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TEXTO 1

Por Paulo Cabaça Baptista
RESUMO
Este artigo que consideramos de tipo filosófico-especulativo e que se baseia, em parte, em
ideias propostas por autores consagrados, devidamente referenciadas, nomeadamente a
premissa central, a de que poderemos estar a viver numa simulação de tipo informático, tenta
trazer um contributo de cinco propostas, que consideramos de caráter inovador e que são:
a)

A de que a ausência de evidências da existência de civilizações extraterrestres consubstancia
uma correlação com a ideia de simulação, conferindo-lhe maior credibilidade.

b)

A discussão de quais terão sido os momentos da história humana real, mais prováveis como
escolha, por parte dos criadores da simulação, para o seu início.

c)

A discussão sobre se fatores externos ao Homem, classicamente considerados naturais,
como as epidemias, os terremotos, os vulcões, etc. foram determinados ab initio pelos
simuladores ou se foram meramente aleatórios.

d)

A admitir a hipótese da simulação como verdadeira, que consequências éticas devemos retirar
dela. Como deve ser o comportamento da criatura inteligente simulada.

e)

E finalmente, discutiremos as implicações pós-morte dos humanos simulados,
ou seja, se e quem deve esperar ser salvo após a morte no universo simulado.
DISCUSSÃO
A) A possibilidade de vivermos num universo simulado é de enorme probabilidade,
sobretudo se nos ativermos às posições de autores como Hans Moravec[1] ou Nick Bostrom. O
segundo autor, aliás, defende num quadro de enorme lógica conceptual que se for possível
criar universos simulados, é estatisticamente muito mais provável que estejamos a viver num
desses inúmeros universos do que no universo real.[2] Sendo uma daquelas propostas que se
encontra nas franjas da ciência ou para lá de sua esfera – uma vez que levando em conta os
critérios popperianos de definição de ciência, dificilmente se poderá demonstrar a sua
falseabilidade – pode contudo acumular elementos que sirvam para lhe conferir um maior ou
menor grau de probabilidade. Por exemplo, descobrir que a velocidade da luz ou outra das
constantes da física do nosso universo é variável através do tempo, poderá funcionar como um
indicador de que a hipótese de simulação é mais provável do que se não existirem essas
variações. Estas poderiam corresponder a ajustes operados na simulação de forma a corrigir
os erros que com o tempo inevitavelmente se acumularão e é melhor adaptá-la aos propósitos
dos criadores da simulação, como, por exemplo, ao aparecimento de vida (simulada). Isto na
versão em que toda história do universo tenha sido simulada, desde o Big bang até a
atualidade.
Um fator que temos de ter em consideração, se quisermos admitir a hipótese da simulação,
é que a entidade computacional simuladora, – chamemos-lhe simplesmente, dada a nossa
ignorância e incapacidade de concebê-la, de máquina – embora o seu poder computacional e
memória, possa ser inimaginavelmente grande, não é infinito. Para a máquina talvez não seja
difícil simular o nosso ambiente, os planetas, as estrelas, as galáxias, os buracos
negros[3] mas certamente não será fácil simular entidades inteligentes extremamente
avançadas, talvez elas próprias com capacidade computacional não muito distante da
capacidade da Máquina.
Uma entidade simulada não pode ter a mesma capacidade da entidade simuladora. Tem de
ser, por força das leis da física, um vasto mar onde navegam as suas simulações, não pode
conter simulações que sejam tão vastas como o próprio simulador. Mas como se relaciona isto
com a existência ou não de outras civilizações na galáxia?

dos quais destacaria Paul Davies no seu recente The eerie silence [14]. eventualmente. há cinquenta anos de um processo simples e barato de civilizações avançadas comunicarem entre si a distâncias de anos-luz. atendendo à potência em watts que se encontra ao alcance dessas civilizações avançadas. SETI[12]e OSETI[13]. Biological evolution is. gorilas ou baleias e golfinhos. diversity and complexity we see today. No seu breve ensaio Are we alone?[9] Paul Davies escreve: There is good evidence that the universe began in a state of featureless simplicity and has evolved over time. Mal a Terra arrefeceu. pelo menos desde os anos 90. deverá existir um conjunto muito apreciável de inteligências que se desenvolveram. É inegável que estas espécies desenvolveram cérebros maiores e mais complexos mais recentemente do que os peixes. pelo menos. Porque não vemos então evidências dessas civilizações? Podemos argumentar que as viagens no espaço são extremamente difíceis. just one more example of this law-like progressive trend that pervades the cosmos. certamente. se não mesmo incentivar. Talvez vivamos não no universo real. os répteis ou as aves. comparativamente menos inteligentes. in a long and complicated sequence of self-organizing processes. após o processo de formação do sistema solar. surgiram na Terra. surgiram diversas espécies dotadas de uma enorme complexidade cerebral. por um processo de evolução convergente. os de sinais ópticos. mostra-nos que as primeiras bactérias apareceram num abrir e fechar de olhos[4]. for me.As leis naturais parecem permitir. Pelo menos algumas delas. muitas vezes. que viveram muito antes deste período[6]. se existem outras civilizações tecnológicas na galáxia. As formas de vida complexa levaram mais algum tempo a surgir[5]. dispomos. Estas duas hipóteses têm levado a programas de busca desses tipos de sinais naquilo que é chamado. num único planeta. mas mesmo os biólogos e evolucionistas que consideram este. o registro fóssil. não podem negar que existe uma tendência para a acumulação de complexidade neural e que paralelamente ao homem. Contudo. mesmo com naves dotadas de velocidades não relativísticas[10]. um fenômeno raro. isso parece fazer crer que nos outros planetas da Via Láctea com condições semelhantes à Terra[7]. a formação da vida. Mesmo que tecnologias avançadas recorram a Sondas de Von Newman[11]. A ausência de sinais de outras civilizações na nossa galáxia parece indicar que simplesmente não existem essas putativas inteligências. já há muito deveria ter sido captado o primeiro sinal. Vários autores parecem refletir essa ideia. poderão deparar com dificuldades práticas ou de engenharia intransponíveis no campo do voo interestelar. O embaraço para estes programas é que atendendo ao número de civilizações que deverão existir na galáxia e. depois do chamado Late Heavy Bombardment. que originalmente poderia estar a fervilhar de vida. Os programas do primeiro tipo têm sido conduzidos desde 1960. outro. é verdade. A ideia de que não existiam formas de vida multicelulares até o Período Cambriano é uma ficção e. os cientistas têm descoberto vida multicelular. mas também esse atraso se deve em grande parte à interrupção desse processo por sucessivos eventos que levaram extinções globais. Um deles é o recurso às ondas de rádio. onde estão elas? A Galáxia é suficientemente antiga para ter produzido essas civilizações e elas a terem colonizado inteiramente. Se assumirmos como verdadeiras estas premissas. Quanto ao aparecimento de inteligência a doutrina divide-se. eles deveriam ser captáveis até pelos aparelhos de radio das nossas casas. confrontamo-nos com um mistério que já tinha sido formulado por Enrico Fermi em 1950 e que comumente se designa por Paradoxo de Fermi – ou seja. existe uma explicação que nos parece mais simples para essa estranha ausência que quase parece violar as leis do universo. sobretudo às enormes capacidades de difusão de sinais que essas civilizações certamente possuirão. respectivamente. mas numa réplica parcial e simplificada . na verdade até talvez mais do que um método. outras espécies altamente inteligentes como os chimpanzés. poderá ser a emissão de pulsações de luz com lasers de grande intensidade. foram capazes de produzir tecnologia avançada[8]. que as quantidades de energia e recursos para fazê-las são proibitivas e creio que é um argumento válido. No entanto. com toda a certeza. Alguns cientistas têm mesmo sugerido que se esses sinais fossem emitidos com o propósito de serem difundidos por toda a galáxia por forma a recrutar civilizações emergentes. Não é difícil concluir que se num processo evolutivo convergente. to produce the richness.

Mas seria extremamente difícil. Em breve os nossos computadores começarão a simular o cérebro de ratos. ou quem sabe. provavelmente. a nós simulados. enorme quando comparada com a velocidade das sinapses do cérebro humano. por exemplo. . Uma simulação desse tipo estaria. ainda assim. Para esse cérebro humano simulado. já que desprovidos de formas realmente avançadas de inteligência. para tentar perceber porque tal aconteceu. a evolução biológica teve de usar as matérias-primas que tinha à mão.desse universo. dez mil anos. também para lá dos limites das leis da física. como já foi sobejamente sugerido pela ficção científica (e mesmo por artigos de hard science). por exemplo. Provavelmente cada espécie interessar-se-á mais pelo seu próprio passado. produzam enormes quantidades de universos virtuais parcelares que nos parecem complexos. consiga converter sistemas solares inteiros em Cérebros Matrioska (Matrioska Brains) como os propostos por Robert Bradbury[18]. que ele poderá explorar e manipular. simular civilizações e entidades que. por muito complexa que seja não é infinitamente complexa. as leis da física. sobretudo na velocidade do seu processamento. Não nos parece haver qualquer obstáculo a que os processos cognitivos e de consciência usem como suporte silício ou qualquer outro meio usado por uma tecnologia futura no campo da Inteligência Artificial. até. Muito pelo contrário. Podemos até especular se a simulação não possui uma unidade de resolução mínima. pelo menos tal como as entendemos hoje. no futuro. Afastando os preconceitos religiosos ou metafísicos. mas poderá também limitar-se ao computador e viver num mundo virtual criado para ele. um cérebro humano simulado poderá ser colocado num corpo artificial e dessa forma interagir com o mundo exterior. Se formos capazes de ir adicionando outros cérebros simulados a essa realidade virtual. A seguir poderemos optar. ostrans-humanos serão considerados uma espécie de aristocratas desse novo mundo. depois. em analogia com o pixel. Talvez estes cenários só ocorram daqui por mil anos. estará ao nosso alcance simular cérebros humanos[19]. provavelmente sem se fazerem distinções. não existe nenhuma razão para haver qualquer espécie de chauvinismo do carbono como suporte da consciência. mas que para eles serão relativamente simples. pateticamente simples perante o poder de computação e as possibilidades dos simuladores a milhões e até a bilhões de anos de distância de nós. mesmo para a capacidade computacional da máquina. o hidrogênio e algumas mais. talvez. Sendo assim. No que se poderá chamar: uma simulação desse universo na óptica de um dos utilizadores. a realidade virtual em que estará mergulhado parecerá tão real como a realidade que nos rodeia nos parece a nós. mas que podem ter fundamentos tão simples como o estudo da história primitiva das espécies da galáxia. Um simulador desse gênero talvez precisasse ocupar e usar toda a matéria de um universo real para produzir universos simulados contendo tais entidades. Duas formas de vida com origens diferentes conviverão. nos ultrapassam. daí que seja mais provável que sejamos uma simulação criada pelos nossos próprios descendentes. mas também é legítimo admitir que não tenhamos sobrevivido como espécie e que outra civilização extraterrestre avançada faça correr o “programa” da nossa civilização. e dentro de um século. Como dizíamos atrás. não o permitem[16]. talvez mais do que isso e com o advento dos computadores quânticos. a óptica humana. talvez simuladores que ocupem eles próprios Matrioskas Brains no universo real. a simulação do universo que observamos. Nick Bostrom chama a estas simulações: simulações de ancestrais[15]. o que dotaria o tecido do espaço-tempo de uma natureza pontual ao invés de contínua como de fato parece ter. o carbono. o oxigênio. Os descendentes dos humanos originais ou de alguma outra espécie do universo decidiram simular vários cenários e várias civilizações e deixar correr os programas para fins que. Admitindo estas premissas. Assim sendo. quase todas as especulações são possíveis. Muito pelo contrário. estes começarão a interagir uns com os outros e criarão em breve a sua própria sociedade ou rede de cérebros. a tecnologia deverá ser muito mais eficiente na quantidade de informação manipulada e. mas estes mundos virtuais parecerão. que corresponderia ao que na física se denomina por comprimento de Planck[17]. os cérebros de animais mais complexos. por fazer cópias das nossas próprias memórias e personalidades e proceder ao seu up-load nesses ambientes virtuais. e sejamos muito conservadores. o azoto.

As civilizações extraterrestres da galáxia que deveriam existir. já se iniciou – neste século e no próximo. o fosso tecnológico será certamente. o impacto de um meteorito. essa zona da história não é acessível à capacidade de computação da máquina e. é a de que nenhuma espécie é suficientemente louca ou estúpida para se autodestruir e sabe dosear as atitudes egoístas e altruístas graças ao gene egoísta de Dawkins[21] e nesse caso. Contudo. o que será coerente com a ideia de que vivemos num universo simulado. poderá em breve ser redefinidor da nossa história. estejamos a subestimar a possibilidade de nos autodestruirmos com um conflito nuclear global. Estaremos a nós a sobreviver a algo que a espécie humana original não sobreviveu? Poderá. Um evento. parece não existir tal como vimos atrás. Não parece. com uma única espécie inteligente. a difusão de uma epidemia fatal. Assim. prever uma revolução nas biociências – que. “desligar a máquina” pura e simplesmente poderá ser considerado como uma espécie de sacrilégio. por exemplo. facilmente. como as hipotéticas Esferas de Dyson[20] ou os mencionados Matrioshka Brains. os criadores da simulação poderão querer observar a evolução que a humanidade original teria seguido caso não se tivesse autodestruído. Não detectamos nas nossas observações astronômicas vestígios de Astroengenharia em grande escala. milhões de anos. nós poderemos ter superado a prova que a humanidade original falhou. a erupção de um supervulcão. não nos poderá ser vedado. a revolução da computação com a sua extraordinária progressão geométrica. sem dúvida podemos afirmar com alguma segurança que aquilo que mais alterou a nossa vida foi toda a revolução industrial operada a partir do final do século XVIII e especificamente. e como vimos. mas atendendo à natureza de tudo o resto que é aqui proposto. segundo muitos especialistas. Para os propósitos da simulação parece bastar um universo estranhamente pobre. um evento que esses especialistas denominam de singularidade tecnológica. de que nós somos apenas uma simulação. Outra hipótese que podemos considerar. Estatisticamente é praticamente impossível que estejam à nossa frente apenas mil. na história humana real. O universo em que vivemos é um universo que apenas pretende simular a nossa civilização. que ultrapassa a própria previsão de Gordon Moore[22]. porque isso é quase nada em 13 mil milhões de anos de história da galáxia. Poderá tratar-se de um evento catastrófico natural que tenha levado à extinção precoce da nossa civilização. Ou talvez. que tenha sido definidor para a nossa espécie. Agora. seja o que for que é definidor da história da nossa espécie ainda está para acontecer. mais uma vez. como tal. Isso em si. Não nos chegam os seus sinais eletromagnéticos. uma explosão de raios gama próxima. Podemos também. Talvez. pois. também é interessante e poder-se-ão retirar conclusões de tal asserção. ela abstém-se de criar. É no campo da computação que certamente. não estejamos a seguir exatamente o mesmo percurso da história humana original. nas últimas sete décadas da nossa história. de pelo menos. tornando-nos como tal uma experiência tão interessante que do ponto de vista dos criadores da simulação. não o poderemos saber de antemão. mais interessante ainda: como estamos a viver num programa de simulação da história humana. provavelmente parte da nossa história e não a nossa interação com outras espécies da galáxia. devemos esperar as transformações mais radicais da nossa civilização. quase de certeza já deviam ter alcançado esse nível de tecnologia. Se existem. mas cremos que por mais extraordinária que seja dificilmente originará algum tempo de evento que transforme ou extinga a espécie humana ou que faça pelo menos desaparecer a sua memória. a razão mais simples é a de que pura e simplesmente não existem. não sendo nós dotados de capacidades proféticas. outros jogadores mais complexos que tenham entrado em jogo na história humana real. Podemos eventualmente concluir que este período da história da nossa espécie – que tentaremos definir adiante – é especialmente interessante para os responsáveis pela simulação. nem qualquer outra manifestação da sua tecnologia. Talvez nos próximos anos ou séculos tenha sucedido algo no universo real. com o fim da guerra fria. O que poderá ser. especular livremente. aliás. que os diretores ou criadores da simulação estejam preocupados em reproduzir uma situação de contato que se tenha dado no universo real. Esse momento está intimamente relacionado com a capacidade que os computadores terão de . a humanidade real não ter sobrevivido à Guerra fria? Nessa hipótese. etc. e a admitir todas as premissas que foram sendo enunciadas. dez mil ou mesmo cem mil anos.

será um evento redefinidor para nossa civilização não é apenas alicerçada no alcance filosófico da questão. a partir dos quais a simulação correria livremente. Essa eventualidade não é apenas do reino da ficção científica. por exemplo. restaria restaurá-la virtualmente através da escassa informação que tivesse sobrevivido em algum tipo de arquivo. expressão tomada de empréstimo à astrofísica. ou pela descoberta de um vestígio de Astroengenharia através de um telescópio-satélite de infravermelhos. mas em algo mais mundano: a possibilidade de o homem ser substituído como espécie dominante no planeta. proveniente de algum sistema solar próximo. deixando revelar a natureza dessa longínqua humanidade. o universo simulado em que vivemos inicia-se com o Big Bang ou. o que invalida de imediato o começo de qualquer simulação numa data anterior a 100 . Ou seja. Teríamos então. a emergência da Inteligência Artificial. naturalmente. Assumimos aqui claramente a terceira hipótese do artigo de Nick Bostrom[25]. nas próximas duas décadas de um sinal de rádio inteligente. mas tem sido profetizada por muitos cientistas e futuristas como é exemplo o perito britânico em cibernética. B) A segunda proposta de discussão que pretendo lançar. num panorama tantas vezes explorado pela ficção científica. um cenário ao estilo dos filmes Matrix e Terminator. Mais assustadora ainda é a possibilidade dessa substituição. parte do pressuposto de que vivemos de fato numa realidade virtual que corre algures nos circuitos de uma máquina. de desenterrar o passado humano pré-singularidade. seriam também arrasadas a sua memória e cultura. Esse momento em que a capacidade do nosso cérebro é igualada e superada por uma máquina é denominado de singularidade. como Robin Hanson[24] e Bostrom Nick sugeriram. Eu. até que muitas gerações de máquinas (máquinas sucessivamente aperfeiçoadas por outras máquinas) depois surgiria uma curiosidade pelas suas próprias origens e uma tentativa. O que teria tornado essa cultura humana tão decadente que os filhos se tinham visto obrigados e destruir os pais? E se a culpa fosse antes dos primeiros antepassados mecânicos e não dos criadores. nós estamos vivendo em algum tipo de simulação limitada ou parcial de antepassados. Algo que dependerá mais do esforço conjunto da programação e da neurologia. por si criadas. A ideia de que a singularidade tecnológica. Claro que a imprecisão ou uma informação apenas lacunar dos arquivos abre a porta para especular sobre a eventualidade de podermos ter muito pouco a ver com a espécie humana original. Eliminada a humanidade e tudo aquilo que ela representava. poder implicar a eliminação do Homem. Sendo impossível a reconstrução material e completa daquela cultura primitiva e frágil que existira há tantos milhões ou milhares de milhões de anos atrás. talvez algum dos que foram recentemente encontrados pela Missão Kepler. contudo. Claro que estas hipóteses. questionarmo-nos sobre a partir de que momento da história real começa a correr a simulação. que podemos chamar de “arqueológica”. apostaria que o perturbante silêncio do cosmos se vai manter. Mas como dissemos atrás. Em conclusão. a que atrás fizemos referência. para caracterizar o fenômeno de desagregação das leis da física que tem lugar para lá do horizonte do evento de um Buraco Negro. Os mais otimistas – posição que consideramos pouco realista – afirmam que na década de vinte deste século o computador alcançará a capacidade de computação do cérebro humano[23]. Seria como que uma necessidade de conhecer o Criador. acreditamos que a finalidade mais provável da simulação seja reproduzir a história humana.simular um cérebro humano. provavelmente. penso que a razão por que não encontramos ainda qualquer evidência de inteligência extraterrestre não é porque exista qualquer tipo de grande filtro. Kevin Warwick. Assumindo então esses pressupostos devemos. com o surgimento do Homem na Terra há cerca de 120 mil anos atrás? Ou ainda. em que a humanidade entraria em conflito com máquinas dotadas de inteligência artificial. esses seres feitos daquela perecível e palpitante matéria orgânica? A única resposta possível era gerar uma ou mais simulações e deixá-las correr livremente. mas porque. mesmo que ainda não são sejam capazes de simulá-lo totalmente. tal como as seguintes. baseada em premissas altamente especulativas poderão tornar-se inúteis e obsoletas com a descoberta. acima mencionado. a partir da extinção do Cretáceoterciário? Todos estes são eventos de charneira na história do planeta que poderiam ter sido pontos de referência. todas elas. num futuro mais ou menos distante.

Poderia ter existido vida inteligente. dos seus antepassados distantes. Galileu. ainda um pouco mais e imaginar certa “nostalgia” ou simpatia das máquinas pelos seus antepassados mais primitivos. Se o acontecimento que os diretores da simulação procuram compreender se localizar. mesmo que o tempo no exterior e no interior da simulação não decorra da mesma maneira e os diretores da simulação. aceitando que fazem correr múltiplas simulações. A dúvida então que subsiste. em que.C. poderá considerar que foi o século I e um muçulmano que foi o século VII – mas é muito mais provável que algo de tão radical ao ponto de poder significar o fim da espécie humana. nunca existiram dinossauros. algures no século V a. Talvez James Watt tenha sido a última personagem existente no universo real original e a partir da sua máquina a vapor. é saber a partir de que momento da pré-história ou da história.C. o intensificar da exploração geográfica e do comércio. De outro modo. uma vez mais. Desta forma. Claro que podemos sempre especular que esse acontecimento tenha tido lugar. entre o século XX e o século XXII. Acreditamos que neste caso. Mas na larga maioria delas devem deixar correr a história sem interferências. apostaríamos no período inicial da Revolução Industrial para o início da simulação. aquilo que é comum denominar de história contemporânea. por exemplo. será seguro defender que a simulação tenha tido início a partir dos finais do século XVIII. Picasso ou Stravinsky não existiram no universo real. e tendo em conta que um percurso evolucionário tem uma componente de mutações aleatórias que não se repete. tenha resultado da humanidade virtual ou simulada. mas cremos que isso teria desvirtuado o propósito da simulação. no universo real. só possa ter tido lugar a partir do século XX. mas a terem lugar. digamos. com o surgimento de toda uma nova e poderosa parafernália científica e tecnológica. ou no século XV d. para compreender a psicologia humana individual. por exemplo. a simulação começa a correr. O período da Renascença poderá ser uma opção. as primeiras máquinas. Estaline. Talvez haja outras simulações onde decorrem vias alternativas da história natural terrestre. por ação da oxidação. com uma maior probabilidade estatística. o que nos coloca. de grupo e universal. será razoável recuar o início da simulação a algum tempo antes desses eventos. que a preocupação dos diretores da simulação é algum acontecimento redefinidor da nossa espécie que terá tido lugar num passado próximo na história humana original. mas podemos especular. entres os próximos decênios e os próximos séculos.mil atrás. em grande parte. mas de um tipo completamente diferente. Adolf Hitler. mesmo os simulados. ou então algures. inícios do século XIX. dificilmente teria existido uma espécie humana original. que Einstein. Esta opção por parte dos criadores da simulação torna-a também muito menos complexa e permite também uma apresentação de resultados muito mais rápida. ou até onde nunca existiram seres humanos. Afinal a simulação. – um cristão. certamente preferirão uma simulação mais rápida desde que não comprometa os seus propósitos. de alguma forma. Poderemos então estabelecer. poderá ser justamente para colmatar essas lacunas de conhecimento também talvez. assumindo estas novas premissas. etc. pois os seres humanos. . produto dos seres humanos simulados. Sabemos que o ferro se reduz a poeira ao fim de alguns milênios. provavelmente será mais fácil para eles obter vestígios arqueológicos de artefatos metálicos. são produto de um conjunto de genes combinados de maneira estatisticamente irrepetível. para usar mais uma vez a terminologia de Nick Bostrom. o nascimento da ciência moderna. sendo exclusivamente nossa. Copérnico. todo o resto que conhecemos. com uma dose razoável de certeza. Talvez. As razões que aduzi para o desinteresse dos criadores da simulação pela história natural da Terra – pelo menos no âmbito desta simulação – servem em parte para afastar a ideia de início da simulação a partir do aparecimento do Homem. o experimentem numas e não noutras. Mas talvez seja difícil para os diretores obter informação sobre este período. não tenham demasiadas limitações temporais. certamente servem outros fins e objetivos. Além disso. Nesse caso a que momento? Depende evidentemente da nossa apreciação da história. Acreditamos. Talvez os diretores da simulação tenham optado por inserir-lhe modelos de algumas personagens da contemporaneidade real. numa dessas simulações. mas também do nível de conhecimento que os diretores têm do passado humano.

pois a admitir que a simulação ter-se-á iniciada a partir da Revolução Industrial. que os torna muito menos vulneráveis ao perecimento. comportar-se? Esta questão já foi abordada por um artigo de Robin Hanson para o Journal of Evolution and Technology[26]. o registro dos eventos históricos multiplicou-se exponencialmente. não foram os da história humana original. no período da Guerra fria. evidentemente. Concordamos. Interessa ver como o homem simulado.Em conclusão. os arquivos históricos terem sido quase totalmente destruídos após a emergência da singularidade tecnológica. se comporta perante esses acontecimentos. encontrar notícia da explosão do vulcão Krakatoa do que. como as epidemias. caso os arquivos tenham sofrido grande destruição. O que nos parece incompatível com simulações de ancestrais que ocorram em futuros realmente distantes. Neste caso. a explosão da bomba atômica de Hiroxima em 1945. e pode mesmo – o que duvidamos – nunca ter chegado a ser lançada nenhuma bomba atômica sobre uma população civil. sobre o Tsunami ocorrido no Oceano Índico em 2004. Devemos ainda referir um último aspecto desta proposta de discussão: se o acontecimento que temos denominado de redefinidor. os furacões. com a psicologia mais próxima possível do homem original. etc. O nosso quadro ético e moral. Com o aparecimento das rádios e. com este Hanson. Se essa destruição não foi total. os vulcões. C) No que concerne aos fatores de tipo catastrófico que não estão na dependência do Homem. parece-nos que se pode apontar como cenário mais provável o começo da simulação a partir da emergência da chamada Revolução Industrial. E por quê? Porque o objetivo da simulação é descobrir como a humanidade original se confrontou com a sua própria história e. ou se salvaguardou parte significativa do arquivo histórico. Em nossa opinião este autor colocou a tônica excessivamente na ideia da simulação ter como finalidade o entretenimento dos criadores da simulação. podemos mesmo pensar que os eventos mais recentes têm mais hipóteses de corresponder a eventos que ocorreram na história original. que se baseia em grande parte em princípios herdados de grandes . Os inúmeros registros acerca dos acontecimentos mais recentes criam uma redundância tal dessa informação. mas eventos introduzidos pelos programadores no código da simulação ou eventos que esse mesmo programa criou aleatoriamente. De forma diferente devemos olhar. Devemos. se. devemos esperar que eventos que aconteceram na história original surjam misturados com outros desenvolvidos pelos programadores de forma a completarem as lacunas do seu conhecimento histórico. provavelmente foi porque o mesmo aconteceu na história humana original. por exemplo. por exemplo. Neste sentido. tiver ocorrido no passado. sobretudo da televisão passaram a existir mais registros de um único dia do século XXI do que de um ano inteiro do século XIX. no aspecto em que dificilmente as concepções morais e éticas dos diretores da simulação terão muito em comum com as nossas. também com as suas próprias catástrofes originais. isto porque com o aparecimento dos meios de comunicação de massa. contudo. Dessa forma. acreditamos que estes eventos poderão ter sido introduzidos no programa de simulação ab initio. na história humana original a descoberta da energia nuclear poderá ter ocorrido vários anos antes ou depois do mesmo evento ocorrer na simulação. e se tal for possível para os programadores da simulação. os tsunamis. porém. Será para os programadores da simulação mais difícil. os terremotos. todos os eventos naturais que ocorreram na história original serão introduzidos na simulação. D) Que consequências éticas se devem retirar da hipótese da simulação e como deve o ser ciente. O quadro de valores e de interesses dos nossos descendentes – que nesse futuro distante serão com altíssima probabilidade máquinas inteligentes – não nos parece muito compatível com ideia de entretenimento como principal motivação para correr programas de simulação de ancestrais ou até pura simplesmente com a ideia de entretenimento em si. ocorreu uma explosão do vulcão Krakatoa em 1883.. portanto. todos os eventos naturais que tiveram lugar daí para frente. simulado. como por exemplo. salvaguardar que os programadores da simulação podem não ter acesso a todos os elementos da história original em virtude de tal como se especulou atrás. por exemplo.

portanto. porque embora possamos ser entidades simuladas e. Nesse caso interessar-lhes-á a forma como tratamos os nossos pais. de vivermos no interior de uma simulação. os nossos corpos e mentes virtuais são capazes de sofrer e como tal. Significa isto que poderemos ou deveremos matar livremente e sem remorsos. Mesmo sendo entidades simuladas. os comportamentos de cada um de nós. concluímos facilmente que o quadro atual. Primeiro. estreitamente relacionado com este: serão esses comportamentos de alguma forma sancionados ou premiados pelos diretores da simulação? E) Poderão aqueles que extinguem ou morrem na simulação. Acreditamos que a vida. o número de parceiros sexuais que temos. o número de interrupções de gravidez levados a cabo pelos membros femininos da espécie. se esta sociedade futura movimenta recursos e energia para simular cenários históricos passados. Devemos. certamente que não. todavia. logo existo”. aparentemente niilístico. Assim sendo. nada terá de comum com o quadro ético de uma sociedade tecnológica a grande distância no futuro e. então será absurdo considerá-la totalmente indiferente ao destino e comportamento do homem. filhos e amigos. reais ou simuladas. ou mesmo se decidimos extinguir a vida de alguns outros membros da espécie humana? Não cremos que essas condutas tenham grande peso para os diretores da simulação. pelo menos no seu conjunto. valerá a pena instituir alguma forma de direito ou justiça. face aos valores de inteligências tão distantes de nós quer no tempo quer na vastidão dos seus intelectos? Um cenário possível será o da indiferença quase total dos criadores da simulação perante os simulados – a clássica analogia com o cenário em que um ser humano se sente indiferente perante o destino de um formigueiro tal o abismo evolutivo que separa as duas espécies. ergo sum” ou “Penso. a forma como tratamos as outras espécies animais e o ambiente. outros membros da mesma espécie? Que deveríamos despenalizar o homicídio ainda que tivéssemos a certeza absoluta de viver numa simulação? Não. ainda que em provavelmente em ínfima escala. apenas complexos programas informáticos. portanto com o dos diretores e ou programadores da simulação.religiões seculares. que traz mais desvantagens para a sociedade do que as vantagens hedonísticas e transitórias que possa trazer para alguns indivíduos isolados. devemos admitir que os diretores da simulação não possam deixar de levar em consideração. Acreditamos ainda que os comportamentos individuais que poderão ser considerados interessantes ou cativantes na óptica dos diretores da simulação são aqueles que têm grande impacto na simulação: aqueles que marcam a história. como espécie. Mas segundo e mais importante: porque sentimos. Mas considerando que o comportamento da espécie corresponde a um somatório e ponderação das condutas individuais dos seus membros. onde aparentemente não existe um propósito. Não precisamos de ser compostos de átomos para existirmos: podemos existir apenas como um conjunto vasto de bits. desenvolver formas institucionais de evitar esse sofrimento. enquadre-se numa simulação ou num mundo real não depende de nenhum tipo de propósito. O comportamento de Hitler será mais importante. uma vez que se tem manifestado como cientificamente errado – basta para isso analisarmos o primitivismo da maior parte das suas cosmogonias – poderá também revelar-se como eticamente errado. porque mais impactou na própria simulação. portanto. Isso leva-nos ao último ponto de discussão deste artigo. E esse instinto de sobrevivência leva-nos à celebração de um pacto social com que possamos proteger as nossas próprias vidas. mesmo que o quadro é apenas aparentemente niilístico. ou seja: serem objeto de algum tipo de up-load para posteriormente . mas do objetivíssimo instinto de sobrevivência. Mas acreditamos nisso. Poder-se-á mesmo questionar se nesse quadro. não deixamos de obedecer à asserção cartesiana de “Cogito. independentemente da moral universal dos simulados. esperar ser salvos numa espécie de além-vida. Por outro lado. Mas poderemos especular sobre qual será então o comportamento mais adequado para nós. tem para nós. independentemente disso ter ou não relevância para os diretores da simulação. para os diretores da simulação do que o de Schindler ou de Aristides de Sousa Mendes.

mas será pouco provável que Hitler conviva em algum paraíso ou inferno virtual com Alexandre. de forma que os ambientes de inferno e paraíso não corresponderiam a nenhum tipo de prêmio ou sanção atribuída às condutas dos simulados – apareceriam talvez até simultânea ou alternadamente com o propósito de se estudarem as psicologias dos eleitos. quer esse impacto tenha sido do ponto de vista da moral universal positivo como no caso de Jonas Salk ou Beethoven ou negativo como Hitler ou Estaline. também com forte probabilidade. se desenvolveram na simulação. e ironizando um pouco. Os mundos virtuais onde essas personagens se movimentariam seriam uma espécie de Big Brother dos famosos da história. acreditamos que dois tipos de cenários são possíveis: ou a personalidade desenvolvida no ambiente virtual é descarregada em algum tipo de suporte físico no universo real – provavelmente algum tipo de robô ou máquina que permitirá a interação com esse universo real – ou a personalidade é simplesmente transplantada para um novo ambiente virtual ou simulação. por exemplo. . poderíamos estar a assegurar a nossa imortalidade com o presente texto. se como defendemos atrás. E quem serão esses eleitos? Pelos critérios que expusemos na alínea anterior. provavelmente lembrando um pouco o mundo do autor de ficção científica Philip José Farmer. ou pelo menos. seriam apenas aquelas que. na sua série Riverworld. Como dissemos atrás. revelem publicamente a sua suspeição de que vivem num ambiente simulado. Não é impossível. certamente. os indivíduos que demonstrem. não acreditamos que os criadores da simulação se guiem pelos nossos padrões éticos e morais. Ao contrário do que acontece nesta série de livros. o Grande. Sendo esta hipótese verdadeira. essas personalidades preservadas. desde a Revolução Industrial. Uma hipótese. aquelas personalidades que têm mais impacto na simulação. na nossa perspectiva. Um pouco como novos tipos de materiais que queremos analisar sob as mais diversas condições. portanto.serem descarregados noutro ambiente? Se resposta for afirmativa. será a de serem premiados com a sobrevivência à morte. Na segunda hipótese podemos imaginar os escolhidos a interagirem uns com os outros numa simulação hostil – uma espécie de inferno virtual – ou num ambiente extremamente favorável à vida – uma espécie de paraíso virtual.

No entanto. e se olharmos suficientemente perto poderemos ver os “pixéis” desta mesma simulação. Isto significaria a existência de uma distribuição não uniformemente em todas as direções. os raios cósmicos deverão ter disponível uma quantidade ilimitada de energia. esta simulação não se pode distinguir da realidade. esta não pode ser infinitamente detalhada. dois componentes são essenciais: o espaço e o tempo. é que poderá existir uma forma de descobrir se estamos ou não dentro de uma simulação megalómana alienígena. poderia ser capaz de simular um falso universo (graças ao seu hipercomputador) com tamanho do nosso. em vez de os atravessar na diagonal. que existem em regiões cada vez mais pequenas. criada por hípercomputadores e seres extradimensionais inteligentes. terão de ser exatamente iguais aos medidos numa área real com precisamente o mesmo tamanho. . Como se simula um universo: Hoje em dia os físicos são capazes de simular. Caso não seja. mas no caso de este ser uma simulação os raios cósmicos terão uma quantidade limitada de energia por “pixel” simulado. Para ser viável. Os cientistas são. existe uma pequena possibilidade (mas real) de que todo o Universo não passa de uma simulação. uma das menores unidades de medida dominadas. no seu todo. Por isso. existem outras regras nos universos simulados. Conclusão: Se o Universo é real. Diferença entre uma simulação e a realidade: Quando se simula um universo. Para tal é necessário um supercomputador. existe a possibilidade de sabermos se estes existem. seja este grande ou pequeno. Contudo. restanos procurar por esses (absurdamente) pequenos “pixéis”. Contudo. para simular uma área de apenas alguns fentómetros (10-15 metros). poderemos acrescentar os detalhes que quisermos. seriamos capazes de medir em que direção fica o “norte”. Os raios cósmicos viajam preferencialmente a direito. à medida que a sua energia aumenta. espaço. Todos os valores relativos a partículas. A boa noticia. uma ínfima parte do universo. se nós (meros mortais) somos capazes de simular um fentouniverso. Assumindo que este universo poderá ser uma simulação (e uma excelente simulação). um ser extradimensional e infinitamente mais avançado. ao longo dos eixos dos pixéis. Em suma. hoje em dia. poderemos mesmo ser capazes de descobrir a orientação dos eixos num universo simulado. tempo e tudo o resto. às quais os raios cósmicos estão obrigados a obedecer. capazes de calcular se essa distribuição é ou não uniforme. através da medição da alta energia dos raios cósmicos. A partir daí. Os pixéis são certamente demasiado pequenos para que nós os possamos observar diretamente.TEXTO 2 Segundo alguns cientistas. energia.

TEXTO 3 Sempre vi como o motivo para a descrença de um religioso fundamentalista na teoria da evolução. o álcool. mas uma simulação gerada em computador por uma civilização altamente avançada. Por que desenvolveram essa teoria? Então busquei a resposta para essa pergunta. pensei como alguém que nela acredita. Mas por que a desconhecemos? Por que teriam os criadores de nossa simulação – que somos nós mesmos – decidido apagar a memória do “jogador”? Qual a diferença do universo simulado. A ideia de que a humanidade é um jogo de alguma civilização avançada me revolta profundamente. Porém não acho que posso continuar essa análise de forma imparcial. para o universo divino? Não se enganem. não estou me convertendo. não a estupidez ou a fé cega. Ainda assim. mas sim o resultado de bilhões de anos de puro acaso. em nenhum momento. muitos deles ainda nos acompanham. Antes deles. que agora penso que podem ser primitivos criadores de universos. nenhum erro científico. Somos fugitivos. E sempre vi tudo isso como uma grande demonstração de covardia intelectual. o haxixe. perguntei o porquê. e sim comparando a teoria de deus. Hoje existem os videogames e computadores. mesmo depois de séculos da descoberta de seu efeito recreativo. fugindo de nossa fuga. confirmando que este Universo é uma simulação. Vivemos inventando fugas artificiais para nossa vida. tínhamos o ópio. que não só cria uma vida. mas é a verdade – sou um religioso do humanismo – esse texto acaba de se tornar uma confissão. Convenhamos que. De. que grande vazio essa descoberta traria. a maconha. Então senti-me religioso. desperdício de inteligência. O que dificulta a solução deste dilema. terem criado esse simulador extremo. até onde meus conhecimentos de leigo permitem identificar. um programa de computador? Que absurdo! Quem esses cientistas pensam que são? Percebi que. investimento e pesquisa. porém em um ambiente tecnologicamente atrasado. semelhança. mas todo um universo. depois de atingirem o tédio máximo em sua própria existência. desde a descoberta do entretenimento. e. nenhuma falácia e. talhado cuidadosamente por um pai amável. Ou seja. pois – e sinto uma dor imensa ao escrever isso. a cocaína. Nada impediria nossos criadores de estarem na mesma situação. De qualquer forma. mencionando a teoria que diz que o universo não é real. Ao terminar de ler. é possível julgar que os criadores desse mundo tenham nos criado a sua. pensei que tudo aquilo era um grande absurdo. mesmo .Simulação ou não. se não imagem. Realizar que o ser humano não é especial. mas a relutância em se ver como um animal. Até que li uma notícia. por um instante. temos os mesmos hábitos e visão de vida. Não há nenhum absurdo. é bom que rezem para que esses (eventuais) seres extradimensionais não desliguem o seu hípercomputador. Eu. este universo é extremamente detalhado e a sua “construção” é diferente do que os físicos têm vindo a sugerir. o LSD. em seu atelier divino. A realidade virtual se tornou tão tediosa quanto à realidade que desconhecemos. com a teoria do universo artificial.

os elétrons. atingindo o papel e permitindo que você enxergue este texto. mas o aceito. o que criou os jogadores? Será que morrem conosco. veria os “zilhões” de elétrons que pertencem ao seu corpo interagindo e repelindo os “zilhões” de elétrons que estão ligados aos átomos que compõem esta revista (ou mouse/teclado). os planetas. portanto. Aceito as descobertas da ciência. a despeito das aparências do mundo macroscópico. não o compreendo ou sequer gosto dele. Se não o tivesse feito. O que leva à inevitável pergunta: será possível que essa coisa enorme que chamamos de “Universo” possa ser nada mais que uma sofisticada máquina de calcular? Seríamos nós. como nós pensamos ser? Será que eles – o “nós” real – já descobriram todos os mistérios do universo verdadeiro – se é que este é verdadeiro e não somente outra de camadas infinitas de simulação – e por isso desenvolveram esse jogo? Quando morremos. mais dúvidas aparecem. se você pudesse dar um megazoom nas suas mãos. Por isso me rendi a deus nesses anos. tenta fugir de novo. A ideia do “nada”. os prótons e tudo o mais. Ao interagirem. e. as galáxias. Os elétrons dos seus sapatos também estão interagindo com os elétrons do chão. do esquecimento. E a coisa segue nessa linha. até porque aceitar ou não. já que nos esquecemos. meros amontoados de bits nessa imensa e aparentemente caótica salada de processamento? É possível que essa coisa que chamamos de “existência” ocorra meramente dentro de uma máquina? Será que o Universo. da forma como o imaginamos. se parecem muito com a dinâmica de funcionamento de um computador. Hoje entendo o suficiente para não temer o vazio absoluto. mas. filhos do nada. que entediado com sua fuga. contudo. Da mesma maneira. ou mesmo morrem? Seriam eles. o Cosmos inteiro está fervilhando de interações entre partículas. contudo prefiro saber a verdade. talvez não tivesse sobrevivido. TEXTO 4 Neste momento. eles mudam algumas de suas características elementares. Até aí. Agora não acho que conseguirei aceitar que sou criatura de um fugitivo entediado. Além do mais. o jogo acaba. todas as partículas do ar em contato com você estão trocando informações com as suas partículas. na verdade não passa de apenas uma ilusão? . me apavorava a infância. quanto mais descobrimos. acredite se quiser. e as respostas ainda mais aterradoras. temos medo de testar? Que grande maldição nós inventamos! As dúvidas são muitas. você pode dar um grande “bocejo” Mas existe algo realmente surpreendente. até o infinito.sabendo que faço parte dessa civilização e sou. ou o jogador morre? E o tempo? E a idade do jogador? E a vida real? Por que não posso parar. se é isso que mais desejo agora? Seria a morte a saída. Essas interações incessantes entre partículas. as estrelas. um jogador – revolto-me contra mim mesmo! Nada foi provado com relação a essa teoria. não muda os fatos. e as partículas de luz emanadas pelo Sol que por ventura entrem pela janela da sala onde você está também vão interagir com as partículas que elas encontrarem pelo caminho – por exemplo. os fótons. A verdade é que. admito meu medo. Só me impressiono ao pensar em como sabemos pouco.

E isso acontece porque. . ao que parece. Ele justifica seu raciocínio com um argumento que soa quase trivial. ao mesmo tempo. Por exemplo.7 bilhões. de quanta informação você pode obter a respeito de uma partícula. o número não impressiona muito. Ora. “Simplesmente por existirem. basta dizer que é o equivalente a 1 seguido por 120 zeros. durante sua vida. Segundo o pesquisador americano. Ninguém ainda conseguiu construir essa “oitava maravilha” da engenharia. Para Lloyd. Se escrito em notação científica. acaba alterando essa partícula. vamos tentar então do modo mais tradicional: 1 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000. não faz sentido para criaturas macroscópicas como nós. muitos cientistas. nos detalhes. Para Seth Lloyd. Hoje em dia. 1090 bits. trabalham para desenvolver os chamados computadores quânticos. E. A grande vantagem desses computadores quânticos é que eles seguiriam as regras malucas próprias da mecânica quântica – que. nos EUA. isso não é basicamente a mesma coisa que faz um computador? Com seus componentes. como o fato de que uma partícula pode estar em vários estados diferentes ao mesmo tempo. transformando-os em outras sequências de zeros e uns. inclusive Lloyd. que pode ser visto como “bits quânticos” (ou “qubits”). Indo ainda mais longe. um elétron. segundo uma lógica que nada mais é do que as próprias leis da física. enquanto uma observação não faz com que ela “defina” seu estado. além de esconder o jogo sobre o conjunto completo de informações de uma partícula. que processariam informações usando como bits o estado de determinadas partículas. aparentemente. ou conhecer uma coisa em detrimento de outra. em tese. tem várias outras maluquices. todos os sistemas físicos registram informação”. ele processa sequências de zeros e uns. de forma que é impossível saber como ela estava antes de ser observada. sofre uma modificação em suas propriedades originais. quando alguém faz uma observação de uma partícula. quando o mais preciso teria sido usar 13. o Universo possui no total.” Claro que. De última mesmo – ela representaria o poder computacional máximo possível. para provar que não está falando besteira.Calculadora universal A resposta é sim. segundo um padrão lógico. a idade mais aceita hoje em dia). o melhor que se pode conseguir é saber mais ou menos todas as coisas. “O Universo é um sistema físico. os computadores quânticos poderiam fazer coisas que os processadores comuns não fazem – e com muito mais velocidade e compactação (uma vez que cada qubit precisaria. A natureza. e usando uma estimativa grosseira da idade do Universo (ele arredondou para 10 bilhões de anos. mas vários dos elementos isolados de um computador assim já foram testados em laboratório com sucesso. não. o buraco é mais embaixo e passa por análises da mecânica quântica – a teoria do comportamento de todas as coisas muito pequenas e que. Lloyd concluiu que o Cosmos. à sua disposição. O segredo da mecânica quântica é que ela é uma teoria que fala de informação – mais especificamente. ele submeteu um estudo à revista científica Physical Review Letters demonstrando essa idéia. No caso quântico. Vale ressaltar que essa coisa de qubits não é fantasia. terá de abdicar da informação da posição. usada justamente para sondar o elétron). o Universo é simplesmente o “computador quântico definitivo”. os famosos bits. de apenas uma partícula subatômica para ser representado). partículas interagem com outras partículas e mudam seu estado. até onde se pode imaginar. explica. Vamos poupar a coleção de zeros desta vez. sabe-se desde 1927 que ninguém pode saber tudo sobre uma dada partícula – se você quiser a velocidade precisa. o Universo não passa de uma calculadora de última geração. não pode ter executado mais que 10120 operações computacionais. Graças a essas regras doidas. Pelo menos segundo um especialista em computação quântica do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Graças ao físico alemão Werner Heisenberg. dá com uma mão e tira com a outra. Lloyd calculou a capacidade computacional do Universo inteiro! Está pronto para ela? Então vamos lá. ao interagir com um fóton (uma partícula de luz.

existirá no futuro. mas as experiências que podemos observar. em todos os seus detalhes. exigiria um computador do tamanho do Universo inteiro. mas Bostrom diz que isso é irrelevante. o que esse cálculo quer dizer é que. esse número pode caminhar rapidamente para uma porcentagem que chega próximo de 100%. Quanto tempo levará para atingir essa proficiência tecnológica ainda é incerto. muito menos é necessário – apenas o que for necessário para garantir que os humanos simulados. Tendo isso em vista.” Poder computacional para obter essas simulações “toscas”. muito mais do que a capacidade exigida. mas também não podemos medir propriedades individuais de átomos que estão nas profundezas do espaço cósmico. seria preciso algo em torno de 1016 operações por segundo. afirma o filósofo. não notem nenhuma irregularidade. Nick Bostrom. A base para acreditar nisso está calcada justamente em trabalhos como os de Seth Lloyd. Para simular uma mente humana. Mas muitos tecnólogos. Objetos astronômicos distantes podem ter representações altamente compactadas: a verossimilhança precisa apenas cobrir a gama estreita de propriedades que podemos observar do nosso planeta ou com naves no sistema solar. com todas as suas sinapses. ou estamos quase certamente vivendo numa simulação de computador”. podem ter muito menos detalhes. ela precisaria ter todo esse poder computacional a sua disposição. reconhece Bostrom. chega até a fazer as contas a esse respeito. ou provavelmente estamos vivendo numa delas. como Ray Kurzweil e Eric Drexler. Não só a mecânica quântica “esconde” algumas das informações. ou nenhuma civilização pós-humana provavelmente terá interesse em executar um número significativo de simulações de sua história evolutiva. segundo muitos tecnólogos. a verdade é que ninguém pode afirmar com precisão qual será o nosso destino: morrer. dependendo da veracidade de outras duas premissas. Um computador quântico que fosse muito grande – do tamanho de um planeta. direta ou indiretamente. interagindo de formas humanas normais com seu ambiente simulado. diz Bostrom. Claro. parece sensato dar igual credibilidade a qualquer uma das 3 possibilidades”. “Mas. futurólogos e filósofos admitem que não é de todo surreal que haja um fundo de realidade (se é que estamos em condição de descrever o que é a “real realidade”) na idéia. “A não ser que estejamos vivendo numa simulação. E. “Simular o Universo inteiro até o nível quântico é obviamente impraticável”. será que é possível que estejamos na verdade imersos numa simulação? Simulando a realidade A premissa ficou famosa pelo filme de ficção científica Matrix. “Ou a espécie humana provavelmente será extinta antes de atingir um estágio ‘pós-humano’. afirma Bostrom. para obter uma simulação realista da experiência humana. completa.3% de probabilidade de que estejamos todos nós imersos numa simulação de computador. será que uma civilização avançada precisaria simular com seu computador quântico um Universo inteiro para nos levar a crer que estamos num Universo? Ou bastaria uma imitação que fosse boa o suficiente? Temos de admitir que não temos acesso a todas as informações do Universo. se uma civilização avançada quisesse simular o nosso Universo inteiro num computador quântico. Simular o Universo inteiro. por exemplo -– poderia executar algo em torno de 1042 operações por segundo. Ele diz que existe nada menos que 33. A estrutura microscópica do interior da Terra pode ser omitida com segurança. muita gente defende que estaremos extintos muito antes que possamos atingir esse estágio. de modo que um computador com capacidade inferior à do Cosmos inteiro seria capaz de simular. no Reino Unido. De toda forma. Por outro lado. das duas uma: ou até lá nossos descendentes terão perdido todo o interesse em rodar simulações de épocas anteriores de sua história. perder o interesse em simulações ou concluir que estamos em uma delas. “Na nossa ignorância atual. nossos descendentes quase que certamente jamais rodaram uma simulação de seus ancestrais. de 1999.Na prática. do Departamento de Filosofia da Universidade de Oxford.” . Se um dia ela for atingida. “Argumento que pelo menos uma das seguintes proposições é verdadeira”.

No entanto. como são isolados do mundo exterior pela intensa força gravitacional. percebemos que há codificação de informações tridimensionais – você pode enxergar o que está “atrás” do objeto. Basta olhar aí para qualquer decalque ou cartão de crédito que tenha aquele holograma colado. Dimensões de realidade Sabemos que o Universo evolui numa marcha que vai de estados mais organizados (cheios de estruturas. tão fascinantes ou perturbadoras como podem parecer. No entanto.E a doideira não pára por aí. dando em seguida a palavra final. talvez sejamos capazes de entender com mais clareza que tipo de realidade o princípio holográfico descreve. se é que descreve alguma. físicos teóricos já depararam com o que pode ser interpretado como uma evidência de que a nossa realidade não é a “fundamental”. Quando os físicos desatarem o nó das supercordas e concluírem a tarefa hercúlea de produzir a chamada “teoria de tudo”. É por isso que os cientistas dizem que a entropia (medida de desorganização) aumenta com o passar do tempo. ou ver partes do objeto que não eram visíveis de outro ângulo. por que não todo o resto? Foi a pergunta que se fizeram o físico holandês Gerardus ‘t Hooft (confira uma entrevista com ele na edição 4 da Sapiens) e o físico americano Leonard Susskind. então onde é que a ilusão termina e a realidade começa?” São perguntas que se somam às outras para questionar racionalmente a certeza. os buracos negros. “A realidade está nos olhos de quem vê. o nosso Universo e a natureza de nossa existência. na verdade. outras perguntas permanecerão: o Universo é um computador? Podemos realmente estar vivendo numa simulação criada por nossos descendentes pós-humanos? Será que somos apenas hologramas em um buraco negro? “Essas questões. tão embutida em cada um de nós. “Se o mundo que experimentamos é um holograma. se os buracos negros podem ser interpretados como hologramas. que não têm a menor idéia de que são meras projeções”. mas está imersa numa realidade ainda maior. diz Krauss. Há até quem diga. “Poderemos talvez nos descobrir como os personagens do holodeck [máquina que cria simulações de qualquer pessoa ou ambiente] da série Jornada nas Estrelas. eliminando a necessidade de uma terceira dimensão. todo nós podemos então simplesmente estar vivendo no horizonte de eventos de um buraco negro. ao mudarmos o ângulo em que observamos. são extremamente controversas”. nem mesmo a luz. cálculos com as teorias hoje disponíveis mostram uma coisa estranha a respeito dos buracos negros. são tidos como os objetos mais entrópicos que existem. O engraçado é que o tanto que a entropia cresce é proporcional à superfície do chamado horizonte de eventos – fronteira que delimita o ponto a partir do qual nada mais conseguiria escapar do buraco negro. que nós não passamos de meros hologramas. com base em estudo dos objetos astrofísicos mais exóticos do Universo. Entretanto. sabemos que o holograma é bidimensional – afinal. É possível codificar toda a informação presente no volume do buraco negro em sua superfície.” . é óbvio que sua entropia deve aumentar. A grande idéia por trás dessa viajem toda é que. quando desenvolveram o chamado princípio holográfico. Quando eles engolem matéria ao seu redor e com isso crescem. como estrelas e galáxias) para estados menos organizados (partículas elementares diluídas uniformemente pelo vácuo). está apenas impresso numa folha. Pior ainda: na forma de hologramas. diz o físico americano Lawrence Krauss. de que sabemos exatamente qual é o nosso ambiente. Hoje em dia. Ali. Isso é exatamente a mesma coisa que acontece quando criamos um holograma. E os buracos negros – objetos tão densos que nem a luz escapa de sua gravidade –. Não ficou emocionado? Então vamos colocar a coisa de outro jeito. Agora. que explicaria todas as forças do Universo.

então isto dá origem à ideia de que os níveis de energia são definidos. o que achamos que é a nossa vida cotidiana é. e que quanto menor for o tamanho da estrutura. em última instância. do inglês quantum chromodynamics). esse tipo de efeito pode tornar todo o estudo científico sem sentido. de acordo com a pesquisa. maior a energia que as partículas podem ter. Até hoje. um físico nuclear da Universidade de Washington (EUA). e envolve cientistas construindo uma simulação do espaço utilizando uma grade ou grelha. Beane falou de seus planos para recriar uma realidade simulada usando modelos matemáticos conhecidos como a abordagem do retículo cromodinâmico quântico (ou retículo QCD. “Se nós somos de fato uma simulação. Mais complexo ainda. na verdade. que dá aula em um curso de filosofia e ciência da computação na Universidade de Oxford (Reino Unido). Os raios cósmicos são as partículas mais rápidas que existem e se originam em galáxias distantes. uma simulação gerada por um computador todo-poderoso. através do estudo da radiação espacial. “Se eles acham que este mundo é uma simulação. mas uma espécie de tentativa de algum tipo de lei artificial que o simuladores criaram”.TEXTO 5 Se você acredita na franquia Matrix. “A teoria parece ser baseada no pressuposto de que ‘supermentes’ fariam as coisas da mesma forma que nós a fazemos”. “Eles assumem que a estrutura final de um mundo real não pode ser como uma grade e também que as supermentes teriam que implementar um mundo virtual usando grades. Nós não podemos concluir que uma estrutura de grade é uma evidência de uma realidade inventada apenas porque as nossas formas de implementação de uma realidade falsa envolvem uma grade”. O “teste de raios cósmicos” foi desenvolvido por Silas Beane. não? Alguns acadêmicos são céticos em relação à “teoria da Matrix”. contesta Millican.De acordo com a revista “Discover”. não? . Elas sempre chegam à Terra com uma energia máxima específica de 1020 de elétron-volts. Ele disse à revista que os “simuladores” que controlam o nosso universo podem muito bem ser simulações eles mesmos. esta ideia pode não ser simplesmente ficção científica: “raios cósmicos” podem revelar que estamos realmente vivendo em um universo simulado. se os níveis de energia de partículas podem ser simulados. houve muitos esforços para descobrir a verdade sobre o universo e a realidade simulada. o filósofo Nick Bostrom apresentou a ideia de que podemos estar vivendo em uma simulação de computador executada por nossos descendentes. porém foi Beane e os seus colegas que sugeriram que um teste mais concreto da hipótese de simulação precisa ser realizado. Como um “sonho dentro de um sonho”. de fato. O professor Peter Millican. também poderia o resto do universo. acredita que ela poderia ser falha. No entanto. Assim. Complexo. afirma. Em 2003. Se. os físicos podem nos oferecer a possibilidade de testar se vivemos em nossa própria Matrix virtual. No ano passado. Eles calcularam que a energia das partículas no interior da simulação está relacionado com a distância entre os pontos da rede. vivemos em um universo simulado semelhante à Matrix. então por que acham que as ‘supermentes’ – que estão fora da simulação – seriam restritas aos mesmos tipos de pensamentos e métodos que nós?”. específicos e limitados por uma força externa. seria uma possibilidade lógica que o que estamos medindo não são realmente as leis da natureza. Se há uma energia específica máxima para as partículas. Beane tem um aviso.

diz. “É uma ideia interessante e é saudável ter algumas ideias malucas. no entanto. às vezes. Fonte: http://hypescience. acrescenta que ele acredita que é benéfico realizar pesquisas para tais teorias.com .O professor. novos e importantes avanços parecerão maluquice à princípio”. Não podemos censurar ideias conforme parecem sensatas ou não. porque.