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HIGIENE DO TRABALHO II

Brasília-DF.

Elaboração
Paulo Rogério Albuquerque de Oliveira
Produção
Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração

SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO...................................................................................................................................... 5
ORGANIZAÇÃO DO CADERNO DE ESTUDOS E PESQUISA.................................................................................. 6
Introdução.......................................................................................................................................... 8
unidade I
FATORES FÍSICOS..................................................................................................................................... 9
CAPÍTULO 1
Acústica................................................................................................................................ 12
CAPÍTULO 2
Termologia........................................................................................................................... 33
CAPÍTULO 3
Vibrações.............................................................................................................................. 54
CAPÍTULO 4
Pressões anormais................................................................................................................ 78
CAPÍTULO 5
Radiações ionizantes............................................................................................................. 84
unidade Ii
FATORES BIOLÓGICOS............................................................................................................................. 99
CAPÍTULO 6
Cuidados, Prevenção e Nomenclatura................................................................................... 103
CAPÍTULO 7
Referências normativas – Fin. da Aposentadoria Especial – FAE, insalubridade e periculosidade.... 108
unidade Iii
FATORES QUÍMICOS............................................................................................................................. 111
CAPÍTULO 8
Referências normativas – Fin. da Aposentadoria Especial – FAE, insalubridade e periculosidade.... 115
CAPÍTULO 9
NR-15 – Anexo 11.................................................................................................................. 119

............................................. 121 CAPÍTULO 11 Resumos de métodos – gases e vapores....................................................................................................................................................................................................................................................................... 126 CAPÍTULO 13 Tira-Teima........... 133 referências ............................ 128 PARA (NÃO) FINALIZAR...............................................................................CAPÍTULO 10 NR-15 – Anexo 12......................................................... 134 ................................................................................ 122 CAPÍTULO 12 NR-15 – Anexo 13.........................................................................................................................

dinâmica e pertinência de seu conteúdo. Utilize-a como instrumento para seu sucesso na carreira. Elaborou-se a presente publicação com a intenção de torná-la subsídio valioso. como convém ao profissional que busca a formação continuada para vencer os desafios que a evolução científico-tecnológica impõe ao mundo contemporâneo. Caracteriza-se pela atualidade. Pretende-se. bem como pela interatividade e modernidade de sua estrutura formal. possibilitando-lhe ampliar conceitos específicos da área e atuar de forma competente e conscienciosa.APRESENTAÇÃO Caro aluno A proposta editorial deste Caderno de Estudos e Pesquisa reúne elementos que se entendem necessários para o desenvolvimento do estudo com segurança e qualidade. de modo a facilitar sua caminhada na trajetória a ser percorrida tanto na vida pessoal quanto na profissional. adequadas à metodologia da Educação a Distância – EaD. levá-lo à reflexão e à compreensão da pluralidade dos conhecimentos a serem oferecidos. com este material. Conselho Editorial 5 .

Sintetizando e enriquecendo nossas informações abc 6 Espaço para você. de forma didática. para provocar a reflexão sobre a prática da disciplina. O importante é verificar seus conhecimentos. para lhe apresentar novas visões sobre o tema abordado no texto básico. . A seguir. Eles serão abordados por meio de textos básicos. entre outros recursos editoriais que visam a tornar sua leitura mais agradável. Textos para leitura complementar Novos textos. Provocação Pensamentos inseridos no Caderno. suas experiências e seus sentimentos. É fundamental que você reflita sobre as questões propostas. Para refletir Questões inseridas para estimulá-lo a pensar a respeito do assunto proposto. também. os conteúdos são organizados em unidades. objetiva e coerente.ORGANIZAÇÃO DO CADERNO DE ESTUDOS E PESQUISA Para facilitar seu estudo. aluno. Elas são o ponto de partida de nosso trabalho. Registre sua visão sem se preocupar com o conteúdo do texto. com questões para reflexão. exemplos e sugestões. subdivididas em capítulos. serão indicadas. trechos de textos referenciais. para aprofundar os estudos com leituras e pesquisas complementares. fontes de consulta. fazer uma síntese dos textos e enriquecê-los com sua contribuição pessoal. conceitos de dicionários. uma breve descrição dos ícones utilizados na organização dos Cadernos de Estudos e Pesquisa. Ao final.

no decorrer das leituras. Para (não) finalizar Texto. Praticando Atividades sugeridas. com a intenção de instigá-lo a prosseguir com a reflexão. 7 .Sugestão de leituras. Referências Bibliografia consultada na elaboração do Caderno. com o objetivo pedagógico de fortalecer o processo de aprendizagem. sites e pesquisas Aprofundamento das discussões. filmes. ao final do Caderno.

estratégias de amostragem. »» Compreender os fundamentos básicos biológicos relacionados ao meio ambiente do trabalho. avaliação e gestão de riscos. risco e fator de risco ambiental. foi dividida em duas partes: Higiene do Trabalho I (HTI) e Higiene do Trabalho II (HTII). gestão dos fatores de risco do meio ambiente do trabalho. pois farão parte das atividades avaliativas do curso. Este é o nosso Caderno de Estudos e Pesquisa. subdivididas em capítulos. »» Compreender as estratégias de amostragem relacionadas ao controle ambiental e biológico. aborda as definições básicas. enquanto a HTII. »» Possibilitar ao EST classificar e identificar perigo. Especial atenção deve ser dada aos ícones “Praticando”. Esta disciplina. Os ícones servirão de recursos de aprendizagem. A HTI. químicos e biológicos e seus desdobramentos para saúde do trabalhador. fundamentos ambientais e biológicos. ao aprofundar esses itens. apesar de distantes. 8 . »» Apropriar-se dos mecanismos de controle para intervenção ambiental. »» Entender a relação entre higiene do trabalho. Objetivos »» Entender as definições básicas da EST. Desejamos a você um trabalho proveitoso sobre os temas abordados! Lembre-se de que. »» Abordar criticamente a inserção da higiene do trabalho. limites de tolerância e intervenção ambiental. voltada à introdução da matéria no contexto da EST. material básico aos conhecimentos exigidos da Engenharia de Segurança do Trabalho – EST. discute de forma minuciosa fenômenos físicos. estamos muito próximos.Introdução Bem-vindo à disciplina Higiene do Trabalho – HT. Os conteúdos foram organizados em unidades de estudo. em razão do programa.

unidade FATORES FÍSICOS I .

.

11 . Foi separada por área de conhecimento.unidade FATORES FÍSICOS I Esta unidade é composta das energias da natureza mais importantes ao equilíbrio ambiental à saúde do trabalhador mediante aplicação da Engenharia.

CAPÍTULO 1 Acústica . desde os tímpanos até os cílios do ouvido interno. de graves. o som é uma variação da pressão atmosférica capaz de sensibilizar nossos ouvidos. sentimos a oscilação de uma corda de violão. Oscilação percebida à Ouvido à Som. nesse sentido: Acústica à parte da Física que estuda as oscilações e ondas em meios elásticos (estuda o som). as partes que compõem os ouvidos médio e interno vibram na direção em que a onda se propaga. Ruído: “misturas” de sons indistinguíveis com diferentes frequências. pelo tato. Na verdade. nocivo ou indesejado é denominado barulho. isto é. Comprimento de onda (l): deslocamento ou distância percorrida pela onda propagada. sabemos intuitivamente o que é uma vibração. Pressão sonora à variação dinâmica na pressão atmosférica que pode ser detectada pelo ouvido humano. sua direção de propagação é paralela à de vibrações das partículas do meio em que se propaga. balanço de objetos. Som à sensação percebida pelo cérebro devido à chegada de uma onda sonora no ouvido. Período (T): tempo de duração de 1 ciclo completo. expressa em Pascal – Pa (N/m2). de coisas. 12 . Quando. referente a 1 ciclo. revisarmos conhecimentos e estabelecermos nomenclaturas. Frequências altas são chamadas de agudas e as baixas. quando molesto. oscilação. Por definição. As ondas sonoras são longitudinais. Velocidade de uma onda sonora à depende das propriedades elásticas e inerciais do meio. de início. A vibração é movimento. apenas uma pequena porção das vibrações o é. No mecanismo da audição. Oscilação percebida à Tátil à Vibração. Por que os bebês choram de modo semelhante (frequência e intensidade)? Por que a buzina de navio é mais rouca que a de moto? Essas perguntas condutoras são importantes para. Há vibrações que não são detectáveis por órgãos sensoriais humanos.

viajam em todas as direções (meio tridimensional). ondas mecânicas longitudinais. por meio de sucessivas compressões e rarefações das partículas desse meio. »» Elasticidade: deformações imediatas e não recuperáveis. Alguns são mais plásticos que elásticos. caso isso não aconteça. formando. Desde que não se exceda certo limite de elasticidade. que. corda.FATORES FÍSICOS | UNIDADE I Propriedades elásticas do som β módulo de elasticidade volumar do meio Ƭ  tensão Ƹ deformação Fenômenos: »» Elasticidade: deformações imediatas e recuperáveis. mas pouco extensível. outros. Como exemplo. veja as diferenças entre o comportamento mecânico da borracha. O corpo é elásticoà ao cessar o efeito de uma deformação ele recupera a forma original. no meio que a envolve (normalmente o ar). Os corpos elásticos conduzem melhor o som. do aço e da goma de mascar. Todo corpo plástico pode ser elástico. É importante diferenciar elasticidade de extensibilidade. Quando uma fonte sonora (lâmina.) é colocada para vibrar. assim. mais elásticos que plásticos. 13 . Pela lei de Hooke relação linear entre tensões e deformações Т= E * ε. membrana etc. todo corpo elástico é resiliente. a goma de mascar é plástica e extensível. ele será um corpo plástico. borracha é elástica e extensível. o aço é elástico. »» Viscosidade: deformações não imediatas. ela provoca em toda sua volta. Resiliênciaà propriedade que o corpo possui de devolver a energia armazenada na deformação. E  módulo de elasticidade (Young). uma onda sonora.

Ondas mecânicas longitudinais omnidirecionais.UNIDADE I | FATORES FÍSICOS Figura 1. 14 . características e gráficos.

O som se propaga num meio material elástico. A intensidade sonora ou sonoridade de uma onda esférica. espalhando-se em todas as direções. altura e timbre Intensidade tempo Amplitude (pressão) A intensidade do som está relacionada com a amplitude. é definida pela expressão: Intensidade = Potência da Fonte (W) Área da Frente de onda no ponto considerado (m2) A potência da fonte – Po – no SI em Watt (W) e a I – Intensidade ou intensidade sonora ou sonoridade da onda esférica (W/m2). I= S=4πr2 (r – raio da superfície esférica) Frente de onda 1  I1=Po/4πr12. Popularmente.FATORES FÍSICOS | UNIDADE I Qualidades fisiológicas do som: intensidade. I1 = Dividindo 1 por 2. As intensidades são inversamente proporcionais aos quadrados das distâncias à fonte. aproximadamente. menor amplitude. de 10-12 W/m2 (equivalente a 2. Frente de onda 2  I2=Po/4πr22.102Pa). É a característica do som que permite distinguir um som forte de um som fraco e está relacionada com a energia transportada pela onda que decai do próximo (forte) ao afastado da fonte (fraco). Pp Po   Potência da fonte – Po (W) e I= S 4πr2 S – área da superfície esférica (m2). obtemos  I2 r22 r12 Figura 3. Som mais forte tem maior amplitude e mais fraco. limiar da dor (equivalente a 2. 15 . Disposição gráfica de sinal sonoro forte (alta amplitude) e fraco (baixa amplitude).10-5Pa). A intensidade mínima do som percebido pelo ouvido humano (limiar de audição) é. provoca-se dor. num determinado ponto. som fraco (baixa amplitude) tempo som forte (grande amplitude) Figura 2. é o botão do volume que define a intensidade: o indivíduo aumenta o volume do rádio ao girar o botão no sentido do máximo. A partir de 1W/m2. e as frentes de onda têm formato esférico. As intensidades de onda são inversamente proporcionais aos quadrados das distâncias à fonte.

10-5Pa a 2. o italiano Antonio Meucci foi reconhecido como o seu verdadeiro inventor. inventor e fundador da companhia telefônica Bell. Aplica-se o submúltiplo deci ao nível sonoro NS (dB B) por conta do melhor ajuste da escala. O NS (nível sonoro ou nível de intensidade ou intensidade auditiva) de determinado som. pela Resolução nº 269. tem-se a seguinte formulação: O nível sonoro NS será (dB) para o limiar de audibilidade I=10-12W/m2 será: NS=10logI/Io àNS= 10log(10-12/10-12) àNS/10=log(1) à 10NS/10=1 à 10NS/10=100 àNS/10=0 àNS=0 (dB) Pelo processo inverso. convencionou-se utilizar a escala logarítmica para expressá-lo. em homenagem ao físico inventor do telefone. 2 de agosto de 1922) foi um cientista. Assim. Por definição o Bell = log que tem como referência o limiar de audibilidade (Io). . Meucci vendeu o protótipo do aparelho a Bell nos anos 1870. em Bell. quando NS=0(dB) à0=10log(I/10-12)à0/10=logI/Ioà 0=logI/Ioà100=I/10-12àI=100. O nível sonoro NS (dB) para o limite da dor I=1W/m2 será: NS=10logI/Ioà NS=10log1/10-12à NS/10=log1012 à 10NS/10=1012à NS/10=12à NS=120dB. Escalas comparativas entre W. historicamente. B e dB. quando NS=120 (dB) à120=10log(I/10-12) à120/10=logI/10-12 à1012=I/10-12àI=100àI=1W/m2 16 1 Alexander Graham Bell (Edimburgo.UNIDADE I | FATORES FÍSICOS Assim. pelo Congresso dos Estados Unidos. 3 de março de 1847 – Nova Escócia. Pelo processo inverso. Embora.102Pa. Figura 4. em 11 de junho de 2002. Bell tenha sido considerado como o inventor do telefone. Assim.10-12 àI=10-12W/m2. o ouvido humano pode perceber normalmente sons cuja intensidade varie de 10-12W/m2 a 102W/m2 ou 2. Os rangers (intervalos de máximo e mínimo) flutuam em 1014W/m2 e 107Pa. Como esse intervalo audível é muito grande e considerando a função logarítmica como a que mais se aproxima da curva de audibilidade humana. nasceu o Bell1. que é a relação (quantas vezes maior) está esse som (I) em relação àquele limiar.

de baixa frequência. máquina de cortar grama Serra elétrica Trovão Espingarda de caça. Espectro auditivo – parâmetros de audibilidade e limites.000 Hz. 0 30 40 50 60 70 80 90 100 120 140 180 Silêncio Sussuro leve Geladeira Conversação normal Máquina de costura Aspirador de pó.000 Hz e 4. alguns valores das relações entre níveis sonoros e intensidades. a altura (tom) é a qualidade do som que permite ao ouvido distinguir um som grave. de alta frequência. ou seja.FATORES FÍSICOS | UNIDADE I Figura 5. Altura A altura do som está relacionada com sua frequência. e a faixa de maior sensibilidade do ouvido humano está compreendida entre 1. de um som agudo. avião a jato Lançamento de foguete Os níveis de 90 a 180 decibéis são extremamente perigosos no caso de exposição constante. Na tabela abaixo há alguns valores de níveis sonoros em decibéis (dB) e no gráfico acima. 17 . secador de cabelo Coletor de lixo Motocicleta.

em relação às suas alturas. Figura 6. amplitude e fase Os fenômenos ondulatórios podem ser estudados em sua forma mais simples. para se entender os seus constituintes mais básicos. Para que dois sons distintos possam ser comparados. frequência. aproximadamente. 20.UNIDADE I | FATORES FÍSICOS Agudo  ↑freq  som alto Grave  ↓freq  som baixo O som mais grave audível por um ouvido humano é de. emitidos por instrumentos diferentes que toquem a mesma nota musical ou acorde. define-se entre eles o intervalo acústico (IA) pela expressão: àfa – frequência do som A. que possuem uma característica periódica.000 Hz. isto é. A onda periódica senoidal é derivada do movimento circular. aproximadamente. distingue-se a mesma nota musical emitida por um violão ou por um piano. seja ele periódico ou não. fb – frequência do som B Timbre O timbre é uma qualidade sonora que permite distinguir dois sons de mesma altura (mesma frequência) e mesma intensidade (volume). A forma mais simples de onda sonora é aquela descrita por funções harmônicas do tipo senoidal. pois o timbre difere nos dois instrumentos e fornece sensações sonoras diversas. Comprimento de onda. repetem-se em um certo intervalo de tempo. pode ser decomposto em um número de unidades deste tipo. 20 Hz e o mais agudo é de. Timbre – ondas de mesma frequência e amplitudes com sensações distintas. devido às diferentes composições de harmônicos gerados por instrumento. Assim. Todo e qualquer fenômeno ondulatório longitudinal. Se 18 .

que varia de 0 até + ou – A (Fig.FATORES FÍSICOS | UNIDADE I plotarmos em um gráfico o movimento de uma roda. imediatamente. em se tratando de onda sonora. Figura 7.. como o do diapasão. Pode-se dizer que essa frequência de acontecimentos é de uma vez por período. em um raciocínio inverso. aproximarem-se muito dessa forma de onda.λ. Fase. vamos obter uma representação análoga (similar) a um movimento de partículas em um meio que equivale à onda sonora senoidal (Fig. no caso específico de ondas periódicas como senoide. em ciclos por segundo. f = 1 /T. que ela tem uma amplitude de deslocamento A. A frequência é geralmente medida em 1/segundos (s ) e. quando se propaga no espaço. Dizer que esta onda se repete em um período T de tempo é a mesma coisa. apesar de alguns. que dizer que há uma frequência de acontecimentos ou repetições em um período de tempo. em uma velocidade constante. ela tem um comprimento de onda (λ) que é a medida de espaço entre dois momentos idênticos da onda (metros) (Fig. e que. A frequência f (ou o período) e o comprimento de onda λ relacionam-se por meio da velocidade de propagação V. amplitude e período da onda periódica senoidal. normalmente). É preciso fazer notar. A onda periódica senoidal é derivada do movimento circular. Desta senoide podem-se dizer muitas coisas: que ela se repete em um período T (em segundos. que é a definição da medida chamada Hertz (Hz). 7). A senoide é resultado de um movimento circular no tempo. pelo produto V = f. Figura 8. o que nos traz a definição de outra quantidade importante para o estudo de ondas: a frequência que é o inverso do período. -1 19 . 8). Lembre-se de que. 8). ela deverá propagar-se pelo meio. que nenhum som natural produz uma onda senoide pura.

E. Ela pode ser a mesma em todas as direções (omnidirecional) ou pode ter diferentes valores em torno da superfície da fonte. Para concorrer com essa extensa faixa de atuação. por ser relacionada com o ângulo inicial do movimento. Conhecendo-se a intensidade acústica. então. medido do centro da circunferência.10-5 W/m2 a uma distância de 1 metro. a pressão sonora pode ser obtida por meio da relação: 20 Em que é a densidade do meio e ‘c’. tem-se a proporcionalidade entre I e P. Como vimos.10-5 N/m2). como tais grandezas são admitidas como constantes em um dado sistema. Conforme anteriormente afirmado. a fase é zero graus. O nível de energia sonora é dado por: E a potência de referência (Wref ) é dada como 10-12 Watts (limiar de audibilidade). Nos exemplos acima. Nível de energia sonora A intensidade possui uma faixa de valores muito ampla. a mais alta voz humana pode produzir uma energia em torno de 1 miliwatt (0.001 W). pois o NPS está relacionado com a amplitude (volume) da pressão na equação: (8) Em que Po é a pressão sonora de referência (2. Ela é medida em graus ou em radianos. observar estas quantidades de uma forma gráfica. Podemos. 8). uma escala de nível logarítmico é novamente utilizada. claro. seja essa frequência de som grave. para se ter uma ideia. como visto na seção anterior. Considera-se importante notar que o nível de energia sonora é uma propriedade inerente à fonte que produz o som. o ouvido humano pode responder a intensidades muito mais baixas do que isso na maioria das frequências sensitivas. . Nível de pressão sonora Para determinar o nível sonoro (em dB).UNIDADE I | FATORES FÍSICOS A última quantidade que deve ser definida quanto às senoides é a fase (Fig. é necessário que se conheça ou o valor de sua pressão sonora P (N/m2) ou a sua intensidade acústica. com a potência de referência escolhida para ser compatível com aquele desenvolvimento do nível de pressão sonora. equivalente a uma intensidade acústica de 8. a frequência em que o som é emitido não interfere no nível de pressão sonora (NPS). médio ou agudo. é zero. pois o ângulo inicial do movimento. a velocidade de propagação da onda nesse meio. que determina a posição inicial de uma onda ou a posição do começo do movimento. Um avião a jato pode produzir uma energia acústica de 100 kW e isso é somente uma porcentagem da energia total produzida pelo seu motor.

sons de frequências diferentes soam com intensidade de níveis sonoros diferentes. 12. 100 m. Nesse caso. um som grave será percebido como se fosse menos intenso do que um som médio de mesmo nível de pressão sonora. Assim.800 m Nível de Pressão Sonora 159-20 log 25 – 11 = 120 dB 159-20 log 50 – 11 = 114 dB 159-20 log 100 – 11 = 108 dB 159-20 log 200 – 11 = 102 dB 159-20 log 12. embora se possa afirmar fisicamente que o seja.800 m. como nesse exemplo. Isso vem a corroborar com o conceito de que uma grande quantidade de energia é representada por um número aparentemente pequeno transcrito em decibéis. O ouvido humano. o nível é uma indicação física da amplitude. não importa qual a frequência do som: apresentam o mesmo número de decibéis para sons de igual amplitude de pressão sonora. 21 . têm-se: Distância 25 m 50 m 100 m 200 m 12. Em instrumentos de medição de som ajustados à percepção. que são ajustados para apresentar uma resposta linear. e pode-se calcular o nível de pressão sonora que chega até os ouvidos do receptor conhecendo-se o nível de energia sonora da fonte e a distância (r) entre o receptor e a fonte. 200 m e um valor para uma distância bem mais elevada. NPS = [NES – 20 log r – 11]. Tem-se. por exemplo. isso ocorre de forma linear. entretanto. como. então. constatamos que há um decréscimo da ordem de 6 dB à medida que se dobra a distância. Observando-se a figura acima. Figura 9.FATORES FÍSICOS | UNIDADE I Para os instrumentos de medição do nível de som. partindo-se de um nível de energia sonora (NES) de 159 dB na fonte (motor do avião). ao passo que a audibilidade é uma indicação subjetiva. Tabela com os NPS para NES a respectivas distâncias da fonte. mesmo que suas frequências sejam distintas. pelas perdas ocasionadas pela distância da fonte até o receptor. variando de um indivíduo para outro. E que também por isso o isolamento acústico de ambientes fechados é um assunto bastante complexo. NES à NPS x distância da fonte. ainda. Assim. para as respectivas distâncias de 25 m. aparentemente a redução em decibéis não parece ser tão significativa. apresenta uma sensibilidade diferente para cada frequência. por barreira acústica ou. Para o ouvido humano. temos um nível de pressão sonora (NPS) de 120 dB a uma distância de 25 m. cuja solução depende de vários fatores (técnicos e econômicos) e de bom-senso para se conseguir um nível aceitável de convivência com o ruído.800 – 11 = 66 dB Figura 10. Para uma grande redução dessa energia. 50 m. Portanto. seja ela por isolamento acústico.

Em outras palavras. O timbre é uma qualidade sonora que permite distinguir dois sons de mesma altura (mesma frequência) e mesma intensidade. não pode ser somado ou subtraído algebricamente.000 Hz. Como o decibel não é linear. Frequência é o número de vezes que a oscilação (de pressão) é repetida. A fórmula genérica para a combinação de “n” níveis em dB é L(n)= 10 log (Σ 10Li /10). Os níveis de 90 a 180 decibéis são extremamente perigosos no caso de exposição constante.I0? O que você deve saber! A intensidade do som está relacionada com a amplitude. J N . somar-se-iam algebricamente e.m W s s I = 2 = 2 = = P. ao final. onde L é o nível sonoro de apenas uma fonte.UNIDADE I | FATORES FÍSICOS . A faixa de maior sensibilidade do ouvido humano está compreendida entre 1. medida em ciclos por segundo ou Hertz (Hz).10-5Paà10-12W/m2). Intensidade é equivalente algébrico de pressão para velocidade do meio constante.v m m m2 Qual é o fator de dobra em dB? O que significa? Considerando a formulação dB 10 log I . Para se somar dois níveis de ruído em dB.000 Hz e 4. deve-se transformar cada um em Pascal. Io – menor intensidade física sonora audível (2. medida em W/m2. Som mais forte tem maior amplitude e som mais fraco. enquanto a intensidade sonora ou intensidade física sonora do nível sonoro NS. “limiar de audibilidade”. quanto aumenta em dB quando I = 2. Para várias fontes iguais (muito comum em ambiente industrial).log(n) + L. na unidade de tempo. I0 calcule o incremento em dB quando se dobra o NIS (W/m2). então. o resultado seria transformado de Pascal para dB. o nível sonoro total de “n” fontes idênticas é dado por NS(t) = 10. 22 . menor amplitude. Esse método não é prático. NS – o nível sonoro ou nível de intensidade ou intensidade auditiva é medido em decibel (dB). emitidos por instrumentos diferentes e que toquem a mesma nota musical ou acorde.

uma ou mais vezes sucessivas. o ouvido humano pode suportar pressões acima de um milhão de vezes mais altas. sua localização. vibrações. Os sons diminuem ou aumentam de intensidade e ficam indistintos. 23 . outra escala foi criada – a escala decibel (dB). na localização de cardumes. chega-se a números bastante grandes e de difícil manejo.). Reverberação – ocorre quando o som direto e refletido se superpõe chegando ao ouvido. que representa a distância física no ar entre um pico de onda até o próximo . turbulências (curvas. uma pessoa consegue ouvir o eco de sua própria voz se estiver afastada do obstáculo refletor. a escala dB comprime as milhões de unidades de uma escala em apenas 120 dB de outra escala. Radar – funciona como o sonar. à Reflexão do som – fenômeno que ocorre quando o som que estava propagando-se num meio atinge uma superfície refletora e retorna ao meio de origem. assim. eletromagnética.10 segundos. no mínimo. cujas frequências não seguem uma regra precisa. na sociedade moderna. Nosso ouvido só consegue distinguir dois sons sucessivos num intervalo de tempo igual ou maior que 0. Eco – fenômeno em que conseguimos ouvir nitidamente um som refletido por obstáculos refletores. cavitação. ressonâncias (dutos).1 à x=34m (ida e volta). Assim. definido em 0 dB. fornece o perfil do fundo do mar. indica uma mistura de sons. Sonar – trata-se de um dispositivo que emite ultrassons que chegam aos objetos. para medir o som em Pa. Cada vez que se multiplica por 10 a pressão sonora em Pascal. magnetostrição e explosões. Qual a origem do ruído? O ruído. A escala decibel usa o limiar da audição de 20 mPa como o seu ponto de partida ou pressão de referência. Para evitar isso. adiciona-se 20 dB ao nível em dB.FATORES FÍSICOS | UNIDADE I Ruído é um fenômeno físico que. Muito utilizado na orientação da navegação. mas em vez de ondas ultrassônicas. O som mais fraco que o ouvido humano saudável pode detectar é de 20 milionésimos de um pascal (ou 20 mPa. emite ondas eletromagnéticas que são refletidas por objetos distantes. choques. temos que V=x/t  à 340=x/0. provém de diversas fontes e as mais frequentes são: mecânica. 17m. no caso da acústica. permitindo localizá-los pela medida do tempo entre a emissão e a recepção do som. Esse fenômeno dá origem ao eco e à reverberação. Sendo a velocidade do som no ar de 340m/s. hidrodinâmica. o que ocorre quando a superfície refletora está a uma distância menor que 17m da fonte emissora. 20 micro pascals). permitindo. sofrem reflexão e captam os ecos. cotovelos etc. Dessa forma. Surpreendentemente. Assim. sendo conhecida a velocidade de propagação do som na água. Comprimento de onda (λ)à é obtido pela velocidade (v) e a frequência (f) do som. aerodinâmica.

de baixa frequência. Porém. são muito lentas para serem detectadas pelo ouvido humano. Essas curvas mostraram o quanto varia a sensibilidade do ouvido ao longo do espectro de nossa audição. Um som com uma única frequência é muitas vezes denominado tom. elas podem ser ouvidas. ou seja. são e médio escute um tom qualquer com a mesma sensação (potência. é fundamental entender o comportamento do ouvido humano à energia sonora. Fora dessa faixa.000 Hz. o ouvido humano é insensível ao som correspondente. magnitude e duração da exposição dos trabalhadores ao ruído. amplitudes e volume percebido. de um som agudo. força) que um de 1 kHz. tais como as normas da RFB. “avaliar” é uma das competências exclusivas do EST. Um dos estudos mais importantes que revelaram a não linearidade foi a experiência realizada por Fletcher e Munson2. de alta frequência. para certas faixas de frequência ele é mais ou menos sensível. Fletcher e Munson. frequência. . 2 24 Em 1933. INSS. Assim.010/2005. como a pressão atmosférica. ou seja. mediram a sensibilidade do ouvido humano a diferentes frequências puras (senoidais) e estabeleceram a relação entre frequências. Ministérios da Previdência. da Saúde e do Trabalho. se essas variações ocorrerem mais rapidamente – no mínimo 20 vezes por segundo (20 Hz) –. Para melhor compreender e exercer as atribuições de EST. O ouvido humano responde a uma larga faixa de frequência (faixa audível). que resultou nas curvas isoaudíveis. deve ser observado que variações de pressão. A unidade de nível de audibilidade é o fon (ou phon) à equivalente ao NPS (dB) quando f = 1. O objetivo da avaliação da exposição é determinar a energia. Essas curvas mostraram o quão alto um som deve ser em termos de medida de amplitude de pressão para ter o mesmo volume de um som de 1 kHz. a altura (tom) é a qualidade do som que permite ao ouvido distinguir um som grave. Estudos demonstram que o ouvido humano não responde linearmente às diversas frequências. Energia acústica e a percepção humana As avaliações em higiene do trabalho são realizadas para valorar a exposição dos trabalhadores e para obter informações que permitem definir o projeto ou estabelecer medidas de eficiência e controle. que vai de 16-20 Hz a 1620 kHz. dois pesquisadores. que é uma variação de pressão no meio de propagação. Fundacentro. tendo em vista que o parâmetro de energia estudado é a pressão sonora.UNIDADE I | FATORES FÍSICOS Altura do som está relacionada com sua frequência. Calcule as combinações de NS em dB. Orientações normativas foram elaboradas sobre o tema. Diga-se de passagem que. Nível de audibilidade é o NPS necessário para que um ouvido jovem. pela Resolução CONFEA nº 1. Essa referência de audibilidade a 1 kHz foi denominada de fon.

então.6 Hz. A diferença na frequência das duas notas mais graves do piano é de apenas 1. da intensidade sonora. O ouvido humano é bastante sensível a diferenças de frequências entre dois sons. ou seja. Aos 1.000 Hz. A segunda zona de ressonância ocorre perto dos 13 kHz. que o ouvido apresenta-se bastante insensível a sons graves e sensibilidade máxima entre os 3. Isso é devido aos efeitos de ressonância do canal auditivo. Você consegue explicar por quê? Por que os bebês choram de modo semelhante (frequência e intensidade)? Por que a buzina de navio é mais rouca que a de moto? A capacidade de distinguir a mínima alteração no tom de um som depende da frequência. mudanças na frequência podem ser notas a partir dos 0. Aos 100 Hz.4 kHz e. com um lado aberto e outro fechado.000 Hz. O efeito dessas ressonâncias é aumentar a sensibilidade do ouvido àquelas frequências. o que resulta em um pico de ressonância por volta de 3. a maior parte das pessoas é capaz de distinguir mudanças na frequência com o valor de 3 Hz. que é um tubo de cerca de 25 mm. Curvas isofônicas – NPS (dB) x frequência (Hz) – não linearidade nas curvas isoaudíveis a 1 kHz – fon (ou phon). o ouvido é sensível não propriamente a mudanças absolutas da frequência. da velocidade da alteração. Em sons graves.3 Hz. Isso é devido à maneira como o ouvido atua – transdutor e 25 . bem como do próprio treino auditivo do ouvinte. Note-se. devido à sua forma regular. »» o segundo ponto a ser notado é que existe uma dependência de amplitude na sensibilidade do ouvido. da duração do som. As curvas mostram algumas características de nossa audição que são importantes: »» existem alguns picos de sensibilidade acima de 1 kHz. mas sim a uma razão entre a zona de frequências do som que se está a ouvir e da mudança efetuada. perto da primeira zona de ressonância que ocorre no ouvido externo.FATORES FÍSICOS | UNIDADE I Figura 11. um outro pico menor a 13 kHz. mudanças de frequência de 1 Hz podem ser detectadas.500 e os 4.

dB(A) não é expressão física da fonte sonora. Esse efeito é particularmente notável em baixas frequências. por definição. Em outras palavras. Portanto. São chamadas “curvas de ponderação” (A. em que quanto menor a amplitude. mas subjetiva de como é percebida pelo ser humano. e com isso ficamos com um som carregado de médios. segundo a qual dB(A) é igual a dB: para 1 kHz (fon). o relativo balanço entre as diferentes regiões de frequências. . Sons de diferentes frequências. foram introduzidos nos medidores de nível sonoro filtros eletrônicos com a finalidade de aproximar a resposta do instrumento à resposta do ouvido humano. medidas em fones. Por exemplo. Trata-se de um a escala de julgamentos subjetivos baseada nos níveis de pressão sonora percebidos em um som senoidal de 1 kHz. O volume percebido de sons senoidais. sem muito brilho ou expressão. analogamente. um som a 20 Hz soará com muito menos volume que um de mesma amplitude a 4 kHz. B. cuja unidade. Para compensar essa peculiaridade do ouvido humano. médio e agudo é alterado sempre que se varia o nível de amplitude dos sons. Então. deverão ter amplitudes de pressão diferentes para serem percebidos como tendo a mesma amplitude. então. 3 26 Cuidado. O resultado desses efeitos é que a sensibilidade do ouvido é função tanto da frequência quanto da amplitude. Por isso. Só há uma exceção. procura simular o nível subjetivo de sonoridade. Isso é percebido no dia a dia. por definição. como consequência. O dB “compensado” funciona como uma avaliação “subjetiva” ou do risco ao homem. o dB (linear) é uma avaliação objetiva do ruído no ambiente e é importante para se conhecer uma fonte de ruído. quando ouvimos uma gravação e abaixamos o volume do aparelho de som. no qual f = 1 kHz.UNIDADE I | FATORES FÍSICOS interpretador do som –. dois sons de diferentes frequências. mas de amplitudes iguais. Pode-se notar que as curvas de fonos começam a ficar mais planas em níveis de pressão sonora mais altos. Curvas de ponderação dos medidores de pressão sonora As curvas isofônicas. e. a frequência depende da amplitude. podem soar com volumes completamente diferentes. fazendo-o aproximar-se da sensação de um som. menos sensível é o ouvido. resultando na supressão de parte dos agudos e dos graves. como função da frequência e do nível de pressão sonora. é dado pela escala de fons. grave. C)3. a curva para N fonos intercepta a frequência de 1 kHz em N dB NPS. definem linhas de sensação “constante”. o fon.

FATORES FÍSICOS | UNIDADE I NPS[dB] [dB] NPS Figura 12. Curvas de atenuação relativa dos circuitos de ponderação A. 27 . B e C. Fonte: folheto de divulgação Brüel e Kjaer do Brasil.

O valor eficaz é uma média quadrática (root mean square – RMS). Para se avaliar um sinal acústico (vibratório). O valor eficaz é uma média quadrática (root mean square – RMS). porque mostra a média da energia contida no movimento vibratório. que é a raiz quadrada dos valores quadrados médios dos movimentos. Na representação gráfica em onda senoidal. »» Slow – resposta lenta – avaliação de ruídos contínuos ou intermitentes. A diferença entre tais posições está no tempo de integração do sinal ou constante de tempo. 1982. é a mais importante medida da amplitude. são particularmente usados na indicação de níveis de impacto de curta duração. No caso da avaliação de ruído. O ruído intermitente é um ruído com variações maiores ou menores de intensidade.UNIDADE I | FATORES FÍSICOS Dessas curvas. que vale inclusive para o capítulo de vibrações. que indicam os valores máximos. mas não trazem qualquer informação acerca da duração ou tempo de movimento. são usados quando se quer levar em conta um valor da quantidade física da amplitude em um determinado tempo. Os valores médios. temos o valor pico a pico. Medição de vibração. que indicam apenas a média da exposição sem qualquer relação com a realidade do movimento. »» Impulse – resposta de impulso – para avaliação legal de ruído de impacto (com ponderação linear). mostra o potencial destrutivo da vibração. O valor da raiz média quadrática (RMS) ou valor eficaz. avaliação de fontes não estáveis. Fonte: folheto de divulgação Brüel Kjaer do Brasil. a curva A é a que melhor se ajusta à natureza humana. devem ser conhecidas algumas medidas: Os valores de pico. »» Fast – resposta rápida – avaliação legal de ruído de impacto (com ponderação dB (C)). 28 . os valores máximos e mínimos atingidos por ela são os valores de pico. O valor pico a pico indica a máxima amplitude da onda e é usado. Os medidores de ruído dispõem de um computador para as velocidades de respostas. O ruído de impacto apresenta picos com duração menor de 1 segundo a intervalos superiores a 1 segundo. Tomando-se toda a amplitude (positiva e negativa) da onda. por exemplo. Figura 13. uma vez que o valor médio aritmético entre semiciclo positivo e negativo seria zero. Tipos de ruído: o ruído contínuo é o que permanece estável com variações máximas de 3 a 5 dB(A) durante um longo período. onde o deslocamento vibratório da máquina é parte crítica na tensão máxima de elementos de máquina. Portanto. de acordo com o tipo de ruído a ser medido. O fator de forma e o fator de crista permitem conhecer a homogeneidade do fenômeno em estudo ao longo do período. o que interessa é o valor eficaz dessa onda. Valores de fator de forma próximos de √2 indicam fenômeno do tipo senoidal.

na prática.FATORES FÍSICOS | UNIDADE I O fator de crista e o fator de forma permitem conhecer a homogeneidade do fenômeno em estudo ao longo do período. por meio da qual se determina o nível da fonte a partir do conhecimento do “decréscimo” global advindo da desativação da fonte de interesse. Figura 14. tal procedimento nem sempre é simples ou viável. pode ser utilizado o conceito da “subtração” de dB. quando estamos estudando o ruído de uma determinada fonte num ambiente. Grandes valores para o fator de crista indicam a presença de algum pico destacado. Contudo. provavelmente resultante de fenômenos repetitivos a intervalos regulares. Homogeneidade do sinal vibratório: fator de crista e fator de forma. A maneira natural de se realizar tal determinação seria desativar as demais fontes. (3) indica o valor de pico a pico e (4) indica o valor de pico. 4 Ruído de fundo – é o ruído de todas as fontes secundárias. Sendo assim. No quadro seguinte. Avaliação ambiental Como determinação de nível de ruído de fonte em presença de ruído de fundo?4. ou seja. ou seja. (2) indica o nível médio. a legenda: (1) indica o valor RMS. o ruído emitido pelas demais é considerado ruído de fundo. eliminar todo o ruído de fundo e fazer a medição apenas da fonte de interesse. 29 .

e o potencial de dano à audição depende não só do seu nível. há risco grave e iminente para exposições. torna-se fácil avaliar o efeito. que possui o mesmo potencial de lesão auditiva que o nível de ruído variável amostrado. para fins de NR-15. Exemplo: quanto representa a contribuição da fonte (Ls) em um ambiente cuja NPS total (fonte e fundo) produz 60 dB. para exposições iguais ou superiores a 140 dB (linear) ou 130 dB (fast). A única diferença entre a dose de ruído e o ruído equivalente é que a dose é expressa em percentagem da exposição diária tolerada. a 115 dB(A). 30 Há que se combinar intensidade e tempo de exposição. sem proteção. que não causará dano à saúde do trabalhador durante a sua vida laboral. alternativamente. o ruído total se altera pouco. a fonte é determinante no ruído total (naquele ponto de medição). Os níveis de ruído industriais e exteriores flutuam ou variam de maneira aleatória com o tempo. sendo o fundo de 53 dB? Solução: (Ls+n) = 60 dB e Ln = 53 dB Pela abscissa. ela é pouco importante. Nota: ao se desligar a fonte. é a concentração ou intensidade máxima ou mínima. de forma que todos os dados de nível de pressão sonora e tempo possam ser analisados com o consequente cálculo do Leq. A dose de ruído é uma variante do ruído equivalente. mas também da sua duração. mas se ele varia com o tempo. segundo o tempo diário de exposição ou. Os limites de tolerância para exposição a ruído contínuo ou intermitente são representados por níveis máximos permitidos. ao se desligar a fonte. tem-se à(Ls+n) -Ln = 7 dBà na ordenada à ΔL = 1 dB Ls = (Ls+n) -ΔL = 60-1 = 59 dB. Para o nível de ruído contínuo. Para ruído intermitente/contínuo. Ábaco para deduções de ruído em dB (Ls+n = ruído total (fonte e fundo) e Ln = ruído de fundo.UNIDADE I | FATORES FÍSICOS São utilizadas as terminologias e o gráfico abaixo: Figura 15. Os LTs da NR-15 são para até 48 horas semanais. Dose de ruído e ruído equivalente O nível de ruído equivalente (Level Equivalente – Leq) representa um nível de ruído contínuo em dB(A). o ruído total cai muito. relacionada com a natureza e o tempo de exposição do agente. Limite de tolerância. A necessidade de se usar um dosímetro de ruído se deve à dificuldade de serem realizados os cálculos integrais diferenciais à mão. por tempos máximos de exposição diária em função dos níveis de ruído . deve-se realizar uma dosimetria. Para ruído de impacto. para o qual o tempo de medição é fixado em 8 horas. há risco grave e iminente.

A Tabela 1 do Anexo 1 da NR-15 da supracitada portaria é reproduzida a seguir: Nível de Ruído dB(A) – 85 à Máxima Exposição Diária Permissível à8 horas. Para se obter uma dose representativa. Esses níveis serão medidos em dB(A). tais como nível médio (Lavg). ou 100%. será possível encontrar a dose. sabe-se que praticamente não existem tarefas profissionais nas quais o indivíduo é exposto a um único nível de ruído durante a jornada. a exposição é admissível. toda exposição desnecessária ao ruído deve ser evitada. Dose de ruído diária é apenas um limite de tolerância (legal). ainda que elimine a insalubridade. Se o valor da dose for menor ou igual à unidade (1). não descaracteriza o tempo de serviço especial prestado”. maior sua importância na dose diária. nível máximo etc. 5 As atividades ou operações que exponham os trabalhadores a níveis de ruído. Na verdade. é possível determinar a exposição do indivíduo em toda a jornada de trabalho. informando em seu display o valor da dose acumulado ao final da jornada. com somente três ou quatro frações. 105 à 0. o dosímetro é um instrumento que será instalado em determinado indivíduo e fará o trabalho de obtenção da dose. de forma cumulativa. Tei = tempo de exposição a um determinado nível (i). contínuo ou intermitente. quanto mais alto o nível de certo ruído e quanto maior o tempo de exposição a esse nível. não sendo admissível. bem como vários outros parâmetros. Porém. Todavia. Com o cálculo da dose. 95 à 2. 110 à 0. devemos reduzir os tempos de exposição aos níveis mais elevados para assegurar boas reduções nas doses diárias. O uso de equipamento de proteção individual (EPI). dose obtida = 87%. para se obter a dose para jornada de 8 horas. Para quantificar tais exposições utiliza-se o conceito da dose. Exposições acima de 50% da dose denotam risco potencial de surdez e exigem medidas de controle6. com difícil obtenção de dados relativos a tempos de exposição e níveis de ruído. acompanhando todas as situações de exposição experimentadas por ele. O que ocorre são exposições por tempos variados a níveis de ruído variados. 90 à 4. 6 Cuidado: EPI não presta. Calcula-se a dose de ruído da seguinte maneira: D = Tei / Tpi. torna-se necessário o uso de um dosímetro. essa extrapolação pressupõe que a amostra feita foi representativa. sem proteção adequada. Tpi = tempo de exposição permitido pela legislação para o mesmo nível (i).FATORES FÍSICOS | UNIDADE I existentes. seja qual for o tamanho da jornada.5/87 = 8. oferecerão risco grave e iminente. Equipamento de proteção individual.0/DjàDj= 107%. superiores a 115 dB(A). resultando em uma ponderação para diferentes situações acústicas. de forma que. faz-se 6. em casos de avaliação de doses em tempos inferiores aos da jornada. resposta lenta. no caso de exposição a ruído.5. Os limites de tolerância fixam tempos máximos de exposição para determinados níveis de ruído. o dobro do tempo significa o dobro da dose. O que se observará é uma exposição a níveis de ruído que oscilam muito rapidamente. Em que D = dose de ruído. de forma cumulativa na jornada. 31 . Se o valor da dose for maior que 1.125 = 7 minutos5. 100 à1. ou 100%. Deve ser ressaltado que.25 e no máximo 115 à 0. nunca existirão somente três ou quatro situações acústicas. o valor da dose pode ser obtido por meio de extrapolação linear simples (regra de três). a dose de ruído é proporcional ao tempo: sob as mesmas condições de exposição. Em suma. Acima de 100% são inaceitáveis. a exposição ultrapassou o limite. Juizados Especiais Federais – Turma de Uniformização das decisões das turmas recursais dos Juizados Especiais Federais – Súmula nº 9: “Aposentadoria especial. de acordo com o tempo de exposição e o tempo máximo permitido. Então. como no exemplo: tempo de avaliação = 6h30. Pagar adicional de insalubridade é assumir-se réu confesso do crime de expor a risco. dose diária não pode ultrapassar os níveis de ação definidos pelo Programa de Prevençao de Riscos Ambientais – PPRA.

95 dB(A). Numa determinada indústria. b) ultrapassar 50% da dose unitária. há um operador de extrusora que se expõe a um nível único de 90 dB(A) por toda sua jornada de 8 horas. . bem como apresente os significados. de NM. porém em outro setor. d. e o controle médico.61 log (0. para ruído contínuo ou intermitente.75 dB(A) para 8 horas de exposição. comparando-os entre si.UNIDADE I | FATORES FÍSICOS Nível médio (Lavg): é o nível ponderado sobre o período de medição. 2 horas. quando a intensidade sonora a) ultrapassar 85 dB(A) para 8 horas de exposição. a informação aos trabalhadores. que produziria a mesma dose de exposição que o ruído real. b. A exposição enseja pagamento de ad insalubridade? Demonstre. valor acima do qual devem ser iniciadas ações preventivas. 2 horas. Sendo: TM = tempo de amostragem (horas decimais) e CD = contagem da dose (porcentagem).50 dB(A) para 8 horas de 32 exposição. Explique o porquê das diferenças. 95 dB(A). o que equivale a 63. Qual é a sua dose? Qual é a relação entre a exposição c e d? O que os “90 dB(A)” do caso d representam no caso c? 2. o que equivale a 80 dB(A) para 8 horas de exposição. NE e NEM. Tente responder à questão 13 do concurso AFT-2006: 13 . Na mesma empresa. o que equivale a 42.16 CD/TM). em regime permanente. Na mesma empresa. c. d) ultrapassar 75% da dose unitária. 4 horas. 1. A exposição enseja pagamento de ad insalubridade? Demonstre. Qual é a sua dose de ruído? A exposição enseja pagamento de ad insalubridade? Demonstre. 85 dB(A). 2 horas. 90 dB(A). no mesmo período de tempo. 1 hora. considera-se atingido o nível de ação. 2 horas. c) ultrapassar a dose unitária. que incluem monitoramento periódico da exposição. e) ultrapassar 50% da dose unitária. a fórmula simplificada de cálculo é: Lavg = 80+16. e 90 dB(A). flutuante. NHO 01 – ruído: Verifique na NHO 01 a tabela de limite de tolerância e compare com o Anexo 1 da NR-15. a exposição do operador de campo A é a seguinte: nível de ruído na zona auditiva e tempo de exposição diária: 92 dB(A). 85 dB(A). 2 horas. 68 dB(A). 1 hora. o operador B possui o seguinte perfil de exposição: nível de ruído na zona auditiva e tempo de exposição diária: 85 dB(A). Neq. No caso dos limites de tolerância NR-15. O mecânico de manutenção possui o seguinte perfil de exposição: nível de ruído na zona auditiva e tempo de exposição diária: 90 dB(A).Segundo a NR-9. que pode ser considerado como nível de pressão sonora contínuo. Calcule as doses de ruído: a. 4 horas. 4 horas.

que pode haver situações críticas em ambientes em que predomina o calor úmido. Durante o tempo em que aguarda a elevação da temperatura da carga (4 minutos). sendo um calor sempre ganho (+) C – Calor ganho ou perdido por condução/convecção (+/-) R – Calor ganho ou perdido por radiação (+/-) E – Calor sempre perdido por evaporação (-) S – Sobrecarga térmica ou calor acumulado no organismo S >0 acúmulo de calor (sobrecarga térmica) S <0 perda de calor (hipotermia) 33 . com o tempo. sentado à mesa que está afastada do forno. Em uma operação de colheita manual de cana-de-açúcar no nordeste brasileiro. aguarda 4 minutos para que a carga atinja a temperatura esperada e. Em suma. gasta outros 3 minutos para descarregar o forno. como nas lavanderias e tinturarias. também podem oferecer sobrecargas inadequadas. adquirir uma razoável sensibilidade quanto a esses riscos potenciais nas situações de trabalho. Prevalecem aquelas que implicam alta carga radiante sobre o trabalhador. o operador do forno fica fazendo anotações. em seguida. deve-se tomar cuidado em não tipificar categoricamente as situações ocupacionais quanto ao calor. ainda. Equilíbrio térmico O organismo ganha ou perde calor para o meio ambiente segundo a equação do equilíbrio térmico: M±C±R–E=S M – Calor produzido pelo metabolismo.CAPÍTULO 2 Termologia Em uma operação com forno metalúrgico. muitas atividades com carga radiante moderada. Deve-se lembrar. todavia. verifica-se que o operador gasta 3 minutos carregando o forno. Essas são situações que conduzirão nosso curso. O que você acha? Há impactos à saúde do trabalhador? Quais medidas prevencionistas deverão ser adotadas? Quais são os LTs e o que acontece se forem ultrapassados? A exposição ao calor ocorre em muitos tipos de indústria. o melhor é analisar criteriosamente cada uma delas. porém acompanhadas de altas taxas metabólicas (trabalhos extenuantes ao ar livre). e essa é a parcela frequentemente dominante na sobrecarga térmica que vem a se instalar. O higienista experiente poderá. verifica-se que o trabalhador faz uma jornada de 7h as 11h30 e de 13h30 as 16h30. praticamente sem fontes radiantes importantes.

essas trocas são muito pequenas.UNIDADE I | FATORES FÍSICOS Mecanismos de trocas térmicas A sobrecarga térmica no organismo humano é resultante de duas parcelas de carga térmica: uma carga externa (ambiental) e outra interna (metabólica). CONVECÇÃO: troca térmica realizada geralmente entre um corpo e um fluido. chamada de corrente natural convectiva. de temperaturas diferentes. Se o fluido se movimenta por impulso externo. A carga externa é resultante das trocas térmicas com o ambiente e a carga metabólica é resultante da atividade física que exerce. CONDUÇÃO: troca térmica entre dois corpos em contato. Para o trabalhador. diz-se que é uma convecção forçada. essa troca ocorre com o ar à sua volta. 34 . ou que ocorre dentro de um corpo cujas extremidades encontram-se a temperaturas diferentes. com a troca de calor existe uma movimentação do fluido. ocorrendo movimentação do último por diferença de densidade provocada pelo aumento da temperatura. Para o trabalhador. Portanto. geralmente por contato do corpo com ferramentas e superfícies.

a quantidade de água que já está no ar é um limitante para a evaporação do suor. o organismo dispara certos mecanismos para manter a temperatura interna constante. O fluxo sanguíneo transporta calor do núcleo do corpo para a periferia. e a situação pode ficar crítica. evaporando e aliviando o trabalhador. À medida que ocorre a sobrecarga térmica. Porém. 35 . O ar é praticamente transparente à radiação infravermelha. que é o chamado “calor radiante”. O mecanismo da evaporação pode ser o único meio de perda de calor para o ambiente na indústria. sendo uma radiação eletromagnética não ionizante. aumentando a troca de calor com o meio ambiente. ou seja. As trocas por radiação entre o trabalhador e seu entorno. também recebem. serão as preponderantes no balanço térmico e podem corresponder a 60% ou mais das trocas totais. quando a umidade relativa do ambiente é de 100%. por meio da pele. pode haver queda de pressão (hidráulica aplicada). Como a rede de vasos aumenta. Grandes trocas de calor podem estar envolvidas (a entalpia de vaporização da água é de 590 cal/grama). O suor recebe calor da pele. Lei de Stefan-Boltzmann: a potência total (em todos os comprimentos de onda) irradiada por unidade de área é proporcional à quarta potência da temperatura. É a troca de calor produzida pela evaporação do suor. Assim como emitem.FATORES FÍSICOS | UNIDADE I RADIAÇÃO: todos os corpos aquecidos emitem radiação infravermelha. quando há fontes radiantes severas. segundo a fórmula: EVAPORAÇÃO: é a mudança de fase do líquido para vapor ao receber calor. O infravermelho. não é possível evaporar o suor. havendo o que se chama de troca líquida radiante. não necessita de um meio físico para se propagar. sendo os principais a vasodilatação periférica e a sudorese. Vasodilatação periférica: permite o aumento de circulação de sangue na superfície do corpo.

5°C ou mais. Com isso. com perda de pressão e sintomas como enjôo. como a exaustão por calor e o choque térmico. pele coberta pelo suor e dores de cabeça. na tentativa de aumentar a quantidade de sangue nas áreas de troca. a temperatura interna aumenta continuamente. produzindo alteração da função cerebral. como o diabetes mellitus. cessando a sudorese. Essa situação pode ser agravada quando há a necessidade de um fluxo maior de sangue nos músculos devido ao trabalho físico intenso. rins e outros órgãos. palidez. A quantidade de suor produzido pode. com perturbação do mecanismo de dissipação do calor. O calor pode produzir efeitos que vão desde a desidratação progressiva e as cãibras até ocorrências bem mais sérias. O médico deve ser chamado imediatamente e o socorrismo prevê que o corpo do trabalhador deve ser resfriado imediatamente.UNIDADE I | FATORES FÍSICOS Sudorese: permite a perda de calor por meio da evaporação do suor. Os grandes candidatos a incidentes mais sérios são as pessoas não aclimatadas. o organismo sofre uma vasodilatação periférica. A evaporação de um litro por hora permite uma perda de 590 kcal nesse período. enfermidades cardiovasculares e cutâneas ou obesidade. em alguns instantes. ou seja. os “novatos” no ambiente termicamente severo. O golpe de calor é frequentemente fatal e. EXAUSTÃO PELO CALOR: a síncope pelo calor resulta da tensão excessiva do sistema circulatório. A recuperação total é complementada por repouso em ambiente frio. A recuperação é rápida e ocorre naturalmente se o trabalhador deitar-se durante a crise ou sentar-se com a cabeça baixa. convulsões. quando não há a aclimatação e quando existem certas enfermidades. O golpe de calor produz sintomas como: confusão mental. no caso de sobrevivência. Quando o sistema termorregulador é afetado pela sobrecarga térmica. O golpe de calor pode ocorrer durante a realização de tarefas físicas pesadas em condições de calor extremo. 36 . A temperatura interna sobe a 40. delírios. Quando a temperatura corpórea tende a subir. colapsos. podendo ocorrer uma deficiência de oxigênio nessas áreas. parecendo o quadro com uma convulsão epiléptica. podem ocorrer sequelas devido aos danos causados ao cérebro. o que compromete particularmente o cérebro e o coração. O número de glândulas ativadas pelo mecanismo termorregulador é proporcional ao desequilíbrio térmico existente. Os sinais externos do golpe de calor são: pele quente. alucinações e coma sem aviso prévio. atingir o valor de até dois litros por hora. podendo atingir 42°C a 45°C no caso de convulsões ou coma. há uma diminuição de fluxo sanguíneo nos órgãos vitais. seca e arroxeada.

A aclimatação ocorre por intermédio de três fenômenos: aumento da sudorese. sinais de desconforto. O indivíduo aclimatizado sua mais. Com a perda de 5% a 8% do peso corpóreo. irritabilidade e sonolência. Elas ocorrem por falta de cloreto de sódio. É o médico que deve avaliar se a aclimatação está satisfatória. devido ao aumento da eficiência do coração no bombeamento em valores mais aceitáveis. As pessoas mais suscetíveis são as não aclimatizadas. A aclimatação é a adaptação do organismo a um ambiente quente. agravando o sistema de trocas térmicas e levando os trabalhadores à intolerância ao calor. coxas e aqueles sobre os quais a demanda física foi intensa. diminuição da frequência cardíaca. que deixam de produzir o suor. sendo muito importante a manutenção do equilíbrio hídrico-salino. O tratamento consiste no descanso em local fresco. em alguns casos.0 g/l para 1. em particular os pés e os tornozelos. A aclimatação é iniciada após quatro a seis dias e tende a ser satisfatória após uma a duas semanas. O tratamento consiste em colocar o trabalhador em local frio e fazer a reposição hídrica e salina. Esses trabalhadores devem receber tratamento dermatológico e. falta de apetite. devem ser transferidos para tarefas em que não haja a necessidade de sudorese para a manutenção do equilíbrio térmico. com aumento do ritmo cardíaco e baixa sudorese. após três semanas a perda será praticamente total. Além de suar pouco. EDEMA PELO CALOR: consiste no inchaço das extremidades. pode perder muito cloreto de sódio nesse suor.0 g/l) – a quantidade de sódio perdido por dia passa de 15 a 25 gramas para 3 a 5 gramas –. mantendo também os batimentos cardíacos. Ocorre comumente em pessoas não aclimatizadas. tem sua temperatura interna significativamente elevada. e com uma perda de 15% pode ocorrer o choque térmico ou golpe pelo calor. de regular o seu ambiente interno de modo a manter uma condição estável. em particular os abdominais. Uma perda de 10% do peso corpóreo é incompatível com qualquer atividade. por meio do aumento do volume sistólico. consegue manter a temperatura do núcleo do corpo em valores mais baixos e perde menos sal no suor. Quando um trabalhador se expõe ao calor intenso pela primeira vez. além de pulso acelerado e temperatura elevada. PROSTRAÇÃO TÉRMICA PELO DECRÉSCIMO DO TEOR SALINO: se o sal ingerido for insuficiente para compensar as perdas por sudorese.FATORES FÍSICOS | UNIDADE I PROSTRAÇÃO TÉRMICA POR DESIDRATAÇÃO: a desidratação ocorre quando a quantidade de água ingerida é insuficiente para compensar a perda pela urina ou sudação e pelo ar exalado. podemos sofrer uma prostração térmica. ENFERMIDADES DAS GLÂNDULAS SUDORÍPARAS: a exposição ao calor por um período prolongado e. mediante múltiplos ajustes de equilíbrio 37 . com a reposição salina por meio de soro fisiológico (solução a 1%). perdido pela sudorese intensa sem a devida reposição e/ou aclimatação. CÃIBRAS DE CALOR: apresentam-se na forma de dores agudas nos músculos. particularmente. sede. Homeostase (homeostasia) à propriedade de um sistema aberto. ocorre a diminuição da eficiência do trabalho. diminuição da concentração de sódio no suor (4. especialmente em seres vivos. em clima muito úmido pode produzir alterações das glândulas sudoríparas. náusea. tontura. O afastamento do trabalho por vários dias pode fazer com que o trabalhador perca parte da aclimatação. vômito e cãibra muscular. A reposição hídrica e salina deve ser feita com orientação e acompanhamento médico. A prostração térmica é caracterizada pelos sintomas: fadiga.

mas essas reações. por sua vez. Inicialmente ocorrem reações fisiológicas para promover a perda de calor. No estudo do calor. As trocas térmicas entre o corpo e o meio ambiente podem ser relacionadas por meio da seguinte expressão matemática: M±C±R-E=S Entre os inúmeros fatores que influem nas trocas térmicas. Para manter o corpo em equilíbrio térmico. somadas. interferindo tanto na troca térmica por condução-convecção como na troca térmica por evaporação. aumentando o fluxo de calor entre este e o ar. 5 principais devem ser considerados na quantificação da sobrecarga térmica: temperatura do ar. pois contribui significativamente para a elevação da sobrecarga térmica.UNIDADE I | FATORES FÍSICOS dinâmico controlado por mecanismos de regulação. a quantidade de calor ganha pelo organismo deve ser contrabalanceada pela quantidade de calor perdida para o meio ambiente. Na medida em que há um aumento de calor ambiental. existente entre a temperatura do ar e a temperatura da pele. positiva ou negativa. No mecanismo de condução-convecção. Por exemplo. este fator não deve ser desprezado. os músculos esqueléticos tremem para produzir calor quando a temperatura corporal é muito baixa. O suor arrefece o corpo por evaporação. que. provocam outras alterações. »» Velocidade do ar à pode alterar o intercâmbio de calor entre o organismo e o ambiente. o organismo humano ganha calor pelo mecanismo da radiação. 38 . »» Temperatura do ar à a influência da temperatura do ar na troca térmica entre o organismo e o meio ambiente pode ser avaliada observando-se a defasagem. ocorre uma reação no organismo humano no sentido de promover um aumento da perda de calor. o aumento da velocidade do ar acelera a troca de camadas de ar próximas ao corpo. calor radiante. geração de calor pelo metabolismo de gordura. umidade relativa do ar. resultam num distúrbio fisiológico. Quando a temperatura do ar é maior que a temperatura da pele. velocidade do ar. o organismo ganha calor por condução-convecção. tipo de atividade (metabolismo). »» Carga radiante do ambiente à quando um indivíduo se encontra em presença de fontes apreciáveis de calor radiante (considerável quantidade de radiação infravermelha).

Dá operação algébrica decorrem resultados finais que expressam as condições reais de exposição. Perda de calor por evaporação será reduzida. Se. 39 . por meio da atividade física da tarefa à Quanto mais intensa for a atividade física exercida pelo indivíduo. o calor decorrente da atividade física constituirá parte do calor total ganho pelo organismo e. Umidade relativa do ar = 100% (saturado de vapor de água) à dificulta a evaporação do suor para o meio ambiente. esta razão poderá ser diminuída em função da umidade relativa do ar. dessa forma. Avaliação do calor Na avaliação do calor. devem-se levar em consideração todos os 5 parâmetros. »» IBUTG – índice de bulbo úmido – termômetro de globo. deve ser considerado na quantificação da sobrecarga térmica. »» IST – índice de sobrecarga térmica (Belding and Hatch). O que ocorre nos dois extremos acima descritos é fácil de perceber: quanto maior é a umidade relativa do ar. permitem quantificar a severidade da exposição ao calor. portanto. tanto maior será o calor produzido pelo metabolismo. umidade relativa do ar = 0%. »» TEC – temperatura efetiva corrigida. Combinando esses 5 fatores adequadamente. Teoricamente. »» Metabolismo. Entre esses índices os mais conhecidos são: »» TE – temperatura efetiva. »» TGU – temperatura de globo úmido. determinam-se os índices de conforto térmico e de sobrecarga térmica para cada local de trabalho. sendo necessário quantificálos e considerá­-los de forma adequada.FATORES FÍSICOS | UNIDADE I »» Umidade relativa do ar à influencia a troca térmica que ocorre entre o organismo e o meio ambiente pelo mecanismo da evaporação. o organismo humano pode perder 600 kcal/h pela evaporação do suor. Existem diversos índices que correlacionam as variáveis que influem nas trocas entre o indivíduo e o meio e. menor será a perda de calor por evaporação. Para indivíduos que trabalham em ambientes quentes. haverá condição para o organismo perder 600 kcal/h para o ambiente.

UNIDADE I | FATORES FÍSICOS O esquema acima mostra quais os fatores que cada índice considera. conforme apresentado a seguir: Ambientes internos ou externos sem carga solar: IBUTG = 0. de carga solar no momento da medição. Tem-se. o qual tem sua extremidade imersa em água destilada. como os termopares. TGU – consideram os cinco principais fatores que influenciam as condições de exposição ao calor e. são denominados índices de sobrecarga térmica.2 Tg + 0. varia em função da presença. da velocidade do ar e da umidade relativa do ar. IST. a temperatura do ar. portanto. IBUTG. ou não. cujo bulbo fica em contato com o ar. IBUTG. A temperatura do Tbn será sempre menor ou igual à temperatura do termômetro bulbo seco. »» Termômetro de bulbo úmido natural – Tbn é um termômetro cujo bulbo é recoberto 40 por um pavio hidrófilo. desde que se preserve uma boa aeração do bulbo e pelo menos 25 mm de pavio livre de qualquer obstáculo. a partir do início da parte sensível do termômetro. Outros arranjos de sensores.7 Tbn + 0. A evaporação da água destilada presente no pavio refrigera o bulbo e depende da temperatura do ar. A equação. são: »» Termômetro de bulbo seco – Tbs é um termômetro comum. pois vimos que eles se relacionam com as trocas térmicas que influem na sobrecarga térmica do trabalhador. definido por uma equação matemática que correlaciona alguns parâmetros medidos no ambiente de trabalho.3 Tg Ambientes externos com carga solar: IBUTG = 0. Será igual quando a umidade relativa . Os sensores que veremos no índice que nos interessa. para o cálculo do índice.1 Tbs Tbn = temperatura de bulbo úmido natural Tg = temperatura de globo Tbs = temperatura de bulbo seco Instrumentação São necessários medidores (sensores) que sejam capazes de mensurar os parâmetros acima. Note que podem ser utilizados outros sensores similares aos termômetros de bulbo. pavios e reservatórios são possíveis. dele. portanto. A legislação brasileira estabelece que a exposição ao calor deve ser avaliada pelo índice de bulbo úmido ou termômetro de globo – IBUTG que consiste em um índice de sobrecarga térmica.7 Tbn + 0.

A determinação dos tipos de atividade por classes ou a quantificação de calor metabólico são dadas pelos quadros do Anexo 3 da NR-15. não há redução da temperatura. A legislação prevê um regime de trabalho (trabalho/descanso) em função do valor do IBUTG e do tipo de atividade para duas situações: regime de trabalho intermitente com períodos de descanso no próprio local e regime de trabalho intermitente com descanso em outro local. Temperaturas Tbn e Tbs diferentes. enquanto o metabolismo é dado em kcal/h em função da atividade do trabalhador. 2002. implica umidade relativa do ar menor que 100%. Leva em consideração o tipo de atividade desenvolvida (leve. Os tempos de descanso são períodos trabalhados para todos os fins legais. O IBUTG representa a carga ambiental como índice composto dos três instrumentos de campo. »» Termômetro de globo – é um aparato que possui um termômetro (ou sensor equivalente) posicionado no centro de uma esfera oca de cobre de diâmetro de seis polegadas. 2002. 41 . que pode ser avaliada por classe ou por tarefa (quantificando a tarefa em kcal/h). um acabamento altamente absorvedor da radiação infravermelha. moderada e pesada).FATORES FÍSICOS | UNIDADE I do ar for de 100%. A esfera é preenchida naturalmente com ar e a abertura é fechada pela rolha do termômetro. Termômetro de globo Fonte: FUNDACENTRO. Sem evaporação. Termômetro de bulbo úmido natural Fonte: FUNDACENTRO. A esfera é pintada externamente de preto fosco. pois o ar saturado não admite mais evaporação de água. NHO 06. NHO 06.

UNIDADE I | FATORES FÍSICOS

Fonte: FUNDACENTRO, NHO 06, 2002.

Exercício resolvido – descanso no próprio local sem
carga solar
Enunciado: Um operador de forno gasta 3 minutos carregando o forno, aguarda 4 minutos para que
a carga atinja a temperatura esperada (sem sair do local) e, em seguida, gasta outros 3 minutos para
descarregar o forno. Dados: Tg = 35°C; Tbn = 25°C; tipo de atividade – moderada.
Solução: uma vez calculado o IBUTG, levando em consideração o tipo de atividade exercida pelo
trabalhador (Quadro 3), a interpretação é feita por meio do Quadro 1 à Anexo 3 (NR-15). Devem-se
apurar (definir) os regimes de trabalho-descanso, para as condições de operação mais críticas, nas quais
o trabalhador não pode abandonar o local de trabalho, respeitando a sequência das tarefas. Devem-se
apurar (determinar) períodos de trabalho alternados por descanso, que são realizados no próprio local
de trabalho.
O limite de tolerância para exposição ao calor será considerado excedido quando os valores e os tempos
obtidos na avaliação forem incompatíveis com aqueles do Quadro 1 à Anexo 3 (NR-15).
Este ciclo de trabalho é continuamente repetido durante toda jornada de trabalho. Determinando-se
os parâmetros necessários ao cálculo do IBUTG, temos: Tg = 35°C; Tbn = 25°C; tipo de atividade –
moderada (Quadro 3).

Quadro 3 – Taxas de metabolismo por tipo de atividade (115.008-1/I4)

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FATORES FÍSICOS

| UNIDADE I

Calculando-se o IBUTG, temos: IBUTG = 0,7.25 + 0,3.35 = 28°C. Consultando o Quadro 1, conclui-se
que, em cada hora corrida de trabalho, o operário pode trabalhar, no máximo, 45 minutos e descansar,
no mínimo, 15 minutos.

Com relação ao regime de trabalho observado na empresa, constata-se que, em cada 10 minutos corridos,
o operário trabalha 6 minutos (3 minutos carregando o forno e 3 minutos descarregando) e aguarda 4
minutos para a elevação da temperatura, sem sair do local, operação esta considerada como “descanso no
próprio local de trabalho”, para fins deste critério de avaliação.
O ciclo continuamente se repete. Pode-se afirmar que, em cada hora (60 minutos) corrida de trabalho:

»» o ciclo se repete 6 vezes (60 / 10);
»» o operário trabalha um total de 36 minutos (6 x 6 minutos);
»» e descansa 24 minutos (6 x 4 minutos).
Conclusão: pelo Quadro 1:
Trabalha 36 minutos à poderia até 45 minutos
Descansa 24 minutos à poderia no mínimo 15 minutos
Conclui-se que o ciclo de trabalho observado na empresa é compatível com a atividade do trabalhador e
com as condições térmicas do ambiente analisado e, portanto, o limite de tolerância não é excedido.
Calcule e julgue se enseja insalubridade e se paga Aposentadoria Especial.
Refaça este exercício considerando todas as condições, salvo o metabolismo, que
deve ser considerado “pesado” e o Tg = 30ºC.

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UNIDADE I | FATORES FÍSICOS

Exercício resolvido – descanso em outro local sem
carga solar
Enunciado: Um operador de forno de uma empresa gasta 3 minutos carregando o forno, aguarda 4
minutos para que a carga atinja a temperatura esperada e, em seguida, gasta outros 3 minutos para
descarregar o forno. Esse ciclo de trabalho é continuamente repetido durante toda jornada de trabalho.
Detalhe: durante o tempo em que aguarda a elevação da temperatura da carga (4 minutos), o operador
faz anotações sentado a uma mesa que está afastada do forno.
Dados: local de trabalho.

Dados: local de descanso.

Solução: neste caso, para fins de aplicação do índice, denomina-se local de trabalho o local onde
permanece o trabalhador quando carrega e descarrega o forno e local de descanso o local onde o operador
do forno permanece sentado, fazendo anotações.

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nas quais o trabalhador não pode abandonar o local de trabalho. levando em consideração o tipo de atividade exercida pelo trabalhador (Quadro 3). a interpretação é feita por meio do Quadro 1 à Anexo 3 (NR-15). Devem-se apurar (definir) os regimes de trabalho-descanso. Devem-se apurar (determinar) períodos de trabalho alternados por descanso. 45 . respeitando a sequência das tarefas.FATORES FÍSICOS | UNIDADE I Uma vez calculado o IBUTG. para as condições de operação mais críticas. que são realizados no próprio local de trabalho.

UNIDADE I | FATORES FÍSICOS 46 .

FATORES FÍSICOS | UNIDADE I 47 .

Tbn = 25°C. tipo de atividade – Moderada (Quadro 3). salvo os seguintes dados: Local de trabalho à Tg = 50°C. arredonda-se para 250 kcal/h (situação conservadora sob a perspectiva do trabalhador). aquém do máximo permitido (limite de tolerância não é excedido) Conclui-se que o ciclo de trabalho observado na empresa é compatível com a atividade física do trabalhador e com as condições térmicas do ambiente analisado. Defina se é insalubre o ambiente de trabalho com as seguintes condições: sem carga solar. Calcule e julgue se enseja insalubridade.UNIDADE I | FATORES FÍSICOS Conclusão: como não há 230 kcal/h na tabela. Tbn = 22°C e M = 400 kcal/h Local de descanso à Tg = 26°C. 48 . porém. cujo IBUTG máximo é 28. Refaça este exercício considerando todas as condições. Tbn = 20°C e M = 200 kcal/h 2.5°C. sem descanso térmico. 1.9°C. aguardo de estabilização do forno = 5 minutos. oferece uma carga ambiental (IBUTG encontrado) de 27. descarga do forno = 25 minutos à ciclo se repete na jornada. O ambiente. Tg = 35°C. carga do forno = 15 minutos.

e nas quinta. Para os empregados que trabalham no interior das câmaras frigoríficas e para os que movimentam mercadorias do ambiente quente ou normal para o frio e vice-versa. segunda e terceira zonas climáticas do mapa oficial. Mas como se reconhece o frio? Aquelas regiões geográficas cujas temperaturas sejam inferiores. »» > Portaria MTE n° 21/1994 – Mapa oficial do MTE. nas primeira. Capítulo V. com temperaturas médias superiores a 20º C. na quarta zona a 12º (doze graus). tem-se pausa de 20 minutos em jornadas que submetem o trabalhador ao frio depois de 1h40 de trabalho. 157. sexta e sétima zonas.214/1978 do MTE – Anexo 9 da NR-15 – Normas regulamentadoras. na quarta zona. Seção “Das atividades insalubres ou perigosas”. art. »» > CLT. 253 da CLT. sexta e sétima zonas a 10º (dez graus). segunda e terceira zonas climáticas do mapa oficial. o que for inferior. »» > Portaria MTE n° 25/1994 – Alteração do texto da NR-9 – PPRA. depois de 1 (uma) hora e 40 (quarenta) minutos de trabalho contínuo.FATORES FÍSICOS | UNIDADE I Temperaturas anormais – frio Fundamentos legais: »» CLT. »» > Instrução Normativa n° 45/2010 do INSS. a 12º (doze graus). será assegurado um período de 20 (vinte) minutos de repouso. Título II. para os fins do presente artigo. faz-se essa descoberta. e nas quinta. Contribuem para isso o fato de o país ter 92% de seu território na zona intertropical e o relevo marcado por baixas altitudes. Com a ajuda dos seguintes mapas. »» > Lei n° 6. predominam climas quentes. Capítulo I “Das disposições especiais sobre duração e condições de trabalho”. a 15º (quinze graus). a 15º (quinze graus).514/1977 e Portaria nº 3. »» > Lei n° 5. No Brasil. 49 .889/1973 e Portaria n° 3. Art. a 10º (dez graus). Pelo art. nas primeira.067/1998 do MTE – Normas Regulamentadoras Rurais. Título III. Seção VII “Dos serviços frigoríficos”. computado esse intervalo como de trabalho efetivo. Parágrafo único – Considera-se artificialmente frio. 253.

000 m) do Planalto Atlântico do Sudeste. Santa Catarina e Rio Grande do Sul.UNIDADE I | FATORES FÍSICOS Os tipos de clima presentes no país são 6: equatorial. tropical de altitude. . Suas características são temperaturas médias elevadas. tropical. correspondente ao estado de Roraima. em torno de 27°C. além do trecho norte da Amazônia. »» Clima tropical de altitude – predomina nas áreas elevadas (entre 800 m e 1. compreendendo 50 parte dos Estados de São Paulo. »» Clima equatorial – domina a região amazônica e caracteriza-se por temperaturas médias entre 24°C e 26°C. As temperaturas médias excedem os 20°C. »» Clima subtropical – predomina ao sul do Trópico de Capricórnio. Caracteriza-se por temperaturas médias inferiores a 18°C. »» Clima tropical – está presente em extensas áreas do Planalto Central e das Regiões Nordeste e Sudeste. As temperaturas variam entre 18°C e 26°C. Paraná. semiárido e subtropical. estendendo-se pelo norte do Paraná e sul do Mato Grosso do Sul. »» Clima semiárido – predomina especialmente nas depressões entre planaltos do sertão nordestino e no trecho baiano do Vale do Rio São Francisco. »» Clima tropical atlântico – é característico da faixa litorânea que vai do Rio Grande do Norte ao Paraná. Mato Grosso do Sul. Apresenta temperaturas médias entre 18°C e 22°C. tropical atlântico.

FATORES FÍSICOS | UNIDADE I Figura 16. 51 . Intervalos de temperaturas frias e procedimentos correlatos.

Mapa oficial por força do art. Portaria nº 21/1994 do MTE – “Brasil Climas”.UNIDADE I | FATORES FÍSICOS Figura 17. 52 . 253 da CLT.

53 . Limites de tolerância – Portaria nº 21/1994 do MTE.FATORES FÍSICOS | UNIDADE I Figura 18.

A necessidade de medição da vibração vem aumentando. 54 . Exemplo: operadores de empilhadeiras que apresentaram problemas de coluna e foram desviados para outras funções. pois não se estabelecia o nexo causal com a atividade executada. normalmente. sem receber benefício algum. consequentemente. do tipo senoidal ou irregular. Figura 19. o nível de pressão sonora é bastante elevado. Esse movimento pode ser regular. Um corpo é dito em vibração quando descreve um movimento oscilatório em torno de um ponto de referência. a insalubridade. quando se está num ambiente com vibrações elevadas. O que é vibração? Vibração é qualquer movimento que o corpo executa em torno de um ponto fixo. avaliação de vibração no corpo humano era pouco realizada. O número de vezes de um ciclo completo de um movimento durante o período de um segundo é chamado de frequência e é medido em Hertz [Hz]. A avaliação da atividade por meio da dosimetria de ruído já caracterizava a atividade como insalubre. Configurações das vibrações. não houve acompanhamento dos trabalhadores que passaram a apresentar doenças sem saber das causas. como no sacolejar de um carro andando em uma estrada de terra (Iida).CAPÍTULO 3 Vibrações Até poucos anos atrás. quando não segue movimento determinado algum. fica a pergunta: e a exposição à vibração? Como não havia medição da vibração. visto que. mesmo que haja um laudo do EST comprovando a eficácia das medidas de controle coletivo para o ruído ocupacional neutralizando a exposição e.

Acesso em: 8/6/2012 às 00:32h 8 <http://pt. ocorrendo em uma única frequência. todo corpo possui uma frequência natural de oscilação. a do corpo.scribd. com inúmeras frequências individuais. ocorrendo em diferentes frequências simultaneamente. como um diapasão. ou seja. ferramentas manuais motorizadas) produzem movimentos complexos que possuem largos espectros de vibração. haverá o fenômeno de ressonância quando esta. Assim. Se chamarmos a frequência da vibração externa a um corpo de frequência de excitação. existe também um amortecimento interno. Na prática. dificultando a observação em um gráfico amplitude x tempo.br>. por exemplo. que é chamado de análise de frequência. com o movimento de um pistão de um motor de combustão interna. Todo corpo pode ser interpretado como um sistema mecânico de massa e mola. como. ou de muitos componentes. As fontes de vibração usuais (veículos.cpsol. fala-se de espectro de vibrações. esse corpo poderá estar sujeito a forças externas. assim como de espectro de ruídos. As vibrações assim obtidas são chamadas de vibrações forçadas. resultando num crescente aumento da amplitude do movimento. que pode ser observada com um pequeno estímulo no sistema. um movimento vibratório pode envolver uma função complexa.com/doc/63197795/SESI-Tecnicas-de-Avaliacao-de-agentes-ambientais>. No entanto.scribd. distribuída pelas faixas de frequências. Modelo de analisador de vibrações. 910 7 <http://www.com. se igualar à frequência natural. obrigando-o a vibrar. Acesso em: 8/6/2012 às 00:32h 10 <http://pt. na prática. que consistirá em uma composição de múltiplos movimentos.br>. deixando-o oscilar livremente. lembrando-se que. chega a ser destrutivo para o corpo em questão.FATORES FÍSICOS | UNIDADE I O movimento pode consistir de um simples componente.com.78 Figura 20. Acesso em: 8/6/2012 às 00:33h 9 <http://www. O mais importante dos sinais de vibração é o estudo dos componentes individuais da frequência. a frequência externa. os sinais de vibração consistem em muitas frequências ocorrendo simultaneamente. Similarmente ao que ocorre com um ruído. em condições severas. que podem entrar em contato com ele. então.cpsol. A energia do movimento é. uma técnica que pode ser considerada a principal ferramenta de trabalho nos diagnósticos de medida de vibração.com/doc/63197795/SESI-Tecnicas-de-Avaliacao-de-agentes-ambientais>. que. Acesso em: 8/6/2012 às 00:33h 55 .

Pico ou RMS – como quantificar a vibração? 56 .UNIDADE I | FATORES FÍSICOS à à à à à à Figura 21.

FATORES FÍSICOS | UNIDADE I à à à à 57 .

UNIDADE I | FATORES FÍSICOS à à à Figura 22. 11 58 11 <http://www. Dimensões e representações algébricas da vibração.com. Quando analisamos a vibração de uma máquina.br>.cpsol. Com a análise de frequência. O gráfico acima que mostra o nível de vibração em função da frequência é chamado de espectrograma de frequência. encontramos um grande número de componentes periódicos de frequência que são diretamente relacionados com os movimentos fundamentais de várias partes da máquina. Acesso em: 8/6/2012 às 00:32h . é possível descobrir as fontes de vibração na máquina.

cpsol. máquinas industriais. Vibrações localizadas – são vibrações que atingem certas regiões do corpo. caminhões. onde trabalhadores utilizavam ferramentas manuais pneumáticas vibratórias. ocorre a ressonância das partes do corpo humano. situam-se na faixa de 1 a 80 Hz. elaborou um dos primeiros estudos médicos numa pedreira em Indiana. ônibus. os braços e ombros.250 Hz. Normalmente ocorrem em operações com ferramentas manuais vibratórias: marteletes. bem como efeitos fisiológicos. as partes do corpo absorvem a vibração. Os efeitos da vibração no homem dependem. mais especificamente 1 a 20 Hz. As baixas frequências são as mais prejudiciais – de 1 até 80-100 Hz. entre outros aspectos. Nessas faixas de frequência. compactadores.FATORES FÍSICOS | UNIDADE I Em 1918. como frequência cardíaca. principalmente as mãos. frequência respiratória. ocorre a ressonância. grandes compressores. Acesso em: 8/6/2012 às 00:32h 59 . britadores. circulação do sangue. aeronaves. São de baixa frequência e alta amplitude. sistema nervoso central. Se uma frequência externa coincide com a frequência natural do sistema. conforme figura a seguir. a relação de causalidade entre o uso regular de ferramentas elétricas manuais com a irreversível e debilitante condição médica inicial e impropriamente denominada Síndrome de Raynaud ou doença dos dedos brancos. vasoconstrição. Acima de 100 Hz. das frequências que compõem a vibração. Vibrações de extremidades (também conhecidas como segmentais. ela tem sido a precursora mundial de estudos médicos e epidemiológicos em vibração de mãos e braços. rebitadeiras. ocorrendo nos trabalhos com ferramentas manuais. lixadeiras. 12 <http://www. Essas vibrações são específicas para atividades de transporte e são afetas à norma ISO 2631. máquinas de terraplanagem. A vibração consiste em movimento inerente aos corpos dotados de massa e elasticidade.com. Normalmente ocorrem em trabalho com máquinas pesadas: tratores. furadeiras. São normatizadas pela ISO 5349. Classificação das vibrações e efeitos da vibração sobre o homem Vibrações de corpo inteiro – são vibrações transmitidas ao corpo com o indivíduo sentado (reclinado ou não). uma médica do trabalho americana. localizadas ou de mãos e braços): são as mais estudadas. O corpo humano possui diferentes frequências de ressonância. Percebem-se efeitos biomecânicos como ressonância de partes do corpo. O corpo humano possui uma vibração natural. atualmente conhecida como síndrome da vibração de mãos e braços. em pé ou deitado. situam-se na faixa de 6. Alice Hamilton. A energia vibratória é absorvida pelo corpo. peneiras vibratórias. que pode ser considerado como um sistema mecânico complexo. que implica amplificação do movimento. politrizes. como consequência da atenuação promovida pelos tecidos e órgãos. não ocorrendo ressonância 12. Desde então. motosserras. nestes estudos.3 a 1.br>. Ficou demonstrada.

1975 60 . Vibrações por atividade econômica.UNIDADE I | FATORES FÍSICOS Figura 23. Figura 24. Disposição das frequências para corpo humano. *Indústrias europeias com evidências clínicas de sobre-exposição ocupacional a vibrações Fonte: Taylor & Pelmear.

A medição é possível por meio da utilização de um acelerômetro – um transdutor que transforma o movimento oscilatório num sinal elétrico. além de magnitude. segundo as normas. portanto. Os acelerômetros piezoelétricos são altos geradores de sinal que não necessitam de fonte de potência. velocidade e aceleração. porém esta última em m/s2 é a mais utilizada. que pode ser integrado. não possuem partes móveis e geram um sinal proporcional à aceleração. 61 . possui também um ponto ou região de interface pela qual é transmitida ao corpo humano.FATORES FÍSICOS | UNIDADE I Parâmetros e equipamentos utilizados na determinação da vibração Três são as variáveis afetas à vibração: deslocamento. A essência de um acelerômetro piezoelétrico é o material piezoelétrico. proporcionalmente à força aplicada. podem ser globais (todo o espectro) ou por faixas de frequência. como se faz com o ruído (circuitos A. as curvas de ponderação são específicas. da mesma maneira que no ruído. Figura 25. A medição da vibração é feita segundo eixos de medição. que é uma grandeza vetorial. Esquema cinemático das vibrações a partir das proporcionalidades da força. Quando ela é mecanicamente tensionada. Além disso. B e C). porém. O equipamento de medida da vibração universalmente usado na captação de uma vibração é o é o acelerômetro piezoelétrico (transdutor). e não recebem nomes especiais ou letras. gera uma carga elétrica que polariza suas faces. obtendo-se a velocidade e o deslocamento do sinal. O nível de aceleração – medido em decibéis – é fixado pela norma ISO R 1683. Os valores medidos de aceleração. como será visto. usualmente uma cerâmica ferroelétrica artificialmente polarizada. enviado a um medidor-integrador. isto é. Sob o ponto de vista ocupacional. Observe-se. no caso de vibração. possui uma direção. As medidas globais podem ser lineares ou ponderadas.

Equipamento de medida da vibração – acelerômetro piezoelétrico. 62 .UNIDADE I | FATORES FÍSICOS Figura 26.

em princípio. laser. sendo permitida a utilização de adaptadores.cpsol. cola. a montagem dos acelerômetros de forma fixa nas ferramentas. da coluna vertebral) é distinta da sensibilidade transversal (eixos x ou y. são preferidos. uma vez que. mas não são comumente utilizados em avaliações ocupacionais. Consequências humanas da vibração: sintomas e frequência. Os adaptadores possuem respostas em frequências específicas. O sistema básico para medição de vibrações é composto por sensor de vibração (transdutor).13 As medidas são realizadas na interface entre a pele e a fonte de vibração. estes são obrigatoriamente fixados no sistema vibratório. a sensibilidade também varia com a frequência. ao longo dos braços ou pelo tórax). enquanto aqueles permitem a medição fora do sistema vibratório.com. Métodos sem contato. que podem limitar sua aplicação. Há dois tipos de sensores de vibração: os sem contato (capacitivo e indutivo) e os com contato (eletromagnético e piezoelétrico). Sintomas Frequência – Hz Sensação geral de desconforto 4-9 Sintomas na cabeça 13-20 Maxilar 6-8 Influência na linguagem 13-20 Garganta 12-19 Dor no peito 5-7 Dor abdominal 4-10 Desejo de urinar 10-18 Aumento do tônus muscular 13-20 Influência nos movimentos respiratórios 4-8 Contrações musculares 4-9 Figura 27. o sistema ainda pode ser dotado de filtro de bandas para selecionar frequências específicas. 13 <http://www. por meio de braçadeiras. A sensibilidade às vibrações longituninais (ao longo do eixo z. a aceleração tolerável é diferente daquela em outra frequência. parafusos ou outro sistema. por exemplo. Em cada direção. Acesso em: 8/6/2012 às 00:32h 63 . amplificador e um integrador ou diferenciador que permite a transformação da medida em sinal elétrico.br>. Sintomas principais relacionados com a frequência das vibrações O corpo humano reage às vibrações de formas diferentes.FATORES FÍSICOS | UNIDADE I Muitas vezes. para determinada frequência. pode ser inviável.

Degeneração gradativa do tecido muscular e nervoso. Comprometimento. em aeronaves ou veículos terrestres. 64 . vômitos e mal-estar geral. com sintomas de náuseas. que ocorre no mar. simulando uma labirintite. como visão turva. Manifestação do mal do movimento (cinetose). Efeitos no sistema gastrointestinal. dificultando o controle motor. além de lentidão de reflexos. causando perda da capacidade manipulativa e o tato nas mãos e dedos. Manifestação de alteração no sistema cardíaco. Apresentação de distúrbios visuais. inclusive permanente. especialmente para os submetidos a vibrações localizadas. com sintomas desde enjôo até gastrites e ulcerações. com aumento da frequência de batimento do coração. tal como a falta de concentração para o trabalho. de determinados órgãos do corpo. apresentando a patologia popularmente conhecida como dedo branco. Efeitos psicológicos.UNIDADE I | FATORES FÍSICOS Principais efeitos da vibração Perda do equilíbrio.

o critério é idêntico ao acima: 65 . o instrumental utilizado. c. serão caracterizadas como insalubres. Constarão obrigatoriamente do laudo de perícia: a. 3. deve tomar por base os limites de tolerância definidos pela Organização Internacional para a Normalização — ISO. f. Para a aposentadoria especial. 2. através de perícia realizada no local de trabalho. A insalubridade. A perícia. quando houver. em suas normas ISO 2631 e ISO/DIS 5349 ou suas substitutas. as medidas para eliminação e/ou neutralização da insalubridade. será de grau médio. d. às vibrações localizadas ou de corpo inteiro. quando constatada. a metodologia de avaliação. o resultado da avaliação quantitativa. sem a proteção adequada. visando à comprovação ou não da exposição. As atividades e operações que exponham os trabalhadores. e.1. 2. VIBRAÇÕES 1. a descrição das condições de trabalho e o tempo de exposição às vibrações.FATORES FÍSICOS | UNIDADE I Adicional de insalubridade e Financiamento da Aposentadoria Especial – FAE 25-6% (RFB) A exposição a vibrações é contemplada na legislação brasileira no Anexo 8 da NR-15. b. o critério adotado.

conforto e percepção. »» O valor total da aceleração ponderada da vibração nas coordenadas ortogonais é calculado pela fórmula: Assim. limite de exposição compatível com a saúde.com/doc/6660241/VibracoesVendrame>.scribd. Acessado em: 8/6/2012 às 01:45h . Síntese dos aspectos gerais da atual ISO 2631/1997: »» Ausência de limites de exposição à vibração. »» Fornece guias para a verificação de possíveis efeitos da vibração na saúde. »» Determina que os transdutores sejam posicionados na interface entre o corpo humano e a fonte de vibração. a aceleração combinada (at) dos três eixos é dada por: 66 14 <http://pt. de 1978. proficiência reduzida pela fadiga. de 1997. »» O método básico utilizado é o da aceleração ponderada. bem como indicar os principais fatores relacionados para se determinar o nível de exposição à vibração que seja aceitável14. Atualmente. »» Estabelece que a vibração seja medida de acordo com um sistema de coordenadas que se origina no ponto onde a vibração se incorpora ao corpo humano. que é expressa em m/s². não apresenta limites de exposição à vibração.UNIDADE I | FATORES FÍSICOS Vibrações de corpo inteiro – Norma ISO 2631/1997 A norma ISO 2631. limitando-se a definir um método para a avaliação de exposição à vibração de corpo inteiro. apresentava três limites distintos: conforto reduzido. a nova ISO 2631.

pois a maneira pela qual as vibrações afetam a saúde. As curvas (tabelas de ponderação) de frequência utilizadas estão abaixo descritas: 67 .FATORES FÍSICOS | UNIDADE I Faz-se necessário estabelecer ponderações Wk para o eixo z e Wd para os eixos x e y. percepção e enjôo dependem da frequência. Há diferentes frequências para diferentes eixos. conforto.

Os valores obtidos na avaliação devem ser comparados com o guia à saúde – zonas de precaução.UNIDADE I | FATORES FÍSICOS Considerando tais condições nos termos da norma atual. normalizando para jornada de 8 horas para as situações de vibração: à O sistema de coordenadas basicêntricos para as vibrações de corpo inteiro está representado na figura a seguir: Figura 28.com. reproduzido abaixo:15 68 15 <http://www.vendrame.br/novo/artigos/vibracoes_ocupacionais.pdf>. contido no Anexo B da ISO 2631/1997. Acessado em: 8/6/2012 às 01:48h . têm-se as seguintes formulações. Eixos de medição – corpo inteiro e localizada.

Acessado em: 8/6/2012 às 01:48h 69 .pdf>. foram obtidos os seguintes valores para operador de carregadeira: Solução: separa-se em duas situações: nas três direções e pela direção predominante. os efeitos à saúde não foram claramente documentados e/ou observados objetivamente. 16 <http://www.com. Acima da zona hachurada há indícios de prováveis riscos à saúde16.vendrame. Para exposições abaixo da zona hachurada.FATORES FÍSICOS | UNIDADE I A zona hachurada indica o potencial de risco à saúde.br/novo/artigos/vibracoes_ocupacionais. Aplicação prática Numa avaliação.

percebe-se que são prejudiciais as condições de trabalho.068 m/s2 – situação 1 –. quando se somam os vetores com a = 1. segundo o princípio da precaução sempre a favor do trabalhador.715 m/s2 – apresenta-se mais aceitável. todavia.3 da ISO 2683/1997.UNIDADE I | FATORES FÍSICOS Há aqui dois resultados (situação 1 e situação 2) que devem ser cotejados com alínea d do item 3. Interpretação: a situação 2 – vetor predominante com a = 0. 70 .

confinados. duração da exposição diária e tempo total de exposição. devido aos repetidos ataques isquêmicos. No Brasil. ou ambos. área e localização das partes da mão que estão expostas à vibração. osteoarticular e muscular. entretanto. prosseguindo a exposição. com a continuidade da exposição. A norma produz um critério (guia) para relacionamento da aceleração ponderada da vibração com o tempo diário de exposição. magnitude e direção das forças aplicadas pelo operador ao segurar a ferramenta ou peça. A recuperação se inicia com um rubor. sendo substituído por uma aparência cianótica dos dedos.500 Hz. às pontas.scribd. posicionamento das mãos. uma hipertemia reativa. primeiramente. cabe ao EST. magnitude do sinal de vibração. usualmente vista na palma. declarar se foi ou não ultrapassado o LT. Considera-se um sistema de coordenadas triortogonal com duas opções para posicionamento dos eixos: basicêntrica. avançando do punho para os dedos. o adicional de insalubridade de 20% sobre o salário-mínimo. tipo e condição do equipamento. nos casos avançados. a taxa metabólica.FATORES FÍSICOS | UNIDADE I Conclusão: deve-se pagar à RFB a alíquota de 6% devido ao Financiamento da Aposentadoria Especial – FAE. e a outra. o tato e a sensibilidade à temperatura ficam comprometidos. O formigamento ou adormecimento leve e intermitente. que toma como referência a interface da transmissão de vibração em uma pega cilíndrica. biodinâmica. pelo método de trabalho e habilidade do operador. são usualmente ignorados pelo paciente porque não interferem no trabalho ou em outras atividades. neurológica. mas há outros fatores envolvidos com o mecanismo do disparo: a temperatura central do corpo. Há perda de destreza e a incapacidade para a realização de trabalhos finos. o paciente pode experimentar ataques de branqueamento de dedos. pequenas áreas de necrose da pele aparecem na ponta dos dedos. ferramenta ou peça. frio frequente provoca os ataques. o número de ataques de branqueamento se reduz. por agentes que afetam a circulação periférica (fumo. mediante laudo técnico. Vibrações localizadas – Norma ISO 5349/2001 Os principais efeitos devidos à exposição à vibração no sistema mão-braço podem ser de ordem vascular. e. porém não define os limites de exposição segura 17. Os ataques de branqueamento duram usualmente de 15 a 60 minutos. que toma como referência a cabeça do terceiro metatarso. pelas condições climáticas. A faixa de frequência considerada é de 5 Hz a 1. braços e corpos durante a operação. nos casos avançados. Acesso em: 8/6/2012 às 00:33h 71 . podem durar de 1 a 2 horas. o tônus vascular (especialmente pela manhã) e o estado emocional. intermitente) e método de trabalho. configuração da exposição (contínua. finalmente.). A severidade da vibração transmitida às mãos nas condições de trabalho é influenciada pelos seguintes fatores: espectro de frequência das vibrações. os ataques podem estender-se à base do dedo. medicamento. drogas.com/doc/63197795/SESI-Tecnicas-de-Avaliacao-de-agentes-ambientais>. A severidade dos efeitos biológicos da vibração transmitida nas condições de trabalho pode ser influenciada pela direção da vibração transmitida à mão. álcool etc. Mais tarde. 17 <http://pt. bem como ao trabalhador.

UNIDADE I | FATORES FÍSICOS Cada segmento do corpo humano possui resposta específica à vibração.br>. Se a mão está em contato com a superfície vibrante. é permitida a utilização de uma adaptação para a montagem do transdutor. o transdutor pode ser montado diretamente nessa estrutura. em função da frequência. Acesso em: 8/6/2012 às 00:32h 72 19 <http://www. o sistema de coordenadas tem centro no tronco. Acesso em: 8/6/2012 às 00:32h . Na prática. daí por que a necessidade de estabelecimento de eixos para mensurar a exposição. As frequências consideradas nas medições devem abranger pelo menos as faixas de 5 a 1. além do que. Devem ser usados transdutores pequenos e leves. raramente é unidirecional. considera o efeito final no membro.com. para a vibração de mãos e braços há dois sistemas: »» o basicêntrico.com.500 Hz. com centro no terceiro osso metacarpiano da mão. 18 O acelerômetro deve ser montado no ponto (ou próximo) onde a energia é transmitida às mãos. A magnitude da vibração deve ser expressa pela aceleração ou em decibéis. Para vibração de corpo inteiro. e »» o biodinâmico.pdf>. localizado na interface entre a manopla e a mão.vendrame. A vibração deve ser medida nos três eixos ortogonais. o sistema basicêntrico é utilizado para avaliar a vibração no equipamento e o sistema biodinâmico. 19 18 <www.br/novo/artigos/vibracoes_ocupacionais. se existir material resiliente entre a mão e a estrutura. Qualquer análise efetuada deve ter por base o maior valor obtido em relação a esses eixos.cpsol. Consiste na medição da aceleração transmitida às mãos na direção dos três eixos ortogonais definidos pela norma. cuja avaliação é realizada no 3º matacarpiano da mão.

conforme fórmula: 20 Usa-se o h para indicar mão (hand).vendrame. bem como o w para o peso (weight).pdf>. 20 <www. conforme ISO 8041/2005. ahv.br/novo/artigos/vibracoes_ocupacionais. Isto é. o valor total da vibração. Acesso em: 8/6/2012 às 00:32h 73 . assim se distingue da vibração de corpo inteiro. abaixo descritas: A avaliação da exposição à vibração é baseada na quantidade combinada dos três eixos. é definido pela raiz média quadrática dos três valores componentes.FATORES FÍSICOS | UNIDADE I A ISO 5349/2001 estabelece ponderação por frequência em função da sensibilidade de respostas das mãos.com.

UNIDADE I | FATORES FÍSICOS Os valores obtidos da avaliação devem ser plotados no gráfico acima. quanto aos limites de tolerância. Porém. Para fins de elaboração do PPRA. mas sim um modelo de predição. afirmando que os dados não são conservadores e que. Os limites da ACGIH para vibrações de corpo inteiro Para a vibração de corpo inteiro. a ISO 5349. chegando à conclusão de que os limites da ISO 74 21 <www. a ACGIH utilizou a experiência de vários estudos. as vibrações são tratadas no Anexo 8 da NR-15 da Portaria nº 3.c. da NR-9. a ACGIH utiliza como base a norma ISO 2631 de 1985 e não a última versão de 1997.5. Acesso em: 8/6/2012 às 00:32h .3. a norma definia três tipos de limites. o anexo não estabelece limites de tolerância.1. os trabalhadores já apresentam sinais de dedos brancos. em sua revisão de 2001. tampouco na norma ISO 5349.214/1978. pelo eixo das abscissas até alcançar a reta do 10º percentil e rebatidos para o eixo das ordenadas.pdf>. obtendo-se a estimativa em anos para o aparecimento dos dedos brancos. Atualmente. Na versão de 1985. também não apresenta limite de tolerância. em anos.br/novo/artigos/vibracoes_ocupacionais. Vários estudos contrariam os números da ISO 5349. para o aparecimento de dedos brancos em 10% da população exposta. é citado que os limites anteriores eram seguros e preveniam efeitos indesejáveis. em menor tempo que o previsto na norma.com. Os estudos sugerem que os sintomas das vibrações de mãos e braços são raros em indivíduos expostos a 1m/s <A(8) < 2m/s² e sem registro para A(8) < 1m/s. 21 Finalmente. Para estabelecer seu limite de tolerância. uma vez que não há limites estabelecidos no Anexo 8 da NR-15. os quais foram excluídos na versão atual. fazendo menção (no caso de vibrações de extremidades) à norma ISO 5349 ou sua substituta. no prefácio da norma atual. respeitando-se o contido no item 9.vendrame. a solução é a utilização dos limites da ACGIH.

39 8.0 2 Solução: separam-se em duas abordagens: para as três direções e pela direção predominante.14 m/s2 Com esses dados. em bandas de terços de oitava.39 m/s2 Faz-se agora a normalização da aceleração para 8 horas.74 m/s2 Evento 2: = 14.5 m/s2 A(8) ou 9. Diretiva 2002/44/EC da comunidade europeia A Diretiva 2002/44/EC estipula os níveis de ação e limites de exposição para vibrações de corpo inteiro e de mãos e braços: Nível de ação Limite de exposição Mãos e braços 2. ou Transformada Rápida de Fourier.5 m/s2 A(8) 5. que equivale à metade do limite de exposição.1 VDV 1. segundo a fórmula: A(8) =AEQ = 13.0 5. com o risco mínimo de dores ou efeitos adversos nas costas.19 m/s2 75 .FATORES FÍSICOS | UNIDADE I 2631 não eram suficientemente seguros. foram obtidos os seguintes valores para duas situações de vibração de mão-braço: Situação Awhx Awhy Awhz Tempo (h) 1 7.0 10. jornada normal – aceleração equivalente normalizada – A(8) –. ou seja. optou por adotar os limites de proficiência reduzida por fadiga. Evento 1: = 11. FFT é um método numérico que possibilita transformar uma onda no domínio do tempo (tempo X amplitude) em um espectro. referem-se aos níveis e tempos de exposição para os quais se acredita que a maioria dos trabalhadores possa ser repetidamente exposta. FFT é a sigla de Fast Fourier Transform. uma vez que a exposição foi de 3 horas. devem sofrer uma análise espectral de Fourier. ou incapacidade para operar adequadamente veículos terrestres. para vibrações de corpo inteiro.0 6. Situação 1 à avaliação de exposição considerando a resultante ou vetor soma nos três eixos.0 m/s2 A(8) Corpo inteiro 0. Os limites de tolerância da ACGIH.0 8. assim.0 1 2 8. em cada eixo. calcula-se a aceleração equivalente para o tempo composto de exposição: AEQ = = 13.15 m/s2 A(8) ou 21 VDV Aplicação prática Numa avaliação. Os valores obtidos. um gráfico no domínio da frequência (frequência X amplitude).

21 e Awhz = 0. d.52 m/s2 Interpretação: aplicam-se os limites da ACGIH. Faz-se agora a normalização da aceleração para 8 horas. conforme ISO 5349/2001: a. Awhz Tempo (h) 8. no caso. considerando os três eixos (ciclo 1).41 e Awhz = 0. que não devem ser excedidos m/s2 g 4 horas e menos de 8 4 0. b. deve-se pagar à RFB a alíquota de 6% devido ao Financiamento da Aposentadoria Especial – FAE. uma vez que a exposição foi de 3 horas.0 2 Assim. logo. as acelerações equivalentes normalizadas – A(8) ficaram acima de 4 m/s2. c.12. frequência ponderada. a aceleração já é a equivalente àAEQ = = 7. A aceleração equivalente. bem como ao trabalhador o adicional de insalubridade de 20% sobre o salário mínimo.3.61 1 horas e menos de 2 8 0. é z. segundo a fórmula: A(8) =AEQ = 7. considerando o eixo dominante. Calcule e responda A análise de vibração junto ao operador de perfuratriz manual apresentou os seguintes valores (m/s2): Awhx = 0.50 ao longo 6 horas de operação (ciclo 1). jornada normal – aceleração equivalente normalizada – A(8) –. 76 .0 1 10.39 m/s2. para a jornada. Awhy = 0. que. considerando os três eixos (ciclo 2). Awhy = 0.1. nas duas situações (1 e 2).40 2 horas e menos de 4 6 0. Duração total da exposição diária valores do componente de aceleração dominante em rms. A aceleração equivalente. A aceleração total.22. em anos. Considerando a resultante dos três eixos (situação 1). segundo o contido no item 9. é possível estimar o tempo. para 10% da população exposta apresentar aparecimento da síndrome do dedo branco. segundo a fórmula: à à . tampouco na norma ISO 5349.22 Conclusão: conforme tabela acima. Determine.5. considerando os três eixos. bem como Awhx = 0. para a jornada.c. uma vez que não há limites estabelecidos no Anexo 8 da NR-15.UNIDADE I | FATORES FÍSICOS Situação 2 à avaliação de exposição considerando a direção predominante. A aceleração total.39 4.32 nas outras 2 horas (ciclo 2). que é a máxima sugerida para jornada de 8 horas. da NR-9 – tabela abaixo –.81 menos de 1 hora 12 1.

Em quanto tempo se espera que 10% dos expostos venham a apresentar a síndrome do dedo branco? 77 . Justifique a resposta e. g.FATORES FÍSICOS | UNIDADE I e. Conclua: é ou não ensejador de aposentadoria especial? f.

1 bar = 14. e o organismo humano está adaptado para respirar o oxigênio atmosférico a uma pressão em torno de 160 mmHg ao nível do mar. é a unidade de pressão no sistema inglês/americano: 1 psi = 0. especialmente o aumento da frequência respiratória. O bar é uma unidade de pressão (símbolo: bar) e equivale a exatamente 100. Se essa exposição se prolonga. s e vale uma dyn/cm². A atmosfera contém habitualmente cerca de 20% de oxigênio. fadiga muscular. Os seres humanos. que é definido como 101. podem respirar 100% de oxigênio de forma contínua durante 24-36 horas sem risco algum. A esta pressão. e os sintomas mais comuns são irritabilidade. O efeito é um menor aporte de oxigênio aos tecidos do corpo humano (hipóxia). edema cerebral e edema agudo do pulmão. a hemoglobina.5 psi. quando o homem está sujeito a pressões maiores que a pressão atmosférica. g. a adaptação deve melhorar após 2 a 3 dias de exposição. O órgão mais sensível à falta de oxigenação é o cérebro. A tolerância à altura varia de um indivíduo para outro e. uma quantidade significativa de oxigênio não é consumida e entra em solução física no plasma sanguíneo. libra por polegada quadrada. Para trabalhos sob condições de baixa pressão. à medida que se ganha altura sobre o nível do mar. encontra-se praticamente saturada (98%). Atmosfera é a pressão correspondente a 0. Esse valor de pressão é muito próximo ao da pressão atmosférica padrão. a longo prazo. A unidade no SI para medir a pressão é o Pascal (Pa).07 bar. Todavia. em grandes altitudes. diminuição da capacidade motora e sensitiva. PSI (pound per squareinch).325 Pa (pressão normal) e esse valor é normalmente associado a uma unidade chamada atmosfera padrão (símbolo atm). a molécula que transporta o oxigênio aos tecidos. nos casos mais graves. Bária é a unidade de pressão no sistema c.: 2 bars de pressão).CAPÍTULO 4 Pressões anormais O trabalho sob condição de alta pressão (condições hiperbáricas) ocorre em atividades ou operações sob ar comprimido ou em trabalhos submersos (mergulho).760 m (760 mm) de Hg de densidade 13. A pressão exercida pela atmosfera ao nível do mar corresponde a aproximadamente 101. em resposta. 78 À medida que aumenta a pressão.325 Pa. e o organismo. O plural do nome da unidade de pressão bar é bars (ex. .000 Pa (105Pa). enquanto a pressão hipobárica ocorre quando o homem está sujeito a pressões menores que a pressão atmosférica. como no caso dos aeronautas. como a hemoglobina está já saturada. a pressão total do ar ambiental e a concentração de oxigênio vão diminuindo gradualmente. hemorragias na retina e.5951 g/cm³ e numa aceleração da gravidade de 9. pode produzir. adota medidas compensatórias de adaptação fisiológica (“aclimatação”). em geral. na superfície terrestre.80665 m/s². alterações do sono. uma intoxicação pelo oxigênio. a hipóxia grave pode exercer diversos efeitos nocivos para o organismo humano.

FATORES FÍSICOS

| UNIDADE I

Após esse período, sobrevém a intoxicação pelo oxigênio (efeito de Lorrain-Smith). Os sintomas de toxicidade
pulmonar são, principalmente, a dor no peito (retroesternal) e a tosse seca. Em pressões superiores a 2
(duas) atmosferas, o oxigênio produz toxicidade cerebral, podendo provocar convulsões. A susceptibilidade
a convulsão varia consideravelmente de um indivíduo para outro. A administração de anticonvulsivantes
pode evitar as convulsões por oxigênio, mas não reduz a lesão cerebral ou da medula espinhal.
É exigida cuidadosa compressão e descompressão, de acordo com as tabelas do Anexo 6 da NR-15 da
Portaria nº 3.214/1978. O trabalho sob condições de alta pressão só é permitido para trabalhadores com
mais de 18 (dezoito) e menos de 45 (quarenta e cinco) anos de idade. Antes de cada jornada de trabalho,
os trabalhadores deverão ser inspecionados pelo médico, e o trabalhador não poderá sofrer mais de uma
compressão num período de 24 horas.

Tubulões a ar comprimido (túneis pressurizados)

São fundações profundas, normalmente verticais, empregadas para transmitir cargas de médio e grande
valor ao solo. Geralmente possuem seções transversais circulares, mas podem ter outras formas, como,
por exemplo, ovais. 22

Figura 29. Ilustração de tubulão de ar comprimido.
22 <http://www.drilling.com.br/?page_id=12>. Acessado em: 8/6/2012 às 02:04h

79

UNIDADE I | FATORES FÍSICOS
Ao executar tubulões onde o solo esteja abaixo do nível d’água, torna-se inviável o processo de esgotamento
(bombeamento), pois existe o risco de desmoronamento das paredes do fuste e/ou base. Nesse caso, são
utilizados tubulões pneumáticos, também conhecidos como a ar comprimido.
O dimensionamento do tubulão é análogo ao tubulão a céu aberto, com exceção do fuste que deve prever
um diâmetro mínimo de 70 cm no interior da sua camisa de concreto, esta com espessura mínima de 15
cm. O resultado é o fuste com diâmetro mínimo de 100 cm.
A camisa de concreto é sempre armada e a NBR 6122 recomenda que toda a armadura longitudinal seja
colocada, preferencialmente, nela. A concretagem do tubulão deve ser processada imediatamente após a
conclusão (no máximo 24 horas, conforme NBR 6122), e o concreto deve ser autoadensável (abatimento
em torno de 15 cm) para propiciar o preenchimento adequado sem a necessidade de adensamento. O
lançamento deve ser feito por meio do “cachimbo” de concretagem.23
A duração do período de trabalho sob ar comprimido não poderá ser superior a 8 horas, em pressões
de trabalho de 0 a 1,0 kgf/cm², a 6 horas em pressões de trabalho de 1,1 a 2,5 kgf/cm², e a 4 horas, em
pressão de trabalho de 2,6 a 3,4 kgf/cm². Nenhum trabalhador pode ser exposto à pressão superior a 3,4
kgf/cm². Após a descompressão, os trabalhadores são obrigados a permanecer, no mínimo, por duas
horas, no local de trabalho, cumprindo um período de observação médica. Como é possível a ocorrência
de necrose óssea, especialmente nos ossos longos, é também obrigatória a realização de radiografias de
articulações da coxa e do ombro, por ocasião do exame admissional e, posteriormente, a cada ano.
Pela NR-15, Anexo 6, tem-se para tubulões a ar comprimido:

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23 <http://www.drilling.com.br/?page_id=12>. Acessado em: 8/6/2012 às 02:04h

FATORES FÍSICOS

| UNIDADE I

Aplicação prática
Problema: se um trabalhador permaneceu durante 1h15 à pressão de 2,2 kgf/cm2, como proceder à
descompressão?
Solução: aplicação à gráfico de compressão e descompressão. Segue-se o roteiro de compressão da NR16, Anexo 6:

O gráfico que segue abaixo, perfazendo as velocidades de kgf/cm2 recomendadas, dispõe os tempos em
minutos e segundos.

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UNIDADE I | FATORES FÍSICOS
Na sequência, faz-se descompressão, pela Tabela 20 da NR-15, Anexo 6, pois é onde se encontra o tempo
de trabalho dado na questão, bem como a pressão de interesse (2,2 kgf/cm2).

Faz-se o gráfico de descompressão seguindo os patamares de três estágios indicados pela Tabela 20 da
NR-15, Anexo 6 para a pressão de interesse (2,2 kgf/cm2).

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FATORES FÍSICOS

| UNIDADE I

Compondo os dois gráficos, tem-se o circuito completo de compressão-descompressão, conforme gráfico
a seguir:

Figura 30. Gráfico do circuito de trabalho para pressão de interesse de 2,2 kgf/cm2.

Conclusão: para condições de trabalho hiperbárico, basta o reconhecimento da atividade, uma vez que
é de natureza qualitativa (tanto faz a pressão de exposição). Nesse sentido, deve-se pagar ao trabalhador
o adicional de insalubridade de 40% sobre o salário mínimo e à RFB, a alíquota de 6% devido ao
Financiamento da Aposentadoria Especial – FAE, definido pelo Decreto nº 3.048/1999 – Anexo IV, item
2.0.5 (Aposentadoria especial: pressão atmosférica anormal, que menciona: a. trabalhos em caixões ou
câmaras hiperbáricas; b. trabalhos em tubulões ou túneis sob ar comprimido e c. operações de mergulho
com o uso de escafandros ou outros equipamentos)24.
Apresente gráfico de compressão e descompressão
Considere pressão de trabalho de 2 kgf/cm2 durante 3 horas, bem como um tempo
de observação de 10’ (apresente memória de cálculo).

24 As operações de mergulho não são tratadas neste curso, dada a alta especificidade e o baixo alcance no universo laboral brasileiro, ficando,
porém, ao aluno, caso necessite se posicionar quanto a este tipo de exposição, a indicação procedimental asseverada no Anexo 6 da NR-15.

83

Essa menor estrutura. que significa indivisível. é denominada átomo. correspondentes aos planetas. Estrutura atômica. um elemento químico bastante conhecido e fácil de ser encontrado. Acessado em: 8/6/2012 às 02:07h . mas sem carga. sabemos que o átomo é constituído por partículas menores (subatômicas). Os elétrons são partículas de carga negativa e massa muito pequena. O átomo possui também. obteremos pedaços cada vez menores. seria a menor porção da matéria e teria uma estrutura compacta. até o momento. chamadas prótons. como o sistema solar. distribuídas numa forma semelhante à do sistema solar. até atingirmos um tamanho mínimo.CAPÍTULO 5 Radiações ionizantes Para começar. grandes espaços vazios.com. denominadas nêutrons. Como eles estão juntos no núcleo. na forma acima definida. 84 25 <http://www.25 Figura 31. denominadas elétrons.portalsaofrancisco. isto é. Os prótons têm a tendência de se repelirem. porque têm a mesma carga (positiva). e minúsculas partículas que giram em seu redor. Se triturarmos uma barra de ferro. onde fica concentrada a massa do átomo. Por muito tempo. Atualmente. relembre a estrutura da matéria. a energia de ligação dos núcleons (partículas do núcleo). que ainda apresentará as propriedades químicas do ferro. não totalmente identificadas. que apresenta ainda as propriedades de um elemento químico.br/alfa/meio-ambiente-energia-nuclear/energia-nuclear-9. que podem ser atravessados por partículas menores que ele. e de partículas de mesmo tamanho. Prótons e nêutrons são mantidos juntos no núcleo por forças. O núcleo do átomo é constituído de partículas de carga positiva. Existe um núcleo. O ferro é um material. comprova-se a existência de uma energia nos núcleos dos átomos com mais de uma partícula para manter essa estrutura. A energia que mantém os prótons e nêutrons juntos no núcleo é a energia nuclear. pensou-se que o átomo. ou melhor. equivalente ao Sol.php>.

Tal processo é denominado reação de fissão nuclear em cadeia ou. possível que esses nêutrons atinjam outros núcleos de urânio-235.br/ensino/apostilas/energia. além dos núcleos menores. liberando muito calor. então.gov. em cada reação de fissão nuclear resultam. Figura 32. antes constituindo um só núcleo maior. restava descobrir como utilizá-la. é denominada fissão nuclear. pelo impacto de um nêutron. Energia nuclear baseada na divisão do núcleo de um átomo pesado. A energia que mantinha juntos esses núcleos menores. dois a três nêutrons. isto é. reação em cadeia. em forma de calor (energia térmica). Torna-se. Fissão Nuclear Reação em Cadeia – Na realidade. 26 <http://www. seria liberada. Seria como jogar uma bolinha de vidro (um nêutron) contra várias outras agrupadas (o núcleo).pdf>. com muitos prótons e nêutrons. em dois núcleos menores. A divisão do núcleo de um átomo pesado. na maior parte. A forma imaginada para liberar a energia nuclear baseou-se na possibilidade de partir-se ou dividir-se o núcleo de um átomo pesado. em dois menores.26 Figura 33. Fissão Nuclear Reação em Cadeia.FATORES FÍSICOS | UNIDADE I Uma vez constatada a existência da energia nuclear. como consequência da absorção do nêutron que causou a fissão. Acessado em: 8/6/2012 às 02:07h 85 . por exemplo.cnen. quando atingido por um nêutron. do urânio-235. simplesmente. sucessivamente.

normalmente. Trata-se do urânio-238. restava saber como controlar a reação em cadeia. o hidrogênio. de 0. em consequência. O urânio encontrado na natureza precisa ser tratado industrialmente. mesmo para uma quantidade relativamente pequena de urânio. de difícil controle. São também átomos do elemento urânio. ou seja. Já o urânio-235 pode ser fissionado por nêutrons de qualquer energia cinética. Além do urânio-235.2%. a concentração de urânio-235. é conhecido como enriquecimento de urânio. denominados nêutrons térmicos (lentos). Sua massa é. a fissão de cada átomo de urânio-235 86 . Urânio-235 e urânio-238 são isótopos de urânio. Nos reatores nucleares do tipo PWR. número atômico 92.7% para 3. porque têm 92 prótons. não pararia. ser purificado e convertido em gás. é necessário haver a proporção de 32 átomos de urânio-235 para 968 átomos de urânio-238. no caso o urânio-235. Para ser possível a ocorrência de uma reação de fissão nuclear em cadeia. Para isso deve. pode ocorrer uma reação em cadeia muito rápida. é necessário haver quantidade suficiente de urânio-235. Descoberta a grande fonte de energia no núcleo dos átomos e a forma de aproveitá-la. os países que as detêm oferecem empecilhos para que outras nações tenham acesso a elas.UNIDADE I | FATORES FÍSICOS O urânio-235 é um elemento químico que possui 92 prótons e 143 nêutrons no núcleo. que tem três isótopos: hidrogênio. com o objetivo de elevar a proporção (ou concentração) de urânio-235 para urânio-238. A quantidade de urânio-235 na natureza é muito pequena: para cada 1. até consumir quase todo o material físsil (= que sofre fissão nuclear). 7 são de urânio-235 e 993 são de urânio-238 (a quantidade dos demais isótopos é desprezível). 3. átomos com 92 prótons e 146 nêutrons (massa igual a 238). Enriquecimento de Urânio – O processo físico de retirada de urânio-238 do urânio natural. como já foi dito. se houver quase só urânio-235. em maior quantidade. que. preferencialmente os de baixa energia. Como já foi visto. por exemplo.000 átomos de urânio. Urânio enriquecido. Foram desenvolvidos vários processos de enriquecimento de urânio. Isótopos: são átomos de um mesmo elemento químico que possuem massas diferentes. entre eles o da difusão gasosa e da ultracentrifugação (em escala industrial). Se o grau de enriquecimento for muito alto (acima de 90%). passando a constituir-se em uma explosão: é a bomba atômica. que é fissionado por nêutrons de qualquer energia. o do jato centrífugo (em escala de demonstração industrial) e um processo a laser (em fase de pesquisa). Por se tratarem de tecnologias sofisticadas. primeiramente. aumentando. Muitos outros elementos apresentam essa característica. existem na natureza. como. ou seja. que só tem possibilidade de sofrer fissão por nêutrons de elevada energia cinética (os nêutrons rápidos).2% de urânio-235.000 átomos de urânio. 92 + 143 = 235. em cada grupo de 1. deutério e trítio. isto é. portanto.

isto é. diferindo-se da luz e do calor. Alguns elementos químicos. embora fizessem parte do meio ambiente. Antoine Henri Becquerel anunciou que um sal de urânio com que ele fazia seus experimentos emitia radiações espontaneamente. na forma de ácido bórico ou de metal.gov. O casal Pierre e Marie Curie foi responsável pela descoberta e isolamento dos elementos químicos naturalmente radioativos – o polônio e o rádio. em barras metálicas. Acessado em: 8/6/2012 às 02:07h 87 .br/ensino/apostilas/energia. 27 Figura 34. 28 Mais tarde. e o cádmio. Histórico A radioatividade e as radiações ionizantes não são percebidas naturalmente pelos órgãos dos sentidos do ser humano. pois. porque seus núcleos podem conter ainda um número de nêutrons superior ao existente em seu estado natural. Em 1895. Eles permitiam obter imagens do interior do corpo.gov.cnen. em 1896. foi instalada a primeira unidade de radiografia diagnóstica nos Estados Unidos. causavam fluorescência e impressionavam chapas fotográficas. para geração de energia elétrica. provocavam fluorescência em determinadas substâncias e impressionavam chapas fotográficas. como o boro. atravessavam materiais opacos. mostrou que essas radiações apresentavam características semelhantes às dos raios X.pdf>.pdf>.FATORES FÍSICOS | UNIDADE I resulta em 2 átomos menores e 2 a 3 nêutrons. não pode haver reação de fissão em cadeia. resultando na formação de isótopos de boro e de cádmio. em 1896. Acessado em: 8/6/2012 às 02:07h 28 <http://www. As ideias a respeito da constituição da matéria e dos átomos foram sendo elucidadas pelos estudos e experimentos que se seguiram às descobertas da radioatividade e das interações das radiações com a matéria.br/ensino/apostilas/energia. Não havendo nêutrons disponíveis.cnen. têm a propriedade de absorver nêutrons. Os raios X atravessavam o corpo humano. que irão fissionar outros tantos núcleos de urânio-235. 27 <http://www. o pesquisador alemão Wilhelm Conrad Roentgen descobriu os raios X. Controle da reação de fissão nuclear em cadeia – reatores nucleares. Sua aplicação foi rápida. A grande aplicação do controle da reação de fissão nuclear em cadeia é nos reatores nucleares. As pesquisas e as descobertas sucederam-se. Talvez seja por isso que a humanidade não conhecia sua existência nem seu poder de dano até os últimos anos do século XIX. Naquele mesmo ano. cujas propriedades despertaram o interesse da classe médica. A forma de controlar a reação em cadeia consiste na eliminação do agente causador da fissão: o nêutron.

Em 1939. na área da saúde. mecânica quântica e ondulatória. Muitos radiologistas morreram ao redor de 1922 em consequência dos danos causados pelas radiações. com a finalidade de proteger os indivíduos. Atualmente.ebah. Lamentavelmente. Niels Bohr.UNIDADE I | FATORES FÍSICOS Os conhecimentos obtidos por muitos pesquisadores e cientistas contribuíram para o desenvolvimento da física atômica e nuclear. Max Planck. mas também muitas pessoas atingidas morreram posteriormente pelos efeitos causados pelas radiações ionizantes. ao final dos anos 1930 e início dos anos 1940. O efeito das bombas não se restringiu à explosão propriamente dita e ao calor gerado por ela. A busca da hegemonia nuclear levou à construção da bomba atômica. Essas lesões foram provocadas pelas radiações emitidas pelos sais de rádio. Podem ser citados Ernest Rutherford.br/content/ABAAAAJLwAE/protecao-radiologica-ipen>. Albert Einstein. principalmente. Esses acontecimentos ocorreram quando não se tinha ainda o entendimento adequado sobre os efeitos biológicos das radiações ionizantes. na fissão do átomo. Em 1945. Louis de Broglie. entre outros. ou seja. muitos países estavam envolvidos na 2ª Guerra Mundial. Esses conhecimentos científicos possibilitaram a construção de reatores nucleares e explosivos nucleares. Essa energia foi designada como energia atômica e mais tarde como energia nuclear. nos anos que prenunciam o século XXI. além das explosões de Hiroshima e Nagasaki. 88 29 <http://www. houve uma preocupação em se aplicar a energia proveniente do núcleo do átomo em benefício da humanidade.com. a proteção radiológica. a sociedade continua utilizando os materiais radioativos e a energia nuclear nas mais diversas áreas do conhecimento. entre 1917 e 1924. Esses fatos despertaram a atenção da comunidade científica e fizeram com que fosse criado um novo ramo da ciência. Enrico Fermi. já se sabia que o átomo podia ser rompido e que uma grande quantidade de energia era liberada na ruptura. regulamentando e limitando o uso das radiações em condições aceitáveis. a humanidade tomou conhecimento do poder destruidor das bombas atômicas lançadas nas cidades de Hiroshima e Nagasaki. As alternativas eram a construção de usinas elétricas e a aplicação de materiais radioativos para melhorar as condições de vida da população.29 Com o término da 2ª Guerra Mundial. em vista da situação mundial. apresentaram lesões nos ossos e muitas delas morreram. Acessado em: 8/6/2012 às 02:14h . ingeridos pelas operárias durante o seu trabalho. Operárias que trabalhavam pintando painéis e ponteiros luminosos de relógio em New Jersey. A história do desenvolvimento da energia nuclear foi acompanhada também por outros acontecimentos desagradáveis.

por ter excesso de partículas ou de carga. Acessado em: 8/6/2012 às 02:14h 31 <http://www.br/ensino/apostilas/energia.cnen. outros grupos foram criados com o objetivo de aprofundar os estudos neste campo. a – International Commission on Radiological Protection (ICRP). Essa comissão. Posteriormente. foi estabelecida uma comissão de peritos em proteção radiológica para sugerir limites de dose e outros procedimentos de trabalho seguro com radiações ionizantes. com massas próximas à do urânio. 31 Figura 35. e a International Atomic Energy Agency (IAEA). na época denominada raios ou radiações. 30 <http://www. e os elementos que apresentavam essa propriedade foram chamados de elementos radioativos. A IAEA promove a utilização pacífica da energia nuclear pelos países membros e tem publicado padrões de segurança e normas para manuseio seguro de materiais radioativos. Comprovouse que um núcleo muito energético. 30 Como exemplos têm-se o United Nations Scientific Committee on the Effects of Atomic Radiation (UNSCEAR) – criado em Assembleia Geral da ONU. com sede em Viena. Definições O esquecimento de uma rocha de urânio sobre um filme fotográfico virgem levou à descoberta de um fenômeno interessante: o filme foi velado (marcado) por alguma coisa que saía da rocha. tende a estabilizar-se. ainda continua como um órgão científico que elabora recomendações sobre a utilização segura de materiais radioativos e de radiações ionizantes. fundada em 1957 como órgão oficial da ONU. O fenômeno foi denominado radioatividade.br/content/ABAAAAJLwAE/protecao-radiologica-ipen>. emitindo algumas partículas.gov. transporte e monitoração ambiental. Outros elementos pesados. Fluxo de geração de radioatividade.com.pdf>. também tinham a mesma propriedade.ebah.FATORES FÍSICOS | UNIDADE I Em 1928. Acessado em: 8/6/2012 às 02:07h 89 . em 1955. como o rádio e o polônio.

a produção de íons e elétrons livres devido à ionização. laser. Das radiações particuladas sem carga elétrica. Radiações ionizantes à Ao interagir com a matéria. ao interagir. desde valores pequenos até muito elevados. 32 Figura 36. e que. o aquecimento de alimentos num forno de micro-ondas. podem produzir variados efeitos sobre a matéria. com massa.000 km/s = velocidade da luz. a sensação de calor provocada por feixes de lasers.gov. As radiações sob a forma de partículas. insípidas e indolores. carga magnética. então. radicais e elétrons livres na matéria que sofreu a interação. a percepção de uma mensagem codificada e manipulada em áudio e vídeo numa televisão.10–13 Joule.108m/s = 300. eventualmente carga elétrica e magnética.6. uma imagem obtida numa chapa radiográfica ou. raios X e radiação gama. Um eletronvolt (eV) é a energia cinética adquirida por um elétron ao ser acelerado por uma diferença de potencial elétrica de 1 Volt. radiação beta. Para se ter uma ideia da velocidade delas. o suficiente para quebrar as ligações químicas ou expulsar elétrons dos átomos após colisões. as radiações ionizantes são: invisíveis. radiação alfa.UNIDADE I | FATORES FÍSICOS Radiações à São ondas eletromagnéticas ou partículas que se propagam com alta velocidade e portando energia.pdf>. A ionização se deve ao fato de as radiações possuírem energia alta. feixes de prótons. micro-ondas. O valor 3. ondas de rádio AM e FM. Elas podem ser geradas por fontes naturais ou por dispositivos construídos pelo homem. Possuem energia variável. carga elétrica.0. mais comuns são feixes de elétrons. 90 32 <http://www. os diferentes tipos de radiação podem produzir variados efeitos que podem ser simplesmente a sensação de cor. As radiações eletromagnéticas mais conhecidas são: luz. Propriedades das radiações ionizantes à Sob o ponto de vista dos sentidos humanos. a mais conhecida é o nêutron.cnen. Acessado em: 8/6/2012 às 02:07h . alguns valores são mostrados na Figura 36. energia e velocidade. radar. Radiação.br/ensino/apostilas/energia. inaudíveis. As radiações são denominadas de ionizantes quando produzem íons. MeV = 106 e V = 1. inodoras.

não fica e nem pode ficar radioativo. É uma radiação bastante penetrante e.cnen. Raios X de alta energia podem ser obtidos por freamento de feixes de elétrons de alta energia. Acessado em: 8/6/2012 às 02:07h 91 . para as aplicações mais conhecidas. que ainda é muito usada. dependendo de sua energia. Elétrons das camadas externas fazem transições para ocupar lacunas produzidas pelas radiações nas camadas internas. são também denominados de radiação de fretamento. que são acelerados fortemente por uma diferença de potencial elétrica (kilovoltagem) até um alvo metálico (anodo). Já as partículas alfa possuem um poder de atravessar a espessura de uma folha de papel.FATORES FÍSICOS | UNIDADE I Além da capacidade de ionização. basicamente. Como as energias das transições são típicas da estrutura de cada átomo. produzidos por aceleradores de partícula. Os eletrodos estão contidos numa ampola de vidro onde se fez vácuo para evitar a sua oxidação. É bom observar que. como medidores de nível e gamagrafia. As radiações eletromagnéticas do tipo X e gama são as mais penetrantes e. A unidade utilizada para expressar a atividade de uma fonte é o Becquerel (Bq). Existe uma unidade antiga de atividade. mais intensificados. numa técnica de análise de materiais denominada de fluorescência de raios X. é bastante utilizada em aplicações médicas de radioterapia e aplicações industriais. Nesse caso.pdf>. Por isso são muito utilizadas para a obtenção de radiografias e para controlar níveis de material contidos em silos de paredes espessas. o seu poder de ionização é muito grande. mas um gerador de radiação. ao colidirem com alvos metálicos.br/ensino/apostilas/energia. conforme sua energia. ao se desligar uma máquina de raios X. gerando uma estrutura mais estável. denominadas de raios X. Raios X (característicos) à São radiações eletromagnéticas de alta energia originadas em transições eletrônicas do átomo que sofreu excitação ou ionização após interação. A maioria dos elétrons acelerados são absorvidos ou espalhados. Qualquer material irradiado por raios X. a intensidade e a energia com que é emitida permite caracterizar o radioisótopo. próximas do núcleo. Por isso. elas podem ser utilizadas para a sua identificação. Dependendo de sua energia. Entretanto. Por depender da estrutura nuclear. ela não produz mais radiação e. é capaz de atravessar grandes espessuras. Cerca de 5% dos elétrons sofrem reduções bruscas de velocidade. podem atravessar milímetros e até centímetros de tecido humano. as radiações ionizantes são bastante penetrantes quando comparadas com os demais tipos. 33 Raios X à Os raios X utilizados nas aplicações técnicas são produzidos por dispositivos denominados de tubos de raios X. denominada Curie (Ci) = 3. salas de radiodiagnóstico ou radioterapia. produzindo aquecimento no alvo.1010Bq.7. a instalação deve ser bem blindada e os cuidados com a radioproteção. portanto. efeitos de ativação de materiais podem ocorrer devido a ocorrência de reações nucleares. não constitui um equipamento radioativo.gov. emitindo o excesso de energia sob a forma de raios X. Devido ao processo como são produzidos. em um filamento que produz elétrons por emissão termoiônica (catodo). e a energia dissipada se converte em ondas eletromagnéticas. Radiação gama à É uma radiação emitida pelo núcleo atômico com excesso de energia (no estado excitado) após transição de próton ou nêutron para nível de energia com valor menor. Ele é definido como uma transformação nuclear por segundo. como consultórios dentários. Para radiações acima de 10 MeV. que consistem. 33 <http://www. muito menos os locais onde são implementadas. As radiações beta são pouco penetrantes em relação às anteriores. podem atravessar vários centímetros do tecido humano até metros de blindagem de concreto. onde colidem.

sua energia é variável. tornando-os radioativos. Para trabalhar com radiações ionizantes e com materiais radioativos. aceleradores de partículas.1 No Brasil. a utilização das radiações ionizantes e dos materiais radioativos e nucleares é regulamentada pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). consegue atravessar espessura de alguns milímetros. radônio. são induzidas reações nucleares por meio de feixes de radiação. emitem várias radiações alfa em suas transições nucleares. Figura 37. como reatores nucleares. Grandezas. Por compartilhar. quando em grande quantidade. são inofensivas. Muitos radionuclídeos naturais. acompanhado de uma partícula neutra de massa desprezível. emitida por núcleos instáveis de elevada massa atômica. Podem. Essa propriedade permite aplicações médicas em superfícies da pele ou na aceleração da cicatrização de cirurgias plásticas ou do globo ocular. podem causar danos significativos na mucosa que protege os sistemas respiratório e gastrointestinal e nas células dos tecidos adjacentes. por mecanismos de contaminação natural ou acidental. por radioisótopos ou por fissão. As intensidades e as energias das radiações alfa emitidas por um nuclídeo. Porém. como urânio. Os nêutrons são muito penetrantes devido a sua grande massa e ausência de carga elétrica. Nêutrons (n) à Os nêutrons podem ser produzidos por vários dispositivos. tório. servem para identificá-lo numa amostra. ser capturados por núcleos do material-alvo. Seu poder de penetração é pequeno e depende de sua energia. carga 2+ e com bastante energia cinética. denominada de neutrino.UNIDADE I | FATORES FÍSICOS Radiação beta à Consiste de um elétron negativo ou positivo emitido pelo núcleo na busca de sua estabilidade. respectivamente. quando um nêutron se transforma em próton ou um próton se transforma em nêutron. pois não conseguem atravessar as primeiras camadas epiteliais. Para exposições externas. a energia da transição com o neutrino. aleatoriamente. providos de alvos especiais e por fontes de nêutrons. inclusive. apresentando um espectro contínuo até um valor máximo. quando os radionuclídeos são ingeridos ou inalados. As radiações alfa têm um poder de penetração muito reduzido e uma alta taxa de ionização. bismuto. 92 . Para o tecido humano. símbolos e unidades no SI. Neles. as radiações alfa. Radiação alfa à É uma radiação constituída de dois prótons e dois nêutrons. são necessários conhecimento e responsabilidade.

ocorre a produção de adenosina trifosfato (ATP). o que inclui moléculas orgânicas lesadas por ação das radiações ionizantes. e o homem. No meio intercelular. alimentos de origem animal e vegetal e oxigênio do ar garantem a subsistência animal. principalmente. Este processo envolve uma sequência de reações de oxidação e de redução que resultam na queima da glicose. elementos químicos diversos etc. DNA. também específicas. serão elétrons de átomos destes elementos. ácidos graxos. A ingestão de água. hidrogênio. alimentos diversos. o que reflete a composição química da célula e permite afirmar que. Os produtos e subprodutos assim obtidos são utilizados pela célula como substrato para os mais diferentes processos. A água participa praticamente de todas as reações metabólicas em um organismo. a energia da radiação deve ser superior ao valor da energia de ligação dos elétrons unidos aos átomos destes elementos. em caso de exposição às radiações. nucleotídeos.FATORES FÍSICOS | UNIDADE I Consequências biológicas da interação das radiações ionizantes com um ser vivo Considerando que as moléculas biológicas são constituídas. e do conjunto de enzimas envolvido com todo o metabolismo celular. A transformação de uma molécula específica (água. a geração de novas entidades químicas no sistema também deve ser analisada considerando seu impacto na célula irradiada. A energia necessária para a manutenção de todo o metabolismo biológico é obtida a partir da respiração celular. Na espécie humana. O efeito desta transformação deve ser acompanhado nas células. Associada à respiração. oxigênio e nitrogênio. obtêm substrato para o metabolismo de suas células do próprio meio ambiente. são cerca de 2x1025 moléculas de água por quilograma. estas substâncias são metabolizadas pela ação de enzimas. as moléculas atingidas em maior número serão moléculas de água. em particular. característica de um determinado organismo. os elétrons que provavelmente serão arrancados de um átomo. Açúcares.) pela ação das radiações leva a consequências que devem ser analisadas em função do papel biológico desempenhado pela molécula atingida. Da mesma maneira. A molécula de água é a mais abundante em um organismo biológico. poderá. vitaminas. por átomos de carbono. 93 . Para que ocorra ionização em um material biológico. proteína. no caso de irradiação de um ser vivo. RNA etc. aminoácidos. cuja estrutura química permite o armazenamento de energia para posterior utilização em reações bioquímicas que envolvam seu consumo. visto serem estas as unidades morfológicas e fisiológicas dos seres vivos. por ele. qualquer molécula biológica. ser sintetizada e/ou substituída. oxigênio. Diferentes etapas da respiração celular são mediadas pela ação de enzimas específicas. Moléculas de água irradiadas sofrem radiólise. com produção de CO2 e água. Moléculas orgânicas lesadas por ação das radiações ionizantes Enquanto um organismo dispuser de fontes de água. açúcar. Os produtos da digestão são transportados pela corrente sanguínea para os tecidos onde são incorporados às células. Os animais. são obtidos a partir do ataque dos alimentos ingeridos por enzimas específicas. em geral.

inciso XXIII. 7°. registrados no Ministério do Trabalho”. a Portaria n° 3. »» Norma CNEN NE 3.UNIDADE I | FATORES FÍSICOS Referências normativas – Financiamento da Aposentadoria especial – FAE. »» Instrução Normativa n° 45/2010 do INSS – Art. »» Norma CNEN NE 3. Todavia. 94 34 Segundo a CRFB-88. »» Portaria MTE n° 453/1998 – do Ministério da Saúde – Aprova o regulamento técnico que estabelece as diretrizes básicas de proteção radiológica em radiodiagnóstico médico e odontológico. »» Norma CNEN NE 6. conforme art. insalubridade e periculosidade »» Convenção da OIT n° 115/1956 – Aprovada pelo Decreto n° 41. dispõe sobre o uso dos raios x diagnósticos em todo território nacional e dá outras providências. insalubres ou perigosos na forma da lei. envolvendo inflamáveis e explosivos. »» Portaria MTE n° 3.214/1978 do MTE – Anexo 7 da NR-15 – Normas regulamentadoras. exclusivamente.02 – Versa sobre licenciamento de instalações radiativas. Capítulo V.02 – Trata dos serviços de radioproteção. é direito dos trabalhadores urbanos e rurais o adicional de remuneração para as atividades penosas. far-se-ão através de perícia a cargo de Médico do Trabalho ou Engenheiro do Trabalho. »» CLT – Título II. em seu art. conforme estabelecido na NR-16. A caracterização do exercício de atividade insalubre ou perigosa requer a prova pericial.514/1977 e Portaria nº 3. 195. »» Lei n° 6. 195 da CLT “art. dada pela Portaria MTE n° 3. que trata da proteção contra radiações ionizantes. »» Norma Fundacentro – NHO 05 – Trata da avaliação da exposição ocupacional aos raios X nos serviços de radiologia.01 – Versa sobre as diretrizes básicas de radioproteção.393/1987 do MTE acrescentou como atividades perigosas aquelas que envolvem as radiações ionizantes.03 – Trata da certificação da qualificação de supervisores de radioproteção. »» Portaria MTE n° 518/2003 – Restabelece a periculosidade ao se restabelecer a diretriz inicial. A caracterização e a classificação da insalubridade ou da periculosidade. »» Norma CNEN NE 3.393/1987 – Versa a respeito de adicional de periculosidade. »» Portaria MTE n° 453/1998 – O MTE recua deixando apenas como insalubre. da definição das atividades perigosas exercidas em áreas de risco para fins de caracterização da periculosidade. »» Portaria MTE n° 25/1994 – Altera o texto da NR-9 – PPRA. segundo as normas do Ministério do Trabalho. »» Portaria MTE n° 1/1982 – Trata de instalações nucleares.721/1956. O trabalho em condições de periculosidade34 assegura ao empregado um adicional de 30% sobre o salário sem os acréscimos resultantes de gratificações.393/1987. 241. Seção “Das atividades insalubres ou perigosas”. . que trata. prêmios ou participações nos lucros da empresa.

.. ou daquela que venha substituí-la....0 mRem/semana . 0. Parágrafo único. conforme Norma CNEN-NE-3. Quando se tratar de exposição ao raio-X em serviços de radiologia. aqueles constantes na Resolução CNEN-NE-3... com dispositivos individuais (dosímetros) colocados sobre o corpo......0005 mSv/h – 0...01: Diretrizes Básicas de Radioproteção..05 mRem/h ... no caso. aprovada. são os constantes da Norma CNEN-NE3.. 0...... 50 mSv/ano Assim........25 mSv/h – 20 mRem/dia ......004 mSv/dia – 2. trabalhadores... Os limites máximos de doses permissíveis...... são os seguintes: Para indivíduos do público: – 0....00 mSv/ano Para trabalhadores: – 2........ 0.... os limites de tolerância.. 0..... De posse dos resultados. 1... enquanto o monitoramento individual é o monitoramento de pessoas.....01....2 mSv/dia – 100 mRem/semana . 241.. em caráter experimental.. Entende-se por monitoramento radiológico a medição de grandezas relativas à radioproteção para fins de avaliação e controle das condições radiológicas onde existe ou se pressupõe a existência de radiação.... pela Resolução – CNEN 12/98.. dispõe que: Nas atividades ou operações onde trabalhadores possam ser expostos a radiações ionizantes... incluindo medição de grandezas relativas a campos externos de radiação...0 mSv/semana – 500 mRem/ano .....01..5 mRem/h .. 1.. A exposição ocupacional a radiações ionizantes dará ensejo à aposentadoria especial quando forem ultrapassados os limites de tolerância estabelecidos no Anexo 5 da NR-15 do MTE.... para os demais casos.1 Rem) . as obrigações e controles básicos para a proteção do homem e do seu meio ambiente contra possíveis efeitos indevidos causados pela radiação ionizante..... A IN INSS nº 45/2010 estabelece: Art..02 mSv/semana – 100 mRem/ano (0...... estes devem ser comparados com os limites estabelecidos pela Norma CNEN-NE-3... contaminação de superfícies e contaminação do ar...... deverá ser obedecida a metodologia e os procedimentos de avaliação constantes na NHO 05 da Fundacentro.. a NR-15 faz referência à Norma do CNEN para o levantamento radiométrico é as medidas de proteção contra as radiações ionizantes.01... de julho de 1988...... os princípios... constitui hipótese de incidência tributária ao FAE (insalubre) a exposição às radiações ionizantes quando forem ultrapassados os limites de tolerância estabelecidos no Anexo 5 da 95 . 0... Anexo 5.FATORES FÍSICOS | UNIDADE I A NR-15........ Assim......4 mRem/dia ... Monitoramento de área é a avaliação e controle das condições radiológicas das áreas de uma instalação industrial...

deveria considerar também como periculosidade) das radiações ionizantes. pois a regulamentação ministerial. naturais ou de emergência. o MTE considera como periculoso. Assim.393.01: Diretrizes Básicas de Radioproteção. físicos e biológicos ou associação de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física considerados para fins de concessão da aposentadoria especial de que trata o artigo anterior será definida pelo Poder Executivo”. obrigações e controles básicos para a proteção do ser humano e do meio ambiente contra possíveis efeitos indevidos causados pela radiação ionizante.UNIDADE I | FATORES FÍSICOS NR-15 do MTE. posse. Uma terceira alteração sobreveio e restabeleceu a diretriz inicial. No caso específico dos raios X (serviços de radiologia – equipamentos emissores de raios X para fins de diagnósticos). desprezando. conforme apresenta a Figura 39. Interpretação restritiva do INSS Cabe a crítica ao INSS que se fechou na interpretação restritiva da natureza quantitativa (apenas insalubridade).4. reveste-se de plena eficácia. O trabalhador submetido a radiações ionizantes ou a substâncias radioativas tem direito à percepção do adicional de periculosidade. o expressamente descrito mandamento do presidente da República no item 2. Os limites de exposição especificados nessa norma não se aplicam às doses resultantes de exposições médicas. como visto no 2. mediante Portaria que inseriu a atividade como perigosa. e. o rol de atividades relacionado no Anexo IV do RPS é exemplificativo. De resto. a percepção do adicional de periculosidade.0. A exposição às radiações ionizantes ou substâncias radioativas nasce como insalubre.213/1991: “A relação dos agentes nocivos químicos. 96 37 Art.5. Em dezembro de 2002. Tem-se um ioiô35 do MTE quanto a essa matéria. 35 A palavra “ioiô” vem do filipino e quer dizer “volte aqui”. 200. assegurando.4. porquanto expedida por força de delegação legislativa contida no art. beta e gama. processamento. aquelas da NR-16. por exemplo. conforme competência delegada do Congresso Nacional37. 58 da Lei nº 8. o MTE recua à situação de insalubre (Portaria nº 496). da CLT”. pois o rol de atividades estabelecido no anexo da NR-16 (qualitativa) é mais amplo que aquele estabelecido no Anexo IV do RPS.2005). em 2003. A Norma CNEN-NE-3.2003). Decisão do Pleno do Tribunal Superior do Trabalho que aprovou a Orientação Jurisprudencial (OJ) nº 345: “a exposição do empregado à radiação ionizante ou a substância radioativa enseja a percepçãodo adicional de periculosidade. e eletromagnéticas – raios X. devem-se utilizar os limites de doses da NR-15. Essa posição foi pacificada pelo Judiciário36. mediante a Portaria nº 3. limites.0 da Figura 38. pois o art. 36 Atividade com radiação enseja adicional de periculosidade (fonte: TST. caput. Aplica-se às pessoas físicas e jurídicas envolvidas na produção. conforme Portaria nº 518 (7. de dezembro de 1987. como deveria. que diz: “Plenamente eficaz e sob o princípio da legalidade a portaria ministerial para a disciplina da matéria porquanto expedida em delegação outorgada.01) para as radiações ionizantes em geral. 200 da CLT só autoriza periculosidade para explosivos e inflamáveis.01 estabelece princípios. como. Tal Anexo cita os limites constantes da Norma CNEN-NE-3. deve ser utilizada a metodologia e os procedimentos de avaliação da Fundacentro – NHO 05. . Anexo 5 (Norma CNEN-NE-3.2003). radiações corpusculares: alfa. VI. de forma expressa. pela lei” (TST-IUJ-ERR-599325/1999.0 do RPS. sobreveio a periculosidade ao se restabelecer a diretriz inicial. podendo ser inseridas outras atividades.0. transporte ou disposição de fontes de radiação. Finalmente. armazenamento. O INSS não abriu. ao que interessa neste capítulo: há incidência de FAE por uma ou por outra via. Este é o ponto do ioiô: é o que vale hoje. Radiações ionizantes ou substâncias radioativas é periculosidade. com a Portaria nº 518 (7. inclusive. 12. uso. Vinte anos depois. a possibilidade de dupla faceta (pois. ou seja.6). de julho de 1988.

beta. d) operações com reatores nucleares ou com fontes radioativas.0. tratamento e beneficiamento de minerais radioativos com exposição às radiações ionizantes. Figura 39.0. Detalhe de exceção. segundo Anexo IV do RPS. Critérios para aposentadoria especial. b) atividades em minerações com exposição ao radônio. Símbolo da presença de radiação*. Deve ser respeitado. g) pesquisas e estudos com radiações ionizantes em laboratórios. 25 ANOS Figura 38. e) trabalhos realizados com exposição aos raios alfa.FATORES FÍSICOS | UNIDADE I 2. uma vez que a radiação está presente em qualquer lugar do planeta. aos nêutrons e às  substâncias radioativas para fins industriais. 97 . Critérios para aposentadoria especial. O Anexo 5 da NR-15 é o único permanentemente atualizado exatamente pelo fato de não depender do tripartismo. segundo art.0 AGENTES FÍSICOS Exposição acima dos limites de tolerância especificados ou às atividades descritas. * Trata-se da presença de radiação acima dos valores encontrados no meio ambiente. 241 da IN INSS nº 45/2010. gama e X. c) realização de manutenção e supervisão em unidades de extração. e não temido. terapêuticos e diagnósticos. f)  fabricação e manipulação de produtos radioativos. 25 ANOS 2.3 RADIAÇÕES IONIZANTES a) extração e beneficiamento de minerais radioativos. mas sim de um órgão técnico competente (CNEN).

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unidade FATORES BIOLÓGICOS Ii .

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Algumas das doenças infecciosas e parasitárias são transmitidas ao homem por espécies de artrópodes (mosquitos. incluindo os geneticamente modificados. Em geral. que atuam não somente como vetores de doenças transmissíveis. desde que estabelecido o respectivo nexo causal. embora sejam pouco susceptíveis de serem transmitidas à comunidade e. acessado em: 7/6/2012 às 12:39h 101 . vírus. culturas de células e os endoparasitas humanos susceptíveis de provocar infecções. enquanto outros podem causá-las. Incluem infecções agudas e crônicas. rebanhos e criação em geral podem estar sob permanente risco se medidas preventivas apropriadas não forem aplicadas. parasitoses e reações alérgicas ou intoxicações provocadas por plantas e animais.br/content/ABAAAAylYAE/doencas-trabalho-devidas-a-riscos-biologicos>. sendo alguns pouco susceptíveis de causar doenças.). compostos ou misturas com risco de exposição a agentes biológicos perigosos tais como micro-organismos. têm origem no contato com animais.unidade FATORES BIOLÓGICOS Ii Um agente biológico é um micro-organismo que pode causar uma infecção. As parasitoses envolvem protozoários. Por fim. possam ser tratadas eficazmente. consequentemente. <http://www. mas também como hospedeiros intermediários38. trabalhadores agrícolas e aqueles envolvidos no manejo de aviários. existem agentes biológicos que podem causar doenças graves com um elevado risco de transmissão à comunidade e para as quais não existe um tratamento eficaz. As infecções são causadas por bactérias. elementos. Muitas das doenças ocupacionais são zoonoses. clamídias e fungos. regra geral. helmintos e artrópodes. o que acontece é que os trabalhadores em indústrias urbanas estão mais protegidos contra os riscos do trabalho do que os trabalhadores rurais. e. classificados como acidentes do trabalho. uma alergia ou efeitos tóxicos. Daphnis-2012.ebah.com. portanto. destacam-se: Viroses: são as várias doenças produzidas por vírus que podem ser caracterizadas como ocupacionais. alergias ou intoxicações 38 SOUTO. Eis os tipos: Microrganismos Alergenos de origem biológica Produtos derivados do metabolismo microbiano Os agentes biológicos podem provocar doenças do trabalho. Resíduos provenientes de unidades industriais ou processos industriais designadamente aqueles em que são utilizadas substâncias. carrapatos. pulgas etc. rickéttsias. Entre os riscos biológicos. Os agentes biológicos diferem em termos de risco de infecção. isto é.

Transporte e Tratamento de Resíduos.com/artigos/ riscosab. <http://www. »» grupo 4: individual e coletivo alto. nos seguintes grupos: »» grupo 1 – o agente biológico cuja probabilidade de causar doenças no ser humano é baixa. acessado em: 7/6/2012 às 12:56h . »» grupo 2: individual moderado / coletivo moderado.html>. mesmo que existam meios eficazes de tratamento. sendo susceptível de apresentar elevado nível de propagação na coletividade e para o qual não existem. meios eficazes de tratamento. »» »» grupo 3 – o agente biológico que pode causar doenças graves no ser humano e constituir um risco grave para os trabalhadores. »» grupo 3: individual alto / coletivo baixo. Classificação dos agentes biológicos quanto ao seu nível infeccioso »» grupo 2 – o agente biológico que pode causar doenças no ser humano e constituir um perigo para os trabalhadores.demolita. sendo susceptível de se propagar na coletividade.39 Classificação simplificada: »» grupo 1: baixo risco individual e coletivo. Classificação dos agentes biológicos quanto ao seu nível infeccioso. em regra. Os agentes biológicos são classificados. Riscos dos Agentes Biológicos na Recolha. meios eficazes de tratamento. conforme o seu nível de risco infeccioso. sendo escassa a probabilidade de se propagar na coletividade e para o qual existem. grupo 4 – o agente biológico que causa doenças graves no ser humano e constitui um risco grave para os trabalhadores. 102 39 Martins. RA.UNIDADE II | FATORES BIOLÓGICOS Os agentes biológicos com efeitos nocivos para a saúde podem encontrar-se em diversas fases do processo produtivo. em regra. 2012.

o estado físico e /ou psicológico. Riscos dos Agentes Biológicos na Recolha. »» Via digestiva: pipetação.40 Para além das características intrínsecas à substância. a atividade física etc. São condicionadas à trabalhadora grávida. maceração de tecidos. a depender da via de penetração: »» Via aérea: aerossóis. após uma exposição prolongada. Transporte e Tratamento de Resíduos <http://www. composição da atmosfera).html> acessado em 20120607 às 14:27h 103 . 3 e 4.com/artigos/ riscosab. a alimentação. puérpera ou lactante. portanto. 40 Martins. quantidade. 2012. a idade. 2012. as circunstâncias próprias dos indivíduos.CAPÍTULO 6 Cuidados. distinguir as características da exposição: »» Aguda local – ocorre numa zona localizada do organismo durante um período de tempo curto. RA. centrifugação. aerossóis. tais como o sexo. duração e local da exposição. »» Aguda sistêmica – afeta um órgão específico afastado do local da exposição. <http://www. condições de trabalho (tais como temperatura. »» Via ocular: gotículas. pressão e umidade. concentração. acessado em: 7/6/2012 às 13:44h 41 Martins.com/artigos/ riscosab.. todas as atividades em que possa existir o risco de exposição a agentes biológicos classificados nos grupos de risco 2.demolita. RA. Há ainda alguns aspectos. após uma exposição curta. que podem influenciar a forma e/ou o grau em que uma substância interatua com o organismo. »» Via cutânea: ferimentos com agulhas e objetos cortantes. são também aspectos a ter em conta quando se avalia o risco biológico para a saúde. falta de higiene. »» Crônica sistêmica – afeta um órgão específico afastado do local da exposição. É necessário. pipetagem. Transporte e Tratamento de Resíduos. Prevenção e Nomenclatura Existem variáveis que condicionam a forma como o trabalhador é exposto aos riscos biológicos. manipulação de fluidos.demolita. de acordo com a legislação relativa às prescrições mínimas de proteção da segurança e saúde dos trabalhadores contra os riscos da exposição a agentes biológicos durante o trabalho41. fumar.html>. microscópio. como fatores ambientais. abertura de frascos de cultura. Riscos dos Agentes Biológicos na Recolha. entre elas. »» Crônica local – ocorre numa zona localizada do organismo durante um período de tempo longo.

paracoccidioidomicose. ascaridíase. dermatofitoses. »» Jardineiro – larva migrans cutânea. antraz. salmonelose. leptospirose. »» Introdução no organismo com auxílio de objetos e instrumentos. »» Lavadeiras – dermatofitoses. »» Creches – hepatite A. raiva. HIV. »» Veterinário/comércio de animais – bruceloses. No campo da prevenção é importante destacar alguns itens de verificação ou procedimentos. »» Inalação. Quanto às doenças relacionadas a algumas profissões. TBC. »» Penetração pelas mucosas. Como cuidados básicos.UNIDADE II | FATORES BIOLÓGICOS Quanto à forma de transmissão. malária. »» Penetração mediante solução de continuidade. . equipamentos de proteção individual. paracoccidioidomicose. dejetos descartados e identificados como resíduos biológicos e agentes de transmissão sanguínea (cuidados universais). esporotricose. difteria. esquistossomose. »» Lavoura – raiva. tétano. »» Introdução em tecido muscular ou no sangue por picada de insetos ou mordedura de animais. tais como imunização ativa gratuita contra tétano. »» Limpeza urbana – leptospirose. têm-se: »» Dentistas – hepatites B e C. »» Construção civil – histoplasmose. »» Introdução em tecido muscular ou no sangue por picada de insetos ou mordedura de animais. »» Luvas em procedimentos invasivos. ascaridíase. »» Médico/enfermeiro – hepatites. ancilostomíase. »» Deposição sobre a pele seguida de propagação localizada. HIV. »» Penetração ativa direta da biogênese patogênica. destacam-se: 104 »» Evitar contato direto com fluidos ou secreções orgânicas. hepatite B. têm-se as seguintes: »» Deposição sobre a pele seguida de propagação localizada. »» Introdução no organismo com auxílio de objetos e instrumentos. antraz. »» Ingestão. histoplasmose. rubéola.

Como dermatoses ocupacionais propriamente ditas. em barbeiros. mencionam-se o erisipeloide de Rosenbach nos manipuladores de couro de animais. »» Aventais protetores se possibilidade de contato com sangue ou fluidos. impetigo etc. »» Caso haja picada – pressionar para retirar o sangue. rotulá-las “contaminado”.5% e só depois colocá-las no lixo. por exemplo. »» Profissional com lesão de pele. fungos.luvas. bancada ou mesa → hipoclorito de sódio 1% por 30 minutos. »» Contato com a pele: lavar com sabão degermante sem escovação. como. lavagem de roupas com fluidos → detergente + água a 71oC por 25 minutos. »» Coletar lixo hospitalar do em saco plástico.FATORES BIOLÓGICOS | UNIDADE II »» Contato com a boca: bochechos com água oxigenada 3%. Dermatoses As dermatites (inflamação da pele) por contato a agentes biológicos podem causar dermatoses ocupacionais ou funcionar como fatores desencadeantes. as dermatofitoses. »» Quando da limpeza da unidade e utensílios com fluido corpóreo no chão. peixeiros. »» Não recapar as agulhas. açougueiros. avental e botas para lixo hospitalar. »» Usar máscara se possibilidade de contato com boca ou nariz. os agentes biológicos considerados também podem causar dermatoses: Bactérias: más condições de higiene pessoal associadas a traumatismos e ferimentos de origem ocupacional podem ser fatores agravantes. concorrentes ou agravantes. a esporotricose. A exposição a estes agentes sem a devida proteção pode causar uma série de problemas à saúde. leveduras e insetos. »» Usar coletor. amarrado. cobri-la com curativo. manipular as roupas o mínimo. Nas condições descritas abaixo. em tratadores de animais. »» Usar óculos se possibilidade de contato com olhos. em jardineiros. Os meios de contaminação mais comuns são pela respiração. Fungos e leveduras: são exemplos a monilíase interdigital. lavar com sabão degermante e curativo. »» Evitar picada de agulhas e lesões que provoquem soluções de continuidade. »» Recolher as agulhas → hipoclorito 0. Os agentes biológicos mais comuns são: bactérias. em manipuladores de aves. nas mãos de balconistas de bar. horticultores e em operários que manipulam palha 105 . colocado em novo saco plástico e incinerado. produzindo complicações bacterianas. foliculites. »» Lavar sempre as mãos com água e sabão sempre que lidar com pacientes. em atendentes de saunas. contato e ingestão.

24. medidas de segurança.3% equipe de limpeza. bem como daqueles que exercem atividades de promoção e assistência à saúde em geral. relacionadas ou não com a promoção e assistência à saúde. 900. recuperação. sob protocolo de experimentação definido e aprovado previamente. Por exemplo. Exemplos de instituiçoes na área de saúde: Centro de saúde e hospitais Necrotérios Laboratórios Trabalho de campo . No Brasil a NR-32/MTE regulamenta as atividades relacionadas à saúde e segurança do trabalhador da área da saúde ao estabelecer procedimentos a serem seguidos para a prevenção dos trabalhadores que podem são expostos aos agentes biológicos. 10. Frequência por categoria em doze meses: 14. Insetos: picadas em trabalhadores que atuam em ambientes externos. em trabalhos de abertura de picadas em matas.000 expostos ao vírus B. resíduos contaminados. Esta norma tem por finalidade estabelecer as diretrizes básicas para a implementação de medidas de proteção à segurança e à saúde dos trabalhadores dos serviços de saúde. reforma e manutenção42.7% entre auxiliares de enfermagem.1% médicos assistentes.2% enfermeiros. Entende-se por serviços de saúde qualquer edificação destinada à prestação de assistência à saúde da população.4% entre internos de medicina. proteção radilógica e contra riscos químicos. Exposição acidental com 106 42 <http://www. e todas as ações de promoção. As atividades de pesquisa e ensino em saúde humana compreendem aquelas que envolvem a participação de seres humanos. lavanderias.controle de vetores e vigilância sanitária Pesquisa com animais Dados estatísticos Estatísticas apontam para 3 milhões de acidentes percutâneos por agulhas contaminadas por material biológico por ano. Assim. Historicamente. 10. PCMSO. pesquisa e ensino em saúde em qualquer nível de complexidade. treinamento. limpeza e conservação dos ambientes de trabalho.com/NR/nr32_riscos_biologicos. 170.html>. os profissionais de saúde não eram considerados de alto risco para acidentes de trabalho. incluindo. atividade de limpeza. PPRA.5% técnicos de laboratório. metade foi em profissionais de enfermagem.5% médicos residentes. 55. todos os trabalhadores que exerçam atividades nessas edificações. atenção aos profissionais de laboratório de análises clínicas (hepatite B e tuberculose. 44.trabalhoseguro. são abrangidos pela norma. A definição de serviço de saúde incorpora o conceito de edificação. a blastomicose. animais ou o uso de suas amostras biológicas. Até a década de 1960. A Enfermagem foi a mais atingida. manutenção de máquinas e equipamentos. Dos mais de 100 casos comprovados de contaminação pelo HIV no mundo. lavanderia.000 expostos vírus ao C. assistência. 11.000.UNIDADE II | FATORES BIOLÓGICOS para embalagem. 7 a 5 vezes mais frequentes que na população em geral). . 2.000 expostos ao HIV. em qualquer nível de complexidade.

FATORES BIOLÓGICOS | UNIDADE II sangue contaminado: Risco baixo para HIV (0. Do total de acidentes com exposição a material biológico. Malta: WHO. 2004. Wilburn et al 2004 WHO (2002) Prevention of hospital-acquired infections: a practical guide. Série A: Normas e Manuais Técnicos.2%. 43 Ministério da Saúde (2001) Doenças relacionadas ao trabalho: manual de procedimentos para os serviços de saúde. É o grupo mais numeroso dos serviços de saúde e que têm maior contato direto com os pacientes. Acessado em: 7/6/2012 às 23:24h 107 . Ministério da Saúde. Dados do Conselho Federal de Enfermagem – COFEN.6%.OMS. O Brasil emprega mais de um milhão de pessoas nos serviços de saúde. nas roupas sujas – 11. A equipe de enfermagem é a mais exposta ao material biológico. Parte do corpo atingida: mão – 76. pessoal de enfermagem – 23.3%. Os tipos e frequência de procedimentos realizados favorecem a exposição. no chão – 16%.9%.7%) se comparado ao risco da hepatite C (4% a 10%) e hepatite B (20% a 30%). <http://site. 2nd edition. Brasília: Ministério da Saúde.9%.gov.5%. os que envolvem perfurocortantes ficam por volta de 80%: 160 a 400 mil trabalhadores. só 30 (65%) notificaram43.Dados da World Health Organization .. A maioria dos acidentes com perfurocortantes aconteceu com agulha descartada em local impróprio: no lixo comum – 51. 2002. Índice por categoria profissional: pessoal de laboratório – 24. 72 p.br/node/7746>. 71.portalcofen. Brasil. Representação no Brasil da OPAS/OMS.8%. pessoal de limpeza – 18. 580 p. Acidentes com material perfurocortante: 46% trabalhadores. Wilburn et al.2% dos acidentes com perfurocortantes ocorrem entre os profissionais de enfermagem.5%. pé – 4. Acidentes com material biológico atingiram aproximadamente cerca de 50% desses trabalhadores: 200 a 500 mil trabalhadores.02.1% a 0.0%. perna – 10. médicos – 20.

O Anexo 14 da NR-15 trata. Talvez por isso o legislador tenha tratado de forma excepcional o fator de risco biológico no Anexo IV do RPS ao listar exaustivamente (e não exemplificativamente. médio ou máximo. como. na primeira página da NR-16 (talvez tenha havido uma pequena falha tipográfica na Portaria nº 3. forma comum e geralmente aceita) as atividades que dariam ensejo à especial. Ele apresenta uma lista de atividades que. mas é o que remanesce nesta senil norma.CAPÍTULO 7 Referências normativas – Fin. bactérias. conforme determina o art. ou seja. nem se engravida lentamente. O EST responsável pela elaboração de laudo técnico deve ficar atento à existência de acordos coletivos que determinam o pagamento obrigatório do adicional de insalubridade para algumas atividades. neste caso. 195 da CLT. agentes. O perfurocortante contaminado por hepatite ou HIV não infecciona aos pouquinhos. decorre enorme confusão interpretativa por parte das empresas. apresenta uma situação em que não se podem estabelecer critérios quantitativos nem. potencialmente. e não. por isso se cumpre. especificamente. uma lista interminável de agentes de insalubridade. de forma genérica. caracterizada pela avaliação qualitativa. em razão da exposição destes trabalhadores aos agentes biológicos durante o manuseio do lixo. Desse vício original insuperável. assemelha-se muito mais aos critérios que norteiam a caracterização da periculosidade: a atividade em si determina o risco.214/1977 que remanesce até hoje) –. por exemplo. A insalubridade por agentes biológicos. insalubridade e periculosidade Eis aqui mais uma situação no mínimo esdrúxula que é típica da obsoleta e anacrônica NR-15. também agrupados pelo grau de risco. Há ou não a infecção. tão pouco. para o Fisco cobrar FAE e para o INSS. porteiros de condomínio e lixeiros. A validade serve. gravidez! As características de agudeza (não crônica). A relação com as atividades que ensejam adicional de insalubridade está descrita no Anexo 14 da NR-15 (agentes biológicos). expõem os trabalhadores à ação nociva de micro-organismos (fungos. inclusive. sendo imponderáveis os agentes. a caracterização das atividades do trabalhador pode ser realizada tanto por engenheiro de segurança quanto por médico do trabalho. de imprevisibilidade e de incerteza típicas da periculosidade tornam os agentes biológicos intrisecamente periculosos. dos agentes biológicos. Por ser uma avaliação qualitativa. dos sindicatos e do INSS. relacionando apenas atividades. da Aposentadoria Especial – FAE. O adicional de insalubridade. 108 . esdrúxula e inapropriada – pois deveria estar na página seguinte da NR-15. Reafirme-se que os agentes biológicos não deveriam ativar norma de insalubridade e muito menos de aposentadoria especial. jamais insalubres. mediante elaboração do laudo técnico pericial. vírus e outros).

br/boletim23. ventilação e controle médico. O óxido de etileno puro é um gás altamente inflamável. açougueiros. apresentam maior risco devido ao contato com micro-organismos encontrados nos ambientes e nos equipamentos utilizados no exercício do trabalho. apesar de não serem inflamáveis. manuseio. Exige que seja implementado e colocado disponível. que estabeleceu normas técnicas para uso. A medida preventiva mais eficiente para exposição a este agente é a ação preventiva. porque não se encontram dentre as classificadas como lixo urbano na Portaria do Ministério do Trabalho. que possui em sua composição agentes biológicos diversos de resíduos hospitalares” (tipo: E-RR. 109 . número: 325989.FATORES BIOLÓGICOS | UNIDADE II As atividades relacionadas são aquelas que. quando esses equipamentos encontram-se instalados em locais onde sejam exercidas atividades previstas 44 Há jurisprudência firmada a esse respeito: Tribunal Superior do Trabalho. Operação e Controle –PMOC.523/1998. Precisa ser feita uma perícia no local para se verificar se houve (há) contato com agentes listados na NR15. comprimindo à atividade caráter não previsto pelo Anexo 14 – NR-15” (tipo: RR. tétano. podendo ser misturado com outros gases. pelo processo que utiliza gás óxido de etileno e suas misturas. atendentes de ambulatórios e hospitais. instalações e condições limites de operação e de segurança do ambiente e dos trabalhadores em unidades de esterilização de materiais. sob pena de equiparar lixo domiciliar com lixo urbano. que a atividade de limpeza de banheiros. A doença profissional pode dar direito a benefício por incapacidade pelo INSS e indenização (ação civil). Adicional de insalubridade. na NR-15. tecnicamente e por definição. em especial. não é considerada atividade insalubre44.Não basta a constatação da insalubridade por meio de laudo pericial para que o empregado tenha direito ao respectivo adicional. e. é claro. por exemplo. destacamos uma. Essas misturas. 46 Desde a publicação da Portaria no 3. esterilização.A limpeza em residências e escritórios e a respectiva coleta de lixo não podem ser consideradas atividades insalubres. Os trabalhadores diretamente envolvidos com estes agentes são: médicos. enfermeiras. na abordagem técnica e legal do Anexo 14 (NR-15). como. ainda que constatadas por laudo pericial. com alto potencial de provocar doenças nos trabalhadores. O tema limpeza de ar condicionado46 não está inserido na exação tributária (FAE) a não ser. número: 298426. Se a situação de trabalho está prevista na legislação. febre amarela. 190. agricultores. não bastando a constatação por laudo pericial. brucerose. art. O fato de o reclamante ter adquirido dermatose é irrelevante para o direito ao adicional de insalubridade. portaria do Ministério da Saúde. até mesmo. dentistas. lixeiros. Entre as ações preventivas citadas anteriormente. Abaixo algumas sentenças provenientes de diversas Juntas de Conciliação e Julgamento: “Não se pode deferir adicional de insalubridade em grau máximo para aqueles prestadores de serviços que exercem suas atividades em faxinas ou limpezas de sanitários e pátios. <http://marfimmed. bem como a ressalva à atividade de recolhimento de lixo doméstico45. Histórico. a higienização de aparelhos de ar condicionado passou a ser um item de atenção dos profissionais de segurança. em outras palavras. trabalhadores em cortumes. fala-se de atividades especificamente definidas e enquadradas pelo anexo. Necessidade de classificação da atividade insalubre na relação oficial elaborada pelo Ministério do Trabalho. Adicional de insalubridade – coleta de lixo – lixo urbano. gases halogenados ou dióxido de carbono para minimizar este risco. Recomenda-se a leitura da Portaria Intermisterial nº 4 do Ministério da Saúde. II . continuam sendo tóxicas. febre tifoide. os agentes biológicos que contaminam dutos de ar condicionado seriam os mesmos citados na definição da NR-9. cadastro. tuberculose. há direito à incidência de FAE e percepção do adicional.htm> acessado em 20120607 às 20:44h. coveiros e veterinários. ano: 1996). caso contrário. ano: 1996). com atenção para os seguintes aspectos: vacinação. higiene pessoal. tendo em vista tratar-se a hipótese de lixo urbano. “Inviável a condenação ao pagamento do adicional de insalubridade em grau máximo para atividades relacionadas à higienização de sanitários. CLT. As doenças mais frequentes causadas por estes agentes são: infeções. Trabalho e Previdência Social. mas não dispara norma tributária. um Plano de Manutenção. ainda sobre o adicional de insalubridade. uso do equipamento de proteção individual. É possível constatar que. não há. não constitui fato gerador de obrigação jurídica tributária (pagar FAE). pelo Ministério da Saúde. A Portaria ministerial exige apenas atividades e cuidados básicos de manutenção e limpeza e não leva em consideração limites de aceitabilidade e tolerância (LT).com. 45 O texto da Orientação Jurisprudencial no 4 do TST dispõe: I . que é a esterilização por óxido de etileno e suas misturas. 4. Porém. para fins de fiscalização. Cabe destacar. sendo necessária a classificação da atividade insalubre na relação oficial elaborada pelo Ministério do Trabalho. entre outras. bem como pré-requisitos de projeto. merecendo cuidados especiais quanto ao seu manuseio. no entendimento do legislador.

Agentes biológicos – critérios para aposentadoria especial. há aqui um pequeno desacoplamento da aposentadoria especial com o adicional de insalubridade. já que o Anexo IV do RPS47 relaciona atividades com exposição a agentes biológicos de forma mais restritiva que a NR-15. Quadro Sinóptico para Agentes Nocivos Considerados para Aposentadoria Especial � Agente nocivo Metodologia de avaliação Limites de tolerância Forma de avaliação Biológicos Inspeção no local de trabalho. 110 47 RPS/Anexo IV/classificação dos agentes nocivos – 3. .0. 3. Logo. Atividades exclusivamente descritas no Anexo IV do RPS. Figura 40.0 Biológicos: exposição aos agentes citados unicamente nas atividades relacionadas.UNIDADE II | FATORES BIOLÓGICOS no enquadramento acima para insalubridade de grau máximo e médio. Não há LT Qualitativa – sem levantamento ambiental de acordo como o Anexo 14 da NR-15. Só agentes biológicos infectocontagiosos relacionados exclusivamente no anexo IV do RPS.1 Micro-organismos e parasitas infectocontagiosos vivos e suas toxinas – 25 anos.0.

unidade FATORES QUÍMICOS Iii .

.

238 da IN INSS/PRES n° 45. inclusive jurídicas. porém. bem como nas atividades mencionadas nos Anexos 6.882/2003.3 da NR-15 com o art.1.1. Atualmente há um nivelamento de critérios: insalubre é especial! O § 11 do art. Destaca-se que.1. 11 e 12 (conforme item 15. mas não o fez. 2. faz-se aqui um resumo executivo a partir das normas de referência para os fatores químicos. O entendimento relativo à interpretação dos critérios de ocorrência do fator gerador da contribuição previdenciária destinada ao custeio da aposentadoria especial a ser declarada em GFIP pela empresa. amiúde. alinhando-se com a legislação previdenciária e tributária. com ênfase em determinadas situações e aplicações. quando equaliza os itens 15.1. à desburocratização e ao ordenamento jurídico existente.1). portanto. Assim. determina que as avaliações ambientais deverão considerar a classificação dos agentes nocivos e os limites de tolerância estabelecidos pela legislação trabalhista.unidade FATORES QUÍMICOS Iii Aprofundando os conhecimentos adquiridos em HTI. Disso decorre que. 5. de 2010. Em verdade. 13 e 14 (conforme item 15. 238 da IN INSS nº 45/2010.1 a 15. Os procedimentos técnicos de levantamento ambiental. pois levou a cabo uma enorme simplificação ao alinhar para a mesma situação fática a subsunção de normas autônomas e independentes. está.os limites de tolerância estabelecidos pela NR-15 do MTE. ao se definir as atividades ou operações insalubres. ressalvada disposição em contrário. louvável atitude do Poder Executivo federal. por via de consequência científica e jurídica. poderia a legislação tributária e previdenciária dispor de modo diverso. A União Federal. a legislação trabalhista é usada como parâmetro (limite e método) de aferição das condições especiais em que o trabalho é prestado para fins de concessão do benefício previdenciário da aposentadoria especial. Antes. 3. bem como a metodologia e os procedimentos de avaliação estabelecidos pela Fundacentro. é bom esclarecer alguns pontos. Art. item 15. bem 113 . considera insalubre as atividades ou operações que se desenvolvem acima dos limites de tolerância para os Anexos: 1. de forma a propiciar ao EST capacidade crítica de interpretação e avaliação.1. como normas autônomas. e II . nivelou (equalizou) os requisitos e procedimentos para fins de concretude do fato gerador de insalubridade da legislação trabalhista com aqueles tributários (FAE) e previdenciários (redução do tempo de contribuição). redação dada pelo Decreto nº 4. A NR-15. deverão considerar: I .2). 68 do RPS. em respeito ao princípio da eficiência.a metodologia e os procedimentos de avaliação dos agentes nocivos estabelecidos pelas Normas de Higiene Ocupacional – NHO da Fundacentro.

bem como as atividades mencionadas nos Anexos 6. que dispõe em seu item 15. Registre-se que há exceções. 2.2). conforme visto nos fatores de risco biológicos. 11 e 12 (conforme item 15. 5. 3. com alteração dada pelo Decreto nº 4.1 serem insalubres as atividades ou operações que se desenvolvem acima dos limites de tolerância para os Anexos 1. O Decreto nº 4.048/1999.1).212 e 8.1. 114 . 13 e 14 (conforme item 15.213/1991 e do Decreto nº 3.UNIDADE III | FATORES QUÍMICOS como ensejadores da respectiva concessão pelo INSS. à luz das Leis nº 8.882/2003.882/2003 foi revolucionário: nivelou os limites de tolerância para aposentadoria especial com aqueles estabelecidos na NR-15 do MTE.1.

13 e 13-A da NR-15 – Normas regulamentadoras.1990 – Asbesto. insalubridade e periculosidade »» OIT – Convenção n° 170/1998.9. 12.413/1986 – Meio ambiente de trabalho – Contaminação do ar. 115 .802/1989 – Agrotóxicos. »» Decreto n° 3. da Aposentadoria Especial – FAE.214/1978 do MTE – Anexos 11. aprovada pelo Decreto nº 157/1991 – Prevenção e controle dos riscos profissionais causados por substâncias cancerígenas. »» OIT – Convenção n° 136/1994. »» Lei n° 5. de 27. 243.048/1999.067/1998 do MTE – Normas Regulamentadoras Rurais – NRR-5 – Produtos químicos.CAPÍTULO 8 Referências normativas – Fin.1994 – Benzeno. »» Portaria MTE nº 8/1992 – Limites de tolerância para o manganês e seus compostos.889/1973 e Portaria n° 3. de 22. aprovada pelo Decreto nº 1. »» Portaria MTE nº 22/1994 – Limites de tolerância para poeiras de asbesto. »» Portaria MTE nº 14/1995 – Exposição ocupacional ao benzeno. »» Lei n° 6.7. Anexo IV – RPS.5. ruído e vibrações. aprovada pelo Decreto nº 2.1998 – Produtos químicos. aprovada pelo Decreto nº 126. »» Instrução Normativa n° 45/2010 do INSS – Art. »» Portaria MTE n° 25/1994 – Altera o texto da NR-9 – PPRA.253. »» CLT – Título II – Capítulo V – Seção “Das atividades insalubres ou perigosas”. »» Portaria MTE nº 34/2001 – Protocolo para utilização de indicador biológico da exposição ocupacional ao benzeno. de 3. aprovada pelo Decreto n° 92. »» OIT – Convenções n° 139 e 147. »» OIT – Convenção n° 148/1986. »» OIT – Convenção n° 162/1990.657.514/1977 e Portaria nº 3. »» Lei n° 7.

como. 116 . »» Norma ABNT – NBR 14725 – Ficha de informações de segurança de produtos químicos. »» Fundacentro – NHT 08 – GV/E – Avaliação da exposição ocupacional a solventes orgânicos. »» Fundacentro – NHO 04 – Coleta e análise de fibras de amianto/asbesto. »» Manual ACGIH – Limites de exposição aplicados à indústria. »» Ordem de serviço OS/INSS nº 607/1998 – Aprova norma técnica sobre intoxicação ocupacional ao benzeno. fibras vítreas e de cerâmicas respiráveis em suspensão no ar. como. »» Fundacentro – NHO 07 – Calibração de bombas de amostragem individual pelo método de bolha de sabão. »» Fundacentro – NHT-13 – MA – Determinação gravimétrica de aerodispersoides. por exemplo. necessariamente. Muitas dessas substâncias são encontradas na natureza. »» Fundacentro – NHT 05 – Avaliação da exposição ocupacional a agentes químicos pelo método colorimétrico. que estes trabalhadores venham a contrair uma doença do trabalho. por exemplo. por processos químicos. Nas mais diversas atividades industriais se encontram a presença e a utilização de inúmeras substâncias químicas como matéria-prima e insumos ou como produto final. tintas e vernizes por cromatografia gasosa/detector de ionização de chama. »» Fundacentro – NHO 03 – Poeiras respiráveis inaláveis – Análise gravimétrica de aerodispersoides sólidos coletados sobre filtros de membrana. A presença desses agentes químicos no ambiente de trabalho oferece um risco à saúde dos trabalhadores.UNIDADE III | FATORES QUÍMICOS »» Instrução Normativa n° 1/1995 – Avaliação das concentrações de benzeno em ambiente de trabalho. Contudo. ou são produzidas artificialmente. produtos sintéticos. »» Instrução Normativa n° 2/1995 – Vigilância da saúde dos trabalhadores na prevenção da exposição ocupacional ao benzeno. petróleo e seus derivados. o fato de estarem expostos a estes agentes agressivos não implica. »» Fundacentro – NHO 02 – Análise qualitativa da fração volátil (valores orgânicos) em colas. »» Normas NIOSH – Normas de avaliação de higiene ocupacional. »» Fundacentro – NHT-14 – MA – Determinação quantitativa de sílica livre cristalizada por difração de raio X.

comumente. 117 . que pode variar entre um limite superior. Estas constituem a chamada fração respirável. é líquida ou sólida. podem dispersar-se no ar em quantidade que pode causar danos à saúde das pessoas expostas. de tamanho reduzido. Como substância pura. em regra. são formados por dispersão de partículas sólidas ou líquidas no ar. »» Neblinas: partículas líquidas produzidas por condensação de vapores de substâncias que são líquidas à temperatura normal. a 25°C e 760 mmHg.FATORES QUÍMICOS | UNIDADE III Para que os agentes químicos causem danos à saúde. Ex. pela inalação.001 µ. deve-se ter presente que a inalação de uma partícula líquida pode significar uma evaporação posterior e produzir ao nível dos alvéolos pulmonares uma concentração elevada de vapores.: poeiras de sílica. com a consequente possibilidade de passar ao sangue e ao resto do organismo. Vapores: fase gasosa de uma substância que. e que o tempo de exposição a essa concentração ou intensidade seja suficiente para uma atuação nociva destes agentes sobre o organismo humano. no caso das poeiras. As soluções podem representar um risco tanto pelo solvente quanto pela substância dissolvida. Os agentes químicos podem ser classificados pela forma como se apresentam e pelos efeitos no organismo humano. As partículas sólidas de maior risco são aquelas com menos de 5 µ.: pulverização ácida. visíveis apenas ao microscópio. de forma geral. estão no estado gasoso. celulose de chumbo etc. Classificação pela forma: os aerodispersoides. transporte. manuseio. até um limite inferior da ordem de 0.: hidrogênio. Os aerodispersoides líquidos podem estar presentes no ambiente em forma de substâncias puras. Ex. não muito bem definido. entre 0. Ex. é necessário que estejam acima de uma determinada concentração ou intensidade. Ex. Assim. nitrogênio.: fumos metálicos oriundos da soldagem de peças. de naftalina. armazenamento e uso. durante a fabricação.: vapores de água. oxigênio. até os pulmões. de gasolina. Os agentes químicos são definidos como substâncias inorgânicas ou orgânicas. naturais ou sintéticas. entre 100 a 200 µm. As partículas maiores que 5 µ são retidas no aparelho respiratório superior ou nos cílios da traqueia. Os gases e vapores também fazem parte dessa classificação. Gás: denominação dada às substâncias que. »» Névoas: partículas líquidas produzidas por ruptura mecânica de líquidos. a fim de quantificar a exposição dos trabalhadores e adotar as devidas medidas de controle. o tamanho da partícula varia. que. é imprescindível reconhecê-los e realizar avaliações quantitativas desses agentes nocivos nos ambientes de trabalho. em condições normais de pressão e temperatura (25°C e 760 mmHg). Ex. já que podem ingressar. dependendo o possível dano das características de cada uma delas.5 e 0. »» Fumos: partículas sólidas produzidas pela condensação ou oxidação de vapores de substâncias que são sólidas à temperatura normal. uma solução ou uma suspensão.5 µm. Entre os aerodispersoides estão: »» Poeiras: partículas sólidas produzidas por ruptura mecânica de sólidos. Em aerossóis formados por condensação (fumos).

0 f/cm3 até 29/11/91 Quantitativa – levantamento ambiental Poeiras de Asbesto crisolita = 2. Anexo 12 da NR – 15 Poeiras de Asbesto crisolita = 4. Quadro Sinóptico para Agentes Nocivos Considerados para Aposentadoria Especial Agente nocivo Metodologia de avaliação Limites de tolerância Forma de avaliação Anexo 11 da NR 15 Quantitativa – levantamento ambiental Fundacentro – NHO-02 Agentes químicos Análise qualitativa da fração volátil (Valores Orgânicos) em colas. Na sequência. tintas e vernizes por cromatografia gasosa/detector de ionização de chama. fibras vítreas e de cerâmicas respiráveis em suspensão no ar. esses agentes químicos não são considerados insalubres por avaliação (no caso.0 f/cm3 a partir de 30/11/91 Poeiras minerais Sílica livre cristralizada ou quartzo e de manganês – Fundacentro – NHO –03 – poeiras respiráveis inaláveis Anexo 12 da NR – 15 Análise gravimétrica de aerodispersóides sólidos coletados sobre filtros de membrana. qualitativa) pela NR-15 pelo fato de estarem relacionados no Anexo IV do RPS. Sílica livre = Ver fórmulas no item IV. Fundacentro – NHO – 04 Coleta e análise de fibras de amianto/asbesto. Agentes químicos e poeiras minerais – critérios para aposentadoria especial e adicional insalubridade.6 Quantitativa – levantamento ambiental Poeiras de Manganês e seus compostos = 5mg/m3 Figura 41. Por outro lado. Asbesto – Fundacentro – NHO – 04 Coleta e análise de fibras de amianto/asbesto. apresentam-se capítulos para identificar na NR 15 os respectivos LT. Devem sim ser avaliados mediante inspeção no local de trabalho. definições e características dos fatores de risco químicos 118 . fibras vítreas e de cerâmicas respiráveis em suspensão no ar.UNIDADE III | FATORES QUÍMICOS Os agentes químicos que não foram inseridos no Anexo IV do RPS (devido ao fato de o rol desses agentes ser exaustivo pelo referido anexo) e não possuam limites de tolerância pela NR-15 não são fatos geradores do FAE.

Absorção pela pele: os agentes químicos podem ser absorvidos por via cutânea e. na sua manipulação.CAPÍTULO 9 NR-15 – Anexo 11 Limite de tolerância “é a intensidade/concentração máxima. conforme NR-15. 119 . durante a sua vida laboral”. »» Valor teto para algumas substâncias. Algumas características são: »» LT para jornada de 48 horas semanais. que não causará danos à saúde da maioria dos trabalhadores expostos. portanto. »» Asfixiantes simples: avalia-se o teor de oxigênio do ambiente. conforme o anexo. exigem. relacionada com a natureza e o tempo de exposição ao agente físico/químico. Limites de tolerância a agentes químicos. devendo ser menor ou igual a 18% em volume. »» Não estabelece critérios para medições. o uso de luvas adequadas. FD = fator de desvio). »» Valor máximo associado aos limites – tipo média ponderada (VM = LT x FD. Indicado na tabela para cada substância. além do EPI necessário à eventual proteção de outras partes de corpo. cujo resumo segue abaixo Figura 42.

Fonte: NR . Anexo 11. Obs. acarretando uma média ponderada igual ou inferior ao limite de tolerância. Figura 43. podemos ter valores acima do fixado. desde que sejam compensados por valores abaixo dele. Limite de tolerância valor teto: representa uma concentração máxima que não pode ser excedida em momento algum da jornada de trabalho. em presença dessas substâncias. MTE 120 . Esse valor máximo é obtido por meio da aplicação do fator de desvio a seguir descrito: Valor Máximo = LT x FD Observar: quando não há indicação de valor teto é considerado do tipo média ponderada no tempo.UNIDADE III | FATORES QUÍMICOS Asfixiante simples: determina que. nos ambientes de trabalho. devendo respeitar um valor máximo que não pode ser ultrapassado.: essas oscilações para cima não podem ser indefinidas. Limite de tolerância média ponderada: representa a concentração média ponderada existente durante a jornada de trabalho. Indicado na tabela para cada substância. a concentração mínima de oxigênio deverá ser 18% em volume. Indicado na tabela na coluna relativa ao valor do limite de tolerância. Fator de desvio para substâncias que têm limites de tolerância.15. isto é.

CAPÍTULO 10 NR-15 – Anexo 12 Características: »» LT para poeiras minerais (asbestos. Nas avaliações para verificação do dano à saúde. Ma = massa da amostra coletada. Cálculo do limite de tolerância: Poeira total: (mg/m³) Poeira respirável: (mg/m³) 121 . manganês e SiO2). em mg/m³. as amostragens de poeira respirável são recomendáveis. portanto. »» Poeiras minerais contendo sílica livre cristalizada e poeiras não classificadas de outra forma – Poeira total: é toda poeira em suspensão existente no ambiente de trabalho: são as poeiras respiráveis e não respiráveis. em mg e Va = volume da amostragem. A concentração de poeira: será obtida por meio da seguinte fórmula: (mg/m³) Em que: C = concentração de poeira. em m³. pois representam aquelas partículas que penetram nos pulmões. Observa-se. A norma brasileira estabelece a atividade como insalubre quando quaisquer dos limites de tolerância forem ultrapassados. que o conceito de poeira respirável é baseado na sua capacidade de penetração no trato respiratório. Anexo 12 da NR-15. »» Não estabelece critérios para medições. »» Poeira respirável: é aquela cujo diâmetro equivalente é menor que dez micrometros e que obedece à curva de porcentagem de penetração na região alveolar de acordo com o quadro do item 4.

CAPÍTULO 11 Resumos de métodos – gases e vapores A seguir um resumo das referências técnicas caso o EST necessite executar avaliação para algum tipo de fator de risco químico.2 l/min a 0. Hidrocarbonetos aromáticos (benzeno. xileno e outros) Método: NIOSH 1501 – cromatografia a gás Amostrador: tubo de carvão ativo de 100/50 mg referência SKC 226-01 Solvente: dissulfeto de carbono Vazão de amostragem: conforme tabela a seguir Volume de ar amostrado: conforme tabela a seguir Brancos de campo recomendados: 10% do número de amostras Condicionamento para transporte: de rotina Estabilidade: não determinada Ácidos inorgânicos (nítrico. clorídrico. tolueno. bromídrico.5 l/min Volume de amostragem: mínimo de 3 l e máximo de 100 l . fosfórico e fluorídrico) 122 Método NIOSH 7903 – cromatografia de íons Amostrador: tubo de sílica gel de 400/200 mg referência SKC 226-10-03 Vazão de amostragem: de 0. sulfúrico.

0 micrometros.2 l/min Volume de ar amostrado: mínimo de 5 l e máximo de 24 l a 5 ppm Brancos de campo recomendados: 10% do número de amostras Condicionamento para transporte: de rotina Estabilidade: pelo menos 7 dias a 25°C Anidrido acético Método NIOSH 3506 – espectrofotometria de absorção no visível Amostrador: Impinger com 10 ml solução de cloridrato de hidroxilamina e hidróxido de sódio (usar no prazo de duas horas) Vazão de amostragem: de 0.0 l/min 123 .FATORES QUÍMICOS | UNIDADE III Brancos de campo recomendados: 10% do número de amostras Condicionamento para transporte: de rotina Estabilidade da amostra: estável Obs.02 l/min Volume de ar amostrado: máximo de 4 l Brancos de campo recomendados: 10% do número de amostras (encher um balão fora da área em avaliação) Condicionamento para transporte: proteger o balão de amassamento Estabilidade: não determinada (analisar o mais breve possível) Fenol e cresóis (fenol.2 l/min a 1 l/min Volume de ar amostrado: mínimo de 25 l e máximo de 100 l Brancos de campo recomendados: 10% do número de amostras Condicionamento para transporte: proteger contra quebra Aerodispersoides/fibras particulados não regulamentados de outra forma – total Método: NIOSH 0500 – gravimétrico Amostrador: cassete com filtro de PVC com porosidade de 5.001 mg referência Gelman 66467 Vazão de amostragem: de 1.0 l/min a 2.01 l/min a 0. o-cresol.: a vazão máxima para o ácido fluorídrico é de 0. p-cresol e m-cresol) Método NIOSH 2546 – cromatografia de gás Amostrador: tubo de resina XAD-7 de 100/50 mg referência SKC 226-95 Vazão de amostragem: de 0.3 l/min. GLP (gás liquefeito de petróleo) (análise disponível) Método NIOSH S93 Modificado – cromatografia de gás Amostrador: Balão de Tedlar de 5 l Vazão de amostragem: mínima de 0. pré-pesado em microbalança eletrônica com sensibilidade de 0.

001 mg referência Gelman 66467 Vazão de amostragem: 1.7 l/min Volume de ar amostrado: mínimo de 400 l e máximo de 800 l Brancos de campo recomendados: 10% do número de amostras Condicionamento: de rotina Estabilidade: não determinada Obs. com possível prejuízo do resultado.45 micrometros a 1. Asbestos e outras fibras Método: NIOSH 7400 – microscopia (este método não permite a identificação das fibras) Amostrador: cassete condutivo com filtro de éster de celulose de 25 mm e porosidade de 0. é necessária a determinação de poeira respirável e poeira total.001 mg referência Gelman 66467 Vazão de amostragem: 1. A falta dessa informação implica o não tratamento da amostra.: a fim de comparar o resultado de poeira total com o limite estabelecido pela NR-15. pré-pesado em microbalança eletrônica com sensibilidade de 0.2 µm referência SKC225-3-23 Solvente: acetona 124 . pré-pesado em microbalança eletrônica com sensibilidade de 0. É necessária também a determinação da poeira respirável. Nota: o solicitante deve informar se a amostra pode conter os seguintes materiais que constituem interferentes e deverão ser removidos durante a análise: sílica amorfa.7 l/min Volume de ar amostrado: mínimo de 20 l a 5 mg/m3 e máximo de 400 l Brancos de campo (obrigatório): 10% do número de amostras Condicionamento para transporte: de rotina Estabilidade: não determinada Obs. pode ser necessária a determinação de sílica livre cristalina.0 micrometros.: a fim de determinar o limite conforme a NR-15. Sílica Livre Cristalina Método: NIOSH 7602 – espectrofotometria de infravermelho Amostrador: cassete com filtro de PVC com porosidade de 5. pode ser necessária a determinação de sílica livre cristalina.: a fim de comparar o resultado de poeira respirável com o limite estabelecido pela NR-15. calcita (acima de 20% da massa de poeira). Particulados não regulamentados de outra forma – respirável Método: NIOSH 0600 – gravimétrico Amostrador: ciclone com cassete com filtro de PVC com porosidade de 5.0 micrometros.UNIDADE III | FATORES QUÍMICOS Volume de ar amostrado: mínimo de 7 l a 15 mg/m3 e máximo de 133 l Brancos de campo (obrigatório): 10% do número de amostras Condicionamento para transporte: de rotina Estabilidade: não determinada Obs. grafite e silicatos. É necessária também a determinação da poeira total.

552 l (de 6 a 8 horas) Brancos de campo recomendados: 10% do número de amostras Condicionamento para transporte: de rotina Estabilidade: não determinado Metais Método OSHA – ID 121 Espectrofotometria de absorção atômica Amostrador: cassete com filtro de éster de celulose de 0.: essa análise é realizada em laboratório subcontratado e tem prazo de retorno de 20 dias. pré-pesado em microbalança eletrônica com sensibilidade de 0.001 mg referência Gelman 66467 Vazão de amostragem: 7. A aceitação para análise está condicionada ao mínimo de três amostras. Poeira de algodão Método: NIOSH publicação DHHS n° 75-118 – amostragem com Elutriador Vertical Amostrador: cassete de três seções com filtro de PVC com porosidade de 5.0 micrometros.5 l/min a 16 l/min Volume de ar amostrado: mínimo de 400 l. ajustar a vazão e o tempo de coleta para obter de 100 fibras/mm2 a 1.664 l e máximo de 3.4 l/min Volume de ar amostrado: mínimo de 2. máximo.8 micrometros referência SKC 225-19 Vazão de amostragem: de 1 l/min a 4 l/min Volume de ar amostrado: mínimo 480 l e máximo de 960 l Brancos de campo recomendados: 10% do número de amostras Condicionamento para transporte: de rotina Estabilidade: estável 125 .300 fibras/mm2 Brancos de campo recomendados: 10% do número de amostras Condicionamento para transporte: acondicionar em caixa rígida para evitar amassamento (não usar espuma de poliuretano) Estabilidade: estável Obs.FATORES QUÍMICOS | UNIDADE III Vazão de amostragem: de 0.

NR-15 – Anexo 13-A Características: »» Regulamentação do uso do benzeno: Portaria nº 14. »» São casos que não possuem lts definidos nos demais anexos. 126 . de 20 de dezembro de 1995. ou que utilizam ou manipulam o produto benzeno ou misturas líquidas contendo 1% ou mais de volume de benzeno. expostas resumidamente: A1 – Carcinogênico humano confirmado – baseado em evidências epidemiológicas ou clínica. também estabeleceu: ›› ›› ›› a classificação da substância benzeno como carcinogênico ocupacional (intolerável). transporte. relativa a humanos expostos.CAPÍTULO 12 NR-15 – Anexo 13 Características: »» Atividade com insalubridade caracterizada por laudo de inspeção. inclusão do controle obrigatório do benzenismo nos trabalhadores em atividades de produção. criação de um valor de referência tecnológico (VRT) definido como a concentração de benzeno no ar atmosférico considerada exequível do ponto de vista técnicoeconômico. Entre outros aspectos. do MTE. que não substitui o LT. foi incluído o benzeno no Anexo 13 da NR-15 e estabelecidos os procedimentos para a prevenção da exposição ocupacional a esta substância. armazenagem. »» Exemplo: pintura com tintas ou vernizes contendo hidrocarbonetos aromáticos. Apêndice A – carcinogênicos O Comitê de Limites de Tolerância de Substâncias Químicas da ACGIH classifica certas substâncias encontradas em ambientes de trabalho como carcinogênicas nas seguintes classes.

Teratogênese – efeito provocado no feto quando a mulher grávida expõe-se a tóxicos. exceto sob condições excepcionais dos parâmetros. A3 – Carcinogênico animal confirmado com relevância desconhecida para seres humanos – o agente é carcinogênico em animais. existem substâncias que provocam danos em determinados pontos do corpo. A5 – Não suspeito como carcinogênico humano – não suspeito. Estes podem demorar a aparecer ou se manifestar em outras gerações (filhos. O período de incubação pode durar dez. bisnetos etc. olhos etc. vinte. netos. isto é. nas formas e parâmetros considerados relevantes quanto à exposição de trabalhadores. a formação de tumores benignos ou malignos (câncer). Há ainda os seguintes conceitos: Mutagênese – é uma modificação na célula. que fica com a forma e/ou função alterada. originando tumores e invadindo outros tecidos. Câncer – a célula muda sua forma e função e passa a se reproduzir de modo descontrolado. câncer de fígado causado pelo tetracloreto de carbono. Frequentemente. tais como baixo peso e alterações cerebrais.FATORES QUÍMICOS | UNIDADE III A2 – Carcinogênico humano suspeito – o agente está evidenciado como carcinogênico. Outro exemplo é o das mulheres que tomaram talidomida durante a gravidez e os filhos nasceram com defeitos nos braços. O mesmo vale para os outros efeitos. porque se concentram na urina. as substâncias causam danos ao fígado. trinta anos. vírus. nas formas e parâmetros não considerados relevantes quanto à exposição de trabalhadores. Podem ocorrer diversos fenômenos. órgãos formadores de sangue. com base em pesquisa epidemiológica bem conduzida. Por exemplo. os efeitos vão depender da dose e da época da gravidez em que a mulher teve contato com a substância tóxica. câncer de pulmão causado pelo fumo. Pode ser causado por substâncias químicas. Dados epidemiológicos não confirmam risco aumentado em humanos.). porque é o órgão onde elas são transformadas. 127 . mutação e teratogênese são efeitos probabilísticos. entre eles. Mulheres dependentes de álcool e que bebem durante a gravidez podem provocar alterações na criança. Evidências disponíveis sugerem que o agente não é provável de causar câncer em humanos. como ossos. porém os dados são conflitantes ou insuficientes. Câncer. expor-se a uma substância carcinogênica aumenta a probabilidade de uma pessoa ter câncer. A4 – Não classificável como carcinogênico humano – não há dados adequados que possam redundar na classificação da carcinogenicidade do agente quanto a humanos ou animais. raios x. e aos rins e bexiga. Finalmente. ou o agente é carcinogênico em animais. Neste caso.

48 O autor. nos termos da NR-9 do MTE. é entendido como probabilidade de um perigo se consumar em dano ao trabalhador. como elemento prático ao curso de EST. 5. bem como ensejadores da respectiva concessão pelo INSS. por extensão às demais situações. conhecida como limite de tolerância. nos termos do Anexo 13-A da NR-15 do MTE. 2: ruídos.212/1991 e 8. Hidrocarboneto (benzeno): pergunta 1 A norma brasileira é omissa quanto à tolerância do hidrocarboneto (benzeno). que dispõe: A NR-15.2.CAPÍTULO 13 Tira-Teima Para melhor esclarecer a nocividade de agentes químicos. e PPEOB. O entendimento a seguir esposado48 decorre do delineamento. lança-se mão da situação mais crítica – exposição ao hidrocarboneto (benzeno).882/2003. fator esse que necessariamente carece de reconhecimento e avaliação quantitativa. bem como nas atividades mencionadas nos anexos 6. .1. 13 e 14 (conforme item 15. 3: calor. optou-se por explicitar o entendimento do autor a partir de perguntas frequentes. quais sejam: »» Fator de risco49quantitativo como uma linha divisória entre condição segura e insegura.2). considera insalubre as atividades ou operações que se desenvolvem acima dos limites de tolerância para os anexos: 1. na condição de técnico do MPS. produziu a Nota Técnica 233/2006 sobre a matéria (benzeno) em reposta à consulta formulada por sindicatos relativa ao FAE e encaminhada à comissão nacional do benzeno.1. 11: agentes químicos e 12: poeiras minerais). 2.1 (Anexos 1. absolutamente. positivam-se no direito trabalhista-previdenciário brasileiro duas abordagens com definições clássicas no campo da higiene ocupacional (engenharia de segurança). 5: radiação ionizante. por isso há que se reportar à americana ACGIH? Resposta: não.1.048/1999. de maior complexidade. interpretação e subsunção da hipótese de incidência tributária do FAE a ser declarada em GFIP pela empresa.1.1. ausência ou omissão de critério de insalubridade. item 15.1 e qualitativa para o item 15.882/2003 nivelou os limites de tolerância para aposentadoria especial com aqueles estabelecidos na NR-15 do MTE. em que se encaixa o subitem 15. Apresenta-se por fim o caso do pintor.1). Para isso. aplicável. Tem-se expressamente disposição normativa quantitativa para o item 15. O Decreto nº 4. ou seja.213/1991 e do Decreto nº 3. não há. ao contrário. A norma brasileira é explícita. à luz das Leis nº 8. PPRA. 128 49 Fator de risco – a ser definido pelos programas de gerenciamento. com alteração dada pelo Decreto nº 4. 3. compreende duas dimensões: objetiva (estatística) e subjetiva (magnitude do dano).1. 11 e 12 (conforme item 15.

a lista dos carcinogênicos. o VRT é meramente tecnológico. Logo. juntamente ao benzeno: 4-amino difenil. 129 . que. o chamado PPEOB. ainda que possuam agressividade e doses-resposta distintas. por conseguinte. pois a NR-15 é explícita. acrescentado pela Portaria MTE nº 14. Exemplo: atividades sujeitas ao hiperbarismo (Anexo 6). Destaque-se que o Anexo 13 da NR-15 traz atividades que envolvem. daí a condição de qualitativo. O Anexo 13-A proíbe a utilização de benzeno a partir de 1/1/1997 para qualquer emprego. O benzeno faz parte do Anexo 13.1. entre outros. para aposentadoria especial é o valor de limite de exposição – VLE quando se tratar de fator de risco quantitativo químico ou físico. em sua revisão 13-A. bem como aos agentes bacteriológicos do Anexo 14. excetua alguns.2 que mergulhar 10. todos de proibida exposição ou contato. o VLE é zero (existente). o VRT é fruto de negociação econômica em função do estado do parque fabril petroquímico e siderúrgico à época da edição do Anexo 13-A. tolueno e xileno (BTX). ensejam aposentadoria especial. permitiu-se um mínimo de balizamento em contrapartida ao compromisso dos empresários em adotar um programa de prevenção específico para o benzeno. constituem ativação do mesmo fenômeno jurídico.1995. todavia. que.12. VRT não tem nada a ver com VLE.FATORES QUÍMICOS | UNIDADE III »» Fatores de risco qualitativos: por possuírem nocividade ostensiva e altamente deletéria ao ser humano. beta-naftalamina e 4-nitrodifenil. estar exposto a muitas ou poucas culturas de infectocontagiantes ou inalar 10 ppm ou 1.1. são insalubres e. benzidina. Para os qualitativos. à presença de substâncias carcinogênicas do Anexo 13. dada a importância no PIB e estratégica para o Brasil desses segmentos econômicos. ato contínuo solidário. mitigaria a “carcinogenecidade” dessa substância e seus efeitos conexos. de alguma forma. Hidrocarboneto (benzeno): pergunta 2 O valor de referência tecnológica – VRT serve como referência ao limite de tolerância para aposentadoria especial? Resposta: não. hidrocarboneto. como os casos da petroquímica e siderurgia. No caso em tela. Fica a curiosidade: por que para petroquímica e siderurgia o benzeno foi excepcionado? Em verdade. como é o caso do hidrocarboneto (benzeno). diante da iminente paralisia industrial. silicatos.2 da NR-15. a ponto de prescindirem de medição de intensidade ou concentração para se afirmar que há insalubridade – não há limite de tolerância porque exatamente não é tolerável –. de 20.000 ppm por dia de hidrocarbonetos policíclicos aromáticos. basta o reconhecimento da existência do fator de risco nas atividades listadas no subitem 15. por ser intolerável. 50 ou 150 metros de profundidade. são conceitos díspares pela natureza e inconfundíveis pelos objetivos a que se prestam. além do fósforo. não há que se falar em remissão à norma americana. inclusive benzeno. Depreende-se da letra da norma do subitem 15. como o próprio nome sugere. O limite de tolerância descrito pela NR-15 para insalubridade e. em termos de insalubridade e aposentadoria especial. ou seja. cujo processo só será seguro se for hermetizado.

fungos. no entanto. a presença da substância benzeno por si só não determina o fator de risco. Por isso é que a natureza é qualitativa.UNIDADE III | FATORES QUÍMICOS O item 6 do Anexo 13-A da NR-15 estabelece. O entendimento exposto nas respostas 1 a 3 acima está previsto expressamente na legislação previdenciária e trabalhista em vigor e se encontra em total consonância com a atual CRFB-88. 1°. Esse é o ponto. define de antemão quais são as atividades que se presumem insalubres. Todavia. vírus. assim o qualifique. até porque os indicadores biológicos e epidemiológicos do PCMSO não são imediatos. ao ler esta nota técnica. Nesse caso. dada a característica insidiosa e de média latência das doenças relacionadas. a empresa que demonstrar o equilíbrio ambiental do seu processo produtivo. oneroso. O leitor. na periodicidade dos monitoramentos definidos pelo PPEOB. muito provavelmente estará em contato com bacilos. por consequência. Logo. esporos. dificilmente se consegue tal assertiva de eliminação ou controle do fator de risco. bactérias. por esses mesmos organismos. não paga adicional de alíquota à aposentadoria especial nem paga adicional de insalubridade. III e IV). entre outros. Hidrocarboneto (benzeno): pergunta 3 Tem benzeno em todo lugar. via sistema de gestão rastreável e confiável. das cargas de matérias-primas. mas não haja fator de risco. com a aposentadoria especial – que a norma NR-15. como esse estágio de gerenciamento é raríssimo e bastante trabalhoso. definido em processo de negociação tripartite. bem como instável. É por reconhecer essa dificuldade das empresas – que associam e fazem ligação direta entre a presença da substância benzeno no processo produtivo com a insalubridade e. 6°). sem. exposto a um fator de risco. Anexos 13 e 13-A. onde quer que esteja. pois flutua em função das políticas internas das empresas. reservou inúmeros 130 . juntamente com as evidências epidemiológicas extraídas do PCMSO. a dignidade da pessoa humana e os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa (art. que sistematizou esse ambiente de trabalho. logo todo mundo tem direito à especial? Resposta: não. dos regimes de produção. reconheceu o trabalho e a previdência social como direitos sociais (art. literalmente: Valor de Referência Tecnológica – VRT se refere à concentração de benzeno no ar considerada exequível do ponto de vista técnico. pois é possível que ele exista no processo produtivo. Analogamente. que exige alerta máximo permanente ao longo da operação do empreendimento. Só para aqueles expostos aos fatores de risco reconhecidos no PPRA/PPEOB. e fundamentalmente dinâmico. O VRT deve ser considerado como referencia para programas de melhoria continua das condições dos ambientes de trabalho. Não se pode olvidar que a atual Lei Maior adotou como fundamentos do sistema jurídico pátrio. e que as medidas administrativas e coletivas de proteção são capazes de controlar ou eliminar o fator de risco estará isenta da ativação da insalubridade e. necessariamente. por conseguinte. salvo se o PPRA. O cumprimento do VRT é obrigatório e não exclui risco à saúde (grifo nosso). da aposentadoria especial. estar. porquanto existe um aparato tal de prevenção e proteção que autorize ao responsável técnico pelo PPRA/PPEOB asseverar nesse sentido.

pois está exposto por subordinação jurídica (permanência devido ausência de grau de liberdade) ao agente qualitativo benzeno50. que deve fundar-se na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa. as legislações previdenciária e trabalhista adotaram para certos agentes ambientais. por meio de acréscimo na tributação. afirmando no mesmo sentido: benzeno é qualitativo. Nessa situação. que um pintor. ou de tecnologia de proteção individual. Dessa forma. A proteção e o resgate da saúde do trabalhador devem sempre orientar a interpretação das normas destinadas à proteção do meio ambiente do trabalho. ao elevar a dignidade da pessoa humana ao patamar de princípio fundamental do Estado Democrático de Direito. impõe que nesse laudo técnico deverá constar informação sobre a existência de tecnologia de proteção coletiva. O requerimento do benefício previdenciário (da aposentadoria especial) será instruído pelo formulário denominado Perfil Profissiográfico Previdenciário – PPP. não é monetizar os potenciais danos à saúde do trabalhador por meio de adicionais remuneratórios ou antecipações de aposentadoria. entre outros. A Carta de 1988. mas sim estimular. na redação dada pelo Decreto n° 4. 7°. higiene e segurança (art. interpretando as normas vigentes no ordenamento jurídico brasileiro de forma sistemática. assegurar a todos uma existência digna (art. XXII). ao cumprir ordem recebida para pintar. minimize ou controle a exposição a agentes nocivos nos limites de tolerância. 131 . consoante determina o § 2° do art. fixou como finalidade da ordem econômica. a fim de que o trabalhador. as empresas em geral a retirar ou neutralizar gradativamente todos os agentes nocivos em potencial ainda existentes no meio ambiente de trabalho. a caracterização da nocividade por meio do elemento qualitativo. a título de exemplo.882. fez irradiar a todos os ramos do Direito o reconhecimento da prevalência do ser humano. percebe-se de forma clara que ele reconheceu expressamente o bem-estar do ser humano como fim último a ser atingido. entre os quais. respeitado o estabelecido na legislação trabalhista. Considerando agora. a legislação trabalhista é usada como parâmetro de aferição das condições especiais em que o trabalho é prestado para fins de concessão do benefício previdenciário da aposentadoria especial. diz-se que permanece com zero grau de liberdade para se esquivar da inexorável exposição aos vapores orgânicos voláteis exalados pelo processo de pintura. ainda que tais normas sejam pertencentes ao ramo do direito tributário-previdenciário. Por isso. além do desgaste natural impingido pelo tempo. de medidas de caráter administrativo ou de organização do trabalho. Assim. e. com base em Laudo Técnico de Condições Ambientais do Trabalho – LTCAT expedido por médico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho. não pode desobedecer. na forma estabelecida pelo Instituto Nacional do Seguro Social – INSS. Assim é patente a aplicação imediata do conceito de permanência. O objetivo do ordenamento jurídico atual. por óbvio. 170). cuja nocividade é ostensiva e altamente deletéria ao ser humano. de 2003. de 29 de maio de 2009 (DOU de 10 de junho 2009). não tenha perdido a sua saúde.FATORES QUÍMICOS | UNIDADE III direitos aos trabalhadores urbanos e rurais. 68 do RPS. 50 Vale destacar a corroboração da RFB aos argumentos aqui discorridos quando publica a Solução de Consulta RFB nº 40. por meio de normas de saúde. conclui-se que o pintor está sob permanência e nocividade para o agente benzeno presente na pintura (solventes). O § 3° do citado artigo. emitido pela empresa ou seu preposto. a redução dos riscos inerentes ao trabalho. ao final da sua vida laboral. que elimine.

devemos consultar a NR-9. temos que levar em consideração qual o enfoque: vamos atender apenas ao disposto legalmente para a insalubridade ou fazer um PPRA e trabalho técnico mais abrangente? 132 . Quanto à prioridade de uma sobre a outra.UNIDADE III | FATORES QUÍMICOS 1. nelas encontraremos dados em relação à composição/ formulação. Sabemos que na NR-15 não temos limites de tolerância para a maioria das substâncias. que outros critérios ou normas devemos seguir e qual a prioridade de uma sobre a outra? Resposta: quando se trata de substâncias químicas. além da NR-15 e anexos. devemos procurar por informações nas FISPQ. Responda justificando: Produtos químicos para os quais se utiliza o LT de valor teto são geradores de insalubridade e FAE? 2. Você concorda com a resposta? Por quê? Ao efetuarmos uma inspeção de segurança em determinada empresa e nela detectarmos a presença de diversos produtos químicos. como a NR-9 propõe que se utilizem os limites de tolerância da ACGIH e ainda trabalha o conceito de nível de ação.

umidade.PARA (NÃO) FINALIZAR Apropriar-se dos mecanismos de controle para intervenção ambiental é o grande instrumento do EST para fazer diferença positiva à saúde do trabalhador. radiação não ionizante. Esperamos. por uma das mãos da Engenharia de Segurança do Trabalho. Encerramos aqui sem tratar de assuntos como iluminação. Ah! E a outra mão? Quase esquecemos: é para continuar folheando. e. mesmo nos itens abordados. a solução para os novos e velhos problemas do meio ambiente do trabalho passa. que. há limitações por parte do professor. da metodologia e da própria ciência. 133 .010 do CONFEA. de alguma forma ter contribuído para essa aprendizagem.. de resto. alcança a todos nós. sinceramente. necessariamente.. Como dito em HTI. que obrigam o EST a se aprofundar naquilo que necessitar quanto às atribuições definidas pelo Anexo IV da Resolução nº 1.

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