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1.

INTRODUÇÃO

O presente trabalho tem por objetivo fornecer uma análise
crítica e reflexiva fundamentada na Antropologia correlacionada às concepções
de direito das sociedades simples e suas normatividades, bem como sua
capacidade, enquanto unidades sociais geradoras de juridicidade.
Partindo-se

do

pressuposto

de

que

os

antropólogos

consideram o homem como o sujeito produtor de cultura e, em contrapartida,
como produto da mesma, esta ciência nos fornece os subsídios necessários
que nos levam a uma análise contextual proficiente das peculiaridades
concernentes das comunidades minoritárias destituídas, na atual conjuntura,
parcial ou integralmente, de seus direitos de reconhecimento e construção de
sua identidade no que tange seus valores étnicos e territoriais. Neste aspecto,
daremos ênfase ao evento ocorrido no auditório da Pontifícia Universidade
Católica de Serro no mês de março do corrente ano de 2015, como instrumento
exemplificador das abordagens antropológicas expostas previamente no
transcorrer deste trabalho.

que. as pessoas obedecem. Na Antropologia e na Sociologia.1 Considerações Antropológicas na perspectiva do Direito das Comunidades Minoritárias e das Sociedades Primitivas Para os estudiosos do direito a questão problemática da definição do que seria a lei é relativamente simples: a lei é uma regra proposta pelas organizações próprias ao Estado. o que estabelece uma relação dialogal entre os três poderes constituintes e atuantes no Estado. deve-se ressaltar aqui. que estas sociedades são destituídas de regras.2. a violência organizada do Estado. mesmo assim. Ou seja. Entende-se que estes mecanismos existem em outras instituições independentes do Estado e. De uma maneira geral é uma legislação endossada pelas práticas vigenciais do poder Executivo e pelas representações dos poderes judiciários. e nas sanções que mantêm a ordem social e que proporcionam o caráter funcional de uma determinada sociedade. nem quer dizer que não existam mecanismos de controle social ou sanções contra aqueles que infringem essas regras. Assim. por sua vez. estas instituições continuam a funcionar mesmo na moderna sociedade urbana. Deste modo. ou. normas e hábitos que têm efeito real na ordem social que . o cientista social não se detém tão somente na formalização de normas ou regras específicas e nas instituições garantidoras e mantenedoras do direito do Estado. Não se pode dizer. onde o Estado é ausente ou muito distante. a lei toma contornos e conceituações em um nível de complexidade mais amplo. ou normas sociais. temos que a Antropologia Jurídica clássica tem como objeto de seu estudo exatamente o direito “primitivo”. mas que. é a lei nas sociedades simples e sem escrita. nas palavras de Robert Shirley. desta maneira. DESENVOLVIMENTO 2. ou poder burocrático. Evidencia-se no interior de muitas sociedades a existência de regras e costumes não formais. mas sim direciona seu interesse primordial em todo sistema padrão estrutural das normas. Os estudos antropológicos mais recentes demonstram que muitas sociedades existiram e ainda existem sem quaisquer leis escritas (formalização do direito positivo).

É possível. “primitivas”. nos ensinam que a natureza fundamental do direito é: O poder que tem a sociedade de aplicar sanções ou punir uma conduta disruptiva ou “ilegal”. falar de uma “cultura legal”. Hart. de acordo com Sally Falk Moore e outros antropólogos jurídicos. “de fato. desta maneira. Além disso. sobre o comportamento do indivíduo. Robert Shirley considera que. são uma acumulação histórica das normas de vida social que se tem mostrada valiosas ao longo das gerações. no sentido de manter a ordem e organização sociais. A. 10) A Antropologia Jurídica tem como tem como fundamento elementar de suas considerações o de que as regras são feitas a partir de bases sociais e econômicas que precisam ser analisadas em seu contexto social determinado. ou seja. a Filosofia Jurídica e dois de seus eminentes contribuintes. Na ausência de um instrumento que as faça valer e sem uma forma de escrevê-las. Hart sugeriu que em qualquer sociedade há “regras primárias”. Desse modo. as regras da sociedade sem Estado. 1987. Ainda segundo o autor. provavelmente quase toda interação e comportamento sociais ocorrem sem ação direta alguma de qualquer Estado”. Considera-se assim que. (SHIRLEY.não sejam codificados através da escrita e nem se encontram nos livros de direito. as leis desnecessárias serão esquecidas com o passar do tempo. como sendo aquela estrutura e hierarquia de normas e valores que permitem a uma pessoa sobreviver em seu ambiente social. raramente têm leis nocivas ou inúteis. Hans Kelsen e H. devido ao alcance de seu conhecimento multicultural e de sua consciência de tipos . Destaca-se como campo de pesquisa e atuação dos antropólogos. bem como para os estudiosos da ciência jurídica. as sociedades sem Estado. pág. L. e “regras secundárias”. as leis dos povos “primitivos” são frequentemente muito mais verdadeiras do que as das sociedades modernas. normas da sociedade referentes às primárias. o direito comparado. isto é. o direito “primitivo”. fórmulas sociais para aplicar sanções àqueles que não obedecem às regras primárias. além de serem de conhecimento geral pelos membros constituintes da sociedade. Nesse contexto de atuação o antropólogo posiciona-se vantajosamente no sentido de auxiliar nesta espécie de trabalho.

políticas etc . Afim de exemplificar a maneira pela qual se dava as relações sociais em sociedades simples. é abençoado por um encontro com o Lobo-do-Dorso-Alto. O índio em uma situação de risco tenta encontrar a tribo mais perto até ter capacidade de voltar para casa. atuava como juiz e conselheiro. mesmo assim é evidente que é possível chegar a uma ordem. Houve uma vez em que foi estabelecido uma regra de que ninguém no campo poderia usufruir dos cavalos de outras pessoas. Por exemplo. deixando-o sem nem a roupa do corpo. puxando do índio os cavalos e em seguida agredindo-o seriamente. na história do índio Pawnee o Lobo-doDorso-Alto como grande chefe. o alcançou. Pawnee se tornou o chefe dos Soldados Raposos (soldados dos povos do norte). porém chefe. um homem jovem.neste tipo de sociedade. Robert Weaver este conto revela o método antropológico da pratica real do direito “primitivo”. dando-lhe comida e roupas e se responsabilizando por equipa-lo. abandonou os bandos do sul. SHIRLEY. Entretanto. se responsabilizando por todas as despesas. roubava carnes e cavalos. sem a devida permissão. que o leva para sua casa no norte. os próprios membros as delimitam. também chamados de Corda-de-Arco. juízes. por todavia.” Segundo SHIRLEY.diferentes de instituições jurídicas que não aquelas encontradas no cerne das sociedades modernas ocidentais. Mostrando formas vantajosas do estudo de direito nestas sociedades socialmente simples. Na sua infância era um jovem desprezível e desrespeitosa. pegou dois cavalos malhados e fugiu para o oeste com a intenção de que ninguém o encontraria. Neste caminho . fazendo com que estes lembrem dele como uma pessoa sem valor. quase morto. porém Pawnee por ser um contraventor. cita a história de um índio Chayenne apresentado por Llewellyn e Hoebel e contado por Lobo Negro conforme o relato da mesma a seguir: “Pawnee era um índio Chayenne da região sul. Já nas sociedades simples. há uma . pois as devidas funções que devem ser desempenhadas em uma sociedade como leis. com uma devida legitimação mesmo com a ausência de um estado e formas de organização não burocráticas. Entretanto os soldados de sua comunidade. Robert Weaver no capítulo quinto do seu livro Antropologia Jurídica.

A vida solitária não é fácil e sim desagradável. Apesar de que em algumas comunidades é possível a sobrevivência solitária. sansões sociais e psicológicas mais . O primeiro é a sua incorporação de valores e cultura nos membros mais jovens e sua socialização. não é o caso do conto do índio Pawnee. Em sociedades que são provenientes da caça como no conto do índio Pawnee. uma vantagem sobre os seus membros e na vida social deste. entre ambos. É possível dizer que a família é a primeira instituição legal. no qual o índio viu que não era autárquico e precisou se juntar ao bando para sobreviver. reparte com os que não se consistiram melhor. e devem contar com a família que é “fundamentalmente um agrupamento biológico e social” e a própria comunidade que é “basicamente uma unidade econômica”. Robert Weaver que é dada a organização das sociedades sem uma devida burocracia de fato. onde se consiste vários bandos no qual o que melhor se sair na caça. Malinowski foi o primeiro a enfatizar a importância da dependência econômica da comunidade na ordem social vigente nesta. são nestes primórdios que os indivíduos são concebidos de suas primeiras experiências com punições. Desta forma na visão do autor SHIRLEY. entretanto. dando a esses grupos um imenso poder real. O segundo é que.” Este conceito é valido para as vilas rurais e bairros urbanos. provocando também às vezes discussões. pois estão inteiramente correlacionados uns com os outros. e é a mais importante vigente na sociedade. é evidente que a orientação mínima e básica de um indivíduo provém de seu lar. dando assim um poder a mais a comunidade. que desenvolveram uma série de normativas. A segunda instituição legal na sociedade são as comunidades. as comunidades possuem um vínculo econômico. que são advertidos de acordo com a legitimação imposta pelos chefes ou comandantes da devida sociedade.falta de um sistema administrativo profissional. Os membros das sociedades então fadados a cumprir funções econômicas e sociais para que os seus familiares e si próprios garantam a sobrevivência. De acordo com o autor comunidade é “normalmente definida como um grupo co-residencial que vive todos os dias frente a frente. exercendo dois papeis fundamentais.

a lei jurídica abrangeria todas as regras morais e praxiológicas seguidas rigorosamente como obrigatórias em cada grupo. demasiado vitais para as pessoas para serem aplicadas por agência abstrata. pequeno arquipélago localizado no noroeste de Nova Guiné. e de forma independente dos direito dos colonizadores. 68) A concepção de direito estritamente associada às organizações sistemáticas de juridicidade em grupos socialmente evoluídos representaria. um código cultural que propicie uma interpretação do mundo. na perspectiva de Malinowski. uma limitação arbitrária ao fenômeno da . Na intenção de proporcionar uma visão antropológica do fenômeno do direito contamos com a contribuição fornecida pelos estudos de Geertz e Malinowski. a publicidade e a ambição virão a ser considerados os principais fatores da maquinaria compulsória do direito primitivo. segundo o ele: Deve existir em todas as sociedades um conjunto de regras demasiado práticas para serem apoiadas por sanções religiosas. O primeiro define o direito como sendo um sistema de significados. num contexto permeado pelas concepções da pluralidade jurídica. demasiado pesadas para o seu cumprimento ser deixado à boa vontade dos indivíduos. o direito pode ser entendido como a hermenêutica dos fatos sociais e. (MALINOWSKI. a incidência sistemática. O antropólogo polonês partia do pressuposto de que a lei jurídica constituía o modo pelo qual se obtinha o controle da sociedade em suas relações e afirmava que havia lei em todas as sociedades humanas onde houvesse este controle social como fator determinante das obrigações de uma pessoa e os direitos correlatos da outra. ele seria o processo de dialogicidade entre as diferentes culturas existentes para que se torne possível a fixação dos significados quando estes estão justapostos ou em confronto. Sendo assim. constatou a existência de uma real normatividade jurídica em sociedades não-organizadas por um estado. pois. caracterizando-se como um sistema de compreensão de símbolos e significados sociais que criaria uma sensibilidade jurídica específica de cada unidade de vida humana associada. a fim de proporcionar a ordem e a harmonia na sociedade em questão. Neste sentido. em seus estudos na ilha de Trobriand. 2003. pág. Bronislav Malinowski. É este o domínio das regras jurídicas e aventuro-me a antecipar que a reciprocidade. No encalço destas contribuições.leves por via de uma divisão própria de funções.

suscetível de ser encontrado em todos os tipos de associação humana. o que ocasionaria como consequência dessa restrição a possibilidade de se perceber a juridicidade de grupos não-organizados e selvagens. entendia que o direito era. o Seminário de Introdução aos Direitos Étnicos. haja vista ele considerar que a comunidade e o direito nasciam juntos. estudiosos da área. que das pleiteiam Comunidades a titulação Remanescentes dos territórios de que historicamente reconhecem como seus. uma questão de controle social. sendo inseparáveis. por sua vez. sustentava que cada grupo. teria a capacidade de produzir uma ordem jurídica autônoma própria para regular sua vida interna. aparecia quando essas associações desenvolvessem formas de sociabilidade ativas. ou seja. conquanto de maneira nãoestatal. no entanto. do mesmo modo que Malinowski. O primeiro. Contando com a participação de diversos palestrantes. tendo como tema principal o amparo legal em direito constitucional Quilombos da pertinente região. Minas Gerais. acima de tudo. sob o enunciado: “Aos remanescentes das comunidades de quilombos que estejam . um direito.2 Seminário de Introdução ao Direitos Étnicos Nos dias 06 e 07 de Março de 2015 realizou-se no auditório da Pontifícia Universidade Católica da cidade de Serro. sendo. as caracterizadas por uma obra comum a levar a cabo e por volições ativas e racionais sobre as afetivas. o direito. bem como as questões referentes ao Pluralismo Jurídico no contexto da construção e emancipação da identidade dessas comunidades e seu reconhecimento e valorização. O referido direito é previsto no artigo nº 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal de 1988. Gurvitch. com sua “teoria do direito vivo”. 2. sim. independentemente de seus tamanho ou complexidade. Ainda podemos destacar os estudos de Eugen Ehrlich e Georges Gurvitch que advogam a experiência jurídica. portanto. estes que teriam. considerando-a como um direito espontâneo.juridicidade. vivo e dinâmico.

destacando-se. o termo em questão indica a situação presente dos segmentos negros em diferentes regiões e contextos e é utilizado para designar um legado. a condição de remanescente de quilombo pode ser definida de forma ampliada dando-se ênfase como seus elementos constituintes identidade e território. doações. efetivamente. de modo que a maioria dos grupos que hoje. Em consonância com o moderno conceito antropológico exposto nas palestras proferidas e nos debates ocorridos no referido evento. suas práticas de resistência na manutenção e reprodução de seus modos de vida característicos num determinado lugar. bem como a compra de terras. uma vez que demonstrada. tanto durante a vigência do sistema escravocrata quanto após a sua extinção. ainda. construídas . que incluem as fugas com ocupação de terras livres e geralmente isoladas. a existência de uma identidade social e étnica por eles compartilhada. Este sentimento de pertença a um grupo e a uma terra é uma forma de expressão da identidade étnica e da territorialidade. desta forma. devendo o Estado emitir-lhes os títulos respectivos”. pudesse ser contemplada por esta categoria. bem como a antiguidade da ocupação de suas terras e.ocupando suas terras é reconhecida a propriedade definitiva. a relativização e adequação dos critérios para se conceituar quilombo. mas também as heranças. Os grupos que hoje são considerados remanescentes de comunidades de quilombos se constituíram a partir de uma grande diversidade de processos. recebimento de terras como pagamento de serviços prestados ao Estado. Com a promulgação da constituição e a necessidade da regulamentação do Artigo 68. Com efeito. através de estudos científicos (laudo antropológico). inevitavelmente. reivindicam a titulação de suas terras. a simples permanência nas terras que ocupavam e cultivavam no interior das grandes propriedades. provocaram-se discussões de respaldo técnico e acadêmico oportunizado por este evento que nos levam a refletir acerca dos conceitos dominantes na historiografia concernentes à escravidão. uma herança cultural e material que lhe confere uma referência presencial no sentimento de ser e pertencer a um lugar específico.

realça determinados traços culturais que julga relevantes em ocasião de seu reconhecimento legal. Boaventura S. e que só começou a ser contestado na década de 50 por Florestan Fernandes e Oracy Nogueira. deflagrado no passado. É o caso da identidade quilombola. a ideia de que um grupo. pág. A ocultação do racismo na sociedade brasileira foi estimulada pelo discurso da democracia racial. Este processo histórico de resistência e luta. mas porque o é enquanto filho e herdeiro. Neste sentido. constituem identidade. A identidade de negro é colocada como uma relação de diferença respaldada na subalternidade e na diferença de classes. praticamente como a reinvindicação de uma continuidade desse mesmo processo. é evocado para constituir resistência nos dias atuais. Por conseguinte. isto é. nos lembra que aquele que se vê na obrigação de reivindicar uma identidade encontra-se necessariamente em posição de carência e subordinação. na década de 30.. estas relações de parentesco e território. segundo F. 1996. 76). construída a partir da necessidade de lutar pela terra ao longo das últimas décadas. Santos. da qual Gilberto Freyre é um dos maiores expoentes. a garantia hereditária de acesso à terra. pois esconde-se por detrás de um “sistema de valores que [. nas quais ficam evidentes fortes disposições racistas. juntos. . esta submissão é fundamentada por representações sociais que justificam a inferioridade estrutural dos grupos minoritários. Assim. que alguém tenha o direito virtual de “dono” sobre a terra não simplesmente porque é um indivíduo. devemos levar em conta a concepção de flexibilidade dos grupos étnicos e. na medida em que os indivíduos estão estruturalmente localizados a partir sua inserção a grupos familiares que se relacionam a lugares dentro de um território maior.] tanto inibe manifestações negativas na avaliação ‘do outro’ racial como estimula a apologia da igualdade e da harmonia racial entre nós” (PEREIRA. ao relacionar identidade e questões de poder. confrontado por uma situação histórica peculiar.. Esta espécie de racismo pode ser considerado uma forma de recalque.sempre em relação aos outros grupos com os quais os quilombolas se confrontam e se relacionam. Barth (1976). sobretudo.

associações e comunidades minoritárias. a autoestima. Não é qualquer terra. como também porque tal empreendimento se faz em uma mobilização consciente na qual esses sujeitos afirmam sua autonomia e identidade. Recorrendo às contribuições fornecidas por Albernaz e Wolkmer no que diz respeito ao reconhecimento da juridicidade insurgente no âmbito das relações sociais estabelecidas nos vários grupos. se constrói sempre numa correlação profunda com o seu território e é precisamente esta relação que cria e informa seu direito à terra. é importante ressaltar que a identidade grupos minoritários como as comunidades remanescentes de quilombos. que as comunidades quilombolas vêm pleiteando o direito de serem agentes e construtores de sua própria história de maneira autônoma e emancipatória. tem empreendido uma luta contra a condição que. evidencia-se a importância da ação jurígena dos novos movimentos sociais engendrados por estes grupos. pois sua emergência decorre da percepção de uma carência social entendida como negação de direitos e. mas a terra na qual mantiveram alguma autonomia cultural. de base popular. apoiando a tese de Wolkmer. Deste modo.. social e. e é neste contexto social que constroem sua relação com a terra. os grupos minoritários passam a valorar positivamente seus traços culturais peculiares e suas relações coletivas como forma de adaptar-se às pressões sofridas. assim entendida como uma injustiça social susceptível de reparação. consequentemente. Neste sentido. historicamente. Em tal situação de desigualdade. . Importância que se dá não só porque tais sujeitos coletivos. entra na discussão para que se reconheça nos movimentos sociais a figura de um “sujeito coletivo de direito”. tornando-a um território impregnado de significações relacionadas à resistência cultural.É neste contexto historicamente desfavorável no que tange ás relações de poder. legou considerável parcela de sua população a se ver cerceada de seus direitos ou da efetividade deles. Souza Jr.

E. As questões delimitativas do direito no Pluralismo Jurídico. Crime e Costume na Sociedade Selvagem. O saber local. Antropologia Jurídica. Fundamentos da sociologia do direito. Antonio Carlos. Trad. Petrópolis. GURVITCH. In: ARRUDA JR. 2003. 2006. Lisboa: Cosmos. Porto Alegre: Fabris. Martins Fontes: 1979. EHRLICH. São Paulo: Saraiva. WOLKMER. Revista Sequência. B. E. Ensaio sobre a sociologia da retórica jurídica. nº57. Renata O. direitos humanos e interculturalidade. C. SHIRLEY. 1991. WOLKMER. Novos ensaios em Antropologia interpretativa. .. O discurso e o poder. J. S. 1986. SANTOS.4. Brasília: UnB.. Pluralismo jurídico. Robert Weaver. dez. São Paulo: IMESP. (org. GEERTZ.) Lições de direito alternativo. 1988. B. Gertz. G. Antonio Carlos. 2008. 1998. REFERÊNCIAS ALBERNAZ. Santos. Movimentos Sociais – emergência de novos sujeitos: o sujeito coletivo de direito. 1987. Vozes. G. São Paulo: Acadêmica. R. dez. A vocação atual da sociologia. nº53. SOUZA Jr. MALINOWSKI. Revista Sequência.