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FLANNERY O’CONNOR E A VIOLÊNCIA DA GRAÇA

Rachel Watson em 17/04/2015
Para Flannery O’Connor, a graça era uma coisa violenta. Não uma
caminhada solene pelos corredores de uma igreja ou uma oração silenciosa,
mas um estouro. Um confronto. Um suicídio.
Você não irá encontrá-la na livraria cristã, embora você talvez tenha lido um
dos seus contos na faculdade. Seu objetivo ao escrever ficção era claro:
“Meu público são as pessoas que pensam que Deus está morto... Para os tão
surdos que é preciso gritar, e aqueles quase-cegos que você precisa
desenhar absurdos”
Seus personagens são grotescos. Sua voz religiosa é não convencional. Ela é
meu tipo de herói.
Graça Chocante
Quando eu apresento pela primeira vez aos meus estudantes um conto de
O’Connor, sua reação típica é se contorcer ou perguntar incredulamente: O
que eu acabei de ler?
Eu entendo essa reação. É justamente o que a boa e velha Flannery iria
querer. Chocar. Mas ela buscava um choque que levasse ao entendimento.
Então, antes de ajudar meus estudantes a desvendar a história eu lhes
pergunto: O que deve vir antes da graça? Faço essa pergunta, pois a
resposta é aquilo sobre o qual todo conto de Flannery O’Connor se trata: o
momento em que os personagens percebem que necessitam da graça.
Em A Good Man Is Hard to Find esse momento chega quando um famoso
presidiário aponta sua arma para uma senhora idosa. Mesmo que ela tenha
passado a maior parte da história depreciando outros enquanto exalta sua
própria bondade, ela acaba tendo um momento de clareza. Olha para o
criminoso e se lembra de seu próprio filho. Percebe que os dois homens não
são tão diferentes. Ela para de falar. Seu extravagante chapéu cai ao chão.
E entende que não é tão diferente do assassino também. Sua epifania
termina abruptamente, com três tiros no peito:
“Ela teria sido uma boa mulher”, diz o delinquente, “se ela tivesse tido
alguém para atirar nela a cada minuto de sua vida”.
Com essa vertente mórbida, O’Connor lembra seus leitores que a graça é
um chamado ao despertar. Ela carrega uma mensagem dramática: Você não
está bem. Você nunca estará. Você precisa de algo além de você mesmo.
Graça para os Culpados
Quando eu penso sobre a epifania da vovozinha, me lembro de uma música
do artista independente Sufjan Stevens. É sobre John Wayne Gacy, o

Tiago 2:10 me coloca no mesmo grupo que pedófilos e assassinos em série: “Pois quem obedece a toda a Lei. mas Shepherd insiste. pessoas que têm medo de andar com as próprias pernas e entender as coisas por si mesmas. mas ninguém o denunciou. Lembro-me de entrevistar uma prostituta em Los Angeles.” Eu falhei. ele diz quando vê Rufus lendo a Bíblia. No momento que Shepherd percebe seu erro já é tarde demais. 13).assassino em série conhecido por se vestir de palhaço e assassinar mais de 30 rapazes nos anos 70. ela disse.” . Eu preciso da graça. Seu filho havia ido embora. Tudo isso enquanto seu filho sofre sozinho. anos atrás. Jesus contou esta parábola” (v. Qualquer um que peque contra Deus merece a morte. Após a perda de sua esposa ele se aproxima de um jovem delinquente amargurado. 11). Ela disse ter visto um homem ser assassinado certa noite. Todos sabiam quem o havia feito. Shepherd. “Qualquer um que tenha feito uma coisa dessas merece morrer”. Eu sou responsável por tudo. É o que os Fariseus no tempo de Jesus não conseguiam entender. nós precisamos admitir que somos pecadores sujos e imundos que necessitam da graça. The Lame Shall Enter First. Ele o leva para casa. dizendo “Deus. Ele passa o seu tempo bancando o salvador de alguém que não deseja sua ajuda. orgulhoso. Enquanto não vermos a nós mesmos como pecadores. “Esse livro é algo do qual você deve se esconder”. ele se abaixa até o chão e clama: “Deus. lhe compra uma bota nova e lhe fala de todo o seu potencia. Antes de aceitarmos a graça. “É para Covardes. Ela ofende o orgulho de Shepherd e seu intelecto superior. eu te agradeço porque não sou como os outros homens” enquanto o outro homem mal podia levantar o rosto (v. O garoto. tem misericórdia de mim. O fariseu permanece em pé. Ela está certa. não reconheceremos Cristo como Salvador (Lucas 5:31). um ateu confiante. Os últimos versos da música são impactantes: E em meus melhores momentos/ Eu sou igualzinho a ele. Rufus. Qualquer um que faça isso merece morrer. Eu perguntei a ela o porquê. com um pé torto. Você conhece a história. Alguém o jogou pela janela. Dois homens entram no templo para adorar. Graça Ofensiva Em outro conto de O’Connor. Jesus conta uma parábola feita diretamente para seus corações endurecidos: “A alguns que confiavam em sua própria justiça e desprezavam os outros. Em Lucas 18. pérceb que suas boas ações erram no ponto. Ao contrário. mas tropeça em apenas um ponto. e ela me respondeu que o homem assassinado havia abusado de uma criança. torna-se culpado de quebrá-la inteiramente. Ao longo de toda a história. que sou pecador” (v. 9). a graça continuamente ofende. não quer nada com ele.

nós devemos fazer a conexão: o corpo de Jesus foi o último sacrífico de sangue. mas eles eram incapazes de calmar por ajuda. Nenhum de nós poderia morrer como Jesus morreu. A graça é ofensiva. Foram verdadeiros rasgos em sua pele e músculos. quer aceitemos ou não. mas vocês não quiseram!” (Lucas 13:34). antes de sua morte. E mesmo que Shepherd despreze o Evangelho a cada momento. Você é muito inteligente”. ainda sim seria verdade”. Ele viu a enfermidade dos Fariseus também. E Jesus caminhou para esse sofrimento. A graça é cara. Sua morte foi sangrenta pois era o que nossos pecados mereciam. mas ela entendeu a graça. Mas Rufus responde bruscamente. O Desejo de Deus Os Fariseus queriam saber porque Jesus passava tanto tempo com pessoas indignas. Eles têm que ser punidos. pois aponta para as deficiências em cada um de nós. Ele sabia que era profunda. Sem pecado. Sua morte não era meramente simbólica. Isto exige que vejamos nossa nudez e reconheçamos nossa necessidade. Jesus lhes disse que era porque eles estavam doentes e precisavam de um médico. Flannery O’Connor pode ter escrito histórias violentas sobre personagens estranhos do Sul. Jerusalém. meus pecados não podem simplesmente desaparecer.Ele assegura a Rufus: “Você não acredita nisso. Ele caminhou para amontanha onde a dor era a promessa. Testemunhar pessoas rejeitar a cura da graça feriu Jesus: “Jerusalém. Ela sabia que nenhum homem era justo até ser revestido de Cristo. Ela é necessária. Ele falhou com seu próprio filho. ele têm um insight nas profundezas de suas próprias falhas. Graça é o que nós precisamos. “Você não sabe nada sobre mim. que mata os profetas e apedreja os que são enviados a você! Quantas vezes eu quis reunir os seus filhos. Ele falhou em salvar Rufus. ele perguntou a Deus se não haveria outra alternativa (Mateus 26:39). Com frequência eu esqueço que por Deus ser justo. Traduzido por Bruno Mori Porreca . Ele é aquele que precisa de um pastor (shepherd em inglês). O substituto perfeito. Graça Cara Ainda mais ofensiva que nossa necessidade da graça é o quanto ela é custosa. Mesmo que eu não acreditasse. Sua agonia emocional foi tão intensa que. como a galinha reúne os seus pintinhos debaixo das suas asas. E Deus deseja que admitamos nosso problema e abracemos Sua solução. você. Quando nós lemos sobre os incontáveis animais sacrificados no Antigo Testamento.