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CONCRETO PROTENDIDO - Notas de aula - Prof.

Ronaldson Carneiro UFPA/ITEC/FEC (091) 3201 7317

e-mail : ronaldso@ufpa.br
versão4 – outubro/2007

CAPÍTULO I

1.

INTRODUÇÃO.

HISTÓRICO DO CONCRETO PROTENDIDO

1.1 Conceito de protensão
Protensão pode ser entendida como o artifício de se introduzir forças especiais
permanentes na estrutura, designadas por forças de protensão, com o objetivo de
melhorar seu comportamento quando sujeita a ação das cargas externas.
Esse artifício pode ser ilustrado por diversos exemplos. Uma fila de livros não
pode se apoiar em dois pontos porque a resistência à flexão depende das tensões de
tração que não existem entre dois livros. Se aplicarmos, no entanto, com as mãos, uma
compressão, pode-se levantá-la, fazendo-a funcionar como uma viga, como mostra a
Figura 1.1.

Figura 1.1 - Efeito favorável do esforço de compressão.
A fila de livros não
conseque vencer o vão livre sem o auxílio da compressão exercida
pelas mãos

Outro exemplo clássico é o do barril de madeira com percintas metálicas.
Quando as percintas são tracionadas, elas comprimem as peças de madeira que
compõem o barril, criando assim um estado de tensões de compressão de modo a
atender as tensões produzidas pela pressão interna do líquido. A tração nas percintas
metálicas transforma-se em compressão para as aduelas de madeira do barril, como
ilustra a Figura 1.2. Este exemplo é muito semelhante ao funcionamento da protensão
no concreto protendido, ou seja, a tração do aço transforma-se em compressão para o
concreto.

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uma barra de aço com roscas previstas para receber placas de ancoragem e porcas nas extremidades.br versão4 – outubro/2007 Compressão provocada pelo tracionamento das percintas metálicas Percintas metálicas Aduela de madeira Figura.3 – Viga protendida com um sistema de barra rosqueada Na região inferior da viga coloca-se num duto pré-fabricado. posicionado na viga quando de sua concretagem. A tração do aço transforma-se em compressão para o concreto. Com o aperto das porcas. realizada. Ronaldson Carneiro UFPA/ITEC/FEC (091) 3201 7317 Aduelas de madeira e-mail : ronaldso@ufpa. quando tracionado. trata-se de um concreto naturalmente resistente à compressão e artificialmente resistente à tração. tensões de compressão em regiões da peça de concreto que seriam posteriormente tracionadas pelo efeito das cargas externas.2 .Notas de aula .Prof. Portanto. pois acarretam na redução de inércia da peça e na possibilidade de manifestações patológicas.Princípio da protensão aplicado à fabricação de um barril A falta de resistência à tração do concreto leva-o. A bainha (duto) deformada da viga eixo neutro ancoragem e P P contraflecha A’ armadura de protensão placa de aço e porca Figura 1. no caso. pela 2 . 1.CONCRETO PROTENDIDO . após o endurecimento do concreto. Concreto Protendido significa concreto com tensões prévias. para criar no concreto os esforços prévios. pode ser esclarecido com o auxílio da Figura 1.3. Dessa forma. ou seja. surgiu então a idéia de se introduzir. estas representam uma desvantagem do concreto. combater as tensões de tração provenientes do carregamento com tensões de compressão geradas pela protensão. à fissuração. previamente e em caráter permanente. a barra de aço é tracionada e o concreto comprimido. O tratamento mecânico. Embora as fissuras sejam toleradas dentro dos limites previstos nas normas.

Os elementos duto / barra / placas e porcas. como os reservatórios cilíndricos. É a redução das flechas que leva o concreto protendido a vencer grandes vãos com o uso de seções esbeltas. Protensão Carregamento + - = + + - Tensões em AA’ − P Ac ± Tensões resultantes P⋅e Ws . redução ou eliminação das fissuras e contraflecha. A Figura 1. denominada força de protensão.i σ s. a protensão é uma ferramenta excepcional no combate às flechas. e produz tensões de tração no superior evitando o aparecimento de tensões excessivas de compressão no concreto.i = − P ( M f − P ⋅ e) m Ac W s . 3 . Cabe ainda destacar o efeito favorável da compressão.Superposição das tensões devidas à força de protensão P e ao momento fletor do carregamento atuante Com a eliminação da fissuração evita-se a redução de inércia da seção e o consequente aumento das flechas. A excentricidade da força P em relação ao eixo da peça potencializa a compressão na região inferior e produz uma flecha invertida (contraflecha) na peça. conduz a flechas em torno de 25 % das observadas nas peças de concreto armado.3 ilustra o resultado da superposição das tensões proveniente do carregamento e protensão. formam o cabo de protensão. proveniente da protensão. respectivamente. obtida com a contraflecha gerada pela excentricidade da força de protensão. a desvantagem da falta de resistência à tração então desaparece. ficam apenas tensões de compressão. a fim de combater a tração do carregamento.3 .Prof.i Figura 1.Notas de aula . Na seção mais solicitada pelo carregamento. A redução das flechas é.i - + m Mf W s . também. Esta é a grande diferença para as estruturas de concreto armado. Observa-se que a excentricidade do cabo incrementa as tensões de compressão no bordo inferior. O efeito da protensão.CONCRETO PROTENDIDO .br versão4 – outubro/2007 força P. Ronaldson Carneiro UFPA/ITEC/FEC (091) 3201 7317 e-mail : ronaldso@ufpa. seção AA’. denominados no dia-a-dia da protensão de bainha / armadura de protensão / ancoragens. logo. em estruturas que precisem de estanqueidade.

Os fenômenos da retração e. 60 MPa. em 1886. foi aplicado no concreto no fim do século passado. Ainda neste ano surge outra patente de protensão. não atingiram o objetivo pretendido porque a tensão de protensão foi muito pequena para compensar as deformações produzidas pela retração e fluência do concreto.br versão4 – outubro/2007 1.2 Evolução do Concreto Protendido O princípio da protensão. As experiências realizadas.Prof. afrouxou. A primeira proposta no sentido de se utilizar protensão no concreto foi idealizada por JACKSON. por isso não se encontrou uma conveniente e correta explicação para o fracasso da experiência. gerando uma elevada deformação no aço de modo a compensar o encurtamento proveniente da retração e fluência do concreto. análoga ao sistema Freyssinet. em 1928. Para tanto deve-se empregar materiais de alta resistência. diagnosticou a necessidade de utilização de materiais de alta resistência. o alemão M. o alemão DOEHRING usou a protensão na construção de placas e pequenas vigas com fios de aço estirados.CONCRETO PROTENDIDO . Esta simples consideração precisou de cerca de 20 anos para vir à luz. Os fios eram tracionados antes da concretagem das peças estruturais e soltos após o endurecimento do concreto. no entanto. Neste mesmo ano registra a primeira patente de protensão do mundo. aço e concreto. No ano de 1938. principalmente. apesar de ser bastante antigo. No ano de 1907. Em 1940. Freyssinet inventa os dispositivos de ancoragem e os equipamentos de protensão que têm o seu nome e ainda hoje são largamente utilizados no mundo inteiro. HOYER apresenta um novo sistema de protensão ao qual deu o nome de "Stahlsaitenbeton" (concreto com cordas de piano). Em 1888. Foi a primeira proposta para a execução de peças pré-moldadas protendidas. de tal modo que a armadura. introduzindo o termo técnico "precontrainte" para designar o tracionamento prévio de fios de alta resistência (cabos soltos no concreto munidos de ancoragens em suas extremidades). para suportar o elevado nível de tensões a ser aplicado. Foi EUGÈNE FREYSSINET que. na tentativa de reforçar pisos de concreto por meio de tensores. previamente tracionada. fluência de concreto eram pouco conhecidos na época.Notas de aula . A protensão foi exercida através de barras de aço colocadas no interior de uma viga de concreto. anulando as tensões de compressão no concreto. criada pelo Engenheiro belga MAGNEL. 4 . Para o funcionamento da viga idealizada por Koenen seria necessário aplicar uma tensão na armadura de protensão bem superior àquela utilizada no ensaio. KOENEN tenta utilizar a protensão no concreto com interesse em eliminar a fissuraçao visando aplicação em obras ferroviárias. Ronaldson Carneiro UFPA/ITEC/FEC (091) 3201 7317 e-mail : ronaldso@ufpa.

sobre o Rio Tocantins. Em 1952.Notas de aula . com o uso do Concreto Protendido marcando a sua importância no desenvolvimento das estruturas de concreto. com o sistema Leoba. Inúmeras outras grandes obras foram e vêm sendo construídas. LEOBA e DYWIDAG na Alemanha. a ponte do Galeão no Rio de Janeiro. projeta a 1a ponte em balanços sucessivos de Concreto Protendido. ou seja.CONCRETO PROTENDIDO . Em 1950 é executada a 1a ponte ferroviária em Concreto Protendido. novamente projeto de Freyssinet. Ainda em 1948 aplica-se a protensão em reservatórios cilindricos. foi construída no Brasil. no Brasil e no mundo. a protensão pode ser empregada para estruturas com vãos entre 7 e 12 metros. Entre 1948 e 1949 foram patenteados novos sistemas de protensão: MORANDI na Itália. VSL e BBRV na Suiça. 1. 5 . e no Brasil foi executada a primeira grande ponte de Concreto Protendido na América do Sul. projeto de Leonhardt. o que constituiu na época recorde mundial no gênero. Nas estruturas com usuais pode-se relacionar o vão com o sistema estrutural conforme o gráfico mostrado a seguir. com o emprego do sistema Dywidag. a primeira ponte em balanço sucessivo com rótula central.Prof. vencendo um vão de 140 mts. altura de 1. 1/43 do vão.27 mts.3 A protensão nas estruturas A viabilidade (técnica e econômica) da aplicação da protensão nas estruturas de concreto depende do vão. No ano de 1959. Ronaldson Carneiro UFPA/ITEC/FEC (091) 3201 7317 e-mail : ronaldso@ufpa. FINSTERWALDER. Nas vigas: Sistema Estrutural Balanço sucessivo CP Viga contínua de CP Viga isostática de CP Viga Concreto Armado 20 50 60 150 Vão (m) Nas lajes lisas.br versão4 – outubro/2007 O ano de 1941 foi marcado pela aplicação do concreto protendido em estruturas de grandes vãos. Freyssinet projeta a ponte sobre o Rio Marne com 55 mts de vão.

impedir ou limitar a fissuração e os deslocamentos da estrutura e propiciar o melhor aproveitamento de aços de alta resistência no estado limite último". A armadura. como no concreto armado. 6 . logo. trabalhando somente quando solicitada. a viga bi-apoiada. Diz-se que Concreto Protendido é um material naturalmente resistente à compresão e artificialmente à tração. Seja. um sistema de forças aplicado à peça. quando o carregamento atuar. ou seja. é colocada na peça não para receber os esforços.1.Notas de aula . como define o item 3.2 A importância do traçado da armadura de protensão Sendo a armadura de protensão um elemento ativo no concreto.1 O trabalho da armadura de protensão Nas estruturas de concreto armado a tração gerada pelo carregamento é combatida exclusivamente pelo aço face a fissuração do concreto. protendida com o cabo reto excêntrico mostrado na figura 2. A armadura de protensão. Ronaldson Carneiro UFPA/ITEC/FEC (091) 3201 7317 e-mail : ronaldso@ufpa. este torna-se responsável tanto pela tração quanto pela compressão. 2. possível. A ESTÁTICA DO CONCRETO PROTENDIDO 2. destina-se a receber os esforços de tração não absorvidos pelo concreto. com o artifício da protensão. Cabe lembrar que mesmo antes do carregamento existir. ou seja. pois.4 da NBR 6118/2003: "Elementos de concreto protendido são aqueles nos quais parte das armaduras é previamente alongada por equipamentos especiais de protensão com a finalidade de. a armadura é esticada e fixada nas ancoragens criando as forças de protensão. mas sim comprimir e gerar as tensões de compressão necessárias para que o concreto possa absorver a tração a ser gerada pelo carregamento.Prof. sujeita a um carregamento uniforme. em condições de serviço. chamada de armadura ativa. seu posicionamento provoca efeitos diversos alterando sobremaneira a atuação da protensão.br versão4 – outubro/2007 CAPÍTULO II 2. chamada de armadura passiva ou frouxa.1. Nas estruturas de Concreto Protendido a tração é combatida com tensões de compressão obtidas com a protensão no concreto.CONCRETO PROTENDIDO . então.

Em BB’. a protensão em AA’ satisfaz plenamente o objetivo pretendido.Prof. Ronaldson Carneiro UFPA/ITEC/FEC (091) 3201 7317 e-mail : ronaldso@ufpa.i Figura 2.i W s . 2.1 : Viga protendida por cabo reto excêntrico Analisando as tensões na seção AA’. tem-se: Protensão Carregamento + + - Resultado = + + Tensões de tração e compressão excessiva Tensões em BB’ − P Ac ± P⋅e Ws .CONCRETO PROTENDIDO . uma de compressão uniforme e outra produzida pela excentricidade do cabo.i Figura 2.i = − P ( 0 − P ⋅ e) m Ac Ws .2 – Tensões resultante da protensão e carregamento na seção AA’ Tensões em AA’ − P Ac P⋅e Ws .i zero σ s .i = − A protensão está constituída de duas parcelas. Tendo o concreto boa resistência à compressão. tem-se: Protensão + - Tensões resultantes Carregamento - + - = + - + P ( M f − P ⋅ e) m Ac Ws . Nesta seção resulta apenas compressão da combinação protensão e carregamento.i ± m Mf σ s.3 – Tensões resultantes da protensão e carregamento na seção BB’ 7 .Notas de aula .br versão4 – outubro/2007 carregamento A B P e B’ P A’ Figura.

mas também desequilibra as tensões na região os apoios. Cabe observar que o efeito de flexão da protensão. sérios problemas na região dos apoios.4. pois.Notas de aula . de acordo com a variação do momento fletor gerado pelo carregamento. quando este for máximo. Ronaldson Carneiro UFPA/ITEC/FEC (091) 3201 7317 e-mail : ronaldso@ufpa. vigas radias da cobertura do mangueirão. 8 . por meio da excentricidade. o que pode ocasionar uma compressão excessiva no bordo inferior e uma tração no superior.br versão4 – outubro/2007 Sendo o momento fletor zero nos apoios. o cabo ideal é aquele com traçado parabólico. para melhor aproveitamento da protensão. P P emáx l Figura 2. ou seja. a peça fica.Viga com cabo parabólico.e) m Ac W s. seção AA’. para a viga em questão. A excentricidade acompanha a variação do momento fletor O traçado parabólico é o mais comum nas estruturas correntes face a predominância da carga distribuída. neste caso. entretanto. etc.4 .CONCRETO PROTENDIDO .Prof. ficando. onde o momento fletor gerado pelo carregamento é bastante reduzido. cria. tais como sede da AABB. com taxa de carga uniforme. o efeito da protensão. é contrário ao do carregamento. provocada pela excentricidade do cabo. na variação desta parcela. acompanhando a varia’c`ao do momento fletor. para a seção mais solicitada pelo carregamento. Assim. porém. A protensão que. É esta parcela que combate eficientemente as ações. Busca-se com isso minimizar o efeito de flexão na expressão das tensões. mostrada a seguir: σ s.i = − P (Mf − P. apenas com o efeito da protensão. atinge o objetivo. o cabo deve ter a forma do diagrama de momentos fletores gerado pelo carregamento. a excentricidade deve ser máxima e quando for nulo. a excentricidade deve ser zero. como mostra a figura 2. uma vez que o diagrama de momentos fletores tem essa forma.i Portanto. A consideração de fazer o cabo acompanhar a variação do momento fletor tem influenciado a forma de vários projetos arquitetônicos. A solução está.

a protensão deve ser considerada como uma força externa aplicada na região da ancoragem segundo a direção da tangente ao cabo.6. A taxa pp é obtida por equilíbrio com a força P. esta orienta-se segundo a tangente ao cabo. é feito com base no estado não fissurado da estrutura. tomadas.br versão4 – outubro/2007 2. como mostra a Figura 2. Na viga com cabo parabólico.Efeito da protensão no cabo parabólico Sendo a força de protensão axial à armadura. sendo ρ o raio de curvatura da curva que define o cabo. Nos cabos parabólicos as forças radiais atuam perpendicularmente à tangente. Surgem forças radiais. pp . de intensidade P ⋅ ϕ . como indica a Figura 2.3 Esforços gerados pela protensão em sistemas isostáticos O cálculo dos esforços nos elementos protendidos. surgem forças que atuam na direção da bissetriz.5 . Ronaldson Carneiro UFPA/ITEC/FEC (091) 3201 7317 e-mail : ronaldso@ufpa. já em locais onde há mudança brusca de direção. quando aplica-se a protensão. atuando no sentido contrário ao do carregamento externo. resultando em pp = P ρ . de baixo para cima na massa de concreto. tomadas verticais por simplificação.5. sen φ pp P.CONCRETO PROTENDIDO . P φ P pp P. 9 . por simplificação. como verticais. em qualquer seção da viga. a armadura tende a ficar retilínea exercendo uma pressão.Notas de aula . Na determinação desses esforços. cabos poligonais. que equivalem a uma carga distribuída.Prof. cos φ Figura 2. em serviço.

Efeito da protensão no cabo poligonal Na determinação dos esforços gerados pela protensão.Prof. e = y(x) φ x P. Ronaldson Carneiro UFPA/ITEC/FEC (091) 3201 7317 P P ⋅ϕ φ e-mail : ronaldso@ufpa. é a função que define o traçado do cabo. y ( x) sendo y(x) a excentricidade da força normal com relação ao eixo da viga.Esforços gerados pela protensão na seção “x” Para valores pequenos de ϕ .CONCRETO PROTENDIDO . decompondo-se em componentes normal e tangencial à seção conforme o ângulo ϕ . normalmente entre 0o e 20o.6 .Notas de aula . pode-se considerar cosϕ ≅ 1 e senϕ ≅ tgϕ = y ' ( x) . sen φ MP = (P cos φ) .br versão4 – outubro/2007 pp ⋅ s = pp P ρ ⋅ s = P ⋅ϕ P s Figura 2. cos φ P P . os esforços passam a ser determinados por NP = P QP = P ⋅ tgϕ = P ⋅ y . a força P atua segundo a direção da tangente. como indica a Figura 2. sen φ { NP = P.6 . Assim. cos φ QP = P.7. Assim. ( x ) M P = P ⋅ y(x ) 10 . para uma seção distante “x” do apoio os esforços são obtidos por: N P = P ⋅ cos ϕ QP = P ⋅ senϕ M P = (P ⋅ cos ϕ ). y(x) Figura 2.

em que resulta MP= P. dM = P ⋅ y . para cabos corretamente posicionados. assim. Já o diagrama de esforços normais passa a ser constante e igual a P no trecho da peça em que atua o cabo de protensão. passa a ser simplesmente o cabo invertido em relaçãoao eixo com as ordenadas majoradas por P em cada ponto. as relações diferenciais tornam-se válidas. sendo denominado. ( x ) = = p p 2 dx ρ O diagrama de momentos fletores. cada vez mais próxima do exato à medida em que se caminha para o centro do vão.Notas de aula .CONCRETO PROTENDIDO . (x ) = Q dx d 2M P = P ⋅ y . A seguir são mostrados os diagramas de esforços e o carregamento equivalente para o cabo parabólico. onde ϕ = 0 . a) Elemento protendido com cabo parabólico com saída no eixo da peça P P f l P - - Pf DIAGRAMA DE MOMENTOS FLETORES 4Pf l + 4Pf l DIAGRAMA DE ESFORÇOS CORTANTES CARREGAMENTO EQUIVALENTE 4Pf l P DIAGRAMA DE ESFORÇOS NORMAIS pp = 8Pf l2 Taxa de carga: 4Pf l 11 P pp ⋅l2 8 = P⋅ f pp = 8⋅ P ⋅ f l2 . deve ter a mesma forma. Os diagramas citados. de carregamento equivalente. Ronaldson Carneiro UFPA/ITEC/FEC (091) 3201 7317 e-mail : ronaldso@ufpa. ( x ) . com base no modelo simplificado. ou seja.. O diagrama de esforços cortantes é obtido pelo produto da força P pela tangente em cada ponto. y(x). em particular o de momentos fletores e esforços cortantes.br versão4 – outubro/2007 Com a consideração dessa simplificação.Prof. O efeito da protensão pode ser assimilado ao de um carregamento que produza os mesmos esforços. porém sentido contrário ao do carregamento externo que solicita a peça protendida. ou seja. QP = P ⋅ y . Este carregamento. variam de acordo com a posição do cabo na peça protendida.

É largamente empregada na produção de elementos pré-fabricados.0 SISTEMAS DE PROTENSÃO 3. para a viga em questão a contra-flecha é calculada por cδ = 5 ⋅ ( p p − pg ) ⋅ l 4 384 ⋅ E ⋅ I sendo p g a carga permanente mobilizada com a aplicação da protensão. A intensidade da taxa de carga p p ... resulta do momento fletor máximo. a ligação da armadura com os referidos apoios é desfeita e a força de protensão é transferida à peça apenas pela aderência com o concreto. cabeceira ativa armadura pré-tracionada elemento pré-fabricado cabeceira passiva pista de protensão Figura 3.CONCRETO PROTENDIDO .br versão4 – outubro/2007 A forma parabólica do DMF. determinada por: y a f f x tgϕ = 2⋅ f a originada da equação da parábola que define a forma do cabo.1 Concreto Protendido com aderência inicial (armadura ativa pré-tracionada) Concreto protendido em que o estiramento da armadura é realizado antes do lançamento do concreto e ancorada provisoriamente em apoios independentes da peça. 4⋅ f . tgϕ = l 2 a = .Notas de aula . Os valores extremos do DEC são obtidos pelo produto da força P pela tangente ao cabo nesses pontos. 3. logo. No caso. mesma do cabo. Portanto.1 – Processo de execução de pré-moldados protendidos com fio aderente 12 .Prof. Ronaldson Carneiro UFPA/ITEC/FEC (091) 3201 7317 e-mail : ronaldso@ufpa.leva a uma variação linear do esforço cortante. pp = 8 l2 Com base no carregamento equivalente torna-se possível determinar a contra-flecha gerada pela protensão através das conhecidas expressões da Resistência dos Materiais. Após a concretagem e endurecimento do concreto. l pp ⋅l2 8⋅ P ⋅ f = P⋅ f .

Prof. Em seguida. Júlio César (Belém-Pa) ..protensão com aderência posterior 3. colocadas dentro de bainhas. Figura 3.2 – Ponte na Av. ficando ligada ao elemento estrutural apenas nas ancoragens. É o sistema empregado em pontes.Notas de aula . é tracionada após o endurecimento do concreto. como em lajes e vigas de edifícios residenciais. Tem sido muito empregada em elementos estruturais de pequeno porte que não necessitam de um grau de protensão elevado. é realizado após o endurecimento do concreto.br versão4 – outubro/2007 3. dentro de bainhas. a aderência da armadura com o elemento estrutural é obtida pela injeção das bainhas com uma nata ou argamassa de cimento. Tem-se empregado a armadura na forma de cordoalhas revestidas com uma camada de graxa e uma capa plástica (PEAD) extrudada diretamente sobre a cordoalha já engraxada.CONCRETO PROTENDIDO .2 Concreto protendido com aderência posterior (armadura pós-tracionada) Concreto protendido em que o estiramento da armadura. 13 . reservatórios. etc.3 Concreto protendido sem aderência (armadura pós-tracionada) Concreto protendido em que a armadura. Ronaldson Carneiro UFPA/ITEC/FEC (091) 3201 7317 e-mail : ronaldso@ufpa.

br versão4 – outubro/2007 Figura 3. Ronaldson Carneiro UFPA/ITEC/FEC (091) 3201 7317 e-mail : ronaldso@ufpa.Notas de aula . TIPOS DE PROTENSÃO (NÍVEL DE PROTENSÃO) 14 .Prof.3 – Protensão não aderente Figura 3.4 – Lajes e vigas protendidas com cordoalhas engraxadas 4.CONCRETO PROTENDIDO .

CONCRETO PROTENDIDO . A escolha do nível de protensão a ser adotado no projeto refere-se ao comportamento em serviço da estrutura e esta associado ações.Notas de aula .br versão4 – outubro/2007 A NBR 6118 estabelece três níveis de protensão: protensão completa. como indica a Tabela 13. limitada e parcial. à classe de agressividade ambiental e às exigências relativas à fissuração. 5. MATERIAIS EMPREGADOS NO CP 15 .3 da NBR 6118.Prof. Ronaldson Carneiro UFPA/ITEC/FEC (091) 3201 7317 e-mail : ronaldso@ufpa.

etc. execução da protensão no menor período de tempo.Notas de aula . por conta do efeito positivo da protensão na redução das flechas.1 da NBR 6118 mostrada abaixo. 16 . . como indica a Tabela 7. o concreto deve apresentar boa compacidade (baixa permeabilidade) de modo a garantir uma proteção eficiente contra agentes agressivos que levem à corrosão da armadura ativa (corrosão sob tensão). Ronaldson Carneiro UFPA/ITEC/FEC (091) 3201 7317 e-mail : ronaldso@ufpa. b.. 5. d.1 Concreto Deve apresentar resistência à compressão entre 25 e 50 MPa.CONCRETO PROTENDIDO . retração e fluência do concreto. normalmente superiores àquelas obtidas para a situação em serviço. reduzindo o tempo de desforma melhorando o reaproveitamento das formas. c. purgadores. Há diversos motivos para utilização de um concreto de resistência mais elevada: a.Prof. Além da boa resistência.br versão4 – outubro/2007 Além do aço e concreto. são empregados dispositivos complementares como: ancoragens. bainhas. elevadas tensões de compressão por ocasião da aplicação da força de protensão. emprego de seções esbeltas. redução das deformações com conseqüente diminuição das perdas de protensão por encurtamento elástico.

A resistência à tração fctk pode ser avaliada por meio das seguintes equações f = 0. módulo de elasticidade secante (utilizado nas análises elásticas: determinação dos esforços solicitantes.Notas de aula . fck e fctk: resistências características à compressão e à tração do concreto aos 28 dias de idade.7 ⋅ f ct .38 para concretos de cimento CPIII e IV. A resistência à compressão no j-ésimo dia pode ser obtida por { [ f ckj = exp s ⋅ 1 − ( 28 / t )1/ 2 ] }⋅ f ck 28 onde: s = 0. m f ctk . Ronaldson Carneiro UFPA/ITEC/FEC (091) 3201 7317 e-mail : ronaldso@ufpa. Ecs = 0. 5.CONCRETO PROTENDIDO . os seguintes dados têm particular interesse: a.3 ⋅ f ck 2/3 ct . A resistência elevada é garantida com o aumento do teor de carbono e pelo processo de trefilação.1 Aço de protensão O aço empregado no concreto protendido deve apresentar elevada resistência à tração e alto limite elástico. obtido por Eci = 5. s = 0. avaliação do comportamento do elemento estrutural e verificações de ELS).85 Eci .1. Módulo de elasticidade do concreto (Ec). s = 0.sup = 1. c.3 ⋅ f ct .600 f ck .20 para concretos de cimento CPV-ARI. t é a idade efetiva do concreto.inf = 0.m f ctk .1 Tratamentos 17 .br versão4 – outubro/2007 No projeto de estruturas de concreto protendido. expressos em MPa.m . módulo de elasticidade tangente inicial em MPa ( utilizado no cálculo das perdas de protensão). em dias. b.Prof. fckj e fctkj: resistências características à compressão e à tração do concreto no dia da aplicação da protensão.25 para concretos de cimento CPI e II. 5.

5 mm.Notas de aula .br versão4 – outubro/2007 Quanto ao tratamento. São fornecidas em rolos com comprimentos superiores a 600 metros.Prof. fornecidos em rolos. Aço aliviado de tensões ou de Relaxação Normal (RN): aço trefilado que recebe tratamento térmico para eliminar as tensões residuais adquiridas durante o processo de trefilação a frio. há dois tipos de aço: a. Cordoalhas: formada por 3 ou 7 fios enrolados em forma de hélice.3 Propriedades Mecânicas mais importantes O comportamento típico do aço de protensão é mostrado no diagrama tensão x deformação a seguir σ fptk fpyk Ep 2‰ 10 ‰ ε (‰) Figura 5.1. de 3 mm a 5 mm.CONCRETO PROTENDIDO . como. 5. 5. apenas no aço RB. Fios: com diâmetros de 4 a 9 mm. As cordoalhas de 7 fios são encontradas com os diâmetros de 9.2 Produtos O aço de protensão é fabricado com as seguintes formas: a.5 mm. o qual melhora as características elásticas e reduz as perdas de tensão por relaxação do aço. b. Aço estabilizado ou de Baixa Relaxação (RB): aço trefilado que recebe tratamento termomecânico. Ronaldson Carneiro UFPA/ITEC/FEC (091) 3201 7317 e-mail : ronaldso@ufpa. As cordoalhas de 3 fios são identificadas pela quantidade e diâmetro dos fios.Diagrama tensão x deformação do aço de protensão As principais propriedades mecânicas estão indicadas no diagrama e descritas a seguir: 18 .7 mm e 15.2 mm. 3 x 4. b.1 . do aço RN ou RB.1. 12. por exemplo.

no caso. barra ou cordoalha. deve ser especificado a quantidade de fios e o diâmetro de cada fio. Cabe destacar que para os sistemas com aderência posterior (cabos injetados) trabalha-se apenas com as cordoalhas de 7 fios do aço RB de diâmetro 12. fptk . para indicar que é um aço de protensão. Fios: CP fptk RN ou RB kgf/mm2 tratamento Ø L ou E fptk mm Liso ou Entalhado { 145 150 kgf/mm2 170 175 Exemplo: CP 150 RB 8 L b.Prof.4 Designação do aço de protensão A armadura de protensão é designada pelas letras “CP”. as quais indicam o tratamento. das letras RN ou RB.7 ou CP 190 RB 3x3. a designação da armadura de protensào é realizada como segue: a.1.CONCRETO PROTENDIDO .5 – No caso de cordoalhas de 3 fios.2 mm. Dessa forma. e do diâmetro do fio. • fpyk é a resistência característica ao escoamento convencional (tensão correspondente à deformação de 10 ‰ ou à deformação residual de 2 ‰).7 mm ou 15. • Ep é o módulo de elasticidade = 200 GPa. em kgf/mm2. As informações técnicas do aço de protensão pode ser encontrado no catálogo da companhia Siderúrgica Belgo Mineira. o valor da resistência carcterística à tração. L ou E. 5.Notas de aula . apenas na categoria 190. 19 . seguida da categoria do aço. Cordoalhas: CP fptk 2 RB Ø kgf/mm tratamento mm fptk = 190 kgf/mm2 Exemplo : CP 190 RB 12. Ronaldson Carneiro UFPA/ITEC/FEC (091) 3201 7317 e-mail : ronaldso@ufpa. Para os fios há ainda a indicação da conformação superficial.br versão4 – outubro/2007 • fptk é a resistência característica à tração (define a categoria do aço de protensão).