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Notícias / 2011

Lento, mas eficaz
Criado fertilizante que libera nitrogênio aos poucos no meio ambiente. Além de evitar desperdícios e ser menos agressivo ao solo, o produto garante às
plantas melhores condições de crescimento.

Por: Katy Mary de Farias
Publicado em 27/09/2011 | Atualizado em 27/09/2011

Planta, solo e meio ambiente vão se beneficiar do fertilizante desenvolvido por
químicos da UFPR. O produto permite a liberação lenta de nitrogênio nos
plantios. (foto: Guy Shapira/ Dreamstime.com)

Economia nas práticas agrícolas e equilíbrio ambiental. Essas são as duas principais vantagens do fertilizante desenvolvido recentemente no
Departamento de Química da Universidade Federal do Paraná (UFPR). O novo produto, que pode ser aplicado em qualquer tipo de solo ou cultura,
permite que o nitrogênio, presente na ureia, seja liberado de forma lenta nas plantações.
Segundo o químico Antonio Salvio Mangrich, como a ureia – o mais nitrogenado dos fertilizantes – é mal absorvida pelo solo, o nitrogênio não se fixa
de modo eficaz à raiz das plantas, causando déficit de proteína nos cultivos, entre outros problemas.
“Na forma solúvel, como normalmente se apresenta, até 70% do composto nitrogenado costumam se perder devido à evaporação e à lavagem do solo
pela água da chuva”, diz Mangrich. Dessa forma, todo nitrogênio não absorvido pelo solo vai parar em rios e lagos, causando sérios danos ambientais.

“Na forma solúvel, como normalmente se apresenta, até 70% do composto nitrogenado costumam se
perder”
A solução encontrada pela equipe da UFPR foi criar um produto granulado. Para obtê­lo, intercalaram, em uma estrutura que lembra um sanduíche,
ureia e caulim (um tipo de argila). O caulim faz as vezes das fatias de pão do sanduíche; a ureia é o recheio. O pulo­do­gato do processo está no
emprego dessa argila. Por reter a ureia no interior de sua estrutura, ela faz com que o nitrogênio seja liberado lentamente.
O químico Fernando Wypych, também membro da equipe, explica o processo básico de obtenção do novo fertilizante. A operação consiste em atritar
as duas substâncias (ureia e caulim), friccionando­se uma contra a outra.
Em seguida essa estrutura mista é moída, dando origem aos grânulos. “O resultado é um produto extremamente resistente, em que as moléculas de
ureia permeiam a estrutura do caulim”, diz o químico. Segundo ele, o método é trabalhoso, mas compensador, já que não há perda de ureia. 
Resistência

O produto foi submetido a dois testes de resistência: a temperaturas elevadas (até 150 ºC) e a água em abundância (como ocorre no caso de chuva
torrencial). Em ambas as situações as substâncias não evaporaram, e o nitrogênio, mesmo em contato com a água, foi liberado lentamente.
O passo seguinte será testar o fertilizante em campo. A tarefa caberá à empresa que adquiriu o direito de uso da patente. “Acreditamos que até o final
do ano o produto já possa ser aplicado no solo”, espera Mangrich.
Fernando Wypych lembra que, para tornar a estrutura mais resistente e capaz de liberar nitrogênio de modo ainda mais lento, a equipe desenvolveu
um material à base de polímeros biodegradáveis para revesti­la. A necessidade de nitrogênio varia segundo a plantação, o tipo de solo ou as condições
climáticas.

 continuará sendo necessário adicionar aos cultivos fosfato e potássio. que permitem liberação ainda mais lenta da substância. Matéria­prima farta e barata Mangrich e Wypych ressaltam os benefícios econômicos do novo fertilizante. o mesmo produto revestido com polímeros biodegradáveis.. Carloscarcos  •  4 anos atrás Qual firma de fertilizantes adquiriu o direito da patente do novo produto nitrogenado? ABS: Carlos Alberto de Carvalho Costa/produtor de café △  ▽ • Responder • Compartilhar ›  Fortconsultoria  •  4 anos atrás Parabéns pelo trabalho! △  ▽ • Responder • Compartilhar ›  Bioamandinha  •  4 anos atrás Ótima iniciativa! Parabéns pelo trabalho! △  ▽ ✉ Assinar feed • Responder • Compartilhar ›  d Adicione o Disqus no seu site  Entrar ὑ Privacidade . Os pesquisadores acrescentam que. resume Wypych. esses polímeros têm ainda a vantagem de servir de alimento para os microrganismos presentes no solo. “Trata­se de uma matéria­prima barata e que não exige alta tecnologia de produção”. para garantir as exigências nutricionais das plantas. a parte do mineral usado no fertilizante não absorvida pelas plantas não causa problemas ambientais. já que o caulim é encontrado em abundância em quase todo o território brasileiro. o produto em condições de liberar nitrogênio lentamente; à direita. Katy Mary de Farias Especial para a CH On­line/ PR 3 Comentários 1  Ciência Hoje On­line ⤤ Compartilhar   Recommend  20 Ordenar por Melhor avaliado Participe da discussão. (fotos: Katy Mary de Farias) Produzidos a partir de resíduos de amido de mandioca. fertilizantes comumente usados pelos agricultores e cuja liberação é naturalmente lenta. o Brasil é o sexto maior produtor de caulim do mundo. Além disso. como o caulim é um constituinte do solo. Segundo informações do Departamento Nacional de Produção Mineral. batata ou milho. À esquerda. obtido a partir da associação entre ureia e caulim..Duas amostras do novo fertilizante.