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HISTÓRIA DA PSIQUIATRIA NO BRASIL

Quando o Brasil ainda era uma colônia os cuidados às pessoas enfermas, inclusive os
doentes mentais eram prestados por curandeiros e também por sacerdotes católicos, portanto
tinha um caráter religioso e caritativo. Os médicos formados eram pouquíssimos e a
assistência era precária. Não havia especialistas em psiquiatria e os doentes eram abrigados
nas Santas Casas de Misericórdia, onde ficavam alojados, excluídos da sociedade e não
tratados.
A partir do século XIX a assistência aos doentes mentais tornou-se médica. Os
primeiros hospícios brasileiros datam de 1850, porém, só se tornaram instituições totalmente
médicas a partir de 1881. Já a psiquiatria como especialidade médica só foi consolidada em
1912.
No Brasil surgiu a assistência psiquiátrica pública. Foi inaugurado o Hospital do Rio
de Janeiro como parte da comemoração da maioridade do Imperador Pedro II, que seguiu o
recém instituído modelo francês e serviu de paradigma para os demais que o seguiram. O
prédio era majestoso, mas faltavam recursos eficazes para o tratamento dos doentes. A partir
de então os doentes mentais foram reunidos no Hospício chamado Pedro II, cuja direção
permaneceu, no entanto, confiado aos religiosos da Santa Casa de Misericórdia. Somente em
1881, data da criação da cadeira de “doenças nervosas e mentais”, um médico generalista,
Nuno de Andrade, assume a direção do estabelecimento. Em 1886, Nuno de Andrade é
substituído por Teixeira Brandão, que foi o primeiro médico psiquiatra a ocupar o posto.
Iniciou-se o ensino regular de psiquiatria aos médicos generalistas.
Em 1890, após a instauração da República, o Hospício Pedro II, passa a chamar-se
“Hospital Nacional dos Alienados”, e é separado da administração da Santa Casa para
colocar-se sob a tutela do Estado. Em 1899, o governo Campos Sales impõe drásticas
reduções orçamentárias à assistência psiquiátrica que começa então a degradar-se. Em 1902,
um inquérito no governo Rodrigues Alves, revela que o Hospital Nacional é simplesmente
uma casa para detenção de loucos, onde não há tratamento conveniente, nem disciplina, nem
qualquer fiscalização. Rodrigues Alves decide reformular a assistência psiquiátrica e nomeia
Juliano Moreira o novo diretor do hospital. Sob sua influência em 1903 é promulgada a
primeira Lei Federal de assistência aos alienados. Em 1905, surgem os “Arquivos Brasileiros
de Psiquiatria, Neurologia e Ciências Afins” e, em 1907, a Sociedade Brasileira de Psiquiatria,

ocorreu um aumento importante no número de estabelecimentos destinados aos doentes mentais. instituiu um serviço aberto para o tratamento em regime de pensão livre. o que resultaria em novas práticas. De 1912 a 1920. eram recrutados por apadrinhamento ou por necessitarem de trabalho. havia falta de remédios específicos e a degradação da assistência psiquiátrica pública. O tempo e o espaço do indivíduo eram minuciosamente regulados. A degradação só poderia ser detida com a descoberta dos fármacos psicotrópicos (neurolépticos e antidepressivos) que possibilitaram o efetivo enfrentamento das doenças mentais. sob o comando do psiquiatra. prático e ético. Na assistência previdenciária a hospitalização foi priorizada. liderando uma tentativa de reforma que colocasse o avanço técnico a serviço dos pacientes. Ulisses Pernambucano diferenciou os serviços de psicóticos agudos dos crônicos. Porém.A atenção psicossocial constitui-se como um corpo teórico. Na assistência pública direta houve uma tentativa de ambulatorização do tratamento. relações intrainstitucionais e desta com a clientela e população em geral. com a finalidade de transformar sua conduta estranha e diferente numa atitude de obediência e adaptação à organização asilar. coordenado pelo professor Jurandyr Manfredini. as Comunidades Terapêuticas e a Psiquiatria de Setor surgiram também. A partir da década de 20. porém ainda era mantida a segregação do enfermo e da enfermidade psiquiátrica. que se multiplicou movida pelo lucro. A partir de então outros movimentos reformistas como a Psicoterapia Institucional. hierarquicamente organizados. assim como a manutenção da ordem no interior do espaço asilar. Propõe mudanças em aspectos institucionais. À enfermagem coube a realização do cuidado direto aos doentes mentais e a aplicação dos procedimentos disciplinares que possibilitaram sujeita-los. responsáveis pela vigilância dos internos. O doente era manipulado. A assistência pública se dividiu em dois seguimentos: o patrocinado pelo Estado e o mantido pela previdência social pública. como organização. com Serviço Nacional de Doenças Mentais. Nos anos 50 e 60 os recursos multiplicaram. por um conjunto de agentes (guardas e enfermeiros).Neurologia e Medicina Legal. situação agravada pela ditadura militar e pelo avanço neoliberalista. criou um sistema de educação especial e um serviço de saúde mental. buscando novos embasamentos para o entendimento da saúde mental . Em contrapartida. Os profissionais de enfermagem não eram especializados. Nos primeiros anos da década de 70 iniciou-se um movimento que visava contestar a hegemonia deste saber sobre a loucura. secundada pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e apoiada nos organismos federais e estaduais. Em 1980 propôs-se a Psiquiatria Preventiva Comunitária. . foi criada a Divisão Nacional de Saúde Mental (DINSAN) sob o comando de Hamilton Cerqueira.

Análise Histórica das Práticas de Enfermagem no campo da Assistência Psiquiátrica no Brasil. . MIRANDA-SÁ JR. todos integrados na rede geral de assistência médica e social (integração que se considerava essencial para prevenir a discriminação e exclusão). à medida que fossem instalados serviços de cuidados primários (unidades sanitárias). 2007. Propõe desospitalização dos sujeitos com sofrimento psíquico intenso e o fechamento dos hospitais psiquiátricos. apoiado pelos partidos de esquerda. v. Ribeirão Preto. 5. movimento sanitarista e burocracia sanitária federal. Breve histórico da psiquiatria no Brasil:do período colonial à atualidade. As transformações neste campo passaram a denominar-se Reforma Psiquiátrica a partir do final de 80.enfermagem. 19-30.número especial. Abílio da. separado dos demais campos da saúde. Esta proposta foi atropelada pelo Projeto de Paulo Delgado. Referências Bibliográficas: COSTA.. A ABP preparou um Projeto de Lei para estabelecer o que seria um Estatuto do Enfermo Psiquiátrico que previa a desospitalização progressiva.29(2). 1976. Daniel.I. secundários (nas policlínicas e hospitais gerais) e terciários (hospitais especializados e centros de habilitação e reabilitação).R. Editora documentário. (UNESP-Assis) KIRSCHBAUM.Com o fim da ditadura militar houve uma reação mais eficaz que se deu em três planos:  Plano médico-psiquiátrico: ABP  Plano antipsiquiátrico : agente anarquistas do Partido dos Trabalhadores  Plano tecnocrático: dirigentes de serviços públicos e alguns agentes do chamado Movimento Sanitarista. maio. COSTA-ROSA. no período compreendido entre décadas de 20 e 50. Reforma psiquiátrica e transição paradigmática no interior do estado de São Paulo.D. quando passou a configurar-se como um movimento autônomo . Luiz Salvador de. Rev. por amplas camadas do movimento médico. História da Psiquiatria no Brasil. Rev Psiquiatr RS. p. MONDONI. Jurandir Freire.latino-am.. incentivando a participação de usuários e familiares na gestão institucional.