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CINCO PRINCÍPIOS DA NOVA MORAL SEXUAL

Por Alastair Roberts em 15/08/2015
O sociólogo Mark Regnerus publicou recentemente o resultado de uma
pesquisa para o Witherington Institute, sugerindo que o apoio a uniões do
mesmo sexo em certos círculos cristãos está correlacionado a baixos
padrões morais sobre sexualidade e relacionamentos. Aos vários
participantes da pesquisa foi perguntado seu nível de concordância com
sete declarações relacionados a temas como pornografia, coabitação, sexo
sem compromisso, o dever de permanecer casado, sexo extraconjugal,
relações de poliamor e aborto. Os resultados ilustram uma pronunciada
distância entre aqueles comprometidos com a fé cristã histórica no quesito
da moralidade sexual e os defensores da união homoafetiva.
Como cristãos conservadores, nós sempre vemos esses dados e os
encaixamos em uma ou outra das seguintes narrativas: a narrativa da
rejeição da moralidade e a narrativa do caminho perigoso. Eu estou
convencido que ambas as abordagens simplificam demais a questão e
obscurecem a realidade.
Dentro da narrativa da rejeição da moralidade, aqueles que abandonam
uma posição cristã ortodoxa sobre a moralidade sexual, acabam rejeitando
toda restrição externa e toda norma moral e ficam sujeitos somente aos
desmandos de sua natureza pecaminosa. Como as estrelas de suas
constelações morais são eliminadas do céu, eles navegam pelo abismo,
guiados penas pela luz sem princípios de sua própria vontade, fazendo
apenas o que é certo a seus próprios olhos. Deveria nos surpreender que
estas pessoas sejam fortes defensores do aborto e do sexo fora do
casamento?
Para a narrativa do caminho perigoso, existe uma tendência inerente ao erro
e, no decorrer do tempo, a rejeição da verdade bíblica em uma área irá
levar a rejeição em várias outras. Esta narrativa é empregada por aqueles
que acreditam que a defesa da união homoafetiva irá eventualmente levar a
defesa da poligamia, incesto, pedofilia e bestialidade. Mesmo que a
moralidade bíblica não seja abandonada de uma vez, será gradualmente
minada. Aqueles que defendem a narrativa do caminho perigoso sempre
apresentam evidências empíricas para ilustrar o contínuo abandono da
verdade cristã entre aqueles que tomaram um primeiro-passo precipitado.
Elementos da Verdade
Ambas as narrativas contém elementos da verdade. Em muitas das
mudanças morais que nós estamos testemunhando um status privilegiado é
atribuído ao indivíduo, e ele é empoderado para rejeitar várias autoridades
superiores ou direcioná-las para suas tendências. Nós também
frequentemente observamos a e(in)volução do compromisso moral ao longo
do tempo, percebendo como, ao puxar um pequeno fio, todo um novelo de
lã se desenrola.

nós temos o dever de cuidar para que nós realizemos e expressemos nossos desejos e identidades sexuais. intrínseca a nossa identidade. Os elementos de verdade nas duas narrativas podem ser mantidos. a oposição a certos atos pecaminosos. Em terceiro lugar. Eles não se relacionam a nenhuma ordem natural profunda. nossa sexualidade é uma sensação subjetiva. um com raízes profundas na tradição filosófica liberal. Relações sexuais são parcerias mutuamente enriquecedoras. são duas posições cristãs em tensão com esse princípio de moral sexual. antes de demonstrar. seremos incapazes de oferecer respostas para ela. Sexo “semsentido” é uma possibilidade genuína. Existe muito pouca evidência para apoiar a idéia de que defender a união homoafetiva irá conduzir a defesa de coisas como a zoofilia ou a pedofilia.Mas há problemas também. agentes sexuais são indivíduos autônomos. com tudo o que isso implica. mas a mudança para um novo sistema moral. Na verdade. portadores de direitos. mesmo que isso implique medidas como a cirurgia de mudança de sexo. Seu significado é meramente construído pela sociedade e as pessoas envolvidas nela. que a rejeição da posição A irá eventualmente levar a apoiar a posição B. Antes de invocar a simples amoralidade. especialmente aqueles envolvendo abuso coercitivo. Defensores da narrativa do caminho perigoso sempre pressupõem. Até nós entendermos essa nova moralidade em seus próprios termos. A narrativa da rejeição da moralidade não faz justiça ao fato de que muitos dos que abandonam a moralidade cristã ortodoxa não o fazem por uma voluntariosa anarquia moral. e mesmo fortalecidos. Como membros de uma sociedade. ou a expectativa de que uma pessoa permaneça casada pelo resto de sua vida (mesmo que isso seja sexualmente frustrante). quando consideramos que a mudança que estamos observando hoje não é o abandono da moralidade. pode até ser intensificada. a moralidade cristã não é só errada. que nós devemos honrar e evitar violar. e seus princípios de base servirão como fermento para a massa de nossa compreensão moral. Em segundo lugar. nós também temos o dever de garantir que a identidade sexual de nosso próximo seja afirmada e garantida. Contanto que não causemos mal a outros. os atos sexuais não possuem significado ou propósito intrínseco. Oposição ao sexo fora do casamento. é imoral. Este novo sistema moral é pouco coerente. Relações apropriadas pressupõe que os parceiros são iguais em posição e . Cinco Princípios-Chave A seguir veremos algumas das noções principais da nova moral sexual e relacional: Em primeiro lugar. As relações sexuais entre um homem e uma mulher não necessariamente envolvem o significado natural de fazê-los “uma só carne”. ele pressiona afirmações morais contra a ética sexual e relacional cristã: para esse sistema moral.

sempre nos falta recursos para apresentar princípios desafiadores a ela. uma trincheira contra uma invasão de princípios que nós não temos meios de neutralizar. Mas o cristianismo sempre tem sancionado certas formas de relação sexual e condenado outras. Quando os defensores da ética cristã opõem-se ao relacionamento consensual entre pessoas do mesmo sexo. Muitos desses limites foram colocados pelo bem dos filhos. Esses princípios brotaram da tradição liberal e de sua definição de pessoa. relações sexuais deveriam ser libertas de qualquer restrição ou vigilância social. tem uma visão alternativa muito mais persuasiva e substancial a nos oferecer. formas tradicionais de casamento podem causar desconforto. O “não farás” da autoridade bíblica é posto como nada mais que a última resistência. As Escrituras. Enquanto o casamento garantir o reconhecimento público e a afirmação do casal. uma que pode nos vacinar contra essa falsa moralidade. de quaisquer normas ou estigmas. “dado livremente” é a palavra-chave das relações sexuais.não há diferença significativa de poder entre eles. Para aqueles que desenvolveram esse princípio. ao invés da preservação do mal. Em quarto lugar. e nenhum casal deveria ser obrigado a se casar. Num primeiro momento eu questionei as narrativas típicas usadas para explicar essas mudanças – a narrativa da rejeição da moralidade e a narrativa do caminho perigoso. Quando o relacionamento entre duas partes é consensual. pouca ou nenhuma objeção pode ser levantada contra ela. nossa economia e nossa ética social. fortalecendo o poder masculino para o amor e serviço responsável ao invés de apresentar homens e mulheres como indivíduos autônomos com poder igual de barganha. Como as suposições por trás dessa nova ética sexual são tão difundidas em nossa sociedade. eles violam esse fortemente mantido princípio e ameaçam tanto os direitos quanto as identidades de outros agentes sexuais. esperando exclusividade e compromisso por toda a vida. economicamente. e mesmo em muito do cristianismo conservador. Apelo Instintivo É imperativo que entendamos o apelo instintivo desses princípios morais para a maioria das pessoas em nossa sociedade. Eles também estabelecem limites às escolhas sexuais do indivíduo e do casal. por exemplo. Modelos conjugais tradicionais geralmente reconhecem algum grau de desigualdade de poder entre marido e esposa (fisicamente. socialmente). por outro lado. tratando a sexualidade como questões de domínio público e comunitário e assim contrariando esse princípio também. Eu sugeri que uma análise cuidadosa da . cada um deveria ser livre para praticar a forma de casamento que lhe aprouver. Em quinto lugar. mesmo à custa de seus desejos sexuais privados. que pela natureza de sua existência misturam conceitos liberais de pessoa e relações sociais. por estarmos tão envolvidos neles. uma tradição que influenciou amplamente nossa política.

assim como as posições sob ameaça. nós vimos à substituição da moralidade cristã por uma forma alternativa. Quando nós entendemos que a mudança está ocorrendo através da mudança gradual desses princípios em um novo sistema moral. que parece envolver violência. Contudo. diferença significativa de poder e a falta de capacidade para o consentimento informado. Traduzido por Bruno Mori Porreca .nova moralidade poderia nos prover com um quadro mais iluminado. a lógica ficará clara. Agora nós estamos na posição de fazê-lo. Armados com uma firme compreensão dessa nova moralidade. Em resposta à narrativa da rejeição da moralidade. Em contraste. nós observamos uma exaltação da vontade individual contra a ordem natural e contra as normas divinas e sociais. enquanto mantém outras intactas. O anarquismo moral absoluto que essa narrativa vislumbra não se materializa. esses princípios oferecem pouca resistência a relações consensuais poliamorosas. concedendo a auto-realização individual um objetivo moral central. Por exemplo. nós seremos capazes tanto de interpretar como de prever seus movimentos. A narrativa do caminho perigoso falha em fornecer uma explicação suficiente do porque a rejeição da posição do cristianismo histórico sobre relações homoafetivas sempre virá acompanhada pela futura rejeição de outras posições. os princípios desse sistema moral irá geralmente produzir uma forte oposição à pedofilia.