durante os quais o carrossel da intriga oriental girou vertiginosamente. A esquadra americana demorou-se mais três dias no porto. dizendo adeus aos amigos que ficavam em terra.. os fortes estavam guarnecidos de homens prontos a entrar em ação e a flor da cavalaria nipônica concentrara-se nos terrenos mais elevados. No curso desses dias.CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA FUNDAMENTOS METODOLÓGICO DO JUDÔ Os canhões dos navios americanos carregados e prontos a abrir fogo. a esquadra levantou ferro para voltar a vencer a passagem que apenas dez dias antes havia atravessado pela primeira vez com tamanha apreensão. fazendo as observações necessárias para a entrada ali de uma esquadra mais numerosa em condições de segurança naval. A retaguarda do pavilhão prestes a carregar velozmente ao menor sinal de mal-entendido ou desinteligência. . O intrépido punhado de americanos. Os americanos deliciaram os japoneses com as suas mostras de consideração e com as suas veladas referências aos maravilhosos presentes que tencionavam trazer e distribuir na próxima viagem ao Japão. quando Perry recebeu do Governo Geral de Batávia. ESPERA ESTRATÉGICA Seis meses porém decorriam. enquanto durara a entrevista ao mesmo passo que os navios de patrulha dos japoneses singravam vigilantemente de lado para lado.

segundo a mensagem. pelos costumes nipônicos relativos ao luto. fez-se ao mar sem mais demora. o Governo japonês tinha rogado aos holandeses que informassem o Comodoro Perry da morte do “Shogun” do Japão e também que fossem intérpretes. o qual se mostrava favorável à abertura do Império ao comércio e influência do resto do mundo. Guiado pelos nobres. o povo sentiu-se arrebatado por um verdadeiro frenesi patriótico e belicoso. de modo a não arranharem as exéquias do Shogun sem que estas interferissem nas negociações. mas acrescentando que esperava tivessem os japoneses uma idéia nítida da importância da sua missão. Daí a três dias dobrava o promontório cingido de rochas do cabo Idsu. de reatar as negociações oficiais. Diante disso. à revogação dos poderes usurpados pelo Shogunato e à restauração da autoridade do Imperador. O problema apresentado aos nobres era claro e simples. E. que Perry voltasse ao Japão naquela época.. remeteu logo a resposta a Van Twist na qual externava a sua mais profunda condolência aos nipônicos naquela hora de mágoa e luto nacional. havia ao tempo no Japão um partido liberal. a grande maioria manifestou-se a favor de se continuar a política de porta fechada.CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA FUNDAMENTOS METODOLÓGICO DO JUDÔ Ao que parecia. da mágoa com que os japoneses se viam privados. ergueram-se novas fortificações em torno de Uraga. que apesar da clandestinidade.devia o Japão tratar com os americanos. tão cedo Perry largou do porto. O primeiro gesto do Shogunato. junto dos americanos. Concluindo que a carta do holandês era uma artimanha. e procedeu-se ao recrutamento de um imenso exército. a nação tentou preparar-se para a guerra. ou combatê-los? De princípio. foi convocar uma reunião dos “nobres”. O Comodoro cometera um erro de julgamento: o Shogun Eyeyochi falecera realmente. Seria pois inútil. cintilante de alvas neves sob a vergasta do inverno rigoroso que já corria. organizada talvez com a cumplicidade dos japoneses. .. com este hábil pretexto. Derreteram-se sinos de templos para fundir canhões. crescia sempre. que assim ficavam indefinidamente adiadas. No entanto. pouco depois de Perry ter largado da baía de Yedo.

por sinal muito ventosa. de cada um dos navios da esquadra largou simultaneamente uma flotilha de canoas. erudito liberal da mais alta categoria e professor da Universidade. para levar-lhes a notícia alarmante de que os navios americanos estavam ancorados no porto. os estafetas corredores chegaram velozes através do temporal. Hayashi. a caminho da terra. pela conclusão de um tratamento razoável com os americanos. em desanimador fracasso. mesmo lançando-se mão de tudo quanto de melhor podia oferecer em recursos uma nação praticamente medieval. Este novo Shogun atuou com vigorosa energia sem hesitar a favor da paz e caso tal viesse a mostrar-se inevitável. Começaram-se a estudar os costumes. foi nomeado Comissário Supremo sob a autoridade do príncipe Toda. reinava grande excitação a bordo da armada onde se faziam os últimos preparativos num estado de expectativa ansiosa. lá apenas pelas costas da China. transportando 500 oficiais. quando os conselheiros do novo Shogun se sentiam seguros imaginando que Perry e os seus navios de fogo ainda andavam bem longe. marinheiros e fuzileiros navais visivelmente bem armados. Eyeyochi teve como sucessor seu filho Iyesada. maneiras e formalidades Yanques.CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA FUNDAMENTOS METODOLÓGICO DO JUDÔ Esta tentativa acabou. décimo-terceiro da linhagem de Tokugawa e último dos Shoguns. Logo ao amanhecer de 8 de março de 1854. . de 11 de fevereiro. pois era esse o dia marcado para o encontro formal em terra com as autoridades japonesas. Foi assim que a visita do Comodoro constituiu o primeiro golpe mortal ao regime dos Shoguns. A um sinal do Powhatan. 12 milhas a montante de Uraga. porém. A VOLTA DE PERRY Na tarde. revelando apenas quanto era baldado tentar opor-se a uma moderna esquadra de guerra. para negociar o tratado com Perry quando ele voltasse ao Japão.

Perry só viria a apreender a sua completa significação quando.CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA FUNDAMENTOS METODOLÓGICO DO JUDÔ O Macedonian atroou os ares com uma salva de 17 tiros de canhão. e a comitiva se encaminhou para o pavilhão. que ele propunha como base de um acordo com o Japão.queriam que os americanos se retirassem. Mudou de estratégia e resolveu entregar os presentes prometidos. tendo morrido recentemente o Shogun. ao tempo que o Comodoro era acolhido por um grupo de nobres daimios japoneses em luxuosa indumentária de gala. Trocaram-se saudações de grande estilo. com a respectiva locomotiva. implicando grande amizade. a conferência foi suspensa. Era um documento redigido com perfeita cortesia. encerrado ao camarote. o Star Spangled Banner. A gente menos educada do povo considerou logo a locomotiva como obra e instrumento do demônio. para deleite e para gáudio. Os fuzileiros apresentaram armas. deixando o Japão. Limitou-se a aceitar o documento na conferência. entregue ao ritmo da sua velha existência. receamos também. O desembarque dos prometidos presentes americanos! Os ianques satisfazendo a curiosidade geral começaram por instalar a via férrea completa. A diretriz dos japoneses era clara e simples. e todos se puseram a prudente distância mas os nobres mostra- . as bandas reunidas romperam com o hino da União. mais tarde. ao embarcar o Comodoro no seu escaler para deixar o Powhatan. Este documento bastante equívoco não foi logo traduzido ali. Declaravam-se dispostos a fazer as concessões que fossem absolutamente necessárias. dispostos a fornecer aos americanos as provisões suficientes e o combustível necessário para a sua partida imediata. mas confundiam todas as concessões com equívocas e evasivas bastantes para. O Comissário Hayachi iniciou a cerimônia. dos japoneses. carros de passageiros e trilhos. Os japoneses estavam. tanto quanto possível. Esta maneira de negociar obrigou Perry a pesar todos os detalhes e todas as palavras das negociações com escrupulosa exatidão. porém. fazendo entrega da resposta do Shogun à carta do Presidente dos Estados Unidos. e no qual se evitava prudentemente fazer qualquer declaração positiva a respeito do que quer que fosse. Os japoneses anunciaram que este documento seria objeto da sua mais pronta atenção e estudo. As conversações continuaram no curso das três semanas seguintes. exceto que. poderem invocar pretextos para a sua inação. Quando Perry chegou em terra. o sucessor deste não podia ainda fazer nada. os comissários japoneses já se encontravam fora do alcance da sua irritação. e a oferecer da sua própria lavra cópia do tratado sino-americano. dito o que.

Estes pitorescos presentes como os americanos depressa aprenderam. relógios. todo envolto em algas marinhas! Outro presente constava de quatro cachorrinhos de uma raça japonesa. Levavam livros.um deles era um embrulho de papel de casca de amoreira. Após a confraternização. pois.CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA FUNDAMENTOS METODOLÓGICO DO JUDÔ ram-se ansiosos de experimentar a novidade mecânica. com a sua seleção de presentes para os visitantes americanos.arrancou-se. canhões. munições. permitindo-lhes transmitir mensagens experimentais a amigos postados a um quilômetro e meio de distância.caixas. Uma vez aberto. segundo uma antiquíssima tradição. Os japoneses estudavam fascinados os vestuários e maneiras daqueles “bárbaros” americanos. Daimio após daimio encantados da vida experimentaram todos os delírios de viajar escarranchados no teto dos carrinhos de passageiros liliputianos. Já quase no fim . eram símbolos da mais alta estima do Shogun. perfumarias. bandejas e cálices de misteriosa secreta laca japonesa. agarrando-se tenazmente. autorização para instalar consulados nos portos de Simoda e Hacodate. nas águas do Japão. cuidadosamente amarrado. estojos de toalete. raríssima. Os longos dias de negociações foram se aproximando lentamente do termo. utensílios domésticos e instrumentos científicos. viu-se que continha um peixe seco. Fixaram-se condições de tratamento a ser dado aos marítimos que acaso naufragassem. E enquanto os objetos iam sendo extraídos das caixas e colocados em exposição. cachorro e arroz. o reinício das negociações. contra a relutância dos japoneses. mesas. amostras de plantas norte-americanas acompanhadas das suas sementes para cultivo no Japão e todo um arsenal de armas novinhas em folha.esboçaram-se também em princípio os termos em que os comerciantes de mercadorias americanas poderiam tratar com os mercados nipônicos. os presentes de um potentado nipônico aos seus favoritos deviam incluir peixe seco. O Comodoro e seus oficiais foram encontrar a sala de recepção da “Casa do Tratado” repleta de magníficos brocados e sedas. na outra extremidade do arame. espadas e pistolas. Três destes presentes provocaram intensa curiosidade por parte dos visitantes. de porcelanas de um encanto e delicadeza que deixavam a perder de vista o que se fazia na América. Era agora a vez do Shogun organizar um grande espetáculo.rifles. eram algumas toneladas de arroz amontoado na praia. O terceiro. de olhos semi-cerrados pela vertigem enquanto o trem rodava nos trilhos circulares à espantosa velocidade de 35 quilômetros por hora! Os aparelhos Morse crepitavam para beneficio das perplexas autoridades japonesas. Os americanos também tinham trazido consigo charruas e outras alfaias agrícolas.

e o remanescente da esquadra americana desceu a baía. Um por um. como é sabido. o Comodoro e os Altos Comissários nipônicos apuseram cerimoniosamente as suas assinaturas ao histórico documento que vinha introduzir o Japão na grande família das Nações. e pela qual. durante dois séculos. permanecente e Universal. pois. dando assim início a profundas modificações no complexo político da Ásia Oriental. . se considerariam também automaticamente parte do Tratado Americano. Assim chegaram. e uma sincera e cordial amizade”. aberto aos americanos por via do tratado. dispararam-se as salvas de despedida. Wells Williams sugeriu que fosse adotada a cláusula da “nação mais favorecida”. cujos resultados se têm feito sentir ininterruptamente desde então. praticamente. o Japão ficou. outros navios foram mandados explorar o porto de Simoda. A 4 de abril.CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA FUNDAMENTOS METODOLÓGICO DO JUDÔ das negociações. fora da história mundial. alargavam seus horizontes e viam crescer as suas forças sob o impulso da Revolução Industrial. AS CAUSAS SÓCIO-FILOSÓFICAS DO APARECIMENTO DO JUDÔ Pela narrativa anterior. esses direitos imediatamente se tomaram aplicáveis aos Estados Unidos. verifica-se que. e pelo qual os Estados Unidos e o Japão se prometiam solenemente “Paz completa. vivendo seu pitoresco feudalismo. No dia 9 desse mês. Em 31 de março de 1854. seis meses depois. quando os ingleses concluíram com o Japão um tratado que dava a Inglaterra vantagens muito mais amplas do que as obtidas por Perry no seu tratado. Abriu o caminho à conclusão de tratados semelhantes com todas as nações européias. o navio-capitania levantou ferro. o Saratoga zarpou para Washington levando o precioso documento que ia ser agora ratificado pelo Congresso e assinado e promulgado pelo Presidente dos Estados Unidos. com as grandes potências a frente. Não tardou mais de quatro anos para que o tratado se revelasse como sentença de morte para a autocracia do Shogun. enquanto o resto do mundo. corrente nos acordos diplomáticos. Foi assim que. quaisquer concessões feitas doravante pelos japoneses a qualquer outra nação. a bom termo as negociações que viriam alterar todo o destino do Extremo-Oriente.

Até então só os Samurais praticavam exercícios físicos planificados. era uma necessidade política para ficar no mesmo pé de igualdade e acompanhar o desenvolvimento das ciências técnicas dos europeus. jamais previsto ou julgado possível. pouco a pouco. a transformação político-social denominada Restauração do Meiji . como já dissemos. de fato. no ano de 1865. o declínio dos métodos endógenos. Natural pois.CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA FUNDAMENTOS METODOLÓGICO DO JUDÔ Decorrentes da expedição naval americana oportunidade em que o Comodoro Matthew Perry. surgiu no panorama histórico. e na cabeça um chapéu de palha do último tipo europeu. É natural que a ginástica e os desportos alienígenos fossem de pronto recomendados e tivessem rápida aceitação nos estabelecimentos de ensino e de cultura física popular. O Imperador que. transeuntes vestidos a moda japonesa. PAZ E AMIZADE. Compreendendo que a grandeza de uma pátria repousa na educação. capacidade. o Japão foi importando. apenas exercia poderes espirituais como Sumo Pontífice do Shintoismo. reproduzindo da maneira que podia os produtos da cultura ocidental. Em ritmo acelerado.e da conseqüente declaração de abertura dos portos assinada em Kioto. Essa transição rápida. de feudalidade exagerada e romântica em 1866. sem muito tempo para discernir por vezes o inconveniente do conveniente. . Nos processos de ensino e novas técnicas ocidentais foram adotadas. em 1854 o tratado de COMÉRCIO. ver-se em fotografias e no cinema. que. o comando da nação. cultura e honorabilidade de seus filhos. assumiu. daí ser comum. forçou a abertura dos portos nipônicos e impôs. de kimono e tamanco. imitando. já em 1889 estava atualizado e atingia o nível das mais adiantadas potências ocidentais em um progresso ciclópico.A Renascença Japonesa (1868). até bem pouco tempo. o Imperador MUTSUHITO (o Meiji) dedicou a máxima atenção ao problema da educação. iam se tornando coisas do passado. mesmo nas grandes cidades. De país medieval. mas trazendo um guarda-chuva no braço.

nessa diversidade de atuação que repousa a personalidade e a originalidade dos indivíduos e das raças. de modo a compreender as causas primeiras e não apenas as causas segundas que atuaram e propiciaram a sua evolução ou involução. improvisaram-se em mestres. em 1892. grupos teatrais ou atuando isolados em palcos ou picadeiros em lutas simuladas. e sem se transportar. ao seu berço. pelo temperamento e pelos costumes dos povos que fazem com que os grupos. conclui-se o tratado de Amizade e Troca de Representação Diplomática. a evolução nipônica e as diversas fases de sua cultura originalíssima representam a demonstração categórica de que o homem é. com idéias errôneas sobre o assunto. o seu ensino torna-se acidental e mercenário. precisamente. os primórdios de qualquer manifestação de cultura sem um estudo. Em 1908. Tanto para o filósofo como para o sociólogo e também para o antropólogo. Esse aspecto é interessante ressaltar porque explica a grande leva de imigrantes que se lançavam pelos diversos países que os acolheram. As Forças Armadas atualizaram-se a modo ocidental e o abandonaram. apaixonados pela cultura do Ocidente. embora sucinto. apenas meros executantes. Em 1897.CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA FUNDAMENTOS METODOLÓGICO DO JUDÔ Foi portanto uma conseqüência do advento do Meiji o declínio do Jiu-Jitsu. Auto-didatas. e a sua história observa as mesmas leis humanas. pelo meio. como os indivíduos. formando. Os intelectuais e a elite desinteressaram-se pela sua conservação. fez-se o contrato de imigração. com a visita de um navio de guerra. do meio que a gerou. a difundir o Jiu-Jitsu de modo perigoso e aventureiro. Não é possível entender. o mesmo em toda a terra. reajam diversamente em presença dos mesmos estímulos físicos ou psíquicos. sendo. no tempo e no espaço. muito contribuindo para que o público e os demais educandos formassem uma falsa apreciação de valores. São as diferenciações específicas impostas etnicamente. genericamente. de modo claro. elevando-se daí em diante o número de residentes japoneses no Brasil. por vezes. originalidade que no Japão . Os primeiros contatos do Brasil com a nobre nação japonesa fizeram-se. fixando-se depois como professores nos centros de promissoras perspectivas econômicas.

da disciplina e do método. desde cedo. pela luta contra os cataclismas. por causa da situação insular que o isolou delirante tantos séculos de influências estranhas as suas próprias tendências inatas. o que os terremotos. entretanto. de olhos fechados. A geografia física do arquipélago e a identificação perfeita do homem com a terra explicam porque sob a influência imponderável do solo e do clima. A luta pela vida impõe ao japonês. combativa. dos panoramas grandiosos dos vales floridos e dos penhascos agrestes. os incêndios e bombas destruíram em suas proezas apocalípticas. fruto da crença arraigada de que não deve ser perdida irracionalmente toda a experiência colhida e verificada pela cadeia dos ancestrais. em parte. coexistindo nele a duplicidade do lírico e do soldado. a ser forte. passaremos ao estudo das correntes de opinião que procuram explicar o aparecimento do Jiu-Jitsu. Feito este pequeno esboço sócio-antropológico do homem ligado ao seu meio. e com esta mesma natureza. a ser poeta na contemplação da natureza. a rigor. . impõe a necessidade da cooperação e da solidariedade. o japonês aprendeu. sóbria. às experiências incertas e de resultados quase sempre desastrosos. porque. estimula a combatividade. O meio exigindo imperativamente uma vida rude. entregando-se. não impede. de se entusiasmar pelas inovações úteis e de se enamorar pelas conquistas do progresso. como imperativo categórico de sobrevivência individual e coletiva. lembrando que nele se vão projetar os aspectos apreciados e ressaltados anteriormente. guerreiro e estóico. certos aspectos da cultura japonesa não podem ser considerados. bebendo a poesia bucólica das paisagens filigranadas. das montanhas coroadas de neve que projetam na pureza do céu as suas silhuetas magníficas.CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA FUNDAMENTOS METODOLÓGICO DO JUDÔ é tão exuberante. frugal e dinâmica imprimiu-lhe na alma um estado de espírito sempre alerta. Eis. Uma vida energética. do artista e do herói. sob o prisma das concepções ocidentais por haver algo de substancialmente diverso em alguma das suas manifestações. O amor a tradição. ensina o valor da tenacidade e da precedência. incorporando-as à sua própria cultura. escapa ao observador menos atencioso. Sempre pronto a Reconstruir pacientemente. o que por vezes. que acrisola a resistência física e a rigidez moral da raça.

e cada uma delas se distingue das outras pelas diferenças dos próprios métodos. que se caracteriza como uma autêntica prova das Histórias do estado embrionário da prática do Jiu-Jitsu ou Ju-Jutsu e Sumô nos tempos mais antigos e recuados no Japão primitivo. E historicamente vista como o começo da luta japonesa que poderia ser o Jiu-Jitsu ou o Sumô. Kumiuchi. uma dúzia ou talvez mais de nomes diferentes como Yawara. Elas foram e serão sempre aquelas que subsistiram e que são atividades físicas definidas como arte de ataque e defesa. Taijutsu.CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA FUNDAMENTOS METODOLÓGICO DO JUDÔ O QUE DIZ A HISTÓRIA SOBRE O JIU-JITSU O Nihon Shoki . Os comentários e as crônicas vão se diversificando com relação que se pretende entender como a gênese do Jiu-Jitsu ou Ju-Jutsu. Hakuda. uma vez que aparecem nas crônicas medievais e até mais antigas. é um documento interessante e digno de atenção dos historiadores de Judô. Torite. confirmados pela história do Judô de Kodokan. . não havendo preponderância de uma sobre a outra. contra um adversário armado ou não. Koshi-No-Nawari etc. O mais antigo texto a respeito da palavra Yawara aparece na literatura japonesa e está contido no “Konloku Monogatari”.relata as crônicas mais antigas da história do Japão. Kogusoku. o momento e os valores políticos da época e para que serviam. Essas crônicas foram escritas por ordem imperial no ano 720 da era Cristã. não se pode identificá-la com o Ju-Jutsu. livro dos contos antigos e modernos que foi escrito na metade do décimo primeiro século. em trechos apropriados falam de um torneio de Chikara-Kurabe (competição de força). Como a palavra Yawara foi mencionada naquele livro a propósito de um conto sobre Sumô.C. São numerosas as escolas. Rhubaku. cada um procura idealisticamente fortificar seu ponto de vista. Wajutsu. Esta competição de Chikara-Kurabe foi realizada no sétimo ano do Imperador Suinin. O que nos parece mais relevante historicamente é a narração realística de todas essas escolas. Kempô. algumas vezes sem armas. 230 anos A. Muitas pessoas se tornam historiadores das lutas e começam a estabelecer diferenças colocando em cheque muitas vezes a incapacidade de problematizar historicamente os acontecimentos.

estratagemas e ardis. tomou consciência. fletiam-se. que os exercícios de luta de ataque e defesa. Tomavam eles vários nomes. Destas resultaram por evolução. notou ele que as árvores delgadas mas flexíveis. mantinham-se íntegras. que o Jiu-Jitsu. mas CEDER aparentemente a fim de a posteriormente. pois ao invés de resistir ao peso esmagador. tendo se orientado no sentido do espetáculo e como tal é ainda hoje talvez a mais praticada. é uma manifestação de cultura do povo nipônico. É interessante. Eis a NATUREZA a ensinar o princípio básico do Jiu-Jitsu assimilado pelo Judô . tão logo a neve se acumulava em seus galhos. YAWARA. até fins do século passado. colorido próprio. etc. Durante uma nevasca. de fato senão de direito. e assim. o qual nele reflete suas próprias características. consagrada ao combate real. A arte do combate inerme como exercício guerreiro ramificou-se em várias escolas.fundador da escola Yonshin-ryu.CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA FUNDAMENTOS METODOLÓGICO DO JUDÔ No que todos porém são acordes é que foi no Japão que a atividade medrou. Paralelamente. todos capacitando o praticante a obter êxito. tais como TAI-JITSU. Árvores fortes e troncudas resistiam por muito tempo. pois. suavemente. tais como a Esgrima . obter superioridade definitiva. .. Cediam. a saber: O SUMÔ (luta corporal propriamente dita) a base de peso e força. É também pacífico ter sido no período feudal daquele país.e o JIU-JITSU. dois tipos de atividades. voltando após à primitiva posição. JIUJITSU. desenvolviam-se e aperfeiçoavam-se sistemas de lutar inerte contra um adversário armado ou não. mas terminavam com os galhos fendidos ou arrancados do tronco.de Sabre e de Lança . Concluamos. evoluiu e diversificou-se irradiando-se daí para todas as latitudes em que atualmente se incorpora aos processos de educação física e desportos. tão logo a carga se acumulava em demasia. foram cultivadas e incrementaram-se sobremodo. desde que adquirisse um grau adiantado de conhecimento.NÃO RESISTIR ao esforço direto do oponente.a Arqueria. referirmo-nos a observação de SHIROBEI AKYAMA . deixando-a ao cair ao solo. a base de habilidade.

A seguir. Para melhor ilustração e dentro de nossa ordem de idéias.CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA FUNDAMENTOS METODOLÓGICO DO JUDÔ Segundo o Bojutsu Ryûsôroku (crônica da biografia dos fundadores das diversas escolas de Jiu-Jitsu que existiram antes da criação do Judô. em virtude do seu poder militar. são mais ou menos 20 escolas (Ryu). investido de poderes espirituais. com certas características diferenciais. prender ou imobilizar o adversário por torção. vinha o Shogun. Pouco a pouco. YAWARA etc. o então missionário jesuíta Francisco Xavier ali esteve. flexão forçada ou distensão de articulações que podiam causar dores atrozes ou mesmo morte por traumas ou compressões completavam o arsenal. SEKIGUSHI-RYU. A sociedade era dividida rigidamente em castas: o Imperador. mas vários tipos de escolas por assim dizer. o fundador do Judô. o espectador a ele se referia como sendo um golpe de Jiu-Jitsu. As duas últimas escolas foram particularmente estudadas por Jigoro Kano. sendo ensinado por numerosos mestres habilitados. . tais comoderrubar com violência o antagonista. embora tivessem numerosas afinidades. golpear ou bater com as superfícies fortes do corpo em pontos vulneráveis. Os seus recursos consistiam em ações defensivas e principalmente ofensivas. o nome de Jiu-Jitsu vulgarizou-se a tal ponto que. Havia não apenas um. que exercia o poder de fato.era do Shogunato lembrando que só a partir do século XVI (l542) os ocidentais travaram relações com aquele país. e que. em linhas gerais. KYUSHIN-RYU. em 1549. Durante o período Tokugawa (l603-1867) o Jiu-Jitsu desenvolvera-se como uma arte bem elaborada. KITORYU e TENSHIN-SHINYORYU. a serviço da fé cristã. uma espécie de Regente. embora despido do poder temporal. era a mais alta personalidade. o panorama social do Japão no período feudal . tracemos. mesmo quando era aplicado um golpe de TAIJITSU. Tais como TAKENOUCHI-RYU. representantes credenciados das escolas que substituíram com o impacto do processo evolutivo. e algumas especializavam-se em determinadas formas de combate.

É interessante falarmos um pouco mais a respeito desta casta que vivia submetida a uma disciplina férrea. Os Samurais. Elaborado no período feudal japonês. sem emprego. sobretudo deu-lhe uma estabilidade emocional que se traduzia em uma calma imperturbável capaz de enfrentar todas as situações graves da vida. os Kachi. visto que. visava arraigar sentimentos de honra. Durante o período Tokugawa a arte dos samurais atingiu o apogeu mas.código ético moral dos “Samurais”. Os que não serviam a determinado senhor eram chamados de Ronin. Em tempo de paz. Foram os Samurais que viveram o Jiu-Jitsu e transformaram o exercício marcante da época em arte refinada por intermédio de seus instrutores.CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA FUNDAMENTOS METODOLÓGICO DO JUDÔ Os Daymios eram os senhores correspondentes aos Barões medievais. eram uma casta de guerreiros a serviço dos Daymios. não podendo abandonar as suas terras embora não fossem servos.físico e espiritual. assim. . ou Samurais despedidos. que constituíam cerca de 5% da população. desenvolvendo. reforçamento do caráter e. leva-nos a uma pequena referência sobre o Bushido . de lealdade e de obediência. A força do guerreiro devia aliar-se à serenidade de um filósofo e à insensibilidade de um estóico. Em muitos aspectos. Em escalas inferiores os Ashigaru. possuíam regalias especiais. e com os cavaleiros da Idade Média pela força dos ideais. Jamais dentro de uma rigorosa unidade de doutrina. mesmo em um sistema particular. tendo por anelo o aprimoramento crescente . os servos da gleba. Muito contribui para este desígnio a doutrina Zen-Shu. simplicidade. era dos Samurais idosos que saíam os encarregados dos serviços administrativos dos Daymiatos ou do Império. os comerciantes que andavam a pé. ou mesmo da morte.via do Guerreiro . os mestres tomavam caminhos diferentes no seu ensino. A filosofia Zen incutia nos espíritos dos samurais a prática da serenidade. ramo do budismo. Estas digressões por assuntos correlatos. pela rigidez do seu modo de vida. os “samurais” apresentam analogias com os espartanos. a vontade e o domínio de si mesmo que todo “samurai” possuía no mais alto grau. é mister que se acentue. Condicionava a própria salvação do crente a uma austera disciplina do corpo e da alma. de intrepidez. mas básicos ao entendimento perfeito do fenômeno. de dignidade. e deles saía o Shogun.

O . Segundo esta teoria. Tem a dupla finalidade .a) desenvolver uma energia maior no momento do ataque . a prática do Kiai permitirá dominar esta potência cósmica e de se servir dela para fins de dominação. Uma de suas máximas diz. As mulheres.AIE decompõe-se assim. levando-os a suportar a dor e as contrariedades com resignação inaudita.CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA FUNDAMENTOS METODOLÓGICO DO JUDÔ Preconizava uma vida de rusticidade. às crianças e aos velhos. com colorido e cunho local. bondade para o inferior e auxílio generoso às mulheres. a doutrina Zen-Shu o foi para o ânimo inquebrantável dos samurais. Assim pode-se traduzir por “união dos espíritos”. A tradição exotérica japonesa atribui-lhe o poder de concentrar o espírito do iniciado ao ponto de unir ao seu adversário. uma energia latente no universo. Assim como o Cristianismo foi o inspirador dos ideais dos templários da Cavalaria. que não eram guerreiras. devia o “Samurai” morrer brava. respeito pelo superior.longe de apagá-la. assistido por um companheiro respeitável. é uma conseqüência da alta noção de honra dos guerreiros da Era do Shogunato. honorável e decentemente por suas próprias mãos. Os mesmos sagrados princípios e altos ideais da Cavalaria na história do ocidente medieval. as suas lutas eram as batalhas em campo aberto. Aparecido o motivo. que reúne a forma mística do Zen. Kiai: grito de ataque usado nas lutas orientais japonesas “Budo” (artes marciais).b) atemorizar o adversário e até mesmo paralisar determinados centros cerebrais. desprezo pela dor e sofrimento. secionavam a carótida com um pequeno punhal. O HARA-KIRI E O KIAI O célebre HARA-KIRI ou SEPPUKU. rasgando o ventre com um sabre especial.KI = espírito e AIE contração do verbo awasu (unir). cavalheirismo. A palavra Kiai. não manifestando externamente o menor sinal de sofrimento por mais cruciante que fosse. o tempo não faz se não aumentá-la cada vez mais”. guiavam pois os “Samurais”. A sua arma era o sabre.“A desonra é como a cicatriz na casca de uma árvore. que consiste em matar-se. pronunciasse KI .

criou uma nova concepção dos ensinamentos de Buda que ficou conhecida em chinês por Ch’an. o estado sólido. O Kime-no-kata é o kata típico do emprego do Kiai no ataque. até então os samurais haviam desprezado esta forma de luta. a ligeireza. representado pelo ataque e o negativo. O Universo Cósmico não conhece repouso. consideravam o universo cósmico e tudo que nele se encontrava como a união harmoniosa de duas forças contrárias.CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA FUNDAMENTOS METODOLÓGICO DO JUDÔ Kiai também é muito usado no Judô acompanhado de um grito.conhecido por Ta Mo. foram instruídos nas lutas guerreiras indianas do Vajramushti e adaptado ao Budo (artes marciais). porém nada no Universo é somente Yinn ou Yang. Foi assim que os samurais mestres de Jiu-Jitsu desenvolveram dois métodos de combateo positivo. a vida. As técnicas positivas foram imediatamente absorvidas. AS CONCEPÇÕES E APROXIMAÇÃO DO ZEN COM O BUDO Ouve-se falar muito em Zen na prática das lutas. o passivo. o branco. considerando-a somente digna dos kachis = samurais inferiores. ou servos da gleba que não podiam usar armas (Robert. a doçura. o Jiu-Jitsu torna-se a prática da ligeireza. o negativo. em japonês. a claridade. a compreensão. momento em que foram desenvolvidos os atemi. o estado líquido. a plenitude. 1964). a resistência.o Yinn e o Yang. porém é apenas uma expressão que se ouve dos mestres e professores e que se dissipa e fica por isso mesmo. Os samurais eram uma casta de guerreiros que existiu de 1192 a 1867. passando a influenciar profundamente o pensamento japonês. Os introdutores do Zen no Budo eram pensadores extraordinários (ocidentalmente considerados filósofos). caminho do guerreiro. principalmente usado no Código de Honra dos samurais. os estrangulamentos e as chaves de braço e torções. a força e o positivo. dentro da estrutura do Bushido. o Bushido. São Yang: o calor. as técnicas de projeção. em chinês e por Daruma Tai-shi. o negro. foi o vigésimo-oitavo patriarca do budismo. . a escuridão. Anos mais tarde o método Ch’an foi levado para o Japão onde recebeu o nome de Zen. São Yinn: o frio. a expansão. que consistia em vencer pela não resistência. Os registros mais antigos dos livros de crônicas japonesas dizem que Bodhidharma . Poucas pessoas se interessam pelo assunto. A religiosidade está flagrante e patente na prática de lutas orientais. tudo que existe é simultaneamente Yang e Yinn. de nossa era. Assim.

as mais eficientes ações herdadas do passado ou fruto de suas observações. quer dizer. criador do Judô e fundador do Instituto Kodokan. no departamento de Hyogo. ensinado por processos privativos. No entanto quando da restauração do Meiji.arte. flexívelJITSU . isto é. diga-se de passagem. Evidentemente. Terceiro filho de Jirosaku Marechiba Kano. . podemos dizer que Jiu-Jitsu é a arte de ceder inicialmente para obter depois a vitória completa. somente a alguns privilegiados ou julgados dignos pelo mestre que. guardavam escrupulosamente. quando foram restaurados todos os direitos e regalias imperiais ao Imperador Mutsuhito em 1868. literalmente.suave. Razões de preconceito e segurança determinavam que o ensino fosse orientado sob dois aspectos. mercê de um estudo longo e custoso. visto que só a elite era aquinhoada com o conhecimento integral. o Shihan Jigoro Kano teria oito anos de idade. isto é. prática. ceder. agilidade. em segredo. A TRANSFORMAÇÃO FEITAS POR JIGORO KANO O professor Jigoro Kano. nasceu em 28 outubro de 1860. Em uma definição mais completa.CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA FUNDAMENTOS METODOLÓGICO DO JUDÔ E mister que lhes diga que JIU-JITSU. destreza. de modo econômico. portanto seis anos depois da abertura dos portos japoneses pelo Comodoro Perry e a assinatura do Tratado de Paz e Amizade com os Americanos. o que significa a nosso ver. O Jiu-Jitsu e seus similares eram um conhecimento empírico. se bem que elevado por alguns professores a níveis bem marcantes. ministrado a todos os discípulos.JIU . Donde JIU-JITSU ser arte de ceder ou a prática de flexibilidade.o exotérico. o número dos realmente peritos restringia-se. que foi testemunha ocular do apogeu e do declínio do (bujutsu) arte das lutas. dentro dessa orientação. um programa de ações ofensivas e defensivas. e o esotérico. na cidade de Mikage. Em lato sensu vem a ser a arte do emprego eficiente da energia física e mental para a consecução de um desígnio.

espadas. muitos deles cometeram o suicídio por Haraquiri de tanto desgosto. aluno da Universidade Imperial de Tokio. como a formação de quartéis e adoção de técnicas e armamento moderno. e em poucos anos foram adotadas ali suas ciências. O exército foi formado pelo modelo ocidental. Gradativamente foi sendo introduzida a civilização ocidental. Já no regime Tokugawa só os guerreiros Samurais tinham o direito de portar armas. 1871 marca um rápido declínio das lutas do Budo e o Jiu-jitsu não foi exceção. Os fatos históricos mais importantes que vieram alterar o curso da história do Extremo Oriente foram sem dúvida o advento das armas de fogo. (Tonfa) Bastões de defesa com cabo e vários outros instrumentos usados na agricultura e que se transformavam em armas de combate. e a abertura dos portos pelo Comodoro Perry 1854 que rasgou o véu do segredo de centenas de anos que envolvia o Japão. os homens do povo não tinham esse direito que era rigorosamente observado e punido com a morte a quem transgredisse.CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA FUNDAMENTOS METODOLÓGICO DO JUDÔ Como se pode deduzir. . Não tinha mais sentido preparar soldados com armamento dos samurais como arco e flecha. Um decreto aboliu o uso dos sabres ou quaisquer armas usadas pelos samurais ou senhores. nessas alturas dos acontecimentos tinha dezoito anos. uns foram ensinar jujutsu (denominação anterior ao jiu-jitsu) para viver. este foi o momento filosófico e sócio-antropológico. observou que tudo que pertencia ao regime anterior era visto com maus olhos. As lutas dos guerreiros samurais entraram em declínio e foram relegadas a planos inferiores. artes e técnicas. Para se defender eles desenvolveram uma arte de combate à mãos nuas. Todas essas transformações foram vistas e vividas por Jigoro Kano que. Os grandes mestres do Budo (samurais) e de todos os tipos de lutas foram obrigados a procurar outras ocupações. outros foram para o exército ou para a polícia e até abriram pequenos Dojos para o ensino particular. bastão articulado (Nunchaku). contribuindo em grande parte para a restauração do Meiji: “O governo esclarecido”. todas pertencentes ao (kobudo) estilos do manejo de armas. o ápice o clímax para o desenvolvimento de um estudo etnográfico. Somente os samurais lhes eram fieis. objetos pontiagudos em forma de estrelinhas com pontas envenenadas (shuriken).

foram excelentes “pitcher-catcher”. seu principal foco de interesse era a viabilidade dessas lutas como desporto em uma sociedade em mudança. Kano e seu colega Godai da universidade. Kano possuía um desejo ardente de saber como funcionava aquela forma de atividade humana de ataque e defesa fruto da cultura de seu povo. continha uma vontade introjetada em sua alma nipônica humilhada por aquela ocupação estrangeira e uma necessidade de resgatar sua própria cultura. por parte dos estranjas. Seus colegas de escola enciumados de seus dotes intelectuais e sucessos escolares faziam chacota e sempre era vitima da brutalidade dos mais fortes. Havia por parte dos estudantes da universidade de Tokio da qual Kano era aluno da Faculdade de Letras um clima anti-imperialista. nessa fase de transição e de tomada de consciência. parte do romantismo da época. Tudo era motivo. Além disso. Jigoro Kano também praticou os desportos ocidentais.CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA FUNDAMENTOS METODOLÓGICO DO JUDÔ Jigoro Kano era um jovem universitário de 18 anos muito franzino. seus dogmas e costumes e nessa avalancha alienadora levava consigo todas as técnicas das artes das lutas e das armas em geral o Budo e toda aquela cultura milenar dos extraordinários samurais. No entanto. ficou estupefacto quando viu pela primeira vez. . “Pitcher” é o lançador e o “catcher” é o recebedor de bola em base-ball. como diziam os jovens japoneses para demonstrar a superioridade desportiva. dois marinheiros americanos disputando uma corrida de velocidade a pé pela Riviera de Sumidagwa que atravessa a cidade de Tokio. Esse mesmo povo. procurava descobrir quais os métodos utilizados naquelas práticas para entender e construir a realidade que as cerca. Observando o conjunto e a sistematização das técnicas por Kano introduzidas no método do Judô. Jigoro. foi montado um grande rink de patinação no gelo. media um metro e cinqüenta centímetros de altura e pesava cinqüenta quilos. Praticavam também o boxe inglês como educação física com instrutor inglês na Universidade. entre outras coisas. vemos que antes nada se apresentava claramente. o nacionalismo estava no pico e a enxurrada alienadora abrangia todos os setores principalmente os desportos. o que nos conta a história. os ingleses ensinavam o Cricket e os americanos o base-ball. Isto é. pois havia um descontentamento para com respostas que vinham sem soluções para aquela época e para seu entendimento. que deixou o povo muito admirado. no momento em que o país das cerejeiras perdia sua feudalidade exagerada. como aqueles indivíduos estruturavam seu dia-a-dia.

Rijuji Katagiri e a resposta foi outra negativa. disse que jamais desobedeceria a seu pai. os mestres feridos na sua dignidade estavam como que escondidos em face do impacto e opressão da cultura européia e americana. – Bom.depois. em Tóquio. Para Spradley 1979. Com base nesses e em outros princípios demonstrados fica claro ter sido o método do judô o resultado de longos anos de pesquisa etnográfica. Jigoro implora para que ele o ajude em seu projeto e a resposta foi negativa . Em Todas as sociedades as pessoas usam sistemas complexos de significados para organizar o comportamento. você terá que levar a sério seus estudos e não deve perder tempo com coisas insignificantes. não encontrava professor. e sonhava estudar jiu-jitsu. As dificuldades eram muitas. que se denominou etnografia e desenvolvido na antropologia. nesse . Se dirigiu a Baizei Narai. Nessa época.CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA FUNDAMENTOS METODOLÓGICO DO JUDÔ No final do século XIX. próprio dos desocupados e não visto com bons olhos. para entender a própria pessoa e os outros. principalmente sabendo o que ele pensava sobre o jiu-jitsu. já na Universidade cursando a faculdade de letras. que havia sido discípulo de Hachinosuke Fukuda. Esses sistemas constituem a sua cultura. Respondeu-lhe que não compreendia como um estudante franzino queria aprender jiu-jitsu. lhe foi recomendado um senhor chamado Teinosuke Yagi. in André 1995. velho cavalheiro do governo do antigo shogun e freqüentador da família Kano. fundamentadas no Positivismo deveria continuar como modelo para o estudo dos fenômenos humanos e sociais. o que elas sabem e as coisas que elas constróem. o conhecimento já adquirido que as pessoas usam para interpretar experiências e gerar comportamentos. estavam quase interditados e aqueles que o faziam era como se o fizessem na clandestinidade. Com base nessa argumentação surge uma nova abordagem metodológica ou um novo paradigma. cuja preocupação é o significado que tem os eventos para as pessoas ou grupos estudados. Uma vez que o aprendizado das lutas era desprezível. “Eu quero me desenvolver no jiu-jitusu”. Este então. motivo do interesse de kano. a antropologia começa a dar sinais de contestação por meio dos cientistas sociais que começaram a indagar se o método de investigação das ciências físicas e naturais. A cultura é pois. principalmente do jiu-jitsu. Alguns anos depois. precisa Jigoro Kano. Yagi habitava uma pobre casa e ficou espantado quando Jigoro Kano lhe disse que queria aprender jiu-jitsu. Sem outra alternativa. expressos pela linguagem ou pelas ações para entender a pessoa humana. que havia aprendido jiu-jitsu com o grande mestre Imai da escola Kiushin-ryu.Imagine! Seria uma traição para com seu pai você aprender uma arte completamente vulgar. Jigoro apela para o guardião das terras de seu pai. Nesse sentido a cultura abrange o que as pessoas fazem. para dar sentido ao mundo em que vivem. Os mestres do Budo. Kano estudava numa escola privada de Estudos Britânicos perto do Bosque de Shiba. Porém.

TEMPLO DE EISHOSI BERÇO DE JUDÔ DE KODOKAN E JIGORO KANO AOS 20 ANOS QUANDO CRIOU O JUDÔ . Havia um decreto que facultava aos velhos mestres de lutas do Budo desempregados em relação às mudanças políticas de exercerem as funções de reanimador de síncopes e todas as manobras do Kuatsu. Ele foi assim iniciado em outros segredos da Escola de Kito. Todos eles. Em seguida. Kano herda também os arquivos da Escola de Kito-Ryu. No entanto. da seita Jodô. Em 1882. Sob a direção desses mestres. Sou um simples encanador de ossos e consertador de luxações das articulações. berço do Judô. consertar luxações e socorrer afogados. e monta seu primeiro Dojô. Finalmente. Yagi ficou muito satisfeito com a solicitação de Jigoro e o levou a Fukuda que foi o seu primeiro mestre onde trabalhava também Masachi Iso. declara que jamais viu um estilo tão perfeito quanto do mestre Masachi Iso. Kano se instala no templo de Eishosi. foi aluno de Tsune Toshi Iikubo da Escola Kito-Ryu. com a idade de 22 anos. encanar ossos quebrados. sabiam um pouco de jiu-jitsu.CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA FUNDAMENTOS METODOLÓGICO DO JUDÔ caso eu não posso porque não sei muito jiu-jitsu para ensinar. Fukuda morre e Kano herda suas crônicas e arquivos. iniciou-se nos mistérios da nãoresistência. da escola Tenshin-Shin’yo-Ryu. Zen-budista.

local da prática do judô. devem ser colocados em um assoalho flexível ou com amortecedores de borracha. a flor da cerejeira com oito pontas. Em conferência realizada em Paris. Denominou as posições normais Shizentai e as dividiu em três posições básicas. para a direita e para a esquerda. 1º Shizen-hontai. denomina-se kuzushi. Com a introdução desse princípio de física. para traz. Tsukure que de imediato se coloca na posição do golpe que se imagina aplicar. Em uma seqüência de aprendizagem perfeita. surgindo naquele ano a máxima “Seiryoku Zen’yo” (o máximo de eficiência com o mínimo de esforço) e “Gita Kyoei” (prosperidade e benefícios mútuos). Esse desequilíbrio. para as laterais. 3º hidarijigotai. 3º Hidari-shizentai. herança da Escola Kito-Ryu. Coincidentemente Jigoro Kano cria os deslocamentos rompendo o centro de gravidade e deformando a posição do corpo humano forçando as mudanças da cabeça através do kuzuchi. A grande preocupação de Jigoro Kano era como projetar sem com isso causar dano. 2º Migi-jigotai. o centro de gravidade do corpo humano que variava com a posição da cabeça. Os desequilíbrios são para frente.80x0. e o Kake que é o próprio projetar. educacionalmente falando. qual seja. Portanto desequilibrando o oponente. posição natural esquerda. O judogui é a vestimenta. Esse desequilíbrio é aplicado em três fases Kuzuchi desequilíbrio que rompe e deforma a postura normal. posição normal fundamental. medem aproximadamente (l. posição fundamental de defesa. explicava que foram criadas uma infinidade de golpes novos e para esses novos golpes foram criadas também novas técnicas de cair as quais denominou quedas amortecidas. Os mais modernos são de plástico e possuem encaixes com medidas variadas. onde tudo está devidamente pensado. Denominou as posições de defesa de Jigotai e que também dividiu em três posições básicas 1º Jigo-hontai. para a direita e para a esquerda. o método se inicia pela estrutura do dojô. rompendo o centro de gravidade para melhor aplicar as golpe. que se constitui de tatames flexíveis para não causar danos no momento das quedas ou qualquer ferimento ou traumatismo. posição de defesa esquerda. a ruptura do centro de gravidade do corpo humano só restava devolver ao corpo a sua postura normal e ao mesmo tempo em que criava uma posição defensiva. Ukemis em japonês. havia determinado pela primeira vez. que é o ponto fulcral das descobertas científicas do método. subdividindo os deslocamentos em oito partes num circulo análogo ao símbolo da Kodokan. feitos de palha de arroz trançado. Naquela época. .CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA FUNDAMENTOS METODOLÓGICO DO JUDÔ O Instituto Kodokan nasce como uma sociedade cultural e sua fase espiritual foi gradativamente se elevando no sentido de atingir a perfeição.95x0. posição natural direita. Demeny na França. que se especializou em kumikata que significa segurar no judogui com a finalidade de deslocar o oponente do seu centro de gravidade para desequilibrado e posteriormente projetá-lo. 2º Migi-shizentai.06m). para a direita e para a esquerda. O Kuzuchi pode ser feito de duas maneiras: usando sua própria força ou usando a força do adversário. posição de defesa direita.

projeções caindo para traz e Yoko-sutemi-waza caindo e projetando para o lado. meditavam. oravam. Se subdivide em: a) Tachi-waza. se caracteriza por imobilizações. NAGE-WAZA. Que se subdivide em três grupos que são: 1º Te-waza. uma vez que já existiam alguns rolamentos sem uma sistemática própria. o intrínseco da cultura estava ali intacto e foi aproveitado desde às vestes até o Dojô. lutavam e amavam.entender a mística é preciso. Katame-waza . treinavam. Os dois personagens das pugnas e treinos no Judô se chamam Tori o que ataca e projeta e Uke o outro oponente que é atacado e projetado.Osaewaza arte das imobili- .arte das projeções. KATAME-WAZA E ATEMI-WAZA. e por ser sagrado deixavam os sapatos fora. uma vez que. Nage-waza .Mae-ukemi para frente e Zenpo-ukemi rolamentos. técnicas de quadril. toda a metodologia é restrita as quatro paredes. estrangulamentos e luxações nas articulações. técnica dos pés e das pernas. local sagrado para usufruir a vida. dormiam. surgindo a brilhante idéia de grupar as técnicas de acordo com as diversas regiões do corpo e com a finalidade de eliminar os saltos e golpes espetaculares. Conforme podemos observar o método está etnologicamente estruturado nada foi buscado fora do seu locus. Os ukemis ficaram assim organizados. vejamos: a taxionomia das técnicas do Judô estão divididas em três grupos diferentes. por isso o judô se pratica descalço. Uchiro-ukemi para traz e Yoko-ukemi quedas amortecidas laterais. técnicas de mão. 2º Koshi-waza. b) Sutemi-waza . usados em outras lutas do Budo. arte de projetar em pé.arte de combate no solo (chão). se subdividem em três grupos . TAXIONOMIA DAS TÉCNICAS A classificação das técnicas no Judô obedeceram uma maneira simples e puramente antropológica justamente porque foi lançado um olhar sobre o homem se movimentando num ambiente restrito do Dojô. permite projetar o adversário no solo. 3º Ashi-waza.CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA FUNDAMENTOS METODOLÓGICO DO JUDÔ Os ukemis foram reformulados e muitos outros criados.técnicas de sacrifício dividida em dois grupos: Masutemi-waza. lá se alimentavam.

urgia que se tornasse a aprendizagem eficiente e que fosse criada uma técnica de ensino ou a didática do método. são técnicas organizadas no sentido de atingir a perfeição dos golpes dos diversos grupos descritos em pé e no solo usados no Judô. O Atemi-Waza não é usado nos campeonatos de Judô. os joelhos. Estava então estabelecida a infra estrutura do método. por exemplo. Vale a pena dizer. conta em suas memórias que na escola de Autos-Estudos da Universidade de Tokyo. Go em japonês significa cinco e kio significa princípio que mais tarde recebe o nome de instrução especificamente para o Gokio. primeiro a marcha natural denominada Ayumi-ashi e Tsugi-ashi com passos sucessivos como que deslizando em forma ritimada e sem perder o equilíbrio. O Gokio é visto normalmente pelo Kodokan como uma Tora-no-maki ou a chave dos estudos das técnicas de projeção. se dedicou em profundidade ao estudo da metodologia e da didática e que importava livros da Europa para ajudar em suas pesquisas. que o inspirou na classificação do seu Gokio.arte de atacar os pontos vitais do corpo. os cotovelos para golpear o adversário. luta em pé. a técnica do ensino que se refere ao aprendizado do andar no dojô chamada Shintai com duas variantes. arte de atacar os pontos vitais com as mãos e os braços e Ashiate. reúne técnicas traumáticas em que são usados os pés. do que uma classificação metodológica. O Uchi-komi são várias entradas sucessivas é um treinamento para aperfeiçoar o Taisabaki e preparar o arremesso das quedas. arte de atacar os pontos vitais com os pés e o joelho. se compõe de cinco instruções. após ter recebido uma remessa de livros em inglês e francês. as mãos. cada instrução se compõe de oito técnicas num total de quarenta. que com a criação do seu Gokio Jigoro Kano pôde organizar as duas principais formas didático-pedagógicas do treinamento do Judô. – Achei! Era nada mais nada menos. Atemi-Waza . Os katas que literalmente significa forma. O Tai-sabaki é a esquiva do corpo entrando e girando para projetar o oponente. A primeira sem dúvida são os ukemis aprendizado das quedas amortecidas de que já falamos.CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA FUNDAMENTOS METODOLÓGICO DO JUDÔ zações. Havia coletado centenas de técnicas e golpes e um dia. É dividido em dois grupos principais : Ude-ate. Shime-Waza arte dos estrangulamentos e Kansetsu-Waza arte de luxações das articulações. Jigoro Kano. o Kata e o Randori. os katas já existiam nas velhas escolas de ju-jitsu e jiu-jitsu eram a forma de codificar as técnicas para servirem como referencial e . essas instruções são uma seqüência de aprendizado sempre com aquisição de conhecimento que vai num crescendo. era um pesquisador perfeccionista colocava o rigor científico na ponta dos seus trabalhos. exclamou:. em seguida foram criados vários sistemas didáticos como. As chaves de braço nas articulações são usadas também em Nage-Waza.

Seryoku Zenyo kokumin Taiiku no Kata forma de desenvolvimento físico contendo a forma de decisão Kime-shiki usado pelas mulheres. Goshin-jutsu-no-kata forma moderna de defesa pessoal. Itsutsu-no-kata forma dos cinco princípios. Katame-no-kata forma de controle (no solo). . uma vez que existe uma estreita correlação entre elas. publicamente. ceder antes. equivalente ao fluxo e refluxo das ondas do mar. Koshiki-no-kata forma antiga. d) O poder. b) não resistência. os dois primeiros katas do Judô por Jigoro Kano. porque continha os cinco momentos do caminho ou da via Do: a) concentração da energia yang força positiva e Yin força negativa. kano dizia que este kata continha o coração do Judô. que é uma saudação mais cerimoniosa. Terminamos a apresentação do método e deste trabalho como soi ser no Judô. ajoelhados. O Randori é um treinamento livre. e) princípio de vida ou força cósmica. maneira encontrada para transmitir esses conhecimentos. c) forças centrífuga e centrípeta. Quando as técnicas são realizadas agachadas ou no solo se denominam Ne-waza. de kito-ryu e Tenshin-Shinio-ryu estudadas por Jigoro Kano e que deram origem ao Judô. começa do nada e volta para o nada (místico). assim classificados : Nagenokata forma de projeção. são os únicos que se denominam Randori-no-kata e fazem parte dos oito katas clássicos do Kodokan. como se fosse uma luta simulada em que se pode utilizar todos os desequilíbrios e projeções possíveis e onde estão engajadas as posturas defensivas e também as técnicas do Katame-waza. com a cerimônia da saudação que pode ser em pé denominada Ritsurei ou em Zarei. principalmente as mais usadas no Randori e no Shiai. Ju-no-kata forma de suavidade. Assim fizeram as escolas de Yoshin-ryu.CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA FUNDAMENTOS METODOLÓGICO DO JUDÔ não se perderem no tempo. Kime-no-kata forma de decisão. lnogai (l995). Em 1908 foram apresentados pela primeira vez. o Nage-no-kata e o katame-no-kata.

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