You are on page 1of 7

Arte antiga

A partir do texto “O Clássico e a Iconografia”, de Vera Pugliese, podemos observar
características peculiares à análise iconográfica realizada pela História da Arte. A Iconografia
em seu sentido específico preocupa-se com os fatores extra-artísticos que se manifestam na
obra de arte, já que esta constitui-se parte da cultura, de modo a expressá-la em imagens que,
por sua vez, carregam em si saberes específicos de seu tempo.
A problematização do nexo entre forma e conteúdo do ato criador da imagem levou à
necessidade do estabelecimento de critérios para o estudo das obras de arte, especialmente as
antigas que se viram transformadas em referências no período renascentista. Como destaque
desta questão tem-se o método iconológico de Panofsky, cujo intento inicial era o estudo das
obras renascentistas, mas que teve o alcance de outras épocas histórico-artísticas. Tal método
apresentava três níveis: o primeiro descritivo (pré-iconográfico), o segundo analítico
(iconográfico) e o terceiro interpretativo (o precisamente iconológico). Enquanto o nível préiconográfico busca descrever o conteúdo temático primário a partir de elementos formais
(como cor, linha, luz, volume), o nível iconográfico analisa o conteúdo secundário de modo a
identificar tipos e temas pertinentes a determinados conjuntos iconográficos. O nível
iconológico, por sua vez, realiza a interpretação do tema através das relações com outras
obras, de modo a esclarecer o seu significado no contexto cultural da época. Daí a necessidade
de o historiador da arte ser um profundo conhecedor não apenas da obra em sua apresentação
material, mas do contexto cultural em que esta se insere, das influências que o artista que a
criou possa ter sofrido e até mesmo de outros estudos a ela referentes. Nesse sentido ocorre o
entrelaçamento de fontes documentais com o conhecimento erudito do iconólogo com vistas à
uma correta leitura e atribuição da imagem. Tem-se então uma complexificação da cadeia
interpretativa de cada obra, a qual finda por apreender elementos também de ordem social,
política, filosófica, religiosa, histórica inerentes à própria cultura. No entanto, tal método
mostra-se por vezes impossível de ser efetivado totalmente, especialmente no que diz respeito
ao terceiro nível.
Já Gombrich trabalha sua análise em termos da comparação entre os esquemas da
cultura helênica e arcaica, interpretando a conquista do naturalismo a partir de observações
comparativas entre o real e as obras realizadas, o que receberia o nome de mimesis.
Considerando que toda obra é precedida de conhecimentos vários que de algum modo dela
participam, toda obra sofre a influência e a mutação característica de seu tempo, o que

pernas desaparecidas). torso. impostos pela exigência de se expressar movimentos. sentimentos. volta-se para as condições fenomenais da criação artística específica de um contexto histórico-cultural. arcaico e helênico e helenístico. Nesse contexto. Por conseguinte.transforma o artista em co-autor de passagens mitológicas e literárias que busca expressar pela especificidade característica de sua obra. Em seu todo há um geometrismo que expressa um pensamento racional aliada à busca por um equilíbrio. . o tórax é demarcado por linhas que distinguem os principais grupos musculares. O penteado também é estilizado. A cabeça é bastante estilizada. os quais segundo Gombrich se deu a partir da correção. Daí a relação entre elementos artísticos e extra-artísticos que. apresentamos a seguir cinco esculturas em que podemos observar essas transformações salientadas por Gombrich referentes aos períodos geométrico. apresentando idêntica simetria do eixo vertical que parte a figura ao meio. ideais sócio-culturais. embora não haja a concepção de um todo orgânico. Nessa primeira imagem do período geométrico notamos que a escultura apresenta-se dividida em quatro partes (cabeça e pescoço. partindo da imagem e do nexo forma-conteúdo. os problemas plásticos de representação artística se complexificaram. coxas.

Boston A segunda imagem é do período arcaico. a cabeça permanece estilizada e inicia-se a representação de vitalidade através de um sorriso. Museum of Fine Arts. o que reflete forte influência egípcia.3 cm. bronze.C. apresentando corpo posicionado de modo hierático. Há ainda a existência de linhas demarcatórias dos músculos. VII a.Apolo Mantiklos de Tebas. h = 20. início do séc.. . Nesse momento o corpo já é concebido como uma unidade. corpo nu e sem o pilar posterior. pé esquerdo à frente.

buscando um naturalismo que se aproxima da idealização. mármore de Naxos. The Metropolitan Museum of Art. Arcaico. Ática. apresenta na estruturação de suas obras ordem racional e objetividade da representação. . New York A arte helênica. 590-580 a. simetria. harmonia. h (sem plinto) = 193 cm. por sua vez.C. tudo isso aliado ao conceito de beleza e noções como equilíbrio. além da perfeita proporção entre as partes..Kouros. inaugurando assim os preceitos clássicos daquilo que se entende por arte ocidental.

Polícleto o velho de Argos. cópia romana em mármore do original em bronze. c. h = 212 cm. Nápoles O Discóbulo aparece como expressão do movimento: .C. Doríforo.. Museu Arqueológico Nacional. Grego Clássico. 450-440 a.

original de c.55 m Museus do Vaticano Já Laocoonte surge no período helenístico como expressão do sentimento: . 450 a. mármore. Discóbulo.C.Segundo Míron. bronze h = 1. cópia romana Lancelotti Discololus..

. h = 244 cm. Atenodoro e Polidoro de Rodes. provavelmente 42-20 a. Museus do Vaticano .Atribuído a Agesandro. mármore. Período Helenístico. Laocoonte.C.