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UNIVERSIDADE TIRADENTES

MILDES FRANCISCO DOS SANTOS FILHO

OS DIREITOS HUMANOS NA ZONA DE CONTACTO ENTRE
GLOBALIZAÇÕES RIVAIS
Fichamento
apresentado
à
disciplina Teoria dos Direitos
Humanos ministrada pelo professor
Ilzver Matos.

ARACAJU
2015

23-40. incluindo tanto as tendências mais extremistas. Conteúdo fichado “Se a globalização contra-hegemônica do FSM é. p. como as mais moderadas – comporta-se hoje numa região do global chamada. jan. p. Os direitos humanos na zona de contato entre globalizações rivais. v. mas antes como maioritários” (BOAVENTURA. como com algumas características da globalização hegemônica: o pensamento único (seja ele o neoliberalismo ou o islamismo). 2007. Boaventura de Sousa. dando origem a processos políticos e identidades que não se desenrolam como minoritários. a globalização islamista situa-se nos antípodas da globalização contra-hegemônica. põe uma questão de justiça social. como o Sul Global. Natal. Mas a diferença mais significativa do ponto de vista da configuração das zonas de contacto reside em que. em termos gerais. pois. n.1. parece partilhar algumas semelhanças tanto com as utopias modernistas. tanto o Norte Global. que eram modelos fechados de sociedade futura.1 p.”(BOAVENTURA. Esta clivagem põe uma questão nova de justiça. Referência SANTOS. a globalização islamista é u ma e x pressão do Oriente Global contra o Ocidente Global. de orientações políticas dominantes. Aliás. a segunda clivagem.8. Podemos. intrigantemente. põe uma questão de justiça cognitiva.27) “Em muitos destes aspectos. a globalização islamista. a ecúmena jurídicopolítica (seja ela o mercado ou a conversão)./jun. porém. 2007. p. Trata-se. uma expressão do Sul Global na sua luta contra o Norte Global (SANTOS. a crítica do Estado (seja ele o Estado intervencionista ou o Estado laico). 2. entre princípios rivais. entre princípios e práticas. o mundo árabe como uma forma de globalização hegemônica. concluir que se desenham duas contra-hegemonias muito diferentes e até contraditórias entre si. mas é particularmente central no conflito entre a globalização neoliberal e a globalização islamista. no seu sentido mais amplo – isto é. 2006b). ao contrário a globalização do FSM. 2007. sem grande precisão.26-27) “A clivagem entre princípios rivais está presente no conflito entre a globalização neoliberal e a globalização contra-hegemônica do FSM. pois em ambas podemos identificar como alvo. Cronos.”(BOAVENTURA.28) . Enquanto a primeira clivagem. 2007.

”( BOAVENTURA. permite. política. a teologia política relativiza ou põe em causa as concepções de dignidade humana. como ignorantes. a raiz fundadora. particulares. único e singular. efêmero. p.31) “Do lado das culturas e sociedades. residuais. p. Não está em causa a existência de tais classificações. 2007. de viver e de saber desclassificados.33) “A turbulência na relação entre o religioso e o secular. O modo foi autoritário e sempre ao serviço de um projeto de dominação econômica. a busca de uma identidade originária e de um passado glorioso. tudo aquilo que dá segurança e consistência. as opções deixam de ter qualquer sentido na medida em que a única alternativa reside em recorrerão que não tem alternativa. no Estado ou noutra qualquer instituição. 2007. 2007. Pese embora as muitas diferenças entre elas. cuja efetiva realização assenta em institucionalidade secular. p. 2007. substituível. mas sim o modo como foram estabelecidas. entre o imanente e o transcendente. pensamento de raízes. p. inferiores. suficientemente capacitante para fundar um futuro alternativo. segundo os casos. identificar mais um traço comum entre o drama da crise da modernidade ocidental e o drama do islamismo. o da radicalização das raízes. social e cultural. pensamento de opções. formas de ser. entre o sagrado e o profano.”(BOAVENTURA. permanente. pois. A radicalidade desta opção justifica-se pela ideia de que algo profundamente errado terá ocorrido na história para que o passado tão glorioso não tenha impedido a abissal humilhação do presente e o bloqueio total do futuro. dominadas pela modernidade ocidental e.” (BOAVENTURA. está em curso um processo aparentemente inverso.30) “A construção social da identidade e da transformação na modernidade ocidental é baseada numa equação entre raízes e opções. nomeadamente. é visível em ambos o ressurgimento da teologia política conservadora e o autoritarismo transcendente (mas bem imanente) que transporta consigo.37) . do outro. Em ambos. improdutivos. O pensamento das raízes é o pensamento de tudo aquilo que é profundo. Esta equação confere ao pensamento moderno um carácter dual: de um lado.”(BOAVENTURA. o pensamento das opções é o pensamento de tudo aquilo que é variável. Neste caso. possível e indeterminado a partir das raízes.“Estas cinco monoculturas produziram um vastíssimo conjunto de populações. nas culturas e sociedades islâmicas.

não se mostra hábil a proferir respostas satisfatórias para sanar as dificuldades do mundo multicultural. sem exploração. não o Islã. almejando substituir a dominação ocidental por uma dominação oriental. problema que é visto também na concepção tradicional de direitos humanos. A proposta central é pensar que outro mundo é possível. mas uma corrente cristã conservadora. com liberdade religiosa e que respeite os conhecimentos tradicionais. dentre outros fatores. Comentários O artigo “os direitos humanos na zona de contato entre globalizações rivais” problematiza o papel dos direitos humanos na oferta de respostas “fortes” para os questionamentos que assolam os modelos de globalização vigente. multicultural. voltado para a valorização do saber tradicional sem abandonar o conhecimento científico. No Brasil é perceptível o enfraquecimento do espaço público e consequente crescimento da religião. A resposta que subverte a lógica colonial é a contra-hegemônica. que nascem como reação ao caráter colonial. Já a globalização da religião politica decorre de uma reação do países do oriente aos séculos de exploração. Com relação ao modelo de globalização hegemônica. . não demonstra compromisso com o rompimento da lógica de dominação do modelo hegemônico. A globalização hegemônica em sua versão neoliberal vem promovendo um desmantelamento nas estruturas estatais e nos sistemas de proteção aos cidadão. pois apresenta um modelo plural. aberto. um mundo horizontal. A globalização contra-hegemônica tem sua expressão nos movimentos sociais e na reação das vítimas do capitalismo liberal. Diante da precarização das condições sociais surgem projetos paralelos de globalização. Colocando em questão a separação entre política e religião (sagrado e profano). por ser focado na noção universal. todavia.3. com foco no Islã. em constante construção.