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29/08/2015

Mídia Sem Máscara ­ Um convite à dor do aprendizado
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Ano IX                                                                                                       Sex, 28 de Agosto de 2015                                                                                                      Número 227

Um convite à dor do aprendizado
ESC R I T O  POR   M OR T I M ER   J .   AD LER   |  28  AGOST O  2015 
AR T I GOS  ­  ED U C AÇ ÃO

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Qualquer pessoa que tenha concluído um pensamento, por menor que seja,
sabe que é doloroso. Trata­se de trabalho duro — na verdade, é a coisa
mais difícil que os seres humanos são chamados a fazer. É fatigante, não
revigorante. Se for permitido seguir o caminho de menor esforço, ninguém,
jamais, pensará.

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Uma das razões para que a educação oferecida pelas nossas escolas seja
tão volumosa e insípida é que, geralmente, o povo americano — os pais
ainda mais que os professores — deseja que a infância seja uma época
livre de dor. A infância precisa ser um período de delícia, de alegres
impulsos tratados com condescendência. Devem ser dados todos os
acessos à livre expressão, o que, certamente, é prazeroso, e não se deve causar sofrimento pelas
imposições da disciplina e das exigências do dever, o que é, certamente, doloroso. A infância deve ser
repleta do máximo de brincadeiras e do mínimo de trabalho possível. O que não puder ser realizado por
meio de esquemas pedagogicamente elaborados para tornar o aprendizado em um jogo excitante deve
ser, necessariamente, deixado de lado. Deus me livre de o aprendizado ter sempre o caráter de uma
ocupação séria — tão séria quanto ganhar dinheiro e, talvez, muito mais trabalhosa e dolorosa.
O espírito do jardim de infância, de brincadeira ao estudar, invade nossas faculdades. A maioria dos
estudantes do curso superior experimenta, pela primeira vez, o gosto do estudo como um trabalho duro,
que exige esforço mental e empenho contínuo, quando entra para os cursos de Direito ou de Medicina.
Aqueles que não assumem uma profissão descobrem o que o trabalho, realmente, significa apenas
quando precisam ganhar a vida — isso se os quatro anos de faculdade não os amaciaram a ponto de
torná­los incapazes de conseguir um emprego. No entanto, mesmo aqueles   que,   de   algum   modo,  
recuperam­se   da   vagabundagem   acadêmica   e   aceitam   as responsabilidades e obrigações
envolvidas em ganhar a própria vida — mesmo aqueles que começam, gradualmente, a entender a
conexão entre trabalho, dor e sustento —, raramente, se é que um dia, estabelecem uma conexão similar
entre trabalho, dor e estudo. “Estudo” é o que eles fizeram na faculdade, e eles sabem que aquilo tinha
muito pouco a ver com sofrimento e trabalho.
A atitude, atualmente, de muitas instituições de educação de adultos é, ainda mais, condescendente —
não apenas de coração mole — diante do grande público com que se deparam: um público que teve
todos os tipos e qualidades de ensino. O problema não é, simplesmente, que este grande público tem
sido mimado por qualquer escolarização — mimado no duplo sentido de estar   despreparado   para  
levar   adiante   sua   própria   autoeducação   na   vida   adulta   e   não   estar predisposto a sofrer as
dores por amor ao aprendizado. O problema reside, além disso, no fato de que as instituições de ensino
de adultos infantilizam os alunos ainda mais do que as escolas mimam as crianças. Eles têm
transformado toda a nação — na medida em que a educação esteja envolvida — em um jardim de
infância. Tudo deve ser divertido. Tudo deve entreter. A educação dos adultos deve ser feita tão sem
esforço quanto possível — indolor, livre de fardos opressivos e das tarefas irritantes. Homens e mulheres
adultos, porque são adultos, podem esperar sofrer dores de todos os tipos no curso de suas ocupações
diárias, sejam elas domésticas ou comerciais. Nós não tentamos negar o fato de que cuidar de uma casa
ou manter um emprego é algo, necessariamente, exaustivo, mas nós, ainda, acreditamos que, de alguma
forma, os bens obtidos, a riqueza e o conforto, valem o esforço. Em todo caso, nós sabemos que nada
pode ser obtido sem esforço. Tentamos, entretanto, fechar os nossos olhos para o fato de que o
aprimoramento de uma mente ou a ampliação de um espírito é, no mínimo, mais difícil do que solucionar
problemas de subsistência, ou talvez nós apenas não acreditemos que conhecimento e sabedoria valham
o esforço.
Nós tentamos transformar a educação de adultos em algo tão empolgante quanto um jogo de futebol, tão
relaxante quanto um filme e tão fácil à inteligência quanto um quiz. Caso contrário, nós não estaremos
aptos a atrair as grandes multidões, e o que importa é atrair o maior número de pessoas dentro do jogo
educacional, mesmo se, depois de incluirmo­nas no jogo, elas concluam­no sem passar por nenhuma
transformação. O que repousa por detrás da minha observação é uma distinção entre duas visões de
educação. Em uma delas, a educação é algo externamente acrescentado à pessoa, como as suas
roupas ou algum traje. Nós convencemo­na a permanecer ali enquanto a ajustamos e, ao fazermos isto,
somos guiados pela sua aprovação ou desaprovação, pelo seu próprio senso do que melhora a sua
aparência. Na outra visão, educação é uma transformação interior da mente e do caráter de uma pessoa.
Ela é um material plástico a ser aprimorado, não de acordo com as suas inclinações, mas de acordo com
aquilo que é bom para ela. Por ser uma coisa viva, e não uma argila morta, a transformação pode ser
efetivada apenas por meio de sua própria atividade. Professores de todos os tipos podem ajudar, mas
eles só podem fazê­lo no processo de aprendizado que precisa ser dominado, a cada momento, durante a
atividade do aluno. A atividade fundamental envolvida em todos os tipos de aprendizado genuíno é a
atividade intelectual, a atividade,   genericamente, conhecida como pensar. Qualquer aprendizado
realizado sem pensamento é, necessariamente, do tipo que tenho chamado de externo e adicional —

http://www.midiasemmascara.org/artigos/educacao/16022­2015­08­28­15­40­28.html

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 eleva o espírito. Jonh's College nas cidades dos arredores de Annapolis. Enquanto eles confundem educação com entretenimento. Trata­ se de trabalho duro — na verdade. enquanto eles persistem em puxar tudo e todos para debaixo do mais baixo nível no qual o maior público pode ser alcançado. O sistema escolar que atende à criança mediana. o rádio ou a TV serão capazes de fazer algo verdadeiramente educativo. uma audiência tão grande que as redes não possam dar­se ao luxo de nem mesmo testar programas que não pretendam ser mais palatáveis e prazerosos do que a verdadeira educação pode ser. pensará. todos os nossos convites ao aprendizado. na escola ou fora dela. No entanto. não devemos temer o “estar acima das cabeças do público”. originalmente. estimular algumas pessoas a fazer alguma coisa por suas mentes buscando o conhecimento e a sabedoria do único jeito possível — o jeito difícil. por razões econômicas. atingir. todos estes anulam o primeiro propósito da educação ao pegar as pessoas como elas são e deixá­las. não pretende ensinar a evitar a dor e o trabalho e está sempre lidando com materiais bem acima das cabeças de todos. Se for permitido seguir o caminho de menor esforço. todo mundo está comprando­a. enquanto os chamados diretores educacionais continuam a agir com base em seus atuais falsos princípios sobre nossas principais redes de ensino.html 2/3 . não revigorante. pensarem — e. produzir aquilo que os melhores professores sempre fizeram e que devem. ou homens e mulheres. por menor que seja. tornada disponível se os obstáculos à sua distribuição são. Eu não sei se. que o rádio e a televisão. não nos deixemos enganar sobre o que estamos fazendo. enquanto eles supõem que o aprendizado pode ser realizado sem dor. estimulantes. mais do que apenas relembre conteúdos na sua mente. é se isto pode. Estamos fingindo dar­lhes algo que é descrito nos comerciais como muito valioso. e. de nossas associações de educação de adultos. mas ninguém está dando ou recebendo a coisa verdadeira. devemos prometer­lhes o prazer da realização como uma recompensa a ser alcançada apenas por meio de trabalho duro. mas o qual. ilumina. as instituições de ensino de todos os tipos trabalham na direção contrária. submeterem­se à transformação do aprendizado —. com mãos feridas e músculos doloridos. Eu vi que este é o único tipo de educação de adultos que é genuinamente educativo. seja por meio dos livros.midiasemmascara. Quem quer que passe por aquilo que está acima de sua cabeça condena­a à sua presente baixa altitude; nada pode elevar uma mente. exceto o que está acima da sua cabeça. prevalecem sobre os líderes oficiais em educação do país — os cabeças do nosso sistema educacional. com precisão. devam. Qualquer pessoa que tenha concluído um pensamento. Por certo. e não apenas passivo. O programa possuía duas partes: uma delas consistia em leituras. agora. no “The Journal of Educational Sociology” em 1941. É fatigante. Eu não estou aqui preocupado com a retórica que deveria ser empregada para convencer os americanos de que sabedoria é um bem maior que a riqueza. tanto quanto possível. palestras ou programas de rádio e televisão. por meio do pensamento. simplesmente porque este é o único tipo que requer atividade. não um jogo. pois a coisa de verdade é sempre difícil de dar e de receber. ou pior. Pode ser que não se possa esperar que o rádio e a TV tenham uma visão mais sólida de educação e promovam programas mais substanciais do que os que. dá novos insights. aprofunda a compreensão. em se tratando dos melhores programas “educativos”. do começo ao fim. nós prometemos. não lhes custará quase nada. genuinamente. jamais. sabe que é doloroso. que pense. atualmente. O melhor programa educacional de adultos que já existiu neste país foi um que durou por um curto espaço de tempo debaixo dos auspícios do People's Institut de Nova York. O que eu não sei. merecedora de maior esforço. não na correta. de nossas faculdades. A última parte do programa permanece sendo aplicada pela equipe do St. o tipo de aprendizado que transforma uma mente. quando Everett Dean Martin era diretor e Scott Buchanan era o seu assistente. e que sofra todas as dores de amarrar os próprios cadarços por sua própria conta. também.org/artigos/educacao/16022­2015­08­28­15­40­28. são fraudulentas. como o cinema. simplesmente. os programas educacionais disponíveis no rádio e na TV permanecerão sendo o que são hoje — fraudes e ilusões. o qual costuma ser denominado de “informação”. reconhecidos. as quais. do tipo que tenho chamado de externo e adicional — conhecimento adquirido de forma passiva. em oposição àqueles que são. necessariamente. a coisa verdadeira pode ser. e esta elevação não é alcançada por atração capilar. estar fazendo: a saber. na mesma. e nós estamos conduzindo quatro desses grupos no campus central da Universidade de Chicago. fala fácil para a sua audiência — eles são uma legião; o programa de rádio ou televisão que tenta acertar o denominador comum de receptividade popular mais inferior. Em todo caso. portanto. ainda. Pode ser. entretanto. diante de adultos. em geral.29/08/2015 | globalismo | governo do PT | história | holocausto | homeschooling | ideologia | islamismo | liberalismo | marxismo | media Watch | media watch | movimento gay | movimento revolucionário | nazismo | notícias falantes | notícias faltantes | oriente médio | perseguição anticristã | politicamente correto | racismo | religião | revolução | socialismo | terrorismo  | tortura | totalitarismo | 2012 Mídia Sem Máscara ­ Um convite à dor do aprendizado realizado sem pensamento é. A menos que admitamos que todos os convites ao aprendizado podem prometer prazer apenas como resultado da dor. ninguém. educativos. algum dia. honestamente. serão tão inúteis quanto a pior propaganda autorizada de remédios ou quanto a promessa eleitoreira de colocar duas galinhas em cada panela. não pode ocorrer. em qualquer momento. expondo programas que são. meramente. nada poderemos esperar. Longe de tentar tornar todo o processo indolor. é a coisa mais difícil que os seres humanos são chamados a fazer. Estou certo de que eles servem ao público em dois sentidos: dando­lhes diversão e dando­lhes informação. mas. à metade mais devagar da classe; o conferencista que. Todo mundo está vendendo­a. Publicado. especialmente para educação de adultos. Sem pensamento. no sentido de que os seguir requer do ouvinte que ele seja ativo. Para fazer meninos e meninas. é claro. Eu estou somente insistindo que não há uma via de pompa e de realeza e que nossas atuais políticas de ensino. A “educação” toda revestida em roupagens atraentes é o pote de ouro que está sendo vendido em cada esquina da América hoje em dia. contudo. Tradução: Camila Hochmüller Abadie Revisão: Fábio Salgado de Carvalho Tags: educação | cultura | história http://www. somente podem oferecer conquista às custas do trabalho. não somente devemos deixar o entretenimento para os entertainers e fazer da educação uma tarefa. exatamente. Não somente declaramos que dor e trabalho são os acompanhamentos inamovíveis e irredutíveis do genuíno aprendizado. estavam sempre direcionadas acima das cabeças da audiência; a outra consistia em seminários nos quais os adultos eram ajudados na leitura dos grandes livros — os livros que estão acima da cabeça de qualquer um. mas somente pelo trabalho duro de subir pelas cordas. Eles podem.

 e podem ser reproduzidos com a devida citação da fonte.org/artigos/educacao/16022­2015­08­28­15­40­28. Todos os direitos reservados. Os artigos publicados com assinaturas no MSM são de responsabilidade exclusiva de seus autores.29/08/2015 Mídia Sem Máscara ­ Um convite à dor do aprendizado  RSS   Twitter Copyright © 2015 Mídia Sem Máscara. http://www.html 3/3 .midiasemmascara.