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FACULDADE DE DIREITO MILTON CAMPOS

A PESQUISA MINERAL E A TAXA ANUAL POR HECTARE - TAH
NATUREZA JURÍDICA

Nova Lima
2010

2

GISELLE CHRISTINA NEVES DE OLIVEIRA

A PESQUISA MINERAL E A TAXA ANUAL POR HECTARE - TAH
NATUREZA JURÍDICA

Dissertação apresentada ao curso de pósgraduação strictu sensu da Faculdade de Direito
Milton Campos como requisito parcial para
obtenção do título de Mestre em Direito
Empresarial.
Área de concentração: Direito Empresarial
Orientador: Elcio Reis

Nova Lima
2010

3

O48 p

OLIVEIRA, Giselle Christina Neves de
A pesquisa mineral e a taxa anual por hectare – TAH - natureza jurídica./
Giselle Christina Neves de Oliveira – Nova Lima: Faculdade de Direito Milton
Campos / FDMC, 2010
122 f. enc.
Orientador: Prof. Dr. Elcio Reis
Dissertação (Mestrado) – Dissertação para obtenção do título de Mestre, área
de concentração Direito empresarial junto a Faculdade de Direito Milton Campos
Bibliografia: f. 70 - 72
1. Pesquisa Mineral. 2. Taxa Anual por Hectare. 3. Preço Público. I. Reis, Elcio
II. Faculdade de Direito Milton Campos III. Título

CDU 338.622
336.2
Ficha catalográfica elaborada por Emilce Maria Diniz – CRB – 6 / 1206

posteriormente alterada pela Lei nº 9. .314. nenhum benefício ou vantagem sendo obtido pelo minerador. ao julgar a ADIN N° 2586 proposta pela CNI – Confederação Nacio nal da Indústria e cujo Relator foi o Ministro Carlos Veloso. tais entendimentos se equivocam quanto à natureza da atividade realizada na fase de pesquisa mineral. verifica-se que não há utilização de bem público durante a fase de pesquisa mineral. não existe relação contratual ou assemelhada. Alguns entendimentos têm conferido à TAH a natureza de “preço público”. não se confundindo com “preço público”. de 20 de novembro de 1989. Palavras .do Relatório final de Pesquisa.chave: Pesquisa Mineral. não se configura “preço público”. Entretanto e na maioria das vezes.DNPM . Durante a pesquisa mineral.TAH é um tributo da espécie taxa. conferiu à TAH a natureza de “preço público” decorrente da utilização de bem público.4 RESUMO A Taxa Anual por Hectare . A TAH foi instituída pela Lei nº 7.DNPM – decorrente do poder de polícia que lhe é atribuído.é devida pelo titular da autorização de pesquisa em decorrência da publicação do alvará de pesquisa e deverá ser paga até a apresentação ao Departamento Nacional de Produção Mineral . Na verdade. O precedente do Supremo Tribunal Federal – STF. Desta forma. de 14 de novembro de 1996 e destina-se exclusivamente ao DNPM. Taxa. conclui-se que a Taxa Anual por Hectare .TAH . Portanto.886. Também. ocorre atividade fiscalizadora por parte do Departamento Nacional de Produção Mineral . Preço Público.

como pano de fundo analítico do presente estudo se insere a positiva relação entre o direito minerário e o direito tributário.5 1 INTRODUÇÃO A atividade de mineração sempre foi de elevada importância para a economia do Brasil. mesmo sendo o direito minerário reconhecidamente uma disciplina autônoma do direito. Destarte. Mesmo com essa vocação mineradora do Brasil. atualmente reconhecido como um ramo autônomo e independente do direito: o direito minerário.para o exercício do direito à exploração do subsolo durante a fase de lavra. o aumento da demanda mundial por produtos minerais e o desenvolvimento das relações decorrentes da atividade mineral que aumenta a dinâmica das relações jurídicas. As relações jurídicas atinentes as empresas mineradoras e o regime de aproveitamento das riquezas minerais são regulamentados por um conjunto sistematizado de normas. como emolumentos e taxas. o tributo e as relações entre tributante e tributados. o desenvolvimento e o reconhecimento do direito minerário como uma disciplina autônoma com princípios e institutos próprios. aplica-se à mineração o mesmo tratamento tributário vigente para as demais atividades econômicas. que são devidos na fase de pesquisa. principalmente no tocante à legislação específica no país. só veio a ocorrer nos últimos anos com o crescimento do setor. . este também inserido no sistema positivo de direito administrativo e entendido como conjunto das normas que regulam a tributação. e a compensação financeira pela exploração dos recursos minerais – CFEM . especialmente às disciplinas aplicáveis à normatização das dinâmicas empresariais. a legislação minerária prevê e exige a comprovação do recolhimento de encargos específicos à atividade minerária. razão pela qual as empresas mineradoras apresentam temas peculiares. esta é subsidiária do sistema positivo do direito administrativo e necessita de constante interação não só com as regras positivas deste. No Brasil. Por certo. país tradicionalmente minerador. mas também com os demais ramos do direito. Além dos tributos comuns à todas as atividades econômicas.

tais entendimentos. na maioria das vezes se equivocam quanto a natureza da atividade realizada pelas empresas mineradoras na fase de pesquisa e se olvidam que os direitos conferidos ao titular do alvará de pesquisa estão limitados ao dever de executar a pesquisa mineral por ele proposta ao poder concedente e por este autorizada. A discussão sobre a natureza jurídica da Taxa Anual por Hectare ainda persiste e é de extrema importância. tributário. proposta pela Confederação Nacional da Indústria . pois é decisiva para a definição do regime jurídico aplicável à sua cobrança. o foco da dissertação será a atividade de pesquisa mineral e a cobrança da Taxa Anual por Hectare – TAH. O precedente do Supremo Tribunal Federal – STF ao julgar a ADIN° 2586. cujo Relator foi o Ministro Carlos Veloso. ou cível. que é devida pelo titular da autorização de pesquisa.6 Em torno destas noções. se administrativo. porém. conferiu a Taxa Anual por Hectare natureza de preço público. . Entretanto. em decorrência da publicação do alvará de pesquisa pelo Departamento Nacional de Produção Mineral – DNPM.CNI. o tema não se encontra esgotado e ainda requer maiores estudos e discussões por parte da doutrina e jurisprudência. Alguns entendimentos têm conferido a Taxa Anual por Hectare a natureza de preço público.

com destaque para os depósitos de Minas Gerais. houve a descoberta de grandes depósitos de ouro. quando da promulgação das Ordenações Filipinas em 16033. 3 SCLIAR. . Belo Horizonte: Mandamentos. Verifica-se que a evolução do regime de aproveitamento das riquezas minerais se funde com a própria formação da sociedade e da política brasileira. conforme o que dispunha as Ordenações Manuelinas. 1994. Geopolítica das minas do Brasil: a importância da mineração para sociedade. razão pela qual foi mantido o mesmo regime regaliano. No período Colonial quando vigoravam as Ordenações Manuelinas em Portugal e que também regiam no Brasil por falta de um ordenamento jurídico próprio. Desta forma. 79.1 Evolução histórica da legislação Atualmente o Brasil é um dos maiores produtores de minerais do mundo e um dos primeiros em reservas minerais e isto decorre da tradição histórica. Belo Horizonte: UFMG/IGC. Dom João III instituiu as Capitanias Hereditárias e conferiu aos donatários o ônus de pesquisar o solo e colher os minerais e pedras preciosas nele encontrados. mediante a retribuição de parte do minério extraído. 24. pois. ou prata. Com as expedições dos bandeirantes iniciadas em 1538. William. pois o Rei consentia a exploração das minas.7 2 EVOLUÇÃO DO DIREITO MINERÁRIO E A TRIBUTAÇÃO MINERAL NO BRASIL 2. p. In: Direito minerário aplicado. 2 Vide BARBOSA. Natureza Jurídica da Concessão Minerária. 2005. Alfredo Rui. Natureza jurídica do consentimento para pesquisa mineral. ou qualquer outro metal”1. que este incentivo ocorreu em virtude do Rei deter todos os direitos sobre “os vieiros e minas d’ouro. p 75. 1 BARÇANTE. p. Itagyba apud FERIRE. Estudos sobre a história do Brasil e do Direito Brasileiro. todo o desenvolvimento do país surgiu através de atividades mineradoras desde o Brasil Colônia. Cláudio. 2003. o incentivo era feito através do regime regaliano2. Belo Horizonte: Mineira. mostram que desde esta época havia forte incentivo a pesquisa mineral na Colônia Portuguesa. do consentimento para lavra e do manifesto de mina no Direito brasileiro. é claro.

a expansão da atividade mineradora havia sido tão grande que foi instituído no Brasil o sistema fiscal lusitano a cobrança dos famigerados Quintos Reais. Fonte: www. consentimento para lavra e do manifesto de mina no Direito brasileiro. A cobrança do quinto sempre foi objeto dos estudos sobre a história do Brasil. e a Lei n°29 de 31 de outubro de 1835 que estabeleceu que os impostos do ouro e a renda diamantina pertenciam à Renda Geral do Império7. Belo Horizonte: Mineira. duas normas de caráter tributário foram emanadas: A Lei de 08 de outubro de 1833 que aumentou a carga e estabeleceu direitos de 25% do ouro.179. No interregno entre a Constituição de 1824 até a publicação da Constituição Republicana em 1891 e mesmo diante do declínio da mineração. Natureza jurídica do consentimento para pesquisa mineral. período conhecido como o ciclo do ouro. 2005. p. onde o acessório segue o principal. pois a insatisfação dos contribuintes culminou na inconfidência mineira e marcou o inicio da fase de declínio do ciclo do ouro.iict. o Parágrafo 17 do artigo 4 Figura ilustrativa da mineração no Brasil Colonial. A Constituição de 18246 garantiu o direito à propriedade sem fazer distinção entre solo e subsolo. 7 FERIRE.8 4 Durante os anos de 1690 e 1790. 28. se o bem publico legalmente verificado exigir o uso e o emprego da propriedade do cidadão. Ano 1750. . 5 Mesmo com a emancipação do Brasil em 1822. tributo pago à Coroa pela quinta parte de todo ouro extraído.pt/ahu 6 Art. Fonte: www.iict.pt/ahu 5 Mapa geral das casas de fundição das minas gerais listando a cobrança do Quinto. inciso XXII – É garantido o direito de propriedade em toda a sua plenitude. será este previamente indenizado pelo valor dela. as Ordenações Filipinas continuaram a vigorar até a criação de um ordenamento próprio em 1824. William. A Constituição de 1891 não distinguiu o domínio do solo e do subsolo e o proprietário da terra passou também a ser o dono do minério pelo regime da acessão. Nesta senda.

distinguindo a propriedade do solo da propriedade do subsolo. a atribuição constante deste artigo. Somente com a Constituição de 19348 é que foi adotado o regime de res nullius9.A lei regulará a nacionalização progressiva das minas. Alfredo Rui. auxiliará os Estados no estudo e aparelhamento das estâncias mineromedicinais ou termomedicinais. 8 Art. entretanto. . o proprietário opor-se a trabalhos que sejam empreendidos a uma altura ou profundidade tais. todavia.9 72 da Constituição de 1891. julgadas básicas ou essenciais à defesa econômica ou militar do País. 526. dentro dos respectivos territórios. Vide BARBOSA. independe de autorização ou concessão. § 5º . bem como das águas e da energia hidráulica. entre as quais a de possuírem os necessários serviços técnicos e administrativos.O aproveitamento industrial das minas e das jazidas minerais. depende de autorização ou concessão federal. Belo Horizonte: Mandamentos Editora. poucas e espaças leis incentivaram os estudos geológicos. os Estados passarão a exercer. determinou a pesquisa de areias monazíticas. dispunha: “As minas pertencem aos proprietários do solo. pois. ressalvada ao proprietário preferência na exploração ou co-participação nos lucros. Mais adiante. o Código Civil de 1916.As autorizações ou concessões serão conferidas exclusivamente a brasileiros ou a empresas organizadas no Brasil. Natureza Jurídica da Concessão Minerária.A União. A propriedade privada das minas e jazidas permanecia. In: Direito Minerário Aplicado.O aproveitamento de energia hidráulica. A demora na promulgação de leis que regulamentassem este artigo trouxe atraso para o desenvolvimento da pesquisa mineral. jazidas minerais e quedas d'água ou outras fontes de energia hidráulica. A propriedade do solo abrange a que lhe está superior e inferior em toda a altura e em toda a profundidade. úteis ao seu exercício. salvas as limitações que forem estabelecidas por lei a bem da exploração deste ramo de indústria”. 2003. mas já prevendo a realização de trabalhos no subsolo e a progressiva nacionalização das jazidas. § 1º . de potência reduzida e para uso exclusivo do proprietário. § 4º . p 76. § 3º . 119 . § 2º . 9 Também chamado de industrial ou liberal.Satisfeitas as condições estabelecidas em lei. seu aproveitamento estava sujeito ao consentimento federal10. que não tenha ele interesse algum em impedi-los. 10 Art.118 – As minas e demais riquezas do subsolo constituem propriedade distinta da do solo para efeito de exploração ou aproveitamento industrial. dispôs em seu artigo 526: Art. na forma da lei. nos casos prescritos em lei e tendo em vista o interesse da coletividade. sendo que sua exploração ocorreu principalmente nos Estados de Minas Gerais e Bahia. ainda que de propriedade privada. não podendo. em conformidade com regime da acessão. Em especial a Lei n° 745 de 16 de dezembro de 1900.

Compete à União instituir imposto sobre: IX – a extração. Os direitos de preferência do proprietário do solo. § 6º .criar outros impostos. 13 Previa a Emenda Constitucional de 1969: “Art.proteger as belezas naturais e os monumentos de valor histórico ou artístico. ainda que transitoriamente suspensa. e reafirmou no artigo 21 do Ato das Disposições Transitórias o regime excepcional das minas manifestadas. 24. 21. a exploração das minas em lavra. II . observado o disposto no final do item anterior. imposto que incidirá uma só vez sobre qualquer dessas operações. prevendo a nacionalização progressiva das minas e jazidas e a necessidade de consentimento federal para exploração. XVII. 8°. serão regulados de acordo com a natureza delas. manteve o regime de res nullius. o famoso IUM13. da CF/1967. 12 Art. Corrigindo o retrocesso da Constituição anterior. e. então promulgada. a circulação.” 14 Art. a Constituição de 1967 afastou a preferência do proprietário do solo para a exploração. A Constituição de 1967 firmou ainda o monopólio da União para a pesquisa e lavra do petróleo e outorgou à União competência privativa para legislar sobre jazidas minas e outros recursos minerais14. mas fixou a participação no resultado da lavra em percentual fixo do Imposto Único sobre minerais. sendo que as jazidas desconhecidas deveriam ser incorporas ao patrimônio da Nação a medida que fossem descobertas. . podendo impedir a evasão de obras de arte. sob esta mesma ressalva.642 – amparado no parágrafo 4° do artigo 119 da Constituição Federal. III . IV .cuidar da saúde e assistência públicas.10 O Código de Mineração de 1934 – Dec.Não depende de concessão ou autorização o aproveitamento das quedas d'água já utilizadas industrialmente na data desta Constituição.difundir a instrução pública em todos os seus graus.velar na guarda da Constituição e das leis. manteve as minas conhecidas e já manifestadas11 sob o domínio da propriedade privada. Já a Constituição de 1946 novamente instituiu a preferência do proprietário do solo para exploração das minas e jazidas12. V .Compete concorrentemente à União e aos Estados: I . O Código de Mineração de 1940 apenas consolidou as alterações da nova Constituição. quanto às minas e jazidas. VII . a distribuição ou o consumo dos minerais do País enumerados em lei. 153 – As autorizações ou concessões serão conferidas exclusivamente a brasileiros ou a sociedades organizadas no País. 11 Art. 10 .fiscalizar a aplicação das leis sociais. assegurada ao proprietário do solo preferência para exploração. além dos que lhes são atribuídos privativamente. VI .promover a colonização. Quando a Constituição de 1937 foi promulgada.

em 1988 com a nova Constituição. que estabelecerá as condições específicas quando essas atividades se desenvolverem em faixa de fronteira ou terras indígenas. sem prévia anuência do poder concedente.IUM. 103. participação no resultado da exploração de petróleo ou gás natural. ao Distrito Federal e aos Municípios. garantida ao concessionário a propriedade do produto da lavra. O Imposto Único sobre Minerais . nos termos da lei. Belo Horizonte: Mandamentos. foi substituído em 1989 pela Compensação Financeira pela Exploração Mineral – CFEM .É assegurada participação ao proprietário do solo nos resultados da lavra. ainda vigente. Art. sendo que a exploração dos recursos minerais deve ser realizada mediante concessão17 da União. bem como a órgãos da administração direta da União. § 1º A pesquisa e a lavra de recursos minerais e o aproveitamento dos potenciais a que se refere o caput deste artigo somente poderão ser efetuados mediante autorização ou concessão da União. § 4º . na forma da lei. As jazidas. por brasileiros ou empresa constituída sob as leis brasileiras e que tenha sua sede e administração no País.devida pelo titular do direito minerário ou pelo primeiro adquirente do produto mineral aos Estados. e as autorizações e concessões previstas neste artigo não poderão ser cedidas ou transferidas. p. aos Municípios. mar territorial ou zona econômica exclusiva. Código de mineração anotado. os recursos minerais e as jazidas passaram à propriedade da União. aos Estados. referindo-se ao consentimento: Regime jurídico dos recursos minerais no Direito brasileiro. 16 17 Para William Freire o termo concessão é inadequado para designar o consentimento da União ao particular exploração das reservas minerais. 2009. 20.11 O Código de Mineração de 20 de fevereiro de 1967 – Decreto Lei n° 227/1967. no interesse nacional. em lavra ou não. 176.Não dependerá de autorização ou concessão o aproveitamento do potencial de energia renovável de capacidade reduzida. de recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica e de outros recursos minerais no respectivo território. e pertencem à União.A autorização de pesquisa será sempre por prazo determinado. regulou a exploração das minas e jazidas mediante o consentimento da União e instituiu os princípios do livre acesso aos recursos minerais15 e o princípio da prioridade para obtenção do direito à exploração das jazidas. 15 Vide FREIRE. ou compensação financeira por essa exploração. . para efeito de exploração ou aproveitamento. tal como previsto no § 1º do Art. plataforma continental. conforme preconiza o artigo 176 da Constituição Federal16. total ou parcialmente. ao Distrito Federal e aos órgãos da administração direta da União. da Constituição de 1988: É assegurada. na forma e no valor que dispuser a lei. e demais recursos minerais e os potenciais de energia hidráulica constituem propriedade distinta da do solo. por brasileiros ou empresa constituída sob as leis brasileiras e que tenha sua sede e administração no País. Finalmente. § 2º . § 3º . William.

mesmo com as grandes siderúrgicas 18 Produção mundial de aço. garantindo a soberania sobre o subsolo e a importância da atividade privada para o desenvolvimento da mineração. em milhões de toneladas. representando uma redução de quase 30%18. os preços chegaram a recuar mais de 60%. no período de 2000 a 2009. e como era de se esperar. Rússia e Brasil. Este aumento de demanda na mineração foi seguido da crise econômica mundial iniciada no último trimestre de 2008 que atingiu fortemente o setor de mineração e siderurgia no Brasil no ano de 2009.12 A CFEM foi introduzida em com o advento da Lei nº 7.2 O contexto atual A grande demanda por consumo de aço dos principais países em desenvolvimento como China. ocorrendo o chamado “bum” da mineração no Brasil. definiu a quem compete o exercício da atividade mineral. outorgou a propriedade do minério extraído ao particular. Efetivamente. eis que a crise ocasionou uma expressiva retração na produção mundial de aço. A produção global passou de aproximadamente 120 milhões de toneladas em meados de 2008. Durante o período de julho a novembro de 2008. para cerca de 85 milhões mensais no final de 2008 e início de 2009. o mercado vive uma expectativa de crescimento anual da ordem de 6%. a expectativa é que nos próximos anos. a Constituição de 1988 foi extremamente inovadora. . Atualmente. 2. interrompendo um período de alta nos contratos de longo prazo.990 de 29 de Dezembro de 1989. especialmente porque a Constituição de 1988 mesmo atribuindo o domínio dos recursos minerais à União. fez que nos anos de 2006 e 2007 a demanda do mercado de minérios aumentasse expressivamente. pois ao mesmo tempo em que assegurou o controle do Estado sobre o patrimônio mineral. Durante o período de crise. a demanda por minério de ferro também sofreu forte redução provocando uma trajetória de queda nos preços do mercado. Índia.

ainda que tenhamos um bom Código. o tão falado “novo marco da mineração”. que em poucas palavras afirma “Não se impedirá por ação judicial de quem quer que seja. não atingindo desta forma. Todos estes questionamentos sobre o cenário atual da atividade minerária e a efetiva eficiência co Código trouxe a ressente discussão sobre a modificação e atualização da legislação mineral. . não se pode esquecer que o Código de Mineração foi redigido durante o regime político da ditadura e em uma época que a exploração mineral estava em grande parte concentrada nas mãos de uma grande empresa estatal.13 buscando fontes próprias de insumos. podendo este ser prorrogado. alguns de seus dispositivos pecam pela excessividade. Em virtude deste contexto histórico que o Código de Mineração foi redigido. Claudio Scliar. deixando de prever uma série de situações. em outras palavras. o projeto discute o aumento do prazo do alvará de pesquisa para 5 (cinco) anos. a limitação do prazo para exploração da jazida em 35 (trinta e cinco anos) que também poderá ser prorrogado. ou ainda pelo generalismo com que algumas questões são tratadas. o que acrescido pela ineficiência administrativa dos órgãos gestores. Essa movimentação do mercado. O atual Código de Mineração em vigor desde 1967 recebe duras criticas emanadas tanto por parte do setor produtivo. a utilidade pública da atividade. Em breves linhas. passando por momentos de alta e baixa. como pelos aplicadores da lei e pelo próprio DNPM. cujo autor do projeto para o novo Código é o secretário de Geologia Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia. leva à discussão da eficácia da legislação mineraria vigente. como é o caso do artigo 87. o prosseguimento da pesquisa ou lavra”. fez com que as relações jurídicas envolvendo os regimes de aproveitamento de minérios aumentassem significativamente. Uma das críticas que se faz neste sentido é que o atual Código possibilita que o titular do direito minerário permaneça anos e anos com o bloqueio da área titulada sem de fato efetivar a exploração mineral. De fato. as principais produtoras de minérios de ferro continuem aumentando de forma expressiva suas produções.

13° Congresso Brasileir o de Mineração. 21 Palestra Jonh P. Este não é o caso do Brasil. como é o caso da República Democrática do Congo21. dentre outros. Ainda que a intenção de se criar um novo Código Minerário mais atual e moderno seja extremamente louvável e necessária.14 a proposta de alteração do instrumento de concessão de lavra para um contrato entre a União com o particular19 e o aumento da CFEM20. 20 O aumento da CFEM também vem sendo discutida de forma paralela e dissociada da reforma do Código de Mineração. verifica-se que somente os países desprovidos de legislação minerária específica adotam a concessão de lavra através de contrato com o particular. Williams. eis que a reforma Tributária do Brasil também é tema de atuais discussões. a exemplo. onde existem leis próprias do direito minerário e que há anos está em constante evolução. . alguns cuidados devem ser tomados para que não ocorra um verdadeiro retrocesso. pois.

15 3 A PESQUISA MINERAL 3. quando depender de licença expedida em obediência a regulamentos administrativos locais e de registro da licença no Departamento Nacional de Produção Mineral .regime de autorização. bem como da natureza da atividade de pesquisa.regime de licenciamento.DNPM. O domínio da União sobre as riquezas minerais e a sua competência para administrá-los. III . conforme disposto em seu artigo 2°: Art. IV da CF/1988.regime de concessão. a indústria de produção mineral e a distribuição. 24. 1 Art. quando depender de expedição de alvará de autorização do Diretor-Geral do Departamento Nacional de Produção Mineral . a concessão. das questões jurídicas que a envolvem. tornou necessária a criação de um sistema normativo que regulasse o aproveitamento dos recursos minerais pelos particulares. necessário discorrer brevemente sobre os regimes de aproveitamento dos recursos minerais.1 Regimes de aproveitamento dos recursos minerais Antes de iniciar a discussão sobre os aspectos da pesquisa mineral propriamente dita.DNPM. licenciamento. 1°. Compete à União administrar os recursos minerais. para efeito deste Código são: I . quando depender de portaria de permissão do Diretor-Geral do Departamento Nacional de Produção Mineral . . IV .regime de permissão de lavra garimpeira. O atual Código de Mineração datado de 1967 e que foi recepcionado pela Constituição de 1988. permissão de lavra garimpeira. e de monopolização.DNPM. o comercio e o consumo de produtos minerais”. quando depender de portaria de concessão do Ministro de Estado de Minas e Energia. autorização. Os regimes de aproveitamento das substâncias minerais. em seu artigo 1°. II . a competência para legislar sobre os recursos minerais e seu aproveitamento já recaia exclusivamente sobre a União1desde a Constituição de 1967. o Código de Mineração logrou por bem definir com propriedade os cinco regimes de aproveitamento dos recursos minerais. Neste contexto. também defi ne: “Art. Mesmo antes de ser expressamente definido pela Constituição Federal de 1988 como bem da União. 2º.

água e fosseis. em regime jurídico especial os manifestos de mina remanescentes do período em que vigia o regime da acessão.P. 3. Existem ainda. William. p. Nos exatos termos do artigo 11 do Código de Mineração4 a prioridade é atribuída ao interessado“cujo requerimento tenha por objeto área considerada livre.403. depender de execução direta ou indireta do Governo Federal. quando.DNPM. atendidos os demais requisitos cabíveis. para a finalidade pretendida. dos Estados. 11.regime de monopolização. (Redação dada ao caput pela Lei nº 9. parágrafo único. dois são os regimes próprios para as substancias minerais em geral. e os demais específicos para substancias minerais especiais. para utilização nas obras públicas executadas2. tais como aquelas sujeitas ao monopólio.11. Serão respeitados na aplicação dos regimes de Autorização. do Distrito Federal e dos municípios a extração de minerais para emprego imediato na construção civil.1996) O Código de Mineração também permitiu aos órgãos da administração direta e autárquica da União. DOU 18. CM. de 1976) . Vide: FREIRE. Belo Horizonte: Mandamentos. 2°. 2009. será abordado apenas o regime de autorização3. No presente trabalho. 78. Licenciamento e Concessão: (Redação dada pela Lei nº 6. o de autorização e o de concessão.1996.11. em virtude de lei especial.314. atribuído ao interessado cujo requerimento tenha por objeto área considerada livre. 2 Art. 3 4 Art.2 A autorização de pesquisa e o direito de prioridade Atualmente no Direito Minerário brasileiro prevalece o princípio da prioridade para obtenção do direito à exploração das substâncias minerais. de 1976) a) o direito de prioridade à obtenção da autorização de pesquisa ou de registro de licença. à data da protocolização do pedido no Departamento Nacional da Produção Mineral (D. e (Redação dada pela Lei nº 6. A prioridade para obtenção do direito à exploração das substâncias minerais se dá no momento do protocolo do requerimento de pesquisa no Departamento Nacional de Produção Mineral . de 14. estabelecidos neste Código. porque gera confusão com o conceito clássico de autorização do Direito Administrativo. para efeito da analise da Pesquisa Mineral e da Taxa Anual por Hectare.403. De acordo com a enumeração do artigo 2° acima trans crito.N. Código de mineração anotado.M). Para William Freire a denominação “autorização” é imprópria para designar a natureza do direito minerário que outorga o consentimento para realizar a pesquisa mineral.16 V .

DNPM. ensejará. (Redação dada pela Lei nº 9. sejam autorizações ou concessões. acompanhado do orçamento e cronograma previstos para sua execução. de 1996) VII .17 para a finalidade pretendida. onde será mecanicamente numerado e registrado. (Redação dada pela Lei nº 9. mas também o dever. número do registro de seus atos constitutivos no Órgão de Registro de Comércio competente. que então será “bloqueada”. 7 Vale lembrar que o titular não possui só o direito de realizar a pesquisa. contendo as poligonais da área considerada livre. através de atos sucessivos e vinculados. Vale destacar que o direito de prioridade originado a partir do requerimento de pesquisa. através do qual estando a área livre e em ordem a documentação que instrumenta o requerimento.plano dos trabalhos de pesquisa. razão social. (Redação dada pela Lei nº 9. de 1996) III . atendidos os demais requisitos cabíveis”. deverá estar regular. A autorização de pesquisa será pleiteada em requerimento dirigido ao Diretor-Geral do DNPM.314. (Redação dada pela Lei nº 9. que para constituição deste direito de prioridade ao aproveitamento mineral.314.314. os direitos e obrigações do requerente prioritário.314. do domicílio e do número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas do Ministério da Fazenda.planta de situação.prova de recolhimento dos respectivos emolumentos.nome. do requerente. e do Município e Estado em que se situa. nos termos a serem definidos em portaria do DiretorGeral do DNPM. 16. (Incluído pela Lei nº 9. de 1996) V . em hectares. Em se tratando de pessoa jurídica. de forma vinculada e não cabendo qualquer discricionariedade. de 1996) IV . de 1996) 6 Um dos principais elementos elencados no artigo 16 do Código de Mineração é a apresentação de planta e memorial descritivo. eis que os títulos minerários. devendo ser apresentado em duas vias e conter os seguintes elementos de instrução: (Redação dada pela Lei nº 9. sob pena de ser declarada a caducidade do título. cuja configuração e elementos de informação serão estabelecidos em portaria do Diretor-Geral do DNPM.memorial descritivo da área pretendida. de 1996) VI .designação das substâncias a pesquisar. endereço e número de inscrição no Cadastro Geral dos Contribuintes do Ministério da Fazenda.438/81. 5 Art.314. a outorga pelo Diretor Geral do DNPM de um alvará que consente ao titular o direito7 prioritário8 realizar os trabalhos de pesquisa na área requerida.indicação da extensão superficial da área objetivada. de 1996) I . 8 Sobre o tema prioridade vide: Parecer CONJUR/MME N°1.314. (Incluído pela Lei nº 9.314. o requerimento de pesquisa além de ter por objeto área considerada livre. É claro. prevalece em todas as fases do processo administrativo minerário. conferindo exclusividade para o interessado pesquisar os recursos minerais requeridos sobre a área. entregue mediante recibo no protocolo do DNPM.314. pessoa natural. do estado civil. de 1996) II . (Incluído pela Lei nº 9. indicação da nacionalidade. à data da protocolização do pedido no Departamento Nacional da Produção Mineral . da profissão. se dão no desencadeamento de um processo administrativo que disciplina e documenta. . Com o protocolo do requerimento perante o DNPM forma-se um processo administrativo. contendo todos os elementos previstos no artigo 16 do Código de Mineração5 de forma a não ensejar o indeferimento de plano6.

176. 10 Sobre o tema vede: Parecer CONJUR/MME N°062/97. podendo inclusive serem cedidos ou transferidos12. Uma vez iniciados. Nessa senda vão diversos autores. o fundo de comércio. se já possuir acordo com o proprietário. nos termos que dispõe o artigo 176. pagamento da Taxa anual Por Hectare e emolumentos.9 se incorporam ao patrimônio10 do titular11. a carta de crédito. p. contratação de mão de obra especializada. O Alvará de Pesquisa mineral informará o nome do titular. à necessidade de previsão fundos vultosos a serem empregados na realização da pesquisa.3 A atividade de pesquisa mineral O inicio dos trabalhos de pesquisa deve ocorrer até 60 (sessenta) dias após a publicação do Alvará no Diário Oficial da União. total ou parcialmente. § 3° da Constituição de 1988. ações. sem prévia anuência do poder concedente. que poderá ser de 1 (um) a 3 (três) anos. deverá iniciar até 60 (sessenta) dias após o ingresso judicial na área. 3. obtenções de empréstimos. o Alvará de Pesquisa. ou. ou. a localização da área autorizada. valor pecuniário. e as autorizações e concessões previstas neste artigo não poderão ser cedidas ou transferidas. caso contrário. os trabalhos de pesquisa não podem ser interrompidos por mais de 3(três) meses consecutivos e o titular deve comunicar o inicio e reinicio dos trabalhos ao DNPM. § 3º .300. Poder de policia do DNPM. podendo ser 9 Wiliam Freire ao tratar da natureza jurídica do direito de pesquisa assevera: Trata-se de direito com contornos bem definidos no Código de Mineração e com expressão econômica própria. como Arnold Wald e Orlando Gomes. a substancia mineral titulada e o prazo de validade do Alvará outorgado. In: Direito minerário aplicado. 11 Para Caio Mário patrimônio é o “complexo das relações jurídicas de uma pessoa. Belo Horizonte: Mandamentos.(grifo nosso) . apreciáveis economicamente”.A autorização de pesquisa será sempre por prazo determinado. desde a valorização das cotas. 12 Art. no caso do titular ser também o proprietário do solo.18 O Alvará de Pesquisa constitui bem incorpóreo de existência abstrata ou ideal. a extensão em hectares. os direitos hereditários. aquisição de equipamentos. Portanto são dotados de expressão econômica própria. irá gerar uma série de fatores de relevância financeira e econômica para uma empresa mineradora. assim como os direitos autorais. através da anuência do poder concedente. Uma vez incorporado ao patrimônio. que constituem para a ordem jurídica. 2003.

3. 14 . sua avaliação e determinação da exeqüibilidade econômica do seu aproveitamento econômico15. a jazida é o recurso mineral técnica. e por lavra o conjunto de operações coordenadas objetivando o aproveitamento industrial da jazida. 13 Foto ilustrativa: trabalhos de pesquisa sendo realizados através de sonda rotativa a diamante. caso o titular do Alvará não seja também proprietário do solo. bem como os critérios para apuração dos valores devidos ao proprietário. O Código de Mineração descreve o procedimento judicial. 17 Art. 16 O artigo 27 do CM prevê o pagamento da renda e indenização não só ao proprietário. ou posseiro do solo no artigo 27 e incisos. mediante pedido justificado que deve ser protocolado até 60 (sessenta) dias antes do vencimento do Alvará. 14. CM. deverá comprovar a realização de acordo com o proprietário. VI. é um direito e um dever do titular. visando a comprovação da existência da jazida14.19 prorrogado. 13 A realização dos trabalhos de pesquisa mineral na área titulada. mas também ao posseiro. Caso não acorra o acordo para realização dos trabalhos de pesquisa mineral. ou por meio de oficio do Diretor-Geraldo DNPM ao Juiz da comarca onde estiver situada a jazida17. econômica e ambientalmente viável. o titular do Alvará deverá promover a Ação de Avaliação de Renda pela ocupação do solo e indenização por danos e prejuízos causados pela pesquisa na propriedade. até três dias da transcrição do titulo de autorização de pesquisa. dentro do prazo de vigência. art. ficando a decisão a critério do DNPM. E entende-se por mina a jazida em lavra. A ação deve ser proposta por iniciativa própria do minerador. ou posseiro16 do solo acerca da renda pela ocupação do terreno para realização dos trabalhos de pesquisa e indenização pelos danos e prejuízos. 3. Cabe aqui comentar que para o direito minerário brasileiro. 27.1 A ocupação do solo para pesquisa Para adentrar a área a ser pesquisada. 15 CM.

pois. mas tão somente da propriedade superficiária. para. a fim de garantir a entrada no terreno e a realização dos trabalhos de pesquisa. 3. apresentar ao DNPM autorização do órgão gestor. Em seqüência. Ainda assim. Neste ponto. Na hipótese do imóvel onde se pretende realizar a pesquisa pertencer ao domínio público. fauna.20 Após julgada a avaliação o Juiz determinará a intimação do titular do Alvará de pesquisa para depositar. feito o depósito o Juiz determinará a intimação do proprietário ou posseiro. nos mesmos moldes. o Município. é importante frisar. Estado. Os recursos por ventura apresentados não possuem efeito suspensivo contra a decisão que fixou os valores. sócio-econômicos18. o titular do Alvará poderá requer ao juiz que comunique as autoridades policiais locais. no prazo de 8 (oito) dias. trata-se de “permissão” para adentrar o terreno que não se confunde com imissão na posse. ou União. q ue não há ocupação do subsolo para a realização dos trabalhos de pesquisa. ou seja. caso o superficiário não permita o inicio dos trabalhos de pesquisa.2 O material retirado durante a pesquisa mineral 18 . Desta forma. o titular do Alvará de pesquisa deverá. para que se entenda mais a frente os equívocos cometidos no julgamento da ADIN n°2886. Vale ressaltar que a atividade de pesquisa geológica é geralmente desenvolvida acarretando uma interferência mínima no meio ambiente seja nos aspectos relacionados ao meio físico. ou. é na superfície que são alocados os equipamentos para a sondagem.3. a pesquisa mineral não pode ser entendida como uma atividade que irá gerar danos graves à propriedade do superficiário. Vale ressaltar. flora. no prazo de 8 (oito) dias. o valor correspondente a renda pelo período de 2 (dois) anos e caução para pagamento da indenização. “permitir” o inicio dos trabalhos de pesquisa.

para amostras que serão encaminhadas para análises laboratoriais. As hipóteses que ensejam a concessão de Guia de Utilização também estão relacionadas à pesquisa. ou mesmo para custear até 50% dos trabalhos de pesquisa. Nesta hipótese. Em regra não há extração durante a pesquisa.3. que pode ser vertical ou inclinado e o material encontrado em profundidade é retirado com a ajuda de hastes que ficam acopladas e que possuem aproximadamente 3 metros de comprimento. a realização de ensaios industriais e de mercado. A extração mineral na fase de pesquisa com finalidade comercial. Portanto. para a extração será necessário o recolhimento da CFEM – Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais. fotografados e descritos para retiradas das amostras e registros.3 Relatório final de pesquisa – RFP Ao final da fase de pesquisa o titular deverá apresentar o Relatório Final de Pesquisa que é um documento detalhado e circunstanciado sobre os trabalhos 19 Foto ilustrativa: armazenamento dos testemunhos de sondagem em caixas. como a verificação da viabilidade da lavra seja técnica ou econômica. . Após a retirada do material para os estudos geológicos os furos são recobertos com uma base de concreto de 40 cm por 40 cm. que é fechada por uma tampa de metal numerada.5 centímetros. pois. Após os testemunhos são marcados. somente poderá ser realizada em caráter excepcional. 3. as variedades de minerais e rochas que são encontradas nas diferentes profundidades. através da Guia de Utilização. aí sim pode se dizer que ocorrerá a exploração e comercialização do recurso mineral. sem qualquer destinação comercial. Na sondagem são feitos furos no solo de aproximadamente 7. são amostras do subsolo destinadas exclusivamente à analises laboratoriais. que é a participação no resultado da exploração. verifica-se que a quantidade de material retirado é mínima. pois o único material retirado são os testemunhos19 de sondagem.21 A pesquisa mineral consiste principalmente na realização de trabalhos de sondagem que é um método utilizado para investigar a profundidade do solo.

22

realizados, elaborado por profissional competente, com a respectiva Anotação de
Responsabilidade Técnica – ART.
O Relatório Final de Pesquisa deve conter: localização da área pesquisada,
vias de acesso e comunicação; levantamento geológico, em escala adequada com
locação dos trabalhos de pesquisa; descrição detalhada dos afloramentos naturais e
os provocados pela pesquisa com ilustração dos cortes geológicos e perfis de
sondagens; qualidade da substancia mineral útil e definição do copo mineral; gênese
da jazida, classificação e comparação com outras; relatório dos ensaios de
beneficiamento; demonstração da exeqüibilidade técnico-econômica da lavra;
tabulação das espessuras, áreas, volumes e teores necessários aos caçulos das
reservas medida, indicada e inferida nos moldes definidos pelo Código de
Mineração.
Quando o Relatório Final de Pesquisa é aprovado, a autoridade competente
admite e reconhece a existência de uma jazida potencialmente considerada. Durante
a realização dos trabalhos de pesquisa mineral a existência da jazida ainda não foi
comprovada e somente a partir do momento da aprovação do Relatório Final de
Pesquisa é que se pode falar em jazida em existência de riqueza mineral.
Em caso de insuficiência dos trabalhos ou deficiência técnica, o Relatório
Final de Pesquisa poderá ser reprovado, ou ainda, poderá ser arquivado não sendo
comprovada a existência de uma jazida mineral.
Excepcionalmente, o titular poderá ser dispensado da apresentação do
relatório de pesquisa, no caso da renuncia da autorização20, conforme os critérios
estabelecidos na Portaria DNPM n°22/1997, que são: 1) quando renunciar a
autorização a qualquer tempo desde que instrua seu requerimento com documento
comprobatório de que atendeu todas as diligencias e intimações promovidas no
curso do processo de avaliação judicial e não concorreu para ação ou omissão para
a falta de ingresso na área; 2) antes de transcorrido 1/3 (um terço) do prazo de
vigência do Alvará de pesquisa.
De acordo com o estabelecido no § 1° do artigo 22 d o Código de Mineração, a
não apresentação do relatório final de pesquisa, sujeita o titular à sanção de multa,
fixada pela tabela anexa a Portaria n° 112 de 31 de março de 2010 em R$ 2,02 por
hectare da área outorgada para pesquisa.

20

Art.22, inciso II, CM.

23

Entretanto, alguns Tribunais Federais têm decidido pela nulidade do Auto de
Infração que aplica a multa quando não apresentado prova de acordo com o
proprietário do solo e quando o DNPM não remeteu cópia do título de autorização ao
Juiz de Direito da comarca onde situa a jazida21.

3.4 Natureza jurídica do direito de pesquisa

Como visto, a autorização para pesquisa mineral é um ato da União realizado
através do DNPM que é o órgão competente, mediante outorga do Alvará para a
pesquisa. É assim, um ato administrativo vinculado, sem qualquer discricionariedade
da autoridade concedente que deve observar os princípios constitucionais da
legalidade, moralidade, publicidade e eficiência.
Nascida de um ato administrativo vinculado a autorização de pesquisa
confere ao titular direitos, mas também obrigações que irão confirmar o título e darlhe segurança jurídica.

21

Origem: TRIBUNAL - QUINTA REGIAO; Classe: AMS - Apelação em Mandado de Segurança –
87050; Processo: 200384000056768 UF: RN Órgão Julgador: Quarta Turma. Data da decisão:
10/01/2006 Documento: TRF500109887; Fonte: DJ - Data::06/03/2006 - Página::704 - Nº::44;
Relator(a):; Desembargador Federal Hélio Sílvio Ourem Campos; Decisão: UNÂNIME
Ementa: APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. ADMINISTRATIVO. ALVARÁ PARA
PESQUISA MINERAL. FALTA DE ENTREGA DO RELATÓRIO DE PESQUISA. AUTO DE
INFRAÇÃO. MULTA APLICADA. OMISSÃO ANTERIOR DO DNPM - DEPARTAMENTO NACIONAL
DE PRODUÇÃO MINERAL - REMESSA DO TÍTULO DE AUTORIZAÇÃO AO JUÍZO DE DIREITO.
ILEGALIDADE NA APLICAÇÃO DA MULTA.
1. Trata-se de remessa oficial e apelação em mandado de segurança (fls. 106/110) interpostas contra
sentença do Exmo. Sr. Juiz, Dr. Almiro José da Rocha Lemos (fls. 99/102) que concedeu a
segurança, por reconhecer a nulidade de auto de infração no qual foi aplicada multa em razão da falta
de apresentação, no prazo de vigência do alvará, de relatório circunstanciado dos trabalhos de
pesquisa de mineração. 2. O Decreto-Lei nº 227/67 (art. 22) exige a entrega, por parte do autorizado,
de relatório acerca dos trabalhos de pesquisa efetuados na área especificada. 3. Mas o referido
diploma legal diz que os trabalhos de pesquisa somente podem ter início uma vez efetuado o
pagamento de renda pela ocupação da área e de indenização por
eventuais danos causados ao proprietário ou posseiro (art. 27, caput). 4. Uma vez não apresentada
prova de acordo com o proprietário ou posseiro, era obrigação do DNPM remeter cópia do título de
autorização ao juiz de direito do lugar onde situada a jazida (inciso VI, do art. 27), isso para apuração
dos valores da renda e da indenização ao proprietário ou posseiro. Hipótese em que o DNPM não
comprovou o cumprimento da obrigação legal. 5. Apelação e remessa oficial improvidas. 6.
Precedentes da Terceira e Quarta Turmas (AMS 68.519-RN e AMS 79.702-RN)
Data Publicação: 06/03/2006
Neste sentido vide também: AMS - Apelação em Mandado de Segurança – 86168; Processo:
200384000056719 UF: RN Órgão Julgador: Terceira Turma-Tribuna; Data da decisão: 01/09/2005
Documento: TRF50010Fonte: DJ - Data::04/10/2005 - Página::634 - Nº::191. Relator(a):
Desembargador Federal Élio Wanderley de Siqueira Filho

24

William Freire22 ensina que a denominação “autorização” para designar a
natureza do título minerário é imprópria, porque gera confusão com a conceituação
clássica do Direito Administrativo. Segundo o autor, melhor seria a expressão
“consentimento para pesquisa mineral”.
Ensina William Freire:
Firmada a prioridade pela procedência do protocolo do requerimento, sem
Indeferimento de Plano, o minerador adquire o direito à obtenção do título
minerário, desde que cumpra as determinações legais.
Forma-se um conjunto de atos administrativos sucessivos, relacionados e
dependentes entre si, objetivando uma finalidade única, que é possibilitar a
transformação do depósito mineral inerte em produto, trazendo para a
sociedade todos os benefícios conseqüentes. Não há margem de opção ao
DNPM, cuja atuação se resume no estrito cumprimento do Código de
23
Mineração.

De fato, a definição de autorização clássica do Direito Administrativo, define
como o ato unilateral da Administração, precário e discricionário, através do qual
consente ao particular a execução de serviços públicos, assim está submetida à
discricionariedade do órgão outorgante24.
Na fase de pesquisa, não obstante o consentimento para a realização dos
trabalhos que irão definir a jazida, não existe uma concessão de caráter translativo,
eis que não há a disponibilidade das riquezas minerais ao particular, ao contrario do
que ocorre na fase de lavra ou de exploração, quando é transmitida parte do
patrimônio da União para o particular.
Com a pesquisa mineral o titular do direito não obtém um proveito direto da
jazida, pois, não pode salvo excepcionalmente, extrair ou realizar trabalho de lavra
dos recursos minerais. Na verdade, ao realizar a pesquisa mineral, investindo
recursos financeiros, técnicos e científicos, o titular do direito realiza um trabalho de
interesse público e que beneficia indiretamente toda a população.
Cabe ainda dizer que o conceito de alvará extraído tanto de dicionários
jurídicos, como na doutrina, define como documento expedido por autoridade
judiciária ou administrativa, contendo ordem para que alguém possa praticar certos
atos ou direitos.
22

FREIRE, William. Poder de policia do DNPM. Direito Minerário Aplicado. Coordenado por SOUZA,
Marcelo Gomes. Mandamentos. Belo Horizonte, MG. 2003.
23
Idem.
24
MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo brasileiro.16.ed. São Paulo: Revista dos
Tribunais,1991. p. 349.

p. Direito minerário escrito e aplicado. 5° . 2009. não se pode deixar de considerar que “constitui orientação doutrinaria dominante que o minerador que se propõe a investir e arriscar é alçado à condição de colaborar privilegiado da União”26 Finalmente. Del Rey. eis que imprescindível para o desenvolvimento nacional e geração de riquezas para o Brasil.] Demais disso. praticamente não ocupa a propriedade mineraria pertencente à União. Belo Horizonte: Mandamentos. deverá ser vista como um serviço de 25 relevante interesse publico que o pesquisador presta à nação. mas a outorga de um documento público com um comando que ordena e consente a prática da pesquisa mineral.365/41 1 e a Resolução CONAMA n°369/06 2. levando em consideração que a atividade de pesquisa mineral é calcada em investimentos e riscos assumidos pelo titular do Alvará. FREIRE. No mesmo sentido. Portanto. com retorno incerto e longo prazo de maturação. não podendo. senão excepcionalmente. impossível deixar de considerar que a pesquisa mineral é atividade de utilidade pública. 1 Art. a pesquisa que antecipa a sua lavra e tem o mérito de viabiliza-la. podendo ser citado o art.370. Carlos Luiz. extrair recursos minerais. O pesquisador. 108. 2006. longe dos lucros obtidos através do aproveitamento desses recursos.... e.considera. e. vale observar que os trabalhos de pesquisa mineral ocupam principalmente a propriedade do solo. firmada entre partes iguais.” Neste ínterim. Código de mineração anotado. a realização dos trabalhos de pesquisa mineral se dá com a ocupação da superfície e não o subsolo. por isto mesmo. f. qual seja o DNPM. o consentimento é exclusivamente para realizar a pesquisa mineral. do Decreto Lei n° 3.se casos de utilidade publica: [. enquadrando-a como atividade de utilidade pública. dela não obtendo proveito direto. pertencente ao particular. De resto. para que o minerador possa realizar a pesquisa mineral. não há qualquer proveito do subsolo nesta fase. 26 .25 O Alvará de Pesquisa é exatamente um documento expedido pela autoridade administrativa. não se pode falar em utilização de um bem publico. Belo Horizonte. William. Existem várias disposições legais expressas que afirmam essa característica especial da atividade de pesquisa. 25 RIBEIRO. portanto. Não existe no caso uma origem contratual de forma liberal. envolve vultuosas despesas e grandes riscos de insucesso. p. Com propriedade ensina Carlos Luiz Ribeiro: [ . 5°.] f)o aproveitamento industrial das minas e jazidas.

. [. Zoneamento Ecológico-Econômico e Plano de Manejo das Unidades de Conservação.26 [. argila.] 2 Art. e atendidos os requisitos previstos nesta resolução e noutras normas federais.] c) as atividades de pesquisa e extração de substancias minerais. 2°O órgão ambiental competente somente poderá autoriza a intervenção ou supressão de vegetação em APP. se existentes.... bem como no Plano Diretor.. estaduais e municipais aplicáveis. exceto arei. nos seguintes casos: I – utilidade publica :[. devidamente caracterizada e motivada mediante procedimento administrativo autônomo e prévio. saibro e cascalho.. outorgadas pela autoridade competente.] .

nulidade ex officio do alvará de autorização. pagamento e prazo A Taxa Anual por Hectare . II . de 14 de novembro de 1996. 1 da Lei n 8. (grifos nossos) . 64. de 30 de dezembro de 1991. instituída pelo art. respectivamente.Os emolumentos e a taxa referidos. nos termos do inciso III do caput do art. 20 .383.383.886. de taxa anual.O Ministro de Estado de Minas e Energia. até a entrega do relatório final dos trabalhos ao DNPM. respeitado o valor máximo de o o duas vezes a expressão monetária UFIR. 1 da Lei n 8. respectivamente. (destacamos) o § 2 . indeferimento de plano e conseqüente arquivamento do requerimento de autorização de pesquisa. os prazos de recolhimento e demais critérios e condições de pagamento. após imposição de multa. posteriormente alterada pela Lei nº 9. a aplicação das seguintes sanções: I . extensão e localização da área e de outras condições. instituída pelo art. dando nova redação às disposições do artigo 20.TAH. de 2 de maio de 1994. 5 da Lei n 8. que fixou o prazo para pagamento da Taxa Anual por Hectare . serão recolhidos ao Banco do Brasil S.A.pelo interessado.1 Valores. os inciso I e II do caput deste artigo. relativamente à taxa de que trata o inciso II do caput deste artigo.27 4 A TAXA ANUAL POR HECTARE 4. e o o destinados ao DNPM. no valor máximo previsto no art.TAH foi instituída pela Lei nº 7. do Código de Mineração: Art. o § 3 . de 20 de novembro de 1989. ensejará. o § 1 .314. quando do requerimento de autorização de pesquisa. por hectare. nos incisos I e II do caput deste artigo. de emolumentos em quantia equivalente a duzentas e setenta vezes a o o expressão monetária UFIR.O não pagamento dos emolumentos e da taxa de que tratam.multa.tratando-se de emolumentos. admitida a fixação em valores progressivos em função da substância mineral objetivada. b) .876. mediante portaria. nas condições que vierem a ser estabelecidas em portaria do Ministro de Estado de Minas e Energia. estabelecerá.tratando-se de taxa: a) . de 30 de dezembro de 1991. II .pelo titular de autorização de pesquisa. os valores.A autorização de pesquisa importa nos seguintes pagamentos: I .

publicadas no Diário Oficial da União no período de 1º de julho a 31 de dezembro . para as autorizações de pesquisa e respectivas prorrogações de prazo. durante a vigência do alvará de pesquisa e até a apresentação ao DNPM do Relatório Final de Pesquisa4. com a respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica – ART – 5 www. no período de 01 de janeiro a 30 de junho. O valor da Taxa Anual por Hectare. está estipulado em 1 (uma) UFIR e na vigência do prazo de prorrogação da autorização de pesquisa é de 1 ½ (uma e meia) UFIR. de 31 de março de 2010. devendo ser paga em qualquer agência da rede bancária respeitando os seguintes prazos: a) até o último dia útil do mês de janeiro. os valores foram transformados em reais e a ultima atualização foi conferida pela Portaria do Diretor-Geral do DNPM nº 112. para as autorizações de pesquisa e respectivas prorrogações de prazo. elaborado por profissional habilitado. não obterá a prorrogação do prazo de validade da autorização de pesquisa e nem a aprovação do relatório final de pesquisa. Atualmente as guias para recolhimento da Taxa Anual por Hectare podem ser emitidas via internet.02 e R$3. não poderá pleitear a concessão de Guia de Utilização. Na hipótese de haver pedido de prorrogação de prazo da vigência do alvará de pesquisa.br 6 Vale destacar que o titular inadimplente não poderá obter anuência prévia para a cessão/transmissão do título autorizativo.gov.dnpm. a Taxa Anual por Hectare não será devida durante o período em que estiver pendente decisão sobre o pedido de prorrogação6. 4 . através do site do DNPM5.06. atualizou os valores para R$2. em decorrência da publicação do alvará de pesquisa e destinada exclusivamente ao DNPM. de 28 de dezembro de 1999. 3 Para William Freire Consentimento.imediatamente anterior. Vale destacar que de acordo com o artigo 1° da Lei 8.28 Já foi esclarecido que a Taxa Anual por Hectare é devida pelo titular da autorização3 de pesquisa. É obrigatória a apresentação do relatório dos trabalhos de pesquisa realizados. Em função da extinção da UFIR em outubro de 2000. a UFIR somente poderia ser utilizada na indexação do valor de tributos.383/1991. respectivamente. publicadas no Diário Oficial. conforme Portaria MME nº 503. b) até o último dia útil do mês de julho. imediatamente anterior. O pagamento da Taxa Anual por Hectare deverá ser feito anualmente.

8 O extrato do despacho de imposição da multa será publicado no D. da não apresentação.U e o titular também será comunicado via ofício. O titular terá o prazo de 30 (trinta) dias para apresentar defesa. Min. ou apresentada fora do prazo. prevê que o valor da multa seja depositado nos primeiros 10 (dez) dias do prazo. vale observar que a contagem do prazo se dá a partir da publicação do respectivo extrato. pagamento fora do prazo e pagamento a menor Ao titular do alvará de pesquisa inadimplente com o pagamento da Taxa Anual por Hectare (não pagamento. o pagamento fora do prazo.556. devendo serem observados os princípios da razoabilidade e proporcionalidade. do §3º. entretanto.29 Após o pagamento da guia de recolhimento da Taxa Anual por Hectare. Joaquim Barbosa. Em face do despacho de imposição de multa também caberá recurso. Rel. Este entendimento também foi firmado na NOTA/PROGE N° 176/2004-RMP e também no PARECER/PROG E N° 442/2007 – RPM. quinhentos e cinqüenta e seis reais e cinqüenta e sete centavos) conforme previsto na letra "a". 1976-7/DF. Se a defesa não for acatada. 101 do Código de Mineração. do inciso II. No caso de indeferimento do recurso. ou nos casos de não ser apresentada. ou apresentação fora do prazo. ou o pagamento a menor da Taxa Anual por Hectare. este deverá ser respectivamente comprovado mediante protocolo no Distrito do DNPM. 20 do Código de Mineração.2 Da multa pelo não pagamento da TAH. nos autos do processo do requerimento de pesquisa pertinente. Vale ressaltar que o pagamento da Taxa Anual por Hectare fora do prazo. como garantia de instância. a multa será imposta e o titular terá o prazo de 30 dias para pagamento8. entretanto. o STF declarou inconstitucional o depósito prévio em recursos administrativos ao julgar a ADIn. no prazo de 30 (trinta) dias. será lavrado auto de infração nos termos do art. será declarada a nulidade ex-officio da autorização de pesquisa e 7 O parecer CONJUR/MME N° 524/2006 esposa entendimen to no sentido de que o pagamento a menos da TAH por valor irrisório não acarreta a nulidade do título. . pagamento fora do prazo e pagamento a menor7) será aplicada a penalidade de multa no valor de R$1. Uma vez apurado pelo DNPM o não pagamento.57 (Hum mil.O. 4. não exime o titular do pagamento da multa. parágrafo 6° do Regulamento do Código de Mineração. do art. que sendo acatada anulará o auto de infração. O artigo 101.

desde que referentes a processos do mesmo Distrito do DNPM. os prazos de recolhimento e demais critérios e condições de pagamento. dando nova redação às disposições do artigo 20. o § 1º definiu que o Ministro de Estado de Minas e Energia fixaria o prazo para recolhimento da taxa. (grifos nossos) Nesta senda. estabelecerá. 4. sana o vício e impedirá sua instauração. a Lei nº 9. relativamente à taxa de que trata o inciso II do caput deste artigo. de 14 de novembro de 1996. A declaração da nulidade ex-officio da autorização de pesquisa. o Ministro de Estado de Minas e Energia. do Código de Mineração. do devedor no CADIM (Cadastro de Inadimplentes) e a cobrança judicial do débito através de ação de execução fiscal.O Ministro de Estado de Minas e Energia. do Código de Mineração.30 ensejará providências para a inscrição do débito da Taxa Anual por Hectare e da respectiva multa em Divida Ativa. O parcelamento de débitos de um mesmo titular podem ser agrupados. mediante portaria. fixou o prazo para pagamento da Taxa Anual por Hectare.00 (trezentos reais). que será feito mediante assinatura de Termo de Compromisso de Parcelamento e Confissão de Dívida.3 Cobrança da TAH antes do advento da Lei nº 9. estabeleceu os prazos para recolhimento da Taxa Anual por Hectare em seu artigo 4º: 9 Há o entendimento que o pagamento da TAH e da multa antes da instauração do processo administrativo para declaração da nulidade. sendo que o débito poderá ser parcelado em até 60 (sessenta) meses e o valor de cada parcela não poderá ser inferior à R$300. de 28 de dezembro de 1999. um requerimento de parcelamento dos débitos referentes à Taxa Anual por Hectare e respectivas multas10. . deverá ser feita mediante a instauração de processo administrativo próprio9. 10 Se o débito já estiver inscrito em divida ativa o requerimento de parcelamento deve ser apresentado à Procuradoria Federal. através de Portaria: § 1º .314/1996 Conforme já mencionado. Com a alteração das disposições do artigo 20. os valores.314. através da Portaria MME nº 503. O titular do alvará de pesquisa poderá protocolar junto ao DNPM. de acordo com a recomendação do Código de Mineração e da Portaria MME 503/99.

a necessidade de lei para fixação de prazo da exação. § 4º. tida por interposta. 20. na Apelação Cível nº 1997. incidentes em cada período anual de vigência da autorização de pesquisa.até o último dia útil do mês de janeiro para as autorizações de pesquisa e respectivas prorrogações de prazo.786/89. Precedentes deste Tribunal. ficam estabelecidos os seguintes prazos. ILEGALIDADE. cujo fato gerador tenha ocorrido entre publicação da Lei nº 7. pois nesse período nenhuma “Lei” fixou prazo para pagamento da Taxa Anual por Hectare. TAXA ANUAL POR HECTARE.314/96.786/89. TRIBUTÁRIO. apreciou a controvérsia: EMENTA: PROCESSO CIVIL.045500-7 pela Terceira Turma Suplementar do Tribunal Regional Federal da 1ª Região: EMENTA: TRIBUTÁRIO. previa no § 4º.38. improvidos. Apelo do DNPM. LEI 9.314/96. O Egrégio Tribunal Regional Federal da 1ª Região.036024-7/MG. publicadas no Diário Oficial no período de 1° de julho a 31 de dezembro imediatamen te anterior. 1. 2.314/1996. se falar em condenação em honorários.886/1989 e da Lei nº 9. DNPM. DO CÓDIGO DE MINERAÇÃO. art. é indevida. 20. ou não da constitucionalidade da Portaria em comento. PORTARIA. Não. 2. A redação do Código de Mineração. 94 e 95.31 o Art. ILEGALIDADE. A Portaria 663/90.01.314/1996. Remessa oficial não provida. Desta forma. por afrontar o dispositivo citado. TAXA ANUAL POR HECTARE. assim. em período anterior à Lei nº 9. que estabeleceu a competência e fixou o prazo do pagamento da exação. antes das alterações advindas da Lei 9. para as autorizações de pesquisa e respectivas prorrogações de prazo. Sucumbência RECÍPROCA. DNPM. (grifos nossos) Essa Jurisprudência foi confirmada pelo Acórdão proferido na Remessa exofficio nº 1998.00.314/96. recurso adesivo e remessa. 1. publicadas no Diário Oficial no período de 1° de janeiro a 30 de junho imediatamente anteri or. ART.00.Para a efetivação do pagamento da taxa anual por hectare. inclusive o de prorrogação: I . condição que somente foi alterada a partir da vigência da Lei nº 9. não tem o condão de vincular o administrado. LEI 7.314/96. e II . Houve sucumbência da autora quanto à alegação de inconstitucionalidade da exação. PRAZO ESTIPULADO ATRAVÉS DE PORTARIA MINISTERIAL ANTERIOR À LEI 9. Correta a sentença ao determinar a restituição dos valores das taxas pagas nos anos de 93.até o último dia útil do mês de julho. . Inexiste obrigação de recolher a taxa anual por hectare. a cobrança da Taxa Anual por Hectare. 3. 4 . sem entrar no mérito. conforme já previa a Lei 7. na parte em que fixou o prazo para o pagamento.

447.13 (oitenta e quatro milhões.186.83 13ª Posição 13º Distrito .021.90 0.09 0.853.PE 1.SC 1.ES 1.667.51 24ª Posição 24º Distrito . 4.84 8.40 15ª Posição 15º Distrito .PI 2.br/arrecadacao/extra/Relatorios/Receita_TAH.081.RN 2.909.35 2.776.276.438.1°.07 18ª Posição 19º Distrito RO/AC 842.268.181.256.753.788.51 1.40 0.45 1ª Posição 5º Distrito .863.61 0.318.629.824. vale citar que a Portaria DNPM n°32 3/04.29 16ª Posição 20º Distrito . só no ano de 2009 foram R$ 84.32 Por outro lado.78 4ª Posição 6º Distrito GO/DF 6.406.MT 9.gov.06 7ª Posição 21º Distrito .dnpm. parágrafos 4° e 5°. prevê a cobrança da TAH.082.65 2ª Posição 12º Distrito .PB 1.00 19ª Posição 2º Distrito .MS 554.20 4.31 0.BA 17.68 21ª Posição 23º Distrito .497.AM 3.RJ 425. questão que será adiante aprofundada. e declará-la inconstitucional sem dúvida traria uma grande diminuição na arrecadação do governo.AP 1.aspx Arrecadação Taxa Anual por Hectare 2009 – até 31 de Dezembro Por: Geólogo Paulo Ribeiro de Santana Distritos Valor (R$) % Ranking 7º Distrito .98 9ª Posição 14º Distrito .SP 781.13 100.208.19 9.652.69 1.47 2. no art.39 3. hoje recolhe uma fortuna aos cofres públicos. mesmo para os alv arás de pesquisa em vigor antes do advento da Lei nº 9.314/1996.93 6ª Posição 8º Distrito .PA 12.66 22ª Posição 18º Distrito .RR 103.80 3ª Posição 3º Distrito .MA 1.32 1.PR 1.697.70 10ª Posição 16º Distrito .RS 899.51 1.65 0.008.TO 4.22 17ª Posição 1º Distrito .214.4 Razões da instituição da cobrança da TAH Forçoso reconhecer que a Taxa Anual por Hectare.21 20.958. oito mil e novecentos e dois reais)11.12 25ª Posição Total 84.850.20 14.94 12ª Posição 11º Distrito .60 23ª Posição 9º Distrito .535.29 11ª Posição 22º Distrito .30 4.39 8ª Posição 10º Distrito .80 2.28 5ª Posição 17º Distrito .93 20ª Posição 25º Distrito .334.902.AL 569.441. 11 https://sistemas.81 1.MG 8.00 .59 11.CE 2.801.81 1.139.902.351.506.365.58 1.008.017.785.44 14ª Posição 4º Distrito .40 1.927.176.310.SE 504.424. decorrendo esta presunção de que a Taxa Anual por Hectare se enquadra como preço público.

há um incentivo para que a pesquisa seja realizada com celeridade para que as áreas consideradas de menor interesse sejam descartadas e para que não sejam feitas reservas de áreas apenas para evitar que outros interessados se habilitem a pesquisá-las. . A segunda é o pagamento pelo privilégio da exclusividade concedida. durante a vigência do alvará. Como a manutenção de áreas autorizadas tem um custo. Além disso. no que prevê a Constituição para cobrança desse tipo de taxa. portanto. eis que. identificada uma jazida e cumpridas as formalidades legais. nenhum outro interessado pode ter acesso à área da autorização.33 Entretanto. enquadrando-se. e. A primeira é o desincentivo à formação dos chamados "latifúndios minerais". além do quantitativo arrecado aos cofres públicos. o titular da autorização tem assegurado o direito à lavra. a cobrança de uma taxa por unidade de área autorizada para pesquisa tem como justificativa fundamental o fato de que o processo de autorização e acompanhamento dos trabalhos requer do DNPM o exercício do poder de polícia e a alocação de recursos com essa finalidade. há outras razões que também justificam a cobrança desse encargo.

A União. 150. o § 1 Sempre que possível. identificar. em razão do exercício do poder de polícia ou pela utilização. Capítulo I. c. 149. os Estados.34 5 SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO NO BRASIL 5. base de cálculo e as espécies de tributo para. facultada à administração tributária. portanto. especialmente para conferir efetividade a esses objetivos. Estados e Distrito Federal. aprofundar a análise da “taxa” e do “preço público”. art. I. prestados ao contribuinte ou postos a sua disposição. com vigência imediata dos artigos 148. 154. . Vale a pena citar o art. O texto Constitucional estabeleceu a competência concorrente sobre o poder de tributar da União. por conter as diretrizes básicas aplicáveis a todos os tributos. os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. decorrente de obras públicas. Os princípios gerais do sistema tributário nacional estão definidos no Título VI. será necessário discorrer brevemente sobre o Sistema Tributário Nacional passando pela análise do conceito de tributo. que é a lei tributária fundamental. de serviços públicos específicos e divisíveis. o patrimônio. estabelecendo que as leis estaduais. 156. o § 2 As taxas não poderão ter base de cálculo própria de impostos. da Constituição Federal. 34 do ADCT). conforme dispôs o Parágrafo 1°. 145: Art. natureza tributária. a partir de então. que divide à doutrina e a jurisprudência entre aqueles que a consideram uma “taxa”. 145. Seção I. hipótese de incidência tributária. III e 159 I. o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: I — impostos. II — taxas.1 O Sistema tributário nacional Para se chegar ao ponto de discussão sobre a natureza Jurídica da Taxa Anual por Hectare. efetiva ou potencial. e aqueles que a consideram como preço publico. O Sistema Tributário Nacional entrou em vigor no primeiro dia do quinto mês seguinte ao da promulgação da Constituição Federal de 1988 (1° de março de 1989. os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte. III — contribuição de melhoria. respeitados os direitos individuais e nos termos da lei.

35 não podem criar normas diferentes das federais para obrigar os entes municipais1. apesar de não trazer um conceito de tributo. 1 Art. certo conceito de tributo. taxas e contribuições de melhoria. 5. leva em consideração. instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente 3 vinculada. que limitava a idéia de tributo a impostos.2 Este conceito legal de tributo previsto no artigo 3° do Código Tributário Nacional e seguido pela doutrina majoritária. trata-se de poder originário e não derivado. previsto no artigo 150. e que prevaleceu na doutrina. sem duvida. destacar que o Sistema Tributário está adstrito ao Princípio da Legalidade estrita. BALEEIRO. dirimir conflitos de competência e estabelecer normas gerais sobre os tributos em geral. competência para fixar através de Portaria. somente Lei Complementar Federal poderá regulamentar as limitações ao poder de tributar de cada ente. Aliomar. questinando a constitucionali dade da Lei 9. 3 do CTN. 24 da CF. p. do que aquele mais restrito.Tributo é toda prestação pecuniária compulsória. De acordo com o disposto no artigo 146 da Constituição. Forense: Rio de Janeiro. Direito tributário brasileiro. bem como da Portaria n°503 do Ministério de Minas e Enegia. 2008. a Taxa Anual Por Hectare. Mister. Foi sob este argumento que a Confederação Nacional das Indústrias – CNI propôs a ADIN n°2586. em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir. base de cálculo e alíquota de taxa decorrente do poder de polícia. 63. se aproxima muito mais daquele amplamente disciplinado no art. Art. eis que dele gou ao Ministro de Estado das Minas e Energia.314/1996 que deu nova redação ao artigo 20 do Código de Mineração. da Constituição Federal. portanto. 3° do CTN. implicitamente. I. 2 . significa dizer que toda relação tributária deve decorrer da Lei. O poder de tributar dos municípios foi disciplinado diretamente no texto Constitucional. que. ao disciplinar o sistema tributário. que não constitua sanção de ato ilícito. 3 o Art. adota a teroria do carater compulsório da cobrança desde que não constitua sanção por ato ilícito. 3°.2 Conceito de tributo Aliomar Baleeiro ensina que a Constituição de 1988.

por ter a sua constituição proveniente de ato voluntário. da Constituição Federal5. já aquelas. fixou o carater pecuniário do tributo. o serviço militar obrigatório. caput. CTN.2.2 Compulsoriedade da prestação A compusoriedade é a idéia através da qual o CTN buscou evidenciar que o dever jurídico de prestar o tributo é imposto pela lei. “Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa.36 A natureza jurídica especifica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação sendo irrelevantes para qualificá-la a denominação e demais características formais adotadas pela lei que o instituir e a destinação legal do produto de sua arrecadação4. Desta forma.2. ou seja. estas se caracterizam. o 4 5 Art. Importante dizer que o Direito Tributário é ramo do Direito Público e a prevalencia do interesse público permite a imposição unilateral de obrigações independente da anuência do obrigado. o carater pecuniário é requisito inafastável para a ocorrencia tributária. definindo o respectivo fato gerador. ou cujo valor nela se possa exprimir”. sobretudo. Vale destacar que a compulsoriedade deriva do princípio da legalidade estabelecido no art.1 Caráter pecuniário Quando o artigo 3° do CTN estabeleceu que a prestaç ão tem que ser “em moeda. pois. a obrigação tributária se distingue das obrigações de âmbito privado. decorrem do texto da lei. 4°. siguinifica dizer que não se admite tributos in natura (ex: a cada cem gramas de farinha dever dar uma grama) ou in labore (ex: dar um dia de serviço). abstraída a vontade das partes que vão ocupar os pólos ativo e passivo da obrigação tributária. 5. no sentido de que cabe à lei instituí-lo. Nesse sentido. se não for por meio de lei” . 5. exclusivamente editadas pelo Poder Legislativo. por exemplo. participação em tribunal do júri. dos contribuintes. etc. não é tributo. são as obrigações ex lege. Ao dizer que o tributo é prestação instituída em lei não apenas se contempla o princípio da legalidade do tributo. 5°.

O tributo. 2. Contudo. Nesta senda. não se pode concluir que um rendimento auferido em atividade ilícita não está sujeito a tributação. sendo destituída de qualquer intenção de contribuir para as despesas do Estado.3 A natureza não sancionatória de ilicitude A natureza não sancionatória de ilicitude afasta da noção de tributo certas prestações criadas por lei a título de multa. é o ingresso que se define primordialmente como destinado a atender às despesas essenciais do estado. Rio de Janeiro: Renovar. ed. mas também se sublinha a origem legal do tributo e a sua compulsoriedade. Em outras palavras. Curso de Direito Financeiro e Tributário. A hipótese de incidência do tributo há de ser sempre um fato lícito.37 devedor e os elementos necessários a quantificar a prestação. não seria necessária a referência à compulsoriedade da prestação pecuniária. tem a finalidade de garantir a inteireza da ordem jurídica e tributária contra prática de atos ilícitos. como também admitir a tributação de tal rendimento não seria admitir a tributação do ilícito. . É a garantia de que o Estado não abusará das prerrogativas que lhe são concedidas e que decorrem do poder de tributar. eis que a sua finalidade é punir. 1993. é a segurança jurídica do contribuinte. cobrado com fundamento nos princípios da capacidade contributiva e do custo/benefício.4 Instituida por lei A previsão em lei é o corolário do Princípio da Legalidade. p. pelo que. a obrigação tributária jamais pode ser exigida. ao contrário.2. 5. 6 TORRES. porque estas não são contraprestação por serviços públicos. 263. o que não é o caso do tributo que visa contraprestacionar serviços públicos. 5. mas sim o comando legal. A distinção é explicada com clareza por Ricardo Lobo Torres6: A penalidade pecuniária. embora prestação compulsória. senão em razão da lei. dizer que a prestação tributária é instituída em lei já expressa que o nascimento da obrigação tributária não tem por base a vontade dos sujeitos. Ricardo Lobo.2.

no mundo fático uma obrigação tributária. Geralmente a doutrina define o fato gerador como uma situação abstrata. 5. a qual. para surgir esta obrigação tributária é imprescindível que a ocorrência da situação. todos os seus elementos constitutivos devem ser expressamente estabelecidos em lei. pois. 5. No Direito Administrativo se diz “poder vinculado”. lançamento de ofício quando a lei prevê lançamento por declaração. o tributo constitui obrigação ex lege. sem qualquer discricionariedade. por exemplo.5 Cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada A atividade administrativa de cobrar tributos deve seguir exatamente a previsão legal. O fato que cria uma obrigação tributária é utilizado como sinônimo da “hipótese de incidência”. o “fato gerador” pode ser entendido em dois planos: no plano abstrato da norma descritiva do ato ou do fato e no plano da concretização daquele ato ou fato descrito na lei. esteja previsto em lei. forme a relação jurídica tributária.2. o qual acarreta a inexigibilidade da prestação. O fato gerador indica a ocorrência de um determinado procedimento que gera. Porém. caso ocorra. Desta forma. é um ato administrativo vinculado. não oferecendo a Administração Publica qualquer margem de interpretação. é procedimento eivado de ilegalidade. descrita na lei. . uma vez ocorrida em concreto enseja o nascimento da obrigação tributária. é o acontecimento do fato.38 Nessa medida.3 Fato gerador e hipótese de incidência tributária O antecedente da norma tributária recebeu por parte da doutrina vários termos para designá-lo. A cobrança do tributo. exigir tributo por meio diverso do expresso em lei. o fato. sendo a diferença entre as duas expressões ocorre tendo em vista que o fato gerador é a ocorrência de um fato concretamente. Nesta senda. As expressões mais comuns estabelecidas pela doutrina são “fato gerador” e “hipótese de incidência“ que é o fato que deve ocorrer para que. enquanto a hipótese de incidência é a descrição abstrata de um fato na lei que gerará uma obrigação tributária. não ha tributo sem lei que o defina e que consequentemente caracterize seu fato gerador. ou seja. produzindo seus efeitos.

[. um protótipo bem circunstanciado. para ambas as situações. 9 idem p. Hugo de Brito.] A hipótese de incidência contém um arquétipo. É a realização da previsão legal. De fato. O fato imponível está para a hipótese legal assim como. há grande dificuldade na doutrina ao analisar o critério 7 MACHADO. Estas expressões foram adotadas pelo Código Tributário Nacional em 1966 e até mesmo depois. 8 .. para completar o entendimento: Subsunção é o fenômeno de um fato configurar rigorosamente a previsão hipotética da lei. Assim. hipoteticamente formulada pela hipótese de incidência legal – dá nascimento à obrigação tributária. no tempo e no espaço. designou o fato gerador abstrato por hipótese de incidência e o fato gerador concreto de fato imponível: Fato imponível é o fato concreto.. é utilizada a expressão “fato gerador”. 1999. nada mais fizeram do que enfatizar a 9 necessidade . logicamente. Desta forma. O fato imponível é a materialização desse arquétipo legal. Geraldo. São Paulo: Malheiros. Cada fato 8 imponível determina o nascimento de uma obrigação tributária . a Constituição de 1988 mostra mais uma vez estas expressões como sinônimos7.39 Na maioria das vezes. Hipótese de incidência tributária. a concreta e a abstrata. 61. acontecido efetivamente no universo fenomênico. ATALIBA. ed. ao desenvolverem a teoria da tipicidade. descrição pelo legislador do fato que trará como conseqüência de sua ocorrência a formação da relação jurídico tributária. 62. fornecerá todos os elementos circunstanciais ao fato dos quais o legislador utilizou-se para caracterizálo. 2003. p. que – por corresponder rigorosamente à descrição prévia. Curso de Direito tributário. toda vez que o sujeito passivo da relação jurídico-tributária praticar um ato que se encaixar à definição legal previamente existente. O Critério Material compreende a ação das pessoas. Diz-se que um fato se subsume a hipótese legal quando corresponde completa e rigorosamente à descrição que dele faz a lei. ocorrerá a chamada subsunção do ato à norma. Vale citar as palavras de Ataliba. acontecido no universo fenomênico. ed. Fortaleza: Malheiros. físicas ou jurídicas. inclusive com sinônimo de “hipótese de incidência” sendo apenas uma questão de divergência terminológica. Os escritores de direito penal. a hipótese de incidência dá lugar ao fato imponível. ou seja. Estes elementos são: o critério material. localizado no tempo e no espaço. o objeto está para o conceito. Geraldo Ataliba com grande aceitação. 115. espacial e temporal. 22. É fato imponível um fato concreto. 5. que configura a descrição hipotética contida na lei. p.

é difícil a compreensão de um fato pessoal desamparado de elementos espaciais ou temporais. desde que dentro dos critérios estabelecidos legislativamente. apresenta-se por um verbo pessoal seguido por um complemento. . 5. onde o fato desencadeará seus efeitos desde que sob vigência territorial da lei instituidora. fazer. I da Emenda n°1/69.1 Classificação dos tributos A Constituição Federal. entretanto estes elementos se apresentam de forma autônoma como critérios informadores da hipótese de incidência tributária. c) espacial genérico. refere-se as c ontribuições parafiscais como tributos. 21. Porém. pois.40 material isoladamente dos demais. ocorrendo o fato apenas nestas zonas delineadas (IPTU). no art. pois. seja qual for o local de ocorrência do fato. as taxas. as contribuições de melhoria. nem sempre é tratado de forma explicita na lei. o que leva a conclusões equivocadas como a que determina o critério material como a descrição objetiva do fato. No entanto. bem como. De fato. adquirir). conseqüentemente. sua produção de efeitos. Como já dito. a própria hipótese de incidência tributária na qual figura o critério material como um de seus elementos. não se pode falar em pontos particularmente determinados. §2°. há várias possibilidades conforme a expressão trazida pela lei: a) hipótese cujo critério espacial faz menção à determinado local para a ocorrência do fato típico (IPI). O critério temporal mostra a necessidade que a norma demonstre quando ocorreu o fato e. esta é na realidade.4 Espécies de tributo 5. coincidindo o critério espacial com o âmbito de validade territorial da lei. ser. o Código Tributário Nacional classificam como tributos apenas os impostos. Desta forma. b) critério espacial alude a áreas especificadas. sendo o critério material a ação de uma pessoa (dar. O critério espacial.4. ter. há grande variedade quanto ao conteúdo das leis no que discerne à determinação do local de ocorrência da hipótese tributária. será o conjunto de elementos que informam com exatidão o momento da ocorrência do fato e subseqüente formação de direito subjetivo do Estado e dever jurídico para o sujeito passivo. Portanto.

12 Art. É o fato da capacidade econômica do contribuinte. A finalidade de tal vedação é resguardar a independência do Executivo. Assim.4. que as chamadas “contribuições especiais” e “contribuições parafiscais” não assumem caráter específico: ora são impostos.4. Para exigir imposto de um indivíduo não é necessário que o Estado lhe preste algo determinado11. 154 e 156 da CF. da vedação de vinculação da receita dos impostos. não sendo impossível a consociação destas com aquelas”10. Aliomar. Essa presunção econômica está expressa no artigo 145. §1° da Constituição. 145.41 Aliomar Baleeiro ensina que “no Brasil tem sido sustentado. Para fim específico de esclarecimento será abordado sucintamente as espécies de tributo consideradas pela legislação brasileira. 5. de serviço público específico e divisível12. Art. Rio de Janeiro: 2008. 77 do CTN.p. Forense.3 Taxas As taxas que serão tratadas de forma mais aprofundada no próximo capítulo. 5. II da CF e Aart. 70. Direito Tributário brasileiro. Portanto. são tributos cujo fato gerador é configurado por uma atuação estatal específica em relação ao contribuinte. 10 BALEEIRO. ora taxas. define-se imposto como tributo não vinculado. ou seja. caracterizador da natureza da espécie tributária. não se deve confundir a não vinculação do fato gerador dos impostos a qualquer atividade estatal. b) na prestação ao contribuinte ou a colocação à disposição deste. 153. o que pode consistir: a) no exercício regular do poder de polícia. 11 . imposto “é o tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal específica relativa ao contribuinte”. decorrente de um fato qualquer que não se constitua em uma numa atuação estatal.2 Impostos De acordo com a definição do art. 16 do Código Tributário Nacional.

sendo presumidos os seus benefícios. 5. ATALIBA.taxas e contribuições de melhoria – e não-vinculados – impostos.4. 4. p.42 5. Paulo de Barros.”14 Paulo de Barros Carvalho. Desta se distinguem por um quid plus na estrutura da materialidade da hipótese de incidência. 145. ora de impostos. 81 e 82 do CTN. 5. III.São Paulo: Editora Saraiva. ed. ARM. 182. Segundo o critério de transferência de riqueza ao Estado 13 Art. Ver também p. 28 14 . Hipótese de incidência tributária. Nesta senda. como a OAB. uma valorização. b) De interesse de categorias profissionais ou econômicas que destinam-se ao custeio das atividades das instituições fiscalizadoras e representativas de categorias profissionais. São espécie de tributo vinculado ao lado da taxa. 1999. porque o benefício é visto sob a ótica do Poder Público. que exercem funções legalmente reputadas de interesse público. como um todo e não do interesse particular de forma individual. as Contribuições Especiais podem ser: a) De Intervenção No Domínio Econômico que destinam-se a instrumentar a atuação da União no domínio econômico.ed. CREA. não constituem categoria à parte. As outras contribuições. também não constituem gênero que a eles se oponha. para os proprietários de imóveis adjacentes. etc. 15 CARVALHO.5 Contribuições especiais Para Geraldo Ataliba. Tem função tipicamente extrafiscal.4. existe o entendimento de que o importante para justificar a cobrança da contribuição de melhoria é a realização da obra. ou melhoria de sua propriedade13. por revestirem ora o caráter de tributos vinculados. define “os tributos podem ser vinculados a uma atuação do Estado.4 Contribuição de melhoria A contribuição de melhoria é um tributo cobrado quando da realização de uma obra pública. financiando os encargos pertinentes. São Paulo: Malheiros.152. Geraldo. da qual decorra.“as contribuições não se confundem com as taxas. art. Na doutrina. p. sendo tributos qualificados por sua finalidade. A simples realização da obra a justificaria. Direito Tributário: Fundamentos jurídicos da incidência. pelo que hão de subsumir-se numa das espécies enumeradas”15. nem com os impostos.

43 não podem ser consideradas como tributos e não se submetem ao princípio da legalidade. c) De Seguridade Social ou sociais que visam custear o financiamento da seguridade social e são utilizadas como instrumento de atuação no campo social16. PIS e COFINS. da CF. como por exemplo a contribuição para o INSS. . 16 Art. 195.

poderão instituir os seguintes tributos: [. A Constituição de 1988. Aliomar. financeiros.] II. A influência de aspectos econômicos. ou pela utilização.taxas. ou seja. em razão do exercício regular do poder de policia.44 6 TAXAS 6. o Distrito Federal e os Municípios.. transcrito acima traz uma conceituação legal do que vem a ser a taxa. políticos.. apenas elegeu duas causas para dar origem às taxas. Portanto. ao custeio do serviço estatal remunerado e a vantagem ao contribuinte.] §2º. do pedágio e das contribuições de melhoria. 2008. Também. e ainda quando provoca em seu benefício. a importância que se tem em conceituar um instituto do direito é poder a partir deste conceito diferenciá-lo dos demais institutos jurídicos. Rio de Janeiro: Forense..Taxas não poderão ter base de cálculo própria de imposto O artigo 145 da Constituição.. pois dependendo da classificação jurídica. inerentes à esta espécie tributária fez surgir entre os doutrinadores várias conceituações para a taxa e muitas vezes levaram à constantes confusões entre o conceito de imposto. 145. Aliomar Baleeiro apresenta o conceito de taxa da seguinte forma: Taxa é o tributo cobrado de alguém que se utiliza de serviço publico especial e divisível de caráter administrativo ou jurisdicional. os Estados. ed. p. ou o tem à sua disposição. o exercício regular do poder de polícia ou utilização de serviços públicos específicos e divisíveis.1 Conceito de taxa O Código Tributário Nacional respeitando a limitação Constitucional. ou por ato seu. de serviços públicos específicos e divisíveis. efetiva ou potencial. [. contraprestação em razão do exercício regular do poder de polícia ou pela utilização de serviços públicos específicos e divisíveis. da natureza jurídica que lhe for atribuída. 1 despesa especial dos cofres públicos. o mesmo produzirá efeitos diversos. 11. assim dispôs: Art. do preço público. afastou a subordinação da taxa ao destino da arrecadação. A União. 1 BALEEIRO. Direito tributário brasileiro. 540. . prestados ao contribuinte ou postos à sua disposição.

Gerado Ataliba conceituou a taxa como “tributo vinculado cuja hipótese de incidência consiste numa atuação estatal direta e imediatamente referida ao obrigado”3. pela realização de uma atividade que afeta diretamente o obrigado”4. com objetivo de compartilhar o gasto publico pela atividade prestada pelo Estado à um determinado grupo e não com a sociedade em geral. em virtude de lei. Curitiba: Juruá. 6 3 ATALIBA.45 Com este conceito. dirigida ao contribuinte. geralmente um serviço público. Javier Martin Apud JANCZESKI. Doutrina e prática das taxas. 4. ed. . São Paulo: Revista dos tribunais. ou de beneficio feito. 4 FERNANDEZ. para o autor a taxa é uma das espécies tributárias cuja hipótese de incidência é a prática de uma atividade estatal. no exercício do seu poder de polícia. Taxas doutrina e jurisprudência. de um serviço público específico e divisível prestado ao contribuinte ou posto à sua 2 disposição . Geraldo. Baleeiro classificou a taxa como contraprestação de serviço publico. 1976. b) tem sua fonte na lei. Javier Martin Fernandez para explicar o conceito de taxa dentro do contexto dos ingressos púbicos: “a) trata-se de uma obrigação tributária. ed. Célio Amando Janczeski cita F. p. 2 MORAES. de um serviço público específico e divisível prestado ao contribuinte ou posto à sua disposição. 134. São Paulo: Malheiros. p. seja em razão da utilização. Desta forma. Neste norte. Em síntese a taxa pode ser definida como uma prestação pecuniária exigida pelo Estado. Hipótese de incidência tributária. 5. a taxa é um tributo vinculado. 36. c) nasce em relação com uma determinada atividade administrativa. seja em razão do exercício de polícia. p. que incide de maneira particular ao obrigado. F. Bernardo Ribeiro de. cujo fato gerador depende da atividade estatal especifica dirigida ao contribuinte: tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação dependente da atividade estatal específica. ou na utilização efetiva ou potencial. 1999. efetiva ou potencial. 2006. Contudo vale destacar que a doutrina majoritária fortaleceu-se no entendimento de que os serviços financiados pelas taxas não buscam proporcionar vantagens ou benefícios ao individuo Para Bernardo Ribeiro de Morais a taxa é um tributo. cuja referibilidade é imediata e direta. Celio Armando.

pelo Distrito Federal ou pelos Municípios. no âmbito de suas respectivas atribuições. pelos Estados. prestado ao contribuinte ou posto à sua disposição. Mais uma vez citamos o ensinamento de Geraldo Ataliba: “A hipótese de incidência da taxa é uma atuação estatal diretamente (imediatamente) referida ao obrigado (pessoa que vai ser posta como sujeito passivo da relação obrigacional que tem a taxa por objeto”). não é um fato do contribuinte.2 Hipótese de incidência da taxa Como visto no Capítulo anterior a hipótese de incidência é a descrição abstrata de um fato na lei que gerará uma obrigação tributária. caso ocorra. têm como fato gerador o exercício regular do poder de polícia. “TAXA é o tributo vinculado cuja hipótese de incidência consiste numa atuação estatal indireta e mediatamente (mediante uma circunstancia intermediária) referida ao obrigado”. A análise do conceito de taxa. As taxas cobradas pela União. 145. da contribuição de melhoria e principalmente do preço publico. de serviço público específico e divisível.46 Nas palavras de Ataliba. 77 do Código Tributário Nacional: Art. A hipótese de incidência da taxa está descrita no art. a taxa apresenta como hipótese de incidência a atuação do Estado de forma específica e divisível. . Assim. seguido da análise dos aspectos da hipótese de incidência. ou utilização. II da Constituição citado no inicio deste Capítulo e complementado pelo art. proporcionará a fundamentação para diferenciar a taxa do imposto. direcionada ao contribuinte e que terá como aspecto material o exercício do poder de polícia ou a prestação de serviço público. 6. Note que a hipótese de incidência da taxa. mas um fato do Estado que realiza a atividade ou presta o serviço e para tanto cobra a taxa. efetiva ou potencial. 77 CTN.

4 Taxa pela utilização de serviço público A Taxa pela utilização de serviço tem por hipótese de incidência a atuação estatal consistente na execução de um serviço público. ou. Não é aceitável a cobrança de taxa que não tenha por base de cálculo uma dimensão da atividade estatal como. o custo do serviço colocado à disposição pelo Estado. . 145 II da CF. bem como. Exemplificando. No caso da taxa de polícia deve haver uma mensuração da atuação estatal e os custos devem ser repartidos pelos contribuintes e para a taxa de serviço deve haver um cálculo do custo do serviço individualizado. Especialmente em relação a Taxa Anual Por Hectare.47 6. Taxas doutrina e jurisprudência. a taxa não poderá ter como base de cálculo área de imóvel. que é cobrada de acordo com a medida em hectares do requerimento de pesquisa mineral. 6. a taxa de esgoto e de coleta de lixo. vedam expressamente qualquer taxa de usar base de cálculo própria de imposto. Celio Armando. ou seja. o Pa rágrafo Único do artigo 77 do Código Tributário Nacional. a base de cálculo da taxa deve ser o valor. excluídas as atividades 5 6 JANCZESKI. e desta forma. Para a doutrina majoritária é toda e qualquer atividade realizada pelo Estado na qualidade de ente administrador. 4. a taxa de licença de publicidade que previa a dimensão da placa da fachada externa do estabelecimento e não os custos da atividade de fiscalização de forma rateada5. p. como por exemplo. efetivamente prestado ou posto a disposição do contribuinte6. Art. Curitiba: Juruá. O §2° do artigo 145 da Constituição.68.3 Base de cálculo da taxa A base de cálculo da taxa deve dimensionar a atividade estatal. 2006. por exemplo. ed. mas a do polígono projetado na área correspondente do subsolo. eis que está á a base de cálculo dos impostos sobre a propriedade imóvel (IPTU e ITR). há de ser observado o seguinte: a medida em hectares que se faz referência quando do requerimento de pesquisa não é a mesma da superfície imóvel. específico e divisível.

sejam postos à sua disposição mediante atividade administrativa em efetivo funcionamento"9. entende por serviço público "toda e qualquer atividade prestacional realizada pelo Estado.8 ou seja. separadamente.65. 79. b do CTN 8 . a doutrina dominante. ou. necessidades coletivas”7. Divisível. Art. "Os serviços consideram-se utilizados pelo contribuinte efetivamente quando por ele usufruídos a qualquer título. utilizado efetiva ou potencialmente pelo contribuinte. Para o serviço público ser considerado hipótese de incidência tributária de taxa. é quantificável individualmente. p. Deve-se analisar se é possível a separação em unidades autônomas de intervenção. quando sendo de utilização compulsória. 79. II e III. por se tratarem de atividade econômica. Assim. de utilidade ou de necessidade públicas e se é divisíveis quando suscetíveis de utilização. deve ser específico e divisível. Específico. Necessitando um pouco mais de cuidado a análise destas caracteristicas na prestação potencial do serviço. 7 MACHADO. ou por quem fizer suas vezes. porque pode ser utilizado de forma destacada. individualizada de forma a possibilitar a identificação do sujeito passivo. por parte de cada um de seus usuários. a .48 desempenhadas pelo Estado sob regime de direito privado. 20. CTN. não assumida como própria. Não basta a existência do serviço público sem a possibilidade do contribuinte se valer do mesmo.. para satisfazer de modo concreto e de forma direta. porque deve ser passível de utilização individual pelo contribuinte. fornecimento de certidões ou da prestação de atividade jurisdicional). e potencialmente. e. ou posto a disposição do contribuinte e potencialmente utilizável pelo mesmo. é condição indispensável para cobrança da taxa a efetiva existência do serviço à disposição do contribuinte com a potencialidade ser usado. A especificidade e a divisibilidade das taxas são facilmente observadas quando ocorre a efetiva prestação do serviço público (ex. 2001. Entende-se como prestado ao contribuinte o serviço que este utiliza efetivamente. aqui representada nas palavras de Hugo de Brito. I. ed. prestado ao contribuinte ou posto à sua disposição. incs. Hugo de Brito. Curso de direito tributário. Portanto. São Paulo: Malheiros. 9 Art.

ed. Considera-se poder de polícia atividade da administração pública que.465. a higiene. ou. regula a prática de ato ou abstenção de fato. à higiene. aos costumes. a doutrina do Direito Tributário seguiu a conceituação do código sem maiores controvérsia. já que o próprio Código Tributário o conceitua expressamente. pois. e no seu Parágrafo Único: “Art. A definição do Código Tributário de poder de polícia. 10 11 Art. à tranqüilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos. na verdade é a atividade de polícia. à disciplinada da produção e do mercado. em razão de interesse público concernente à segurança. interesse. com observância do processo legal e. p.5 Taxa pelo exercício do poder de polícia O poder de polícia “consiste na atividade da administração pública. Parágrafo único. MELO. interesse ou liberdade. em razão de interesse público concernente à segurança. tratando-se de atividade que a lei tenha como discricionária. deste modo. ou seja. á ordem. regula a prática de ato ou abstenção de fato. Curso de direito administrativo. ao exercício de atividades econômicas dependentes de concessão ou autorização do Poder Público. sem abuso ou desvio de poder" A definição de poder de polícia não gera grande polêmica. ao exercício de atividades econômicas dependentes de concessão ou autorização do Poder Público. limitando ou disciplinando direito. 78. Na doutrina do Direito Administrativo sobre o poder de polícia. a atividade estatal exercida com base no poder inerente à Administração Pública. poder de polícia não é atividade da Administração e sim. que. Celso Antonio Bandeira. São Paulo Malheiros. O Código Tributário Nacional define "poder de policia" no artigo 78. à ordem. . 78 CTN. limitando ou disciplinando direito. Celso Antonio Bandeira de Melo ensina que a atividade estatal que tem por fim "condicionar a liberdade e a propriedade ajustando-a aos interesses coletivos designa-se poder de polícia”11. à tranqüilidade pública ou o respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos”10. aos costumes. liberdade. à disciplina da produção e do mercado. poder do Estado. 9. Considera-se regular o exercício do poder de polícia quando desempenhado pelo órgão competente nos limites da lei aplicável.49 6.

. tanto no âmbito federal como estadual e municipal.. o individuo está contratando o serviço de transporte público.6 Diferença entre taxa e preço público Como visto. III. já a fonte de obrigação do preço público é a vontade da pessoa de receber a prestação do Estado ou seus delegados. simplesmente anulava os incisos I e II. durante um longo período não houve preocupação por parte da doutrina em tecer teses realmente fundamentadas sobre a diferenciação de preço público e taxas. aos Estados e Municípios instituir: I – Contribuição de melhoria. efeitos e conseqüências próprias da taxa. vantagens. por exemplo. A diferenciação entre taxa e preço público até hoje divide opiniões. a taxa cobrada pelo porte de arma.. que competia a União. II – Taxas. pois. mesmo quando evidente se tratar de taxa. Ora.. o preço público não é tributo e não está adstrito aos princípios da legalidade. o Estado “policia” ou “fiscaliza” a atuação dos indivíduos visando o bom convívio e por isto cobra a taxa. tanto na doutrina como nos Tribunais e existem inúmeras correntes criadas para diferenciar os dois institutos. 6. Não raras vezes os doutrinadores cometeram o equivoco de buscar diferenciar a taxa e o preço público utilizando as características. e. o que fez com que os contribuintes sofressem diversos abusos por parte dos legisladores. Assim. anterioridade e irretroatividade. qual seria a relevância de diferençar taxa e preço já que o legislador tinha total liberdade de instituir o regime remuneratório que desejasse para as atividades públicas. como o bem estar social. ao regime jurídico tributário. ao contrário da taxa. cobrada pelo DNPM para fiscalização durante a pesquisa mineral. A confusão teve origem com a Constituição de 1946. a causa. a fonte jurídica da taxa é a previsão legal (ex lege). ou seja. como nos casos em que se compra uma passagem de ônibus ou metrô. que estipulava em seu artigo 30.50 A atividade estatal que gera a cobrança da taxa de polícia decorre dos direitos e garantias constitucionalmente assegurados aos administrados. Isso também fez com que a maior parte das receitas remuneratórias do Estado tomasse a feição de preço. o inciso III.Quaisquer outras receitas que possam provir do exercício de suas atribuições e da utilização de seus bens e serviços. Assim. taxa de fiscalização do IBAMA e como veremos a seguir a Taxa Anual Por Hectare. como a fonte da obrigação. Por esta razão.

para o administrado. De outro lado. o critério é asatisfação de uma . às vezes. pois. como vacinação. foi claramente separado o serviço público atribuído ao Estado. têm como retribuição o preço público. para estes a palavra compulsoriedade significa a obrigação do Estado em prestar o serviço público e sendo assim os serviços públicos. os serviços que o Estado tem a faculdade de prestá-los. tal como definida no artigo 173. Várias outras correntes foram adotadas. os serviços públicos que não são oriundos da potestade estatal. os serviços públicos que são considerados essenciais para a coletividade. pautados nos princípios constitucionais. Dada a importância destes serviços. eles são regulados pelo direito público. Alguns doutrinadores adotaram o critério da compulsoriedade para distinguir taxa e preço.) Na produção de serviço privado. esgoto. e. a sistemática adotada pela Constituição de 1988 não dá margem e estes tipos de equívocos cometidos pela doutrina. regime jurídico aplicado e outros. na produção de serviço público. internação hospitalar em caso de certas moléstias etc. seriam remunerados via preço.51 vinculação do produto arrecadado. indisponível e obrigatório para o administrador (e. fazem com que sua retribuição tenha natureza tributária. Ora o serviço público é regulado por lei. o critério do prestador é o lucroque visa obter.fez a distinção com clareza em seu livro Hipótese de Incidência Tributária: Preço é a Contraprestação de uma prestação contratual liveremente fixada entre parte iguais. oriundos do conceito de soberania e inerentes à existência do Estado. cujo Estado tem a obrigação de prestar a coletividade seriam remunerados através de taxa. que tenha como contraprestação a taxa. Entretanto. administrativos e tributários. Outro critério adotado para a diferenciação de taxa e preço público é o da essência do serviço público prestado. compulsoriedade. Geraldo Ataliba. pois. adotam o critério de classificação das taxas para classificar os preços. quando a diferenciação é feita desta maneira percebe-se que há uma inversão da ordem. conforme previsto no artigo 175 neste caso cabendo a cobrança de taxa. ou seja. água. Segundo esta corrente. podendo ser regido pelo direito público ou pelo privado. Por outro lado. mas atualmente. cobrada através de preço. atividade econômica de iniciativa privada.

Le prestazione amministrative rese ai 12 privati. Idem. eis que delegou a fixação de elementos de base de cálculo e alíquota ao Ministro de Minas e Energia. Definiu ainda: “Se se tratar de atividade pública (Art. 173) a remuneração far-se-á por preço. de que serviços públicos somente podem ser remunerados por taxa e que preços só cabem quando há disposição do bem é mais adequado à sistemática trazida pela Constituição de 1988. Milão. prevista no artigo 150. Geraldo.”13 Assim. I. gerando violação à regra da estrita legalidade tributária. se se tratar de exploração de atividade econômica (Art. que exarou entendimento no sentido de que a Taxa Anual por Hectare tem natureza jurídica de preço público.6. 1965.314. o preço público somente tem vez quando há disponibilidade da coisa e em virtude de uma contraprestação contratual livremente pactuada. com fundamento na alegação de inconstitucionalidade da Lei 9. 2005. p. atribuída ao Poder Público e que somente podem ser remunerados por taxa. A DDIN n° 2586. 175) o correspectivo será taxa. tem seguido a decisão proferida na ADIN n°2586. sem. São Paulo: Malheiros. Entretanto. que deu nova redação ao artigo 20 do Código de Mineração. bem como a declaração de preço público por parte do próprio DNPM. Por conseguinte. da Constituição Federal. De acordo com o entendimento do Autor. Hipótese de incidência tributária. do ministro de minas e Energia que fixou os elementos. ou simplesmente se mantido silente quanto a questão. 6.1 Comentários sobre a ADIN N° 2586 A escassa doutrina existente sobre o tema da cobrança da Taxa Anual por Hectare. 6.170. contudo analisar de forma científica e jurídica os percalços do malfadado acórdão. foi proposta pela Confederação Naci onal da Indústria – CNI. ed.52 utilidade pública (Renato Alessi. é serviço publico toda a prestação que não se insere no campo de atividade econômica. . Giuffré.75). de 14 de Novembro de 1967. 12 13 ATALIBA. O entendimento esposado por Geraldo Ataliba. p.161. p. na prática este entendimento não ocorre com tanta lucidez. a ação também foi proposta contra a Portaria n°503 de 28 de dezembro de 1999.

caracterizando mais uma vez a utilização de bem público. sem. O equivoco do Relator foi ainda maior. desta vez. Decidindo. então. não buscaram os Ministros visualizar o caso concreto posto em discussão. a fim de analisar se de fato ocorreria a utilização de bem público por parte do minerador em decorrência da pesquisa mineral. o titular obtém a autorização para efetuar os trabalhos de pesquisa mineral. não raras vezes o Ministro Carlos Veloso pronunciar votos dignos de maestria e profundo conhecimento jurídico. como veremos no capítulo a seguir. eis que se pautou exclusivamente em explanar as várias correntes doutrinarias a cerca dos preços e da taxa. Maurício Correia acompanharam o voto do Relator Ministro Caros Veloso. entretanto apresentarem qualquer fundamentação em seus votos. pela natureza de preço público da Taxa Anual Por Hectare.53 Verificou-se no acórdão que julgou a referida ADIN. vários foram os equívocos cometidos pelo Relator em seu voto. Os Ministros Sydney Sanches. portanto. qual seja a jazida ou os recursos minerais. quando seguindo o parecer do Procurador Geral Geraldo Brindeiro. escassa. Seguindo o voto do Relator. mas conseqüência. sem. logo. o entendimento de que haveria a ocupação do subsolo para realização dos trabalhos de pesquisa mineral e. o Ministro se equivocou quanto a natureza da atividade de pesquisa. demonstrarem o menor conhecimento sobre a natureza da pesquisa mineral e das fases do processo administrativo de mineração. esposou o entendimento de que através do pagamento da Taxa Anual Por Hectare. Ellen Gracie. Ora. não é pressuposto para este. contudo. Neste contexto. quanto a caracterização de utilização de bem público na fase de pesquisa e quanto a natureza de preço público da Taxa Anual por Hectare. sem a menor profundidade de conteúdo jurídico. O que equivale a dizer que o DNPM está exercendo o poder de polícia. Considerou ainda em seu voto. Nélson Jobim. entendendo que haveria a utilização do bem público da União. Outrossim. o voto do Ministro Sepúlveda Pertence merece destaque quanto a sua fundamentação totalmente desprovida de entendimento sobre a matéria: . trata-se de taxa. a fundamentação do acórdão foi vaga. que a maioria dos Ministros entenderam haver utilização de bem público em virtude da outorga do Alvará de Pesquisa. Infelizmente. Não obstante. a taxa é cobrada em virtude do consentimento.

nas áreas de domínio público. E é alvará porque lá . acompanho o eminente Ministro-Relator quanto a questão principal. [. mas efetivamente. A Taxa Anua por Hectare nada tem haver com o pagamento de renda ao proprietário do solo. altera esse sistema anterior e impõe remuneração. como sustentou o eminente advogado.] Sei que estou sozinho e vou fica vencido.514/96 – a meu ver. É um poder de polícia. enquanto durar a pesquisa. A União está cobrando uma taxa pelo poder de policia para dizer: autorizo nessa área. 9. (grifos nossos) O referido trecho do voto demonstra desconhecimento do ilustre Ministro acerca da matéria envolvendo a atividade de pesquisa mineral e as questões atinentes ao direito minerário. vou ousar discordar. isso não interferirá no domínio e no regime jurídico de utilização do subsolo. com caráter dominial puro para esta. alvará de pesquisa. O domínio das riquezas minerais do subsolo e domínio do solo não se confunde nem quando a União tiver a propriedade da superfície. aqui não convém. Se assim o fosse a Taxa Anual por Hectare. do preço publico correspondente. é área de índio. Ainda que a União seja proprietária da superfície. determinado o seu quantum por portaria do Ministro de Minas e Energia: realmente não se cuida de tributo.criada pela L. só seria devida nas áreas onde o solo (superfície) é de domínio publico e não em áreas onde a superfície constitui um terreno particular. da tribuna e reiteradamente.54 A taxa ora questionada . ou seja. Por isso. Não obstante. a indenização ao proprietário do solo se dá em decorrência da ocupação e dos possíveis estragos que possam ocorrem em sua propriedade devido à atividade mineradora. Como visto em Capítulo anterior. Verifico que aqui não há serviço que deva ser remunerado por preço.. a pesquisa nem se quer se baseia na existência de minério. quando se cuida de imóvel particular. merece ser citado: Eminentes pares. Então. longamente. Veja o que diz o artigo 20 do Decreto Lei 227/67: “autorização de pesquisa”.. a ausência de fundamentos jurídicos que permeou os votos vencedores. ou não autorizo nessa outra. variável conforme o tamanho da superfície e o mineral pesquisado. e em momento algum fora substituída pela Taxa Anual por Hectare. Não há utilização de bem público porque. não há bem público ainda em jogo. a pagamento de renda devida ao proprietário privado ou posseiro. com sabedoria o voto vencido do ilustre Ministro Ilmar Galvão.

. a ausência de atividade econômica pelo minerador e a existência de atividade fiscalizadora por parte do DNPM em razão do exercício regular do poder de polícia. do exercício de poder de polícia. Fico vencido. O efeito desta equivocada decisão sobre a natureza jurídica da Taxa Anual por Hectare gera incerteza jurídica no cenário da mineração. é alvará e decorre. (grifos nossos) Várias são as circunstancias que levam a concluir que a Taxa Anual por Hectare é um tributo da espécie taxa. [. Portanto. o que implica em desdobramentos de fiscalização tributária. especialmente a ausência de utilização de bem público durante a pesquisa mineral. desdobramentos econômicos e políticos na evolução da mineração. para se fazer uma sondagem de um terreno para construir uma casa.] Não vou absolutamente entender que essa taxa é um preço pelo uso de um bem da União que talvez nem exista. É certo que a definição da natureza jurídica da Taxa Anual por Hectare é ponto determinante para a identificação do regime jurídico aplicável. Como se pode pagar por algo inexistente? Fosse assim. teria que ser pago algo à União pela utilização do subsolo.. sempre..55 embaixo está dito “nulidade ex officio do alvará de autorização”.

Nesta senda. há uma atividade administrativa plenamente vinculada. Enquanto não explorados os recursos minerais. O recolhimento da Taxa Anual por Hectare se dá independente de acordo de vontades entre o particular e a União. tratando-se de obrigação ex-lege e haja vista a obrigatoriedade de seu recolhimento pelo minerador tem-se o caráter compulsório da exação. pois não pode salvo excepcionalmente. eis que a ocupação ocorre realmente na superfície e não no subsolo. indenização ao proprietário ou posseiro do imóvel por esta ocupação. cabendo inclusive. firmada entre partes iguais. . uma vez outorgado o Alvará de Pesquisa. Também não há como se falar na utilização de bem público pela ocupação do subsolo para a pesquisa. mas o comando legal que ordena e que impõe o pagamento da Taxa Anual por Hectare. ou o pagamento fora do prazo. caracterizando-a como receita derivada proveniente do Poder do Estado. contendo atividades especificas para a fiscalização e cobrança. foi analisado no Capítulo III. uma origem contratual de forma liberal. também não há como caracterizar a Taxa Anual por Hectare como receita patrimonial originária. extrair ou realizar trabalho de lavra dos recursos minerais encontrados. Não existe. acarretará a imposição de multa em virtude do descumprimento das disposições legais. o recolhimento da Taxa Anual por Hectare será obrigatório. este figurou como soberano na relação estabelecida com o minerador. pois. Assim. o pagamento a menor. no caso.56 7 A TAXA ANUAL POR HECTARE COMO TRIBUTO DA ESPÉCIE TAXA Quando se pretende analisar a natureza jurídica de determinado instituto. inclusive que o não pagamento. ou seja. A Taxa Anual por Hectare é cobrada mediante procedimentos específicos do DNPM previstos na legislação. Mesmo com a iniciativa do particular em requerer a área para pesquisa. Vale frisar. Durante a realização da pesquisa mineral o titular do Alvará de Pesquisa não obtém um proveito direto da jazida. que a Taxa Anual por Hectare foi instituída por lei. se busca identificar no sistema jurídico o regime jurídico e as normas que lhe são aplicáveis. não há a aferição de uma atividade econômica.

IV . é uma prestação pecuniária. controlar e fiscalizar o exercício das atividades de mineração em todo o território nacional.implantar e gerenciar bancos de dados para subsidiar as ações de política mineral necessárias ao planejamento governamental. dos títulos minerários relativos à exploração e ao aproveitamento dos recursos minerais. eis que a Taxa Anual por Hectare. 3º A autarquia DNPM terá como finalidade promover o planejamento e o fomento da exploração e do aproveitamento dos recursos minerais. ou propô-la à autoridade competente. a higiene e a segurança das atividades de mineração. o beneficiamento e a comercialização dos bens minerais. VI . minerais e de tecnologia mineral. competindo-lhe. os respectivos regulamentos e a legislação que os complementa. VII . o Código de Águas Minerais. . objetivando verificar o cumprimento da obrigação de realizar a pesquisa mineral em conformidade com as disposições do Código de Mineração e com o Alvará outorgado. comércio e industrialização de matérias primas minerais. constata-se que os requisitos previstos no artigo 3° do Código Tributário Nacional. Melhor dizendo. III . podendo realizar vistorias. para a caracterização de tributo foram perfeitamente preenchidos. V . e superintender as pesquisas geológicas. através do Código de Mineração e expressamente pelo artigo 3° da Lei 8. a lavra. autuar infratores e impor as sanções cabíveis. analisar e divulgar o desempenho da economia mineral brasileira e internacional. cartas e mapas geológicos para divulgação. sobre as atividades de mineração. bem como assegurar.baixar normas.coordenar. instituída por lei e cobrada de forma vinculada.57 Nesta senda. na forma do que dispõe o Código de Mineração.fomentar a produção mineral e estimular o uso racional e eficiente dos recursos minerais. durante a realização dos trabalhos de pesquisa existe a atividade fiscalizadora por parte do DNPM. II . em caráter complementar. e exercer fiscalização sobre o controle ambiental. decorrente do seu poder de polícia. VIII . segurança e saúde ocupacional dos trabalhadores.promover a outorga. na conformidade do disposto na legislação minerária. e expedir os demais atos referentes à execução da legislação minerária. em especial: I . mantendo serviços de estatística da produção e do comércio de bens minerais. Ainda é de se destacar que ocorre de fato atividade de fiscalização em virtude e como conseqüência do Alvará de Pesquisa expedido.formular e propor diretrizes para a orientação da política mineral. atuando em articulação com os demais órgãos responsáveis pelo meio ambiente e pela higiene. quando for o caso.acompanhar. promovendo a elaboração de textos. O poder de polícia foi outorgado ao DNPM de forma originária e especial.fiscalizar a pesquisa. tem caráter compulsório e não constitui sanção por ato ilícito. sistematizar e integrar os dados geológicos dos depósitos minerais.876/1994: Art.

portanto. Seu pagamento é uma contraprestação pelo regular poder de policia exercido pela União (fato gerador). coerente com o artigo 78 do CTN.baixar normas e exercer fiscalização sobre a arrecadação da compensação financeira pela exploração de recursos minerais. não restam margens para dúvidas ao consagrar o entendimento de que a Taxa Anual por Hectare tem natureza tributária. beneficiando indiretamente toda a sociedade. Trata-se. os direitos e a gestão orçamentária e financeira dos recursos destinados às atividades finalísticas e administrativas do DNPM. A despeito da maioria dos doutrinadores do Direito Minerário.58 IX . Nesta senda. através do DNPM. em seu livro Direito Minerário Escrito e Aplicado1: Portanto. ou seja.estabelecer as áreas e as condições para o exercício da garimpagem em forma individual ou associativa. a boa atuação do administrado no desempenho da pesquisa mineral que é atividade de utilidade pública. Carlos Luiz Ribeiro trata com propriedade a matéria. Assegura assim. 1 RIBEIRO. é uma taxa e decorrente do poder de polícia conceituado no artigo 78 do Código Tributário Nacional. de atividades dependentes de autorização do Poder Público. decorre do exercício do poder de polícia do DNPM. de que trata o § 1º do art. . ou seja. pois de atividade de polícia. conclui-se. 2006. de que a Taxa Anual Por Hectare teria natureza de preço público. XI . ainda que de forma resumida. não há como negar a atividade fiscalizadora do DNPM visando o controle das atividades de pesquisa mineral realizadas na área titulada. Direito minerário escrito e aplicado. a Taxa Anual por Hectare é tributo e não aluguel ou preço público. 371. unidade da Secretaria de Minas e Metalurgia do Ministério de Minas e Energia. Assim. o acervo. a atividade estatal exercida com base no poder inerente à Administração Pública. as obrigações. p. 20 da Constituição Federal. e. Carlos Luiz. 4º À Autarquia de que trata esta lei serão transferidos as competências. mas conseqüência da obtenção deste. para controle e fiscalização das atividades minerarias praticadas a área pertinente ao título de autorização de pesquisa. Vale frisar que o pagamento da Taxa Anual Por Hectare não é pressuposto para obtenção do Alvará de Pesquisa. que acabam por seguir o entendimento equivocado consagrado a ADIN n° 2586 e pelo próprio DNPM. X . E ainda estabelece no artigo 4°: Art.fomentar a pequena empresa de mineração. Belo Horizonte: Del Rey.

a taxa cobrada do titular de autorização de pesquisa mineral não é receita originária. ostenta em seu site na Internet. se caracteriza a atividade econômica. 142. concessão ou permissão. Nestes casos. o que como esclarecido não ocorre na pesquisa mineral.59 A propositado é observar eu o DNPM. As prováveis hipóteses que podem ensejar a concessão de Guia de Utilização também estão relacionadas à pesquisa. do Código de Mineração. somente poderá ser realizada em caráter excepcional. autorização. a realização de ensaios industriais e de mercado. de 14/44/96. ou por utilização de bem público. São Paulo: Malheiros. não sujeito à delegação. 1996. 2 No caso sob analise. . através da obtenção de Guia de Utilização. ao mesmo tempo que declara a condição de preço público da Taxa Anual por Hectare. a Taxa Anual Por Hectare. 20. e desta forma. paradoxalmente. O preço público. pois. Não há como caracterizar a Taxa Anual por Hectare como uma receita originária pela utilização de bem público. cabe analisar se foram obedecidos os ditames da Constituição Federal e do CTN.1946-9. a extração mineral na fase de pesquisa. inciso II. para a extração e comercialização do minério. 98. contendo a manifestação do representante do Ministério Público 2 Federal. mas derivada de serviço prestado. ed. entretanto. ou mesmo para custear até 50% dos trabalhos de pesquisa. cujo teor inclui o seguinte trecho(verbis) De se notar que o referido autor bem observou que na fase de pesquisa mineral não há a disponibilidade das riquezas minerais ao particular. nada tem haver com receita originária decorrente de exploração mineral. como a verificação da viabilidade da lavra seja técnica ou econômica. como referência jurisprudencial sobre a mesma. como bem ensina o renomado Geraldo Ataliba: “preço só cabe quando há disponibilidade da coisa”3. 3 Ataliba. ou atividade econômica exercida pelo Estado. a natureza tributária da taxa a que se refere o art. será necessário o recolhimento da CFEM – Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais. não pode ser objeto de delegação ao particular. ou das riquezas minerais. a sentença lavrada no mandado de segurança pertinente ao processo n. Geraldo. aí sim.314. Estabelecida. O trabalho realizado pelo DNPM é típico da Administração. O beneficio no caso somente poderia ocorrer com a exploração da jazida. na sua definição. Hipótese de incidência tributária. o qual por sua vez. só cabe quando há disposição do bem. pois. p. 5. com alteração da Lei 9. Portanto. que é a participação no resultado da exploração.

única e exclusivamente. Min. e como tal.048/SP – 2ª T. Assim. porque o trabalho da fiscalização independe do tamanho da placa de publicidade (CTN 78. 4 Vide: “Tributário. – DJ 09.12. – Rel. eis que a lei delegou a fixação de elementos da regra de incidência tributária. à discrição do Ministro das Minas e Energia. notadamente base de cálculo e alíquota. deve ter uma base imponível condizente com essa espécie de tributo. Ari Pargendler – um. Taxa de licença de publicidade. 78. A taxa de licença de publicidade não pode ter como base de cálculo “o espaço ocupado pelo anúncio na fachada externa do estabelecimento”. a forma como foi instituída a Taxa Anual por Hectare.1997) (grifos nossos) . a base de cálculo da Taxa Anual por Hectare deve. através de Portaria. Por certo. Base de Cálculo.). da Constituição Federal. acarretou violação à regra da estrita legalidade tributária.60 Neste prisma. em parte”. tendo como fato imponível o exercício regular do poder de polícia do DNPM. escrita no artigo 150. Recurso Especial conhecido e provido. (STJ – Resp. a Taxa Anual por Hectare é um tributo vinculado a uma atuação estatal. mensurar o valor e o custo da atuação estatal e não adotar um critério que diga respeito a dimensão em hectares da área objetivada ou do contribuinte4. I.

61 8 CONSIDERAÇÕES FINAIS A conclusão desta dissertação remonta à natureza jurídica da Taxa Anual por Hectare como um tributo vinculado a uma atuação estatal. O objetivo da atividade fiscalizadora pelo DMPM durante a pesquisa mineral é verificar o cumprimento da obrigação de realizar a . Sob estes aspectos podemos fazer a afirmação de que na fase de pesquisa mineral não há a disponibilidade das riquezas minerais ao particular. Dá analise da legislação atinente à instituição e cobrança da Taxa Anual por Hectare e do sistema de tributário do Brasil. Quanto à ocupação da área para realizar a pesquisa mineral. 176 da Constituição. Ao analisar todos os aspectos jurídicos e contextuais da atividade de pesquisa foi possível solidificar o entendimento de que a atividade de pesquisa não acarreta exploração mineral. Enquanto não há jazida e não são explorados os recursos minerais. não há utilização de bem público. tendo como fato imponível o exercício regular do poder de polícia do DNPM durante a realização dos trabalhos de pesquisa mineral. eis que se trata de uma prestação pecuniária. Finalizando. conforme disposição do art. foi instituída por lei e é cobrada de forma vinculada. ficando ainda afastada a possibilidade de caracterizar a natureza de preço público. constou-se que a TAH preenche os requisitos previstos no artigo 3° do Código Tributá rio Nacional para a caracterização de tributo. verificou-se o exercício da atividade fiscalizadora do DNPM decorrente do seu poder de polícia que foi outorgado de forma originária e especial sobre as atividades de mineração. tem caráter compulsório e não constitui sanção por ato ilícito. foi elucidado que os trabalhos de pesquisa se desenvolvem na realidade na superfície. nenhuma das hipóteses capazes de configurar a Taxa Anual por Hectare como receita originária proveniente de cláusula contratual foi evidenciada. somente tem sua existência comprovada ao final dos trabalhos e com a aprovação por parte do DNPM do Relatório Final de Pesquisa. Assim. não há a aferição de uma atividade econômica. havendo ocupação da propriedade imóvel e não do subsolo. ou atividade econômica exercida por delegação do Estado. a jazida mineral considerada bem da União.

62 pesquisa em conformidade com as disposições do Código de Mineração e com o Alvará outorgado. eis que preenche todos os requisitos do artigo 3° do Código Tributário Nacional. . sujeitando-se as Regras do Sistema Tributário Nacional. não há como afastar a idéia de que a relação que se estabelece entre o Minerador e o DNPM após a outorga do Alvará de Pesquisa é de “fiscalizado” e “fiscalizador”. Assim. não há outra razão para se dar ensejo à cobrança da Taxa Anual por Hectare por parte do DNPM. tem como f ato imponível o exercício regular do poder de polícia do Departamento Nacional de Produção Mineral e se enquadra como receita derivada. Diante de todas estas considerações. conclui-se que a Taxa Anual por Hectare tem natureza jurídica tributária.