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VERGILIO CORREIA DA REAL ACADEMIA DE LA HISTORIA DE MADRID O imaginário francês Nicolau Chanterene NA INQUISIÇÃO (Uma Denuncia em i538) LISBOA Typografia do Anuário Comercial Pra^a dos Reitauradores. 24 1922 .

esgotado — 1917- Etnografia Artística CoNiMBRiGA. — 1912-1913. Azulejos Datados — 192 — 1922. pintura a fresco em Portugal nos séculos xv e xvi Um Túmulo Renascença — A (2. — 1919- — 1920. — 1916. de Pavia.Do Lisboa Preistorica Autor: (3 esgotado fasciculos). monografia ilustrada. Arte Preistorica Monumentos Arte e e (2 Esculturas Arqueologia El Neolítico ^sciculos) — 1917-1918. Luiz da Silveira — 1921. sepultura de D. em Gois . publicada pela Junta para Ampliacion de Estúdios. de Madrid A — 192 1.» edição) 1.

1922 .VERGILIO CORREIA DA REAL ACADEMIA DE LA HISTORIA DE MADRID O imaginário francês Nicolau Chanterene NA INQUISIÇÃO (Uma Denuncia em i538) LISBOA Typografia do Anuário Comercial Praça dos Restauradores. 24 .

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no mármore sacarino de Borba.» . de tal retábulo. tomou o huma- Nicolau Cienardo. alemães e italianos. Fernando levou a envolver com um pasíiche de castelo medieval germano-mourisco (i). biscainhos. Joaquim de Vasconcelos.: Fa^e bem e não receies ninguém. o verdadeiro organizador dos estudos modernos de Historia de Arte. XXIII: (i) Duarte Nunes de Leão «Pedra preta finíssima que parece ébano se acha em Cintra e outra tão alva e lustrosa que d'ella se fez aquelle excellente retavolo de Nossa Senhora da Pena de Cintra com todas as figuras de relevo per mão do mestre Nicolao Francez. em demanda de novas obras suas. si. imaginários e e enlalhadores. De modo que. de entre os tantos que interpretaram nas pedras macias e alvas de Ançã e Ourem. E encontraram-nas. com segurança. franceses. Mestre Nicolau. ou no carvalho e no castanho das nossas florestas. que surgindo dele a educação romântica de D. ao contrario do que acontecia com o maior numero dos seus parceiros da renascença. que as nossas riquezas do alvorecer do século de quinhentos trouxeram a Portugal. escorrendo ainda do banho santo do antiguo. era reconhecido como auctor de uma obra conservada preciosamente desde a época em que fora executada o retábulo de altar da igreja daquele conventinho serrano da Pena. aquele primeiro. como ainda ha pouco lhe chamava com — Descripção do Reino de Portugal^ Cap.) de diversas naturalidades proveniências. (Divisa que para Chanterene. puro. grande estatuário. autenticado quanto à autoria. flamengos. periodo do renascimento. um dos mais correctos. com a frescura núbil de Anfitrite ao elevar-se das aguas. ante o escultor Nicola» em Évora. sóbrios e elegantes artistas. partiarn os críticos. foi o francês Mestre Nicolau. nista Dos pedreiros.

na «Introdução» p. iS5. Luis da Silveira em Gois (4). identidade da disposição das figuras do regedor Ayres da Silva e sua mulher. 36. o retábulo da igreja do Mosteiro de S. vol. 1921). e figurava. E isto mesmo se lia já numa crónica monástica. juntamente com Diogo de Castilho (5). p. 1922). Diário de Noticias. «A esculptura em pedra anteriormente ao século — um xvii». renascimento português. após de tantos nomes (1) O (2) Escriptos Diversos ilustres. tentar gizar Mosteiro de S. pôde assim dar largas em torno do artista um grupo de trabalhos critico ás suas faculdades. 23o. em 1902. «Nu- . em documentos. no retábulo de S. a qyem atribula a autentica maravilha que é o tumulo de D. figurando o mestre francês nos livros de contas das obras do mosteiro como empreiteiro da porta principal! (3) Alem de Filippe Simões e Joaquim de Vasconcelos interessaram-se Ramalho Ortigão. 16 a 18. atribuiu-lhe. cuidadoso interesse. por Vergilio Correia (Coimbra. Escriptos Diversos^ justiça o Dr. Reynaldo dos Santos. Para Belém. documentado Dr.Carvalho (i).» edição (Coimbra- 1914). 2. (4) No em (5) prefacio do livro Um túmulo Renascença I. Gonçalves e Este ultimo. em teria levado a entregar ao autor de uma das obras. Não venho pois. p. Marcos. dispondo seus ou por ele directamente inspirados. especialmente se preocupava com essa figura primacial do pela obra do escultor. com as de D. veira (3) Diccionario dos Architectos (Lisboa-1899). XXXVII. Marcos. mais. Sousa Viterbo— O Mosteiro de Santa Cruj de Coimbra. Marcos (Coimbra. p. XXII. entre outros. Manuel da Silva Gayo e Teixeira de Carvalho. Manuel e da rainha sua esposa nas ombreiras da porta fundeira dos Jerónimos. como empreiteiro do portal do mosteiro de Santa Cruz. p. (6) Nicolau Chanterene mero da Primavera de em Évora (i533'i54ofJ^No 1922». — A sepultura de D. a outra. o mais já numa contribuição valiosa para o conhecimento de uma e outra (6). Teixeira de em publicado A 1888 (2). Mestre Nicolau fora enviado a Coimbra para correger a obra dos túmulos dos reis. A obra inteligente e e a vida do mestre Nicolau estão atualmente merecendo ao culto investigador sr. Luis da Sil- Gois. p. O fino espirito de investigador e de do falecido mestre de Historia de Arte. António Augusto os Drs. mencionada no livro de Filipe Simões.

e que estremamente interessante para o conhe- região da França provinha. de pag. Não era Chatranez que se devia ler o apelido de Mestre Nicolau. O meu intento é somente um esclarecer me facto que toca e que se prende é. ao sabor de convicções mais ou menos fundamentadas. Dieulafoy. que os documentos nos garantem francês? a lido. viera este escultor. tradução espanhola de Angel Ramalho Vegue y Goldoni. no artigo que acerca do mosteiro de S. . e. transformado Chartranez. considera-lo um o seu nome. esta ou aquela obra. indicava que o artista era natural daquela cidade. Veiu porem o sr. como João de Ruão o era da antiga capital da Normandia. até hoje ignorado : . Marcos publicou em A Arte e a Natureza em T^ortugalj que a posteridade lhe deve a fixação definitiva do nome completo uma em documentos inéditos. O sr. N. com um biografia do artista. nome consagrado.» de 24 de Dezembro de 1921. 370. e deliberadamente. (3) (3). coordenada segundo documentos conhecidos ou inéditos. 126 a 128.quadro da atividade desse artista.» serie. El arte en Espana y Portugal. Raczynski. A esculptura em Portugal nos Serões^ 190^. Reynaldo dos Santos. achamos o Mestre Nicolau. colocou as cousas noutro campo. a que pode ajuntar-se afoutamente o appelido Chatranez. nem atribuir-lhe. 2. que figurava filho margens do Eure pelas do Tejo. Dr. E explicou o caso no artigo intitulado a renascença em Tortiigal (i) (2) — Os escultores franceses e preambulo impresso da comunicação ver- Ortigão. no seu Dictionnaire regista-lhe esse apelido.» Depois de tão categórica e respeitável afirmativa nada havia a objectar. p. : p. Seara Nova. era Chaterene. em a historia da documento que se lhe refere. sob mais de um cimento da época Donde De que ponto de em que ele viveu.'' Imperfeitamente levara vista. Joaquim de Vasconcelos parece contudo dar a entender. 4. desde Ramalho (i) a Dieulafoy (2) toda a gente repetiu o do escultor: «Por nome do descoberta artista. (Madrid-1920). e apresentar em papeis oficiaes. de Chartres que houvesse trocado as O patronímico Chatranez. M. .

que o referido sacerdote possuia já. Ora a paginas 160 desse novo ifolhas volume de documentos. vynte dyas dabril de 1526» (a) Chaterene (?) — . era naturalmente oriundo de Châtres na Champagne. mas . assinado Chaterene (i). acompanhada de um perfacio seu.° p. um ponto de interrogação adeante. a bem verdade e que. E a correção da leitura errónea ficava emfim feita por uma vez! da memoria do cónego Prudencio Quintino Garcia.. seu amigo e comensal em Évora. transcreve-se um recibo de Mestre Nicolau passado à abadessa do Mosteiro de Celas. o benemérito autor daquela obra referente a João de Ruão que o Dr. S. No prefacio. Nicolaiis Ca?itaramis. vol. (i) oDigo eu Mestre Nycolao que reseby da Senhora abadesa myl rs em parte de pago do portal q eu faso por sona (?). por circunstancias ignoradas. o apelido do imaginário sob a forma de Chaterene. bal que fez ao Congresso de Historia da Arte realizado Setembro de 192 1 em Paris em : aNicolau Chaterene (e não Chatranez. nome do esculsomente neste artigo da Seara VSioj'a que o Dr. Esta era uma novidade de peso. de que diversas pessoas amigas das cousas e das publicações de arte possuem exemplares. estes myl q me da soma (?) catorze he me fica devydo myl por acabar o portal feyto oje Documentos. duas Julgando pois tor francês. 2. Deve dizer-se aqui. como até hoje se tem lido sempre desde Raczynski). mais depressa que de Chartres. datado de Novembro de 192 1. Reynaldo dos Santos a empregou. em iqiS. o que tinha importância para a determinação das influencias verificadas na sua arte. as folhas de um outro livro sobre artistas de Coimbra. he teynho resebydo ja treze myl rs. através uma leitura errónea do seu apelido». como o designava o grande humanista Nicolau Clenardo. com que o mesmo senhor antecede a «introdução» do livro O Mosteiro de S. não ter descoberto a verdadeira grafia do foi vezes impresso. 160. como alguns investigadores teem julgado. Do Orleanais o artista passava a nativo da Champagne. Teixeira de Carvalho fez sair. de ha largos anos impressas. Marcos^ do Dr. Teixeira de Carvalho. não tiveram ainda o mesmo destino que as do mencionado João de ^uão. lá se encontra. Chaterene com Chaterene com todas as letras.

me encontrei companheiro de vagão. não podia ser Chaterene. que à cidade universitária ia propositadamente para esclarecer — um A:^ulejos Datados (Lisboa. apezar de se encontrar impresso. mas sim Chanterene. 72) Sucedeu que.-Cron. feita em Sevilha pelo mestre entalhador Olivar (Olivier de Gand). Nessa publicação inseria o au- Nova andava um tor do presente trabalho em Portugal. tempo depois. M. e daí a considerar que o nome francês. No um dos autores do retábulo contrato da venda (i) dizia-se que a im- portância dos azulejos deveria ser entregue a Juan de Cantarranas. Manuel G. Dr. n^c Fac-8imile. havia dezoito anos. 192. da Sé Velha de Coimbra. na interessantíssimo documento. Doe. 8.— Ora pelo tempo em que apareceu o mencionado artigo da Seara eu revendo as provas de um livrinho atualmente publicado. Reynaldo dos Santos. para ser traduzido em latim daquela maneira. sem aliás ter visto ainda as assinaturas do artista. . foi um passo. ampliado. que esta ultima forma era a verdadeira. — Nicolau Clenardo. viajando para Coimbra. E para mim assentei. a 2. com o sr. (i) Cfr. Este apelido exótico recordou-me o Nicolaiis Cantaranus da versão latina do nome do escultor feita por Nicolau Clenardo (2).^ edição dos Azulejos Datados. Parte II. Cerejeira O Renascimento em Portugal Cartas p. Vergilio Correia (2) assunto de arte p. desconhecido — — Bairros Vidrados Sevilhanos {Sevúhai obra de Gestoso y Perez: 1904)o titulo de compra de 10:000 azulejos de lavores. 1922). da assinatura de Nicolau Chanterene (Corp. 3i dò Apêndice do Tomo II.

terene». Toda a lição. presente folheto é o executor dessas determinações solenes caso recordou-me um outro semelhante. CaroHna Michaèlis logo identificou com Nicolu Chatranês. Dr. a ler o artigo. pois já o titulo me fizera antever que o escritor se penitenciava da sua grafia Chaterene. esperava ver figurar o meu nome em duas linhas de menção. em evidentemente corrupção de David Chanterene. humanista parisiense. o artigo abria por estas simples palavras: «Mestre Nicolau. liguei a i5i7. mas a que só então No Livro das Obras de Belém do ano de que Mestre Nicolau figura como empreiteiro do portal principal. De resto a autenticidade desta ultima grafia resaltava claramente da leitura de um documento que eu conhecia ha muito. apenas tal numero viu a luz.! quinhentista. .» tura do artista é Nicolau Chaterene E mais abaixo acrescentava o autor: «Em Évora. como autor da descoberta. R. e. e aproveitar pessoalmente O O uma outra indicação que dera ao autor do artigo. Os documentos justificavam a ilação que o simples confronto do nome latino com o que corria como original me provocara. durante dois anos. Mas não. a segunda pessoa mencionada na folha da obra é um Davide Sandevida importância. que afinal só agora me é possível fazer . Clenardo foi. olimpicamente prometi Uma imediata aclaração publica. Amigavelmente lhe fiz então a revelação. verificando a existência do sinal de nasalação sobre o a da primeira silaba de Chaterene. nome de um irmão ou parente do imaginário que com ele e ás suas ordens trabalhava. dos S. sucedido em Coimbra e . e perante as re- produções fotográficas de duas ou três assinaturas do escultor. — — . Imerso em sem lhe faltar uma virgula! dolorosos pensamentos concernentes à fragilidade dos tis para assegurar a perpetuação histórica. confirmei minha opinião. por Nicolau Chatranês quando a leitura da própria assina. que D. Poucos mezes passados anuncia-se no jornal O Diário de Noticias o aparecimento de um artigo do sr. comensal do arcediago João Petit. que levava comsigo e me mostrou. intitulado Nicolau Chanterene em Évora. onde a corte estanciava então. e ai conheceu e conviveu com o escultor insipiis Nicolaus Ca?itaratws. a sair no numero especial da Primavera. desde Raczynski. escultor francês. Pressuroso corri. e cujo patronímico alatinado melhor se harmoniza com a lição correcta de Chan- terena. conhecido incorrectamente.

pela forma sacudida da correcção.» Esse estrangeiro era o professor da Universidade de Gand. que a mim me proporciona uma conclusão discreta.y> (i) (1912). Bertaux escreve Le retable de la Sé Velha. a été sculpté. . que ao revelar-lhe em Coimbra o cónego Prudencio Garcia que a leitura tro estrangeiro. i55. pela confusa grafia do autografo. reintegrando o nome do artista seu conterrâneo na verdadeira grafia de Olivier. Dr. é Olivier Mas.. Mestre António Augusto Gonçalves termina o seu artigo." siiiim cuiqiie. non par un Castillan. achevé em i5o8. ps. o sr. Bertaux pretende arrogar-se direitos que lhe não pertencem. Em certa altura do seu artigo.mile Bertaux. Vale a pena recordar o facto. E tanto mais. Ano i. como for respeitem-se as leaes formulas e salve-se a ! : austeridade dos princípios: (i) Dyonisos. n. ou Olivier de Gand non Vlimer qui (et est une lecture fau- . e intentar acção de revindicação legitima em favor de ou- sagacidade se deve esta descoberta feliz. porem. ! . notável historiador da arte portugueza. conta o professor Gonçalves: «Ao salientar a renascença coimbrã o sr. . que diz respeito a um estrangeiro. Loos. pasma-se de que não houvesse saltado aos olhos de toda a gente Seja. E é exactamente a que venho reclamar acerca da prioridade da . que a Grande Guerra nos levou: rL. da seguinte maneira «Para a insensibilidade dos indiferentes o facto poderá não aparentar grande importância. num : : scintilante publicado naquela interessante revista 7)ionj'so5> que Aarão de Lacerda lançou e manteve em Coimbra em 1912. . mais par un Flamand qui avait dú traverser TEspagne c'est Olíver' tive) . . Augusto Gonçalves relatou — Revitidicação.' 3. que. interpretação. a cuja que fizera de Vlimer não lhe parecia incontestável. Muito bem não é Vlimer. que o enigma se achava tão superficialmente velado. depois de descoberto. num lance de intuição rápida encontrara a chave do enigma. meu que o artigo: ilustre : mestre A.

para os seus Dicionários de Artistas. onde copiei integralmente a denuncia. do tamanho d'um palmo. Tratei portanto de me reportar ao Códice original quinhentista.0 e ss. António Baião. lhe mostrara que trazia. do Arquivo Nacional Dr.« do .° das Denunciações da Inquisição de Lisboa». e «era figura de macho cõ cabellos na barba e e todallas outras partes» com o qual objecto alcançava quanto desejava. — — A Inquisição Tomo 6. do «Livro i. As Denunciações da Inquisição de Lisboa. 81 do Archivo Histórico Português (Lisboa 1908). que encontrou nos livros mais antigos do referido ilustre investigador e Director Tribunal. a p. deparei «No com a seguinte nota dia 23 (de Janeiro de i538) dizia no : Rombo que dise uma mandracolla compareceu João que Mestre Nicolau francez. ( 1 ) António Baião no século xvi ix. volume que abrange os anos de iSSy a i54i.° e S8. pois nem Sousa Viterbo que largamente colheu elementos nas Denunciações. ou denunciações. deixou o sr. tra a fl. extractadas ou Inquisição de Lisboa. Eis o texto dessa denuncia: «E depois desto aos xx iij dias do mes de jan.'''' de mill b^ xxx biij anos na çydade de lixboa nos estaaos Joham rombo pedr*"" m°'" nesta cidade ao postiguo de sam roque sam nicollao test^ jurado aos santos auangelhos e perguntado freg^ de devasamente pello dito trauaços not'° enqrdor se sabia algúa p^ ou p^s q disesé ou fezesé algua cousa contra nosa sãta fe cathollica dise q outra cousa nã sabe som*^ q avera seis anos pouco mais ou menos q na gafaria — A Inquisição em Portugal e no Brasil. como se século XVI. pedreiro. 6. a aproveitara.IO No Arcliivo Tomo Histórico Português. Livro I.» (i) Passara até então despercebida aos investigadores de historia de arte. denuncias feitas na sumariadas as da Torre do Tombo. a importância da referencia. Percorrendo essas denuncias. que se encon57 v.

que. uma certa clarique o fanatismo de tribunal D. Trauacos um J° rombO)-> facto curioso. de Mestre Nicolau. ou seja. anedótico. (i) thasar Alves. da mesmo tempo. João Rombo.1 1 symtra estando hy m*^ nicolao françez pedr""" mestre nicollao lhe mostrara húa médracolla q seria tamaniia como hú pallmo pouco mais ou menos e era figura de macho com cabellos na barba e é todallas outras partes q os homês tem e lhe dizia q despois q ha tiuera q percallcaua quãto qrya com ella e q custaua m^° dir° e qm tinha macho e fêmea era grande cousa / e a tynha m'° gardada metyda é húua caixa e estaua metyda é húa caixa a sã p° de caua ferrym é cujo criado elle tesi^ foy o dito q disto po dise saber Joham luis pedr° m^"" é sintra q disera a elle tesi* q també a uira e q ho dito mestre nicollao lha amostrara per outra vez e jiam quando a mostrara a elle test^ e ali nÕ dise e ao custume dise nhil mas q he seu amygo e o dito mestre nicollao ésynara a elle test^ o oficyo de pedreiro e eu Jorge coelho ho espreuy e asy lhe disera ho peqna e húua bryuia por q llya e que lhe dizia q hera nella muitas cousas da nossa fe e q nã sabe home quide / e ysto lhe disera ho dito mestre nicollao diz''° q hera lia dent° muitas cousas e m^*^ heresias q nã sabe home quide e ali nã dise / com antrellynha q diz é syntra q se fes per verdade Jorge coelho not'° ho espreuy (i). não teve naturalmente sequencia. distinto funcionário do Arquivo Nacional. . oficial. haveria seis anos. afirmava também que o escultor possuia uma biblia onde eram muitas heresias. Esta a parte grave da denuncia. antigo creado. seu mestre lhe mostrara uma mendracola em figura de macho. dito mestre nicollao q tinha (a a) Este precioso documento revela-nos e lança. felizmente para o imaginário. ao dade sobre as funções do tenebroso vida do imaginário francês. Mas o Rombo não se contentava com isso. Até aqui tratava-se de um caso simples de superstição. João III implantara em Portugal. denuncia ao Santo Oficio que. pois nos papeis da Inquisição nada aparece referente ao processo que lhe deveria ter sido instaurado. a qual possuia com o fim de obter bom andamento nos seus negócios. Balmeu professor de Paleografia no extincto Estagio de Arquivistas^ com quem fiz a conferencia da copia do documento. As altas Deixo nesta altura consignados os meus sinceros agradecimentos ao sr.

. mais que ao talento do escultor. Diabruras. (3) Ordenações Manuelinas^ Livro V. pouco. Um livri- nho. estando portanto concluída. Santidades e Tro- transcreviam-se varias disposições das Ordenações Manue- linas (3) respeitantes a superstições. Santidades e Prophecias (Lisboa. A época que o João Rombo aponta. C. e lá se mencionavam as mendra- colas. 1894) 5 e 6. p. atribula a procura que o cinzel do mestre tinha. proteçÕes teriam defendido da aleivosia do seu antigo mandracola. o em uma Rombo. no retábulo da Pena.. segundo reza a própria inscrição. ano nuel. e foi dedicada. Mai532. veiu esclare- cer-me phecias um (2). Nesse livro. foi mandada executar por D. assi como passarem doentes a gente rústica se (i) (2) Cintra Pinturesca. Fac-simile da assinatura de João Uma cousa me i532 (i).« Rafael Bluteau. do Dr. Que era isto de mendracola Nem o P. desde o de possuir o imaginário nho. na denuncia. Teixeira de Aragão. 1 nem Viterbo se lhe referiam. A.de que gosava Nicolau Chanterene. Teixeira de Aragão. o oficial. (Lisboa. Rombo começo. João III por ocasião do nascimento do principe D. intitulado Diabruras. «E por quanto nos he dito que em nossos reynos e senhorios entre usam muytas abusões. «avera seis anos». em i53i. hoje quasi esquecido. Esta obra.. iSSg). no seu espirito taca- intrigara. corresponde a em que de facto o artista devia trabalhar em Sintra. à qual. A acusação mendracola. 142. e a. titulo 33.

seja degradado pêra cada húu dos nossos lugares dalém em Africa por dous annos e mais pague quatro mil reaes pêra quem O o acusar. mandamos e defendemos. ou em outras cousas. firme e bem lançada. que pesnom faça as ditas cousas nem cada húa delias. talvez seu parente. imaginário. pelo uma parte não se contentava com essa simples vingança e dirigiu-se a um Tribunal mais severo que os vulgares. e assi usam bézer com espada que matou homem. passadas. mesmo que mandrágora. Outros tem mendracolas em suas ca:{as com entêçam que têdoas por ellas aueram graças com senhores. António de Moraes no seu Diccionario da Língua 'Portuguesa (Ed. que perdeu o tempo e as caía na algibeira visto. Outros levam as ymagens de algúus santos à cerca dagoa. Outros cortam solas em figueira baforeira. Do Rombo pedreiro. e fiadores que se atee certo dicto sancto lhes não der agoa. Outros passam agoa por cabeça ella. civis. Outros reuolvem penedos e os lançam na agoa pêra auer chuyua. Outros apregoam os endemoninhados. Outros tem cabeças de saludadores encastoadas em ouro. por i5i4. Outros dam a comer bolo pêra saberem parte dalgúu furto. Mas o Rombo. no Afinal mendracola era o e Silva. Rombo poimento se some-se. E se fôr polia villa.» caso da mendracola podia pois. Parece que fixasse nos livros foi creado apenas para que o seu de- da Inquisição. da qual do denunciante. . ou machieiro. suavemente. Os meus verbetes dão-me um bacharel João Rombo. se for piam ou di pêra bayxo seja publicamente açou- tado pêra com baraço e preguam quem o acusar. ou em prata. ou talvez. ou molher de cada hú destes. Julgo. acusa uma regular pratica de escrever. que morava. nada mais encontrei. ou guanharãa nas cousas em que tratarem.. do Chanterene. ou outra cousa que de E porque taes abusões e outras nom deuemos consentir. A sua assinatura. como foi. Outros lançam jueira. e qualqr que cam pêra conseguir aigúu proveito semelhantes soa algíía o contrario fezer. conduzir à costa de Africa e ao desembolso de uma quantia importante.i3 por silvão. Outros cortam cobro em lumiar de porta. ou lameira virgem. noticia de que tendo sido discípulo. ou passasse o Doiro e Minho três vezes. cidadão. e ali fingem que os querem lançar em tomam tempo o pedem. Junto da Sé. que lançaraam a dita ymagem na agoa. de 1889). e mais pague dois mil reaes vassallo ou escudeiro ou di pêra cima. porém. que reproduzo.

a une racine longue. Herva. souvent partagée en deux. chez nous que dans et sur les les jardins ou on bords des fleuves: on ne les cultive. . o testemunho de autores antigos. a que chamão negra. a que chamam macho. représentant inférieures d'un en quelque sorte. . negras por fora e brancas por dentro. é com a sua definição de mandrágora. . mais ce sont des fables ridicules qui ne méritent pas qu'on s'y arrete. Les imposteurs et les charlatans qui per- (i) Troisième édition.14 2. . que me mostrou a ligação entre a mandrágora planta e a mendracola de mestre Nicolau. les parties elle Tautre mandragore (masc. 286 do Vocabulário (1716) esclarece: p. Bluteau no Tomo V. entourée de filaments courts poils. He de duas espécies. Nous avons dit que la racine de mandragore represente souvent d'une manière grossiere par se^ deux branches qui se plongent dans la terre. essa afirmação f. Tome cinquème. BSy.** volume. «La mandragore male (escreve o autor).» Foi o Dictionnaire Raisonné d'Histoire Naturelle. muito compridas e enlaçadas humas com ouA outra espécie de mandrágora. largas e . de Valmont de Bomare (i). listradas . les cuisses de Thomme: elle ne lui ressemble point du tout par sa partie supérieure. tem raiz tras. quelquefois simple et unique. mais encore de beaucoup d'autres. quand homme. mandragoras mas fructis rotundo. M. p.. afirma eruditamente que mendracula. brancas. On vient aisément à bout par artifice de rendre les racines non-seulement de cette plante. Mandrágora fêmea. fort semblables au corps humains.. grosse. dans les forêts à Tombre. 247 et ss. planta herbácea. corrupção de mandrágora. mais grossa que a primeira. de macho.LXXVI. a p. et fem. tem duas outras raizes. é com Mas e atesta s. L'une et et menus comme des est entière.) viennent naturellement dans les pays chauds dans Tltalie.DCC. les Les anciens trouve et quel- ques modernes ont avance bien des choses singulières de la mandragore. que não explicava como uma planta podia cabelos e tudo. TEspagne. 3o3 ser em do mesmo feitio volume.. a p.. «Mandrágora ou mendragora. lança folhas grandes..

et de beaucoup d'autres plantes encore d'homme ou de femme.°.ID suadent facilement au vulgaire credule. T. de Botaniqiie. Não teria mestre Nicolau zido de Itália. Joannis Baptistae Morandi Herbarum quae ad usum medicinae H. pertinent 3. Nisto se confundia o imaginário plebeu com a gente rústica para quem a Ordenação cominava cios. ils implantent dans les endroits convenables des grains d'orge. etc. fin. penas. (i) Cfr. conformada no feitio de um corpo de uma homem. E entrando no campo das hipóteses. IX. Dict. et qui ont des proprietés merveilleuses. Buillon. 19 de Outubro de 1922. p..LXI. . à qual. Pour représenter vertes. a raiz de que nas costas do Mediterrâneo se cria fume que inebria e o suco que mata ? e extrae tra- mandrágora da terra quente o per- Lisboa. qu'ils divisem ensuite en filaments très-menus et les ajustem de sorte qu'ils representem les cheveux de la barbe et les autres poils du corps. ensuite plissent de sable ils remettent ces racines dans des fosses qu'ils rem- et les y laissent jusqu'à ce que ces graines aient poussé des racines. p. — Historia Botânico — PracXica Stirpium aíque — Mediolani — MDCC. 3o5 e Hisíoire des Plantes. impriment sur les racines des roseaux. 108 e loq.» (i) Portanto o que o mestre escultor Nicolau Chanterene possuia era raiz de mandrágora macho. onde haveria aprendido e trabalhado. supersticiosamente atribula a felicidade nos seus negóque afinal devia somente ao seu talento. des figures les poils. que les mandragores ne se trou- vent que dans un petit canton inacessible de la Chine. d'avoine ou de millet. de la bryone. En cet état ils les vendem comme vrais racines de man- dragore.

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Leia-se se lê 4 após de após b de peso. de peso.ERRATA Onde ags. perfacio prefacio i> Barros Vidrados Sevilhanos Barros Vidriados Sevillanos IO de i53y a 1541 de i537 a II nhil nihil i3 de que 7 um de um i5:\ò .

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